PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
Instituto Federal do Paraná
Câmpus Paranavaí
Um documento em construção coletiva
2012-2015
1
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Secretaria da Educação Profissional e Tecnológica
Aloizio Mercadante – Ministro da Educação
Marco Antonio de Oliveira – Secretário de Educação Profissional e Tecnológica
Irineu Mario Colombo – Reitor do Instituto Federal do Paraná (IFPR)
José Barbosa Dias Junior – Diretor-Geral do IFPR – Câmpus Paranavaí
2
Este trabalho foi fruto do esforço coletivo da comunidade acadêmica e administrativa
do IFPR – câmpus Paranavaí, tendo sido coordenado pela seguinte equipe:
COORDENAÇÃO GERAL:
Thais Watakabe
PARTICIPANTES:
Alencar Garcia Bacarji
Fabiano Utiyama
Amarildo Pinheiro Magalhães
Felipe Luiz Gomes Figueira
Antão Rodrigo Valentim
Hugo Soares Bertuccini
Angela Fontana Marques
José Barbosa Dias Junior
Ayslan Trevizan Possebom
Katia Cristiane Kobus Novaes
Barbara Poli Uliano
Klessius Alexandre Guimarães
Carlos Eduardo Barão
Luiz Fernando Braga Lopes
Cinthia Bonin da Silva
Marcelo Lopes Rosa
Dailhane Grabowski Bassinello
Marcos Sakada
Daniela Eloise Flor
Priscila Ransolin
Dayane de Oliveira Gomes
Renata de Souza Panarari Antunes
Daryne Lu Maldonado Gomes da
Ricardo Gouveia Teodoro
Costa
Suellen Jensen
Denis Fabricio Marchi
Tedy Marcos Firomi
Douglas Pizzolio Lucas
Valeriê Cardoso Machado Inaba
Éber de Santi Gouvea
Vanessa Aparecida Marcolino
Edilson Bruno Romanini
Wesley Jose de Souza
Evandro Carlos Guinami
Zineide Pereira dos Santos
3
Sumário
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 6
ATO SITUACIONAL .................................................................................................... 8
CARACTERIZAÇÃO GERAL DO IFPR CÂMPUS DE PARANAVAÍ .......................... 8
Endereço ........................................................................................................................... 8
Cursos, níveis e modalidades de ensino ..................................................................... 9
Descrição da infraestrutura do câmpus ....................................................................... 9
Financiamento da Educação Profissional, Científica e Tecnológica ..................... 20
Abordagem dos aspectos nacionais do financiamento da educação no Brasil... 20
Financiamento do Instituto Federal do Paraná – Câmpus Paranavaí .................. 21
Histórico do câmpus ...................................................................................................... 23
Caracterização econômica, sociocultural e educacional da região em que o
câmpus está localizado................................................................................................. 27
Indicadores Regionais .................................................................................................... 27
Aspectos Educacionais ................................................................................................... 28
Aspectos agropecuários .................................................................................................. 31
Aspectos Industriais ....................................................................................................... 33
Geração de Empregos .................................................................................................... 34
Aspectos Culturais .......................................................................................................... 34
A realidade socioeconômica, cultural e pedagógica dos alunos do câmpus ....... 36
Organograma do câmpus ............................................................................................. 49
Servidores, funcionários e alunos do IFPR câmpus de Paranavaí ....................... 50
ATO CONCEITUAL ................................................................................................... 55
CONCEPÇÃO INSTITUCIONAL DE SOCIEDADE, ESCOLA, TRABALHO E
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. ........................................................................................ 55
Concepção Institucional de Sociedade ...................................................................... 55
Concepção Institucional de escola: as premissas e o sentido da escola pública
na conjuntura histórico brasileira................................................................................. 56
Concepção institucional de mundo do trabalho na atualidade ............................... 59
Concepção institucional de educação profissional e tecnológica na realidade
social contemporânea. .................................................................................................. 60
FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DO CURRÍCULO ................................................... 61
Método de ensino e seleção de contéudo ................................................................. 66
Concepção de avaliação .............................................................................................. 67
ATO OPERACIONAL ................................................................................................ 72
A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO IFPR CÂMPUS
PARANAVAÍ ....................................................................................................................... 72
Organização didático-pedagógica dos cursos do IFPR câmpus Paranavaí ........ 73
Política de educação inclusiva..................................................................................... 76
Políticas e práticas de educação à distância ............................................................ 78
Como é operacionalizado o planejamento escolar .................................................. 79
A política do egresso ..................................................................................................... 82
4
Relações e parcerias com a comunidade, instituições e empresas ...................... 83
A política de ensino, pesquisa e extensão do câmpus de Paranavaí ................... 85
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 93
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 94
5
INTRODUÇÃO
Este documento é fruto do esforço coletivo da comunidade acadêmica e
administrativa do Instituto Federal do Paraná – câmpus Paranavaí, e apresenta os
princípios, fundamentos, concepções e diretrizes que abrangem todo o currículo
institucional, que sustentam
as ofertas educativas do conjunto sistêmico, que
envolvem as atividades de ensino, pesquisa e extensão, como também as relações
comunitárias e empresariais, ocorrendo em um ambiente de constante interação
com o mundo do trabalho e a sociedade em geral.
O IFPR câmpus de Paranavaí entende que o Projeto Político-Pedagógico vai
além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. O
projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às
autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é
construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o
processo educativo da escola.
Dessa forma, o projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional,
com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso,
todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar
intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e
coletivos da população. É político no sentido de compromisso com a formação do
cidadão para o tipo de sociedade desejada. Na dimensão pedagógica reside a
possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do
cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no
sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas
de cumprirem seus propósito e sua intencionalidade (VEIGA, 1995).
Entendendo o projeto político-pedagógico dessa forma, os objetivos estão
fundamentados em ações educativas pautadas pelos seguintes princípios: liberdade
de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço à
6
tolerância; valorização de experiência extraescolar; e vinculação entre educação
escolar, o mundo do trabalho e as práticas sociais.
O presente documento está constituído em três partes, divididas por seções e
subseções. Na primeira parte que se refere ao ato situacional, é feita a descrição da
realidade na qual se desenvolve a ação política-pedagógica. A segunda parte diz
respeito ao ato conceitual na qual são apresentadas as concepções de sociedade,
trabalho, educação, currículo e avaliação desejadas para a formação do sujeito e a
construção da sociedade desejada. A última parte se refere ao ato operacional em
que se delineia a proposta de atuação, fundamentada em estratégias, metodologias
e ações pedagógicas voltadas às definições assumidas para atingir os objetivos
propostos.
7
ATO SITUACIONAL
O Instituto Federal do Paraná câmpus de Paranavaí é uma instituição de
ensino que percebe a educação como meio para o desenvolvimento sustentável,
enfatizando que o desenvolvimento econômico deve garantir o desenvolvimento
humano, social, cultural e político, combatendo as desigualdades sociais e regionais
assim como todas as formas de discriminação; defendendo os valores sociais do
trabalho e da dignidade humana e contribuindo decisivamente para a construção de
uma nova sociedade.
O câmpus tem como principal característica a oferta da Educação Profissional
e Tecnológica, nos níveis da Educação Básica e Educação Superior, nas suas
diversas modalidades, formando e qualificando cidadãos com vistas à atuação
profissional nos diversos setores da economia, com ênfase no desenvolvimento
socioeconômico local, regional e nacional.
Tem como grande objetivo oferecer educação de qualidade para aqueles que
não possuem ou não tiveram condições de usufruir desse tipo de ensino, oferecendo
uma formação orgânica, que não separe humanização de profissionalização, mas
que forme cidadãos. Procura-se a formação do sujeito crítico, reflexivo, participativo,
autônomo,
que
saiba
trabalhar
de
maneira
coletiva,
buscando
o
seu
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social, independente da modalidade de ensino
que frequente. Dessa forma, essa formação integral tem como objetivo promover a
transformação da sociedade por meio da educação.
A partir desses princípios e por meio dos encontros com a equipe responsável
pelo presente documento, apresenta-se a síntese dos estudos, análises e
discussões realizadas durante o primeiro semestre de 2012.
CARACTERIZAÇÃO GERAL DO IFPR CÂMPUS DE PARANAVAÍ
Endereço
8
O IFPR câmpus Paranavaí está situado na Avenida José Felipe Tequinha,
1400, no bairro Jardim das Nações, CEP: 87703-536.
Cursos, níveis e modalidades de ensino
A implantação do Instituto Federal do Paraná em Paranavaí aconteceu em
agosto de 2010, iniciou suas atividades no ensino técnico de nível médio,
modalidade subsequente ao Ensino Médio, com os cursos de Alimentos,
Eletromecânica e Informática e um total de 160 vagas ofertadas, sendo 40 para o
curso de Alimentos, 40 para Eletromecânica e 80 para Informática. Em 2011 foram
ofertadas mais 240 vagas, sendo 80 para cada curso, distribuídas em 40 vagas na
modalidade concomitante no período vespertino e 40 vagas na modalidade
subsequente no período noturno.
Em 2012, foram oferecidas 120 vagas para os cursos subsequentes
noturnos em Alimentos, Eletromecânica e Informática (40 vagas cadas) e mais 40
vagas para o curso técnico em Informática integrado ao ensino médio, além da
adesão ao Programa Mulheres Mil do governo federal. O Programa prevê o
atendimento de 100 mulheres em situação de vulnerabilidade social dando acesso a
projetos locais ordenados de acordo com as necessidades da comunidade, segundo
a vocação econômica regional e aptidões pessoais das educandas.
Descrição da infraestrutura do câmpus
Infraestrutura Física
O Câmpus Paranavaí do Instituto Federal do Paraná está localizado em uma
área de expansão do município, sendo um dos principais instrumentos de
desenvolvimento da região em que se encontra.
Suas instalações situam-se em um terreno de 85.933,91m², constituídas por
um bloco de dois pavimentos, que é composto por quatorze salas de aula, cinco
laboratórios de informática, um laboratório de física, um laboratório de química, um
laboratório de biologia com sala de esterilização, gabinete do diretor, cantina,
guarita, sanitários em ambos os pavimentos. A edificação desfruta de acessibilidade
através de rampa e barras de apoio nos sanitários destinados aos alunos.
9
Área Existente
o
Bloco 02 Pedagógico, dispondo 2.620,02m², distribuídos em 1.333,02 m² no
pavimento térreo e 1.184,00 m² no pavimento superior, além de 51,50m² para
barrilete e 51,50m² para o reservatório elevado;
o
Guarita – 12,00m²;
o
Dentre todas as salas de aula, atualmente apenas oito são usadas para o fim
que se destinam. Nos seis ambientes restantes, temos alocadas provisoriamente a
biblioteca, direção administrativa, direção de ensino e secretaria acadêmica, sala de
professores, o almoxarifado e o laboratório de eletromecânica.
O atual estacionamento oferece sessenta e cinco vagas para veículos de
pequeno porte, quatro ônibus, trinta motos e vinte bicicletas.
O Câmpus se encontra em fase de expansão, e está sendo executado o
projeto de construção de dois novos blocos didáticos, um possuindo seis salas de
aula e outro compreendendo instalações destinadas ao curso Técnico em
Eletromecânica, como laboratório de eletrotécnica, sala de soldagem, usinagem e
metrologia, dentre outras. A área dos projetos em execução são as seguintes:
Área em execução
o
Bloco didático: 06 salas (em execução), dispondo de 450,17m² distribuídos em
243,12m² no pavimento térreo e 207,05m² pavimento superior;
o
Laboratórios técnicos – eletromecânica (em execução), dispondo de
561,27m²;
Toda a dependência do Câmpus possui estrutura mínima necessária ao pleno
desenvolvimento de suas atividades. Algumas salas possuem climatização, cortinas
e/ou película solar, conforme dados que seguem:
Tabela 01 - Detalhamento do imobilizado: Bloco 02 pedagógico – pavimento térreo
PAVIMENTO TÉRREO - 1.333,02m²
AMBIENTE
ÁREA
CLIMATIZAÇÃO CORTINAS PELÍCULA
10
m²
SOLAR
(JANELAS)
LABORATÓRIO
65,78
ELETROMECÂNICA
ALMOXARIFADO
63,00
DIREÇÃO DE ENSINO/SECRET.
63,00
ACADÊMICA
SALA DE PROFESSORES
63,00
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA
63,00
BIBLIOTECA
63,00
REPROGRAFIA
9,64
CANTINA
36,39
COPA
4,98
DIREÇÃO GERAL
16,80
LABORATÓRIO BIOLOGIA
80,00
LABORATÓRIO QUÍMICA
105,32
LABORATÓRIO FÍSICA
151,13
INFRAESTRUTURA
7,15
INSTALAÇÕES SANITÁRIAS
28,33
INSTALAÇÕES
SANITÁRIAS
29,31
(PORT. NEC. ESP.)
ÁREA DE CIRCULAÇÃO/ OUTRAS 483,19
-
-
X
-
X
-
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
-
-
X
-
-
X
Os Laboratórios de física, química e biologia possuem bancadas em concreto
e dispõem de água potável e gás liquefeito de petróleo (GLP), este último
desfrutando do fornecimento através de central externa.
Tabela 02 - Detalhamento do imobilizado: Bloco 02 pedagógico - pavimento superior
PAVIMENTO SUPERIOR - 1.184,02m²
AMBIENTE
SALA DE AULA 1
SALA DE AULA 2
SALA DE AULA 3
SALA DE AULA 4
SALA DE AULA 5
SALA DE AULA 6
SALA DE AULA 7
SALA DE AULA 8
LABORATÓRIO DE
INFORMÁTICA 1
ÁREA
m²
CLIMATIZAÇÃO CORTINAS
PELÍCULA SOLAR
(JANELAS)
64,14
63,54
63,54
63,54
63,54
63,54
66,11
65,78
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
76,17
X
X
X
11
LABORATÓRIO DE
INFORMÁTICA 2
LABORATÓRIO DE
INFORMÁTICA 3
LABORATÓRIO DE
INFORMÁTICA 4
LABORATÓRIO DE
INFORMÁTICA 5
INFRAESTRUTURA
INSTALAÇÕES
SANITÁRIAS
ÁREA DE CIRCULAÇÃO/
OUTRAS
76,17
X
X
X
76,17
X
X
X
76,17
X
X
X
77,66
X
X
-
4,6
-
-
-
29,31
-
-
X
254,04
-
-
X
Em instalações hidráulicas, o bloco dispõe de 51,50m² para o barrilete e
51,50m² para reservatório elevado, este último dividido em dois compartimentos
iguais, dos quais um armazena água potável e o outro pluvial para reuso em
instalações sanitárias, através da captação por cisterna e bombeamento
automatizado.
Os locais onde não consta climatização, cortinas e/ou película solar receberão
tais aplicações conforme definido em planejamento de adequação/expansão, bem
como para os blocos em execução, oportunamente.
Tabela 03 Detalhamento do imobilizado: Guarita
AMBIENTE
SALA
INSTALAÇÃO SANITÁRIA
GUARITA - 12,00m²
ÁREA
PELÍCULA SOLAR
CLIMATIZAÇÃO CORTINAS
m²
(JANELAS)
10,15
X
X
1,85
X
Tabela 04 Detalhamento do imobilizado: Bloco didático – pavimento térreo (em execução):
PAVIMENTO TÉRREO - 243,12m²
AMBIENTE
SALA DE AULA
SALA DE AULA
SALA DE AULA
SALA DE APOIO
INSTALAÇÕES
SANITÁRIAS
(PORT. NEC. ESP)
ÁREA
m²
CLIMATIZAÇÃO
CORTINAS
41,92
48,25
48,25
22,67
-
-
PELÍCULA
SOLAR
(JANELAS)
-
24,36
-
-
12
ÁREA
DE
OUTRAS
CIRCULAÇÃO/
57,67
-
-
-
Tabela 05 Detalhamento do imobilizado: Bloco didático – pavimento superior (em execução):
PAVIMENTO SUPERIOR - 207,05m²
AMBIENTE
ÁREA
m²
SALA DE AULA
53,87
SALA DE AULA
63,72
SALA DE AULA
53,87
ÁREA
DE
CIRCULAÇÃO/
OUTRAS
35,59
CLIMATIZAÇÃO
CORTINAS
-
-
PELÍCULA
SOLAR
(JANELAS)
-
-
-
-
Como recurso para acessibilidade, o bloco desfrutará de plataforma
elevatória.
Tabela 06 Detalhamento do imobilizado: Bloco técnico (em execução):
LABORATÓRIOS TÉCNICOS - ÁREA ELETROMECÂNICA 561,27m²
PELÍCULA
ÁREA
AMBIENTE
CLIMATIZAÇÃO CORTINAS
SOLAR
m²
(JANELAS)
USINAGEM E METROLOGIA
84,68
METALÚRGICA E MATERIAIS
44,76
SOLDAGEM
87,44
LABORATÓRIO DE
ELETROTÉCNICA
87,36
ESCRITÓRIO MODELO
39,47
APOIO PROFESSORES
21,40
COPA
2,84
DEPÓSITO
4,41
HIGIENIZAÇÃO
5,12
DEPÓSITO DE MATERIAL DE
LIMPEZA (D.M.L.)
10,03
HALL
15,16
INSTALAÇÕES SANITÁRIAS
28,38
INSTALAÇÕES
SANITÁRIAS
(PORT. NEC. ESP.)
2,87
ÁREA DE CIRCULAÇÃO/ OUTRAS 127,35
Embora não constem nas respectivas tabelas, os blocos em execução
receberão conforme definições do planejamento de adequação/expansão, a
instalação de climatizadores, cortinas e película solar, juntamente com os ambientes
pendentes do bloco 02 pedagógico.
13
O bloco técnico disporá de bancadas fixas bem como fornecimento de gás
liquefeito de petróleo (GLP), através de central externa.
Infraestrutura acadêmica
Recursos tecnológicos
Lousa interativa digital:
Equipamento de 78 polegadas, possuindo canetas magnéticas para professor
e aluno, conectividade através de projetor multimídia, dispondo de diversas funções
que otimizam consideravelmente a ministração de conteúdos por via eletrônica. O
bloco 02 pedagógico dispõe de 10 unidades desta ferramenta instaladas
unitariamente nos seguintes ambientes: salas de aula 02, sala de aula 03, sala de
aula 04, sala de aula 05, sala de aula 06, sala de aula 07, laboratório de informática
1, laboratório de informática 2, laboratório de informática 3 e laboratório de
informática 5.
Além das unidades listadas acima, o Planejamento de Adequação/Expansão
contempla
a
instalação
de
lousas
interativas
para
todos
os
ambientes
remanescentes do bloco 02 pedagógico bem como do bloco didático com 06 salas
(em execução).
Recursos audiovisuais
Projetor multimídia fixo: equipamento disponível nas salas de aula 2, 3, 5 e 6, nos
laboratórios de informática 1, 3 e 4 e nas salas de EAD 1 e 8.
Projetor multimídia móvel: 4 unidades disponíveis.
Sonorização fixa (EAD): sonorização de ambiente composta por amplificador de
potência de dois canais com mixador e 4 mini caixas acústicas fixas. O conjunto se
encontra disponível nas Salas 1 e 8.
Sonorização e mixagem móvel: 4 caixas de som ativa 300w com diversos canais,
4 microfones de mão sem fio, mesa de som Behringer com 16 canais e diversos
recursos.
14
Recursos técnicos por eixo
Alimentos
Recursos Laboratório de Química: Medidor de pH digital portátil de bolso modelo
pH-1700; Refratômetro portátil modelo RHBO – 90 (0 – 90%Brix); Agitador vortex
com velocidade de agitação até 3800RPM (5 unidade); Cuba de ultrassom por
cavitação com capacidade total de 2,5l; Medidor de pH de bancada com saída para
conexão a computadores e sistema de compensação de temperatura automático e
manual; Estufa incubadora microprocessada para D.B.O modelo Q315M25 com
volume útil de 192L; Incubadora D.B.O com fotoperíodo BT 72/HR com faixa de
temperatura entre -10 a 60ºC e faixa de umidade entre 50 a 90%; Banho maria com
circulação
modelo MA-159 com faixa de temperatura entre 0 ate 100ºC;
Espectrofotômetro UV/Visível modelo SP 2000UV, leitura em absorbância,
transmitância e concentração; Fogão Bosch Style com 4 bocas na cor branco; Fogão
industrial Dako Couraçado com 4 bocas na cor preto; Refrigerador de alimentos
Frilux com 4 portas na cor metálica; Extrator de óleo modelo MA044/5/50; Picador de
carne boca 22 modelo BM20; Refrigerador electrolux modelo DF36A com
capacidade para 310L na cor branco (2 unidades); Balança analítica com
capacidade máxima de 250g; Processador de alimentos inox, com 6 discos.
Recursos Laboratório de Química (TECPAR): Analisador de umidade por
infravermelho modelo IV-2000; Agitador mecânico modelo RW20 com capacidade
para agitação de até 20L; Centrifuga CT-5000 com rotação máxima de 5500rpm;
Espectrofotômetro, leitura em absorbância, transmitância e concentração; Estufa
com circulação de ar e renovação de ar modelo MA035; Chapa aquecedora Modelo
208-D com temperatura até 300ºC; Bomba a vácuo; Balança semi-analitica mark
10000 classe II, com capacidade minimia de 20g e máxima de 10000g (2 unidade);
Agitador magnético com aquecimento MA085; Liquidificador industrial em aço inox;
Destilador de Nitrogênio tecnal modelo NE-036/1; Digestor de fibras modelo MA044/550; Forno mufla modelo LF0712 com faixa de temperatura entre 0 a 1200ºC,
isolamento e câmara interna de cerâmica refrataria; Extrator de óleo modelo
MA044/8/50; Medidor de pH de bancada sem eletrodo; Neutralizador de gases
scrubber modelo – TE – 152; Galeria para exaustão de gases modelo – TE –
15
040/25-GE para 40 tubos micro; Destilador de água tipo pilsen modelo – TE -273
com rendimento de 3L/h; Agitador vortex modelo EEQ9053.
Recursos Laboratório de Biologia: Refrigerador electrolux modelo DF36A com
capacidade para 310L na cor branco; Homogeneizador de amostras modelo MA –
440; Estufa de esterilização e secagem modelo 400 D com temperatura máxima de
200ºC; Incubadora D.B.O com fotoperíodo BT 72/HR com faixa de temperatura entre
-10 a 60ºC e faixa de umidade entre 50 a 90%; Osmose reversa modelo Q-842,
rendimento
de
10L/h;
Experimentoteca
(matemática,
química
e
biologia);
Microscópio binocular Nikon modelo Eclipse E100 (10 unidades); Microscópio
Trinocular.
Recursos Laboratório de Biologia (TECPAR): Freezer horizontal Gelopar modelo
GHBA-510, capacidade para 510L; Balança analítica digital Bioprecisa modelo
FA2104N, com capacidade máxima de 210g; Banho metabólico tipo Dubnoff com
agitação reciprocante modelo MA093, com temperatura máxima de 99,9ºC;
Autoclave vertical Logen modelo CS, com capacidade para 18L; Estufa para cultura
e bacteriologia modelo 410/2NDR, com sistema de aquecimento, circulação e
refrigeração; Chapa aquecedora Modelo 208-D com temperatura até 300ºC;
Microondas Brastemp em inox; Microscópio binocular Nikon modelo Eclipse E200;
Geladeira Electrolux Double modelo DC360, com capacidade total para 351L.
Informática
Computador desktop HP Compaq 6005 PRO SF: processador Intel Atom X-2, 2GB
RAM, HD 500 GB, com Monitor HP L1910, disponível em 20 unidades no laboratório
de informática 1 e 20 unidades no laboratório de informática 3.
Computador desktop HP Compaq 4000 PRO SF: processador Intel Core 2 Duo
E7200 2.93Ghz, 4GB RAM, HD 500 GB, com monitor HP L185b, disponível em 4
unidades no laboratório de informática 4 e 20 unidades no laboratório de informática
5.
Computador Desktop HP Compaq 8200 Elite: processador Intel Core i5 3.3Ghz,
4gb RAM, HD 500 GB, com monitor HP L 190hb, disponível em 20 unidades no
laboratório de informática 2.
16
Eletromecânica
Laboratório de física: 1 unidade mestra de física Cidepe EQ300 com sensores,
interface e software (mecânica, óptica, elétrica, eletromagnetismo); 2 multímetros
digitais de bancada Tectronix DMM 4040; 5 fontes de alimentação Instrutherm
FA3030 digital simétrica, 5 osciloscópios digitais Icel QS5062CA 60Mhz; 2 fontes
Chaveadas 24V 10A 110/220V 60Hz, 1 processador digital de sinais Texas Mod.
EZDSP” R2812; 2 termômetros de vareta digital Minipa MV 362; 1 computador
desktop Compuad com monitor AOC 717 FWY; 10 protoboard 830 furos Minipa MP
830 A; 3 Relógio Comparador Métrico Digimess 121.304; 1 jogo de pinças ER40 23
peças com mandril, cabeçote faceador para pastilhas intercambiáveis; 1 rugosímetro
Time 400.200; 1 impressora para rugosímetro Time 400.200 Time TA230 400.260; 1
compressor de ar Pressure 10 Pes 200l “V”; 1 banco de ensaio DS TP100-200
pneumática, 1 analisador de energia Minipa ET5060; 1 durômetro de bancada digital
TH301; 5 multímetros Digitais Minipa ET2231 3 dígitos; 1 alicate amperímetro digital
Minipa ET 3960 3 dígitos; 2 alicates wattímetro digitais Minipa ET4091; 1
capacímetro digital Minipa MC 153 3 dígitos; 3 multímetros digitais ICEL MD 6111 3
dígitos; ponte LCR Minipa MXB 821; 1 kit de sensores 10 peças contendo
operational Amplifier Unit CU6802, signal convert Unit CU6802, sensor Unit
SU6805B e 6809B, sensor Unit D6803B, Su6810B, ED6804B, ED6806B, SU6808B,
SU6807B; 10 paquímetros digitais Cosa 111101EB; 2 termos higrômetros J. Prolab
SH122; 2 luxímetros digitais portáteis Instutherm LDR 225; 1 painel de comandos
elétricos De Lorenzo 4 peças sendo banco de ensaio carga indutiva, auto
transformador de partida, motor elétrico, fonte de energia, 1 tacômetro digital
Instrutherm, 1 motoesmeril Motomil MM-100l monofásico, 3 fontes de alimentação
Edutec EEL 8006; 1 máquina universal de ensaios EDL 10000 equipada; 1
retificador de solda BR400 profissional Balmer; 1 máquina de solda Mig 250 mod.
250LK Belmer; 1 phmetro digital de bancada mod. NIPHM; conjunto bancada
principal Ekipsul com módulo para eletrotécnica, módulo para controle de velocidade
de motores, módulo para servoacionamento CA, kit módulo.
Laboratório de Eletromecânica: dois tornos mecânicos; uma lixadeira roto-orbit;
um motoesmeril; um carro transpalete hidráulico; um calibrador/traçador de altura
com relógio e contador mecânico; um desempeno em ferro fundido; uma máquina de
solda mig; dois tornos de bancada; um jogo de blocos padrão métrico em aço; dois
17
micrômetros externos; uma serra rápida; uma máquina de solda eletromeg; uma
serra fita; uma furadeira de bancada; uma máquina de solda caddy; um carro de
ferramentas com 90 peças; uma fresadora ferramenteira com morsa e divisor
universal;
Biblioteca
A Biblioteca do Instituto Federal do Paraná – IFPR - Câmpus Paranavaí tem
por finalidade apoiar as atividades acadêmicas, nas funções de ministrar ensino,
realizar pesquisas e desenvolver programas de extensão.
Todo o acervo, concernentes aos cursos ministrados no Câmpus, está
concentrado em um único espaço físico.
Área física disponível
A Biblioteca está alocada, provisoriamente, em uma sala de aula que ocupa
uma área física de 63m² com capacidade de assento para 16 alunos.
Política de aquisição, atualização e manutenção do acervo
A biblioteca tem como objetivo adquirir material de informação de maneira
racional e sistemática, utilizando-se para isso dos processos de compra, doação e
permuta. Todo o processo de aquisição é norteado por um documento denominado
“política de desenvolvimento de coleções” ainda em processo de elaboração.
Os materiais bibliográficos são adquiridos com a finalidade de suprir os
programas de ensino dos cursos técnicos, futura graduação e licenciaturas previstas
em lei, bem como dar apoio aos programas de pesquisa, extensão e FICs.
Está previsto a implantação de estudos e propostas para elaboração de
métodos de conservação preventiva, bem como, a elaboração de uma política de
preservação e conservação do material bibliográfico.
Acervo bibliográfico
O Acervo da biblioteca é constituído de documentos referentes às áreas de
ciências humanas, biológicas e da saúde, exatas e tecnológica, sociais e aplicadas e
agrárias. O acesso às coleções é aberto aos usuários, possibilitando que eles
próprios busquem a informação desejada. A descrição da coleção é feita com base
no código de catalogação AACR-2, a classificação na tabela CDD e notação de
autor na tabela Cutter.
18
Tabela 07 - Representação numérica do acervo geral da Biblioteca do IFPR câmpus Paranavaí
Títulos
Exemplares
Acervo geral Livros
593
2.833
Teses e dissertações
18
18
Periódicos
2
20
Total
613
2.871
Tabela 08 Acervo de livros conforme áreas de conhecimento CAPES/CNPQ da Biblioteca do
IFPR câmpus Paranavaí
Áreas
Ciências Exatas e da
Terra
Ciências Biológicas
Engenharias
Ciências da Saúde
Ciências Agrárias
Ciências Sociais e
Aplicadas
Ciências Humanas
Linguística, letras e artes
Títulos
168
Exemplares
614
23
93
3
38
61
125
1.108
51
195
391
37
170
94
255
Tabela 09 Acervo de livros por eixo tecnológico da Biblioteca do IFPR câmpus Paranavaí
Eixo
Tecnologia em Alimentos
Tecnologia em
Eletromecânica
Tecnologia em Informática
Núcleo Comum
Títulos
68
105
Exemplares
329
1.111
118
302
434
959
Serviços prestados pela Biblioteca
Como um dos instrumentos essenciais ao processo de ensino-aprendizagem
a biblioteca oferece vários serviços aos seus usuários, docentes, discentes e
técnicos-administrativos, visando promover o acesso e o uso da informação.
A biblioteca disponibiliza dois computadores conectados à Internet, Wireless para
dispositivos móveis além dos serviços comuns como os empréstimos domiciliares e
entre bibliotecas, educação de usuários, orientação de normalização de trabalhos
acadêmicos.
Os serviços de catalogação e empréstimos encontram-se automatizados,
sendo que o software brasileiro adquirido para o gerenciamento dos dados é o
19
Pergamum . O sistema permite fazer empréstimos, renovações, reservas dos
materiais bibliográficos e relatórios. A pesquisa pode ser realizada em uma ou em
todas as bibliotecas do IFPR, saber a localização do item pesquisado.
O software permite ao usuário recuperar qualquer item da coleção, quer por
autor, título, assunto ou termo livre, bem como, saber se o item encontra-se
disponível ou emprestado. Toda essa diversidade de possibilidades permite que
além do acervo local o usuário também pode dispor dos livros de todas as
bibliotecas dos Câmpus, utilizando-se do empréstimo entre bibliotecas. O catálogo
online pode ser acessado por meio da página http://paranavai.ifpr.edu.br/menuinstitucional/biblioteca/
no
link
biblioteca
ou
http://200.17.98.199/pergamum/biblioteca/index.php.
Na área da catalogação o sistema faz importação de dados de outras
bibliotecas usuárias do sistema Pergamum e cria uma rede de catalogação
cooperativa facilitando e agilizando o serviço de catalogação de cada unidade.
Financiamento da Educação Profissional, Científica e Tecnológica
Abordagem dos aspectos nacionais do financiamento da educação no Brasil
As questões relativas ao financiamento são essenciais para qualquer política,
inclusive, as políticas educacionais. “O financiamento é uma questão crucial no
quadro das mudanças de relações entre Estado e as instituições educacionais,
especialmente as públicas. As novas formas de financiamento apresentam algumas
características específicas e tão importantes que acabam dando o tom aos
conteúdos das reformas” (DIAS SOBRINHO, 2002, pg. 172).
Em novembro de 2006 foi realizada 1° Conferência Nacional de Educação
Profissional e Tecnológica, onde se observou, entre outras questões, que “a história
da legislação da educação brasileira, que desde a Constituição de 1934,
sistematicamente vincula e prevê recursos para o financiamento da educação
nacional, como também o fez a Constituição Federal de 1988 quando fixou 18% da
arrecadação de impostos por parte da União e, 25% nos Estados, Distrito Federal e
Municípios destinados à Educação, deixou a Educação Profissional sem previsão
legal de recursos, pois as menções existentes, em tese, restringem-se ao Ensino
Fundamental, Médio e Superior”.
20
Nesse contexto, diante da proposta de expansão e reestruturação da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, estas questões tem sido
objeto de grandes discussões no âmbito federal, uma vez que, além do
financiamento necessário para implantação dos novos câmpus dos Institutos
Federais (IF’s), ainda é preciso buscar recursos para atendimento das demandas
remanescentes das instituições que foram absorvidas pela rede federal, mas que
não tiveram o investimento necessário para a sua adequação.
O financiamento da educação pode ser apontado como uma das questões que
limitam o acesso e a qualidade do ensino no Brasil. Ao discutir este financiamento,
têm-se três aspectos relevantes: “a necessidade de mais recursos financeiros para a
educação, a política de vinculação de recursos e a política de fundos” (ARELARO &
GIL, 2005, p. 53). Portanto, pressupõe-se que, para garantir recursos sistemáticos e
permanentes, estes aspectos devem ser balizadores na discussão sobre o
financiamento da educação profissional, científica e tecnológica. É necessário
indicar segurança a sociedade e fixação de critérios de eficiência e eficácia nas
ações educacionais e gestão transparente na aplicação dos recursos.
A consolidação desta política na condição de política pública de Estado
depende, principalmente, da preocupação constante o estabelecimento de critérios e
definição de fontes de recursos permanentes que possam garantir a qualidade no
desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão no que se referem à infraestrutura
física, equipamentos e materiais de laboratórios, acervo bibliográfico e ainda,
condições dignas de trabalho e manutenção das garantias sociais conquistadas
pelos profissionais da educação, pelos estudantes e por toda sociedade brasileira.
Financiamento do Instituto Federal do Paraná – Câmpus Paranavaí
O Instituto Federal do Paraná (IFPR), assim como os demais Institutos Federais
espelhados pelo Brasil, possuem natureza jurídica de autarquia pública federal, que
conforme estabelecido pela Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008 e suas
alterações, tem garantida a sua autonomia administrativa, patrimonial, financeira
(...). Esta autonomia se refere à gestão e aplicação dos recursos disponibilizados
para reestruturação e manutenção da Rede Federal de Educação Profissional,
Científica e Tecnológica. Assim, os IF’s têm como principal fonte de financiamento,
21
os recursos públicos provenientes do Orçamento Geral da União, os quais ficam a
cargo da própria instituição o seu gerenciamento, aplicação e controle a fim de
financiar a Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Atualmente, o IFPR – Câmpus Paranavaí é financiado pelas seguintes fontes:

Recursos do orçamento da União, oriundos do Orçamento Geral
da União (OGU), que são distribuídos conforme as dotações
aprovadas pela Lei Orçamentária Anual (LOA). São recursos
provenientes de receitas de impostos, taxas, contribuições,
operações de crédito, etc. que são vinculadas, constitucionalmente
ou por legislação específica, à educação. No caso dos IF’s, o
montante de recursos para manutenção e investimentos é
estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC), conforme
critérios acordados com o Conselho Nacional das Instituições da
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
(CONIF), que definem a matriz orçamentária baseada no número
de matrículas, considerando também a implantação de novos
câmpus. No IFPR, os recursos são recebidos pela Reitoria que é a
Unidade Gestora principal, e descentralizados aos câmpus para
execução
de
acordo
com
as
diretrizes
estabelecidas
no
planejamento institucional. Referente às despesas de pessoal, que
compreende o pagamento de salários e benefícios, os recursos
são executados e controlados pelo Ministério Planejamento,
Orçamento e Gestão (MPOG).

Recursos
de receitas
próprias,
que são
resultantes de
recolhimentos à conta única da união com vinculação à instituição.
Como exemplo, aluguéis de imóveis pertencentes ao órgão
público, taxas, doações, prestação de serviços, e etc.;

Recursos descentralizados por outros órgãos, que decorrem de
projetos e parcerias para captação de recursos destinados ao
apoio de ações institucionais;

