UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM CONSIDERAÇÕES SOBRE O APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA EM RESIDÊNCIAS Por: Valessa de Jesus Leite Orientadora Profª. MARIA ESTHER Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM CONSIDERAÇÕES SOBRE O APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA EM RESIDÊNCIAS Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em gestão ambiental Por: Valessa de Jesus Leite 3 AGRADECIMENTOS Agradeço: Primeiro a Deus, por me dá força, saúde e disposição para alcançar meus objetivos. À chuva, por ser a inspiração deste estudo, sem ela, ele não existiria. À minha mãe, que esteve ao meu lado, encorajando-me sempre. Ao meu filho, pela paciência e perseverança de ter a mãe de volta nas brincadeiras algum dia. Aos amigos que sempre me apoiam. E aos professores e orientadora, pelos ensinamentos! 4 DEDICATÓRIA “ O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem, por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Fernando Pessoa ...dedico a minha mãe, amiga de todas as horas, ao meu filho, razão da minha vida, e aos amigo, pessoas incomparáveis... 5 RESUMO É crescente e descontrolada a degradação ambiental, porém a escassez de água é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Melhores condições de vida para as presentes e futuras gerações e a busca pelo consumo sustentável assegurado hoje pela constituição, é o maior desafio enfrentado pelo ser humano, para que ele próprio não venha a ser a próxima espécie em extinção. A utilização da água da chuva parece ser uma das melhores saída para combater a escassez, por se tratar de uma solução, entre as várias estudadas no meio científico, a mais simples e barata, trazendo ainda benefícios ao meio ambiente. A natureza está aí antes do homem e já passou por várias transformações sem sucumbir, porém o homem não vive só, ele depende da natureza, e não o inverso, por isso, a conscientização pelo uso da água deve ser amplamente divulgado. Atualmente a utilização da água da chuva é uma realidade em muitos países e até mesmo aqui no Brasil se encontra diversos empreendimentos que se utilizam desse recurso para se ter uma economia financeira e uma utilização consciente desse recurso natural. Diante da necessidade e do crescente empenho que se tem dispensado ao aproveitamento da água da chuva, esta monografia provocou um estudo a cerca da escassez de água, mostrando o potencial de utilização que a água da chuva traz visando o seu aproveitamento em residências para fins não potáveis. Este trabalho está dividido em três partes, a primeira parte visa mostrar um panorama geral do que seja a água, seu surgimento no planeta, sua importância para o ser humano, a composição, a divisão da água pelo planeta, o ciclo da água, utilização pelo ser humano e as alterações ocorridas na água feitas pelo homem. 6 Já no capítulo dois é descrito a história da legislação brasileira em relação à água, a disponibilidade e distribuição dessa água pelo Brasil, o consumo, desperdício e a educação ambiental brasileira. E no capítulo três é relatada uma das formas de se combater a escassez de água através do aproveitamento da água da chuva, mostrando passo a passo a forma para implantação do sistema, seus usos e os cuidados que se deve ter antes e após adotar esse sistema sustentável de aproveitamento que não gera rendo, e sim economia. . 7 METODOLOGIA Este trabalho teve como metodologia utilizada, a pesquisa exploratória, através de levantamento de dados e análise de informações obtidas através de consultas a sites e artigos científicos, jornais, revistas e livros, além de documentos oficiais como leis, resoluções e decretos. Tendo em vista que o consumo desenfreado, a expansão populacional e o desperdício da água tomaram proporções grandes, é necessário atitudes que possam contribuir para que possamos usufruir de maneira racional dos recursos naturais, sem danos ao meio ambiente e do nosso maior recurso que é a água, pois sem ela não há vida. A pesquisa será apresentada de forma clara, buscando sanar o maior número de dúvidas, sobre o processo de aproveitamento da água da chuva em residências. A ideia partiu da inquietação a cerca dos problemas que os seres humanos vêm causando ao ambiente, sem conseguir reverte-los, causando danos à própria espécie de forma geral. E a partir daí as inquietações transformaram-se em questionamentos que procurei responder através desta monografia, sendo alguns destes questionamentos sérios, como, sendo a água o recurso em maior quantidade encontrado em nosso planeta, como seria possível a sua falta? Se o Brasil tem o maior potencial aquífero, como há brasileiros sem água? Como solucionar esse problema sem trazer mais danos ao meio? Sendo assim a pesquisa foi realizada com o objetivo de tentar responder a estas questões e do interesse de conhecer uma das formas de sanar esse problema, demonstrando assim que há sim formas possíveis de sanar essa escassez e que uma delas é a utilização da água da chuva, que já é uma prática em muitos lugares, sendo uma realidade em nosso meio. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I - A água no planeta 12 CAPÍTULO II - A atual situação da água no Brasil 24 CAPÍTULO III – Uma gestão sustentável com o aproveitamento inteligente da água da chuva 41 CONCLUSÃO 51 ANEXOS 54 REFERENCIA BIBLIOGRAFCIA 61 ÍNDICE 68 9 INTRODUÇÃO Ao contrário do petróleo que é um recurso não renovável de energia, as fontes de água doce são recursos renováveis, isso se analisado seu ciclo hidrológico, onde a água que agora se encontra no rio, pode vir a ser a chuva de amanhã. Apesar de esse recurso ser ínfimo se comparado ao total de água do planeta, é possível satisfazer as necessidades diárias atuais, por água potável do ser humano numa perspectiva para mais ou menos 50 anos, devido ao ciclo que ela faz isso se essa água for consumida de forma correta e sustentável. A água utilizada pelo ser humano é consumida na alimentação, asseio pessoal e limpeza de modo geral. Contudo problemas como o mau fornecimento, desperdício e o crescimento populacional, este último exigindo crescentes necessidades por parte da agricultura, indústria e hidrelétricas para a produção de alimento e energia, estão impondo grandes demandas do suprimento de água, fomentando em um consumo precário por parte das residências, quando não,pela total falta da mesma. Se toda a água do planeta fosse distribuída para a população total, que chega a cerca de 7 bilhões de pessoas, cada habitante receberia uma cota de 1 bilhão e 700 milhões de litros de água, porém sabe-se que essa distribuição é desigual nas variadas regiões do planeta, por inúmeros fatores, sendo um deles o geográfico, contudo o problema de escassez está mais relacionado à qualidade do que a quantidade de água disponível. Acrescidos a isso se tem a má gestão desse recurso e as formas de utilização inadequadas com graves consequências e que resultam em perdas na disponibilidade em condições para o abastecimento, além de este ser muitas vezes impróprio, quando se fala na perda de alto volume hídrico no trajeto entre as estações de tratamento e as residências por instalações mal conservadas. A água é utilizada em todo o mundo para diversas finalidades, entre elas o abastecimento de cidades para o uso doméstico, que apresenta um consumo diário de 120 litros por pessoa, dependendo das condições em que o ambiente se encontra suas instalações e atividades que são realizadas neste local. A 10 crescente necessidade de consumo de água a nível global tem trago sérios problemas de abastecimento, uma vez que o aumento desse recurso e a implantação de instalações e de novas tecnologias, não acompanham esse crescimento, sendo o custo da mesma caro para as residências e ameno para as indústrias e produtores agrícolas. Com toda essa problemática que ronda o futuro da humanidade, alguns estudos estão sendo realizados para satisfazer a essas necessidades e já apontam para algumas alternativas que tentam suprir essa escassez no planeta, mas que ainda não foram implantada em larga escala, pelo alto custo que geram sem perspectiva de retorno de lucro, pelos impactos ao ambiente ou ainda pela falta de conhecimento por parte da população. Podem-se dividir esses estudos em dois grupos, o primeiro, que são daqueles de alto custo com geração de impactos ao ambiente, onde encontramos estudos como a captação de água subterrânea, a captação de blocos de gelo dos polos, a dessalinização da água do mar e a captação da água de lagos e lagoas. Há também o bloco dos estudos, que apesar do alto investimento de início, este é revestido no futuro em economia e sustentabilidade, onde se tem o reuso da água de esgoto, o reuso da água de banho e a utilização da água da chuva, esta última que será tratada com mais especificidade neste estudo. Como futura gestora em meio ambiente e já visando toda essa problemática de escassez que ronda o futuro do planeta, surgiu a ideia que resultou no trabalho em questão, para nortear a questão da utilização da água da chuva em residências, como uma forma de economia ainda pouco conhecida e pouco utilizada em residências, mas que traz muitos benefícios tanto para o ambiente como benefícios sociais e econômicos para quem o adere. Os objetivos deste estudo é demonstrar a importância da utilização da água da chuva; induzir a uma diminuição do consumo exagerado sem responsabilidade; minimizar a escassez; demonstrar a economia considerável adquirida com esse projeto; fazer conhecer a presença da água da chuva como uma das formas de utilização pelo homem, tendo como relevância o esclarecimento dessas formas e das vantagens em se utilizá-la em residências como uma segunda opção; analisar a disponibilidade da água da chuva, seu uso e reuso 11 em cada região; demonstrar de forma efetiva as ações e recursos para a execução desse projeto como método eficiente para o aproveitamento esclarecendo as possibilidades para um consumo consciente e um gerenciamento desse recurso natural, uma vez que há um futuro inesperado para os recursos hídrico e grande desperdício por parte do ser humano. A utilização da água da chuva em residências traz benefícios não somente para os que usufruem a mesma, mas para toda uma população, uma vez que o planeta não dispõe de tanto recurso hídrico para utilização do ser humano como ainda se pensa. Além de conscientizar sobre a importância da utilização, sendo a água da chuva, um bem gratuito e de certa abundância em muitos lugares, principalmente em nosso país, é um projeto que capacitará a população a uma utilização consciente e econômica, sendo uma das saídas para a escassez, espera-se despertar o interesse, tanto da sociedade como dos órgãos públicos inerentes para uma conscientização ampla e uma contribuição para o racionamento da água potável de forma a contribuir significativamente com o ambiente e com os seres vivos, minimizando o desperdício de água e consequentemente a escassez, além do aumento de implantação desse mecanismo entre as residências e a crescente utilização da água da chuva. Para as pessoas que se dispõe a essa utilização, é bem verdade que ela ainda tem um custo de instalação bem caro, sendo por isso que ainda hoje só vemos em alguns casos, esse recurso sendo utilizado por médias e grandes empresas. Porém espera-se demonstrar que esse investimento é recuperado com o tempo, uma vez que essa água não é cobrada como acontece com a água vinda das estações de tratamento que gerenciam a água potável do planeta. Para a população há um ganho em sustentabilidade, uma