SENSIBILIZAÇÃO DAS COMUNIDADES ACADÊMICA E EXTERNA EM RELAÇÃO À GERAÇÃO DO LIXO ELETRÔNICO Leila Jane Brum Lage Sena Guimarães, Ana Paula Diniz Arruda, Liza Noguchi Dantas Universidade Salgado de Oliveira-MG RESUMO: O presente trabalho trata de um tema importante para o planeta: o aumento assustador da produção de lixo eletrônico e os impactos ambientais causados por esse tipo de lixo. O curso de análise de sistemas, por lidar diretamente com tecnologia não poderia deixar de discutir o tema e, sobretudo sensibilizar e mobilizar a comunidade acadêmica e a comunidade externa. Como estratégia didática foi realizada uma feira no primeiro semestre de 2013, onde o tema Lixo Eletrônico foi abordado em relação aos seguintes aspectos: consumo responsável, riscos ao meio ambiente e o descarte correto. Os grupos utilizaram diferentes estratégias para discutir o tema com as comunidades, dentre elas: a produção de folhetos explicativos sobre o que é o lixo eletrônico, prejuízos causados à saúde ambiental quando o mesmo é descartado de forma incorreta.Na feira foi exposto uma linha do tempo mostrando a evolução dos computadores, evidenciando para o público a velocidade da tecnologia e a quantidade de insumos que são necessários para a produção de um computador. A discussão e a divulgação do tema remete à uma necessidade da adoção de práticas de consumo consciente e de cidadãos cada vez mais comprometidos com as relações ambientalmente corretas. PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia; lixo eletrônico; meio ambiente. 1. Introdução A realidade atual mostra uma crescente aceleração na produção e no consumo de produtos eletrônicos. Com o incentivo do marketing, os novos e periódicos lançamentos com alguma inovação incremental tornam o equipamento anterior prematuramente obsoleto, acelerando o seu descarte. Por consequência é acarretado um crescimento exponencial desse tipo do resíduo eletrônico, que, ao ser enviado para os aterros industriais, superlota ainda estes locais e oferece riscos ao meio ambiente. O impacto da produção e consumo desenfreado de equipamentos e aparelhos eletroeletrônicos está muito acima do nível de sustentabilidade exigido nos dias de hoje para qualquer atividade, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Com o enfoque na busca de um equilíbrio entre a constante evolução de processos industriais e a sustentabilidade, lembrando que a sustentabilidade implica em um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, este artigo pretende evidenciar a importância da discussão sobre o descarte do lixo eletrônico de forma correta, bem como a necessidade da formação de cidadãos cada vez mais comprometidos com as relações ambientalmente corretas. Atualmente, muito se tem discutido a respeito da sustentabilidade no âmbito das organizações, existindo um consenso sobre a adoção de práticas sustentáveis nas suas diversas atividades. A definição de sustentabilidade a que aqui se refere foi apresentada no documento intitulado “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como Relatório de Brundtland (1987): “atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades” (CMMAD, 1991). De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 2010), o Brasil é o país que mais produz lixo eletrônico, por habitante, entre os países em desenvolvimento, chamados de emergentes. Outro agravante foi que a ONU ainda confirmou que o país Brasil não possui ampla estratégia para lidar com o problema, dependendo apenas de projetos isolados em nível privado e estatal. Com a grande expansão do poder aquisitivo, ofertas de compra e consumo desenfreado de equipamentos e eletrônicos e eletrodomésticos, o Brasil é o que mais descarta geladeira por pessoa por ano e em seguida vem os descartes de aparelhos celulares, TVs e impressoras, provocando grandes impactos ambientais e problemas de saúde pública se não atuarem e souberem fazer o reaproveitamento, reutilização e reciclagem dos produtos eletrônicos e eletrodomésticos e insumos de componentes eletrônicos. Ainda a ONU estima que, em todo planeta, 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas ao ano. Grande parte desse número é gerado por países ricos. Segundo Ferreira (2008) a popularização e o consumismo de produtos tecnológicos agravam o problema do resíduo eletrônico. Fatores como o avanço tecnológico e as políticas econômicas incentivam o consumo da sociedade, seja em função da melhora no designer de um produto, seja pelo lançamento de uma nova versão do produto. As pessoas precisam compreender que qualquer produto consumido por elas, um dia será descartado. O descarte do produto não significa