Recursos
de
emendas
parlamentares,
provenientes
de
emendas, individuais ou de bancada, propostas pelos deputados e
senadores para o orçamento geral da união.
22
Para execução destes recursos, o IFPR – Câmpus Paranavaí vem apostando
na prática de orçamento participativo. Após a definição do montante de recursos que
será destinado ao câmpus no exercício, os gestores iniciam o processo de
planejamento interno, em consonância com as diretrizes pré-estabelecidas pelo
IFPR. Esse planejamento interno consiste na discussão junto aos eixos tecnológicos
para exponham suas demandas.
Considerando, primordialmente, que o orçamento é limitado, e geralmente,
não será possível atender todas as demandas, os gestores definem centros de
custos com limites orçamentários de acordo com a qualificação dos cursos é alto,
médio e baixo custo. Dentro destes limites, os eixos elencam suas prioridades que
serão atendidas ao longo do exercício conforme ocorrerem o recebimento dos
recursos.
Dessa forma, o IFPR – Câmpus Paranavaí busca assegurar acesso às
informações e participação coletiva nos processos decisórios, propiciando condições
de transparência no planejamento das ações administrativas e financeiras.
Histórico do câmpus
O Instituto Federal do Paraná foi criado pela Lei 11.892 de 28 de dezembro de
20081, com a transformação da Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná 2,
tendo como primeiro reitor o Prof. Alípio Santos Leal Neto. A história do Câmpus
Paranavaí, porém, situa-se no contexto de movimentos locais e regionais que
pleiteavam a instalação de uma instituição federal de ensino em Paranavaí.
Esse movimento tem como marco documental inicial o Ofício Gabinete 200/2006,
de 2 de maio de 2006, emitido por Maurício Yamakawa, prefeito da época,
solicitando a instalação do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-PR3)
em Paranavaí. Os diálogos originados a partir de então culminaram com a
apresentação, em novembro de 2006, de uma proposta de projeto para implantação
do Câmpus Paranavaí da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Tal proposta envolvia o então Reitor da UTFPR, Eden Januário Neto, o Vice-Reitor,
1
Conforme artigo 5º, inciso XXV da referida lei.
A história da Escola Técnica da UFPR e a sua transformação em Instituto Federal do Paraná encontra-se
disponível em http://reitoria.ifpr.edu.br/menu-institucional/institucional/linha-do-tempo/.
3
Pela Lei 11.184, de 27 de outubro de 2005, o CEFET-PR foi transformado em Universidade Federal Tecnológica
do Paraná (UTFPR)
2
23
Pró-Reitores e Diretores de Câmpus da Universidade, uma Comissão da Amunpar
(Associação dos Municípios do Noroeste do Paraná), com representantes de cada
um dos vinte e oito municípios4, e uma Comissão da UTFPR constituída para esse
fim, composta por Celso Aparecido Gandolfo – in memoriam (Diretor do Câmpus
Campo Mourão), Valdomiro Lubachevisk Kurta (Gerente de Relações Empresariais e
Comunitárias) e Evandro Luiz Volpato.
Cumpre salientar que, apesar do empenho institucional, não havia, por parte da
UTFPR, total certeza de que a unidade da rede federal a ser instalada em Paranavaí
faria parte da sua estrutura, conforme relato do Professor Eden Januário Neto, por
ocasião da décima primeira reunião do Conselho Universitário, do qual era
presidente: “O Presidente informou que os 06 (seis) municípios paranaenses (Foz do
Iguaçu, Telêmaco Borba, Paranaguá, Jacarezinho, Umuarama e Paranavaí) que
haviam sido contemplados no Plano de Expansão da Rede Federal de Educação
Tecnológica apresentaram os projetos ao MEC, que irá escalonar as inaugurações:
duas em 2008, duas em 2009 e duas 2010. A previsão é que o início das atividades
ocorra em agosto de 2008. O Presidente esclareceu que o MEC ainda não definiu a
natureza jurídica dessas instituições, se Câmpus da UTFPR ou se constituirão o
IFET-PR5.”
Nessa trajetória, notícias jornalísticas do final de 2007 mencionavam, com euforia
e esperança, a vinda do IFET-PR para Paranavaí, como evidencia a fala do então
Prefeito Maurício Yamakawa “É uma conquista sem precedentes para toda a região.
É uma instituição conhecida em todo o Brasil, que vai qualificar mão-de-obra em
nível técnico e superior, atraindo grandes empresas6.”, bem como a de seu sucessor
Rogério Lorenzetti “Esta vai ser uma obra importante para Paranavaí e a região.
Talvez aquela que mais vai promover o desenvolvimento econômico regional” 7. A
mesma posição era compartilhada pelo Secretário Municipal de Educação, Pedro
4
A Comissão foi constituída por meio da Portaria 01/2006 da entidade, representada por seu presidente
Walter Romão de Oliveira (in memoriam)
5
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ. Ata da Décima Primeira Reunião Ordinária do Conselho
Universitário da UTFPR. Disponível online em http://www.utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/couni/atas/
2007_ atas/ata-da-11a-reuniao-ordinaria-de-25-de-julho. Acesso em 6.mar.2012.
6
PREFEITURA DE PARANAVAÍ. DEPARTAMENTO DE IMPRENSA. Ifet de Paranavaí terá área de construção
ampliada. In: Paranavaí online: o Portal da Cidade. Disponível online em http://www.paranavaionline.com.br/
noticias/educacao/ ifet_de_paranava_ter_rea_de_instala_o_ampliada. Acesso em 6.mar.2012.
7
_____. Equipe da UFPR visita instalações do Ifet em Paranavaí. In: Paranavaí online: o Portal da Cidade.
Disponível online em http://www.paranavaionline.com.br/noticias/educacao/equipe_ufpr_visita_futuras
_instalacoes_ifet. Acesso em 6.mar.2012.
24
Baraldi, em entrevista de janeiro de 2008: “O Ifet vai representar um salto
quantitativo e qualitativo na educação da cidade e de toda a região8.”
No mesmo período, discutiam-se os cursos a serem implantados na nova
unidade da rede federal. Em audiência pública realizada em 26 de outubro de 2007,
com a presença do deputado federal André Vargas, definiram-se incialmente dois
cursos: Curso Técnico de Nível Médio em Mecânica e Curso Superior de Tecnologia
em Manutenção Industrial. Na ocasião, o parlamentar demonstrou compartilhar do
entusiasmo local com a instalação do IFET-PR em Paranavaí: “Vai trazer
desenvolvimento
investimentos.”
e
vai
qualificar
a
mão-de-obra,
atraindo
indústrias
e
9
Após a troca do terreno inicialmente doado pelo município para as instalações do
Câmpus, que se situava às margens da BR 376, no trevo de acesso ao Jardim
Oásis, pelo local atual, cuja doação foi autorizada pela Lei 3.104/2008, a licitação
para a construção do primeiro bloco, o único construído até o momento10, aconteceu
em 12 de fevereiro de 2009 e suas obras perduraram até agosto de 2010, quando o
Câmpus entrou oficialmente em funcionamento.
O primeiro Diretor do Câmpus foi o Professor Gilson de Lima Moraes, docente
remanescente do quadro da Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná,
nomeado pela Portaria nº 13, de 30 de janeiro de 2009, publicada no Diário Oficial
da União (DOU) de 9 de fevereiro de 2009 e exonerado pela Portaria 272, de 19 de
janeiro de 2011, publicada no DOU de 20 de maio de 2012. A Direção Geral do
Câmpus foi exercida também, em caráter temporário, pela Professora Edilomar
Leonart, durante o período de férias do então Diretor Geral: de 25/04/2011 a
14/05/2011, conforme Portaria 238 de 28 de abril de 2011, publicada no DOU de 29
de abril de 2011 e também de 15/05/2011 a 19/05/2011, conforme Portaria 274 de
19 de maio de 2011, publicada no DOU de 20 de maio de 2011. Em 19 de maio de
2011, foi designado Diretor Geral do Câmpus, o Professor José Barbosa Dias
8
_____.Ifet de Paranavaí terá área de construção ampliada. In: Paranavaí online: o Portal da Cidade.
Disponível online em http://www.paranavaionline.com.br/ noticias/educacao/ ifet_de_paranava_ter_rea_de_
instala_o_ampliada. Acesso em 6.mar.2012.
9
MONGE, Michele. Paranavai debate novos cursos para instituto tecnológico. Maringá.com. Disponível online
em < http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/162596/paranavai-debate-novos-cursos-para-institutotecnologico/>. Acesso em 7.mar.2012.
10
Em 12 de março de 2012 tiveram início as obras do segundo bloco que deverá conter 6 salas de aulas e
instalações para abrigar os laboratórios do Eixo Tecnológico de Controle e Processos Industriais.
25
Júnior11, conforme Portaria 273 de 19 de maio de 2011, publicada no DOU de 20 de
maio de 2011 e tem exercido a função até o momento.
Tal ato refletiu a escolha unânime do coletivo dos servidores do Câmpus,
apresentada ao então reitor-eleito, Professor Irineu Mário Colombo, em reunião
realizada no Câmpus, em 19 de abril do mesmo ano. A partir dessa indicação,
começaram a ser organizadas as Diretorias, Coordenações e Seções, sendo que a
primeira Diretora Administrativa e Financeira foi a servidora Dayane de Oliveira
Gomes12, ocupante do cargo efetivo de Contadora, e a primeira Diretora de Ensino,
a Professora Daniela Eloise Flôr13.
O IFPR Paranavaí iniciou suas atividades oficialmente em 16 de agosto de 2010,
com as aulas das primeiras turmas dos cursos técnicos subsequentes em Alimentos
(matutino), Eletromecânica (noturno) e Informática (matutino e noturno). O evento
contou com a presença do Deputado Federal André Vargas, do Deputado Estadual
Enio Verri e de lideranças locais e regionais. Na ocasião o quadro de servidores do
Câmpus era assim constituído: Amarildo Pinheiro Magalhães (Técnico em Assuntos
Educacionais), Antão Rodrigo Valentim (Professor do Ensino Básico Técnico e
Tecnológico - EBTT), Ayslan Trevizan Possebom (Professor EBTT), Carlos Eduardo
Barão (Professor EBTT ), Daniela Eloise Flôr (Professora EBTT), Dayane de Oliveira
Gomes (Contadora), José Barbosa Dias Júnior (Professor EBTT), Marcela Moreira
Terhaag (Professora EBTT), Marcos Sakada (Assistente em Administração), Ricardo
Gouveia Teodoro (Professor EBTT), Sérgio Assis de Almeida (Administrador), Thais
Watakabe (Pedagoga), Vanessa Aparecida Marcolino (Professora EBTT), Wesley
José de Souza (Assistente em Administração) e Zineide Pereira dos Santos
(Bibliotecária).
A esses servidores foram somando-se outros que, pouco a pouco, foram
ampliando o quantitativo de pessoas envolvidas no trabalhos do Câmpus,
empenhando esforços para o alcance dos objetivos institucionais em torno da oferta
de ensino público, gratuito e de qualidade.
11
O Prof. José Barbosa Dias Júnior foi redistribuído do IF-GO para o IFPR no primeiro semestre de 2010, tendo
sido o primeiro docente em efetivo exercício no Câmpus Paranavaí.
12
Nomeada pela Portaria 327 de 1 de junho de 2011, publicada no DOU de 3 de junho de 2011, exercendo a
função até o presente momento.
13
Nomeada pela Portaria 327 de 1 de junho de 2011, publicada no DOU de 3 de junho de 2011 e exonerada, a
pedido, pela Portaria 754 de 23 de novembro de 2011, publicada no DOU de 24 de novembro de 2011.
26
Caracterização econômica, sociocultural e educacional da região em
que o câmpus está localizado
Regionalmente o IFPR Câmpus Paranavaí insere-se no contexto da
Amunpar (Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense), polarizada pela
cuja localização geográfica é expressa no mapa a seguir:
Figura 1 – Mapa da região da Amunpar14
Indicadores Regionais
A região da Amunpar tem por polo a cidade de Paranavaí, que possui uma
área de 1202 km2 e segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
possui população estimado em 81500 habitantes (CENSO, 2010).
Em termos de população em desenvolvimento humano, os municípios da
região apresentam as seguintes características:
Tabela 10 Índice de desenvolvimento humano da região da AMUNPAR
MUNICÍPIO
ALTO PARANÁ
AMAPORÃ
CRUZEIRO DO SUL
DIAMANTE DO NORTE
GUAIRAÇÁ
INAJÁ
ITAÚNA DO SUL
POPULAÇÃO15
13.638
5.424
4.563
5.485
6.151
2.988
3.566
I.D.H.16
0,74
0,71
0,76
0,74
0,71
0,72
0,71
14
Fonte: Amunpar – Disponível online em http://www.amunpar.com.br/. Acesso em 28.mar.2012.
Fonte: IBGE/ Censo 2010
16
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano PNUD (2000). Não foram localizadas informações mais atuais.
15
27
MUNICÍPIO
JARDIM OLINDA
LOANDA
MARILENA
MIRADOR
NOVA ALIANÇA DO IVAÍ
NOVA LONDRINA
PARAÍSO DO NORTE
PARANAPOEMA
PARANAVAÍ
PLANALTINA DO PARANÁ
PORTO RICO
QUERÊNCIA DO NORTE
SANTA CRUZ DO MONTE CASTELO
SANTA ISABEL DO IVAÍ
SANTA MÔNICA
SANTO ANTÔNIO DO CAIUÁ
SÃO CARLOS DO IVAÍ
SÃO JOÃO DO CAIUÁ
SÃO PEDRO DO PARANÁ
TAMBOARA
TERRA RICA
TOTAL: 28 municípios
POPULAÇÃO15
1.409
20.915
6.817
2.327
1.429
12.811
11.738
2.791
81.484
4.085
2.519
11.639
8.009
8.675
3.547
2.719
6.337
5.906
2.479
4.619
14.991
259.061
I.D.H.16
0,72
0,77
0,74
0,72
0,74
0,76
0,76
0,71
0,79
0,74
0,75
0,71
0,71
0,76
0,70
0,75
0,74
0,71
0,76
0,78
0,75
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD (2002)
considera como país de baixo desenvolvimento humano aquele que apresenta um
IDH menor que 0,500; entre 0,500 e 0,800, médio e alto quando for acima deste
valor. Dessa forma, a região da Amunpar apresenta um médio índice de
desenvolvimento humano. A educação passa a ter uma grande importância, como
meio para o desenvolvimento cognitivo, profissional e social do cidadão, sendo a
educação o caminho para a transformação da sociedade.
Aspectos Educacionais
A rede de atendimento da educação básica da região da Amunpar
compreende os seguintes estabelecimentos de ensino:
Tabela 11 Atendimento da Educação Básica da região da AMUNPAR
Ensino Ofertado
Municipal Estadual Particular
Educação Infantil
131
-
31
Ens. Fundamental anos iniciais
93
4
14
28
Ens. Fundamental anos finais
2
63
11
Ensino Médio
-
56
12
Educação Profissional
-
22
4
Educação Especial
-
-
22
O atendimento ao ensino superior é feito pelas seguintes instituições por meio
dos respectivos graus e modalidades17:
Tabela 12 Atendimento Ensino Superior na região da AMUNPAR
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR
GRAU
MODALIDADE
Universidade Estadual de Maringá - UEM
Licenciatura
Bacharelado
EAD
Faculdade de Ciências Letras e Educação do Noroeste
do Paraná - FACLENOR
Licenciatura
Presencial
Faculdade Educacional da Lapa – FAEL
Licenciatura
EAD
Faculdade Intermunicipal do Noroeste do Paraná FACINOR
Licenciatura
Bacharelado
Curso Superior de
Tecnologia
Presencial
Universidade do Norte do Paraná
Licenciatura
Bacharelado
Curso Superior de
Tecnologia
EAD
Universidade Salvador
Bacharelado
EAD
17
Informações obtidas por meio do sistema E-MEC, disponível em <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em
26.mar.2012.
29
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR
GRAU
MODALIDADE
Faculdade de Tecnologia Internacional
Curso Superior de
Tecnologia
EAD
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
Licenciatura
EAD
Faculdade de Agronegócio de Paraíso do Norte - FAPAN
Bacharelado
Presencial
Universidade do Norte do Paraná
Licenciatura
Bacharelado
Curso Superior de
Tecnologia
EAD
Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO
Licenciatura
EAD
Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná
Curso Superior de
Tecnologia
Presencial
Faculdade de Tecnologia Internacional
Curso Superior de
Tecnologia
EAD
Faculdade Educacional da Lapa – FAEL
Licenciatura
EAD
Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de
Paranavaí - FAFIPA
Licenciatura
Bacharelado
Presencial
Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER
Licenciatura
EAD
30
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR
GRAU
MODALIDADE
Instituto Superior Tupy – IST
Curso Superior de
Tecnologia
EAD
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS
Licenciatura
EAD
Universidade Paranaense – UNIPAR
Licenciatura
Bacharelado
Curso Superior de
Tecnologia
Presencial
As instituições de ensino existentes na região da Amunpar abrangem todos os
níveis de ensino. A Educação Básica é ofertada por escolas municipais, estaduais e
particulares. A Educação Profissional, somente por meio de instituições estaduais e
particulares. Já a Educação Superior é ofertada por instituições particulares,
estaduais e federais. Nesta última esfera, somente na modalidade à distância.
Diante dessa realidade, os desafios educacionais que se apresentam ao IFPR serão
aprimorar a oferta de educação profissional, oferecendo cursos técnicos que sejam
do interesse da região, como também ofertar cursos superiores de tecnologia e
licenciatura a nível federal, de forma presencial.
Aspectos agropecuários
A agropecuária continua sendo a alavanca que impulsiona o crescimento da
cidade. Paranavaí possui uma intensa atividade agrícola, favorecida pelas condições
climáticas, da qual se beneficiam a pecuária e demais atividades do setor, com
destaque para plantações de mandioca, que correspondem a 24% da produção do
Estado. A citricultura está em 2º lugar, seguida das lavouras de café e soja. O
rebanho bovino corresponde a 36% do Estado, sendo o setor leiteiro responsável
31
por 6% e o gado de corte detém grande demanda dos frigoríficos, que atendem o
mercado interno e externo.
A produção de mandioca abastece dezenas de farinheiras e fecularias.
Milhares de toneladas de mandioca são processadas por dia no município.
Paranavaí é o maior produtor estadual de mandioca, respondendo por 24% das 3,9
milhões de toneladas que o Paraná produz anualmente.
A citricultura é outra marca da cidade, que ficou conhecida como a "capital da
laranja". Paranavaí é o segundo município do estado em produção de frutas, com
17% das 750 mil toneladas anuais. Foi iniciada nos anos 80 e hoje conta com duas
grandes empresas de esmagamento que processam mais de 1800 toneladas de
laranja/dia para a fabricação de suco concentrado.
O noroeste do Paraná possui 36% do rebanho bovino do estado, estimado em
9,7 milhões de cabeças. A região detém quase 60% de todos os frigoríficos do
Paraná. Os frigoríficos de Paranavaí também exportam a maior parte de sua
produção para Europa. A cidade também se destaca na produção de leite e
derivados. Paranavaí é responsável ainda por 6% de todo o leite produzido no
estado.
A
atividade
agroindustrial
cresceu
sensivelmente
em
Paranavaí.
O
crescimento no setor garantiu ao município a quarta posição no ranking das cidades
com maior oferta de emprego no estado. A partir de projetos da Prefeitura de
Paranavaí, foi criada a ADAP (Associação de Desenvolvimento da Agroindústria de
Paranavaí), que reúne dezenas de micro-empresários da agroindústria, gerando
milhares de empregos.
Os principais problemas econômicos compreendem baixa diversidade
agrícola, exaustão do modelo agroindustrial, diversidade e concentração espacial
das atividades industriais, baixo nível de especialização de mão-de-obra no setor
industrial, sub aproveitamento do potencial turístico da região e dificuldades de
comercialização dos produtos.
Neste setor, o eixo de produção alimentícia poderia estar contribuindo para a
formação de profissionais capacitados, como também por meio de parcerias com os
produtores agrícolas, estudando formas de diversificação dos meios de produção,
comercialização entre outros.
32
Aspectos Industriais
O setor produtivo que mais cresce e gera empregos em Paranavaí é a
indústria. A atividade industrial na cidade é diversificada e consistente. Paranavaí
conta com a mais completa indústria processadora de mandioca do país, com a
única refinaria capaz de extrair glucose da raiz em todo o Brasil. Diariamente,
milhares de toneladas de mandioca são transformadas em farinha, polvilho e
subprodutos industriais, que podem servir de base para a produção de creme dental,
tecelagem,
celulose,
essências
e
componentes
para
alimentos.
A cidade possui as duas grandes indústrias processadoras de laranja do
estado. As indústrias produzem suco concentrado de laranja, quase que totalmente
exportado para o Mercado Comum Europeu.
A avicultura também é forte no município, contando com inúmeros aviários
para abastecer uma avícola, cuja capacidade de alojamento é de 4.000.000 aves,
envolvendo a integração de 232 produtores da região, em 362 barracões totalizando
295.000 m2. Para isso, sua fábrica de ração produz 9.000 toneladas/mês de ração.
A cidade ainda possui indústrias moveleiras, frigoríficos e laticínios. O
desenvolvimento da indústria na cidade pode ser medido por alguns indicadores.
Entre os financiamentos do Banco Social, cerca de 33% foram aplicados em
pequenas indústrias da cidade.
De acordo com o FIEP, com sua coordenadoria Regional, há na cidade 50
indústrias de fabricação de Produtos Alimentícios, 29 indústrias de artigos do
vestuário e acessórios, 28 indústrias de fabricação de móveis entre outros.
As empresas dominantes da região concentram-se nos setores de comércio e
reparação de veículos automotores, indústria de transformação, alimentação e
agricultura. O setor metal mecânico vem destacando-se na região com indústrias
voltadas para a fabricação de metais sanitários, semi-jóias, carrocerias de metal
entre outras.
Diante dessa realidade, o eixo de Controle e Processos Industriais e o eixo de
Informação e Comunicação podem estar auxiliando no desenvolvimento desse setor,
por meio de formação de profissionais capacitados, promovendo estudos por meio
de parcerias com os empresários viabilizando a automação dos processos de
33
produção, como também no desenvolvimento de softwares para o melhoramento
desses processos.
Geração de Empregos
Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam uma queda no saldo de geração
de empregos formais em Paranavaí, em fevereiro de 2012, na comparação com o
mês anterior. Segundo as informações do Caged, foram registradas 1.022
admissões e 933 desligamentos. O saldo de 89 empregos com carteira assinada
deixou Paranavaí na 24ª posição no ranking estadual.
Em janeiro, o município conseguiu a 19ª colocação, com saldo de 152 novos
postos de trabalho.
Os dados do Caged colocam Curitiba, Londrina e Maringá, respectivamente,
como os três municípios que mais geraram empregos com carteira assinada em
fevereiro de 2012. Cianorte e Umuarama também aparecem na frente de Paranavaí.
No mês anterior, os números referentes à geração de empregos formais em
Paranavaí registraram um dos maiores índices dos últimos anos, segundo o gerente
da Agência do Trabalhador, Carlos Henrique Scarabelli, e mesmo tendo havido