vez que segundo o art.225 da Constituição federal: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 12 CAPÍTULO I A ÁGUA NO PLANETA . A água é um dos elementos primordiais para todas as formas de vida na Terra, e está presente em todos os organismos vivos, sem essa substância, não haveria vida no planeta. Todo ser vivo depende da água para sobreviver, pois são formadas por células, essa possuem um conjunto de organelas, que tem função de manter as células vivas utilizando inúmeros tipos de substâncias e uma dessas substâncias é a água. (RAHAL; 2012 &FRANCO; 2012) Mas o que vem a ser essa substância tão importante aos seres vivos? Segundo BARROS (2012), a água é um composto molecular onde cada uma de suas moléculas é composta por 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio, sendo uma substancia unida por ligações covalentes. Não há substância no planeta que se compare a água, pois ela é um composto químico com grau de estabilidade elevado, sendo fonte de energia, capaz de se reciclar, absorver e liberar mais calor que qualquer substancia comum, se apresentando como a mais abundante do planeta. Sendo a substancia mais comum do planeta, participa de processos modeladores e dissolutores de matérias, devido à erosão, ao transporte e deposição de sedimentos, além de condicionar a cobertura vegetal e, de modo mais genérico, a vida na Terra, sendo por isso também chamada de solvente universal da natureza. (BOMBONATTO; 2012) 13 1.1- ORIGEM DA ÁGUA E DA VIDA NO PLANETA A teoria mais aceita sobre a origem da água no planeta, no meio científico está vinculada com o big bang e a formação do sistema solar. Segundo FREITAS (2012), após a condensação das partículas que vieram da explosão do Bigbang, houve a formação da Terra, como esta estava sobre forte pressão, os vulcões começaram a sofre erupções, expelindo larvas e com elas alguns gases que formaram a crosta terrestre. Esses gases eram formados por, dentre outros, hidrogênio e vapor d’água. Em sua fase de desgaseificação, a Terra passou por vários períodos de aquecimento e resfriamento o que ocasionou a condensação do vapor d’ água expelidos pelos vulcões e após muitos eventos essa condensação caiu em forma de chuva torrencial, preenchendo as lacunas que haviam sobre a Terra, surgindo assim o primeiro oceano, chamado de oceano primitivo. O surgimento da vida na Terra, ainda não é bem explicado, sendo ainda uma questão polêmica entre a comunidade científica, pois existem várias teorias acerca desse assunto, sendo uns mais aceitos e outros já descartados, mas ARAGUAIA (2012) descreve a teoria de Oparin, como a teoria mais aceita nos dias atuais, que teve sua hipótese comprovada posteriormente através das experiências de Miller e Fox. Segundo essa hipótese, na atmosfera primitiva existia gases que sob altas temperaturas e em presença de centelhas elétricas, teriam se combinado formando aminoácidos, que foram arrastados pelas chuvas para os oceanos primitivos, onde se combinaram formando proteínas, o que chamaram de “sopa nutritiva” e que mais tarde originaram os coacervados, que são um aglomerado de moléculas proteicas envolvidas por água em sua forma mais simples. Mais tarde desenvolvendo-se, combinando-se e aperfeiçoando-se até a formação da célula com estruturas simples, isso há cerca de 3,5 bilhões de anos, a partir de então, essas células fizeram uma longa jornada de desenvolvimento e agrupamento, se aperfeiçoando sucessivamente até formarem seres simples. Com as trocas do meio externo algumas espécies evoluíram para saírem da água se adaptando à vida terrestre e aérea. 14 1.2-A ÁGUA: SUA IMPORTANCIA E A COMPOSIÇÃO DOS SERES VIVOS. Plantas, animais, amebas e os seres humanos, fazem parte de classes distintas e numa primeira vista, pode-se pensar que como são espécies de classes totalmente diferentes, uma não tem nada a ver um com a outra, que não tenha nada em comum, porém ao examinar com atenção a constituição química dessas classes, vê-se-à que elas são semelhantes, pois constata-se que nos componentes de diversos seres vivos, estão sempre presentes algumas substancias, entre elas a água (BRITES -2012). Segundo ECOLNEWS (2012), a água é um componente essencial na constituição celular dos seres vivos em geral, estando presente sempre em maior quantidade, chega a representar até mais de 85% do peso de um organismo, além disso, ela desempenha diversas funções no organismo desses seres, como transporte de substâncias, regulagem de temperatura, sendo que a falta da água nestes, provoca debilidade e até a morte. Nos animais em geral, quando há perda de líquido, há um aumento da concentração de sódio no corpo. O cérebro detecta esse aumento e manda estímulos para a produção de hormônios que provocam a sede. Se não há saciamento dessa sede, o organismo entra em processo de desidratação e pode morrer pela falta da água em cerca de dois dias. ( TATTON;2012) 1.3-A DIVISÃO DA ÁGUA NO PLANETA. Como já escrito pelo compositor Guilherme Arantes, “Terra planeta água...”, a água surgiu no planeta a partir da formação do sistema solar e hoje ela ocupa ¾, da superfície da Terra. As águas que ocorrem no planeta, representando 70% da superfície terrestre, demonstra uma imensa e ilusória disponibilidade no globo, o que estimula uma política de desperdício e poluição desse recurso, porém sabe-se que desse total, 97,5% dessas águas são salgadas concentradas nos oceanos e mares e ainda não dispomos de tecnologia economicamente viável para utilizá-la. O 15 restante, apenas 2,5% representam águas doces, desta, 76,7% estão congeladas nos círculos polares, 22,3% compõe-se de água subterrânea, a maior parte em profundidades inviáveis para exploração e a pequena fração restante de 1% encontra-se nos lagos, rios, charcos e pântanos etc.(NORONHA-2012). BECHAME (2011), diz que a situação fica ainda pior quando se verifica que a água do planeta está em um circuito fechado, onde circula por todo o globo através do ciclo hidrológico, o que leva ao princípio de que o volume de água no planeta é constante, há mais ou menos 3 bilhões de anos. 1.4-O CICLO HIDROLÓGICO Fig. 1. CICLO HIDROLÓGICO Fonte: http://ga.water.usgs.gov/edu/watercycleportuguesehi.html, disponível em 2012. 16 De acordo com TATTON (2012), a água é o agente causador de um conjunto de movimentos cíclicos de renovação e transformação que tem como característica seu grau de mobilidade pela Terra, sendo a mestra da reciclagem, pois ela se autoconserva e se autopurifica, devido ao seu ciclo, sendo encontrada na natureza em três estados físicos: sólido, ou seja, nas geleiras dos pólos; líquido que são os oceanos, mares, lagos, rios e águas subterrâneas; e o gasoso que são os vapores da água da atmosfera. Todos estes estados participam da formação do ciclo hidrológico que é responsável pela manutenção e preservação da vida do planeta. Segundo NORONHA (2012), pode definir-se ciclo hidrológico como a sequencia fechada de fenômenos pelos quais a água passa do globo terrestre para a atmosfera, na fase de vapor, e regressa àquele, nas fases líquida e/ou sólida, o que obedece à regra básica de Lavoisier: “Na Natureza nada se perde e nada se cria tudo se transforma!”. O também conhecido ciclo da água é o percurso que a água faz pelo planeta com movimento contínuo, e que é mantido pela atração gravídica e pela energia solar, onde há um aquecimento das moléculas de água contidas nos oceanos, mares, lagos, rios e lagoas, estas moléculas aquecidas ficam mais leves e sobem em forma de vapor de água, pela atração gravídica, dá-se a chamada evaporação. Ao alcançarem as regiões mais frias, este vapor é condensado, formando nuvens e nevoeiros que quando muito pesadas por causa da quantidade de gotículas d’água, retornam à superfície em forma de chuva, neve ou granizo. A água que cai nos continentes pode seguir por vários caminhos. Uma parte nem chega a tocar o solo, pois retorna à atmosfera por evaporação, a outra, essa sim, penetra o solo e forma os lençóis de água subterrâneos, e uma parte que se acumula na parte superior da terra, dando origem ao escoamento superficial que formam os rios e lagos. E assim o ciclo recomeça. É o ciclo da água que alimenta e dá condições à vida no planeta. (ECOLNEWS-2012) 17 1.5 OS TIPOS E A QUALIDADE DA ÁGUA Existem várias formas de se classificar a água do planeta, depende muito do órgão ou empresa e da informação que se deseja. Segundo TATTON (2012), o CONAMA pela resolução 20/86, classifica as águas no Brasil de acordo com a sua salinidade. Salinidade inferior ou igual a 0,5% é água doce, com salinidade entre 0,5% e 30% é água salobra e com salinidade superior a 30% é água salina. Já o Conselho Nacional do Meio Ambiente, em sua Resolução nº 20 - de 18 de junho de 1986, classifica segundo seus usos preponderantes, as águas doces, salobras e salinas do Território Nacional em nove classes, de acordo com seu artigo 1º: (ANEXO 1). A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como potável uma água, toda aquela água que tenha um teor mineral de até 500 mg por litro (mg/l), porém no Brasil, onde há um das maiores porcentagens dos recursos hídricos do planeta, é aceitável dentro de sua legislação, uma água com teor mineral de até 150 mg/l. Em regiões como o Nordeste, que são menos providas desse recurso, esse percentual pode até ultrapassar a 200 mg. (TATTON 2012). Tanto os peixes, outros animais aquáticos e até os animais terrestres, não podem viver com qualquer tipo de água. Por outro lado, águas poluídas não impedem a navegação e obtenção de energia elétrica, entre outros usos a não ser em casos extremos, o que dificulta a política da conservação desse recurso. (PROJETOAGUA-2012) A água pode ser potável ou nociva. Segundo ALVES(2012), na natureza não existe água pura, devido à sua alta capacidade de dissolver substancias. A água que é encontrada nos rios ou em poços profundos contém várias substâncias dissolvidas e por conta dessa característica, é que vai depender do grau de concentração dessas substancias que a água será classificada como potável ou não potável. Água potável é toda a água disponível encaminhada para o consumo dos seres 18 vivos, possuindo, características que não tragam qualquer tipo de risco para a saúde, sendo livre de qualquer tipo de contaminação, intoxicação ou envenenamento. Segundo ALVES (2012), para ser considerada potável, a água tem que atender a determinados requisitos quanto a sua natureza física, ou seja, ser inodora, insípida e incolor. A poluição causa alterações físicas na água. A natureza química que são alterações na potabilidade da água e que podem ocorrer devido à presença de substancias tóxicas como chumbo e metais pesados como o mercúrio. E de natureza biológica, a água para ser considerada biologicamente potável, não pode conter organismos patogênicos que são os causadores de doenças. A água poluída é aquela que contém substâncias que modificam suas características e a tornam imprópria para o consumo. FREITAS (2012) classifica a poluição como sendo um dos fatores que causam os maiores problemas para os recursos hídricos, isso porque como já se sabe diariamente os mananciais do mundo recebem cerca de dois milhões de toneladas de diversos tipos de resíduos. Nessa perspectiva, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou uma nota com uma previsão de que até 2050, aproximadamente 45% da população não terá a quantidade mínima de água. No mundo, cerca de 50% da população consome a chamada água poluída. Em todo planeta pelo menos 2,2 milhões de pessoas morrem em decorrência de doenças relacionadas ao uso da água contaminada e sem tratamento. . 