O CENTRO-OESTE BRASILEIRO COMO FRONTEIRA AGRÍCOLA Pedro Abel Vieira – CPF 409.659.619-15 Pesquisador II, Embrapa SNT C.P. 151, Sete Lagoas, MG, 35.900-470 [email protected] Giovanna Soares Almeida – CPF 859.206.731-68 Mestranda no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia, Caixa-Postal 6135, Campinas, SP, 13.083-970 [email protected] Antonio Marcio Buainaim – CPF 537.412.937-68 Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia, Caixa-Postal 6135, Campinas, SP, 13.083-970 [email protected] Pedro Ramos – CPF 716.385.638-53 Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia, Caixa-Postal 6135, Campinas, SP, 13.083-970 [email protected] O CENTRO-OESTE BRASILEIRO COMO FRONTEIRA AGRÍCOLA RESUMO A região Centro-Oeste do Brasil constitui exemplo de região de fronteira que se consolida como área de moderna produção agroindustrial e forte dinamismo econômico. Apesar de sua ocupação ter iniciado no século XVI, a região até recentemente era considerada como exemplo de vazio demográfico ou, no máximo, como área vocacionada para atividades agrícolas de subsistência, extrativismo e mineração rudimentar. Objeto de políticas de incentivo à modernização agrícola e ocupação das áreas de cerrado, o Centro-Oeste apresentou crescimento mais pronunciado após a década de 1970. O crescimento é resultado de investimentos públicos em infra-estrutura, implementados de forma decisiva a partir do Plano de Metas e responsáveis pelo início da modernização das vias de transporte, da base energética e das telecomunicações. A infra-estrutura foi complementada por incentivos fiscais, crédito subsidiado e atuação de órgãos oficiais. Assim, no ano de 2000, da quase inexistência de ligações externas na década de 1930, a região respondeu por 7,18% do PIB nacional, destacando-se a participação na produção de soja, algodão e carnes produzidos em sistema moderno e intensivo em capital. Ainda no ano de 2000, ou seja, aproximadamente seis décadas do início da ocupação efetiva, do “imenso vazio” concentrava, 6,81 % da população brasileira, apresentando taxa de crescimento populacional superior à nacional no período com melhoria dos indicadores sociais. O presente trabalho analisa o efeito da expansão agrícola e suas conseqüências no Centro-Oeste entre os anos de 1960 e 2000 abordando aspectos que o caracterizam como fronteira agrícola e pólo de absorção de excedentes populacionais, bem como, da sua heterogeneidade intra-regional. Para tanto, propõe uma caracterização sintética da oferta ambiental regional, destaca as principais obras de infra-estrutura e considera alguns aspectos das migrações e da evolução econômica entre os anos de 1960 e 2000 para interpretação do cumprimento dos pressupostos de fronteira agrícola e pólo de absorção de excedentes populacionais. O trabalho conclui pelo cumprimento dos pressupostos iniciais, destacando as mesoregiões Norte e Nordeste do Mato Grosso como ultimas fronteiras agrícolas regionais, bem como, a diversidade e fragilidade da economia regional calcada no setor agrícola. PALAVRAS-CHAVE: Centro-Oeste, Fronteira Agrícola, Soja. O CENTRO-OESTE BRASILEIRO COMO FRONTEIRA AGRÍCOLA 1. OFERTA AMBIENTAL Composta em sua maior parte por áreas de cerrado, mas abrangendo também a planície do Pantanal, a oeste, e a Floresta Pré-Amazônica, ao norte do Mato Grosso, o CentroOeste (1.606.371.510 km2) é constituído atualmente pelo DF (5.801.937 km2), além dos Estados de Goiás (340.086.698 km2), Mato Grosso (903.357.908 km2) e Mato Grosso do Sul (357.124.962 km2). Há que se considerar que a região Centro-Oeste possui extensa região de fronteira internacional, fato importante na sua colonização, notadamente na década de 1930, e, atualmente, representativo de potencial estratégico com relação ao Mercosul e a ligação com o Oceano Pacífico. A Região Centro-Oeste apresenta elevado número de horas com radiação solar (insolação), cuja porção fotossintéticamente ativa é superior à 1.000 μmol.cm-2.min-1, fatos que a caracterizam como privilegiada à produção agrícola (Lovenstein et al, 1995). As características positivas à produção agrícola de alta radiação fotossintéticamente ativa e alta insolação na Região Centro-Oeste são corroboradas por temperaturas médias anuais próximas a 25ºC.A temperatura máxima diurna, ao redor de 35º C entre novembro a fevereiro, é adequada à produção dos principais produtos agrícolas mundiais, a exemplo de leite; carnes de aves, bovina, ovina e suína; espécies vegetais frutíferas, a exemplo de citros, uva, manga, coco, abacaxi e banana; oleaginosas, a exemplo de amendoim e palma; protéico-oleaginosas a exemplo de soja, feijão e mamona; amiláceas, a exemplo de milho, arroz e mandioca; fibrosas a exemplo de algodão e rami, além de café, cana-de-açúcar, flores tropicais e várias espécies olerícolas. A temperatura mínima, ao redor de 15º C entre maio a agosto, com exceção do sul do Mato Grosso do Sul que apresenta temperatura mínima mais baixa e adequada à produção de trigo (amilácea) e girassol (protéico-oleaginosas), além dos produtos animais e vegetais já citadas (Castro et al, 1999; Miyasaka, 1986). A precipitação anual varia entre 800 a 1600 mm, dividida em duas estações. A estação chuvosa, entre outubro a março, apresenta precipitações mensais superiores a 250 milímetros, que, associado às evaporações mensais inferiores a 120 milímetros, permite a produção dos produtos citados sem irrigação suplementar. Já na estação seca, entre abril a setembro, ocorrem precipitações mensais próximas a zero e evaporações superiores a 300 milímetros, o que caracteriza situação de intenso déficit hídrico que inviabiliza a produção agrícola sem irrigação suplementar, técnica recomendada na região em razão das características de radiação e temperatura vigentes nesse período (Castro et al, 1999; Miyasaka, 1986). O relevo da região Centro-Oeste caracteriza-se pela predominância de terrenos antigos e erodidos que deram origem aos chapadões e depressões. O relevo predominante varia entre plano a ondulado, portanto, adequado à agricultura mecanizada. Os solos são antigos, profundos e, à exceção da depressão do Pantanal, bem drenados. Predominam os latossolos e podzois com textura variando entre arenosa no Noroeste de Goiás, leste do Mato Grosso e Nordeste do Mato Grosso do Sul, a argilosa, no restante de Goiás e regiões centrais do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Entretanto, o bioma dos cerrados apresenta solos com baixa fertilidade natural, ácidos e contendo teores elevados de alumínio tóxico às plantas, limitação superada pela técnica denominada de “construção do solo de cerrado”, desenvolvida por grupos de pesquisa interdisciplinar coordenados pela Embrapa, entre as décadas de 1960 e 1980. Essa técnica consiste na adequação da fertilidade dos solos de cerrado para produção agrícola seguindo uma sucessão de espécies pouco exigentes, a exemplo do arroz, seguida por espécies mais exigentes, a exemplo da soja, até o cultivo de espécies bastante exigentes, a exemplo de