Este novo módulo foi desenvolvido pela Dra. Caroline Hewson e a WSPA (em
2007).
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Como observado no módulo 2, cada uma das Cinco Liberdades sobrepõe as
outras. A nutrição e a alimentação estão relacionadas com cada Liberdade.
•Livres de fome e sede A relação da alimentação com esta Liberdade é óbvia: os
animais precisam de água e de uma boa dieta disponíveis para manterem a saúde
e o vigor perfeitos.
•Livres de desconforto Uma nutrição adequada promove o depósito adequado de
gordura corporal. Isso ajuda a prevenir o desconforto de sentir muito calor (animais
gordos) ou muito frio (animais magros).
•Livres de dor, lesões e doenças Existem muitas doenças nutricionais possíveis.
Algumas dessas doenças podem resultar em dor considerável, como, por exemplo,
fraturas em animais com raquitismo (deficiência de Vitamina D). A nutrição
adequada ajuda a garantir a saúde e o funcionamento adequado dos órgãos,
sistema imune, etc.
•Livres para expressar seu comportamento normal, Livres de medo e estresse
A nutrição adequada inclui o fornecimento de alimentos de forma que permita a
expressão de comportamentos alimentares típicos de cada espécie. Se essa
necessidade não for preenchida, causa frustração e estresse. Além disso,
problemas como superpopulação ou o tamanho e idade do grupo podem levar
alguns animais a se tornarem dominantes nas áreas de alimentação, enquanto os
outros não conseguem alcançar a comida e podem ter medo de confrontar os
dominantes. Como resultado, esses animais menos dominantes podem não se
alimentarem o suficiente.
A próxima parte da aula observa em mais detalhes como a nutrição está
relacionada com as Cinco Liberdades.
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Fome A fome é indicada pelo aumento do apetite. O apetite é controlado pelo centro
do apetite e saciedade, localizado no hipotálamo. O centro do apetite é afetado por
muitos fatores, incluindo: nível de glicose no sangue; temperatura corporal; estado
mental; estímulos neurológicos do Trato Gastrointestinal e metabólitos sanguíneos
como glicose e uréia. O odor é uma importante parte do apetite. Por exemplo, os
gatos perdem seu apetite se têm infecções respiratórias que causam inflamação e
bloqueio das vias nasais.
Os carnívoros geralmente comem para saciar a fome, enquanto os herbívoros
comem para prevenir a fome. Na natureza, os carnívoros e herbívoros encontram
uma variabilidade na disponibilidade de comida. Os herbívoros podem ter períodos
de baixa ingestão por causa de predadores, que os afastam das áreas de boas
pastagens, ou por causa do clima, como por exemplo na seca. Similarmente, os
carnívoros podem nem sempre encontrar presas. Logo, animais selvagens podem
sofrer fome extrema e morrer de fome relativamente fácil — diferentemente dos
animais domésticos. Entretanto, estar com fome tem um lado positivo: a fome dá
algo para os animais fazerem (como, procurar comida, achar, matar [carnívoros] e
comer).
Subnutrição A dieta deve atender às necessidades calóricas dos animais (como
animais jovens, prenhes). Animais jovens podem morrer de fome se não comerem:
bezerros vivem aproximadamente 10 dias sem se alimentarem e ovelhas vivem
aproximadamente 8 dias. Entretanto, leitões vivem apenas 30 horas
aproximadamente sem se alimentarem.
O alimento deve ter alta digestibilidade e conter níveis adequados de
micronutrientes (vitaminas e minerais) e macronutrientes (proteína, gordura,
carboidrato, água). A ignorância e a ausência de médicos veterinários locais para
educar os proprietários pode resultar em animais com fome e mau-nutridos. Por
exemplo, um estudo com cães de duas áreas rurais na África do Sul, onde não há
serviço veterinário, indica que muitos cães estavam magros porque não recebiam
proteína suficiente. Consulte em:
•
W N Minnaar, R C Krecek Veterinary needs of dogs in two resource-limited
communities in the Gauteng and North West provinces of South Africa. J S Afr Vet
4
Negligência animal
Quando proprietários mantêm seus animais com fome crônica e não fornecem
comida suficiente, eles negligenciam seus animais. Esse tipo de negligência
pode ser causada por:
i. Ignorância É comum, especialmente com proprietários de pets ou em áreas rurais
sem serviço veterinário. Também acontece com uma minoria de proprietários
que têm distúrbios psicológicos e acumulam animais. O Dr. Gary Patronek da
Universidade Tufts nos Estados Unidos tem um programa de pesquisa e ajuda
devotado aos colecionadores de animais. Para maiores informações consulte:
•
The Hoarding of Animals Research Consortium. Site
http://www.tufts.edu/vet/cfa/hoarding/
ii. Falta de dinheiro. Por exemplo: criadores de gado no oeste do Canadá foram
prejudicados pelo banimento das importações de carne do Canadá pelos
Estados Unidos em 2004/05. Alguns fazendeiros não conseguiam alimentar
seus animais e os animais valiam muito pouco. Em poucos casos, os
fazendeiros interromperam o fornecimento de alimento extra e os animais
estavam morrendo de fome. Apesar de serem razões compreensíveis, é
crueldade;
iii. Desastres naturais, como a seca, que é comum em países como a África, bem
como em algumas partes da Austrália, dos Estados Unidos e do Canadá;
iv. Reprodutores de frango de corte e porcos Alimentar os animais de acordo com
seu grande apetite seria ruim para sua saúde e caro. Adicionar fibra à dieta é
uma forma de tentar reduzir a fome em reprodutores.
