XXII CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 14 a 18 de Outubro de 2013 Todas as informações contidas neste trabalho, desde sua formatação até a exposição dos resultados, são de exclusiva responsabilidade dos seus autores CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E SENSORIAL DO PERFIL IDEAL DE COLORAÇÃO DE MAIONESE INDUSTRIAL LUIZ FERNANDO SANTOS PEREIRA¹, IGOR AUAD CANO², ALESSA KOTANI3, ROBERTA HILSDORF PICCOLI4 RESUMO: A maionese é um dos molhos mais consumidos no mundo. Existem várias marcas do produto no mercado brasileiro, cuja aceitação difere de acordo com a sua composição e modo de fabricação. Este trabalho teve como objetivo a caracterização sensorial de maionese comercial em relação a sua coloração. Analisaram-se cinco marcas diferentes de maionese comercializadas no município de Lavras (MG), denominadas genericamente de A, B, C, D e E. Foi realizada análise de aceitação sensorial, com escala hedônica estruturada de 9 pontos, e escala do ideal para coloração amarela, sendo estas comparadas com análise física de cor pelo método CIELAB. As amostras de maionese diferiram significativamente entre si, sendo a maionese B a mais amarelada, com 28,80, e a maionese A menos amarelada, com 13,60, ambas referentes ao parâmetro b. Já a marca D foi a que se apresentou com coloração amarela ideal, com aprovação por mais de 58% dos provadores, tendo coloração física intermediária, de 17,01. Quanto a intenção de compra e impressão global as marcas D, C e E obtiveram as maiores notas. A maionese D foi a de melhor aceitação sensorial, em contrapartida as marcas A e B obtiveram as piores notas. O perfil ideal foi da marca D. Palavras-chave: qualidade sensorial, coloração, maionese e amarelo. INTRODUÇÃO No Brasil, a maionese é definida como um produto cremoso em forma de emulsão estável de óleo em água. Ela é preparada a partir de óleo vegetal, água e ovos, podendo ser adicionada de outros ingredientes desde que não descaracterizem o produto. Este deve ser acidificado e apresentar perfil sensorial padrão para este tipo de produto (BRASIL, 2005). A escolha dos alimentos é o resultado de interações entre o próprio alimento, o consumidor e o contexto ou a situação em que essa interação ocorre. Este tipo de escolha incorpora não só as decisões baseadas na reflexão consciente, mas também aqueles que são automáticos, habitual e subconsciente (GAINS, 1994). Embora os consumidores nem sempre sejam capazes de vocalizar suas necessidades, é importante entender como percebem os produtos, como suas necessidades são moldadas e influenciadas, e como fazem suas escolhas (VAN KLEEF et al., 2005). Nesse sentido, as indústrias têm buscado identificar e atender os anseios dos consumidores em relação a seus produtos, pois só assim sobreviverão no mercado cada vez mais competitivo (CARNEIRO, 2001). A análise sensorial tem-se mostrado importante ferramenta neste processo com consumidores, envolvendo conjunto de técnicas diversas a fim de avaliar o produto quanto à sua qualidade sensorial (MINIM, 2010). Dentre os parâmetros sensoriais, a textura, a aparência e o sabor, constituem os três atributos de qualidade perceptíveis que estabelecem a aceitabilidade ou não de um alimento pelo consumidor (TOLEDO, 2007). Baseado nisto, o objetivo deste trabalho foi determinar o perfil sensorial ideal quanto a coloração amarela de maionese comercial, de acordo com análises instrumentais e sensoriais. Deste modo, predizer quais são as preferências para este parâmetro por parte dos provadores. REFERENCIAL TEÓRICO Maionese A maionese é um tipo de emulsão semi-sólida, do tipo óleo em água. Ela é, tradicionalmente, preparada pela mistura cuidadosa de gema de ovo, vinagre, óleo e especiarias. Além de vários 1 Estudante de Graduação em Engenharia de Alimentos, UFLA/DCA, [email protected] Estudante de graduação em Engenharia de Alimentos, UFLA/DCA, [email protected] 3 Estudante de Graduação em Engenharia de Alimentos, UFLA/DCA, [email protected] 4 Professora Associado, UFLA/DCA, [email protected] 2 XX CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 14 a 18 de Outubro de 2013 Todas as