queda na diferença entre contratações e demissões, o saldo ainda é positivo. Dessa
forma, o IFPR com o intuito de formar profissionais capacitados, pode motivar o
interesse de empresários e indústrias para a região, aumentando com isso a
oportunidade de emprego.
Aspectos Culturais
Conforme
informações
disponibilizadas
pela
Fundação
Cultural
de
Paranavaí18, a cidade conta com diversas atrações culturais, com oficinas,
corporações culturais e grupos artísticos.
Entre as oficinas pode-se citar a Companhia de Circo de Paranavaí que faz
uma mescla dos trabalhos envolvendo circo e teatro; no mesmo segmento possui
18
FUNDAÇÃO CULTURAL DE PARANAVAÍ. Nova Cultura. Disponível em <http://www.novacultura.com.br/v0
8/>. Acesso em 21.mar.2012.
34
uma oficina do circo que atende crianças de 7 a 14 anos, ensinando as diversas
modalidades da arte circense. Possui também a Cia. das Oficinas que é o resultado
da oficina livre de teatro, mantida há vários anos pela Fundação Cultural de
Paranavaí. Semanalmente, cerca de 300 alunos/atores de diferentes idades,
frequentam essas oficinas, na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade. Ainda
no segmento de oficinas, possui oficinas de dança, flauta, desenho percussão,
pintura, teatro, balé; violão e violino.
O Coral Municipal Viva Voz, foi fundado no dia 15 de maio de 1993, com 8
integrantes. Atualmente conta com 30 integrantes das mais variadas profissões, cuja
faixa de idade varia de 16 a 89 anos, fazendo da sua voz a sua arte. O Coral tem em
seu repertório músicas populares, clássicas, regionais, folclóricas e outros. Ensaia
três vezes por semana nas dependências da Casa da Cultura.
O FEMUP – Festival de Música e Poesia de Paranavaí e Concurso Literário
de Contos que existe desde 1966. É um dos mais antigos Festivais do Brasil e talvez
o único que reúne em três noites poesia, música, conto e declamação.
Diferentes grupos artísticos também compõem os aspectos culturais da
cidade, entre eles a “Companhia de Amigos do Riso” que se trata de um grupo
recém formado e que há algum tempo participa de oficina que se dedica a estudos
sobre como melhorar o ambiente hospitalar através da terapia do riso.
Há ainda, o grupo TEP (Teatro Estudantil de Paranavaí) que nasceu em 1969,
pela iniciativa do professor Huany França, do Colégio Estadual de Paranavaí. Em 43
anos de atividade e existência ininterruptas, levou ao palco várias montagens
diferentes, desde “Morte e Vida Severina”, a primeira, até “Pega Na Mentira!”, a atual
passando por recitais de poesia, peças infantis, musicais, dramas e comédias,
procurando atingir o público paranavaiense preferencialmente. Quando o TEP se
consolidou, optando por peças musicadas, conquistou o campo da música e o
embrião do grupo musical ganhou vida como Gralha Azul, no ano de 1977. O
FEMUP, Festival de Música e Poesia de Paranavaí e Concurso Literário de Contos,
também teve um papel importante para a criação do Grupo.
Com atividades culturais intensas na cidade de Paranavaí, o IFPR localizado
nessa cidade, procurará formas de divulgação à comunidade acadêmica, por meio
da abertura da instituição para apresentações culturais.
35
A realidade socioeconômica, cultural e pedagógica dos alunos do
câmpus
Para se ter um conhecimento concreto da realidade dos discentes do IFPR –
Câmpus Paranavaí foi necessário realizar um estudo que refletisse fielmente o perfil
socioeconômico e cultural dos alunos matriculados até o ano de 2012. Para tanto,
aplicou-se um questionário aos cursos presenciais Técnico em Alimentos
(modalidades
subsequente
e
concomitante),
Técnico
em
Eletromecânica
(modalidade subsequente e concomitante) e Técnico em Informática (modalidades
subsequente, concomitante e integrado), pontuando aspectos que demonstrassem a
realidade social, econômica, cultural e pedagógica dos alunos, por meio das
questões presentes na tabela em anexo.
Participaram dessa pesquisa 246 alunos, que por meio do questionário
aplicado chegou-se as seguintes conclusões:
Tabela 13: Faixa etária dos alunos do IFPR câmpus de Paranavaí no ano de 2012.
Nº de participantes
Idade
Dezesseis - 16
Mais de 43 anos
Vinte - 20
De 32 a 42 anos
Vinte e oito - 28
De 27 a 33 anos
Cinquenta e três - 53
De 22 a 26 anos
Setenta e seis - 76
De 17 a 21 anos
Trinta e três - 33
De 14 a 16 anos
Vinte - 20
Não responderam
Percebeu-se que a grande maioria dos estudantes são jovens com idades
entre 17 e 21 anos.
Diante dessa realidade, muitos dos alunos apresentam a
situação de “solteiro” no seu estado civil, como se pode verificar no gráfico 01
abaixo.
36
Gráfico 01: Estado civil dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí no ano de 2012.
Com relação à realidade socioeconômica dos alunos, foi-lhes perguntado a
escolaridade dos seus pais ou responsáveis, chegando à seguinte conclusão:
Gráfico 02: Escolaridade dos pais ou responsáveis dos alunos do IFPR câmpus de Paranavaí
no ano de 2012.
Os pais ou responsáveis pelos alunos, na sua grande maioria, não possuem o
Ensino Fundamental completo, uma parcela significativa concluiu o Ensino Médio e
pouquíssimos cursaram o ensino superior.
A pesquisa questionou ainda sobre a renda familiar de cada aluno, conforme
apresentando no gráfico a seguir:
37
Gráfico 03: Renda Familiar dos alunos do IFPR câmpus de Paranavaí no ano de 2012.
Setenta por cento dos alunos responderam que a renda familiar varia entre
um e três salários mínimos. Segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) baseada no número de salários mínimos pode-se fazer a divisão em
cinco faixas de renda ou classes sociais, conforme a tabela 02, válida para o ano de
2012 (salário mínimo em R$ 622). Chega-se a conclusão que os alunos fazem parte
na sua grande maioria das classes D e E.
Tabela 14: Divisão em classes sociais de acordo com a renda familiar baseado no salário
mínimo do Brasil no ano de 2012.
CLASSE
SALÁRIOS MÍNIMOS (SM)
RENDA FAMILIAR (R$)
A
Acima 20 SM
R$ 12.440 ou mais
B
10 a 20 SM
De R$ 6.220 a R$ 12.440
C
4 a 10 SM
De R$ 2.488 a R$ 6.220
D
2 a 4 SM
De R$ 1.244 a R$ 2.488
E
Até 2 SM
Até R$ 1.244
Fonte: IBGE
No mesmo questionário foi perguntado como era a sua participação nessa
renda. Dos alunos que responderam ao questionário, grande parte não é o único
responsável pela renda da sua família, contribuindo com a mesma e outra grande
parte depende da família para se manter. Assim, a renda familiar apresentada pela
maioria dos alunos representa a renda de mais de uma pessoa.
38
Gráfico 04: Participação dos alunos do IFPR campus Paranavaí na renda da família no ano de
2012.
Ainda com relação à questão socioeconômica, perguntou-se aos alunos a
situação da casa em que mora. A maioria mora em casa própria e quitada. Porém,
ainda de acordo com o questionário, 71 alunos dos 223 que o responderam, moram
em bairros periféricos da cidade de Paranavaí.
Gráfico 05: Situação de moradia dos alunos do IFPR campus Paranavaí no ano de 2012.
Contribuindo com essa questão, foi perguntado ao aluno com quem ele mora
na cidade de Paranavaí, chegando-se as seguintes conclusões, conforme gráfico 06.
39
Gráfico 06: Situação de convivência doméstica dos estudantes do IFPR câmpus Paranavaí
residentes nesta cidade no ano de 2012.
A maior parte dos alunos que responderam ao questionário moram com os
pais. O restante respondeu que mora com parentes ou sozinho ou se desloca de
outra cidade para o câmpus todos os dias.
Conforme gráfico 07 os alunos envolvidos nessa última situação estão
contidos nos 32% que utilizam transporte locado. Grande parte dos alunos vem para
a instituição com meio de transporte próprio.
Gráfico 07: Meio de transporte utilizados pelos alunos do IFPR câmpus Paranavaí no ano de
2012.
Ainda sobre a questão socioeconômica, perguntou-se aos alunos se eles são
beneficiários do Programa Bolsa Família. Oitenta e um por cento dos alunos
responderam que nunca fizeram parte do programa, outros onze por cento disseram
que já participaram e apenas 8% disse que atualmente é beneficiário.
40
Gráfico 08: Alunos do IFPR câmpus Paranavaí beneficiários do Programa Bolsa Família em
2012.
Por meio do questionário também pôde-se definir o perfil cultural dos alunos
do câmpus de Paranavaí. Primeiramente perguntou-se sobre a frequência com que
os alunos leem materiais extracurriculares. As respostas estão representadas no
gráfico 09.
Gráfico 09: Frequência de leitura de materiais extracurriculares pelos alunos do IFPR câmpus
Paranavaí no ano de 2012.
Por meio do gráfico 09, entende-se que os alunos leem outros materiais além
do escolar. Pelo gráfico 10, pôde-se analisar que tipos de materiais estão lendo.
41
Gráfico 10: Tipos de materiais que os alunos do IFPR câmpus Paranavaí tem lido ultimamente
no ano de 2012.
Entre os materiais mais selecionados, aparecem os textos virtuais com 29% e
o jornal impresso com 20%, que são os de mais fácil acesso pelos alunos. Sendo os
textos virtuais um dos materiais mais lidos pelo aluno, perguntou-se como eles
possuem acesso à internet.
Gráfico 11: Acesso a internet dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí no ano de 2012.
Pelo gráfico 11, percebe-se que 72% dos alunos entrevistados possuem
acesso à internet em sua residência, outros 12% acessam a internet no trabalho, 7%
acessam a internet na instituição de ensino, 6% em lan-house e 3% não possuem
acesso à internet. No IFPR – câmpus Paranavaí o acesso à internet é liberado aos
alunos por meio de redes sem fio, como também os mesmos podem ter acesso à
internet pelos computadores da biblioteca. Nos laboratórios de informática, há
acesso, porém somente destinado para uso durante as aulas com a anuência do
professor.
Para definir o perfil cultural dos alunos, também foi perguntado sobre o
acesso a outros meios de cultura, como cinema, teatro, peça musical entre outros.
Dos alunos entrevistados 7% informaram que nunca tiveram acesso, 60%
informaram que raramente têm acesso a outros meios de cultura, 19% tem acesso
42
pelo menos uma vez por mês, 8% sempre têm acesso e 6% pelo menos três vezes
por mês.
Gráfico 12: Acesso a outros meios de cultura dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí no ano de
2012.
No que se refere as questões específicas do ensino, perguntou-se como se
deu o ingresso do aluno na instituição.
Gráfico 13: Tipo de entrada na instituição dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí no ano de
2012
A grande maioria dos alunos não são cotistas. Entre os cotistas, 74%
pertencem à cota social, 25% à cota racial e 1% portadores de necessidades
especiais.
Dos 246 alunos que responderam o questionário, 88% estudaram o Ensino
Fundamental em instituições públicas, sendo que a grande maioria concluiu essa
etapa do ensino entre os anos de 2005 a 2008. Além disso, 88% estudaram o
Ensino Médio em instituições públicas, 42% com conclusão de 2009 a 2011.
Conforme os gráficos 14 e 15.
43
Gráfico 14: Tipo de escola que os alunos do IFPR câmpus Paranavaí estudaram no ensino
fundamental e ano de término.
Gráfico 15: Tipo de escola que os alunos do IFPR câmpus Paranavaí estudaram no ensino
médio e ano de término.
Apesar dessa realidade, alguns dos alunos que responderam o questionário
já possuem curso superior, com conclusão recente, entre os anos de 2005 a 2008 e
2009 a 2011.
44
Gráfico 16: Quantidade de alunos do IFPR câmpus Paranavaí que possuem ensino superior no
ano de 2012 e quanto terminaram.
Muitos dos alunos que não possuem curso superior pensam em cursar,
dentre os cursos citados:
Gráfico 17: Cursos superiores pretendidos pelos alunos do IFPR câmpus Paranavaí que
cursam o Técnico em Informática integrado ao ensino médio.
45
Gráfico 18: Cursos superiores pretendidos pelos alunos do IFPR câmpus Paranavaí que
cursam o Técnico em Informática.
Gráfico 19: Cursos superiores pretendidos pelos alunos do IFPR câmpus Paranavaí que
cursam o Técnico em Alimentos.
Gráfico 20: Cursos superiores pretendidos pelos alunos do IFPR câmpus Paranavaí que
cursam o Técnico em Eletromecânica.
46
Observa-se que no gráfico 17, por se tratar de alunos do primeiro ano do
curso Técnico em informática integrado ao Ensino Médio, a variedade de cursos
desejados é muito grande, mas nos demais cursos a maior porcentagem ocorre
entre os cursos da própria área.
Isso pode se dar pelo fato de que a grande maioria dos alunos escolheu o
curso que hoje cursam na instituição pela afinidade, conforme gráfico 21, buscando
uma qualificação maior na área por meio de um curso superior.
Gráfico 21: Motivo dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí terem escolhido o curso que
atualmente cursam.
A fim de suprir as dificuldades que os alunos apresentam, o câmpus pede que
seus professores deem atendimento fora do horário de aula, além de outras
atividades previstas em lei (Portaria 120 do IFPR), como retomada de conteúdo,
recuperação paralela. Porém segundo gráfico 22, os alunos pouco procuram essas
atividades que colaboram para a permanência do aluno na instituição. Alegam que
não podem comparecer devido ao trabalho e pela dificuldade em se locomover para
o câmpus, pois este tem localização distante do centro da cidade, não dispondo de
transporte coletivo a todo horário. Devido à impossibilidade de comparecem à
instituição em outros horários que não seja no período de aula, perguntou se eles
reservam um tempo de estudo além do que é realizado na aula. A grande maioria
diz estudar pelo menos meia hora por dia, conforme gráfico 23.
47
Gráfico 22: Vinda dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí à instituição fora do horário de aula.
Gráfico 23: Tempo de estudo dos alunos do IFPR câmpus Paranavaí além do estudado na
instituição
Assim, para que as questões do ensino não sejam as causas que levam o
aluno a evadir da instituição, o câmpus promoveu no ano de 2012 um período de
ambientação nas disciplinas de Português e Matemática para as turmas
ingressantes nesse ano. Procura estimular os alunos a comparecerem em atividades
fora do horário de aula, principalmente dos alunos diagnosticados com dificuldades
de aprendizagem acentuadas, como também foram realizadas várias visitas técnicas
para mostrar aos alunos áreas em que podem atuar.
Diante do exposto, perguntou-se aos alunos o que os levaria a deixar de
frequentar seu curso. As respostas seguem abaixo:
48
Gráfico 24: Motivos que levariam os alunos do IFPR câmpus Paranavaí a desistirem de seu
curso no ano de 2012.
Grande parte dos alunos, 42%, deixaria o curso caso necessitarem trabalhar,
16% deixariam o curso pelas dificuldades de aprendizagem por não entender a
linguagem do professor, 12% deixariam o curso pelas dificuldades de aprendizagem
por estar a muito tempo longe da escola e 30% alegaram que poderiam deixar o
curso pela dificuldade de transporte. Muitos desses, 30%, também alegaram que
não largariam o curso, pela importância que dão à educação.
Assim sendo, o IFPR câmpus de Paranavaí por meio de sua política de
atendimento discente busca concretizar a permanência de seus alunos, oferecendo
educação pública de qualidade além de ações que visam ajudar o aluno nas
questões de ordem social, econômica e cultural.
Organograma do câmpus
Figura 2 – Organograma do Câmpus (a ser atualizado)
49
Funções e seus atuais ocupantes:
 Diretor geral – Prof. José Barbosa Dias junior
 Seção de Gestão de pessoas – Douglas Pizzolio Lucas
 Diretoria de Planejamento e Administração – Dayane de Oliveira
Gomes
 Coordenadoria Administrativa e de Patrimônio – Wesley José de Souza
 Coordenadoria Financeira e Orçamentária – Dayane de Oliveira Gomes
 Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão – Profa. Vanessa Ap.
Marcolino
 Coordenadoria de Ensino e Apoio Acadêmico – Amarildo Pinheiro
Magalhães
 Coordenadoria de Pesquisa e Extensão – Profa. Renata de Souza
Panarari Antunes
 Coordenação do curso Técnico em Alimentos – Profa. Suellen Jensen
 Coordenação do curso Técnico em Eletromecânica – Prof. Éber de
Sânti Gouvea
 Coordenação do curso Técnico em Informática – Prof. Ayslan Trevizan
Possebom
 Seção de Apoio Acadêmico – Priscila Ransolin
 Seção Pedagógica – Thais Watakabe
 Seção de Inovação Tecnológica – Prof. Carlos Eduardo Barão
 Seção de Estágios, Empregos e Relações Empresariais – Prof. Ricardo
Gouveia Teodoro.
Servidores, funcionários e alunos do IFPR câmpus de Paranavaí
Tabela 15: Número de servidores técnicos-administrativos:
Cargo
Auxiliar de Biblioteca
Administrador
Ensino
Médio
Graduação
(em curso)
Superior
Completo
Pós-graduação
1
Total
1
1
1
50
Assistente em Administração
1
1
3
Bibliotecária
1
6
1
1
Técnico em Laboratório
1
1
Técnico em Assuntos Educ.
1
1
Pedagoga
1
1
Contadora
1
1
Cargo
Servente
Limpeza
Tabela 16: Funcionários terceirizados.
Ens. Fund. Ens.
Ens.
Incompleto Fund.
médio
de
3
Porteiro
Aux. de
Gerais
Sev.
Jardineiro
1
Vigilante
1
1
graduação
(em curso)
superior
completo
pós-graduação
1
Total
5
1
1
1
1
1
1
Motorista
2
4
1
1
Tabela 17: Número de docentes.
Atuação Profissional
Téc. em
Alimentos
Subsequente
Téc. em
Eletromecânica
Subsequente
Alencar Garcia Bacarji
X
X
Angela Fontana Marques
X
X
DOCENTES
Antao Rodrigo Valentim
Téc. em
Informática
Integrado
X
X
X
X
Ayslan Trevizan Possebom
Bárbara Poli Uliano
Téc. em
Informática
Subsequente
X
X
X
X
51
Carlos Eduardo Barao
X
Dailhane Grabowski Bassinello
X
X
Daniela Eloise Flôr
X
Daryne Lu Maldonado Gomes da Costa
X
Denis Fabrício Marchi
X
Eber de Santi Gouvêa
X
X
Fabiano Utiyama
X
Felipe Luiz Gomes Figueira
X
Jose Barbosa Dias Junior
X
Katia Cristiane Kobus Novaes
X
Luiz Fernando Braga Lopes
X
X
X
X
Marcelo Lopes Rosa
X
Renata de Souza Panarari Antunes
X
Ricardo Gouveia Teodoro
X
Suellen Jensen
X
X
X
Tedy Marcos Miranda Firomi
X
Valeriê Cardoso Machado Inaba
X
Vanessa Aparecida Marcolino Pittarelli
X
X
X
Tabela 18: Formação acadêmica dos docentes.
Docente
Alencar Garcia Bacarji
Graduação s/
licenciatura
Espec.
X
Angela Fontana
X
Ayslan Trevizan Possebom
X
Mest.
Dout
X
X
Antao Rodrigo Valentim
Barbara Poli Uliano
Graduação c/
licenciatura
X
X
X
X
X
X
X
X
52
Carlos Eduardo Barão
X
X
Dailhane Grabowski Bassinello
X
X
Daniela Eloise Flor
X
X
Daryne Lu Maldonado Gomes da Costa
X
X
Denis Fabrício Marchi
X
Eber de Santi Gouvea
X
Fabiano Utiyama
X
X
X
X
X
X
X
Felipe Luiz Gomes Figueira
X
Jose Barbosa Dias Junior
X
X
Katia Cristiane Kobus Novaes
X
Luiz Fernando Braga Lopes
X
X
X
X
X
X
X
Marcelo Lopes Rosa
X
Renata de Souza Panarari Antunes
X
X
X
X
Ricardo Gouveia Teodoro
X
Suellen Jensen
X
Tedy Marcos Miranda Firomi
X
X
X
Valeriê Cardoso Machado Inaba
X
Vanessa Aparecida Marcolino Pittarelli
X
Total
14
09
10
X
X
X
X
X
X
18
06
Tabela 19: Número de alunos
Cursos - Série
Técnico em Alimentos Sub. 4º
Semestre
Técnico em Alimentos Sub. 3º
Semestre
Técnico em Alimentos Conc. 3º
Semestre
Téc. em Alimentos Subsequente – 1º
Ano
Nº de
turmas
1
Nº de
alunos
7
1
25
1
14
1
54
Período
Mat. Vesp. Not.
X
X
X
X
Modalidade
Total
Presencial
7
Presencial
25
Presencial
14
Presencial
54
53
Téc. em Eletromecânica Subsequente4º Semestre
1
16
X
Presencial
16
Téc. em Eletromecânica Subsequente
- 3º Semestre
1
30
X
Presencial
30
Téc. em Eletromecânica Subsequente
- 1º Ano
1
46
X
Presencial
46
Téc. em Informática Subsequente - 4º
Semestre
1
15
X
Presencial
15
Téc. em Informática Subsequente - 3º
Semestre
1
27
X
Presencial
27
Téc. em Informática Subsequente - 1º
Ano
1
54
X
Presencial
54
Téc. em Informática Integrado - 1º Ano
1
40
Presencial
40
Técnico em Administração
1
21
X
EAD
21
Técnico em Eventos
1
16
X
EAD
16
Técnico em Meio Ambiente
1
22
X
EAD
22
Técnico em Logística
1
15
X
EAD
15
Técnico em Reabilitação de
dependentes químicos
1
18
X
EAD
18
Técnico em Secretariado
1
21
X
EAD
21
Técnico em Segurança do Trabalho
1
21
x
EAD
21
X
54
ATO CONCEITUAL
Nos capítulos anteriores apresentou-se a caracterização geral do IFPR
câmpus de Paranavaí. Torna-se necessário definir como a instituição entende as
concepções de sociedade, escola, trabalho e educação profissional, e como
estrutura seu currículo diante da realidade evidenciada. Assim, apresentam-se nesta
parte as bases filosóficas e epistemológicas que sustentam a pedagogia assumida
pelo IFPR câmpus de Paranavaí.
CONCEPÇÃO
INSTITUCIONAL
DE
SOCIEDADE,
TRABALHO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL.
ESCOLA,
Concepção Institucional de Sociedade
A sociedade é heterogênea, o que a torna intrinsecamente complexa,
invalidando quaisquer pressupostos totalitários, excludentes. Dessa forma, ser
crítico torna-se sinônimo de ter discernimento de que ao homem é dado o direito à
vida, e a uma vida de qualidade. A sociedade deve propiciar esse direito e, para
tanto, deve criar várias medidas para que tal condição seja assegurada. O Estado,
sob o signo do IFPR câmpus de Paranavaí, adquire um caráter fundamental para a
efetivação dessas medidas.
A sociedade deve valorizar a alteridade e por alteridade compreende-se o
outro, que é todo aquele que de certa forma escapa ao entendimento completo e
imediato de alguém, como pessoa igualmente digna de respeito. Com isso, eliminase o etnocentrismo, raiz de tantos males. A compreensão da alteridade cria um
ambiente de paz, fundamental para a saúde da comunidade humana, respeitando e
discutindo questões também relativas ao meio ambiente, de gênero e diversidade
sexual.
Uma das funções basilares do câmpus torna-se a valorização do “outro”, pois
é algo que propicia uma comunidade – sociedade – muito mais saudável, longe dos
perigos de sistemas totalitários, supressores da diferença.
É essa mesma sociedade, com suas necessidades e diferenças, o ponto de
partida para o trabalho do Instituto Federal, câmpus de Paranavaí. Ao se pautar na
realidade dos indivíduos em suas múltiplas dimensões, sociais, econômicas,
55
culturais, afetivas, o câmpus ganha notoriedade frente à comunidade, tornando-se
referência educacional, algo fundamental à população.
Concepção Institucional de escola: as premissas e o sentido da escola
pública na conjuntura histórico brasileira
Em uma breve análise histórica e política da construção da escola pública
brasileira, percebe-se as mudanças de paradigmas e concepções da escola pública
até chegar aos dias atuais e a construção dos Institutos Federais e suas