Crueldade deliberada
Uma minoria de proprietários não alimenta seus animais adequadamente para ser
cruel com eles. É muito importante estar ciente da crueldade animal, porque
constantemente outros membros da família do proprietário também estão
sofrendo abuso — normalmente o(a) parceiro(a)/esposo(a) e as crianças.
*** Para informação detalhada sobre como reconhecer negligência
animal e abuso, escrever relatórios às autoridades etc., consulte o site
5
Vacas leiteiras criadas em sistemas intensivos estão sob grande estresse
metabólico para manterem sua produção leiteira aumentada, tendo muitas
conseqüências, como balanço de energia negativo e laminite (Webster, 1994).
Elas podem passar fome durante uma parte ou grande parte da lactação: a
maior parte de seu tempo é gasta comendo e ruminando. A raça Holstein foi
criada para ter uma alta produção leiteira. É muito difícil evitar grande perda de
peso em vacas Holstein durante os dois primeiros meses depois do parto,
quando a produção leiteira alcança seu pico.
Referência
Webster, A. J. F., Animal Welfare: A Cool Eye Towards Eden (Blackwell, Oxford,
UK, 1994).
6
Muda forçada A muda forçada é a retirada intencional da comida e, às vezes, da
água também, de galinhas poedeiras no final da temporada de postura, para
fazer com que as aves voltem a botar ovos. A restrição alimentar causa perda
das penas (muda) e seu subseqüente crescimento. A muda forçada é ilegal no
Reino Unido e em muitos países europeus por causa da crueldade. É uma
prática comum nos EUA em virtude da baixa margem de lucro que os
produtores de ovos têm.
O efeito fisiológico da muda forçada é o mesmo observado na galinha
selvagem, que pára de comer por alguns dias antes do término do ciclo de
postura. A ausência de alimento inibe a liberação do hormônio luteinizante, que
por sua vez inibe a ovulação. As aves perdem as penas e interrompem a
postura. Quando começam a se alimentar novamente, elas voltam a botar ovos.
Comercialmente, o alimento deve ser retirado por 12 dias. Aves tratadas desta
forma sofrem fome extrema. Uma das diferenças verificadas na muda forçada e
na muda observada na galinha selvagem é que as aves selvagens mantêm o
controle ambiental, enquanto as aves domésticas vivem em um ambiente estéril
(foto) e não têm como expressar sua motivação crescente de comer.
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Fome e estereotipia
Porcos e frangos de corte são criados para crescerem rápido e têm muito apetite.
Entretanto, os frangos e os porcos não podem ser alimentados de acordo com
seu apetite, por razões de custo e saúde. O abdômen de uma matriz de frango
de corte não consegue acomodar muita comida no trato gastrointestinal por
causa do espaço que o ovo ocupa no trato reprodutivo. Se essas aves ficarem
com os intestinos cheios, há a predisposição ao prolapso da cloaca e à bicagem
da cloaca. No caso das porcas, alimentá-las de acordo com seu apetite levaria
à obesidade. Devido a esse fato, os animais são subalimentados: ou eles são
alimentados dia sim dia não, ou são alimentados com quantidades reduzidas
todos os dias. Conseqüentemente, eles têm fome crônica.
Porcas e matrizes de frango de corte mostram comportamentos estereotipados
quando ouvem os sinais de que a comida está chegando, apresentando mais
comportamentos estereotipados (CEs) depois de comerem: as porcas mordem
as barras (foto) e balançam a cabeça, fuçam e mastigam. Os frangos de corte
andam de lá para cá e caminham antes da alimentação, e, após a alimentação,
eles também mostram muitos CEs bucais - bicando o cocho.
