www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 888 | Maputo, Sexta-Feira 01 de Fevereiro de 2013
Director: Fernando Veloso | Propriedade da Canal i, lda
Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo | Registo: 18/GABINFO-DEC/2009
e-mail: [email protected] | [email protected] | Telefones: 823672025 - 842120415 - 828405012
Violado um dos compromissos do Governo com a AMM
Governo vinga-se dos médicos
estagiários que aderiram à greve
Despacho do director da Faculdade de Medicina da UEM ordena reprovação
compulsiva dos estudantes que faltaram ao estágio (nos dias da greve) dos médicos.
A ordem emana de uma reunião que teve lugar na Faculdade de Medicina no dia 29
de Janeiro findo. A greve dos médicos terminou com a promessa de ambas as partes
de que “os machados de guerra” estavam enterrados e que ninguém seria penalizado
pela paralisação, mas isto revela o grau de falta de palavra e de seriedade do Governo.
Maputo (Canalmoz) – O Governo
ainda não “engoliu” a recente greve dos médicos que durante uma
semana paralisou parcialmente as
actividades médicas nos hospitais
públicos, até que o executivo cedesse às exigências da classe. A greve
terminou com a promessa de ambas
as partes de que “os machados de
guerra” estavam enterrados e que
ninguém seria penalizado pela paralisação, mas o Canalmoz está na
posse de um despacho do director
da Faculdade de Medicina da Uni-
versidade (estatal) Eduardo Mondlane, que ordena a reprovação de
todos os estudantes do sexto ano
que faltaram ao estágio profissional.
O despacho visa, claramente, atingir os estudantes que
aderiram à greve dos médicos.
A acção é típica de vingança. O
despacho assinado pelo Prof. Dr.
Mohsin Sidat, enquanto repreende
com reprovação automática a todos
os estudantes de medicina estagiários que faltaram aos estágios (por
terem aderido à greve dos médicos),
por outro lado premeia com distinção, “Certificado de Reconhecimento”, os que não faltaram ao estágio,
ou seja, os que não aderiram à greve.
Esta decisão mostra que a competência é posta de lado na Faculdade de Medicina, colocando-se
em primeiro plano questões políticas como aderir ou não à greve.
O despacho é o primeiro a ser
exarado este ano pela Faculdade da Medicina. Leva a referência
“Despacho 01/FM/2013”. A sua
elaboração saiu de uma reunião
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havida no dia 29 de Janeiro de
2013, na Faculdade de Medicina.
Eis o conteúdo essencial
do documento.
1. Todos os estudantes do 6º ano
que comprovadamente faltaram
às suas obrigações académicas
consideram-se reprovados no segmento do estágio médico integrado onde se encontravam quando o
referido incumprimento ocorreu;
2. A data do início para a repetição do estágio em que reprovaram
fica ao critério dos Departamentos onde o mesmo deve decorrer;
3. Será atribuído um certificado
de reconhecimento aos estudantes
que cumpriram com dedicação, abnegação e até com algum “sacrifício” as suas obrigações académicas.
Ainda não conseguimos obter
a reacção dos estudantes visados
nem da direcção da Faculdade
da Medicina. (Borges Nhamirre)
Historiador e analista político Egídio Vaz
pede “Arca de Noé” a Guebuza
Maputo (Canalmoz) – Naquilo que
preferiu chamar do seu último pedido, o historiador e analista político
moçambicano, Egídio Vaz, escreveu
uma carta aberta, publicada nas redes
sociais, em que pede ao Presidente
da República, Armando Guebuza,
a construção de uma Arca parecida
com a de Noé, relatado nas escrituras bíblicas, em que no final do seu
mandato (2014) todos moçambicanos embarcariam em busca de outras alternativas de vida condigna.
Na opinião deste historiador, é preferível que o povo moçambicano vá
viver para o alto-mar e à deriva, a
ter que viver em Moçambique, pois,
segundo a sua opinião, até lá (2014)
nada mais sobrará para o povo “que
não seja propriedade de Guebuza”.
