Revista Brasileira do Aço - Ano 20 Edição 123 - Julho de 2010 INDA 40 anos As empresas que fizeram história Relembre quem foram os grandes players da Distribuição nessas quatro décadas e as mais de 200 empresas associadas que ajudaram a escrever nossa história. setorial HÁ 40 ANOS... Expediente O ESTADO DE S. PAULO, 23 DE JULHO DE 1970 – DATA DA FUNDAÇÃO DO INDA PREVISÃO ERA DE 20 MILHÕES DE TONELADAS ATÉ 1980 2 Diretoria Executiva Presidente: Carlos Jorge Loureiro Vice-presidente: José Eustáquio de Lima Diretor Administrativo e Financeiro: Miguel Jorge Locatelli Diretor para Assuntos Extraordinários: José Antônio Orue Mera. Conselho Diretor: Alberto Piñera Graña; Carlos Henrique Stella Rotella; Heuler de Almeida; Luiz Ernesto Migliora; Newton Roberto Longo. Superintendente: Gilson Santos Bertozzo. Revista Brasileira do Aço Revista Brasileira do Aço Fone: 11 2272-2121 [email protected] Editora: Luana Ribeiro (Mtb 57658) [email protected] Sistemas de Informação/Estatísticas: Oberdan Neves Oliveira e Camilla Reis Projeto gráfico e Diagramação: Conceito Comunicação e Design www.conceitodesign.com.br. Impressão: HRosa. Distribuição exclusiva para Associados ao Inda. Os artigos e opiniões publicados não refletem necessariamente a opinião da Revista Brasileira do Aço e são de inteira responsabilidade de seus autores. Palavra do presidente Quatro décadas de evolução É com muito prazer que estou à frente do INDA em seu 40º aniversário. Afinal, são quatro décadas durante as quais o Instituto se manteve firme no propósito de levar a seus associados informação rápida e de qualidade. Estou certo de que, se hoje comemoramos quarenta anos de trabalhos dedicados à Distribuição de Aços, devemos isso às mais de duzentas empresas que por aqui passaram, confiando ao Instituto sua representação. De 1970 - quando os membros da Associação dos Comerciantes do Aço se uniram para fundar o INDA - até hoje, muita coisa mudou. Apesar dos números mostrarem que a Distribuição sempre foi responsável por 30% do escoamento da produção nacional, nem sempre tivemos o reconhecimento atual. Foram anos de trabalho para mostrar que o distribuidor não era um mero atravessador, mas um importante colaborador para o crescimento econômico do país. Foi esse, aliás, um dos motivos pelos quais se decidiu criar o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço. Tive o prazer de integrar a primeira diretoria do INDA, e de presidir o instituto duas outras vezes (em 1985 e novamente em 1987). Hoje, muitas das empresas que faziam parte do nosso quadro associativo nos anos 70 e 80 já não existem mais, o que evidencia a mudança dos grandes players nos primeiros vinte anos. A partir dos anos 90, quando o processo de privatização das usinas se intensificou, vimos o fechamento de muitas empresas e o surgimento de outras tantas. Mudaram os grandes distribuidores, mudou também o mercado. Nesses quarenta anos, fatos históricos incitaram o surgimento de novas necessidades e ferramentas de trabalho. No Brasil, tivemos o milagre econômico, a forte crise econômica nos anos 80, o fim do regime militar, o impeachment do então presidente Collor e a criação do plano real, para citar apenas alguns exemplos. Pelo mundo, assistimos à criação da Internet, à queda do muro de Berlim, ao bug do milênio e ao fatídico episódio que ficou conhecido como 11 de setembro. Hoje, o mercado tem pressa. Ciente disso, a Rede de Distribuição Associada tem como diferencial a entrega just in time, que acompanha a velocidade do mercado. Aliado a isso, o INDA trabalha para oferecer informações estratégicas a seus associados, levando a cada uma das empresas o que acreditamos ser um diferencial de mercado. Essa é a nossa forma de agradecer a cada uma das empresas que estão conosco: inovando e evoluindo sempre. Evidentemente, contamos com a dedicação de todos os presidentes que trabalharam para aperfeiçoar nossos serviços e contribuíram, cada um à sua maneira, para que pudéssemos, hoje, celebrar quarenta anos. Às empresas, aos ex-presidentes, à todos que contribuíram de alguma forma, nosso agradecimento. Carlos Jorge Loureiro Presidente do INDA Biênio 2009/2011 INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 3 estatísticas A história da siderurgia do país passa pela Distribuição de Aços Série histórica mostra que a participação do INDA nas vendas das usinas para o mercado interno quase não oscilou nos últimos quarenta anos Um estudo realizado pelo departamento de estatísticas do INDA revelou que a participação da distribuição de aços nas vendas das usinas para o mercado interno se manteve estável nos últimos quarenta anos. Apesar das grandes mudanças de “players” nos primeiros vinte anos, com o fechamento de várias empresas e nos vinte anos seguintes com o surgimento de outras tantas, os índices atuais, que mostram a participação de 30% da distribuição, não destoam muito do desempenho do setor em quatro décadas. O estudo analisou os resultados da distribuição desde a fundação do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, em 1970, até o final do primeiro trimestre deste ano. A medição da participação INDA nos