o fim do mesmo, visto que no caso do lixo eletrônico o mesmo é composto de uma grande variedade de insumos. O termo lixo eletrônico vem do inglês e-waste, pode-se considerar lixo eletrônico ou resíduo eletrônico que é composto por resíduos de peças e equipamentos eletrônicos obsoletos provenientes de descarte de vários eletrônicos tais como; TVs, celulares, computadores, tablets, geladeiras, microondas, impressoras, receptores de antena, roteadores, relógios e outros equipamentos. Provocam sérios danos ao meio ambiente e à saúde humana por serem compostos por metais pesados, polímeros e substâncias tóxicas. Considerando esse aspecto torna-se fundamental saber como lidar com esse tipo de resíduo, para que os danos ambientais possam ser minimizados. O conhecimento sobre a natureza do resíduo é uma condição fundamental para que as pessoas possam saber como proceder no seu descarte correto. Cabe ressaltar o papel das instituições de ensino e do poder público. As instituições de ensino devem oportunizar um ensino em consonância com as demandas da sociedade, preparando o aluno para ser um agente transformador na sociedade ao poder público cabe criar condições (legislar, implementar e fiscalizar) para que os resíduos sejam destinados de forma correta. 2. Referencial Teórico A Revolução Industrial se constituiu num dos capítulos mais importantes da história da humanidade. O mundo depois da era das máquinas deixou de ser o mesmo. A produção em série aumentou a oferta de bens de consumo (MOCELLIN, 2005, p. 298). A partir de 1760 a Revolução Industrial que se consolidou na Inglaterra em meados do século XIX tornou possível àquela época a produção de bens em larga escala. Passou-se do trabalho artesanal para a produção de máquinas a vapor, concentradas em grandes fábricas o que acarretou profundas transformações sociais e econômicas (MANO et al, 2005, p. 42 ). Esta ideia é reafirmada por Ferreira & et al.(2008), determinando que a urbanização mundial com seu inicio na Revolução Industrial, trouxe o acúmulo de lixo gerado pelo consumo inconsciente do ser humano, causando sérios problemas ambientais. A preocupação ambiental com o esgotamento dos recursos naturais surgiu com a percepção de que a capacidade do ser humano de alterar o meio ambiente aumentou significativamente, levando a consequências negativas (SEIFFERT, 2007, p.17) Torna-se necessário discutir no âmbito das Universidades questões emergentes na Sociedade, como por exemplo, a produção e o descarte do lixo eletrônico. Pensar práticas pedagógicas que favoreçam e ampliam a discussão das questões emergentes é um dever e desafio constante para os docentes. Segundo JACOBI (2005) as praticas educativas devem ser direcionadas para propostas educativas centradas na mudança de hábitos, atitudes e pratica sociais, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos. Contribuir para a construção de sociedades sustentáveis e equitativas ou socialmente justas e ecologicamente equilibradas e gerar, com urgência, mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida (FÓRUM INTERNACIONAL DAS ONGs, 1995). A temática ambiental se apresenta todos os dias na vida das pessoas em diferentes instâncias seja assistindo um vídeo sobre a poluição, seja fazendo opções de consumo. Considerando que o consumo é algo que realizamos diariamente, cabe discutir e aprofundar as questões que se relacionam a nossas escolhas de consumo. As alterações do meio ambiente e suas consequências para todas as formas de vida são pontos relevantes e que devem ser discutidos com o auxílio de outros saberes na escola. O ensino do tema Meio Ambiente pode contribuir para ampliar a percepção ambiental do aluno em relação aos problemas locais, regionais e mundiais, levando-o a refletir acerca do seu papel como agente modificador do meio e cidadão do planeta (DINIZ, 2010) Segundo MATTOS & et al.(2008),a preocupação em relação ao lixo eletrônico como televisores, equipamentos de áudio, baterias e telefones celulares vem crescendo nos últimos anos, entre os governos. Esse tipo de resíduo libera substâncias como o chumbo pode poluir lençóis freáticos e o solo. Considerando o grande avanço tecnológico que reduziu o ciclo de vida dos equipamentos eletrônicos, produzindo um lixo tecnológico que na maioria das vezes não é destinado corretamente. É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação de uma sociedade crescentemente não só ameaçada, mas diretamente afetada por riscos e agravos socioambientais. Num contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, a problemática envolve um conjunto de atores do universo educativo em todos os