algodão e fruteiras (Castro et al, 1999; Miyasaka, 1986). A Região do Pantanal apresenta áreas com altitudes máximas de 300 metros, o que dificulta o escoamento das bacias hidrográficas, sendo a principal a do rio Paraguai, tornando a região inundada por longo período durante o ano, o que limita sua exploração agrícola. O bioma dos cerrados pode ser classificado em cerrado de altitude, áreas cujas altitudes são maiores que 600 metros, e cerrados de depressões, áreas com altitudes variando entre 200 a 600 metros. O cerrado de altitude apresenta relevo variando entre plano até suave ondulado e temperaturas noturnas próximas a 18ºC e 12ºC nos períodos chuvoso e seco, respectivamente. Portanto, as condições ecológicas dos cerrados de altitude são ideais para a produção das espécies animais e vegetais citadas anteriormente, além de viabilizar a mecanização. Entretanto, como suas bacias hidrográficas, em geral, apresentam grandes dimensões, a irrigação da área total fica comprometida pelo alto custo do transporte e recalque da água, os quais são viáveis até distancias máximas de 10 kilometros. Já o cerrado de depressão apresenta bacias hidrográficas menores, o que se constitui em vantagem à irrigação quando comparado ao cerrado de altitude, entretanto, apresenta relevo variando entre suave ondulado a ondulado, o que limita a mecanização agrícola, e temperaturas noturnas superiores em até 5ºC quando comparado aos cerrados de altitude, fato que limita a produção dos produtos citados (Castro et al, 1999; Miyasaka, 1986). Considerando a oferta ambiental da Região Centro-Oeste e a metodologia proposta por Driessen & Konijn (1992), foi possível classificar suas áreas como adequadas, inadequadas e com restrições (Figura 1) para a produção de leite, carnes de aves, suínos, ovinos e bovinos, além de espécies vegetais frutíferas, a exemplo de citros, uva, manga, coco, abacaxi e banana; oleaginosas, a exemplo de amendoim e palma; protéico-oleaginosas a exemplo de soja, feijão, mamona e girassol; amiláceas, a exemplo de milho, arroz, mandioca e trigo; fibrosas a exemplo de algodão e rami, além de café, cana-de-açúcar, flores tropicais e várias espécies olerícolas. Nas áreas denominadas por inadequadas, apesar da baixa produtividade, é possível a produção de carne bovina e, em alguns casos, espécies vegetais menos exigentes a exemplo de arroz, mandioca, mamona e milho. No caso das áreas consideradas adequadas há que se considerar a possibilidade do uso de irrigação complementar para produção no período entre os meses de abril a outubro e, no caso das áreas com denominadas com restrições, é possível a produção da maioria dos produtos citados desde que considerado às limitações de rendimento e épocas do ano. Considerando o conceito de fronteira agrícola como uma região que oferece condições de expansão da atividade agrícola e disponibilidade de terras a serem ocupadas (Mueller, 1990), verifica-se pelo exposto sobre a oferta ambiental e a proporção (71,29%) de área apta à produção agrícola (Figura 1), representada pelo somatório de áreas adequadas (701.984,34 km2) e com restrição (443.197,89 km2), que o Centro-Oeste configura-se como uma região propícia ao estabelecimento de fronteira agrícola. Figura 1. Áreas do CO adequadas, com restrições e inadequadas à produção agrícola. 2. INFRA-ESTRUTURA E MIGRAÇÕES Entre os finais das décadas de 1950 e 1970 a economia brasileira experimentou uma fase de intenso desenvolvimento, acompanhado por grandes obras de infra-estrutura e promoção da integração nacional, consolidando a centralidade de São Paulo e reforçando a condição de complementaridade das demais economias. Redefinia-se espacialmente a função da fronteira agrícola como suporte ao mercado interno, possibilitando a alguns núcleos urbanos regionais, estrategicamente beneficiados pela infra-estrutura, o fomento da acumulação de capital e a diversificação produtiva (Natal, 1991). O Plano de Metas foi de fundamental importância no processo de ocupação, definindo a incorporação do Centro-Oeste ao mercado nacional como atividade agrícola intensiva em capital e as frentes especulativas. Priorizava a superação dos pontos de estrangulamento da economia em decorrência de investimentos em infra-estrutura, a cargo do Estado, além da interiorização da economia, demonstrada na construção da nova Capital Federal, Brasília. A construção de Brasília causou grande impacto no fluxo populacional e tendo atraído migrantes, inclusive do próprio entorno de Goiás e de Minas Gerais, e gerando no interior do país uma área de grande adensamento populacional. A posição geográfica do DF foi decisiva para justificar a interiorização de investimentos em eletrificação, telecomunicações e, principalmente, em estradas, que até meados da década de 1950 representavam um grande entrave ao desenvolvimento de Goiás. Duas rodovias foram fundamentais para o processo de integração da região. A primeira delas, a BR 153, ligou Goiânia a São José do Rio Preto (SP), integrando a capital de Goiás à economia paulista sem a intermediação do Triângulo Mineiro. No sentido norte, essa rodovia ligou Goiânia a Araguaína (TO), com entroncamentos para São Luiz (MA) e Belém (PA), o que possibilitou a migração da fronteira agrícola para a região norte de Goiás (Castro, 2003). Outra rodovia importante construída no Centro-Oeste foi a BR 163, cujo traçado longitudinal vai do sul do Mato Grosso do Sul até a BR 230 (Transamazônica). Ao norte, a BR 163 possibilitou a formação de uma frente de exploração de madeira no extremo norte do Mato Grosso, seguida da expansão da agrícola impulsionada por projetos de colonização particulares e públicos, que vem respondendo nas últimas duas décadas pelo destacado incremento populacional dos núcleos de Sinop, Alta Floresta e Colíder no Mato Grosso. Ao sul, a BR 163 interliga Rondonópolis a Campo Grande e este à BR 267 com acesso a Presidente Epitácio (SP). Essa rodovia foi relevante para situar Rondonópolis (MT) como entroncamento e núcleo de referência do centro-sul do Mato Grosso, além de ratificar Campo Grande como importante eixo rodo-ferroviário do Mato Grosso do Sul, estrategicamente distante da influência dos núcleos urbanos paulistas. Ainda com relação à Campo Grande, destaca-se do fato de ter-se tornado sede do Governo Estadual ao final da década de 1970 e a BR 262 na década de 1980. A BR 262, ligando Campo Grande a Corumbá a oeste e a Três Lagoas (MS) a leste tornou-se importante via de integração do Mato Grosso do Sul com São Paulo (Machado de Oliveira, 1993). Uma rodovia importante para Goiás foi a BR 060, que, partindo de Brasília, ligou Goiânia a região sudoeste do Estado, integrando-se à BR 163 e a BR 364, a qual ligou Cuiabá a Porto Velho (RO) e permitiu a exploração da região oeste do Mato Grosso. A BR 060 objetivava articular com Goiânia o potencial produtivo do sudoeste goiano, historicamente ligado ao Triângulo Mineiro. Apesar do insucesso de tal objetivo, ela restringiu a influência do Triângulo Mineiro, passando