Como apoiar
a liderança
criativa feminina
na indústria da
propaganda
JUNHO DE 2015
INTRODUÇÃO
PA P E L & C A N E TA
Do nosso
coração para
o seu.
Todos os dias podemos olhar para o mundo e conhecer como
agências de diferentes lugares estão desafiando as regras
em busca de novos caminhos para o futuro. No entanto, e se
líderes que estão despertando mudanças positivas de uma
forma corajosa pudessem se conectar para compartilhar
pontos de vista e co-criar um novo amanhã?
É exatamente esse pensamento que faz o Papel&Caneta
ganhar forma, vida e amigos. Amigos que não são apenas
líderes talentosos e premiados, mas acima de tudo parceiros
em uma jornada movida por generosidade, coragem e união
na qual todos precisam conectar mente e coração para juntos
imaginar e inventar um futuro melhor e cada vez mais criativo
para as pessoas e o mundo.
Portanto, a partir de agora, nós compartilharemos com você o
nosso primeiro report colaborativo cuja missão é iluminar um
tema super importante que para muitas agências e empresas
ainda é um desafio. Talvez difícil de ser resolvido, mas não
impossível. Porque nós acreditamos que se existe de verdade
BUENOS AIRES
CHICAGO
SÃO PAULO
AMSTERDAM
NEW YORK
SHANGHAI
01
LOS ANGELES
TOKYO
SYDNEY
BOULDER
LONDRES
a vontade de transformar para melhor, qualquer coisa é, e
sempre será, possível. Não importa onde estejamos.
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A indústria da propaganda está em constante mudança. E isso se torna bem claro se olharmos
para as últimas décadas e percebermos o quanto as agências tem transformado seus próprios
ambientes. Enquanto algumas optaram por se tornar mais integradas ao incorporar o universo
digital, outras encontraram na postura estratégica o seu principal aliado. Soma-se a isso
o fato de que, hoje, tamanho não é mais documento. Afinal, uma agência com apenas 15
pessoas em sua equipe pode ser tão incrivelmente criativa quanto uma outra com 300.
Sem dúvidas o mundo vem mudando.
Será que durante todo esse tempo a maioria
E com tantas transformações sociais e
dos líderes tem olhado mais para fora
culturais, o jeito de fazer comunicação
do que para dentro? Ou melhor, será que
evolui, e as agências encontram novas
eles estão buscando ser tão eficientes
formas de pensar e trabalhar. Porém a
para seus clientes tanto quanto serem
dúvida que surge neste momento é:
transformadores em suas equipes?
PA P E L & C A N E TA
A liderança feminina ainda não é maioria no universo corporativo pelo mundo
afora. E quando o assunto é agência de propaganda, ela também não é –
especialmente se voltarmos o nosso olhar para a área de criação. E se existe
alguém que ainda pensa que isso é uma questão relacionada à performance ou
falta de talento, podemos afirmar de que sobre isso ele está completamente
enganado. Inclusive, dados não faltam para comprovar e reafirmar o quanto as
mulheres são transformadoras, criativas e inspiradoras.
SAIBA MAIS
@KatGordon
Segundo o ‘3% Movement’ – iniciativa
lançada em 2012 e conduzida de uma forma
muito corajosa por Kat Gordon – em 2004
apenas 3% dos Diretores Criativos das
No entanto, apesar de sabermos que essa questão ainda é um desafio de
muitos mercados e agências – seja ela global ou local - através desse report
agências americanas eram mulheres. E por
a nossa intenção não é ficar preso ao passado, mas sim olhar o presente para
mais que esse dado reflita um cenário local
imaginar o futuro. Por isso, agora, vamos iluminar casos que de uma maneira
e tenha alcançado 11% no ano passado
especial estão abrindo portas para o novo e, mais do que isso, nos deixando
(2014 Communications Arts Advertising
ainda mais otimistas sobre o amanhã.
Annual), não é difícil olhar ao nosso redor
e perceber que, aonde quer que estejamos,
ele também pode ser uma verdade.
“Women are not being paid enough, we are not being promoted
enough and mostly we are treated appallingly. It’s not good
enough. There are not enough women in middle management
positions and there are not enough women in senior positions
in advertising. We should not be patting ourselves on the back.”
Kate Robertson, ex-presidente global da Havas Worldwide.
Eles representam atitudes
corajosas que estão
fortalecendo a liderança
feminina criativa em
diferentes lugares do mundo,
cada um com seu próprio
poder de transformação.