níveis, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar (JACOBI, 2005) De acordo com JACOBI (2005), a interdisciplinaridade é um processo de conhecimento que procura estabelecer cortes transversais na compreensão e explicação do contexto de ensino e pesquisa, buscando a interação entre as disciplinas e superando a compartimentalização científica provocada pela excessiva especialização.Ainda de acordo com o autor a combinação de várias áreas de conhecimentos, a interdisciplinaridade, exige o desenvolvimento de metodologias interativas que contemple articulações entre ciências naturais, sociais e exatas. Japiassú (1996:11) considera que, uma das grandes vantagens de uma metodologia calcada nas abordagens interdisciplinares das disciplinas científicas consiste, precisamente, em postular a instauração, em nosso sistema de ensino, de uma pedagogia da incerteza, na qual educadores e educandos não acreditariam mais em verdades científicas como se elas fossem um porto seguro, em torno das quais girariam parasitariamente a fim de se impossibilitarem de assumir o medo e o desamparo. Buscar o dialogo entre diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma troca de conhecimentos é fundamental para que a pratica pedagógica possa contemplar a interdisciplinaridade. No presente trabalho buscou-se integrar a participação de diferentes áreas do saber bem como diferentes atores (comunidade acadêmica e comunidade externa). A sensibilização dos alunos em relação às questões socioambientais é necessária, uma estratégia didática que pode ser utilizada para tal sensibilização é promover atividades de extensão. PONTE (2009) destaca que a extensão como pratica pedagógica nos cursos de graduação, propicia a integração de alunos e comunidade. Além das contribuições para o processo o processo de formação de um profissional comprometido com a realidade social. A extensão pode ser uma ferramenta pedagógica para promover uma formação profissional que seja capaz de transformar a realidade. Para atuar no mercado de trabalho, o perfil do profissional a ser formado, inclusive via contribuições da extensão universitária, deve ser daquele que constrói uma metodologia de intervenção a partir do domínio teórico e crítico-reflexivo do processo histórico de construção da realidade social que possibilite apreender seu objeto de intervenção, enquanto expressão particular da questão social. Essa intervenção, por sua vez, precisa ser planejada e capaz de enfrentar as determinações conjunturais da sociedade, tendo como pressuposto o reconhecimento da singularidade dos sujeitos sociais (experiências de vida, necessidades e potencialidades) (SANTOS, 2012). SANTOS (2012) destaca que a universidade possui a função de preparar os acadêmicos em relação aos aspectos teóricos e metodológicos, capacitando-os na identificação das diferentes expressões da questão social presentes no cotidiano da prática profissional, oferecendo o suporte necessário para que os futuros profissionais, a partir de um olhar crítico, desvelem a realidade concreta e desenvolvam ações criativas que venham ao encontro das reais necessidades da sociedade. As instituições de ensino representam um espaço propício para a discussão das questões ambientais devido a sua natureza peculiar de envolver-se com o futuro, com efeito, a proteção e o convívio com o meio ambiente não passarão de retórica, enquanto não envolvê-las como atividade curricular, mas também devem conceber modelos de gestão ambiental (BARROSO & COSTA, 2005, p. 251). Ante o exposto, as instituições educacionais devem considerar a responsabilidade ambiental como plataforma na perspectiva de se construir um novo pensamento, em que a natureza seja descortinada cientificamente, para protegê-la e onde a gestão ambiental seja instrumento mediador de uma relação profícua entre homem/sociedade e natureza. A Universidade deve e pode contribuir para difundir praticas e um estilo de vida mais sustentável com o intuito de promover a melhoria da saúde ambiental. Esse cenário delineado de uma necessidade urgente de discussão de questões emergentes na Sociedade aliado a uma busca de novas praticas pedagógicas que possam efetivamente promover não somente o conhecimento técnico cientifico, mas também motivar uma postura mais sensível, consciente e cidadã em relação aos problemas ambientais norteou o desenvolvimento das atividades relatadas nesse artigo. 