informações contidas neste trabalho, desde sua formatação até a exposição dos resultados, são de exclusiva responsabilidade dos seus autores ingredientes flavorizantes naturais (DEPREE; SAVAGE, 2001). Entre os ingredientes citados, a gema de ovo é mais crítico para a estabilidade físico-química do produto (HASENHUETTL, 2008). Coloração A cor é um atributo de qualidade inerente de cada alimento, sendo muito importante para a maioria dos consumidores. Este parâmetro tende a atribuir critérios de qualidade que condicionam a aceitação ou rejeição do produto pelo consumidor (QUEIROZ, 1984). É difícil, para os seres humanos, descrever objetivamente as cores dos materiais utilizando a linguagem cotidiana ou visual (HUTCHINGS, 1994). Sendo assim os métodos padronizados foram desenvolvidos para medição consistente da cor. Estes métodos baseiam-se no princípio tricromático, o que significa que é possível descrever qualquer cor em três variáveis matemáticas. O espectro de cores é uma combinação de diferentes parâmetros. O L, a e b são parâmetros físicos que expressam a cor com base numa descrição de cor conhecida como luminância, que não é visível para o olho humano (GARCIA, 2006). Análise sensorial Existem análises que contribuem para com o desenvolvimento de novos produtos, como a análise sensorial. Este é um campo muito importante na indústria de alimentos, pois contribui direta ou indiretamente na reformulação e redução de custos de produtos, controle de qualidade, relações entre condições de processo, ingredientes, aspectos analíticos e sensoriais (DUTCOSKY, 2007). A análise sensorial é um método científico utilizado para evocar, medir, analisar e interpretar as características dos alimentos que possam ser percebidas pelo sentido do paladar, visão, olfato, tato e audição (ABNT, 1993). Os testes sensoriais foram incluídos no controle de qualidade por serem medidas multidimensionais integradas e científicas, que proporcionam importantes vantagens, como: serem capazes de identificar a presença ou ausência de diferenças sensoriais, definirem características organolépticas importantes de um ou mais produtos, detectar particularidades. Dentre estes testes, têmse os testes afetivos. Eles requerem grande número de participantes e que representem a população de consumidores potenciais do produto. Entre os métodos mais empregados na medida de aceitação de produtos está a escala hedônica, em que o consumidor expressa sua aceitação pelo produto seguindo uma escala previamente estabelecida variando em gosta e desgosta (AUST et al., 1987). MATERIAL E MÉTODOS Produto comercial Foram utilizadas cinco marcas diferentes de maionese, do tipo industrial, comercializadas nos mercados do município de Lavras (MG), denominadas genericamente de A, B, C, D e E (Tabela 1). Tabela 1 – Composição parcial dos rótulos de cada maionese coletadas em Lavras (MG/Brasil) Maionese Ingredientes Água, óleo vegetal, amido modificado, açúcar, ovos pasteurizados, vinagre, sal, A acidulantes, estabilizantes, conservador sorbato de potássio e sequestrante EDTA. Água, óleo vegetal, açúcar, amido modificado, vinagre, sal, ovos pasteurizados, suco B de limão, acidulante, conservador sorbato de potássio e estabilizantes, EDTA. Água, óleo vegetal, amido modificado, vinagre, ovos pasteurizados, açúcar, sal, suco C de limão, acidulante, estabilizantes, conservador ácido sórbico e aromatizantes, Água, óleo vegetal, ovos pasteurizados, amido modificado, vinagre, açúcar, sal, suco D de limão, acidulante, estabilizante, conservador ácido sórbico e sequestrante EDTA. Água, óleo vegetal de soja, ovos pasteurizados, amido modificado, açúcar, vinagre, E sal, suco de limão, acidulante, estabilizantes, sorbato de potássio e EDTA. XX CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 14 a 18 de Outubro de 2013 Todas as informações contidas neste trabalho, desde sua formatação até a exposição dos resultados, são de exclusiva responsabilidade dos seus autores Para uma mesma marca foram adquiridas amostras de três diferentes lotes, representando cada um uma repetição, totalizando-se três repetições. Para as análises físicas de cor