Talvez ainda seja cedo para afirmar se
todos os casos guardam a resposta para a
solução. Mas isso também não importa. O
que vale aqui nesse momento é a coragem
para apostar, seguir a intuição, acreditar
no novo e ir em frente. Até porque, se
esses exemplos estão transformando
outros lugares, por que não conhecermos
um pouco mais sobre eles?
marketingmagazine.co.uk
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12 casos
que tem
ajudado a
impulsionar
a liderança
criativa
feminina na
indústria da
propaganda.
2
Women in Technology
Women@Havas
Programa lançado ano passado pela
Um programa iniciado no
agência Razorfish de Sydney para
Havas Creative Group por
dar forças à presença feminina na
Patti Cliffort (Chief Talent
indústria digital e de tecnologia por
Officer) que apresenta eventos
meio de estágios, treinamentos,
e treinamentos, no qual suas
eventos e projetos em parceira com
principais características é
outras instituições, como Miami
ouvir mulheres que trilharam
Ad School, General Assembly e a
caminhos diferentes para
Universidade de Sydney.
entender como elas alcançaram
uma posição de sucesso.
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SheSays
Organização internacional de voluntariado presente
em 22 cidades cuja missão é ajudar mulheres
da indústria criativa e digital a potencializarem
suas carreiras por meio de encontros, workshops
e eventos onde profissionais talentosos
compartilham aprendizados e inspiram pessoas a
transformarem realidades. Além disso, SheSays
tem uma plataforma especial chamada ‘Shout’
que conecta mais de 3.000 mulheres para que elas
possam trabalhar em projetos reais voltados
para o público feminino.
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The 11-minute
Commitment Challenge
Exercício desenvolvido pela Sapient Nitro no qual a missão é capacitar seus
profissionais para que se comprometam com simples ações diárias, pois segundo a
agência todos tem o poder de promover mais diversidade no dia-a-dia. E aqui surgem
atividades que possam desenvolver ativamente as habilidades de liderança feminina
GWEN
Changing The
Game Awards
Programa desenvolvido por mulheres
Criado pela THE AWNY
da Edelman que se uniram para que a
FOUNDATION – braço
participação da liderança feminina sênior
filantrópico da Advertising
na empresa chegasse a 50% até 2016. Até
Women of New York – o
o momento, a iniciativa conta com 850
Changing The Game Awards
participantes – incluindo alguns homens
é uma premiação anual
- e acontece através de conferências
que tem como objetivo
realizadas a cada trimestre, além de
reconhecer e valorizar
outros encontros. Como resultado, hoje as
mulheres corajosas que estão
mulheres já constituem 41% de liderança
inovando e reinventando
sênior – uma conquista admirável se
as regras para transformar
comparado a 33% no início do programa.
agências, marcas e clientes.
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em todos os estágios da carreira, desde convidar mulheres com nível júnior para
encontros de liderança até promover treinamentos para apresentações.
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The Empower Scholarship
Como uma forma de comemorar o Dia da Mulher
homenageando sua equipe feminina, a DDB
New Zealand criou ano passado o The Empower
Scholarship – uma iniciativa que doou cinco bolsas
de estudo para cinco mulheres da agência. O prêmio
proporcionava-lhes não apenas o contato com um
mentor sênior, como também sessões de coaching e
um curso de formação externa que fosse relevante
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The Gender
Avenger Tally App
A Gender Avenger –
POSSIBLE Seattle
comunidade dedicada a
A POSSIBLE é uma agência digital que tem
sempre façam parte do
Microsoft, AT&T e Coca-Cola como alguns
diálogo público – lançou
de seus clientes. No entanto, depois de uma
este ano um aplicativo
análise interna, Martha Hiefield (presidente)
chamado GA Tally. Através
descobriu que 15% de sua liderança criativa
dele qualquer pessoa pode
era composta de mulheres – embora 40% do
criar gráficos sinalizando a
total de funcionários fosse do sexo feminino.
baixa representatividade de
Diante disso, ela decidiu ir em busca de novos
mulheres em eventos. Para
caminhos. Ela mudou a estrutura salarial,
isso basta apenas digitar
planos de promoção e aplicou políticas
a hashtag da conferência
internas mais amigáveis, como: horas de
junto com o número de
trabalho mais flexíveis e maior período para
homens e mulheres para
licença maternidade. E apesar de ela ainda
que a ferramenta já crie
não ter um resultado em números, a retenção
um gráfico que possa ser
já mostra sinais de melhoria.
compartilhado.
assegurar que mulheres
para o seu desenvolvimento.
