VALE Teleconferência e webcast - PORTUGUÊS Resultados do 1o trimestre de 2015 30 de abril de 2015 – 10h00 RJ / 9h00 NY Operadora: Bom dia senhoras e senhores. Sejam bem vindos à teleconferência da Vale, onde serão discutidos os resultados do primeiro trimestre de 2015. No momento, todos os participantes estão conectados apenas como ouvintes. Mais tarde será aberta a sessão de perguntas e respostas, quando então serão dadas as instruções para participarem desta sessão. Caso seja necessária a ajuda de um operador durante a teleconferência, basta teclar asterisco zero. Cabe lembrar que esta teleconferência está sendo gravada e a gravação estará disponível no website da Empresa, no endereço vale.com, seção de investidores. O playback do áudio desta teleconferência estará disponível até 6 de maio de 2015, por meio do telefone +55 11 3193-1012 ou 2820-4012, código de acesso: 3106474# Essa teleconferência está sendo transmitida simultaneamente pela internet, também com acesso pelo site da Empresa. Antes de prosseguir, gostaria de esclarecer que eventuais declarações que possam ser feitas durante esta teleconferência, relativas às perspectivas dos negócios da Companhia, bem como projeções, constituem-se em previsões baseadas nas expectativas da administração em relação ao futuro da Vale. Essas expectativas estão sujeitas às condições macroeconômicas, riscos de mercado e outros fatores. Conosco, hoje, estão: Sr. Murilo Ferreira – Diretor Presidente; Sr. Luciano Siani – Diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores; Sr. Peter Poppinga - Diretor Executivo de Ferrosos; Sra. Vânia Somavilla – Diretora Executiva de Recursos Humanos, Saúde e Segurança, Sustentabilidade e Energia; Sr. Galib Chaim – Diretor Executivo Projetos de Capital; Sr. Humberto Freitas – Diretor Executivo de Logística e Pesquisa Mineral; Sra. Jennifer Maki – Diretora Executiva de Metais Básicos; e Sr. Clóvis Torres – Consultor Geral e Diretor de Integridade Corporativa. Inicialmente o senhor Murilo Ferreira fará os comentários sobre o desempenho da Vale no primeiro trimestre de 2015, e logo após estará disponível para responder as questões que eventualmente sejam formuladas. Agora, gostaria de passar a palavra ao Sr. Murilo Ferreira. Por favor, pode prosseguir Senhor Murilo. 1/1 Murilo Ferreira: Bom dia a todos, senhoras e senhores, sejam bem vindos a nossa teleconferência. Obrigado por participarem e discutirem conosco o nosso resultado do primeiro trimestre de 2015. Primeiramente eu tenho o prazer de informar que apesar do declínio forte dos preços em nossas principais commodities, a Vale manteve seu nível de endividamento, reduziu custo e entregou US$ 1 bilhão em venda de ativos. Tivemos um sólido resultado operacional com recordes na produção em cobre e ouro, assim como a maior produção de minério de ferro e níquel para o primeiro trimestre. No primeiro trimestre de 2015, nós alcançamos uma redução de mais de US$ 550 milhões nos nossos custos e despesas, quando comparado ao primeiro trimestre de 2014. Nossas despesas gerais de vendas e administrativas caíram em mais de 30% e nossas despesas pré-operacionais e de paradas caíram aproximadamente 18%. Como comentei em maiores detalhes, nós reduzimos custos e despesas em minérios de ferro, incluindo o frete, em US$ 13,10 por tonelada neste primeiro trimestre de 2015. Então, um montante, uma redução bastante expressiva. Repito US$ 13,10 por tonelada. Também reduzimos nosso investimento corrente em US$ 4,50 por tonelada. No trimestre registramos um capex de US$ 2.2 bilhões. Gostaria de aproveitar a oportunidade para destacar que nosso capex é contabilizado em base caixa e caso fosse medido e contabilizado em regime de competência, os US$ 2.2 bilhões seriam cerca de US$ 1.9 bilhão. Esse valor do capex menor indica de forma mais próxima a nossa tendência para os próximos trimestres. Nesse trimestre desinvestimos cerca de US$ 1.0 bilhão, sendo que US$ 900 milhões advindos da transação de goldstream e cerca de US$ 100 milhões da venda de nossa participação minoritária em Belo Monte. Apesar de todos os esforços e bons resultados na redução de custos e despesas, esse ambiente de preços mais depreciados das commodities afetou nosso Ebitda ajustado que diminuiu para US$ 1.6 bilhão. Nossa divida bruta também diminui em US$ 320 milhões, totalizando cerca de US$ 28.5 bilhão com uma posição de caixa de US$ 3.7 bilhões antes da distribuição que hoje faremos de US$ 1 bilhão de dividendos. Falando agora de