É a sátira encontrada pelo his-
toriador para criticar o espírito acumulador e de culto à personalidade do chefe de Estado.
Transcrevemos a seguir, na íntegra, a sua breve epístola:
“Pequeno pedido ao Pai da Nação
moçambicana”
Por Egídio G. Vaz Raposo
“Querido
Pai
da
Nação.
A aproximadamente dois anos do
aparente fim do seu mandato, tomei
a liberdade de fazer-lhe o meu último
pedido. E espero que consiga satisfazê-lo, uma vez que pela grandiosidade
das suas obras, até o filósofo moçambicano Silvério Ronguane propôs que a
História da Humanidade o recordasse
como GUEBUZA, O CONSTRUTOR.
Gostaria que o final da sua glorio-
sa etapa na direcção do país (2014)
coincidisse com a disponibilização ao povo moçambicano de uma
ARCA, parecida com a de Noé bíblico, em que todos moçambicanos
pudessem nela embarcar em busca de outras possibilidades de vida.
A razão para tal pedido é simples:
até lá, não restará mais nada aos
moçambicanos que não seja do senhor Armando Guebuza: desde os
homens às coisas materiais. Com
esta ARCA, o senhor terá feito um
favor inimaginável aos moçambicanos, que, deixados à deriva e no
alto-mar, lograrão outras alternativas
de vida condigna: seja como escravos por opção ou cidadãos livres.
Obrigado
Maputo, ao 30 de Janeiro de 2013
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Canal de Opinião
por Borges Nhamirre
Algo está errado nos exames de admissão
à UEM
Maputo (Canalmoz) – Minha sobrinha de 17 anos concorreu este
ano para ingressar na UEM. Queria
cursar Engenharia Civil (1ª opção)
ou Arquitectura e Planeamento Físico (2ª opção). Não conseguiu ser
admitida em qualquer dos cursos,
mas não só: tirou notas vergonhosas nos exames de admissão a que
foi submetida. 7 valores no exame de Desenho; 4.5 valores no
de Matemática e 4.1 no de Física.
A minha sobrinha acabou de dispensar a quase todas as disciplinas (excepto física) na 12ª classe
em 2012. O que teria acontecido
para que de excelente aluna em
2012 passasse a péssima concorrente à universidade em 2013?
(A minha sobrinha pode ter muitos defeitos pessoais associados à
sua faixa etária – adolescente – mas
à escola ela é muito dedicada. Ser
admitida no ensino superior era a
coisa que mais queria. E não lhe faltou motivação para se preparar. Se
tivesse sido admitida, mudava-se já
este Janeiro da Maxixe, onde nasceu e sempre viveu, para Maputo,
onde iria prosseguir com os estudos.
Isto por si só era uma grande motivação. Para não cair no precipício
das generalizações, não vou falar de
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todas as províncias, mas posso afirmar com grande margem de certeza
que quase todos os manhembanes
como eu e a minha sobrinha dariam
a vida para irem viver, estudar e trabalhar para Maputo. Mas não só,
a minha sobrinha concluiu o nível
médio sem nunca repetir uma classe
ou disciplina sequer, não lhe devia
faltar motivação nem inteligência
para, pelo menos, conseguir 10 valores em cada exame que realizou).
Fiquei curioso e fui então à página web da UEM onde estão divulgados os resultados dos exames de
admissão. Queria tirar uma amostra dos resultados para analisar as
admissões, não-admissões e notas conseguidas pelos admitidos.
No campo de pesquisa optei
pelo nome “João” – por ser muito popular, e Província de Maputo
– por apresentar mais candidatos.
Os resultados
Nos resultados (pode vê-los neste link http://www.admissao.uem.
mz/resultados/resultadosUEM.php,
dos primeiros 100 nomes apre-
sentados, de um total de 1234,
apenas 8 candidatos foram admitidos aos cursos a que concorriam.
Destes 8 admitidos, apenas um
(1) conseguiu tirar notas positivas
em todos exames: 14.6 valores a
Português e 13 valores a história.
