Introdução Todos os músicos a dada altura do seu percurso quiseram aprender músicas de outras bandas ou artistas. E se por um lado tentar descobrir os acordes por meio próprio é um ótimo meio de progressão, pode ser frustrante deixar de tocar uma música só porque se está encalhado em determinado ponto, ou porque não se sabe fazer este ou quele acorde. Além disso ter uma tablatura ou partitura serve sempre pelo menos como meio de confirmação. Nós em Anaquim não somos exceção. Por isso decidimos fazer este livro para que as pessoas possam aprender as nossas músicas da maneira que elas foram gravadas em disco. Claro que isto não invalida que façam as vossas próprias versões dos nossos temas, mudando os ritmos ou as progressões harmónicas. O que interessa é ter a coragem de as interpretar. Afinal de contas as músicas nascem por obra de uns quantos, mas vivem por obra de muitos mais. De resto, divirtam-se! José Rebola Prefácio Todos os músicas músicos de a outras dada altura bandas ou do seu artistas. percurso E se quiseram por um aprender lado tentar descobrir os acordes por meio próprio é um ótimo modo de progressão, pode ser frustrante deixar de tocar uma música só porque se está ‘encalhado’ em determinado ponto ou porque não se sabe fazer este ou aquele acorde. Além disso ter uma tablatura ou partitura serve sempre, pelo menos, como meio de confirmação. Nós em Anaquim não somos exceção… Por isso decidimos fazer este livro, para que as pessoas possam aprender as nossas músicas da maneira que elas foram gravadas em disco. Claro que isto não invalida que façam as vossas próprias versões dos nossos temas, mudando os ritmos ou as progressões interpretar. harmónicas. Afinal de O que contas, interessa as músicas é ter nascem a coragem por obra de de as uns quantos, mas vivem por obra de muitos mais. Divirtam-se! ANAQUIM 2 Índice Índice …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Considerações ………………………………………………………………………………………………………………………………………… As Vidas dos Outros ………………………………………………………………………………………………………………………… Horas Vagas ……………………………………………………………………………………………………………………………………………… Lídia ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Lusíadas ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Chama-me Vida ………………………………………………………………………………………………………………………………………… Na Minha Rua …………………………………………………………………………………………………………………………………………… O Meu Coração ………………………………………………………………………………………………………………………………………… Balalaikas ………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Bocados de Mim ……………………………………………………………………………………………………………………………………… Monstros ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Saltimbanco ……………………………………………………………………………………………………………………………………………… Vampiros ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Metamorfose ……………………………………………………………………………………………………………………………………………… Pobre Velho Louco ……………………………………………………………………………………………………………………………… A Morte Saiu à Rua …………………………………………………………………………………………………………………………… Tom Sawyer ………………………………………………………………………………………………………………………………………………… 3 4 5 10 13 18 21 24 28 32 38 41 46 50 54 58 62 64 3 Considerações Os acordes (ou cifras) encontram-se no sistema anglo-saxónico, cuja correspondência com o nosso é a seguinte: A – Lá ; B – Si ; C – Dó ; D – Ré ; E – Mi ; F – Fá ; G – Sol Os diagramas dos acordes são apenas sugestões, havendo sempre formas alternativas de os fazer. Pressupõe-se alguma familiarização com as tablaturas de guitarra. Em caso de dúvida, consultem, por exemplo, os seguintes sites: http://alunos.lis.ulusiada.pt/11064601/comolertab.htm (em português) http://www.ultimateguitar.com/lessons/for_beginners/guide_to_tab_notation.html?no_takeover (em inglês) Apresentam-se aqui as harmonias originais mas elas