minério de ferro, eu estou satisfeito em anunciar que nossa produção de minério de ferro foi recorde para um primeiro trimestre, alcançando 74 milhões e 500 mil toneladas. O nosso Ebitda ajustado para o minério de ferro em Pelotas atingiu cerca de US$ 1 bilhão, caindo em mais de US$ 600 milhões em relação ao último trimestre, principalmente por conta da queda de preço. Essa diminuição é principalmente devida à queda do preço de minério de ferro. Como havia antecipado na conferência de resultados de fevereiro, nosso custo unitário de minério de ferro caiu US$ 3,40 por tonelada, atingindo US$ 19,80 por tonelada. Muito importante o que eu vou dizer agora: caso nosso custo unitário fosse apresentado na mesma base de nossos concorrentes, que eles excluem os royalties, o nosso custo teria sido de US$ 18,20. No entanto eu posso dizer a vocês, que não estamos satisfeitos e vamos manter o nosso foco incansável na redução de custos e despesa. Queremos dizer com isso, que nós estamos enxergando uma evolução favorável em custos nos próximos trimestres. E também conforme a gente havia antecipado, o nosso custo com frete diminuiu significativamente em cerca de US$ 4,5 por tonelada, atingindo US$ 17,20 excluindo o impacto do head account do bunker oil de US$ 2,30. As principais causas para a redução dos custos de frete, foram os menores custos do bunker oil nos nossos contratos e os menores custos do frete no mercado spot. 2/2 O Ebitda ajustado de metais básicos alcançou US$ 678 milhões no trimestre, representando um aumento de aproximadamente US$ 100 milhões quando comparado com o último trimestre. É válido dizer que nosso Ebitda de metais básicos foi positivamente impactado pela transação de goldstream. No entanto eu gostaria de ressaltar nossos menores custos operacionais no trimestre e também no Ebitda no nosso Salobo que ainda está em fase ramp-up, que já alcançou US$ 100 milhões. No carvão, continuamos a desenvolver nossos projetos para eliminar os gargalos logísticos existentes em Moçambique, alcançamos 86% de avanço físico em Moatize II e 85% no corredor Nacala. Uma vez mais observamos melhorias no Ebitda ajustado de fertilizantes, que aumentou em 20% comparado ao último trimestre, a despeito do impacto de menores volumes de venda e preços. Quanto ao futuro, estimamos que a demanda brasileira por fertilizantes vai aumentar em 2015, apesar de um primeiro trimestre mais fraco. As compras irão provavelmente aumentar no segundo semestre do ano em função das safras de verão. 2015 será um ano para estabelecer a base de um empresa cada vez mais competitiva e lucrativa na medida que intensificamos e consolidamos nossos esforços de corte de custos, entregamos melhorias de produtividade e aumentamos nosso volume de produção. A abertura da mina N4WS e o ramp-up dos projetos em Itabiritos, também serão marcos importantes que levarão a significativas melhorias na qualidade de nossos produtos. Apesar do mercado desafiador, permanecemos confiantes na entrega de fortes resultados e em nossa capacidade para lidar com esses tempos mais desafiadores. Muito obrigado e agora vamos abrir a seção de perguntas e respostas. Operadora: Senhoras e senhores iniciaremos agora a sessão de perguntas e respostas. Para fazer uma pergunta, por favor, digite asterisco (*) um (1). Para retirar a sua pergunta da lista, digite asterisco (*) dois (2). As perguntas serão limitadas em duas por vez. Nossa primeira pergunta vem do Sr. Leonardo Correa, BTG Pactual. Leonardo Correa: Olá, bom dia à todos, obrigado. A primeira pergunta, enfim, é um tema de foco de alguns calls também anteriores, com relação ao streamlining de ativos de minério. Quer dizer, a gente viu no último production report que vocês não fecharam nenhuma mina de alto custo. Então eu só queria saber, enfim, especialmente naquelas minas Corumbá e talvez algumas do Sistema Sul, se tem alguma coisa que vocês estão considerando em termos de fechamento de alguma capacidade marginal que talvez não seja econômica nesse cenário de preço. Essa é a primeira pergunta. E a segunda é com relação ao ramp-up de S11D, né, a gente viu aí o movimento de alguns competidores, ou de um competidor de vocês, atrasando no médio prazo o ramp-up e alguns projetos, quer dizer, não teve cancelamento, mas foi de certa forma um atraso, e queria saber como vocês estão com relação ao ramp-up de S11D e, enfim, como que está, em termos de prazo, quando vocês esperam que esse projeto esteja full capacity, e se vocês considerariam num cenário mais fraco de preços, talvez postergar um pouco o ramp-up do projeto S11D. É isso, obrigado. 