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Não há dúvidas de que todos esses casos abrem portas para
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novos caminhos e confirmam que a mudança já está acontecendo
em diferentes lugares. Tudo para que mais e mais mulheres
Ogilvy & Mather
North America
possam ter uma carreira de sucesso na indústria da propaganda,
equilibrando vida pessoal e profissional, se tornando líderes,
sendo cada vez mais reconhecidas e ouvidas.
Em 2014, a Ogilvy & Mather North
Better by Half
America foi a única agência escolhida
para fazer parte da lista de ‘100 Best
Em março a DDB U.S. lançou o
Companies For Working Mothers’
projeto ‘Better by Half’ que busca
criada pela revista americana Working
discutir, identificar e remover os
Mother. A agência oferece às mães
obstáculos que impedem mulheres
uma série de políticas para conciliar
de crescer profissionalmente
vida e trabalho, desde atendimento
dentro da agência. Atualmente,
de emergência infantil, salas de
apenas 10% dos líderes criativos
amamentação no local de trabalho, e
na DDB são mulheres, por isso, a
uma política de trabalho flexível - que
partir de agora o objetivo é alcançar
permite os pais escolherem horários
50% nos próximos cinco anos. E,
flexíveis para início/fim do expediente
embora este seja um projeto interno,
de trabalho ou a possibilidade de
qualquer pessoa pode participar das
trabalhar em casa um dia por semana.
discussões e compartilhar ideias
usando a hashtag #BetterByHalf .
Saiba mais
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Porém, o que mais precisa ou pode ser feito
para que homens e mulheres possam juntos
impulsionar mudanças positivas? Existe
algo que ainda precisa acontecer dentro
das agências para que essa realidade se
transforme de uma forma ainda mais intensa,
principalmente no departamento de criação?
AMIGOS
See It Be It
Em 2014, o Festival de Cannes criou o “See it Be
It”, que busca promover as mulheres na carreira
criativa e incentivar as agências a seguirem pelo
mesmo caminho. Durante três dias, 12 mulheres de
diferentes agências ao redor do mundo se encontram
para fazer parte desse programa educacional e de
inspiração. A programação inclui desde o acesso
guiado às salas de júri, encontro com oradores VIPs,
sessões exclusivas com líderes da indústria criativa,
até a criação de um documentário como forma de
transmitir seus aprendizados para mais e mais
mulheres.
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TO K YO
SHANGHAI
SYDNEY
S Ã O PA U L O
CHICAGO
AMSTERDAM
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PAULA RIZZO
Fundadora do E*IDEIAS
São Paulo, Brasil
Acho que garantir representatividade é
muito importante. No Brasil, assim como em
muitos países, o problema não está apenas
na liderança criativa, mas sim na presença de
mulheres como um todo nos departamentos
criativos. Temos nas criações das agências
brasileiras em algo em torno de 10% de
mulheres apenas. Ao mesmo tempo, 65% das
mulheres brasileiras declara não se sentir
representada pela publicidade.
PA P E L & C A N E TA
THE BRIEF A-GENDER
RALPH VAN DIJK
Fundador da EARDRUM
Uma ideia pragmática seria entrar em contato com
organizações que representam os anunciantes em
seus países e solicitar que peçam às agências que
adicionem um campo de ‘gênero’ nos briefs criativos.
Pois isso dá ao cliente a opção de escolher conceitos
gerados, especificamente, por um time feminino. Ou
exclusivamente ou como parte da resposta da agência.
Sydney, Austrália
Os conceitos ainda são julgados pelos seus méritos, não por
favoritismo. A mensagem reforçaria a importância de obter tanto
uma perspectiva masculina ou feminina no brief criativo.
Existem práticas que estamos vendo crescer em outros
segmentos que poderiam ser adotadas pelas agências como
a criação de comitês de diversidade, a adoção de políticas
Se um pedido assim partir de um cliente, é mais provável que
a agência aja. Entendo que isso pode ser muito simplista, mas
geralmente essas são as melhores ideias.
simples, como a de sempre recrutar um mesmo número de
entrevistados por gênero para cada vaga, assegurar igualdade
salarial, ter condições de trabalho interessantes para mães
e pais (creches, apoio, incentivo, horários flexíveis), ter
na liderança da agência sempre um homem e uma mulher
dividindo o comando, enfim, coisas nesta direção.