podem, em alguns casos, ser simplificadas. Como exemplo, acordes de sétima (C7) ou nona (C9) podem ser simplificados por acordes maiores normais (C). Nota para os acordes diminutos, cuja representação é feita por „dim‟ ou pelo símbolo correspondente „º‟, sendo as duas formas equivalentes. Confiem nos vossos ouvidos mas, para esclarecimento dúvida, não hesitem em contactar-nos via facebook… de qualquer https://www.facebook.com/anaquimbanda 4 5 As Vidas dos Outros Intro (VER TABLATURA): B7 E C E C# F#9 C7 B7 E C E C# F#9 C7 B7 E C#7 F#9 B7 Verso: E A B Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros E Am B Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros G#m F# Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim E F# Am B É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado Deita-se desnuda e não desgruda até me ter vergado Ponte: G#7 C#m É tão simples quando estou de fora G#7 C#m A ver passar as nuvens pelo ar D C#m Aplaudir, rever-me e concluir F#m G# Que eu também já lá estive e... F#m G# C#m Já soube ultrapassar G#7 C#m Só a mim é que ninguém me entende G#7 C#m e a minha dor não tem como acabar D C#m Ai quão melhor era acordar um dia F#m G# A B E E ter as vidas dos outros todas em meu lugar 6 Refrão: E C As vidas dos outros, nunca me soam mal E C# Vêem problemas no que é no fundo normal F#9 C7 B7 Ai se eles soubessem como é viver assim E C#7 F#9 B As vidas dos outros são tão simples para mim E C As vidas dos outros, nunca me soam mal E C# Vêem problemas no que é no fundo normal F#9 C7 B7 Ai se eles soubessem como é viver assim E C#7 F#9 B As vidas dos outros são tão simples para mim E C#7 F#9 B E As vidas dos outros são tão simples para mim Interlúdio: E A B E C#m A B E Verso: Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros Sempre me sei comportar nas vidas dos outros Volta, revolta, o melhor está para vir Solta tudo agora, não demora tornas a sorrir Eu sou tão bom a apagar qualquer mau momento Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar A solução é procurar Paragem: E F# Eu sou tão bom a falar,eu sou tão bom a cantar Am B eu sou tão bom a contar as vidas dos outros E F# Eu sou tão bom a falar, Eu sou tão bom a curar Am B7 Tudo menos o meu próprio mal 7 Refrão: As vidas dos outros, nunca me soam mal Vêem problemas no que é no fundo normal Ai se eles soubessem como é viver assim As vidas dos outros são tão simples para mim As vidas dos outros, nunca me soam mal Vêem problemas no que é no fundo normal Ai se eles soubessem como é viver assim As vidas dos outros são tão simples para mim Final: E A B E 8 9 10 Horas Vagas Intro: Bm A D F# Bm Bm A D F# G F# Bm Bm A D F# Bm Bm A D F# G F# Bm Em F Em B Em F G F# F F# G F# Bm F Bm F Bm F Bm A7 Verso: D Pus as mãos à frente p‟ra não perceber D Tentei que o segredo fosse esconder Bb A D Que há quem diga que a vida é dos outros, estão loucos Mas não evito que essa ideia cresça em mim Eu próprio já pensei que fosse assim Tudo um grande embuste de quem chora, agora Ponte: Bb A D Temo que a razão se escape a quem teimar em não mudar Bb A D E Filhos da caverna que outros ajudaram a povoar Gm A F# Bm De um irrespirável ar, que canta e dança e entretém quem vem C# Mas sempre insiste, que só ele existe, G F# Bm e ai de quem negar tê-lo por rei A7 Verso: Saibam que eu nem sempre fui um escravo fiel Noutros tempos tive o meu papel De Messias estereotipado, moldado Mas nada reneguei por me julgar sozinho, Senão ainda me perdia p‟lo caminho É que as indicações são pouco claras, e raras 11 Ponte: Só nas horas vagas eu desperto e vejo, o que desejo Só nessas horas vagas novas sombras são cativa ilusão De uma outra criação, que canta e dança e entretém quem vem E ainda que teime, que só ela