158 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA * IMMEDIATE LOADING TO OSSEOINTEGRATED DENTAL IMPLANTS Rodrigo VIEIRA ** Marcos Maurício CAPELARI *** Clóvis MARZOLA **** João Lopes TOLEDO FILHO **** Cláudio Maldonado PASTORI **** Daniel Luiz Gaertner ZORZETTO **** Gustavo Lopes TOLEDO **** Marília GERHARDT DE OLIVEIRA ***** _____________________________________________ * Trabalho de monografia apresentado como parte dos requisitos da Disciplina de Metodologia do Ensino e Pesquisa, para a conclusão do Curso de Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas – Regional de Bauru em 2003. ** Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial, concluente do Curso e autor da monografia. *** Professor do Curso de Especialização e Residência e, orientador da Monografia. **** Professores dos Cursos de Residência e Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial, Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru e da APCD Regional de Bauru. ***** Professora Titular de Cirurgia da PUC-RS e Pesquisadora de Produtividade Científica do CNPq. 159 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA RESUMO Este é um estudo da literatura existente referente a carga imediata aplicada sobre implantes osteointegráveis. Reafirma os fundamentos básicos da osteointegração no protocolo tradicional, bem como estudos sobre o comportamento dos tecidos perimplantares quando realizado carga imediata. A decisão com relação a quando e como aplicar carga imediata a implantes dentários envolve uma série de fatores, como a quantidade e qualidade óssea, número e características dos implantes, entre outros. Contudo, é necessária a demonstração com maior clareza dos parâmetros de decisão. Esta revista bibliográfica investigou quais são as condições mais apropriadas para a aplicação imediata de cargas nos implantes. Foram discutidas as vantagens e desvantagens de adotar a técnica da carga imediata, bem como seus riscos e benefícios. O estudo examinou quais condições do paciente, características dos implantes e técnicas de fixação são mais indicadas. Também foram estudadas as vantagens, desvantagens, riscos e indicações do sistema Novum®. A aplicação imediata de carga aos implantes propicia melhor aceitação pelo paciente, evitando-se o edentulismo. A observação das indicações diminui riscos de insucesso e atenta para limitações consideráveis para aplicação de carga imediata. A estabilidade inicial é essencial para a realização da técnica, portanto, são preferidos implantes rosqueados com acabamento de superfície por jato de plasma de Titânio ou ataque ácido e áreas com boa quantidade e qualidade óssea devem ser escolhidas. O número de implantes previstos varia nos estudos revisados e está relacionado com a indicação e tipo de prótese que reabilitará o paciente. A associação de implantes sepultados com submetidos à carga imediata prevê maior segurança no sucesso do tratamento. O estudo conclui que a aplicação de carga imediata aos implantes é um procedimento viável e seguro para correção do edentulismo, gerando menor desconforto, distúrbios sociais e psicológicos do paciente. ABSTRACT The decision as to when and how to apply immediate loading to dental implants involves a series of well-established factors: bone quality and quantity, number and characteristics of implants, among others. However, the parameters for decision need to be better defined. This bibliographical review investigated which are the most appropriate conditions for the immediate loading of implants. The advantages and disadvantages of adopting the immediate loading technique were discussed, as well as its risks and benefits. The study examined which patient conditions, implant characteristics, and fixation techniques are more indicated. The advantages, disadvantages, risks, and indications of the Novum® system were also studied. Immediate loading the implants causes better patient acceptance, avoidance of edentulous. There seem to be no considerable risks end limitations for immediate implant loading. Primary stability is essential therefore, threaded plasm-sprayed implants are preferred end areas with good bone quantity and density. The number of implants prescribed in the works varies. The study concludes that immediate implant loading is a feasible and reliable procedure for the correction of edentulous, shorter treatment time, less discomfort for the patient. Unitermos: Implantes; Osteointegrados; Carga imediata. Uniterms: Implants; Osseointegrated fixtures; Immediate loading. 160 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA INTRODUÇÃO Existem milhões de edêntulos no mundo e, em algumas regiões, o edentulismo total nos indivíduos acima de 65 anos é de 50% da população, portanto todos os estudos realizados para resolução de tal problema são bem vindos. Bränemark e colaboradores descobriram a osseointegração e despertaram para sua interessante praticabilidade dentro da Odontologia moderna. A partir da definição do Protocolo de Bränemark® e da maior compreensão do processo de reparo aplicado à Implantodontia, padronizou-se manter os implantes submersos pelo período de cicatrização, que para maxila é de 5 a 6 meses e, na mandíbula é de 3 a 4 meses (BRÄNEMARK; ADELL; BREINE et al., 1969; BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977; BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983; ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981 e BUCHS; HAHN; VASSOS, 1995). Durante esse período, o paciente teria que usar uma prótese removível provisória, não conectada aos implantes para não existirem intercorrências durante o processo de osseintegração (LAZZARA; SIDDIQUI; BINON et al., 1996). Entretanto, o desconforto e a necessidade de frequentes ajustes poderiam levar o paciente a problemas psicológicos e de convivência social (WÖRHLE, 1998). Com o desenvolvimento do sistema ITI®, preconizando apenas um estágio cirúrgico para a colocação de implantes, demonstrou-se a não necessariedade do sepultamento dos implantes para que aconteça a osseointegração, mostrando-se muito bem sucedido, comparativamente ao protocolo de implantação em dois estágios cirúrgicos (BUSER; SCHOROEDER; SUTTER et al., 1988 e FREIRE, 1999). No decorrer da evolução da Implantodontia, os implantes, principalmente aqueles de Bränemark, foram submetidos a um estágio cirúrgico e carga imediata (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN, 1990; SALAMA; ROSE; MINSK et al., 1996; CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI et al., 1997; PIATTELI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998 e RANDOW; ERIKSSON, 1999). Para a obtenção do sucesso, ou seja, permitir que ocorra a osseointegração, microscopicamente é preciso garantir algumas condições, como ausência de infecção, íntimo contato osso-implante, além da imobilidade do implante durante a cicatrização. Assim sendo, para realizar-se carga imediata sobre implantes osteointegravéis, fatores como a qualidade e a quantidade óssea da área receptora devem ser observados (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997). Expoentes da Especialidade demonstram que sob condições favoráveis é possível da associação de implantes osteointegráveis e sua conexão rígida, o desenvolvimento com sucesso previsível, de uma prótese implanto suportada, colocada imediatamente após a instalação do conjunto (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; SALAMA; ROSE; SALAMA et al., 1995; HOBO; ICHIDA; GARCIA, 1997; RUNGCHARASSAENG; KAN, 2000; BRÄNEMARK, 2001 e SKALAK, 2001). Esta pesquisa teve por finalidade realizar um estudo da revista da literatura sobre a realização da carga imediata em implantes osteointegráveis, abordando fatores relacionados ao protocolo da técnica, como: 1. Aquele de estudar os fundamentos da osteointegração; 2. As condições do paciente para submeter-se ao 161 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA tratamento com implantes osteointegráveis associados à carga imediata; 3. Analisar os níveis de sucesso relatados pelos autores obtidos com a instalação de implantes de acordo com o protocolo cirúrgico de um estágio e carga imediata; 4. A determinação de critérios para realização da carga imediata sobre implantes dentários. 5. Discutir as vantagens e desvantagens de se utilizar a técnica da carga imediata nos pacientes edêntulos. 6. Determinar as características dos implantes e as técnicas para o favorecimento de melhores resultados. 7. Estabelecer o número e a localização dos implantes para desenvolvimento da técnica da carga imediata para maior rapidez e satisfação do paciente na sua reabilitação buco-maxilo-facial. 8. Apresentação de caso clínico-cirúrgico de uma reabilitação bucal com implantes osteointegráveis imediatos e em carga imediata na maxila e na mandíbula, realizados em dois tempos distintos. Inicialmente em mandíbula, já com as próteses definitivas instaladas com um follow-up de 2,5 anos e, posteriormente na maxila com implantes imediatos e em carga imediata com a simultânea instalação da prótese provisória. A importância do presente trabalho se pauta na escassez e controvérsias nas abordagens sobre o tema na literatura, justificando-se pela formalização de um protocolo confiável para a indicação da utilização da técnica da carga imediata em implantes osteointegráveis, desmistificando a sua utilização, além coibir o seu uso indiscriminado como panacéia. REVISTA DA LITERATURA No início dos anos 80, era rotineiro que os implantes dentários fossem colocados imediatamente em função, mas tal procedimento tinha prognóstico imprevisível (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997). Com a definição do Protocolo Branemark® e do maior entendimento do processo de osseointegração, tornou-se regra o sepultamento dos implantes durante a fase de cicatrização. A previsibilidade clínica e o sucesso do protocolo de dois estágios cirúrgicos, respeitando o processo de reparo, estão já perfeitamente comprovados cientificamente (BRÄNEMARK; ADELL; BREINE et al., 1969; BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977; ALBREKTSSON; BRANEMARK; HANSSON et al., 1981; SCHROEDER; VAN DER ZYPEN; STICH et al., 1981; ALBREKTSSON; BRANEMARK; HANSSON et al., 1983; BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983; BRÄNEMARK; ZARB; ALBREKTSSON, 1985 e ALBREKTSSON; ZARB; WORTHINGTON et al., 1986). Contudo, existe ainda uma necessidade de estudos para evidenciar a obrigatoriedade dos implantes ficarem sepultados no período de cicatrização óssea, para que aconteça a osseointegração (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997). Os implantes de um único estágio cirúrgico, demonstrando a desobrigatoriedade do sepultamento dos implantes para cicatrização foram apresentados e devidamente comprovados (BUSER; SCHOROEDER; SUTTER et al., 1988). O estudo da carga imediata vem para demonstrar que o protocolo de um estágio cirúrgico associado a aplicação da carga sobre os implantes, desmistifica a necessidade do seu enclausuramento e, ao contrário do pensado, acelera o processo de reparo, favorecendo o espessamento do osso alveolar. Mas, para que isto ocorra, é fundamental a observância de critérios e indicações (LAZAROF, 1992; 162 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997 e CHIAPASCO; ABATI; ROMEO et al., 2001). O advento do tratamento de pacientes com o uso de implantes osseointegráveis sob carga imediata, tende a descomplicar, simplificar e agilizar o tratamento, oferecendo aos pacientes vantagens, além de maior satisfação com o resultado, se comparado a reabilitação oral com implantes osseointegrados por dois estágios cirúrgicos. HISTÓRICO DOS IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS Os primeiros relatos do uso de implantes dentários encontram-se na civilização chinesa, egípcia e inca há aproximadamente 4.000 anos, sendo utilizados diversos materiais como o ouro, a porcelana e a platina (ANDREWS, 1893). Diversos materiais foram testados como o alumínio, a prata, o latão, o cobre, magnésio, o ouro, aço e o níquel. A corrosão dos materiais em decorrência da eletrólise produzida pelo organismo foi constatada (LAMBOTTE, 1909). Implantes feitos com a iridoplatina com forma semelhante à de uma gaiola, entretanto não promoveu um sucesso clínico (GREENFIELD, 1913). A forma de implantes parafusados compostos de cromo cobalto não suportava a aplicação de forças laterais de qualquer intensidade levando à quebra interespirais (CHERCHÈVE, 1966). Foram utilizados, também, os implantes em formato de lâmina feitos de cromo, níquel ou vanádio, porém não foi conseguido sucesso clínico, pela não biocompatibilidade (LINKOW, 1966). A resina acrílica, o metilmetacrilato, foi avaliada como material para confecção de implantes dentários em primatas, comprovando pouca biocompatibilidade (HODOSH; POVAR; SHKLAR, 1967). A osseointegração foi muito estudada e comprovada, sendo notado que os implantes rosqueados, com extremidade auto-atarraxante e confeccionados em titânio, apresentavam-se com melhores propriedades físicas e biológicas. Foi desenvolvido assim, o sistema Bränemark de implantes, composto por seis componentes, comprovadamente osteointegrados e funcionais por um longo período de tempo (BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977). A instalação de implantes de titânio com cobertura de hidroxiapatita na maxila foi estudada e registrada, após 8 anos, com índices de sucesso de 94% e 98% na maxila nas regiões anterior e posterior, respectivamente (BLOCH; KENT, 1994). OSSEOINTEGRAÇÃO A osseointegração pode ser definida como sendo um processo histológico ocorrendo uma conexão direta entre o osso vivo e a superfície de um implante submetido a uma carga funcional (BRÄNEMARK; ADELL; BREINE et al., 1969). Foi ainda observado na osseointegração que o titânio era o material mais indicado na confecção de implantes pelas suas propriedades físicas e biológicas. Foi desenvolvido o sistema Branemark de implantes, formado por componentes de titânio sendo o implante em forma de parafuso, de cobertura, transmucoso, cilindro e parafuso de ouro (BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977). 163 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Foi também confirmada histológica e clinicamente a osseointegração, sendo avaliadas as reações da interface implante e osso (ALBREKTSSON; ZARB; WORTHINGTON et al., 1986) (Fig. 1). Fig. 1 – Representação da osseointegração por polarização óptica. Fonte: SPIEKERMANN, H.; DONATH, K.; HASSEL, T. et al., Implantologia. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas Sul, 2000. Assim, critérios foram observados para o sucesso da manobra, como a minimização dos danos aos tecidos adjacentes por trauma térmico, cirúrgico e ainda contaminante (ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981; SCHROEDER; VAN DER ZYPEN; STICH et al., 1981 e BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1984). Estudos longitudinais vêm demonstrar minuciosamente o processo de osteointegração bem como os fatores que possam vir a interferir, sendo muito bem destacado que a osseointegração perdida é irrecuperável. O tecido conjuntivo tem a capacidade de organizar-se, mas tal condição não oferece segurança por tratar-se de um tecido com menor resistência que o tecido ósseo (BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983). A osseointegração é bem representada por um desenho esquemático (BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983) (Fig. 2). 164 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA (A) (B) (C) (D) Fig. 2 – A representação esquemática da osseointegração. (A) O tecido ósseo presente entre as roscas do implante deve estar em íntimo contato, para oferecer imobilização imediata após a instalação do mesmo e durante o período inicial de cicatrização. (a) No contato entre o implante e osso deve ocorrer imobilização. (b) Hematoma na cavidade fechada, limitada pelo implante e osso. (c) Osso lesado pelo trauma térmico e mecânico inevitável. (d) Osso não lesado. (e) Implante. (B) (f) Durante o período de cicatrização sem carga, o hematoma é transformado no novo osso por meio da formação de um calo ósseo. (g) O osso lesado também cicatriza, sofrendo revascularização, desmineralização e remineralização. (C) Após o período de cicatrização, o tecido ósseo vital está em íntimo contato com a superfície do implante, sem qualquer tecido intermediário. (h) O osso entre as roscas remodela-se em resposta a carga proveniente da mastigação. (D) Nos casos de insucesso, observa-se a presença de tecido conjuntivo não mineralizado (i) que constitui um tipo de pseudoartrose, formada na região das roscas do implante. Isto ocorre se fatores como: o trauma excessivo durante o preparo; infecção; carga prematura no período de cicatrização, antes da adequada mineralização e, organização do tecido duro ter ocorrido; ou sobrecarga a qualquer momento, até mesmo muitos anos após a integração já ter sido estabelecida Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Osseointegration and its experimental background. J. Prost. Dent., v. 50, n. 3, p. 399-409, sep., 1983. FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS PARA OSTEOINTEGRAÇÃO O protocolo cirúrgico em dois estágios para a colocação de implantes osteointegráveis foi determinado. No primeiro estágio, os implantes são inseridos no osso, destacando que o controle do calor, abaixo dos 43ºC com rotação até 2000 RPM, durante a instalação dos implantes, é importante para não comprometer a osseointegração. Devem permanecer enclausurados durante o reparo ósseo, por um período de 4 a 6 meses. No segundo estágio, os implantes são expostos e preparados para receber as cargas provenientes das próteses colocadas sobre eles. Os autores acreditavam que o período de enclausuramento, sem qualquer tipo de carga sobre os implantes, permitiria que os mesmos osteointegrassem de forma efetiva e sem intercorrências (BRÄNEMARK; ADELL; BREINE et al., 1969). No esforço de superar as dificuldades, para que os princípios biológicos sejam cada vez mais respeitados, novas perspectivas têm sido introduzidas, especialmente na área do design dos implantes, biomateriais e técnicas cirúrgicas menos traumáticas. São reduzidas assim as complicações aumentando a praticabilidade, visto o grau de sucesso alcançado pelos implantes dentais nos dias de hoje, viabilizando inclusive a técnica da carga imediata. 165 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA A transmissão, pelos implantes, de estímulos monossimpáticos, que com reflexos parassimpáticos, controlam e limitam os músculos da mastigação, foram observados, tendendo a compensar a perda do ligamento periodontal (HARALDSON; CARLSSON, 1979). Este fato é comprovado em estudos que observaram barorreceptores ao redor dos implantes, sugerindo que seriam os responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos (SEKINE, 1987). A falta de ajuste, o íntimo contato entre o osso e o implante, poderia propiciar a proliferação de tecido mole em locais de grandes espaços entre tais estruturas, prejudicando assim, o processo de cicatrização óssea (BRUNSKI; MOCCIA; POLLACK et al., 1979). Os implantes em forma de rosca também são recomendados, observando-se que implantes em forma de parafuso aumentam a área de contato osso-implante e, ainda melhoram a distribuição de forças ao tecido ósseo, levando a uma melhor fixação, além da maior saúde estomatognática (HARALDSON, 1980). O reparo ósseo inicia-se na primeira semana após a colocação dos implantes, terminando em torno de três a quatro semanas e, após este período já se observa o tecido ósseo circundante aos implantes (ALBREKTSSON; BRÄNEMARK; HANSSON et al., 1981), tecido ósseo imaturo. Foi relatado também que após a colocação dos implantes, ocorre um processo de remodelação e aposição óssea em torno dos mesmos, sendo observado tanto em osso esponjoso quanto em compacto (BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983). A fixação dos implantes em osso compacto ocorre de forma mais estável pela sua maior densidade e dureza (SCHROEDER; VAN DER ZYPEN; STICH et al., 1981). A interferência do trauma cirúrgico, principalmente o aquecimento ósseo, no processo de osteointegração foi também ressaltado. O processo de osseointegração que se inicia pelo contato do osso com a camada de óxido de titânio do implante foi descrito. A substância amorfa que preenche o trabeculado ósseo reage, fusionando-se com a camada de óxido de titânio, desencadeando a osseointegração (BRÄNEMARK, 1983). A necessidade da verticalidade das forças aplicadas aos implantes foi, além disso, enfatizada. A não observação desse detalhe desencadearia um processo de reabsorção óssea com formação de tecido conjuntivo perimplantar (ICHIDA; CAPUTO, 1986). A necessidade de estabilidade na fixação dos implantes, que ocorre normalmente no protocolo de dois estágios cirúrgicos pelo seu enclausuramento, é citada (BRÄNEMARK, 1983 e LANEY; TOLMAN; KELLER et al., 1986). O sucesso em longo prazo dos implantes instalados na mandíbula foi destacado, tendo sido verificado que após 10 anos, 99% dos implantes permaneceram estáveis. Foi também ressaltado que a colocação de implantes osseointegrados, a partir do uso de titânio, constitui-se uma terapia previsível (NEVINS; LANGER, 1993). A notável capacidade de regeneração e remodelação exibidas tanto pelo tecido ósseo compacto quanto pelo medular, com a carga dinâmica sendo o fator de sucesso predominante e, eventualmente levou à hipótese de que o procedimento clínico para ancoragem da terceira dentição à mandíbula edêntula poderia ser amplamente simplificado. Na observância de tais fatos, foi relatado que para ocorrer a osseointegração dos implantes, os procedimentos devem ser meticulosamente calculados e controlados, de forma a minimizar a injúria aos tecidos. Ressalva-se que uma vez perdida a osseointegração, esta não pode ser reconstituída (BRÄNEMARK, 2001) (Fig. 3). 