embarques das usinas mostra que, a despeito da delicada situação econômica vivida pelo Brasil nos anos 80 - considerada a “década perdida” – foi naquele período que a distribuição alcançou os melhores resultados (com pico de 36,8% de participação), ainda que mantendo a média histórica citada anteriormente. Mesmo com a estagnação da siderurgia nacional que se deu em virtude da forte recessão na demanda externa e que, no caso do Brasil, se somou à falta de modernização do parque produtivo siderúrgico, os resultados da distribuição não declinaram, reafirmando o importante papel deste setor na economia brasileira. A década seguinte também foi bastante positiva para a distribuição. O setor acompanhou o momento pelo qual passava a siderurgia nacional - na época, o Programa Nacional de Desestatização (PND), transferiu o controle das usinas para a iniciativa privada - e respondeu por 37,1% das vendas das usinas. 4 Revista Brasileira do Aço A medição da par ticipação do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço no mercado interno nos últimos trinta e oito anos demonstra não somente que o INDA tem papel impor tante nos resultados da indústria siderúrgica nacional, mas também que a grande rede de distribuição de aços do Brasil em muito contribui com o desenvolvimento econômico do país. O estudo realizado pelo INDA reafirma o impor tante papel do distribuidor de aços na evolução do mercado da distribuição, atuando como impor tante canal de escoamento da produção das usi- nas; regulador da ofer ta via manutenção de estoques, no atendimento de clientes sem escala ou programações e no reprocessamento de produtos siderúrgicos. Com essa agilidade, a distribuição corrobora a afirmação do Instituto de que o distribuidor deve ser visto como um empresário que investe maciçamente no setor. Vendas Setoriais e Regionais da Distribuição Distribuição Setorial das Vendas VII - Outros Setores 7% I - Automobilístico 19% VI - Distribuição e Semi-elaboração 25% V - Embalagens e Recipientes 1% No que diz respeito a participação setorial das vendas de produtos planos das associadas, a distribuição brasileira atende plenamente o mercado de forma competitiva. II - Bens de Capital 31% IV - Utilidades Domésticas e Comerciais 8% III - Construção Civil 9% Distribuição Regional das Vendas Quanto a participação regional, o grande potencial de capilaridade da distribuição permite a ela atender em qualquer ponto do país com agilidade e qualidade. Norte 4% Nordeste 6% Centro-oeste 4% Sudeste 61% Sul 25% INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 5 estatísticas INDA encerra maio com estoques em queda Por Oberdan Neves Oliveira Em maio, as vendas caíram 6,5% em relação a abril, totalizando 320,2 mil toneladas. As compras neste período tiveram uma alta de 3,8% em relação ao mês anterior, totalizando 452,1 mil. Assim, os estoques da distribuição fecharam abril com alta de 14,5% em relação ao mês anterior, totalizando 1.040,3 mil toneladas, aumentando o giro para 3,3 meses de estoque. Para junho, a expectativa da rede de distribuição para o nível de vendas é manter volumes similares ao mês anterior, enquanto que nas compras espera-se uma queda de 15%. Mesmo assim, os estoques de junho ainda devem fechar em alta! Panorâmica do Aço PRODUÇÃO MUNDIAL Abril 2010 2009 Var.% 55,403 43,618 27.0% PRODUÇÃO AMÉRICA LATINA Abril 2010 2009 Var.% 5,052 3,693 36.8% Unid.: 1000 ton. PRODUÇÃO BRASIL Maio 2010 2009 Var.% 2,856 1,894 50.8% Desempenho dos Associados ESTOQUE¹ Maio 2010 2009 Var.% 1,040.3 905.9 14.8% COMPRAS² Maio 2009 241.6 2010 452.1 COMPRAS 2010 500 400 300 200 100 0 J F M A M J J A S O ESTOQUES 1 N D 2009 2010 400 350 300 250 200 150 100 50 0 J F M A M J J A S O N 7 6 900 800 700 600 500 400 D 2009 MESES EM ESTOQUE 2009 2010 1000 2010 320.2 Var.% 87.1% VENDAS 2009 600 Unid.: 1000 ton. VENDAS Maio 2009 Var.% 278.5 15.0% 2010 5 4 3 2 1 0 J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D Importações de Aços Planos 3 TOTAL 2009 2010 500,000 400,000 350,000 200,000 100,000 0 J F M A M J J A S O BOBINA QUENTE N D 120000 80000 100000 60000 80000 40000 60000 J F M A M J J A S O N ¹ incluem importações informadas pelos associados ² incluem os embarques das usinas para outros setores via distribuição. ³ Produtos: LCG, BQ, BF, CZ, CPP, CAZ e EGV Revista Brasileira do Aço F M A M J J A S O N D 0 J D 2009 2010 140000 100000 0 6 J 2009 2010 BOBINA A FRIO 2009 2010 140000 CHAPA GROSSA 80,000 70,000 60,000 50,000 40,000 30,000 20,000 10,000 0 F M A M J J A S O N D artigo Paulo Mubarack A DIFERENÇA É Em 11 de maio embarquei em um vôo da TRIP em Londrina, com destino para o Rio de Janeiro. Simultaneamente, passageiros embarcavam em um vôo da TAM para Porto Alegre. Havia uma chuva fina na pista. Os passageiros da TAM recebiam um guarda-chuva vermelho para se abrigar no trajeto sala de embarqueavião. Os passageiros da TRIP recebiam nada. Senti-me um passageiro menos importante do que os da TAM e fiquei pensando: a diferença entre duas companhias aéreas que certamente investem milhões de dólares em equipamentos e segurança acaba, algumas vezes, resumindo-se a um guarda-chuva