1 Doces recordações Ano 2008 2 UNA BEM. Com imenso prazer chegamos ao terceiro livro de memórias da Esse, como os outros, é um tesouro que esconde pérolas de vida, preciosidades em palavras e recordações e um encantamento com as relações humanas que explode em cada frase. O Resgate das Memórias pessoais é um trabalho que tem dupla finalidade. Há uma valorização das histórias de vida de cada aluna recuperando o imenso universo das vivências pessoais e cotidianas, dos relacionamentos mais importantes, das histórias mais queridas e daquelas que, por trazerem um sofrimento grande trouxeram uma ressignificação de todo o viver.Tudo é válido para recordar.Tudo é válido para aprender a viver. Por outro lado estamos fazendo, de uma maneira lúdica e gostosa a recuperação e preservação de brincadeiras infantis, modos de vida, de saberes, sabores e lendas dos anos passados o que representa um valioso trabalho de história regional. Nessas páginas podemos sentir o carinho pela vida vivida e muita expectativa pela vida que desponta quando formamos um grupo, fazemos parte ativa dele, somos valorizados e queremos permanecer na esperança de construirmos juntos uma vida mais feliz. Leila M. Suhadolnik O. Pádua Andrade Prof. de Resgate da memória pessoal Coordenadora da UNABEM 3 APRESENTAÇÃO “As mulheres são como saquinhos de chá: não se sabe sua força até serem jogadas em água quente.” Doces recordações trazem as histórias que foram relembradas por cada uma de nós, ao longo desse ano de 2008, no curso da UNABEM – Universidade aberta para a Maturidade. Durante as aulas da professora Leila – Resgate da Memória Pessoal – fomos levadas a entrar no túnel do tempo de nossas vidas. À medida que isso ia acontecendo, as recordações afloravam, como por encanto, em nossas mentes. Foram muitos os testemunhos que cada uma ia relatando ou escrevendo, e que nos tocavam profundamente. Com isso nossas relações de amizade, companheirismo e cumplicidade foram aumentando, sem falar na transformação que tivemos e de como nossos olhares sobre cada uma foi mudando. Fomos aos poucos vendo e sentindo que não éramos tão diferentes assim nos quesitos; alegrias; tristezas; crises; frustrações; dificuldades; dúvidas; perdas e ganhos. Então, compreendemos que a tarefa de viver tem seu significado especial para cada um de nós através do extraordinário poder que temos de superar dificuldades e enfrentar desafios. Por tudo isso, Doces Recordações fizeram um bem danado às nossas alunas e aos nossos corações. Marisa Batista. 4 NASCIMENTO Sylvia Kallás Andrade Nasci no mês que se comemora o mês do Sagrado Coração de Jesus, dia 15 de junho de 1934, numa casa velha, alta e com rampa, situada na popularmente denominada Praça da Matriz, a Praça Monsenhor Messias Bragança. Hoje foi substituída por um prédio de pequeno porte, e lá está instalada a Livraria Tavares. Meu pai, na época que nasci, tinha uma confeitaria, a Confeitaria Mineira, que ficava no mesmo prédio de nossa casa. No ano de meu nascimento, houve uma briga na Praça; os dois homens, ainda discutindo, entraram na confeitaria de meu pai. Um deles atirou no outro e a bala atravessou a parede e passou por cima de meu berço, causando o maior susto e pavor nos meus familiares e nas pessoas que estavam presentes, mas graças a Deus, nada aconteceu comigo. Minhas irmãs e eu, quando pequenas, ouvíamos minha mãe contar histórias de antigamente, de quando havia um senhor muito rico que morava no centro da cidade e trazia, da fazenda, seu gado Zebu para desfilar na Praça. Cada um tinha seu nome escrito na cabeça e empregados para conduzi-los. Este senhor se chamava Lucinho Maia. Ouvíamos tudo com muita atenção e ficávamos imaginando como seria bonito esse gado Zebu desfilando na Praça e, então, nossos olhos brilhavam de alegria e emoção. A saudade aumenta quando me lembro da tia Mery, irmã de mamãe, que morava conosco e nos dedicava muito amor e carinho. Todas as noites cantava para nós e contava histórias até dormirmos, alegres e sorridentes. 5 Raízes Isabel Suhadolnik Parenti Meu avô paterno José Suhadolnik, nascido na Áustria, casado com Franciska Kapreuk, ficou viúvo com 5 filhos: Mitzy, Crystine, Karol, meu pai Karl, Rudolf e Valery. Moravam em Liubliana, cidade que pertencia, na época, ao Império AustroHúngaro, hoje capital da Eslovênia. Antes de estourar a 1ª Guerra Mundial resolveu tentar a sorte no Brasil, conhecido como o “país do futuro” onde ganhariam muito, trabalhando nas lavouras de café. Só poderiam imigrar famílias e ele era viúvo. Casou-se então com uma amiga, também viúva com três filhos, e conseguiram assim, o visto de embarque, trazendo para o Brasil filhos e enteados. Desembarcaram no Porto de Santos, em 1910, de onde após algum tempo, foram trabalhar em fazendas de café em Jabuticabal, S. José do Rio Pardo e Guaxupé. Meu avô era alfaiate e depois de se adaptar no Brasil, montou a sua alfaiataria com meu tio Rodolfo. Após trabalhar em lavoura de café, papai resolveu tentar uma profissão trabalhando em um curtume, onde já estavam alguns patrícios. Pouco tempo depois, foi convidado a dirigir uma charqueada onde se trabalhava com couros, aqui em Passos. Nessas idas e vindas do trabalho, passava pela casa de meu avô Fortunato Tozzi, também um imigrante italiano, casado com Adolphina Padua Tozzi. Uma das filhas desse construtor sempre o esperava na janela para um flerte! Era minha mãe, Carmela. Casaram-se em 1923. Em 1925, fundou o Curtume Santa Isabel em comunidade com meu avô Fortunato. Seria esta a razão do meu nome? Isabel é de origem judaica e significa: “Que se dedica a Deus”. Sou a segunda filha do casal, nascida em 23 de outubro de 1927. Meus irmãos: Nair (já falecida), Maria, José, Franz, Rodolfo, Carlos e Vagner Valery. 6 Simplesmente Elzinha Kallás Eu me chamo Elza. Nasci em 26 de agosto, na cidade de Passos. Sou a 11ª filha de Chucralla Elias Kallas e Chafica Nassim Kallas, libaneses da cidade de Fake. Quando mamãe ficou grávida, Jamil ficou viúvo e sua esposa chamava-se Elza. E ele dizia para minha mãe: se for mulher vai se chamar Elza. Quando eu nasci, mamãe mandou chamá-lo e disse: vai se chamar Elza. A parteira foi D. Margarida e nasci na minha casa e na cama de minha mãe que até hoje está lá na casa de meus pais. Jamil foi meu padrinho de batismo e me quis muito bem, durante toda vida. Minha madrinha é minha irmã Ione, que me quer muito bem até hoje e me ama muito e a meus filhos também. Não conheci meus avós, pois eles moravam no Líbano e nunca vieram para o Brasil. Tive uma infância muito feliz e fui muito amada por meus pais e pela minha família. 7 Infância em Itaú Marlene Kirchner Mattar Nasci no dia 10 de maio de 1937, no então Distrito de Itaú, município de Passos –MG. Como nessa época, o local não dispunha de médicos, o parto foi assistido pela parteira conhecida na localidade por D. Maria Guerra. O ano de meu nascimento coincidiu com a instalação da Cia. Cimento Portland Itaú no Distrito de Itaú, o que trouxe um grande surto de desenvolvimento na vila, pois nossa economia estava centrada nos grandes fazendeiros e em algumas indústrias que exploravam as ricas jazidas de calcário para fabricação de cal. Meus pais possuíam enormes propriedades rurais, onde criavam gado e faziam plantações agrícolas e também exploravam jazidas de calcários, queimando o produto em fornos denominados “CAIEIRAS”, para a produção de cal . Eles também tinham uma serraria, onde beneficiavam as sobras de madeiras que não eram aproveitadas na calcinação da cal. Meu pai era de origem alemã, e veio para o Brasil juntamente com meus avós paternos, por volta de 1920. Eles se estabeleceram em Itaú por volta de 1925. Minha mãe era brasileira, nascida na cidade de São João Batista do Glória – MG. Dos cincos filhos que o casal teve, eu fui a quarta. Destes cinco filhos, apenas três sobreviveram. Sendo que dos três, um faleceu recentemente. Minha vida em criança era cercada de muito carinho pelos que me rodeavam. Adorava brincar com as crianças das colônias que meu pai construiu para seus empregados. À noite, escutava historias contadas por D. Finger, uma alemã que morava conosco. Sempre fazíamos passeios nas outras fazendas do papai, onde nos divertíamos muito. Adorava andar de bicicleta. Sempre acompanhava mamãe até a vila de Itaú para fazer compras. Nestas idas a Itaú, era quase obrigatório dar uma passada na casa da vó Candinha e da tia Maria José, além de visitar a comadre Rosa. Por ocasião do Natal, papai ia até a cidade de Passos e voltava com inúmeros presentes e gostosas variedades de frutas e castanhas, que muito me agradavam comer. Nesta ocasião, mamãe fazia questão de montar o nosso tradicional presépio. 