Goiânia a ser o núcleo de referência de toda a extensão goiana e leste mato-grossense, entre as BR 153 e a BR 060. Mais tarde, essa área de polarização de Goiânia foi reforçada pela construção de outras rodovias como a BR 070 que ligou Brasília e Goiânia a Cuiabá, passando por Barra do Garça, leste do Mato Grosso (Natal, 1991; Estevam, 1997). Em 1960, a extensão da rede rodoviária nos Estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia alcançou 6.481 km e, segundo Natal (1991), foi a que mereceu maior atenção do governo federal, correspondendo a 37% do incremento da extensão das vias federais no período 1950 a 1960. A malha de transporte implementada foi responsável por uma nova espacialidade em Goiás. Primeiro, a superação da rota ferroviária prejudicou a posição locacional de Anápolis, que a partir de 1960 ficou comprimida entre dois grandes centros urbanos, Goiânia e Brasília, passando Goiânia a assumir o papel de centralidade no centro e no oeste de Goiás, além do leste do Mato Grosso. Concomitantemente, Brasília tornou-se grande pólo de migração, sem, entretanto, desempenhar papel correspondente nos setores produtivos primário e secundário, além de apresentar um setor terciário voltado para as funções de governo e sustentação do núcleo urbano do DF (Natal, 1991; Estevam, 1997). Não obstante a importância, as obras de infra-estrutura não foram as únicas responsáveis pela dinâmica de ocupação do Centro-Oeste. O que se inaugura com o Plano de Metas é a articulação dessas infra-estruturas com um novo padrão de industrialização, elevadas taxas de crescimento econômico e unificação do mercado nacional. As dimensões assumidas resultaram do reforço substancial recebido, a partir de meados da década de 60, através de programas e políticas gerais e específicas, com forte repercussão sobre a economia do Centro-Oeste. Sob os impactos do Plano de Metas e da ampliação da infra-estrutura rodoviária, ocorre uma aceleração do movimento migratório para o Centro-Oeste, que na década de 1950, quando se acentua a integração intra e inter-regional, apresentou taxa de crescimento médio de 5,3% ao ano. Durante a década de 1960, esse processo atinge seu auge e a ocupação do território torna-se um movimento contínuo, potencializado pela nova capital federal e pela presença dos grandes eixos rodoviários e, de outro lado, pelo crescimento do mercado interno e incorporação complementar da fronteira. O crescimento populacional médio anual da região nessa década alcança a taxa de 5,6%, enquanto o DF, inaugurado em 1960, cresceu a uma média anual de 14,3%. Entretanto, as maiores taxas da região ocorreram entre as décadas de 1960 e 1970, a exceção do Mato Grosso que continuou apresentando taxas positivas de crescimento, sendo que na década de 1970 o Centro-Oeste absorveu cerca de 1,3 milhão de migrantes resultando em taxa de crescimento populacional maior que o dobro das taxas nacionais. A participação da população do Centro-Oeste na população nacional passou de 5,45% em 1970 para 5,72% em 1980 e 6,42% no ano de 1991, atingindo 6,69% em 1996 (Hogan et al, 1998; Galindo & Santos, 1995). Observa-se que a década de 1990 pode ser considerada como de consolidação da urbanização regional, pois, à exceção do DF que aumentou a relação entre a população urbana e rural de 2410,47% em 1970 para 3005, 04 em 1980, reduzindo para 103,46% em 1996, Goiás (208, 48 e 1.197,38% em 1980 e 1996, respectivamente), Mato Grosso do Sul (201, 60 e 296,94% em 1980 e 1996, respectivamente) e Mato Grosso (135,39 e 264,04% em 1980 e 1996, respectivamente) apresentaram taxas crescentes dessa relação entre os anos de 1980 e 1996, resultando para o Centro-Oeste nas taxas de 195,61 e 282,20 % para os anos de 1980 e 1996, respectivamente. Na década de 1990 reduziu a migração de outras regiões para o Centro-Oeste e, portanto, o crescimento populacional urbano está mais condicionado à dinâmica migratória intra-regional. A imigração para o Centro-Oeste também teve como destino seu interior, reforçando a importância desse componente populacional na dinâmica de crescimento dos municípios, inclusive nos pequenos e intermediários. As taxas de crescimento dos municípios com menos de 15 mil habitantes foram positivas no período 1980 a 1991, enquanto no período entre os anos de 1991 a 1996, o ritmo de crescimento de todas as classes de tamanho de município diminuiu, em especial daquelas entre 100 mil a 800 mil habitantes (Cunha, 1997; Estevam, 1997; Hogan et al, 1998). É interessante destacar que a dinâmica populacional recente do Centro-Oeste, notadamente entre os anos de 1970 e 1990, período importante para conformação socioeconômica regional, apresenta características peculiares em relação às migrações anteriores, as quais eram compostas majoritariamente por população com parcos recursos conforme destacado por Shiki (1997). Nas migrações entre 1970 e 1991, com exceção do DF, predominou como origem os estados da Região Sul e Sudeste. Não obstante, as correntes migratórias iniciais, formadas em sua grande maioria por pessoas de parcos recursos, foram responsáveis pelo desbravamento e atividades produtivas com métodos tradicionais de cultivo extensivo, que, apesar dos métodos agressivos ao ambiente, propiciaram condições para futuras intervenções agrícolas calcadas na modernização conservadora na década de 1970 e na resposta exportadora. Com a infra-estrutura e a expansão populacional iniciou-se a transformação das estruturas produtivas e, em particular, a ampliação da circulação de mercadorias e diversificação dos setores produtivos dos núcleos urbanos estrategicamente posicionados como entrepostos comerciais (Shiki, 1997). O fato é que já na década de 1960 estão definidas as áreas de maior dinamismo da região: o centro e o sul de Goiás, com o desenvolvimento da agricultura e pecuária, uma ocupação mais adensada e uma estrutura urbana de maior expressão, cujos centros de maior destaque são os municípios de Goiânia, Brasília, Anápolis, Rio Verde e Itumbiara, sendo os dois últimos na área de influência de Uberlândia; o sudoeste de Mato Grosso, com Cuiabá, Rondonópolis e Cáceres; e o centro-sul do Mato Grosso do Sul, em duas áreas distintas, polarizadas pelas cidades de Campo Grande —que desde a primeira metade do século XX havia se consolidado como o principal núcleo urbano de Mato Grosso do Sul— e Dourados, além de Corumbá, que exerce funções específicas de indústria (siderurgia, moinho de trigo, fiação, cimento e mineração de ferro e manganês), turismo e entreposto de fronteira internacional. Neste contexto, à medida que São Paulo se consolidava como centro econômico, a região Centro-Oeste assumia um papel complementar e inseria-se na economia nacional como típica região de fronteira, área de absorção de excedentes populacionais e de criação de novas oportunidades de investimentos. Os estímulos econômicos e movimento gerado no pólo dinâmico paulista iam sendo irradiadas pelas rodovias, comércio, fluxo migratório, investimentos e se traduziam em novas práticas produtivas, mudanças culturais e institucionais que aos poucos limitavam e e erodiam as bases das pretéritas relações construídas ao longo dos dois séculos anteriores no Centro-Oeste. 