para o cliente. Imagine você o que deve representar o custo dos guarda-chuvas da TAM no orçamento da empresa, certamente algo em torno de zero vírgula vários zeros um por cento. E é a diferença. Na manhã do dia seguinte, um pouco gripado, precisei comprar passagens. Adivinhem se pensei na TRIP! Comprei dois trechos da TAM. Se chover, eu tô garantido, pensei! Brincadeiras à parte, deixe-me refletir junto com você como é necessário para quem gerencia uma empresa gostar de pessoas. Não pense tratar-se de um pensamento babaca, destes de almanaques populares sobre gestão. Gostar de pessoas é atributo fundamental para quem gerencia uma companhia, especialmente as empresas que atuam na área de serviços. O básico, fornecer um produto ou serviço dentro das especificações do cliente a um preço compatível, todos já fazem. Agora, cuidar dos detalhes (como o do guarda-chuva) poucos têm a inspiração. Em um cliente que admiro muito, UM GUARDA-CHUVA a Drogaria Rosário, no DF, o presidente, Sr. Álvaro Silveira, sempre estimulou que o pessoal das lojas buscasse com guardachuvas os clientes no carro para que a própria venda não fosse abalada em dias chuvosos. Enquanto outros empresários do varejo apenas se queixam da chuva, o Sr. Álvaro e seus filhos sabem da importância do guarda-chuva, afinal de contas, medicamentos, perfumaria e descontos todo mundo dá, mas um guarda-chuva, não. Lembrei-me de uma história das muitas contadas sobre Sam Walton. Na final da década de 80, um grupo de investidores brasileiros comprou uma rede de varejo na América do Sul e solicitou para dez CEOs americanos da área uma reunião e visita nos EUA para aprender a operar melhor a nova empresa. Todos os CEOs recusaram a solicitação ou nem responderam, exceto um: Sam Walton. Quando chegaram à cidade de Sam, no Arkansas, foram recebidos pessoalmente por ele que os bombardeou nos próximos dias com perguntas sobre o varejo na América Latina e especialmente no Brasil. No final, os brasileiros perceberam que era Walton, e não eles, quem estava aprendendo. Muitos ainda não entenderam porque a Wal-Mart em 2008 encabeçava a lista da Fortune 500 com 379 bilhões de dólares de faturamento anual. A orientação para o aprendizado e a capacidade de atender bem os clientes, cuidando dos detalhes, são atributos raros. Permita-me dizer que os investimentos e as providências básicas todas as corporações fazem e tomam, por isto a diferença pode ser a humildade de Sam Walton ou um guarda-chuva. Paulo Mubarack é presidente da Mubarack Consulting & Business School INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 7 Matéria de capa - Especial 40 anos As empresas que fizeram história Em quarenta anos, mais de duzentas empresas passaram pelo INDA. Após quatro décadas, grandes players dos anos 70, 80 e 90 já não existem mais. O que diferencia essas empresas das que conseguiram manter suas atividades? “As empresas distribuidoras de aço como nós conhecemos hoje podem até mudar radicalmente, mas o que é irrefutável é que a atividade da distribuição sobreviverá a qualquer mudança”. A frase acima, proferida por Carlos Loureiro durante o Jantar INDA 2009 é atual, mas poderia ter sido dita há quarenta anos, quando da criação do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço. Se isso tivesse acontecido, a afirmação seria apenas uma previsão de um respeitado executivo, mas somente o tempo comprovaria sua veracidade. “Dias atrás (...) publicamos um quadro demonstrativo das 30 maiores empresas do setor, em tonelagem movimentada, desde o ano de 1972. Por aquele quadro, pudemos notar que muitas empresas que fizeram parte das 10 maiores acabaram fechando ou reduzindo as atividades” Fernando Altenfelder Silva, no Editorial do Boletim de 5/12/1983 A história do INDA, que completa quarenta anos em 23 de julho deste ano, faz saltar aos olhos uma verdade inconveniente: hoje, muitos players dos anos 70, 80 e 90 já nem sequer existem. De grandes empresas associadas, cujos volumes de compras as colocavam dentre as trinta maiores distribuidoras brasileiras, hoje restam apenas os nossos registros. É evidente que o contexto histórico em muito contribuiu para a mudança desses players. A crise econômica dos anos 1980 e, em especial, a privatização das usinas nos anos 90 foram fatores que colaboraram para a derrocada de grandes distribuidores, os quais se mantiveram, durante muitos anos, no topo do ranking das associadas. Para se ter uma ideia, já em dezembro de 1983 o boletim informativo do INDA registrava que o mercado passava por mudanças “Voltamos a assistir, neste final de ano, a algumas mudanças em nosso setor, com o fechamento ou venda de algumas empresas que, em sua maioria, acabaram absorvidas por outras também do nosso setor. Por que estas diferenças de comportamento ou de resultados entre nossos empresários?”, questionava Fernando Altenfelder Silva, da Comissão de Economia e Finanças. “Falta visão geral. Muitas vezes [os gestores] ficam pensando que a vida não anda, mas a vida anda. Quando o gestor não se prepara e não prepara seu pessoal, e só pensa nos equipamentos e nos clientes que já tem, deixa de fazer cursos, deixa