8 Já na idade escolar, fui matriculada numa escola municipal na Vila de Itaú de Minas mantida pela prefeitura de Pratápolis, já que desde 1943, Itaú não mais pertencia a Passos. Nessa escola cursei a primeira série primária e a segunda. Minhas professoras chamavam-se Maria Anchieta Ramos – Haidé Parreira Pioto. Como meu irmão mais velho estudava em Passos, meus pais, acharam por bem levar-me para estudar lá. Então fiquei interna no Colégio Imaculada Conceição onde prossegui meus estudos. Por volta de 1951, meus pais mudaram para Passos e eu deixei o internato, mas continuei estudando naquele colégio até a 3ª série ginasial. 9 Anjos brincando de gente grande Zulma Terezinha Lara Anjos de fé, nossas brincadeiras eram muito saudáveis como casinha e comidinha, que fazíamos de verdade. Mamãe, muito religiosa, zeladora do Sagrado Coração de Jesus, nos ensinava a rezar muito cedo, rezávamos o terço. Mamãe tinha muito medo de chuva, era só armar que ela já reunia os quatro filhos e rezávamos. Brincávamos até de rezar missas: a comunhão era biju de farinha. Quando tinha 6 anos já rezava todo o terço. Aos sete anos, fiz minha primeira comunhão, minha catequista era a professora Maria José de Souza. Mamãe, como costureira, fez uma veste branca longa e um lindo véu branco. Meu irmão José, com oito anos, fez sua primeira comunhão no mesmo dia. Mamãe comprou-me uma sandália branca que eu adorei. Eram duas tiras largas na frente e uma passava no calcanhar. Andava pela rua forçando os pés para frente, para que as correias do calcanhar se soltassem para eu poder levantar o pé para arrumar, e assim, todos verem minha linda sandália nova. Fomos para a cidade, lá era preparada uma festa só uma vez por ano e reuniam-se crianças de todas as comunidades rurais de Guapé. Esta celebração ocorreu ainda no Guapé velho, antes da chegada das águas da represa de Furnas. Lembro-me que vinham alguns padres de outras cidades, uns atendiam confissões, outros faziam brincadeiras no coreto da praça, diante da igreja. Brincávamos de coroar Nossa Senhora, eu vestia um vestido de mamãe, colocava um véu sobre a cabeça, subia em um banquinho e era coroada pelas amiguinhas, com coroa de ramos e cipó de São João. Quando faltava chuva íamos longe, no meio do cafezal, onde havia uma cruz e havia morrido um trabalhador da fazenda, de acidente. Levávamos água para molhar a cruz, pois assim se acreditava que a chuva viria. Um dia, D.Jovita, responsável pela reza, toda contente, pediu-me que eu tirasse o terço, pois queria mostrar que eu era capaz de contemplar todos os mistérios. Comecei a rezar e todos respondiam, e eu sentia uma grande emoção por comandar aquelas orações. Eis que de repente começou a chover, em pleno meio dia, um sol escaldante, a chuva caia em nós, olhávamos para cima e as gotas pareciam de prata, devido ao sol forte e o céu azul... Foi uma experiência maravilhosa! O chão, com uma poeira fina, ficou marcado pela chuva só no lugar onde estávamos. Voltamos para casa, maravilhados. Minha infância ficou marcada com histórias fortes. 10 Uma vida feliz Maria de Lourdes Carvalho Esper Chamo-me Maria de Lourdes Carvalho Esper, nasci em 23/02/1932, em Passos, filha de Antonio Júlio de Carvalho, cirurgião dentista e Adozinda Ferreira Lopes, do lar. Sempre fui uma mulher voltada para o trabalho. Aos catorze anos conheci o José (foi amor à primeira vista, pois eu disse: vou casar com esse turco; posteriormente ele também falou: eu falei a mesma coisa: esta moça vai ser a minha mulher!), namoramos e em 20 de junho de 1947 casamos, então eu, com apenas 15 anos. Para casar tive que enfrentar o desacordo de meus pais e também dos pais dele. Tanto foi que combinamos fugir com o apoio de alguns parentes e amigos. Fomos até Santa Rita de Cássia e, na Igreja Matriz, nos casamos. De volta para Passos, fomos morar na casa de meus pais. O meu marido também foi um homem voltado totalmente para o trabalho. No final de alguns meses de casados fomos morar na roça, onde tínhamos uma pequena venda. Nosso primeiro filho nasceu em 30 de abril de 1948. Foi um parto bem difícil, sem uma boa assistência, mas vencemos. A vida era um crescente desafio: o José saía para comprar e vender e eu cuidava da venda e dos afazeres domésticos. Lavar, passar, socar arroz no pilão, torrar café na panela, matar e fritar capado (porco gordo), encher lingüiça, fazer chouriço, picar carne de vaca, cuidar das pequenas criações (porco, galinhas, patos, perus, vacas e bezerros) era obrigação diária. Nossa casa era bem freqüentada, recebíamos todos bem. Tivemos mais 3 filhos, ainda na roça. Nosso quarto filho já nasceu na cidade, mas, ainda assistido por parteira. Montamos um açougue onde eu trabalhava das cinco da manhã até altas horas da noite, sem jamais deixar os afazeres de casa. Lavar uma roupa era um dos afazeres domésticos que eu mais gostava. Sou exigente e gosto de lavar e passar. Faço-o muito bem. Sempre fui muito feliz com meu marido e meus filhos. Minha vida resumia em trabalhar e viver bem para todos. Tivemos uma grande alegria quando Deus nos presenteou com uma filha. Esta, já nasceu na Santa Casa de Passos. Como todo casamento, tivemos altos e baixos e situações complicadas, mas jamais deixamos de amar um ao outro. Muitas vezes passamos por dificuldades financeiras, mas em momento nenhum deixamos de receber de Deus as bênçãos milagrosas. 11 Vivemos casados por 58 anos, com muita união, felicidades e alegria. Em 1998 perdemos um filho, então com 48 anos de idade. Foi um tempo muito difícil para todos nós. Todavia, ele havia deixado duas filhas, às quais nós ajudamos a encaminhar. No ano de 2005, exatamente no dia 10 de maio, perdi meu marido. Homem bom, trabalhador, honrado e honesto. Vivemos um tempo bem difícil até os dias de hoje. Deus, na sua bondade infinita, fez-me entender que a vida continuava e que eu, então, deveria assumir também o papel de pai de meus filhos. Agradeço e louvo a Deus por tudo isso, especialmente pela minha vida, do meu marido, de meus filhos, netos, netas, um bisneto, nora e genro. Deus me contemplou com um grande dom: o dom da humildade. Nunca blasfemei ou senti que não valia a pena viver, nem nos momentos mais difíceis que passamos. Tenho bons e grandes amigos e amigas que diariamente freqüentam a minha casa. Recebo a todos com uma palavra de gratidão e esperança. Gosto muito de rezar!... Rezo para todos: os que me pedem e também para aqueles que não pedem. Sou feliz. 12 Adolescência de Nara Nara Salgado Maia Meu pai era fazendeiro em Cássia e viajava pelos sertões comprando gado e sempre fazia amizade com vários fazendeiros. Foi assim que, em Monte Carmelo, um lugar onde fazia uma parada para o gado descansar, ele fez amizade com um fazendeiro que tinha uma filha chamada Nara. Ao completar 40 anos, meu pai se casou com minha mãe e parou de viajar pelos sertões comprando gado. Tiveram 3 filhos e como sou a última ele me deu o nome de Nara, em homenagem ao seu amigo. Brinquei de bonecas até os 11 anos, só deixei quando ganhei uma bicicleta importada, azul, pois no Brasil não fabricavam. Foi a minha maior felicidade. Quando eu tinha 15 anos, meu pai comprou uma caminhonete Ford verde e, como ele não sabia dirigir, me ensinaram a guiar em um mês. A partir daí eu levava meus pais, toda manhã, para a fazenda e à tarde ia buscá-los, sempre acompanhada de minha mãe. Nessa época filho não discutia ordem dada pelos pais. Não tínhamos muitas alternativas, passeios e nem bailes. Só ganhei meu primeiro sapato de salto depois de fazer quinze anos. A gente era feliz com o pouco que tínhamos. Nas férias fazíamos brincadeira dançante nas casas de colegas. Cada domingo era na casa de uma colega, levávamos discos que tocavam uma música de cada lado. Depois que surgiram os long plays que tocavam várias músicas. Não era servida cerveja ou qualquer bebida alcoólica. A bebida servida era ponche de frutas feito com guaraná Antártica e frutas picadinhas. Os pais eram muito vigilantes e entre 10 e 11 horas da noite a festa acabava. Hoje, com 63anos, consegui realizar meu sonho que é ser feliz como uma criança, mas para isso tive que aprender a viver sem ter vergonha ou medo de ser feliz.... Faço este álbum para os meus filhos e noras, que não são noras, são filhas, e para os meus netos, razão da minha vida. Não quero que olhem este álbum com lágrimas nos olhos, mas, sim, com um sorriso nos lábios e felicidade no coração. Eu os amo muito e, se algum dia eles tiverem tempo para contar as estrelinhas do céu, então descobrirão o tamanho do meu amor por eles. Dizer sempre “eu os amo”, faz muito bem para a alma e para o coração. 