CENTRO UNIVERSITÁRIO POSITIVO ANÁLISE DA PRESSÃO DE COMBUSTÃO COM VARIAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE ÁLCOOL NA GASOLINA EM MOTOR FLEX 1.6 - 8V CURITIBA 2007 ERLON MURILO FOGAÇA RAIMUNDO FERREIRA MATOS JÚNIOR WAGNER FERNANDES BORGES ANÁLISE DA PRESSÃO DE COMBUSTÃO COM VARIAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE ÁLCOOL NA GASOLINA EM MOTOR FLEX 1.6 - 8V Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção de grau de Engenheiro Mecânico do Curso de Engenharia Mecânica, do Núcleo de Ciências Exatas e Tecnológicas do Centro Universitário Positivo. Orientador: Prof. Rafael Albea CURITIBA 2007 DEDICATÓRIA As nossas companheiras e famílias que sempre nos incentivaram e nos apoiaram constantemente, abdicando de horas preciosas para que nós pudéssemos completar mais esta etapa de nossas vidas. ii AGRADECIMENTOS Aos nossos colegas, pelas importantes discussões geradas em sala de aula e na empresa sobre os assuntos acadêmicos que ajudaram a integrar esse trabalho. Aos professores que muito contribuíram para a nossa formação acadêmica e que hoje fazem parte de nossas vidas e de nossas memórias, pelos momentos agradáveis que passamos durante o processo de aprendizagem. Agradecemos principalmente a nosso professor e orientador Rafael Albea, pelo acompanhamento e revisão do estudo, contribuindo com críticas construtivas para maior entendimento e aprofundamento do respectivo trabalho. Aos amigos (Gustavo / Fábio / Amy) que contribuíram com muitas idéias nas análises e coleta de documentações bem como o fechamento final deste trabalho. A Octávio e Nadir pais do Erlon, pelo cafezinho e a disponibilidade de um local tranqüilo e calmo para as discussões e desenvolvimento teórico deste trabalho. iii Bem aventurados os que trilham caminhos retos, e andam na lei do Senhor. Salmos 119-1. iv SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ................................................................................................ iii SUMÁRIO................................................................................................................... v LISTA DE FIGURAS ................................................................................................ vii LISTA DE TABELAS .............................................................................................. viii LISTA DE GRÁFICOS .............................................................................................. ix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .................................................................... x LISTA DE SÍMBOLOS .............................................................................................. xi RESUMO.................................................................................................................. xii ABSTRACT............................................................................................................. xiii 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1 1.1 IMPORTÂNCIA DO TEMA ................................................................................... 2 1.2 OBJETIVOS ......................................................................................................... 2 1.2.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 2 1.2.2 Objetivo Específico ............................................................................................ 2 1.3 ESTRUTURA........................................................................................................ 3 1.4 ESCOPO .............................................................................................................. 3 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................... 4 2.1 MÉTODOS DE MEDIÇÃO DA PRESSÃO DE COMBUSTÃO.............................. 4 2.2 PROPRIEDADES GASOLINA E ÁLCOOL ........................................................... 7 2.3 PARÂMETROS DO MOTOR ................................................................................ 9 2.3.1 Potência Indicada .............................................................................................. 9 2.3.2 Potência Efetiva e Torque ............................................................................... 11 2.3.3 Pressão Média Indicada .................................................................................. 13 2.3.4 Pressão Média Efetiva e Pressão Média de Atrito........................................... 14 2.3.5 Ponto de Ignição e Avanço.............................................................................. 15 3 FUNDAMENTAÇÃO ............................................................................................. 16 3.1 MODELO EXPERIMENTAL PARA CÁLCULO DA PMI...................................... 16 3.2 MODELO MATEMÁTICO PARA CÁLCULO DA PMI ......................................... 17 4 DESENVOLVIMENTO........................................................................................... 19 4.1 OBTENÇÃO DA PMI EXPERIMENTAL.............................................................. 19 4.1.1 Medição da Pressão de Combustão................................................................ 21 4.1.2 Condições de Ensaio....................................................................................... 26 4.2 OBTENÇÃO DA PMI MODELO MATEMÁTICO ................................................. 27 5 RESULTADOS E VALIDAÇÃO ............................................................................ 28 v 6 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 39 6.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS.................................................. 41 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 43 APÊNDICE ............................................................................................................... 45 ANEXO..................................................................................................................... 48 vi LISTA DE FIGURAS FIGURA 01: CURVA DE PRESSÃO NO CILINDRO – CICLO COMPLETO .............. 5 FIGURA 02: DIAGRAMAS P-V................................................................................. 10 FIGURA 03: ESQUEMA DE MEDIÇÃO DE TORQUE ............................................. 11 FIGURA 04: BANCADA COM DINAMÔMETRO E MOTOR..................................... 20 FIGURA 05: CARRO DO MOTOR E SUAS CONEXÕES PARA FLUÍDO ............... 21 FIGURA 06: LEITURA E TRANSFORMAÇÃO DO SINAL DE PRESSÃO ............... 22 FIGURA 07: TRANSDUTOR INCORPORADO A VELA DE IGNIÇÃO..................... 24 FIGURA 08: FLUXO PARA A REALIZAÇÃO DO ENSAIO....................................... 25 FIGURA 09: DETALHAMENTO DA VELA COMERCIAL E A INSTRUMENTADA ... 25 FIGURA 010: VELA COMERCIAL E INSTRUMENTADA NO CABEÇOTE.............. 26 FIGURA 11: PMI PONTO A PONTO OBTIDA NO CILINDRO 3 (E0)...................... 35 FIGURA 12: PMI PONTO A PONTO OBTIDA NO CILINDRO 3 (E100)................... 36 vii LISTA DE TABELAS TABELA 01: COMPOSIÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DO PETRÓLEO. 7 TABELA 02: COMPOSIÇÃO DO ÁLCOOL COMBUSTÍVEL...................................... 8 TABELA 03: COMPOSIÇÃO DA GASOLINA BRASILEIRA ....................................... 9 TABELA 04: PARÂMETROS GEOMÉTRICOS DO MOTOR ................................... 27 TABELA 05: CÁLCULO DA PMF PARA MODELO MATEMÁTICO DA PMI ............ 32 TABELA 06: DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES DA PMI (E0 / E24 / E62 / E100). 41 viii LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 01: CURVA CARACTERÍSTICA DE TORQUE MOTOR (1.6-8V) ........... 12 GRÁFICO 02: CURVA CARACTERÍSTICA DE POTÊNCIA MOTOR (1.6-8V) ........ 13 GRÁFICO 03: PMI MEDIDO NOS 4 CILINDROS DO MOTOR................................ 29 GRÁFICO 04: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E0)... 30 GRÁFICO 05: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E24). 31 GRÁFICO 06: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E62). 31 GRÁFICO 07: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E100)32 GRÁFICO 08: CURVA CARACTERÍSTICA PMI MEDIDA NO CILINDRO 3 ............ 33 GRÁFICO 09: CURVA CARACTERÍSTICA PMI CALCULADA DO CILINDRO 3 .... 34 GRÁFICO 10: GRÁFICO P-V DO CILINDRO 3 (E0) ................................................ 35 GRÁFICO 11: GRÁFICO P-V DO CILINDRO 3 (E100) ............................................ 36 GRÁFICO 12: PRESSÃO COMB. CILIND. 3 2750 RPM PLENA CARGA (E0)........ 38 GRÁFICO 13: PRESSÃO COMB. CILIND. 3 2750 RPM PLENA CARGA (E100).... 