RELATÓRIO FINAL FEIRA DE HISTÓRIA COLÉGIO ESTADUAL MANOEL RIBAS 9º ANOS Bolsistas: Anne Caroline da Rocha de Moraes, Giovana Castro, Paula Marinelli Martins e Rodrigo Bonatto Dall’Asta 1. Planejamento (geral) A proposta geral foi organizar durante um mês a Feira de História com todas as turmas do colégio para ser apresentada dia 29 de agosto, com o auxílio do professor Alisson e das professoras de Sociologia e História do Ensino Médio. Para alinhar as apresentações, a ideia é que a problematização passasse pela construção do Imaginário, Identidade e Cultura dos alunos e do público da feira aos temas. O planejamento da atividade se iniciou com uma reunião no colégio Manoel Ribas, no dia 22 de julho, com os bolsistas PIBID e o professor Alisson Gonçalves. Dessa reunião foi concluído que, de início, os bolsistas se dividiriam em grupos por séries, e cada turma das séries teria sua própria temática. Nosso grupo no princípio ficaria com dois nonos anos, que trabalhariam com Segunda Guerra Mundial e Ditadura Militar no Brasil, e com o primeiro ano do ensino médio, fazendo um trabalho sobre “o uso de objetos como fontes históricas”. Logo após a reunião nos reunimos para montar os planos de cada turma para a feira. No 9° A, trabalharíamos com Ditadura Militar no Brasil e montamos a proposta de dividir os estudantes em quatro grupos, cada um representativo de um agente histórico do período do regime militar brasileiro: Militares, Guerrilheiros, Músicos e Imprensa. Na apresentação cada grupo possuiria um narrador responsável por explicar o papel de seus agentes no período, os demais interpretam uma cena sobre o tema. No 9° B, que tinha como temática proposta a Segunda Guerra Mundial, nossa proposta foi dividir os estudantes em três grupos sobre momentos do conflito: nazismo e holocausto, batalhas e pós-guerra. A proposta foi que o público comece pela apresentação sobre o nazismo, passando pelas batalhas (invasão da Polônia, dia D, Pearl Harbor) e chegando por fim a uma explicação sobre o pós-guerra. Orientadas por um narrador geral, enquanto os demais interpretam os acontecimentos. Para o 1° ano do ensino médio elaboramos a proposta inicial para que os estudantes problematizassem como se constrói a história e o que são fontes históricas a partir das fontes que o cercam no cotidiano, com aulas expositivas sobre o ofício do historiador e o que são fontes históricas, por fim os alunos montariam apresentações sobre diferentes categorias de fontes. Antes das aulas em que as atividades seriam feitas, os bolsistas dariam aulas expositivas para situar os alunos dentro do tema de cada turma. Tais propostas de trabalho foram enviadas no dia 29 de julho para aprovação e a aplicação da atividade se iniciaria a partir do dia 30 de julho. Contudo, foram feitas reuniões durante o início das aplicações e foi decidido que não trabalharíamos mais com a turma do 1° ano e que as atividades dos nonos anos não seriam mais baseadas em interpretações no estilo teatro pois o tempo de preparação da atividade, cerca de três semanas, não seria viável para uma produção com o mínimo de qualidade, mas sim exposições do conteúdo com cartazes e fotos, porém seguindo a mesma lógica e divisões dos planejamentos. Os bolsistas então se dividiram dentro dos grupos e buscaram materiais para auxiliar os alunos em suas pesquisas e confecção de cartazes, etc. 2. Preparação: 2.1. 9º A - O tema “Ditadura Militar” foi escolhido pela turma do 9ºA. Os bolsistas pensaram em abordar esse tema de maneira que os alunos criassem algum tipo de empatia pelos personagens históricos do período, e além disso, compreendessem a diversidade de discursos presentes. Para alcançar o objetivo de abordar os diversos tipos de discurso do período, dividimos os alunos em quatro grupos: militares, guerrilheiros, músicos e jornalistas. Cada grupo teria que pesquisar sobre seu tema e representar na apresentação final como se fosse determinado personagem. 2.2. 