3/3 Murilo Ferreira: Leonardo, eu vou passar a resposta para o Peter Poppinga, nosso diretor de ferrosos, mas eu voltaria a minha primeira conversa no dia 27 de maio de 2011, quando eu falei com os analistas, talvez você se lembre, com certeza você tem anotado aí. Quando nós dissemos que nós iríamos privilegiar a disciplina na locação de capital e o retorno para os nossos acionistas. Por favor, Peter. Peter Poppinga: Leonardo, bom dia e obrigado pela pergunta. Essa é realmente uma pergunta muito importante e eu gostaria que a gente diferenciasse bem claramente entre ter uma certa capacidade e efetivamente utiliza-la. Os investimentos já, sendo executados pela Vale no corredor norte, já está em andamento, em logística, irão elevar nossa capacidade de produção, dos aproximadamente 350 milhões atuais, para os 450 milhões no futuro. Dos quais 410 Mt são exportação e 40 Mt no mercado doméstico. E nós naturalmente temos o objetivo de maximizar a sua taxa de utilização. Agora, entretanto, a Vale estará operando de acordo com a dinâmica de mercado, principalmente em relação à tendência de longo prazo, da produção chinesa de aço para garantir uma maximização de valor e o retorno saudável para nossos acionistas. Então isso aí significa concretamente que com os recentes avanços no assunto licenciamento ambiental, que vocês acompanharam aí, principalmente em Carajás, bem como os ramp-ups dos nossos projetos Itabiritos no sistema Sul e Sudeste. Então, isso significa que nós agora podemos otimizar nossas operações em Minas, e isso nos possibilita paralisarmos alguns fluxos de produção de custo mais alto e de qualidade pior nesses sistemas, dependendo de condições do mercado, obviamente, e perseguindo consistentemente nosso objetivo de otimização de margens. Então, a capacidade vai existir. A utilização dessa capacidade, nós vamos fazer uma forma bastante racional. Murilo Ferreira: Sempre privilegiando as minas mais competitivas. Obrigado, Leonardo. Operadora: Próxima pergunta, Rodolfo Angele, JP Morgan. Rodolfo Angele: Bom dia. Eu tenho duas perguntas. Primeiro, em relação a preço, a gente viu aí uma volta rápida nas últimas semanas de preço, vocês que estão no dia-a-dia vendendo toneladas de minério no mercado asiático, eu queria saber como é que vocês entenderam esse processo? Se vocês viram alguns players colocando volumes adicionais agora com esse preço um pouco melhor, entender um pouquinho de vocês que estão no dia-a-dia vendendo minério, como é que vocês entendem esse movimento e tendência pra frente. E em segundo, eu queria falar um pouquinho de custo, a gente tá vendo claramente que os esforços de vocês estão se mostrando nos números em várias fronts, e como o Murilo falou, vocês não estão satisfeitos e tem mais para vir. E aproveitando um pouco a pergunta anterior de conseguir ter custos mais baixos com N4WS e Itabiritos, o que, que a gente pode esperar ainda de potencial para corte de custos, e não sei se dá para a gente falar um pouquinho de quanto que eventualmente, agora tendo essas capacidades mais baratas a disposição de vocês, quanto de volume 4/4 potencialmente vocês poderiam estar substituindo de custos mais altos por operações de custos mais baixo. Murilo Ferreira: Rodolfo, obrigado pela sua pergunta, vou passar também para o Peter, mas já ressaltando que a produção diária que é o ritmo que nosso pessoal acompanha, ele realmente teve uma melhora expressiva na China nesse mês de abril, especialmente nessas últimas duas semanas. A produção aumentou realmente de uma forma importante. O nosso pessoal, em relação a custos, eu acho que muitos de vocês têm uma ansiedade muito grande, mas quando nos dissemos no segundo semestre do ano passado, da importância do EIA Global, da abertura de novas minas, da flexibilidade que nós estávamos tendo em Carajás, que foi uma coisa demandada por nós nos últimos tempos e finalmente nós tínhamos as licenças que permitiam essa flexibilidade, e realmente isso vai ter uma grande influência de custos e já está sendo observada nesse trimestre. Quando nós falamos no trimestre passado que nós tínhamos sido fortemente impactados pela abertura dessas minas mais competitivas, substituindo antigas minas, isso talvez muita gente não tenha prestado atenção, mas nós já estamos colhendo os frutos nesse primeiro trimestre, mas eu diria que nós estamos longe, ainda, da nossa programação