C A P Í T ULO 6 6 Colocação do Implante Simultâneo à Regeneração Óssea Guiada: Seleção dos Biomateriais e Princípios Cirúrgicos Daniel Buser Atualmente, mais e mais implantes são colocados com a regeneração óssea guiada (ROG) simultânea, usando membranas combinadas com enxertos, substitutos ósseos ou ambos. O uso da ROG tem ajudado clínicos no fornecimento de resultados bemsucedidos aos pacientes apesar da presença de defeitos ósseos localizados nos sítios dos implantes. O objetivo primário da ROG é a obtenção de uma regeneração óssea bem-sucedida e com alta previsibilidade na área do defeito e baixo risco de complicações. Os objetivos secundários são obter resultados bem-sucedidos com o menor número possível de intervenções cirúrgicas, a baixa morbidade nos pacientes e períodos reduzidos de reparo. Este capítulo apresenta os critérios de decisão para o uso da ROG simultânea, o princípio biológico para a seleção de biomateriais apropriados, e os procedimentos cirúrgicos passo a passo para a colocação do implante com ROG simultânea. A ênfase principal será na deiscência cristal e nos defeitos por fenestração apical, enquanto a colocação do implante em sítios pós-extração é discutida em detalhes no capítulo 7. Critérios de Decisão para a ROG Simultânea Defeitos ósseos localizados em pacientes com implantes são situações clínicas comuns, e o clínico tem a escolha de usar a ROG tanto numa abordagem segmentada como simultânea. Considerando-se os objetivos de tratamento já mencionados, a colocação do implante simultâneo à ROG é preferida sempre que possível, a fim de limitar o número de intervenções cirúrgicas (uma cirurgia) com procedimento de campo aberto. O clínico tem que usar sua experiência clínica na tomada desta importante decisão, que em geral é baseada numa reação emocional visceral. Entretanto, o clínico pode usar os seguintes critérios para ajudar na tomada de decisão: •o implante deve ser colocado numa posição tridimensional, do ponto de vista estético e funcional; •deve ser possível atingir a estabilidade primária nesta posição específica; •o defeito ósseo peri-implantar deve ter uma morfologia favorável para permitir uma regeneração óssea previsível na área do defeito. 123 20 Anos de Regeneração Óssea Guiada na Implantodontia 124 A colocação do implante na posição tridimensional correta é muito importante para um resultado funcional e estético otimizado. Este princípio foi introduzido na Implantologia em meados dos anos 90, sendo conhecido como colocação do implante guiada pela restauração.1,2 O posicionamento tridimensional correto do implante – em especial nos sítios estéticos – é entendido muito melhor atualmente. Uma boa estabilidade primária é um pré-requisito importante para a osteointegração, como descrito nos anos 60 e 70.3-5 É importante ter o implante imóvel durante o período de cicatrização inicial para permitir a deposição de novo osso na superfície do implante pelos osteoblastos.6 Finalmente, a morfologia do defeito ósseo peri-implantar é um determinante importante na possibilidade dos procedimentos simultâneos. Schenk et al.7 verificaram que a neoformação óssea depende principalmente da área superficial do osso exposto e de sua cavidade medular porque células angiogênicas e osteogênicas são responsáveis principalmente pela nova formação óssea na área do defeito, e estas células residem na cavidade medular. O potencial de cicatrização para a neoformação óssea no local do implante com um defeito ósseo peri-implantar depende de fatores locais e sistêmicos. Os fatores sistêmicos relevantes são a idade e condição sistêmica do paciente. Como regra, pacientes jovens e saudáveis possuem melhor cicatrização num sítio com defeito do que pacientes com mais de 70 anos de idade, que podem estar comprometidos por problemas de saúde como o diabetes e a osteoporose, as doenças típicas desta categoria ou por medicamentos anticoagulantes ou bifosfonatos. Estes fatores não podem ser alterados pelo clínico, mas devem ser considerados no exame pré-operatório e influenciarão na decisão sobre qual abordagem cirúrgica é mais apropriada numa determinada situação clínica. O fator local mais importante é a proporção entre a área superficial do osso exposto e volume do defeito a ser regenerado. Um método bem estabelecido, usado para diferenciar