de ler revistas especializadas e isso acarreta na perda de competitividade, ou seja, a empresa acaba ficando para trás”, responde, vinte e sete anos mais tarde, o coach e presidente do IBCO (Instituto Brasileiro de Consultores de Organização), Luiz Affonso Romano. Ainda em 1983, Altenfender constatava, preocupado: “Dias atrás (...) publicamos um quadro demons- 23/7/1970 1973 1977 Empresários da Associação dos Comerciantes do Aço fundam o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço Realização do I Congresso Anual do INDA, que contou com a presença de distribuidores de todo o país Inauguração da nova sede, localizada no bairro de Pinheiros, em São Paulo 8 Revista Brasileira do Aço trativo das 30 (trinta) maiores empresas do setor, em tonelagem movimentada, desde o ano de 1972. Por aquele quadro, pudemos notar que muitas empresas que fizeram parte das 10 (dez) maiores acabaram fechando ou reduzindo as atividades”. Impossível negar a colaboração dessas empresas para a evolução do mercado, sobretudo no período em que funcionavam em plena atividade e compunham o quadro associativo do INDA, mas nomes como Macife, J. Torquato, Cabomar e várias outros hoje são apenas parte da história da distribuição. Anúncio da Cabomar, grande player da Distribuição dos anos 70 até a primeira metade dos anos 90 Na contramão das que hoje são apenas registros históricos, existem empresas que, assim como Salgueiro, Limasa, Macife, Pinheiro Guimarães, Metal Flex, J. Torquato e Cabomar e várias outras, resistiram às mudanças e ainda hoje estão bem posi- Participantes do Encontro com Distribuidores no cionadas no mercado. Nordeste, realizado pelo INDA em 1977 na sede da Não custa lembrar que Associação Comercial de Pernambuco a crise de 2008 resultou em algumas perdas financeiras, do os empresários da Associação dos mas, um ano e meio depois, não se Comerciantes do Aço decidiram funteve notícia de um grande distridar uma instituição, seu objetivo era buidor que tenha encerrado suas “promover a elaboração de estudos atividades. Romano acredita que destinados ao desenvolvimento da atualmente as empresas tenham comercialização de produtos sidemais preparo que há quarenta rúrgicos”, o que, em síntese, significa anos “Hoje as empresas têm inproduzir informações para aumentar a formações, além de algo muito competitividade do setor. importante chamado Inteligência Mais tarde, o que começou Competitiva, que permite a elas como objetivo transformou-se em monitorar a concorrência, para missão: “Promover o uso do aço, ausaber o que está se fazendo no mentando a competitividade de seus mercado”, afirma o consultor, membros e do sistema siderúrgico que completa “Para sair bem brasileiro, dentro da visão estratégide uma crise, a empresa preca de que sejam atendidas as expeccisa ter reservas, ter opções. tativas de seus diversos agentes”. O Uma empresa não pode ter primeiro grande passo para isso foi a apenas um produto. Tem que mudança, em 1977, para uma nova fazer pesquisa, detectar o que e moderna sede, resultado de sete os clientes estão precisando, anos de constantes investimentos, se antecipar ao mercado”. que permitiram a criação, por exemA opinião do presidenplo, do Departamento de Treinamento te do IBCO comprova que e Recursos Humanos e do Banco de o INDA sempre esteve no Dados, servindo, já à época, como caminho certo, pois Inteligência fonte de informação para o setor. Competitiva tem sido a marca do O então presidente do INDA, Instituto desde a sua criação. Quano engenheiro José Romero Lopes 1983 1985 1991 Crise econômica preocupa distribuidores, que começam a se endividar para fazer novas compras Fim do regime Militar A Usiminas é primeira usina siderúrgica a ser privatizada. O PND (Programa Nacional de Desestatização) mudou o cenário da Distribuição Matéria de capa - Especial 40 anos Neto, citava, em seu discurso por ocasião da inauguração da nova sede (localizada na Cardeal Arcoverde - a primeira sede do INDA ficava localizada na Av. Brigadeiro Faria Lima), a produção de informações como uma importante conquista “Pode- mos fazer uma breve avaliação dos resultados destes sete anos de atividade. Temos conseguido aglutinar, classificar e difundir informações e dados estatísticos sobre o mercado em que atuamos. Tais estudos (...) têm servido para fundamentar as decisões tomadas acerca da coordenação do abastecimento”, afirmava o presidente do INDA, que contava então com cem empresas associadas, as quais compunham a chamada Rede Distribuidora. Qualificar profissionais e aperfeiçoar o mercado da distribuição de aços sempre foram objetivos do INDA, que no início de suas atividades, em 1973, realizava o primeiro Congresso Anual, evento que reunia distribuidores de todo o país para discutir o cenário e os rumos do setor. Hoje, em função da escassez de tempo, eventos como esses cedem espaço para cursos, palestras, reuniões de mercado e workshops, realizados periodicamente no INDA. Com a criação da certificação OMA, em 2007, os cursos se tornaram um dos carros-chefes do Instituto. Luiz Affonso Romano acredita que a atualização profissional é uma das maneiras de