1.6- A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA PELO HOMEM Diz-se que a maior descoberta do homem foi o fogo, isso porque a água, desde os primórdios é tida como um bem natural que se encontra em toda a parte do planeta, e talvez por causa disso não lhe seja dada a devida atenção. Observa-se pela cronologia do uso da água que este ocorre desde os primeiros homens, onde têm-se alguns vestígios sobre sua utilização e forma de armazenamento: 19 Segundo reportagem da FOLHA DE SÃO PAULO (2003), em 7.000aC aparecem as cerâmicas feitas de barro, passando a ser fundamental para o armazenamento de água. A irrigação começa a ser usada em 5.000aC, juntamente com os canais de drenagem. A primeira represa foi construída em 2.900aC, e o primeiro sistema eficiente de distribuição de água surgiu em 2.500aC. Em 700aC constroem-se os primeiros aquedutos conhecidos. Observar também que as primeiras comunidades foram constituídas à beira de rios, lagos ou lagoas. Já na era moderna tem-se a primeira usina de dessalinização de água no séculoXVIII, um sistema que já se utilizava da energia solar, pois já nesta época se tinha uma preocupação com a escassez de água. A primeira estação de tratamento de água foi construída em 1829. Por essa cronologia, observa-se a grande importância que a água tem na vida da Terra e que além de servir para beber, a água é utilizada pelo homem para diversas finalidades, tais como a utilização em residências e em locais públicos, nos usos com a agricultura e a pesca, nas indústrias e produção de energia elétrica, navegação e etc. 1.7-AS ALTERAÇÕES HUMANAS NA NATUREZA Desde os primeiros relatos do homem no planeta, observa-se a evolução de cidades onde a água era objeto de desenvolvimento de muitas técnicas e condicionava a localização de vários povos ao seu redor. O desenvolvimento das atividades econômicas da sociedade, com objetivo de obter recursos para sua sobrevivência, sempre produziram todo tipo de alterações na natureza e muitas vezes catástrofes. Com a revolução industrial, houve um acentuado desenvolvimento de novas tecnologias e novas utilizações dos recursos naturais, dentre eles os hídricos, aumentando assim os danos à natureza. Assim para cada uma dessas tecnologias que o homem tem utilizado para o desenvolvimento de técnicas, utiliza-se mais e mais dos recursos, o que interfere na natureza 20 podendo somente variar o nível de degradação, não havendo um retorno em relação ao desenvolvimento de métodos e técnicas que recuperem ou ao menos controlem os danos causados e com isso, o mesmo rio que serve para o abastecimento das cidades, a produção de energia, a pesca, serve também como depósito de efluentes lançados sem controle, causando alterações na composição química da água. Obras desmatam e impermeabilizam o solo para construções que ocupam as áreas de várzeas dos rios para habitações, que alteram suas margens, canalizam e às vezes até desviam o curso do rio como aconteceu com o rio Pinheiros, em São Paulo, que ao longo dos anos, foi sendo modificado conforme as necessidades da cidade e após vários usos, desvios de curso e inclusive reversão de sentido das águas, é um rio morto. Por outro lado, nas áreas rurais, o desmatamento e as queimadas favorecem a erosão e o assoreamento dos rios, diminuindo seu volume e sua profundidade, como ocorreu na antiga União Soviética, que segundo BROWN (2003), tinha o quarto maior lago do mundo. O lago era tão grande que era chamado de “mar” de Aral. Na época o governo decidiu usar a água do lago para irrigar as lavouras de algodão, isso ocorreu por mais de cinco décadas do século passado. Hoje pela má gestão ou por falta dela 75% do lago desapareceu, milhões de pessoas que vivem da agricultura e da pesca empobreceram e/ou imigraram para outros locais. A previsão é ainda mais catastrófica, pois estudos mostram que até o ano de 2015 esse lago suma do mapa. Mas os problemas não param, tem-se também o uso dos fertilizantes e agrotóxicos que deixam resíduos no solo e estes são carreados pelas chuvas para os aquíferos subterrâneos e os rios que deságuam no mar, que, aliás, é atingido por todo tipo de poluição do continente, uma vez este recebe toda a água que vem de lá, sendo o depósito de água do planeta. Com estes exemplos, percebe-se que a interferência humana na dinâmica da água é muito intensa e não param por aí, o que constata-se nas 21 alterações da qualidade da água, pondo em risco a própria sobrevivência do planeta. 1.8-O CONSUMO, O DESPERDÍCIO E A ESCASSEZ A água está presente em diversas atividades humanas e, como tal, é utilizada para múltiplas finalidades como a utilização em residências, em locais públicos, nos usos com a agricultura e com a indústria, para a navegação, pesca e na produção de energia elétrica. De acordo com GRASSI (2012), nos últimos 60 anos, como um efeito dominó, houve uma elevação do nível de vida e um forte crescimento da população com consequente aumento de fatores como a industrialização, a agricultura a pecuária, a expansão urbanística e ainda a produção de energia elétrica, que fez com que a necessidade de consumo de água a nível global, crescesse assustadoramente, não sendo acompanhado pelo aumento desses recursos, uma vez que, como já citado, ele se mantém constante na Terra o que já vem causando problemas como a escassez e mortalidade pelo uso de água contaminada ou pela falta dela. Assim, a satisfação das necessidades do homem pelo uso da água na atualidade, trazem sérios problemas ao planeta, pois além das grandes quantidades exigidas, algumas das utilizações prejudicam a qualidade da água que, se restituída ao meio ambiente sem o devido tratamento, é nociva ao próprio ambiente, o que inclui o homem. Com o aumento da necessidade de água e a limitação dos recursos hídricos, exigem por parte dos gestores ambientais um planejamento bem elaborado, acerca da gestão, da utilização, da preservação e da alienação da água pelos órgãos governamentais, federias, estaduais e municipais, o que muitas vezes não ocorre. DIAS (2009); relata em seus estudos que além das responsabilidades públicas, cada cidadão tem o direito de usufruir da água, garantido pela LEI n.º 9.433, de 08/ 01/97, no seu artigo 2º, mas o dever de preservá-la, utilizando-a de maneira consciente, sem desperdícios, como definiu a Conferência das Nações Unidas em 1977 no que diz respeito aos princípios éticos universais sobre o acesso e uso da água. Estes princípios 22 dizem respeito à participação de todos os indivíduos no planejamento e administração da água; à solidariedade; à dignidade humana; à igualdade humana; à economia, que visa o equilíbrio ético entre o uso prudente e a preservação de nossa terra e dos recursos hídricos; e ao bem comum. Apesar de todos os esforços feitos para a economia da água, o desperdício ainda é grande. São inúmeras as formas de desperdícios que ocorrem, contudo o desperdício doméstico ainda é o grande vilão dessa história, no Brasil, pois segundo NOGUEIRA (2003), o consumo médio diário de água em casa, é de cerca de 200 litros diários, e a distribuição do dessa água, por pessoa, é de aproximadamente a seguinte: 11% consumo (cozinhar, beber água), 31% higiene corporal (banho, escovar os dentes), 14% lavagem de roupa; 8% rega de jardins, lavagem de automóveis, limpeza de casa, atividades de diluição e outras e finalmente 36% descarga de banheiro. Através destes dados observa-se que as cargas de descarga são as maiores responsáveis por mais de trinta por cento da água consumida em cada residência por pessoa. É o desperdício de água limpa, potável. O desperdício de água acontece quase de forma despercebida, e principalmente onde ainda se tem a falsa impressão de abundancia, o desperdício é ainda maior e não se percebe o risco de se desperdiçar. Nesse contexto, torna-se imprescindível o uso racional da água. Porém não é só o uso doméstico que se utiliza da água. De acordo com NORONHA (2012), podem-se classificar os usuários em três setores básicos - agricultura, indústria e saneamento básico ou uso humano -, a média mundial de utilização de água encontra-se em: agricultura (irrigação) =60%; indústria=20% uso doméstico=7%. Contudo nos últimos 50 anos a população mundial passou de 2,5 bilhões de pessoas para 6,1 bilhões. ARAUJO JUNIOR (2012) faz uma estimativa de que até 2050 o planeta tenha entre 9 e 11 bilhões de habitantes. Daí será necessário produzir mais comida e mais energia, aumentando o consumo doméstico e industrial de água. Essas perspectivas fazem crescer o 23 risco de guerras, uma vez que a água potável passará a ser artigo de luxo, tornando-se cara e rara. A disponibilidade da água se refere tanto à oferta hídrica em um determinado lugar e em uma época do ano, como a possibilidade que têm as populações de contar com água em quantidade e qualidade adequadas. Neste sentido, a disponibilidade tem relação direta com as reservas de água que existem em determinadas regiões, mas há condicionantes adicionais que fazem com que as situações variem notavelmente de um lugar para outro, tais como: a distribuição geográfica, a concentração populacional, as condições climáticas, os serviços prestados, as formas de uso, etc.(AGUA. BIO-2012). 24 CAPÍTULO II A ATUAL SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL O Brasil é um país dotado de recursos naturais, sendo a água doce um dos seus maiores bens, apesar de não ser assim considerada. Sendo o Brasil um país extenso e abundante em água, seria fácil avaliá-lo como um país de excelência, livre da escassez de água, porém ao analisar a relação entre sua extensão e a distribuição desse recurso, fica fácil perceber que existe sim certa escassez, não pela falta de água, mas pela sua má distribuição e por uma política ainda frágil no sentido de avaliar alguns usos, e sistema mal planejados. Somados a isto temos um consumo desenfreado e o desperdício de um país que ainda não sofreu deveras com a falta desse recurso e uma legislação recente que ainda engatinha tentando acertar o passo com o meio ambiente. 