diversas situações clínicas é a contagem das paredes ósseas que podem contribuir para a neoformação óssea. Este método origina-se da regeneração periodontal.8 A regra é fácil: quanto mais paredes ósseas disponíveis num defeito, melhor o potencial de cicatrização num determinado local. O defeito de uma parede representa uma situação clínica mais exigente do que um defeito de duas ou três paredes (Fig 6-1). Uma comparação direta entre o defeito de uma e duas paredes ilustra a diferença no potencial de cicatrização para a ROG simultânea (Fig 6-2). Um defeito de duas paredes possui morfologia favorável (veja a Fig 6-2a). Estes defeitos são encontrados com frequência em sítios pós-extração e geralmente possuem pequena extensão mesiodistal na superfície óssea vestibular. As duas paredes ósseas formam um defeito tipo cratera no aspecto vestibular do implante. Ainda, a superfície exposta do implante posicionado de forma correta está localizada internamente à crista alveolar (veja a Fig 6-2b). Estes pequenos defeitos possuem excelente potencial para a regeneração óssea em semanas porque células angiogênicas e osteogênicas residindo na cavidade medular das paredes ósseas adjacentes percorrem pequenas distâncias para unir o defeito. Em contrapartida, os defeitos de uma parede possuem uma morfologia mais exigente (veja a Fig 6-2c). Estes sítios são vistos com frequência em rebordos com 6 meses de cicatrização após a extração ou perda dentária atraumática. Estes rebordos geralmente possuem largura reduzida na crista, que resulta na superfície exposta do implante externamente à crista alveolar, com um defeito plano e amplo. Em tais defeitos, as células Colocação do Implante Simultâneo à Regeneração Óssea Guiada Fig 6-1a Colocação imediata do implante num sítio pós-extração, na posição tridimensional correta. O defeito resultante (3 paredes) é favorável para uma regeneração bem-sucedida. Fig 6-1b Colocação imediata do implante num sítio pós-extração resultando num defeito tipo cratera, favorável para uma regeneração bem-sucedida. Fig 6-1c Colocação do implante num rebordo cicatrizado de aproximadamente 5 mm, que resultou numa situação limite entre o defeito de uma e duas paredes. Esta previsibilidade de sucesso é reduzida. Fig 6-1d A perda unitária possui crista com largura menor que 4 mm. A colocação do implante resultaria num defeito de uma parede com a superfície do implante externamente à crista alveolar. Uma abordagem em estágios é aconselhada. Fig 6-1e Um defeito ósseo vertical está presente após a colocação do implante na região mandibular posterior. Esta é uma situação clínica mais exigente para um resultado regenerador bem-sucedido. 6 125 20 Anos de Regeneração Óssea Guiada na Implantodontia 126 Fig 6-2a Oito semanas depois da exodontia e do preparo para a colocação do implante, o rebordo mostra largura de crista maior que 6 mm e um defeito residual em cratera na crista alveolar. Fig 6-2b Colocação virtual de um implante de 4 mm indicando que isto resultará numa cratera óssea de duas paredes. Este defeito é favorável e pode ser regenerado pela invaginação de células osteogênicas (setas) oriundas da cavidade medular das paredes ósseas adjacentes. Fig 6-2c Um defeito ósseo extensor resultou em aplainamento vestibular e largura de crista menor que 4 mm. Fig 6-2d Colocação virtual de um implante de 4 mm resultando num defeito de uma parede óssea. Este defeito é desfavorável para a colocação simultânea porque a invaginação de células osteogênicas deve percorrer longas distâncias (setas) no aspecto vestibular da superfície exposta do implante para um resultado regenerador bem-sucedido. angiogênicas e osteogênicas teriam distância maior a ser vencida para a união (veja a Fig 6-2d). Assim, o risco de um resultado regenerador insuficiente aumenta. Se a crista alveolar mede menos de 5 mm, um abordagem segmentada é fortemente recomendada; primeiro, o enxerto em bloco e a ROG são usados para o aumento horizontal do rebordo, e então o implante é colocado numa segunda intervenção cirúrgica (veja Cap. 8). Um segundo fator local é a estrutura da parede óssea na área do defeito. Se a área exposta for osso cortical, diversas perfurações na tábua óssea, com broca esférica, são fortemente recomendadas. Estudos experimentais têm mostrado que estas perfurações