de redução de custos que nós temos para o segundo, terceiro e quarto trimestre deste ano. Por favor, Peter, entre em mais detalhes. Peter Poppinga: Rodolfo, obrigado pela pergunta. Mas então, vamos falar um pouquinho do preço e do que tem acontecido nas últimas semanas. A gente sabe que o mercado ainda estruturalmente está oversupply, está sobre oferta, num curtíssimo prazo e a demanda tem uns sinais mistos aí. Nós estamos hoje vendo um movimento típico de reestocagem das usinas, que estavam com um nível de estoque muito baixo, em torno de 20 dias, coisa que nunca existiu, e agora estão reestocando. O mais importante é que muito desses estoques seaborne, de material seaborne estavam nas mãos de traders e não nas mãos das próprias usinas, o que contribuiu também para essa reestocagem. Agora, tem alguns movimentos, que podem influenciar demanda, e sinalizam uma demanda um pouco mais forte. Por exemplo, vocês estão vendo aí uma pequena reação no mercado imobiliário na China, uma pequena, tímida reação que está acontecendo. Nós vimos que apesar do primeiro trimestre a produção de aço diminuiu 1.7% anualizado, mas em abril, quando você olha abril, você já está vendo, que em abril já deu uma boa reagida e está em ritmo mais alto desde setembro de 2014. Então, em relação a março, está acima 5%, o que também pode significar uma certa reação. E finalmente vemos aí o banco central chinês, que está ai estimulando os fluxos de créditos para os bancos regionais. Tudo isso junto, pode dar uma certa melhorada aí no curto prazo. O certo é o seguinte, o preço que nós vimos aí abaixo de US$ 50/t foi claramente um undershooting, e aos preços atuais, como a gente sabe, muitos produtores não são mais competitivos. Então, isso daí, quanto ao preço. Eu gostaria de aproveitar a sua pergunta, muito importante, em relação ao custo que nós estamos fazendo aqui, um trabalho muito forte em relação ao custo e vocês viram na primeira redução. Agora, nós estamos trabalhando fortemente para que este custo, até o final deste ano, seja reduzido em mais US$ 2,00 por tonelada. Nós acreditamos firmemente que a gente consiga fazer este feito. Praticamente de 5/5 onde viria essa redução? Vocês sabem que nós estamos aí fazendo ramp-up dos projetos Itabiritos, e também vamos ter um mix muito mais rico, Carajás fines em maior quantidade, e as pelotas também vão ter maior quantidade. Então, tudo isso junto vai fazer com que o teor de ferro do início do ano e o teor de ferro do final do ano, nosso teor de ferro nos produtos, vai aumentar ai 0.5%. Temos muita otimização ainda a ser feita na supply-chain, quando falo supply-chain, é o Valemax que vai direto para a China, que vai acontecer durante o segundo semestre. Nós estamos fazendo o bunker e o spot management de uma forma bem racional e também a Malásia que está ainda em processo de ramp-up e vai ser otimizada. E mais redução de custo fixo que vai acontecer, nós estamos bem confiantes que este custo vai ser reduzido ainda mais uns US$ 2,00 por tonelada até o final do ano. Eu gostaria de convidar vocês a um exercício simples aqui, que é importante para a gente entender o que se passa quando a gente fala de depletion, e de nova capacidade o que, que poderia estar saindo. Nós entramos com nova capacidade no Sul, e um pouco de Serra Leste também, em torno de 32 milhões de toneladas, agora em relação 2014, 2015. Nós estamos tirando 22 milhões de margens menos importantes, margens mais fracas. Destes 22 milhões, 7 são de compras de outros e os 15 é realmente depletion de qualidade mais fraca né. Então 32 menos 22, nós estamos aumentando 10 milhões de toneladas de um ano para o outro em tese. Estávamos com 330 Mt ano passado, passando para 340 Mt esse ano, com esse 10 de net increase. Agora, se o mercado, digamos assim, demandar, nós estamos preparado para retirar alguns fluxos de produção, reduzir alguns fluxos de produção no Sul e no Sudeste, para além disso otimizar e aumentar nossas margens ainda mais. Acho que isso é importante a gente ter em mente. Murilo Ferreira: Rodolfo e só para complementar. Eu tenho tido, pelas informações que nós contamos, desalinhamento com a maioria dos analistas em relação ao que está acontecendo nas minas chinesas. E ontem eu estava alinhado por declaração do Executive Vice-Chairman Zhu Jimin da CISA, onde ele diz que as minas chinesas ela podem, elas precisam sobreviver inclusive se o minério de ferro cair de uma forma permanente para um nível de US$ 60,00/t. Então, ele já