166 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 3 – Remodelamento ósseo inicial e manutenção da osseointegração. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. SUPERFÍCIE DOS IMPLANTES Os implantes de carbono vítreo puro com um invólucro de aço inoxidável foram testados, tendo sido usados para substituição de um único dente por meio de encaixe do implante nos alvéolos ósseos em dois procedimentos cirúrgicos em macacos. Os implantes apresentaram 70% de sucesso em estudos experimentais (SCHINITMAN; SHULMAN, 1980). A cerâmica como material de implantes foi estudada, com o intuito de substituir o titânio, melhorando a biocompatibilidade. Apresentava problemas de fragmentação do implante quando aplicadas forças excessivas e com direcionamento oblíquo (KAWAHARA; HIRABAYASHIM; SHIKITA, 1980). A microscopia eletrônica de varredura foi usada para estudar a união entre o epitélio bucal e os implantes de safira. Observaram os autores que forma-se uma estrutura similar ao da dentição natural e que este material vinha a proporcionava um selante biológico com ação nos tecidos moles (MCKINNEY; STEFLICK; KOTH, 1984). Os avanços da metalurgia e design dos implantes são apontados para a possibilidade da ancoragem de próteses removíveis ou fixas sobre estes. Sabe-se que o Titânio é altamente biocompatível quando apresentado na forma pura e que a manutenção da osteointegração é determinada pela interface osso-implante. Desempenham assim, um papel principal para aumento da área de superfície, com o tratamento com Jato de Plasma de Spray de Titânio, sendo conseguido fundindo-se o titânio a 15.000ºC. Tal tratamento de superfície promove porosidades, de 167 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA aproximadamente 0.04 a 0.05 mm, aumentando a área de superfície do implante, tendo-se assim maior interface osso-x-implante, criando microancoragem adicional e, promovendo uma diminuição no peso/pressão por unidade de área. Portanto, áreas de alto estresse são diminuídas e, em longo prazo a reabsorção marginal é minimizada (BABBUSH, KENT; MISIEK, 1986). O selamento entre o implante e o tecido adjacente é mediado por glicoproteínas semelhantes às encontradas na dentição natural, podendo ser aumentado a partir de alterações na superfície do implante (DONLEY; GILLETTE, 1991). Foram instalados 20 implantes de jato de plasma de Titânio de 4.00 X 10 mm em quatro primatas, sendo dez em cada arcada. Os implantes foram submetidos à carga imediata com superestrutura metálica após quinze dias da sua instalação. Após oito meses analisaram por microscopia sendo encontrados em íntimo contato de osso maduro com a superfície do implante. Em análise histofotométrica foi encontrado o percentual de 67,2% para maxila e 80,71% para mandíbula de osso sadio na interface com o titânio. Concluíram os autores que o advento da carga imediata estimula a neoformação óssea (CORIGLIANO; QUARANTA; SCARANO et al., 1995). Num estudo em coelhos, a influência do diâmetro e da superfície do implante na osseointegração, foi avaliada. Para isso os implantes foram testados quanto à força/torque para remoção dos implantes e sua análise histofotométrica. Implantes de 3.0, 3.75, 5.0 e 6.0 mm de diâmetro e 6.0 mm de comprimento eram inseridos monocorticalmente em tíbias de nove coelhos. Após doze semanas os coelhos foram mortos e realizados os estudos. Os implantes foram submetidos: a um torque padrão para desparafusar e, um torque máximo para remoção dos implantes. A análise microscópica do tecido ósseo para determinar a compactação do osso adjacente ao implante e seu grau de mineralização circunjacente ao implante, foi efetuada. Realizados os testes biomecânicos observou-se um aumento na força do torque de remoção dos implantes de acordo com o aumento do diâmetro do implante. Enquanto o implante de 3 mm de diâmetro teve um torque de remoção de aproximadamente 30 Ncm, para implantes de 6.0 mm de diâmetro este valor passa para 90 Ncm. A resistência ao torque de remoção dos implantes, aparentemente, está diretamente ligada à espessura da cortical óssea no local de instalação do implante. O estudo revela também, que as vantagens associadas ao tratamento de superfície e ao diâmetro dos implantes tornam-se insignificantes após doze semanas da implantação. Concluem então, que o diâmetro dos implantes são de fundamental importância para um aumento na estabilidade inicial dos implantes, principalmente quando para realização da técnica da carga imediata sobre implantes osteointegráveis (IVANOFF; SENNERBY; JOHANSSON et al., 1997). Resultados semelhantes nas mesmas condições também foram obtidos (OCHI; MORRIS; WINKLER, 1994). Extrações bilaterais de pré-molares e primeiro molares inferiores foram realizadas em quatro cães Beagle. Após três meses, foram inseridos aleatoriamente quarenta implantes com diferentes coberturas de Jato Plasma de Titânio, Jato de Plasma de Titânio com 50 m de Fosfato de Cálcio não reabsorvível e, Jato de Plasma de Titânio com 5 m de Fosfato de Cálcio reabsorvível. Os implantes foram submetidos à carga imediata para instalação de coroas unitárias e os cães receberam hiperfunção mastigatória. Foram efetuadas análises clínicas da osteointegração, incluindo teste de mobilidade com Periotest e, avaliação radiográfica para observação das mudanças do nível ósseo na região peri-implantar, 168 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA mensalmente por 6 meses. Clinicamente, não se notou mobilidade manual ou com o Periotest dos implantes. A mesma perda óssea foi observada nos implantes com carga e, sem carga imediata nos controles radiográficos. Obtiveram sucesso independente do tratamento de superfície ressaltando a fundamental estabilidade primária (WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997). Foi, além disso, afirmado, que a carga imediata em implantes pode ser uma alternativa previsível quando um arco para estabilização fixa provisória é colocado. Foram avaliados os efeitos da carga imediata na estabilidade de implantes com tratamento de superfície diferente. Para tal estudo foram inseridos na mandíbula de cães da raça Beagle, quarenta implantes rosqueáveis variando quanto ao seu tratamento de superfície entre jato de plasma de Titânio e Hidroxiapatita. Os implantes foram colocados em função dois dias após sua fixação, com os cães submetidos à dieta dura. Avaliações clínicas da mobilidade dos implantes foram medidas pelo Periotest, além de radiográficas para observação de reabsorções, realizadas por seis meses. 97.5% dos implantes obtiveram sucesso. Reabsorções da crista alveolar foram observadas e julgadas insignificantes (CORSO; SIROTA; FIORELLINI et al., 1999). A formação da mineralização pelos osteoblastos nas diferentes superfícies dos implantes osseointegráveis foram estudadas em superfície lisa, ataque ácido e, jato de plasma de spray de Titânio. Um número limitado de estudos fundamenta o tratamento de superfície e seus efeitos na neoformação óssea, principalmente quando comparadas quanto aos efeitos da carga sobre os implantes. Os autores observaram um aumento do sucesso clínico quando os implantes tinham a superfície do implante tratado de alguma forma. Analisaram a resposta de culturas de células ósseas para investigar a influência do tipo de tratamento de superfície. Compararam culturas de osteoblastos de osso de feto bovino quanto ao tipo de superfície. Marcadores imunohistoquímicos associados com a formação óssea foram usados para diferenciar o estado de formação da matriz óssea através de microscopia óptica e do teste de Von Kossa, usados para demonstrar a presença de mineralização sem a matriz. A microscopia eletrônica de varredura revelou um aumento na deposição de matriz orgânica e inorgânica, sugerindo que a interface implante-xosso, depende do tratamento de superfície e da condição físico-química e bioquímica do local implantado. A topografia da superfície demonstra ter capacidade de alterar os osteoblastos da matriz de formação e de mineralização. Ainda em microscopia eletrônica, demonstrou-se um limitado poder de adesão das células e, a superfície tratada com ataque ácido revela um aumento no número de adesões celulares e, uma variedade de fibras adjacentes ao implante. Quando a superfície é tratada com JPT observou-se a maior abundância de adesão celular de todas as superfícies estudadas. O estudo relata que o processo de formação e mineralização da matriz pelos osteoblastos é modificado conforme o tratamento da superfície do implante. As análises sugerem que a adesão celular é alterada pela superfície nas fases iniciais da cicatrização, repercutindo na qualidade da osteointegração. Concluem assim que as células osteoblásticas reconhecem os diferentes tipos de superfície e que a fisiologia destas células é afetada pela topografia da superfície. A segunda observação importante é a não formação de restos globulares e material fibroso na superfície tratada com JPT, enquanto um número pequeno é observado no tratamento por ácido, sendo este número crescente nas outras superfícies (COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999 e COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999). Três diferentes implantes endósseos foram comparados em um estudo clínico. Quatorze pacientes (14) edêntulos totais na mandíbula foram reabilitados 169 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA com três diferentes tipos de implantes: 1) implante cilíndrico com superfície de JPT; 2) superfície tratada com Hidroxiapatita e, 3) implante com superfície lisa. Os implantes foram instalados conforme protocolo de um estágio cirúrgico. Três meses depois os cicatrizadores foram substituídos por abutment e reabilitados proteticamente com overdenture. Os controles foram realizados com 12, 24 e 36 meses após a cirurgia, sendo avaliada a reabsorção óssea e, teste de mobilidade com o Periotest. Após três anos, cinco dos 42 implantes falharam no processo de osseointegração. Não observaram diferença significante entre os implantes quando comparados quanto à reabsorção óssea marginal. Nos testes realizados com o Periotest, foi constatado menor valor nos implantes com superfície tratada com Hidroxiapatita. Concluem que as falhas na osteointegração aconteceram por deficiência sistêmica ou local do paciente e, ainda por ser o implante com superfície tratada por JPT aquele que apresentou não só maior estabilidade mas também, maior reabsorção óssea marginal (ROYNESDAL; AMBORSEN; HAANAES, 1999). A proporção do ganho de comprimento de superfície nos implantes submetidos a ataque ácido comparado ao implante liso de titânio foi investigada. Para tal, foram implantados dois implantes na tíbia de 31 coelhos. Foram realizados testes de Instron e, após três semanas observou-se diferença significante entre o implante tratado com ataque ácido do implante standart, sendo que em oito semanas os dois tipos de implantes não apresentaram mais diferença significante. Aplicando tal situação para humanos, observa-se um aumento significante na qualidade da osteointegração pela maior e melhor condição fisiológica das células na interface osso-x-implante (BAKER; LONDOM; O’NEAL, 1999). Os implantes com superfície lisa, tratada por JPT e ataque ácido foram analisados. Concomitantemente, os implantes com JPT e ataque ácido, avaliados quanto à citotoxicidade, diferenças na morfologia das células aderidas ao titânio e a ancoragem das células nas diferentes superfícies. Os resultados indicam que o ataque ácido com 1% de ácido hidrofluorídrico e 30% de ácido nítrico após eliminação dos resíduos das partículas de alumina favorece a osseointegração. As porosidades nos dois tipos de tratamento de superfície têm em torno de 2,15um. Os testes de citotoxicidade demonstram que tanto os implantes com JPT como os tratados por ataque ácido, não apresentam toxidade celular e, nem efeitos sobre a biocompatibilidade aparente. Em microscopia eletrônica demonstram-se os efeitos do tratamento de superfície quanto aos mecanismos de adesão celular. Nos implantes de superfície plana, comprova-se a adesão de osteoblastos, contudo, tanto nos implantes tratados com ataque ácido como com JPT, os osteoblastos apresentamse aderidos ao implante em maior quantidade e, estes ainda apresentam morfologia celular alterada com inúmeros pseudopodes unidos diretamente ao titânio. Os autores afirmam que esta capacidade de diferenciação celular está intimamente relacionada com a melhor osseointegração, evidenciada nos implantes com tratamento de superfície independentemente de se tratar com jato de plasma de titânio ou ataque ácido os implantes (ORSINI; ASSENZA; PIATTELLI et al., 2000). A interação das células vermelhas com a superfície dos implantes foi estudada, sendo relatada a influência das microporosidades da superfície dos implantes, produzida por ataque ácido dos implantes de superfície plana em titânio comercialmente puro. A microscopia óptica e imunofluorescência foram usadas para o estudo com o intuito de identificar fibrina e plaquetas. Eram observadas na superfície dos implantes células vermelhas e fibrinas em maior quantidade numérica. A diferença na distribuição das células vermelhas é estatisticamente significante nos 170 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA primeiros dez minutos de contato do sangue com implante de superfície tratada, mas após este período assemelha-se com as demais superfícies dos implantes. As microporosidades dos implantes sob ataque ácido da superfície demonstram, qualitativa e quantativamente, mais plaquetas que nas superfícies planas. Entretanto, em microscopia observa-se menor poder de agregação plaquetária. Os autores relatam que esta interação de células vermelhas do sangue com a superfície do implante trata-se de uma chave importante no estudo da osteocondução, visando num primeiro estágio, maior saúde perimplantar em resposta as microporosidades (PARK; DAVIES, 2000). A influência que as características da superfície dos implantes dentais têm na adesão das células ósseas foi comparada. No estudo, a interação das células ósseas com implantes de superfície de titânio liso e implantes com superfície tratada por jato de dióxido de titânio, jato de plasma de titânio e tratada com Hidroxiapatita foi avaliado. O método desenvolvido e descrito permite comparar a adesão e o comportamento celular frente aos diferentes tratamentos de superfície. As células ósseas foram avaliadas em suspensão após vinte minutos e analisadas por microscopia eletrônica. A análise quantitativa demonstra maior número de células espalhadas em torno dos implantes tratados com jato de plasma de titânio. Nos implantes com superfície tratada por dióxido de titânio demonstrou-se menor adaptação das células ósseas quando comparados aos implantes de superfície lisa. Para avaliar a derivação celular os autores usaram enzimas proteolíticas. Os resultados sugerem que a adesão celular inicial é maior nos implantes com superfície de JPT, promovendo mais rápido o espalhamento das células pela interface (LUMBIKANONDA; SAMMONS, 2001). Segundo comparação realizada microscopicamente os implantes com tratamento de superfície por ataque ácido e jato de plasma-spray de titânio demonstraram melhores condições à osseointegração que os implantes com superfície plana ou tratada por Hidroxiapatita num estudo in vivo com coelhos. O propósito do estudo foi determinar a percentagem de contato osso e implante nas variadas superfícies de implantes. Para tal, foram instalados implantes na tíbia de coelhos e, mortos num período de uma a oito semanas. As amostras preparadas para microscopia e histofluorescência e, após análise, chegaram ao resultado de que os implantes com superfície tratada por ataque ácido apresentaram maior contato ossoimplante que as outras superfícies, já observada na terceira semana e, mantida no decorrer do processo de osteointegração. Relatam que o tratamento da superfície não está envolvido no processo de osseoindução, e sim, o tratamento de superfície resulta em maior contato osso-x-implante, por possibilitar uma maior retenção de células sanguíneas e fibrina, melhorando o desenrolar do processo de cicatrização. Os pesquisadores demonstram que não há vantagens na adição de Hidroxiapatita na superfície do titânio e, que o tratamento de superfície seja eficiente e, o tratamento por ataque ácido venha a produzir maior porosidade, seguido pelo tratamento com jato de plasma de titânio (LONDON; ROBERTS; BAKER et al., 2002). Os efeitos do tratamento de superfície dos implantes quando da carga imediata, para reestabelecimento de pré-molares na maxila foram avaliados. Dez humanos foram submetidos a esse tratamento e, os implantes tinham forma de raiz (cuneiforme) e, tratamento de superfície com Hidroxiapatita. A prótese provisória de acrílico foi imediatamente instalada e, a definitiva de cerâmica colocada após seis meses. Radiografias estandardizadas demonstraram reabsorção óssea peri-implantar de 0.58, 0.73, 0.84 e 0.90mm consecutivamente no pós-operatório de 1, 3, 6 e 12 meses. Na avaliação de mobilidade realizada com o Periotest, no dia da cirurgia foi 171 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA aferido – 3.3, entretanto pouca modificação foi observada, sendo que após doze meses este teste obteve como resultado a marca de – 3.63. A profundidade do sulco gengival estabilizou-se após o terceiro mês tendo a plataforma do implante sido utilizada como referência. Recessão na proporção de 0.43mm foi observada quando a profundidade de sondagem do sulco gengival variava em 1 mm. Os tecidos perimplantares avaliados pela saúde clínica, profundidade de sondagem do sulco gengival, recessão gengival, teste de mobilidade e, reabsorção óssea marginal, vem demonstrar resultados semelhantes aos encontrados quando do protocolo de dois estágios cirúrgicos. Assim, concluem os autores tratar-se de uma opção de tratamento quando observados critérios e indicações, o reestabelecimento dental pela utilização de implantes com superfície de Hidroxiapatita sob carga imediata (PROUSSAEFS; KAN; LOZADA et al., 2002). HISTÓRICO DA CARGA IMEDIATA Os implantes dentários estão demasiadamente comprovados quanto à segurança de sua realização com sucesso. Apresentam atualmente altos índices de sucesso fazendo da Implantodontia uma alternativa confiável para a reabilitação dental e bucal. As propriedades de cicatrização do tecido ósseo frente ao titânio, determinando o termo osseointegração foram estudadas perfeitamente. Determinaram, também, a técnica cirúrgica de dois estágios, instrumental e componentes para a realização dos implantes osteointegráveis (BRÄNEMARK; ADELL; ALBREKTSSON et al., 1983). Anteriormente ao entendimento da osseointegração relata-se que era rotina os implantes serem submetidos à carga imediata, entretanto, com o grande número de insucessos e de prognósticos imprevisíveis, passou a ser tratada com muito mais cuidado (FACCIO, 1999). A partir dos Estudos de Bränemark e seus colaboradores, definiram-se os critérios necessários à osteointegração, como o máximo cuidado para minimizar danos aos tecidos circundantes por trauma térmico, cirúrgico ou contaminante. O princípio de menor trauma é cuidadosamente relatado, principalmente o térmico, possível na instalação, diminuindo o risco de substituição da osteointegração por estreita zona peri-implantar de tecido conjuntivo e, ainda associa ao sucesso da implantação o período de enclausuramento dos implantes durante a reparação óssea, que na maxila deve ser de 5 a 6 meses e de 3 a 4 meses para a mandíbula (ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981). A submersão dos implantes comprovadamente não é um pré-requisito para a osteointegração e de acordo com International Team of Implantology (ITI®) que desenvolveram um procedimento de estágio cirúrgico único para a colocação de implantes. O sistema ITI® tem demonstrado clinicamente sucesso até a presente data (BUSER; SCHOROEDER; SUTTER et al., 1988 e BUSER; WEBER; LANG, 1990). Os trabalhos de dois estágios cirúrgicos foram comparados num estudo, um estágio cirúrgico e um estágio cirúrgico com a carga imediata, sendo que não observaram nenhuma diferença clínica entre esses grupos estudados (SAGARA; AKAGAWA; NIKAI et al., 1993). Um implante transicional, extraído após a osseointegração de implantes sepultados, foi analisado microscopicamente. Foi observado que, após 6 meses de carga funcional, o implante transicional apresentou uma interface ossoimplante com 45% de recobrimento (BOHSALI; SIMON; KAN et al., 1999). 