A RECICLAGEM DE POLÍMEROS VISANDO O CONTATO COM ALIMENTOS Sandra A. Cruz*, Éder C. Oliveira, Fernando C. S. de Oliveira, Pâmela S. Garcia Universidade Federal do ABC – UFABC Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas * [email protected] Os resíduos sólidos urbanos (RSUs) são atualmente um dos maiores problemas ambientais, por serem gerados em grande quantidade e ocuparem extensos espaços por um longo período, resultando na diminuição do tempo de vida útil dos aterros sanitários e lixões. Os polímeros constituem um grande percentual da composição do RSUs, sendo que as embalagens plásticas contribuem com maior volume e massa. Portanto, o desenvolvimento e o gerenciamento de tecnologias que possibilitem o retorno destes materiais a sua aplicação original é de grande importância para sociedade contemporânea. Neste trabalho, será abordada a problemática dos resíduos sólidos urbanos no Brasil e a influência da indústria de embalagens plásticas na geração desses resíduos. Ainda, será apresentado o cenário atual das exigências e limitações do uso de material reciclado para contato com alimento, bem como as possíveis tecnologias que viabilizem este segmento. Palavras-chave: Reciclagem, resíduos pós-consumo, embalagem para alimento, polímero. The recycled polymer used in the segment of the direct food contact package Municipal solid waste has recently become one of the severest environmental problems. This is because it is generated on a large scale and occupies large spaces for long periods resulting in a decrease in the useful life of landfills. These polymers comprise a large percentage of municipal solid waste. Food packaging is responsible for the largest amount of these polymers and therefore the development and management of technologies that facilitate the returning of these materials to their original purpose are urgently needed. In this paper, it will be presented data that approach and current scene segment of the recycled polymer to the direct food contact package. Keywords: Recycling, polymer, packaging for food, municipal solid waste 1 Introdução Os resíduos sólidos urbanos são atualmente um dos maiores problemas ambientais, por serem gerados em quantidades relativamente elevada e ocuparem extensos espaços por períodos longos. Este fato resulta diretamente na diminuição do tempo de vida útil de aterros sanitários e lixões. Neste contexto, os polímeros contribuem com um grande percentual em massa e volume. Apesar da consolidação da reciclagem de polímeros, no Brasil, toneladas deste material continuam sendo descartadas em aterros sanitários e lixões. Situação esta que tende a se agravar devido, principalmente, a ausência de um programa de reciclagem abrangente e responsável e ao crescente consumo destas embalagens em mercados recém abertos. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 A indústria de embalagens é uma das que mais crescem atualmente, correspondendo a 35% do mercado de transformação de plástico. Portanto, seria fundamental que houvesse um retorno destas embalagens a sua aplicação original, garantindo um mercado ascendente. Porém, a reciclagem visando o segmento de embalagens (reciclagem de polímeros para contato direto com alimento) é restringida devido aos eventuais processos de migração de contaminantes que podem ocorrer do material reciclado para o alimento. Uma das alternativas encontradas está sendo a utilização de embalagens multicamadas para alimentos, na qual o mesmo entra em contato somente com a resina virgem, ou seja, o material reciclado se situa entre duas camadas de resina virgem. Outras tecnologias também permitem o uso de material reciclado para contato com alimento, tal como a denominada superclean. Este trabalho tem como objetivo principal realizar uma abordagem sobre a reciclagem de polímeros para contato com alimento, de modo a verificar as informações, tanto em bases científicas, como a Web of Science, quanto na Internet, relacionadas a este tema. Inicialmente, foi realizada uma discussão sobre a problemática dos resíduos sólidos urbanos, seguida do levantamento do mercado de polímeros, no qual se identificou que a indústria de embalagens representa um grande percentual de mercado e portanto, contribui de forma efetiva na geração de resíduos. Ainda, foi apresentado o cenário atual das exigências e limitações do uso de material reciclado para contato com alimento, bem como as possíveis tecnologias que viabilizem este segmento. 