sinalizou aí que ele encontra um consenso para as milhões de toneladas hoje que são produzidas na China. Na nossa opinião, são alguma coisa menor do que nós temos visto na maioria das análises feitas por vocês. Obrigado pela pergunta, Rodolfo. Operadora: Próxima pergunta, Thiago Lofiego, Merrill Lynch Thiago Lofiego: Bom dia a todos. Tenho duas perguntas. A primeira, na linha de frete, vocês apresentaram um número de US$ 17,00 e como o Murilo comentou, esse número a gente exclui o impacto do head de bunker oil. Eu queria entender até quando a gente deve ver esse impacto de head nos números de frete, por que excluindo esse impacto, ou na verdade voltando com esse impacto a gente está falando de frete ainda em US$ 19,50 por tonelada para vocês. Então eu só queria entender quando a gente pode ver um frete limpo da Vale e que número vocês pretendem chegar de frete nos próximos talvez dois anos, considerando que 6/6 vocês também devem estar revendo alguns contratos ou eventualmente fechando novos contratos a rates menores. A segunda pergunta é na linha do que vocês comentaram sobre otimização de produção entre sistemas. Então, dá para imaginar que vocês estão olhando pros custos das minas de vocês por evento e não por média de sistema, então se é esse o caso, quais minas e quanto de tonelagem a gente pode esperar nesse nível de preço, alguma coisa entre US$ 55,00/t e US$ 60,00/t que vocês tirem do mercado, reduzam ou parem produção. Obrigado. Murilo Ferreira: Oi Thiago. Com relação à segunda pergunta, é um assunto que nós não vamos fazer um disclosure público em relação a isso. Nós estaremos trabalhando da forma mais eficiente possível, dentro da disciplina de capital, trazendo o melhor retorno para o acionista, mas nós não vamos trabalhar com perspectivas sinalizando que preço que nós vamos fazer. Nós temos minas que tem custos mais altos e que certamente elas podem ser ajustadas no decorrer do tempo. As minas que em diversos níveis de preço, eu repito, diversos níveis de preço, elas se situam, numa análise mais profunda elas totalizam até 30 milhões de toneladas. Mas isso não significa que nós estamos pensando em fechar 30 milhões de toneladas. Nada disso. Isso significa que elas estão sempre sobre uma análise mais profunda. Isso é o que a gente pode dizer. Luciano, por favor, sobre o frete. Luciano Siani: Thiago, ao contrário do nosso head de câmbio, o head de frete é feito a curto prazo. Então, nós entramos no ano de 2015 com posições headiadas apenas para o ano corrente de 2015. Se você olhar aqui no nosso release, temos por exemplo na parte que impacta diretamente o custo, 1 milhão e meio toneladas em aberto, com um preço médio de US$ 505,00 por tonelada. Se você considerar hoje um bunker de US$ 350/t, você está falando de um impacto ainda por vir da ordem de US$ 200 milhões de dólares. Daqui pro final do ano, se você pensar também, grosso modo, 200 milhões de vendas, você está falando de US$ 1,00 por tonelada daqui pro final do ano. No entanto, eu ressalto o seguinte, como o bunker teve em determinados momentos teve um valor muito baixo, chegou em momentos pontuais a cair abaixo de US$ 300,00/t isso coincidiu com algumas datas de settlement dos nossos derivativos, nós tomamos a decisão de rolar uma parte dessas posições para o ano de 2016 por que não fazia sentido realizar a perda num momento de preços tão deprimidos. Então eu diria que mais ou menos um terço dessas posições aqui, na verdade se referem a 2016. Agora, eu diria que os US$ 2,00/t que a gente viu nesse trimestre, são bastante pesados e como as contas que eu indiquei, daqui a pra frente a gente tende a ter valores cada vez menores, e as nova posições que a gente eventualmente vem a fazer de head obviamente já são feitas num patamar muito mais baixo de preço de bunker. Murilo Ferreira: Obrigado. Operadora: Próxima pergunta, Marcos Assumpção, Itaú BBA. 7/7 Marcos Assumpção: Bom dia a todos. Parabéns pela performance em custos no resultado do primeiro trimestre. Minha primeira pergunta, com relação ao níquel, vocês comentaram que 4050% das operações de níquel estão operando com margens negativas. A pergunta aqui é, por quanto tempo vocês acham que essa situação pode perdurar e se vocês puderem fazer uma analogia aqui para o mercado de minério de ferro, o Peter comentou que abaixo de US$ 50,00 provavelmente o preço não era sustentável. Com o preço abaixo de 50, qual o percentual que vocês acham das operações que estavam com margem negativa. Uma segunda