ANO 19 Nº 192 Ago/11 Agricultores do Oeste da Bahia são recebidos pelo ministro do Trabalho e Emprego, em Brasília Relatos constantes de abusos, truculência e até constrangimento com armas de fogo a produtores rurais durante as blitze de fiscalização do Ministério do Trabalho/DRT levaram um grupo de representantes dos agricultores da região Oeste da Bahia a se reunirem no dia 26 de julho com o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em Brasília. Os agricultores foram representados pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães e Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) e pelo Sindicato Rural de Barreiras. A reunião contou com a presença do secretário de Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, e do deputado federal João Leão (PP-BA). Na ocasião, foram tratados temas como a necessidade de ajustes na Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura (NR-31), e a inoperância da Comissão Permanente Regional Rural (CPRR). Páginas 04 e 05 Aiba expõe problemas ao Tribunal de Justiça da Bahia O trancamento indevido de cerca de 400 matrículas de imóveis rurais, referentes a quase 600 mil hectares no cerrado da Bahia, o valor das custas cartorárias baianas que oneram pesadamente os produtores regionais, e o litígio nas divisas dos estados da Bahia, Tocantins e Goiás foram os principais tópicos da pauta da reunião realizada no dia 12 de julho na presidência do Tribunal de Justiça da Bahia entre a desembargadora Telma Brito e os representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). O encontro, marcado e conduzido pelo secretário da Agricultura, Eduardo Salles, foi um desdobramento dos pleitos entregues pelos produtores do Oeste à Seagri durante Bahia Farm Show 2011. Estiveram presentes ao encontro, além do se- cretário, o presidente da Aiba, Walter Horita, o vice, Sérgio Pitt, o diretor regional João Araujo, o delegado regional da Aiba em Cocos e Jaborandi, Armando Ayres, e o advogado da Aiba, Wagner Pamplona. Página 06 Mutirão do Incra em Barreiras atinge meta pretendida Após duas semanas de trabalho intensivo no Oeste da Bahia, o Incra conseguiu analisar os 250 processos que tinha como alvo, batendo pela primeira vez a meta de 100% de conclusão em 13 mutirões já realizados no interior do estado. Página 03 Veja ainda: • Ministro da Integração garante que irrigação será prioritária no governo Dilma. Página 08 • As novas vitórias alcançadas nas ações contra o Funrural. Página 02 • Aplicação dos recursos do Fundesis estão aceleradas. Página 10 ANO 19 Nº 192 Ago/11 2 Comunicado declaração ITR 2011 O prazo final para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Rural (DITR) se encerra no próximo dia 30 de setembro. Devem ser entregues o Documento de Informação e Atualização Cadastral (DIAC) e o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT). A Declaração pode ser feita pelo site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br), através de entrega do formulário em disquetes nas agências do Banco do Brasil e da Caixa, ou preenchendo-se o formulário nas agências dos Correios. A Declaração é um requisito obrigatório para manter a propriedade rural devidamente regularizada. Toda pessoa física e/ou jurídica que tenha propriedade rural é obrigada a entregar a declaração. A finalidade é apurar o imposto territorial rural e atualizar as informações de todas as propriedades rurais junto ao Governo Federal. A declaração é o documento necessário por lei para a transferência da propriedade de imóveis rurais e para a obtenção de financiamentos rurais. A Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) alerta a todos os produtores rurais sobre a importância da declaração e da precisão das informações, em especial, do valor do imóvel, tendo como base janeiro de 2011. Preenchimento O produtor precisa se municiar de documentos que comprovem a produção, produtividade e as áreas não-tributáveis para o preenchimento adequado da declaração. É recomendado que o produtor seja o mais consistente possível para evitar impugnações. Se houver um valor sem consistência, a Receita vai recalcular o imposto e a partir desse valor, calcular multas e juros. Fiscalização Praticamente todos os municípios do Oeste da Bahia celebraram convênio com a Receita Federal para fiscalização do ITR e como este imposto é sujeito ao lançamento por homologação, conforme estabelece o art. 10 da Lei nº. 