38 GRÁFICO 14: ZONAS DE ANÁLISE DA PMI........................................................... 40 ix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS MCI Motor de combustão interna PCI Poder calorífico inferior Pi Pressão indicada PME Pressão média efetiva PMF Pressão média de atrito PMI Pressão média indicada Pmi Ponto morto inferior Pms Ponto morto superior RBC Rede Brasileira de Calibração x LISTA DE SÍMBOLOS E0 Combustível com 0% de álcool e 100% de gasolina CC Volume do cilindro D Diâmetro do pistão E100 Combustível com 100% de álcool E24 Combustível com 24% álcool e 76% gasolina E62 Combustível com 62% álcool e 38% gasolina L Curso do pistão Mar Massa de ar nc Rotação do motor Pj Pressão de combustão medida q Energia calorífica R Taxa de compressão T Torque Vcyl Volume do cilindro Vd Volume deslocado no cilindro Vp Velocidade do pistão We Potência efetiva Wi Potência indicada ηth Rendimento térmico xi RESUMO Este trabalho visa uma análise da dispersão do valor da pressão de combustão média indicada de um motor flex 1.6 – oito válvulas com a utilização de diferentes concentrações de álcool na gasolina, entre um modelo matemático empírico, comparado com um modelo experimental, que utiliza equipamentos específicos para coleta de dados e tratamento do sinal com software dedicado. O modelo matemático é constituído por valores constantes, como os dados geométricos do motor (curso e diâmetro do pistão) e por dados variáveis (torque e rotação do motor) que para sua obtenção é necessário a utilização de um equipamento conhecido como dinamômetro. Para a obtenção dos dados experimentais, utiliza-se também uma bancada dinamométrica, além de um sistema de aquisição e de tratamento de sinal. Neste trabalho não é observado o que a diferença entre o valor calculado e o valor obtido no experimento, pode acarretar em relação aos esforços nos componentes internos do motor. Palavras-chave: Motor flex, pressão de combustão, pressão média indicada. xii ABSTRACT This work presents the dispersion of the average indicated pressure of an 1,6 - eight valves flex engine using different alcohol concentrations in gasoline, comparing an empirical mathematical model with an experimental model, that uses specific equipment for data acquisition and signal treatment with a dedicated software. The mathematical model is constituted by constant values, as the geometric data of the engine (course and diameter of the piston), and variable data (torque and engine rotation) which demands the assistance of a specific equipment known as a dynamometer. In order to get the experimental data, a dynamometer test bench is used with the assistance of an acquisition system and a signal treatment equipment. In this work it not be considered the consequences on internal engine components stresses caused by the difference between the calculated value and the value gotten by experiment. Keywords: flex engine, combustion pressure, indicated average pressure xiii 1 INTRODUÇÃO No cenário atual de mercado, com a filosofia da globalização, existe uma grande concorrência entre as empresas de mesmo nicho de mercado. Esta concorrência tende a inibir comercialmente o fornecedor menos capacitado tecnologicamente, para a fabricação e desenvolvimento de um determinado produto. Nas grandes empresas multinacionais automobilísticas, a busca por novas tendências de mercado e novas tecnologias, faz com que aquelas que as possuem, saiam na frente na corrida para atender os mercados consumidores, que por sinal é abundante e ativo, visto que foram vendidos no Brasil aproximadamente 800.000 veículos leves no ano de 2006, propulsionados por motores a álcool, gasolina e flex, sendo este último responsável por 70% das vendas (ANFAVEA, 2007). A venda de veículos com motor flex, que são motores propulsionados a álcool, gasolina ou com uma mistura entre ambos, iniciou-se no país em meados de 2003, sendo assim, essa nova tecnologia propicia campos para estudos e análises do sistema como um todo. Um desses pontos é a questão da pressão de combustão, oriunda da queima da mistura ar combustível na câmara de combustão, que por sua vez é analisada no período equivalente a um ciclo de combustão resultando em uma Pressão Média Indicada (PMI), sendo esta a responsável diretamente pela força exercida sobre a cabeça do pistão (OLIVEIRA, 2004). Atualmente a pressão média indicada, pode ser obtida através de cálculos teóricos, com o auxílio de fórmulas, utilizando alguns dados extraídos do equipamento dinamômetro ou coletada diretamente de um conjunto de equipamentos, composto por um dinamômetro, um hardware e um software dedicado para aquisição e leitura dos dados, sendo estes obtidos por sensores instalados em lugares específicos do motor (SILVA, 2006). A aquisição prática da PMI, por necessitar de instrumentos de aquisição e de leitura de dados específicos, necessita de um alto custo para a montagem de um laboratório, e em contra partida, devido à análise teórica utilizar-se de fórmulas empíricas, pode-se afastar do resultado real. 2 Neste cenário é possível desenvolver um estudo focado e centralizado nos valores apresentados pelos dois métodos, a fim de compará-los e avaliar seus valores. 1.1 IMPORTÂNCIA DO TEMA A medição correta da pressão média indicada, garante no desenvolvimento do motor a utilização e otimização dos recursos materiais, ou seja, um real dimensionamento de componentes internos do mesmo, a fim de apresentar uma redução de custo com toda a manufatura, um uso racional de matéria prima, além de ser um dado muito importante na questão de rendimentos específicos, potência efetiva, consumo especifico e emissões (MELO, 2007). A comparação da medição de pressão, utilizando métodos teóricos e práticos, se faz necessária devido à verificação da porcentagem de erro que uma pode ter em relação à outra, salientando que a pressão média indicada é uma pressão que atuará nos componentes internos do motor (conjunto pistão, pino, biela, virabrequins e mancais), e por isso é um parâmetro base de cálculos no desenvolvimento como um todo do motor (PISCHINGER, 2002). 1.2 OBJETIVOS A apresentação dos objetivos deste trabalho esta dividida em objetivo geral e objetivo específico. 1.2.1 Objetivo Geral Analisar o comportamento da pressão de combustão com a variação da proporção de álcool na gasolina em motor flex 1.6 oito válvulas. 1.2.2 Objetivo Específico Confrontar os resultados teóricos e práticos de obtenção da pressão de combustão com a variação da proporção de álcool (E0, E24, E62, E100) na gasolina, demonstrar e explicar as possíveis dispersões, caso ocorram. As análises 3 teóricas são baseadas em fórmulas matemáticas. Já nos ensaios práticos utiliza-se um transdutor de pressão com tratamento de sinal por sistema de aquisição e software dedicado (Indimodul / Indicom) em bancada dinamométrica. 1.3 ESTRUTURA Este trabalho é composto por cinco capítulos. No Capítulo 1, é feita uma apresentação geral do trabalho, mostrando a importância do estudo, os objetivos a serem alcançados, um resumo bibliográfico sobre o assunto e contribuições que o estudo pode trazer. No Capítulo 2, é feita uma explicação sobre os métodos teóricos e práticos de medição de pressão de combustão, sobre as características dos combustíveis álcool e gasolina e um detalhamento sobre parâmetros do motor, pressões médias e de pico que ocorrem na combustão do motor em análise. No Capítulo 3, é apresentada a descrição detalhada das teorias, metodologias e técnicas utilizadas para a obtenção e análise da pressão de combustão. No Capítulo 4, é descrito o desenvolvimento utilizado para a resolução do problema. No Capítulo 5, são apresentados os resultados e suas análises. 1.4 ESCOPO O presente trabalho descreve uma análise da pressão de combustão em motor flex 1.6 - oito válvulas. Esta análise limita-se a indicação de possíveis diferenças encontradas no cálculo matemático em relação ao experimental da pressão média efetiva. O estudo não avalia esforços nos elementos do motor, nem a influência destes no sistema. 4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O desempenho de um motor de combustão interna esta ligado diretamente às transformações ocorridas na câmara de combustão. Para o desenvolvimento de motores que apresentam como resultados uma alta performance, se faz necessário um estudo do ciclo termodinâmico, através de curvas de pressões, essas por sua vez, são de fundamental importância para a otimização do processo de combustão bem como o cálculo da Pressão Média Efetiva e Pressão Média Indicada (KISTLER 1995). 