2.1-Legislação da água no Brasil Considerando que o Brasil detém cerca de 12% de toda água potável que existe no planeta, é necessário que a sociedade e seus legisladores se preocupem com a proteção desse recurso e que ela seja colocada dentro da construção da legislação ambiental brasileira. A questão dos recursos hídricos atualmente tem se revelado importante dentro do direito ambiental, pois segundo SILVA (2007), já é considerada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico, conforme estabelecido na Lei Federal nº 9.433 que instituiu a Política Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos – que criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e que foi aprovada em 1997. Mas nem sempre foi assim. Para que se chegasse nesse ponto, foi preciso uma longa caminhada nas constituições brasileira, pois ao analisar desde a primeira constituição brasileira e a evolução das seguintes e suas leis subsequentes, observa-se que o processo evolutivo em relação à legislação da água é gradativo e lento, contudo não se pode deixar de notar a importância 25 que o assunto vem assumindo, bem como as mudanças no domínio dos recursos hídricos. Segundo GRANZIERA (2006), a constituição imperial de 1824 não dispunha especificamente sobre as águas em seu texto, sendo que a coroa detinha posse de todos os rios brasileiros. Em seu artigo 179 inciso XXII, faz-se uma vaga referencia aos recursos hídricos, quando diz: “É garantido o Direito de Propriedade em toda a sua plenitude”. Já a constituição republicana de 1891, referiu-se a água somente do ponto da navegação em seus artigos 13 e 34, não refletindo sobre sua posse. WAY (2009) cita que é na Constituição Republicana de 1934 em que surgem as primeiras mudanças de ordem constitucional, fundamentais para esse recurso. No artigo 20 em seus incisos I e II está disposto que o domínio da União são os lagos e qualquer corrente em terrenos do seu domínio ou que banhem mais de um Estado, e que sirvam de limites com outros países ou se estendam a território estrangeiro. Aos Estados coube só o título de possuidor das águas (artigo 21, incisos I e II), pois em seu artigo 5º, inciso XIX, "e" e "j" “j”, a União legislava sobre o regime de portos e navegação de cabotagem, assegurada a exclusividade desta, quanto a mercadorias, aos navios nacionais e bens do domínio federal, como as águas e a energia hidrelétrica. É neste mesmo ano que surge o código das águas, um decreto que em suas primeiras linhas descreve com clareza o descaso que esse recurso veio sofrendo até então. Na época o então Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Vargas já Considerava que o uso das águas no Brasil estava sendo regido por uma legislação obsoleta. De acordo com GRANZIERA (2006) em desacordo com as necessidades e interesse da coletividade nacional, tornando-se necessário modificar esse estado de coisas, dotando o país de uma legislação adequada que, de acordo com a tendência da época permitia ao poder público controlar e incentivar o aproveitamento industrial das águas, além de exigir medidas que facilitariam e garantiriam o aproveitamento racional da energia hidráulica. É a partir deste decreto que os recursos hídricos começaram a ser visto com um outro olhar. 26 GRANZIERA (2006) cita ainda que em relação à Constituição Republicana de 1937, pouca coisa foi modificada, ressalta que manteve o que veio com o Código de Águas, e não alterou os termos de sua constituição antecessora quanto à titularidade do domínio das águas e de suas quedas, e que na Constituição Republicana de 1946, foi fixada a prevalência dos corpos de água públicos, da União ou dos Estados, preterindo os Municípios, até então detentores de domínio de águas (artigos 34, inciso I). WAY (2009) fala sobre a política pública dessa época que defendia uma renda em favor do nordeste e que contra a seca nordestina ficou determinado, segundo os artigos 5º, incisos XIII e 198, a reserva de 3% da renda tributária da União para tal, visto que na constituição anterior tinha-se essa mesma política, porém com uma previsão um pouco maior de planejamento e reserva orçamentária de 4% da receita tributária da União (artigos 5º, inciso XV e 177). Ainda segundo WAY (2009), o que se encontrou de novo nesta constituição foi o artigo 29 das Disposições Transitórias que definiram a obrigação do Governo Federal, pelo período de 20 anos, de traçar e executar um plano de aproveitamento total das possibilidades econômicas do Rio São Francisco e seus afluentes, com 1% da renda tributária da União. WAY (2009) relata que tanto a Constituição Republicana de 1967 (artigos 4º, inciso II e V, 5º e 8, inciso XIII), quanto a Emenda Constitucional nº 1, de 1969 não alteraram o regime das águas e muito menos vinculou receita como mecanismo de política hídrica, o que parece ser um passo atrás dessa política. Ainda segundo WAY (2009), a Constituição Federal de 1988 foi a responsável por revolucionar a concepção da água na questão do seu domínio, pois nela, a água é vista como um bem econômico, de uso comum do povo, conforme art. 225 e passou a ser de domínio das Unidades Federativas ou da União apenas, ampliando também o conceito de determinados recursos hídricos, como os rios e melhorando assim, a forma de aplicação de sua proteção e gestão. Além disso, sendo um recurso natural limitado e bem econômico, justifica-se em um futuro próximo, o usuário vir a ter que pagar para utilizá-la, pois atualmente o 27 que se paga é a prestação dos serviços de captação de água e o seu tratamento. GRASSI (2012) completa esse pensamento, quando cita que com isso, o sistema adotado pela União e pelos estados para a gestão de suas respectivas águas, tendo as bacias hidrográficas como unidade de planejamento e ação, prevê a aplicação, além da outorga como instrumento de controle, da cobrança pelo uso da água, através de um preço público, como instrumento econômico de racionamento de seu uso, ou seja, combate à escassez desse bem essencial. BARBOSA (2005) define os bens essenciais à sadia qualidade de vida como sendo aqueles fundamentais à garantia da dignidade da pessoa humana, sem que haja prejuízos ao meio e que constitui um dos fundamentos do estado democrático de direito, art. 1º, inciso III da Constituição Federal, e que estão relacionados com os direitos sociais elencados no art. 6º desta mesma Constituição que considera a água como um bem de uso comum do povo, sendo um direito de toda e qualquer pessoa, porém se baseando sempre nos limites constitucionais, por isso, a água se enquadra como um bem ambiental, e sua utilização fica elencada à preocupação com a preservação do equilíbrio ecológico do ambiente, procurando resguardar através do Poder Público e suas leis, e da coletividade, a sustentabilidade ambiental. Na Lei 9.433/97, observando-se nos vários dispositivos a preocupação do legislador em direcionar o aproveitamento dos recursos hídricos para a coletividade. Contudo, segundo BARBOSA (2005),Essa Lei dá prioridade ao homem. O uso da água deve ser múltiplo, e a gestão deve ser participativa. Isso é fundamental, pois não só os interesses políticos estarão sendo vistos, mas também a comunidade como um todo. Esta lei foi considerada um avanço em gestão ambiental, pois regulamenta o artigo 21, inciso XIX, da Constituição Federal, acerca da competência da União para instituir o sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir os critérios de outorga de direitos 28 de seu uso. Instituiu a lei de Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, que visa assegurar à atual e ás futuras gerações a necessária disponibilidade de água com fins de subsidiar a preservação e a infraestrutura da bacia hidrográfica. A Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) tem como objetivo o texto citado no artigo 2º da Lei 9.433/97 que diz: a) Assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água com qualidade adequada para o seu uso; b) o uso racional e integrado dos recursos hídricos, com vistas ao desenvolvimento sustentável; c) e a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos, querem sejam de origem natural, quer decorrentes do uso inadequado, não só das águas, mas também dos demais recursos naturais. (lei nº 9.433, de 8 de Janeiro de 1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos). Entretanto pode-se considerar que houve avanço nas questões burocráticas, pois até hoje esse recurso ainda é mal gerenciada, mal aproveitado e muitas vezes tido como esgoto. SOUZA (2004), também concorda quanto aos ditos avanços da lei nos recursos hídricos, pois segundo ele essa lei, seria perfeita no Gerenciamento dos Recursos Hídricos no Brasil, se não tivesse quase que por completo omitido a gestão dos Recursos Hídricos Subterrâneos e Costeiros. Só não foi pior por terem disciplinado no Artigo12 inciso II: estão sujeitos a outorga pelo poder publico os direitos dos seguintes usos de recursos hídricos: a extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo. E no Título II, Das Infrações e Penalidades, no Artigo49 no inciso que diz: constitui infração das normas de recursos dos hídricos superficiais e subterrâneos perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los 29 sem a devida autorização; demonstrando assim que a lei só se preocupou em seu todo, com os recursos hídricos superficiais, esquecendo em parte os recursos hídricos subterrâneos e costeiros. Desta forma, vê-se que o tratamento dos recursos hídricos, assim como dos demais bens públicos, estão sendo revisados e alterados, à medida que as Constituições Federais vão evoluindo ainda que lentamente. 2.2-Disponibilidade e distribuição da água no Brasil SILVA JUNIOR (2009), ao descrever sobre a escassez da água, traz dados preocupantes em um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), onde diz que em 25 anos, um em cada cinco países sofrerá com a escassez de água. Esta escassez certamente gerará conflitos entre eles, já que os estudos indicam que por volta de 2025 a falta de água afetará a vida de 3 bilhões de pessoas. Isso devida ao crescimento populacional e as exigências imediatas por alimentação e energia que estão impondo, não só aos brasileiros, mas a toda a população mundial, crescentes demandas de água doce. Sobre o relatório da ONU e o Banco Mundial, SILVA JUNIOR (2009), destaca que a América do Sul é o continente mais rico do Planeta em recursos hídricos: são 334 mil m³/s, sendo o Brasil com a maior reserva de água doce do planeta, disponível em rios e abriga o maior rio em extensão e volume da Terra, o Amazonas. Além disso, mais de 90% do território tem um fluxo pluviômetro abundante durante o ano e as condições climáticas e geológicas favorecem a formação de uma extensa e consistente rede de rios, com exceção do Semiárido, onde os rios são temporários. Porém MARCONDES (2010) contesta quando diz que essa água, é abundante, no entanto, é distribuída de forma irregular no território nacional. A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume d'água do rio Amazonas é o maior do planeta, 78% da água superficial, sendo considerado um rio essencial ao meio ambiente. Ao mesmo tempo, é 30 também uma das regiões onde estão as mais baixas concentrações populacionais do Brasil. Em contrapartida, as maiores concentrações populacionais encontram-se no Sudeste, onde estão as maiores capitais e que são distantes das maiores bacias hidrográficas, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. MARCONDES (2010) cita que essa região tem uma concentração disponível de 6% do total da água, menos de 10% do volume de água por habitante ou apenas 200 metros cúbicos por segundo/ano, o que representa um grande déficit, por ter que irrigar metade da produção agrícola do País, saciar a sede de cerca da metade dos 190 milhões de brasileiros, além de fornecer água para mover 50% do mercado industrial. Isso coloca a região em estado de alerta, com menos de 10% do volume de água por pessoa. MOSS (2007), completa MARCONDES quando cita a Amazônia, que concentra 70% das nossas reservas hídricas, o Centro Oeste, 15%%, o Sul e Sudeste, 6% cada uma e o Nordeste, apenas 3%. Através destes dados observa- se que o maior problema de escassez ainda é a região nordestina, onde a falta d'água por longos períodos e o empobrecimento dos efluentes da bacia daquela região tem contribuído para o abandono das terras e a migração para os centros urbanos, agravando ainda mais o problema da escassez de água nestas cidades e causando favelização, prostituição, desemprego, entre tantos outros problemas. Quadro 1. Distribuição das águas doce de superfície e da população no Brasil. 31 Quadro 2. Distribuição da água conforme as regiões do Brasil. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente- agua/agua-9.php FIGURA 2: Distribuição de água doce no Brasil Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-agua/agua- 9.php De acorda com MARCONDES (2010), para aumentar ainda mais o problema dessa má distribuição as alterações no clima, devido à poluição e ao efeito estufa, tem provocado um grande desequilíbrio na distribuição das chuvas, a capacidade dos ecossistemas em recompor suas reservas tem sido prejudicada, pois não consegue mais acompanhar o ritmo de décadas anteriores, causando um aumento na probabilidade de desertificação no Nordeste, enquanto no Sul, não se consegue mais manter uma produção estável, o que causa perplexidade por ser uma região tradicionalmente rica para a agricultura. 