manter a competitividade “É preciso pensar no capital intelectual, as pessoas têm que estar bem treinadas. É importante investir em um programa de treinamento, pois a educação tem que ser contínua. Não adianta ter um currículo vasto, porque currículo não é árvore de natal, para pendurar certificados, mas também 1992 2000 2007 INDA comemora 30 anos, e a dicotomia independente x coligado era a grande preocupação Inauguração da nova sede. Localizada no coração da cidade de São Paulo, o bairro do Ipiranga, a atual sede conta com ampla sala de reuniões e auditório Pose para foto na inauguração da sede localizada na Cardeal Arcoverde. Da esquerda para a direita: Holar Cafagni, Herculano de Almeida, José Romero Lopes Neto, Ministro da Indústria e do Comércio, Ângelo Calmon de Sá, Raimundo Sabóia e Roberto Brandão Figueiredo Lançada a Revista Brasileira do Aço, então bimestral 10 Revista Brasileira do Aço não é estático”, alerta o consultor. Hoje, ao avaliar os registros do INDA, nota-se que das cerca de 240 empresas que se associaram desde 1970 (veja quadro ao lado), não chega a cinqüenta o número das que mantiveram suas atividades desde então, ou até mesmo das que, tendo iniciado suas atividades depois da criação do Instituto, tenham mantido histórias de sucesso. Durante quatro décadas, muitas foram as conquistas do Instituto, a exemplo do aperfeiçoamento do Comitê de Inteligência Competitiva, da realização de Congressos, criação de novos cursos, da ampliação do canal de comunicação com os governos e tantas outras. Neste ano de 2010, o INDA chega aos quarenta anos como um Instituto sólido e reconhecido, corroborando a afirmação de Carlos Loureiro de que a atividade da distribuição sempre resistirá às adversidades. Para que isso aconteça também às empresas, ou seja, para que elas resistam às mudanças, é preciso estar atento ao mercado, conforme alerta Luiz Affonso Romano. “É preciso ter visão externa e distanciamento crítico, para saber quais são os novos produtos do mercado, por exemplo. Mais que isso, é primordial investir em pesquisa, ter contatos no exterior, desenvolver seminários e ir a eventos”, finaliza o consultor. 2009 O JANTAR INDA se consolida como o maior evento da Distribuição Brasileira de Aços CONHEÇA AS 236 ASSOCIADAS AO LONGO DE 40 ANOS DE HISTÓRIA A. Fonseca Ferragens S/A A.ABREU A.P. Abate & Cia. Ltda Abril Aços Brasileiros Ind. Açomig GERDAU AÇOMINAS Açoplan Aços Groth Aços Laminados Panatlântica S.A. Ind. e Com. Albino Silva Comércio S/A Algodoeira Lagense S/A Aliaço Aliança de Ouro S/A - Comércio e Indústria Agri. Alvares de Carvalho Cia. Comercial de Ferragens ANGLO AMERICANA Armco do Brasil S/A Ind. e Com. Barreto Agostinho Benafer Indústria, Importação e Comércio Ltda. Bento Alves BERNIFER Brafer S/A Comércio e Indústria de Ferro Brasif Comercial Brasileira de Ferro Ltda Brasmetal Cia. Brasileira de Metalurgia Bratal Ferro e Aço S/A Bromberg Comercial S/A Burity Bahia S/A Materiais de Construção Cabomar S/A Distribuição Com. e Ind. de Metais, Coque e Prods. Sider. em Geral Caiuá - Indústria e Comércio de Metais e Representações Carlos Hoepcke S/A Indústria e Comércio Castrofer Ceará Ferragens Cedisa CEMAÇO Cia Siderurgica Hime Cia Siderurgica Nacional Cia. Metalúrgica Barbará Cia. T. Janér Cibraço S/A Coml. E Import. Bras. de Ferro e Aço Cimenco Comércio e Indústria Ltda. Citep Coml. e Import. Teixeira Posses Ltda. COE, Coelho Cia Ltda. Coeso Ltda Cofac Comércio e Indústria S/A Coferal Cofermat Cia. Bras. de Ferro e Materiais de Const. S.A. Cofermetal Comércio de Ferros e Metais S/A Coferraço S/A Indl. e Mercantil de Ferro e Aço Cogeral Companhia Geral de Laminação Coimbrasil S/A Com. e Ind. de Metais do Brasil Colaço COMAFAL Comercial de Ferro Sakamoto Comercial de Ferros Triches Ltda Comercial e Importadora Los Andes S/A Comercial Gerdau Comercial José Lucena Ltda Comercial Trilho Otero S/A Companhia Cief de Ferro e Aço Companhia Fortaleza de Import., Ind. e Com. Condefer Coruega Costa Ferreira - Imp. e Industrial Costafer S/A Importadora Crifer CST Dambroz DCL Dedini Deltubo Detasa Difal Diferral Dijol Dimap S/A Distribuidora de Matérias Primas Dova Dufer S/A Ind. e Com. de Ferro e Aço Ecla S/A Comércio de Ferro Eldorado Embraps EMBU TUBOS Euvaldo Luz S/A - Com. e Ind. Evans Importadora S/A Explorer F.C. Albuquerque Comércio S/A FAGOR Famc S/A Produtos Siderúrgicos Fasal S/A FATIMA FERRO E AÇO FERCOI S/A Ferjaro S.A - Ind. e Com. Ferraço Comercial Importadora Ferraço Ltda. Ferragens Carvalho Com. e Ind. Ferragens Missioneira S/A Com. e Imp. Ferramis S/A Com. e Importação Ferro e Aço Nossa Senhora de Fátima Ltda. Ferro Industrial S/A Ferrobraz Ferrominas Ferrusa Fertec Comercial e Industrial de Ferro Ltda FMC FEREZIN Fopame Franco & Cia Ltda. Frefer Ind. e Com. de Ferro e Aço Ltda. Galvão Mesquita Ferragens S/A Gasparini Comercial e Importadora S/A Geibe Sul - Ind. e Com. de Ferro e Aço GLOBRAL GONVARRI Gruendling Irmãos S/A Ind. Com. Guarulhos S/A Com. e Ind. de Ferro e Aço Gutierrez S.A. Hermolin Neto Iclaf Icopasa Ind. e Com. de Produtos de Aço S/A Imperio Ferro e Aço Importadora Americana Layr Ferreira Ltda Importadora