ABSTRACT: Our proposal is to aim at a way of forming readers qUick at processing imformation and for that, be aware of the linguistic markers left by the enunciator in the text. This work develops a study of the journalistic text reading process, more specifically the temporality, based on a theory of language activity. A granuitica da enuncia~o e uma gramatica que se apresenta como urn sistema coerente de constru~o do texto. 0 que da coerencia a esse sistema e 0 proprio conceito de enuncia~o. Trabalhando com enunciados, estaremos trabaJbando com seqiiencias textuais que 530 validadas por urn enunciador, dentro de uma situa~o de enuncia~o. As frases, portanto, selio series gramaticais destacadas da situa~o de comunica~o como urn todo. Todo enunciador se serve de marcadores gramaticais (de tempo, aspecto, modalidade ou determina~o) para exprimir: l.como ele se situa com rela~o ao que ele diz, ou em outras palavras, 2. como ele se situa de acordo com seu ponto de vista; de que maneira ele se dirigeao seu co-enunciador. Marcar urn verbo como ponto de referencia com rela~o ao momento da enuncia~o, e marcar se 0 acontecimento que e descrito pelo verbo passa-se ao mesmo tempo que 0 momenta da enuncia~o (T=TO), ou se se passa anteriormente (T(TO), sendo que TO refere-se ao momento da enunci~o e T refere-se a a~o que e descrita peloverbo. T=TO - Veja, Maria esti vindo = identifica~o T(TO - Maria foi embora Ita dez minutos = deferencia~o Segundo Kerbrat-0recchioni (1980, p. 45), exprimir os tempos e localizar urn acontecimento sob 0 eixo da dura~o em rela~o a urn momenta T tomado como referencia. Podemos conceber, portanto, que a lingua opOe dois tempos, conforme 0 processo seja denotado aquem ou alem do marco temporal acima referido. TI = que seria 0 momento da instfutcia enunciativa, de referencia contextual e, T2 = que seria 0 momenta da instfulcia enunciativa de referencia deitica. No portugues, a localiza~ao temporal efetua-se. essencialmente. gra~as as formas temporais da conjuga~ao verbal e dos adverbios e IOCU9OeS adverbiais, sendo que 0 jogo das formas temporais explora, quase que exclusivamente, 0 sistema de marca¢o deitica. Deitico e todo elemento lingiiistico que, num enunciado, faz referencia a situa¢o em que esse enunciado e produzido e ao momento do enunciado. Segundo Cervoni, a deixis temporal nao se limita as formas que remetem ao presente da enuncia¢o; ela [a deixis temporal], tambem, compreende as [formas] que marcam 0 passado e 0 futuro e cujo referente so e determinado em rela¢o a esse presente. Podemos perceber, entao, que 0 presente tern uma significa¢o mais ampla, pois admite qualquer epoca e sera marco divisorio entre 0 passado e 0 futuro. Kerbrat-0recchioni (1980, p. 60) admite que a escolha de uma forma de passado, presente ou futuro, dentro de um enunciado, e de natureza eminentemente deitica. Significante: passado Significado: processo anterior a TO presente concomimncia futuro processo posterior a TO Exemplifica a rela~ao temporal com 0 seguinte enunciado: Ela me disse que viria me ver. Podemos notar que TO e 0 momenta da instancia da enuncia¢o, T1 e 0 momento da realiza¢o do processo de dizer (disse) e T2 e 0 momenta da concretiza~ao do processo de vir (viria). T2 e, portanto, posterior a TI. t processo de vir \ processo de dizer Tomemos uma asser¢o positiva no presente. E a forma mais proxima da rela~ao predicativa, porque se trata de uma simples aproxima¢o de um sujeito e de um predicado. 0 enunciador recupera uma rela¢o predicativa ja estabelecida no extralingiiistico: ele sOvalida tal rela¢o e a considera verdadeira. Para analisarmos 0 tempo presente, dentro de um texto, portanto, devemos examinar a maneira como se reporta a n~o e devemos ter em conta 0 contexto. Examinemos algumas manchetes de 0 Estado de S. Paulo, de 16 de fevereiro de 1998 (segunda-feira): I Sao Paulo e Palmeiras jogam na terca-feira I india inicia elei¢es sob impacto de 81 mortes I india inicia elei~Oessob impacto de 81 mortes Verificando os verbos de cada enunciado (manchete), podemos notar que todos esmo no presente do indicativo (tempo comurnente utilizado na elaboracao da manchete); entretanto, cada verbo tem urn valor temporal diferente do outro: jogam tem valor de futuro, uma vez que a acao de jogar esti em prospeccao com relacao a data do jornal (tempo-zero - segunda-feira); inicia tern valor temporal de presente, pois buscando a noticia desenvolvida na pcigina interna do jornal, teremos a informacao que as eIei¢es na India com~ na mesma data do jornal (tempo-zero da enunciacao) e 0 verbo causam, modificado pelo adverbio ainda, ja nos passa