13 Um legado de fé. Marisa Batista Mamãe era de estatura pequena, pele muito alva, traços bonitos, cabelos castanhos claros e lisos e de temperamento muito calmo. Sua vida era o lar e os filhos. Trazia as crianças sempre muito limpas, as roupas simples e bem cuidadas. Mamãe lavava, passava, cozinhava e cuidava dos filhos, sempre atenta a tudo que fazíamos. O dia dela se resumia em coordenar a criançada, pois éramos oito: cinco mulheres e três homens. Era alimentação, banhos, vigiar as brincadeiras, nada escapava ás suas vistas. Escola, catecismo e missa aos domingos ninguém podia faltar, mesmo se estivéssemos com alguma indisposição, pois falava que era manha nossa. Muito religiosa não perdia por nada as comemorações religiosas. Durante a semana Santa lá ia ela com um bando de crianças para as procissões. As pessoas até achavam bonita a cena: mamãe com um bebê ao colo e eu e minha irmã, cada uma levando uma criança ora nos braços, ora puxando pelas mãozinhas. Para nós o Natal e a Semana Santa eram tudo de bom. Aguardávamos com ansiedade a chegada dessas festas, pois só nestas ocasiões que a gente estreava sapatos e roupas. Era uma festa, uma alegria enorme tomava conta de nossos corações. Acreditávamos em papai Noel e os presentes, por mais simples e humildes que fossem eram sempre bem vindos. Lembro-me bem da Primeira Comunhão de cada um de nós. Mamãe fazia questão de mandar fazer os vestidos numa costureira muito boa para que ficassem bem bonitos. Para os meninos terninhos feitos pelo alfaiate de papai. Comprava sapatos meias, luvas e véus brancos para as meninas e sapatos pretos de verniz para os meninos. Preparava uma mesa de café e , após a missa convidava nossos amiguinhos para tomar lanche conosco. Também fazia questão de levar-nos ao fotógrafo para tirar uma foto de estúdio. Não usava comemorar o aniversário das crianças mesmo porque era praticamente um por mês e isso era um luxo que não tínhamos. Anos mais tarde, na adolescência, é que começamos a fazer umas festinhas. O sonho de mamãe era que os filhos estudassem e para nós mulheres queria que todas nós fossemos professoras. Íamos crescendo, éramos felizes e unidos e esse legado de fé mamãe nos deixou e até hoje somos fiéis a ele. 14 Namoro, noivado e casamento Sylvia Kallás Andrade Conhecer e sentir simpatia foi o que aconteceu com o meu primeiro namorado. Certo dia, fui a uma loja próxima à minha casa e um moço passou na loja onde sua prima Nida trabalhava. Lá, ele me viu e escreveu um bilhete em francês para mim, que dizia: “Você é uma menina muito bonita”, e entregou o bilhete à Nida para me repassar. No dia seguinte, ela me chamou e me deu o bilhete, no exato momento, ele entrou na loja, fomos apresentados e nos simpatizamos um com o outro. Começamos a nos encontrar na loja e aos poucos no Jardim, escondidos de minha mãe, que ainda não admitia namoro. Namorávamos sem que meus pais soubessem, de seis horas da tarde às oito da noite. Mas nosso namoro não estava dando certo porque eu ia muito cedo para casa e ele se encontrava com outras moças para preencher o tempo, ia ao cinema, aos bailes. Quando ficava sabendo, desistia com ele, pois não queria que fosse assim. Certo dia contaram para minha mãe que eu estava no Jardim com um moço. Ela foi até lá e me disse: - Vá para casa, já! E eu fui chorando Quando cheguei em casa tomei uma surra e fiquei um mês sem sair de casa, só ia ao Colégio. Mamãe não queria este namoro, pois, no tempo certo, ela arranjaria um parente para se casar comigo e não um brasileiro. Mandou-me para o Rio de Janeiro. Fiquei lá três meses na casa de tia Mery, mas, mesmo assim, não deixei o meu namorado, escrevia sempre para ele, dando notícias. Quando voltei do Rio, os parentes passaram a nos vigiar, foi uma época difícil para o namoro. Uma tarde estava com o meu namorado no jardim quando vi passar um parente, fiquei apavorada e corri para casa. Na pressa, perdi minha anágua, contei depois para minhas amigas o acontecido e rimos muito, o fato virou piada. Algum tempo depois, papai me levou novamente para o Rio de Janeiro para encontrar com um parente que estava chegando do Líbano. Fomos encontrá-lo em alto-mar. A intenção de nossas famílias era de que nos simpatizássemos um com o outro, porém só nos tornamos amigos. 15 Foi assim que meu namoro com o Célio continuou às escondidas. Até que mamãe se conscientizou que era dele mesmo que eu gostava, então me chamou e disse: - Filha, traga seu namorado e venha namorar aqui dentro de nossa casa, não quero que você continue se encontrando com ele só no jardim. Namoramos por mais ou menos três anos e após constatar que nos amávamos e queríamos nos casar, ficamos noivos no dia 15.6.1953, dia do meu aniversário. Os pais do Célio, Sr. Manuel Andrade e D. Maria Deleposte Andrade, vieram pedir permissão para esse compromisso e abençoar as alianças e a nós. Esta data foi uma alegria e ficamos todos felizes com a união das duas famílias. Noivamos por um ano e nos casamos às oito horas da manhã, do dia 5 de maio de 1954. A cerimônia foi realizada durante a missa celebrada pelo Padre José Deleposte, tio do Célio, e o coral do qual eu fazia parte cantou lindos cânticos. Foi um dia inolvidável, a festa se alongou pela tarde até a hora de tomarmos o avião da Empresa Real com destino ao Rio de Janeiro, aonde chegamos já com as luzes da cidade se acendendo. Vistas do avião eram uma maravilha, um verdadeiro espetáculo. Passeamos muito, conhecemos vários lugares turísticos da cidade: Pão de Açúcar, Corcovado, Paquetá e Niterói. Tiramos várias fotos que até hoje guardamos como recordação. Passamos quinze dias nessa luade-mel inesquecível, que recordamos com saudades. Quando voltamos da viagem, moramos dez meses com minha sogra, pois o Célio trabalhava na Usina Açucareira. Depois disso, mudamos para a vila residencial, nas dependências da Usina, que oferecia casa aos seus funcionários. Foi muito bom o tempo que passamos naquela vila. Lá havia festas, cinema e muitas comemorações, alto-falante com músicas à tarde que preenchiam o tempo dos moradores. A vida lá se diferia com muita evidência da vida a que estávamos acostumados, pois morávamos no centro da cidade e nos mudamos para uma espécie de vila distante da cidade. Lecionei três anos na Escola Dr. Joaquim Mário, na Usina. Ficamos morando por seis anos lá e fizemos muitas amizades. Como sou muito comunicativa, entrosei-me logo com outros moradores. Nossos filhos nasceram lá. Hoje tenho saudades deste tempo distante. 16 Sou uma pessoa que gosta de estar envolvida com a família, amigos e a igreja, na qual trabalho em vários movimentos. Gosto de estar com minha família. Fazemos muitas reuniões, passeamos juntos e, principalmente, festejamos aniversários e tudo de bom que a vida nos proporciona. Sou feliz pela minha vida e também porque Deus me deu a graça de comemorar com muitas festas as Bodas de Prata, as de 40 anos de casados e as Bodas de Ouro, junto aos filhos, netos e neta, genro, nora, familiares e amigos. Completando meu prazer, faço parte, hoje, da Unabem que é a Universidade Aberta para a Maturidade. Essa universidade nos proporciona muita alegria. Obrigada a todos aqueles que nos ajudam a trazer à tona nossas recordações. São pessoas maravilhosas, dignas de serem aplaudidas. São elas: Leila, Nádia, Cal, Gustavo, Ernani, Michele, Ana Paula e Gabriela. 17 Namorar e enforcar aula... Maria Thereza Mello Kallás Estudava no Colégio das Irmãs. Lourdinha, minha amiga, e eu não gostávamos muito de estudar e, sim, de aproveitar e namorar... Naquela época falava-se enforcar a aula. Assim, íamos para o campo de futebol e ficávamos lá comendo o lanche e conversando sobre namorado. Depois íamos para casa como se tivéssemos ido à aula. Por isso ficávamos muito de castigo. Eu aproveitei muito e namorei bastante. Naquela época, se falássemos ”vamos fazer uma brincadeira na casa de fulana”, isso significava dançar ao som de uma vitrola. Começávamos às 7 horas e terminávamos às 10 horas da noite. Quando eu tinha 13 anos, minha mãe me deixou usar salto alto e um vestido justo para ir ao Passos Clube. Eu me senti maravilhosa! Naquela época o divertimento era o clube ou o jardim da Matriz. Esse jardim era bom demais: onde começava o namoro, primeiro o flerte. Depois, o rapaz vinha conversar, pedia o namoro e em seguida saíamos para sentar nos bancos do jardim e namorar... Uma história interessante de que me lembro foi quando minha mãe teve a primeira neta e todas as sobrinhas queriam ser madrinhas de representar. No dia do batizado fomos todas para a igreja e o padre era o Monsenhor Messias. Assim que chegamos ele disse que para ser madrinha teria que estar com roupa de mangas e vestindo meias e véu. Então eu fui a madrinha, pois era a única que estava com mangas e meias. Ah! O véu eu pedi emprestado para minha irmã... Assim, eu fui uma madrinha muito feliz! 