ID: 23366361 08-01-2009 Tiragem: 30000 Pág: 19 País: Portugal Cores: Preto e Branco Period.: Diária Área: 28,84 x 33,79 cm² Âmbito: Informação Geral Corte: 1 de 1 Espectáculo «Zoetrope» estreia hoje no Teatro Carlos Alberto Viagem com destino ao desconhecido C.Morg Música une o conceito IP Os Micro Audio Waves (MAW) são uma das maiores referências da música electrónica do momento, premiados três vezes pelos Qwartz Awards. Em «Zoetrope», a banda explora um universo que conhece bem e que passa muito “pelo lado experimental e espontâneo” que sempre teve. “Há um elemento novo que não está presente nas peças do Rui com tanto protagonismo: a música. Não nos preocupámos em contar uma história muito definida, pois a música está lá para unir o conceito da obra e a parte cénica. É assim que também temos funcionado como banda, dando azo à nossa espontaneidade e ao nosso lado experimental”, explica um dos elementos da banda, C.Morg, a OPJ. Para o espectáculo, os MAW compuseram vários temas, originais que tiveram “como catalisador” este projecto: “Sempre tivemos, como banda, alguma facilidade em compor. Desde que nos juntámos, há seis ou sete anos, que é assim. A maior parte das músicas deste espectáculo é fruto dessa espontaneidade, só que depois tiveram uma pós-produção maior”. C.Morg não exclui a possibilidade de “alguns temas” poderem integrar um próximo CD, mas considera que “o ideal é editar em DVD, pois isto faz sentido como um todo”. Luís Rocha Graça «Zoetrope», projecto do coreógrafo Rui Horta, é uma viagem com destino ao desconhecido, que começa hoje no Teatro Carlos Alberto. “Poder da imagem é muito forte” Isabel Pinto [email protected] O Teatro Carlos Alberto acolhe hoje, em estreia absoluta, o espectáculo «Zoetrope», projecto interpretado pelos Micro Audio Waves e dirigido por Rui Horta, um dos coreógrafos portugueses com maior projecção internacional. Responsável pela concepção cénica, direcção artística, desenho de luz e multimédia, Rui Horta ainda tem dificuldades em definir o que hoje, amanhã e sábado estará em cena no Porto. “Estou à procura do que é, mas a sensação que tenho é que as pessoas da música virão com a ideia de um concerto encenado, que as pessoas da dança imaginarão que vai haver uma coreografia. Todas elas vão ficar surpreendidas, pois o que vai acontecer é um «entre», um espaço de linguagem híbrido. Não há bailarinos, mas tudo mexe e, nesse aspecto, é coreográfico. Há uma grande noção de movimento, não só por parte dos intérpretes, mas ao nível da ideia de viagem, pela curiosidade e descoberta, aliado a um trabalho de multimédia, gráfico e à própria linguagem computacional”, aponta o coreógrafo, a O PRIMEIRO DE JANEIRO. Rui Horta, cujo trabalho “foi sempre transdisciplinar”, aliando “texto, música, movimento, encenação, novas tecnologias e espaço cénico”, consegue, em «Zoetrope», inovar uma vez mais: “Não tenho necessidade de estar no palco, mas de criar um evento que seja interessante, com o qual também eu aprenda. Já tinha feito encenação de ópera, trabalhado em cinema, mas nunca com uma banda pop electrónica”. Este espectáculo começou a ser idealizado há um ano. Questionado sobre o que nasceu primeiro – música, encenação ou vídeo –, o coreógrafo é peremptório: “Nasceram, primeiro, ideias soltas, mas depois, a música antecedeu a própria encenação. Pode dizer-se que a ordem foi: ideias, música e concepção de espectáculo, sendo neste último aspecto onde tenho uma posição mais marcante”. «Zoetrope». Projecto de Rui Horta, interpretado pelos Micro Audio Waves, estreia hoje no Porto Digressão Mais sete palcos acolhem o espectáculo «Zoetrope», visto em primeira mão em Moscovo, tem estreia absoluta em Portugal no Teatro Carlos Alberto. No entanto, após as três apresentações no Porto, o espectáculo segue por mais sete palcos, nacionais e internacionais. «Zoetrope» vai ser apresentado ainda na Culturgest, no dia 19 de Fevereiro, e, no dia 25 do mesmo mês, no Künstlerhaus Mousonturm, em Frankfurt (Alemanha). Três dias depois, o projecto de Rui Horta subirá ao palco do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. No dia 14 de Março, «Zoetrope» passa pelo Teatro da Virgínia, em Torres Novas, e, a 4 de Abril, estará em cena no Centro Cultural e de Congressos, em Caldas da Rainha. No dia 1 de Maio, chega a Laboral Escena, em Gijón (Espanha), terminando a tournée no dia 16 do mesmo mês, no Centro de Artes e Espectáculos, em Portalegre. Neste concerto coreografado, ou performance multimédia, o vídeo é um ponto fulcral e, nas imagens, aparecem também os elementos dos Micro Audio Waves. “Quisemos fugir à ideia tradicional de videoclip. O poder da imagem é muito forte, mas não pode esmagar a música ou o corpo. Há um nível de contenção grande nas imagens, em determinados momentos são exuberantes, mas noutros criam uma atmosfera psicológica, na qual a banda se instala e na qual percepcionamos o evento. Quando as pessoas saírem do espectáculo, vão com uma sensação de viagem e descoberta, mas sem perceberem muito bem o que viram. Cada pessoa vai ver coisas diferentes e, nesse aspecto, o projecto é muito interessante”, explica Rui Horta. Idealizar a coreografia, o cenário e os próprios figurinos dos intérpretes foi, como confessa o coreógrafo, “um trabalho titânico”. “Por um lado, a banda não se pode mexer muito, pois, na música electrónica, estão ligados aos instrumentos. Por isso, envolvi-me muito no trabalho com a Cláudia Efe, com a realização multimédia e criei várias imagens que envolvem o espectáculo... Encontrar o conceito e tomar decisões é muito complicado, mas não há nada que aconteça por acaso”. Se, para Rui Horta, o espectáculo significa um passo em frente, para a banda tem a ver com um regresso às origens. «Zoetrope» pode ser, deste modo, um encontro perfeito entre as duas áreas. “Sinto que, para eles, este rigor e trabalho conceptual que acontece comigo é bem-vindo, pois a banda está para além do concerto e quer fazer mais do que isso. Têm música que se presta a isto, que é electrónica e pode ser facilmente sincronizada com a imagem e têm vontade de ter uma envolvência plástica forte e de serem desafiados a encontrar novos horizontes. Nesse aspecto, aproximamo-nos”.