Americana S/A Importadora de Ferragens INAL (companhia M. Prada) Incolafer Ltda Ind. e Com. Giovannini Ind. e Com. Pinheiros Indupal S/A Ind. Paulista de Laminados Indústria e Comércio de Ferro Incofer S/A Indústria e Comércio Metalúrgica Atlas S/A Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A Irmãos Dalla Bernadina Ltda. Irmãos Wainstein Itafer S/A Com. Ind. de Ferro J. Torquato Comércio e Indústria S/A José Salgueiro Indústria e Comércio S/A Juresa Industrial de Ferro Ltda KASTRUP KOFAR L. Herzog L.F. Paraíso S/A Laminadora de Ferro Gaúcha Ltda Lapefer Comércio e Indústria de Laminados Ltda Lavre Laminação Volta Redonda S/A LEALFER Limasa Industrial de Ferro S/A Los Andes-Ouro Branco Coml., Indl., Importadora e Exportadora Louças e Ferragens Paraíso Luiz Netto Lumar Lunicorte Macife Minas S/A Materiais de Construção Macife Rio Grande do Sul S/A Materiais de Construção Macife S/A Materiais de Construção Macife São Paulo S/A Materiais de Construção Maelco Maia Farina Ass. Empr Malho MANCHESTER Mangels Industrial Marcofer Marcovan Ferragens Comércio e Indústria S/A MARUBENI ITOCHU MBA MERCANTILL Meireles Distribuidora Mercantil D’Oeste MESSAFER METAL ONE Metalflex S/A Indústria e Comércio Metalúrgica Flex Comércio de Indústria S/A Metalurgica Nacional Molina e Bibancos e Cia Montegani Monteiro Leite Importadora Ltda. Moraes Motores e Ferragens S/A Moreno Moto-Metalúrgica S/A Indústria e Comércio Multiaços Noraço Norte Bras. De Ferragens Ltda. NOVA FÁTIMA O.C.G. Comércio e Engenharia Oliare Olicon OTM Pampa S/A Exportadora e Importadora Paulifer PAULISTEEL Pedro Ribeiro Ind. de Fibras S/A - Perisa Pereil Perf. Beca PERFILADOS RIO DOCE Perfinasa Perfinco Piergo Pierino Gotti Pinheiro Guimarães S/A Produtos Siderúrgicos PIRES DO RIO Pires do Rio & Cia Ltda. Plafer Proaço Refer Ribeiro Cia Ricfer Rio Negro Comércio e Indústria de Aço S/A ROMA METAIS Rufino Ferreira S.A. de Expansão Comercial e Indl. S.A. Magalhães Com. e Ind. SAMPAIO FERRO Sanaf S/A Nacional de Aço e Ferro Sepalo Soc. de Expansão Coml. de São Paulo S/A Sidersul Siderúrgica Barra Mansa Silva Sampaio Ferragens S/A Simesc Simonfer Ltda Sitafer S/A Sobraço S/A Com. e Ind. de Ferro e Aço Sociedade de Ferragens e Máquinas S/A Sociedade de Ferro 3 Américas Ltda Socorte Sodima Soécia S/A Comércio e Indústria Soluções Usiminas Sonaex S/A Exportadora e Importadora Suvifer Indústria e Comércio de Ferro Ltda Tecnofer S/A Ind. e Com. Trefibrás Trevo Tubomac TUPER Tyco Dinaço Uniferro Urifer Usiminas Valediesel Villafer Votorantim Siderurgia Warm Zamprogna S/A Importação, Comércio e Indústria INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 11 setorial Indústria de construção naval brasileira precisa recuperar o atraso tecnológico Por Carlos Freitas, da Assessoria de Imprensa da SBPC Após anos em crise, estaleiros brasileiros estão defasados em relação aos competidores mundiais. Depois de décadas em crise, a indústria brasileira de construção naval está passando por um momento de recuperação proporcionada, em grande parte, pelos investimentos que estão sendo realizados no setor de óleo e gás no País. Mas para não sofrer um novo revés, os estaleiros nacionais terão que reparar e não repetir os mesmos erros que cometeram no passado, quando também se apoiaram no mercado interno e em um único setor para viabilizarem seus projetos, alerta o professor e chefe da área de Transporte Aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Floriano Carlos Martins Pires Junior. “O Brasil já aprendeu a lição de que não se pode contar somente 12 Revista Brasileira do Aço com a demanda doméstica e de um único setor para consolidar as atividades de uma indústria naval em longo prazo”, afirma Pires Junior. “É preciso diversificar a atuação para outros segmentos de transporte marítimo e aproveitar essa nova oportunidade para aumentar a competitividade internacional”, indica o especialista que abordará esse assunto em uma conferência que fará na 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizará de 25 a 30 de julho em Natal (RN). De acordo com Pires Junior, o modelo de desenvolvimento da indústria de construção naval adotado pelo Brasil na década de 80, quando o setor viveu um de seus melhores momentos, provocou efeitos desastrosos e que perduram até hoje. Extremamente protecionista, o plano se baseou em uma política de substituição de importação que previa a construção de navios no País para atenderem à demanda interna da marinha mercante. Porém, com a desregulamentação do setor de navegação, a abertura do mercado nacional e a entrada de competidores internacionais, a maioria dos estaleiros brasileiros entrou em crise e fechou as portas por falta de encomendas no mercado interno e porque não tinham tecnologia para competir no exterior. Os poucos estaleiros nacionais que sobreviveram à quebradeira passaram a atender o mercado offshore, de pequenas embarcações. E nos últimos anos, com as encomendas que estão sendo feitas, principalmente pela Petrobras, começaram a vislumbrar a possibilidade de voltarem a fabricar navios de grande porte e de atender uma significativa demanda por embarcações