9.393, de 1996, caberá aos municípios a homologação posterior. A Instrução nº 643/2006, estabelece os “modus operandi” das relações Contri- buinte x Município x Receita Federal. “Art. 7° O conveniado efetuará o lançamento de ofício quando o sujeito passivo: I - não apresentar a DITR; II - deixar de atender aos pedidos de esclarecimentos que lhe forem dirigidos, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente no tempo aprazado; III - apresentar declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar; IV - não efetuar, ou efetuar com inexatidão, o pagamento do imposto devido; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, à aplicação de penalidade pecuniária. Parágrafo único. O crédito tributário também deve ser lançado através de ofício nos casos em que o sujeito passivo tenha informado o enquadramento em hipóteses de imunidade, isenção ou redução do imposto, mas não tenha cumprido ou tenha deixado de cumprir, na data de ocorrência do fato gerador, os requisitos necessários. Roteiro Operacional 1. O contribuinte entrega o DITR na Receita Federal; 2. A Receita Federal disponibiliza ao Município as DITR; 3. O Município notifica o contribuinte a regularizar a DITR, caso seja detectado alguma informação inconsistente, adotando modelos e sistemas aplicativos do órgão federal; 4. Caso o contribuinte não cumpra a notificação, o Município efetuará o lançamento de ofício da obrigação tributária; 5. O Município lavrará o auto de infração relativo às penalidades cometidas, adotando modelos fornecidos pela Receita Federal, e capitulando os artigos correspondentes da legislação federal; 6. O contribuinte será notificado pelo Município do lançamento de ofício efetuado, com a entrega do auto de infração lavrado; 7. Caso o contribuinte ingresse com impugnação do lançamento de ofício ou do auto de infração, o Município deverá encaminhar o processo à Receita Federal para julgamento ANO 19 - Nº 192 - Ago/11 Publicação mensal editada pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia - Aiba Jornalista Responsável: Catarina Guedes - DRT 2370-BA Aprovação Final: Alex Rasia Editoração Eletrônica: Eduardo Lena (77) 3611-8811 Impressão: Gráfica Irmãos Ribeiro (77) 3614-1201 Tiragem: 2.500 exemplares Comentários sobre o conteúdo editorial desta publicação, sugestões e críticas, devem ser encaminhadas através de e-mail para: [email protected] Matérias da Abapa, Fundeagro e Fundação Bahia são de responsabilidade das referidas entidades. A reprodução total ou parcial do conteúdo desta publicação é permitida e até recomendada, desde que citada a fonte. www.aiba.org.br Av. Ahylon Macêdo, 11, Barreiras - BA - CEP. 47.806-180 - Fone: (77) 3613-8000 Fax: (77) 3613-8020 da lide; 8. Nos casos de solicitação de retificação da DITR, o contribuinte encaminhará o pedido ao Município, podendo este aprovar ou indeferir o requerido. E se o pedido for indeferido, o contribuinte poderá recorrer através de recurso dirigido à Secretaria da Receita Federal, conforme estabelecem os parágrafos do art. 8º. da Instrução Normativa nº 643/2006. Supremo reitera a inconstitucionalidade do Funrural cobrado dos produtores rurais F oi julgado no dia 1º de agosto pelo Supremo Tribunal Federal o Recurso Extraordinário n. 596.177/RS, da Relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, cuja Repercussão Geral havia sido reconhecida em Setembro de 2009. O STF sacramentou o entendimento de que o Funrural é inconstitucional quando cobrado do produtor rural empregador pessoa física, isso mesmo após a edição da Lei 10.256/01 (única tese de defesa sustentada pela União e que afirmava ter a indigitada norma regularizado a cobrança do tributo). O caso julgado pelo STF (com repercussão geral reconhecida) acaba vinculando todos os Recursos que versam sobre a mesma matéria nos Tribunais Federais do País, adiantando, e muito, o andamento das ações que buscam a suspensão da exigibilidade e a restituição dos 2,1% cobrados no momento da comercialização. A decisão (que só vale para os produtores rurais que estão em juízo) confirma a tese que beneficiou o Frigorífico Mataboi em fevereiro do ano passado (RE 363852) e afasta, expressamente, o argumento da União de que a Lei 10.256/01 (Lei Ordinária editada após a Emenda Constitucional 20/98) havia regularizado a cobrança do tributo (essa tese havia sido responsável por inúmeros julgamentos contrários no TRF da 3 Região, Tribunal