172 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA FUNDAMENTOS E REQUISITOS BIOLÓGICOS PARA CARGA IMEDIATA A falta de ajuste entre osso e implante poderia propiciar a proliferação de tecido mole em locais de grandes folgas, prejudicando assim o processo de cicatrização óssea (BRUNSKI; MOCCIA; POLLACK et al., 1979. Os implantes em forma de rosca podem ser sempre recomendados. Observou, ainda, que os implantes em forma de parafuso aumentam a área de contato osso-x-implante e, ainda melhoram a distribuição das forças ao tecido ósseo, levando a uma melhor fixação e, logo, maior saúde do tratamento com implantes dentários (HARALDSON, 1980). A necessidade do correto posicionamento dos implantes, o que levaria ao direcionamento axial das forças, fator essencial para o sucesso da osseointegração e a estabilidade do tratamento com implantes, foi enfatizado. A quantidade de força deve ser planejada e o processo de remodelação óssea acontece na presença das cargas da mastigação. Relatou ainda a importância de o implante ser confeccionado em titânio (ALBREKTSSON; BRÄNEMARK; HANSSON et al., 1981). A necessidade da verticalidade das forças aplicadas aos implantes, também, foi enfatizada. A não observação desse detalhe desencadearia um processo de reabsorção óssea com formação de tecido conjuntivo perimplantar (ICHIDA; CAPUTO, 1986). Um estudo para determinar fatores que teriam interferência direta na osseointegração, quando se submetiam os implantes à carga imediata, foi realizado. Foi discutido o postulado que a colocação da carga prematura sobre os implantes no período de cicatrização, antes da adequada mineralização e organização do tecido ósseo, poderia induzir a formação de tecido fibroso interposto entre o implante e tecido ósseo. A carga imediata por si só, parece não ser responsável pela formação deste tecido intermediário não ósseo. A micromovimentação de um implante em relação ao osso circunjacente possa representar a principal razão para a formação de cápsula fibrosa. Relata que a magnitude do micromovimento capaz de interferir na osseointegração, não está bem definida, pelas dificuldades para realização de um estudo experimental mais preciso, mas acredita estar em uma extensão que varia de 50 a 150m (SZMUKLER-MONCLER, 2000). Com o propósito de discutir os resultados do procedimento da etapa única versus o convencional de duas etapas no estabelecimento bem-sucedido de uma prótese dentária suportada por implantes osteointegráveis, foi efetuado um estudo. Considerando os desenvolvimentos, realizou-se uma tentativa de estimar a margem de segurança para cada um dos procedimentos no que se refere ao tempo. Os dados experimentais, evidentemente, verificaram as estimativas e, durante o tempo aqui sugerido, não estão disponíveis, mas uma quantidade limitada de dados dos experimentos com animais e clínicos com humanos, sustentam solidamente determinados pontos (SKALAK, 2001 in BRÄNEMARK, 2001). A principal questão a ser tratada é o risco de interrupção do processo de osseointegração pela formação de uma cápsula fibrosa ao redor do implante como resultado da carga prematura. Apresentou uma estimativa referente à capacidade de recepção das cargas pela mandíbula, quando os implantes unitários estivessem rigidamente conectados e, posicionados com precisão topográfica. Ressaltou que a micromovimentação do implante, em relação ao osso circundante, é a principal causa de a carga prematura levar a formação de cápsula fibrosa em vez da osseointegração. Destacou ainda que micromovimentos dentre 10 a 20 m podem prevenir esse 173 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA processo. Além disso, as cargas direcionadas de forma axial ou transversa em relação ao implante, além da espessura e qualidade do osso envolvido, constituem critérios fundamentais no protocolo de estágio cirúrgico único (SKALAK, 2001 in BRÄNEMARK, 2001). Os Gráficos 1, 2, 3, e 4 sintetizam as principais idéias e conclusões do autor, sendo que as linhas interrompidas em bastão baseiam-se em dados experimentais e, as curvas pontilhadas são baseadas em hipóteses e estimativas. Uma estimativa das cargas axiais em um implante unitário é representada (Gráfico 1). Na curva A, representam-se as cargas de remoção. Os dados pontuais em 15,5 semanas foram mensurados experimentalmente em cães. Os outros dados pontuais foram obtidos de experimentos com camundongos. A curva B corresponde a uma curva estimada da força que poderia produzir a formação de cápsula fibrosa em vez de osseointegração. Na curva C observam-se as forças de mordidas em um implante unitário, em paciente com prótese de única fase. Forças de mordida estimadas em um implante unitário, em paciente com prótese de duas fases, aparecem na curva D. Gráfico 1 – Cargas axiais estimadas num implante unitário de 3.75mm de diâmetro. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. A porcentagem da área de contato do osso, desenvolvida na superfície dos implantes de titânio, em função do tempo, após sua instalação é descrita (Gráfico 2). A curva A representa a área de contato do osso observada experimentalmente em camundongos. A curva B é a porcentagem estimada da área de contato da camada óssea neoformada. A curva C é a porcentagem da área de contato do osso lamelar pré-existente. 174 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Gráfico 2 – Área de contato osso-implante. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. A porcentagem de área ocupada pelo osso entre as roscas dos implantes de titânio é apresentada em três curvas (Gráfico 3). Curva A corresponde à porcentagem de área do osso experimentalmente observada em camundongos. A Curva B é a porcentagem estimada de área de contato neoformada. A Curva C é a porcentagem estimada de área de contato do osso lamelar pré-existente. A porcentagem estimada da margem de segurança para o procedimento de duas etapas (curva A) e o procedimento de única etapa (curva B) é mostrada (Gráfico 4). Uma margem de 100% significa que a carga real aplicada ao implante é a metade da carga necessária à indução da formação de cápsula fibrosa. As duas curvas estão computadas utilizando-se as curvaturas estimadas em B, C e D do Gráfico 1. As dinâmicas que ocorrem na interface implante e osso, em diferentes dimensões, variando de milímetros a Angström são ilustradas (Fig. 4). Os diferentes níveis de resolução, observados na topologia in vivo, auxiliam o entendimento da ação biológica sobre os componentes que direcionam a formação e manutenção da osseointegração. 175 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Gráfico 3 – Área de ocupação por tecido ósseo entre as roscas dos implantes. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. Gráfico 4 – Margem de segurança estimada para o procedimento de uma e duas fases. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. 176 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 4 – Ilustração da osseointegração em diferentes níveis de resolução. Fonte: BRÄNEMARK, P. I. Bränemark Novum: protocolo para reabilitação bucal com carga imediata (same-day teeth); uma perspectiva global. São Paulo: Ed. Quintessence, 2001. ESTUDOS SOBRE IMPLANTES OSSEINTEGRÁVEIS SUBMETIDOS À CARGA IMEDIATA Os estudos associando implantes osteointegráveis à carga imediata foram definitivamente despertados quando foram instalados quatro implantes do Tipo Parafuso de Leadermann tratados com jato de plasma spray de titânio, por paciente, num total de 484 pacientes, no período de 1976 a 1982 na Suíça, Alemanha, Suécia e Estados Unidos. Os pacientes tinham entre 40 e 70 anos, sendo 60% mulheres. Foram realizadas as fixações de acordo com o protocolo cirúrgico mantendo uma distância de 3 mm de segurança do nervo mentual e deixando 2 mm de profundidade a perfuração maior que o tamanho do implante. Os implantes foram unidos e submetidos à carga imediata pelo uso da Barra de Dolder com restauração provisória em dois dias e a definitiva após 14 dias. Para o controle foram avaliados a saúde gengival, a evidência radiográfica e, a avaliação de formação de tecido fibroso na interface resultando em mobilidade. Do total de 1739 implantes, falharam 103 levando a uma porcentagem de 94,08% de sucesso na osseointegração. Atribuem as 177 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA inovações de técnicas, dos materiais e o design dos implantes e da prótese à possibilidade da realização para suportarem imediatamente após a fixação dos implantes a prótese provisória (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986). Inserções sob carga imediata na mandíbula de 7 pacientes, edêntulos totais ou parciais nesse arco foi realizada e, seis dos pacientes ainda tinham dentes na mandíbula, mas comprometidos por periodontite severa. Um dos pacientes já usava prótese total inferior. Foram inseridos 46 implantes Bränemark nos pacientes, ficando 26 sepultados. Os outros 20 receberam carga imediata de uma prótese provisória. Os implantes sepultados foram inseridos logo após a extração ou alvéolos com osso cicatrizado. Nenhum implante com inserção imediata recebeu carga imediata. Os pacientes de número 1 a 6 receberam 5 a 6 implantes de pelo menos 10 mm entre os forames mentuais. Os pacientes 2 a 5 receberam também dois implantes distais aos forames. Tentou-se sempre estabelecer um tripé com a base mais larga possível e, no paciente número 6, por não se conseguir tal condição realizou-se carga imediata sobre todos os implantes. O paciente número 7 teve a prótese provisória apoiada sobre dois dentes naturais e um pilar de implante. Nos casos em que se combinaram dentes naturais e implantes para sustentar a prótese provisória, os implantes não foram aparafusados à prótese e, se submetem apenas a forças verticais. Todos os implantes submersos foram abertos no máximo após quatro meses. Todos os 20 implantes com carga imediata sobreviveram durante quatro meses até a colocação da prótese permanente. Os 26 implantes sepultados mostravam-se imóveis e radiograficamente osteointegrados. Com base nos resultados observados, os autores sustentam a viabilidade da técnica de submeter parte dos implantes a carga imediata sustentando uma prótese provisória enquanto cicatrizam os implantes osteointegrados, ou seja, consideram os implantes sob carga imediata como provisórios. Relatam ainda, que os implantes distais foram inseridos em osso menos denso e com 7 mm de comprimento, sugerindo a tais fatores a falha dos implantes. Os autores concluíram que não há diferença estatisticamente significante quando comparadas às técnicas de carga imediata e sem carga por um período de 5 anos (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN, 1990). A osseointegração em macacos, após a instalação de implantes em lâminas com e sem cobertura de Hidroxiapatita imediatamente carregados e um grupo controle sem carga, foi estudada microscopicamente. Os autores concluíram que os implantes com ou sem cobertura de Hidroxiapatita podem formar uma interface osso-implante adequada, mesmo quando receberam carga imediata, desde que estejam esplintados (LUM; BEIRNE; CURTIS, 1991). Autores avaliaram em seu estudo três grupos, sendo que no grupo 1 os implantes foram executados em um estágio cirúrgico sem colocação de barra, no grupo 2 os implantes com carga por instalação de uma barra e, no grupo 3 os implantes foram sepultados. Foram utilizados implantes de 4.00mm de diâmetro e 10 a 20mm de comprimento, conforme protocolo cirúrgico. Os critérios de avaliação foram clínicos do tecido perimplantar e, mobilidade por valores do Periotest. Realizaram avaliação microscópica por cortes de implante e bloco ósseo em microscopia óptica e análise histofotométrico para detecção de trabeculado ósseo-xtecido conjuntivo e, ainda avaliação radiográfica por radiografias estandardizadas de controle. Observaram leve gengivite no grupo 2 enquanto que no grupo 1 constatouse tecido gengival saudável. Discreta reabsorção óssea corono-apical no grupo 2, mas sem significância. Microscopicamente diminuição de crista alveolar no grupo 2 até mesmo com exposição das espiras e no grupo1 tecido ósseo pobre em aposição óssea, entretanto não há diferença significativa entre o grupo com carga imediata e 178 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA sem carga imediata. Avaliando o contato ósseo direto na interface osso-implante a porcentagem encontrada no grupo 1 foi de 60%, no grupo 2 de 50% e, no grupo 3 foi de 80%, sendo observada maior aposição óssea neste grupo. Concluíram que clinica e microscopicamente a carga imediata e a convencional não têm diferença significante. Radiograficamente o grupo 2 tem a crista alveolar pouco mais reabsorvida que no grupo 1 e 3 (SAGARA; AKAGAWA; NIKAI et al., 1993). Foram ainda estudados dois casos de implantação com carga imediata. No primeiro caso, num paciente de 64 anos, inseriram-se seis implantes na maxila sendo que três ficaram sepultados. O paciente recebeu a prótese provisória com uma semana, sendo orientado a não morder com os incisivos. Quarenta e cinco meses após a inserção dos implantes observaram-se clínica e radiograficamente sucesso. No segundo caso, uma paciente de 65 anos, teve reconstruída a maxila com enxertos inlay e onlay obtidos da crista ilíaca e, realizaram-se 6 implantes na maxila e na mandíbula dos quais 2 por arcada. Aqueles que apresentavam melhores condições para fixação foram submetidos à carga imediata. Depois de 6 meses, expuseram-se os implantes na mandíbula e, a cirurgia constatou a exposição de duas espirais, entretanto não ficou claro se a perda se devia à carga imediata ou a uma reabsorção natural dos defeitos em que eles foram inseridos. Todos os implantes inferiores mostraram-se estáveis sendo incorporados a uma nova prótese provisória. Aos 8 meses, expuseram-se os dois implantes superiores, sendo instalados implantes na região enxertada. O acompanhamento com o Periotest realizado com 4, 6, 8, 12 e 18 meses revelou valores cada vez mais baixos, fruto da maturação óssea como resposta à aplicação da carga fisiológica (SALAMA; ROSE; SALAMA et al., 1995). Foram instalados 20 implantes de jato de plasma de titânio de 4.00 X 10 mm em quatro primatas, sendo dez em cada arcada. Submeteram-se os implantes à carga imediata com superestrutura metálica após quinze dias da sua instalação. Após oito meses, foram analisados por microscopia, encontrando-se íntimo contato de osso maduro com a superfície do implante. Em análise histofotométrica o percentual de 67,2% para maxila e 80,71% para mandíbula de osso sadio na interface com o titânio foi constatado e concluíram que o advento da carga imediata estimula a neoformação óssea (CORIGLIANO; QUARANTA; SCARANO et al., 1995). Quatro (4) implantes foram instalados na mandíbula de 4 pacientes edêntulos, com a colocação uma prótese do tipo sobredentadura implantomucossuportada sobre barra parafusada. Controles radiográficos e clínicos aos 3 e 6 meses, 1, 2 e 3 anos foram efetuados. Não observaram diferença significativa quanto à influência de contatos prematuros e, o nível de integridade óssea (BIJLANI; LOZADA, 1996). Implantes em sete pacientes com carga imediata foram executados em dois pacientes controles, sob carga convencional. O sistema utilizado foi o ITI com superfície de jato de plasma de titânio. Avaliaram a mobilidade dos implantes logo após a fixação pelos valores do Periotest. Após um período de no máximo de uma semana, foram colocados sob carga estando esplintados por barra. As próteses fixas de acrílico foram instaladas em torno de 4 meses, respeitando nos pacientes de controle o período de cicatrização. Os testes realizados com o Periotest crescem com o decorrer da cicatrização comprovando a osteogênese e a aposição óssea progressiva, que sofre aparente estimulação pela carga imediata. Valores condizentes com os controles radiográficos e clínicos depois de 15 meses da osseointegração de todos os implantes, tiveram a previsibilidade do tratamento com implantes sob carga imediata reafirmada (SALAMA; ROSE; MINSK et al., 1996). 179 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Estudo foi efetuado para avaliar a previsibilidade da osseointegração dos implantes quando submetidos à carga imediata. Foram extraídos os pré-molares bilateralmente na mandíbula e os primeiros molares de quatro cães Beagle. Após cicatrização, foram colocados em cada cão cinco implantes-teste. Os implantes foram aleatoriamente inseridos e, colocados em seguida, abutments, sendo realizada a impressão. No dia seguinte foram instaladas coroas metálicas. A análise da osseointegração incluiu a mobilidade do implante, testada pelo Periotest, bem como a analise radiográfica. A estatística não demonstrou diferença na porcentagem de deposição óssea e, os testes de mobilidade mostraram que 97,5% dos implantes estavam dentro da média de osseointegração, após trinta dias de carga (SIROTA; FIORELLINI; CORSO et al., 1996). Um estudo com 226 pacientes, sendo 142 do gênero feminino e 84 do masculino com idade média de 64 anos, foi efetuado. Foram instalados 4 implantes por paciente das empresas, TPS™, ITI™, Ha-Ti™ e NLS™ num total de 904 implantes variando de 4 a 4.5mm de diâmetro e de comprimento médio de 14 mm. 76% para restabelecimento da maxila. Imediatamente após a colocação dos implantes, foi confeccionada uma barra em “U” de ouro. Foram acompanhados em 2 semanas, 1, 3, 6, 12 meses e depois anualmente conseguindo um acompanhamento médio de 6,4 anos. 32 pacientes não realizaram proservação. Os parâmetros de avaliação foram clinicamente, a mobilidade dos implantes e, ainda, a avaliação radiográfica. Falharam 24 dos 776 implantes proservados, sendo 15 no primeiro ano, 3 no segundo e 2 depois de 5 anos. 15 implantes perderam-se por mobilidade excessiva. Os resultados são de 96,9% de sucesso nos implantes. Falharam 3 das 194 barras levando a uma porcentagem de 99,5% de sucesso. Os autores não relatam diferença significante entre o tratamento com carga imediata e convencional, bem como diferença entre marcas dos implantes, confirmando o tratamento de superfície e, contribuíram para a determinação de contra-indicações para tal tratamento, o volume insuficiente para instalação de 4 implantes de 3.75 X 10 mm. A discrepância intermaxilar severa, os hábitos parafuncionais, vícios, paciente sob radio ou quimioterapia, alterações renais crônicas e sistêmicas não controladas como diabete, hemofilia, etc... Pacientes com desordem do metabolismo ósseo, imunossuprimidos e principalmente HIV+ (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997). Num outro estudo significativo foi avaliada a fixação de implantes Branemark em mandíbulas edêntulas sob carga imediata em 10 pacientes, média de 55 anos, sendo que estes não apresentavam contra-indicações. Um total de 130 implantes fixados, sendo o número mínimo de 10 implantes por mandíbula realizados entre 1993 e 1994. Foram realizados 4 implantes transicionais distribuídos para suportar a prótese provisória, ficando sepultados 90 implantes, número suficiente deixados para cicatrizar no modo convencional para dar suporte à prótese fixa definitiva, se os implantes sob carga viessem a falhar. A prótese definitiva do sistema Procera era instalada em torno de 6 semanas pós-operatórias. 32 dos 40 implantes carregados imediatamente estavam funcionais no segundo estágio cirúrgico, 80% de sucesso. Ressalva para o número de implantes transicionais perdidos em pacientes com bruxismo, diabetes e artrite, sendo 6 implantes em 2 pacientes com bruxismo. Obtiveram 96% de sucesso no protocolo de dois estágios cirúrgicos. Os parâmetros eram radiográficos, dor, mobilidade e infecção perimplantar. Os resultados têm se demonstrado favoráveis e, observaram ainda, maior sucesso em qualidade óssea do tipo 2 e 3. Alertam para problemas com associação de implantes imediatos para suportar carga imediata, tendo como determinante a estabilidade inicial. Orientavam quanto a dieta macia com todos os 180 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA pacientes funcionalmente reabilitados com prótese sobre implante, entretanto, colocam a carga imediata como alternativa de tratamento principalmente no aspecto psicológico e social do paciente, poupando os pacientes das próteses provisórias muco-suportadas (BALSHI; WOLFINGER, 1997). Foram investigados 10 pacientes, 6 homens e 4 mulheres com média de 65 anos, que receberam prótese fixas provisórias sob protocolo da carga imediata. Foram alternados e associados carga imediata, carga convencional e dentes naturais. O estudo iniciou no ano de 1986 com 63 implantes de 3.75mm Nobel Biocare, com comprimento mínimo de 10 mm. Em todos os implantes conseguiu-se fixação bicortical. Dos 28 implantes sob carga imediata, 4 falharam com 85% de sucesso. Enquanto que com protocolo de dois estágios, todos os 35 implantes tiveram sucesso, vale ressaltar o período de 10 anos de proservação. As falhas foram observadas principalmente em implantes fixados a distal do forame mentual, consequentemente osso pobre. A obtenção do sucesso com carga imediata foi associada a alguns fatores como intimidade óssea inicial, fixação o mais cortical possível, densidade óssea do tipo 2 ou 3 e, eliminação de micromovimentações durante o período de remodelação. Concluíram que o tratamento com carga imediata trata-se de uma opção para o tratamento dos pacientes, adequado para suportar as próteses provisórias e vir a somar com os implantes submersos no tratamento definitivo. Os autores são de opinião a realizar 5 implantes sendo 3 com carga imediata e 2 sem carga. Com base em seus estudos os autores oferecem algumas recomendações: 1. Os implantes com carga imediata devem estar em íntimo contato com o osso cortical, tanto na crista alveolar quanto no ápice, devendo necessariamente ter boa estabilidade primária; 2. A área de maior segurança para realização da carga imediata é interforames mentuais; 3. Implantes rosqueáveis são recomendáveis, principalmente aqueles que possuem a ponta com 2 mm auto-atarraxante para contribuir com a estabilidade primária; 4. Deve-se usar esplintagem rígida nos implantes para evitar micromovimentações; 5. É possível usar apenas três implantes para suportar uma prótese com 12 elementos, sendo um inserido na sínfise e os dois mais distalmente, mas anterior ao forame mentual. Contudo recomendam outros dois implantes submersos em posições intermediárias; 6. Cantlever de pouco comprimento, no máximo até primeiro molar (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997). Num estudo experimental com cães, foi examinada a regeneração do tecido ósseo junto a implantes submetidos à carga imediata. Os dentes P1, P2, P3 e P4 de seis cães foram extraídos. Depois, implantes Bränemark foram inseridos e mostravam boa estabilidade primária. Os implantes em P1 foram sepultados para servir de controle. Os implantes em P2 receberam pilares. Os implantes P3 e P4 receberam membranas de PTFE, fixadas aos implantes por meio do tapa implante. Em P4, foi usado enxerto ósseo autógeno obtido das próprias perfurações. Assim P2, P3 e P4 entraram em função. Durante o período de duas semanas os cães receberam dieta macia, após este período voltaram à dieta normal. Os cães receberam antibioticoterapia e higienização oral por escovação com Clorexidina em gel. Um dos animais foi excluído do estudo por apresentar exposição da membrana. Dezesseis meses depois das inserções, foram realizadas avaliações clínicas do desenvolvimento ósseo e removidos blocos para o exame radiográfico e microscópico. Durante todo o estudo, os implantes P1 e P2 não apresentaram problemas. Em P3, apenas um implante teve pós-operatório sem complicações, havendo quatro casos de membrana exposta e infectada. Em P4, três implantes apresentaram-se clinicamente normais e, três casos de membrana exposta e infectada. 