foram realizadas em três replicatas. Avaliação física de cor A coloração das maioneses foi mensurada com colorímetro Minolta modelo CR 400, trabalhando com D65 (luz do dia) e usando-se os padrões CIELAB, similar a Shen et al. (2011). Neste sistema de representação de cor, os valores L*, a* e b* descrevem a uniformidade da cor no espaço tridimensional, sendo que o L* refere-se a luminosidade, a* remete a vermelhidão e o b* indica a coloração amarela da substância (GARCIA, 2006). A medida dos parâmetros de cor foi conduzida seis vezes para cada amostra de modo padronizado. Avaliação sensorial Os testes foram conduzidos em cabines individuais do Laboratório de Análise Sensorial do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras. As análises foram realizadas por 61 provadores não treinados. A equipe foi composta por pessoas de ambos os sexos e idades entre 18 e 50 anos. As amostras foram apresentadas com códigos de três dígitos, em temperatura ambiente, sob luz branca e de forma monádica. A ordem de apresentação foi balanceada randomicamente pelo delineamento de uma tabela de números. Foi fornecida torrada integral como veículo e água mineral para limpeza do palato entre as amostras (FERREIRA, 2000). Foram realizados estudos de aceitação das amostras de maionese em relação à coloração, intenção de compra e impressão global utilizando escala hedônica estruturada de 9 pontos (1= desgostei extremamente à 9= gostei extremamente) (STONE; SIDEL, 1993). Para o teste de escala do ideal foi considerado coloração amarela. As amostras foram avaliadas pela escala estruturada (-3: extremamente menos amarela do que o ideal; 0: ideal; +3: extremamente mais amarela do que o ideal), conforme Stone e Sidel (1993). Análise Estatística Os resultados da caracterização física da cor das diferentes marcas de maionese foram analisadas por meio de análise de variância (ANOVA) e teste de Tukey a 5% de probabilidade usando o programa SensoMaker versão 1.7 (PINHEIRO et al. 2013). Os resultados da avaliação sensorial pelo método de escala do ideal foram analisados por meio de histogramas de frequência considerando a porcentagem de provadores para cada ponto. Os resultados do teste de aceitação foram analisados por meio de mapa de preferência interno, o qual faz uma representação multidimensional das amostras e dos provadores, permitindo inferir a (s) amostra (s) mais aceita (s) em cada parâmetro avaliado. Os mapas foram obtidos usando o programa SensoMaker versão 1.7 (PINHEIRO et al. 2013). RESULTADOS E DISCUSSÃO Avaliação física de cor Para coloração, o parâmetro L representa o quão branca ou escura é a amostra, sendo que varia de 0 (muito escura) a 100 (muito branca) (BONAGURIO et al., 2003). Os resultados obtidos para cor (Tabela 2) mostra que todas as amostras de maionese tendem mais para o branco do que para o preto, pois todas obtiverem resultados acima de 60 para este parâmetro, além de diferirem significativamente entre si. Valores semelhantes a estes foram encontrados por Garcia (2006) e Laca et al. (2010) em trabalhos com maionese com teor reduzido de colesterol. Houve diferença significativa (P< 0,05) para o parâmetro a* e para b* dentre as amostras. Sabendo que o parâmetro a*, corresponde à escala do verde ao vermelho, sendo: a- XX CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 14 a 18 de Outubro de 2013 Todas as informações contidas neste trabalho, desde sua formatação até a exposição dos resultados, são de exclusiva responsabilidade dos seus autores negativo para o verde e a-positivo para o vermelho (BONAGURIO et al., 2003), todas as amostras de maionese tenderam mais para o tom esverdeado, pois todos os valores encontrados para a* foram negativos. Davies et al.