Quando as porcas e as matrizes de frango de corte são alimentadas, elas
consomem a comida rapidamente. Entretanto, provavelmente ainda ficam com
fome porque a comida é insuficiente para provocar o feedback negativo no
centro do apetite no cérebro e reduzir a motivação de procurar alimento.
Consequentemente, os CEs após a alimentação refletem comportamentos de
procura de comida que apresentariam sob condições naturais de fome (fuçar,
mastigar, bicar). Fornecer uma dieta alta em fibra e espalhar a comida no chão
encoraja o comportamento de procura de alimento, que pode reduzir essa
frustração.
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Parasitos Parasitos gastrointestinais (GI) causam inflamação do trato GI e podem
absorver muito da comida digerida. Os parasitos também podem impedir a
absorção de comida, cobrindo a superfície vilosa do intestino delgado. Dependendo
da carga parasitária, do próprio parasito e de seu estágio de vida, os animais
acometidos podem não apresentar diarréia. Entretanto, eles podem ficar magros e
apresentar apetite elevado.
Má-digestão Os animais acometidos têm apetite aumentado. Eles têm deficiências
enzimáticas ou deficiências na microflora, necessárias para digerir o alimento. O
exemplo clássico é a insuficiência exócrina pancreática, observada no cão. Outro
exemplo é quando os dentes dos herbívoros estão em más condições e a comida
não é mastigada o suficiente (como pode acontecer em cavalos) ou quando os
animais são muito velhos.
Má-absorção Neste caso, o animal não consegue absorver a comida digerida.
Geralmente isso é ocasionado pela inflamação ou neoplasia do intestino delgado
ou grosso ou ambos. Pelo fato da maioria dos animais de produção não terem uma
vida longa, doenças que causam esse tipo de má-absorção não foram observadas
nessas espécies. Entretanto, em cães e gatos, essas doenças são mais comuns, a
maioria tratável.
Má-utilização Isto é resultado de doenças metabólicas como diabetes mellitus, que
é observada especialmente em cães e gatos. A obesidade (excesso de
alimentação) predispõe esses animais a desenvolverem diabetes.
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A sensação de sede acredita-se ser regulada pelas paredes do terceiro ventrículo
no cérebro, em resposta a fatores endócrinos, osmóticos e neurais. Algumas
causas da sede incluem ingestão insuficiente de água e perda de água por doença
ou suor. O porco na foto está bebendo em bicos de água que sempre fornecem
água limpa e fresca.
Água insuficiente
Conforme foi discutido sobre Fome, uma minoria de proprietários pode não fornecer
água aos seus animais. Problemas com o sistema de fornecimento de água, como
quando a água congela em clima frio, são mais comuns.
No caso de frangos de corte, a água é normalmente fornecida em
bebedouros com bicos. Os bebedouros são suspensos para prevenir as aves de se
baterem contra eles conforme vão crescendo. Entretanto, frangos de corte estão
predispostos à claudicação, por causa do crescimento rápido de seus músculos
comparado com seus ossos. Frangos mancos podem não ser capazes de alcançar
o bebedouro suspenso e morrem de desidratação se não forem removidos ou
eutanasiados.
No caso de porcos, a ausência de água, em pouco tempo, pode
tornar-se muito grave; eles desenvolvem hipernatremia ou ―envenenamento por sal‖
que leva à morte rapidamente por desidratação.
No caso de bezerros criados para vitela, uma pesquisa na Itália
indicou que bezerros criados com dieta exclusiva de leite beberiam água também
se tivessem à disposição. Eles concluíram que fornecer tanto água quanto leite
reduziu o comportamento indesejável como ficar mamando em coisas não
relacionadas à alimentação. Os bezerros que não receberam água não estavam
desidratados e os autores concluíram que a água fornece EA e reduz o estresse.
Consulte em:
•Gottardo F, Mattiello S, Cozzi G, Canali E et al The provision of drinking water to
veal calves for welfare purposes. J Anim Sci. 2002; 80:2362-72
10
Perda de água ocasionada por doença
Estomatite
Doenças infecciosas que causam estomatite (como calicivirus em
gatos, febre aftosa, peste dos pequenos ruminantes) e outras doenças que
provocam dificuldade de deglutição (como megaesôfago; obstrução do esôfago)
podem impedir os animais de beber água suficiente e resultar em sede.