especificidades, podendo ser considerado como algo revolucionário na educação
brasileira. Os Institutos Federais surgiram com o intuito de promover a cidadania e a
formação profissional, inserindo jovens e adultos da sociedade contemporânea, esta
que é marcada pela dinamicidade e pela avalanche de transformações técnicas,
tecnológicas e sociais.
Levando em consideração que o aluno é um sujeito historicamente situado,
torna-se necessário fazer um resgate histórico da construção da escola pública
brasileira. Com a chegada dos educadores e padres jesuítas em 1549 ao Brasil,
tem-se início ao processo educativo formal no país, diferentemente da educação dos
povos que aqui já habitavam, a educação estava atrelada a conversão dos índios à
fé católica. Aqueles que pretendiam seguir as profissões liberais iam estudar na
Europa.
Em 28 de junho de 1759, Marquês de Pombal suprimiu as escolas jesuíticas
de Portugal e suas colônias. Ele instituiu as aulas régias de latim, grego e retórica
que eram autônomas e isoladas, com professor único e sem articulação entre si.
Em 1824, após a Independência do Brasil, D. Pedro I outorga a primeira
Constituição Brasileira que traz no artigo 129 a seguinte intenção: “a instrução
primária e gratuita para todos os cidadãos”. Em 1834, o Ato Adicional à Constituição
delega a responsabilidade da administração do ensino primário e secundário para as
províncias. Até o início do século XX, ocorrem várias reformas na educação.
A crise de 1929 repercutiu nas forças produtoras rurais que perderam os
subsídios do governo para a produção. A tomada de poder de Getúlio Vargas, em
1930, após ser derrotado nas eleições por Júlio Prestes, encerra o período das
reformas na educação. Os ideais da década de 1930, o acúmulo de capitais e a
crise de 1929 inserem o país em um período capitalista de produção com maior
56
investimento interno e na produção industrial. Consequentemente, o novo
movimento histórico careceu de mão-de-obra especializada e a educação assumiu o
papel de preparação de mão-de-obra. Em 1930, é criado o Ministério da Educação e
Saúde Pública.
Em 1934, a Nova Constituição dispõe a educação, pela primeira vez, como
direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos Poderes Públicos.
Com o golpe que instituiu o Estado Novo, de Getúlio Vargas, é outorgada uma
nova Constituição em 10 de novembro de 1937, na qual a orientação políticoeducacional é explicitamente voltada ao mundo capitalista ao sugerir a preparação
de um maior contingente de mão-de-obra para as novas atividades de mercado,
enfatizando o ensino pré-vocacional e profissional. A arte, a ciência e o ensino se
tornam livres à iniciativa individual ou à associação de pessoas coletivas públicas e
particulares e deixam de ser dever do Estado. A gratuidade e obrigatoriedade do
ensino primário é mantida, mas foi inserido, em caráter obrigatório, o ensino de
trabalhos manuais em todas as escolas normais, primárias e secundárias. É
acentuada a distinção entre trabalho intelectual, para as classes mais favorecidas, e
trabalho manual com ênfase no ensino profissional para as classes mais
desfavorecidas.
A partir de 1942, surgem as Leis Orgânicas do Ensino, que permitem o
surgimento do ensino profissionalizante do sistema S.
Com o fim do Estado Novo, a nova Constituição determinou a obrigatoriedade
de se cumprir o ensino primário, atribuiu à União a competência de legislar sobre
diretrizes e bases da educação nacional, voltando ao preceito de que a educação é
direito de todos, inspirada no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1930.
Após 13 anos de discussões, foi promulgada a Lei 4.024, de 20 de dezembro
de 1961, tendo suas propostas originais enfraquecidas e prevalecendo interesses
diversos na educação em confronto com os defensores do monopólio estatal da
oferta da educação brasileira.
Em 1971, é instituída a Lei de Diretrizes e Bases do Ensino de 1º e 2º Graus,
Lei 5.692/71, de 11 de agosto de 1971, em meio ao período mais cruel da Ditadura
Militar, quando os interesses contrários ao governo eram abafados com violência.
Nessa lei a educação assume um cunho profissionalizante em meio aos slogans:
“Brasil grande”, “ame-o ou deixe-o”, “milagre econômico”, entre outros, quando se
57
intencionava fazer com que a educação contribuísse para o aumento da produção
brasileira.
No período de abertura política, a partir de 1986, pensou-se que poderia ser
discutido novamente as questões da educação de forma democrática e aberta. Em
1988, o deputado Octávio Elisio encaminha um projeto de lei da nova LDB. O
deputado Jorge Hage envia um substitutivo ao projeto em 1989, e, em 1992, o
senador Darcy Ribeiro apresenta um novo projeto que foi aprovado em dezembro de
1996, criando a lei 9394/96, atual lei de diretrizes e bases da educação brasileira.
A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica tem sua
origem nas 19 escolas de aprendizes artífices instituídas em 1909, por Nilo
Peçanha. Em 1930, elas passam para a supervisão do Ministério da Educação e
Saúde Pública. Sete anos depois são transformadas em Liceus Profissionais. Em
1942, os liceus passam a se chamar escolas industriais e técnicas e, em 1959,
passam a escolas técnicas federais.
Durante a década de 1990, muitas escolas técnicas e agrotécnicas federais
tornam-se Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica), formando a base do
sistema nacional de educação tecnológica, instituído em 1994. Em 1998, a
construção de novas escolas federais é proibida. Atos normativos direcionam essas
instituições para a oferta predominante de cursos superiores e ensino médio regular,
remetendo a oferta de cursos técnicos à responsabilidade dos estados e da iniciativa
privada.
A partir de 2004, inicia-se a reorientação das políticas federais para educação
profissional e tecnológica, retomando a oferta de cursos técnicos integrados com o
médio e a alteração da lei que vedava a expansão da rede federal, em 2005. Essa
expansão colocou em evidência a necessidade de se discutir a forma de
organização dessas instituições e o seu papel no desenvolvimento social do país.
Em 2008, a Lei 11.892, cria um novo modelo de instituição de educação
profissional e tecnológica, estruturados a partir do potencial instalado nos Cefet,
escolas técnicas e agrotécnicas federais e escolas vinculadas às universidades
federais, que almeja gerar e fortalecer condições estruturais necessárias ao
desenvolvimento educacional e socioeconômico brasileiro. No Paraná, os Cefet
tornam-se Universidade Tecnológica Federal e são criados os Institutos Federais do
Paraná a partir de uma estrutura própria em uma nova organização e em novo
58
formato. O Instituto Federal do Paraná assume a educação técnica e tecnológica
verticalizada com vistas para a formação para o mundo do trabalho e para a
melhoria das condições socioeconômicas locais ao câmpus.
Enquanto premissas dessa nova Lei, os Institutos Federais objetivam a
promoção da justiça social, da alteridade, da equidade, do desenvolvimento
sustentável com vistas a inclusão social, da conscientização e soluções das
questões relativas ao meio ambiente, de gênero, de raça e de diversidade sexual,
bem como a busca de soluções técnicas e geração de novas tecnologias, atuando
em todos os níveis e modalidades de educação profissional, compromissada com o
desenvolvimento integral do cidadão trabalhador. A educação é entendida, pelo
IFPR
câmpus
de
Paranavaí,
como
instrumento
de
transformação
e
de
enriquecimento do conhecimento, que possibilita modificar a vida social e atribuir
maior sentido e alcance ao conjunto da experiência humana. A partir daí que se
deve pensar as exigências do mundo atual, buscando alterar a realidade regional e
brasileira para melhor. O câmpus assume uma educação verticalizada e deve
possibilitar aos trabalhadores a formação continuada ao longo da vida,
reconhecendo os saberes adquiridos informalmente e conjugando-os com os que
estão presentes nos currículos formais proporcionando algo revolucionário e novo na
educação pública de formação profissional e tecnológica.
Concepção institucional de mundo do trabalho na atualidade
Dentre os objetivos dos Institutos Federais dispostos na Lei 11.892/08, os
incisos IV e V do art. 7º expressam a preocupação da relação entre os Institutos
Federais e o mundo do trabalho:
“IV – desenvolver atividades de extensão de acordo com os princípios e
finalidades da educação profissional e tecnológica, em articulação com o mundo do
trabalho e os segmentos sociais, e com ênfase na produção, desenvolvimento e
difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos;
V – estimular e apoiar processos educativos que levem à geração de trabalho
e renda e à emancipação do cidadão na perspectiva do desenvolvimento
socioeconômico local e regional;”
Segundo SILVA (2009. p.43), as instituições que originaram os Institutos, até
o final do século XX, objetivavam o ensino na perspectiva de aprendizagem de uma
59
profissão, no sentido restrito. A partir da Lei 11.892/08, os Institutos Federais devem
desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão com diálogo efetivo entre
instituição e sociedade, tendo suas raízes em problemas concretos da comunidade,
buscando soluções técnicas e tecnológicas que sejam divulgadas e disponibilizadas
à sociedade.
Por força de Lei, os Institutos Federais assumem vínculo visceral com o
desenvolvimento local e a promoção da cidadania. As atividades de ensino,
pesquisa e extensão devem abrir caminhos para o acesso dos diversos públicos às
ofertas educativas e oportunidades de formação continuada e verticalizada,
proporcionando instrumentos de inserção do egresso no mundo do trabalho,
mantendo seu vínculo com a instituição.
A educação profissional e tecnológica do campus de Paranavaí assume a
preparação para a geração de renda e a emancipação do cidadão através do
desenvolvimento de processos educativos em prol do desenvolvimento local. Isso
pressupõe uma proposta de formação que conduza o educando a desenvolver a sua
percepção dos problemas contemporâneos e assumir uma postura crítica diante
deles. Para que isso ocorra é preciso autonomia intelectual e visão mais integrada
do contexto, é preciso que haja uma emancipação dos educandos para o mundo do
trabalho. Diferentemente da concepção de formação para o mercado de trabalho,
que seria voltada apenas para a preparação de mão-de-obra qualificada para
assumir um emprego determinado, o campus assume o termo de formação para o
mundo do trabalho, que é mais amplo, pois entende a educação como
transformadora da pessoa e proporciona, ao mesmo tempo, que o educando seja
um agente de transformação social, formando-o enquanto pessoa cidadã,
emancipada e autônoma.
Concepção institucional de educação profissional e tecnológica na
realidade social contemporânea.
Os processos de mudanças e inovações tecnológicas mundiais impõe-nos a
necessidade de profissionais com formação diferenciada, enquanto cidadão
emancipado e autônomo, capazes de atender este novo cenário profissional e
responder as necessidades locais.
60
Os Institutos Federais possibilitam oferecer, no mesmo local, desde a
Educação Básica (cursos de nível médio integrado, concomitante e subsequente)
até a graduação e pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).
A ousadia em construir um conhecimento alinhado às exigências do mundo
do trabalho torna-se o grande desafio do câmpus de Paranavaí, que, atento às
sinalizações emanadas do setor industrial, agrícola, varejista e atacadista da região,
como também do Conselho Técnico Consultivo e da comunidade, vislumbra o
aumento da oferta dos Cursos Técnicos, Proejas, cursos superiores e pósgraduação.
A região a que o câmpus se vincula está em um processo inicial de
beneficiamento dos seus próprios produtos primários, agregando-lhes valor, o que
tem gerado novos empreendimentos nos setores alimentícios, metal-mecânica,
agroindústria, usinas de açucares e álcool.
O câmpus oferece a formação de profissionais, na modalidade presencial e a
distância, para atuar nas sub-áreas de Ambiente e Saúde, Controle e Processos
Industriais, Gestão e Negócios, Informação e Comunicação, Produção Alimentícia,
Produção Industrial. Por meio de conhecimentos, métodos e técnicas de gestão e
planejamento, propondo e incorporando novas tecnologias, focadas na educação
continuada.
Em consonância com o aprender e o ensinar o educando na sua construção
social, cultural e profissional tem acesso a possibilidade junto as empresas e
industrias da região de inserir-se no mundo do trabalho por meio de estágios
supervisionados, pesquisa e extensão o que permite a ele o aprendizado das
atividades
profissionais
e
à
contextualização
curricular,
objetivando
o
desenvolvimento para a vida cidadã e para o trabalho.
Assim sendo o câmpus pretender atender toda a região da Associação dos
Municípios do Noroeste do Paraná, comumente conhecida como AMUNPAR.
FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DO CURRÍCULO
Os fundamentos e princípios do currículo fazem referência às relações e aos
significados orientadores do perfil do cidadão em processo de formação, visando a
sua capacitação para uma efetiva participação social, política, cultural e no campo
61
profissional. Essa orientação de caráter político e educativo está definida na
concepção de educação assumida pela instituição educacional. Esta concepção
deve
promover
uma
análise
crítica
das
realidades
sociais,
sustentando
implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Dessa forma nenhum
trabalho pedagógico está desprovido de um referencial de valores representantes de
uma visão que se tem de mundo, de sociedade, de educação, de cultura, de
trabalho, de ciência, e de ser humano.
Na realidade, o que deve ser observado, na construção de um currículo, é a
predominância da forma de organização linear no planejamento curricular. Esta
linearidade nos aprisionaria, indicando que os temas só poderiam ser trabalhados
seguindo uma sequência, passo a passo, seguindo um único caminho, que iria de
um ponto a outro, mas tendo que passar e respeitar cada sequência do ponto A para
se chegar ao ponto Z. Embora reconheça-se que possa haver, em certos casos,
alguma etapa que necessariamente precisa ser cumprida antes de outra, não
podem-se perder de vista que isto não pode se constituir em uma regra fechada ou
um único caminho existente (CEFET-RN, 2007).
Sabe-se que hoje, o desenvolvimento do conhecimento acontece em rede, na
qual teorias e conceitos estão integrados, interconectados, onde não há mais
conceitos hierarquizados, não há uma disciplina mais importante do que outra. As
disciplinas não estão mais estruturadas como blocos fundamentais construindo uma
imensa torre do conhecimento, mas tudo está em processo de construção,
desconstrução e reconstrução, em processo de criação e recriação permanente no
que se refere ao conhecimento e à aprendizagem (Morin, 2000).
Por outro lado, sabe-se que os seres humanos, não funcionam de maneira
fragmentada e nem apenas linearmente nos processos de construção do saber.
Operacionalmente, funcionam também de maneira inter e transdisciplinar em relação
ao conhecimento, isto como exigência intrínseca e operacional do próprio organismo
e não como uma circunstância aleatória qualquer (Nicolescu, 1999). É um processo
dinâmico, articulado e auto-organizador, onde a emoção influencia o raciocínio e
pode mudar a rota anteriormente programada, onde a ação, que produz o
conhecimento, resulta também da história do indivíduo e da própria coletividade. O
conhecimento em construção é também consequência de conhecimentos anteriores
que o aprendiz possui. Isto tudo é trabalhado em função das informações e dos
62
dados que a realidade oferece e que, ao serem processados pelo indivíduo,
transformam-se em estratégias de ação que dão origem a novos fatos, e que por
sua vez, são incorporados à realidade, modificando-a, transformando-a (D’Ambrosio,
1997). Precisamente ao contrário do tipo de sociedade, fundamentada no modelo
epistemológico da ciência clássica, em que os indivíduos estão separados uns dos
outros e refletem a estrutura do sistema, pouco interagem, prevalece a objetividade,
existe um estado de separação, de individualidade, de distanciamento entre sujeito e
objeto. É uma epistemologia mecanicista, compartimentada, reducionista e
desencarnada em sua compreensão do mundo social.
O conhecimento produzido nesta sociedade não leva em consideração a
complexidade das realidades sociais, dividindo os sujeitos em classes e categorias,
de acordo com a sua realidade sociocultural e econômica.
Esse modelo clássico da ordem e do determinismo não consegue explicar as
transformações aceleradas pelas quais passam as sociedades atuais, bem como o
funcionamento de um mundo globalizado e interdependente, a articulação entre o
virtual e o presencial, a ordem em seu diálogo com a desordem, a ocorrência de
instabilidade e bifurcações nos mais diferentes processos (CEFET-RN, 2007).
É preciso buscar um fundamento filosófico capaz de organizar as questões
epistemológicas relacionadas ao conhecimento e à aprendizagem e que, ao mesmo
tempo, dê sentido e direção às mudanças educacionais desejadas.
Assim, este fundamento filosófico deve ser capaz de associar conceitos
interagentes e que, ao mesmo tempo, também seja capaz de integrar e fazer
dialogar
conceitos
simples,
com
conceitos
complexos,
complementares
e
antagônicos. Ao mesmo tempo, busca-se um fundamento filosófico capaz de
incrementar uma reflexão questionadora de natureza ética.
A teoria capaz de responder às indagações e dar uma direção epistemológica
e filosófica para este currículo será a teoria histórico crítico-social, associada a uma
visão sistêmica.
O conceito de sistema nos remete à ideia de uma unidade global organizada,
significando também uma unidade complexa que articula diferentes elementos que
ocupam um determinado lugar no tempo e no espaço. Sendo unidade global
organizada, é, portanto, uma organização que, para constituir-se como tal,
63
pressupõe a existência de relações de interdependência entre os elementos
constituintes e a existência de propriedades comuns compartilhadas (Saviani, 2010).
Esse pensamento é, portanto, relacional, dialógico, interligado, indicando que
tudo existe e coexiste e que nada existe fora de suas conexões e relações. É um
pensamento que se estende englobando a cultura, a sociedade, a mente e o
indivíduo. Revela também a interdependência existente entre os diferentes domínios
da natureza, a existência de relações intersistêmicas que acontecem entre seres
indivíduos e contextos, docentes e discentes. O pensamento histórico crítico social
associado à visão sistêmica é, portanto, relacional, aberto e traz consigo a ideia de
movimento, de mudança, de inovação, de transformação, de fluxo contínuo, de
processos auto organizadores e autorreguladores, sinalizando a existência de um
dinamismo que traduz a natureza cíclica e fluída desses processos. Ele nos fala de
relações entre totalidades e partes e das partes entre si. Assim, pensar de modo
sistêmico é pensar de maneira complexa, dialógica e transformadora (CEFET-RN,
2007).
É, portanto, um pensamento que reconhece as interações mútuas,
simultâneas e recorrentes entre aprendiz e meio, entre usuário e seus sistemas,
entre aprendizes e docentes, indivíduos e contextos, razão e emoção. Inclui também
o reconhecimento da existência de um dinamismo relacional entre os indivíduos,
entre indivíduos e instrumentos da cultura, entre indivíduos e seus sistemas de
crenças, suas organizações e seus modos de pensar e fazer.
A concepção histórico crítico-social abordada por meio de uma visão
sistêmica permite reconhecer que as ações são influenciadas pela história, pelos
espaços geográficos, pensamentos, crenças, valores, reações dos outros que
contribuem para que haja uma conscientização da necessidade de transformar a
realidade vigente. O contexto da formação está sempre em transformação já que
tudo que se forma também se transforma através da reflexão e da crítica que
produzem uma nova formulação que aponta na direção de uma ação inovadora e
transformadora do “status quo” vigente. Isto porque, desde o primeiro momento em
que o educador atua, ele está interatuando em função dos pressupostos de
intersubjetividade e complexidade.
O resultado da ação “individual” do docente ou do aprendiz não depende
somente de suas atuações ou mesmo de suas intenções. Na verdade, existe uma
64
interpenetração sistêmica organizacional em termos de energia e informações que
acontece entre docente e discente, entre educadores e educandos, como nos ensina
Paulo Freire ao afirmar que “ninguém educa ninguém... os indivíduos educam-se
entre si mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1986), a qual expressa a compreensão
mais abrangente desses processos.
Assim, percebe-se que essa epistemologia compreende o que se deseja para
o currículo do IFPR câmpus Paranavaí, pois é um conceito capaz de articular
aspectos epistemológicos, filosóficos, metodológicos, socioculturais, entre outros,
que integram os vários princípios e conceitos apresentados neste projeto políticopedagógico.
Deve-se compreender também que na proposta educativa deste projeto,
essas visões explicitadas dão referência ao nível de comprometimento da
comunidade escolar, considerando que toda formação pressupõe uma respectiva
concepção de mundo que varia de acordo com as exigências dos diferentes
momentos sócio históricos.
Tudo isso se constitui em reflexos dos aspectos filosóficos de um currículo.
Esses aspectos devem ser a linha diretriz da ação escolar. Isso se traduz por meio
do qual, professores e alunos podem fazer uma reflexão crítica acerca dos
problemas inerentes ao processo de formação do indivíduo.
Adotar uma perspectiva crítica como pressuposto do currículo significa
reconhecer a não neutralidade da ciência, dos saberes e das atitudes de quem
aprende e de quem ensina. Significa também contribuir para a formação de
determinados valores dos alunos, o que leva a dimensionar uma ótica da relação