pergunta com relação à capex de manutenção, no minério de ferro a gente viu o capex caindo para US$ 4,60 por tonelada, é também uma redução bem relevante tanto trimestre a trimestre quanto ano contra ano, e a gente queria entender para que nível que esse número ainda pode cair. Obrigado. Murilo Ferreira: Bem, fazer previsões é sempre complicado, mas nós já estabelecemos aqui um objetivo entre US$ 3/t e US$ 4/t por sustaining e nos estamos trabalhando para obter isso tão mais rápido possível. Luciano e Jennifer. Jennifer Maki: On the nickel prices, what we saw in April, we haven’t seen those values since 2008 financial crises and that you’ve mentioned, with those margins, we anticipated the 40% to 50% of the cost curve was negative. It’s been this low four times in the past 25 years and what history tells this is when we come out of this, we come out of it in a steep, a steep curve up, and so we do expect to have the nickel prices improved in the second half of the year. I think for Q2 we expect some improvement over May and June, but it’s really July to December we expect to see the market strength. We’ve seen first signs of that, as we’re seen our ferrous nickel going to China and we’re worried in the year, so we’re starting to see beginning signs of an improved market. Peter Poppinga: O Marcos, se eu entendi bem você está perguntando quanto que nós estamos ... Murilo Ferreira: Nós, não, o mercado. Peter Poppinga: ... o mercado estaria abaixo de US$ 50/t, em margem negativa. Hoje, se você pegar hoje, o preço que está hoje, em torno de US$ 55/t Platts, você pode dizer que provavelmente quase 400 milhões de toneladas estão abaixo d’água, aquelas que ainda estão operando. Se você pegar a curva de custo que naturalmente ela muda toda hora, é muito dinâmica, temos aí deflação de custo, todo mundo fazendo seu dever de casa também. Mas se você olhar a curva de custos a preços atuais, você chega a números aí assustadores em torno de 400 milhões de toneladas que estão abaixo d’água, dos quais, repito, não inclui a Vale. 8/8 Murilo Ferreira: Isso sem dúvida apenas confirma o meu comentário anterior sobre as minas chinesas quando foi feita aquela menção de atingir US$ 60,00 a tonelada. Obrigado, Marcos. Operadora: Próxima pergunta, Alan Glazer, Bradesco BBI. Alan Glazer: Bom dia a todos, obrigado pela oportunidade, eu tenho duas perguntas. A primeira em relação à estrada Pico-Fábrica, eu queria entender se nesse trimestre já teve algum efeito naquela desestocagem do estoque que estava no sistema Sul, e agora com esse novo trecho Pico-Fábrica poderia ser escoado pelo sistema Sudeste. A minha segunda pergunta é em relação ao prêmio por qualidade e o desconto com relação à sílica, eu queria que vocês passassem um update em relação a visibilidade dessas duas variáveis no mercado atual. Obrigado. Peter Poppinga: Sim, obrigado pela pergunta. Vamos então ao Pico-Fábrica. Pico-Fábrica estava andando bem, nós tínhamos no início um pequeno atraso em função dos, da estrada que ainda estava precisando ser melhorada e agora está em ramp-up e estamos quase na capacidade máxima. Nós temos, como você sabe, um estoque grande de produtos de qualidade boa estocados naquela região, que está sendo progressivamente escoado para o Porto de Tubarão. Já que como você talvez saiba, os nossos portos de Sepetiba e de Iguaiba estão com a capacidade completamente tomada. Alan, então em relação ao prêmio de qualidade, nós temos aí notícias boas, nós temos o nosso Carajás fines, o prêmio de Carajás, aquele prêmio que você recebe on top da diferença de teor de ferro, tudo junto, está dando US$ 8,00, o que mostra que nossa estratégia de criar o índice de metal bulletim 65 foi uma estratégia correta, e quando você compara aí a nossa realização de preços desse trimestre, você vê que nós temos aí o preço Platts que caiu US$ 11.9/t IODEX e nós caímos US$ 15.6/t, o que dá uma diferença de US$ 3.7/t, basicamente em função das precificações, em função do preço provisório de um trimestre para o outro, como o preço caiu isso nos afetou naturalmente. Mas isso teria sido maior se não tivéssemos tido uma boa evolução na negociação das condições comerciais. No mix dos produtos nós tivemos mais Carajás fines, nós tivemos mais pelotas e menos high-silica, o que contribui com mais US$ 1,00 por tonelada positivo. Condições comercias também foram negociadas mais meio dólar e interessante notar, o pouco de high-silica que nós vendemos, os descontos diminuíram, por que justamente as usinas chinesas estavam precisando de material barato, com problemas de cash flow, então pagaram mais até por uma qualidade menor e também isso contribuiu com mais meio dólar por tonelada no nosso resultado. Portanto, o que vocês estão vendo em termos de realização de preço, que deu uma diminuída, de uma caída, ela é circunstancial, de um trimestre para o outro isso varia mesmo, isso não tem nada a ver com esforço de vendas de mix de produtos, mas o ponto positivo aí que ouve nas condições comercias no mix e no Carajás fines, aproximadamente US$ 3 por tonelada que aumentaram nossa realização de preço efetivo. 