a ideia de continuidade do passado para 0 presente, ou melhor, os Modems 56k causavam e continuam causando muita con:fusao. Geralmente, as manchetes vem com 0 verbo no presente para atualizar 0 fato; no entanto, no desenvolvimento do texto, poderemos identificar 0 valor que 0 enunciador pretendeu dar ao verbo. Podemos nos perguntar em que tais marcas podem nos ajudar a compreender melhor 0 texto jornalistico e como a presteza em encontra-Ias podera nos ajudar a ficar mais criticos na leitura de urn texto. A medida que vamos adquirindo a habilidade para encontra-Ias e entende-Ias, vamos entendendo que 0 enunciador tern uma intencao comunicativa e que e por meio dessas marcas, que nos Ieitores, ao transformarmos 0 enunciado em discurso, vamos recontruindo 0 texto. 0 texto e urn todo organizado em que expressao e conteudo moidam-se. Cabe ao Ieitor identificar a intencao do enunciador quando Ie 0 texto. Segundo Lage (1993, p. 16), a noticia se define, no jornalismo moderno, como 0 relato de uma serle de fatos a partir do fato mais importante ou interessante, e de cada fato, a partir do aspecto mais importante ou interessante. 0 enunciador (jornalista) vale-se da narracao, da descricao e do dialogo para compor a noticia. Na narrativa, 0 inicio e 0 fim da seqiiencia sao eleitos arbitrariamente pelo enunciador. Ele decide ate onde 0 relato deve ser estendido. Cada evento pode ser fracionado em partes, de modo que 0 enunciador escolhe o ritmo da seqUencia, ou seja, escolhe os pIanos temporais nos quais 0 texto sera trabalhado. Essa seqiiencia, escolhida pelo enunciador, pode sugerir ao co-enunciador rela~s causais que possam existir no texto e pode leva-lo a fazer inferencias e pressuposi~Oesa partir da organizacao que der a essa seqUencia. De uma seqUencia a outra., 0 enunciador faz cortes temporais ou mesmo espaciais, aos quais 0 co-enunciador tern que estar atento. Selecionamos uma noticia de jornal "PM apreende polemico uniforme escoIar" ( anexo) para exemplificar como 0 jornalista pode trabalhar com pIanos temporais para compor a sua noticia. o texto em questao vem apresentado em dois pIanos temporais: urn anterior ao acontecimento principal (retrospectivo em rela~ao a TO) e outro decorrente do fato principal (prospectivo em rela~ao a TO). No primeiro plano, os tempos que deram origem ao fato principal, desenvolvido na noticia e que a apreensao do uniforme escolar, fato ja privilegiado na manchete, 0 que estimula 0 leitor a ler a noticia; no segundo plano, os fatos decorrentes do fato principal, que seriam conseqiiencia daquele. No primeiro paragrafo, 0 enunciador (jornalista) introduz 0 fato, dando informa~oes gerais sobre 0 desenrolar da noticia. E uma es¢cie de resurno da noticia, mais comurnente conhecido como lide. Isso ja leva 0 C<H:nunciador (leitor) a fazer hip6teses de leitura e algumas inferencias. 0 jornalista, nesse paragrafo, utiliza 0 termo apologia que e explicado em "box" existente a direita e acirna do texto, que por tratar-se de uma lei e serem introduzidos por verbos no infinitivo, dao urn valor generico aos enunciados, pois podem ser validados por qualquer enunciador que tenha conhecimento da lei. Se tomarmos as inferencias, teremos claro que, se as camisetas foram apreendidas, existe algo de errado com elas e, se se trata de estudantes, alguem deveria ter tornado providencias quanto ao fato. Ap6s lermos a noticia integralmente, notamos que 0 jornalista considerou como fato principal a apreensao do uniforme, razao pela qual escolheu 0 titulo em questao e iniciou 0 seu relato por esse fato. Mas, se verificarmos com mais aten~o, poderemos perceber que ha uma seqiiencia 16gico-temporal implicita n a noticia e que cabe ao co-enunciador refazer. Elegemos como TO,0 tempo do enunciado apreendeu A Policia Militar ontem, uma camiseta dos alunos do 2° colegial B da escola Dr. Luiz Zuiani. Tomando tal enunciado como ponto de partida, pudemos refazer a seqiiencia do texto, partindo do principio que 0 jornalista escolheu esse enfoque para dar a noticia. Trabalhamos 0 referido texto com alunos da 6&serie de urna escola publica de Bauru/SP. Solicitamos inicialmente que os alunos refizessem essa sequencia, oralmente, com a nossa orienta~o, com~do pelo fato que deu origem a noticia: a apreensao da camiseta. Depois, propusemos aos alunos urn jogo em que foram dadas taIjetas com vanos enunciados retirados do texto, que deveriam ser colocados na sequencia 16gicotemporal, sempre dentro do tempo da enuncia~o, tomando urn tempo-zero (TO) para que se pudesse fazer a retro~o e a pro~o. 0 TOeleito no texto foi compuls6rio e esse deve ser considerado