2.1 MÉTODOS DE MEDIÇÃO DA PRESSÃO DE COMBUSTÃO Na história do desenvolvimento de motores, vários métodos foram aplicados para análise da combustão. Métodos mais antigos para este monitoramento, observavam o processo de propagação da chama com a utilização de uma máquina fotográfica de alta velocidade, através de um visor na câmara de combustão e o monitoramento da passagem da frente da chama com o uso de um detector de ionização. Após 1930, a ferramenta mais utilizada para o estudo da combustão, foi um indicador de pressão de cilindro que utilizava um tubo de raios catódicos, o qual foi posteriormente substituído pelo indicador mecânico com mola. Com a utilização do indicador mecânico e um planímetro, era possível medir a área do diagrama p-V, pressão x volume (SILVA 2006). Antes que Nikolaus August Otto inicia-se a operação de seu primeiro motor, ele calculou antecipadamente o diagrama de pressão e a estimativa do trabalho, utilizando como base as leis dos gases. Posteriormente ele confirmou seus resultados através da medição da pressão em um teste de motor (PISCHINGER 2002). Em 1925, iniciaram-se as primeiras utilizações de cristais piezelétricos na medição de pressão de combustão. O Dr. M. Okochi e seus colegas foram um dos pioneiros na medição de pressão em um cilindro de combustão interna através da utilização de um sensor de quartzo. 5 Segundo FERGUSON (2000), o método mais atual e aplicado entre os laboratórios de teste de motores é o que utiliza um transdutor piezoelétrico para aquisição das variações de pressão no interior da câmara de combustão. Hoje os transdutores piezelétricos são usados para a medição das fases de admissão, exaustão e medição na câmara de combustão. Para a medição da pressão na câmara de combustão, podem-se utilizar dois métodos de fixação do transdutor, o primeiro é a adaptação do transdutor no bloco do motor, com uma ligação que finaliza dentro da câmara. A outra maneira é a adaptação de um transdutor de pressão em uma vela de ignição e a mesma ser fixada no local da vela convencional. O método por cristais piezelétricos apresenta excelente comportamento dinâmico e pouca suscetibilidade à variação de temperatura, evitando o efeito de deriva do sinal com o aumento da temperatura (PISCHINGER, 2002). O pico de pressão medido através do sistema de medição da pressão da câmara de combustão do motor de combustão interna (MCI) pode ser visto na Figura 01. A faixa de medição normalmente inclui o ciclo completo de funcionamento do motor, porém, pode ter restrições quanto ao ângulo do virabrequim, dependendo do objetivo a ser analisado. É através da curva de pressão que o software pode processar os dados e obter o diagrama pressão x volume. FIGURA 01: CURVA DE PRESSÃO NO CILINDRO – CICLO COMPLETO FONTE: PISCHINGER (2002) 6 Segundo PIFFAUT (2004) a pressão e a temperatura em um MCI podem variar pelos seguintes motivos: a) O movimento do pistão; b) A combustão; c) A expansão dos gases queimados; d) As trocas térmicas com as paredes do cilindro e e) A energia transferida pela frente de chama aos gases frescos. E a descrição dos níveis de pressão e temperatura para um MCI é função da pressão e temperatura do ar de admissão, da taxa de compressão e da energia calorífica da mistura ar/combustível, conforme Equação 2.1 e 2.2. Pi = nc ∗ Mar ∗ q ∗ ηth (2.1) Onde: Pi= Pressão indicada (bar) nc= Rotação do motor (rpm) Mar= Massa de ar (g) q= Energia calorífica (W) ηth= Rendimento térmico Mar = P * Vcyl r*T (2.2) Onde: Mar= Massa de ar (g) P= Pressão (Pa) Vcyl= Volume do cilindro (cm³) r= Taxa de compressão T= Temperatura (°C) 7 2.2 PROPRIEDADES GASOLINA E ÁLCOOL Os hidrocarbonetos constituem a parte principal dos combustíveis usados em motores de combustão interna. De acordo com VLASSOV (2002), os hidrocarbonetos de combustíveis misturam-se facilmente com o ar formando uma mistura combustível. A característica mais importante de qualquer combustível é o poder calorífico, ou seja, a quantidade de calor que se liberta durante a combustão completa do combustível. O Poder Calorífico Inferior, conhecido como PCI é determinado na experiência em um banco de ensaio especial chamado bomba calorimétrica. Nesse instrumento é determinado o chamado poder calorífico superior (H sup), o qual inclui um calor de condensação do vapor da água do combustível formado durante a combustão do hidrogênio e da umidade contida no combustível. Segundo OLIVEIRA (2004), nos motores, os gases de escape têm a temperatura maior do que a condensação do vapor de água e por isso este calor de condensação não se aproveita. Nos cálculos térmicos dos motores é usado o PCI, que não inclui o calor de condensação de vapor da água. Um combustível líquido derivado do petróleo é composto em geral de carbono (C), hidrogênio (H) e pequenas quantidades de enxofre (S), oxigênio (O) e nitrogênio (N). A Tabela 01 apresenta as composições típicas e alguns parâmetros de combustíveis derivados do petróleo. TABELA 01: COMPOSIÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DO PETRÓLEO Combustível Gasolina (pura) Diesel Porcentagem em massa de elementos C H O 85,5 87,0 14,5 12,6 00,4 Massa molecular µ, kg/kmol Poder cal. inferior PCI MJ/kg 110 - 120 180 - 220 43,93 42,44 FONTE: VLASSOV (2002) Para os combustíveis de motores de ciclo Otto é muito importante à resistência à detonação, a qual se trata de uma combustão demasiada rápida de 8 uma mistura combustível. A velocidade de propagação de chama durante a combustão normal, por centelha, é por volta de 30 m/s, mas durante a detonação ela aumenta até aproximadamente 2000 m/s. A resistência à detonação é caracterizada por índice de octanas. A gasolina tem valor de índice de octanas no intervalo de 70 a 100 octanas. Como regra de um motor de carburação externa (Otto) exige uma gasolina com o número de octanas de 10 vezes maior que o valor da taxa de compressão deste motor (VLASSOV, 2002). No Brasil, devido a fatores geográficos, a produção de álcool é bem favorável. Muitos países Europeus dependentes da importação de petróleo adicionam certas quantidades do etanol misturando-o com a gasolina e o diesel (OLIVEIRA, 2004). Da fórmula química do etanol C2H5OH vê-se que a sua molécula contem oxigênio, por isso, este combustível exige menor o oxigênio do ar para sua combustão. No entanto, de acordo com VLASSOV (2002), à parte do oxigênio do etanol não é suficiente para que ele seja um material explosivo. Em virtude das razões tecnológicas e econômicas, o etanol industrial (popularmente denominado álcool) contém por volta de 4% da água (etanol de 96%) e de pequenas quantidades de óleos de éter. A composição mássica do etanol de 96% é mostrada na Tabela 02 (VLASSOV, 2002) TABELA 02: COMPOSIÇÃO DO ÁLCOOL COMBUSTÍVEL Combustível Álcool de 96% Porcentagem em massa de elementos C H O 50,5 13,05 36,9 Massa molecular µ, kg/kmol 43,37 Poder cal. Inferior PCI MJ/kg 25,078 FONTE: VLASSOV (2002) Um quilograma de etanol de 96% contém 50,5 g de carbono; 130,5 g do hidrogênio e 369 g do oxigênio. O poder calorífico do etanol de 96% é por volta de 26,4 MJ/kg, pois o poder calorífico do etanol é cerca de 40% menor do que da gasolina. A adição do etanol na gasolina diminui o poder calorífico dela e diminui também a quantidade do ar necessária para a combustão. O etanol muito facilmente dissolve-se na água e absorve a umidade do ar. É muito importante que o poder calorífico do etanol, ainda baixo, fortemente diminui 9 com o aumento da porcentagem da água. O etanol de 80% tem poder calorífico PCI= 20,9 MJ/kg e o de 70% têm PCI= 18 MJ/kg. Em comparação com a gasolina, o etanol tem menor percentagem de carbono e de hidrogênio. A composição do álcool, conforme apresentado, garante para ele um maior poder calorífico inferior em relação à gasolina, assim, é possível obter uma maior potência de um motor que seja propulsionado a álcool, ao invés de gasolina, considerando uma mesma geometria (OLIVEIRA, 2004). A atual gasolina brasileira é composta com o álcool. A porcentagem do álcool na gasolina é de 24%. Na Tabela 03, é apresentada a composição elementar e o poder calorífico inferior dessa gasolina. TABELA 03: COMPOSIÇÃO DA GASOLINA BRASILEIRA Combustível Gasolina com 24% do álcool Parte em massa de elementos C H O 77,9 13,1 9 Poder cal. Inferior PCI MJ/kg 41,563 FONTE: VLASSOV (2002) 2.3 PARÂMETROS DO MOTOR Uma das limitações básicas da operação do motor é a pressão desenvolvida no cilindro, durante a combustão. Neste contexto, pressão média efetiva e média indicada, pode ocorrer aumento de potência. No entanto, se a pressão no cilindro não for controlada dentro de limites estreitos, podem aparecer excessivas cargas internas, podendo resultar em falha do motor. É, portanto, necessário ter meios de determinar essas pressões no cilindro, como medida de proteção, e para uma aplicação eficiente da potência. 