UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO ESCOLA DE MINAS COLEGIADO DO CURSO DE ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO - CECAU JULIEN FRANÇOIS DE OLIVEIRA PISTOLOZZI CONSIDERAÇÕES PARA IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO PREDIAL MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO Ouro Preto, 2009 JULIEN FRANÇOIS DE OLIVEIRA PISTOLOZZI CONSIDERAÇÕES PARA IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO PREDIAL Monografia apresentada ao Curso de Engenharia de Controle e Automação da Universidade Federal de Ouro Preto como parte dos requisitos para a obtenção do Grau de Engenheiro de Controle e Automação. Orientador: Luiz Fernando Rispoli Alves Ouro Preto Escola de Minas – UFOP Agosto / 2009 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais pelo apoio incondicional, ao Professor Rispoli pela orientação e a Deus por iluminar meu caminho. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................7 1.1 Objetivo...........................................................................................................................7 1.2 Estruturação do texto......................................................................................................8 1.3 Metodologia....................................................................................................................8 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..................................................................................10 2.1 Sistema de automação predial.......................................................................................11 2.2 Construção sustentável..................................................................................................12 2.3 Energia Fotovoltáica.....................................................................................................13 2.3.1 Vantagens e Aplicações da Energia Fotovoltáica.........................................................14 2.4 Reúso de água...............................................................................................................14 2.4.1 Critérios de qualidade para água reutilizada.................................................................15 3 INSTALAÇÃO DO SISTEMA DE AUTOMAÇÃO PREDIAL...........................16 3.1 Pré-instalação de um sistema de automação predial.....................................................16 3.1.1 Quadro elétrico..............................................................................................................16 3.1.2 Circuitos elétricos..........................................................................................................17 3.1.3 Tubulação......................................................................................................................17 3.1.4 Cabeamento..................................................................................................................18 3.2 Instalação dos elementos de um sistema de automação predial...................................18 3.2.1 Central de gerenciamento.............................................................................................18 3.2.2 Sensores........................................................................................................................19 3.2.2.1 Sensores de temperatura...............................................................................................19 3.2.2.2 Sensores de incêndio....................................................................................................20 3.2.2.3 Sensores de umidade....................................................................................................20 3.2.2.4 Sensores de presença....................................................................................................20 3.3 Recomendações e verificação de funcionamento.........................................................21 4 INSTALACAO DE UMA CÉLULA FOTOVOLTAICA.....................................23 4.1 Componentes de um sistema fotovoltáico....................................................................24 4.2 Dimensionamento dos elementos de um sistema fotovoltáico.....................................24 4.2.1 Cálculo do consumo de cargas......................................................................................24 4.2.2 Valor da corrente e do ângulo de inclinação do painel solar........................................25 4.2.3 Dimensionamento do banco de baterias.......................................................................25 4.2.4 Determinação dos painéis fotovoltáicos.......................................................................26 5 INSTALACAO DE UM SISTEMA DE REUSO DE ÁGUA................................27 5.1 Componentes de um sistema de reuso de água.............................................................27 6 CONTROLE DE UM SISTEMA DE AUTOMAÇÃO PREDIAL........................29 6.1 Controle do circuito elétrico..........................................................................................30 6.2 Controle hidráulico........................................................................................................31 6.3 Controle fotovoltáico.....................................................................................................33 6.4 Controle geral................................................................................................................34 7 ESTUDO DE CASO....................................................................................................36 7.1 Dimensionamento do sistema de reuso de água............................................................36 7.2 Dimensionamento do sistema fotovoltáico...................................................................37 7.3 Projeto estruturado........................................................................................................38 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................41 RESUMO Em face do grande crescimento populacional da humanidade e do uso em larga escala de energia elétrica, fez-se presente a necessidade da busca por fontes de energia renováveis, ou seja, aquela obtida naturalmente e capaz de se regenerar. Essa busca proporcionou o desenvolvimento de técnicas e instrumentos voltados à auto-sustentabilidade energética, tal como o aproveitamento de energia solar utilizando células foto-voltáicas. A principal pesquisa para a formulação deste trabalho foi em torno da utilização de energias limpas e renováveis e no reuso de água assim como métodos de controle dos equipamentos utilizados. Elaborou-se considerações