TerraBrasil 2006
4 a 8 de Novembro de 2006 - Ouro Preto - Minas Gerais
ARQUITETURA DE TERRA
PROJETO E CONSTRUÇÃO DE CONDOMÍNIO HABITACIONAL
Ruy Arini (1)
Renato Nascimento (2)
(1) Escola de Engenharia Universidade do Minho, Campus de Azurém, 4800-058 - Guimarães,
Portugal, Tel: (351) 253510200/4 – Fax (351) 253510217, [email protected]
(2) [email protected]
Tel: (55 11) 31206610 – (55 11) 93424438
Palavras-chave: arquitetura, terra, tecnologia, ecologia, cooperativa
RESUMO
O trabalho consiste na apresentação do resumo do Programa Social para a construção e implantação
de um Condomínio Habitacional edificado pela Cooperativa Habitacional das Associações
Ambientalistas – COHAMB, em Guarulhos, município localizado na Região da Grande São Paulo,
utilizando a Tecnologia de Construção Ecológica em Arquitetura de Terra.
A Cooperativa foi idealizada, criada e constituída por mulheres que representam as principais
lideranças das associações populares, mantidas pela população de baixa renda, que estão
localizadas na Zona Leste da Região da Grande São Paulo, ainda não atendidas pelos organismos
governamentais responsáveis por esse segmento habitacional.
Os parâmetros financeiros adotados para a construção deste condomínio habitacional elegeram a
Tecnologia de Construção Ecológica, devido ao seu baixo custo, elevada qualidade técnica, de
construção fácil e rápida e muito boa aceitação por parte da população, que busca melhorar a sua
qualidade de vida e a qualidade do meio ambiente da cidade de Guarulhos.
Construir uma residência com melhor qualidade construtiva, estética, arquitetônica, dimensões e
custos compatíveis com o poder aquisitivo daquela população, foram as principais exigências para
que a Cooperativa Habitacional das Associações Ambientalistas – COHAMB, uma Organização Não
Governamental, pudesse construir residências com dimensões físicas mais generosas, uma vez que
as famílias de baixa renda sempre apresentam maior número de pessoas na sua composição familiar.
A COHAMB também sugeriu que o condomínio tivesse uma diversificação de tipologias e,
conseqüentemente, de fachadas, utilizando, para isso, implantações diferenciadas das habitações no
lote, construção de floreiras, jardineiras e/ou jardins, que ajudam a personalizar todas as unidades de
habitação.
Para o preparo do terreno e todo o movimento de terra necessário para a preparação dos lotes e das
ruas dentro do condomínio, a Prefeitura Municipal de Guarulhos colocará à disposição da Cooperativa
os equipamentos do Setor de Pavimentação. Os aspectos técnicos de implantação foram estudados e
definidos juntamente com os técnicos das Secretarias Municipais, responsáveis pela criação do
Programa Social do Condomínio, em conjunto com as lideranças das Associações, caracterizado pela
criação de hortas, pomares, granjas comunitárias, visando sempre o abastecimento das famílias do
condomínio em primeiro lugar. Garantindo uma alimentação mais adequada, o que deverá
proporcionar uma vida mais saudável àquela população e, conseqüentemente, melhor
aproveitamento e rendimento educacional para as crianças e adolescentes. Os produtos excedentes
do consumo interno deverão ser comercializados externamente, proporcionando um aumento do
fundo de caixa da cooperativa.
O Programa Social, no aspecto educacional prevê a montagem de creches, escolas pré-primária, e
de ensino fundamental, além do ensino profissionalizante de formação e capacitação de mão-de-obra
para diversas atividades profissionais que a região necessita, controladas pelas Secretarias
Municipais e pela COHAMB. No Setor de Saúde, a Prefeitura Municipal de Guarulhos se propõe
instalar postos de saúde e um centro de saúde municipal dentro do condomínio.
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1. INTRODUÇÃO
Alterar o conceito dos projetos de arquitetura e a efetiva construção das habitações de
interesse social produzidas pelos órgãos governamentais, por si só, justifica o trabalho
desenvolvido pela Cooperativa Habitacional das Associações Ambientalistas – COHAMB,
que vem, neste momento histórico, representar as lideranças da população de baixa renda,
localizada na Zona Leste do município de São Paulo, para implantar este Programa Social
que, além de planejar uma melhor qualidade de vida para seus associados, também está
preocupada com a preservação do Meio Ambiente e da Ecologia.