32 SOUZA (2004) concorda quando se diz que a distribuição da água no Brasil em relação aos tipos de utilização e às responsabilidades que cada setor teria por essa utilização é ainda desigual. O uso da água no meio rural representa 60% da retirada dos cursos d’água, usada muitas vezes sem o devido cuidado em relação às técnicas de irrigação, pois muito dessa água acaba sendo perdida pela má irrigação e excesso de água que acaba não sendo aproveitada pela plantação, além de deixar escorrer novamente para os cursos d'água uma grande quantidade de produtos utilizados como fertilizantes e defensivos agrícolas. Em suas pesquisas SOUSA (2008), declara que no Brasil, já há iniciativas como o Comitê de Bacias do Rio Paraíba do Sul, uma região onde as indústrias já pagam para tirar água do rio e para devolvê-la à rede de esgoto, sendo que o valor cobrado pela devolução desse esgoto varia de acordo com a quantidade de poluição. Isso resultou na implantação de métodos mais eficientes para usar o recurso, diminuindo o consumo e aumentando o índice de reutilização de água. SANTOS (2012) discorda em parte das pesquisas que falam sobre a escassez, pois segundo ele, na verdade, o problema não é de escassez de água, é um problema de má distribuição e falta de estrutura para um gerenciamento ao acesso. Assim, contraposta a riqueza amazônica de água, temos regiões áridas e incomunicáveis, onde a falta de água é um sério problema, bem como áreas que estão com seus mananciais comprometidos , tanto pelo aumento de consumo, quanto pela poluição. O estado com a menor disponibilidade de água doce é Pernambuco, e ainda não atingiu níveis considerados de escassez. Nesse contexto, torna-se imprescindível o uso racional da água antes que reduza. 2.3- Qualidade da água dos brasileiros A poluição nos mananciais de água doce se tornou um ato constante e banal nos dias atuais, podendo encontra-la nas diversas partes do ecossistema, pois 33 em nome do progresso o ser humano age sem qualquer consciência ou escrúpulos. Tanto os países desenvolvidos como os subdesenvolvidos poluem muito, sendo o primeiro de forma mais terrível. A humanidade apesar de já estar no século XXI, com uma tecnologia extremamente avançada, possui em torno de um terço dos habitantes do Planeta sem acesso à água potável. Leis, Regulamentos, Convenções Internacionais fazem parte deste universo de tentativas de se minimizar os danos causados pelos homens ao meio ambiente, porém não tendo muito sucesso, por falta de fiscalização e leis mais eficientes (SILVA JÚNIOR; 2009). Contudo para se falar em qualidade e poluição da água é preciso entender qual qualidade busca-se para essa água dita potável. O INEA (2012) define em seu site a qualidade das águas, obedecendo às resoluções do CONAMA. Segundo o INEA (2012), a qualidade das águas é representada por um conjunto de características, geralmente mensuráveis, de natureza química, física e biológica. Sendo um recurso comum a todos, é necessário, para a proteção dos corpos d'água, instituir restrições legais de uso. Desse modo, as características físicas e químicas da água devem ser mantidas dentro de certos limites, os quais são representados por padrões, valores orientadores da qualidade de água, dos sedimentos e da biota (INEA; 2012). Sabe-se que, de todos os problemas ambientais, a poluição das águas é a que apresenta as piores consequências para todo o meio ambiente, e que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 10 milhões de mortes ocorrem por ano atribuídas a doenças intestinais transmitidas por água contaminada. 1/3 da população do planeta vive debilitada devido às impurezas encontradas na água e outro terço se encontra em constante ameaça devido ao lançamento de substâncias químicas nas águas cujos efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos, porém a curto prazo sentidos como dizem “na pele” (SILVA JÚNIOR; 2009). Instituições já iniciaram várias pesquisas em relação ao problema, como é o caso do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que realizou uma 34 pesquisa entre 1989 e 1990 em 4.425 cidades do país. YOSHIMOTO (2012) relata que através dessas pesquisas descobriu-se que os rios são responsáveis por 51 % do consumo de água no país, porém apenas 1,15 % dos Municípios tratavam o esgoto em 1990, hoje este índice chega em 10 % o que ainda é muito pouco. No Brasil todos os dias são lançados 10 Bilhões de litros de esgoto nos rios e no mar, desses 92 % são lançados sem qualquer tratamento prévio. 30 milhões de habitantes dos 150 milhões do Brasil não recebem água tratada. O saneamento básico é muito precário e responsável por 80 % das doenças que afetam a população, por 65 % das internações hospitalares de crianças e que cerca de 6000 crianças entre 0 e 4 anos morrem todos os anos por diarreia. A água de má qualidade pode ser fatal. Portanto, o INEA (2012), salienta que é necessário um rigoroso estudo de tal problema para que se efetive um gerenciamento seguro, eficiente e eficaz, o qual estabeleça métodos de conservação e proteção dos recursos hídricos no intuito de que sejam realmente colocados em prática. E um desses métodos seria o monitoramento da qualidade da águas que consiste na observação do desenvolvimento dos aspectos qualitativos das águas. Esse monitoramento tem o objetivo de aproveitar essas informações para comunidade científica, em pesquisas e também ao público em geral, que tenham a curiosidade em como anda a água que se utiliza como potável. Nesse sentido, o monitoramento é um dos fatores determinantes no processo de gestão ambiental, uma vez que propicia uma percepção metódica, ordenada e integrada a realidade ambiental. É através desse tipo de monitoramento que já se constatou que os maiores rios do Brasil foram transformados em depósitos de esgoto e lixo, desta forma se encontram totalmente contaminados e impróprios para a utilização do homem, isso devido aos desmatamentos feitos de maneira descontrolado, principalmente próximo das nascentes, afetando de maneira decisiva e às vezes até irreversível a qualidade da água nos rios e represas das cidades brasileiras. É o que acontece, segundo o jornal ECOLNEWS (2012), que destaca algumas das consequências da grave poluição que vem assolando as regiões de todo o Brasil, como em Porto Alegre, onde o rio Guaíba está 35 comprometido pelo lançamento de resíduos domésticos e industriais, além de sofrer as consequências do uso inadequado de agrotóxicos e fertilizantes. Ou em Brasília, que apesar de enfrentar a escassez de água, encontra problemas com a poluição do lago Paranoá, que deveria ser preservado uma vez que dele seria uma das soluções para a escassez dessa região. Também com a qualidade das águas que abastece Curitiba, que está comprometida devido à ocupação urbana das áreas de mananciais do Alto Iguaçu. Não se esquecendo do rio Paraíba do Sul, onde são graves os problemas, isso devido ao garimpo, à erosão, aos desmatamentos, e aos esgotos, pois esse rio além de abastecer a região metropolitana do Rio de Janeiro, é manancial de outras importantes cidades de São Paulo e Minas Gerais. E Belo Horizonte que já perdeu a lagoa da Pampulha para abastecimento graças à poluição, e precisou ser substituído por outros rios mais distantes do centro de consumo. Também no rio Doce, que atravessa os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde a extração de ouro, o desmatamento e o mau uso do solo agrícola provocam prejuízos enormes à qualidade de suas águas. E por fim no Estado de São Paulo que sofre com a escassez de água e com problemas decorrentes de poluição em diversas regiões. RICARDO (2005) completa os estudos da ECOLNEWS, salientando sobre a raridade que se é ter uma água limpa nos dias atuais, como resultado da forma inconsequente pela qual a população vem utilizando a água disponível, com desperdício, poluição e sem muitos cuidados com a sua qualidade. Assim, boa parte das águas brasileiras perderam sua característica de recurso natural renovável, devido aos processos de crescimento econômico através da industrialização, produção agrícola e urbanização que recebem grandes incentivos por parte dos governantes, mas pouco estrutura e incentivo em termos de preservação ambiental. Esse é um dos sérios desafios que essa geração tem para resolver pela frente, para que não haja prejuízos às gerações futuras. 36 2.4- O consumo e o desperdício no Brasil SILVA JÚNIOR (2009) destaca a água Por ela ter diversas finalidades da maior importância econômica e social: a irrigação das culturas, multiplicando sua produtividade, o abastecimento das populações e das indústrias, meio de transporte, produção de energia, fator de alimentação, com o desenvolvimento da pesca, o turismo, e o lazer, porém segundo Silva Júnior, a escassez e o uso abusivo da água doce constitui hoje, uma ameaça crescente ao desenvolvimento, a economia e à proteção do meio ambiente. Segundo uma reportagem do jornal O GLOBO (2007) a Agência Nacional das Águas (ANA), relata que são retirados dos rios e do subsolo no Brasil 840 mil litros de água a cada segundo. Ao dividir esse número pela população de 190 milhões de brasileiros, chega-se à conclusão de que cada habitante consumiria, em média, 382 litros por dia, porém o gasto médio diário do brasileiro é de 190 litros. O restante, 192 litros seria utilizada na agricultura, na pecuária, na indústria, mas a maior parte na verdade, em torno de 60% da água retirada no país são desperdiçadas. Os próprios números comprovam o tamanho do problema. Já FRANCO (2012), descreve à cerca das perdas de água tratada que ocorrem, segundo ele, perde-se de 40% a 60% da água tratada entre a estação de tratamento e o seu destino final. O destino da água em casa no Brasil, aproximadamente 190 litros diários, é: 27% consumo (cozinhar, beber água), 25% higiene (banho, escovar os dentes), 12% lavagem de roupa; 3% outros (lavagem de carro) e finalmente 33% descarga de banheiro. É tão absurdo o desperdício, que cerca de 100 milhões de vasos sanitários residenciais gastam em média 30 a 40 litros de água, sendo que já se encontra no mercado produtos com a mesma eficiência com um gasto de 6 a 9 litros. Ainda segundo FRANCO (2012), Na agricultura, o desperdício é muito grande. Apenas 40% do total de água desviada para esse fim são utilizadas na 37 irrigação. Os 60% restantes são desperdiçados devido à aplicação de água em excesso, ou aplicação fora do período correto, ou até em horários de maior evaporação do dia, onde a perda é grande, pois o sol evapora grande quantidade dessa água que cai no solo, e ainda pela falta de manutenção nesses sistemas de irrigação, ou pelo uso de técnicas de irrigação inadequadas. Figura 3. Consumo de água por setor no Brasil Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente- agua/agua-9. php Até poucas décadas atrás, os livros didáticos em todo mundo, davam como exemplo de bem não econômico a água, ou seja, bem não econômico é aquele que é inesgotável e tão abundante, que não tem valor econômico. Com esse conceito e muitos outros imbuídos na cultura da sociedade, incutiu uma educação do desperdício. A água há décadas passou a não receber o correto valor e com isso o desperdício ocorre quase de forma despercebida, e por termos água em abundancia não se percebe o desperdício, contudo a mudança de pequenos hábitos pode representar grande economia de água, como no banho, na escovação de dentes, ao lavar o carro, as calçadas, o pátio das casas, as janelas, vazamentos, e é a educação ambiental a responsável 38 pela mudança dos velhos hábitos, por hábitos mais conscientes. (ECOLNEWS, 2012). 