reine, de bom grado a aceito como lei Interlúdio: Bm C# Mas não vou conseguir, se não chegar a entender Em F# Bm Se é má vontade ou simples tradição sofrer Bm C# Eu não vou muito longe, nesta incerta viagem Em F# Bm Se o combustível for minha coragem Encosto-me a dormir e a aceitar o que nego Qualquer paisagem serve a um olhar cego E é melhor esquecer que já tive outra prece, Que a vida bem premeia quem merece Final: Bm C# Como animais, como animais, Em F# Bm vou-me curar do vício de querer sempre mais Bm C# Em F# Bm Como animais, como animais, enquanto ainda não é tarde de mais Bm C# Como animais, como animais, Em F# Bm curei-me do desejo de querer sempre mais Bm C# Em F# Bm6 Bm Como animais, como animais, enquanto ainda não é tarde de mais 12 13 Lídia Intro: (VER TABLATURA) Dm Eº Dm/F Eº x4 Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº A A Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Eº Dm A A Dm Parte 1: Dm Gm A Quem te falou em escolhas certas mentiu-te Dm Gm A Quem te apontou caminhos sem os percorrer Dm Gm C F Quem te mostrou suas aguarelas nas telas pintadas Bb Eº A por uma só forma de ver Dm Gm A Quem te falou numa verdade enganou-te Dm Gm A Há mais verdades escondidas por aí Dm Dm Dm Gm A Somos voláteis somos feitos de contrários Dm Gm A Dm Somos todos santos somos todos mercenários Ponte: Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Eº Sa- cri - fi - co minha vontade, Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº A A por um tiro no escuro que nos deixa sós Dm Eº Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Eº Custa ver que na reali–da-de Dm Eº Dm/F Eº Dm A Dm o tiro não foi no escuro o tiro foi em nós Não pretendo não fazer erros, vou aprendendo com o mal que trago em mim E se aprendo sinto-me gente, que só é gente quem consegue ser assim 14 Refrão: Dm Bb Eº Alguém, A Dm que vendo o mal nunca está bem A Dm Bb Que vendo o mal nunca está bem, A Dm que vendo o mal nunca está bem Dm Bb Eº Alguém, Bb Eº Bb Eº Eº Bb Eº A A Dm que vendo o mal nunca está bem A Dm Bb Que vendo o mal nunca está bem, Eº A que vendo o mal nunca está Dm Eº Dm/F Eº Dm bem Eº Dm/F Eº Dm Eº Dm/F Eº Dm A Dm Parte 2: Dm Alguém me disse que a vida passa a correr Gm Dm E A E eu fui na corrida sem sequer me aperceber Dm Alguém me disse que a vida passa a correr Gm Dm A Dm E eu fui na corrida sem parar p‟ra abastecer Dm C Bb F A vida são dois dias disse um homem já maduro Gm Dm E A Tive um ontem e hoje o mais certo é não ter futuro Dm C Bb F O velho do Restelo diz que a vida são dois dias Gm Dm A Dm E entre o choro e o riso eu não deixei horas vazias 15 Parte 3: Dm A7 Dm Lídia enlacemos as mãos vamos ficar então A7 somente a ver passar o rio Dm A7 Dm Lídia joguemos xadrez façamos isso em vez A7 de dar à guerra o nosso brio Dm A7 Dm Lídia, sejamos alheios aos desgostos feios A7 de quem já não quer quem tem Dm A7 Dm Mas Lídia,eu sinto-me vazio a ver passar o rio, A sem te ter nem fazer por ser Refrão: Alguém, que vendo o mal nunca está bem Que vendo o mal nunca está bem, que vendo o mal nunca está bem Alguém, cuja maldição afinal Está nessa fraqueza carnal, de querer o bem e ter o mal 16 17 18 Lusíadas Intro: D D G A A x3 Verso: D B E Este é o nosso triste fado, A G# G F# Do vamos andando e do pobre coitado F# Bm Velha canção em que a culpa é do estado Bb A Por ser o espelho do reinado E a história, por mais do que uma vez Foi mais cruel que a de Pedro e Inês Levou-nos o que tanta falta nos fez, Sem deixar razões ou porquês Ponte: Bm Temos fuga ao fisco, estradas de alto risco E Temos valiosos costumes e tradições D A Que eu não percebo, se nos maldizemos, quais as razões? Temos chicos espertos, burlas e protestos Temos tantos motivos p‟ra sorrir