Fora das agências em si, a criação de espaços de discussão do
assunto - como fóruns de discussão em redes sociais - trocas
de melhores práticas, criação de coletivos engajados nesta
causa colaboram para uma mudança de cenário.
Acredito ainda que melhorar a qualidade da representação
feminina na publicidade também fortalece o papel feminino
nas agências e favorece mudanças. Penso que homens e
mulheres nas agências devem refletir sobre a representação
feminina e a exploração midiática da imagem da mulher na
publicidade e o impacto social disto.
ROB CAMPBELL
Eu apoio 100% em relação à liderança feminina, mas o
problema não é só colocar mulheres nesses cargos, mas
sim ter a indústria apoiando o talento das mulheres e
dando a elas oportunidades igualitárias para crescerem
quando mostrarem determinação. Não deveria ser
tão difícil, já que as empresas vem fazendo isso com
os homens há décadas, porém, por alguma razão,
parece ser ridiculamente difícil para muitas empresas
começarem essas mudanças. Eu imagino o por quê.
Head de Planejamento na W+K
Talvez no âmbito coletivo, através das entidades máximas
Shanghai, China
Cof cof. Eu também acho que existe um problema fortíssimo
de publicidade em cada país, se deva promover estudos
sobre como as empresas tratam as mulheres quando elas
sérios que quantifiquem e clusterizem o tipo de presença
querem/têm filhos.
feminina na publicidade (uma espécie de ‘teste de Bedchel’)
capaz de identificar com mais precisão as recorrências de
A desculpa de ser uma “indústria que exige tempo” zomba de
hipersexualização, objetificação e banalização da presença
como é difícil ser uma mãe e, se as empresas aprendessem a lidar
feminina.
com esse fato, as mulheres encontrariam formas de trabalhar a
sua maneira.
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PA P E L & C A N E TA
Apoiar a liderança criativa feminina é um tópico
interessante que me faz refletir sobre nossa própria
agência. Nós temos grandes mulheres trabalhando
na Lemz em posições criativas, estratégicas e como
executivas de contas. Mas eu tenho que admitir:
hoje, não existem diretoras criativas.
TIM CLAASSEN
Eu acho que todos nós devemos perceber que
estamos numa “corrida” para vencer e não em um
“problema” a ser resolvido.
Claro que, infelizmente, este é o caso de várias indústrias,
seja financeira, automotiva, de bens de consumo ou qualquer
Sócio e Estrategista na Lemz
outra com um foco especial no mundo dos negócios. No
Amsterdam, Holanda
entanto, na indústria criativa, eu sinto que deveria - e
poderia - haver uma consciência maior sobre esse assunto.
Eu até acredito que nós podemos potencialmente conduzir
MORIHIRO
HARANO
Fundador da Mori Inc
Tokyo, Japão
uma mudança positiva. Afinal, se existe uma indústria
que deveria servir de exemplo, e que poderia mudar esse
discurso, essa indústria é a indústria criativa como um todo.
Mudar esse cenário nos próximos 10 anos deve ser meta em
Na verdade, não existe nenhuma indústria perfeita com
relação à liderança feminina até agora neste planeta. Isso
significa que o mundo da propaganda tem uma oportunidade
histórica de se tornar um grande pioneiro, que será amado
e respeitado por todas as pessoas. Portanto, não podemos
perder essa glória.
Ao mesmo tempo, nós deveríamos saber que esse cenário
pode ser um grande risco. Porque um criativo deve ser
sempre um líder que gera ideias para inspirar novos
caminhos. Você não pode ser um seguidor para os outros nas
outras indústrias (em outras palavras, seus clientes).
Seja um pioneiro, não um seguidor.
E sim, nós estamos em uma corrida.
todo o mundo. Criatividade feminina deve - e isso é muito
lógico - ser reconhecida e valorizada.
Para mim, o caso da Possible de Seattle é o melhor
exemplo, pois eles foram além de simplesmente aumentar
a quantidade de mulheres, criar um pódio ou adicionar
Nós precisamos quebrar o código de gênero - Eu
quero uma mudança cultural! Não, eu não sou uma
feminista hardcore - eu acho que devemos contratar
sempre os melhores talentos - não importa se é
homem ou mulher, mas eu acho que…
mais palavras ao discurso. Eles fizeram mudanças claras
nas estruturas de pagamento, planos de promoções e
políticas internas: passos fundamentais. Sem dúvidas esse
movimento deve ser destinado a mudanças e impactos reais
no futuro.