2.3.1 Potência Indicada De acordo com NOBUYUKI (2007), a pressão de combustão dentro do cilindro pode ser utilizada para calcular o trabalho transferido do gás para o pistão. A pressão do cilindro e seu respectivo volume são relacionados em um diagrama P-V, 10 conforme apresentado na Figura 02. O trabalho indicado por ciclo é numericamente igual à área obtida com a integração da curva do diagrama através da Equação 2.3. FIGURA 02: DIAGRAMAS P-V FONTE: SILVA (2006) W = ∫ PdV (2.3) Onde: W= Trabalho por ciclo (W) P= Pressão (Pa) V= Volume (m³) A potência indicada é resultante do trabalho transferido pelo gás ao pistão. É diferente da potência efetiva disponível no flange de acoplamento do eixo do virabrequim, pois inclui a potência de atrito dos componentes móveis e a de acionamento dos acessórios do motor. A potência indicada bruta é a melhor definição, pois é a soma da potência útil no eixo mais à potência perdida durante o funcionamento do motor (HEYWOOD, 1988). 11 2.3.2 Potência Efetiva e Torque De acordo com Silva (2006) a potência efetiva, diferentemente da indicada, não pode ser obtida teoricamente, necessita ser medida. O torque do motor é normalmente medido com um dinamômetro, podendo ser eletromagnético, hidráulico ou mecânico. O motor é fixado num banco de testes e seu eixo conectado ao rotor do dinamômetro. O dinamômetro é um motor elétrico cujo rotor é suportado por rolamentos para redução do atrito e tende a ser girado pelo rotor quando este gira. O torque exercido pelo rotor provoca um movimento no estator, o qual é medido através de uma alavanca de força de comprimento conhecido e um instrumento indicador (célula de carga), conforme Figura 03. FIGURA 03: ESQUEMA DE MEDIÇÃO DE TORQUE Estator FONTE: SILVA (2006) O torque exercido pelo motor é determinado por: T = F∗b (2.4) Onde: N= Rotação do rotor (rpm) F= Força aplicada no braço (N) B= Distância do centro do rotor até a célula de carga (m) 12 No Gráfico 01, é mostrado uma curva característica de torque em função da rotação para o motor 1.6 8V em estudo. GRÁFICO 01: CURVA CARACTERÍSTICA DE TORQUE MOTOR (1.6-8V) Torque (N.m) 1000 1250 1750 2250 2604 2750 2850 2950 3100 3300 3500 3700 3900 4100 4300 4400 4500 4600 4750 5100 5200 5300 5400 5750 6101 Rotação (rpm) A Potência Efetiva (We) fornecida pelo motor e absorvida pelo dinamômetro é o produto do torque pela velocidade angular: We = 2 ∗ π ∗ N ∗ T (2.5) Onde: We= Potencia efetiva (cv) N= Rotação (rpm) T= Torque (Nm) O valor da potência medida é a Potência Útil fornecida pelo motor e absorvida pela carga, neste caso o dinamômetro. Devido às perdas de energia térmica e mecânica, a potência efetiva será menor que a potência indicada (HEYWOOD, 1988). A curva característica de potência do motor em questão é apresentada no Gráfico 02. 13 61 01 57 50 54 00 53 00 52 00 51 00 47 50 46 00 45 00 44 00 43 00 41 00 39 00 37 00 35 00 33 00 31 00 29 50 28 50 27 50 26 04 22 50 17 50 12 50 10 00 Potência (kW) GRÁFICO 02: CURVA CARACTERÍSTICA DE POTÊNCIA MOTOR (1.6-8V) Rotação (N.m) 2.3.3 Pressão Média Indicada A Pressão Média Indicada (PMI) é obtida com a divisão do trabalho liquido por ciclo pelo volume de deslocamento do cilindro, por integração numérica, através da Equação 2.6 (NAGASHIMA, 2002). PMI = 1 n−1 p j+1 + p j+1 ∑ 2 ∗ (V j+1 − V j) Vd j=0 (2.6) Onde: Vd = volume de deslocamento (m³) Pj = pressão de combustão medida (bar) Vj = volume do cilindro (m³) n = número de medidas 14 A PMI é a pressão média produzida na câmara de combustão durante o ciclo de operação, e é uma expressão teórica de potência sem fricção. Além de desprezar completamente a potência perdida por atrito, a potência média indicada não informa quanta potência real é entregue ao virabrequim para produzir trabalho útil. Contudo, está relacionada com a pressão real, a qual ocorre no cilindro e pode ser usada como uma medida dessas pressões. 2.3.4 Pressão Média Efetiva e Pressão Média de Atrito A Pressão Média Efetiva (PME) é uma variável muito expressiva no julgamento da eficácia com que um motor tira proveito do seu tamanho (Cilindrada), sendo, por isso, muito usada para fins de comparação entre motores. A pressão média efetiva é definida como a pressão que ao atuar sobre o pistão durante o curso motor, realiza uma quantidade de trabalho igual ao realmente efetuado sobre o pistão. Isto permite calcular o trabalho realizado em um ciclo (SHIMIDT, 2005). O torque, por exemplo, apresenta variações que dependem da geometria dos motores, impossibilitando seu uso como parâmetro de comparação. Os motores maiores produzem maiores torques. A potência, também, não é um bom elemento para permitir a comparação de motores, pois depende, não somente das dimensões, mas também da velocidade de rotação. Este indicador específico é chamado de pressão média efetiva PME (HEYWOOD, 1988) e obtido através da Equação 2.7. PME = (T ∗ 4π ) Vd (2.7) Onde: T= Torque (Nm) Vd= Volume deslocado (m³) Pressão Média de Atrito (PMF) é a pressão indicada menos à pressão efetiva. É a pressão usada por um motor para vencer o atrito entre as partes móveis, 15 aspirar combustível, expulsar os gases de escapamento, acionar bombas de óleo e combustível, e similares. 2.3.5 Ponto de Ignição e Avanço De acordo com SILVA (2006) o momento da inflamação da mistura até a sua queima total transcorre cerca de dois milisegundos. A faísca de ignição deve, portanto, saltar de modo a encontrar uma pressão ideal de combustão em qualquer regime de funcionamento do motor. O ponto de ignição deve ser escolhido de modo que os seguintes requisitos possam ser cumpridos: a) Máxima potência do motor b) Consumo econômico de combustível c) Evitar detonação do motor d) Emissões nocivas reduzidas Silva (2006) relata a importância dos requisitos de injeção: Essas exigências não podem ser satisfeitas simultaneamente; é necessário priorizar um requisito em detrimento de outro de acordo com a necessidade. Atualmente, para obter a máxima potência nos motores Otto, a mistura arcombustível é altamente comprimida, com taxas da ordem de 12:1. Com isso o risco de detonação é maior em relação a condições de compressão anteriormente menores. A detonação no motor ocorre pela queima brusca de partes da mistura que ainda não foram atingidas pela frente da chama. O ponto de ignição neste caso está muito adiantado. O funcionamento detonante leva ao aumento da temperatura na câmara de combustão, aumento intenso da pressão e produz oscilações de pressão, que se sobrepõe à curva normal de pressão. A tendência à detonação depende do tipo de construção da câmara, da preparação uniforme da mistura ar / combustível, do coletor de admissão e do combustível (BOSCH, 2001). 16 3 FUNDAMENTAÇÃO A busca por qualidade de ensaios, que resulta na qualidade e confiabilidade dos produtos proporciona a procura das grandes indústrias por equipamentos cada vez mais modernos. Estes equipamentos apresentam maior praticidade de instalação e economia na utilização de recursos humanos e tempo de configuração, justificando os investimentos cada vez maiores (NAGASHIMA, 2002). 3.1 MODELO EXPERIMENTAL PARA CÁLCULO DA PMI O método e equipamento escolhido para o desenvolvimento do experimento prático são disponíveis como recursos para ensaios de pressão de combustão na Renault do Brasil. O sistema opera com transdutor piezoelétrico integrado a vela de ignição, tratamento de sinal AVL-INDIMODUL que utiliza um processador de 800MHz por canal e software Indicom do mesmo fabricante (AVL 2002). Frente aos métodos disponíveis, como por exemplo, o que utiliza um transdutor de pressão adaptado à parede do cabeçote. A vela instrumentada apresenta menor necessidade de modificação do motor, fato este que simplifica a atividade de montagem, pois apenas é necessário retirar a vela original e montar a vela instrumentada. O sistema de medição com cristal piezoelétrico apresenta características de trabalho que não necessita de refrigeração. O modelo empregado não utiliza sistema de refrigeração externa, operando com limite de 400ºC com fácil aplicação em motores de combustão interna. O transdutor apresenta comportamento linear e alta velocidade de resposta para variações de pressão como característica do cristal de quartzo, elemento piezoelétrico utilizado na construção do transdutor. O sistema trabalha com pontos de rotação do motor com resolução de 0,1º, ou seja, para cada 0,1º de rotação do eixo virabrequim é associado um valor de pressão de combustão, possibilitando a construção da curva de pressão para cada cilindro. 17 O ensaio para medição da pressão de combustão bem como os demais parâmetros foram aquisitados e realizados com o auxílio de um dinamômetro elétrico específico para banco de ensaio automobilístico . 