para a implantação de um projeto de um Edifício Auto-sustentável, valendo-se de técnicas de automação e controle aprendidas ao longo do curso de Engenharia de Controle e Automação, demonstrando como é a forma de instalação de um sistema de automação predial, de uma célula foto-voltáica e de um sistema de reuso de água e o controle de todo o sistema de automação predial com um PLC (Programmable Logic Controller). Palavras-chave: Edifício Auto-sustentável, células foto-voltáicas, reuso de água, fontes de energia renováveis, automação predial. ABSTRACT Given the large population growth of humanity and the large scale use of electricity, the need to search for renewable energy sources, i.e, obtained naturally, and which can regenerate, becomes clear. This search provided the development of techniques and instruments aimed at self-sustainable energy, such as the use of solar energy using photovoltaic cells. The main search for the formulation of this work was around the use of clean and renewable energy and the reuse of water and methods of control of the equipment used. Then was elaborated some considerations for the implantation of a project to design a self-sustainable building, drawing up of automation’s technincs and control learned over the Engineering of Controle and Automation classes, showing how to install a system of building automation, a photovoltaic cell and a system of water reuse and control of the whole system with a PLC (Programmable Logic Controler). Keywords: self-sustainable building, photovoltaic cells, water reuse, renewable energy sources. 1 INTRODUÇÃO Em face do grande crescimento populacional da humanidade e do uso em larga escala de energia elétrica, fez-se presente a necessidade da busca por fontes de energia renováveis. Essa busca proporcionou o desenvolvimento de técnicas e instrumentos voltados a autosustentabilidade energética, tal como o aproveitamento de energia solar utilizando células foto-voltáicas. Outro problema que surgiu com o crescimento demográfico ilimitado da população mundial foi a escassez de água potável, que por sua vez trouxe a necessidade do reuso de água, na medida em que o consumo desta é maior que seu fornecimento. Segundo o Relatório Brundtland (ONU, 1987), elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, o desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades. E a partir destes dados surge o termo Edificações Auto-sustentáveis, ou seja, aquele edifício ou construção que utiliza de abastecimento energético próprio, ou reciclável, que não comprometa o abastecimento futuro, ou mesmo o meio-ambiente à sua volta. Faz-se valer também do uso de alta-tecnologia de controle e principalmente automação incorporada na construção destes Edifícios Auto-sustentáveis, buscando sempre maior eficiência e otimização dos processos envolvidos. Portanto o tema deste trabalho é a elaboração de considerações para implantação de sistemas de automação predial, assim como o controle de instrumentos usados em um Edifício Autosustentável. 1.1 Objetivo O principal objetivo deste trabalho é a elaboração de considerações para implantação de sistemas de automação predial na concepção de um Edifício Auto-sustentável, valendo-se de técnicas de automação existentes, tais como o uso de células foto-voltáicas e reuso inteligente de água, assim como o controle destes equipamentos. 8 1.2 Estruturação do texto Neste capítulo tem-se por objetivo apresentar o conceito de edificações auto-sustentáveis, assim como mostrar os motivos da escolha do tema e seu objetivo como projeto de monografia. O capítulo 2 é feita uma revisão biblíografica, onde são definidos os principais conceitos usados em automação predial. O capítulo 3 descreve-se um método genérico de instalação de um sistema de automação predial, apresentando os equipamentos e recomendações necessárias. O capítulo 4 mostra-se as principais etapas na instalação de um painél fotovoltáico, assim como seus aparelhos periféricos e dimensionamento. O capítulo 5 descreve-se como deve ser efetuada a instalação de um sistema de reúso de água, assim como equipamentos e principais conceitos. O capítulo 6 mostra-se os prinipais equipamentos de controle referentes à automação predial, assim como conceitos gerais. O capítulo 7 apresenta-se um estudo de caso do material apresentado durante o trabalho, resultando na concepção de um projeto de automação predial e várias observações pertinentes. O capitulo 8 são fornecidas as considerações gerais obtidas no final desta monografia. 1.3 Metodologia Inicialmente a metodologia teve foco no estudo e pesquisa em artigos e bibliografias com conteúdo relacionado a fontes de energia renováveis. Esse estudo mostrou-se sólido e forneceu base para o começo da monografia, inclusive ajudando a apontar caminhos favoráveis a uma melhor análise do projeto proposto pelo tema do trabalho em questão. Passado o primeiro contato com a pesquisa sobre energia limpa e renovável, o estudo voltou 9 seu foco em como esse conceito de energia renovável se moldaria para estruturar a monografia. A partir desse ponto, fez-se uma grande pesquisa e um estudo sobre edificações autosustentáveis. Muito se viu sobre novas tendências de pesquisa e implantação assim como estudo de projetos e monografias passadas, que proporcionaram um esclarecimento e agregação de conteúdo teórico sobre a automação e controle envolvidos no projeto e também na implantação do projeto de edificações auto-sustentáveis. Para que não houvesse perda ou confusão na estruturação deste conteúdo bibliográfico agregado, estruturou-se os estudos já realizados em monografias, artigos, sites e imagens relacionadas ao tema proposto. Este estudo proporcionou que o acesso ao material de pesquisa se tornasse mais rápido e assim facilitasse o desenvolvimento da monografia. No final foi elaborado um estudo de caso, onde efetuou-se uma estruturação de um projeto conceitual de uma Edificação Auto-sustentável. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Pesquisas na área de automação predial inteligente e auto-sustentável podem ser consideradas recentes portanto o conceito de edificações auto-sustentáveis, por vezes, se confunde com o conceito de edificações automatizadas ou automatizáveis. Por ser um tema recente, os trabalhos sobre edificações auto-sustentáveis ainda estão em desenvolvimento. O trabalho de MANETTI (2007) propõe que “as edificações, pelo menos as residenciais, sejam projetadas levando em consideração os conceitos e princípios desenvolvidos pela sustentabilidade, de forma a minimizar os impactos causados pela construção civil ao meio ambiente”, porém não se aprofunda no desenvolvimento da automação em tais edifícios. Como o trabalho tem por interesse o uso de células foto-voltáicas no abastecimento energético e no reuso de água agregado no projeto, pesquisou-se em obras como a de VIGGIANO (2005), que propõe a utilização de energia limpa e renovável em edificações residências, tal qual energia solar, eólica e biomassa. Já o trabalho de SILVA (2000), sugere um sistema de reaproveitamento de água em condomínios, utilizando de conceitos e técnicas sobre o assunto, critérios de qualidade e exemplos de reuso de água. Segundo recomendam os melhores sistemas de certificação mundial, tal qual BREEAM (Inglaterra), HQE (França) e LEED (Estados Unidos), as diretrizes gerais para edificações auto-sustentáveis são agrupadas em 9 passos, que são: a) Planejamento Sustentável da obra; b) Aproveitamento passivo dos recursos naturais; c) Eficiência energética; d) Gestão e economia da água; e) Gestão dos resíduos na edificação; f) Qualidade do ar e do ambiente interior; g) Conforto termo-acústico; h) Uso racional de materiais; i) Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis. 11 Outro ponto interessante no projeto de Edificações Auto-sustentáveis é a diferenciação dos tipos de construções sustentáveis existentes. A princípio, pode-se dividir os tipos de edificações sustentáveis em dois modelos: as construções que utilizam ecoprodutos e tecnologias sustentáveis modernas, com acompanhamento e coordenação profissional, e as autoconstruções, feitas pelo próprio interessado ou usuário. Porém uma análise profunda evidencia uma maior gama de modelos, que são nomeados da seguinte forma: a) Construção com materiais sustentáveis industriais: concebidas a partir de produtos fabricados industrialmente atendendo normas e demada de mercado; b) Construção com resíduos não-reprocessados: consiste no reaproveitamento de resíduos de origem urbana, tais como garrafas, latas, caixas de papelão, etc; c) Construção com materiais de reuso: construção que agrega materiais não mais utilizados e prolonga sua vida util; d) Construção alternativa: utiliza de materiais convecionais, mas com funções diferentes, tal como o uso de peças em PVC fabricadas para forro de construções no aquecimento de água. 2.1 Sistema de Automação Predial O uso constante de sistemas de computação industriais distribuídos, assim como sistemas eletrônicos e embutidos tem proporcionado um aumento na eficiência e também na confiabilidade dos modelos de sistemas automatizados atuais. Esses mesmos equipamentos, antes usados em processos de automação industriais, estão migrando para a área da automação predial, como pode ser observado em vários projetos de Edificações Auto-sustentáveis que usam de dispositivos como sensores, PLCs, microcontroladores de temperatura, vazão, luminosidade, entre outros. Portanto a automação predial engloba a implantação de projetos autômatos em projetos de construção de edificações de uso comercial ou doméstico, ou implantação de automação em construções já prontas. Estes projetos de automação possuem algumas características em comum, tais quais: a) O conceito de projeto é desenvolvido com base em medidas e estimativas no uso de recursos para sua implantação; 12 b) É essencial a supervisão dos sistemas integrados ao projeto, uma vez que estes nessecitam sempre de atualização e controle de dados; c) Muitas vezes a operação e supervisão destes processos é complexa, por haver muitas váriaveis envolvidas, obrigando o uso de mão de obra qualificada; d) A automação é incluída no processo no início do projeto. É importante também não confundir sistemas de automação predial com automação residencial, visto que este ultimo se vale principalmente do conceito de qualidade de vida, enquanto automação predial é focada em eficiência, mas deixando claro que estes conceitos não são mutuamente exclusivos. Um sistema de automação predial pode controlar e gerenciar diversos fatores, tais como energia (elétrica, solar, mecânica, sempre procurando otimizar seu uso), conforto térmico (ar condicionado, sistemas de calefação), acesso (elevadores, salas, estacionamentos, etc), luminosidade (persianas automatizadas, janelas ionizadas, baseando-se nas atividades desenvolvidas em cada ambiente controlado), segurança (portas corta-fogo, iluminação de emergência), reuso de água (pluvial, tratada, entre outros tipos de reuso) e diversos. É importante também destacar que o sistema de automação deve ser confiável e atualizado, para que não haja perdas no padrão de qualidade do projeto final. 2.2 Construção Sustentável Segundo a definição clássica, “Construção Sustentável é um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras” (ARAÚJO, 2002). Primeiramente, a preocupação em se desenvolver edifícios auto-sustentáveis girava em torno da economia energética, devido a Crise do Petróleo em 1973. Posteriormente vieram outras preocupações, tais quais água potável, acúmulo de lixo e emissões de CO2. Ficou evidente então que a construção sustentável não é apenas uma abordagem na solução de problemas únicos, e sim uma nova forma de elaborar a própria construção e seus agregados, 13 intervindo no meio ambiente, mas ao mesmo tempo preservando-o e buscando harmonia nessa interação. Portanto o conceito de Edificações Autosustentáveis “baseia-se no desenvolvimento de um modelo que enfrente e proponha soluções aos principais problemas ambientais de sua época, sem renunciar à moderna tecnologia e à criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários” (ARAÚJO, 2002). 2.3 Energia Fotovoltáica A Energia Fotovoltáica pode ser definida como a energia resultante do processo de transformação direta de luz em energia elétrica, também chamado de Efeito Fotovoltáico. Proveniente da Energia Solar, a Energia Fotovoltáica está sendo muito utilizada devido as facilidades fornecidas, como baixos custos de manutenção, energia limpa, vida útil longa e, talvez o principal deles, instalação eficiente em locais de difícil acesso. O Efeito Fotovoltáico é a produção de uma d.d.p (diferença de potencial) nas extremidades de certos materiais semicondutores, pela absorção de luz solar. A partir destes materiais semicondutores, são produzidas as células fotovoltáicas, que são placas que farão a captação da luz para a transformação em eletricidade. São basicamente feitas de Sílicio e constítuidas de cristais monocristalinos, policristalinos ou amorfos. Um problema apresentado por estas células é o baixo aproveitamento na conversão de energia, pois a luz, ao incidir no material semicondutor pode ser refletida e absorvida. As células de Silício tem em torno de 16% de aproveitamento na absorção, enquanto células de Arsenieto de Gálio tem 26%, porém, com preços superiores. A luz refletida não é