Que eu nem imagino qual será a desculpa que vem a seguir… Refrão: D C# D C# C B Gosto tanto deste país, só não entendo o que o faz feliz E Se é rir da miséria de outros, quando a vemos A A7 Ou chorar da nossa própria, quando a temos 19 D C# C C# C B Gosto tanto deste país, só não entendo quando ele se diz E Senhor de um futuro maturo, duro mas seguro A D Eu juro que ainda não o vi Interlúdio: D D G A x3 A Bbº Bm Parte 2: Bm Os queixumes, sei-os de cor E Endereçados, a Nosso Senhor D Intercalados, com suspiro ou dor A De um bom sofredor. Dentro de momentos, seguem-se os lamentos Não há dinheiro p‟rós medicamentos Não há dinheiro p‟ra tantos sustentos Tão longe vão outros tempos Solo 1 e 2: (igual a verso) Solo 3 e 4: (igual a ponte) Refrão: Gosto tanto deste país, só não entendo o que o faz feliz Se é rir da miséria de outros, quando a vemos Ou chorar da nossa própria, quando a temos Gosto tanto deste país, só não entendo quando ele se diz Senhor de um futuro maturo, duro mas seguro Eu juro que ainda não o vi 20 21 Chama-me Vida Intro: Am Am Bm7(b5) E Dm Am Bm7(b5) E Am E Verso: Am Cada dia era um dia, cada hora dizia G C E Am Algo novo sobre ser mulher, sobre ser maior Dm E Sobre o medo e o amor Am Cada olhar, cada adeus, cada gesto dos seus G C E Am Era luz, era choro, era canto, era pouco e era tanto Dm E Do seu manto de cor Ponte: B F#m C#m E no fundo a fobia da ancoragem, essa eterna viagem D A F A Bem tentava curar, p‟ra ter algo de seu D A F E Am Mas só no nada querer, ela nada perdeu Bm7(b5) E (Toda a gente dizia) Refrão: Am Dm Suga-me até ao tutano e chama-me vida E Am Deixa-me ser a paragem da tua corrida Am/G Am/F# F Dm Mesmo os rios mais inquietos descansam num mar E Am Não quero que um dia caias de tanto voar Bm7(b5) E (E ela respondia) 22 Am Dm Voo porque lá em cima me deixam sonhar E Am Cada paragem que faço é só p‟ra descansar Am/G Am/F# F Dm Mas levo tudo em minhas águas, não quero apagar-te E Am Chamo-te vida se dela quiseres fazer parte Bm7(b5) E Interludio: (igual à intro) Verso: Cada chão era um palco, cada rua um teatro Mesmo o erro era um sábio juízo e ao chorar com um sorriso Era fácil sofrer Se temia arriscava, se gostava beijava Sem qualquer preconceito a mensagem que à sua passagem Ensinava a viver Solo: (igual à ponte) Refrão: Suga-me até ao tutano e chama-me vida Deixa-me ser a paragem da tua corrida Mesmo os rios mais inquietos descansam num mar Não quero que um dia caias de tanto voar Voo porque lá em Cada paragem que Mas levo tudo em Chamo-te vida se cima me deixam sonhar faço é só p‟ra descansar minhas águas, não quero apagar-te dela quiseres fazer parte Final: (igual à intro) 23 24 Na Minha Rua Intro: (VER TABLATURA) Cm Verso: Cm Na minha rua, há restos de vidas Cm Restos de famílias de mães desaparecidas G#7 G7 E outras há que deram vida às vidas que por ali param G#7 G7 Vindas de passagem e de passagem lá ficaram Na minha rua há restos de cartazes Restos de eleições, de “sim ao aborto” e outras frases Que eu não votei mas fiz pressão p‟ra que outro alguém votasse E a minha consciência passa a vida num impasse Refrão: Cm G D# F G#7 Na minha rua há restos de mim por todo o lado G7 Espalhados pelo tempo e pelo espaço Cm G D# F G#7 Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte G7 Rasgados e atirados pelo ar Paragem: Cm Verso: Na minha rua há restos de namoros De beijos e abraços de zangas e desaforos E eu não tive ninguém que se dignasse a odiar-me No meu mau feitio de preguiça, humor e charme Na minha rua há restos de noites, Restos de garrafas, bebedeiras e açoites Gemidos disfarçados p‟la euforia dos turistas À porta de boîtes tão baratas como ariscas 25 Refrão: Na minha rua há restos de mim por todo o lado