melhoram a cicatrização no defeito protegido pela membrana.9,10 Estas perfurações abrem a cavidade medular e estimulam o sangramento na área do defeito. Se a superfície óssea exposta está sangrando, como nos defeitos pós-extração, tais perfurações não são necessárias. Colocação do Implante Simultâneo à Regeneração Óssea Guiada 6 O potencial de cicatrização no defeito pode ser influenciado pelo clínico através de um terceiro fator: a seleção do material do preenchimento ósseo adequado para aumento na região do defeito peri-implantar. Originalmente, foi reconhecido que as propriedades osteogênicas e osteocondutivas dos materiais para preenchimento ósseo também poderiam estimular a neoformação óssea num defeito protegido pela membrana.13 Estes aspectos são discutidos na seção seguinte. Seleção dos Biomateriais Apropriados A seleção dos biomateriais apropriados desempenha um papel importante no resultado do tratamento com ROG (veja a Fig 1-3). Biomateriais usados para ROG incluem o próprio implante, a membrana e o material para preenchimento ósseo. Na prática diária, recomenda-se fortemente que os cirurgiões utilizem apenas biomateriais que são (1) cientificamente bem documentados em estudos pré-clínicos e clínicos, e (2) caracterizados pelas propriedades que ajudam na obtenção dos objetivos primários e secundários previamente definidos. Tipo de implante e de superfície Atualmente, os implantes rosqueáveis com superfície microrrugosa contemporânea são nitidamente preferidos na prática diária. Os implantes rosqueáveis oferecem melhor estabilidade primária do que os não rosqueáveis. As superfícies de titânio com microrrugosidade contemporânea foram desenvolvidas nos últimos 20 anos e têm substituído em parte as superfícies convencionais dos anos 80 – os implantes maquinados (usinados) e com spray de plasma de titânio. Nos anos 90, superfícies jateadas com ou sem condicionamento ácido foram examinadas em estudos experimentais e iniciaram uma mudança de paradigma em direção às superfícies microrrugosas na Implantodontia.14-17 Estas superfícies incluíam, entre outras, SLA (Straumann), TiOblast (Astra Tech) e Osseotite (Biomet 3i). Com técnicas variadas de produção, as topografias destes implantes de titânio foram melhoradas para torná-los mais osteofílicos para osteoblastos durante a cicatrização inicial da ferida.6 Estas superfícies microrrugosas ajudaram na redução dos períodos convencionais de cicatrização, que ficavam entre 3-6 meses. Atualmente, os protocolos de carregamento imediato são bem documentados depois de 6 a 8 semanas de cicatrização em sítios convencionais sem procedimentos de aumento ósseo.18-21 Nos últimos 5 anos, métodos químicos têm sido usados em tentativas de melhorar a química do implante. Um exemplo típico é o SLA quimicamente modificado (SLActive, Straumann), que tem mostrado resultados promissores em diversos estudos experimentais.22-25 Com base nos resultados convincentes dos estudos pré-clínicos, os implantes rosqueáveis SLA modificados são usados de rotina pelo grupo do autor em pacientes submetidos aos procedimentos de ROG. 127 20 Anos de Regeneração Óssea Guiada na Implantodontia Fig 6-3a Membrana de colágeno sem ligação cruzada feita de pele suína (Bio-Gide). Quadro 6 - 1 Fig 6-3b Esta membrana de colágeno está disponível em dois tamanhos: 30 x 40 mm e 25 x 25 mm. Vantagens e desvantagens das membranas de colágeno sem ligação cruzada, derivadas de suínos Vantagens • Propriedades hidrofílicas permitem fácil manipulação durante a cirurgia. • Esta membrana não requer um segundo procedimento cirúrgico para a sua remoção. • No caso de deiscência do tecido mole, a membrana não é suscetível à infecção. Desvantagens • A duração da função de barreira é muito curta porque a membrana é reabsorvida em 4 a 8 semanas. • A membrana é mole e requer um material para preenchimento ósseo para evitar o colapso. Membranas 128 Atualmente, as membranas de colágeno reabsorvível dominam os procedimentos de ROG na prática diária. Uma das melhores membranas de colágeno documentadas é derivada de suínos e não possui ligações cruzadas (Bio-Gide, Geistlich).26-32 Esta membrana (Fig 6-3) é preferida pelo nosso grupo para a maioria das situações clínicas porque oferece diversas vantagens clínicas (Quadro 6-1). Primeiro, a membrana é hidrofílica e de