A proposta utilizará a Tecnologia de Construção Ecológica em Arquitetura de Terra,
caracterizada pela utilização de BTC, blocos de terra compactada, para construir habitações
dimensionadas, segundo a capacidade financeira mensal da família. As diversas opções de
programa escolhido pela família determinaram os parâmetros dos projetos de arquitetura,
que permitem, em qualquer proposta, utilizar como opção secundária, uma proposta de
habitação que pode ser construída em duas etapas: a primeira, com dimensões menores, e
conseqüentemente de menor custo, permitindo a família se mudar rapidamente para o
Condomínio; a segunda etapa, quando houver melhores condições financeiras, a família
pode concluir sua residência. Estas atividades construtivas contarão sempre com a
orientação e apoio técnico da Diretoria Técnica da COHAMB.
Os blocos utilizados na edificação possuem um design que permitem serem assentados e
encaixados na estrutura projetada com perfis metálicos, que também é utilizada na
construção da forma que apóia os blocos na edificação da cobertura. O elevado índice de
compacidade das partículas, característica dos BTC, retarda a transmissão de energias
incidentes na cobertura e nas paredes externas, funcionando como material térmico e
acústico, permitindo, com isso, eliminar o forro dos cômodos, sem perder a qualidade do
conforto ambiental da edificação, que utiliza a cor branca para as partes externas e internas
da laje de cobertura, ajudando, com isso, a refletir o calor incidente na sua parte externa, e
uma melhor iluminação na parte interna.
Com a redução do custo final do metro quadrado construído, sem perder a qualidade
construtiva, podemos propor uma habitação com dimensões mais adequadas, outra estética
arquitetônica, melhor acabamento e maior durabilidade, quando comparada às unidades
habitacionais produzidas pelos organismos governamentais, e um custo final compatível
com a renda familiar da maior parte da população brasileira.
2. TERRENO
O terreno escolhido está localizado próximo a Serra da Cantareira, vizinha às Áreas de
Mananciais, o que garante extensa área verde nas suas proximidades, tem área de 726.000
metros quadrados, onde estão localizados o Clube de Campo Santa Mônica e o Clube de
Campo dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Com relevo suave,
intensa vegetação e uma flora rica e bastante diversificada, conta também com a existência
de um lago, de média extensão, e do Rio Cabuçu, que determina a divisa do terreno. A
existência de árvores frutíferas garante a presença de diversos pássaros, que deverão
emprestar os nomes de suas espécies às ruas do condomínio.
3. PROJETO DE ARQUITETURA
3.1. Definição
As famílias optaram pelas plantas térreas básicas, com dois dormitórios, sala, cozinha,
banheiro de uso múltiplo, que tem área construída de aproximadamente 50,00 m², conforme
figura 1. A primeira etapa da construção propõe a entrega da sala, cozinha e banheiro, e
posteriormente a construção dos dois quartos. No caso da família ser maior e se definir,
posteriormente, por um projeto assobradado, é necessário planejar uma escada interna e,
na primeira etapa, a casa térrea coberta com laje plana. Todas as alterações serão
acompanhadas pela Diretoria Técnica da COHAMB, para que se mantenha a perfeita
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homogeneidade das edificações quando concluídas, primando pela qualidade estética das
fachadas, dos jardins e do paisagismo do Conjunto Habitacional.
Desenho Ruy Arini
Figura 1 – Casa térrea / planta básica
Para diferenciar as diversas associações, as famílias que vão habitar no condomínio
escolherão jardins, que utilizarão flores com cores definidas para cada Associação e uma
cerca viva de altura baixa, como forma de integração urbana, porém sem perder sua
identificação, conforme figura 2, que demonstra um conjunto de casas térreas.
Desenho Ruy Arini
Figura 2 – Perspectiva das casas térreas
Estão previstos edifícios de escolas, creches, postos de saúde, escolas profissionalizantes,
ensino fundamental e ensino do primeiro grau, além de edifícios comerciais, supermercado,
mini-shopping, serviços, laser e um pequeno hotel. Para compor com os espaços vazios,
serão projetadas praças, parques, laser descoberto, esportes coletivos, pesqueiro,
caminhadas ecológicas e bosques.