3. Metodologia O presente trabalho foi realizado pelas turmas do 1º e 2º períodos do curso de Análise de Sistemas da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO BH, no primeiro semestre de 2013. O trabalho foi orientado pelos professores de Análise de Sistemas e Engenharia de Produção buscando um diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento. Realizou-se uma reunião com os alunos e professores com intuito de contextualizar e nortear o desenvolvimento dos trabalhos, estabelecendo cronograma e objetivos da atividade proposta. Após a explanação e motivação dos alunos houve então a divisão dos grupos por assuntos relacionados à temática central (Lixo eletrônico). Foram formados sete grupos sob a orientação de docentes a fim de desenvolver a parte teórica; para tanto se orientou os alunos que à utilizarem o procedimento de pesquisa bibliográfica, através de livros, revistas e internet, para construir um embasamento teórico da temática. Durante o planejamento, foram definidos os postos de coleta, assim como os meios e materiais de divulgação do evento. Também foram discutidas as questões envolvendo os locais para armazenamento das doações, o registro das doações, a equipe de trabalho e o transporte dos materiais arrecadados durante a campanha. Na etapa seguinte os alunos sob a orientação dos professores dos cursos de Analise de Sistemas e Engenharia de Produção foram desenvolvidos folhetos explicativos, que abordavam os aspectos mais relevantes em relação à temática do Lixo Eletrônico como, por exemplo: prejuízos causados à saúde ambiental e a saúde humana quando o mesmo é descartado de forma incorreta, poluentes presentes no lixo eletrônico,tempo de decomposição de materiais. Materiais lúdicos como um robô de sucata e jogos sobre o lixo eletrônico também foram produzidos. Para apresentar os materiais produzidos pelos grupos, utilizou-se como estratégia didática uma feira, onde o tema “Lixo Eletrônico” foi abordado em relação aos seguintes aspectos: 1) consumo responsável, 2) riscos ao meio ambiente e 3) descarte correto. Na feira foi exposta uma linha do tempo mostrando a evolução dos computadores, evidenciando para o público a velocidade da tecnologia e a quantidade de insumos que são necessários para a produção de um computador. A feira fez parte da Semana de responsabilidade Social (SEMEX) da Universidade Salgado de Oliveira-Belo Horizonte, onde comunidade acadêmica e comunidade externa foram sensibilizadas em relação à questão do lixo eletrônico. 4. Objetivos Relatar as atividades realizadas na feira de Analise de Sistemas cujo tema foi lixo eletrônico, bem como evidenciar a necessidade da discussão do tema emergente na sociedade. 5. Desenvolvimento A feira realizada teve como foco o resíduo tecnológico gerado pela tecnologia da informação. Os alunos do curso de Análise de Sistemas fizeram vários levantamentos do processo de reaproveitamento do material, áreas de descarte, adequação a novas empresas, processos sustentáveis nas novas tecnologias, empresas que estão investindo em produtos de qualidade. Foi trabalhado com os alunos que a gestão de tal resíduo deve ser feito com a visão da engenharia de sustentabilidade. Gerenciar os resíduos eletrônicos envolve ações de gestão ambiental como o controle da poluição gerada nos processos produtivos, a economia de recursos naturais envolvendo água e energia, reciclagem de materiais e outras estratégias. Também a produção mais limpa é contemplada nesse processo, bem como a eco eficiência, pois, além das adequações envolvendo projeto de produtos e processo. A responsabilidade do usuário relativamente ao consumo consciente e ao adequado descarte do computador pessoal depois de esgotada sua vida útil é abordada. Usar equipamentos de informática se transformou em um hábito comum no dia a dia das pessoas. Substâncias silenciosas prejudicam o ser humano de tal forma que o consumidor acaba esquecendo como são prejudiciais à saúde os materiais químicos utilizados na fabricação de artigos eletroeletrônicos. É necessário, portanto que tomemos consciência que é possível reciclar, e nos mobilizarmos para que o lixo eletrônico seja descartado de forma correta, contribuindo sustentavelmente para o nosso planeta. Listamos a seguir alguns componentes que são prejudiciais à saúde humana e suas principais consequências. De acordo com a Lei nº 12.305, resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) especifica no artigo 33, que os fabricantes são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de vários tipos de produtos incluindo produtos eletroeletrônicos e seus componentes. Segundo Mattos (2008) a indústria de manufatura eletrônica é um setor em constante crescimento, perdendo apenas para a indústria petrolífera. Esse fato leva a um crescimento também do lixo eletrônico, criando problemas. Os países industrializados começaram a lidar com esse