aproveitada como energia elétrica. Outro problema que inicialmente impossibilitou a implantação em larga escala da Energia Fotovoltaica eram os altos custos das células fotovoltáicas. Inicialmente utilizadas no programa espacial, tinham preço de produção em torno de US$600/W (ANDRADE, 2007). Porém com a grande aplicação e desenvolvimento de tecnologias mais baratas, seu preço foi reduzido e tem o preço médio de mercado hoje em torno de US$7,30/W. 14 2.3.1 Vantagens e Aplicações da Energia Fotovoltáica As principais vantagens da Energia Fotovoltáica em escala comercial podem ser listadas como: a) Não há consumo de combustível; b) Não polui nem agride o meio ambiente (energia limpa); c) Vida útil longa, superior a 20 anos de uso; d) Durabilidade alta e resistência a condições atmosféricas adversas, tal como ventos fortes, tempertura elevada e alta umidade; e) Baixa manutenção; f) Permite aumento na potência fornecida apenas aumentando o numero de painéis utilizados. A principal aplicação das células fotovoltáicas é na zona rural ou lugares de dificil acesso da rede de distribuição de energia, porém há outras formas de utilizaçao, como: a) Utensílios eletrônicos portáteis (calculadoras, relógios, entre outros); b) Satélites e Estações Espaciais; c) Acionamento de equipamentos que utilizam corrente elétrica para funcionamento. 2.4 Reuso de água A água é um dos recursos indispensáveis para todos os seres humanos, sendo assim usada em larga escala pela humanidade. Este uso porém, não é feito de forma consciente, o que resulta em poluição e mal aproveitamento deste insumo e consequentemente sua escassez. Com a demanda crescente e as reservas em constante declínio, fez-se necessária a criação de novas técnicas de re-utilização da água de consumo. No Brasil, o reuso ainda está focado na área industrial, sustentada pela necessidade de redução de custos e atendimento aos padrões de lançamento de efluentes nos corpos hídricos superficiais, estabelecidos pela legislação vigente (CONAMA 20/86). Segundo SILVA(2000) detalhando o conceito de reuso de água, pode-se chegar a 4 tipos principais: 15 a) Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água é descartada no meio ambiente após utilização em atividade humana e novamente utilizada a jusante, de maneira não intencional e não controlada; b) Reúso indireto planejado de água: ocorre quando os efluentes são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizados de forma controlada em outras atividades; c) Reúso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, ao serem tratados, são descarregados novamente em seu local de utilização, sem contato com o meio ambiente; d) Reciclagem de água: é um caminho particular do reúso direto, onde a água é reutilizada antes de sua descarga em um sistema de tratamento ou armazenamento. 2.4.1 Critérios de qualidade para água reutilizada Para as várias possibilidades de reuso existentes, foram criados padrões de qualidade que determinam o quanto a água pode ser considerada própria para reciclagem. Assim sendo, a qualidade dessas águas deve atender os seguintes padrões: a) proteção a saúde da população: deve-se preocupar com a comunidade que irá usufruir da água reutilizada; b) efeitos da irrigação: devem ser considerados os efeitos dos constituintes contaminantes para as culturas cultivadas, assim como no solo e nos aquíferos; c) considerações ambientais: não deve-se afetar o meio ambiente, direta ou indiretamente, com o processo de reúso de água; d) aspectos estéticos: a aparência da água deve manter-se inalterada em relação a água potável, ou seja, inodora, incolor e cristalina; f) percepção da população: a água deve ser percebida como segura e aceitável para o uso desejado; g) realidades públicas: as decisões regulamentadoras não são padronizadas e podem ser determinadas pelo local onde serão reutilizadas. No Brasil ainda não existem normas e padrões para o planejamento do reuso de água. O que existe são apenas limites máximos de impurezas para cada destino específico. 3 INSTALAÇÃO DO SISTEMA DE AUTOMAÇÃO PREDIAL Vários cuidados devem ser tomados na instalação e pré-instalação de um sistema de automação predial. Neste capítulo estão listadas recomendações e alguns métodos de instalação dos principais equipamentos utilizados nesse tipo de projeto. 3.1 Pré-instalação de um sistema de automação predial Em se tratando de automação predial, é importante se ter uma base sólida de implantação antes de viabilizar qualquer projeto. Sem uma boa qualidade dos equipamentos padrões de um edifício, são grandes as chances de defeitos futuros e baixo aproveitamento dos sistemas prediais automatizados instalados. Portanto é importante checar ou refazer o projeto de certos equipamentos que estejam obsoletos, gastos ou mal instalados, tais quais: a) Quadro elétrico; b) Circuitos elétricos; c) Tubulações; d) Cabeamento. 3.1.1 Quadro Elétrico O quadro elétrico é o centro de toda a instalação elétrica. É por ele que passa toda a energia utilizada na planta e deve-se utilizar proteções para não danificar o circuito e nem causar danos a quem manuseá-lo. É necessária a instalação de uma barreira contra choques e de uma porta externa para se evitar o contato com a fiação, assim como um aterramento das partes metálicas do invólucro. O quadro elétrico (FIGURA 3.1) pode ser instalado depois do dispositivo de proteção e antes de quaisquer bifurcações das linhas elétricas, de maneira que toda a instalação fique depois do filtro (PAIVA 2007). 17 FIGURA 3.1 - Quadro elétrico FONTE: CALECAR É importante se instalar o filtro para que os sinais gerados no interior do edifício ou planta não afetem outras instalações e também evitar que harmônicas ou ruídos danifiquem o quadro elétrico. 3.1.2 Circuitos elétricos Segundo PAIVA (2007), “a instalação da residência deve considerar um maior número de circuitos, pois este aspecto se refere tanto a proteção, como a distribuição de cabos na residência”. É importante que cada equipamento ou sistema da planta tenha um circuito independente. Isso evita que, caso algum destes equipamentos aponte problemas, não haja danos nos demais. 3.1.3 Tubulação Cada sistema de controle deve ter sua tubulação específica adicional, e separar os cabos de pares específicos e de comunicação de acordo com a tensão de alimentação. 