Os restantes 7 foram admitidos ou
com ambas notas negativas ou com
pelo menos uma das notas negativas. Há casos mais gritantes como
o de um candidato que foi admitido ao curso de Engenharia Civil
com média de 6.4 valores. Conseguiu 7.3 valores no exame de Física e 5.5 valores no de Matemática.
Isto deixou-me mais preocupado,
agora não só com a minha sobrinha,
mas com toda a comunidade estudantil. Não conseguia e até agora
não consigo entender como num
universo de 100 candidatos apenas
8 são admitidos e destes apenas um
consegue fazê-lo com mérito (tirar
notas positivas em todos os exames).
Parece-me que muita coisa está
errada no nosso sistema do ensino.
Não é minha área de trabalho, por
isso admito não conhecer muito bem
como o processo de examinação
dos alunos concorrentes ao ensino
superior decorre, mas não me soa
nada católico que em 100 candidatos apenas um consiga ser admitido
com mérito: obter notas positivas.
Não sei se os dirigentes do sector
de educação pensam nisto. Eu julgo que ou não existe uma ligação
entre as direcções de Ensino Secundário, Técnico Médio-Profissional e
Ensino Superior, lá no Ministério da
Educação, ou 99% dos estudantes
são incompetentes, o que me parece menos provável. Pois também
não faz sentido que os alunos que
concluem “com mérito” o ensino
médio saiam envergonhados dos
exames de admissão ao ensino superior. Ou será que o ensino secundário é uma fraude que se revela no
péssimo aproveitamento dos seus
graduados, quando estes tentam
passar à outra fase: ensino superior?
Seja como for, quem recebe salário proveniente das contribuições
dos
moçambicanos, deve pensar e resolver isto.
Estes dados são preocupantes.
Isto são factos. Não se trata de
suposições. (Borges Nhamirre)
Africa do Sul
Líder da oposição exige investigação sobre
financiamento de jornal pelo regime do ANC
Pretória (Canalmoz) – Helen Zille, presidente da Aliança Democrática (DA), principal partido da
oposição na Africa do Sul, instou o
chefe de Estado sul-africano, Jacob
Zuma, a instaurar uma comissão
de inquérito judicial para se investigar as despesas do governo para
com o jornal «The New Age». Zille
alega que este jornal “é financiado
quase na totalidade pelos governos
do ANC a nível nacional e provincial”. O regime do ANC deu instruções a empresas públicas como
a transportadora aérea, SAA, e a
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Eskom, para que canalizassem publicidade para o «The New Age».
A SAA adquiriu um número excessivo de exemplares do «The
New Age» para distribuição gratuita nos voos domésticos e internacionais da transportadora.
Desde Dezembro de 2010, o «The
New Age» recebeu pelo menos
64,6 milhões de randes (aproximadamente 211 milhões de meticais)
do governo sob a forma de publicidade e patrocínio de actividades
organizadas pelo jornal, propriedade de Atul Gupta, um empresário com conhecidas ligações a
Zuma e ao ANC. Entre Dezembro de 2010 e Outubro de 2012,
a Eskom despendeu 4,387,096 de
randes (cerca 14,3 milhões de meticais) e a SAA 1,281,120 de randes
( mais de 4 milhões de meticais),
especialmente em publicidade en-
comendada ao «The New Age».
A líder da oposição comparou as
relações entre o regime do ANC
e o «The New Age» ao escândalo de informação durante a era do
apartheid quando John Vorster era
primeiro-ministro. O governo de
Vorster financiou o lançamento do
jornal «The Citizen» e do semanário «To The Point» como forma de
apoio ao regime do apartheid, o
que incluía a promoção de interesses económicos de empresas
públicas sul-africanos, designadamente a transportadora ferroviária,
South African Railways (SAR), em
países vizinhos como Moçambique.