3. EVOLUÇÃO RECENTE (1960 a 2000) O crescimento econômico da região Centro-Oeste nas últimas quatro décadas apresentou crescimento superior às demais regiões brasileiras, exceto a região Norte (Galindo & Santos, 1995). Esse fato é demonstrado pela participação da região no PIB nacional que evoluiu de 2,46% em 1960 para 6,95% em 2000. Ao comparar as taxas de crescimento do PIB total da região e de todo o Brasil entre os anos de 1960 e 2000 verifica-se que, enquanto o Produto Interno Bruto nacional, cresceu 4,79 % ao ano o da região Centro-Oeste cresceu, em média, a 9,49 % ao ano. A desagregação das taxas de crescimento em diversos períodos indica que as décadas de 1960 e 1970, caracterizadas pelo crescimento econômico em todo o País, foram extremamente positivas para o Centro-Oeste, e, mesmo na década de 1980, quando as taxas nacionais foram reduzidas em razão da crise externa, a economia da região manteve crescimento positivo como pode ser visto na Tabela 1. Tabela 1. Médias anuais de crescimento do PIB (%) em diferentes períodos entre 1960 e 2000 no Brasil (BR), DF (DF), Goiás (GO), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e região Centro-Oeste (CO). Período Taxa média anual de crescimento do PIB (%) BR DF GO MS MT CO 1961/2000 4,79 57,81 6,20 8,05 9,49 1971/2000 4,32 8,86 4,59 6,90 6,45 1981/2000 2,12 7,31 3,35 3,29 6,66 4,93 1991/2000 2,66 9,30 4,05 4,01 6,75 6,03 Década de 1960 6,22 145,94 9,08 10,11 14,97 Década de 1970 8,72 21,20 14,55 8,85 18,60 Década de 1980 1,57 4,00 2,18 2,10 6,50 3,10 Década de 1990 2,66 9,30 4,05 4,01 6,75 6,03 Ajustamento (1961/1967) 4,64 159,50 9,63 4,64 10,11 Milagre (1968/1973) 11,18 114,30 7,80 22,87 26,30 Choques do Petróleo (1974/1980) 7,11 21,20 14,55 8,85 18,60 Crise da Dívida (1981/1983) -2,50 -4,00 3,30 -0,90 4,90 0,83 Falsa Recuperação (1984/1986) 6,93 4,00 10,50 9,60 14,80 8,75 Hiperinflação (1987/1993) 1,07 6,90 0,36 0,01 5,83 2,89 Estabilização do Real (1994/1997) 4,10 8,48 4,38 6,83 3,83 6,03 Crises internacionais (1998/2000) 1,70 8,93 4,20 2,03 6,93 5,70 Fonte: Monteiro Neto & Gomes (2000). Monteiro Neto & Gomes (2000) justificam o crescimento econômico da região Centro-Oeste, por um lado, pela diversificação da base produtiva, e, por outro, pelo crescimento populacional ter contribuído para a ocupação de grandes áreas inóspitas prevalecentes até a década de 1960, além dos investimentos e despesas realizados pelo setor público na região. Entretanto, há que se considerar o crescimento econômico da Região Centro-Oeste nas últimas quatro décadas como conseqüência do crescimento do PIB dos setores agrícola, cujo maior crescimento ocorreu entre as décadas de 1970 e 1990, e de serviços (Figura 4). Observa-se importante crescimento do PIB do setor de serviços, que aumenta de 41,02% em 1960 para 82,88% em 1990, reduzindo para 67,69% em 2000. Quanto ao crescimento do setor industrial regional em relação ao setor industrial nacional (PIB Industrial, %), há que se considerar que o crescimento dessa taxa nas últimas quatro décadas sofreu grande influência da expansão setor agrícola regional, notadamente em Goiás, com destaque para a indústria de alimentos, de insumos agrícolas, principalmente fertilizantes, e a indústria de transformação de produtos agrícolas, a exemplo do esmagamento de soja (Castro & Fonseca, 1995). 16 PIB Agrícola 16 14 14 12 12 10 10 % 8 % 8 6 6 4 4 2 2 0 PIB Industrial 0 1960 1965 1970 16 1975 1980 1985 1990 1995 2000 1985 1990 1995 2000 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 PIB Serviços 14 12 10 % 8 6 4 2 0 1960 1965 1970 1975 1980 Figura 4. Participação (%) do Produto Interno Bruto dos setores agrícola (PIB Agrícola), industrial (PIB Industrial) e de serviços (PIB Serviços) da região Centro-Oeste, do DF e dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sobre os respectivos Produtos Internos Brutos nacionais. Fonte: IPEA (2005). Desagregando-se o PIB da Região Centro-Oeste nos setores agrícola, industrial e de serviços, observa-se importante evolução do último, que em 1960 era de 41,02% e passa para 82,88% em 1990, reduzindo para 67,69% em 2000. Entretanto, há que se considerar a expressiva participação do setor de serviços do DF, a exemplo de 59,76% do PIB regional em 1990, o que compromete a interpretação do desenvolvimento econômico da região CentroOeste. Considerando ainda o DF, observa-se que as participações dos setores agrícola e industrial na composição do PIB regional são pequenas, respondendo por, 0,21% em 1990 e 5,01% em 1975, respectivamente. Dado o desempenho do setor de serviços no DF, é conveniente excluí-lo da interpretação econômica do Centro-Oeste (Tabela 2). O Mato Grosso do Sul teve sua participação no PIB nacional praticamente inalterada no período considerado, enquanto Goiás, apesar do crescimento de 2,85% do setor industrial nas quatro décadas consideradas, reduziu sua participação no PIB Total regional à taxa de 0,52% ao ano, reiterando a relação entre os setores de serviços e agrícola em razão das reduções semelhantes em ambos setores. Considerando o exposto sobre a evolução econômica da Região CO, a despeito do crescimento do setor de serviços, destaca-se a importância do setor agrícola para a economia da região, exclusive o DF, que passou de 4,68% em 1960 para 12,99% do PIB agrícola nacional em 2000. Essa importância é resultado de investimentos para o desenvolvimento da produção de agrícola na região dos cerrados que resultou no aumento da participação do Centro-Oeste na produção brasileira de grãos de 10,7%, em 1973, para 25,3%, em 1997, apresentando um crescimento de 10% em sua área colhida de grãos e de 50% em sua produção de grãos na década de 1990 em relação à década de 1980 (Monteiro Neto & Gomes, 2000; Coelho, 2001). A atividade agrícola provocou transformações tecnológicas na Região, as quais afetaram a paisagem e os sistemas produtivos. Os investimentos em pesquisa agrícola que resultaram na chamada técnica de “construção dos solos de cerrado”, a qual viabilizou o cultivo de diversas espécies vegetais em solos originalmente de baixa fertilidade. Entretanto, esta técnica requer prazo longo para adequação a espécies produtivas e, conseqüentemente, exigentes em recursos edáficos. O arroz, por exemplo, espécie pouco exigente em recursos edáficos, apresenta rendimento máximo já no segundo ano de cultivo em solo de cerrado, enquanto espécies mais exigentes como soja, milho e algodão apresentam rendimentos máximos apenas no quarto, sexto e sétimo ano de cultivo, respectivamente, desde que aplicadas recomendações técnicas adequadas. Assim, a “construção dos solos de cerrado” requer mudança constante no sistema produtivo, caracterizada pela sucessão de espécies menos exigentes em oferta ambiental, capital e mão-de-obra, a exemplo de pastagem natural, sucedida por pastagem plantada e lavouras temporárias. Tabela 2. Evolução qüinqüenal da participação (%) do PIB Total e dos setores agrícola (PIB Agrícola), industrial (PIB Industrial) e de serviços (PIB Serviços) de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso nos respectivos Produtos Internos Brutos regionais entre os anos 1960 e 2000. Região 1960 1965 1970 Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso 58,32 41,68 61,79 38,21 58,21 41,79 Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso 62,47 37,53 66,22 33,78 56,93 43,07 Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso 52,19 47,81 62,36 37,64 58,90 41,10 Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Fonte: IPEA (2005). 