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3.2. Design do BTC, bloco de terra compactada
O design do BTC com encaixes horizontais e verticais, utilizado para edificar as paredes, foi
desenvolvido com o objetivo de resistir aos esforços horizontais e verticais, e que possam
ser assentados com pequena quantidade de cola à base de PVA junto às estruturas
metálicas.
Os BTCs terão um formato diferenciado, com duas aberturas internas redondas, exatamente
idênticas, de tal forma que possam ser assentados com junta a prumo ou com junta
cruzada, reduzindo o seu peso final e facilitam a colocação das instalações elétricas e
hidráulicas nas paredes, conforme figura 3.
Bloco de base inicial dos vedos
Bloco de base final dos vedos
Bloco tipo
Alvenaria resultante
Desenho Ruy Arini
Figura 3 – Blocos de terra compactada
As estruturas metálicas, que compõem as vigas baldrames, os pilares e as cintas de
amarração superior, são projetadas em chapas de aço dobrado, de forma a receber os
blocos que definem as paredes de canto, paredes de dois lados, cruzamento de três
paredes, e de cruzamento de quatro paredes.
As vigas, os pilares e as cintas de amarração superior, projetadas em chapa de aço
dobrada, serão fixadas entre si, através de parafusos. Os pilares são parafusados nas vigas
baldrames, em sua parte superior e nas cintas de amarração, em sua parte superior,
conforme figura 4 e 5.
Uma vez concluídas todas as paredes verticais com os BTCs assentados nas armações das
estruturas, inicia-se a construção da cobertura, que terá sua descrição e caracterização no
item 4.4 deste trabalho.
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PERSPECTIVA VIGA
BALDRAME E DA
BROCA / PILAR DE
AÇO LAMINADO
ENTRE DUAS
PAREDES EM
LINHA
Desenho Ruy Arini
Figura 4 – Detalhe da viga baldrame x broca / pilar
PLANTA ESQUEMÁTICA
DE PILAR DE AÇO
LAMINADO PARA TRÊS
PAREDES
Desenho Ruy Arini
Figura 5 – Planta do pilar específico para encontro de 3 paredes
4. SISTEMA CONSTRUTIVO
4.1. Fundações
Para que as obras das fundações sejam iniciadas, é necessário a fazer a limpeza, a
regularização e a demarcação da obra no terreno. Em seguida, conforme a definição do
sistema construtivo, que objetiva a construção de um pilar em cada cruzamento de paredes,
são escavadas cavas com 30 centímetros de diâmetro e com profundidade de
aproximadamente 100 centímetros, onde serão colocados os perfis metálicos
correspondentes à função estrutural de cada pilar na edificação.
As chapas metálicas das fundações serão assentadas sobre um berço de terra socada,
pedra britada 1, argamassa de assentamento, onde serão construídas as vigas baldrames
que é preparada com três blocos em espelho, assentados com concreto, utilizando quatro
ferros de 12,7 mm (1/2”) estribados a cada 15 centímetros com ferros 8 mm (5/16”), que
serão ancorados a cada encontro com pilares ao longo das paredes, dando total
estabilidade à construção, conforme figura 6.
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VIGA BALDRAME UTILIZANDO TIJOLO
COMO FORMA PERDIDA
Desenho Ruy Arini
Figura 6 – Corte esquemático da viga baldrame
4.2. Estrutura
A estrutura é composta de pilares de canto, de passagem, de cruzamento de 3 paredes e
cruzamento de 4 paredes. Todos os pilares serão fixados nas vigas baldrames e nas cintas
de amarração. Esta etapa de trabalho consome aproximadamente 120 minutos para uma
edificação de 50 metros quadrados. Finalizada a etapa de fixação dos pilares, das vigas
baldrames e das cintas de amarração da estrutura, é despejado o concreto nas valas que
estão abaixo da superfície, concluindo as brocas, que acima da superfície, sustentam os
pilares.
Nos vãos das paredes onde estão previstas as esquadrias, são colocadas as vergas,
também projetadas em perfis metálicos, onde serão fixadas as portas e as janelas. Para as
janelas são colocadas, na sua parte inferior, as contravergas, que são parafusadas junto aos
pilares laterais que determinam o vão, e as vergas, que são colocadas na sua parte
superior, que são parafusadas junto aos pilares laterais que determinam o vão. Para a
colocação das portas, os batentes são fixados nas vigas baldrames, em sua parte inferior e,
na parte superior da porta, o batente é fixado na verga superior, que são parafusadas entre
os pilares laterais que determinam o vão.