3.2 MODELO MATEMÁTICO PARA CÁLCULO DA PMI A equação utilizada no cálculo da Pressão Média Indicada, apresentada na Equação (3.1), é baseada em dados que relacionam a Pressão Média de Atrito, Equação (3.2), ou seja, a pressão gasta pelo motor para vencer o atrito entre as partes móveis, aspirar combustível, expulsar os gases de escapamento, acionar bombas de óleo e combustível, e similares, e a Pressão Média Efetiva, Equação (2.7), que necessita do parâmetro de torque do motor no ponto de análise (OLIVEIRA, 2004). PMI = PME + PMF (3.1) Onde: PMI= Pressão média indicada (bar) PME= Pressão média efetiva (bar) PMF= Pressão média de atrito (bar) De acordo com (OLIVEIRA, 2004) a pressão média de atrito (PMF), é a relação entre os dados físicos do motor, como: diâmetro, curso e velocidade do pistão, levando em consideração a rotação que o mesmo se encontra no momento da medição. PMF = A + B ∗ vp (3.2) Onde: A= 0,05 para (L>D), 0,040 para (L<D) B= 0,0155 para (L>D), 0,0135 para (L<D) L= Curso do pistão (m) D= Diâmetro do cilindro (m) 18 Vp = Velocidade do pistão (m/s) A velocidade do pistão é calculada através da Equação (3.3) vp = 2 ∗n ∗L 60 (3.3) Onde: vp= Velocidade do pistão (m/s) n = Rotação do motor (rpm) L = Curso do pistão (m) Ordenando as equação e fazendo as devidas substituições, na Equação (3.4) é possível avaliar a equação que origina o cálculo da pressão média indicada, sendo que a mesma leva em consideração a pressão media efetiva e a pressão de atrito na câmara de combustão do motor. PMI = T ∗ 4π 2nL + A +B∗ Vd 60 (3.4) Com a Equação (3.4), é possível calcular o valor da pressão média indicada de um motor apenas com o torque extraídos do dinamômetro. Os outros dados necessários são determinados através de relações físicas e matemáticas. No Capítulo 5 deste trabalho são apresentados os dados levantados e as curvas de pressões calculadas e medidas experimentalmente conforme detalhado na seção 3.1. 19 4 DESENVOLVIMENTO A apresentação do desenvolvimento deste trabalho esta dividida em duas partes: o desenvolvimento do método prático para obtenção da PMI e o método teórico de obtenção. 4.1 OBTENÇÃO DA PMI EXPERIMENTAL Os dados obtidos para este trabalho foram registrados no laboratório de ensaios da Renault do Brasil com a utilização de um dinamômetro AVL e sistema de aquisição de pressão do mesmo fabricante com participação do fornecedor Kistler para amplificação do sinal de carga dos transdutores de pressão. Para simular as condições de funcionamento do motor o mesmo foi instalado na bancada dinamométrica a qual possui instrumentação capaz de realizar medições de seus parâmetros de funcionamento. As medições das pressões foram obtidas através do funcionamento do motor com a instalação de um transdutor de pressão no interior da câmera de combustão e posterior tratamento dos dados. O dinamômetro, do fornecedor e fabricante AVL, da Renault do Brasil modelo AFA 160 assíncrono representado na Figura 04, tem capacidade para motores de até 160KW e 500Nm de torque. O sistema de controle da bancada utiliza driver de controle AVL ENCON 300 e software supervisório Puma versão 5.22 para monitoramento e aquisição de parâmetros do motor durante os ensaios. A estrutura de controle conta também com sensores e módulos de tratamento de sinais como, por exemplo, canais para transdutores de pressão, termopares e entradas analógicas. As medições durante a realização dos ciclos de ensaio são realizadas pelo software supervisório da bancada conforme relacionados a seguir: Variáveis coletadas do sistema do banco: a) Rotação do motor (rpm); b) Torque do motor (Nm); c) Temperatura e umidade do ar de admissão (°C/HR); d) Temperatura de saída da água do motor (°C); e) Temperatura de entrada da água do motor (°C); 20 f) Temperatura do óleo na galeria (°C); g) Temperatura do óleo no carter (°C); h) Temperatura do escapamento (°C); i) Temperatura do combustível (°C); j) Pressão de entrada da água do motor (mbar); k) Pressão de saída da água do motor (mbar); l) Pressão do óleo (bar); m) Pressão do carter (mbar); n) Pressão de combustível (bar); o) Pressão de escapamento (mbar); p) Pressão do coletor de admissão (mbar); q) Riqueza dos gases de escapamento (λ); r) Consumo de combustível (g/kWh) e s) Vazão de água do motor (m3/h). Variáveis coletadas do modulo de injeção: a) Avanço de ignição (°); b) Avanço de ignição corrigido (°). FIGURA 04: BANCADA COM DINAMÔMETRO E MOTOR F O N T E : AU T O R E S 21 O motor está montado sobre um carro móvel que se conecta a transmissão e se fixa na bancada mediante os elementos de fixação. O carro do motor consta de uma série de conexões para os circuitos de fluidos do motor. Estas conexões se unem com a placa de conexões situadas no suporte do dinamômetro, cujos circuitos de fluidos circulam por dentro deste suporte. Na Figura 05 é possível visualizar o carro que foi utilizado para a montagem do motor. FIGURA 05: CARRO DO MOTOR E SUAS CONEXÕES PARA FLUÍDO F O N T E : AU T O R E S A bancada possui trilhos pelos quais entra o carro com o motor a ensaiar. O sistema de acoplamento deste carro é pneumático. Possui uma trava de segurança que prende a placa móvel (palete) com a placa fixa de conexões rápidas da bancada. 4.1.1 Medição da Pressão de Combustão O sistema de medição da pressão de combustão Engine Indicating é basicamente composto pelos elementos a seguir. Transdutor piezoelétrico que utiliza o princípio de carga eletrostática de saída de determinados cristais sobre carga mecânica, convertendo o sinal de pressão em um sinal de carga por unidade mecânica (pC/bar). Esse princípio 22 representa um elemento de medição ativo com a carga de saída proporcional a carga aplicada. Este sinal por sua vez é enviado a um amplificador de carga que amplifica o sinal analógico em um sinal de saída em tensão entre 0 a 10 volts. Além da função de amplificação e conversão, o amplificador de carga também pode ser identificado como um elemento de tratamento de sinal, ou seja, condicionamento do sinal. Utiliza funções internas do circuito eletrônico como filtro, ajuste de zero (Offset) e correção do desvio do sinal em função da temperatura (Drift). Os cabos de medição são utilizados para a transmissão dos sinais de carga e tensão. Devido ao pequeno sinal de saída de carga dos transdutores, a conexão entre o transdutor e o amplificador de carga possui uma importância crítica. Um isolamento com valores muito altos (10E13 Ω) e baixo ruído são requisitos importantes para os cabos e para o amplificador de carga. A etapa seguinte consiste no envio do sinal de saída do amplificador até o equipamento de análise, composto de placa de tratamento de sinal, computador e software dedicado (Indicom fornecedor AVL). O processamento da pressão medida no interior da câmara de combustão pode ser entendido observando a Figura 06 que descreve passo a passo às transformações realizadas durante a leitura do sinal. FIGURA 06: LEITURA E TRANSFORMAÇÃO DO SINAL DE PRESSÃO FONTE: PISCHINGER 23 A placa de aquisição recebe o sinal analógico e transforma para digital, armazenando dados e disponibilizando-os para o computador. O software possui o ambiente de trabalho e as rotinas de cálculo fornecidas pelo fabricante e configuradas pelo usuário. Além do sinal de pressão o sistema recebe informações do deslocamento do pistão, através de um encoder que traduz o deslocamento do pistão em ângulos do virabrequim, assumindo uma resolução de até 0,1º. Na Figura 07 é possível visualizar a instalação do sistema de medição da pressão de combustão. As curvas foram obtidas a partir de um motor 1.6 8V, com estabilização do consumo de óleo, ou seja, motor que realizou ciclo de funcionamento inicial para estabilidade de funcionamento. O ensaio realiza uma seqüência de pontos de funcionamento do motor, considerando condição de plena carga (100% de aceleração) e os pontos de rotação do motor para cada aquisição inicia em 1000rpm até 5500rpm com intervalo de 250rpm, somando um total de 19pontos. Cada etapa do ensaio foi realizada em manual, ou seja, o operador altera a rotação do motor em uma condição estabilizada seguindo os pontos de rotação definidos e realiza as medições no dinamômetro e no sistema de medição de pressão. Cada ponto de rotação deve respeitar um período de estabilização de aproximadamente 1 minuto. 