entre interesses e saberes/conhecimentos, entre os componentes afetivo, cognitivo,
social e psicomotor gerados no marco das estruturas e das dinâmicas de poder para
assumir um compromisso com a sociedade.
Diante dessa perspectiva, a concepção que norteia o projeto político
pedagógico do IFPR câmpus Paranavaí baseia-se:
• No dever de desenvolver ações que contribuam para a construção de uma
sociedade democrática e, portanto, mais justa e igualitária, o que implica no
compromisso com a transformação da sociedade vigente, tendo como referência os
interesses sociais e coletivos;
65
• Numa visão de homem como sujeito histórico, produto e produtor das relações
econômicas, sociais, políticas e culturais, que se situa no contexto das contradições
caracterizadoras de uma sociedade capitalista. Dessa forma, o homem assume uma
atitude de trabalhar a favor de uma sociedade mais justa, da democracia e da
identidade no projeto social do qual participa.
Essas concepções são, portanto, os princípios que norteiam a Estrutura
Curricular da instituição.
Método de ensino e seleção de contéudo
Toda a discussão travada ao longo deste projeto político-pedagógica e, em
especial, os princípios filosóficos e epistemológicos discutidos na seção anterior nos
permite assumir o currículo do IFPR câmpus Paranavaí como sendo um conjunto
integrado e articulado de atividades intencionadas; pedagogicamente concebidas a
partir de uma visão de sociedade, de trabalho e de educação organizadas para
promover a construção, a reconstrução e a apropriação do conhecimento numa
perspectiva histórico crítico-social, visando à formação de profissionais-cidadãos
aptos a contribuir com o desenvolvimento socioeconômico local, regional, nacional e
global na perspectiva da edificação de uma sociedade mais justa e igualitária.
Nesse contexto, o currículo constitui-se em um instrumento de mediação para
o domínio do conhecimento científico; para o desenvolvimento do pensamento
lógico, construtivo e criativo; para a formação de atitudes e convicções; e,
consequentemente, para a efetiva participação social, política, cultural e no mundo
do trabalho.
Deste modo, coerentemente como todo o exposto anteriormente estimula-se
que a aprendizagem ocorre de uma maneira que possibilite uma inter-relação
concreta entre teoria e prática em um movimento dinâmico entre ação-reflexão-ação,
proporcionando uma ruptura entre o conhecimento do senso-comum e o
conhecimento científico, por meio do diálogo e da problematização.
Quanto à seleção e organização dos conteúdos de ensino assume-se, neste
projeto, que os conteúdos compreendem os saberes que os alunos devem construir
e reconstruir para progredir nas direções que marcam os fins da educação numa
etapa de escolarização, em qualquer área ou fora delas, e, para tanto, é necessário
66
estimular comportamentos, desenvolver valores, atitudes e habilidades de
pensamento, além de conhecimentos. Além disso, é fundamental compreender que
todo e qualquer conteúdo, por mais específico que seja, sempre está articulado com
outros de natureza diversa e que portanto, a seleção desses deve considerar
possíveis interseções tanto para evitar superposições indesejáveis como para
explorar o desenvolvimento de ações multi, inter e transdisciplinares.
É fundamental romper com essa pedagogia bancária na qual o professor é
um mero transmissor de conhecimentos definidos e selecionados por especialistas e
o aluno se restringe a um receptor acrítico ou mesmo a um depósito desses
conhecimentos (FREIRE, 1986), muitas vezes, desprovidos de qualquer sentido
prático para a vida de um estudante concreto, de um ser real, pertencente a um
determinado grupo social e, portanto, com experiências e expectativas próprias de
vida.
Concepção de avaliação
O elemento chave da definição de avaliação implica em julgamento,
apreciação, valoração, e qualquer ato que implique em julgar, significa que quem o
pratica tenha uma norma ou padrão que permita atribuir um dos valores possíveis a
essa realidade. Ainda que avaliar implique alguma espécie de medição, a avaliação
é muito mais ampla que a medição ou a qualificação. A avaliação não é um
processo parcial e nem linear. Ainda que se trate de um processo, está inserida em
outro muito maior que é o processo ensino-aprendizagem e nem linear porque deve
ter reajustes permanentes.
Transformar a prática avaliativa significa questionar a educação desde as
suas concepções, seus fundamentos, sua organização, suas normas burocráticas.
Significa mudanças conceituais, redefinição de conteúdos, das funções docentes,
entre outras.
Neste momento, o que se propõe é uma reestruturação interna na escola
quanto à sua forma de avaliação. Necessita-se, sobretudo, de uma avaliação
contínua, formativa, na perspectiva do desenvolvimento integral do aluno. O
importante é estabelecer um diagnóstico correto para cada aluno e identificar as
67
possíveis causas de seus fracassos e/ou dificuldades visando uma maior
qualificação e não somente uma quantificação da aprendizagem.
A avaliação formativa não tem como objetivo classificar ou selecionar.
Fundamenta-se nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos,
afetivos e relacionais; fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais
que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que
se continue a aprender.
Este enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina,
encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem. Somente
neste contexto é possível falar em avaliação inicial (avaliar para conhecer melhor o
aluno e ensinar melhor) e avaliação final (avaliar ao finalizar um determinado
processo didático).
Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos
alunos, pode-se dizer que ela se converte em uma ferramenta pedagógica, em um
elemento que melhora a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino.
Os sentidos e finalidades da avaliação:
 Conhecer melhor o aluno: suas competências curriculares, seu estilo de
aprendizagem, seus interesses, suas técnicas de trabalho. A isso poderíamos
chamar de avaliação inicial.
 Constatar o que está sendo aprendido: o professor vai recolhendo
informações, de forma contínua e com diversos procedimentos metodológicos
e julgando o grau de aprendizagem, ora em relação a toda classe, ora em
relação a um determinado aluno em particular.
 Adequar o processo de ensino aos alunos como grupo e àqueles que
apresentam dificuldades, tendo em vista os objetivos propostos.
 Julgar globalmente um processo de ensino-aprendizagem: ao término de uma
determinada unidade, por exemplo, se faz uma análise e reflexão sobre o
sucesso alcançado em função dos objetivos previstos e revê-los de acordo
com os resultados apresentados.
A partir destas finalidades, a avaliação teria as seguintes características:
 A avaliação deve ser contínua e integrada ao fazer diário do professor:
o que nos coloca que ela deve ser realizada sempre que possível em
68
situações normais, evitando a exclusividade da rotina artificial das
situações de provas, na qual o aluno é avaliado somente naquela
situação específica, abandonando-se tudo aquilo que foi realizado em
sala de aula antes da prova. A observação, registrada é de grande
ajuda para o professor na realização de um processo de avaliação
contínua.
 A avaliação será global: quando se realiza tendo em vista as várias
áreas de capacidades do aluno: cognitiva, motora, de relações
interpessoais, de participação e, a situação do aluno nos variados
componentes do currículo escolar.
 A avaliação será formativa se concebida como meio pedagógico para
ajudar o aluno em seu processo educativo.
A prática avaliativa no IFPR câmpus Paranavaí é organizada por meio da
Portaria nº120/09. Este documento considera que a avaliação deve ser diagnóstica,
formativa e somativa, avaliando o aluno por meio dos seguintes critérios:
I.
Identificação do problema: atividade em que o aluno toma conhecimento do
problema, analisa e conclui quanto ao que está solicitado e quanto ao que é
necessário fazer para a sua superação;
II.
Elaboração de hipóteses: após análise da situação, o aluno formula
caminhos possíveis para a solução pretendida a partir das hipóteses
formuladas e dos seus ensaios, além de concluir a solução que pareça mais
adequada;
III.
Habilidade
nos
procedimentos
que
envolvem
aplicação
de
conhecimentos técnicos;
IV.
Comunicação escrita e/ou oral: habilidade discente de articulação,
fundamentação, clareza e objetividade de idéias;
V.
Interesse/dedicação: atitude discente primeira e indispensável para o aluno
que tem a intenção de construir um conhecimento determinado mediante a
atenção e/ou concentração e esforço para acompanhar as atividades de aula,
esclarecendo dúvidas, complementando, exemplificando;
VI.
Participação: conduta discente ativa, como sujeito de reconstrução do
conhecimento,
mediante
o
registro
das
idéias
desenvolvidas
e/ou
69
cumprimento das tarefas e/ou intervenções deduzidas e/ou questionamentos
fundamentados;
VII.
Pontualidade: atitude discente reveladora de compromisso com as
responsabilidades escolares em que o aluno apresenta cumprimento dos
horários e/ou tarefas propostas;
VIII.
Solidariedade: conduta discente de atenção ao próximo e de preocupação
coletiva, socialização de informações, experiências e conhecimentos que
possam beneficiar o grupo, mediante disposição de partilhar conhecimentos
já construídos e/ou disposição de acompanhar e orientar o desempenho
escolar do companheiro
Os alunos avaliados por meio desses critérios poderão alcançar os seguintes
conceitos:
I.Conceito A – quando a aprendizagem do aluno foi PLENA e atingiu os
objetivos propostos no processo ensino aprendizagem;
II.Conceito B – a aprendizagem do aluno foi PARCIALMENTE PLENA e
atingiu níveis desejáveis aos objetivos propostos no processo ensino
aprendizagem;
III.Conceito C – a aprendizagem do aluno foi SUFICIENTE e atingiu níveis
aceitáveis aos objetivos propostos, sem comprometimento à continuidade no
processo ensino aprendizagem;
IV.Conceito D – a aprendizagem do aluno foi INSUFICIENTE e não atingiu os
objetivos propostos, comprometendo e/ou inviabilizando o desenvolvimento
do processo ensino aprendizagem.
Dessa forma, a avaliação não começa nem termina na sala de aula. A
avaliação do processo pedagógico envolve o planejamento e o desenvolvimento do
processo de ensino. Neste contexto é necessário que a avaliação cubra desde o
projeto curricular e a programação, do ensino em sala de aula e de seus resultados
(a aprendizagem produzida nos alunos).
Tradicionalmente, o que se observa é o processo de avaliação reduzir-se a
aprendizagem produzida nos alunos. No contexto de um processo de avaliação
formativo isto não tem nenhum sentido. A informação sobre os resultados obtidos
com os alunos deve necessariamente levar a um replanejamento dos objetivos e
70
conteúdos, das atividades didáticas, dos materiais utilizados e das variáveis
envolvidas em sala de aula: relacionamento professor-aluno, relacionamento entre
alunos e entre esses e o professor.
Segundo Hoffmann (1993), avaliar nesse novo paradigma é dinamizar
oportunidades de ação-reflexão, num acompanhamento permanente do professor e
este deve propiciar ao aluno em seu processo de aprendizagem, reflexões acerca do
mundo, formando seres críticos e participativos na construção de verdades
formuladas e reformuladas.
71
ATO OPERACIONAL
A partir do diagnóstico da realidade do IFPR câmpus Paranavaí e da região
em que está inserido, como também dos conceitos educacionais definidos no marco
conceitual. Necessita-se apresentar como se dará a operacionalização desses
conceitos, com o intuito de atender a realidade institucional existente.
A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO IFPR CÂMPUS
PARANAVAÍ
O IFPR câmpus Paranavaí tem sua organização baseada na gestão
democrática. Esta se refere não a capacidade de controlar e levar os outros sujeitos
não-controladores desse poder a fazerem o que se deseja, e com isso
reconhecendo a relação de dominação como afirma Max Weber (2004, p. 43).
Assemelha-se mais ao poder decorrente da capacidade humana de agir em conjunto
com outros, construindo uma vontade comum (BOBBIO, 2000). Dessa forma, se os
indivíduos que compõem essas instituições não pautarem suas ações pelo diálogo e
pela alteridade, pouco restará de democrático nessas ações coletivas.
A gestão democrática é aqui compreendida, então, como um processo
político no qual as pessoas que atuam na escola identificam problemas, discutem,
deliberam e planejam, encaminham, acompanham, controlam e avaliam o conjunto
das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola na busca da solução
daqueles problemas. Esse processo, sustentado no diálogo, na alteridade e no
reconhecimento às especificidades técnicas das diversas funções presentes na
escola, tem como base a participação efetiva de todos os segmentos da comunidade
escolar, o respeito às normas coletivamente construídas para os processos de
tomada de decisões e a garantia de amplo acesso às informações aos sujeitos da
escola.
Baseando-se nesses princípios o IFPR câmpus Paranavaí trabalha com o
lema “portas-abertas”, na qual os servidores possuem liberdade para conversar com
72
as direções e seus respectivos chefes imediatos. O mesmo acontece com os alunos
que possuem acesso aos coordenadores de curso, coordenador pedagógico e de
ensino, respeitando a hierarquia.
Bimestralmente, e sempre que necessário realizam-se reuniões de
professores com os coordenadores de curso e com a equipe pedagógica. Nesse
mesmo tempo também são realizadas conversas com os alunos, como uma forma
de ajuda-los pedagogicamente, motivá-los e incentivá-los no que for preciso.
Organização didático-pedagógica dos cursos do IFPR câmpus Paranavaí
Os cursos do IFPR câmpus Paranavaí, baseando-se nos fundamentos e
princípios apresentados no ato conceitual desse projeto político-pedagógico estão
organizados didaticamente em disciplinas anuais, tendo o curso a duração de dois
anos. As metodologias de ensino aplicadas se baseiam em tendências pedagógicas
progressivas, uma vez que alia prática-teoria-prática, ou seja, que o ensinar e
aprender parte do que o aluno já sabe, aliando os saberes escolares, construindo
um novo conhecimento de forma inter e transdisciplinar, valorizando os
conhecimentos dos alunos. Em meio às disciplinas são propostas atividades práticas
que impelem o aluno a buscar alternativas para solucionar problemas, a
experimentar, a aprender e ensinar.
O contexto socioeconômico e cultural é levado em conta para formação dos
alunos, estando incluído no currículo por meio de conhecimentos transversais que
não se incluem em apenas uma ou duas disciplinas, mas durante todo o
desenvolvimento do currículo, assim como também são trabalhados os conteúdos
informais, que visam a formação ética e humanizadora, tratando de assuntos como
políticas afirmativas, gênero, meio ambiente e diversidade sexual, além de temas da
atualidade.
Dessa forma, o currículo dos cursos do IFPR câmpus Paranavaí, por meio de
suas organizações didático-pedagógicas visa à formação do profissional-cidadão.
Esses ideais implícitos na organização didático-pedagógica dos cursos do
câmpus de Paranavaí apresentam seus resultados na política de estágio e o perfil
do egresso.
73
Curso
Política de estágio
Perfil do Egresso
Técnico em
O estágio no curso Técnico em Alimentos não
é obrigatório. Entretanto os alunos são
estimulados a realizar estágios ao decorrer do
curso. Além do estágio, a prática profissional
pode ser vivenciada através de um projeto
integrador de curso. Neste trabalho, os alunos
devem desenvolver um projeto de pesquisa
ou revisão bibliográfica para a produção de
um artigo científico.
As
atividades
complementares
são
estimuladas quando da ocorrência de eventos
dentro do IFPR ou na cidade de Paranavaí,
como encontros, congressos e simpósios da
área. Além disso, os alunos participantes ou
bolsistas de projetos de pesquisa e extensão
são convidados a participar de eventos para a
apresentação de seus trabalhos quando
ocorre a participação dos professores nos
referidos eventos.
Com
base
no
Projeto
Pedagógico do Curso Técnico
em Alimentos, espera-se que o
egresso possua habilidades
para
atuar
nos
setores
produtivos
da
área
de
alimentos,
envolvendo
o
planejamento,
execução
e
acompanhamento
das
operações
inerentes
ao
processamento dos produtos
alimentares, visando oferecer
produtos
alimentares
de
qualidade à sociedade, com
maior rendimento e máxima
economia.
O curso de Eletromecânica contempla estágio
obrigatório ou seja, o aluno faz se necessário
cumprir uma carga horária a partir de um
período que já esteja matriculada e cursando
normalmente o curso técnico. O estágio como
um sistema complexo de realizar a
aproximação da teoria dada em sala de aula e
a prática junto às indústrias, promove o saber
e aprender necessário para a continuidade do
processo fabril, promovendo ao estagiário o
enriquecimento aplicado ao mundo do
trabalho a partir das questões da realidade
de conhecer detalhadamente a arquitetura
que envolve sua formação técnica no âmbito
quantitativo e qualitativo da profissão
almejada tendo por referência o método
dialético, constitui-se como a base da
Pedagogia Social da Escola do Trabalho, na
qual a interdisciplinaridade, a transversalidade
e a transdisciplinaridade apresentadas em
salas e laboratórios se constituem para dar
sentido e significado social e histórico aos
conhecimentos e à realidade. Indicando a
formação do currículo que não se organiza
por matérias acadêmicas, mas por temáticas
da realidade que precisam ser entendidas e
analisadas, tendo em vista identificar as
contradições e os possíveis caminhos para a
superação das mesmas que ao final
apresenta uma formação de destaque.
O
curso
técnico
de
Eletromecânica visa preparar
profissionais com um novo perfil
de saber fazer e gerenciar o
processo. Objetiva também,
requalificar os que já atuam na
área para a utilização de
métodos,
técnicas
e
procedimentos estabelecidos,
visando à qualidade e a
produtividade dos processos
industriais relativos à produção
O Curso Técnico em Informática não requer,
em caráter obrigatório, a realização do
estágio supervisionado, dada a natureza da
O profissional formado no curso
Técnico em Informática será
capaz
de
desenvolver
Alimentos
Subsequente
Técnico em
Eletromecânica
Subsequente
Técnico em
Informática
e manutenção eletromecânicas.
74
Subsequente
atividade profissional do egresso, bem como
a
metodologia
utilizada
para
o
desenvolvimento e aplicação da organização
curricular do curso, estruturada para o
desenvolvimento
das
competências
profissionais. O estágio supervisionado não
obrigatório consiste em uma ação de natureza
opcional, com a finalidade de complementar
os conhecimentos teóricos e práticos
adquiridos pelos alunos nas atividades de
ensino/aprendizagem. Embora não seja
obrigatório, será incentivada a realização de
estágios vivenciais na área da informática. Os
estágios representam atividades formativas e
poderão ser certificados pelo curso.
programas de computador,
seguindo as especificações e
paradigmas da lógica de
programação e das linguagens
de
programação.
Utilizar
ambientes de desenvolvimento
de
sistemas,
sistemas
operacionais e banco de dados.
Realizar testes de programas
de
computador,
manter
registros
que
possibilitem
análises e refinamento dos
resultados
e
executar
manutenção de programas
implantados. Ao final do curso,
o formando deverá ser capaz
de:
-Manipular computadores e
sistemas operacionais;
-Desenvolver
sistemas
computacionais que auxiliem na
rotina
de
trabalho
das
organizações;
-Realizar manutenções em
sistemas;
-Conceber
e
implementar
soluções baseadas em banco
de dados;
-Conhecer e aprender a aplicar
as
novas
tendências
tecnológicas para solução de
problemas;
-Desenvolver aplicações e sites
para Internet;
-Elaborar
e
documentar
projetos de software;
-Identificar
e
entender
o
funcionamento de tecnologias
empregadas nas redes de
computadores;
-Integrar-se com facilidade a
grupos de trabalho, atuando de
forma ética e responsável.
Técnico em
Informática
Integrado
O Curso Técnico em Informática Integrado ao
Ensino Médio não requer, em caráter
obrigatório,
a
realização
do
estágio
supervisionado, dada a natureza da atividade
profissional do egresso, bem como a
metodologia utilizada para o desenvolvimento
e aplicação da organização curricular do
curso, estruturada para o desenvolvimento
das competências profissionais. Embora não
seja obrigatório, será incentivada a realização
de estágios vivenciais nas empresas da
região. Os estágios representam atividades
formativas e poderão ser certificados pelo
Além da formação técnica
descrita no perfil do egresso do
Técnico
em
Informática
Subsequente, o aluno do curso
técnico
em
informática
integrado terá a formação como
cidadão, pela aquisição dos
conhecimentos gerais da Base
Nacional Comum.
75
curso.
As demais especificidades de cada curso, podem ser verificadas nos PPCs
(Plano Pedagógico do Curso) que encontram-se em anexo a este documento.
Política de educação inclusiva
A inclusão escolar constitui uma proposta que representa valores simbólicos
importantes, condizentes com a política de igualdade, em ambiente educacional
favorável. Implica a inserção de todos, sem distinção de condições linguísticas,
sensoriais, cognitivas, físicas, emocionais, éticas, socioeconômicas e requer
sistemas educacionais planejados e organizados que deem conta da diversidade
dos alunos e
ofereçam
respostas adequadas
às
suas
características e
necessidades. As diferenças são vistas não como obstáculos para o cumprimento da
ação educativa, mas sim como fatores de enriquecimento.
Para por em prática a inclusão, faz-se necessário o desenvolvimento de
ações
educacionais
que
removam
barreiras
(atitudinais,
educacionais
e
arquitetônicas) para que a aprendizagem pretendida seja alcançada.
Entretanto, para sair do campo das intenções e chegar à prática inclusiva
existe uma série de ações que precisam ser desenvolvidas ou continuadas,
baseando-se nos seguintes fundamentos:

O ser humano tem direito de viver e conviver com outros seres humanos,
sem discriminação e sem segregações.

Alteridade como meio para conhecer o próximo;

Entender as diferenças existentes, como diversidades existentes entre os
seres humanos.

Adaptações necessárias durante todo processo de inclusão, e não
somente para atender os PNEEs.

Oferecer autonomia e independência ao PNEEs.
Objetivando promover o acesso e a inclusão das pessoas com necessidades
educacionais especiais em todas as ofertas educacionais do IFPR câmpus
Paranavaí, fundamentado nos princípios do direito ao exercício da cidadania e da
76
inclusão
ao
mundo
do
trabalho,
tornam-se
necessárias,
as
seguintes
implementações:
• Estruturar o núcleo de apoio a pessoas com necessidades educacionais –
NAPNE - na Instituição, no que se refere a recursos didáticos e equipe
multifuncional.
• Adequação dos procedimentos metodológicos e avaliativos em função de
atender as necessidades educativas de todos os alunos.
• Capacitação permanente de professores e técnicos administrativos.
• Sensibilização da comunidade interna acerca dos direitos e deveres das
pessoas com necessidades educacionais especiais.
• Garantia da permanência do aluno com necessidades educacionais
especiais nas salas regulares de ensino, com atendimento das necessidades
específicas nas salas de apoio, na existência desta, e as devidas adaptações
no processo ensino-aprendizagem.
• Integração dos PNEE nas atividades artísticas e culturais da instituição e no
serviço de Saúde, de Psicologia e Serviço Social, se oferecidos pela
instituição de ensino, ou por meio de parcerias.
• Oferta de formação inicial e continuada, visando a inserção dessas pessoas
na sociedade e no mundo de trabalho.
• Acesso a níveis mais elevados de ensino e pesquisa e atividades artísticas
de acordo com a capacidade de cada um.
• Quebra de barreiras arquitetônicas e atitudinais.
Alguns princípios a serem adotados:
• Flexibilidade – ou seja, a não obrigatoriedade de que todos os alunos
atinjam o mesmo grau de abstração ou conhecimento, num tempo
determinado;
• Acomodação – considerar que o planejamento de atividades para uma
turma, deve levar em conta a presença de alunos com necessidades
especiais e, portanto, contemplá-los na programação;
•Trabalho simultâneo, cooperativo e participativo, entendido como a
participação dos alunos com necessidades especiais nas atividades
desenvolvidas pelos demais colegas, embora não o façam com a mesma
intensidade, nem necessariamente com a mesma ação ou grau de abstração.
77
Como
se
vê,
várias
ações
estão
intrinsecamente
ligadas
à
adequação/melhoria da infraestrutura física da Instituição e à aquisição de
equipamentos específicos destinados aos portadores de cada tipo de necessidade
educativa especial.
Políticas e práticas de educação à distância
O câmpus Paranavaí é um dos polos de educação à distância do IFPR,
ofertando atualmente os seguintes cursos:
 Técnico em Administração;
 Técnico em Eventos;
 Técnico em Meio Ambiente;
 Técnico em Logística;
 Técnico em Reabilitação de dependentes químicos;
 Técnico em Secretariado;
 Técnico em Segurança do trabalho;
A educação a distância no IFPR câmpus Paranavaí tem como objetivos:
 Democratizar a oferta do ensino técnico público e de qualidade, oferecendo
vários e diferentes cursos à região.;
 Promover a inclusão digital dos estudantes;
 Promover a elevação do nível de escolarização nos municípios;
 Colaborar com a modernização da educação e facilitação do aprendizado;
 Promover a formação de cidadãos conscientes eticamente dos seus direitos e
deveres, empreendedores, preparados para atuação pessoal e profissional;
O sistema utilizado pelos cursos da educação à distância do IFPR é a Rede
e-Tec Brasil que oferta educação profissional e tem o propósito de ampliar e
democratizar o acesso a cursos técnicos de nível médio, públicos e gratuitos, em
regime de colaboração entre União, estados, Distrito Federal e municípios.
A metodologia utilizada é composta de tele aulas, tutoria presencial e a
distância. O câmpus de Paranavaí é um polo de apoio no qual são transmitidas as
tele aulas e onde acontece a tutoria presencial.
78
O câmpus possui três tutores presenciais, aos quais compete motivar e
orientar os alunos nas dificuldades que forem surgindo durante o processo de
ensino. Sempre que possível enfatizar a importância do estudo independente ou em
grupo, isso fará com que o aluno se familiarize com a metodologia do curso.
Deve-se destacar também a importância da interação do grupo, a qual favorece a
comunicação entre os seus membros na realização dos trabalhos; comunicar-se
pessoalmente com cada aluno, estabelecendo uma relação compreensiva de
aceitação, evitando atitudes autoritárias ou permissivas; verificar a existência de
problemas pessoais entre os alunos que possam dificultar a aprendizagem,
propondo, se possível, soluções.
Os alunos da educação à distância também podem usufruir dos tutores a
distância. Estes são responsáveis pela interação e comunicação com o aluno,
esclarecendo eventuais dúvidas; dando-lhe o suporte necessário para a realização
das atividades, corrigindo-as e dando o feedback; pesquisando e disponibilizando
materiais para a complementação do estudo e acompanhando a evolução do
aluno. A interação do aluno com o tutor a distância acontece por meio do AVA –
Ambiente Virtual de Aprendizagem.
O AVA dos cursos técnicos está organizado a partir do conceito de Trilha de
Aprendizagem. Esta organiza todos os conteúdos a serem abordados em cada
disciplina, na qual o estudante encontrará o plano de ensino, apresentação da
disciplina, vídeos das aulas, matérias de aula, indicação de materiais para ampliação
do conhecimentos, ferramentas de interação, atividades de reflexão, atividades de
aplicação prática e avaliação.
Como é operacionalizado o planejamento escolar
OBJETIVOS

Estruturar os
cursos
existentes:
METAS






Estudar e

PRAZOS
Reestruturar os planos de ensino dos cursos;
Manter instalações adequadamente mobiliadas e
estruturadas para o atendimento das necessidades
dos cursos;
Acompanhamento de egressos;
Avaliar junto à comunidade interna o desempenho
dos cursos existentes;
Avaliar junto à comunidade externa a aceitação e o
desempenho dos cursos existente;
Criar uma política interna para realização de consulta
79
definir a
criação de
cursos
superiores:

Adequar as
modalidades
de cursos
regulares a
serem
ofertados no
câmpus:








Incentivar
melhorias no
processo
ensinoaprendizagem
Estruturar os
cursos de EAD
no câmpus:






Estruturar as
dependências
físicas do
câmpus:









Estruturar a
telefonia e a
rede de dados
no câmpus:





pública sobre o interesse da comunidade para
implantação de novos cursos nos eixos já existentes;
Planejar e implantar cursos superiores de licenciatura,
tecnologia e/ou bacharelado nos eixos já existentes, de
acordo com as diretrizes e orientações da PROENS.
Estudar e definir a abertura de cursos técnico-integrados
e suas respectivas áreas;
Estudar e definir a oferta de cursos superiores, sendo
como prioridade licenciatura, conforme orientação da
PROENS;
Estudar e definir oferta de um FIC EJA ou PROEJA no
câmpus, conforme orientação da PROENS;
Estudar e ofertar cursos de formação inicial e continuada
de trabalhadores segundo demandas previamente
levantadas (PRONATEC);
Estudar e definir oferta de cursos de pós-graduação latu
senso e/ou stricto senso no câmpus.
Incentivar os alunos a participarem dos horários de
atendimento ao aluno;
Incentivar os alunos à participação de bolsas e auxílios
estudantis;
Aumentar a manutenção de Ensino para o professor.
Requerer a construção de um espaço próprio para os
cursos e administração EAD (ou seguindo critérios do
câmpus EAD);
Solicitar o aumento no repasse de recursos referentes
aos alunos do EAD para o câmpus;
Definir a oferta de cursos mediante a demanda reginal.
Solicitar salas de aula, laboratórios, quadra poliesportiva,
biblioteca, áreas administrativas, espaços de convivência,
espaços de apoio ao ensino, pesquisa e extensão, de
acordo com as diretrizes da PROAD;
Expandir o estacionamento;
Requerer construção de coberturas nas passarelas de
acesso de acordo com as diretrizes da PROAD;
Elaborar e requerer um projeto de paisagismo no câmpus;
Estruturar a secretaria acadêmica e a direção
administraviva;
Solicitar a construção de infra-estrutura básica para
prática de atividades físicas.
Adequar a estrutura física do câmpus segundo norma
Brasil 9050.
Adequar a telefonia às necessidades do câmpus;
Instalar uma central telefônica;
Aumentar o número de ramais telefônicos;
Expandir e adequar a rede de dados às necessidades do
câmpus;
Solicitar servidor técnico administrativo para gerenciar a
Tecnologia da Informação do câmpus, de acordo com
80



Incentivar
melhorias na
seção de
registros
acadêmicos:
Consolidar os
recursos
humanos do
câmpus:







Incentivar a
formação
continuada de
servidores:




Incentivar a
pesquisa e
extensão no
câmpus:





Valorizar os
servidores do
câmpus:






Expandir a
participação
de Servidores
e alunos em
eventos:

Motivar a
comunidade
interna a



orientações da PROGEPE;
Adquirir materiais necessários para estruturação (cabos,
conectores, servidores, impressoras, etc).
Estruturar a secretaria acadêmica;
Definir padrões de documentos a serem utilizados,
seguindo orientações da PROENS;
Estabelecer normas de funcionamento da secretaria
acadêmica, seguindo orientações da PROENS.
Solicitar o quantitativo de enxoval de servidores conforme
as necessidades específicas e orientações da PROGEPE;
Adequar o número de servidores terceirizados de acordo
com as necessidades específicas;
Tornar um servidor responsável pela comunicação do
câmpus (notícias, site, etc.).
Definir critérios para afastamento para estudos de acordo
com as diretrizes e orientações da PROENS/PROGEPE;
Levantar a demanda interna existente no câmpus para
estudos formativos e de aperfeiçoamento;
Elaborar a relação de servidores e o cronograma de
afastamento para estudos de acordo com critérios
estabelecidos.
Promover debates e palestras como estratégia de
incentivo à pesquisa e à extensão;
Estabelecer normas internas de incentivo à pesquisa e
extensão de acordo com as diretrizes e orientações da
PROEPI/PROENS;
Incentivar os servidores a submeter propostas de trabalho
para atender a demanda do câmpus (PIBS, Extensão,
PIBIC-JR, Editais do CNPQ, etc);
Incentivar a participação ou formação de grupos de
pesquisa.
Sensibilizar as Pró-reitorias para a valorização dos
servidores;
Solicitar as Pró-Reitorias políticas de valorização dos
servidores;
Proporcionar um ambiente de trabalho agradável e que
assegure a integridade física, moral e mental dos
servidores;
Promover uma política de participação de servidores em
eventos.
Incentivar a participação de docentes, técnicos
administrativos e alunos em congressos, simpósios, feiras,
palestras, cursos externos e internos, aperfeiçoamentos e
outros;
Estudar e reservar um orçamento de diárias e passagens
para a participação em eventos dos servidores.
Incentivar o desenvolvimento de projetos para a melhoria
do bem estar no ambiente de trabalho;
Fortalecer a prática de atividade física aos alunos por
81


prática de
atividades
físicas:
Promover
atividades
culturais e
humanísticas
no câmpus:
Fortalecer a
interação com
a
comunidade:









Propor
políticas
sustentáveis:







Criação de
Empresa
Júnior:

Estudar sobre
a criação de
associação de
servidores de
Paranavaí:



meio de projetos e competições;
Adquirir materiais e equipamentos para a realização das
atividades físicas.
Estabelecer uma comissão para coordenação e execução
de atividades culturais e humanísticas;
Acompanhar a aceitabilidade das atividades junto aos
alunos;
Elaborar cronograma de atividades;
Adquirir materiais e equipamentos para realização e
atividades artísticas e culturais.
Expandir vínculos do IFPR com toda a região da
AMUNPAR;
Incentivar a participação de servidores nas entidades da
região (Sindicatos, Sociedade Rural, Associação
Comercial, Entidades de Classe, Centros de Pesquisa,
etc.);
Estudar e implantar políticas de divulgação institucional
(TV, Radio, Outdoor, etc.).
Estabelecer metas para a economia de recursos (água,
energia, telefone, etc.);
Promover campanhas internas e externas para alcance
das metas e acompanhamento das ações e correções das
mesmas, caso necessário;
Estabelecer critérios para armazenagem e destinação dos
resíduos produzidos;
Sensibilizar os servidores e alunos quanto à destinação
correta dos resíduos produzidos;
Implantar SGI (Sistema de Gestão Integrado – Meio
Ambiente, Segurança do Trabalho e Qualidade).
Promover a criação de empresa Junior e incubadoras
tecnológicas para atender a demanda regional;
Proporcionar aos alunos um conhecimento técnico e
empresarial por meio de consultoria júnior.
Estabelecer uma comissão para estudo sobre a
implantação de uma associação dos servidores do câmpus
Paranavaí;
Firmar convênios com o comércio regional (Academias,
clubes, lojas, farmácias, etc.).
A política do egresso
O “feedback” dos alunos egressos da instituição é uma forma de fazer uma
análise do trabalho, verificando-se, se está sendo alcançado os objetivos propostos
como instituição de ensino que tem intenção da formação do cidadão crítico e
reflexivo, preparado para o mundo do trabalho. Porém, o câmpus ainda não possui
82
nenhum egresso, mas em agosto de 2012 será a conclusão das primeiras turmas,
sendo o acompanhamento do egresso feito da seguinte maneira:
 Manter os dados cadastrais dos egressos atualizados por meio do qual
ocorrerá a comunicação IFPR/aluno egresso. Para tanto, será aplicado
questionário (de um a dois anos após a formatura) pretendendo verificar as
expectativas e a realidade desse aluno frente ao mundo do trabalho,
possibilitando, assim, o total intercâmbio e mantendo-o informado das
diversas atividades que os mesmos poderão participar na instituição.
 Promover encontros, cursos de extensão, reciclagem e palestras que
atendam as necessidades desses alunos frente às contínuas inovações do
conhecimento das áreas a fim de atualizar e/ou complementar os saberes
adquiridos ao longo dos cursos finalizados, contribuindo para a inserção no
mundo do trabalho e, em consequência, obter sucesso profissional e pessoal.
 Incentivar e apoiar o reencontro dos alunos egressos, mantendo-se o vínculo
que possibilitará o apoio ao desenvolvimento de sua vida profissional. (Dia do
egresso)
 Divulgar os egressos que se destacam nas suas atividades profissionais,
levando o bom nome do IFPR – Câmpus Paranavaí aos olhos da
comunidade.
Relações e parcerias com a comunidade, instituições e empresas
O IFPR-Paranavaí a fim de firmar um melhor relacionamento com a comunidade,
tendo em vista sua missão institucional e sem dela se desvincular, atua em quatro
frentes de ação: eventos de divulgação, mundo do trabalho, prestação de serviços e
atividades humanitárias.
As parcerias são formadas por meio de termos de convênio em que são
elaborados planos de trabalho visando a divisão de trabalhos e benefícios. Já as
relações com a comunidade são firmadas a partir de contatos de dirigentes das mais
diversas áreas (Vigilância Sanitária, Guarda-Mirim, Prefeitura entre outros) com o
Instituto Federal do Paraná, câmpus Paranavaí, de acordo com o surgimento de
necessidades desses órgãos.
Algumas das ações realizadas com o apoio do IFPR-Paranavaí:
83
- Informática para melhor idade: o objetivo central do curso foi aproximar a
tecnologia da informática do idoso, mesmo que básico (utilização da internet),
visto a distância temporal que os separam; além disso promover a melhora da
saúde mental e aumentar o relacionamento social dos integrantes dessa
camada da população;
- Treinamento para Guarda-mirim: foram ofertados dois cursos visando
proporcionar aos alunos uma possibilidade de ingresso no mundo do trabalho,
sendo um de introdução ao web-design e outro de capacitação básica de
instalações elétricas industriais.
- “Job lab”: o curso surgiu a partir de visitas à empresas locais para firmar
parcerias objetivando aprimorar o conhecimento dos funcionários quanto as
demandas específicas da área de informática.
- Palestras: o intuito é enriquecer, motivar e destacar Paranavaí como polo de
discussões tecnológicas, além de construir laços com a comunidade
acadêmica universitária;
- Ações solidárias: com vistas a apoiar as ações sociais realizou-se gincana
para arrecadação de brinquedos e alimentos para instituição de apoio às
crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social; adoção de
cartas natalinas e visita do papai noel;
- “Paranavaí Universitária” – o evento foi uma ação conjunta com várias
instituições de ensino locais. Um dos objetivos foi à divulgação dos cursos do
IFPR câmpus Paranavaí e de outras instituições de ensino para a região da
AMUNPAR;
- Relação com Agentes de integração (CIEE, Instituto PROE) e empresas da
área de elétrica, automação, mecânica, informática e alimentícia como
avícola, cooperativas e usinas (ALCOPAR) a fim de promover estágios,
inovação tecnológica, possibilidade de ingresso no mundo do trabalho;
- Programa Mulheres Mil: o programa é financiado pelo Governo Federal e
visa o atendimento de cem mulheres em situação de vulnerabilidade social,
com o intuito de qualificá-las profissionalmente, bem como, promover a
elevação do grau de escolaridade. O programa atua em parceria com o
PROVOPAR, Prefeitura – Secretaria de Desenvolvimento Social, Núcleo
Regional de Educação e indústrias alimentícias locais;
84
- Parceria com a PROVOPAR: desenvolvimento de projetos de extensão
visando capacitação de agricultores, auxílio à agricultura familiar e produtores
do “Compra direta”;
- Convênio firmado com o CETEM (Centro Tecnológico da Mandioca): a
aliança envolve a Prefeitura representada pela Secretaria da Agricultura para
atuar no Centro de Referência Agroalimentar em auxílio aos pequenos
produtores e agricultores através de cursos voltados à manipulação de
alimentos e projetos de extensão.
- PRONATEC: o programa é financiado pelo Governo Federal e visa o
atendimento de estudantes, trabalhadores e militares de baixa patente com o
intuito de qualificá-los profissionalmente. Também serão oferecidos cursos em
parceria com a SEED – Secretaria Estadual de Educação, Ministério da
Defesa e Prefeitura.
A política de ensino, pesquisa e extensão do câmpus de Paranavaí
Perante o desafio de pensar suas políticas de ensino, pesquisa e extensão o
coletivo do câmpus Paranavaí do IFPR acredita ser necessário assumir como norte
os elementos emanados na lei que lhe deu origem (lei nº 11.892, de 29 de dezembro
de 2008), que estabelece, entre outros princípios:
Art. 6o Os Institutos Federais têm por finalidades e características:
I - ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e
modalidades, formando e qualificando cidadãos com vistas na atuação profissional
nos diversos setores da economia, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico
local, regional e nacional;
II - desenvolver a educação profissional e tecnológica como processo educativo e
investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às
demandas sociais e peculiaridades regionais;
III - promover a integração e a verticalização da educação básica à educação
profissional e educação superior, otimizando a infraestrutura física, os quadros de
pessoal e os recursos de gestão;
IV - orientar sua oferta formativa em benefício da consolidação e fortalecimento dos
arranjos produtivos, sociais e culturais locais, identificados com base no
85
mapeamento das potencialidades de desenvolvimento socioeconômico e cultural no
âmbito de atuação do Instituto Federal;
V - constituir-se em centro de excelência na oferta do ensino de ciências, em geral, e
de ciências aplicadas, em particular, estimulando o desenvolvimento de espírito
crítico, voltado à investigação empírica;
VI - qualificar-se como centro de referência no apoio à oferta do ensino de ciências
nas instituições públicas de ensino, oferecendo capacitação técnica e atualização
pedagógica aos docentes das redes públicas de ensino;
Art. 7o Observadas as finalidades e características definidas no art. 6o desta
Lei, são objetivos dos Institutos Federais:
I - ministrar educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma
de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da
educação de jovens e adultos;
II - ministrar cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores, objetivando a
capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais,
em todos os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e
tecnológica;
III - realizar pesquisas aplicadas, estimulando o desenvolvimento de soluções
técnicas e tecnológicas, estendendo seus benefícios à comunidade;
IV - desenvolver atividades de extensão de acordo com os princípios e finalidades
da educação profissional e tecnológica, em articulação com o mundo do trabalho e
os segmentos sociais, e com ênfase na produção, desenvolvimento e difusão de
conhecimentos científicos e tecnológicos.
V - estimular e apoiar processos educativos que levem à geração de trabalho e
renda e à emancipação do cidadão na perspectiva do desenvolvimento
socioeconômico local e regional; e
VI - ministrar em nível de educação superior:
a) cursos superiores de tecnologia visando à formação de profissionais para os
diferentes setores da economia;
b) cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica,
com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas
áreas de ciências e matemática, e para a educação profissional;
86
c) cursos de bacharelado e engenharia, visando à formação de profissionais para os
diferentes setores da economia e áreas do conhecimento;
d) cursos de pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e especialização,
visando à formação de especialistas nas diferentes áreas do conhecimento; e
e) cursos de pós-graduação stricto sensu de mestrado e doutorado, que contribuam
para promover o estabelecimento de bases sólidas em educação, ciência e
tecnologia, com vistas no processo de geração e inovação tecnológica.
Quanto ao ensino técnico de nível médio, assume-se como diretriz, em
conformidade com a lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008 e o termo de acordos
e metas a expansão gradativa de cursos integrados ao ensino médio, já iniciada em
2012, com a implantação do curso técnico em informática nessa modalidade.
Também conjuntamente impõe-se a implantação dos cursos PROEJA (educação
profissional integrada a educação de jovens adultos), a respeito da qual intencionase a busca de parcerias com a rede estadual de educação básica. Faz-se
necessário um estudo para a adequação da oferta de cursos técnicos com a
demanda local.
A oferta de cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores constituise igualmente em uma lacuna a ser suprida entre os cursos disponibilizados pelo
campus. A esse respeito, assume-se a necessidade de fomentar a construção de
propostas que abarquem essa importante oportunidade dos trabalhadores.
No que tange ao ensino superior cabe ao campus assumir a realidade
limitadora imposta pela lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, em seu artigo 8o,
que diz: “No desenvolvimento da sua ação acadêmica, o Instituto Federal, em cada
exercício, deverá garantir o mínimo de 50% (cinquenta por cento) de suas vagas
para atender aos objetivos definidos no inciso I do caput do art. 7o desta Lei, e o
mínimo de 20% (vinte por cento) de suas vagas para atender ao previsto na alínea b
do inciso VI do caput do citado art. 7o”. A esse respeito essa unidade do IFPR tem
como realidade imediata uma instituição de ensino, já consolidada e renomada na
região, que há 46 anos oferta cursos de licenciatura. Em face disso, torna-se
essencial, estudos que permitam evitar o choque entre as ofertas procedentes
dessas duas diferentes instituições e que também possibilitem a otimização dos
recursos públicos no atendimento das necessidades locais.
87
Quanto aos cursos da área tecnológica a prioridade do campus situa-se na
definição das reais demandas da comunidade regional, com vistas à proposição de
cursos que propiciem a permanência do estudante em seu local de origem com
ganho em seu desenvolvimento humano, profissional, social e econômico. Nessa
dinâmica é igualmente primordial a valorização dos profissionais que já atuam no
campus. A partir disso vislumbra-se a médio e longo prazo o atendimento da
população local por meio de cursos de pós-graduação.
Dessa forma, os Institutos Federais propõem uma educação em que o
domínio intelectual da tecnologia, firma-se a partir da cultura, conhecimentos prévios
e adquiridos. Neste sentido atribui-se particularmente ao câmpus o desenvolvimento
de propostas de formação que contemplem os fundamentos, princípios científicos e
linguagens das diversas tecnologias que caracterizam o processo de trabalho
contemporâneo, considerados em sua historicidade, como também a promoção do
desenvolvimento regional.
Contribuindo para atingir esses objetivos, o Estatuto do Instituto Federal do
Paraná (2009), em relação às atividades de extensão e de pesquisa, estabelece os
seguintes princípios:
Art. 31 - As ações de extensão e de interação com a sociedade constituem
um processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de
forma indissociável, para viabilizar uma relação transformadora entre o Instituto
Federal e a sociedade.
Art. 32 - As atividades de extensão e de interação com a sociedade têm como
objetivo apoiar o desenvolvimento social e cultural, através da oferta de cursos e
realização de atividades específicas.
Art. 33 - As ações de pesquisa constituem um processo educativo para a
investigação e o empreendedorismo, visando à inovação e à solução de problemas
científicos e tecnológicos, envolvendo todos os níveis e modalidades de ensino, com
vistas ao desenvolvimento social.
Art. 34 - As atividades de pesquisa têm como objetivo formar recursos
humanos para a investigação, a produção, o empreendedorismo e a difusão de
conhecimentos culturais, artísticos, científicos e tecnológicos, sendo desenvolvidas
em articulação com o ensino e a extensão, ao longo de toda a formação profissional.
88
Em face do exposto, as políticas de ensino, pesquisa e extensão do IFPR
campus Paranavaí, em linhas gerais, assumem como premissas:
 Práticas de ensino contextualizadas que envolvam o diálogo entre o saber
sistematizado e as peculiaridades dos arranjos produtivos, sociais e culturais
locais;

Respeito ao itinerário formativo do estudante com valorização dos seus
saberes anteriores e oportunidade de constante revisão de seu percurso por
meio
de
retomada
de
conteúdos,
recuperação
paralela
e
estudos
individualizados;
 Aprimoramento constante do corpo docente no que se refere à inter-relação
entre o conhecimento inerente a sua formação especifica e aqueles advindos
da área da educação, considerados indispensáveis ao alcance da
aprendizagem plena pelos discentes.
 Consolidação e ampliação dos espaços e equipamentos destinados às
atividades de ensino, com vistas à implementação do necessário dialogo
entre a teoria e a prática na formação de profissionais para a área técnica e
tecnológica.
 Incentivo aos docentes e técnicos-administrativos para a elaboração de
projetos de pesquisa, visando o desenvolvimento científico e tecnológico;
 Incentivo aos docentes e técnicos-administrativos para elaboração de projetos
de extensão, visando o diálogo com a comunidade, buscando atender suas
necessidades, bem como divulgar as atividades propostas no âmbito
Institucional, criando uma ponte entre o Instituto e a comunidade;
 Divulgação de editais internos e externos, incentivando a busca de parcerias
institucionais, interinstitucionais, e de apoio financeiro para o desenvolvimento
de projetos de pesquisa e extensão;
 Apoio aos docentes para submeterem projetos de pesquisa visando a
obtenção de bolsas de iniciação científica para os discentes, na modalidade
PIBIC-Jr.;
89
 Apoio aos docentes para submeterem projetos de extensão, visando à
obtenção de bolsas para os discentes, na modalidade de extensão;
 Incentivo à criação de grupos de pesquisa, com o intuito de fortalecer as
atividades de pesquisa, criar linhas de pesquisa, estabelecer diálogo entre as
várias áreas de conhecimento intra e interinstitucional, bem como aumentar a
produção científica;
 Fortalecer e apoiar pesquisas inovadoras e tecnológicas, por meio da
Implantação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT);
 Estabelecer diálogo com a comunidade externa, visando o levantamento de
suas demandas e a busca de parcerias com empresas, indústrias e com o
setor produtivo local, para o apoio às atividades de pesquisa e extensão;
 Divulgar por meio do COPE do Câmpus as normas estabelecidas pela
PROEPI e que regem as atividades de pesquisa e extensão, bem como
elaborar normas internas do Câmpus, a fim de adequar os mecanismos para
o desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão, de modo que
atendam às necessidades regionais, contribuindo para criar uma identidade
do Câmpus Paranavaí;
 Incentivo à qualificação de docentes e técnico-administrativos, para que
possam cursar Pós-Graduação nas modalidades de Mestrado e Doutorado, a
fim de ampliarem o seu conhecimento, estabelecerem contatos com outras
Instituições de Ensino e fortalecerem desta forma, as atividades de Pesquisa
e Extensão no Câmpus.
Com relação às ações de pesquisa e extensão, estas têm se consolidado por
meio dos documentos: Portaria nº 02 de 06 de junho de 2009, dispõe sobre as ações
de pesquisa e extensão no IFPR; Portaria nº 03 de 09 de junho de 2009, que dispõe
sobre a criação dos Comitês de Pesquisa e Extensão no âmbito do IFPR e
estabelece critérios para suas atribuições, composição e funcionamento; Portaria nº
5 de 13 de junho de 2009, que estabelece normas para a elaboração dos Projetos
de Pesquisa no Instituto Federal do Paraná. Outros documentos foram aprovados
pelo Conselho Superior, tais como: Resolução nº 002/2009, estabelece diretrizes
para a gestão das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão no âmbito do IFPR;
Resolução nº 008/2010, dispõe sobre a criação dos Comitês de Pesquisa e
90
Extensão no âmbito do IFPR e estabelece critérios para suas atribuições,
composição e funcionamento; Resolução nº 45/11, dispõe sobre a institucionalização
de Grupos de Pesquisa no âmbito do IFPR.
No Câmpus Paranavaí, o Comitê de Pesquisa Extensão (COPE) iniciou as
suas atividades a partir do segundo semestre de dois mil e onze. É, portanto, um
órgão novo no Câmpus, que ainda se encontra em processo de estruturação. Seu
trabalho orienta-se pelas normativas estabelecidas pela PROEPI e resoluções do
IFPR. No entanto, o COPE do Câmpus tem buscado a elaboração de sua própria
identidade, a fim de atender às necessidades regionais, bem como de seu corpo
docente e administrativo.
Diante do contexto apresentado, os docentes com dedicação exclusiva e em
regime de 40 horas semanais devem apresentar ao menos um projeto de Extensão
ao COPE, como proponente. Para propor projetos de Pesquisa o docente deve ter
ao menos um projeto de Extensão. O objetivo da adoção desta medida é que a
comunidade externa tenha acesso à estrutura física e humana do IFPR, com o
intuito de atender populações menos favorecidas e proporcionar o acesso ao ensino
público e de qualidade. Além disso, todos devem propor projetos para bolsas PBIS,
visando à inclusão social de seus alunos. O COPE, em conjunto com a
Coordenação de Pesquisa e Extensão, ambos ligados à Diretoria de Pesquisa e
Extensão do Câmpus tem assessorado os docentes e técnicos-administrativos,
divulgando editais internos e externos, bem como repassando as normativas e
orientações que devem nortear as ações de Pesquisa e Extensão no Câmpus
Paranavaí.
Destaca-se ainda a implementação do Núcleo de Inovação Tecnológica – NIT
no Câmpus, que tem buscado o estabelecimento de parcerias com o setor
empresarial e produtivo da comunidade externa, visando a articulação de ações
voltadas para o desenvolvimento tecnológico de acordo com as demandas locais e
regionais.
Almeja-se assim que ao final de seu itinerário formativo o estudante em sua
relação com o mundo do trabalho se constitua como cidadão e agente político apto a
compreender a realidade e ser capaz de ultrapassar os obstáculos que ela
apresenta; de pensar e agir na perspectiva de possibilitar as transformações
políticas, econômicas, culturais e sociais imprescindíveis para a construção de outro
91
mundo possível. Trata-se de uma educação voltada para a construção de uma
sociedade mais democrática, inclusiva e equilibrada social e ambientalmente.
Estas reflexões fomentadas pelo documento “Um novo modelo educacional:
concepção e diretrizes” (SETEC, 2010), impulsionam o campus Paranavaí do IFPR a
projetar suas ações, inserido na realidade social, econômica e cultural que lhe é
própria, com foco na oferta de ensino prevista em sua criação: educação profissional
de nível técnico, formação inicial e continuada de trabalhadores e educação de nível
superior. Outro fator a ser considerado, com vistas à economia dos recursos
públicos é o planejamento do ensino a partir dos eixos tecnológicos a que se
vinculam os cursos técnicos já ofertados pelo campus, a saber: controle e processos
industriais, informação e comunicação e produção alimentícia.
92
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto político-pedagógico apresentou ações de curtos, médios e longos
prazos. Diante desse quadro é fundamental que haja um acompanhamento e
avaliação sistemática do processo de implantação e consolidação do mesmo. É
necessário avaliar para detectar a diferença entre o planejado/previsto e o realizado
no sentido de corrigir essas diferenças. É necessário avaliar para identificar
possíveis falhas no próprio projeto e, dessa forma, redefinir conceitos, metas e
objetivos, enfim é necessário avaliar para estabelecer um diálogo permanente entre
a teoria (o projeto) e a prática (a implementação do projeto).
Além disso, deve estar regido pela participação efetiva dos distintos agentes
internos e externos, na busca do estabelecimento/fortalecimento de um diálogo
social que envolva, além dos participantes da instituição, os representantes
discentes, dos profissionais formados pela Instituição, os pais dos discentes e os
representantes da comunidade.
Dessa forma, busca-se fazer uma avaliação constante do projeto com o
intuito de melhorar a qualidade educativa do IFPR câmpus Paranavaí.
93
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96
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Projeto Político Pedagógico do Câmpus Paranavaí