4.3. Alvenaria
Esta etapa se caracteriza pelo assentamento dos blocos, utilizando uma fina demão de cola
à base de PVA, nos vãos definidos entre os pilares laterais e entre as vigas baldrames e às
cintas de amarração superior. Os blocos que são encaixados e travados, horizontal e
verticalmente, devido às reentrâncias e saliências horizontais e verticais definidas pelo seu
design.
Para produção dos blocos, será utilizado o equipamento hidráulico da LC Ferramentas,
instalada em Mauá, que tem a capacidade de compactação de 20 toneladas no sentido
vertical, de baixo para cima, e 20 toneladas no sentido vertical de cima para baixo. O
equipamento possui ainda um moedor, um elevador, um misturador e a prensa hidráulica /
mecânica, que permite uma excelente e rápida compactação de 18000 unidades, em média,
a cada 8 horas de produção.
A estabilização dos blocos terá 3% de cimento e 3% de cal, para 94% de terra; a primeira
hidratação dos blocos deverá ocorrer 4 horas após a sua compactação.
O molde, que dá o formato ao bloco, será produzido com aço, e que, depois de fundido, é
colocado no alto forno, aonde é submetido à elevada temperatura, o que aumenta sua
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durabilidade por maior resistência à abrasão. Para a produção de blocos diferentes, deverá
ser produzido novo molde, mas sempre com o mesmo equipamento.
4.4. Cobertura
Os blocos que compõem a cobertura, quando colocado em “espelho”, possuem a forma
trapezoidal, com uma altura igual a 11 centímetros. Estes têm, na parte superior, uma
largura igual a 5 centímetros e, na parte inferior, uma largura igual a 4 centímetros, e seu
comprimento é de 23 centímetros.
Uma vez concluída a etapa do respaldo, é colocada uma forma com formato em arco
abatido, produzida em aço laminado, sobre as cintas de amarração superior, alinhando-se
horizontal e verticalmente. Em cada um dos quatro cantos da forma é colocada uma cunha,
que eleva a forma em 1 centímetro. Os blocos são apoiados e assentados, em espelho, com
uma fina demão de cola à base de PVA, até preencher o espaço definido pela forma,
conforme figura 7.
Para dar continuidade à construção do arco, depois de preenchida toda a forma, as cunhas
são retiradas, a forma é baixada e pode ser deslocada até o alinhamento da metade da
última fiada de bloco assentada, quando, de novo, são colocadas as cunhas, de forma
cuidadosa, para conseguir o alinhamento paralelo e dar continuidade à construção do arco.
O procedimento deve ser repetido até que se complete aquela parte da edificação, conforme
figura 8.
Na parte da cobertura em que a cinta de amarração está apoiada sobre uma parede externa
da edificação, os primeiro blocos devem ser colocados em pé, apoiados na parte elevada da
cinta de amarração superior, que tem um formato triangular em toda sua longitude, com
altura igual a 23 centímetros, diferente dos 11 centímetros dos demais blocos da cobertura.
Dessa forma se criam os espaços para canalizar as águas de chuva, substituindo as calhas
convencionais.
Sobre o arco construído, aplica-se uma demão de argamassa preparada com terra, água e
material impermeabilizante, que funciona como camada de regularização dos arcos da
cobertura. Depois de seca, aplicam-se duas demãos de tinta plástica ou acrílica, de cor
branca. Esse mesmo produto deve ser aplicado na parte superficial interna da cobertura,
diretamente sobre os blocos.
DETALHE DE ASSENTAMENTO DOS TIJOLOS NA
FORMA DE COBERTURA EDIFICIO SHOW ROOM
CERÂMICA SELETA – ITU / SÃO PAULO
Foto Ruy Arini
Figura 7 – Assentamento da forma de cobertura
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Desenho Ruy Arini
Figura 8 – Forma da cobertura
4.5. Instalações
As tubulações elétricas e hidráulicas serão colocadas no sentido vertical durante à
construção das paredes, nos furos que existem na parte interna dos blocos e, para sua
distribuição no sentido horizontal, as tubulações deverão percorrer as partes internas do
triângulo existente das cintas de amarração superior até encontrar as tubulações verticais,
anteriormente colocadas quando da edificação das paredes. Exceção é feita para a
colocação das caixas de tomadas, de interruptores e saídas de água, quando se prepara um
bloco com dimensões especiais. O projeto prevê a iluminação da edificação com pontos de
luz nas partes laterais internas, nas sancas criadas entre o final da cinta de amarração e o
início da cobertura, conforme figura 8, caracterizando uma iluminação indireta do ambiente.