Um exemplo inspirador de movimento solidário é o HeForShe,
apoiado pela ONU, que mobiliza os homens a apoiarem a
outra metade: mulheres no poder.
INA BEHRENDT
Diretora Criativa na Razorfish
Sydney, Austrália
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Primeiro - Nós precisamos recrutar mais mulheres para
a indústria e Segundo - precisamos apoiar muito mais
as mulheres que já estão trabalhando nas área digital educando stakeholders e formadores de opinião sobre esses
grandes (e escondidos) talentos (especialmente no universo
da tecnologia), mudando esse desequilíbrio de como as
pessoas ‘reconhecem’ as mulheres na indústria digital como Jimmy Carter mencionou no TEDWomen de 2015: ‘Uma
mulher recebe, aproximadamente, menos 23% do que um
homem pelo mesmo trabalho. Esse número não mudou em
15 anos’.
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PA P E L & C A N E TA
Eu acho que nós temos que olhar por dois ângulos:
A. EDUCAÇÃO e B. EMPREGO
Quando se fala de equilíbrio de gênero
em posições de liderança criativa,
as agências ainda tem muito o que fazer.
Em termos de educação, nós deveríamos mostrar para estudantes como é
um emprego em tecnologia. Por isso, agências, abram suas portas e mostrem
para elas, mas também apoiem professores e ofereçam recursos e acesso.
Mais Manbassadors
Colaborem com escolas e universidades - ajudem a tornar computação e
engenharia uma grande matéria para todos.
Matemática simples. Se somente 11% dos diretores criativos
Em termos de emprego, eu acredito que programas com mentores e mais
JEAN BATTHANY
cargos em tecnologia voltados para jovens mulheres seriam fundamentais.
Diretora Geral de Criação na DDB
Também é importante dar as mulheres na indústria mais confiança e
Chicago, EUA
oportunidades, particularmente quando se trata de como evoluir nas suas
carreiras.
são mulheres, então a grande maioria dos líderes criativos são
homens. Por isso, por mais que eu apoie e acredite no poder da
mulher, eventos e organizações que consiste - em sua maioria de mulheres falando para outras mulheres, apenas isso não é o
suficiente. Nós precisamos da ajuda dos 89% “manbassadors”,
homens no topo das agências que entendem e acreditam no que
as pesquisas mostram: que quanto maior o equilíbrio de gênero
VAMOS COLABORAR MAIS, NOS JUNTAR MAIS e IMPULSIONAR grupos,
eventos de tecnologia, feiras de carreiras, maratonas, etc.
em posições de liderança, melhor a performance. Portanto,
o equilíbrio de gênero não é só a coisa certa a se fazer, mas
também a coisa inteligente a se fazer.
Eventos assim são uma fonte de pessoas inspiradoras, inteligentes e
talentosas que criam um grande impacto. É por isso que é tão importante hoje
em dia - onde ainda há uma falta de diversidade de gênero em startups, na
Acostume-se ao desconforto.
ciência, tecnologia e engenharia - entender isto como uma responsabilidade
social e corporativa para encorajar mais jovens mulheres a aprenderem
Aqui vai uma ideia radical: Dê uma olhada na porcentagem de
sobre a variedade das oportunidades de carreira para entrar na indústria
mulheres na posição de líderes criativos na sua agência. Vocês
da tecnologia, se tornar cientistas, engenheiras ou empresárias, e mudar a
atingiram a cota dos 11%? Parabéns, agora dê ao seu time a meta
maneira como pensamos e interagimos.
de aumentá-la em 10% este ano. Não está nem perto? Aumente
em 20%.
Nós precisamos atingir o nervo, demonstrar nossa paixão - Computação é a
alfabetização da nossa vida moderna e digital que comanda o mundo. Minha
É da natureza humana querer estar e trabalhar com pessoas
recomendação: vamos fazer mais para mostrar às jovens as oportunidades
similares. Então não é tão chocante que muitos homens
que existem nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, e
brancos que estão no topo queiram contratar e promover mais
apoiá-las.
homens brancos. Esses profissionais precisam se acostumar
ao desconforto. Recrutadores de talentos devem ir além do
‘esperado’ homem e branco e diversificar os candidatos.