2.5- Educação ambiental no Brasil existe? Segundo SOUSA (2008), entender a escassez de água, quando aprende-se nos setores educacionais que o Brasil tem a maior bacia hidrográfica do planeta e foi abençoado com chuvas tropicais abundantes, sendo o mais abundante em relação a esse recurso hídrico que é renovável e inesgotável, é contraditório e difícil. Sem uma mudança nessa didática, nos hábitos e na consciência da população, é quase impossível estimular o uso racional do recurso, pois a quantidade de água que muitos ainda recebem em suas residências, não reflete sua escassez nos rios (SOUSA, 2008). O valor da água como bem econômico e finito, ainda não foi bem entendido pelo ser humano, sendo imprescindível, para isso, que se articule um planejamento com efetivas ações em torno de projeto de educação ambiental, onde esta seria utilizada como um grande instrumento para reparação do meio ambiente, porém sozinha, a educação ambiental, que acontece quase que exclusivamente em setores de ensino, pode não ser suficiente para evitar a violência á água, e ao meio ambiente em geral, mas em conjunto com as ações civis, públicas, individuais, de ONG, setores educacionais, associações de moradores, indústrias é provável que se consiga maior aderência ao projeto e maior conscientização por parte de muitos (BARBOSA, 2012). Segundo CAPRA, o sucesso da comunidade inteira depende do sucesso de seus membros individuais, enquanto o sucesso de cada membro depende do sucesso da comunidade como um todo (CAPRA, 1996 p.232). FRANCO (2012), diz que diante da função social da educação ambiental de conscientizar a sociedade quanto ao seu comportamento, deve-se desenvolver 39 estratégias capazes de alcançar os objetivos de preservação da água e de seu consumo consciente, através de um saber sistematizado e globalizado, favorecendo uma aprendizagem significativa e contextualizada, o qual será necessário desenvolver atitudes que contemplem a necessidade crescente de defender a espécie humana e todos os seres vivos, tentando unir o progresso e a ecologia num modelo de desenvolvimento sustentável priorizando a melhoria da qualidade de vida. segundo BAROLLI (2012), é preciso então um conjunto de ações e uma gestão dos recursos naturais; agricultura sustentável; redução das desigualdades sociais; cidades sustentáveis; infraestrutura e integração regional; ciência e tecnologia, e isso já vem sendo discutido desde 1997 pela comissão responsável por elencar uma Políticas de Desenvolvimento Sustentável, junto ao grupo responsável pela Agenda 21 Nacional e decidiu criar uma metodologia que levasse à construção da Agenda brasileira. Considerado um avanço importante no que diz respeito aos esforços para consolidar estratégias e ações fundamentais para as questões ambientais no Brasil. A legislação que regula o uso da água, a lei 9433, está fazendo 25 anos e de acordo com o MACHADO (2012), a população tem tido uma maior consciência acerca do assunto. Além disso, há pouco mais de uma década, a água adquiriu maior visibilidade na pauta das mídias, que consegue transformar e infundir a opinião pública, trazendo-a para essa consciência. O trabalho que a educação ambiental tem feito tem recebido a colaboração da mídia, o que tem ocasionado uma maior consciência da população sobre o uso responsável. Não é necessário que o progresso econômico mundial seja estagnado para que haja uma maior proteção ao meio ambiente, é preciso que haja a conscientização do homem, e que essa conscientização seja de forma sustentável. Racionalizar a água não é sinônimo de perder sua posse, significa usá-la com consciência, sem desperdício, considerando-a uma prioridade ambiental, para que a água tratada, nunca falte, mas para isso é preciso que se desenvolvam projetos de educação ambiental eficaz e eficiente em todos os setores públicos e privados (SOUSA, 2008). 40 BAROLLI (2012) descreve que sendo o consumo sem controle, um dos maiores problemas ambientais que o ser humano possui, devemos tentar não só salvar o meio ambiente, mas também, tentar salvar a consciência humana, antes que todos estejam comovidos com o problema, num mundo cinza, 100% urbano e inabitável. 41 CAPÍTULO III UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL COM O APROVEITAMENTO INTELIGENTE DA ÁGUA DA CHUVA A escassez de água que vem assolando muitas populações pelo mundo e vai exigir nas próximas décadas que o ser humano adote sistemas que aperfeiçoem o uso da água de forma que a sua utilização seja eficiente e o seu reuso eficaz. Uma das utilizações que mais tem aflorado e já tem um número significativo de usuários é a utilização da água da chuva. Um bem gratuito que faz parte da vida do homem desde os primórdios, mas que ainda para muitos, inclusive dos setores políticos e ambientais, segundo NOGUEIRA (2003), é encarada pela legislação brasileira como água de esgoto, pois ela vai sobre os telhados e pisos, direto para as bocas de lobo, onde como solvente universal carreia todo tipo de impureza para um córrego que desaguará num rio. Neste sentido, deve-se ter um olhar diferenciado para essa utilização e reconsiderar que como água que pode salvar a população da escassez, já não pode mais ser considerada como esgoto e sim fazer parte de uma compreensão mais abrangente, tornando-a parte integrante de uso racional e eficiente, pois segundo NOGUEIRA (2003), já é certo que após o início da chuva as primeiras águas a caírem é que contem ácidos e outros poluentes atmosféricos, além de micro-organismos,vírus, bactérias,além de coliformes fecais, após essa primeira queda, onde é dito que “a chuva lavou o céu” a mesma adquire características de água destilada, que pode ser coletada e armazenada em reservatório fechado para alguns usos específicos que não seja consumo direto, pois a legislação brasileira ainda não permite o consumo dessa água, por não ter leis que regulamentam qual tipo de tratamento esse tipo de água deveria receber para ser consumida, isso porque as leis e normas 42 em relação a esse tipo de água são muito recentes e ainda precisa de amadurecimento. Contudo observa-se uma mudança de hábitos e de conscientização a cerca dos problemas em torno da água, que vem ocorrendo na última década, ainda que bem lenta, com maior adesão por parte da população, graças à notoriedade e importância que a mídia vem dando a água. É preciso então que se tenha uma política mais forte, agregando em torno de ideias de como sanar o problema sem destruir ainda mais o planeta. “É a solução que vem do céu!” 3.1- A história da captação da água da chuva ao longo da existência do homem A utilização da água da chuva não é um conceito novo e tem sua prática datada há séculos atrás, antes da era cristã. Por toda história do planeta se encontra relatos, vestígios e documentos que comprovam essa utilização. Segundo JAQUES (2005), foi construído em Istambul na Turquia, por volta de 527-565 a.C. um dos maiores reservatórios do mundo com objetivo de armazenar água da chuva. Já na ilha de Creta estão inúmeros reservatórios escavados em rochas há 3000 a.C.,para o aproveitamento da água da chuva com a finalidade do consumo humano. Ainda em Creta no palácio de Knossos, há aproximadamente 2000 a.C. a água de chuva era aproveitada para descarga que eram feitas em bacias sanitárias. Na Europa, as vilas Romanas, construídas por volta de 2000 a.C., foram cidades projetadas para a utilização da água de chuva para consumo humano e uso doméstico. Segundo ANNECCHINI (2005), encontram-se vestígios no Planalto de Loess na China, onde há 2000 anos havia tanques de armazenamento da água de chuva. Em Abanbar, Irã, existe um tradicional sistema comunitário. Existiu um sistema de aproveitamento de água de chuva, no deserto de Negev, hoje território de Israel e da Jordânia. 43 Ainda segundo ANNECCHINI (2005), o uso da água da chuva por vários povos, como os Incas, os Maias e os Astecas foram encontrados em relatos onde se tinha que no século X, ao sul da cidade de Oxkutzcab, a agricultura era baseada na coleta da água da chuva, sendo a água armazenada em cisternas chamadas de Chultuns pelos Maias. Segundo RESENDE (2012), foram descobertos doze reservatórios em Monturque, Roma em 1885. Já na Pedra Moabita, datada de 830 a.C., encontra-se gravada a sugestão do rei Mesha a construção de reservatórios para captar a água da chuva em todas as casas. CLAUDINO (2012) relata o exemplo em Tomar, Portugal onde há a Fortaleza dos templários, construída em 1160d. C. Segundo JAQUES (2005), pelo mundo inteiro, são encontrados reservatórios de água, muitos deles escavados em rochas com o objetivo de armazenar água de chuva para consumo humano. A literatura cita vários exemplos desde o período antes da era cristã, até os dias atuais, inclusive em regiões semiáridas do mundo como na Ásia, no Norte da África, e o semiárido do Brasil, onde estas instalações ainda estão em atividade, captando água da chuva de. telhados ou da superfície da terra e são transportadas para grandes cisternas. ANNECCHINI (2005), relata que o aproveitamento da água da chuva perdeu força com a chegada de novas tecnologias, como a construção de grandes barragens, o desenvolvimento de técnicas para o aproveitamento de águas subterrâneas, a irrigação encanada e a implementação dos sistemas de abastecimento. Contudo com o aumento populacional e consequentemente a crescente demanda pelos recursos hídricos e a sua escassez tem feito da reutilização da água da chuva um tema atual e de grande valor ambiental e econômico. Atualmente essa captação ocorre em vários países, como Japão, China, Alemanha, Estados Unidos, porém essa captação começou com intuito de minimizar os efeitos que a água da chuva causava, pois não tinha vazão para essa água escoar o que causavam enchentes. Hoje com os efeitos da 44 escassez, já se tem uma visão mais ampliada para esse recurso, estando seriamente empenhados com o aproveitamento da água da chuva e com o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que facilitem e garantam o uso seguro desta fonte alternativa, utilizando-a para diversas finalidades, sendo alguns países até para consumo humano, pois sabe-se que a mesma possui qualidade compatível com usos importantes, sendo considerada um meio simples e eficaz para atenuar o problema ambiental de escassez de água. O Brasil começou a ganhar notoriedade a partir de estudos de universidades, projetos e ações de empresas privadas e públicas, além de ações de ONGs como ocorre com os projetos da ASA( Articulação do Semiárido Brasileiro), que acontece no semiárido nordestino,onde existe a escassez de água potável em alguns períodos do ano e com isso foi-se implantado o programa denominado “um milhão de cisternas”(P1MC), que é um projeto para convivência sustentável com o ecossistema semiárido através da construção de cisterna para o uso da água da chuva. E o projeto “ Uma terra e duas águas”(P1+2), onde a ação acontece através do manejo sustentável que utiliza a água potável para o consumo e a terra para o plantio, sendo a água da chuva utilizada para a rega da plantação, como pode ser visto na figura abaixo Figura 4: Programa da ASA no semiárido nordestino Fonte: http://www.asabrasil.org.br/portal/Default.asp. disponível em 2012 45 Esses projetos são utilizados para a subsistência dessa população que tem pouca ou quase nada de água potável. No Brasil já existem vários outros empreendimentos que se utilizam desse recurso para usar a água da chuva dentre eles tem-se: No Rio de Janeiro o Estádio do Engenhão, o Aeroporto Santos Dumont, o Mercadão de Madureira e a Cidade do Samba. Em São Paulo A Igreja Universal em São José do Rio Preto. Além da fábrica da Coca cola que já utiliza dessa água para produzir suas bebidas. 