9º B - O tema “Segunda Guerra Mundial” foi escolhido pela turma do 9ºB. Os bolsistas pensaram que esse tema é geralmente o preferido dos estudantes pela questão da violência. O tema geralmente é tratado como curiosidade, principalmente a expansão nazista, deixando de lado a questão do racismo que é primordial não só para compreender esse fenômeno histórico, mas para que se compreenda o racismo como fenômeno histórico. Além disso, era objetivo dos bolsistas que esses temas não fossem tratados de maneira a desconsiderar a gravidade do ocorrido, visto que o nazismo juntamente com a segunda guerra foram momentos de grande violência e morte que causam vergonha ao ocidente até hoje. Para tratar o assunto com seriedade, até a montagem da sala foi planejada para que se expressasse a violência e a gravidade do tema. Pensando da mesma maneira que no 9º A, dividimos a turma em três grupos, dentro desses grupos existiriam personagens históricos que representariam os diversos discursos a respeito do período. Os grupos eram: Nazismo, Segunda Guerra Mundial e pós-guerra. O primeiro foi dividido entre nazistas e oprimidos (judeus, ciganos, etc); o segundo foi dividido entre os diversos países que estavam na Guerra, e o último falaria sobre direitos humanos, criação da ONU, etc. 3. Execução: A aplicação do plano elaborado para os nonos anos do Colégio Estadual Manoel Ribas, ocorreu durante o mês de Agosto de 2014. Turma A - Ditadura Militar no Brasil Em um primeiro contato, abordamos de maneira geral os conhecimentos prévios dos estudantes sobre o que foi esse período no Brasil. Suas principais referências foram os instrumentos de tortura e censura. Partindo disso, nos voltamos a contextualizar politicamente o golpe militar de 1964, seus instrumentos de governo e repressão. Em seguida acompanhamos a turma até o laboratório de informática divididos nos subgrupos dentro do tema (Militares, Guerrilheiros, Música de protesto e imprensa) para busca de imagens e textos que respondessem sobre o papel desses grupos, seus principais agentes e sua forma de atuação. Durante este acompanhamento, os bolsistas se dividiram para orientar individualmente cada grupo, observando as páginas, imagens e textos encontrados pelos alunos e auxiliando na compreensão e interpretação das informações. No terceiro encontro, retornando a sala de aula, os estudantes sentados em círculo, compartilharam as dúvidas e informações coletadas no laboratório. Neste espaço destacam-se os questionamentos a respeito das motivações dos militares para instaurar o regime e posteriormente para necessitarem de tortura contra seus opositores. As aulas subsequentes objetivaram a elaboração do material de exposição na feira e da metodologia de apresentação dos grupos. Para tanto, graças aos recursos disponibilizados pelo programa, foram utilizadas imagens impressas selecionadas pelos alunos, bem como material de papelaria comum para a montagem dos cartazes. Além disso, a Comissão Organizadora da Semana Acadêmica de História da UFPR 2014 doou para a atividade alguns cartazes e materiais impressos utilizados no evento que teve a mesma temática. Observou-se, no entanto, certa dificuldade dos alunos na elaboração dos textos dos cartazes e da apresentação, muitos optavam por cópia direta dos conteúdos da internet, não compreendiam o conteúdo em si, e as habilidades de produção de texto são limitadas. Portanto, foi necessária a interferência direta dos bolsistas que elaboraram o material para disponibilizar em sala. Turma B- Nazismo, Segunda Guerra Mundial e neonazismo. Como na turma A, com o tema da ditadura militar, foi abordado, no primeiro encontro os conhecimentos prévios dos alunos sobre a Segunda Guerra Mundial. Dessa forma, descobrimos que os alunos haviam tido o conteúdo recentemente, portanto o conteúdo era de fácil rememoração pela turma. Alguns temas, dentro da Guerra, foram mais recorrentes como o Holocausto, o Nazismo e o Dia D. A partir desses temas, trabalhamos a contextualização histórica destes eventos com os alunos e explicamos um pouco sobre a guerra e o pós-guerra, sendo este um dos grandes três conteúdos nos quais dividiríamos os alunos, de acordo com o planejamento. Os outros dois constituíam em: Batalhas e Nazismo. Junto a essa divisão, houve também uma sub-divisão nos temas: dentro do nazismo haviam quatro sub-temas, holocausto, mídia