18 Os requisitos de cabeamento variam de acordo com as características de cada projeto de automação predial, sendo díficil a padronização de um único tipo de instalação tubular. O que ocorre na prática é a existência de requisitos gerais que podem ser usados em qualquer projeto, os quais são descritos abaixo: a) a conexão entre a central de controle e o quadro elétrico pede a instalação de relés de manobra, gerenciados na própria central de controle; b) para os elementos em tensão de 200V, tais quais sensores e atuadores, é necessária uma ligação direta entre o quadro elétrico e a localização física destes dispositivos; c) para todo sistema de controle da planta, deverá ser previsto uma passagem pela central de controle e sua localização; d) conexão do sistema de automação predial à rede telefônica; 3.1.4 Cabeamento Os cabos da rede de controle devem ser instalados de forma que fiquem isolados da rede elétrica da planta, para que não ocorra interferência e evitar falsos alarmes ou a não ocorrência de alarmes reais. Conforme dito anteriormente o ideal é se instalar uma tubulação independente para os cabos da rede de controle, e caso ocorra cruzamento com a rede elétrica, faze-lo em um ângulo reto. 3.2 Instalação dos elementos de um sistema de automação predial Terminada a pré-instalação do sistema de automação, segue a etapa de instalação dos elementos que o compõem. Destes elementos, pode-se citar: a) central de gerenciamento; b) elementos sensoriais ou detecção; c) elementos atuadores, entre outros. 3.2.1 Central de gerenciamento Normalmente é dificil padronizar a instalação das centrais de gerenciamento devido à sua grande diversidade de produtos. Elas podem tanto estar no quadro elétrico, isoladas ou ainda integradas em controle remoto. Porém algumas recomendações são validas para todos os tipos. 19 A central de gerenciamento deve se localizar em um lugar de fácil acesso ao usuário e não influenciar a estética local. Seu dimensionamento também deverá ser planejado e adequado ao local de inplantação. 3.2.2 Sensores Um sensor é definido como dispositivo tecnológico que detecta um sinal originado de um estimulo externo. Podem ser de indicação direta (termometros de mercúrio) ou em par com um indicador (sensores analógicos e digitais, providos de display). Devido ao seu uso muito específico, não é possível prever quais sensores serão usados nos diversos tipos de edifícações auto-sustentáveis portanto será elaborado um estudo geral dos principais sensores utilizados em projetos de automação predial. 3.2.2.1 Sensores de temperatura São disposítivos usados em larga escala para medir temperatura. Podem ser termômetros, termopares, termistores ou termostatos, sendo que termopares são os mais utilizados em projetos de automação. Os termopares disponíveis no mercado têm os mais diversos formatos, desde os modelos com a junção descoberta que têm baixo custo e tempos de resposta rápidos, até aos modelos incorporados em sondas. Quando se procede à escolha de um sensor de temperatura deve-se ponderar qual o mais adequado para a aplicação desejada, segundo as características de cada tipo de sensor, tais como a gama de temperatura suportada, a exatidão e a confiabilidade das leituras. Os sensores de temperatura externos devem ser instalados sempra na parte sul da edificação, evitando exposição direta a luz solar. 20 3.2.2.2 Sensores de incêndio Utilizados como sensores de segurança, devem ser instalados em locais onde é grande o risco de surgimento de fogo, como galpões de estoque, próximos a auto-fornos, escritórios, cozinhas, entre outros. Os detectores de fogo devem situar-se no teto, a uma distância de pelo menos 50 cm da parede. Ao posicionar o sensor de incêndio, é necessário considerar um afastamento de possíveis obstáculos como colunas, tubulações e demais objetos. 3.2.2.3 Sensores de umidade Sensores de umidade podem ser do tipo capacitivo, resistivo e ótico. Devem ser instalados de modo que o detector esteja na ligação direta com a terra e seguro de detecções falsas. Normalmente é instalado em banheiros e cozinhas, embora possa ser instalado na presença de dissipadores. O sensor de umidade é alimentado por eletricidade, normalmente a baixas tensões, portanto deve-se considerar uma instalação diferenciada da rede elétrica. 3.2.2.4 Sensores de presença Sensor de presença é um equipamento eletrônico capaz de identificar a presença de pessoas dentro do seu raio de ação. A utilização destes permite fazer com que a iluminação se acenda automaticamente quando alguém entrar em um recinto, e se apague algum tempo após a pessoa deixar o ambiente, por exemplo. Os sensores de presença são equipamentos indispensáveis nas edificações auto-sustentáveis qua usam a tecnologia inteligente para economia de energia. 21 Quando for utilizado deve-se assegurar sua instalação em local onde o instrumento tenha máxima cobertura, evitando-se alarmes falsos e deve ser protegido de toda forma de calor, ao passo que a grande maioria trabalha detectando mudanças de temperatura. 3.3 Recomendações e verificação de funcionamento Algumas recomendações gerais são necessárias para o bom funcionamento do sistema, entre elas: a) instalar um acoplador de fase (FIGURA 3.2) para que não haja comunicação livre dos sinais de controle na rede elétrica; b) instalar um protetor de sobre-tensões (FIGURA 3.3) no quadro elétrico, para evitar possíveis danos nos equipamentos elétricos e eletrônicos e também na linha telefônica; FIGURA 3.2: Acoplador de fase FONTE: CASAAUTOMÁTICA 22 FIGURA 3.3: Protetor de sobre tensões FONTE: ECCEL Após concluída a pré-instalação dos equipamentos base do projeto, é importante confirmar a correta instalação destes. A verificação deve incluir: a) conprovação que a instalação atende aos padrões requeridos e coincide com o planejamento do projeto; b) verificação da continuidade, aterramento e resistência de isolamento do circuito; c) verificação do correto funcionamento dos sistemas de entrada; d) verificação do correto funcionamento dos sensores analógicos e digitais; e) verificação do correto funcionamento dos sistemas de saída; f) verificação do correto funcionamento dos atuadores; g) verificar a interação de todos os móludos que compõem o sistema de automação predial. 4 INSTALAÇÃO DE UMA CÉLULA FOTOVOLTAICA Para o estudo de instalação de uma célula fotovoltáica, tomamos como exemplo um sistema fotovoltáico isolado, ligado a rede por um sistema bateria/inversor e tendo seu processo monitorado por uma unidade de controle, conforme a ilustração abaixo (FIGURA 4.1): FIGURA 4.1: Sistema Fotovoltáico FONTE: VIGGIANO A principal característica de um sistema de energia fotovoltáico isolado é usa independência da rede de distribuição de energia. A energia solar captada e transformada em energia elétrica é armazenada pelo sistema, não havendo necessidade então de compra de energia exterior. Este armazenamento de energia pode ser feito na maioria dos casos por meio de baterias, quando se deseja utilizar aparelhos elétricos, ou raramente armazena-se na forma de energia gravitacional, no bombeamento de água. Nos sistemas de armazenamento de energia em baterias, utiliza-se um dispositivo para controlar a carga e descarga da bateria. Este controlador de carga evita que a bateria sofra danos por sobrecarga ou descarga profunda. Como este controlador funciona apenas em corrente contínua (CC), é aconselhavel seu uso apenas em sistemas pequenos, com baixa tensão. Para gerar a alimentação dos equipamentos em corrente alternada (CA) instala-se um inversor de freqüencia na saida do banco de baterias. O inversor irá transformar a corrente contínua gerada pela célula fotovoltáica em corrente alternada própria para utilização em eletrodomésticos e outros aparelhos eletrônicos convêncionais. 