Espalhados pelo tempo e pelo espaço Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte Rasgados e atirados pelo ar Solo: (igual a verso) Refrão: Na minha rua há restos de mim por todo o lado Espalhados pelo tempo e pelo espaço Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte Rasgados e atirados pelo ar Final: Cm F É tão bom saber que há vida assim Cm F Ai faz tão bem, saber com quem contar D# D Eu quero ir, poder então fugir G# G É bom p‟ra mim é bom p‟ra quem tão bem me quer 26 27 28 O Meu Coração Intro: (VER TABLATURA) G D 4x Verso: G D O meu coração é um viajante, G D que se entrega num instante por aí aonde for G D Acha que sabe bem o que eu preciso, G D prende-se a qualquer sorriso, sem motivos de maior G D G D O meu coração é inocente, pensa que a vida é um mar de rosas A D A D Mas eu que vi espinhos em toda a gente, afasto essas certezas duvidosas O meu coração é um bicho muito estranho que se esconde e não responde a quem chamar Alérgico ao exterior vive na toca, onde se esconde e sufoca por não ver entrar o ar O meu coração vive trancado, diz-se que atirou a chave ao mar E eu que a procurei por todo o lado, só me resta assim continuar Refrão: G D Coração triste, não me arrastes em teu passo G D Meu corpo insiste em decidir o que faço Am B7 Em D/F# G Se eu vir que sim tu vires que não eu cá vou bem sem coração A D Entre o morrer de amor e o viver nesta prisão G D Coração louco, não me imponhas o teu vício G D Que a pouco e pouco, vou cedendo ao sacrifício Am B7 Em D/F# G É que eu sei bem que se acordares e procurares por aí, A D G encontras outro coração p‟ra ti 29 Verso: O meu coração é uma criança, ansiosa pela dança de quem lhe estender a mão Mas este é caprichoso e corrosivo, analista compulsivo que não chega à conclusão O meu coração segue as novelas, jubila com as falas das actrizes O meu carrega histórias de mazelas, e afasta-se desses finais felizes Refrão Interludio: G G A D7 2x Ponte: Em B7 Falei primeiro a bem por ser assunto de respeito B7 Em Mas não me deu ouvidos, prosseguiu naquele jeito Am Em Mudei p‟rás ameaças, tentei que usasse a razão F# B Mas é palavra estranha p‟ró meu pobre coração Em B7 Farta desses maus tratos fiz as malas e parti B7 Em E logo te encontrei com o mesmo mal de que eu sofri Am Em A mesma frustração, a mesma pose, o mesmo olhar F# B E em teu toque senti no meu corpo outro pulsar Am G Juntos rimos de tudo só chorámos nas novelas F B7 Fingimos ser crianças e dançámos como elas Am G Perdemos noite e dia, e entre histórias e canções D Juntámos nomes, gostos e moradas, e quase sem dar por nada encontrámos corações Refrão Final G D (7x) G 30 31 32 33 34 35 36 37 38 Bocados de Mim (só vozes) Eu gostava de ser dessas pessoas positivas que andam pela vida cheias de planos p‟ra amanhã Que dizem frases feitas mas têm suas próprias manias e as outras gostam delas porque elas são mesmo assim Eu gostava que no fundo o mundo fosse simples, que o dia fosse um barco e a noite fosse um cais Se tudo fosse sim ou não p‟ra mim era mais fácil e eu não tinha que magoar as pessoas que gosto mais Verso: D G Eu gostava de ser mais ajuda p‟rá família, Em A de aprender a fazer bolos em casa da minha avó D G Porque ela me quer lá e até faz alguns petiscos Em A co‟a minha mãe a ajudar p‟ra que ela não se sinta só D G Eu gostava de me lembrar mais de algumas coisas Em A que a vida foi levando em tratamentos de choque D G De me recordar de cheiros, de barulhos Em A D e dos discos com que a minha irmã me ensinou a ser alguém do rock Ponte: Bm F#m Mas ando pela vida feito placa de auto-estrada, G D A que ensina o caminho aos outros mas pouco sabe de si Bm F#m Mas ando pela vida por ver andar meus amigos, G Em A D e confesso que por