que julga os casos de SP e MS). A partir de agora, como resultado, a jurisprudência estará vinculada a este posicionamento, consolidando o direito dos produtores rurais que ingressaram com ações discutindo a exigibilidade do FUNRURAL. Na prática, as ações da Aiba que tramitam em Barreiras terão apenas mais uma instância para percorrer (TRF1) ao invés de duas (TRF1 + STF). Isso reduzirá significativamente o tempo percorrido por nossas ações o que nos leva a iniciar, ainda este ano, a colheita das notas fiscais para instrução das futuras (e agora inevitáveis) execuções de Sentença. ANO 19 Nº 192 Ago/11 3 Mutirão do Incra em Barreiras atinge meta pretendida A pós duas semanas de trabalho intensivo no Oeste da Bahia, o Incra conseguiu analisar os 250 processos que tinha como alvo, batendo pela primeira vez a meta de 100% de conclusão em 13 mutirões já realizados no interior do estado. Os dados foram apresentados durante uma “oficina” com proprietários de imóveis rurais e técnicos, realizada no Auditório da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), no dia 23 de agosto. O mutirão do Incra na região foi pleiteado pelos produtores rurais do Oeste, representados pela Aiba e Prefeitura Municipal de Luís Eduardo Magalhães, com a intermediação da Secretaria da Agricultura da Bahia, encabeçada pelo próprio secretário Eduardo Salles. A oficina do Incra reuniu cerca de 100 pessoas, e nela, além de esclarecer as principais dúvidas, o órgão federal apresentou as metas alcançadas em duas semanas de trabalho em Barreiras, e o modo de operacionalização dos processos de certifica- ção. O mutirão decorreu da constante queixa dos produtores em relação à demora nos trâmites processuais, atribuídas pelo próprio superintendente do Incra na Bahia, Luiz Gugé, a um sistema complexo e burocratizado em excesso. Segundo Gugé, era preciso “rever imediatamente o sistema de certificação, simplificando a burocracia imposta pelo sistema hoje”. A certificação é a garantia da existência do imóvel. Ela é feita com base em medições de satélite e virou uma exigência legal desde 2001. Com o advento das novas tecnologias, o processo avançou, mas o ritmo do andamento no Incra nem sempre dá conta da demanda. Essa demora na análise foi responsável por um acúmulo de cerca de 1000 processos no órgão, dos quais, 70% eram oriundos do Oeste da Bahia, grande pólo agrícola estadual. Avaliação positiva De acordo com o presidente do Comitê de Certificação do In- cra na Bahia, Miguel da Silva Neto, a equipe de oito técnicos viajou para Barreiras com 250 processos, e deu cabo de todos eles. “Entretanto, verificamos muitos problemas na confecção dessas peças, e tivemos de devolver 110 deles para ajustes”, alertou. Os problemas mais comuns, de acordo com o técnico do Incra, estavam relacionados à falta de padronização na disposição das peças técnicas, como plantas, memoriais e relatórios, dentre outros documentos. Apesar disso, Miguel Neto avalia muito positivamente os resultados da iniciativa. “Foi fantástico. Essa aproximação do proprietário rural foi mais que desejada e vai contribuir para melhorar a relação com o Incra e a imagem que eles fazem do órgão”, disse o técnico. Na avaliação do vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt, a proposta da viabilização de um “Incra itinerante” na região, em parceria com outros órgãos e entidades, é uma possível solução para atender à demanda regional. “O estoque de processos formalizados para certificação é muito grande. Mais de 70% da demanda para certificação são da região Oeste da Bahia. Mutirões como este contribuem para desafogar as prateleiras do Incra”, disse Pitt, acrescentando ainda que o trabalho de diagnosticar, divulgar e esclarecer sobre os principais erros e falhas cometidos pelos profissionais que elaboram os processos de certificação é de grande valia para melhorar a eficiência dos certificadores. O secretário da Agricultura, Eduardo Salles, para quem “encontrar soluções para questões como essa será sempre uma meta da Seagri”, ficou satisfeito com o resultado. “Foi uma ação conjunta na qual, sobretudo, havia boa vontade de todas as partes envolvidas para resolver o problema. O resultado foi positivo, mas esse trabalho continua”, disse Eduardo Salles. Retrospectiva No dia 23 de março, o vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt e o prefeito do município de Luís Eduardo Magalhães, Humberto Santa