181 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Em todos os casos de exposição da membrana o ganho ósseo no defeito foi zero, enquanto que nos locais onde não houve exposição, o preenchimento variou de 50% a 99%. Todos os implantes em P2, P3 e P4 apresentaram perdas variadas de altura óssea, sendo as menores perdas registradas em P2. O exame microscópico mostrou em P1 tecido ósseo maduro adjacente em todo o implante; em P2, os implantes também se apresentavam circundados por osso cortical, mas com uma diminuição dessa camada; em P3 houve menor aumento da altura óssea; em P4 tecido ósseo adjacente menos compacto que nos outros locais, dando aspecto de osteointegração menos estável. Concluíram então: 1. Os implantes imediatos e carga imediata permaneceram no local durante toda a duração do estudo; 2. Ao final do estudo todos os implantes mostraram-se osteointegrados; 3. O estudo evidencia a viabilidade geral da técnica e também que o uso de membranas pode favorecer a ocorrência de complicações e prejudicar a neoformação óssea (HENRY, 1997). Foram inseridos quarenta implantes na mandíbula de cães Beagle com diferentes coberturas: jato de plasma de titânio, jato de plasma de titânio com 50 m de fosfato de cálcio não reabsorvível, jato de plasma de titânio com 5 m de fosfato de cálcio reabsorvível. Os implantes foram submetidos à carga imediata por coroas unitárias. Os cães receberam hiperfunção mastigatória. Análises clínicas da osteointegração, incluindo teste de mobilidade com Periotest e avaliação radiográfica para observação das mudanças do nível ósseo na região perimplantar, mensalmente por 6 meses. Clinicamente não se notou mobilidade manual ou com o Periotest dos implantes. A mesma perda óssea foi observada nos implantes com carga e sem carga imediata nos controles radiográficos. Obtiveram sucesso independente do tratamento de superfície ressaltando a fundamental estabilidade primária (WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997). Foram inseridos 107 implantes em 10 arcadas totalmente edêntulas de 10 pacientes. Em seis pacientes foram utilizados implantes Bränemark®; em dois pacientes, implantes Astra Tech®; em um usaram sistema ITI® e, um paciente recebeu implantes 3i®. Foram reabilitadas 6 maxilas e 4 mandíbulas. Em cada paciente, pelo menos cinco implantes ficaram sepultados para controle e, oferecendo maior segurança para a reabilitação protética. Os implantes com maior estabilidade primária, comprovados pelo Periotest e bem distribuídos no sentido ântero-posterior, foram submetidos a suportar a prótese provisória de acrílico, reforçada com metal. Quatro a seis meses após foram somados os implantes enclausurados para o tratamento definitivo. 104 dos 107 osteointegraram. Assim dos 69 implantes submetido à carga imediata, 67 osteointegraram, 97,9% de sucesso na mandíbula e 95,5% na maxila. As falhas foram atribuídas a micromovimentos dos implantes. 37 dos 38 implantes com dois estágios cirúrgicos osteointegraram. O tempo de acompanhamento dos pacientes variou de um a cinco anos. Concluiram não haver diferença para o tratamento com carga e sem carga imediata e, também entre maxila e mandíbula. Enfatizaram alguns itens como: 1. A carga imediata só deve ser realizada em arcadas edêntulas e onde os implantes tenham boa estabilidade primária; 2. Implantes de no mínimo 10 mm de comprimento; 3. Esplintagem na prótese provisória com barra rígida de metal por lingual; 4. A prótese provisória não deve ser removida durante o período de cicatrização e, o ideal é que seja parafusada; 5. Obter o maior tripoidismo possível; 6. Devem ser evitados Cantlever na prótese provisória e não ultrapassar o primeiro molar na definitiva. Atribuem a possibilidade dos implantes serem postos em função imediatamente para suportar uma prótese provisória fixa durante a fase de cicatrização, tanto em maxila quanto mandíbula. Sugerem que o procedimento de escolha seja em dois estágios cirúrgicos, mas que 182 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA muitos pacientes podem se beneficiar da aplicação de carga imediata aos implantes para evitar-se as próteses removíveis (TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997). Contribuindo com um estudo importante (1), avaliaram a carga imediata sem esplintagem, ou seja, em coroas unitárias. O sucesso observado foi de 96,22% dos implantes, sendo que 51 dos 53 implantes osseointegraram. Os implantes foram colocados nas maxilas de 48 pacientes que apresentavam saúde sistêmica, não fumante, com 42 anos em média e, com diagnóstico de perda de um elemento dental na maxila. Os implantes variavam de 11 a 17 mm e foram instalados em osso do tipo II e III. Após três semanas, foram instaladas coroas provisórias de acrílico. Em torno de 12 semanas depois as próteses fixas definitivas foram cimentadas. Nestes pacientes ainda foi realizado um segundo estudo (2), onde os autores avaliaram o tecido perimplantar na colocação das coroas provisórias (3 semanas). A cada 6 meses avaliavam a gengiva perimplantar através do índice de biofilme dentário. Ambos os testes demonstraram discreta alteração da mucosa perimplantar. Concluíram, visto a porcentagem de sucesso de 96.2% e as condições favoráveis dos tecidos perimplantares e encorajam a aplicação de carga imediata sobre implantes colocados para substituir a perda isolada de dente anterior na maxila (COOPER; KUGELBERG; ELLNER et al., 1999). Foram inseridos 30 implantes com jato de plasma de titânio, em 10 pacientes, na maxila e mandíbula posterior. Em cada paciente, dois implantes ficaram submersos e um ficou exposto, recebendo uma prótese de acrílico no mesmo dia da fixação dos implantes, sendo suportada pelo implante mais anterior, ou seja, sempre havia implantes sepultados a distal do submetido à carga funcional. Três meses depois se constatou que todos os implantes sepultados estavam saudáveis e sem mobilidade. Dois implantes sob carga foram perdidos no primeiro ano por quebra do pilar. Os autores realizaram análise microscópica desses implantes, sendo notada presença de osso cortical maduro e compacto ao redor dos implantes, altamente vascularizado. O percentual de contato osso-implante era, em média, de 65%. Não se observou presença de tecido fibroso, nem falhas na interface. Repararam presença de Fosfatase Alcalina e não de Fosfatase Ácida na interface, evidenciando alguns osteoblastos e nenhum osteoclasto. Concluíram que o sucesso deve-se a fatores que favorecem a estabilidade inicial como o alto contato ossoimplante, o ajuste preciso dos implantes no osso, ao formato de parafuso dos implantes e, ao acabamento de plasma de Titânio (PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 - 1). Foi relatado por um estudo piloto contendo a análise das reações decorrentes da carga imediata sobre implantes com jato de plasma de titânio. Um total de 24 implantes, 12 na maxila e 12 na mandíbula, foram instalados em quatro macacos. Uma superestrutura foi cimentada sobre 10 implantes maxilares e 10 mandibulares, 15 dias após a inserção dos implantes. Os quatro implantes remanescentes foram usados para controle. Oito meses após a colocação dos implantes, foram removidos os implantes juntamente com tecido ósseo. Submeteram-se os cortes à microscopia de luz polarizada, sendo que o osso se agregou em 67.2% nas superfícies dos implantes na maxila e, 80.71% nas superfícies dos implantes da mandíbula. Não se observaram diferenças entre estas percentagens e o dos implantes controle, mas os autores relatam tecido ósseo mais compacto nos implantes com carga. Concluem ser viável o tratamento com implantes rosqueados e com superfície de jato de plasma de titânio sob carga imediata (PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 - 2). 183 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Um estudo com grande número de implantes foi efetuado para avaliar a aplicação da carga imediata em implantes Osseotite, do sistema 3i com superfície tratada por ataque ácido. Foram instalados 429 implantes em 155 pacientes saudáveis segundo o protocolo de um estágio cirúrgico com carga. Os pacientes foram acompanhados por aproximadamente 13 meses e, apenas sete dos 429 implantes sob carga imediata falharam. O sucesso cumulativo de 98.5% de sobrevivência dos implantes propõe bastante segurança para realização desta técnica (LAZZARA; PORTER; TESTORI et al., 1998). 48 implantes tratados com jato de plasma de titânio foram inseridos, sendo 24 em maxila posterior e 24 em mandíbula posterior de primatas. Foram submetidos à carga imediata 3 dias após a instalação através de uma estrutura metálica cimentada. Implantes também com o mesmo tratamento de superfície foram mantidos enclausurados para controle. Nove meses após a colocação dos implantes, foram removidas secções ósseas contendo implantes para analisá-los em microscopia óptica e luz polarizada. Os implantes sob carga imediata apresentaram 67.3% de contato osso-implante na maxila e, 73.2% de contato osso-implante na mandíbula, sendo que nos implantes teste o osso adjacente apresentou uma aparência mais compacta que nos implantes enclausurados e, sem qualquer presença de tecido conjuntivo na interface dos implantes. No grupo controle, as percentagens de contato osso-implante foram de 54.5% na maxila e, 55.8% na mandíbula. Os autores concluem que a utilização de implantes com jato de plasma de titânio na superfície, sob carga imediata, intensifica a osseointegração com as vantagens citadas anteriormente (PIATTELLI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998). Implantações na maxila de dez pacientes foram efetuadas. Os autores dão grande importância para a seleção dos pacientes e fazem algumas considerações importantes como: 1. Deve-se evitar a colocação de carga sobre os implantes na fase inicial de cicatrização; 2. A restauração provisória tem que estar muito bem adaptada e sem excesso de cimento para a manutenção da saúde gengival; 3. Osso de quantidade tipo B e qualidade tipo II (LEKHOLM; ZARB, 1985). Todos os implantes osteointegraram, não sendo observadas mobilidade e reação inflamatória durante a proservação de 6 meses dos implantes. Entretanto os autores sugerem que a determinação entre um estágio cirúrgico com carga ou dois estágios cirúrgicos, deve ser planejada em conjunto com o paciente. Atribuem algumas vantagens ao tratamento com carga imediata: 1. Diminui a ansiedade e apreensão do paciente das duas fases cirúrgicas; 2. Redução do trauma por não serem necessárias duas cirurgias; 3. Estabelecimento de melhor contorno gengival pelo uso do provisório imediato; 4. Redução dos custos para o paciente por se tratar de uma cirurgia; 5. Melhor estética gengival e dental, conseguido com esta técnica relatada pelos pacientes (KUPEYAN; MAY, 1998). Quatro (4) implantes rosqueáveis com superfície tratada por jato de plasma de titânio em um paciente de 95 anos de idade, saudável e, com doenças sistêmicas controladas, foram instalados. Os implantes unidos por uma barra foram carregados funcionalmente com uma sobredentadura no mesmo dia da instalação dos implantes. Afirmaram os autores ser um tratamento seguro a instalação de um mínimo de quatro implantes, com superfície modificada, na região anterior da mandíbula desde que estes estejam esplintados rigidamente (LEDERMANN; SCHENK; BUSER, 1998). Foi estudado clínica e radiograficamente o desempenho dos implantes, em dois estágios e um estágio cirúrgico, para a reabilitação de mandíbulas edêntulas. 27 pacientes não fumantes, apresentando bom estado de saúde geral, apresentando 184 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA quantidade óssea para realização de 5 a 6 implantes de no mínimo 10 mm com fixação bicortical. Um total de 88 implantes da Nobel Biocare foram submetidos à carga após 20 dias por prótese provisória rígida (16 pacientes), enquanto o grupo controle recebeu a prótese depois de quatro meses. Realizando acompanhamento radiográfico, perceberam nos implantes sob carga precoce, uma reabsorção média de 0.4 mm da crista alveolar enquanto no grupo controle, esta média foi de 0.8 mm após 18 meses de proservação. Clinicamente nenhum dos implantes apresentou mobilidade e, demonstraram assim a viabilidade da técnica de colocação de implantes e, realização da prótese imediatamente, desde que fosse uma superestrutura rígida. Entretanto, segundo os autores, este modelo de tratamento pode ser utilizado estritamente na região entre os foramens mentuais de mandíbulas totalmente edêntulas (RANDOW; ERIKSSON, 1999). São apresentados dois casos de carga imediata, sendo o primeiro de uma paciente de 34 anos recebendo 6 implantes de 18 mm na região interforames. Os dois implantes mais distais e um dos centrais receberam a prótese provisória quinze dias após e, os demais implantes foram sepultados, cinco meses depois, com exposição dos implantes e confecção da prótese definitiva. O segundo era um paciente de 51 anos com ambas as arcadas edêntulas totais. Foram instalados 6 implantes entre os forames mentuais sendo que dois serviram de pilar para prótese provisória. Não foi perdido nenhum implante. Em ambos pacientes, não houve perda óssea significativa e nem diferença quando avaliados radiograficamente e, quando comparados os protocolos de carga imediata ou carga convencional sobre implantes osteointegráveis (FREIRE, 1999). Foram aplicados em doze pacientes edêntulos, dois implantes rosqueados em cada uma das regiões dos caninos mandibulares. Durante a cirurgia, seis pacientes tiveram dois mini-implantes transicionais colocados medialmente aos permanentes, permitindo suas penetrações transmucosas. Os pacientes deixaram a sala de cirurgia com uma prótese inferior ajustada sobre os implantes. Os resultados mostraram que os implantes se integraram ao osso. Dois desses implantes mostraram mobilidade três meses após a cirurgia. Após a aplicação da carga nos implantes finais e proservação por longo período de tempo não mostraram perda óssea significativa diferente do grupo controle (ELATTAR; SHAZLY; DOMIATI et al., 1999). Os efeitos da carga mastigatória na estabilidade de implantes com tratamento de superfície diferente foram estudados. Para tal estudo foram inseridos na mandíbula de cães da raça Beagle, quarenta implantes rosqueáveis variando quanto ao seu tratamento de superfície entre jato de plasma de titânio e Hidroxiapatita. Os implantes foram colocados em função dois dias após sua fixação. Os cães submetidos à dieta dura. Avaliações clínicas da mobilidade dos implantes foram medidas pelo Periotest e avaliações radiográficas para observação de reabsorções realizadas por seis meses. 97.5% dos implantes obtiveram sucesso. Reabsorções da crista alveolar foram observadas e julgadas insignificantes. Afirmam que a carga imediata em implantes pode ser uma alternativa previsível quando estes apresentarem estabilidade inicial e esplintados por uma prótese fixa provisória. Não observaram diferença clínica significativa entre os tratamentos de superfície dos implantes (CORSO; SIROTA; FIORELLINI et al., 1999). Um estudo longitudinal onde avaliaram a carga imediata em implantes Bränemark foi iniciado em 1997. Foram instalados 140 implantes em 20 pacientes para o restabelecimento das arcadas, sendo 15 na mandíbula e 8 na maxila. Os implantes onde se aplicou mais de 40 Ncm foram imediatamente carregados. Os 185 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA implantes que foram colocados com torque abaixo de 40 Ncm ou associados a enxerto ósseo ficaram sepultados durante o período de cicatrização. A prótese provisória feita em resina foi reforçada internamente com uma barra fundida de Cromo-Cobalto e, parafusada no mesmo dia da fixação dos implantes. A prótese fixa definitiva foi confeccionada aproximadamente oito meses após o início do tratamento, incluindo os implantes que ficaram submersos. 136 dos 140 implantes colocados imediatamente em função osseointegraram num período de 8 a 24 meses, resultando em índice de 97.2% de sucesso. Todos os implantes submersos osseointegraram. Os resultados sugeriram que a carga imediata sobre implantes Branemark é tão previsível quanto aos implantes submetidos ao protocolo convencional, tanto na maxila como na mandíbula (HORIUCHI; UCHIDA; YAMAMOTO et al., 2000). Um estudo retrospectivo de implantações imediatas destinadas a ancorar sobredentaduras mandibulares submetidas à carga imediata foi apresentado. Foram selecionados 21 pacientes entre 46 e 87 anos com boas condições ósseas e de saúde geral. Os critérios que eliminavam pacientes eram o volume ósseo insuficiente entre os forames mentuais para receber pelo menos quatro implantes de 3.3 mm de diâmetro por 10 mm de comprimento; a discrepância esquelética maxilar severa; o bruxismo; a perda anterior de implantes inseridos nesta região; os vícios; radio ou quimioterapia; a doença renal ou hepática crônica; a diabete não controlada; a hemofilia; a imunodeficiência; as más condições de higiene oral e, as doenças da mucosa oral como Líquen plano. Treze pacientes eram desdentados totais, cinco pacientes tiveram dentes extraídos na região entre forames de dois a seis meses, três pacientes tiveram seus dentes extraídos na mesma sessão em que se inseriram os implantes. O total de implantes inseridos foi de 84 implantes em forma de parafuso, com acabamento em plasma de titânio, do sistema ITI sendo 4 por paciente. A instalação dos pilares deu-se logo após a inserção dos implantes. Foram então obtidas impressões usando a própria prótese do paciente. Construí-se então uma barra de Dolder em U, evitando a confecção de Cantlevers. Tomava-se extremo cuidado para não criação de báscula entre os implantes. Os pacientes foram acompanhados por 10 dias, 2 semanas, 1, 3, 6, 12 meses e, depois anualmente. Nos controles registrava-se a perda óssea marginal, medida por radiografia e, mobilidade do implante. Foram considerados bem sucedidos os implantes que não apresentavam mobilidade; sem evidências de radioluscência peri-implantar; perda óssea vertical anual menor que 0,2 mm depois do primeiro ano de carga; ausência de dor, infecção, neuropatias e parestesias. Não houve nenhuma perda de implante ao longo do primeiro ano. Durante o segundo ano, houve duas perdas e mais uma no terceiro ano. Todas as perdas se deram por reabsorção óssea superior a 0.2 mm por ano. A taxa de sucesso observada foi de 96%. Concluíram evidenciando que o nível de sucesso com carga imediata ou convencional, é aproximadamente o mesmo (GATTI; HAEFLIGER; CHIAPASCO, 2000). Foram pesquisados pacientes completamente edêntulos e, alguns critérios como o osso suficiente para realização de quatro implantes de 12 mm de comprimento entre os forames mentuais; a qualidade óssea tipo III, segundo (LEKHOLM; ZARB, 1985) e o bom estado de saúde sistêmica. Os pacientes foram avaliados clinicamente e radiograficamente com tomografias e radiografias ortopantomográficas demarcadas com guta-percha. Foram inseridos quatro implantes Steri-Oss com tratamento de plasma de titânio segundo protocolo cirúrgico. Os implantes posteriores foram colocados 5 mm anteriormente ao forame mentual e os outros dois 10 mm em relação ao posterior. Foram inseridos de acordo 186 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA com guia cirúrgico pré-fabricado, atentando para que implantes não fossem colocados em local de ameias dentais. A prótese provisória em associação com uma barra colocada 24 horas depois da colocação dos implantes. Observaram em seu estudo alguns quesitos importantes como a estabilidade inicial sendo imprescindível; o osso do tipo II e III (LEKHOLM; ZARB, 1985) fornecendo melhor intimidade de interface; deve existir quantidade óssea para realização de no mínimo quatro implantes de 10 mm de comprimento; a bicortificação incrementa significantemente a estabilidade inicial. Comentam ainda, em relação ao planejamento protético, que a prótese definitiva é que determina a posição, angulação, número e distribuição dos implantes, bem como o tipo da barra a ser usada e sua orientação atentando que esta deve ficar o mais horizontal possível. Concluem ser a associação de implantes com carga imediata um tratamento seguro, realizado em menor tempo, sem necessidade de uma segunda intervenção cirúrgica, eliminando as desconfortáveis próteses provisórias removíveis (RUNGCHARASSAENG; KAN, 2000). A associação de implantes do sistema ITI foi avaliada, sendo submetidos à carga imediata e com uma variação da técnica cirúrgica objetivando uma melhor estética gengival. Foram restabelecidas 22 arcadas, sendo 14 maxilas e 8 mandíbulas, de pacientes selecionados. Dos 151 implantes do sistema ITI fixados, no mínimo quatro por paciente foram submetidos à carga imediata. Destes dois dos 104 implantados na maxila não osteointegraram. Dos 47 implantes fixados na mandíbula, 46 osteointegraram. Os pacientes foram acompanhados por aproximadamente 4 anos. Avaliaram também a efetividade da rotação do retalho. Para tal avaliação classificaram, os resultados conforme a percentagem de recobrimento do espaço interproximal em: 0%, menor que 50%, maior que 50% e 100% de recobrimento do espaço interproximal. Obtiveram uma restituição papilar de 100% em 64% dos pacientes, 28% com mais de 50% e 7% com menos de 50% de recobrimento. Concluíram, após obter 98% de sucesso nos implantes submetidos à carga imediata, um tratamento seguro para reestabelecimento oral em desdentados totais. E ser a técnica de rotação de retalho, uma opção para o desenvolvimento e manutenção da estética gengival, mas estas vão depender de fatores como a arquitetura óssea, do volume de tecido mole que vai efetivamente formar a papila gengival e, do desenho da prótese definitiva (KINSEL; LAMB, 2000). Um estudo de 27 arcadas, sendo 23 mandíbulas e 4 maxilas foi efetuado. Os pacientes negavam-se ao uso de próteses provisórias removíveis. Para tal os pacientes deveriam apresentar condições como o volume e densidade óssea suficiente para a implantação de no mínimo quatro implantes de 4.00 X 10.00 mm para mandíbula e, seis implantes com as mesmas características para a maxila; sem discrepância intermaxilar severa e, possibilidade de distribuição ântero-posterior satisfatória. 