mais sofisticadas, como plataformas e navios sondas, utilizados para perfuração de poços submarinos. Entretanto, para isso, o professor afirma que eles precisarão recuperar o atraso tecnológico em relação aos concorrentes internacionais. “Depois de tantos anos sem fabricar grandes embarcações a distância tecnológica entre os estaleiros brasileiros e os principais fabricantes mundiais aumentou muito”, diz. “O perfil de profissional que nós temos hoje no Brasil atuando nesse setor é o mesmo das décadas de 70 e 80. Será preciso qualificar e aumentar a quantidade de recursos humanos para atender à demanda do setor nos próximos anos tanto nas áreas de produção e operacional como de engenharia”. Segundo ele, as instituições de pesquisa e formação de recursos humanos para o setor naval no Brasil, como a Coppe/URFJ, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), estão se mobilizando e tomando iniciativas para suprirem as deficiências tecnológicas e de recursos humanos do setor. Mas ainda falta um maior engajamento das indústrias em participar e se envolver diretamente nesse processo. Capacitação – De acordo com Pires Junior, os estaleiros brasileiros têm capacitação em processo e planejamento de construção, mas não no controle de produção e na fabricação de grandes embarcações. Para ele, essas deficiências podem ser supridas por intermédio de parcerias como as que a maioria deles está celebrando com fabricantes da Coreia e Japão – os dois países que dominam as tecnologias de produto e processo de fabricação de navios. Mas chama a atenção para a necessidade de as indústrias brasileiras desenvolverem paralelamente sua própria capacitação tecnológica. “Esse tipo de parceria tecnológica entre estaleiros brasileiros e internacionais é muito limitada, porque as tecnologias de processo e de projeto, na realidade, não são transferidas”, diz. O especialista estima que, com atual recuperação, a indústria brasileira de construção naval não disputará com os principais fabricantes de navios, que são os chineses, seguidos dos coreanos e japoneses. Poderão, no entanto, aumentar sua participação para 5% no mercado mundial naval, contra 0% que registra hoje. “Eu não diria que o Brasil pode ambicionar ser um grande fabricante de navios. Mas uma indústria naval com o tamanho do mercado brasileiro precisa tomar alguns cuidados para ser competitiva internacionalmente ou ficar, literalmente, a ver navios”, conclui. INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 13 Substituição Tributária no Ordenamento Jurídico Brasileiro A Substituição Tributária, no caso, utilizada na cobrança do ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, conhecida como ICMS/ST, é um mecanismo de arrecadação utilizado pelos Executivos estaduais que atribui ao contribuinte no início da cadeia econômica a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido em toda a cadeia. É utilizada para facilitar a fiscalização dos tributos “plurifásicos”, ou seja, os tributos que incidem várias vezes no decorrer da cadeia de circulação de uma determinada mercadoria ou serviço. Pelo sistema de substituição tributária, o tributo plurifásico passa a ser recolhido de uma só vez, como se o tributo fosse monofásico. A Substituição Tributária nasceu através da EC – Emenda Constitucional nº 3, de 17 de maio de 1993, incluíndo o parágrafo sétimo ao artigo 150 da Constituição Federal: § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurado a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. 14 Revista Brasileira do Aço Rinaldo Maciel de Freitas Inicialmente, a ST – Substituição Tributária fora pensada para ser aplicada sobre produtos com elevada carga tributária, como bebidas e cigarros e, mais adiante, incluiu automóveis, pneus e combustíveis. Sua indiscutível eficiência e efetividade como instrumento de gerência das receitas tributárias pelos entes federados ficou comprovada, assim também como instrumento inibidor de práticas de sonegação fiscal, facilitando a arrecadação. Dentre as alterações produzidas no seu texto original, a ST se destacou pelo particular casuísmo, algo definitivamente incorporado à tradição constitucional brasileira em matéria de tributação como instrumento efetivo de arrecadação. Para implementação da Substituição Tributária é necessário que haja uma cadeia de circulação até o contribuinte final, e que o produto seja o mesmo do início ao final da cadeia, como ocorre com combustíveis, pneus, veículos, fármacos e cimentos, etc. Por ser um instrumento utilizado na cobrança do tributo com razoável sucesso na arrecadação, deveria ser instituído de modo a não ferir direitos subjetivos do contribuinte, sendo que vem sendo empregado pelos Estados a um número cada vez maior de produtos. Assim, o Judiciário vem colocando limites nesta fora de arrecadação, como se verifica dos enunciados a seguir: Súmula 431 de 13/05/2010 É ilegal a cobrança de ICMS com base no valor da mercadoria submetido ao regime de pauta fiscal. TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PAUTA FISCAL. ILEGALIDADE. REDISCUSSÃO DE MÉRITO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. 