53,79 46,21 55,18 44,82 58,91 41,09 Período 1980 1985 PIB Total 55,64 50,04 53,14 28,76 32,13 26,93 15,60 17,82 19,93 PIB Agrícola 59,15 42,05 42,00 29,75 44,53 41,72 11,10 13,42 16,28 PIB Industrial 22,41 58,69 61,76 38,80 23,96 20,80 38,80 17,36 17,44 PIB Serviços 57,51 51,59 54,68 26,95 27,39 22,56 15,54 21,02 22,76 1975 1990 1995 2000 48,99 27,57 23,44 46,79 27,88 25,33 46,01 25,51 28,49 39,80 44,42 15,78 40,65 39,22 20,13 34,69 31,79 33,52 56,89 21,76 21,35 50,27 25,56 24,17 55,04 22,50 22,47 48,92 24,66 26,42 47,58 24,61 27,81 46,26 24,27 29,47 Quando comparadas as evoluções de indicadores da paisagem da Região (Tabela 3), representados pelas proporções das áreas de biomas naturais, matas plantadas, pastagens naturais e plantadas, lavouras permanentes e lavouras temporárias em relação à área total da unidade federativa entre os anos de 1960 a 2000, verifica-se em, todos sub-períodos, redução na área de biomas e pastagens naturais concomitante ao aumento das áreas dos demais indicadores, o que configura a disponibilidade de terras segundo conceituação de fronteira agrícola. As mudanças mais significativas na paisagem ocorrem entre os anos de 1960 a 1990, período coincidente com maior alocação de recursos públicos na atividade agrícola do CentroOeste (Monteiro Neto & Gomes, 2000; Coelho, 2001; Gasques & Bastos, 2003; Helfand & Resende, 2003). Observa-se não haver mudanças significativas dos biomas naturais em todos subperíodos no Mato Grosso do Sul (Tabela 3), indicando que sua ocupação agrícola foi anterior a 1960. Nas décadas de 1960 e 1970, as reduções mais significativas de biomas e pastagens naturais ocorreram em Goiás e no DF (Tabela 3), concomitante ao aumento de pastagens plantadas e lavouras temporárias, com destaque ao arroz em ambas Unidades Federativas e algodão, em Goiás (Tabela 5). Essa substituição de pastagens naturais por pastagem plantada e arroz, espécies pouco exigentes em acordo com a técnica de “construção do solo de cerrado” porém de menor rentabilidade, indica que as principais motivações à mudança na paisagem e no sistema produtivo regional são o baixo preço da terra e o crédito público subsidiado (Castro de Rezende 2002 A e B), caracterizando essas Unidades Federativas como de fronteira agrícola. Quanto ao crescimento da área de algodão, destaca-se que ocorreu na mesorregião sudeste de Goiás, a qual dispõe de oferta ambiental adequada e semelhantes à mesoregião norte de São Paulo, tradicional produtora de algodão. Nesse período os biomas e pastagens naturais do Mato Grosso não sofrem suas alterações significativas, indicando não haver avanço da fronteira agrícola nesse Estado, a exceção do aumento da área de pastagem plantada e arroz motivados pelo baixo preço da terra. Tabela 3.Evolução das proporções (%), em relação à área total, das áreas matas plantadas, pastagens naturais, pastagens plantadas, lavouras permanentes e lavouras temporárias no Centro-Oeste, no DF e nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso entre os anos 1960 e 2000. Região 1960 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste 6,21 19,98 6,31 78,18 25,06 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste 0,05 0,05 0,01 0,02 0,02 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste 16,22 40,04 20,67 23,03 25,28 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste 1,60 8,79 1,56 0,97 2,96 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste 0,16 0,33 0,05 0,05 0,11 DF Goiás Mato Grosso do Sul Mato Grosso Centro-Oeste Fonte: IPEA (2005). 0,46 2,29 0,25 0,22 0,68 Período 1970 1980 Biomas naturais 5,50 3,50 12,62 12,03 5,46 4,66 64,81 48,70 21,09 16,80 Matas plantadas 0,02 3,71 0,28 0,22 0,06 0,49 0,05 0,14 0,11 0,37 Pastagens naturais 11,98 13,04 34,16 30,40 13,58 18,14 28,24 12,48 21,19 19,46 Pastagens plantadas 2,71 10,25 10,95 24,94 3,73 10,04 3,72 13,14 5,25 13,88 Lavouras permanentes 0,77 1,56 0,18 0,17 0,04 0,06 0,06 0,36 0,08 0,16 Lavouras temporárias 1,47 8,54 4,11 7,69 0,50 1,76 0,68 3,99 1,31 3,54 1990 2000 3,25 10,61 3,90 18,58 8,93 3,56 11,36 3,70 11,32 6,53 3,75 0,23 0,35 0,13 0,29 3,44 0,21 0,20 0,19 0,21 9,73 21,62 8,71 22,23 14,45 5,86 15,11 6,73 17,33 10,86 10,86 37,63 15,43 30,78 23,52 10,76 41,95 17,41 42,74 28,21 1,18 0,17 0,02 0,43 0,15 1,05 0,18 0,02 0,51 0,17 11,91 7,33 1,79 6,69 4,09 11,25 9,17 2,18 9,19 5,25 Na década de 1970 ocorre substituição significativa da área de pastagem natural por pastagem plantada no Mato Grosso do Sul, enquanto as áreas de lavouras permanentes e temporárias apresentam pouca variação. O crescimento da área de matas plantadas no DF e Mato Grosso do Sul entre 1970 e 1980 é função de incentivos públicos à atividade, o que consolida o Mato Grosso do Sul como futura fronteira para espécies destinadas à produção de celulose. Ainda nas décadas de 1960 e 1970, observa-se redução nas áreas de lavouras permanentes (Tabela 3) em função da redução nas áreas de café em Goiás e Mato Grosso, apesar do aumento na área dessa espécie no Mato Grosso do Sul (Tabela 4). Em 1980 observa-se relativa estabilidade na área de algodão em Goiás, em razão da limitação de áreas adequadas á essa espécie na mesorregião sudoeste de Goiás. Também se observa redução na área de arroz em Goiás e no DF, coincidindo com aumento nas áreas de espécies mais exigentes em oferta ambiental e capital, como a soja e milho, além de espécies intensivas em mão de obra e capital como abacaxi, cana-de-açúcar, batata, melancia e melão. No caso das culturas permanentes, atividades que além de exigentes em oferta ambiental, capital e mão-de-obra, apresentam prazos de retorno do investimento maiores que das lavouras temporárias, observa-se aumentos significativos nas áreas de coco-da-baía, laranja, limão e maracujá, destacando-se a experiência no cultivo da uva, espécie não adaptada a região e altamente exigente nos fatores de produção citados (Tabela 4). As reduções nas pastagens naturais e aumento nas pastagens plantadas e lavouras temporárias (Tabela 3) indicam o deslocamento da fronteira agrícola para o Mato Grosso na década de 1980. Entretanto, contrário ao DF e Goiás, há redução da área de arroz e aumento das áreas de algodão, cana-de-açúcar, milho e soja (Tabela 5) em função de tecnologias que permitem o cultivo antecipado dessas espécies mais exigentes na