9/9 Murilo Ferreira: Até a respeito do Ebitda do trimestre, eu acho que algumas analistas já estão achando, e é real, o acréscimo que teve do goldstream, mas também ouve a depreciação muito próximo do valor referente aos ajustes de preço que nós temos que fazer de um trimestre para o outro. Então, nós fizemos esse ajuste grande sobre embarques que tinham sido realizados no último trimestre do ano passado para este, e agora abrimos uma nova frente com o preço muito mais baixo para o trimestre posterior. Então, nós não podemos somente isolar o goldstream como um evento, e ignorar os outros. Obrigado. Luciano Siani: Me permitindo agora, é o Luciano falando, uma forma de ver os números com clareza, na apresentação do webcast, na página 14, a gente tem toda uma distribuição do preço realizado nesse período, e eu chamo atenção para uma coluna, depois vocês olham lá, chama de “outros”. Essa coluna de “outros” é tudo aquilo que não é explicado pelos mecanismos de precificação e pelo teor médio de minério de ferro, multiplicado pelo preço do ponto de ferro no mercado. Ou seja, ela agrupa tudo isso que o Peter mencionou, descontos comercias, prêmios de Carajás fines, produtos de alta sílica e por aí vai. Essa conta, essa caixinha, se você olhar na apresentação do quarto trimestre, na página 23, ela era US$ 2,3 /t negativos para a média da Vale e ela virou para 90 centavos positivo, exatamente os US$ 3/t que o Peter mencionou, então é uma melhoria muito expressiva. Operadora: Próxima pergunta, Ivano Westin, Credit Suisse. Ivano Westin: Bom dia a todos, obrigado pelas perguntas. Eu queria voltar à discussão do custo caixa do minério. Essa redução foi bastante significativa no primeiro trimestre. Eu queria que vocês falassem um pouco sobre o que foi fator moeda nessa redução, o que foi realmente redução de custo, e olhando para o restante do ano, Peter, você fez referências de redução adicional de US$ 2, mas incluiu também o frete. Olhando o custo caixa médio na mina, no cenário onde a moeda fica estável, o que a gente pode esperar de redução? Adicionalmente, sobre desinvestimentos, além daquilo que vocês já anunciaram para o mercado, se a gente pode esperar um novo desinvestimento, algum ativo que não tenha sido já informado anteriormente no pipe line para desinvestimento. Muito obrigado. Murilo Ferreira: Sim, temos novos ativos que estão sendo considerados para transações. Nós devemos anunciar, esperamos anunciar até o final desse trimestre, operações e transações de valores importantes. O máximo que estou imaginando que possa escorregar seria até o final de julho, mas nós estamos trabalhando para que isso ocorra ainda dentro deste trimestre. Então, a resposta por dois lados é sim, nós estamos incluindo alguma coisa que não estava prevista e nós esperamos fazer valores importantes nesse trimestre. 10/10 Luciano Siani: Ivano, com relação ao impacto do câmbio. É o Luciano. Eu acho que ele está bastante esmiuçado ai no release, mas grosso modo dos US$ 3.4 de redução, nós estamos falando de US$ 2 do câmbio e US$ 1.5 de esforços internos neste trimestre. Peter Poppinga: É, isso aí é o CPV né, mas a gente olhar também o SG&A, que reduziu 46 milhões, e o P&D que reduziu também 72 milhões, mais as despesas pré-operacionais e as paradas que reduziram 11 milhões. Então nós chegamos aí, se você excluir o efeito câmbio e o efeito volume de um trimestre para o outro, nós estamos aí melhorando, tirando, nós tiramos do business em torno de US$ 340 milhões de custo e SG&A, etc. Murilo Ferreira: Esse fator é muito importante por que ele dá exatamente a dimensão do esforço que foi feito ex ajuda do câmbio. Nesse sentido que eu queria reforçar o meu comentário anterior. O que nós queremos para os próximos trimestres, independe também do movimento de câmbio. Luciano. Luciano Siani: Um outro ponto a ressaltar, é que nós fizemos