nazista, propaganda racista e expansão nazista; dentro das Batalhas, a intervenção dos EUA, a invasão da Polônia, o ataque à base de Pearl Harbor e a bomba atômica; já no PósGuerra, a criação da ONU, a divisão da Alemanha, a criação do estado de Israel e divisão da Palestina e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, sendo que este último foi substituído pelo Neo-Nazismo pelo professor Alisson. Com isso, acompanhamos os alunos em seus grupos ao laboratório de informática a fim de que eles pesquisassem informações e fotos de acordo com os temas da divisão, dentro do contexto de Segunda Guerra. Atividade que os alunos demonstraram muito interesse, principalmente pelo imenso número de fotos que estão disponíveis online. Pedimos também aos alunos que salvassem as fotos que mais se interessaram e fizessem anotações sobre os temas em seus cadernos. Dessa forma, no terceiro encontro, separamos a turma nos mesmos grupos com o intuito de conversar com os alunos sobre os temas e sub-temas a partir das anotações feitas durante a pesquisa na aula passada. Dividimo-nos entre os grupos e, com o que foi anotado, tentamos explicar aos alunos sobre os contextos de cada tema e responder as dúvidas que surgiram com as anotações. Assim, nas outras aulas, o foco estava presente na produção do material visual para a feira e na elaboração das falas que seriam apresentadas pelos alunos. Para isso, foram usadas as anotações feitas durante a pesquisa, os materiais de papelaria comum e as fotos impressas pelos alunos para serem colocadas nos cartazes. Também foram necessários textos complementares para auxiliar os alunos, que tiveram dificuldades com o uso das suas anotações para a produção dos cartazes. Dificuldades também com o tempo disponível para a produção do material até o dia da feira, foram cinco aulas/hora distribuídas entre aula expositiva dos bolsistas, ida ao laboratório de informática, escolha dos textos e imagens e montagem da apresentação. No dia da feira, a primeira parte da manhã foi toda dedicada a criar um clima de seriedade, colocando cortinas que escureceram o ambiente e pendurando as fotos chocantes desses eventos históricos. A ambientação tinha por objetivo impactar os visitantes, para que não desdenhassem da seriedade do tema tratado ali. Os alunos auxiliaram na preparação da sala de aula dentro desse clima, colando os cartazes nas cortinas e paredes e nos ajudando a preparar as fotos que sobraram da preparação do material colocadas com um fio no teto. De uma maneira geral, os estudantes se esforçaram na apresentação, apesar de conversarem na preparação da sala e após apresentarem sua fala, mas nada que tenha atrapalhado a execução. Como acompanhamos os estudantes e percebemos que tinham conhecimento sobre os temas que apresentariam, liberamos que postassem a fala para consulta, pois o intuito não era de que decorassem os conteúdos. Quando outros alunos e professores visitavam a sala, apresentaram sem muitos problemas utilizando os cartazes e as fotos a fim de mostrar, em cores ou não, o que ficou da Segunda Guerra Mundial. 4. Avaliação geral da atividade Avaliamos alguns problemas com relação à metodologia de trabalho do supervisor do programa. Desde o início do programa notou-se um comportamento ao entender dos bolsistas, arbitrário diante dos alunos. Durante a aplicação da atividade, o professor foi responsável pelo acompanhamento de todas as turmas, desde o sexto ao nono ano, tornando mais inviável ainda o acompanhamento adequado da atividade, que demandava tempo, paciência e disponibilidade, uma vez que os alunos ficam bastante agitados diante da exposição pública de seus trabalhos. Não havia tempo para aplicar a atividade com qualidade, então apesar de um planejamento cuidadoso o principal objetivo que era fazer com que os alunos tivessem empatia pelos personagens históricos, e compreendessem o conteúdo, foi deixado de lado em prol de uma espécie de “decoreba” que foi necessária para que estes apresentassem seus trabalhos não só pra escola, mas para os pais e pessoas da secretaria de educação que foram vê-los. Esse tipo de exposição deixou os alunos