1. A contradição que autoriza os aclaratórios é a interna, existente entre as premissas e conclusões do julgado, jamais com a Constituição, a lei, o entendimento da parte, ou com outros julgados. Na hipótese, o embargante limitou-se a apontar contradição entre o decisum e a regra do art. 150, § 7º da Constituição Federal. 2. O acórdão embargado, em nenhum momento, aplicou ao caso a regra do art. 148 do CTN, nem confundiu o arbitramento fiscal previsto neste dispositivo com a substituição tributária progressiva do art. 150, § 7º. Apenas por questão didática, explicitou-se a diferença entre o arbitramento fiscal (art. 148 do CTN), o regime de valor agregado (art. 8º da LC n.º 87/96) e a pauta fiscal, concluindo-se pela legalidade dos dois primeiros e pela ausência de previsão legal da última, inúmeras vezes rechaçada por esta Corte. 3. Os embargos de declaração não se prestam ao reexame da matéria já decidida. Os efeitos infringentes do julgado são excepcionais, somente admitidos diante da inequívoca necessidade de alteração substancial ante o saneamento dos vícios apontados no art. 535 do CPC. 4. Embargos de declaração rejeitados (STJ – Superior Tribunal de Justiça – RMS – Recurso em Mandado de Segurança nº 18677/MT Processo nº 2004/0103284-5 – Segunda Turma – Relator: Ministro Castro Meira – 13/12/2005). A MVA (Margem de Valor Agregado) estabelecida pelo Estado deve ser fiada de acordo com critérios estabelecidos em lei estadual, levando-se em consideração preços normalmente utilizados no mercado e obtidos por levantamento ou amostragem, ou ainda fornecidos por entidades de representação. Evidentemente, tais informações devem ser disponibilizadas pelo Estado onde deve ser admitida a prova em contrário, em cumprimento ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa estabelecidos pelo inciso LV da Constituição Federal de 1988, na medida em que não pode ser utilizada como incremento de arrecadação. TRIBUTÁRIO. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA ‘PARA FRENTE’. DECRETO PARAENSE N. 1194/92. INCOMPATIBILIDADE COM A LC N. 87/96 RECONHECIDA. MARGEM DE VALOR AGREGADO QUE DEVE SER DEFINIDA COM ADOÇÃO DA MÉDIA PONDERADA DE PREÇOS COLETADOS. I - A LC n. 87/96, a tratar da incidência do ICMS, explicita que a base de cálculo para fins de substituição tributária será obtida, em relação às operações ou prestações subse- qüentes, por meio do somatório, dentre outros, da margem do valor agregado, inclusive lucro, relativa às operações ou prestações subseqüentes. Releva que esta margem “será estabelecida com base em preços usualmente praticados no mercado considerado, obtidos por levantamento, ainda que por amostragem ou através de informações e outros elementos fornecidos por entidades representativas dos respectivos setores, adotando-se a média ponderada dos preços coletados, devendo os critérios para sua fixação ser previstos em lei” (art. 8º, inc. II, §4º). II - Não tendo o Decreto n. 1194, de 1992, se adequado às regras impostas pela LC n. 87/96, dirigindo-se as suas atualizações apenas à modificação do percentual da parcela adicionada, conclui-se tratar-se, em verdade, de pauta fiscal presumida, que nada estabelece acerca da feitura da média ponderada dos preços que deveriam obrigatoriamente ser coletados, ainda que por amostragem, para fins de apuração da margem do valor agregado, consoante o imperativo da lei complementar. III - Recurso ordinário provido, determinando-se seja o ICMS devido pela impetrante calculado, no tocante à margem do valor agregado, em conformidade com as disposições contidas na Lei Paraense n. 6012/96, a qual adota expressamente os preceitos da LC n. 87/96 (STJ – Superior Tribunal de Justiça – RMS – Recurso em Mandado de Segurança – Processo nº 18.473/ PA – Primeira Turma – Relator: Ministro Francisco Falcão – 11/08/2005). A Substituição Tributária por si só não pode ser contestada, mas a MVA pode, sendo ainda que o STF – Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o estabelecimento de “preço de pauta” ou “pauta fiscal” e, ato contínuo, está julgando a questão da devolução do imposto recolhido à maior, no caso de o contribuinte provar não ter conseguido alcançar o preço com que é tributado o produto com base na MVA: Ementa: Constitucional. Tributário. ICMS. Restituição da Diferença do Imposto Pago a Mais no Regime de Substituição Tributária. Base de Cálculo Presumida e Base de Cálculo Real. Art. 150, § 7º, da CF. ADI 2.675/PE, Relator Min. Carlos Velloso e ADI 2.777/SP, Relator Ministro Cezar Peluso, que tratam da mesma matéria e cujo julgamento já foi iniciado pelo plenário. Existência de Repercussão Geral. Decisão – O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada (STF – Supremo Tribunal Federal – Repercussão Geral. Recurso Especial – RE 593849 RG/MG _ Minas Gerais – Relator: Ministro Ricardo Lewandowski – Julgamento: 17/09/2009). Rinaldo Maciel de Freitas, advogado, membro da Associação Paulista de Estudos Tributários (APET). É consultor tributário do SINDISIDER E-mail: [email protected] INDA - Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço 15 16 Revista Brasileira do Aço