72 horas após a colocação dos implantes, instalaram a prótese provisória em uma estrutura metálica rígida. Obtiveram 95% de sucesso clínico e radiográfico. Os implantes que falharam estavam em posição distal ao forame mentual e, não apresentavam tratamento de superfície. Concluem os autores demonstrando a praticabilidade da técnica desde que observadas condições sistêmicas e locais dos pacientes bem como as indicações (JAFFIN; KUMAR; BERMAN, 2000). A influência da mono ou bicorticalização para ancoragem dos implantes com finalidade de colocação da carga imediata das próteses foi avaliada neste estudo. Foram acompanhados por quinze anos, os tecidos perimplantares, clinicamente e radiograficamente e, a perda óssea em implantes Branemark®, tanto com ancoragem óssea monocortical como bicortical. Dos 207 implantes (mínimo de 10 mm de comprimento), 110 foram colocados envolvendo apenas uma cortical e 97 187 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA estavam bicorticalmente ancorados. Destes, 18 implantes falharam. A percentagem de sucesso foi de 96% nos implantes fixados monocorticalmente e 85% nos instalados bicorticalmente, alertando que a maioria das falhas aconteceu por fratura dos componentes protéticos e não por falha da osseointegração. Aconteceram mais fraturas em implantes ancorados bicorticalmente, provavelmente pelo desing dos implantes e pela resultante de forças nestes implantes. As falhas de osteointegração ocorreram em pacientes com osso tipo III. Observaram durante os 15 anos de estudo, avaliando radiografias, uma média de 1 mm de perda óssea cervical, independente do tipo de ancoragem. Estudos evidenciam que as cargas aplicadas sobre os implantes resultam em forças laterais na região mais apical do dente, logo acontecendo uma atrofia por desuso, ou seja, menor esclerose óssea na região cervical do implante. Existem ainda outras possibilidades para explicar as falhas como o aumento do estresse e das forças laterais por próteses desadaptadas e/ou desajustadas, discrepâncias intermaxilares severas ou ainda deficiências sistêmicas (IVANOFF; GRONDAHL; BRÄNEMARK et al., 2000). A aplicação de carga imediata em implantes Bränemark foi estudada através de Overdenture com sistema Barra-Clip para o restabelecimento de mandíbulas totalmente edêntulas. O estudo comparou um grupo teste com carga imediata e um grupo controle sob protocolo de dois estágios. Os pacientes foram especificamente selecionados, com uma adequada higiene oral, mandíbula edêntula, ausência de inflamação, sem história de químio e radioterapia, quantidade, volume e qualidade óssea suficientes para instalação de 4 implantes de 3.75 X 13 mm e principalmente saúde sistêmica. Dez pacientes receberam 40 implantes do sistema MKII Bränemark® fixados na região interforames mentuais da mandíbula. Abutments foram imediatamente instalados e conectados rigidamente com uma barra e, carregados imediatamente pela Overdenture. Dez pacientes do grupo controle receberam implantes idênticos sob o protocolo de dois estágios cirúrgicos. Após 4 a 8 meses receberam abutmens e, confeccionadas as Overdentures. Os implantes foram proservados no pós-operatório imediato e por um período de 6, 12 e 24 meses, sendo avaliados tanto os implantes como as próteses. Nos controles eram aferidos os parâmetros de índice de placa, teste de sangramento, profundidade de sondagem e o Periotest foram devidamente aplicados. Reabsorção óssea perimplantar era verificada em radiografias panorâmicas no pós-operatório de 12 e 24 meses. Não foram observadas diferenças significantes entre os dois grupos em nenhum dos parâmetros. Os autores concluiram que a técnica de carga imediata em implantes osteointegráveis, quando criteriosamente empregada, o sucesso era constatado, sendo de 97% nos dois grupos do estudo. Para tal, os implantes devem estar rigidamente conectados por uma Barra Dolder. A técnica é uma alternativa para tratamento de mandíbulas edêntulas em pacientes que não se submetem ao uso de próteses provisórias removíveis (CHIAPASCO; ABATI; ROMEO et al., 2001). Maxila totalmente edêntula de um paciente com 55 anos de idade que apresentava na mandíbula seus remanescentes dentários condenados periodontalmente foi analisada. O paciente enquadrava-se nas indicações do tratamento com carga imediata, não apresentando qualquer contra indicação de saúde sistêmica. Removeram-se os elementos dentários da mandíbula e 3 semanas depois foram instalados três implantes segundo o protocolo do sistema Novum®. Seguiu-se a confecção da prótese inferior conforme o sistema Novum e prótese total superior. Não foram observadas complicações cirúrgicas nem protéticas. O paciente demonstrou grande satisfação com o tratamento (HARRIS, 2001). 188 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Uma série de pacientes reabilitados com carga imediata foi estudada. Foram tratados 27 pacientes, desdentados totais ou com dentição praticamente irrecuperável na mandíbula, sendo 15 homens e 12 mulheres com média de idade de 65 anos. Oito pacientes eram portadores de prótese total superior, nove tinham dentes naturais ou prótese fixa na maxila. Um paciente era fumante inveterado, dois apresentavam Diabete tipo II controlada e sete eram hipertensos. Os pacientes deviam estar habilitados sistemicamente e ter possibilidade de receber quatro implantes de 10 mm de comprimento na região da sínfise mandibular. Durante a cirurgia, a critério do cirurgião visto a estabilidade inicial dos implantes, sepultava-se ou submetia-se à carga imediata. Num total de 186 implantes, 161 apresentaram condições de serem carregados imediatamente e 25 foram sepultados. Estes geralmente estavam associados a enxertos ou regeneração tecidual guiada. 15 pacientes tiveram todos os implantes submetidos à carga imediata. Os pacientes foram tratados por dentistas e laboratórios de prótese diferentes e agrupados posteriormente para realização da pesquisa. As próteses provisórias foram instaladas de 2 a 7 dias depois da fixação dos implantes sendo ressaltada a importância de um criterioso ajuste oclusal. O resultado foi de mais de 99% de sucesso nos implantes carregados imediatamente. Na totalidade, sob carga imediata (160/161) e, sepultados (25/25), 99,5% de sucesso obtido clínico-radiográfico na fixação dos implantes osseointegráveis durante um período de em média 25 meses de proservação (variando de 13 a 41 meses de acompanhamento). Os autores concluem que o uso de implantes osteointegráveis em associação com carga imediata trata-se de uma alternativa de tratamento para reestabelecimento de mandíbulas edêntulas, desde que, respeitadas indicações e contra-indicações bem como as condições sistêmicas de saúde do paciente, usando-se técnicas cirúrgicas e protéticas adequadas (GANELES; ROSENBERG; HOLT et al., 2001). Foi realizado um trabalho comparando clinicamente o sucesso obtido, realizando-se carga imediata em implantes imediatos e, em implantes instalados em alvéolos cicatrizados. Dezenove implantes foram colocados imediatamente após a extração do elemento dentário e, nove em locais cicatrizados. Foram instaladas coroas provisórias em acrílico. Após o período preconizado para o reparo alveolar de três a seis meses segundo protocolo de dois estágios cirúrgicos, foram instaladas as próteses fixas em mêtalo-cerâmica unitariamente. O sucesso observado foi de 82.4% nos implantes imediatos com carga imediata e de 100% para os implantes instalados em osso cicatrizado e sob carga imediata. O acompanhamento dos pacientes foi de seis a vinte e quatro meses desde a data da colocação. A perda óssea marginal observada radiograficamente depois de três meses, não se estendeu além da junção abutment implante. Os autores concluiram que a carga imediata sobre implantes colocados em locais cicatrizados, constitui-se uma alternativa possível, enquanto a carga imediata sobre implantes fixados imediatamente após a extração apresentou um risco de 20% de insucesso neste estudo (CHAUSHU; CHAUSHU; TZOHAR et al., 2001). A evolução microscópica e histofotométrica do tecido ósseo perimplantar foi verificada em macacos, quando os implantes eram colocados sob carga imediata. Utilizando seis macacos adultos M. fascicularis, instalaram 35 implantes após extração e um período de cicatrização dos pré-molares e molares, sendo que um grupo recebeu carga imediata após a colocação dos implantes e, outro grupo serviu de controle respeitando-se o protocolo de dois estágios cirúrgicos. Em todos os macacos não foram observados sinais de infecção ou inflamação dos tecidos perimplantares e, os implantes osteointegraram em aproximadamente três meses sob 189 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA comprovação clínica e radiográfica. Os animais foram mortos e amostras obtidas e, preparadas para análise microscópica e histofotométrica. Na análise microscópica os implantes submetidos à carga imediata estavam osteointegrados, observando-se osso lamelar circunjacente aos implantes em macacos sacrificados após sete meses da instalação dos implantes. Nos terços médio e apical observou-se grande deposição de osso neoformado. Ainda microscopicamente, os implantes realizados em dois estágios cirúrgicos estavam osteointegrados, sem presença de infecção ou inflamação dos tecidos perimplantares e, sem formação de tecido conjuntivo na interface osso-ximplante. Na avaliação histofotométrica observou-se uma percentagem de contato osso-x-implante nos implantes sob carga imediata de 65% e, nos implantes controle 68% de contato. Num segundo estudo avaliaram a densidade do osso em contato com o implante e notaram 77% de mineralização nos implantes submetidos à carga imediata, enquanto nos implantes instalados e não submetidos à carga, este valor foi de 65% de mineralização do osso perimplante. Concluíram os autores ser a técnica de instalação dos implantes e colocação de carga imediata uma alternativa viável de tratamento. Para isto os implantes devem ser esplintados entre eles. Expõem como vantagem desta técnica um aumento da ossificação do osso alveolar em torno dos implantes (ROMANOS; GAIT; SIAR et al., 2002). Foi avaliado o design de implantes dentais desenvolvidos para carga imediata, sendo analisados quanto ao elemento finito. O estudo pesquisou a influência do design de três diferentes implantes dentais em micromovimentação, intensidade do estresse cervical e, distribuição do estresse após colocação de carga nos implantes. Foram investigados o clássico implante cilíndrico parafusado, um segundo implante que apresenta pins que se expandem em direção às corticais e, um terceiro possuindo um sistema que expande o terço médio e apical do implante. Todos eles visando maior estabilidade inicial para o avanço da carga imediata em implantes dentais. Os parâmetros analisados foram a geometria dos implantes, a qualidade do osso onde foram instalados, a orientação das forças oclusais bem como sua distribuição. Dentro dos resultados evidencia-se um aumento da estabilidade inicial no implante com pins de expansão cortical quando comparado aos outros implantes estudados, independente da qualidade óssea onde foram colocados bem como da orientação das cargas oclusais, sendo obtida marca de 500N a mais quando implantados em osso de baixa qualidade. Os implantes de expansão apical e pins exibiram-se mais favoráveis quando avaliados quanto a distribuição e intensidade do estresse cervical em relação à carga oclusal, sendo observado uma diminuição do estresse cervical quando comparado ao implante parafusado. Nos implantes cilíndricos parafusados o estresse está concentrado na região da cabeça do implante. Nos implantes com expansão apical, o estresse é orientado mais na região apical do implante e, nos implantes com pins de travamento, o estresse concentra-se em torno dos pins de titânio. Os autores concluem então que o implante com o travamento por pins apresenta maior estabilidade inicial e, os implantes com expansão apical têm a vantagem de distribuir de forma mais uniforme as cargas oclusais (PIERRISNARD; HURE; BARQUINS et al., 2002). Os efeitos da carga imediata em implantes cilíndricos parafusados e tratamento de superfície com Hidroxiapatita usados para reposição de um único elemento dental foram analisados. Foram colocados em dez pacientes e, as próteses provisórias eram feitas em acrílico e instaladas imediatamente após a cirurgia. A prótese mêtalo-cerâmica definitiva era colocada seis meses após a realização da cirurgia para colocação dos implantes. Para análise foram realizadas radiografias padronizadas com 1, 3, 6 e 12 meses após a cirurgia sendo demonstrando uma 190 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA reabsorção do osso marginal de 0.58, 0.73, 0.84 e 0.90mm, respectivamente. Também foram aferidas medidas quanto à mobilidade dos implantes com o Periotest. No dia da cirurgia o valor obtido foi de – 3.3, não sendo observadas grandes disparidades nas próximas medições, - 3.37, - 3.47 e –3.63 em 3, 6, e 12 meses respectivamente. A profundidade de medida do sulco gengival também foi usada como parâmetro de avaliação. Ressecções de 0.43 mm foram observadas em média, visto variações da saúde perimplantar. A saúde dos tecidos moles, mobilidade e perda óssea marginal apresentaram condições muito próximas quando comparados aos implantes colocados sob protocolo de dois estágios cirúrgicos. Os resultados evidenciam que, quando observados critérios e indicações já estabelecidos pela literatura científica, a reabilitação com implantes sob carga imediata em dentes unitários, pode ser realizada como variação de tratamento. Concordam os autores que há necessidade de mais estudos de carga imediata em elementos unitários para maior segurança em sua indicação (PROUSSAEFS; KAN; LOZADA et al., 2002). A realização de carga imediata em implantes imediatamente fixados após extração dental é analisada. A falha da dentição mandibular e maxilar natural por doença periodontal avançada, onde a função e a estética dental eram pobres, numa paciente de 30 anos de idade foi selecionada. A paciente fumante de aproximadamente um maço de cigarros/dia e consumidora social de álcool, também tinha higiene oral deficitária. A proposição do tratamento com implantes dentários sob carga imediata está indicada, pois em conversa com a paciente, esta relatava a fobia da ausência de dentes e/ou prótese provisória removível, a dificuldade de locomoção para tratamento segundo protocolo consagrado, além das condições dentais citadas. A paciente foi submetida à anestesia geral associado a anestesia terminal infiltrativa com Bupivacaina 0,5% buscando hemostasia adequada. Os remanescentes dentais extraídos e a curetagem/com tratamento do alvéolo foram realizados. Posterior alveoloplastia foi realizada para estabelecer melhores condições à reabilitação oral da paciente. Foram instalados oito implantes NobelBiocare na mandíbula, cinco implantes de 3.75 X 18 mm fixados na região anterior desta e três implantes de 4.00 X 10 mm na região posterior da mandíbula. A qualidade óssea foi determinada pelo cirurgião no trans-cirúrgico com osso tipo II (LEKHOLM; ZARB, 1985). Todos os implantes foram submetidos à carga imediata por prótese provisória em acrílico reforçada em metal na porção lingual. No arco maxilar prótese total imediata foi planejada e, restabelecidos previamente a dimensão vertical e a oclusão. O caso relatado demonstra o sucesso clínico que pode ser obtido, neste caso foi de 100% num período curto de proservação, bem como as vantagens desta modalidade de tratamento quando os critérios e indicações sendo observados. A maior satisfação do paciente nesta opção de tratamento é significativa. Os parâmetros e previsibilidade de sucesso do tratamento demonstram a possibilidade da sua realização existindo, contudo a necessidade de maiores estudos para uma transformação profunda da comunidade da Implantodontia (BALSHI; WOLFINGER, 2002). Reabilitações dentais inferiores de pacientes foram estudadas, sendo instalados implantes imediatamente após a exodontia e, submetidos à carga imediata para serem estudados clinicamente os percentuais de sucesso. Dez pacientes foram previamente selecionados dentro dos critérios de saúde já estabelecidos para possibilidade da colocação de implantes dentários e que possuíam elementos dentais com indicação de extração na mandíbula. Os pacientes foram anestesiados e realizadas as exodontias, a fixação dos implantes e a confecção e instalação das próteses provisórias fixas sobre os implantes. Cada paciente recebeu em torno de 191 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA cinco a seis implantes na região interforames. Destes, um número de quatro implantes era utilizado para suportar a prótese provisória confeccionada em acrílico e, reforçada com metal. O critério para determinar os implantes que suportariam a prótese era o julgamento da estabilidade inicial, apresentar travamento apical e, o posicionamento e direção espacial dos implantes. Ressalva para o estudo prévio da oclusão dos pacientes, sendo que os guias cirúrgicos/futura prótese provisória foram confeccionados visando reestabelecer os paciente em relação cêntrica. Não se confeccionou próteses provisórias com Cantlever. Os pacientes eram medicados e orientados, principalmente a realizar dieta líquida durante a primeira semana e, não realizar força excessiva bem como movimentos de rasgar alimentos. Os pacientes foram proservados com 1, 3 e 12 semanas. Com doze semanas, realizava-se a moldagem para confecção da prótese definitiva dentro dos princípios e técnicas protéticas. Após um período que variou de 6 a 18 meses, dependendo da colaboração do paciente, todos os cinquenta e quatro implantes demonstravam osseointegração clínica e radiográfica e, 100% de sucesso nos testes de mobilidade garantiam a osteointegração. Os autores colocam a realização da técnica de carga imediata como possível desde que sejam observados os critérios, indicações e vantagens para sua utilização (COOPER; RAHMAN; MORIATY et al., 2002). O SISTEMA BRÄNEMARK NOVUM® O sistema Novum® que começou a ser concebido no ano de 1980 é um desenvolvimento do Centro de Osteointegração Bränemark®, em Gotemburgo, na Suécia, sendo projetado especificamente para tratamento de mandíbulas edêntulas. Em estudos mais aprofundados em osseointegração foram observados o comportamento do tecido ósseo, destacando a grande capacidade de regeneração e resposta aos implantes de titânio. Estudaram a possibilidade de simplificar o procedimento cirúrgico, culminando no desenvolvimento do conceito Novum®, baseado na instalação de implantes com carga imediata. Esta técnica foi estudada e aperfeiçoada por 16 anos para que fossem apresentadas suas aplicações clínicas e previsibilidade de tratamento (BRÄNEMARK, 2001). O resultado de três anos de aplicação do sistema Novum® foi apresentado. Entre 1996 e 1998 foram tratados cinquenta pacientes, com idade média de 64 anos. Todos estavam em boas condições de saúde e 14 eram fumantes. Trinta e um pacientes tinham a mandíbula edêntula e, havia menos de um ano, cinco deles de 1 a 5 anos e, dez por mais de 5 anos. Ao todo, foram inseridos 150 implantes, sendo 3 por paciente. Antes da inserção dos implantes, fez-se uma avaliação radiográfica da qualidade e quantidade do osso nas áreas de inserção utilizando a escala proposta (LEKHOLM; ZARB, 1985). Um total de 123 implantes foram inseridos em osso de qualidade II. 75 implantes foram inseridos em áreas com quantidade óssea B e, outros 42 em áreas de quantidade A. Nenhum implante foi inserido nas piores condições de qualidade IV ou quantidade E. Outras avaliações do paciente incluíram distância intermaxilar, relações oclusais e estado geral de saúde. Do total de 50 pacientes, 42 fizeram a primeira visita anual, 13 fizeram a segunda visita e, apenas 3 a terceira até esta publicação. A taxa de sucesso era de 98%. A maioria dos pacientes não apresentou perda óssea progressiva. As radiografias revelam aumento na densidade óssea com o tempo. Os autores atribuem as falhas ocorridas ao excessivo calor gerado por brocas de maior diâmetro em osso denso, quando ainda se estava tentando reduzir o número de passos na sequência de perfuração (BRÄNEMARK, 2001). 