18 A infância de menina levada Nilda Esper Kallas Sou de uma família de 8 irmãos. Quando eu estava para nascer, D. Elvira foi atender minha mãe, pois nesse tempo os partos eram feitos em casa. Minha mãe disse para Tia Reina que se fosse mulher pegasse as roupinhas rosa e se fosse homem pegasse as azuis, que estavam arrumadinhas na gaveta... Minha tia se desorientou tanto que pegou as roupinhas azuis. Minha mãe ficou satisfeita, pois, meu pai estava louco de vontade que viesse mais um homenzinho. Quando perguntou à D. Elvira qual era o sexo, ela muito brava respondeu: - E você ainda pergunta? Minha mãe ficou por entender. Quando falou com minha tia ela confessou ter se enganado com as roupas e só não apanhou porque minha mãe não dava conta de levantar-se! Fui à escola com sete anos e sempre levava muita merenda. Na igreja do Rosário, onde hoje é a prefeitura, eu assistia ao catecismo e ganhava pontos. Quem não faltasse ajuntava muitos pontos. Quem tivesse mais pontos escolhia o melhor prêmio, no dia da exposição de prendas. Na minha casa tinha um colchão de palha. Eu gostava de dormir nele e não deixava ninguém dormir lá. De manhã eu arrumava a cama e enfiava a mão dentro do colchão, em uma abertura da capa, e esparramava as palhas de modo que ficasse muito alto. Quando alguém assentava sobre ele, eu não gostava e ficava muito brava. Minha família e eu morávamos ao lado dos meus avós maternos. Meu avô era fazendeiro e tinha uma charretinha toda pomposa e linda. Não deixava ninguém sair nela. Ia todos os dias à fazenda e só levava meus irmãos. Não gostava de levar as meninas. Uma vez fui com ele e chegando lá quis andar de carro de boi. Morria de medo, grudei na armação do carro, quase chorando e gritando. Meu avô trazia latões de leite da fazenda, que minha avó vendia. Ela colocava uma mesa coberta embaixo de uma enorme parreira. Abria de um em um os latões e com um litro com um cabo de ferro comprido ia medindo a quantidade acostumada para cada freguês. Nessa época não havia leite pasteurizado. No mês de maio havia as coroações de Nossa Senhora. As duas meninas que iam coroar davam saquinhos de doces para as acompanhantes que ficavam do seu lado. Após a coroação, as duas meninas ofereciam o 19 saquinho para a menina que carregava a coroa, para o padre e para a senhora que ensaiou. Era uma alegria imensa, todo mês de maio eu aproveitava com vestido branco comprido, de véu e grinalda. Uma vez convidei minha prima Nadéa para jogar maré e tive uma idéia de cercar um carro que vinha na rua. Pulamos no meio da rua e abrimos os braços e as pernas, e o chofer que vinha na maior velocidade, buzinava sem parar. A Nadéa pulou fora e eu fiquei no meio da rua de braços e pernas abertos. O chofer fez uma brusca parada, derrapando o carro na rua de terra. Nessa época a Rua Dois de Novembro não era calçada. Foi um poeirão em volta de mim. O chofer desceu do carro xingando e deixando a porta aberta, subiu as escadas para falar com meu pai. Meu pai mandou-nos chamar, levou-nos para um quarto. Desceu a vidraça para não fazer barulho para o vizinho e disse: “Venha experimentar o sapatinho novo, o vestidinho novo, minha filha”. Ficou muito zangado com minha prima dizendo que não ia bater nela porque não era filha dele. Foi tirando a correia devagarzinho e me deu umas boas correiadas dizendo: _ Você quer fazer o carro parar? Foi a primeira e última vez que eu apanhei de meu pai. Era só ele olhar para a gente, que ficávamos quietinhos sem dizer uma palavra e sem discussões. Aproveitei muito minha infância, brinquei demais, jogava peteca, iôiô, bilboquê, pulava corda, brincava de pique de esconder, queimada ou cemitério, rebatia bola com minha vizinha Dalva e nas férias, ia à piscina todas as manhãs. Todos os anos, dia 1º de janeiro, toda família de meus avós paternos reuniam-se na casa deles, durante a tarde inteira. Era costume os avós e os tios, darem dinheiro às crianças. A gente chegava perto de cada chefe de família, tomava a benção e dizia: “feliz ano bom”, e cada um dava uma nota para a gente, com valores variados. As meninas iam todas de bolsinha nas mãos ou a tiracolo. Eu tinha muita vontade de saber se nota rasgava, fui ao quintal, olhei para os quatros cantos, não vi ninguém, peguei uma nota de 10 mil reis, parti com as mãos, bem no meio da nota. Fiquei com tanto medo de apanhar que joguei as duas metades na sarjeta e corri para casa que era do lado. Esperei um tempinho e voltei para casa de minha avó. 20 Pouco tempo depois, um de meus primos chegou gritando; “olhem o que eu achei!!” E mostrou as duas metades do meu dinheiro rasgado. O pai dele disse: “me dá aqui, que eu troco pra você”. Eu quase morri de paixão, mas não abri a boca de medo. Fiquei com menos dinheiro que as outras crianças, que quase a toda hora abriam a bolsa para contar quanto tinham. Mas valeu a experiência, matei a vontade. 21 Infância religiosa Juvenila Carvalho Hipólito de Souza Eu nasci em 24 de junho de 1933. O mês de junho é consagrado ao Sagrado Coração de Jesus e aos santos: Antonio, casamenteiro, São Pedro e São Paulo, que tem a chave do céu e São João Batista, o batizador. Sabemos pelas palavras do anjo Gabriel que João, cujo nome significa “Deus é propício” foi concedido aos dois cônjuges, Isabel e Zacarias, em idade avançada e enviado por Deus para endireitar os caminhos do Senhor, foi santificado pela graça divina antes mesmo que seus olhos se abrissem à luz. Tive uma infância muito alegre. Mamãe nos deixava ir, depois do jantar, para a rua do Colégio das Irmãs, onde brincávamos de vários tipos de jogos: boca de forno, pique esconde, passa anel, pular corda, apertar a campainha na casa dos vizinhos, barra-manteiga e muitos outros. Quando batiam sete horas, mamãe chamava para tomar banho e logo a seguir nós íamos dormir. No outro dia, começava tudo de novo. O senhor Luiz Patti era o farmacêutico que aplicava injeção. Ele tinha um auxiliar que se chamava Nino que era um anjo de pessoa, não deixava a injeção doer. Mas na hora de aplicar era um deus- nos- acuda! Meus padrinhos, Dr. Arthur e Madrinha Carolina, moravam em frente a minha casa. O quintal deles era imenso, com muitas frutas. Eu, como afilhada, era sempre convidada para ir apanhar e comer aquelas deliciosas frutas! Minhas amigas ficavam com ciúmes, mas eu sempre dividia com elas. Minha primeira comunhão foi linda! Meu vestido branco, enfeitado com rendinhas franzidas, fazendo um desenho que formava flores. Vesti um véu branco e minha alma estava pura, sem maldade, sem egoísmo e alegre porque ia receber Jesus, que deu seu precioso sangue, também por mim! Eu sempre amei a vida. A vida é muito bela de se viver, sempre agradeço por estar vivendo bem todos estes anos! 22 Os amores da minha vida Benedita Aparecida Barros de Oliveira Nasci em Três Corações, dia 24 de março de 1933, portanto, estou hoje com 74 anos bem vividos, cheio de emoções e saudades. Recebi este nome porque minha mãe era devota de São Benedito e como estava demorando a engravidar, fez uma promessa de colocar esse nome que significa ser uma pessoa bendita e abençoada por Deus! Meus pais eram muito bons e eu tive uma infância tranqüila e feliz. Brincava como toda criança com pureza e ingenuidade. Nunca fiz arte ou me machuquei feio por ser calma e muito bem cuidada pela minha mãe. Minha mãe chamava-se Maria Porto de Barros era carinhosa, fina, educada e que nunca me bateu. Meu pai era maravilhoso, lindo, inteligente, extrovertido. Papai Valdomiro Barros Lemos era um artista, um poeta que declamava lindos poemas e era muito aplaudido. Quando eu estava com cinco anos, mais ou menos, fomos morar em Poços de Caldas onde havia cassinos famosos e onde o meu pai trabalhava como chefe dos “croupiês” no “Palace Hotel”. Em Poços, eu estudei até a quarta série e minha professora me ensinou a declamar poesias (tem uma poesia chamada “Arara” que lembro até hoje). Meu pai era poeta e declamava sempre no palco do cassino quando havia convidados importantes. Ele me levou na Rádio de Poços para declamar e foi emocionante! Meu pai conheceu gente famosa e importante como Getúlio Vargas, Carmem Miranda, Libertad Lamarc,etc.Mas , um dia, veio um decreto e fechou todos os cassinos do Brasil.Então, viemos para Passos.Moramos, também, e São Paulo e aos meus 17 anos voltamos definitivamente pra Passos. Aos dezoito anos diziam que eu era muito bonita, mas, recatada e ingênua. De repente, um moço lindo, loiro, alegre, começou a me rodear até me conquistar. O seu nome era Grimaldes Oliveira Campos era apaixonado por mim, me adorava, me namorou e conquistou pra sempre! Casamos e fomos muito felizes!Tivemos seis filhos:Fernando, Júlio, Grimaldes,Cristina,Sandra e Raquel. Sou avó de 14 netos e 1 bisneto. Hoje, sou viúva, moro sozinha e tenho duas damas de companhia: uma para o dia e outra para a noite. 23 Primeira Comunhão Isabel Suhadolnik Parenti (Belinha) Houve um momento especial na minha vida! A primeira Comunhão, o vestido branco, a coroa de flores e o véu! Naquele tempo, a Santa Casa de Misericórdia de Passos era dirigida pelas irmãzinhas da Imaculada Conceição, congregação fundada pela Irmã Paulina, e todo ano elas preparavam as crianças das imediações para receber Jesus. A Capela de Nossa Senhora das Dores era enfeitada com carinho para o grande dia! Eu fui uma dessas privilegiadas crianças e não me esqueço do quanto senti meu coração batendo forte, de tanta felicidade! Após a missa uma grande e enfeitada mesa foi servida, com coisas que toda criança gosta. Recebemos um Santinho e um terço como lembrança. Até tirei o meu retrato com ele! O Sr. José Barbosa, o fotógrafo mais famoso da cidade, esteve lá marcando com fotos o grande acontecimento! 