24 FIGURA 07: TRANSDUTOR INCORPORADO A VELA DE IGNIÇÃO FONTE: SILVA (2006) O fluxo de atividades para realização do ensaio pode ser visualizado na Figura 08. Nele estão expressas as atividades macro do desenvolvimento do experimento. O processo de instalação é similar a montagem do motor em um veículo, posteriormente o motor é aquecido a temperatura de 90ºC evitando qualquer tipo de dispersão entre as curvas relacionada à temperatura de funcionamento do motor, os parâmetros de configuração de medição, ou seja, por exemplo a quantidade de medições para cada condição de funcionamento do motor ou o valor de calibração do transdutor são checadas antes do inicio das medições. Além da verificação dos parâmetros de configuração do sistema é importante assegurar a perfeita determinação do ponto morto superior, ou seja, ângulo do eixo do motor em que o pistão esta em sua posição de maior compressão. Certo da perfeita configuração é iniciado a curva conforme já descrito neste Capítulo. Com os 25 resultados das curvas é possível calcular o valor da PMI através do torque e do transdutor de pressão passando a tarefa de análise dos resultados. FIGURA 08: FLUXO PARA A REALIZAÇÃO DO ENSAIO F O N T E : AU T O R E S Os dados obtidos através do software Indicom AVL e aquisições do sistema do banco de ensaios serão exportados em formato compatível com o MSExcel para construção de curvas e análise dos resultados. O motor opera com vela de ignição NGK BKR 6EK bieletrodo rosca M14 comprimento de 17,5mm, substituída por uma vela instrumentada AVL modelo ZF43 e transdutor de pressão integrado GU13Z-24. Na Figura 09 é possível verificar a disposição do mono eletrodo da vela instrumenta e o orifício de alojamento do transdutor de pressão, instalados na câmara de combustão, em comparação à vela aplicada ao motor NGK bieletrodo. FIGURA 09: DETALHAMENTO DA VELA COMERCIAL E A INSTRUMENTADA Montagem da vela com ercial Montagem vela instrumentada Eletrodo Orifício do transdutor F O N T E : AU T O R E S 26 A conexão da vela instrumentada com o sistema de ignição é mantida com a mesma configuração da vela original NGK conforme constatado na Figura 09, porém, o cabo de transmissão de carga deve permanecer afastado do cabo de ignição evitando perturbações do sinal por efeito das altas tensões que circulam nos cabos de ignição, verificando a melhor forma montagem entre ambos. FIGURA 010: VELA COMERCIAL E INSTRUMENTADA NO CABEÇOTE VELA COMERCIAL VELA INSTRUMENTADA F O N T E : AU T O R E S 4.1.2 Condições de Ensaio A calibração deve considerar que o sistema de medição de pressão opera com a dependência do sinal de carga para um determinado amplificador de carga, descrevem assim um conjunto (transdutor / amplificador) que segue para o processo de calibração por comparação de um transdutor padrão e um sistema de bomba de pressão de peso morto para aplicar os pontos de calibração. O sinal de saída do amplificador de carga foi medido com a utilização de multímetro calibrado e rastreado RBC (Rede Brasileira de Calibração). Deve ser verificada a condição de limpeza dos cabos e conexões elétricas bem como o estado de conservação do transdutor, qualquer dano ao cabo ou conexão pode comprometer o sistema de isolamento que é muito sensível a fugas 27 de corrente. A limpeza do transdutor deve ser considerada em caso de deposição de partículas carbonizadas que podem comprometer a sensibilidade do transdutor. Os transdutores foram calibrados no laboratório de metrologia ABSI, fornecedor de serviço de calibração, em São Paulo, credenciado com certificado RBC, Rede Brasileira de Calibração, conforme processo descrito no apêndice. 4.2 OBTENÇÃO DA PMI MODELO MATEMÁTICO Para a determinação da pressão média indicada foram utilizadas as Equação descritas e detalhados no item 3.2. O uso das equação na seqüência descrita possibilita o cálculo da PMI. Os dados referentes ao motor, para base dos cálculos estão apresentados na Tabela 05. TABELA 04: PARÂMETROS GEOMÉTRICOS DO MOTOR Descrição Volume [litro] Curso pistão [m] Diâmetro pistão [m] Valor 1,58 E-3 8,05 E-4 7,95 E-4 F O N T E : AU T O R E S Primeiramente foi calculado o valor da pressão média efetiva (2.7), em função do volume deslocado de ar dentro da câmara de combustão e do torque, sendo este, o valor coletado no dinamômetro de cada rotação aferida no ensaio. O cálculo da pressão média de atrito, definida na Equação (3.2), apresenta duas componentes constantes em relação ao curso e o diâmetro do pistão, além de possuir um dado variável em cada medição denominada velocidade do pistão, que depende diretamente da rotação do motor. Com a obtenção das duas pressões, a soma de ambas, apresenta o valor calculado da pressão média indicada, expressa na Equação (3.1) na seção 3.2, sendo este um dos parâmetros de análise deste trabalho. Com a utilização do procedimento descrito acima, é possível obter o valor calculado da pressão média indicada do motor. Observando que a obtenção baseiase em equações empíricas e no valor do torque que é extraído do dinamômetro. 28 5 RESULTADOS E VALIDAÇÃO Os motores de ignição por centelha apresentam grande variação na combustão entre os ciclos do motor, em uma mesma condição de operação, com base nesta afirmação de (HEYWOOD,1979) e analisando O motor selecionado foi preparado com uma vela instrumentada com transdutor de pressão para cada cilindro, possibilitando a comparação entre as pressões de combustão entre ambos os cilindros. A medição independente da pressão de combustão foi convertida em uma PMI para cada cilindro do motor. A independência entre os valores obtidos representando mais claramente o equilíbrio de funcionamento do motor. Buscando a condição mais crítica e sabendo que o motor a combustão interna possui diferenças consideráveis em seu funcionamento como, por exemplo, o processo de combustão incompleto, perdas de carga diferentes na abertura e fechamento das válvulas, troca de calor entre os gases e a parede dos cilindros e os gradientes de pressão e temperatura foi considerado o critério de seleção do cilindro para análise entre os dois métodos e entre as diferentes concentrações de combustível a maior pressão média indicada. Entre os diferentes pontos de funcionamento do motor a plena carga, ou seja, rotação de funcionamento com 100% de aceleração, foi possível evidenciar que entre as diferentes concentrações da mistura de combustível, o valor de pressão média indicada foi superior no cilindro três em comparação aos demais cilindros (1, 2 e 4). As diferenças de pressões encontradas estão relacionadas a variação das condições de funcionamento de cada cilindro, quanto ao enchimento da mistura ar combustível , refrigeração e estanqueidade do sistema, que influenciam diretamente no ciclo de combustão. No Gráfico 3 que apresenta a PMI, para mistura de combustível E100, em cada cilindro em um espaço amostral de 200 ciclos de um motor a combustão interna, sendo que um ciclo corresponde a duas voltas do eixo do motor, ou seja, os quatro tempos do processo de combustão, é possível identificar a diferença de pressão entre os cilindros, justificando a escolha do cilindro três. O Gráfico 01 29 representa o valor de PMI para cada cilindro em um espaço amostral de 200 ciclos para uma mistura combustível de E100. GRÁFICO 03: PMI MEDIDO NOS 4 CILINDROS DO MOTOR -- Cil. 4; -- Cil. 1; -- Cil. 2; -- Cil. 3. F O N T E : AU T O R E S Simplificando a análise do método de medição da PMI diretamente na câmara de combustão, foi analisada a forma da curva da pressão de combustão para as diferentes concentrações da mistura de combustível identificando sua forma característica e a relação entre o modelo de medição através do torque e o modelo que utiliza o diagrama p-v gerado pela medição da pressão. Para ambos os métodos, é possível identificar que as curvas seguem a mesma tendência entre as diferentes misturas, porém é possível identificar um acréscimo de pressão à medida que o valor da concentração de álcool aumenta indicando melhor rendimento do motor com a presença de álcool na mistura de combustível. Os Gráfico 04,05,06 e 07 mostram o comparativo entre a PMI calculada e a medida para cada tipo de combustível. Em uma primeira análise, o comportamento tanto das curvas calculadas quanto as medidas apresentam a mesma forma. 