4.6. Pisos
Para a construção dos pisos das áreas consideradas secas, os blocos serão produzidos
sem os furos internos, de forma maciça. São assentados em espelhos, de tal forma que a
espessura do piso fique com 11 centímetros, no formato “espinha de peixe”, deixando entre
o um bloco e outro, um espaço lateral de 1 centímetro, que deve ser preenchido com
argamassa de assentamento convencional, conforme figura 9.
A argamassa de assentamento deve deixar um espaço de 1 centímetro na altura. Este
espaço será posteriormente preenchido com argamassa preparada com cimento colorido,
areia e uma quantidade maior de água, cujo excesso deverá ser retirado com um puxador
de água junto à superfície dos blocos, aumentando a resistência das partes externas dos
blocos assentados e de suas respectivas arestas, resultando um piso resistente e colorido.
Depois de concluído, devem ser aplicadas duas demãos de cera de carnaúba incolor.
Para a construção dos pisos das áreas consideradas molhadas, serão utilizados pisos de
cerâmica vitrificada, de cor contrastante às cores das louças sanitárias, que deve ser
rejuntado com massa de cor preta.
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DETALHE DO
ASSENTAMENTO
DOS TIJOLOS
COM
ARGAMASSA
NO PISO
RESIDÊNCIA
ILHA BELA / SP
Foto Ruy Arini
Figura 9 – Assentamento do piso
4.7 Revestimentos
Uma vez concluída a edificação, suas paredes externas, para melhor caracterizar a
alvenaria aparente, recebem duas demãos de verniz acrílico incolor opaco. As paredes
internas, objetivando maior qualidade de iluminação no interior da edificação, recebem duas
demãos de verniz acrílico branco opaco.
Na parte externa da cobertura, são aplicadas duas demãos de pintura plástica, de cor
branca sobre a argamassa de regularização devidamente seca. Na parte interna da
cobertura, são aplicadas duas demãos de verniz acrílico branco ou massa acrílica branca,
diluída em água, diretamente sobre os blocos.
5. COMPOSIÇÃO FINANCEIRA DO AUTO - FINANCIAMENTO
5.1. Parâmetros econômicos
As famílias, caracterizadas pela sua baixa renda, encontram muitas dificuldades para obter
financiamento bancário devido a baixa renda familiar que possuem e às dificuldades
encontradas para fazer os pagamentos de suas contas. Elas encontram seus nomes
inscritos em órgãos específicos, que impedem a obtenção de novos financiamentos junto
aos bancos e, mais especificamente junto à Caixa Econômica Federal, entidade que tem a
finalidade de atender essa população, uma vez que herdou do Banco Nacional da Habitação
essa responsabilidade.
Por outro lado, a empresa estadual Companhias de Desenvolvimento Habitacionais e
Urbano, CDHU, e as companhias municipais de habitação, COHAB´s, não conseguem
atender a demanda, sempre crescente, de novas habitações, apesar de ter uma política
mais flexível em relação ao financiamento.
De acordo com essas dificuldades financeiras, a COHAMB decidiu assumir o auto
financiamento. Escolheu um terreno bem localizado e com um custo compatível, e reuniu as
famílias que fazem sua adesão junto à Cooperativa, iniciando o pagamento das parcelas
mensais que irão quitar o terreno e todos os custos dos projetos de arquitetura, de estrutura,
de urbanismo, de paisagismo, de instalações hidráulica, elétrica e de esgotos, além da
assessoria para sua aprovação junto aos demais organismos municipais, estaduais e
federais.
No estudo preliminar do terreno com 726.000 m², a Prefeitura Municipal exige que 30 a 35%,
da área do terreno sejam destinados às áreas institucionais, o restante do terreno será
analisado pela Secretaria do Meio Ambiente, que definirá o percentual de ocupação,
definindo o percentual de área que poderá ser construída sobre o terreno. Nas áreas livres,
estão previstas as praças, os espaços de lazer descoberto, as ruas e os lotes, que foram
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pré-dimensionados em 150 m², sendo 7,50 metros de frente e 20,00 metros de fundos, o
que permite a implantação de uma residência geminada, com frente de até 6,00 metros, e
um recuo de 1,50 metros, respeitando a exigência municipal.