192 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Autores concordam quanto à maior complexidade do procedimento cirúrgico em relação ao procedimento Bränemark clássico. Descrevem a frequente necessidade da osteotomia para o desenvolvimento de tal técnica. Relatam também a importância da observação de outros fatores para obtenção de sucesso com o conceito Novum® e, a precisão na localização dos implantes. Para tal o conceito estabelece modelos, guias e, o planejamento previamente realizado (HIGUCHI; NESS in BRÄNEMARK, 2001). Os resultados de um estudo multicentro realizado em 12 centros Bränemark, em dez países entre os quais o Brasil é apresentado. Ao todo, foram envolvidos 16 pacientes, 9 mulheres e 7 homens, com idade média de 56 anos. Cinco pacientes tinham a mandíbula completamente desdentada há 3 anos ou mais. Outros cinco tiveram dentes extraídos cerca de 2 semanas antes da inserção dos implantes. Sete tiveram dentes inferiores extraídos no mesmo dia da inserção dos implantes. Um dos pacientes tinha 3 implantes na mandíbula que foram extraídos no mesmo dia da inserção dos implantes Novum®. Sete pacientes tinham periodontite aguda ou crônica e, dois deles apresentavam reabsorção severa da mandíbula com superficialização dos forames mentuais. Destacou-se que a ausência de movimentos na interface osso-implante seria requisito básico para realização da carga imediata. Explica-se que este critério seria condição específica para a não formação de tecido conjuntivo na interface osso-implante. Destaca-se também a importância de outros fatores como planejamento, guias e a precisão do ato cirúrgico. Em todos os casos, obteve-se sucesso e a satisfação do paciente. O estudo demonstrou a viabilidade e a confiabilidade da técnica, mesmo sob condições não ideais como no caso de periodontite, acabando por facilitar, agilizando e favorecendo a grande previsibilidade quanto à obtenção do sucesso com a técnica (BRÄNEMARK, 2001). A técnica Bränemark Novum® é um procedimento cirúrgico que requerer mais precisão do que a técnica convencional, iniciando com a necessidade da exposição do rebordo alveolar da mandíbula de forma a permitir boa visualização da anatomia relevante. Indica a somatória de sedação intravenosa e anestesia local aconselhado para maior conforto do paciente (HARRIS, 2001). As razões que alguns autores foram levados a optar pelo sistema Bränemark Novum® como de alto índice de sucesso, como a eficiência da carga imediata já fartamente comprovada em estudos anteriores, a possibilidade de completar a reabilitação da mandíbula em menos de um dia de trabalho. Além disso, a aceitação mais fácil por parte do paciente e, os custos menores. Também, apresentam como vantagem importante do sistema a possibilidade de uma reabilitação protética de altíssima precisão (VASCONCELOS; FRANCISCONE, 2001). Caso clínico de um homem de 49 anos portador de prótese total superior há 20 anos e parcial removível na mandíbula que foi reabilitado segundo a técnica Bränemark Novum® é apresentado. Após estudo e planejamento realizado, levando em consideração a altura facial, a fim de um melhor resultado protético do caso, o paciente foi submetido à sedação endovenosa associada a anestesia local. Os dentes remanescentes extraídos e a realização de um aplainamento da crista alveolar para a colocação dos implantes foi efetuada. Os três implantes que constituem o sistema Bränemark Novum® foram colocados e, orientados pelos guias cirúrgicos, sendo conectados à barra inferior após a sutura. O tratamento protético incluiu a avaliação das relações intermaxilares, confecção da prótese definitiva no mesmo dia, conectada à barra inferior. Após três meses o paciente mostrava clinicamente 193 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA ausência de inflamação e/ou infecção e mobilidade. Radiograficamente a situação demonstrava-se estável (BLOMBÄCK, 2001). CASO CLÍNICO CIRÚRGICO Paciente A. E. P., gênero masculino, 59 anos, leucoderma, bom estado geral, hipertenso controlado com atenolol e clortalidona, além de portador da doença autoimune psoríase, controlada pelo citostático metotrexato, compareceu ao Ambulatório do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco maxilo facial da Associação Hospitalar de Bauru – Hospital de Base. Tinha indicação de Reabilitação Bucal Protética na arcada dentária superior, após 2,5 anos de Reabilitação Bucal Protética com implantes osteointegráveis imediatos com carga imediata. Na arcada inferior foi empregado o Protocolo de Bränemark®, onde foram utilizados 6 implantes com superfície tratada, Osseotite Implant, da marca 3i® Implant Innovations®, com 3,75 mm de diâmetro por 20 mm de comprimento e plataforma protética de 4,1 mm em hexágono externo. Sobre esses implantes foram instalados, imediatamente ao ato cirúrgico, coroas provisórias de resina acrílica termo-polimerizável e, subsequentemente substituídas por coroas métalo-cerâmicas, guardado o tempo protocolar de osteointegração. Verificado o total sucesso do primeiro tratamento, com seguimento, em função e estética satisfatórias, de exatos 2,5 anos e, mediante ao quadro clínico e radiográfico de periodontite avançada dos pilares protéticos das próteses parciais fixas (12-13-14) e (11-21-22), além do 27, pilar também de uma prótese parcial removível (P.P.R.) em precárias condições de uso (Figs. 5 e 6). Após exames laboratoriais de rotina e avaliação da clínica médica, que não contra-indicou procedimentos cirúrgicos, estabeleceu-se e executou-se, passo a passo, o seguinte planejamento de reabilitação bucal protético-implantar: 1. Preparo de um guia cirúrgico com as posições com condição de instalação de implantes em maxila, já previamente determinadas e demarcadas (Figs. 7 e 8). 2. Exodontias múltiplas dos elementos condenados pelo processo patológico periodontal, seguidas de alveoloplastia, realizadas sob anestesia local em ambiente ambulatorial, após incisão gengival e de papilas, além do descolamento mucoperiosteal do retalho (Figs. 9, 10 e 11). 3. Os implantes a serem instalados nas respectivas áreas já demarcadas de 15 e 23: Osseotite Implant, 3i® Implant Innovations®, com 3,75 mm de diâmetro por 15 mm de comprimento e, plataforma protética de 4,1 mm em hexágono externo, e de 13, 12, 21 e 22: Osseotite Implant, 3i® Implant Innovations®, com 3,75 mm de diâmetro por 18 mm de comprimento e plataforma protética de 4,1 mm em hexágono externo foram selecionados. Procedeu-se às sucessivas perfurações preconizadas pela técnica em suas extensões prédeterminadas: com broca cortical esférica (Fig. 12), com a broca cilíndrica milimetrada de 2 mm de diâmetro (Fig. 13), com a broca piloto guia de 2 – 3 mm (Fig. 14), com a broca cilíndrica milimetrada de 3 mm de diâmetro (Fig. 15) e com a broca counter-sink (Fig. 16), seguidas das respectivas instalações dos implantes retro-citados e seus abutments, um a um, sucessivamente (Figs. 17 e 18). 4. Enxerto ósseo autógeno particulado em áreas de perdas ósseas, que futuramente poderiam ser zonas de instalação complementar de mais fixtures, afim de uma maior sustentabilidade protética definitiva final, ato este facultativo, uma vez 194 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA que o preconizado na Literatura, neste tempo operatório já estava sendo executado (Fig. 19). 5. Após sutura adequada com fios de seda 4-0 (Fig. 20), a transformação do guia cirúrgico em coroas provisórias para carga imediata sobre os implantes instalados (Figs. 21, 22, 23, 24 e 25). 6. Ajuste oclusal in loco preservando o padrão de oclusão mutuamente protegida obtida durante a confecção das provisórias laboratorialmente (Fig. 26). 7. Verificação final do padrão estético satisfatório quanto à exposição dos incisivos, com os lábios em repouso (Fig. 27). No sorriso forçado evidenciando o corredor bucal (Fig. 28) e, a presença de selamento labial passivo (Fig. 29). No pós-operatório imediato, além da confirmação radiográfica do bom posicionamento dos fixtures, guardada as relações anatômicas referenciais de importância na maxila, fossa nasal e seios maxilares (Fig. 30). Fig. 5 – Radiografia panorâmica pré-operatória, mostrando as condições bucais do paciente. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 6 – Aspecto clínico pré-operatório, mostrando as condições bucais do paciente. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 195 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 7 – Aspecto protético do caso. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 8 – Aspecto da prótese provisória confeccionada também com a indicação de guia cirúrgico. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 9 – Início da cirurgia para a colocação dos implantes, notando-se a incisão gengival e em papilas. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 196 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 10 – Após o descolamento do retalho, evidenciando doença periodontal avançada. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 11 – Depois da extração das raízes remanescentes, preparo do rebordo para receber os implantes. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 12 – Início das perfurações com brocas para instalação dos implantes. Detalhe da broca esférica para perfuração cortical. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 197 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 13 – Perfurações com a broca cilíndrica milimetrada de 2 mm de diâmetro. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 14 – Perfurações com a broca piloto guia de 2 – 3 mm. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 15 – Perfurações com a broca cilíndrica milimetrada de 3 mm de diâmetro. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 198 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 16 – Perfurações com a broca counter-sink. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 17 – Um dos implantes com superfície tratada por ataque ácido (ácido sulfúrico e clorídrico), Osseotite Implant, da marca 3i® Implant Innovations® sendo instalado corretamente. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 18 – Todos os implantes corretamente instalados com seus intermediários (abutments) em posição. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 199 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 19 – Todos os implantes corretamente instalados e o enxerto ósseo autógeno. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 20 – Aspectos do término da cirurgia com a sutura. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 21 – Adaptadores metálicos para coroas provisórias sobre implantes. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 200 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 22 – Adaptadores metálicos para coroas provisórias preparados sobre os implantes e seus respectivos intermediários. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 23 – A prótese provisória fixa confeccionada para ser instalada nos implantes, obtida a partir do guia cirúrgico e adaptadores metálicos (vista frontal). Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 24 – A prótese provisória fixa confeccionada para ser instalada nos implantes, obtida a partir do guia cirúrgico e adaptadores metálicos (vista cervical). Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 201 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 25 – A prótese provisória fixa confeccionada para ser instalada nos implantes, obtida a partir do guia cirúrgico e adaptadores metálicos (vista oclusal). Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 26 – O caso depois de concluído e instaladas as próteses provisórias fixas. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 27 – O caso depois de concluído e instaladas as próteses provisórias, mostrando a exposição de incisivos com os lábios em repouso. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 202 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Fig. 28 – O caso depois de concluído e instaladas as próteses provisórias, no sorriso forçado evidenciando corredor bucal. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 29 – O caso depois de concluído e instaladas as próteses provisórias, mostrando selamento labial passivo. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. Fig. 30 – Radiografia panorâmica final do caso. Fonte: Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF de Bauru. 203 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA DISCUSSÃO Os resultados da terapia com implantes osteointegráveis pelo protocolo cirúrgico em dois estágios, com período de cicatrização livre de estresse, demonstram-se altamente previsíveis (ROMANOS; GAIT; SIAR et al., 2002). A submersão do implante abaixo do tecido mole, permitindo a cicatrização da área sem a aplicação de carga direta sobre o mesmo, está mais que fundamentada (BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977; ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981; ALBREKTSSON; BRÄNEMARK; HANSSON et al., 1981; BRÄNEMARK, 1983 e ALBREKTSSON; ZARB; WORTHINGTON et al., 1986). Os avanços da metalurgia e design dos implantes são apontados para possibilidade da ancoragem de próteses removíveis ou fixas. Sabe-se que o titânio é altamente biocompatível quando apresentado na forma pura (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986). Muito embora o protocolo convencional, em dois estágios, esteja firmemente consolidado, as pesquisas mostraram uma confiabilidade da técnica de um estágio somente, além da aplicação subsequente da carga imediata sobre os implantes, que foi perfeitamente demonstrado no caso clínico cirúrgico apresentado. Dentre os requisitos citados, a ausência da carga funcional sobre os implantes durante o período de cicatrização representa um aspecto fundamental para formação de tecido ósseo. A aplicação da carga em implantes foi exaustiva, sendo que, após 10 anos de estudos clínicos, foi estabelecido que a osteointegração requeresse um período de cicatrização equivalente de três a quatro meses na mandíbula e, cinco a seis meses na maxila (BRÄNEMARK; HANSSIN; ADELL et al., 1977; BRUNSKI; MOCCIA; POLLACK et al., 1979; ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981; ALBREKTSSON; BRÄNEMARK; HANSSON et al., 1981; BRÄNEMARK, 1983; ALBREKTSSON; ZARB; WORTHINGTON et al., 1986 e ALBREKTSSON; DAHL; ENGEVALL et al., 1988). A previsibilidade dos procedimentos cirúrgicos de duas etapas quanto à estabilidade das próteses fixas na região da mandíbula apontam para uma taxa de sucesso entre 95 e 99%, durante um período de dez anos de proservação (ADELL; LEKHOHLM; ROCKLER et al., 1981 e ALBREKTSSON; DAHL; ENGEVALL et al., 1988). Tais asserções caíram por terra com estudos longitudinais na década de 1980 onde foi comprovado exatamente o contrário após 15 anos de pesquisa e seguimento, apontando a carga imediata como uma realidade plausível. Isto foi perfeitamente demonstrado no caso apresentado, tanto da aplicabilidade da carga imediata em mandíbula, como em maxila, com resultado positivo em ambas as situações. Outro fator que já não é mais motivo de discussão é quanto à forma dos implantes, independente do protocolo a ser seguido. Os implantes rosqueáveis são preferíveis aos implantes lisos, impreterivelmente quando for utilizada a colocação de carga imediata (RUNGCHARASSAENG; KAN, 2000), uma vez que os mesmos apresentam uma maior área de superfície, resultando em maior contato inicial osso e implante, maior retenção mecânica, assim como maior estabilidade inicial (BRUNSKI, 1992). Indiscutível também, embora não haja diferença significativa no índice de sucesso de implantes lisos ou de superfície rugosa, dados recentes sugerem que implantes com superfície rugosa oferecem maior contato osso-x-implante. Favorece assim a cicatrização e, além de proporcionar uma maior fixação do implante durante a fase de cicatrização, representa clinicamente um maior torque 204 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA para remoção (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; BUSER; SCHOROEDER; SUTTER et al., 1988; BUSER; WEBER; LANG, 1990; WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997; BAKER; LONDOM; O’NEAL, 1999; ROYNESDAL;AMBORSEN; HAANAES, 1999; COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999 e 1999; COOPER; RAHMAN; MORIATY et al., 2002 e LONDON; ROBERTS; BAKER et al., 2002). Em contrapartida, autores observaram maior sucesso clínico quando os implantes tinham a superfície tratada de alguma forma, sugerindo que a interface implante-x-osso, depende do tratamento da superfície e, da condição físico-química e bioquímica do local implantado. Os estudos demonstram que o processo de formação e mineralização da matriz pelos osteoblastos é modificado conforme o tratamento da superfície do implante. As análises sugerem que a adesão celular é alterada pela superfície nas fases iniciais da cicatrização repercutindo na qualidade da osteointegração. Afirmam ainda que um maior acúmulo de células sanguíneas nas microporosidades favorece, além de melhorar muito o processo de osteointegração. Cria-se uma microancoragem adicional, promovendo uma diminuição no peso/pressão por unidade de área. Portanto, áreas de alto estresse são diminuídas e, em longo prazo a reabsorção marginal é minimizada (PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 e 1997; COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999 e 1999; ROYNESDAL; AMBORSEN; HAANAES, 1999 e PROUSSAEFS; KAN; LOZADA et al., 2002). O tratamento da superfície não produz toxicidade celular nem efeitos sobre a biocompatibilidade. Em microscopia eletrônica demonstram-se os efeitos do tratamento de superfície quanto aos mecanismos de adesão celular. Nos implantes de superfície plana comprova-se a adesão de osteoblastos, entretanto nos implantes tratados com ataque ácido ou com JPT, os osteoblastos apresentam-se aderidos ao implante em maior quantidade, apresentando ainda morfologia celular alterada, com inúmeros pseudopodos unidos diretamente ao titânio. Afirmam os autores que esta capacidade de diferenciação celular esta intimamente relacionada com melhor osseointegração, evidenciada nos implantes com tratamento de superfície, independentemente de se tratar de jato de plasma de titânio ou ataque ácido dos implantes (ORSINI; ASSENZA; PIATELLI et al., 2000; PARK; DAVIES, 2000; BRÄNEMARK, 2001 e LUMBIKANONDA; SAMMONS, 2001). O selamento entre implante e tecido adjacente é mediado por glicoproteínas semelhantes àquelas encontradas na dentição natural. Esse selamento na interface osso-implante pode ser aumentado a partir de alterações na superfície do implante (DONLEY; GILLETTE, 1991; CORIGLIANO; QUARANTA; SCARANO et al., 1995 e BRÄNEMARK, 2001). O presente trabalho corrobora com toda a literatura retro-citada, uma vez que os implantes utilizados, tanto na reconstrução protético-implantar da mandíbula, como da maxila, foram rosqueáveis e de superfície tratada com ataque ácido (ácido sulfúrico e clorídrico), Osseotite Implant, da marca 3i® Implant Innovations®. Foi demonstrado através dos valores de torque para remoção dos implantes, bem como a mensuração morfométrica e a mensuração do valor de torque para auto-rosqueamento de acordo com o tipo de implante. Observaram os autores um aumento na força de torque de remoção dos implantes de acordo com o aumento do diâmetro do implante, sendo que o implante de 3 mm de diâmetro teve um torque de remoção de aproximadamente 30 Ncm e, para implantes de 6.0 mm de diâmetro este valor passa para 90 Ncm (IVANOFF; SENNERBY; JOHANSSON et al., 1997). 