Doenças metabólicas / renais Várias doenças podem provocar aumento de sede
nos animais (como diabetes mellitus, doença renal e falência renal crônica,
hipertireoidismo, hiperadrenocorticismo, hipercalcemia ocasionada por tumor). O
resultado é a polidipsia acompanhada pela poliúria.
Doença GI
A perda de água corporal ocorre geralmente por diarréia ou vômito.
Essas duas condições causam perda direta de água. Também produzem
desbalanços eletrolíticos que levam a mudanças no equilíbrio de água intracelular e
intersticial e no sangue. Quando os animais apresentam também indisposição, eles
podem não ter vontade de beber água.
Perda de água através do suor
A perda de água corporal também pode ocorrer devido à sudorese excessiva, em
climas muito quentes. Inicialmente isso aumenta a sede. Entretanto, se o calor é
extremo e os animais não têm sombra e água suficiente, eles perdem muito sódio
no suor e isto inibe a sede. Para restaurar a sede e os meios fisiológicos normais
de controlar a água corporal, é necessário recuperar o balanço de sódio primeiro.
Fornecer sombra e bastante água é particularmente importante
para animais de carga em clima quente. A foto mostra cavalos e jumentos na
Etiópia; muitas pessoas na foto têm guarda-sol para ficarem à sombra, mas os
animais estão ao sol.
Sede patológica
É comum, mas pode ser causada pela diminuição de secreção de hormônio
antidiurético (diabetes insipidus). Também é observado em galinhas poedeiras sem
acesso à comida; neste caso, pode ser um comportamento redirecionado. Animais
afetados bebem quantidades excessivas de água.
11
Temperatura corporal
Animais magros não têm isolamento térmico de
gordura suficiente, portanto, eles precisam utilizar mais energia metabólica para
manter a temperatura corporal. Isto aumenta a demanda por comida. Se eles são
incapazes de manter sua temperatura corporal, eles podem ficar suscetíveis a
infecções. Além disso, se eles desenvolvem alguma doença – infecciosa ou não –
por outra razão, eles são mais suscetíveis a se tornarem caquéticos, isto é, sofrer
catabolismo de músculo esquelético.
Animais neonatos são suscetíveis à hipotermia em climas frios e
úmidos se eles não forem alimentados na primeira hora de vida. Por exemplo, o
cabrito montês tem filhotes em março e abril, quando o clima é normalmente frio e
ventoso.
Ao contrário, animais acima do peso podem sofrer em climas
quentes porque a gordura em seus corpos mantém mais calor corporal. Cães
obesos podem ofegar continuamente em clima quente; esta atividade também gera
calor, o que causa mais desconforto. Gatos obesos podem ter dificuldade de
alcançar seu dorso para promover a perda de calor através da evaporação da
saliva.
Acolchoamento da superfície corporal
Animais muito magros são suscetíveis
a feridas e infecções de pele onde as proeminências ósseas se atritam com arreios
ou no chão onde vivem.
Facilidade de movimento
Obesidade
Animais que são obesos podem ter dificuldades de se aguentarem
quando urinam ou defecam. Gatos bem gordos são normalmente incapazes de se
lamberem apropriadamente e podem também ser incapazes de perder calor
efetivamente. Em janeiro de 2007, os proprietários de uma Labradora foram
considerados culpados de causar ―sofrimento desnecessário‖ porque permitiram
que seu peso chegasse a 72,5 kg. Consulte em:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/cambridgeshire/6281001.stm
Frangos de corte A rápida taxa de crescimento de frangos de corte que saciam
12
O bem-estar animal é reduzido se os animais estão mal nutridos. Mesmo que os
animais recebam proteína suficiente e calorias suficientes para não sentirem fome,
eles podem não receber micronutrientes suficientes. Deficiências em
micronutrientes podem causar doenças e, algumas vezes, dor e lesões também.
Alguns exemplos:
Raquitismo
Animais deficientes em Vitamina D (como cães mantidos no escuro
e alimentados com dieta rica em fósforo, de carne crua e farelo de trigo)
desenvolvem raquitismo e são suscetíveis a fraturas.
Deficiência em taurina em gatos
Gatos que são deficientes em taurina
desenvolvem cardiomiopatias que podem levar ao desenvolvimento de coágulos na
aorta caudal; a consequência é a ausência de fornecimento sanguíneo para as
patas traseiras, o que é extremamente doloroso. Boas rações comerciais contêm
taurina, portanto, sinais de deficiência são mais raros hoje em dia.