30 Analisando em detalhe e considerando a fórmula de obtenção da curva calculada que acrescenta a parcela de perdas por atrito a curva de PME, é possível perceber que o modelo utilizado aplica um valor gradativo de atrito diferentemente do valor real, afirmando que as considerações do modelo para velocidade do pistão não se comportam proporcionalmente ao seu aumento. Além do desvio da forma real da curva da PMI, o valor de PMF, somado para cada ponto da curva é sempre o mesmo, pois a rotação e o curso do pistão são os mesmos. Os valores de PMF para cada rotação são mostrados na Tabela 05. GRÁFICO 04: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E0) PMI E0 13 Pressão (bar) 12,5 12 11,5 Calculada 11 Medida 10,5 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S 4250 4750 5250 5750 31 GRÁFICO 05: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E24) PMI E24 13 Pressão (bar) 12,5 12 11,5 Calculada 11 Medido 10,5 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 4250 4750 5250 5750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S GRÁFICO 06: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E62) PMI E62 13 12,5 Pressão (bar) 12 11,5 Calculada 11 Medida 10,5 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S 4250 4750 5250 5750 32 GRÁFICO 07: PMI CALCULADA E MEDIDA UTILIZANDO COMBUSTÍVEL (E100) PMI E100 13 12,5 Pressão (bar) 12 11,5 Calculada 11 Medida 10,5 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 4250 4750 5250 5750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S TABELA 05: CÁLCULO DA PMF PARA MODELO MATEMÁTICO DA PMI Rotação [rpm] PMF [bar] 1000 1250 1500 1750 2000 2250 2500 2750 3000 3250 3500 3750 4000 4250 4500 4750 5000 5250 5500 F O N T E : AU T O R E S 0,915917 1,019896 1,123875 1,227854 1,331833 1,435813 1,539792 1,643771 1,747750 1,851729 1,955708 2,059688 2,163667 2,267646 2,371625 2,475604 2,579583 2,683563 2,787542 33 O balanço entre poder calorífico inferior e a relação ar/combustível, resulta em uma energia total para conversão com valores muito próximos entre as diferentes mistura de combustível, descartando a possibilidade de apresentarem uma diferença considerável no processo de conversão de energia (VLASSOV 2002). As representações das curvas de PMI para o método de medição direto e calculado podem ser vistas respectivamente nos Gráficos 08 e 09. (SILVA, 2006) relata a importância do ponto de ignição no controle da combustão. Sabendo da característica do álcool de possuir poder antidetonante superior a da gasolina, foi possível identificar que durante a realização dos ensaios um maior valor de avanço de ignição para misturas com maior concentração de álcool, evidenciada com parcela importante na diferença das curvas da PMI, conforme mostrado no Gráfico 08. As curvas para os combustíveis E0 e E24, que apresenta combustível isento de álcool e com concentração de 24%, não apresentam variação de avanço de ignição com valor máximo de até 21º de avanço em relação ao ponto motor superior. GRÁFICO 08: CURVA CARACTERÍSTICA PMI MEDIDA NO CILINDRO 3 PMI Medida 13 12,5 Pressão (bar) 12 E0 11,5 E20 11 E62 10,5 E100 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S 4250 4750 5250 5750 34 GRÁFICO 09: CURVA CARACTERÍSTICA PMI CALCULADA DO CILINDRO 3 PMI Calculada 13 12,5 Pressão (bar) 12 E0 11,5 E20 11 E62 E100 10,5 10 9,5 9 750 1250 1750 2250 2750 3250 3750 4250 4750 5250 5750 Rotação (rpm) F O N T E : AU T O R E S O método de medição da PMI utilizando o ciclo P-V para análise da pressão de combustão como citado na revisão bibliográfica e é exemplificado no Gráfico 10 para a mistura combustível E0. Já a concentração de E24, apresenta a mesma curva de avanço de ignição que o combustível E0. Para a mistura de E62 é importante destacar que o sistema de injeção eletrônico possui capacidade de identificar a mistura combustível proporcionalmente ao aumento da concentração de álcool executando a correção do avanço de ignição ideal para a mistura ar/combustível entre outras variáveis Figuras 08 e 09. Uma análise mais detalhada do fenômeno que ocorre dentro do motor pode ser realizada utilizando recursos disponíveis no software do fabricante do equipamento de medição da pressão de combustão. É possível representar graficamente a forma da curva de pressão para cada ciclo de combustão e correlacionar as curvas entre as diferentes concentrações de mistura combustível. Na Figura 11 é possível analisar as curvas de pressão para o combustível E0 na rotação de 2750rpm e 100% de aceleração com uma população amostral de 200 ciclos identificando forte tendência à variação dos mesmos. 35 FIGURA 11: PMI PONTO A PONTO OBTIDA NO CILINDRO 3 (E0) F O N T E : AU T O R E S Selecionando qualquer um dos 200 ciclos é possível também análisar o diagrama P-V representado no Gráfico 10 e identificar a região de pressão positiva e pressão negativa para calculo da PMI conforme descrito no Capítulo 2 e utilizado neste trabalho para construção da curva da PMI medida. GRÁFICO 10: GRÁFICO P-V DO CILINDRO 3 (E0) F O N T E : AU T O R E S Da mesma forma para executar a comparação, foi elaborada também as curvas de pressão para o combustível E100 na rotação de 2750rpm e 100% de aceleração com uma população amostral de 200 ciclos identificando a tendência 36 mais estável para o controle da combustão em uma mistura de 100% de álcool. É possível identificar na Figura 12 uma forma mais alongada que atinge valor superior à pressão máxima da mesma condição de ensaio com combustível E0. FIGURA 12: PMI PONTO A PONTO OBTIDA NO CILINDRO 3 (E100) F O N T E : AU T O R E S Selecionando uma das 200 curvas demonstradas para a mistura combustível E100 é possível plotar o diagrama P-V, conforme Gráfico 11, e identificar a região de pressão positiva e pressão negativa para calculo da PMI. GRÁFICO 11: GRÁFICO P-V DO CILINDRO 3 (E100) F O N T E : AU T O R E S As diferenças de posicionamento e valor do ponto de pressão máxima nos Gráficos 10 e 11 são identificadas principalmente pela variação do avanço de ignição é justificada por (VLASSOV, 2002) e (SILVA, 2006) que destacam a 37 importância do poder antidetonante, ou seja, a capacidade do combustível resistir ao aumento da pressão e temperatura no interior da câmara de combustão sem iniciar o processo de queima da mistura ar/combustível. Seguindo a linha de raciocínio proposta e considerando que o avanço de ignição no álcool é superior e comprovado por medições do sistema de injeção e neste caso equivalente ao dobro, as curvas dos Gráficos 12 e 13 representam tais condições onde o píco máximo de pressão em E100 é superior ao E0. Na curva do combustível E0 o avanço utilizado foi de aproximadamente 15º antes do PMS já na curva do combustível E100 o avanço ocorreu a 30º antes do PMS, coincidentemente as pressões em cada ponto de ignição representam respectivamente 8 e 16 bar. Os avanços aplicados para cada curva seguem metodologia do fabricante do motor e devem assegurar o funcionamento do motor sem a presença do fenômeno da detonação, fenômeno este prejudicial ao motor reduzindo o desempenho podendo chegar até a quebra do mesmo. No caso do motor em funcionamento com combustível E0 e avanço de ignição igual ou superior ao álcool em uma dada condição o motor apresentaria forte ruído e baixo desempenho. Para a condição exemplificada, a curva E100 apresenta pico de pressão superior à curva E0 evidenciando melhor aproveitamento do ciclo. Contudo, é importante ressaltar as características do álcool em absorver o calor das paredes internas do motor possibilitando maior enchimento, ou seja, maior capacidade de admitir ar para dentro da câmara de combustão. 38 GRÁFICO 12: PRESSÃO COMB. CILIND. 3 2750 RPM PLENA CARGA (E0) F O N T E : AU T O R E S GRÁFICO 13: PRESSÃO COMB. CILIND. 3 2750 RPM PLENA CARGA (E100) F O N T E : AU T O R E S 39 6 CONCLUSÃO Os resultados das medições apresentam a separação em duas análises fundamentais, a variação da pressão entre curvas de origem do mesmo método de obtenção da PMI e a comparação das curvas entre os métodos. A análise das curvas de pressão para cada concentração de mistura combustível e ainda separada por método de obtenção Figuras 08 e 09 do Cápitulo cinco demonstram a tendência de ambos os métodos em aumentar o valor da PMI a medida que aumenta a concentração de álcool. Contudo, as curvas de E0 e E24 não apresentam tal tendência, isto é justificado pela ausência de variação do avanço de ignição, que neste caso e fixo por definição do fabricante do motor. Para o comparativo das curvas entre os métodos a análise divide as curvas em três zonas distintas e identificadas através do Gráfico 14. Nas concentrações de álcool analisada no Gráfico 14, percebeu-se que a PMI medida é superior até próximo aos 2600 rpm e após esta rotação a PMI calculada a partir do torque passa a ser superior em todas as misturas, em média de 4%, mas podendo passar dos 9% em E24, E62, E100, estas constatações podem ser identificada nos gráficos do Capítulo 5. No início das aquisições teórico e prático, zona um do Gráfico 14, a PMI calculada é inferior a medida, isto é devido ao desenvolvimento da fórmula para correção das perdas por atrito que não apresenta de fato a realidade da evolução dos motores que atualmente possuem a tendência de reduzirem os atritos internos do motor com o estudo dos materiais e lubrificantes. Próximo aos 2600 rpm até o fim da zona dois do gráfico 14, em todas as concentrações, ocorre à inversão entre a PMI calculada e medida, ou seja, nesta rotação as PMI´s se cruzam