vê-los nem me custa andar aí Interlúdio: D G A G A D 2x 39 Verso: Eu gostava de ser um assunto mais peculiar, como o blog da Filipa e os textos que lá diz Qualquer coisa que tivesse algum efeito nas pessoas como os poemas da Inês ou as anedotas do Luís Eu gostava de me dedicar aos trocadilhos, que me fazem perder tempo e não fazem rir ninguém Porque há coisas que não são p‟ra rir são só para ter pinta já dizia o meu pai e eu só agora entendi bem Ponte: Mas sem Mas que ando pela vida cinzentão e esbatido, ter a coragem de convidar gente p‟ra dançar ando pela vida sem ter a lata do Hugo, é capaz de fazer tudo para a malta se animar Interlúdio Verso: Eu gostava de saber explicar bem o que sinto, de não mentir como minto quando digo que estou bem Porque todos temos dores e para cheirar as flores desbravamos os caminhos com a ajuda de quem vem Eu gostava de ser qualquer coisa mais bonita, fosse o sorriso da Rita fosse o carinho da Rute De lutar cegamente por aquilo em que se acredita porque há lutas que se perdem mas precisam que alguém lute Ponte: Mas ando pela vida às vezes sem ser sincero, isso lá me vai custando quando é hora de deitar Finjo ser a pessoa que eu quero que os outros gostem, e acabo a não ser nada que valha a pena gostar Final: G A D G A D São só bocados de mim, são só bocados de nós G A Bm G Em A D São só bocados que eu enfim, deixei ir na minha voz São só bocados de mim, são só bocados de nós São só bocados que eu enfim, deixei ir na minha voz Fim: D A D A D A D 40 41 Monstros Intro baixo (VER TABLATURA – compassos 1-8): Dm C Bb A Dm F Bb A Dm C Bb A Dm F Bb A Riff1 (VER TABLATURA – compassos 9-17): Dm C Bb A x4 Verso: Dm C Bb A Eu não acredito que seja abençoado Dm C Bb A Se alguém me enfeitiçou foi o próprio Diabo Dm F G A Coitado! Que feitiço tão mal empregue… Dm Bb A Dm Podia tê-lo guardado para o Sr. que se segue Leva a tua avante que eu levo a minha cruz Troco o masoquismo por alguém que me seduz E a luz, que nunca chega a ser a minha Ofusca nos momentos em que a razão me convinha Ponte: Gm Dm Não queiras salvar alguém que nasce condenado Gm Bb Ab A Dm Não queiras a calma de uma alma enforcada na negação de si Riff2 (solo): Dm C Bb A x3 Dm C Bb 42 Refrão: A Dm A Dm Mas bem lá no fundo, sei que há mais no mundo Gm C F E Que escapam aos padrões ditos normais, e banais A Dm A Dm Incompreendidos, auto-excluídos F C Bb A D5 Monstros com bocados a menos, com pecados a mais D5b F C Bb A D5 Monstros com bocados a menos, com pecados a mais D5b Riff1: (igual à intro) Verso: Eu não acredito na bela sem senão Vivo iludido com a própria ilusão E não me digam que ela não existe O mundo ao fim ao cabo é de quem lhe resiste Leva a tua avante que eu levo o que restou Que interessa o que seria se não fosse como sou Não vou modificar minha vontade Só porque mais ninguém lhe vê um véu de verdade Ponte: Não queiras o hoje de um eterno insatisfeito Amanhã a fúria de um mundo imperfeito volta p‟ra se vingar em ti Riff2 Refrão: Mas bem lá no fundo, sei que há mais no mundo Que escapam aos padrões ditos normais, e banais São postos de lado, marginalizados Monstros com bocados a menos, com pecados a mais (3x) 43 44 45 46 Saltimbanco Riff: Am Am Dm Dm Am Am Dm Dm Am Am B7 Dm E E Am Verso: Am O meu destino é simplesmente andar p‟lo mundo Dm E Pode não ser profunda esta tarefa que me escolhem, em que me acolhem, Am onde tudo dura um segundo Am A minha vida é simplesmente ler poemas, Dm E Filmes de cinema com finais já conhecidos, fazer ruídos Am Am/G F E Am Para ouvidos incompreendidos, numa tentativa de atenção Ponte: Dm E Incaracteristicamente falando eu gosto, F C e o gosto dos outros se é bom gosto é meu também E Am Am/G Se ouvir ensina eu aprendo mais do