sucessão de culturas prevista inicialmente no processo de “construção do solo de cerrado”. Observa-se aumento da área de arroz na década de 1990 em razão de variedades de arroz mais exigentes em oferta edáfica, porém mais adaptadas ao clima do cerrado e mais produtivas, conforme demonstrado pelo aumento no seu rendimento (Tabela 5). Em processos semelhantes ao DF e Goiás, observa-se a incorporação da cultura de sorgo e do tomate no sistema de produção agrícola do Mato Grosso, porém quanto ao tomate, em escala exploratória tecnificada em razão da limitação com mão-de-obra. Quanto ao crescimento da atividade agrícola no Centro-Oeste, há que se considerar a participação pública na pesquisa e no crédito agrícola. No caso da pesquisa, destacam-se as técnicas de “construção de solo do cerrado” e a adaptação da cultura de soja à região, técnicas que permitiram a região assumir definitivamente o papel de fronteira agrícola nacional. No caso do crédito agrícola, além de estímulos à incorporação de novas áreas ao processo produtivo pelo crédito ao investimento e custeio, destaca-se a política de preços mínimos adotada entre 1970 e 1980 privilegiando a região quanto ao transporte (Castro de Resende, 2002). Entretanto, apesar do benefício direto ao produtor rural da política de preços mínimos, atribui-se a ela o retardamento na migração da agroindústria para o Centro-Oeste e, conseqüentemente, a ampliação regional das atividades agrícolas, comerciais e industriais consumidoras de grãos, pois, apesar de carecer de mais elementos para análise, observa-se (Figura 4) que o crescimento do PIB industrial ocorreu com maior intensidade após a desativação dessa política na década de 1990. Em uma crítica às análises que normalmente ressaltam os efeitos benéficos dessa política para o Centro-Oeste, Castro de Resende (2002 B) destaca que ela prejudicou a região a longo prazo, já que não se propôs a solucionar as deficiências de infra-estrutura e de caráter institucional necessários para o desenvolvimento agrícola de uma região de fronteira agrícola como o Centro-Oeste. Nesse caso, há que se considerar como relevante a adaptação da produção de soja para o bioma dos cerrados da região Centro-Oeste e o papel da agroindústria processadora de soja. A demanda da agroindústria processadora de soja por matéria-prima padronizada atuou como vetor dinâmico na geração e adoção de tecnologia de todo segmento, pois, o poder de negociação dessa agroindústria lhe confere grande poder de organização do segmento produtivo. Assim, o crédito agrícola não foi o agente exclusivo do progresso técnico da cultura de soja, pois, o progresso técnico da cultura da soja é conseqüência também da capacidade de coordenação da indústria processadora (Santos, 2000). Quanto às culturas permanentes no Mato Grosso, semelhante ao DF e Goiás, observase a introdução de espécies como coco-da-baía, limão, maracujá e uva. Com relação à uva, cabe destacar a iniciativa pioneira da produção de uva para suco concentrado no município de Nova Mutum, que teve início no ano de 1998 e tem previsão para produção de um milhão de litros anuais no ano de 2010. Essa iniciativa requereu esforços de pesquisa para desenvolvimento de manejo fitotécnico adequado à região, o que está permitindo a adaptação de novas variedades de uva e na utilização e ampliação da cultura da usa na mesorregião norte do Mato Grosso. Observa-se, apesar do crescimento significativo, pequena participação na região Centro-Oeste das lavouras permanentes, bem como, das lavouras temporárias intensivas em capital e mão-de-obra. A princípio esse fato pode ser atribuído à limitação imposta pelo regime de chuvas da região, entretanto, outro aspecto a ser considerado é que a alta produção, em geral característico das lavouras permanentes, requer recursos edáficos adequados e a técnica de “construção dos solos de cerrado” à essas espécies requer prazo mais longo. Para tanto, a exemplo do processo de “construção de solo de cerrado” que viabilizou a produção de lavouras temporárias com rendimentos superiores à média nacional, há que se considerar o desenvolvimento de sistemas produtivos adequados a essas espécies no Centro-Oeste considerando que lavouras permanentes são intensivas em capital e/ou mão-de-obra, recursos, em geral, escassos em regiões de fronteira agrícola (Mueller, 1990). A expansão da área cultivada e a sucessão de espécies promoveram aumento no valor da produção agrícola (Figura 5), à exceção das mesorregiões do Pantanal e do noroeste e norte goiano, confirmando sua inaptidão às atividades agrícolas (Figura 1). A inconsistência entre a aptidão e o valor da produção agrícola no sudoeste e centro-sul do Mato Grosso pode ser atribuída à produção de banana, espécie de maior rentabilidade que as principais lavouras temporárias e adaptada àquela oferta ambiental. Porém, cabe destacar que, à exceção do Pantanal Sul-matogrossense que apresentou involução do valor da produção agrícola, essas mesorregiões apresentaram as menores taxas de aumento no valor da produção agrícola. Quanto à estagnação do nordeste do Mato Grosso no período considerado há que se considerar a existência de áreas adequadas e com restrição à atividade agrícola (Figura 1) nessa mesorregião, podendo se inferir tratar-se de uma área de avanço da fronteira agrícola, notadamente pela predominância da produção de arroz e soja. No caso do avanço da fronteira agrícola, também merece destaque a mesorregião norte do Mato Grosso com expressiva produção e participação no valor da produção agrícola de algodão, arroz e soja. A participação do arroz no valor da produção agrícola total da mesorregião reduziu de 10,56 % em 1990 para 7,39% em 2000, enquanto a soja e o algodão aumentaram de 33,35 e 3,79% em 1990 para 35,71% e 5,91% em 2000, respectivamente. < R$ 50.000,00 50.001,00 – 100.000,00 100.001,00 – 200.000,00 200.001,00 – 300.000,00 > 300.001,00 Figura 5. Evolução do valor (R$ de 2000) da produção agrícola por área total (hectares) das mesorregiões do Pantanal Sul Mato-Grossense (PA-MS), Centro Norte de Mato Grosso do Sul (CN-MS), Leste de Mato Grosso do Sul (L-MS), Sudoeste de Mato Grosso do Sul (SO-MS), Norte do Mato Grosso (NMT), Nordeste do Mato Grosso (NE-MT), Sudeste do Mato Grosso (SE-MT), Centro-Sul do MatoGrosso (CS-MT), Sudeste do Mato Grosso (SE-MT), Noroeste Goiano (NO-GO), Norte Goiano (NGO), Centro Goiano (C-GO), Leste Goiano (L-GO), Sul Goiano (S-GO) e DF (DF). Fonte: IBGE (2005). A região sudoeste de Mato Grosso do Sul, já no ano de 1970, apresentava um dos maiores valores da produção agrícola em função do deslocamento da fronteira agrícola anterior à 1960, entretanto, em razão dos sistema produtivo estar calcado principalmente em soja, milho e algodão, não apresentou evolução significativa desse valor no período considerado. Caso semelhante ocorreu com a mesorregião sul de Goiás, que, entretanto, apresentou crescimento significativo na década de 1990. Esse aumento é decorrente do crescimento no rendimento de espécies