24 Rezar para as almas Zulma Terezinha Lara Um de nossos folclores, que infelizmente está desaparecendo, pois não vejo há muitos anos, mas é muito vivo em minha memória é o costume de rezar para as almas. Quando eu era menina, na fazenda, na época da Quaresma se rezava para as almas. Só homens é que saiam para rezar, em números ímpares, nunca pares, e só rezavam em números ímpares de casa. Era proibido abrir portas e janelas e, a reza, era sempre à noite. Os rezadores andavam em silêncio, não podiam olhar para trás. Dizia a lenda que as almas acompanhavam a reza, todas vestidas de branco. Eles usavam catracas, que iam batendo para acordar os donos das casas para que também rezassem, e tudo com muito respeito, era cantado e também rezado, durante os dias comuns da quaresma. A oração era mais ou menos assim: Alerta, alerta pecador, este sono que vos dorme, Ave Maria, Ave Maria. Bendito, louvado seja, na paixão do redentor, Deus desceu do céu na terra, padeceu dos pecados, com Maria Imaculada que dela nasceu Jesus, Ele foi o que Deus criou, padeceu por nós na cruz. Reza um Pai-Nosso e também uma Ave Maria, Ave Maria, ai, ai, ai... Reza mais um Pai-Nosso e uma Ave Maria, Ave Maria, ai, ai, ai... Peço mais um Pai-Nosso e uma Ave Maria, Ave Maria, ai, ai, ai... Me despeço na graça do Senhor e com muita fé seguimos Bendito seja Deus e Ave Maria, Ave Maria. Na roça dormíamos cedo e à meia noite, saíamos para rezar, sempre as quartas ou sextas-feiras. Na última casa era servido um café e isso acontecia sempre em minha casa. Antes de deitarmos, preparávamos o café com quitandas, ou pamonha. Colocávamos a mesa do café do lado de fora, onde tinha um banco e deixávamos tudo arrumado. Às vezes, tínhamos medo. Meu irmão era o mais medroso, quando ia rezar em casa, ele corria e deitava com a mamãe e o papai. Quando ficou mais mocinho, um dia inventou de acompanhar a reza, e lá foi ele jurando se comportar. Foram rezar em uma colônia, um pouco longe de casa. Vários dos que rezavam moravam nessa colônia e só restou três deles para voltar para casa com meu irmão. Quando chegaram ao alto do morro começaram a ouvir vozes. Dos três, um era mais 25 corajoso e disse para os outros que não olhassem para trás, andassem firme, não corressem e que rezassem! Meu irmão, muito curioso, deu uma leve olhada para trás e disse que tinham umas cinqüenta pessoas de branco atrás deles, e que conversavam muito. Seu cabelo arrepiou todo, saíram gritando e correndo. Meu irmão chegou em casa, branco, quase sem fala e nunca mais quis acompanhá-los. Nesse domingo que passou, encontrei-me com um dos rapazes que rezava naquele tempo. Fazia muitos anos que não o via, foi muito bom revivermos nossos tempos na roça. Ele me contou muitas coisas que aconteciam com eles durante as rezas e que eles não tinham medo. Quando saiam com poucos homens para rezar, eles cantavam e ouviam muitas outras vozes que cantavam com eles, no ritmo certo da música e que, muitas vezes, pareciam implorar suas orações. Adorei as estórias que ele me contou. Ele disse que havia a reza comum da Quaresma e que, na semana das dores, rezava-se as sete dores de Maria, uma outra canção. Mas eles não rezam mais há muitos anos. Ele acredita que era muito sofrido e que não davam sossego para as almas que ficavam muito agitadas, e que não temos o direito de tirá-las deste sossego eterno. Valeu a pena relembrar esta estória que me acompanhou enquanto eu vivi na roça, que há trinta e quatro anos não vejo mais. Tenho saudades! 26 Leilão inusitado, muitos anos depois... Sylvia Kallás Andrade Ave Maria Puríssima Ginásio da Escola Normal Imaculada Conceição Passos, 27 de outubro de 1949 Prof.ª Ana Rita Stockler Mezencio Aluna: Silvia Kallás Leilão de “Nossa Classe” Como precisamos de uns moneys para a construção do Ginásio, resolvi fazer um leilão das preciosidades de nossa classe. Em primeiro lugar, quanto me dão pela tagarelice da Mesqui? Pela bondade da Selma combinada com a boa vontade da Augusta? Quanto me dão pelo espalhafato da Vitória? Quem dá mais pela sapequice da Inês Moraes? Quem deseja arrematar a malandragem da Conceição Câmara combinada com o jeitinho da Cici? Quanto me dão pela sabedoria da Ineizinha e os desenhos da Leila? Quanto me dão pelas leituras da Nirce e a santidade da Geralda? Quem dá mais pelas sardas da Emília e pela gordura da Placidina? Quanto vale o batuque da Conceição Alux e o acanhamento da Neif? Quem dá mais pelo sorriso e pelas covinhas da Sirlene? Rifa-se a voz de barítono da Elvia e a calma da Marly. Quem dá mais pela elegância da Silvia combinada com as pernas de seriema da Anunciação? Quem quer arrematar as brigas da Nora e da Gleida? Quanto me dão pelo nervosismo da Clarinda e assiduidade da Ivis? Quem dá mais pelas madeixas douradas da Expedita misturadas com as da Vilma? Rifam-se os beliscões da Beraldo. De minha importante pessoa, rifo os tênis rasgados e a língua de cinco metros, misturados com a gagueira da Dodora. Saudades do tempo de estudante! 27 Porque me chamo: Adelaide Adelaide da Penha Alves O nome próprio é um sinal de cidadania, nos identifica e distingue um dos outros. O nome é um som ou conjunto de sons que ao ser ouvido, imediatamente nos faz pensar assim: sou eu... O nosso nome é um dos primeiros sons a penetrar em nossa mente e ser fixado na memória. O primeiro nome que minha mãe sonhou pra mim foi: AÍDA. Não que ela conhecesse a ópera de Giuseppe Verdi e, sim, por ter conhecido em sua adolescência uma senhora, muito bondosa, elegante e que a tratava bem. Meu pai, em sua simplicidade rústica de um bom mineiro do interior, respondeu: - Aída? Mas, então, a próxima filha vai ter que se chamar: A VOLTA... E foi assim que esse lindo nome foi descartado. Imaculada, lembrando o dogma da concepção da virgem Maria ou Inês, exalando a pureza de Santa Inês, eram os nomes mais cotados para mim. Mamãe os achava lindos! Meu pai queria porque queria que eu me chamasse: PENHA. Era devoto de Nossa Senhora da Penha e tinha até um lindo quadro da santa com um rio, um jacaré, a mata fechada com uma cobra venenosa e em cima de um penhasco (ou pedras ou penha), a imagem de Nossa Senhora que salvava um homem desses perigos. O meu pai, que foi criado e sempre viveu na roça, tinha muita fé e dizia que Nossa Senhora da Penha o tinha livrado desses perigos. Bem... Havia aí um pequeno impasse... E talvez, a escolha do nome tenha também um toque especial de algo não muito bem definido a que chamamos: DESTINO. Só sei que nasci no dia 16 de dezembro e que muitos santos são desse dia. Ou seja, têm esse dia dedicado a eles. E foi aí que minha mãe teve a idéia de olhar no ALMANAQUE FONTOURA. Naqueles idos de 1.947 quase não havia publicações escritas aqui, nesse interior das Gerais, a não ser esse famoso e útil almanaque que era distribuído pelas farmácias. O almanaque foi uma das primeiras mídias da Indústria Farmacêutica a fazer a cabeça do brasileiro para que ele comprasse remédio pronto, já que, naquele tempo todos sabiam gostavam e preferiam usar apenas os remédios caseiros. Mesmo sendo mídia manipulativa, o tal ALMANAQUE era muito bom mesmo. 28 Na mesma hora em que a minha mãe leu no Almanaque: 16 de dezembro; Santa Adelaide, ela se emocionou e pensou assim: “Gente, esse tem que ser o nome da minha filha. É muita coincidência ela nascer justo no dia de Santa Adelaide, sendo que a minha mãe e a avó paterna (ambas já falecidas) tinham também esse nome: Adelaide”. Foi assim que eu recebi esse nome e pro meu pai não ficar magoado fui registrada e batizada como: Adelaide da Penha. PERAÍ! Ainda não acabou. Como chamar um bebê tão pequenino e delicado com um nome tão grande e senhoril? E foi aí que começaram a me chamar de FIA ou FIÍNHA e este foi o som que eu ouvi até os 7 anos. Naquele tempo, fazer 7 anos era muito importante. Diziam que aos sete anos a gente entrava na idade da razão e, a partir daí, muita responsabilidade já era cobrada de nós. Aos 7 anos entrávamos na escola e também éramos preparadas para fazer, no fim do ano a PRIMEIRA COMUNHÃO. Esses fatos eram marcantes porque até então, nossa vida era estritamente familiar. Sempre junto com os pais, irmãos, avós, tios e primos. No máximo, brincávamos na rua com os filhos dos vizinhos à tarde ou à noitinha, enquanto nossos pais punham a cadeira na calçada e conversavam e nos olhavam enquanto tomavam a “fresca”. Às 8 horas da noite todos se recolhiam para dormir. Entrar na escola era nosso primeiro contato social maior, íamos conhecer a professora, a diretora, os colegas e as crianças maiores das outras séries. Dava um pouco de medo e vergonha também. Não havia “Jardim-de-Infância” nem “PréEscola”, entrávamos direto no 1º ano para aprender a “pegar no lápis”. Eu tinha vergonha de pedir pra ir ao banheiro e um dia fiz xixi na sala de aula. Por usar anágua grossa e saia pregueada, o xixi foi absorvido e “acho” que ninguém notou. Bem, fui feliz no 1º ano, aprendi a ler muito bem e passei com 10 em tudo. Minha professora era dona Nair e ao fazer a chamada me chamava de Adelaide e todos os colegas também. A primeira vez que uma coleguinha de classe foi em minha casa e perguntou pra minha mãe: “A Adelaide tá aí?” foi que minha mãe teve outro insight e resolveu deixar de me chamar de FIÍNHA e só me chamar pelo verdadeiro nome. A partir daí foi que comecei a ouvir a voz da minha mãe falando o meu nome e também todas as demais pessoas, menos meu irmão que até hoje me chama de FIA. 29 Aos sete anos comecei a ser e a me sentir e a me identificar como Adelaide. Aceitei, mas achava que era um nome antigo. Hoje gosto, acho que não é um nome comum, é forte, tem personalidade, tem história em meus ancestrais, é de origem portuguesa das famílias MARQUES e QUEIRÓS. 