que é preciso, F E Am sem ter que dar lições p‟ra ninguém Insuspeitamente falando até aposto, virão melhores dias do que o dia que aí vem Mas sem degraus uma escada é parede e não caminho valem pelo uso que eles têm Riff 47 Verso: A minha vida é terreno fronteiriço, Onde o dia acaba e a noite continua, pesada e nua Queimando seu fogo mortiço A minha vida é de versos e reversos, Propósitos imersos sob o manto da rotina Que recrimina qualquer impulso que lhe fuja ao braço Por ter medo dos que o seguirão Ponte: Incaracteristicamente eu contribuo P‟ra qualquer conluio que faça frente à razão Se serão bons é coisa que ainda ninguém sabe ao certo, Mas decerto piores não serão Mas inequivocamente haja a lembrança Que são más as mudanças para a mesma condição Qualquer destino é melhor do que o de um saltimbanco Que anda sem nunca ter o seu chão Riff final: Am Am Am Dm Dm Am Am Dm Dm Am Am B7 Dm E E Dm E F E Dm E Am 48 49 50 Vampiros Intro (VER TABLATURA): B7 Em Em C B7 Em Cº x4 Verso: Em Reza a história que os vampiros já cansados D Em Retornaram ao covil p‟la madrugada Am Em E entre brumas e despojos retrataram C B7 Cicatrizes de uma luta atribulada Em Mas o mal nunca dorme e pouco descansa D Em Que a vingança nunca espera por ninguém Am Em E é ponto certo que ao vir outro dia D C B7 Em outra noite virá também Riff 1: Em Cº B7 Em Em Cº B7 Em Em Em B7 Em Verso: Bem astutos disfarçaram os seus dentes E vestiram outra pele e outra cara Enganavam à primeira vista os crentes Enganavam em quem Deus acreditara E ao saírem Prontamente E o sorriso Pelo sangue para a rua a seu contento a cidade lhes sorriu transformou-se num lamento que lhes fugiu Riff 2: Em Cº B7 Em Em Cº B7 Em Em Cº B7 Em B7 Em 51 Refrão: D G Tem cuidado que aos morcegos nada escapa B7 Em e da sua capa espreitam quem F Em Lhes franqueia as suas portas à chegada B7 Em na inocência de lhes querer bem D G E à cautela vai olhando pelos espelhos B7 Em com uma estaca pronta a usar F Em É que os vampiros hoje em dia nada temem D C B7 Em e bebem sangue do mesmo mar Riff3: Em Cº B7 Em Em Em Cº B7 Em C B7 Em Cº B7 Em x4 Solo: Em Am C F B7 Em Em Am Am C F B7 Refrão: Tem cuidado que aos morcegos nada escapa e da sua capa espreitam quem Lhes franqueia as suas portas à chegada na inocência de lhes querer bem E à cautela vai olhando pelos espelhos com uma estaca pronta a usar É que os vampiros hoje em dia nada temem e bebem sangue do mesmo mar 52 53 Final Em Cº B7 Em Em Cº 54 Metamorfose Riff: C#m D C#m B A G#m6 C#m x2 Verso: C#m Era uma vez um jovem sem ofício, A sem respeito pelo sacrifício, G#m C#m Sem respeito pelo que a família sempre lhe deu C#m A Ficou patente desde tenra idade, que se afastou da sociedade G#m6 C#m Na escolha de viver num sôfrego inferno seu Ponte: D F6 Mas subitamente, algo se fez diferente, A E então mudou, rompeu, jurou D F6 Levar-se mais a sério, lutar contra o império A Gritou, marchou G#7 C#m D C#m E é vê-lo insatisfeito, de estrela vermelha ao peito B A G#7 C#m E a lutar por direitos que nem sabia serem seus. Riff Verso: O pai então andava deprimido, culpava-se pelo sucedido Buscava falhas no seu modo de educar Era coisa que não estava prevista, sair-lhe um filho comunista Ateu e anti-benfiquista p‟ra piorar Ponte: Mas instintivamente, algo se fez diferente E então mudou, reviu, jurou Não se levar a sério, fazer parte do império Comprou, gastou E é vê-lo engravatado, lugar cativo no estádio, Jantar em clubes privados e a pagar com cartões Riff 55 Interlúdio (discurso): C#m A G#m C#m x4 Solo baixo e voz (VER TABLATURA): Depois veio o pior, fez amor com quem não amava e desse amor nasceu um sofredor, mal educado no tempo livre dos pais, o sofredor cresceu, e aprendeu, que no nosso mundo