Deficiências minerais
•Hipomagnesemia. Gramíneas jovens, particularmente as ricas em nitrogênio, são
pobres em magnésio. Quando bovinos ou ovelhas são acomodados nesses pastos,
podem desenvolver hipomagnesemia. A condição causa tetania e é fatal se não for
tratada imediatamente.
•O solo local pode ser deficiente em cobre ou selênio, portanto, animais que
pastam necessitam de fontes minerais ou outros suplementos.
•Animais deficientes em minerais podem desenvolver vícios: eles comem coisas que
não são alimentos, como suas fezes ou a terra.
•Tradicionalmente, bezerros criados para produção de vitela são alimentados com
uma dieta exclusiva de leite, sem forragem (foto). Isto induz à anemia ferropriva e
produz a carne “branca”. A alimentação de bezerros apenas com leite tornou-se
ilegal na União Européia desde 2007 para bezerros acima de 8 semanas de idade.
•Uma pesquisa sobre a alimentação de 135 pássaros de estimação na região de
Nova Iorque indica que mais de 90% consomem menos do que o necessário de
vitamina D e cálcio e 57% consomem menos do que o necessário de vitamina A.
Consulte em:
•Hiess L, Mauldin G, Rosenthal K. Estimated nutrient content of
13
A superalimentação evita a sensação de fome nos animais, mas pode ter
conseqüências graves para a saúde.
Superalimentando animais de companhia
Isso é um problema comum com animais de companhia na América do Norte,
Europa e Austrália. Como resultado, os animais ficam muito gordos e obesos.
Fatores que contribuem são: falta de exercício, comida altamente palatável e
ignorância dos proprietários sobre hábitos alimentares.
Por exemplo, estudos de colônias de gatos domésticos sugerem que quando os
gatos têm à vontade comida ilimitada, eles fazem 8 a 16 refeições por dia. No
ambiente selvagem, dependendo da época do ano, da disponibilidade de
presas e outros fatores, podem passar várias horas para um gato pegar um
roedor. Em ambos os casos, os gatos não comem excessivamente. Muitos
proprietários de gatos fornecem alimentos ad libitum: isto permite aos gatos
seguirem seu padrão frequente de alimentação. Entretanto, porque a comida é
muito palatável e gatos domésticos, particularmente, não têm nada além disso,
eles normalmente comem muito, especialmente se os proprietários não limitam
a quantidade de comida disponível.
•
Fitzgerald BM, Turner DC 2000. Hunting behaviourof domestic cats and their
impact on prey. In: Turner DC, Bateson P (eds). The Domestic Cat. The biology
of its behaviour. 2nd edition. Cambridge University Press pp. 151-175.
Um animal adulto saudável, cão ou gato doméstico que não está prenhe ou sendo
usado para trabalho, requer 40-60 cal por quilo de peso vivo diariamente; uma
lata de 400g de comida para gato ou cachorro contém aproximadamente 360
cal e um volume de 250 mL de comida seca contém aproximadamente 400 cal.
Animais obesos normalmente têm bom apetite e aparentam estar sempre com
fome aos seus donos. O aparente apetite pode ser na verdade uma atividade de
distração, particularmente em gatos que ficam dentro de casa e que não têm a
oportunidade de explorar ou caçar. Além disso, muitos gatos não são sociais,
por razões genéticas e de vivência, e podem achar a interação com outros
gatos da casa e com o dono muito estressante. Eles podem aliviar o estresse
comendo muito: estes gatos são comumente muito obesos e engolem a comida
14
Superalimentação
O porco na foto foi intencionalmente superalimentado para um ―festival‖ em Taiwan,
onde os porcos são abatidos usando facas cegas ou as próprias mãos,
consequentemente sofrendo dor e medo prolongados antes de morrerem.
Fígado gorduroso
Como mencionado no slide anterior, patos e gansos
desenvolvem esteatose hepática iatrogênica para produção de foie gras. Vacas
leiteiras desenvolvem fígado gorduroso se a condição corporal está alta antes do
parto (condição corporal > 3 de 5) e se alimentam com muito concentrado. Vacas
acometidas ficam inapetentes e indispostas também.
Laminite
É a inflamação das lâminas do casco. Cavalos e bovinos são
particularmente suscetíveis se comerem grandes porções de concentrado ou
gramíneas ricas em proteína. A laminite é extremamente dolorosa e pode provocar
a rotação da terceira falange e levar a laminite crônica, mesmo quando a laminite
aguda melhorou.