30 Minha Jornada Escolar Maria Rita Alves Grilo. Aos sete anos iniciei minha jornada escolar. Fui alfabetizada pela minha prima Zélia Vilhena, professora, que também alfabetizou meus irmãos e primos e lecionou na Escola da Fazenda da Taquarussu. Quando viemos para a cidade, eu fui estudar no Colégio Imaculada Conceição, CIC, cursando o primeiro ano primário. Eu já havia completado oito anos. Participei de um teste para concorrer a uma Bolsa de Estudo e consegui o direito ao estudo gratuito até o final do terceiro ano do curso normal, hoje Magistério. Cursei as três primeiras séries no CIC. Eu levava o estudo muito a sério. Era estudiosa e aplicada. Fui a única aluna do curso primário no CIC a ser premiada para participar do Retiro Espiritual que acontecia todos os anos para os alunos do curso Ginasial e Normal. Foi uma grande vitória para mim e meus pais que sempre zelaram pela religiosidade familiar. Na 4ª série fui estudar no grupo Escolar Abraão Lincoln para levar um dos meus irmãos comigo. No grupo eu procurava fazer o melhor possível nos estudos. Éramos uma turma mista, muito alegre e amigos divertidos. Os meninos sempre aprontavam alguma arte. Meu quarto ano foi muito divertido e bom. Foi um ano apenas, mas deixou saudades. Nossa formatura foi no Auditório da Rádio Sociedade de Passos, com direito a Paraninfo, Orador e Discursos. No ano seguinte fiz um curso chamado de Admissão ao Ginásio, nas classes anexas à Escola Normal Professora Júlia Kubitscheck. Nossa turma era muito animada, mas éramos também muito estudiosos, o diretor era uma fera e não admitia gracinhas. Terminado o curso, voltei a estudar no CIC. Uma adversidade, porém, atrasou minha vida escolar. Eu iniciei a primeira série do Curso Ginasial. O CIC era um colégio muito rígido com a disciplina e com o uniforme escolar dos alunos. Era o mês de junho, quando aconteciam as provas bimestrais e eu estava com nota negativa em Latim, que era matéria obrigatória no currículo escolar. Exatamente no dia da prova de Latim, tive que ir à aula com uniforme incompleto, faltava a boina, que eu esqueci na sala no dia anterior. Perdi a prova de Latim e ganhei uma bomba no final do ano. 31 Muita revoltada e já sabendo da possibilidade de repetir a série, parei de estudar. No ano seguinte meus pais e a madre superiora do CIC me convenceram a voltar, com direito a bolsa de estudos. Consegui o meu diploma de Professora no fim do ano de 1964, um ano muito agitado, pois o Brasil estava em revolução. Lembro-me de que o Quartel da Polícia era em frente ao Colégio e na hora da partida dos soldados, para a luta, houve um momento cívico de despedida e oração na Capela e na calçada do CIC, bem em frente ao Quartel formamo-nos para desejar boa sorte aos rapazes, pedindo a proteção de Deus! Terminada a minha jornada estudantil, trabalhei como professora em Bom Jesus da Penha e depois, em Furnas. Cursei a Faculdade de Filosofia de Passos, me especializando em Supervisão, Orientação e Administração Escolar. Após a aposentadoria do meu marido, nos mudamos para Passos, onde lecionei nas Escolas: E. Abraão Lincoln e N. Sra. Da Penha e trabalhei como Pedagoga na então Delegacia Regional de Ensino e voltando para a E. N. Sra. Da Penha, onde me aposentei em l994. Hoje estou na Universidade Aberta para a Maturidade – UNABEM e estou me preparando para cursar a Faculdade de História no próximo ano, com o incentivo do meu irmão, Prof. Grillo. Minha jornada escolar foi bastante difícil, com muitos sobe e desce, porém, foi muito divertida e alegre e ainda guardo lembranças maravilhosas das colegas, dos colegas e dos Professores. Dos meus alunos, carrego comigo muita saudade e aprendizado de vida! 32 Minha adolescência Luzia Soares de Oliveira Maia As recordações que lembro de minha infância são várias. Sempre brincava com duas amigas que moravam perto da fazenda. Minha mãe, muito exigente, quando as duas amigas apareciam ia logo dizendo: - primeiro termina a obrigação depois brinca com suas amigas. Ah! Como eu ficava esperta e fazia tudo correndo... Brincávamos de fazer comida num fogãozinho à lenha feito por nós: as panelinhas e a chapas foram presentes de meu pai quando fez uma viagem para Uberaba. Meu sonho era ter uma boneca. Até os 7 anos não havia ganhado e sempre brincava com boneca de pano e outros cacos que minha mãe jogava fora. Era uma festa quando ganhávamos uma rolinha ou um franguinho para fazer nossa comidinha e, ao mesmo tempo, era um problema, pois em nossas panelinhas não cabiam o franguinho. Aí teríamos de pedir minha mãe uma panela maiorzinha. Então vinha primeiro a bronca: - Só empresto se me devolver limpa e brilhando. Volte limpa e brilhando! Certa vez mamãe foi a Belo Horizonte fazer uma consulta médica, então eu disse: - Mãe, o meu sonho de ter uma boneca ainda não acabou. Queria que a senhora me comprasse uma. Quando ela voltou trouxe seda para fazer vestido para cada uma de minhas irmãs e eu não ganhei o vestido porque havia ganhado a boneca. Chorei muito porque queria os dois, mas tive que me contentar só com a boneca. Morávamos à beira de um riacho. Quando chovia bastante formava uma lagoa ao lado, então, deixávamos a casinha para brincar de jogar pedaços de pau uma nas outras. Entramos na água sem roupa, quando já estávamos cansadas de brincar,fomos nos vestir, qual não foi a surpresa quando não encontramos nossas roupas. Ao voltar para casa já íamos chorando antes de contar o que havia acontecido. Foi terrível o castigo que recebemos: chicote e ficar sem sair de casa por muito tempo. Um pequeno descuido de mamãe, porque achava que estávamos brincando na cozinha. Outra passagem de minha infância que nunca me esqueci foi quando meu irmão e eu estávamos embaixo de uma bananeira, olhamos para cima 33 vimos duas pencas maduras. A bananeira era alta e meu irmão disse: -“Sobe você que é mais leve que eu!” Pois eu era muito magra. Quando comecei a tirar as bananas do cacho desequilibrei, caí e sofri um desmaio. Meu irmão me carregou e me escondeu atrás de uma horta de verduras. Quando acordei sentia dores nas costas e saía sangue pelo nariz e pela boca. Porém, tive que aquentar tudo calada, pois se meus pais soubessem seria outro castigo na base do chicote. Aos 14 anos tive o primeiro namorado, pegávamos na mão só quando íamos nos cumprimentar ou nos despedir. Como sonhava em ter um vestido bonito, bordado ou de renda! Pedi à minha mãe a tão sonhada roupa. Para minha tristeza a resposta foi que se eu quisesse vestido bordado teria que fazer ou pedir alguém para me ensinar. Assim, fui atrás de tudo e aprendi a bordar o meu vestido branco. Ficou lindo, com bordados coloridos e rendas para usar no casamento de minha irmã . Aos 16 anos comecei a ir a bailes, mas sempre acompanhada de minha irmã. As músicas tocadas eram sempre românticas, boleros, valsas e, às vezes, até arriscava uns passos do tango La Cumparsita. Aos 23 anos encontrei o homem que amei de verdade, namoramos, noivamos e nos casamos dentro de um ano. Como são doces as lembranças daquela época, quando estava no salão de dança vestindo rodado salto alto, corpo bonito. Modéstia à parte, eu dançava bem, por isso nunca tomava chá de cadeira. Ah! Se o tempo pudesse me levar de volta, outra vez, à minha mocidade! Tudo passou, tão rapidamente, como um sonho. 