O regime da Frelimo beneficiou
de apoios da SAR a partir de 1977,
ano em que expirou o contrato de
pessoal dos portos e caminhos de
ferro moçambicanos, assinado entre
Moçambique e o Estado português
por altura da Independência. As
relações entre a SAR e o regime da
Frelimo, incluindo a expansão do
ramal ferroviária Maputo-Komatipoort beneficiaram da ampla cobertura da comunicação social a soldo do regime do apartheid. Eschel
Rhoodie, figura chave do escândalo
da informação do apartheid, chegou
a entabular negociações com entidades ligadas ao regime da Frelimo
tendo em vista fornecer equipamento e outros meios a órgãos de comunicação social moçambicanos,
mormente a Rádio Moçambique,
AIM e “Notícias”, na expectativa
destes pilares do aparelho de propaganda do governo de Maputo
adoptarem uma “linha moderada”
para com a política de desanuviamento encetada por John Vorster
na sequência do golpe de Estado
de 25 de Abril de 1974. (Redacção)
Governo anuncia cancelamento do
concurso de exploração de areias
pesadas de Chibuto
Maputo (Canalmoz) - Tal como
aconteceu com o projecto de
areias pesadas de Muebase, no
distrito de Pebane, província da
Zambézia, o projecto das areias
pesadas de Chibuto, província de
Gaza, está também em “banho-maria” por decisão do Governo.
O executivo moçambicano acaba
de determinar a anulação do concurso restrito lançado o ano passado, para o desenvolvimento do pro-
jecto de areias pesadas de Chibuto,
por alegado incumprimento dos
prazos por parte da firma vencedora.
Há informações de ter havido
interferência política ao mais alto
nível para afastar o vencedor do
concurso do ano passado. A ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, determinou a anulação do
concurso restrito lançado o ano passado para o desenvolvimento dos jazigos das areias pesadas de Chibuto.
O concurso para a exploração
foi lançado pelo Ministério dos
Recursos Minerais em 2011 e, no
ano passado, foram abertas as propostas que culminaram com o apuramento da empresa vencedora.
Contudo, como anuncia o próprio
executivo no seu portal, a empresa seleccionada não conseguiu
cumprir com um dos requisitos do
concurso, que preconizava a negociação e assinatura do acordo
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para a implementação do projecto
até o dia 3 de Dezembro último.
As areias pesadas de Chibuto são
um dos recursos minerais estratégicos para o país. Estudos indicam a
existência de mais de 72 milhões
de toneladas de ilmenite cuja exploração levaria pelo menos 30
anos. Igualmente, a área de concessão, calculada em 10.840 hectares,
possui 2,6 milhões de toneladas
de reservas provadas de zircão e
0,4 milhão de toneladas de rutilo.
O Governo e a população moçambicana, particularmente a residente na província de Gaza e
no distrito de Chibuto, aguardam
com muita expectativa o início
da exploração daqueles jazigos
para obter emprego e outros ganhos, mas há anos que o seu desenvolvimento tem estado a falhar.
Inicialmente, o projecto, cujas actividades de prospecção e pesquisa
iniciaram em 1997, esteve concessionado à empresa BHP Billiton, mas
a sua licença foi cancelada devido
também ao incumprimento do calendário pré-estabelecido pelo Governo para o arranque da exploração.
Mas sabe-se que a BHP Billiton
não deixou o projecto por incumprimento do prazo como alega o Governo. Deixou, sim, porque os custos
da exploração eram altos, dado que
para transportar o mineral de Chibuto para alcançar a linha-férrea que
dá acesso ao Porto de Maputo ter-se-ia que percorrer 72 quilómetros.
Por outro lado, seria necessário a construção de uma nova linha, para além da construção de
dois ramais de energia eléctrica
com capacidade de 400 KV cada.
Depois da BHP Billiton – accionista da maior fábrica do país, a fundidora de alumínio Mozal, o projecto
foi concessionado a uma companhia canadiana que também teve a
sua licença cancelada pelo Governo
por falta de cumprimento de prazos.