1.1 Os resíduos sólidos urbanos Apesar dos polímeros terem conquistado aos poucos seu espaço, como material de grande importância para a sociedade atual, seu descarte é ainda um problema para o mundo, e principalmente para o Brasil. Sua baixíssima degradabilidade e o seu elevado volume fazem com que seus rejeitos ocupem uma grande área por longos períodos, prejudicando a vida útil dos aterros sanitários e lixões [1]. No Brasil, a falta de gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos (RSU) resulta em descarte inadequado, e pode contribuir para entupimentos da rede de esgoto, propiciar condições de proliferação de vetores, gerando graves problemas ambientais. Segundo dados de 2004 [2], estimase que a quantidade de RSUs gerados diariamente no Brasil oscile entre 120 mil e 130 mil toneladas, sendo que, em âmbito mundial este valor pode alcançar os 10 milhões de toneladas. Isto se torna ainda mais grave devido, principalmente, ao aumento acentuado dos bens de consumo Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 popularizados pelo incremento da produção industrial e pelo crescimento gradativo e desordenado da população. Neste contexto, caracterizar a composição dos RSUs é importante no sentido de se obter subsídios e informações adequadas para uma correta avaliação do planejamento e verificação da eficiência dos sistemas de coleta e disposição final. Além disso, pode ser uma importante ferramenta para a indústria da reciclagem de materiais, na medida em que direciona a produção do reciclador para determinada matéria-prima, indicando o produto mais adequado, qual matéria pode ser obtida mais facilmente e em qual época do ano, etc [3,4,5]. Normalmente, a composição do RSU é subdividida em cinco tipos de resíduos: matéria orgânica, vidros, metais, plásticos e papéis [4]. Segundo um estudo realizado em 2008, pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), sobre a composição média da coleta seletiva no Brasil [6], os resíduos plásticos encontram-se em torno de 22% em massa, como pode-se observar na Figura 1. Figura 1 – Composição mássica dos resíduos sólidos urbanos em sistemas de coleta seletiva, no Brasil, em 2008 [6]. 1.2 O mercado de polímeros Dentre as indústrias que mais contribuem para a geração de resíduo plástico está a de embalagens, situando-se entre as de maior crescimento nos últimos anos, segundo a Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) [7]. O desenvolvimento de novas técnicas e processos de produção aliado ao baixo preço das resinas termoplásticas, tornaram as embalagens plásticas um componente essencial para a venda de produtos. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) [8] indicam um aumento gradativo do uso de materiais termoplásticos, dentre eles, os utilizados para confecção de embalagens de rápido descarte, como mostram os dados da Figura 2. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 Figura 2 – Consumo aparente de resinas termoplásticas no Brasil [8]. Em um âmbito mundial, as aplicações de polímeros reciclados ampliam-se cada vez mais, principalmente no mercado de construção civil, brinquedos, utilidades domésticas, calçados, embalagens não alimentícias, fibras, dentre outros. Entretanto, dados recentes do setor indicam que a maior parte, aproximadamente 35% do consumo da resina virgem, é destinada justamente para embalagens alimentícias [9]. Portanto, seria fundamental que houvesse um retorno destes materiais a sua aplicação original, a fim de garantir o fechamento do ciclo de vida útil dessas embalagens e aumentar o seu valor agregado, uma vez que a resina destinada ao segmento de alimentos possui um maior valor de mercado. No entanto, para o seu retorno, torna-se imprescindível o desenvolvimento de tecnologias e pesquisas relacionadas a rotas de reciclagem, respeitando as legislações vigentes. 