34 Escola normal Maria Tércia da Silveira A Escola Normal era a mais famosa escola da cidade. Ficava no número 264 da Praça do Rosário ou Praça Geraldo da Silva Maia e onde, hoje, é o edifício Portinari. Era um prédio grande de dois pavimentos e estava sempre pintado da cor de tijolo-rosado. Todas as salas eram grandes e espaçosas. No térreo, ficavam as classes anexas, isto é, o curso primário, que se fazia em 4 anos. O restante era o curso ginasial e escola normal. Feito esse curso Normal, a pessoa era normalista, hoje professora. As carteiras eram de madeira e duplas: para dois alunos. Os quadros- negros, todos pretos e pequenos.O mobiliário era simples, até mesmo o da secretaria. Era muito bonito um armário-estante que lá ficava. As professoras primárias, isto é, do primeiro ano ao quarto eram as seguintes: Aristotelina Teresa de Souza (D. Tutinha) Guaraciaba Machado Lemos (D.Guará ) Mais tarde vieram novas professoras: Isabel Serafim de Andrade (Belinha Serafim) Maria José Vieira Leal (Zezé ) Do Ginásio e curso Normal Dr. Washington Álvaro de Noronha: diretor e professor de Português e Francês Reverendo Jairo Borges: Psicologia Benedita Andrade: Metodologia Maria Simão: Educação Física Rita Reis: Biologia, Canto e Música Maria Augusta Reis: Português Bartira Noronha Freire: História Beatriz Noronha: Geografia Redelina Andrade (Dona Ré): Matemática Luiz Marinho: Inglês Violeta Camargo: Francês Dulce Santos: Português Francisco Soares de Melo: Português e Latim Nair Le Senechal: Artes Maria Aparecida Le Senechal: Artes 35 Meus avós Maria Rita Alves Grilo. Vovô Nhozinho (Saturnino Gomes de Lemos Grillo) e Vovó Dona (Donolina Mendes Grillo) Ele, descendente dos Gomes de Lemos e Grillos, de famílias portuguesas que imigraram para o Brasil e se assentaram no sul de Minas e na região de Pirai, no Rio de Janeiro, espalhando-se depois por todo o Brasil. Meus avós vieram para Passos com minha bisavó Maria Rita, trisavó Adelaide e seus filhos, eram fazendeiros ou comerciantes. Meu avô Nhozinho morou na cidade por um tempo, depois comprou a fazenda Taquaruçu , onde ficou boa parte de sua vida. Minha avó Dona, era filha da alta burguesia do Sul de Minas. Seu pai era Juiz de Direito e foi Maestro de uma orquestra, era descendente de espanhóis que habitaram a região de Elói Mendes, seu primo, nome dado à cidade mineira de Elói Mendes. Ela era uma pessoa fina, de uma delicadeza ímpar, tocava harpa e conheceu meu avô, às vésperas do casamento, como era de costume. Teve seus filhos em São Gonçalo do Sapucaí. Quando vieram para Passos, meu pai tinha cinco anos. Após a morte de minha bisavó, vovó ficou sob a responsabilidade de seu pai, com os cuidados de aias que olhavam vovó e sua irmã. Com o falecimento de seu pai, vovó ficou tão traumatizada, tomou raiva de música e passava mal só de ouvir qualquer som. Quando moravam na fazenda Taquaruçu ela foi ficando doente e eu só me lembro de seu semblante triste e abatido. Depois de um tombo que levou, ela ficou até a morte, sentada numa cadeira. Meu avô fabricou uma cadeira de madeira que era para seu uso sanitário e nos banhos. Vovó era sempre carregada por nós, netas, ou pelas noras. Durou com vida dois anos após a morte do vovô. Meus avós maternos: Theodoro Leão Alves Negrão e Rita Martins de Mendonça. Ambos de Bom Jesus da Penha, onde nasceram, se conheceram, casaram e tiveram seus filhos (já citados). Vovô era trabalhador e honesto, uma pessoa simples, mas sempre batalhador. Em Bom Jesus, trabalhava numa farmácia de seu parente. O que continuou a fazer na farmácia do Tio Antenor Negrão, aqui em Passos.Trabalhou na Fábrica de Manteiga Aviação e, finalmente,na 36 Prefeitura de Passos, no gabinete do Prefeito Geraldo da Silva Maia, onde se aposentou. Era uma pessoa brincalhona, mas muito brava. Não tolerava bagunça dos netos, mas nunca bateu nem nos filhos e nem nos netos, pois os arteiros sumiam com o seu vozeirão dando uma bronca. Gostava de pentelhar a vovó, por causa de religião: sempre que ela pegava o terço, ele pegava um livrinho de São Cipriano que era tido como feiticeiro. Vovó, com sua santa paciência, nada dizia. Fechava-se num quarto e só rezava... Vovó costurava para os filhos e netos. Certa vez, ela fazia um vestido e deixou a tesoura na mesa de costura e foi à cozinha ver as panelas. Vovô pegou a tesoura e a levou para o quarto. Ao voltar, vovó deu falta da mesma e foi atrás dos netos. Ninguém a vira, saímos todos à procura da tesoura, por todos os lados. Ao perguntar ao vovô se ele a vira, a resposta foi rápida: - “Vi, claro que vi, o capeta acabou de pegá-la e correu para o quarto”. Vovó ficou brava, fez o sinal da Cruz e o mandou procurá-la. Ele rapidamente agiu. “Eu vou buscá-la e nem que eu tenha de matar aquele danado, eu trago a tesoura”. Foi até o quarto, derrubou alguma coisa, gritou com o “capeta”, deu murro no guarda-roupa e voltou descabelado. Entregou a tesoura e disse: “Tá vendo? Num falei que era ele? Dei umas sapatadas nele, o joguei no chão, tomei a tesoura e trouxe procê”. Vovó ficou muito brava com ele. Rezou o Creio em Deus Pai, mandounos ir brincar e voltou ao trabalho. Além desta, muitas outras o vovô aprontava com a vovó, com as tias e conosco. Era um homem bom, alegre e religioso (do jeito dele). Vovó sempre foi muito religiosa e calma, tinha muita paciência com todos e com tudo. Era a mãe da paciência. 37 Minha Infância Cleusa Aparecida Costa Gomes Foi inesquecível! Uma infância perfeita, cheia de criancices, descobertas, brincadeiras, cada dia uma novidade, tudo perfeito... para se recordar. Tinha muita vontade de aprender a nadar nos córregos, então íamos pescar de peneira para engolir os peixinhos vivos. Eu engoli muito peixe vivo, mas nunca aprendi a nadar. Nos finais de semana, ajuntávamos a criançada, primos, vizinhos e brincávamos o tempo inteiro. Meu pai fez uma casinha com fogãozinho e a gente fazia comidinhas, às vezes de mentirinha, às vezes até de pedrinhas, comia como se fosse de verdade. Nossas mães davam os restos do almoço pra gente colocar nas panelinhas e nos pratos. Os pratos eram pedaços de louça. Todos os domingos aconteciam o batizado das bonecas que tinha até padre. O bom era que a gente considerava a comadre de verdade, fazíamos festinhas de aniversário das bonecas, as nossas mães também brincavam porque elas faziam bolinhos, docinhos, etc. Pulava corda até roxear as pernas e chupava limão com sal escondido, dentro do carro de boi que ficava sempre parado no barracão. Mamava no próprio peito da vaca o leite quentinho e andava a cavalo em pêlo, só com uma corda ou cipó no pescoço, até esfolar as nádegas. Certa vez Zezinho, Mariza e eu pegamos sarampo. Minha mãe foi nos dar um laxante (óleo de rícino) que eu não queria tomar. Levei uns bons tapas e, em seguida, tive que tentar tomar o tal óleo, mas aí eu comecei a vomitar. Minha mãe, então, vestiu uma meia do meu pai na minha mão, deume a chave da porta para segurar e mandou que eu virasse de uma vez o vidro do óleo na boca. Resultado: virei e não vomitei. Um dia uma Companhia de Reis foi almoçar na minha casa, com muita alegria e vários palhaços. Papai foi pra cozinha ajudar matar os frangos, etc. Criança naquela época só aparecia quando as visitas iam embora. Na minha casa trabalhava um rapaz, apelidado de Fio, que ajudava meu pai na roça e no retiro, rachava lenha, torrava e moia café, tratava das criações, etc. O Fio tinha uma bicicleta, que sonho! Eu morria de vontade de andar de bicicleta. Aí, pensei: - É 38 hoje! Enquanto a Folia de Reis almoça eu vou andar de bicicleta, está todo mundo distraído mesmo... Peguei a bicicleta, apoiei-a no passeio que descia pro curral, subi na bicicleta e soltei... Fui bater numa porteira e caí, torci o pé, levantei arrastando e puxando a bicicleta e fui chorar escondida dentro do carro de boi até a folia de Reis ir embora. E demorou tanto! Porque eles cantaram... cantaram de novo... Quando foram avisar pra minha mãe que eu estava machucada, o pé já estava inchado e preto, mas se não fosse a intervenção do Fio eu tinha levado uma surra daquelas. Só sei que mais tarde o Fio trocou de bicicleta e eu, até hoje, não aprendi a andar de bicicleta. Ah! No fundo da minha casa morava meu tio Neca, irmão de minha mãe, e tia Páscoa. Tia Páscoa era uma mulher muito humilde, simples mesmo, fumava cigarros de palha. Às vezes, ela fazia cigarros de palha sem fumo pra ensinar a meninada a fumar. A gente tentava soltar a fumaça pelo nariz, mas quase morria de tanto tossir. E pras nossas mães não sentir o cheiro ela mandava a gente soprar três cantos da parede e o cheiro sumia. Uma das lembranças tristes foi quando meu tio Neca foi ofendido por uma cobra. Nós, as crianças, estávamos brincando no barracão. Ouvimos uns gritos, saímos correndo e ainda vimos a cobra pendurada no braço dele! Depois meu pai começou a raspar no local com uma faca, minha mãe cozinhou ovo, e colocou os pedaços no local. O Fio saiu correndo pra chamar o vizinho que tinha carro para levá-lo à cidade mais próxima, mas nada adiantou, ele faleceu logo depois. E assim minha infância foi vivida com muita tranqüilidade, com limites, mas com muita responsabilidade. A criança obedecia aos pais, tios, avós e tinha o maior respeito pelos mais velhos. Adorava ir à cidade pra comer pão com salame, tomar guaraná, chupar picolé de groselha até a boca ficar vermelha. E, como a gente só andava de botina de goma, quando íamos para a cidade, calçávamos sandálias e podíamos dormir com a lâmpada acesa , pois na roça era só lamparina. Que delícia de vida! 39 A Boneca de Louça Maria Aparecida da Cunha Andrade. Tinha mais ou menos 5 anos quando, finalmente, ganhei de minha mãe a boneca de louça que tanto sonhava. Coloquei nela o nome de Belinha. Tinha vestido cor-de-rosa com bordados e um chapeuzinho na cabeça. A boneca vinha acompanhada de um carrinho para carregá-la. Um dia, fui brincar na casa de uma colega, a Izildinha, e levei a boneca e o carrinho. Quando cheguei à casa de minha colega, ela veio correndo ao meu encontro, tomou de minhas mãos a boneca com o carrinho e saiu correndo. Na correria, a Izildinha tropeçou e deixou a Belinha cair, quebrando o chapeuzinho e um bracinho. Peguei, então, a Belinha e o carrinho e voltei correndo e chorando para casa. Mesmo quebrada, guardei a Belinha por muito tempo e deste dia em diante não quis outra boneca. 