temporárias, com destaque par algodão, milho, soja e feijão irrigado, da produção de espécies temporárias de maior valor, a exemplo do tomate, e do crescimento da produção de lavouras permanentes que passou de 13 para 24% do valor da produção agrícola entre os anos de 1990 e 2000 com destaque para café e maracujá. As mesorregiões do centro goiano e DF, provavelmente em função das implementações de Goiânia e Brasília em período anterior ao avanço da fronteira agrícola para o Centro-Oeste, apresentaram os maiores valores de produção agrícola por área, bem como, elevadas taxas de crescimento desse parâmetro. As demais mesorregiões apresentam aumento significativo do valor da produção agrícola decorrente, principalmente, de aumento nos rendimentos das espécies temporárias, com destaque à soja e ao milho, além da substituição do arroz e soja por espécies temporárias de maior valor, com destaque ao algodão. Apesar do crescimento das espécies permanentes há que se considerar que o aumento da produção dessas espécies foi menor que nas mesorregiões do centro goiano, do sul goiano e DF. Provavelmente o menor crescimento é função da menor disponibilidade de capital e mão-de-obra no leste de Mato Grosso do Sul, sudeste do Mato Grosso e leste Goiano, além das limitações edáficas, bem como no desenvolvimento de técnicas para o cultivo de espécies de maior valor. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme destacado nos itens anteriores, o padrão atual de desenvolvimento da região Centro-Oeste é fruto da intervenção pública enfatizando a região assumiu, desde a década de 1930, o papel de fronteira agrícola e pólo de absorção dos excedentes populacionais nacionais. Assim, pode-se inferir que a região cumpriu o papel a ela proposto de fronteira agrícola e pólo de absorção de excedentes populacionais ainda na década de 1930. Os indicadores econômicos e demográficos considerados nesse trabalho atestam o caráter diferenciado do comportamento socioeconômico intra-regional, bem como evidencia a capacidade transitória da chamada fronteira agrícola para sustentar e fixar fluxos migratórios expressivos. As políticas de infra-estrutura e colonização adotadas nas décadas anteriores à 1960 possibilitaram que o Mato Grosso do Sul e, principalmente, Goiás, atuassem como as primeiras regiões de fronteira agrícola, sendo sucedidos pelo Mato Grosso, cujas regiões norte e nordeste representam as últimas áreas para o avanço da fronteira agrícola. Os indicadores revelam, também, padrões de ocupação e dinâmicas distintos dentro da região. O desenvolvimento de Goiás, por exemplo, apresentou dinâmicas de ocupação agrícola bastante distinta das ocorridas no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, provavelmente em razão do processo de urbanização de Goiânia e Brasília e da ligação mais precoce com a infra-estrutura produtiva da Região Sudeste do País, conforme demonstrado pelo maior dinamismo de seus sistemas de produção agrícola e redução na participação de espécies temporárias, a exemplo da soja. A mesorregião sul do Mato Grosso do Sul exemplifica a importância da substituição de espécies nos sistemas agrícolas, pois, apesar do processo de fronteira agrícola também ter iniciado anteriormente a 1960, a manutenção do sistema produtivo calcado na soja prejudicou a evolução do valor da produção agrícola. O Mato Grosso, até a década de 1980, também tinha sua “economia de fronteira” calcada na soja. Entretanto, na década de 1990 observa-se diversificação e maior dinamismo de seus sistemas produtivos agrícolas, notadamente na mesorregião Sudeste em função do algodão. Ainda no caso do Mato Grosso, destacam-se várias iniciativas para substituição de espécies nos sistemas produtivos locais, com a introdução de frutas e outros cultivos perenes, que enfrentam maior dificuldade para adequar-se à oferta ambiental local. Assim, apesar do avanço da fronteira agrícola na região Centro-Oeste pode-se inferir que ainda há carência em mão-de-obra, capital e tecnologia, para o aumento da produção de espécies mais exigentes, do que é possível inferir que o processo de fronteira agrícola, apesar de avançado, não está concluído. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTRAN, P. Formação econômica de Goiás. Goiânia: Oriente, 1978. BERTRAN, P. Uma introdução à história econômica do Centro-Oeste do Brasil. Brasília: UCG/Codeplan, 1988. BRUNO, E.S. História do Brasil geral e regional: o grande Oeste. São Paulo : Cultrix, 1967. CASTRO, A.C.; FONSECA, M.G.D. A dinâmica agroindustrial do Centro-Oeste. Brasília:IPEA, 1995. 220p. CASTRO, P.R.C.; KLUGE, R.A. (ed.). Ecofisiologia dos cultivos anuais. São Paulo: Nobel, 1999. CASTRO de REZENDE, G. A política de preços mínimos e o desenvolvimento agrícola da região centro-oeste. Brasília:IPEA, 2002 A. 38p. (Texto para Discussão, 870). CASTRO de REZENDE, G. Ocupação agrícola e estrutura agrária no cerrado: o papel do preço da terra, dos recursos naturais e da tecnologia. Brasília: IPEA, 2002 B. 24p. (Texto para Discussão, 913). CASTRO. E. expansão rodoviária e desenvolvimento agrícola dos cerrados. IN: HELFAND, S.M.; RESENDE, G.C. Região e espaço no desenvolvimento agrícola brasileiro. Rio de Janeiro; IPEA, 2003. p. 213-243. COELHO, C. N. 70 anos de política agrícola no Brasil (1931-2001). Revista de Política Agrícola, Ano X, n. 3, p. 3-58, jul./set. 2001. CUNHA, J. M. Os Movimentos migratórios no Centro-oeste na década de 80. In: CODEPLAN, I Encontro de Demografia da Região Centro-oeste. Brasília: Anais. Brasília, Codeplan, jun. 1997. DRIESSEN, P.M.; KONJIN, N.T. Land use system analysis. Wagening: Wagening Agricultural University. 1992. 230p. DUARTE, J.; CASTRO, A.M.G. Comunicação e tecnologia na cadeia produtiva da soja em Mato Grosso. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 275p. ESTEVAM, L.A. O tempo da transformação: estrutura e dinâmica na formação econômica de Goiás. Campinas: IE/UNICAMP, 1997. (Tese de Doutoramento, 275p.). GALINDO, O.; SANTOS, V. M. Centro-Oeste: Evolução Recente da Economia Regional. IN: AFFONSO, R.B.A; SILVA, P.L.B. Federalismo no Brasil – Desigualdades Regionais e desenvolvimento. São Paulo: FUNDAP: Editora UNESP, 1995. GASQUES, J. G.; BASTOS, E. Crescimento da Agricultura. Boletim de Conjuntura. Ipea, n. 60, mar. 2003. HOGAN, D.J.; GUIMARÃES, E. N.; LEME, H. J.; CARMO, R.L. Redistribuição da população e meio ambiente: São Paulo e Centro-Oeste 1. Textos Nepo. Campinas: UNICAMP, Núcleo de Estudos de População, n.33, 98 p. 1998. IBGE. http://www.sidra.ibge.gov.br/. Consultado em 08 de janeiro de 2005. Inmet. http://www.inmet.gov.br/climatologia/combo_climatologia_C.html. Consultado em 08 de janeiro de 2005 IPEA. http://www.ipeadata.gov.br/. Consultado em 08 de janeiro de 2005. LENHARO, A. A colonização e trabalho no Brasil: Amazônia, Nordeste e Centro-Oeste. Campinas (SP): Editora Unicamp, 1986. LOVENSTEIN, H.; LANTINGA, E.A.; RABBINGE, R.; KEULEN, H. Principles of production ecology. Wageningen: Agricultural University of Wageningen, 1995. 