fácil manipulação durante a cirurgia. Quando embebida em sangue, a membrana torna-se mole e facilmente adaptável à anatomia óssea local. A técnica de dupla camada ajuda na melhora de sua estabilidade.33 Assim, o uso rotineiro dos pinos ou tachinhas de fixação não é necessário para as membranas de colágeno sem ligação cruzada. Segundo, uma nova cirurgia com abertura do retalho não é necessária para remover a membrana porque ela é reabsorvida em poucas semanas. Terceiro, a membrana de colágeno oferece baixo risco de complicações se uma deiscência de tecido mole ocorrer durante a cicatrização. Estudos clínicos têm mostrado que as membranas de colágeno sem ligação cruzada e que ficam expostas não causam infecção local34 porque os tecidos moles geralmente cicatrizam por segunda intenção, sem complicações (Fig 6-4). Todos estes aspectos representam avanços significativos comparados com as características das membranas de politetrafluoretileno expandido (ePTFE) bionertes e não reabsorvíveis (ePTFE). Estas membranas bem documentadas são de difícil manuseio, sempre requerem uma segunda intervenção cirúrgica com abertura do retalho para sua remoção, e são propensas às complicações porque as deiscências de tecido mole são comuns. Diversos estudos clínicos têm demonstrado que a exposição precoce da membrana complica os resultados com a ROG.28,35-37 Como consequência, as membra- Colocação do Implante Simultâneo à Regeneração Óssea Guiada Fig 6-4a Uma membrana de colágeno é aplicada no sítio cirúrgico. Fig 6-4b O fechamento primário da ferida é obtido com suturas simples interrompidas. Fig 6-4c Condição clínica 2 semanas depois da cirurgia. A necrose parcial da margem da ferida próxima ao canino adjacente causou deiscência da ferida, resultando na exposição da membrana de colágeno. Fig 6-4d Dois meses depois, os tecidos moles cicatrizaram por segunda intenção, sem o desenvolvimento de uma complicação infecciosa no sítio da membrana. 6 nas de ePTFE raramente são usadas de rotina pelo grupo do autor. Indicações especiais para as membranas de ePTFE incluem situações clínicas complicadas, como os defeitos para o aumento vertical do rebordo, discutidos no capítulo 9. Materiais para preenchimento ósseo Os materiais para preenchimento ósseo são usados diariamente porque melhoram o resultado do tratamento e a sua previsibilidade. Estes materiais usados em conjunto com membranas devem ser capazes de: •sustentar a membrana evitando o seu colapso; •acelerar a neoformação óssea no defeito protegido pela membrana; •ajudar na manutenção do volume ósseo ao longo do tempo. A primeira característica é fácil de ser obtida, com qualquer tipo de material para preenchimento ósseo, contanto que este tenha boa biocompatibilidade. A segunda e 129 20 Anos de Regeneração Óssea Guiada na Implantodontia Fig 6-5a Um defeito peri-implantar vestibular está presente após a colocação do implante na área do canino superior esquerdo. 130 Fig 6-5b O defeito foi aumentado com lascas ósseas coletadas localmente para cobrir a superfície exposta do implante. a terceira são mais difíceis. Os clínicos podem escolher a partir de uma grande variedade de enxertos ósseos e substitutos ósseos (veja Cap. 4). Para acelerar a neoformação óssea, o material para preenchimento precisa ter propriedades osteogênicas, enquanto um material para preenchimento com baixa taxa de substituição é necessário para manter o volume ósseo criado ao longo do tempo. Diversos estudos experimentais têm mostrado claramente que nenhum dos enxertos autógenos ou substitutos ósseos disponíveis atualmente é capaz de preencher ambos os aspectos ao longo do tempo. Assim, uma combinação de ambos é recomendada e foi usada primeiro em 1998 pelo nosso grupo. Este conceito da combinação sinérgica de dois materiais para preenchimento foi baseada em observações do estudo experimental de Buser et al.13 Este estudo demonstrou que apenas as lascas de osso autógeno são capazes de acelerar a neoformação óssea em defeitos protegidos por membrana, quando comparados com os sítios-controle que possuem apenas coágulo sanguíneo. Os substitutos ósseos testados mostraram neoformação óssea durante a cicatrização inicial. O estudo também mostrou que o material à base de hidroxiapatita foi o único com baixa taxa de substituição. Estes achados têm sido