Cruz, expuseram o problema para o superintendente do Incra na Bahia, Luiz Gugé, que admitiu que era preciso “rever imediatamente o sistema de certificação, simplificando a burocracia imposta pelo sistema hoje”. Durante a Bahia Farm Show 2011, em que a Seagri transferiu as atividades do seu gabinete para feira, na Seagri Itinerante, a Aiba solicitou a intermediação do Governo do Estado na questão. O que é? Georreferenciamento – Medições topográficas nas quais se atribuem coordenadas geodésicas. Certificação georreferenciada – Aprovação do georreferenciamento de acordo com as normas técnicas do Incra. ANO 19 Nº 192 Ago/11 4 Agricultores do Oeste da Bahia são recebidos pelo ministro do Trabalho e Emprego, em Brasília R elatos constantes de abusos, truculência e até constrangimento com armas de fogo a produtores rurais durante as blitze de fiscalização do Ministério do Trabalho/DRT levaram um grupo de representantes dos agricultores da região Oeste da Bahia a se reunirem na tarde de terça-feira, 26 de julho, com o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em Brasília. Os agricultores foram representados pela Associação de Agri- cultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães e Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) e pelo Sindicato Rural de Barreiras. A reunião contou com a presença do secretário de Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, e do deputado federal João Leão (PP-BA). Na comitiva também estava presente o advogado Cristiano Zaranza, do Departamento Jurídico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), indicado pela Federação da Agricultura da Bahia - FAEB. Na ocasião, foram tratados temas como a necessidade de ajustes na Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura (NR-31), e a inoperância da Comissão Permanente Regional Rural (CPRR), cuja composição inclui representantes de trabalhadores e empre- gadores, com coordenação é exercida por um dos representantes titulares da DRT. “Não estamos aqui para argüir a lei. O que pedimos é sensibilização em relação a estas pessoas que geram milhares de empregos, estão mudando a economia do estado e não podem ser tratadas desta forma”, introduziu o secretário Eduardo Salles, que conduziu a apresentação das demandas dos produtores baianos. As queixas dos agri- cultores, no entanto, transcendem a região do cerrado, no Oeste do estado, um dos maiores pólos agrícolas do país. “Tenho recebido reclamações diversas de regiões como a Chapada Diamantina, Vale do São Francisco, o Sudoeste e o Extremo Sul, onde os produtores afirmam existir exageros na con- duta dos fiscais do MTE. Este tema foi tratado já com a superintendente regional do Trabalho na Bahia, Isa Simões e com o próprio governador Jaques Wagner”, disse o secretário Eduardo Salles, enfatizando a importância do produtor rural na geração de empregos e de divisas para o estado. Descompasso O presidente da Aiba, Walter Horita, entregou ao ministro Carlos Lupi três cartas em que detalhava os problemas na região. ANO 19 “Nossa preocupação é com o rigor punitivo que de antemão considera o agricultor culpado. Recebemos bem os fiscais. Nossas fazendas no Oeste não têm sequer cerca. Não temos nada a esconder e queremos fazer o que é certo. A fiscalização é muito importante, mas não pode ser da forma como tem acontecido”, disse Horita, acrescentando que o problema foi intensificado com a entrada de 14 novos fiscais do Trabalho apenas na região. Dentre as questões que os produtores levantaram no encontro estavam os descompassos entre as leis trabalhistas específicas para a agropecuária e a prática no campo. Uma delas diz respeito ao Descanso Semanal Remunerado (DSR), que estabelece que cada trabalhador deve, obrigatoriamente, folgar um dia por semana, sem possibilidade de postergar a folga para acumular dias. De acordo com o vicepresidente da Aiba, Sérgio Pitt, muitos trabalhadores moram em cidades distantes das fazendas em que trabalham, e precisam de até dois dias de viagem para visitar os familiares. Logo, preferem acumular as folgas semanais e sair uma ou duas vezes por mês, mas a prática vetada pelo MPT. “Isso traz consequências sociais catastróficas, pois o tempo é insuficiente e muitos acabam ficando pelos arredores, bebendo, jogando e metendo-se em confusão. Sem dinheiro, outros perambulam pela estrada. Já soubemos de casos em que o empregado voltou para a fazenda