24 Após ser transformada, a energia é direcionada para um dispositivo de distribuição, que ligado à um elemento de controle, irá encaminhar a energia para os elementos de utilização. 4.1 Componentes de um sistema fotovoltáico Conforme dito anteriormente, os principais componentes de um sistema de conversão de energia solar em energia elétrica são: a) painel fotovoltáico: o elemento conversor de energia, recolhendo a energia emitida pelo Sol em forma de luz e transformando em corrente contínua; b) controlador de carga: elemento de segurança, evita sobrecarga do banco de baterias; c) banco de baterias: armazenam a energia gerada em excesso pelo painel fotovoltaico; d) inversor de freqüencia: transforma corrente contínua (CC) em corrente alternada (CA); e) dispositivo de distribuição: redireciona a corrente alternada emitida pelo inversor de freqüencia para os elementos de utilização; f) elemento de controle: controla e monitora o processo de distribuição de energia, assim como pode controlar e monitorar todo o processo. 4.2 Dimensionamento dos elementos de um sistema fotovoltáico 4.2.1 Cálculo do consumo de cargas O consumo deve ser calculado considerando a sazonalidade semanal pra cargas CA e CC: (4.1) Onde: a) P é a potência; b) T é o tempo; c) Cons1 é o consumo para cargas de corrente contínua; d) Cons2 é o consumo para cargas de corrente alternada; e) EfCon é a eficiência do conversor CC-CA (entre 70% e 80%); 25 f) ConsTotal é o consumo total; g) C1 é o coeficiente de segurança para perdas (em torno de 20%). 4.2.2 Valor da corrente e do ângulo de inclinação do painel solar O ângulo de inclunação do painel solar varia de acordo com a latitude do local em que foi instalado. Trabalha-se então com o conceito de insolação útil, que considera o número de horas em que o módulo está drenando uma máxima corrente a uma radiação de 1000W/m²: (4.2) Onde: a) PotInst é a Potência instalada; b) ConsTot é o consumo total; c) H são as horas de máxima radiação solar. 4.2.3 Dimensionamento do banco de baterias Para um bom dimensionamento é necessário saber a capacidade de armazenamento do banco de baterias (kWh) e sua amplitude de descarga (%). Assim sendo, temos: (4.3) Onde: a) Bat é a reserva de baterias; b) ConsTot é o consumo total; c) D é o número de dias independentes; d) AmpDesc é a amplitude de descarga; e) EfCon é a eficiência do conversor. 26 4.2.4 Determinação dos painéis fotovoltáicos Para se determinar o número de painéis é necessário saber quais serão colocados em série e quais em paralelo, assim sendo: (4.4) Onde: a) Ms é o número de painéis em série; b) Vcarga é a tensão em carga; c) Vpainel é a tensão do painel. (4.5) Onde: a) Mp é o número de painéis em paralelo; b) Icarga é a corrente de carga; c) Ipainel é a corrrente do painel. Portanto, o número de painéis é dado por: (4.6) Onde: a) Mt é o número total de painéis. A área total de módulos (At) é calculada multiplicando-se a área de cada módulo (Am) pelo número total de modulos (Mt). (4.7) 5 INSTALACAO DE UM SISTEMA DE REUSO DE ÁGUA A implantação de um sistema de reuso de água dependerá da aplicação final e da localização da estação de reciclagem de água, que variam de condomínios verticais ou horizontais, plantas industriais, uso doméstico, entre outros. Para este trabalho, o estudo de instalação de um sistema de reuso de água teve como base um condomínio vertical com um prédio de seis andares. É importante ressaltar porém, que um condomínio vertical tem praticamente as mesmas características de um condomínio horizontal, sendo a única diferença a disposição das tubulações. Considera-se também que o uso da água de abastecimento público será de uso nobre, ou seja, com contato direto ao consumidor, seja em banhos, lavagem de alimentos e roupas. A água de reuso será utilizada apenas em descargas sanitárias, lavagem de ruas, rega de jardins e áreas sociais. Efluentes gerados pela higiene pessoal (chuveiros e lavatórios) serão dispostos em uma tubulação diferente da tubulação de esgoto. Esses efluentes seguirão para um reseratório situado em cada um dos edifícios do condomínio, onde serão acondicionados para uso em abastecimentos menos exigentes de qualidade e pureza da água, como descargas de bacias sanitárias e rega de jardins. 5.1 Componentes de um sistema de reuso de água Para que os efluentes originados após o reuso de água sejam próprios para consumo, é necessário um tratamento mínimo e algumas recomendações a serem tomadas. Os componentes são descritos a seguir: a) reservatório inferior de reunião: local de armazenamento da água antes do tratamento; b) caixa de retenção ou recantador: os efluentes normalmente levam consigo grandes quantidades de partículas sedimentáveis e poeria, sendo tarefa do recantador sedimentar essas partículas e ajudar a retirar a turbidez da água; c) raspador mecânico (skimmer): equimento encarregado de retirar espumas e partículas não sedimentáveis gerados em banhos e lavatórios; 28 d) filtro rápido: o efluente a ser tratado contém partículas finas e materiais leves por isso necessitará de equipamento para retenção destes componentes, que poderá ser feito com um conjunto de pré-filtro e filtro rápido de areia, semelhante aos usados em piscinas; e) tubulação independente: é importante que sejam instaladas tubulações paralelas tanto ao sistema de abastecimento quanto ao sistema de descarga de efluentes; f) bomba de racalque: bomba que elevará as águas tratadas do reservatório inferior de água de reuso para o superior, de onde serão distribuidas. O conjunto é composto por uma bomba centrífuga, um motor, acoplamentos e válvulas de controle. Algumas recomendações se fazem necessárias ao implantar um sistema de reuso de água, entre elas: a) usar cor e/ou materiais diferenciados dos utilizados no sistema de água potável; b) sistema da rede de água recuperada deve ter pressões inferiores ao de água potável, para que não ocorra contaminação desta em caso de conexões cruzadas; c) as peças em contato com a água de reuso devem ter seus riscos sanitários informados em caso de contato humano; d) a água de reuso deve ter aparência parecida com a água potável e não deve produzir odores indesejáveis. 