205 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA A despeito de não haverem informações objetivas, o aumento da área de contato entre implante-x-osso pode ser extrapolado por uma razão lógica matemático-física para este aumento relacionado também ao comprimento do implante. Não somente ao seu diâmetro, pois os dados sugerem que implantes com superfície rugosa oferecem maior contato osso-x-implante, favorecendo assim a cicatrização, que além de proporcionar uma maior fixação do implante durante a fase de cicatrização, representa clinicamente um maior torque para sua remoção. O caso clínico cirúrgico demonstrado endossa as proposições anteriores, uma vez que, implantes de comprimento elevado (15, 18 e 20 mm – comprimento x 3,75 mm – diâmetro), guardando as limitações anatômicas para sua fixação, foram instalados, tanto na mandíbula, como na maxila. Em virtude disso, várias medidas têm sido tomadas para reduzir o tempo de cicatrização. No protocolo cirúrgico de um estágio foi estudado e comprovado que a submersão dos implantes não é um pré-requisito para a osteointegração (International Team of Implantology (ITI)) que desenvolveu um procedimento de estágio cirúrgico único para a colocação de implantes (BUSER; SCHOROEDER; SUTTER et al., 1988 e BUSER; WEBER; LANG, 1990). Um estudo envolvendo três grupos de pacientes foi analisado (SAGARA; AKAGAWA; NIKAI et al., 1993). No grupo 1 os implantes foram executados num estágio cirúrgico sem colocação de barra; no grupo 2 os implantes carregados por instalação de uma barra e, no grupo 3 os implantes foram sepultados. Observaram leve gengivite no grupo 2, enquanto que no grupo 1 constatou-se tecido gengival saudável. Discreta reabsorção óssea corono-apical no grupo 2, mas sem significância com semelhantes resultados (SALAMA; ROSE; MINSK et al., 1996). Microscopicamente diminuição da crista alveolar no grupo 2 até mesmo com exposição das espirais e, no grupo1 tecido ósseo pobre em aposição óssea. Entretanto não há diferença significativa entre o grupo com carga imediata e sem carga imediata. Avaliando o contato ósseo direto na interface osso-implante a porcentagem encontrada no grupo 1 foi de 60%, no grupo 2 de 50% e, no grupo 3 foi de 80% sendo observada maior aposição óssea neste grupo. Os mesmos níveis de sucesso foram demonstrados quando comparados os protocolos de um e dois estágios cirúrgicos (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997). O caso exposto ratifica que o sucesso independe do tipo de protocolo de instalação de implantes, se em um ou dois estágios, ou mesmo com carga imediata. Contudo, o sucesso deste protocolo depende de vários fatores que devem ser levados em conta durante o diagnóstico, tais como os critérios e indicações para aplicação da carga imediata, que devem estar baseados nos fundamentos clínicos e biomecânicos da Implantodontia. Persistia ainda o inconveniente das próteses provisórias. Assim, iniciou-se o protocolo de um estágio cirúrgico e colocação da carga imediata, ou seja, a colocação de uma prótese logo após o procedimento cirúrgico, representando uma alternativa viável para a reabilitação de pacientes com perda parcial ou total dos dentes, sem o desconforto e insatisfação das próteses provisórias. Assim, foi constatado que o processo de osteointegração decorrente do uso de implantes na mandíbula anterior, não é prejudicado pela carga imediata, quando os implantes forem instalados após planejamento minucioso e de forma adequada (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; HENRY; ROSENBERG (1994); CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 e 1997; SKALAK (2001); BRÄNEMARK (2001) e BALSHI; WOLFINGER (2002). Embora os critérios e 206 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA indicações para aplicação da carga imediata, que devem estar baseados nos fundamentos clínicos e biomecânicos da Implantodontia, tenham sido seguidos criteriosamente, o quesito prótese provisória não foi considerado um inconveniente quanto a desconforto ou insatisfação por parte do paciente. Muito menos na reabilitação da mandíbula, nem da maxila, pois os implantes foram instalados, após planejamento minucioso e de forma adequada, com a subsequente instalação de próteses provisórias, porém, fixas, que em tempo oportuno tiveram e terão suas respectivas próteses fixas definitivas confeccionas. Mesmo postulado que a colocação de carga prematura sobre os implantes no período de cicatrização, antes da adequada mineralização e organização do tecido ósseo, poderiam induzir a formação de tecido fibroso interposto entre o implante e o tecido ósseo (ALBREKTSSON; BRÄNEMARK; HANSSON et al., 1983; ALBREKTSSON; ZARB; WORTHINGTON et al., 1986 e ALBREKTSSON; DAHL; ENGEVALL et al., 1988), a carga imediata, por si só, parece não ser responsável pela formação deste tecido intermediário não-ósseo (SZMUKLER-MONCLER, 2000 e BRÄNEMARK, 2001). No caso exposto, em nenhum dos tempos cirúrgicos, seja da mandíbula ou da maxila, foi observado também tal evento indesejável e característico de insucesso. O conceito de carga imediata foi desenvolvido e o protocolo de um estágio cirúrgico tem sido aplicado como uma alternativa para reabilitação bucal em menor tempo quando comparado ao protocolo tradicional, simplificando os procedimentos, além de aumentar a satisfação do paciente (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 e 1997; SKALAK, 2001; BRANEMARK, 2001 e BALSHI; WOLFINGER, 2002). No presente relato, a eficiência e a eficácia que medem respectivamente a resolutividade e a rapidez da técnica, que por sua vez simplifica o procedimento, foi notada não só clínica e radiograficamente, mas também pela satisfação do paciente. Tanto estética quanto funcionalmente não apresentou queixas, nem mesmo com relação ao seu hobby, pois sendo musicista amador, executante de um instrumento de sopro, refere que mesmo a embocadura para o toque do seu trompete não foi alterada após a reabilitação protético-implantar. Isso aconteceu tanto na fase de próteses provisórias quanto nas definitivas, uma vez que os parâmetros que norteiam a confecção protética quanto ao fechamento adequado das ameias interdentais, foram alcançados. A exposição dos incisivos com os lábios em repouso ou em sorriso forçado, a presença de corredor bucal com um perfeito alinhamento e nivelamento dental nas arcadas superior e inferior, além de um selamento labial passivo, também foram objetivados. É evidente, que o protocolo da carga imediata, necessita de maiores critérios na escolha dos pacientes em que serão aplicados. Os pacientes selecionados devem ser edêntulos totais, adequada higiene bucal, sem histórico de radioterapia, boa saúde sistêmica, ausência de bruxismo, não fumantes, portadores de osso tipo I ou II, moderada reabsorção óssea, além de serem capazes de receber pelo menos quatro implantes (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; KUPEYAN; MAY, 1998; WORHLE, 1998; GATTI; HAEFLIGER; CHIAPASCO, 2000; GANELES; ROSENBERG; HOLT et al., 2001; CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001 e ROMANOS; GAIT; SIAR et al., 2002). No caso clínico apresentado, os critérios básicos preconizados na Literatura para seleção dos pacientes a serem submetidos à carga imediata foram seguidos, pois 207 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA o paciente não apresentava nenhum problema ou contra-indicação da clínica médica para execução de procedimentos cirúrgicos. Ademais, mostrava a indicação da carga imediata nas regiões anteriores da mandíbula e da maxila, com osso Tipo I e II, respectivamente e, recebendo em cada protocolo implantar 6 implantes com comprimentos entre 15, 18 e 20 mm, denotando boa quantidade óssea e pequena reabsorção óssea loco-regional, de acordo com a indicação dos autores pesquisados. Apesar do conflitante paradoxo entre a coexistência de edentulismo e boa higiene bucal, o paciente no momento da indicação da reabilitação protético–implantar foi orientado e motivado para mudança de hábitos quanto à higiene bucal. Também durante o preparo inicial pré-cirúrgico mostrou-se receptivo a nova postura de manutenção da saúde bucal, passando neste quesito básico a um candidato a reabilitação implantar com carga imediata. Há evidências de que a micromovimentação de um implante em relação ao osso circundante representa a principal razão para a formação de uma cápsula fibrosa, interferindo, assim, no processo da osseointegração (BRUNSKI, 1992). A magnitude do micromovimento que interfere na osteointegração ainda não está bem definida experimentalmente, mas acredita-se estar em uma extensão que varia de 50 a 150 m (SZMUKLER-MONCLER, 2000). Entretanto, tal variação é relatada entre 10 e 20 m de micromovimentação (SKALAK, 2001). A estabilidade inicial é um requisito fundamental, podendo ser obtido por meio de cobertura total do implante pelo osso, com torque de inserção acima de 40 Ncm e, uso de implantes de no mínimo 10 mm de comprimento (BRUNSKI, 1992). O máximo contato osso-ximplante com o osso cortical é essencial para a estabilidade inicial (PIATTELLI; TRISI; ROMASCO et al., 1993 e TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997) e, em casos onde não se consegue o recobrimento total do implante por osso, deve-se optar pelo procedimento em duas fases (HENRY, 1997). Desta maneira, o princípio básico para a instalação de implantes em uma fase ou com carga imediata refere-se à minimização de cargas excessivas, para controlar a micromovimentação dos implantes durante o período de cicatrização. Sem a estabilidade primária torna-se impossível submeter os implantes a carga imediata. É fundamental para a sobrevivência dos implantes imediatamente carregados o ajuste inicial preciso, maior contato implante e osso possível, a densidade do osso cortical e, a não existência de micromovimentos durante o período de remodelação óssea (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 - 1; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; LEDERMANN; SCHENK; BUSER, 1998; RANDOW; ERIKSSON, 1999 e CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). Micromovimentações da interface osso-x-implante são responsáveis pela formação de tecido fibroso, prejudicando a osseointegração (BRUNSKI; MOCCIA; POLLACK et al., 1979). Os micromovimentos estão diretamente ligados ao grau de sobrecarga, podendo alterar a fase inicial do reparo, levando à formação de tecido fibroso ao invés de regeneração óssea e osseointegração. Os micromovimentos acima de 20um podem levar à formação da cápsula fibrosa (SKALAK, 2001) e aqueles de 100 a 150 m podem ser considerados aceitáveis (BRUNSKI, 1992; BIJLANI; LOZADA, 1996 e HORIUCHI; UCHIDA; YAMAMOTO et al., 2000). Pesquisando em macacos, autores observaram microscopicamente uma intensificação no processo de osteointegração quando utilizada a carga imediata sobre os implantes sem micromovimentação (CORIGLIANO; QUARANTA; 208 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA SCARANO et al., 1995; PIATTELLI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998 e ROMANOS; GAIT; SIAR et al., 2002). Mesmo não tendo sido possível a mensuração da extensão da micromovimentação dos implantes instalados nos dois tempos cirúrgicos do caso apresentado, eles tiveram comprimento mínimo bem superior aos 10 mm de referência (15, 18 e 20 mm) e, nenhum deles teve torque de inserção inferior a 45 Ncm, aferidos por Torquímetro da marca Neodent®. Isso tudo a despeito de terem os implantes sido instalados de forma imediata às extrações de dentes periodontalmente comprometidos e raízes residuais. Os locais que receberam os implantes, previamente determinados inclusive no guia cirúrgico, permitiram um contato osso–implante pleno com cobertura total dos mesmos, garantindo a estabilidade inicial fundamentalmente requisitada. Baseado no protocolo de carga imediata em associação com overdentures, os implantes são conectados por meio de estruturas metálicas na forma de barras ou através de próteses fixas bilaterais, minimizando os movimentos de rotação e a transferência de cargas no sentido axial. Promovem assim, maior estabilidade durante a fase inicial de cicatrização (ICHIDA; CAPUTO, 1986). Embora o grau de sucesso de overdentures mandibulares suportadas por dois ou quatro implantes seja similar, foi sugerido que a transferência de carga ao implante pode ser influenciada pelo número e posicionamento dos implantes (RANGERT; GUNNE; SULLIVAN 1991). Verifica-se que, quando os implantes são alinhados, normalmente sendo utilizados dois implantes ou quando não se consegue aumentar a distância ântero-posterior utilizando-se quatro implantes, o grau de movimentação é maior do que quando colocados em configuração estabelecendo um tripodismo, a partir da colocação de três implantes, ou ainda quadrilateral quando usados quatro implantes. Dessa maneira, em situações em que serão utilizados implantes de carga imediata, a colocação de pelo menos três ou quatro implantes parece ser fundamental para estabilização dos mesmos na região da sínfise mandibular. A distribuição dos implantes em maior extensão ântero-posterior pode aumentar a resistência às forças de rotação, logo, menor estresse dos implantes sobre o osso (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999 e JAFFIN; KUMAR; BERMAN, 2000). Muito embora as condições sócio-econômicas do paciente do caso clínico cirúrgico apresentado, tenham lhe favorecido a execução de uma prótese implanto–suportada fixa, o princípio da distribuição dos implantes em maior extensão ântero-posterior pode ser fielmente observado, guardada as limitações anatômicas. Isso, por ser fator mecânico de capital importância, não só nas próteses implanto-muco-suportadas (overdentures), mas também nas implanto–suportadas fixas, obviamente com a indicação da esplintagem dos implantes como quesito também fundamental para manutenção da estabilidade inicial preconizada. Com relação à qualidade do tecido ósseo, o osso cortical, por ser mais denso, apresenta melhor distribuição da carga funcional (JAFFIN; KUMAR; BERMAN, 2000). O osso trabeculado denso, por sua vez, proporciona maior área de contato osso-x-implante, resultando em maior estabilidade inicial. Dessa maneira, o contato inicial osso-x-implante pode ser maior se o implante for colocado em tecido ósseo de boa qualidade. As falhas dos implantes colocados em osso com menor densidade e/ou altura óssea reduzida, como na região posterior da maxila, são maiores do que no osso tipo I ou II (LEKHOLM; ZARB, 1985). 209 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Falha em três dos quatro implantes colocados com carga imediata foi relatada, devido à inserção dos mesmos em uma localização mais distal ao forame mentual, onde a qualidade do tecido ósseo é inferior àquela da área da sínfise mentual (SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997). Ainda que alguns estudos tenham demonstrado resultados favoráveis com a aplicação da carga imediata em implantes colocados na maxila (SALAMA; ROSE; SALAMA et al., 1995; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; PIATTELLI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998; HORIUCHI; UCHIDA; YAMAMOTO et al., 2000 e HARRIS, 2001), os resultados não devem ser extrapolados para a região posterior da maxila, ou a outras situações com osso de pouca densidade, onde sua qualidade e a quantidade é mais desfavorável (SALAMA; ROSE; MINSK et al., 1996; BALSHI; WOLFINGER, 1997; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997 e RANDOW; ERIKSSON, 1999). Esses autores ainda confirmam que implantes curtos, menores de 10 mm, torque de inserção abaixo de 40 Ncm ou associado com enxerto ósseo deverão ser colocados e mantidos submersos. A quantidade de tecido ósseo determina a largura e dimensão do implante. Assim, implantes largos e/ou longos apresentam maior área de superfície para o contato inicial entre o tecido e o implante. Estudos demonstram uma correlação positiva entre o diâmetro/comprimento do implante e os valores de torque para sua remoção. Assim, quanto maior a dimensão do implante, maior o torque necessário para sua remoção (BLOCK; KENT, 1994; OCHI; MORRIS; WINKLER, 1994 e IVANOFF; SENNERBY; JOHANSSON et al., 1997). As maiores falhas na colocação de implantes têm sido relacionadas a implantes curtos, menores que 10 mm de comprimento, tanto para implantes com carga imediata quanto para os implantes convencionais. Os implantes com tamanho mínimo de 10 mm podem melhorar o prognóstico dos implantes imediatos, principalmente quando associados ao osso de boa qualidade (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; LEDERMANN; SCHENK; BUSER, 1998; RANDOW; ERIKSSON, 1999 e CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). A importância da utilização de implantes longos e, sua largura para aplicação da carga imediata, também foram avaliados (RUNGCHARASSAENG; KAN, 2000). Diferentes estudos, afirmam que a colocação de implantes envolvendo duas superfícies ósseas corticais aumenta a estabilidade do implante e, o torque para sua remoção (SCHOROEDER; VAN DER ZYPEN; STICH et al., 1981; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; RANDOW; ERIKSSON, 1999; HORIUCHI; UCHIDA; YAMAMOTO et al., 2000 e IVANOFF; GRONDAHL; BRÄNEMARK et al., 2000). Estudos afirmam que a percentagem de sucesso foi de 96% nos implantes fixados monocorticalmente e, 85% nos instalados bicorticalmente. A maioria das falhas aconteceu por fratura dos componentes protéticos e não por falha da osseointegração. Aconteceram mais fraturas em implantes ancorados bicorticalmente. Alertam quanto às falhas da osteointegração que ocorreram em pacientes com osso tipo III. Observaram durante os 15 anos de estudo, avaliando radiografias, uma média de 1 mm de perda óssea cervical, independente do tipo de 210 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA ancoragem. Estudos evidenciam que as cargas aplicadas sobre os implantes resultam em forças laterais na região mais apical do dente e, logo, acontece uma atrofia por desuso, ou seja, menor esclerose óssea ocorre na região cervical do implante, justificando, assim, a reabsorção óssea marginal (IVANOFF; GRONDAHL; BRÄNEMARK et al., 2000). Autores estudaram em macacos a evolução microscópica e histofotométrica do tecido ósseo perimplantar quando os implantes eram colocados sob carga imediata (ROMANOS; GAIT; SIAR et al., 2002). Em todos os macacos não foram observados sinais de infecção ou inflamação dos tecidos perimplantares e os implantes osteointegraram em aproximadamente três meses sob comprovação clínica e radiográfica. Em análise microscópica os implantes submetidos à carga imediata estavam osteointegrados, observando-se osso lamelar circunjacente aos implantes. Nos terços médio e apical observou-se grande deposição de osso neoformado. Na avaliação histofotométrica viu-se uma percentagem de contato osso-x-implante nos implantes sob carga imediata de 65% e, nos implantes controle 68% de contato. Num segundo estudo avaliaram a densidade do osso em contato com o implante e notaram 77% de mineralização deste osso nos implantes submetidos à carga imediata. Nos implantes instalados e não submetidos à carga, este valor foi de 65% de mineralização do osso perimplante. Expõem como vantagem desta técnica um aumento da ossificação do osso alveolar em torno dos implantes. No entanto, em humanos os maiores números de estudos e de sucesso na implantação com carga imediata têm sido obtidos com implantes instalados na região anterior da mandíbula (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986; HENRY; ROSENBERG, 1994; CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997; LEDERMANN; SCHENK; BUSER, 1998; RANDOW; ERIKSSON, 1999 e JAFFIN; KUMAR; BERMAN, 2000). Por outro lado, a instalação de implantes na região posterior da mandíbula foi evitada, devido à baixa qualidade do osso nessa região, caracterizada pela presença de porosidade óssea e da falta de contato do implante com a cortical oposta (SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1990; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997-1; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1997; PIATTELLI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998 -2; RANDOW; ERICSSON, 1999 e CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). Fator crítico para o sucesso da osseointegração, a densidade óssea deve ser muito bem avaliada. Na região da maxila posterior, a baixa densidade ou altura óssea reduzida constituem fatores responsáveis por um grande número de falhas dos implantes. Desta forma, análise da qualidade e quantidade óssea é extremamente importante na instituição de um protocolo previsível de único estágio, não somente na maxila como também na mandíbula. A instalação de implantes em osso tipo I e II parece ser mais recomendável (PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997 - 1; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997; WEBER; CORSO; SIROTA et al., 1997; LAZZARA; PORTER; TESTORI et al., 1998; PIATTELLI; CORIGLIANO; SCARANO et al., 1998 – 2 e COOPER; RAHMAN; MORIATY et al., 2002). Como já exaustivamente demonstrado, os implantes do caso em estudo tiveram sua instalação em osso dos tipos I e II, compatíveis com o que a 211 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA literatura orienta, guardando a região anterior de maxila, osso tipo II e, a região entre forames mentuais da mandíbula, osso tipo I. Além de comprimento superior a 15 mm e torque acima de 45 Ncm, sendo também possível visualizar radiograficamente que a ancoragem na maioria dos implantes, tanto na maxila, como na mandíbula, foi monocortical. Muitos dos implantes tinham tamanho limítrofe dentro da especificação de fabricação, ou seja, comprimento máximo de 20 