Concluído o estudo preliminar, que determinou a implantação de, aproximadamente, 3000
unidades habitacionais, além das áreas de serviços, de comércio, de educação e de laser
coberto. Durante o período em que os projetos são apresentados e aprovados pelos
organismos responsáveis, as famílias estarão finalizando o pagamento do terreno, e poderá
se dar inicio ao processo de construção das unidades habitacionais.
De acordo com custo total do terreno e o número de unidades habitacionais/famílias,
determinou-se que seriam necessárias 16 parcelas mensais de US$ 79,50 para o
pagamento do terreno, que teve um custo de US$ 2.714.018,00, resultado de US$ 3,73 por
metro quadrado multiplicado pela área do terreno, e uma parte para pagamento dos projetos
iniciais. Para a construção das casas, segundo o projeto e o orçamento das obras, custarão
US$ 164,00 por metro quadrado, perfazendo US$ 8,200.00 a construção civil e US$
1,400.00 para a infra-estrutura de guia, sarjeta, luz, água, luz e esgoto, serão necessários
120 prestações mensais para concluir o pagamento do financiamento, que poderá ser
abreviado com o pagamento de parcelas intermediárias, e/ou aumento do valor das
prestações quando a família se livrar do aluguel.
Também serão consideradas possibilidades de utilizar o trabalho dos cooperados, que por
alguma razão perderam seu emprego, para trabalhar na cooperativa, nas obras, no caso
dos homens, ou nos serviços complementares que compõem a montagem da cooperativa,
no caso das mulheres. Está previsto ainda, dentro do pagamento das mensalidades, o
seguro de morte, que quita a dívida no caso de morte do cooperado.
5.2. Análise de custos
Itens de Construção
Mão de Obra (%)
Material (%)
Total (%)
Custos US $
Fundação
6,30
9,28
15,58
1,277,56
Estrutura Metálica
3,57
10,71
14,28
1,170,96
Alvenaria
2,27
5,25
7,52
616,64
Revestimentos Internos
2,13
2,90
5,03
412.46
Revestimentos Externos
1,86
2,26
4.12
337,84
Cobertura
11,80
6,29
18,09
1,483,38
Esquadrias
1,38
7,83
9,21
755,22
Instalação Elétrica
4,12
8,61
12,73
1,043.86
Instalação Hidráulica
4,18
5,82
10,00
820,00
Piso
1,38
2,06
3,44
282,08
38,99
61,01
100,00
8,200.00
TOTAL
Não está incluída, nos valores acima descritos, a montagem das estruturas metálicas dentro
do canteiro de obras, uma vez que seu custo já está incluído nos custos da estrutura. Estão
incluídos nos custos da alvenaria, a produção dos blocos e, nos custos dos pisos, os pisos
de alvenaria e os pisos cerâmicos que serão utilizados nas áreas molhadas.
O valor de US$ 8,200,00 para a construção de uma residência de 50,00 m² define um custo
de US$ 164,00 por metro quadrado de área construída. O grande volume de área construída
facilita a negociação de compra dos materiais e equipamentos. Existem ainda as
possibilidades de utilizar a mão-de-obra dos cooperados nos diversos itens da construção e
para produzir todas as esquadrias, numa oficina construída dentro do canteiro de obras,
utilizando os equipamentos adquiridos pela Cooperativa.
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BIBLIOGRAFIA
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ARINI, Ruy. Evolução dimensional conjuntos habitacionais. São Paulo, 1995. Trabalho apresentado na
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Jorge Boueri Filho
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ORNSTEIN, Sheila; ROMÉRO, Marcelo. Avaliação pós-ocupação do ambiente construído. São Paulo,
Studio Nobel/Edusp,1992.
STECHAHN, Carlos. Projeto e apropriação do espaço arquitetônico de conjuntos habitacionais de
baixa renda. São Paulo, FAUUP, 1989. Tese (Doutorado)
AUTORES
Ruy Arini, arquiteto, mestre e doutor FAUUSP São Paulo, Brasil, cursando pós doutorado na Escola
de Engenharia da Universidade do Minho em Guimarães, Portugal,
Renato Nascimento, engenheiro civil, mestre pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
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