3.2- Como reaproveitar a água da chuva? O sistema de captação da chuva pode ser desenvolvido em indústrias, condomínios, comércio e residências. Com a implantação desse sistema o consumo de água tratada pode reduzir a metade, gerando aí uma economia significativa do uso da água potável e de verba. Atualmente esse sistema já vem se tornando uma prática, os novos empreendimentos imobiliários implantam esse sistema de aproveitamento da água da chuva em seus imóveis, o que é bom para a população e o ambiente agradece. Essa água apesar de passar por um processo natural de destilação deverá ser tratada para que seja utilizada segundo normas da ABNT NBR 15527/07. Essa norma determina os requisitos necessários para que se tenha um aproveitamento da água eficaz com diminuição da demanda pela água potável e sem danos à saúde. Segundo ECOCASA (2010), o sistema de aproveitamento de água da chuva é simples, eficiente e uma nova maneira de economizar água e dinheiro, bem como enfrentar problemas trazidos pela urbanização, pelo crescimento populacional, como o risco de desabastecimento e racionamento. 3.3- Onde usar esta água? A utilização da água da chuva reduz a demanda pela água potável em muitos usos, dando assim tempo para que os mananciais se reestabeleçam em sua 46 ordem para serem utilizados de forma racional, com controle de perdas, minimizando seu desperdício e seu consumo. Ainda que a água da chuva não possa ser utilizada para consumo segundo as leis brasileiras, o seu uso em residências de acordo com a ECOCASA(2010), serve para diversas finalidades, entre elas tem-se: • Alimentação de caixas sanitárias e de mictórios, gerando economia na taxa de esgoto, uma vez que estes são os que têm maior percentagem de consumo nas residências. • Irrigação de jardins, pomares e outros cultivos. • Limpeza de pisos e calçadas, paredes, quintais. • Limpeza e utilização em Ar condicionado • Recarga dos aquíferos • torneiras externas • Lavar carros, entre outros usos. FIGURA 5 - Como é o sistema para aproveitar água da chuva? 47 Fonte:http://casaeimoveis.uol.com.br/tire-suas-duvidas/arquitetura/comoe-o-sistema-para-aproveitar-agua-da-chuva.jhtm> Disponível em 2012. Dessa maneira, grandes volumes de água potável serão preservados pelo uso da água da chuva, que substituirá a água potável, ficando esta destinada somente para consumo. Porém para que seja feito uma utilização adequada essa água deve passar por processos de filtração, o que pode ser feito com equipamentos simples, mas que deve ser feite de forma adequada e correta para não acarretar problemas futuros. 3.4- Como funciona esse sistema? Segundo o site SEMPRE SUSTENTÁVEL (2012), antes de dar inicio a construção de um sistema de Aproveitamento da Água de Chuva, é preciso que se tenha conhecimento de alguns fatores importantes na região para a construção desse sistema, pois a princípio, a cisterna deve armazenar o máximo de água da chuva possível. Para que esse sistema funcione de forma eficiente, eficaz e sem problemas durante e/ou após a sua construção é preciso ter conhecimento dos seguintes fatores: • Viabilização econômica: Se é viável economicamente esse projeto na residência em questão. • Conhecer as chuvas que caem em sua região: é preciso ter conhecimento da quantidade de água da chuva que cai na região, da atividade pluviométrica. Quanto de chuva cai em média, quais os períodos de mais e menos chuva. Isso é possível conseguir em centro de pesquisa meteorológica • Calcular a área para captação da água de chuva: O tamanho do telhado e o tipo de inclinação são importantes para que se tenha a dimensão de quanto de água conseguirá captar em cada chuva. • Sobre a escolha do tamanho da cisterna para residências: 48 É calculada pela quantidade média de chuva cai ao mês, pelo tamanho do telhado, pelo tipo de uso que essa água terá nesta residência e de quanto será o consumo diário dessa água na residência. • Espaço disponível para a instalação da cisterna: Segundo normas da ABNT NBR 15527/07 a cisterna deve ser instalada preferencialmente enterrada com apenas a tampa de inspeção para fora, 50 cm acima do nível do piso. Isso é importante para evitar que entre bichos ou que escorra água contaminada para dentro da cisterna. • Se existe na residência o espaço físico para instalar a cisterna: Onde será instalada a cisterna, se o local pode ser cavado, qual a solução para residências que não há espaço para cavar. • Se tem árvores próximas dessa área, e se soltam muitas folhas, flores, frutos: Isso devido ao provável entupimento das calhas e do tipo da primeira filtração • Qual a incidência de animais que circulam sobre essa área: Para que seja monitorado o carreamento das fezes e urinas desses eventuais animais, procurando formas de evitar esse tipo de contaminação. • Análise da quantidade de poluição atmosférica; se fica próximo a fábricas e rodovias. Isso será fácil de observar analisando a quantidade de poeira preta que escorre junto com a água, principalmente logo no começo da chuva; Os componentes desse sistema de captação da água da chuva dependem das características da edificação citadas acima, porém o sistema se compõe basicamente segundo VASCONCELOS (2008), de um sistema para captação, filtragem e armazenamento da água. A captação é feita com a instalação de um conjunto de calhas no telhado, que direcionam a água para uma cisterna, onde ela será armazenada. A legislação dá preferência pela cisterna interna, 49 pois esta mantém a água protegida, fria e livre de proliferação de microorganismos, mosquito, coliformes fecais, vírus, bactérias. Junto a essa cisterna, é necessário um filtro para retirada de impurezas, como folhas e outros detritos, e uma bomba, para levar o líquido a uma caixa d'água elevada, que tenha caimento para dentro da residência e que seja separada da caixa de água potável. Figura 6: APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA DE BAIXO CUSTO PARA RESIDÊNCIAS URBANAS: PROJETOS EXPERIMENTAIS DE BAIXO CUSTO Fonte: http://www.sempresustentavel.com.br/hidrica/aguadechuva/agua-de- chuva.htm> Disponível em 2012 Segundo a ECOCASA(2010), esse sistema não requer muita manutenção, pois esta se restringe a verificação periódica do filtro de entrada na cisterna e da própria cisterna e na observância de funcionamento dos equipamentos elétricos. O filtro de entrada da cisterna é autolimpante e sua verificação é preventiva e ocasional. 50 Ainda assim com todo o tratamento direcionado as águas pluviais, essa deverá somente ser usada par as situações descritas acima, o que trará economia e mais sustentabilidade para a vida humana. 3.5- Alguns benefícios do uso da água da chuva: Segundo FELIPE (2011), a água da chuva traz benefícios importantes não só para o homem como também para a natureza, como benefícios temos o aproveitamento de um recurso que não tem custo nenhum; Economia na conta da água e de esgoto; Contribui para a redução das enchentes; Reabastece o lençol freático; Diminui a demanda pela água potável; É uma forma de educação ambiental. É importante enfatizar que a legislação permite apenas três destinos para essa água coletada: O aproveitamento para fins não potáveis; despreza-la na rede pública, uma hora após o termino da chuva, isso para que a água da chuva que foi direto para a boca do lobo, haja tempo de ser escoada e não provoque um excesso de água podendo causar uma inundação; e o terceiro é ser liberada no solo, o que reabastecerá o lençol freático. Apresenta-se então um sistema de fácil utilização, simples, que além de trazer um ganho econômico, onde a matéria prima é de graça, gera sustentabilidade para o planeta, com ganhos imensuráveis para o meio ambiente e o ser humano das gerações presentes e das gerações futuras, pois segundo BHAGWAN(2003), “Enquanto houver chuva, só precisará decidir onde colocar os tanques de armazenamento.” 51 CONCLUSÃO Desde o surgimento do homem na Terra teorias e teorias foram feitas para explicar o surgimento da vida e em todas elas a água é personagem fundamental. Porém nos dias de hoje, ela não está sendo tratada como tal, sendo poluída e desperdiçada. Sempre citada como recurso natural renovável inesgotável, na atualidade isso já não pode ser considerada uma verdade absoluta, pois por décadas o homem utilizou-a sem a menor consciência ou controle. O aumento da população, o consumo desordenado dos recursos naturais, a crescente escassez de água, vem atingindo grande parte da população mundial, sendo estes, sinais de que é preciso mudar os hábitos, a consciência, o sistema e a forma de como utilizar desse recurso, que já se encontra em colapso. A água disponível no território brasileiro seria suficiente para as necessidades da população se não fosse a degradação. È urgente e necessário, mais consciência por parte da população com mudança de hábitos e atitudes, e o primeiro passo seria a conscientização de que a degradação ao meio afeta ao próprio degradante, que neste caso é a espécie humana, e por parte das lideranças governamentais, um maior cuidado com a questão do saneamento e abastecimento populacional. Uma das soluções é buscar formas sustentáveis de preservação e consumo consciente, que no caso da água, há várias formas que já são estudadas e até utilizadas em vários países, como forma sustentável de utilização da água, onde temos o uso de aquíferos subterrâneos, uso de geleiras, a reutilização da água da chuva, entre outras. No caso das residências e até mesmo das indústrias, a utilização da água da chuva seria o mais prático e o economicamente mais viável, pois o aproveitamento da água da chuva, além de diminuir a demanda pela água potável, diminui os riscos de enchentes, reduzir as taxas de esgoto,o custo dessa água chega a 80% menor do que o preço da água fornecida pelas companhias de saneamento e ser gratuita, por não precisar passar por tratamento. 52 Apesar de não ser própria para consumo humano, pode ser usada, em várias atividades domésticas, que não o consumo humano, sendo uma forma consciente e sustentável de preservação desse recurso que já faz falta em muitas residências e uma forma de controlar o colapso, principalmente no Brasil que é um país tropical, passível de muita chuva. 53 ANEXOS Índice de anexos . Anexo 1 >> RESOLUÇÃO CONAMA Nº 20, de 18 de junho de 1986; Anexo 2 >> Entrevistas; Anexo 3 >> Reportagens; Anexo 4 >> Internet; Anexo 5 >> Questionários. 