como 0 marco temporal do presente, ou melhor, do momento da enuncia~ao. Primeiro plano temporal da noticia - restrospec~o em rela~ao a TO: 10 enunciado: Alunos da EEPSG "Dr. Luiz Zuiani" recusavam-se a usar uniformes; 2° enunciado: Diretora autoriza os alunos a confeccionarem camisetas personalizadas; 3° enunciado: Desde 1996, as camisetas eram usadas com dizeres e desenhos ofensivos; 4° enWlciado: DiTeiora assinou autorizaerao, em 1997, para a confeerao de camisetas do 2° colegial B, apOs conversa com a classe; 5° enWlciado: (lnferencia) : AlWlOS mandaram confeccionar as camisetas com dizeres ofensivos e as estavam usando; 6° enWlciado: PN fazia a ronda e descobriu os alWlOS usando as camisetas na porta da escola; 7° enWlciado: PM comunicou 0 fato ao Comandante, por considerar ofensivos os desenhos e os dizeres das camisetas; 8° enWlciado: Comandante levou 0 caso ao Promotor; 9° enWlciado: Promotor determinou que urn exemplar da camiseta fosse apreendido. 10° enunciado: Sera feito urn relat6rio pelo Comandante que sera enviado ao promotor jWltO com a camiseta apreendida; 11° enunciado: Sera aberto processo e 0 caso sera enviado ao juiz, que decidini se houve ou nao intenerao de promover a violencia e de quem e a responsabilidade pela confec9ao das pet;as. ConclusOes: Tal atividade de leitura do texto jornalistico enfocando a temporalidade, den aos alunos a oportunidade de lidar mais diretamente com 0 texto. trabalhar com seqnencias 16gico-temporais e. tambem. obter a noerao de TO, como marco temporal dentro de uma situaerao de enunciaer3o, ou seja. 0 relato de uma noticia. do ponto vista do enWlciador (jornalista). RESUMO: Nosso propiJsito e a busca de uma leitura que objetiva uma maneira de formar lei/ores com capacidade de processor a informa~lio mais rapidamente e que, para isso, fiquem atentos as marcas lingilisticas deixadas pelo enunciador no texto. Este trabalho desenvolve um estudo sobre 0 processo de leitura do texto joma/istico, mais especificamente sobre a tempora/idade, tomando como pressupostos teoricos a teoria das opera~oes enunciativas. ANEXO: PM APREENDE POLEMICO UNIFORME DE ESCOLA (texto retirado dojornal "Diario de Bauru", do cademo dia a dia, do dia 23/09/97) Promotor da 18 Vara entende que camisetas adotadas por alWlOSda escola Luiz Zuiani como uniforme fazem apologia violencia Cristina Lima RepOrter do Diario a A Policia Militar apreendeu ontem uma camiseta dos alunos do 2° colegial B da escola Dr. Luiz Zuiani, no Parque Sao Jorge, por determina~o do promotor da 1 Vara Criminal do Forum de Bauru, Geronymo Crepaldi JUnior, sob a alega~o de que a estampa faz apologia a violencia. A camiseta, levada para 0 4° distrito policial, foi adotada como uniforme pelos estudantes e traz, alem do nome da escola, os seguinte dizeres: "est! na hora de decidir o futuro" (frente) e "euja decidi 0 meu" (costas). Os desenhos tem urn rapaz mostrando urn relogio na parte da frente, e dois homens com armas na mao assaltando urn banco, com uma pessoa morta no chao, na parte de tras. A camiseta "personalizada" foi adotada pela escola M dois anos, como forma de obrigar que os alunos usem uniforme. Para que os estudantes nao se recusassem a usar a camiseta com 0 emblema do colegio, cada classe teve a liberdade de escolher os desenhos e os dizeres da camiseta que deveria usar diariamente. A policia descobriu as camisetas durante a ronda escolar no dia II deste meso Alunos do colegial estavam na porta da escola quando os policiais militares passaram no local e viram que muitos estavam usando a camiseta. Eles comunicaram 0 fato ao comandante da 13 Companhia da Policia Militar, 0 capitao Benedito Roberto Meira, 35 anos, por considerar que a camiseta seria urn estimul a violencia. Meira levou 0 caso ao promotor Crepaldi, que determinou que urn exemplar da camiseta fosse apreendido, a fim de que fosse apurada a inten~o dos estudantes ao adotarem aqueles desenhos e dizeres. Para isso, sera aberto urn processo, que devera ser avaliado pelo juiz da lniancia e Juventude, Jaime Ferreira Menino. "Apologia ao crime e urn crime, mas como eles sao todos adolescentes, nao podem responder por isso. Assim, 0 que se caraeteriza e 0 ato infracional. E urn absurdo que esses jovens fa~ urna coisa dessas, sendo que 0 Pais inteiro esta ab~do uma campanha pela paz", diz 0 capitao. 3 CERVONI, Jean. A Enunciafiio. Trad. De L. Garcia dos Santos. Sao Paulo: Atica, 1989. KERBRAT-QRECCmONI, c. La Enunciation de /a subjetividad en e/ /anguaje. Buenos Aires: Hachette, 1986. LAGE, N. A Estrutura da noticia. Sao Paulo: Atica, 1993 a ____ "A /inguagem joma/istica. Sao Paulo: Atica b.