O Consórcio Delta Zambeze ganhou entretanto o concurso para a
exploração das areias pesadas de
Chibuto, na província meridional
moçambicana de Gaza, lançado pelo
Governo, através do Ministério dos
Recursos Minerais (MIREM), em
Novembro de 2011.
No concurso restrito, terminado
a 5 de Abril último, para além do
consórcio Delta Zambeze, apenas a “SPI Chibuto Sands Consortium”
apresentou
proposta.
As duas empresas antes haviam manifestado interesse em
obter licenças para aquela área.
“A Comissão de Avaliação, constituída por representantes de diversas
instituições, fez a análise das propostas e determinou como vencedor
o Consórcio Delta Zambeze”, anunciara o MIREM num comunicado de
Imprensa.
O Consórcio Delta Zambeze deverá negociar com o Governo os
termos e condições de implementação do projecto para que, até um
prazo máximo de 180 dias, seja
assinado um Acordo de Princípios.
O MIREM lançara o concurso
público na sequência do cancela-
mento dos resultados de um outro
lançado em Outubro de 2010, no
qual foi seleccionada a empresa “Rock Forage Titanium Lda.”,
empresa constituída por parceiros moçambicanos e canadianos
com registo em Moçambique.
O concurso de Outubro de 2010
foi cancelado em virtude da empresa vencedora não ter cumprido com as condições precedentes para a assinatura do Acordo
de Princípios, alegou o Governo.
Ao recorrer ao concurso, o Governo refere que pretende seleccionar
uma companhia que, de acordo com
os termos de referência, tenha linhas
orientadoras e critérios de avaliação
e que apresente o melhor plano
para o desenvolvimento do depósito
das areias pesadas de Chibuto, incluindo o desenvolvimento de infra-estruturas associadas ao projecto.
O Chibuto sem que haja solução
para este impasse continua com buracões deixados pela BHP Billiton.
Areias pesadas de Pebane
Igualmente, depois de o Governo da Zambézia ter anunciado que
em Junho passado seria o mês em
que a empresa concessionária das
minas de areias pesadas de Muebase, no distrito de Pebane, a “Pathfinder Moçambique”, apresentaria o cronograma das actividades
a serem desenvolvidas no terreno,
com vista à exploração da mina,
eis que veio anunciar uma surpresa:
nenhuma actividade vai acontecer.
Tudo porque um contencioso entre o general Jacinto Veloso e os
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sócios britânicos da “Pathfinder
Plc” levou ao abandono do projecto. Ambas as partes acusaram-se mutuamente até chegarem em
tribunal. O caso ainda não está resolvido definitivamente mas tem
estado a correr tanto em instâncias
nacionais como no Reino Unido.
A mina de Muebase, no distrito
de Pebane, na Zambézia, cujo objectivo é a exploração de “areias
pesadas”, tinha sido igualmente
concessionada em 2011 a um novo
titular que é a Companhia Mineira
de Nabur, com capitais nacionais
de que é administrador Jacinto Veloso que também estava associado
à Pathfinder britânica. O conflito
entre sócios acabou por determinar
a paralisação do empreendimento
mineiro com todas as consequências para a população local que
já vinha alimentando expectativas e acabou por as ver frustradas.
Esperava-se que ainda o ano passado tivessem tido início alguns
trabalhos no terreno, o que efectivamente não veio a acontecer.
A ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, anunciara
também que a Companhia Mineira
de Nabur estava a trabalhar para
reconfirmação dos resultados das
amostras, ao que se seguiria um
estudo de viabilidade económica
e novos investimentos para a exploração da mina, que depois da
sua concepção nunca se efectivou.
A pesquisa da mina
A pesquisa da mina de Muebase começou nos anos 90 e depois
dos primeiros resultados da Genbique, concessionária da Billiton,
nada mais aconteceu no terreno.
A ministra dos Recursos Minerais
dissera que dois factores tinham
concorrido para que o projecto
de exploração de areias pesadas
de Muebase ficasse em “banho-maria”, nomeadamente problemas técnicos que era necessário
corrigir e a dimensão da mina que
é superior à capacidade técnica e de investimento da empresa
que tinha ficado com a concessão
deste empreendimento mineiro.