1.3 Aspectos gerais sobre a reciclagem dos polímeros para contato com alimento No Brasil, a reciclagem é normalizada segundo a Sociedade Americana de Ensaios de Materiais (ASTM) [10]. Este órgão subdivide os diferentes tipos de reciclagem em primária, secundária, terciária e quaternária. A reciclagem primária, também conhecida como reciclagem mecânica, consiste na recuperação de aparas, rebarbas ou peças defeituosas produzidas no processo de transformação [10,11]. A reciclagem secundária, ou reciclagem mecânica, consiste na recuperação de material proveniente de resíduos pós-consumo que por meio de processos operacionais de recuperação, como lavagem, moagem e secagem, são novamente extrudados e peletizados para geração de novos produtos. A reciclagem terciária, reciclagem química, consiste na quebra das cadeias poliméricas, que por meio de reações de despolimerização produz os monômeros que poderão ser novamente polimerizados. Por fim, tem-se a reciclagem quaternária, ou seja, a reciclagem energética, a qual se baseia na recuperação de energia a partir da incineração de resíduos plásticos. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 A maior parte das empresas brasileiras utiliza em seu processo a reciclagem mecânica, devido a vários fatores como custo de mão-de-obra, baixo investimento para instalação da planta de reciclagem, grande volume de polímero pós-consumo, dentre outros [12]. No Brasil, observa-se um aumento no volume, diversidade e qualidade de produtos obtidos por reciclagem mecânica. É importante ressaltar, que a reciclagem de polímeros, bem como o método a ser empregado, depende de vários fatores como a quantidade e a qualidade do material, o custo, o processamento e a existência e exigência do mercado para o produto final [12]. Como dito anteriormente, a indústria de embalagens encontra-se como a de maior crescimento [7], e por isso, seria de grande interesse econômico e ambiental que os materiais poliméricos retornassem a sua aplicação original. Porém, o descarte e acondicionamento inadequado das embalagens fazem com que os plásticos possam ser contaminados por impurezas, ou ainda, por substâncias nocivas, tais como pesticidas e inseticidas, devido principalmente, a ausência de um programa de gestão integrada de resíduos no país. A utilização de material reciclado em embalagens para contato direto com alimentos é restringida no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA [13], e por outros órgãos internacionais como a Food and Drugs Administration – FDA [14], nos Estados Unidos e pela agência européia International Life Sciences Institute – ILSI [15]. Segundo estes, a restrição está diretamente relacionada aos eventuais processos de migração de contaminantes do material reciclado para o alimento. Isto devido à possível ocorrência de absorção de produtos tóxicos pelo mau uso destas embalagens, do armazenamento de pesticidas, produtos de limpeza, solventes, dentre outros. A facilidade de sorção e difusão destes componentes sustenta tais cuidados e faz com que as agências reguladoras adotem medidas ultraconservadoras [16]. No Brasil, a Resolução RDC nº 91 de 11 de maio de 2001 [13], regulariza o uso de embalagens recicladas para alimento. O regulamento descreve que as embalagens e equipamentos que estiverem em contato direto com alimentos, devem ser obrigatoriamente produzidos seguindo o regulamento técnico de Boas Práticas de Fabricação (BPF) para que, nas condições normais ou previsíveis de uso, não produzam migração para os alimentos de componentes indesejáveis, tóxicos ou contaminantes em quantidades, tais que, superem os limites máximos estabelecidos de migração total ou específica. Estes componentes também não devem apresentar risco à saúde humana e/ou ocasionar modificações inaceitáveis na composição dos alimentos ou nas características sensoriais dos mesmos. Em 2008, por meio da resolução RDC nº 20, a ANVISA aprovou o uso do poli (tereftalato de etileno) (PET) pós-consumo reciclado para confecção de embalagens para contato com alimento [13]. A medida permite que as empresas autorizadas reciclem boa parte do material, que até então Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 tinha como destino lixões e aterros sanitários [14]. A principal exigência para o uso do PET reciclado em contato com o alimento é o registro do produto na ANVISA, onde o rótulo da embalagem deve conter o nome do produtor, número de lote e a expressão PET-PCR (PET pósconsumo reciclado). Além disso, deve ser apresentado a tecnologia que comprove a limpeza, a técnica de descontaminação ou o uso de barreiras que impeçam a migração dos contaminantes da resina para o alimento. Os contaminantes presentes no material reciclado podem ser extremamente variados, o que dificulta uma análise qualitativa mais rigorosa sobre sua identificação e toxicidade. Por este motivo, são realizados