problema. A autora ressalta que não se trata apenas do volume do lixo produzido ,mas dos problemas advindos do descarte incorreto, pois uma grande quantidade de componentes tóxicos como: o chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico, cobalto podem ser liberados no ambiente. Considerando a produção crescente do lixo eletrônico e o descarte incorreto desse tipo de lixo, torna-se necessário sensibilizar e informar as pessoas sobre os danos ambientais causados pelo descarte incorreto. Os grupos trabalharam os assuntos individualmente e para a Feira de Análise de Sistemas foram feitas mesas redondas onde docentes e discentes discutiram os pontos mais importantes sobre o lixo eletrônico, a fim de montar um conjunto das principais idéias compartilhadas por todos após o trabalho. As idéias chaves mais importantes foram defendidas como marco desenvolvedor de uma conscientização acadêmica. Idéias como o fato que o descarte de lixo eletrônico em locais não específicos, tem causado um grande problema para a população, pois todo material gerado contém metais pesados, que são altamente tóxicos para as pessoas e o meio ambiente. Ao seguirem para aterros sanitários, essas substâncias tóxicas são liberadas e penetram no solo, contaminando lençóis freáticos e, aos poucos animais e seres humanos. Deste modo foi então criada uma cartilha com as principais informações do prejuízo para as pessoas e a natureza, bem como onde efetuar os descartes corretos. Outra idéia chave levantada no trabalho acadêmico foi quanto ao termo ‘lixo’, segundo Aisse et. al. (1982) designa aquilo que tecnicamente é denominado lixo sólido, sendo o mesmo resultante da atividade das aglomerações urbanas. Segundo este mesmo autor, os lixos sólidos podem ser objetos que não possuem mais valor ou utilidade, porções de materiais sem significado econômico, sobras de processamentos industriais ou sobras domésticas a serem descartadas, ou seja, qualquer coisa que se deseje jogar fora. Entretanto, o termo “resíduo sólido” diferencia-se do termo “lixo”, pois possui valor econômico por possibilitar o seu reaproveitamento no processo produtivo, ao contrário deste último que não possui qualquer tipo de valor, sendo aquilo que deve ser apenas descartado. Neste ponto os alunos se viram motivados a arrecadarem resíduos eletrônicos, como computadores pessoais, incluindo seus componentes como placas-mãe, discos rígidos, impressoras, mouses entre outros, além de baterias e aparelhos celulares e darem o devido encaminhamento dos resíduos sólidos. Os grupos desenvolveram arte de sucata, vários objetos como robôs e quadros tiveram sua estrutura formada pelos resíduos e ficaram expostos atraindo os olharam dos demais acadêmicos e da comunidade externa, reformulando o saber através da curiosidade, do despertar no novo através de um passado, pois vários dos materiais usados já haviam feito parte de algum momento da vida do observador. A atividade realizada evidenciou a necessidade da construção de mudanças em relação ao consumo e em especial ao consumo de produtos tecnológicos. Utilizar de bom senso na aquisição de equipamentos eletrônicos é também uma estratégia a ser promovida como condição essencial para a sustentabilidade. Ficar atento às práticas dos fabricantes de eletrônicos e suas políticas ambientais e evitar ao máximo adquirir produtos de empresas que fazem uso de práticas questionáveis são um começo para a mudança de comportamento. A feira demonstrou a necessidade de conscientização sobre os perigos e riscos do lixo eletrônico para o meio ambiente e os seres vivos, a ética no uso da tecnologia pela sociedade e a sustentabilidade do ciclo de consumo. Essa participação se deu na forma de atividade de extensão e propiciou o desenvolvimento de habilidades que complementam a formação profissional dos alunos, entre as quais se podem citar: pesquisa, elaboração de textos técnicos, apresentação em evento entre outras. Figura 1 – Discente do Curso de Análise de Sistemas explanando sobre o lixo eletrônico e fazendo a sensibilização no meio acadêmico. Os docentes buscaram de uma forma interdisciplinar, não apenas ensinar conceitos e funções da tecnologia, mas mostrar que tecnologia e preservação do meio ambiente andam lado a lado. Os alunos envolvidos no projeto tiveram a oportunidade de estudar e conhecer os impactos gerados pela evolução da tecnologia. Entenderam que não é apenas importante evoluir, mas também preservar. Aprenderam a respeitar o meio ambiente, analisar a questão do consumismo, e que com a evolução sustentável todos ganham. Foram alcançados os objetivos interdisciplinares e socioeducativos que envolveram