Especulações políticas
Primeiramente o abandono da
mina pela Genbique e o silêncio
do Governo criou várias interpretações de vários segmentos da sociedade civil e de partidos políticos
representados na província da
Zambézia. Todos os comentários
imputavam responsabilidades ao
Governo. Alegadamente o Governo não estava preocupado em
criar condições para que o projecto
de exploração de areias pesadas funcionasse a despeito do que acontece
com projectos idênticos em Moma.
Gás natural
Enquanto isso, o Governo anunciou que vai acolher em Março
próximo uma Cimeira de Moçambique sobre o Gás Natural,
a primeira do género no país, e
que irá servir para mostrar todo
o potencial nacional nesta área.
Numa nota anunciando o evento,
o Ministério dos Recursos Minerais
(MIREM) adianta que a cimeira irá
abordar ao detalhe as descobertas
de gás em Moçambique, estratégias,
oportunidades de contractos, execução de projectos, financiamen-
to e iniciativas de investimentos.
A cimeira, a primeira em Moçambique sobre o Gás Natural, será organizada pela CWC com sede em
Londres, na Inglaterra, e será realizada de 12 a 14 de Março de 2013.
O Governo considera a reunião
estratégica como uma plataforma
ideal para apresentar o potencial
de reservas, projectos e para realce do papel de Moçambique na
indústria global. A CWC está especializada na área de gás natural,
petróleo, energia e infra-estruturas.
A organização do evento convida os investidores e outros interessados a participar nele e “ser o
primeiro a ouvir o Ministério dos
Recursos Minerais e os planos da
ENH para o Plano Mestre do Gás
Natural, o impacto que terá a descoberta do gás natural em Moçambique na indústria global do gás e
as oportunidades de parcerias”.
Moçambique tem depósitos de gás
natural já em exploração há quase
uma década. Tem vindo a atrair as
atenções do mundo nos últimos anos,
com investimentos bilionários nesta
área, particularmente na região norte do país, onde já foram descobertos enormes jazigos deste recurso.
Carvão
Entretanto, o grupo indiano Jindal
Steel and Power Ltd (JSPL) anunciou esta semana que pretende
importar este ano 500 mil toneladas de carvão de coque extraído
na concessão mineira que detém
em Moçambique, escreve o jornal
indiano Business Standard citando o director financeiro do grupo.
Sushil Maroo recordou que o carvão de coque é uma das principais
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matérias-primas para a produção de
aço e salientou que o grupo vai este
ano importar 1 milhão de toneladas
de carvão de coque para ser consumido nas siderurgias do grupo.
O director financeiro do grupo também foi citado como tendo dito que
as operações internacionais repre-
sentam 10% do volume de negócios
do grupo, percentagem que deverá
aumentar no futuro próximo. O grupo, segundo o mesmo responsável,
pretende efectuar mais aquisições,
nomeadamente em África, “tendo-nos sido apresentadas diversas
propostas que estamos a analisar”.
Nos termos de um acordo alcançado com o Ministério da Energia
moçambicano, o grupo pondera construir uma central térmica
para produzir 2640 megawatts de
energia eléctrica, cujo estudo de
viabilidade económica está a
ser efectuado. (Bernardo Álvaro)
Em Nacala, província de Nampula
Companhia saudita promete construir
refinaria de petróleo
Maputo (Canalmoz) – A companhia Radyolla Holding Co of Olayah
Main Road, um grupo da Arábia
Saudita, acaba de anunciar que vai
construir uma refinaria de petróleo
em Nacala, na província de Nampula. Nacala-Porto está servida de um
magnífico porto de águas profundas.
Para o efeito, foi assinado na última
quarta-feira em Maputo um memorando de entendimento entre aquele
grupo e Governo moçambicano, representado pelo Instituto de Gestão
de Participações do Estado (IGEPE).