85p. MACHADO DE OLIVEIRA, T.C. Agroindústria e reprodução do espaço: o caso da soja no Mato Grosso do Sul. São Paulo: FFLCH/ USP, 1993. (Tese de Doutoramento, 216p.). MIYASAKA, S. (ed) A soja no Brasil central. Campinas: Fundação Cargill, 1986. p.3-22. MONTEIRO NETO, A.; GOMES, G.M. Quatro Décadas de Crescimento Econômico no Centro-Oeste Brasileiro: Recursos Públicos em Ação. Texto para Discussão no 712. DIPRU/IPEA. Brasília, 2000. MUELLER, C.C. Políticas governamentais e expansão recente da agropecuária no CentroOeste. Planejamento e políticas públicas. Brasília, n.3, jun 1990, p.45-73. NATAL, J.L.A. Transporte, ocupação do espaço e desenvolvimento capitalista no Brasil: história e perspectivas. Campinas: IE /UNICAMP, 1991. (Tese de Doutoramento, 370p.). QUEIRÓZ, P.R.C. Uma ferrovia entre dois mundos: a E. F. Noroeste do Brasil na construção histórica do Mato Grosso (1918-1956). São Paulo: USP, 1999. (Tese de Doutoramento, 599 p.). SANTOS, J.B. Evolução diferenciada entre os estados brasileiros do cultivo e do processamento de soja – período de 1970 a 1999. São Paulo: ESALQ/USP, 2000. (Dissertação Mestrado, 98 p.). SIMONSEN, R. História econômica do Brasil. São Paulo: Cia. Ed. Nacional. SHIKI, S., SILVA, J. G., ORTEGA, A C. (orgs). Agricultura, meio-ambiente e sustentabilidade do cerrado brasileiro. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 1997. Tabela 4. Evolução dencendial da área plantada (ha) e do rendimento (T, 1.000 cachos ou frutos por hectare) dos principais produtos de lavouras permanentes no DF e nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso entre os anos de 1960 e 2000. 1970 Mato Grosso do Sul 1980 1990 2000 1960 Mato Grosso Goiás 1970 1980 1990 2000 1960 1970 1980 Banana (Mil cachos por Hectare) 8.924 0,71 4.568 0,65 8.121 0,58 1990 2000 35.257 26.323 5.014 19.785 16.324 12.820 12.828 0,74 0,63 0,83 1,24 1,49 1,88 2,01 Café (Toneladas por Hectare) 1960 1970 DF 1980 1990 2000 --- 298 1,18 341 1,29 340 1,15 140 1,29 Área (há) Rendimento 2.193 1,29 1.398 0,95 2.079 1,63 4.073 0,97 Área (há) Rendimento 3.601 10.187 1,17 1,10 8.340 1,05 1.771 25.114 15.980 16.458 72.097 35.323 64.148 29.950 16.848 17.728 1,17 1,11 0,47 1,05 1,09 0,65 1,11 0,87 1,05 1,15 Côco-da-baía (Mil Frutos por Hectare) 4.380 1,34 ----- ----- 884 1,05 1.200 1,41 528 1,73 ----- ----- ----- ----- Área (há) Rendimento ----- 5 10,60 3 7,00 126 12,51 ----- ----- 15 7,40 101 1.631 ----58 5,36 10,50 ----5,84 Laranja (Mil Frutos por Hectare) 49 8,12 130 10,22 ----- Área (há) Rendimento 1.874 41,57 478 50,03 957 53,47 766 65,91 1.189 50,53 568 38,46 501 51,21 926 1.343 1.378 2.187 2.314 78,24 64,24 67,43 73,73 40,25 Limão (Mil Frutos por Hectare) 3.610 71,72 6.729 84,26 ----- 158 187 260 543 42,09 47,47 50,00 131,50 Área (ha) Rendimento ----- 18 20 86 119,50 155,80 82,77 ----- ----- 45 35,98 78 149 101 39 189 33,19 57,01 68,25 57,95 54,41 Manga (Mil Frutos por Hectare) 849 478 117,48 100,24 ----- 31 320 670 274 79,84 65,21 90,00 125,36 Área (há) Rendimento 195 17,62 325 21,76 1.170 30,03 144 27,32 ----- 496 11,26 588 15,82 448 269 358 345 991 25,58 24,96 29,01 15,81 20,83 Maracujá (Mil Frutos por Hectare) 91 581 1.454 24,88 19,49 13,00 Área (há) Rendimento ----- ----- ----- 49 81,10 ----- ----- ----- ----- Área (há) Rendimento ----- ----- 1 15,00 88 9,49 ----- ----- ----- ----- 199 ----28,24 ----Uva (Toneladas por Hectare) 234 11,38 ----- ----- 578 9,24 230 42,05 ----- 1.043 22,71 ----- 213 12,64 1.813 108,51 ----- ----- ----- 51 70,00 155 53,66 ----- ----- 8 10,00 ----- ----- ----- ----- 2 26,50 Tabela 5A. Evolução decendial da área colhida (ha) e do rendimento (Toneladas ou 1.000 frutos por hectare) dos produtos principais de lavouras temporárias no DF e nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso entre os anos de 1960 e 2000. Mato Grosso do Sul 1970 1980 Goiás 1980 1990 2000 1960 1970 Abacaxi (Mil Frutos por Hectare) 84 22 225 216 61 197 20 326 1.070 200 278 Área (há) 13,23 15,32 15,43 10,03 13,07 13,50 14,78 18,41 9,06 17,63 Rendimento 9,43 Algodão (Toneladas por Hectare) 39.145 34.514 44.793 49.075 13.178 2.945 4.480 43.422 257.762 3.636 48.874 Área (há) 1,45 1,64 2,60 1,06 1,08 0,75 1,33 3,89 1,16 1,28 Rendimento 1,26 Arroz (Toneladas por Hectare) 151.557 199.555 136.864 68.388 189.450 161.458 896.513 381.387 700.533 494.785 778.745 Área (ha) 1,70 1,33 3,31 1,03 1,25 1,12 1,10 2,64 1,15 1,21 Rendimento 1,24 Batata (Toneladas por Hectare) 5 30 31 58 Área (ha) 15,40 4,58 4,72 Rendimento 5,40 Cana-de-açúcar (Toneladas por Hectare) 1.250 5.826 67.921 98.958 3.850 1.450 7.200 65.034 135.029 3.200 4.410 Área (ha) 41,55 61,74 58,99 32,57 30,94 42,78 46,69 62,73 34,64 50,01 Rendimento 23,81 Feijão (Toneladas por Hectare) 32.475 50.100 77.516 25.299 62.470 64.548 63.478 70.912 28.611 198.000 158.700 Área (ha) 0,40 0,44 0,40 0,53 0,39 0,49 0,44 0,86 0,49 0,58 Rendimento 0,37 Melancia (Mil Frutos por Hectare) 70 504 1.255 100 577 1.464 2.500 Área (ha) 3,36 8,79 2,84 8,86 11,13 3,35 2,52 Rendimento Melão (Mil Frutos por Hectare) 25 53 34 80 132 Área (ha) 1,28 1,92 12,18 15,00 1,42 Rendimento Fonte: IBGE (2005). 1990 2000 Mato Grosso 1960 1970 1980 1990 2000 101 13,32 935 17,58 2.308 23,61 37.145 1,48 35.511 1,68 96.718 2,63 955.452 351.010 150.364 1,43 0,88 1,96 109 17,23 455 29,51 1.172 25,73 DF 1960 1970 1980 1990 17 29,88 12 23 25,83 22,39 800 3,52 451 8.056 4.500 1,30 1,35 0,84 2.748 2,46 3.743 2,56 15 3,73 50 6,00 6.120 2,85 729 2,98 57 187 726 373 6,54 13,99 19,54 32,73 14.800 106.826 139.186 47,72 64,56 73,02 108.580 183.580 113.211 0,67 0,65 1,77 2000 243 44,46 950 0,47 950 6.331 14.501 0,55 1,19 2,21 12 5,00 3 3,33 5 3,40 Tabela 5B. Evolução decendial da área colhida (ha) e do rendimento (Toneladas ou 1.000 frutos por hectare) dos produtos principais de lavouras temporárias no DF e nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso entre os anos de 1960 e 2000. Mato Grosso do Sul 1970 1980 Mato Grosso 1990 2000 1960 1970 Goiás 1980 1990 2000 DF 1960 1970 1980 1990 2000 902.800 845.204 2,05 4,33 1960 1970 1980 1990 2000 Milho (Toneladas por Hectare) Área (ha) Rendimento 92.100 99.600 268.479 513.397 1,58 1,65 2,22 2,08 125.800 61.800 83.609 1,19 1,33 1,48 273.511 562.582 2,26 2,54 303.900 435.000 902.450 1,29 1,33 1,45 16.800 27.118 2,70 5,12 Soja (Toneladas por Hectare) Área (ha) Rendimento 10.500 738.500 1.286.382 1.106.301 1,39 1,41 1,58 2,25 70.731 1.552.910 2.906.648 1,26 1,97 3,02 8.190 1,25 300.200 1.001.690 1.491.066 1,23 1,26 2,74 8.150 53.500 33.582 1,26 1,49 2,77 Sorgo granífero (Toneladas por Hectare) Área (ha) 5.710 84.361 10.528 111.600 5.460 179.460 50 2.249 Rendimento 0,92 0,99 0,97 1,41 1,60 1,60 2,00 2,71 Tomate (Toneladas por Hectare) Área (ha) Rendimento 99 83 213 35 166 179 947 6.911 10.201 380 426 268 20,57 27,69 30,14 19,63 24,72 22,89 26,67 46,36 69,84 19,96 48,53 61,58 75.400 221.205 65.614 12 1.000 560 6.887 50 95 515 1,03 0,92 0,53 0,92 1,80 1,64 1,24 2,18 3,11 4,70 Trigo (Toneladas por Hectare) Área (ha) Rendimento Fonte: IBGE (2005).