mm, e mesmo assim havia osso em quantidade tal que não permitia o travamento bicortical, o que foi irrelevante para que a estabilidade inicial fosse alcançada com propriedade. Uma alternativa considerável na reabilitação bucal, tendo em vista a necessidade de cicatrização sem distúrbio, conflitante com o desejo do paciente em obter uma função imediata, ininterrupta e estética, instigou experiências clínicas que culminaram no desenvolvimento do sistema de implantes transicionais (BALSHI; WOLFINGER, 1997). A instalação de implantes transicionais constitui uma alternativa para pacientes que receberam enxertos ósseos, devido à baixa qualidade ou quantidade óssea. Esse sistema aumenta a margem de segurança para que ocorra a osteointegração dos implantes definitivos, por estes implantes transicionais, sustentarem próteses provisórias, enquanto eram mantidos implantes sepultados para cicatrização sem esforço (BOHSALI; SIMON; KAN et al., 1999; SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1990; SALAMA; ROSE; SALAMA et al., 1995; BALSHI; WOLFINGER, 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997 e CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). Assim, os autores concordam em ser uma alternativa de tratamento a associação de implantes convencionais àqueles sem carga–primários, com implantes submetidos à carga imediata, estes secundários. Os implantes secundários suportam as próteses fixas provisórias até o final da fase de cicatrização dos implantes primários e, após este período, ambos os implantes são incorporados na reabilitação definitiva. Relatam ainda uma segunda alternativa, envolvendo somente a colocação de implantes sob carga imediata, entretanto deve-se considerar a possibilidade de utilização de um número maior de implantes, podendo variar entre seis ou dez, para promover uma maior estabilização da prótese, evitando sobrecargas oclusais que possam comprometer a osseointegração. O caso em estudo talvez possa ser parcialmente enquadrado naquilo que os autores citados preconizam, uma vez que foram instalados seis implantes em cada arcada, com utilização temporária de próteses provisórias fixas em carga imediata. Mesmo que nenhum implante tenha sido sepultado, na maxila, áreas de perda óssea incompatíveis com o recebimento imediato de implantes, receberam, sim, enxerto ósseo autógeno particulado, no intuito de futuramente poderem sustentar no mínimo mais um ou dois implantes, perfeitamente aceitável, pois se tratava ainda de uma prótese provisória. Vários autores avaliaram e obtiveram resultados positivos e bastante encorajadores no emprego da carga imediata sobre implantes osteointegráveis na região anterior da mandíbula e com próteses do tipo Overdenture. Num estudo com um número expressivo de implantes, 514 implantes em 129 pacientes obtiveram 96,1% de sucesso (BABBUSH; KENT; MISIEK, 1986). Um estudo foi realizado comparando os resultados obtidos quando utilizada a carga imediata ou a carga convencional sobre os implantes, após quinze meses atribuindo-se não existir diferença significativa entre os dois protocolos de tratamento (SALAMA; ROSE; MINSK et al., 1996). Mandíbulas de 194 pacientes foram também reabilitadas em quatro trabalhos importantes, tendo sido instalados 776 implantes, com um nível de sucesso de aproximadamente 96,5% contribuindo em muito para o avanço da Implantodontia (CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997;). 212 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA Foram realizaram 429 implantes em 155 pacientes, com um índice de sucesso de 98,5% num estudo proservado por 13 meses (LAZZARA; PORTER; TESTORI et al., 1998). Foram também proservados 16 pacientes por aproximadamente 18 meses e, todos os 88 implantes submetidos à carga imediata osseointegraram (RANDOW; ERIKSSON, 1999). Implantes submetidos à carga imediata foram comparados com os implantes realizados em dois estágios cirúrgicos, sendo relatados resultados sem diferença significativa clinicamente nesta comparação (JAFFIN; KUMAR; BERMAN, 2000). Quatorze (14) pacientes reabilitados com 141 implantes tiveram 97,2% de sucesso (HORIUCHI; UCHIDA; YAMAMOTO et al., 2000). Vinte e um (21) pacientes foram avaliados por 60 meses, alcançando a uma percentagem de 96% de sucesso em 84 dos implantes realizados (GATTI; HAEFLIGER; CHIAPASCO, 2000). Em 10 pacientes foram fixado 4 implantes por paciente e, os resultados obtidos foram de 97,5% após dois anos de proservação (CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). Sucesso também foi obtido na realização de implantes sob carga imediata, num estudo de 27 pacientes que tiveram reabilitadas suas mandíbulas totalmente edêntulas, com 160 dos 161 implantes submetidos à carga imediata osseointegrados após 25 meses (GANELES; ROSENBERG; HOLT et al., 2001). Pouca diferença foi constatada entre a realização da carga imediata ou da carga convencional (CHAUSHU; CHAUSHU; TZOHAR et al., 2001). Trabalho onde foi reabilitada a mandíbula de uma paciente comprometida periodontalmente foi realizado, concluindo o caso com sucesso (BALSHI; WOLFINGER, 2002). Os efeitos da carga imediata para reposição de um único elemento dental foram estudados, sendo instalados dez implantes osteointegráveis em dez pacientes. A saúde dos tecidos moles, mobilidade e perda óssea marginal apresentaram condições muito próximas quando comparados aos implantes colocados sob protocolo de dois estágios cirúrgicos (PROUSSAEFS; KAN; LOZADA et al., 2002). Reabilitações dentais na mandíbula de pacientes, instalando implantes imediatamente após a exodontia, foram realizadas, submetendo-os à carga imediata. Cada paciente recebeu em torno de cinco a seis implantes na região interforames. Destes, um número de quatro implantes era utilizado para suportar a prótese provisória confeccionada em acrílico reforçado com metal. Não se confeccionaram próteses provisórias com Cantlever e, todos os implantes demonstravam osseointegração clínica e radiográfica, ou seja, 100% de sucesso (COOPER; RAHMAN; MORIATY et al., 2002). Estes trabalhos foram realizados dentro dos mesmos parâmetros de critérios e indicações, tanto locais, quanto sistêmicos. Concordam na grande maioria com o mesmo protocolo, via de regra, com pequenas diferenças, onde alguns critérios fundamentais devem ser seguidos para segurança da realização de tal procedimento como: 1. A estabilidade inicial do implante tem caráter imprescindível. 2. Concordam quanto à bicorticalização dos implantes para favorecer a estabilidade primária. 3. A região interforamens mentuais é bastante segura quanto há previsibilidade do tratamento. 4. Os pacientes não devem apresentar grandes discrepâncias intermaxilares e nem parafunções. 5. Quantidade e qualidade óssea para colocação de um mínimo de quatro implantes de no mínimo 10 mm de 213 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA comprimento. 6. Boa distribuição ântero-posterior dos implantes. 7. Os implantes com carga imediata devem estar em máximo contato com o osso cortical, tanto na crista alveolar quanto no ápice, devendo necessariamente ter boa estabilidade primária. 8. Implantes rosqueáveis são recomendáveis, principalmente aqueles que possuem a ponta com 2 mm auto-atarraxante para contribuir com a estabilidade primária. 9. A prótese provisória não deve ser removida durante o período de cicatrização e o ideal é que seja parafusada. 10. Obter o maior tripoidismo possível. 11. Devem ser evitados Cantlever na prótese provisória e, não ultrapassar o primeiro molar na definitiva. 12. Deve-se usar esplintagem rígida nos implantes para evitar micromovimentações. 13. É possível usar apenas três implantes para suportar uma prótese com 12 elementos, sendo um inserido na sínfise e os dois mais distalmente, mas anteriores ao forame mentual, contudo, recomendam outros dois implantes submersos em posições intermediárias e, Cantlever de pouco comprimento, no máximo até primeiro molar. Estes estudos tiveram também metodologia semelhante entre si, inclusive nos critérios e testes para confirmação dos resultados. Proservaram os pacientes radiograficamente para confirmar a osteointegração e, também avaliar os níveis de reabsorção óssea circunjacente ao implante submetido à carga imediata e, também à carga convencional, sendo que não foram observadas diferenças estatísticas significativas. Os estudos concordam entre eles, ocorrer em média 1 mm de reabsorção marginal óssea após uma estabilização do processo de osteointegração. Clinicamente os parâmetros são na maioria dos estudos o aspecto clínico de saúde dos tecidos perimplantares, a profundidade de sondagem do sulco gengival, o valor de mobilidade dos implantes testados com o Periotest e, clinicamente um critério importante que é a satisfação do paciente frente ao tratamento. Concordam os autores quanto aos resultados obtidos, bem como na previsibilidade da técnica da carga imediata quando bem proposta e empregada. Outro fator de comum acordo entre os autores citados é a esplintagem por barra metálica dos implantes, para a confecção das próteses provisórias que devem ser feitas inicialmente com resina acrílica e, posteriormente, a definitiva, em cerâmica. Em concordância com a Literatura pesquisada, o caso clínico cirúrgico apresentado resultou em 100% de sucesso, tanto nos implantes na mandíbula, como na maxila, sendo submetidos à carga imediata. Mesmo com Cantlever nas próteses provisórias parafusadas que não ultrapassaram o primeiro molar, e também na definitiva inferior quando realizada em métalo-cerâmica, ou ainda, sendo realizados implantes imediatos, ou seja, imediatamente após exodontias e, com carga imediata. Ademais, todos os parâmetros e critérios utilizados, tanto para a indicação, como para controle e avaliação do sucesso pós-operatório, foram idênticos e concordantes com o preconizado. A previsibilidade clínica da reabilitação, segundo a técnica da associação de implantes osteointegráveis com a confecção e instalação imediata da prótese na maxila, foi estudada dentro dos mesmos parâmetros e critérios que os estudos na mandíbula citados anteriormente. Tanto quanto à técnica cirúrgica, como protética, os princípios a serem seguidos para obter resultados a contento, os critérios para determinação da saúde perimplantar e osseointegração entre outros fatores. Estudos foram efetuados em três pacientes com a colocação de seis implantes e, a reabilitação protética por confecção de Overdenture, e os autores relatam 100% de sucesso no tratamento com implantes depois de dois anos de acompanhamento (SCHROEDER; VAN DER ZYPEN; STICH et al., 1981). 214 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA A carga imediata foi estudada em 4 pacientes, sendo que estes também obtiveram 100% de sucesso neste pequeno número de pacientes que o estudo compreendia, durante dois anos de proservação (SALAMA; ROSE; SALAMA et al., 1995). Essa técnica foi efetuada em três pacientes e, seus estudos foram publicados em dois artigos e, relatavam 100% de sucesso nos casos realizados, sendo que foram proservados por quatro anos (TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997). Em estudo longitudinal foram reabilitados 48 pacientes através da técnica semelhante à citada anteriormente para mandíbula, sendo que os resultados encorajam a realização da aplicação da carga imediata, pois o sucesso relatado foi de 96,2% (COOPER; KUGELBER; ELLNER et al., 1999 - 2). Essa técnica também foi aplicada na maxila, entretanto para reabilitação de dentes unitários, sendo que o padrão de sucesso alcançado foi de 96% dos 14 implantes sob carga imediata (WÖRHLE, 1998). Estudo clínico foi conduzido com o propósito de reabilitar totalmente a maxila de um paciente, inclusive apresentando elementos remanescentes comprometidos periodontalmente na mandíbula. O tratamento foi realizado pelo sistema Bränemark Novum® e, relatam a satisfação total do paciente após a conclusão do caso (HARRIS, 2001). O presente trabalho também corrobora com estes achados da literatura, ratificando a aplicabilidade da técnica também na maxila. Os estudos mais recentes têm pesquisado sobre a realização de implantes imediatamente instalados após exodontias de elementos condenados. Associa-se no mesmo procedimento a confecção da prótese sendo instalada nas 24 horas após a cirurgia para colocação dos implantes. Inserções foram efetuadas sob carga imediata na mandíbula de 7 pacientes, edêntulos totais ou parciais nesse arco. Seis dos pacientes ainda tinham dentes na mandíbula, mas comprometidos por periodontite severa. Foram inseridos 46 implantes. Os alvéolos foram preparados adequadamente para colocação dos implantes. Os autores concluíram que não há diferença estatística significante quando comparadas as técnicas de carga imediata e sem carga por um período de 5 anos (SCHNITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1990). Foram realizados 14 casos clínicos e, alguns implantes imediatos foram instalados e associados à carga imediata e, após três anos de proservação obtiveram 100% de sucesso, ressaltando a melhor estética gengival (WHÖRLE, 1998). Caso clínico de implante imediato submetido à carga imediata é relatado, destacando além do benefício social e psicológico, uma melhor arquitetura gengival (RIBAS; VAZ, 2000). Pacientes foram reabilitados com implantes imediatos carregados no mesmo procedimento e, afirmam o sucesso da técnica, principalmente na região anterior da mandíbula com os implantes esplintados (JAFINN; KUMAR; BERMAN, 2000). Em um grande número de casos, para melhor localização dos implantes, realiza-se uma alveoloplastia de forma a estabelecer um platô mandibular para a instalação dos implantes (CHIAPASCO; ABATI; ROMEIO et al., 2001). Tal procedimento também é realizado no desenvolvimento da técnica cirúrgica aplicado ao sistema Bränemark Novum® (BLOMBÄCK, 2001; HARRIS, 2001; SKALAK, 2001 e CHAUSHU; CHAUSHU; TZOHAR et al., 2001). Estes autores realizaram um trabalho comparando clinicamente o sucesso obtido, realizando-se carga imediata em implantes imediatos e, em implantes instalados em alvéolos cicatrizados. Dezenove implantes foram colocados imediatamente após a extração do elemento dentário e, nove foram colocados em locais cicatrizados. O sucesso 215 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA observado foi de 82.4% nos implantes imediatos com carga imediata e, de 100% para os implantes instalados em osso cicatrizado e sob carga imediata, depois de seis a vinte e quatro meses desde a data da colocação. Os autores concluíram que, a carga imediata aplicada sobre implantes instalados em áreas cicatrizadas constitui-se uma alternativa possível, enquanto a carga imediata sobre implantes fixados imediatamente após a extração apresenta um risco de 20% de insucesso neste estudo. A associação de implantes imediatos com carga imediata em uma paciente que apresentava doença periodontal avançada nos elementos dentais existentes, a função mastigatória e o sorriso comprometidos foi realizada. Assim foram efetuados os implantes imediatos, sendo que os instalados posteriormente ao forame mentual foram sepultados para incorporarem a prótese definitiva. Concluíram o caso com sucesso, ressaltando a importância psicológica que esta modalidade de tratamento produz, gerando muita satisfação nos pacientes que concordam com os riscos, por menores que sejam que este procedimento possa trazer (BALSHI; WOLFINGER, 2002). Embora alguns autores refiram um insucesso maior para os implantes imediatos em carga imediata, no presente estudo o sucesso foi de 100%, tanto na mandíbula, como na maxila. Um fator importante foi observado, a instalação da prótese provisória foi também imediata ao ato cirúrgico, estando dentro das primeiras 24 horas referidas na literatura. Concordando também, o paciente do caso apresentado era portador de doença periodontal avançada, e dada à irregularidade do arcabouço ósseo remanescente após as exodontias, houve a necessidade de alveoloplastia para adequação anatômica e facilitação da instalação dos implantes. As falhas nos implantes submetidos à carga imediata estão geralmente associadas à pequena densidade óssea, como na região posterior de maxila e mandíbula, como aos critérios, à aplicação da técnica e às indicações não realizadas a contento. Recomendam assim a realização de carga imediata em osso de qualidade tipo I e II, sendo osso tipo IV incapaz de suportar a carga mastigatória decorrendo em insucesso (LEKHOLM; ZARB, 1985; SCHINITMAN; WÖRHLE; RUBENSTEIN et al., 1990; CHIAPASCO; GATTI; ROSSI et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; PIATTELLI; PAOLANTONIO; CORIGLIANO et al., 1997; TARNOW; EMTIAZ; CLASSI, 1997 e CHAUSHU; CHAUSHU; TZOHAR et al., 2001). No entanto, a previsibilidade da técnica de carga imediata é reafirmada por vários autores citados nesta discussão, entretanto, relatam que devido à sensibilidade técnica do procedimento cirúrgico na colocação dos implantes e a fase de provisórias protéticas, certo grau de discernimento e familiarização na prática clínica é exigido, sendo necessário um treinamento avançado para o sucesso na aplicação da técnica (SAGARA; AKAGAWA; NIKAI et al., 1993). Portanto, no presente estudo é patente que a observação dos critérios de indicação e a aplicação correta da técnica contribuiram para o sucesso do caso ratificando a previsibilidade do procedimento. O sistema Bränemark Novum® simplifica o tratamento com carga imediata, vindo a contribuir para difusão com segurança da técnica na Implantodontia (BLOMBÄCK, 2001). Os procedimentos cirúrgicos, realizados por meio de equipamentos e dispositivos pré-fabricados e sequenciais, podem permitir e direcionar a técnica para um resultado final de boa qualidade. Um tamanho único de guia cirúrgico e das superestruturas de titânio parece ser capaz de promover a adaptação a todas as variações clínicas apresentados pelos pacientes (BRÄNEMARK, 2001 e HARRIS, 2001). 216 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA O presente trabalho mostra que adequações racionais e pertinentes à técnica também são bem vindas, demonstrando através do sucesso obtido que, uma vez respeitado o Princípio Técnico-Científico, frequentemente coroa-se de êxito qualquer variação de Protocolos ortodoxos. CONCLUSÕES De acordo com a revista da literatura apresentada e discutida, é lícito concluir, de acordo com os propósitos preestabelecidos, que: 1. Os princípios fundamentais da osteointegração preestabelecidos na literatura são os mesmos que regem a aplicação da carga imediata. 2. A carga imediata pode ser aplicada em pacientes saudáveis, não fumantes, sem hábitos parafuncionais nem discrepância intermaxilar severa, boa higiene oral, portadores de quantidade e qualidade óssea adequadas, preferencialmente em ossos dos Tipos I e II. Estes precisam dispor de volume e qualidade óssea suficientes para estabilizar o implante, condição encontrada principalmente na região anterior da mandíbula. 3. Garantidas as condições de osteointegração, a carga imediata pode oferecer consideráveis vantagens em relação ao protocolo convencional, reduzindo o custo e o tempo de tratamento; havendo menor possibilidade de trauma oclusal. Evita assim o edentulismo temporário, dispensando também o uso de prótese removível durante a fase de reparação óssea, eliminando distúrbios psicológicos e sociais para o paciente. 4. A aplicação de cargas durante a fase inicial da cicatrização pode aumentar a taxa e a extensão da regeneração óssea ao redor do implante. 5. A prótese provisória, que irá permitir a esplintagem rígida dos implantes não deve ser removida durante o período de cicatrização, sendo o uso de Cantilevers evitado. Recomenda-se a associação de implantes sepultados com implantes submetidos à carga imediata, principalmente quando da associação de carga imediata com implante imediato, enxertos ósseos e/ou regeneração tecidual guiada. 6. É preciso selecionar implantes cujas características macro e microscópicas favoreçam a estabilidade primária. Implantes rosqueados, com acabamento rugoso, de diâmetro e comprimentos suficientes para garantir uma boa área de contato osso-implante oferecem melhores possibilidades de êxito. Há necessidade de um bom travamento do implante, de forma a evitar micromovimentações, sendo que estes não devem exceder 150 m. Como forma de aumentar a estabilidade, é desejável a fixação bicortical. Implantes com torque de inserção maior que 40 Ncm podem receber carga imediata. Para reabilitação de uma arcada o número mínimo é de quatro implantes, estando sempre esplintados entre si por uma barra. 7. A partir dos estudos realizados, conclui-se que a aplicação da carga imediata em implantes osteointegráveis é um procedimento seguro e viável para correção do edentulismo total, principalmente na mandíbula, sendo que a técnica oferece níveis de sucesso semelhantes ao obtido no protocolo tradicional, favorecendo e acelerando a osteointegração. 8. O caso clínico-cirúrgico apresentado mostra, mesmo de forma estatisticamente irrelevante, que estabelecidos parâmetros e critérios para indicação, execução cirúrgico-protética e acompanhamento pós-operatório adequados, a previsibilidade dos resultados positivos na aplicação da carga imediata aos implantes 217 IMPLANTES OSTEOINTEGRÁVEIS COM CARGA IMEDIATA osteointegráveis é evidente e confiável, tanto quando utilizada a técnica convencional da Implantodontia. 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