A Radyolla Holding Co of Olayah
Main Roadue vai igualmente construir um pipeline (oleoduto) no porto da Beira, na província central de
Sofala, ligando a República Democrática do Congo, Zâmbia, Malawi,
entre outros países do hinterland.
O projecto de construção de
uma refinaria de petróleo em Nacala está em “banho-maria” desde 2008 devido à crise financeira.
Tem aparecido vários interessados
a anunciar mas não tem tem passado do papel. Muitas promessas
mas as realizações não acontecem.
O presidente da Radyolla Holding, Abdul Aziz, e o presidente
do Conselho de Administração do
Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE), Apolinário
Panguene, assinaram, em Maputo, o memorando de entendimento
que expressa a vontade das duas
instituições trabalharem juntas.
De acordo com o PCA do IGEPE, a Radyolla poderá ser parceiro do IGEPE em outros seis
projectos que estão numa fase
de conclusão da sua definição.
Segundo Apolinário Panguene, o
IGEPE identificou um conjunto de
projectos que poderão ser implementados no país juntamente com
outros parceiros e a Radyolla tem a
vantagem de ter músculo financeiro suficiente para a implementação
projecto da construção da refinaria.
Ele anunciou a lista de oito projectos, afirmando, por outro lado, que
“nem todos estão ao mesmo nível
em termos de desenvolvimento”.
“O que pensamos é começar
com pipeline na Beira que vai
servir para transportar combustíveis e torná-lo mais barato para os
países do hinterland e o projecto da refinaria de Nacala”, disse.
A construção da refinaria, como
foi anunciado, será o primeiro projecto a ser implementado.
“Estamos a trabalhar na materialização destes dois projectos enquanto trabalhamos na finalização e caracterização dos projectos
que estão na carteira”, concluiu.
Segundo as projecções das autoridades moçambicanas, o pipeline vai
reduzir os custos de transporte e disponibilidade dos combustíveis, que
neste momento é efectuado através
de navios, camiões e comboios.
Enquanto isso, a refinaria vai minimizar os custos com combustíveis e
reduzir a flutuação dos preços, uma
vez que Moçambique terá acesso
à fonte directa, o que habilitará o
país a produzir para o consumo interno e até mesmo para exportação.
Actualmente, Moçambique depende da importação de com-
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bustíveis já refinados, que representa uma factura na ordem 700
milhões de dólares por ano. Estes
montantes poderão baixar drasticamente, para além da metade.
Já o presidente daquele grupo
saudita, Abduz Aziz, disse que
o seu grupo tem boas perspecti-
vas de investimento em Moçambique e garantiu que vai fazer o
melhor na implementação dos
projectos estratégicos de infra-estruturas e dos projectos sociais que
deverão financiar em Moçambique.
Actualmente, como foi afirmado
na circunstância, estão em curso es-
tudos para definir quanto custarão
os projectos e a qualquer momento
as partes poderão assinar um acordo definitivo e de implementação
dos projectos. Nessa altura, então,
segundo as partes, serão avançadas
as datas para o início da execução
dos mesmos. (Bernardo Álvaro)
Agitação de semi-colectivos acaba com
detenção de um “chapeiro”
Maputo (Canalmoz) – Depois
do braço-de-ferro registado na
terça-feira entre os transportadores semi-colectivos que operam na
rota Baixa-Xiquelene, esta quarta-feira foi a vez dos “chapeiros” que
operam na rota Baixa-Matola. Em
causa está a mesma razão: a Polícia está a obrigá-los a cumprirem
com a rota até ao terminal, contrariamente ao que vinham fazendo
antes, deixando os passageiros na
Avenida Guerra Popular. Na verdade, ao terminar na Guerra Popular
os “chapeiros” criam embaraços ao
trânsito, provocando engarrafamentos porque viram mesmo naquele
local de volta à Matola. A Polícia
está a combater isso e os transportadores decidiram protestar.
No momento da agitação, um
transportador semi-colectivo que
circulava na rota Matola-Anjo
Voador foi detido. Encontra-se
detido na 11ª esquadra da PRM
da Cidade de Maputo, indiciado de estar a agitar a paralisação
dos transportes semi-coletivos e
de perturbar a ordem pública.