pouco há de seu e então escolheu, todo o caminho que lhe foi dito evitar Riff (apenas uma vez) Ponte 2: D F6 Tentou mudou, mudou gostou, gostou fartou, fartou mudou A D F6 Tentou mudou, mudou gostou, gostou fartou, fartou mudou A G#7 C#m D C#m E agora diz à gente, que é por demais evidente, B A G#7 C#m Que a teima de ser diferente não o ensinou a ser só Solo bateria: (acordes do riff) Riff 56 57 58 Pobre Velho Louco Intro (VER TABLATURA): A F# B7 E7 Verso: A F# Eu sou um pobre velho louco que a saudade enjeitou B7 F E7 Guardo a alegria num canto e a tristeza no que restou A F# Eu nunca fui a direito, isso deu cabo de mim B7 F E7 Quando te perdes em estradas não tardas a achar um fim Ponte: D D#º A F# E um copo de vinho em cima da mesa B7 D#º A F# Um gira-discos berra música francesa B7 D#º A F# O gato aos pés, quase a adormecer B7 E7 A G# G F# Não há melhor maneira de morrer F E7 A Não há melhor maneira de morrer Solo: A F# B7 E7 2x Verso: Eu sempre fui bom em planos, sempre fui Tento uma vida de luxo levo uma vida de Não sei quem traça os destinos mas deve Essa gente de alta roda que dita a moda mau em acção cão ser engraçado do fado Ponte: Meio copo de vinho em cima da mesa Um gira-discos canta música francesa O gato aos pés, quase a adormecer Não há melhor maneira de morrer, Não há melhor maneira de morrer 59 Solo: A F# B7 E7 2x Verso: Vais ficar triste e sozinho, já dizia a sábia gente E essas lembranças de esperança batem leve levemente Como quem chama por mim, como quem sopra um conselho Amigos eu já vou tarde, eu sou louco, pobre e velho Ponte: Já não Ressoa O gato Não há Não há há mais vinho e a música acaba a hora certa na porta de entrada dorme e os pés começam já a aquecer melhor maneira de morrer mesmo mais nada a fazer Solo: A F# B7 E7 3x A F# B7 E7 A G# G F# F E7 Amaj7 60 61 62 A Morte Saiu à Rua Intro piano Verso: F#m A E F#m A morte saiu à rua num dia assim F#m A E F#m Naquele lugar sem nome p‟ra qualquer fim F#m A D Uma gota rubra sobre a calçada cai Bm A E F#m E um rio de sangue de um peito aberto sai O vento que dá nas canas do canavial E a foice duma ceifeira de Portugal E o som da bigorna como um clarim do céu Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu Interludio: F#m A E F#m x3 Verso: Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual Só olho por olho e dente por dente vale À lei assassina à morte que te matou Teu corpo pertence à terra que te abraçou Aqui te afirmamos dente por dente assim Que um dia rirá melhor quem rirá por fim Na curva da estrada há covas feitas no chão E em todas florirão rosas duma nação Final: F#m A E F#m x4 63 64 Tom Sawyer Intro (VER TABLATURA): F Verso: F Dm Vês passar um barco rumando p‟ró sul F Brincando na proa gostavas de estar Dm Voa lá no alto por cima de ti F um grande falcão és o rei és feliz Ponte: Bb E quando tu... Gm vês o Mississipi Bb Gm Eb Tu... saltas pela ponte e... C voas com a mente Verso: Nuvens de tormentas estão sobre ti Cobrem todo o céu por cima de ti Corre agora corre e te esconderás entre aquelas plantas ou te molharás Ponte: E sonharás que és um pirata tu... sobre uma fragata tu... sempre à frente de um bom grupo de raparigas e rapazes Refrão (x2): F C Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer F C Por aí a passear, Tom Sawyer Bb C F Dm mil amigos deixarás, aqui e além Gm Eb C descobrir o mundo, viver aventuras 65 Solo: (acordes do verso) Ponte: E sonharás que és um pirata tu... sobre uma fragata tu... sempre à frente de um bom grupo de raparigas e rapazes Refrão (x4): Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer Por aí a passear, Tom Sawyer mil amigos deixarás, aqui e além descobrir o mundo, viver aventuras Final: F 66 67 68 ANAQUIM 2011 69