na segunda-feira e foi preso, pois havia praticado um crime no domingo”, exemplifica Pitt, que propõe a adoção do banco de horas. Safristas O secretário da Agricultura, Eduardo Salles, também levantou a necessidade de contratos de trabalho especiais para os períodos de colheita, quando muitos empregados safristas são contratados para trabalhar por apenas poucos dias. “Uma espécie de ‘SIMPLES’ da colheita. Um contrato especial que permita ao empregador recolher os impostos devidos através de boleto, sem que seja necessária a carteira de trabalho, que obriga o empregador a adotar uma estrutura administrativa muito grande e complexa”, exemplificou. O pedido foi reforçado pelo presidente da Assocafé, João Lopes Araujo, que lembrou ainda que a maioria dos safristas está cadastrada no Programa Bolsa Família, e a contratação, ainda que temporária, cancela o benefício. “Não é possível que por causa de um trabalho que às vezes é de apenas um mês, este cidadão perca um benefício estruturante para sua vida. Isso inclusive estimula a ilegalidade”, reforçou Salles. O problema com os exageros nas fiscalizações tem chegado também aos centros urbanos no Oeste da Bahia. O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Humberto Santa Cruz, relatou que no município, um dos que mais Nº 192 crescem sócio-economicamente no Brasil, a mesma conduta tem acontecido nos estabelecimentos comerciais, como supermercados e lojas. “As atitudes dos fiscais são sempre constrangedoras e as multas que eles aplicam às vezes são tão altas que inviabilizam os pequenos empresários”, exemplifica o prefeito. Diálogo tripartite O ministro Carlos Lupi ouviu os relatos dos produtores, e explicou que o Grupo Móvel age por denúncia formal ou por determinação do Ministério Público. Quando se trata do segundo caso, de acordo com o ministro, não há qualquer ingerência do MTE. Como Ago/11 um caminho para o entendimento, Lupi sugere um diálogo tripartite entre empregados, empregadores e DRT, além do Governo do Estado da Bahia. Ele se comprometeu a tratar do assunto com a superintendente regional da DRT na Bahia Isa Simões, para quem chegou a tentar ligar durante a reunião. “Não há porque ter exageros. Precisamos levar sempre em consideração a garantia de empregos, o progresso econômico e ter como último recurso a punição. Estamos trabalhando com os sindicatos dos trabalhadores e patronais e também com os fiscais a fim de estabelecer regras de conduta para o balizamento comportamental durante as fiscalizações”, concluiu o ministro Carlos Lupi. Abapa promove encontro para discutir NR 31 em Guanambi N o dia 14 de julho último, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) promoveu, no município de Guanambi, localizado na Região Sudoeste do estado, encontro com representantes do Ministério do Trabalho e produtores de algodão daquela região. Em debate as principais questões relacionadas ao trabalho no campo, em especial, as que atendem a Norma Regulamentadora 31 (NR 31), a qual estabelece os princípios a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, com a segurança, saúde e meio ambiente do trabalho. O evento contou com as presenças do Diretor Geral da Abapa, Ariston Dias, 1º Secretário da entidade, João Carlos Jacobsen, Delegado da Abapa em Guanambi, Gilberto Melo, além de representantes do Ministério do Trabalho, das agências de Barreiras e Vitória da Conquista, lideranças políticas, produtores e trabalhadores rurais da região. 5 ANO 19 O Nº 192 Ago/11 6 Produtores do Oeste expõem problemas ao Tribunal de Justiça da Bahia trancamento indevido de cerca de 400 matrículas de imóveis rurais, referentes a quase 600 mil hectares no cerrado da Bahia, o valor das custas cartorárias baianas que oneram pesadamente os produtores regionais, e o litígio nas divisas dos estados da Bahia, Tocantins e Goiás foram os principais tópicos da pauta da reunião realizada ontem (12/07) na presidência do Tribunal de Justiça da Bahia entre a desembargadora Telma Brito e os representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). O encontro, marcado e conduzido pelo secretário da Agricultura, Eduardo Salles, foi um desdobramento dos pleitos entregues pelos produtores do Oeste à Seagri durante Bahia Farm Show 2011. Estiveram presentes ao encontro, além do secretário, o presidente da Aiba, Walter Horita, o vice, Sérgio Pitt, o diretor regional João Araujo, o delegado regional da Aiba