Acidose ruminal
Ocorre quando os ruminantes comem muito carboidrato
fermentável (como quando o público alimenta os veados com pão ou bolo ou
quando um fazendeiro fornece muito concentrado a vacas na sala de ordenha).
Alimentando as vacas com uma dieta completa, a ingestão de amido pode ser
distribuída durante o dia. Animais acometidos ficam inapetentes e deprimidos.
Subalimentação
Além de causar fome (discutido no slide 4), subalimentar enfraquece o sistema
imune e predispõe os animais a doenças infecciosas, incluindo parasitismo.
Neonatos
Com ocorre com muitos animais domésticos, particularmente
ungulados, os jovens precisam mamar dentro da primeira hora para absorver os
anticorpos maternos antes que o mecanismo de absorção dessas proteínas
grandes se perca. Se os animais não receberem o colostro cedo, eles ficam
suscetíveis a infecções gastrointestinais e a outras infecções e é muito mais
comum morrerem por isso.
15
Bezerros para produção de vitela
Úlcera de abomaso é comumente
encontrada em bezerros. A prevalência de úlceras (que penetram na mucosa) ou
erosões (que não penetram na mucosa) pode variar de 6 a, aproximadamente,
76%. A prevalência varia entre as fazendas mesmo quando a dieta é a mesma.
Comer forragem, como feno, aumenta a incidência de ulcerações em porções do
piloro, talvez porque o feno agrida úlceras pré-existentes que se desenvolveram
quando os bezerros alimentavam-se apenas com leite. Outras causas prováveis
são: estresse, infecção, o fornecimento de apenas 2 refeições de leite por dia
(quando, com as vacas, os bezerros de corte mamam, aproximadamente, 6 vezes
por dia) e o baixo pH resultante da dieta exclusiva de leite. Entretanto, nenhum
desses fatores sozinho explica a ocorrência da condição.
Ulceração abomasal é difícil de diagnosticar porque muitos
bezerros não mostram sinais de inapetência ou de dor abdominal. Entretanto, eles
podem mostrar sinais bucais de estereotipia, como rolamento de língua e
mordedura de barras (foto). Enquanto esses comportamentos podem ser, em parte,
uma resposta a oportunidades inadequadas de procurar comida, eles também
podem ser respostas a úlceras porque, quando aumentam o fluxo de saliva, podem
reduzir o pH abomasal. Isto foi descrito em cavalos (veja abaixo).
No momento, não está claro como alimentar bezerros para
produção de vitela para satisfazer a demanda de carne e, ao mesmo tempo,
fornecer aos bezerros forragem para satisfazer sua necessidade comportamental
sem causar problemas digestivos. Consulte em:
•Constable PD. Abomasal ulceration in cattle. Proceedings of the Annual Meeting of
the American College of Veterinary Internal Medicine, Dallas, Texas. May 29 –
June 1, 2002. Disponível online para membros da Veterinary Information Network
em:
http://www.vin.com/Members/Proceedings/Proceedings.plx?CID=acvim2002&PID=
pr01479&O=VIN
•Mattiello S, Canali E, Ferrante V, Caniatti M et al. The provision of solid feeds to
veal calves: II. Behavior, physiology, and abomasal damage. J Anim Sci.
2002;80:367-75.
16
A alimentação pode ser uma fonte de medo e estresse de várias formas.
Predação
Quando presas são caçadas, elas sentem medo e estresse, especialmente quando são
encurraladas e lutam por suas vidas. Essas emoções negativas são adaptativas, mas
também são muito estressantes. Observem que as presas podem ser carnívoras ou
herbívoras como seres humanos caçando raposas; gatos caçando pássaros.
Competição na alimentação
Muitas espécies comem em grupos: são comedores sociais; quando um animal come,
todos são motivados a comer, como vacas, ovelhas, porcos e muitas espécies de
peixes. Quando esses animais são agrupados, pode não haver espaço de alimentação
suficiente para todos os animais ao mesmo tempo, ou animais maiores podem manter
os menores afastados. Logo, para os animais menores, a alimentação pode ser uma
fonte de medo e estresse.
Também é verdade que, ao selecionarmos animais de crescimento
rápido, também podemos ter selecionado aqueles que são naturalmente mais ousados
e competitivos. Os menos ousados podem evitar se aproximar do local de alimentação
quando a comida é colocada porque têm medo dos animais maiores.
Efeitos nutricionais
A composição nutricional da comida pode predispor os animais ao estresse.