ensaios de migração específica. Tais ensaios consistem em expor o polímero a um modelo de contaminantes estipulado pela FDA, que abrange uma ampla variedade de compostos químicos com disponibilidade potencial para consumidores e que tenham um comportamento diferenciado frente aos polímeros. A concentração utilizada destes modelos para realização da contaminação forçada deve ser extremamente alta, de modo a supor o “pior caso” que poderia ocorrer na prática. O material contaminado é exposto ao contato com simulantes de alimentos, os quais serão posteriormente analisados com métodos analíticos adequados, o que nem sempre é simples, uma vez que os níveis de concentração de tais contaminantes são extremamente baixos [14,15]. 1.4 Desenvolvimento de tecnologias de reciclagem para contato com alimento A reciclagem visando o contato com alimentos pode ocorrer por meio da reciclagem química, ou por meio da reciclagem mecânica [17]. No caso da reciclagem química, as reações de despolimerização podem resultar em monômeros. A despolimerização pode ocorer por: metanólise, glicólise ou pela hidrólise, onde os monômeros são purificados, através de métodos físicos, como a cristalização e destilação a vácuo para serem posteriormente utilizados para a produção de um novo polímero [18, 19]. Resinas recicladas provenientes da reciclagem mecânica podem ser utilizadas para produção de embalagens monocamada, contendo material reciclado, só é possível devido a um intenso tratamento de descontaminação, conhecido como superclean. Este processo consiste em submeter o polímero, normalmente o PET, a uma etapa de lavagem intensa com produtos químicos não cáusticos a temperaturas próximas de 260ºC sob pressão. Após essa etapa, o material é exposto a vácuo durante períodos de tempo pré-determinados com posterior filtragem. Este tipo de tecnologia tem demonstrado alta eficiência, uma vez que polímeros submetidos a este processo indicaram quantidade de contaminantes abaixo do estipulado pela FDA, que é de 0,5 ppb, através dos ensaios de migração específica [14,20]. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 Por último, as barreiras funcionais podem ser utilizadas formando uma camada protetora entre o alimento e a resina reciclada. Esta camada deve possuir o efeito suficiente de barreira para minimizar a migração de possíveis contaminantes presentes no polímero reciclado, abaixo das quantidades que poderiam ser perigosas para a saúde humana ou ainda, que poderiam alterar as características organolépticas dos alimentos [20]. Cruz e colaboradores [21] avaliaram a utilização do PET reciclado em embalagens para alimentos por meio da deposição de filmes de carbono amorfo hidrogenado (a-C:H) pelo processo PECVD (Plasma Enhanced Chemical Vapour Deposition). Segundo estes autores, os resultados obtidos pelos ensaios de migração de contaminantes evidenciaram que a barreira funcional formada por a-C:H promovem uma redução das propriedades de transporte. 1.5 O mercado de polímeros para contato com alimento Nos Estados Unidos a reciclagem de polímeros para contato direto com alimentos é permitido desde 1990 [14]. Atualmente, este país apresenta-se como um dos que mais reciclam polímeros para esta finalidade. Até 2008, a FDA autorizou 118 empresas a produzir embalagens para alimentos a partir de material reciclado. A Figura 4 apresenta a porcentagem dos tipos de polímeros produzidos por estas empresas [14]. Figura 4 – Porcentagem dos tipos de polímeros utilizados para contato direto com alimento em empresas americanas [14]. O ascendente uso dos polímeros recicláveis, tanto nos Estados Unidos como na Europa, é explicado, dentre outros fatores, pela criação da regulamentação que exige a utilização de até 25% da resina reciclada na composição total na confecção de embalagens [22]. Na Figura 4, observa-se que o PET é o polímero mais reciclado, representando 77% do total. Provavelmente, este fato devese ao elevado consumo de embalagens de rápido descarte, tais como, as bebidas não alcoólicas Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 carbonatadas. Ainda, o custo mais elevado da resina virgem, a alta competitividade do seu processo de reciclagem e o fato da mesma apresentar, dependendo da tecnologia empregada, propriedades similares a da resina virgem, tornaram-se um incentivo a reciclagem deste polímero. A aplicação dos polímeros reciclados em