Manuais de Jornalismo de Investigação Como usar estes capítulos Bem-vindos aos Manuais de Jornalismo de Investigação! E stes capítulos sobre o jornalismo de investigação estão disponíveis em três formatos: os ficheiros em PDF que está a ler pela internet, CD, ou suporte papel. Se tiver uma versão em papel, poderá fazer apontamentos nas margens ao percorrer o texto; se não for este o formato à sua disposição, recomendamos que faça a leitura com um bloco de notas e esferográfica ao seu lado, de modo a poder apontar as suas opiniões e perguntas, conforme for avançando. Estes primeiros capítulos representam o cerne do que está previsto como um guia de jornalismo de investigação que pretendemos aprofundar no decorrer dos próximos dois anos. Para começar, reunimos os factores essenciais: definições das expressões empregues neste domínio, e algumas técnicas e recursos importantes. Ao longo do tempo, pretendemos ampliar esta oferta com uma série de suplementos em matéria do trabalho de investigação em domínios específicos, como a política e o desenvolvimento, ou em países particulares, ou em certos tipos de instituições. Todos estarão à disposição na Internet, para leitura e estudo. Os primeiros oito capítulos aqui apresentados foram concebidos para responder às perguntas de todos em relação à reportagem de investigação, designadamente: Capítulo 1: O que é jornalismo de investigação Em que consiste o jornalismo de investigação e qual o seu valor? Capítulo 2: Concepção de ideias para uma reportagem Como encontro tópicos merecedores de investigação? Capítulo 3: Planeando a investigação Como realizo uma investigação? Capítulo 4: Fontes e manipuladores da verdade Como reajo a pessoas que me apresentam denúncias? Capítulo 5: Entrevistas forenses Como assegurar uma resposta apropriada à minha pergunta? Capítulo 6: Ferramentas básicas de investigação Como encontrar e fazer sentido dos dados? Capítulo 7: Redacção do texto Como apresentar as minhas conclusões ao meu púbico? Capítulo 8: Aspectos legais e deontológicos da investigação Quais os valores que devo adoptar enquanto repórter de investigação? Lista de leitura e ligações Como aprofundo os meus conhecimentos? Se possuir conhecimentos e/ou experiência sólidos do jornalismo e pretende apenas aprofundar os seus conhecimentos com respeito a um destes tópicos, pode saltar directamente para o respectivo capítulo e utilizá-lo como guia autónomo. Mas, se tiver iniciado há pouco o seu percurso pelo jornalismo ou investigação, recomendamos que estude todos os capítulos na ordem em que são apresentados, pois são complementares e foram concebidos para alargar os seus conhecimentos da reportagem em geral, e das técnicas especializadas de investigação. Como usar estes capítulos Se os capítulos estiverem a ser estudados como parte de um programa didáctico em matéria do jornalismo, o leitor ou orientador irá assinalar as secções que devem ser consultadas, e pode até sugerir exercícios alternativos mais ligados ao contexto jornalístico dos formandos. Mas também podem ser empregues num programa de estudo independente, e estes apontamentos proporcionam algumas orientações para esse fim. Todos os capítulos seguem o mesmo formato. Começam com os objectivos de aprendizagem; o que os formandos estarão em condições de fazer ou irão conhecer melhor depois de concluírem o seu estudo. Depois, seguem informações e exercícios destinados a aprofundar os conhecimentos e promover reflexão através dos debates. Os exercícios indicam o tempo para a finalização dos mesmos, e todas as questões neles levantadas serão respondidas mais adiante no capítulo. Recomendamos que se esforce por completar os exercícios e que aponte as suas respostas no prazo indicado, pois visam sublinhar os aspectos tratados no capítulo. Os estudos de caso demonstram como os jornalistas africanos, nos tempos recentes, têm abordado matérias específicas, e os jornalistas explicam como abordaram a tarefa e lidaram com os problemas, assim como as lições que aprenderam. Depois, em função da matéria, são oferecidas dicas e sugestões, algumas das quais são específicas a um país. Um resumo no fim