todo o coletivo escolar e da comunidade. Mais de 200 equipamentos eletrônicos entre microcomputadores, celulares, fornos micro-ondas, TVs, entre outros, foram arrecadados durante a feira de apresentação dos trabalhos de lixo eletrônico. Figura 2 – Montagem de sucatas feita pelos discentes em evento acadêmico para conscientização da sustentabilidade. Há necessidade de se implementar melhorias na gestão de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos dentro dos centros urbanos, principalmente com a definição de políticas eficientes para a redução dos potenciais impactos ambientais e que considerem a participação efetiva de produtores e importadores de equipamentos eletroeletrônicos; consumidores e usuários (população em geral, empresas públicas e privadas); dos envolvidos nas atividades de coleta (sistemas de limpeza pública, catadores de recicláveis, empresas, entidade e associações de coleta e transporte privado); desmontagem, recuperação e recondicionamento (centros de descarte, catadores de recicláveis, sucateiros intermediários, assistências técnicas e indústrias) e também; dos envolvidos nas atividades de disposição final (Prefeituras Municipais e empresas públicas e privadas). A partir das peças coletadas, outras ideias surgiram no sentido da realização de oficinas de desmontagem e montagem de computadores e também de robótica a partir de sucata, voltadas para a comunidade. A realização do evento foi um marco inicial, despertando a comunidade universitária para a questão do lixo eletrônico. Desta forma, considera-se também a conscientização da comunidade, manifestada pela procura posterior ao evento para realização de doações, como um ponto relevante da atividade. 6. Conclusão A feira realizada pelos alunos e professores promoveu diferentes situações de aprendizagem para os agentes envolvidos no processo (alunos, professores e comunidade). A discussão sobre temas relevantes da nossa sociedade cria campo fértil, para que os docentes busquem estratégias de ensino que efetivamente contribuam não somente para a aprendizagem dos alunos, mas que contribua para mudanças na sociedade. É necessário oportunizar a discussão da tecnologia internalizando os custos ambientais para o planeta. A crença de que a tecnologia resolve todos os problemas precisa ser questionada, uma vez que para a produção dos aparelhos eletrônicos devem-se retirar todos os insumos do ambiente. Torna-se necessário evidenciar esses aspectos para a sociedade como um todo, a fim de que possa garantir a saúde ambiental. A atividade promovida criou um cenário fértil para a uma discussão não somente sobre o lixo eletrônico, mas também se observou ao longo das diferentes etapas do processo outras questões como: desenvolvimento sustentável, consumo consciente. O caráter também de extensão deve ser ressaltado,pois a atividade também foi inserida no âmbito da Semana de Extensão (SEMEX) da Universidade Salgado de Oliveira-Belo Horizonte promovendo a construção de um dialogo possível e necessário entre a universidade e a comunidade.A atividade ainda se mostrou uma ferramenta didática para o ensino também,uma vez que percebeu-se o envolvimento e interesse dos alunos nas atividades.Atividades em que a construção do conhecimento priorize o aluno como um sujeito atuante e transformador são necessárias,quando buscamos novos cenários para uma universidade que contribua para a resolução de demandas da sociedade. A metodologia utilizada para a realização da coleta de lixo eletrônico junto à comunidade universitária mostrou-se adequada e permitiu a discussão sobre os próximos passos para tornar esta atividade uma prática permanente na instituição. Assim, pode-se concluir que esse trabalho foi de enorme importância para a sociedade, para alunos, para professores, enfim, a todos os envolvidos, pois puderam aprender e expandir o conhecimento sobre o tema proposto. Ressalta-se ainda que seja necessário difundir, divulgar atividades que promovam espaços para a reflexão, discussão e intervenção sobre as questões emergentes na sociedade. 7. Referências AISSE, M. M; OBLADEN, N.L., SANTOS A. S. Aproveitamento dos resíduos sólidos urbanos. Curitiba: ITAH, 1982. 108p. BARROSO, Henrique César Muzzio Paiva; COSTA, Francisco. A gestão voltada para a responsabilidade ambiental: considerações sobre as instituições educacionais. Revis. Cent Ciênc. Admin., Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 250-257, dez. 2005 BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em 06 de Setembro de 2013. CMMAD (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). 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