embalagens tem aumentado nos Estados Unidos, atingindo diversos produtos como, por exemplo, embalagens para bebidas, embalagens para alimentos perecíveis e não perecíveis, como mostra a Figura 5 [14]. Figura 5 – Aplicações de polímeros reciclados para embalagens com contato direto com alimento [14]. No Brasil, a empresa Bahia PET foi à pioneira no processo do desenvolvimento de reciclados para contato com alimentos, por meio do processo bottle-to-bottle, que utiliza tecnologia desenvolvida na Alemanha com aprovação da FDA. Após a liberação da ANVISA para esta empresa, outras recicladoras entraram com pedido de autorização. Porém, devido à lei ser muito recente, somado com a forte oposição da sociedade no uso de reciclado em contato com o alimento, ainda há uma grande carência de dados e informações a respeito deste mercado no Brasil [23]. 1.6 Monitoramento de artigos científicos Com o intuito de verificar o crescimento de pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias de polímeros reciclados para contato com alimento, foi realizada uma pesquisa de artigos científicos na base dados da Web of Science [24]. A busca foi realizada utilizando as palavras chaves de cinco principais tipos de polímeros que são empregados no mercado de embalagens para alimentos: “poly (terephthalate ethylene)”, “polypropylene”, “polystyrene”, “high density polyethylene”, “low density polyethylene” combinados com as palavras “recycl*” e “food”. A Figura 6 apresenta os resultados obtidos dos artigos publicados no período de 1999 a 2009. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 Figura 6 – Resultado do monitoramento de artigos científicos [14]. Os dados obtidos, observados na Figura 6, indicam que apesar de ser verificado um aumento no número de pesquisas relacionadas a reciclagem de polímeros para contato com alimento, ainda existe uma carência de publicações relacionadas a este tema. Este fato pode ser confirmado pelo pequeno número de publicações observadas nesse período. 2 Conclusões O descarte inadequado de grandes volumes de resíduos, principalmente os de rápido descarte, resulta em um grande problema no gerenciamento dos RSUs no Brasil. Neste cenário, os plásticos ocupam o segundo lugar na composição, contribuindo com 22% em massa. Dados estatísticos apontaram o setor de embalagens alimentícias como à principal geradora destes resíduos. Assim, a reciclagem destes materiais é sem dúvida a melhor alternativa para minimizar problemas ambientais e aumentar o tempo de vida útil dos aterros sanitários e lixões. Atualmente, diferentes tipos de tecnologias podem ser empregadas para viabilizar o uso de resinas recicladas para contato com alimento, dentre elas pode-se citar a superclean e o uso de barreiras funcionais, que diminuem a concentração e migração de contaminantes, respectivamente. No Brasil, a homologação da ANVISA para o uso de polímeros reciclados para contato com alimento ocorreu recentemente, o que faz com que ainda, existam poucas empresas atuando formalmente nesta área, tal como, a empresa Bahia PET. Pode-se verificar um aumento no número de artigos publicados na área, entretanto observase que ainda existe uma carência de publicações relacionadas a este campo de pesquisa. Agradecimentos Os autores agradecem a Universidade Federal do ABC pelo apoio à pesquisa em desenvolvimento. Anais do 10o Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro/2009 3 Referências Bibliográficas 1 S.A. Cruz; M. Farah; M. Zanin; R.E.S. Bretas Polímeros: Ciência e Tecnologia, 2008, 18, 144-151. 2 M. L. Morales, Dissertação de mestrado, Unicamp, 2004. 3 CETESB. Disponivel em: <http://www.cetesb.sp.org.br>. Acesso em nov. 2008. 4 S. Calderoni. Os bilhões perdidos no lixo. 3ª ed, Humanitas Editora, São Paulo, 1999, 346. 5 S.D. Mancini; M. Zanin Plástico Industrial, 2000, 2, 118-125. 6 CEMPRE. Disponível em:<http://www.cempre.org.br>. Acesso em Jan. 2009. 7 ABRE. Disponível em:<http://www.abre.com.br>. Acesso em Jan. 2009. 8 ABIQUIM. Disponível em:<http://www.abiquim.org.br>. Acesso em Jan. 2009. 9 DATAMARK. Disponível em:<http://www.datamark.com.br>. Acesso em jan. 2009. 10 AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS (ASTM). D5033-90 Filadélfia, 1991, 8.3, 307-309. 11 R.J. Ehring. Plastic Recycling: products and processes. Hanser Publishers, New York, 1992, 289. 12 M.A.S. 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