Confie em mim, eles/nós estamos aqui. Aqueles que fazem as
contratações precisam olhar para o trabalho do candidato antes
do seu gênero ou etnia. Se o nível de talento é o mesmo, dê uma
olhada na proporção da sua agência. Já não tem caras brancos o
suficiente? E criativos, façam um favor, deixem o box ‘gênero’ dos
seus sites no modo neutro. Eu não estou dizendo que você tem
que agir como um dos caras, mas deixe o seu talento ser
visto primeiro.
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Treinamento
PA P E L & C A N E TA
Estágios. Mentores. Patrocínios.
Não deixe que as mulheres da sua agência façam péssimas apresentações. Esse é um
ótimo conselho da 3% Conference do ano passado. Muito do nosso valor como líderes
criativas vem de como nós apresentamos e vendemos um ótimo trabalho. Geralmente
isso não vem naturalmente e pode levar anos de prática e sim, treinamento. Invista nas
pessoas que mostram compromisso. Por isso, ensine-as como dominar fisicamente
a sala, como contar histórias e como ouvir. Ensine-as a não só ter uma opinião, mas
também a ter poder de persuasão.
Na DDB Chicago nós usamos o programa LaunchPad tanto para estágios
quanto para sessões com mentores. Jovens criativos consegue entrar para
a área de negócios, há muita experiência e treinamento. Futuros líderes
criativos agem como seus mentores e, portanto, aprendem na prática como
serem líderes criativos.
Encontrar ou ser destinado a um mentor pode ser difícil e parecer
extremamente forçado. Sendo você homem ou mulher, tome iniciativa e
encontre três mulheres para serem mentoras agora. Você não precisa ser um
Dane-se a política interna
sênior com cargo de gerência, sempre há alguém abaixo que precisa de uma
(mais um super conselho da 3% Conference)
Uma notícia: mulheres tem bebês. Não todas, claro, mas muitas. E hoje em dia, lá
pelos 30, quando a maioria dos criativos dá novos passos. É possível ser uma mãe e
uma líder criativa. Eu sou uma e conheço várias. Nós precisamos de mais flexibilidade
para não perder metade da nossa mão-de-obra: maiores licenças maternais, maiores
licenças paternais, tempo flexível, home-office, opções de creches mais em conta.
Quer manter uma mulher quando ela tiver um bebê? Planeje o seu retorno antes dela
partir. Deixe que ela saiba que existem opções além das oito semanas que é o padrão.
ajuda para crescer.
Se você é um líder criativo, você está na posição perfeita para ser um
patrocinador. Você tem o poder e a influência de promover mulheres
talentosas tanto internamente quanto externamente. Para o próximo grande
trabalho, júri de um prêmio ou painel da indústria. Não há nada como o
incentivo de um líder criativo bem-sucedido para instaurar confiança no que
parece ser uma coisa não muito certa. “Boca-a-boca é o meio mais poderoso
de todos.” - Bill Bernbach
Faça com que os pais tirem suas licenças paternais e aproveite doando mais um pouco.
Mostre a sua agência que é preciso de dois pais para fazer e criar uma criança.
Better By Half
E nós podemos parar de fingir que precisamos trabalhar por 24h, 7 dias por semana
para fazer um bom trabalho. Isto não é verdade. Nossa indústria precisa melhorar em
A DDB revisou os números e reconheceu que nós podemos definitivamente
definir limites.
fazer mais. A nossa iniciativa Better By Half começou para trazer homens e
mulheres juntos em todos os níveis e para discutir e encontrar oportunidades
para melhorar o equilíbrio de gênero em nossa indústria, na nossa agência.
Fale
Em última análise, à procura de maneiras de promover e reter mulheres mais
Fale o que você pensa. Se você enxergar, denuncie o sexismo. O seu time na agência
precisam ser sempre parte da conversa.
talentosas. Já que o equilíbrio de gênero beneficia a todos, homens e mulheres
é predominantemente masculino? Fale. Você foi convidada para ser a única
representante feminina na sala? Não deixe que sua observação passe despercebida.
Só mulheres conseguem montar um projeto ‘feminino’ tal qual uma ‘prisão rosa’? Não,
obrigada. Um dos meus exemplos favoritos sobre essas velhas crenças: Parabéns, você
tem um painel só com homens: http://allmalepanels.tumblr.com
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Lista especial criada pelo movimento 3% com 50
coisas que você, sua empresa ou cliente podem
colocar em prática a partir de agora.
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