confirmados em diversos estudos com animais nos últimos 10 anos.38-42 As lascas de osso autógeno são aplicadas rotineiramente na área do defeito. Elas são aplicadas diretamente na superfície exposta do implante para se beneficiarem das propriedades osteogênicas dos autoenxertos particulados. Estas propriedades são discutidas em detalhe no capítulo 4 e as técnicas de coleta, no capítulo 5. Quando usados em combinação com um implante de titânio e superfície microrrugosa, estes autoenxertos oferecem ao clínico períodos de cicatrização menores porque a osteointegração e a cicatrização óssea são ambas alcançadas mais rápido. Para a ROG simultânea, estas lascas ósseas são coletadas rotineiramente dentro do mesmo retalho para evitar um segundo sítio cirúrgico, o que reduz a morbidade para o paciente. Um material para preenchimento ósseo com baixa taxa de substituição é aplicado no topo dos autoenxertos para otimizar o contorno do rebordo alveolar. Como primeira escolha, os grânulos do mineral ósseo bovino liofilizado (DBBM) são usados porque têm funcionado bem ao grupo do autor nos últimos 15 anos de uso clínico (Bio-Oss, Geistlich). Como alternativa, um fosfato de cálcio bifásico é usado se o paciente solicitar o osso sintético (Straumann Bone Ceramic, Straumann). Acredita-se que o material ósseo com baixa substituição ajude na manutenção do volume criado no rebordo alveolar ao longo do tempo porque estes materiais não serão Colocação do Implante Simultâneo à Regeneração Óssea Guiada Fig 6-5c Uma segunda camada de partículas DBBM é aplicada para o aumento do contorno. Fig 6-5d O material para aumento é coberto por membrana de colágeno usando-se a técnica da dupla camada. Fig 6-5e A cirurgia é finalizada por meio do fechamento primário da ferida e sem tensão. Fig 6-5f Quatro anos depois, o paciente foi encaminhado novamente porque o incisivo central superior esquerdo foi removido em função de uma fratura. 6 Fig 6-5g Na cirurgia para a inserção do implante, uma biopsia superficial foi coletada da área do incisivo lateral esquerdo, onde o aumento do contorno havia sido realizado 4 anos antes. substancialmente reabsorvidos durante as atividades de remodelamento ósseo no organismo. Isto tem sido confirmado pela análise histológica de biopsias em humanos coletadas de alguns pacientes (Fig 6-5). Com base nestas características favoráveis, o aumento do contorno usando-se duas camadas de materiais preenchedores ósseos diferentes tornou-se um objetivo significativo em Implantodontia estética porque ajuda a otimizar os resultados estéticos das coroas implantossuportadas e próteses parciais fixas (Fig 6-6). 131 20 Anos de Regeneração Óssea Guiada na Implantodontia NB DBBM NB NB NB * NB DBBM NB Fig 6-5h Imagem histológica do espécime de biopsia humana. Diversas partículas do mineral ósseo bovino liofilizado (DBBM) são visíveis e mostram boa integração tecidual. O osso recém-formado (NB) cobre parte da superfície do substituto ósseo e une as partículas DBBM adjacentes. Um artefato (asterisco) está presente no centro do corte (corte não descalcificado; coloração azul de toluidina). DBBM NB NB BV DBBM NB * ** 132 Fig 6-5i Aumento maior da área delimitado pelo retângulo maior na figura 6-5h. Uma porção considerável do mineral ósseo bovino liofilizado (DBBM) está coberta pelo osso recém-formado (NB). Fig 6-5j Aumento maior da área marcada pelo retângulo menor na figura 6-5h. Nos sítios que não foram cobertos pelo osso, células gigantes multinucleadas, tipo osteoclastos (setas) são vistas com frequência revestindo o mineral ósseo bovino liofilizado (DBBM) mesmo depois de 4 anos de aumento. Isto sugere uma taxa de substituição muito lenta neste material para preenchimento ósseo. O tecido mole ocupando o espaço entre a matriz óssea e as partículas do material para preenchimento é rico em vasos sanguíneos (BV). Fig 6-6 No conceito de três camadas para o aumento do contorno, duas camadas de materiais para preenchimento com lascas autógenas (*) cobrem a superfície exposta do implante e recebem uma segunda camada de material para preenchimento com baixa taxa de substituição, como o DBBM (**). O material para aumento é coberto pela membrana de colágeno, usada como barreira temporária. Os biomateriais são protegidos por meio do fechamento primário da ferida, sem tensão.