6 CONTROLE DE UM SISTEMA DE AUTOMAÇÃO PREDIAL A próxima etapa do estudo de Edificações auto-sustentáveis é a avaliação sobre a organização dos sistemas, serviços, equipamentos de controle, integração e tendências. Segundo MESSIAS (2007) “as capacidades dos sistemas presentes num edifício são avaliadas pelas funções que executa. Essas funções possuem características que permitem agrupá-las em conjunto”. Esse agrupamento é centralizado no sistema de supervisão e controle do edifício, onde são otimizadas todas as funções inerentes à correta operação e adiministração de um edifício automatizado. As principais características de um sistema de automação predial são: a) capacidade de integração de todos os sistemas existentes no projeto; b) versatilidade ao executar o trabalho, adaptando-se à condições variadas e/ou adversas; c) ser dotado de memória suficiente para realizar suas operações e noção temporal; d) ser de fácil operação pelo homem; e) ser de fácil reprogramação; f) ser capaz de identificar erros e se autocorrigir. A real virtude destes equipamentos de controle é transformar o modelo elétrico convencional em um modelo informatizado e computadorizado. Portanto, o objetivo final do Edifício auto-sustentável é beneficiar seu usuário, seja em custo, conforto, conveniência, segurança, flexibilidade, entre muitos outros fatores. O Edifício autosustentável ideal é aquele que apresenta soluções específicas de acordo com as necessidades de seu usuário. Segue então um estudo específico do controle das principais áreas abordadas neste trabalho que integram uma edificação auto-sustentável. 30 6.1 Controle do circuito elétrico Para o prejeto de controle do circuito elétrico de um Edifício automatizado, deve-se levar em conta preocupações com: a) controle de demanda; b) controle do fator de potência; c) controle de iluminação; d) otimização do consumo; Para o controle de demanda, será necessário um controlador de custo de energia elétria (FIGURA 6.1), que atua nas cargas do sistema elétrico, desligando ou religando-o de acordo com o consumo desejado, nunca deixando ultrapassar o valor máximo de demanda estipulado. FIGURA 6.1: Controlador de demanda FONTE: AUTOMA O controle do fator de potência deverá ser feito por um sistema automático, gerênciado por um computador com programas específicos para essa tarefa (FIGURA 6.2), que pode ao mesmo tempo controlar a demanda e o fator de potência, desligando cargas eleitas pelo usuário para manter a demanda no limite definido e ligando ou desligando capacitores conforme seja necessário para manter o fator de potência igual ou maior a 0,92. 31 FIGURA 6.2: Controlador de fator de potência FONTE: NEL Em iluminação, responsável por cerca de 50% do consumo de energia, existe a possibilidade de instalação de sensores de presença (FIGURA 6.3) e o melhor aproveitamento da iluminação natural utilizando-se sensores de luminosidade. FIGURA 6.3: Sensor de presença FONTE: GRAEBIN 6.2 Controle hidráulico Conforme MESSIAS (2007), “tornar automatizada uma edificação quanto à hidráulica é poder controlar desperdícios e reduzir o consumo através do reaproveitamento de água”. O controle hidráulico pode monitorar diversos fatores, entre eles nível dos reservatórios, qualidade da água, gerenciar consumo e despejo de efluentes nas redes públicas entre outros. Pode-se acompanhar o consumo de água pelo meio dos seguintes pontos: 32 a) Medidores microprocessados de consumo de água; b) Controladores microprocessados de bombas; c) Controladores locais de qualidade de água; d) Sensores de nível. A qualidade de água pode ser mensurada com o uso de medidores de qualidade (FIGURA 6.4). Estes medidores indicam valores como pH, alcalinidade, dureza, nível de impurezas, entre outros. FIGURA 6.4: Medidor de qualidade da água FONTE: MEDICAO Outro aparelho de destaque na automação hidráulica são sensores de turbidez (FIGURA 6.5). Sua principal função é o manejo e controle de resíduos líquidos industriais em efluentes. FIGURA 6.5: Sensor de turbidez FONTE: LUNUS 33 6.3 Controle fotovoltáico Conforme ANDRADE (2007), os “sistemas de energia solar fotovoltáica encontram-se isolados, compostos pelo painel fotovoltaico, regulador de carga, bateria e carga”. Conforme dito anteriormente, o controlador de carga (FIGURA 6.6) tem como principal função evitar com que sobrecarga aconteça na bateria. O controlador impede com que a bateria receba mais carga do painel solar do que pode comportar, fazendo com que essa energia seja perdida, ou então aproveitada de outras formas. FIGURA 6.6: Controlador de carga FONTE: PHOCOS FIGURA 6.7: Circuito do controlador de carga FONTE: ELETRONICA-PT 34 Outros equipamentos interessantes na concepção de um Edifício auto-sustentável podem ser as bombas solares, ou seja, bombas hidráulicas movidas a energia solar. Projetadas para locais fora do alcance da rede elétrica, estas bombas hidráulicas solares podem ser consideradas uma alternativa limpa e simples a geradores movidos a combustível. Sua maior vantagem é sua eficiencia de utilização, pois funciona melhor quando está seco e ensolarado, ou seja, quando mais se precisa de bombeamento de água. Estas bombas podem ser alimentadas diretamente em painéis fotovoltaicos, com corrente contínua, 12Vcc normal (FIGURA 6.8). Porém existe no mercado versões em corrente alternada, para maior flexibilidade na conexão de dispositivos, inversores ou geradores de energia. FIGURA 6.8: Sistema de bomba hidráulica alimentada por painéis solares FONTE: COMERCIALREDIMAX 6.4 Controle geral Em um projeto de automação dotado de muitos pontos de controle, o ideal é a implantação de um controlador lógico programável (CLP) para um processamento e controle mais eficiente dos instrumentos de automação da planta. Um CLP, ou PLC conforme sua sigla em inglês para Programmable Logic Controller, é um computador especializado, baseado num microprocessador que desempenha funções de 35 controle de diversos tipos e níveis de complexidade. É um equipamento eletrônico digital com hardware e software compatíveis com aplicações industriais e utiliza de memória programável para armazenar internamente instruções e para implementar funções específicas por meio de módulos de entrada e saída. Em um Edíficio auto-sustentável, o papel de um CLP (FIGURA 6.9) seria monitorar e controlar fatores como nível dos tanques inferiores e superiores para reúso de água, controle de carga de painéis fotovoltáicos, controle de temperatura, luminosidade e presença, controle de demanda e fator de potência, entre muitos outros. FIGURA 6.9: Controlador lógico programável FONTE: CIRRIS 7 ESTUDO DE CASO Com base nos exemplos anteriores, foi realizado a concepção de um projeto de automação e controle de um edifício auto-sustentável. Considerou-se um condomínio vertical com um prédio de seis andares para os cálculos do projeto. Primeiramente, foram efetuados os cálculos necessários para o dimensionamento do sistema de reúso de água. Em seguida foram concebidos os cálculos do sistema de energia fotovoltáica e um modelo estruturado do projeto. 