De acordo com o chefe do departamento das relações públicas da polícia municipal, Lázaro
Valoi, o indiciado foi apanhado
em flagrante quando aconteceu
a aglomeração na Avenida 24 de
Julho. Segundo a Policia ele estava a dar ordens de paralisação,
atirando pedras aos “chapas” que
estavam a carregar passageiros.
“O cidadão é um dos agitadores que estava a violar os direitos
dos outros. Portanto pegamos nele
e entregámos às autoridades competentes. Ele vai ter que se responsabilizar pelos seus actos”, disse.
Valoi garantiu que a Polícia Municipal está a posicionar homens no
terreno para evitar perturbação da
ordem na via pública, pois trata-se
de um grupinho que está a paralisar
por um tempo, agitando os outros,
mas que depois vão retomar. “Não
vai adiantar em nada porque depois vão retomar, e neste momento estão a perder dinheiro porque
a verdade é que eles devem cumprir com o seu dever de terminar na
paragem Anjo Voador”, considerou
a fonte da Policia Municipal em
Maputo. Acrescentou que deviam
negociar com quem de direito para
não terem de chegar a paralisar as
actividades. (Arcénia Nhacuahe)
Registos Verbais
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ano 5 | número 888 | 01 de Fevereiro de 2013
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Na província de Gaza
EUA acabam de desembolsar 1,7 milhão de
USD para apoiar vítimas das cheias
Maputo (Canalmoz) – Os Estados
Unidos da América (EUA) acabam
de desembolsar 1,7 milhão de dólares para ajudar as comunidades e
indivíduos afectados pelas cheias
que se verificam na bacia do Limpopo, nomeadamente nas cidades do Chókwè, Guijá e Xai-Xai.
O donativo, segundo uma nota
da Embaixada norte-americana em
Maputo, vai ser aplicado na compra de alimentos para a população
deslocada em virtude das cheias.
A assistência, de acordo com
a mesma nota, será distribuída
pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA). Além disso, a
Agência dos Estados Unidos para
o Desenvolvimento Internacional
(USAID) está a planear uma doação suplementar para abrigo, purificação da água e apoio na gestão dos campos de acolhimento
temporários de modo a garantir a
segurança das pessoas deslocadas.
Para além disso, numa resposta
imediata aos danos causados pelas
cheias, no dia 24 de Janeiro deste ano, o Embaixador dos Estados
Unidos, Douglas Griffiths, disponibilizou de imediato um montante inicial para a aquisição de água
e produtos de saneamento, que já
estão a ser distribuídos nas províncias afectadas pelas cheias, bem
como para actividades de promoção de higiene tendentes a reduzir o risco de doenças transmitidas
pela água. Este é o primeiro passo
para iniciar a avaliação da dimensão do desastre e as necessidades
da população afectada na sequência destas terríveis inundações.
Segundo o comunicado, o Governo dos EUA está disponível
para agir em solidariedade com
o povo moçambicano afectado pelas calamidades naturais
que assolam periodicamente o
país. Desde 2000, os EUA providenciaram mais de 230 milhões
de dólares norte-americanos em
apoio de emergência, após desastres naturais em Moçambique.
Por exemplo, no início do ano
passado, em resposta ao impacto causado pelos ciclones “Dando” e “Funso”, o Governo dos
EUA pôs à disposição do país
2.5 milhões de dólares norte-americanos em apenas 48 horas,
oferecendo abrigo imediato e purificação de água, tentando impedir um surto de cólera, e assistindo no realojamento das vítimas.
Recorde-se que após as grandes
inundações em 2000, os EUA forneceram 133 milhões de dólares
em ajuda para reconstruir as vidas
das vítimas, financiando infra-estruturas, incluindo a reconstrução
da via-férrea do Limpopo e da ponte de Xai-Xai. (Raimundo Moiane)
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o ponto de vista da direcção do jornal.
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