Particularmente, uma síndrome de histeria em massa foi descrita em galinhas
poedeiras, sejam engaioladas ou criadas extensivamente. As aves, repentinamente,
mostram pânico extremo e correm em círculos ou guincham e tentam escapar. Isto
reduz a produção de ovos dramaticamente e aumenta a mortalidade. A causa da
diminuição de postura não está clara, mas pode ser que ocorra pela alta densidade de
aves. Quando as aves eram alimentadas com uma dieta rica em triptofano (o
aminoácido precursor da serotonina), a histeria ocorria muito menos e os níveis de
serotonina e seus metabólitos aumentavam no cérebro. Consulte em:
17
Como a maioria dos comportamentos, o comportamento alimentar tem dois
componentes. O primeiro componente é o apetite. Neste, os animais procuram o
que precisam para satisfazer sua motivação (no caso da reprodução, o
componente apetite é o ritual de cortejo; no caso da alimentação, o componente
apetite é adquirir o alimento primeiro — porcos fuçam para cheirar e descobrir o
alimento, cães farejam o cheiro da presa, bezerros sugam o teto).
O segundo componente é a consumação. Neste, o animal apresenta o
comportamento que satisfaz o suporte à vida ou à saúde ou ao conforto que leva a
toda seqüência comportamental. No caso da cópula, os machos cruzam com as
fêmeas. No caso da alimentação, o animal apreende o alimento, mastiga (se
necessário) e engole.
Como as espécies se alimentam naturalmente? Entre a maioria dos sistemas de
criação de animais domésticos, o foco nutricional está na consumação do
comportamento alimentar: para viver, o animal deve ingerir comida. Entretanto,
apesar da alimentação aliviar a fome do animal, comumente não fornece feedback
suficiente para satisfazer a motivação de comer, onde a fome é uma parte.
Consequentemente, bezerros alimentados com baldes sugam quando não estão se
alimentando (a foto mostra o bezerro sugando forte para obter o leite, sendo parte
do comportamento alimentar dos bezerros); porcos mastigam as barras das baias;
reprodutores de frango de corte bicam o chão. Em todos estes exemplos, o
ambiente não permite aos animais expressarem o componente apetite do
comportamento alimentar.
18
Animais de produção são separados de suas mães ou desmamados geralmente
muito mais cedo do que seriam naturalmente. Isto pode afetar a expressão do
comportamento alimentar natural.
Vacas leiteiras
Sugar sem se alimentar
Em criações intensivas, bezerros leiteiros são
rotineiramente separados de suas mães no nascimento ou em 4 dias. Em muitos
casos, os bezerros são alimentados com baldes duas vezes por dia. Eles podem
beber essas refeições em poucos minutos — muito mais rápido do que se eles
estivessem mamando no teto ou em mamadeiras. Esses bezerros demonstram,
tipicamente, comportamentos de sugar outros bezerros ou partes de sua baia. Este
comportamento redirecionado de sugar provavelmente ocorre porque o consumo
rápido de leite não é o suficiente para satisfazer o componente apetite da sua
motivação alimentar. Entretanto, quando os bezerros podem beber leite ad libitum
de contêineres com bicos, eles sugam muito menos outras coisas, enquanto
apresentam boas taxas de crescimento. Consulte em:
•Weary DM. Alternative management and housing to improve the well-being of dairy
calves. Proceedings from ―Dairy Calves and Heifers: Integrating Biology and
Management‖ NRAES, Ithaca, NY. 2005 pp66-73. Dispnível em:
http://www.landfood.ubc.ca/animalwelfare/publications/documents/weary_nraes_04.
pdf
Porquinhos
Desmame precoce e mordedura de rabo
Os porquinhos são tipicamente
desmamados com 21 dias e agrupados em baias onde não existe material
manipulável. Comumente, alguns porcos do grupo mordem os rabos de outros, o
que pode provocar infecções levando a abscessos espinhais, assim como causa
estresse aos porcos mordidos. A mordedura de rabo pode ocorrer em porcos de
diferentes idades e não é um resultado direto do desmame precoce. Entretanto,
fornecer material aos porquinhos, mesmo quando eles ainda estão com a mãe
(ilustração à direita), ajuda a reduzir o risco de um surto. Isso se deve ao fato de
19
Enriquecimento ambiental (EA) é analisado em detalhe no Módulo 26.
O que é EA nutricional? A modificação do ambiente de animais em cativeiro para
maximizar a oportunidade de demonstrarem comportamentos alimentares típicos
da espécie.