7.1 Dimensionamento do sistema de reuso de água No estudo do dimensionamento dos componentes do sistema de reuso, considerou-se um consumo diário de 200 litros de água por pessoa a cada dia. Considerando a TABELA 7.1 de fracionamento de consumo levando em consideração 20 pessoas por andar, temos: TABELA 7.1: Fracionamento do consumo de água Aplicação Fração (%) (SILVA 2000) Asseio pessoal 50 Bebida, cozinhas 15 Banheiros 20 Lavagem da casa 7,5 Lavagem de roupas 7,5 Considerando estas informações, as águas aproveitadas para o reuso serão as utilizadas no asseio pessoal, provenientes de banhos e lavatórios. Portanto a vazão será dividida em 50% para águas potáveis e 50% para águas de reuso. Considera-se também uma perda de 10% no processo, para limpeza de caixas, reservatórios e filtros. Portanto a vazão de reuso será de 110 litros por dia por pessoa (13,2 m³/dia), resultanto nas seguintes dimensões: 37 TABELA 7.2: Dimensionamento dos componentes Componentes Reservatório inferior Vazão Volume Compr. Largura Altua (m³/dia) (m³) (m) (m) (m) 6,6 6,6 1,87 1,87 1,87 13.2 4,4 1,63 1,63 1,63 2,2 2,2 1,3 1,3 1,3 1,1 1,1 1,03 1,03 1,03 de captação (1 célula) Caixa de decantação (3 vezes ao dia) Reservatório inferior para água de reuso Reservatório superior para água de reuso 7.2 Dimensionamento do sistema fotovoltáico Para o dimensionamento do sistema fotovoltáico, considerou-se um consumo mensal de 15000 kWh em todo o condomínio. A energia gerada pelos painéis fotovoltáicos será destinada à alimentação das lâmpadas de iluminação do edifício, que correspondem à 40% do consumo total mensal. Portanto, assumindo que o consumo mensal (30 dias) é de 6000kWh para os painéis foto voltáicos, a amplitude de descarga é de 80% e a eficiencia do conversor de 75%, tem-se o seguinte cálculo: (7.1) Portanto 300000 kWh é a capacidade de armazenamento de energia do banco de baterias no período de 1 mês. Considerando que 1 painel fotovoltáico produza 60 kWh por mês de energia e que a corrente de carga é igual a corrente do painel fotovoltáico, tem-se o seguinte cálculo: (7.2) 38 Portanto serão necessários 101 painéis fotovoltáicos, dos quais 100 estarão ligados em série e 1 ligado em paralelo. 7.3 Projeto estruturado Finalizado o dimensionamento do sistema de reuso de água e do sistema fotovoltáico, foi realizada a estruturação do projeto (FIGURA 7.1), confome segue: FIGURA 7.1: Projeto de um sistema de automação predial De acordo com o projeto, pode-se fazer as seguintes observações: a) Os painéis fotovoltáicos estão ligados em um controlador de carga, que irá evitar quaisquer danos de sobrecarga ao banco de baterias; b) após o banco de baterias está ligado um conversor CC / CA; 39 c) seguindo o exemplo de países como França e Alemanha, o sistema fotovoltáico poderá fornecer ou mesmo vender energia em excesso à concessionária local de abastecimento energético; d) instalou-se um PLC para o monitoramento e controle de diversos aparelhos eletrônicos situados no edifício. Esse PLC irá monitorar o funcionamento dos sensores de luminosidade e sensores de presença, responsáveis pelo consumo eficiente da energia elétrica usada nos dispositivos de iluminação. Será papel do PLC também monitorar e controlar o nível dos reservatórios superior e inferior de água de reuso; e) para o controle de nível, sugere-se a instalação de um sensor de nível em cada um dos reservatórios ligados ao PLC. Este acionará a bomba hidráulica para bombear a água de reuso da caixa de decantação, que está diretamente ligada ao reservatório inferior, até o reservatório superior, que fará a distribuição de água por todo o prédio; f) é papel também do PLC monitorar o funcionamento do sistema de energia fotovoltáica, para evitar problemas como sobrecarga ou perda de eficiência na captação de energia; g) no quadro elétrico estão ligados um controlador de demanda, que atuará nas cargas do sistema elétrico, e também um controlador de fator de potência, que atuará ligando e desligando um banco de capacitores para manter o fator de potência sempre igual ou acima de 92%. É importante ressaltar que os valores utilizados na concepção deste projeto são arbitrários. A real intenção deste estudo é mostrar como uma análise de projeto genérica de automação predial pode resultar em um projeto viável na prática. 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em face do grande aumento populacional mundial e da crescente falta de recursos energéticos, é cada vez mais necessária a implantação do conceito de Edificações Autosustentáveis em projetos de automação predial. A busca por novos métodos e equipamentos que ajudem na auto-eficiência energética é grande, porém se não concebida de forma estruturada e consciente poderá não trazer os resultados esperados. Para uma melhor eficiência em projetos de Edificações Auto-sustentáveis, é necessária a criação de modelos de projeto e informações básicas a serem seguidas, para que as pessoas envolvidas em suas construções e posteriormente em suas ocupações, tenham condições de trabalhar e morar em ambientes que tragam conforto, sustentabilidade, viabilidade econômica e não causem danos ao meio ambiente. Porém é importante ressaltar que devido à elevada evolução tecnológica predominante no mercado atualmente, muitos projetos podem se tornar absoletos. Portanto manter-se atualizado é essencial para o sucesso no ramo de automação predial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ONU. Relatório Bruntdland – Nosso Futuro Comum, 1987. Disponível em <http://www.scribd.com/doc/12906958/Relatorio-Brundtland-Nosso-Futuro-Comum-EmPortugues>. Acesso em 20 de julho de 2009. VIGGIANO, Mário Hermes. Autonomia Energética em Residencias, São Paulo, Projeto Casa Autônoma, 2005. CONAMA, Resolução N.° 20 de junho de 1986, em Diário Oficial da União. TAKIUCHI, Marcelo; MELO Érica; TONIDANDEL Flavio. Domótica inteligente: Automação baseada em comportamento, São Bernardo do Campo, FEI, 2002. MANETTI , Penélope Duse. Casa sustentável – Uma alternativa possível, São Paulo, Unesp, 2007. MÜLFARTH, R. C. K. Arquitetura de Baixo Impacto Humano e Ambiental. 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