54 ANEXO 1 RESOLUÇÃO CONAMA Nº 20, de 18 de junho de 1986 RESOLVE estabelecer a seguinte classificação das águas, doces, salobras e salinas do Território Nacional: Art. 1º - São classificadas, segundo seus usos preponderantes, em nove classes, as águas doces, salobras e salinas do Território Nacional: ÁGUAS DOCES 1 - Classe Especial - águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção. b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas. ll - Classe 1 - águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho); d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao Solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película. e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas á alimentação humana. lll - Classe 2 - águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; 55 b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho); d) à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas; e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. lV - Classe 3 - águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; c) à dessedentação de animais. V - Classe 4 - águas destinadas: a) à navegação; b) à harmonia paisagística; c) aos usos menos exigentes. ÁGUAS SALINAS VI - Classe 5 - águas destinadas: a) à recreação de contato primário; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. VII - Classe 6 - águas destinadas: 56 a) à navegação comercial; b) à harmonia paisagística; c) à recreação de contato secundário. ÁGUAS SALOBRAS VIII - Classe 7 - águas destinadas: a) à recreação de contato primário; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. IX - Classe 8 - águas destinadas: a) à navegação comercial; b) à harmonia paisagística; c) à recreação de contato secundário Fonte: Conselho Nacional do Meio Ambiente - Resolução nº 20 - de 18 de junho de 1986 57 ANEXO 2 ARTIGO http://www.ecolnews.com.br/artigoalgore.htm A década do meio ambiente Al Gore EUA, junho de 2.000 - Devemos conseguir que os próximos dez anos sejam a Década do Meio Ambiente, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. Temos apenas uma Terra, e senão a mantivermos saudável e segura, qualquer outro presente que deixarmos para nossos filhos não terá sentido. Podemos e devemos fazer retroceder a maré da poluição e do aquecimento global. Está cada vez mais claro que a poluição coloca em perigo não apenas nossa qualidade de vida, mas também o próprio tecido da vida em nosso planeta. Ainda existem poderosos apologistas da poluição, que insistem sempre com o argumento de que ela é o preço inevitável que devemos pagar por nossa prosperidade. Isso é falso e, pior ainda, um convite a que se continue com políticas de irresponsabilidade ambiental e com desculpas. Se fizermos os investimentos corretos, se fizermos as escolhas responsáveis, não teremos de optar entre a economia e o meio ambiente. O meio ambiente nos Estados Unidos hoje está mais limpo do que estava há uma geração. Ao mesmo tempo, entramos no mais longo período de crescimento econômico de toda nossa história. Passaram-se sete anos desde que, pela primeira vez, nos reunimos com os principais fabricantes de veículos para criar uma Associação para uma Nova Geração de Veículos. Nossa meta era a de trabalhar com os melhores fabricantes para obter veículos três vezes mais eficientes do que os que tínhamos na época, sem sacrificar nem o rendimento, nem a segurança, nem o custo. Podemos, agora, olhar á frente, para uma data dentro de três ou quatro anos, quando serão produzidos em massa automóveis com muito mais eficiência quanto ao emprego de combustível. Também podemos olhar para o dia em que as famílias poderão comprar carros com uma singular nova tecnologia. Seus motores utilizarão água e aumentarão em 4.000% a eficiência em relação ao consumo de combustível. Esta nova associação persegue uma estratégia contra a poluição que deve passar pela nossa economia, e a de todo mundo, nos próximos anos. Uma estratégia que vê as pessoas como aliadas, não adversárias, quando se deve enfrentar os desafios ambientais. Um enfoque que desenvolve nossa responsabilidade para com os demais, para com o ar, a água e a terra que 58 temos em comum, através das fronteiras e das gerações. Na Década do Meio Ambiente, devemos formar associações com toda indústria que queira produzir caminhões mais eficientes quanto ao consumo de combustível, embora os críticos digam que isso nunca poderá ser feito. Temos de fazer com que o livre mercado seja um amigo do meio ambiente, não seu inimigo, e investir mais na conservação dos recursos naturais, na energia renovável e nas tecnologias de rápido crescimento que combatem a poluição. Necessitamos fazer com que sejam cumpridas normas rigorosas, realistas e factíveis para reduzir o smog e a fumaça negra, bem como estender o direito a saber o que acontece em toda área onde a poluição de qualquer tipo ameace a saúde pública. Temos de proteger nossas florestas, nossos rios e nossas terras públicas. Devemos enfrentar os persistentes desafios que se apresentam em matéria ambiental. Devemos continuar com a proibição dos produtos químicos que corroem nossa camada de ozônio e nos expõem aos perigosos e cancerígenos raios ultravioletas. Se enfrentarmos decididamente este desafio, temos a possibilidade de fechar por completo o buraco na camada de ozônio existente sobre a Antártida dentro das próximas duas gerações. É preciso darmos passos decisivos - não apenas nos Estados Unidos, mas em todos os países - contra o aquecimento global. Embora ainda não exista um consenso neste assunto, creio que Washington tem de ratificar o Protocolo de Kyoto, o que nos comprometeria a realizar significativas reduções nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Temos de assegurar que todas as nações desenvolvidas e em desenvolvimento se comprometam a cumprir com a parte que lhes toca. Podemos combater o aquecimento global de um modo que contemple a criação de postos de trabalho, ao fomentar a existência de um mercado global para as novas tecnologias no setor energético, que, se espera, possa alcançar os US$ 10 bilhões nas próximas duas décadas. Estes desafios não são fáceis. E, para mim, nunca existiram sem controvérsias. Há mais de uma década, quando me propus a escrever um livro sobre ecologia (Eearth in the Balance), percebi que era politicamente tolo manifestar de forma tão clara um compromisso com a proteção ambiental, posto por escrito em forma aberta e sem restrições. Mas, para mim, o compromisso com o meio ambiente sempre foi além do político, é uma profunda obrigação moral. É necessário que façamos o correto para nosso meio ambiente, porque este compreende tudo o que tem a ver com nossas vidas, desde a simples segurança de que a água que bebemos seja potável até a mais sinistra e ameaçadora redução das camadas de gelo nos extremos da Terra. A Terra está por um fio. Podemos e devemos salvá-la, e isso representa uma grande responsabilidade para nossa geração. Devemos nos colocar já a executar e concluir esta urgente tarefa. 59 ANEXO 3 Reportagens http://oglobo.globo.com/ciencia/desperdicio-de-agua-no-brasil-chega40-4193297 Desperdício de água no Brasil chega a 40% AGÊNCIA BRASIL Publicado: 29/04/07 - 0h00 Brasília - Nem as secas no Nordeste, nem a utilização desenfreada dos lençóis freáticos. As águas que se perdem nos encanamentos, evaporam durante as irrigações e não são tratadas depois de poluídas formam um conjunto que representa a maior ameaça ao abastecimento dos brasileiros. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 40% da água retirada no país é desperdiçada. Os próprios números comprovam o tamanho do problema. De acordo com a ANA, são retirados dos rios e do subsolo no Brasil 840 mil litros de água a cada segundo. Ao dividir esse número pela população de 188,7 milhões de brasileiros, chega-se à conclusão de que cada habitante consumiria, em média, 384 litros por dia. Quando se leva em conta o consumo efetivo, no entanto, o valor é bem menor. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2006, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o gasto médio diário do brasileiro cai para 185 litros. Parte da diferença (199 litros) foi utilizada na agricultura, na pecuária, na indústria, mas a maior parte, em torno de 150 litros, foi desperdiçada. O coordenador-geral de Assessorias da ANA, Antônio Félix Domingues, afirma que as perdas de água se concentram na produção de alimentos. - Somente na irrigação, o desperdício chega a 50% - ressalta. Ele explica que o problema é provocado porque a maior parte dos produtores rurais utiliza a pulverização aérea, no qual boa parte da água é carregada pelo vento ou evapora, em vez de recorrer ao sistema de gotejamento, que despeja gotas diretamente na raiz nas plantas. Outra fonte de desperdício, segundo Félix, está nas cidades. Segundo ele, redes mal conservadas são responsáveis por perdas de 40% na distribuição de água. - De cada cem litros que as companhias captam, somente 60, em média, chegam à casa das pessoas -reclama. 60 De acordo com o coordenador da ANA, o ideal seriam perdas em torno de 20%, padrão aceito internacionalmente. Em alguns casos, salienta Félix, o problema é ainda mais grave. Há cidades em que o desperdício chega a 80%. - Existem cidades em que o desperdício chega a 80% porque as companhias desrespeitam as normas técnicas - diz, evitando dar nomes. Coordenador do Programa Água para a Vida da organização não governamental WWF–Brasil, o geógrafo Samuel Barreto alerta para outro perigo, o consumo invisível de água. - A água é um importante insumo para praticamente toda a produção econômica, principalmente para a agricultura - ressalta. Os próprios dados da ANA confirmam que a agricultura é responsável pela maior parte do consumo de água. Dos 840 mil litros retirados dos mananciais brasileiros por segundo, 69% vão para a irrigação, contra 11% para o consumo urbano, 11% para o consumo animal, 7% utilizados pelas indústrias e 2% pela população rural. Segundo o relatório do Pnud, são necessários 3.500l litros de água, em média, para produzir alimentos que forneçam um mínimo de 3 mil calorias. Isso equivale a 70 vezes a necessidade de uma família de quatro pessoas. Alguns alimentos exigem mais água que outros. De acordo com o estudo, uma tonelada de açúcar consome oito vezes mais água do que a produção de a mesma quantidade de trigo. - A produção de um simples hambúrguer consome cerca de 11 mil litros de água – mais ou menos a mesma quantidade disponível para cada 500 habitantes de bairros urbanos degradados que não possuem água canalizada em casa compara o texto. Félix afirma que a agência leva em conta o “consumo virtual” da água na hora de definir as políticas para os recursos hídricos. - Desde a queda que faz girar a turbina de uma usina hidrelétrica até a utilização de um rio para a navegação, todos os tipos de uso são importantes - observa o coordenador da ANA. - A gente tem de administrar esses usos da água, sem deixar um superar o outro. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/desperdicio-deagua-no-brasil-chega-40-4193297#ixzz1w70XzxWY © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 61 REFERENCIAS BIBIOGRÁFICAS: • agua.bio. Disponibilidade Hídrica -2012. Disponível em < em < http://www.agua.bio.br/botao_d_O.htm> Acesso em 25/05/2012 • Alves, Líria. Poluição da água -2012. 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CAPÍTULO II: A ATUAL SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASI 13 2.1 - LEGISLAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL. 2.2 - DISPONIBILIDADE E DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL. 2.3- QUALIDADE DA ÁGUA DOS BRASILEIROS. 2.4- O CONSUMO E O DESPERDÍCIO NO BRASIL. 2.5- EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL EXISTE? 14 14 15 17 18 19 21 24 24 29 32 36 38 CAPÍTULO III: UMA GESTÃO SUSTENTÁVEL COM O APROVEITAMENTO INTELIGENTE DA ÁGUA DA CHUVA 41 3.1- A HISTÓRIA DA CAPTAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA AO LONGO DA EXISTÊNCIA DO HOMEM. 42 3.2- COMO REAPROVEITAR A ÁGUA DA CHUVA? 45 3.3- ONDE USAR ESTA ÁGUA? 45 3.4- COMO FUNCIONA ESSE SISTEMA? 47 3.5- ALGUNS BENEFÍCIOS DO USO DA ÁGUA DA CHUVA: 50 CONCLUSÃO ANEXO BIBLIOGRAFIA CONSULTADA FIGURAS QUADROS ÍNDICE 51 54 61 67 67 68