e por conseqüência, têm a mesma pressão. No entanto, a medida que ocorre o aumento da rotação, a dispersão entre a teoria e prática também aumenta. Da mesma forma a zona dois sofre a influência da correção da PMF para a curva de PMI calculada pelo torque, indicando perdas maiores por atrito resultando em valores de PMI superiores em comparação ao método de medição direta. Após o ponto de maior valor de PMI, início da zona 3, as curvas passam a ter um efeito de queda de seus valores, porém mantendo o aumento da diferença 40 entre ambas. Esta queda é justificada por perdas de rendimento do motor evidenciada pela análise da curva de potência do motor Gráfico 1. Esta redução pode ser também entendida pela dificuldade do motor em admitir o volume de ar necessário para seu funcionamento a partir de uma determinada rotação neste caso início da zona 3. GRÁFICO 14: ZONAS DE ANÁLISE DA PMI F O N T E : AU T O R E S O fato dos cálculos apresentarem aproximadamente 4% de diferença entre os métodos reflete a dificuldade da fórmula para calculo da PMF representar as perdas por atrito interno do motor. Um parâmetro marcante na medição é o avanço de ignição que praticamente dobra quando colocamos frente a frente uma curva de E0 e E100. A Tabela 6 mostra alguns pontos extraídos dos gráficos das curvas características de PMI demonstradas no Capítulo cinco com as variações da concentração de álcool na gasolina. As dispersões apresentadas são calculadas entre os resultados das colunas de valores calculados e medidos. 41 TABELA 06: DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES DA PMI (E0 / E24 / E62 / E100) PMI (bar) / E0 PMI (bar) / E24 Rotação (rpm) Calculado Medido Dispersão (%) Calculado Medido Dispersão (%) 1000 9,6 10,1 5,21 9,6 10,1 5,21 1250 9,8 10,2 4,08 9,7 10,6 9,28 1750 10,5 10,6 0,95 10,5 10,65 1,43 2250 10,8 10,8 0,00 11 11,25 2,27 2750 11,5 11,2 2,61 11,5 11,4 0,87 3250 11,6 11,4 1,72 11,75 11,45 2,55 3750 11,9 11,5 3,36 11,9 11,6 2,52 4250 12,2 11,6 4,92 12,3 11,6 5,69 4500 12,26 11,7 4,57 12,4 11,7 5,65 4750 12,2 11,5 5,74 12,3 11,58 5,85 5250 11,75 10,7 8,94 11,7 10,7 8,55 PMI (bar) / E62 Rotação (rpm) Calculado Medido Dispersão (%) 1000 9,75 10,2 4,62 1250 10 10,21 2,10 1750 10,6 10,7 0,94 2250 11 11,1 0,91 2750 11,8 11,6 1,69 3250 12,1 11,65 3,72 3750 12,17 11,8 3,04 4250 12,6 12,15 3,57 4500 12,75 12,25 3,92 4750 12,4 12 3,23 5250 12 11 8,33 PMI (bar) / E100 Calculado Medido Dispersão (%) 9,7 10,37 6,91 10,1 10,5 3,96 10,7 11 2,80 11,1 11,5 3,60 12,2 11,95 2,05 12,2 12,1 0,82 12,3 12,15 1,22 12,65 12,4 1,98 12,8 12,58 1,72 12,6 12,18 3,33 12,3 11,2 8,94 F O N T E : AU T O R E S Fica evidente que as curvas da PMI apresentam diferenças que atinge valores próximos a um bar de pressão, valor este que representa quase 10% do valor de PMI. Sendo assim, um valor muito importante e que pode alterar significativamente o projeto e o estudo dos componentes internos do motor. 6.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Este estudo pode servir como modelo para uma futura comparação entre diferentes misturas de biodiesel em óleo diesel comum em motores de ciclo diesel. Pode-se ainda utilizar os dados obtidos para viabilizar a correção dos cálculos da PMF para obtenção da PMI a partir do torque, com valores mais próximos dos valores da PMI medida diretamente na câmara de combustão. Utilização da medição da PMI para análise de rendimento da combustão de um motor a combustão interna com a variação do parâmetro conhecido como 42 avanço de ignição, parâmetro que determina quando o sistema de ignição deve gerar a faísca da vela, ou seja, inicio da combustão. 43 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Alexandre Amaral. Ensaio de motor ICE a Álcool com dupla ignição. 2005 114f. Dissertação (Mestrado em engenharia mecânica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005. dos Fabricantes de Veículos ANFAVEA - Associação Nacional AutomotoresComissão de Energia e Meio Ambiente www.anfavea.com.br Abril 2007. CARRO ONLINE. Informações técnicas. Disponível: http://carroonline.terra.com.br [capturado em 20 Mar. 2007]. FERGUSON, Carolin R. Internal Combustion Engines. John Wiley &Sons,1973. FERGUSON, Carolin R. Kirkpatrick Allan T. Internal Combustion Engines – applied thermosciences. 2. ed. EUA, 2000 HEYWOOD, J.B. Internal Combustion Engine. São Paulo, McGraw-Hill, 1988. MELO, TADEU CAVALCANTE CORDEIRO DE. Modelagem Termodinâmica de um motor do ciclo Otto tipo Flex-Fuel funcionando com Gasolina, Álcool e Gás Natural.Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (Dissertação de Mestrado) (2007). NAGASHIMA, K. and Tsuchiya, K. New Indicated Mean Effective Pressure Measuring Method and Its Applications. SAE, 2002. NOBUYUKI, Kawahara et al. Cycle-resolved measurements of the fuel concentration near a spark plug in a rotary engine using an in situ laser absorption method. Proceedings of the Combustion Institute 31 (2007) 3033–3040, Science Direct. OLIVEIRA, A.M. Amir. Transferência de calor e escoamento de motores. Turma IV, Programa Brasileiro de Formação em Motores e Combustíveis. Setembro de 2004. PIFFAUT Felix. Módulo combustão e controle de emissões de poluentes. Turma IV, Programa Brasileiro de Formação em Motores e Combustíveis, Dez. de 2004. PISCHINGER, Rudolf. Head of the Institute for Combustion engines and Thermodynamics. University of Technology Graz – Handbook. Graz, Janeiro 2002. SCHIMIDT, Carlos Eduardo. Modelamento de motores de combusto interna a gás natural. 2007 25f. Trabalho de conclusão de curso – Curso de Engenharia Mecânica, Universidade do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2007. 44 SILVA, Nerivaldo Rodrigues. Metodologia para determinação da potência indicada em motores de combustão interna. 2006 176f. Dissertação (Mestrado em engenharia mecânica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006. STONE, Richard. Introduction to Internal Combustion Engines. Warrendale, PA. SAE, 1999. VLASSOV Dimitri. Módulo – Fundamentos da combustão. Turma IV, Programa Brasileiro de Formação em Motores e Combustíveis, 2002. NOTICIAS AUTOMOTIVAS. Reportagem [on line] - Recorde de vendas de carros FLEX no Brasil. Disponível: http://www.noticiasautomotivas.com.br [capturado em 25 Fev. 2007]. 45 APÊNDICE PROCEDIMENTO DE CALIBRAÇÃO DO SISTEMA O procedimento de calibração das velas instrumentadas utilizadas no desenvolvimento deste trabalho pode ser aplicado às velas dos fornecedores AVL e Kistler. O procedimento orienta a atividade de calibração das velas instrumentadas utilizadas em motores a gasolina ou álcool com pressão de trabalho máxima de 100bar. A atividade de calibração é realizada por um fornecedor externo com escolha dependente da qualidade do serviço e erro do padrão utilizado na calibração. As etapas de calibração seguem abaixo: 1ª etapa – Conectar o cabo de força e manter o amplificador alimentado por aproximadamente 30 minutos antes do início da calibração. É necessário configurar o amplificador sem filtro e constante de tempo “TC” igual a LONG, Tabela 04. T ABEL A 4 - AMPLIFIC ADO R K ISTLER MO DELO 5011 Valor do filtro passa - baixa Sem filtro Constante de t em po LONG. F O N T E : AU T O R E S 2ª etapa – Ajustar o zero do amplificador com auxilio de um multímetro na saída analógica. Exemplo faixa de 200mV e Ri > 1MΩ. 3ª etapa – Definir a faixa de calibração, neste caso de 0 a 100bar, ajustar o valor de sensibilidade para cada conjunto vela e amplificador, fixando o valor de pressão sobre a vela instrumentada em aproximadamente 2/3 do fundo de escala, exemplo 60bar. Com a ajuda do painel frontal do amplificador, Figura 10, de carga e a leitura do sinal de saída, ajustar o valor de sensibilidade do transdutor (pC/bar) até que o valor da saída seja de 6 volts. Exemplo: 16 pC/bar igual a T1.6E+1. 46 ILUSTRAÇÃO 01: AMPLIFICADOR KISTLER MODELO 5011 F O N T E : AU T O R E S 4ª etapa – Realizar os 10 pontos da curva de pressão iniciando em 10bar até 100bar com intervalo de 10 bar. Na Ilustração 01 (vista explodida da vela instrumentada) é possível identificar as conexões entre o transdutor de pressão, cabo de sinal de carga e conector que necessitam de maiores cuidados quanto à limpeza, isolamento e manipulação, que podem comprometer o processo de calibração e ou a utilização da vela durante os ensaios. Para avaliar e quantificar o isolamento é utilizado o equipamento modelo 5493 (Insulation Tester) do fornecedor Kistler. 47 COMPONENTES DE UMA VELA INSTRUMENTADA Eletrodo Conector eletrodo Transdutor de Pressão Suporte transdutor e eletrodo de massa F O N T E : AU T O R E S Fixação do conector Terminal Transdutor e cabo Conector BNC p/ amplificador 48 ANEXO 49 50 51 52 53 54