40 As Pastorinhas Maria Rita Alves Grilo. Quem são? Onde estão? Nos idos de 1960 e uns, eu fui pastorinha num grupo coordenado por Dona Elza Barros. Como era lindo ser pastorinha! Nós cantávamos em igrejas, casas, fomos até em fazendas sob o patrocínio do Zote Moraes, na maior paciência, nos levando e trazendo pelos locais. Mas afinal, o que é ser Pastorinha?Noel Rosa descrevia as pastorinhas: “Linda Pastora, morena, da cor de Madalena” ... Eu não sei quem era Madalena, porém, imagino que seria seu amor e uma morena linda, como era lindo ser pastorinha. Tínhamos um uniforme em xadrez com avental branco, chapéu de palha enfeitado. Nossa missão era o que nos tornavam lindas! Cantávamos nos dias Natalinos, para homenagear o recém-nascido Menino Deus. Entrávamos enfileiradas duas a duas. Na frente, a Estrela Guia entoava um canto-convite para a visita e homenagem ao Menino Deus. A seguir, a pastora Briosa prestava sua homenagem, os Reis Magos faziam suas oferendas, os pastores em número de dois ou quatro também marcavam sua presença. O grupo finalizava com um cântico de despedida. Não era lindo? E o que me impressiona é a falta de interesse dos grupos políticos, comunitários e até mesmo religiosos, deixando cair no descaso uma apresentação tão significativa para a cristandade e para a sociedade. As Pastorinhas não são apenas apresentações folclóricas, com todo o respeito ao folclore, mas são homenagens que fazem renascer nos corações de crianças e jovens o amor e carinho devido à vida, à criança recém-nascida e ao Menino Deus. Para nós, que temos mais tempo vivido, é uma doce lembrança de uma era em que se dava valor ao folclore social e ao religioso, em que as apresentações eram tão bem preparadas pela coordenadora. Temos esperança de ver o resgate do nosso folclore, seja ele social ou religioso, dando às novas gerações a oportunidade de entenderem que as nossas lembranças e saudades existem porque tivemos nossa juventude no bem e na paz de Deus e das famílias, em sintonia com o Sagrado Universal. 41 Sonho de vida Adelaide da Penha Alves Existe uma grande diferença entre “sonho de sua vida” e “sonho do ideal da sua alma”. Minha vida sempre foi abençoada e tive quase tudo de bandeja, sem precisar me esforçar muito. Casa, comida, segurança e saúde, remédios, vitaminas, lombrigueiros, dentistas. Na escola, cadernos encapados, lápis e borracha, uma boa pasta e lanche todo dia. Minha mãe sempre me ajudou com a lição e por isso sempre fui bem na escola. Ao terminar a 4ª série, mamãe me colocou no ginásio, em Passos. Formei-me para professora e já arrumei trabalho pra lecionar. Fiz o concurso e passei em primeiro lugar. Fui efetivada e tive estabilidade profissional. Fui uma boa professora, querida por quase todos e me aposentei bem. No amor encontrei um moço lindo, honesto, trabalhador, sonhador e romântico, como eu. Amamo-nos, namoramos, noivamos e casamos. Tivemos problemas, mas graças a Deus, estamos juntos. Tivemos três lindos filhos: Túlio, Lívia e Bianca e até agora, dois netinhos: Gabriel e Maria Clara. Até hoje, nunca tive que lutar muito para ter o que tenho. Nunca sonhei muito e sempre aceitei o que a vida me deu. Nos meus sonhos de criança eu adorava balé e sempre ficava dançando em casa, na pontinha do pé. Sonhei várias vezes o mesmo sonho: Numa campina cheia de flores, eu queria cheirar e beijar a todas, para isso eu começava a saltar de flor em flor, como se fosse uma bailarina. E a cada salto eu ia mais alto, mais alto, quase voando. Era tão lindo que, em certo momento do sonho, eu realmente conseguia voar. Acordava emocionada e feliz. Parecia que eu tinha voado de verdade e aumentava minha vontade de ser bailarina. Só que não era uma vontade tão forte assim. Dentro de mim eu já achava que era impossível e cultivava esse sonho como apenas um sonho, um sonho bom de sonhar, nada mais. 42 Eu também adorava piano. Quando passava perto de uma casa onde alguém tocava, eu parava e ficava ouvindo. Uma vez ganhei um xilofone e aprendi sozinha a tocar algumas musiquinhas como: “Parabéns a você”. Em minha infância havia em Itaú uma pessoa que ensinava piano (D. Iracema) e depois na juventude, no colégio das irmãs (CIC), elas também ensinavam. Mas eu nunca pedi isso pra mamãe. No fundo eu sentia que pedir isso seria abusar, porque mamãe já se sacrificava muito por mim. Só o sonho já me bastava. Sonhei também em ser Psiquiatra. Outro sonho pelo qual nunca lutei por julgar impossível. No meu tempo nenhuma moça saia pra estudar fora, numa faculdade. Eu teria que fazer Medicina e depois, me formar em psiquiatria, num estudo que só tinha nas grandes capitais. Formar-me como professora -única opção da região- já era bom demais pra mim. Sempre fui conformada e tranqüila. No fundo da minha alma o que eu sempre quis foi ser importante pra alguém, ser essencial na vida de uma pessoa. O que eu sempre quis foi ser querida, ser amada. O que eu quero é que as pessoas gostem de mim. Só que eu nunca soube muito bem conquistar o amor ou a amizade de ninguém. Sempre tímida, sempre na retaguarda, sempre calada, fechada, insegura. Mas, aos poucos, estou aprendendo a ser melhor e que, para ser amada é preciso ser amável e saber amar primeiro. O que me motiva é a certeza de que se eu fizer apenas o que me dá vontade, vou isolar-me, dormir demais, comer demais, me exercitar de menos, ficar deprimida e só esperando a morte chegar, sem nenhuma qualidade de vida. Esforço-me pra fazer não o que quero, e sim o que é correto e me fará bem. Levantar cedo, caminhar, tomar sol, sair de casa, ver pessoas, conversar, conviver, ter atividade social e religiosa, ter compromissos e cumpri-los. Fazendo isso me sinto bem, levo uma vida mais saudável e minhas filhas e meu marido ficam satisfeitos comigo. Peço pra Jesus me dar força a cada dia. Onde quero chegar? Em muitas coisas eu já cheguei. Quero conservar o amor do meu marido pra ficarmos bem velhinhos e juntinhos, um sempre apoiando e dando apoio pro outro e que só a morte nos separe. Quero ser exemplo, apoio e porto seguro pras filhas, genros e netos. Quero envelhecer devagar, com qualidade de vida, dignidade e vida própria, sem dar trabalho pros outros. 43 Quero morrer com dignidade, lúcida, sem muito sofrimento e rapidamente. Quero deixar boas lembranças. Antes de ir quero ter tempo pra melhorar muito, rezar muito e ser merecedora de um lugarzinho no céu. Quero cantar o que ainda não cantei, antes que minha voz enfraqueça. Ir a bailes e dançar antes que minhas pernas enfraqueçam e eu perca o equilíbrio. Quero ler ótimos livros e ver bons filmes enquanto meus olhos conseguirem ver. Quero fazer ainda algumas boas viagens e passeios, mas não quero ficar gastando demais. Quero uma boa poupança para minha velhice segura. Ainda e sempre, quero ser útil, bondosa, alegre, ajudar a quem precisar, ter sempre uma palavra boa para todos, ser agradecidas por tudo e por nada. Não me tornar uma velha chata, rabugenta, implicante e que só sabe falar de suas doenças. Quero esquecer do meu egoísmo, amar Jesus que está na figura do meu próximo, e morrer em paz, com a sensação do dever cumprido. Saber que combati o bom combate... Amém! 44 Mensagem para o Dia das Mães Você não tem noção do bem que nos faz. Você é para nós: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove. Que o Espírito Santo esteja iluminando-a, para que a sua luz resplandeça em nós, alunas, a alegria de estar com você às terças e quintas, encontros produtivos, agradáveis que nos proporcionam bem-estar, alegria, felicidade. Dão-nos oportunidade de reviver nossas raízes e nossas estórias. Obrigada Leila, por nos fazer reativar nossa memória, buscando lembranças que já ficaram esquecidas, apagadas. Você nos deu um sopro de vida. OBRIGADA, FELIZ DIA DAS MÃES! DE SUAS ALUNAS. Da aluna: Zulma Terezinha Lara 08-05-08