isso com um volume de vendas de finos de minérios, a caso de 50 e poucos milhões de toneladas, ou seja, com praticamente nenhuma ajuda com o efeito de distribuição de custos. Por exemplo, no terceiro trimestre, é fácil fazer essa conta, a gente virar com um volume de vendas por volta de 20 milhões de toneladas maior. Então, o efeito diluição de custos vai ser muito importante e vai ser sentido fortemente nos próximos trimestres. Murilo Ferreira: Obrigado. Operadora: Próxima pergunta, Thiago Ojea, Citibank. Thiago Ojea: Olá, bom dia a todos. Eu gostaria de fazer duas perguntas. A primeira seria em relação ao pellet premium. A gente viu que o pellet premium na verdade foi bem forte né, o resultado de pelotas, um premium acima de US$ 40/t e acredito que esse ano ocorrerão negociações anuais, elas deve estar já acontecendo, se vocês puderem dar algum feedback nessas negociações seria interessante. Por último, Goro continua ainda registrando perdas consideráveis, nesse trimestre foi US$ 100 milhões negativos. Se vocês puderem dar algum update em relação a Goro, seria interessante. Obrigado. Murilo Ferreira: Goro teve o melhor trimestre da nossa história. Vou pedir para a Jennifer atualizar como ela está vendo o progresso que nós temos tido com Goro. 11/11 Jennifer Maki: New Caledonia had a strong quarter from a production stand point in the first quarter. It exceeded the record and it was also the most nickel oxide that we have produced in a quarter and also March was a record month. So, it continues to progress and we get more reliability out of the back into the plant, which has been the challenge in the last few months. And in Q2 I would expect that the production will be the same or slightly higher because in the end of Q2 we will go down for approximately three weeks for a shutdown. We will repairing a, the pipe repairs, from the pipe incident in the end of 2013, as well we’re going to do the regular maintenance of the asset plant, but we continue to improve in terms of reliability of the production and we’re also now starting to tackle the cost. In terms of that we’re doing a lot with the local contractors to improve the cost profile as we get more confident with the ramp-up. Murilo Ferreira: E nós continuamos comprometidos com a meta de produção que nós falamos no Vale day. Peter, nos dê uma posição sobre o prêmio de Pelotas. Peter Poppinga: Thiago, o prêmio de pelotas está supreendentemente firme. Algumas coisas no mercado de redução direta, que é basicamente o oriente médio, aconteceram algumas paradas de plantas e alguns problemas operacionais de alguns, mas o mercado continua muito firme. Então, tivemos um pequeno enfraquecimento deste mercado, mas que é em função somente dos problemas operacionais dessas plantas. Então você tem aí um prêmio que você pode dizer que em relação a alto forno e redução direta, está em torno de US$ 10/t ainda, e o prêmio de alto forno acima dos US$ 30/t né, quer dizer, US$ 32/t. Se você comprar isso com nosso custo de transformação na pelotização que é um pouquinho mais que US$ 20/t, excluindo o arrendamento, você vê que temos um bom business na pelotização. Murilo Ferreira: Bem, as perguntas terminaram. Eu queria agradecer vocês. Eu acho que tivemos uma sessão bastante interessante. As perguntas foram bastante boas. Talvez a melhor sessão que eu tenha participado desde que eu retornei para a Vale, em 2011. Parabéns pelas perguntas e podem ter certeza que nós veremos nos próximos meses esse contínuo esforço que está aparecendo os resultados de redução de custos. Nós também veremos uma melhoria, uma redução dos números de investimentos a partir da própria depreciação da moeda brasileira no seu valor médio e também de economias que estão sendo feitas. A queda continua do sustaining, o base metals continuando sua trajetória de crescimento. Também gostaria de ressaltar que fiquei contente com o resultado de fertilizantes, num cenário bem desafiador e no entanto eles mostraram com expressivo redução de custos e otimizações e apresentando resultado positivo. As variações monetárias que são sempre destaque da imprensa, a imprensa fica desconfortável e nós ficamos alegres. Esse é o prejuízo que eu gostaria de ter toda semana. Ter a depreciação da moeda para que os nossos custos sejam cada vez mais competitivos. Muito obrigado a vocês. Um abraço a todos. Operadora: A teleconferência da Vale está encerrada. Agradecemos a participação de todos e tenham um bom dia. Obrigada. 12/12 13/13