inseguros, coisa que só seria superada por um longo tempo de execução e trabalho, não só dos bolsistas, mas do professor, coisa que não ocorreu. As dificuldades encontradas para aplicar a atividade nunca esbarraram nos alunos, que se mostraram bastante interessados mesmo sendo muito agitados em aula. O que mais dificultou a chegada aos objetivos foi o fato da atividade ter sido de exposição, pois em sala era percebido que eles sabiam parte do conteúdo, mas como estavam preocupados com a exposição, acabaram negligenciando o objetivo final para os bolsistas. No 9ºA os alunos ficaram muito preocupados em decorar a fala que lhes foi designada, e os bolsistas presentes falaram que eles poderiam ler, pois nós tínhamos conhecimento que eles conheciam o tema e sabiam o que estava escrito. Quando aconteceu a primeira exposição uma professora da escola os repreendeu por eles lerem, e não decorarem, deixando os alunos confusos. São questões que vemos como obstáculos a serem superados pelo PIBID nesta escola, uma vez que o corpo pedagógico não necessita estar alinhado com as propostas do programa, e nossa inserção se limita à disponibilidade da comunidade escolar em acolher propostas e pontos de vista educacionais diferenciados. A falta de qualquer benefício palpável para as escolas que recebem o projeto traz outras dificuldades. Por exemplo, houve dificuldade dos alunos em encontrar material para preparar a exposição, pois a biblioteca não é muito bem equipada, e não podemos comprar livros para escola. Se na escola não houvesse laboratório de informática a atividade seria impossível de realizar-se. Neste caso, as concepções do professor eram conflituosas com as propostas elaboradas pelos bolsistas, sendo mais uma vez um obstáculo, que entendemos que faz parte do cenário educacional em todos os níveis, e que as tentativas de diálogo foram bastante complicadas, uma vez que os professores da rede pública de ensino assumem turmas múltiplas, com muitas aulas e acumulam funções extra classe que dificultam o processo de abertura para novas metodologias de ensino e concepções historiográficas. Apesar de todas estas dificuldades percebemos que os alunos compreenderam o conteúdo, não por conta da exposição que fizeram para as outras turmas, mas por que conversamos com eles durante todas essas aulas. A avaliação real da atividade se deu durante essas conversas. A feira de História do Colégio Estadual Manoel Ribas, como já citado, foi elaborada em todas as classes de ensino fundamental, e a proposta inicial era de inclusão das turmas do ensino médio, porém, os bolsistas se comprometeram em auxiliar apenas o fundamental, e as turmas de médio atuaram na organização do dia da feira como monitores de turma. Acreditamos que um evento desse porte demanda o envolvimento de toda a equipe pedagógica e corpo docente da escola, bem como mais tempo de elaboração, problematização com os estudantes sobre como podemos abordar a história em formato de exposição, desde a importância da seleção dos temas e recortes específicos enquanto parte da aprendizagem do aluno, não apenas a execução da feira. Desta forma e com o devido tempo, poderia envolver os estudantes do colégio diretamente na organização prévia da feira, deixando que os próprios selecionassem os temas de maior interesse e elaborassem o formato mais adequado para atender esse tema, prezando pela autonomia e criatividade dos mesmos. ANEXOS: 9º A - Ditadura Militar no Brasil Figura 1 - Turma 9º A - Ditadura Militar Figura 2 - Turma 9º A Painéis de exposição sobre a ditadura militar Figura 3 - Turma 9º A Painéis de exposição sobre a ditadura militar Figura 4 - Turma 9º A Painéis de exposição sobre a ditadura militar Figura 5 - Turma 9º A Painéis de exposição sobre a ditadura militar Figura 6 - Turma 9º A Bolsistas PIBID História UFPR 1 e alunos Figura 7 Turma 9º B Apresentação sobre o Holocausto Figura 8 Turma 9º B Apresentação sobre Holocausto Figura 9 Turma 9º B Apresentação sobre o Holocausto Figura 10 Turma 9º B Montagem da exposição sobre Holocausto Figura 11 Turma 9º B Apresentação sobre o Holocausto Figura 12 Turma 9º B Apresentação sobre o Holocausto