do capítulo ajuda a fazer a revisão do que leu, com referência a leitura adicional de interesse, Todos os textos para leitura, e outras referências, estão consolidados na lista de leitura no fim do Capítulo 4. Acho que não tenho tempo nem paciência para o estudo independente; de qualquer forma, estou fora de prática! Esqueça-se de todas as noções acerca do estudo que o desencorajaram no passado. O estudo independente é diferente. Está a fazê-lo porque há algo que quer descobrir ou dominar, e é você, enquanto adulto autónomo, que define as regras. Seguem algumas dicas úteis, fundamentadas nas descobertas feitas pelos alunos de programas de ensino à distância, para se manter motivado e focado. Planeie o seu tempo. Para quem esteja a trabalhar com prazos curtos numa sala de redacção caracterizada pela escassez de recursos humanos e materiais, nem sempre é fácil encontrar tempo para estudar um capítulo na sua totalidade. Assim, veja o trabalho que agendou para uma semana, e encontre períodos curtos (20-30 minutos) aqui e ali. Encontrará que é mais estimulante estudar umas poucas páginas de cada vez, do que tentar assimilar todo um capítulo e não conseguir. Mas tente adoptar o hábito de fazer uma leitura regular. Defina objectivos. Como diz o ditado: “Como se come um elefante? Pedaço a pedaço!” Por outras palavras, embora pretenda dominar todos os aspectos relacionados com a reportagem de investigação, será mais eficiente se aumentasse os seus conhecimentos em pequenas doses. Consolide-os antes de prosseguir. Refira-se aos objectivos de aprendizagem no começo de cada capítulo para definir as suas prioridades em relação aos conhecimentos que pretende adquirir. Mantenha registos. Faça apontamentos daquilo que lê, dos exercícios que completou, dos objectivos que alcançou e das questões que tenham surgido. Guarde-os para referência no futuro: quer sejam folhas de papel numa pasta, ou ficheiro digital no seu computador. Isto ajuda a fazer o acompanhamento da sua aprendizagem e do seu progresso – e será muito útil para comprovar que empreendeu o estudo na promoção da sua carreira. Trabalhe com amigos ou colegas. O sentimento de isolamento é muito desanimador para quem estuda a sós. Se tiver colegas na sua sala de redacção ou amigos que possuam os mesmos interesses, trabalhe com eles. De vez em quando, durante a hora do almoço, discutam o que leram e como está relacionado com aspectos correntes no 2 Como usar estes capítulos vosso próprio contexto ou com as matérias que estão a investigar. O fim do Capítulo 4 contém uma lista de organizações africanas e internacionais de jornalistas e, se as circunstâncias em que se encontra exigirem que trabalhe a sós, poderá recorrer a essas fontes para estabelecer relações de apoio por telefone ou correio electrónico com outros jornalistas também empenhados na reportagem de investigação, por exemplo através do Fórum dos Jornalistas de Investigação Africanos (FAIR). Encontre um mentor. O melhor apoio é um colega jornalista mais experiente, que respeita, e que se prontifica a orientá-lo. Essa pessoa, mesmo que não seja docente, ou não esteja interessado em ler estes capítulos, pode partilhar consigo tudo quanto aprendeu durante o seu percurso profissional e oferecer as suas opiniões em relação às suas ideias. Seja honesto e positivo em relação a problemas. Às vezes, sentir-se-á demasiado cansado ou ocupado para fazer o que tinha planeado para esse dia: não consegue acabar um exercício ou completar o capítulo. Isto sucede a todos de vez em quando. Em vez de usar isto como pretexto para desistir, pondere o que fez surgir o problema e se será possível evitá-lo para a próxima vez. Depois, comece de novo na manhã seguinte. Recompense-se. Pense em pequenos incentivos para alcançar os objectivos que definiu: um almoço descontraído, por exemplo, na semana em que completar um capítulo. Mas o maior incentivo de todos é ver a sua reportagem de investigação publicada, e saber que contribuiu para corrigir alguns males ou gerar um debate em torno de um tópico previamente imperceptível: é isso que, feitas as contas, estes capítulos visam ajudá-lo a fazer. 3