Carnívoros
Comem para aliviar a fome. Matar a presa é um risco potencial
porque a presa vai lutar e pode causar lesões ou fugir. Logo, os carnívoros
arriscam-se e investem muita energia no ato de se alimentar e é importante que o
investimento gere mais energia do que a foi gasta. Quando carnívoros em cativeiro
ficam com fome, eles ficam tipicamente inquietos. Se são de espécies que
perseguem e matam sua comida (como o mink) ou se eles têm que viajar longas
distâncias para localizar uma fonte de comida (como os ursos polares), eles podem
desenvolver estereótipos locomotores, às vezes com padrões elaborados de
caminhar.
Para ajudar a evitar frustrações e estereotipias, o mink em cativeiro
deve ser alimentado em horários fixos e não ter que esperar por muito tempo
enquanto outros animais são alimentados primeiro. Ursos polares podem ser
alimentados com peixes em cubos de gelo ou em caixas intrigantes. Entretanto,
uma pesquisa que comparou a história natural de grandes carnívoros com as
condições dos melhores zoológicos indica que é, provavelmente, impossível
fornecer espaço e complexidade suficientes para satisfazer adequadamente o
componente apetite da alimentação ou outras motivações, para muitas dessas
espécies, particularmente ursos. Consulte em:
•Clubb R, Mason G. Captivity effects on wide-ranging carnivores. Nature 2003; 425:
473 – 474.
•Mason G, Mendl M. Do the stereotypies of pigs, chicken and mink reflect adaptive
species differences in the control of foraging? Appl Anim Behav Sci 1997; 53: 45-58.
Herbívoros
A maior parte dos nossos animais domésticos são herbívoros.
Eles comem para evitar a fome e podem ser seletores (selecionando padrões
particulares ou tipos de vegetação e usando seus dentes para cortar e direcionar o
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Os princípios acima estão listados em:
Young RJ. Environmental Enrichment for Captive Animals. Oxford: Blackwell, 2003
página 88.
Carnívoros + outros caçadores (piscívoros, insetívoros)
A maior parte dos grandes carnívoros estão nos zoológicos, não em fazendas, e
são necessários testes cuidadosos para desenvolver uma forma de EA segura
e com boa relação custo/benefício, que utilize o maior número possível dos
itens listados acima. Young (2003) descreveu um alimentador mecânico para
guepardos em cativeiro que utiliza uma carcaça ou pedaço de carne e permite
que o animal expresse o comportamento de espreita para se alimentar.
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Os princípios acima estão listados em:
Young RJ. Environmental Enrichment for Captive Animals. Oxford: Blackwell, 2003
página 95.
Herbívoros e outros animais que não se alimentam de carne. Essas espécies
podem ser arbóreas e, não, terrestres como bovinos ou jumentos e suas
adaptações irão refletir isso. Por exemplo: bovinos têm uma língua preênsil
para ajudar a apanhar a comida e ingerir vegetais em grande quantidade;
papagaios têm pés fortes e garras para escalar as árvores procurando frutas ou
sementes.
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Alimentadores complexos
Esses são containeres com buracos. Para obter a comida do alimentador, o animal
tem que manipulá-lo. Dependendo do comportamento alimentar natural, o
alimentador pode ser uma bola ou um taco (porcos, cavalos, gatos) ou pode
permitir que o animal insira a pata (gatos).
Postes alimentares
Esses são utilizados para grandes carnívoros nos zoológicos: o animal tem que
escalar o poste para alcançar a carne ou a carcaça
Esconder a comida
Essa é uma forma de enriquecimento para a maioria dos animais, pois permite a
expressão do componente apetite da motivação alimentar e, em muitos casos,
a utilização do sentido do olfato altamente aguçado (como porcos, cães, ursos).
A comida pode ser escondida em partes diferentes do cercado e a localização
varia a cada dia. A comida também pode ser espalhada no chão. Nos dois
métodos é muito importante remover a comida não ingerida para que não
apodreça.
Comida fresca
Comida fresca (como frutas e vegetais para pássaros e coelhos) fornece
enriquecimento sensorial para os animais que, de outra forma, seriam
alimentados com a mesma dieta comercial todos os dias. A foto mostra uma
girafa recebendo bananas em um pirulito de gelo.
Movimentação
Esse é um importante aspecto do enriquecimento ambiental para carnívoros.
Muitos zoológicos desenvolveram formas de alimentar os carnívoros o mais
natural possível. Entretanto, alimentar carnívoros em cativeiro com presas vivas
deve ser evitado por causar sofrimento à presa: a situação não é a mesma que
na natureza, onde a presa normalmente conhece o território e tem alguma
chance de escapar.
Alimentadores com bicos
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Alimentação e bem