(1990), afirmam que o teor de pigmento clorofila, no óleo cru é de 50 ppb e no óleo refinado é de 0,05 ppm. Baseado nisso, o tom levemente esverdeado das maioneses, deve-se a certa concentração de clorofila nos óleos vegetais usados na manufatura destes molhos. Tabela 2 Propriedades físicas de cor de maioneses industriais comerciais. Maioneses A B C D E L* 67,54 ±1,16a 80,53 ±0,61b 84,29 ±1,04bc 80,07 ±1,45b 87,87 ±0,61c Parâmetros da Coloração a* -0,40 ±0,25a -2,77 ±0,14c -1,16 ±0,29b -1,07 ±0,21b -3,04 ±0,07c b* 13,60 ±0,59a 28,80 ±2,56c 21,24 ±0,84b 17,01 ±0,35a 21,31 ±1,00b As médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05). Os valores de b* correspondem à escala do azul ao amarelo, sendo: b-negativo para o azul e b-positivo para o amarelo (BONAGURIO et al., 2003). Perante os resultados obtidos para este parâmetro (Tabela 2), nota-se que todas as marcas de maionese apresentaram pigmentação de cor amarela, isto é, todos os valores foram positivos, sendo isso característica inerente deste tipo de produto. Dentre os principais fatores que levam a formação de coloração amarelada para maioneses industriais são: gema do ovo, mostarda e os corantes (DICKINSON, 2001). A cor da gema do ovo é atribuída devido aos carotenoides solubilizados na mesa, sendo: xantofilas, incluindo a luteína, zeaxantina e b-criptoxantina; e ao b-caroteno (LI-CHANG, KIM, 2008). Garcia (2006) encontrou valores de b* variando entre -1,6 a 0,2 para maionese sem ovo, caracterizando um produto sem colesterol. Ou seja, este trabalho reforça as conclusões expostas por Li-Chang e Kim (2008) e por Dickinson (2001). Avaliação sensorial Os resultados da análise de escala do ideal em relação a cor amarela podem ser observados na Figura 1. Figura 1- Distribuição (%) das respostas devido à escala do ideal para coloração. Para coloração amarela, a maionese B foi classificada como não ideal pela maioria dos provadores, ou seja, mais de 84% dos avaliadores a qualificaram como muito mais amarela do que o ideal. Esse resultado condiz com a análise física de cor (Tabela 2), a qual apresentou o maior valor XX CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 14 a 18 de Outubro de 2013 Todas as informações contidas neste trabalho, desde sua formatação até a exposição dos resultados, são de exclusiva responsabilidade dos seus autores para o parâmetro b*. Já a maionese da marca A, mostrou-se menos amarelada do que o ideal para mais de 42% dos provadores, sendo esse resultado sustentado pelos menores valores para b*obtidos. A maionese D foi a que se apresentou como de coloração amarela ideal para quase 60% dos provadores, sendo sua coloração amarela, b*, intermediária (17,01). Os resultados da avaliação de aceitação sensorial para coloração e intenção de compra são apresentados na Figura 3. Os resultados obtidos para a coloração (A) são suportados pelos mostrados na escala do ideal e também pela coloração física, sendo que a maionese da marca D representa o produto de maior aceitação sensorial em relação a este parâmetro. Em contrapartida a marca B foi a menos aceita pelos provadores. A B Figura 3 Aceitação Sensorial: A) coloração e B) intenção de compra. Para a intenção de compra (B), parâmetro que leva em conta a coloração, sabor, aroma e textura, as marcas D, C e E obtiveram as maiores notas dentre os provadores. Esse comportamento é bastante plausível, pois a marca líder de mercado é a maionese D, sendo esta a de maior aceitação pelos provadores. Concomitantemente, a marca de menor tradição no setor é a B, coincidentemente sendo esta a de menor aceitação dentre os avaliadores. CONCLUSÃO O perfil sensorial, em relação à coloração amarela, de maior apelo por parte dos provadores foi da maionese D, a qual apresentou coloração amarela intermediária, isto é, para b igual 17,01. Valores maiores ou menores que estes para cor amarela desfavorecerá a aceitação sensorial e haverá possível rejeição por parte do consumidor. Logo, a maionese de coloração mais próxima do ideal foi a marca D. AGRADECIMENTOS Aos órgãos de financiamento e pesquisa, CAPES, FAPEMIG, CNPq e UFLA. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Análise sensorial de alimentos e bebidas – NBR 12806. Rio de Janeiro: ABNT, 8p., 1993. AUST, L. B.; ODDO, P.; WILD, J.E.; MILLS, O.H.; DEUPRE, J.S. The descriptive analysis of skin care products by a trained panel of judges. J Soc Cosmet Chem, 38:443-48, 1987. BONAGURIO, S.; PÉREZ, J. R. O.; GARCIA, I. F. F.; BRESSAN, M. C.; LEMOS, A. L. S. C. R. 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