em Cocos e Jaborandi, Armando Ayres, e o advogado da Aiba, Wagner Pamplona. O problema com as matrículas abrange propriedades nos municípios de Cocos, Jaborandi, Santa Maria da Vitória e Correntina, municípios de grande produção agrícola do estado. A questão que enfrentam atualmente os proprietários começou em agosto do ano passado, depois que um juiz substituto de Coribe, com base em um processo indeferido quanto à retificação da matrícula original 2280, de 30 anos atrás, determinou o trancamento de todas as matrículas derivadas. “Isto não faz o menor sentido, uma vez que é fato público e notório que os produtores que ali se encontram há cerca de 30 anos são detentores de títulos legítimos e, sobretudo, detentores do domínio e posse de boa fé e sem registros de litígios. Investem altas somas e valorizam aquelas áreas, e o trancamento dificulta a operacionalização regular de suas atividades”, diz Wagner Pamplona. De acordo com os representantes da Aiba, o trancamento das matrículas inviabiliza a atividade agrícola na medida em que priva o produtor de seu patrimônio, que geralmente é a única garantia que ele tem para o acesso ao crédito. “Isso acontece exatamente no período de planejamento para a próxima safra e afeta injustamente pessoas de bem, empregadores, maculando uma corrente sucessória de cerca de 66 anos sem qualquer problema”, disse o delegado regional da Aiba na região afetada, Armando Ayres. O processo e os vieses envolvidos no trancamento das matrículas foram recebidos com compreensão pela presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, que foi recentemente informada de grande parte da situação. A Aiba solicitou à desembargadora a abertura de uma sindicância para investigar a lisura da questão e a indicação de um observador do Tribunal de Justiça para acompanhar esta situação. Custas cartorárias A Bahia é um dos últimos estados que ainda ANO 19 tem cartórios estatizados no Brasil, e discute atualmente o processo de privatização junto à Assembléia Legislativa. No calor dos debates, a Aiba acrescenta um problema que afeta especialmente seus associados, o valor exorbitante dos emolumentos cobrados pelos cartórios extrajudiciais de imóveis, que termina por gerar grandes custos aos produtores. O pedido da Aiba foi um tratamento isonômico em relação a outros estados. Para se ter idéia, o valor máximo cobrado em Minas Gerais, de acordo com parecer da Corregedoria-Geral de Justiça daquele estado, é de R$136,25, enquanto na Bahia, o valor pelo mesmo serviço chega a R$3.380,90, portanto, mais de 2.381%. A desembargadora ouviu o pleito protocolado no TJB, que será abordado nos debates sobre a privatização. “Como os custos cartorários são taxas tributárias, qualquer alteração de valores tem de ser definido por lei”, afirmou. “Como a maioria dos contratos realizados pelos produtores do Oeste da Bahia ultrapassam o teto esta- belecido pela Lei, eles pagam o custo máximo para cada ato praticado pelo cartório. O valor cobrado pelo serviço é desproporcional ao esforço dispensado para o ato do cartório.” Incerteza nas divisas Outro assunto abordado na reunião no Tribunal de Justiça envolve o entendimento político entre os estados da Bahia, Tocantins e Goiás. Este último emitiu títulos públicos sobre terras baianas, apossando-se de áreas no estado. Além de um ato indevido, unilateral, isto acarreta sérios problemas na titulação das propriedades localizadas na Bahia. Este procedimento descumpriu o acordo firmado entre os três estados. A controvérsia é que os acidentes geográficos são os marcos naturais adotados nas delimitações territoriais. Entretanto, ao invés de considerar a escarpa da Serra Geral, acidente natural, o acordo entre os estados foi pelo divisor de águas como ponto demarcatório. O impasse prejudica os produtores locais na medida em que gera insegurança jurídica. A questão está em litígio no STF, que determinou que o Exército Brasileiro faça o levantamento topográfico, localizando a divisa. Este trabalho foi concluído e aguarda julgamento. Para a desembargadora Telma Brito, esta é uma questão histórica que vai demandar, acordos políticos para reconhecimento das titularidades. O secretário Eduardo Salles, que conduziu a reunião, ficou satisfeito com o resultado do encontro. “A Seagri trabalha para ser a melhor porta de entrada para as demandas da agropecuária e da agroindústria baianas. Feita essa sensibilização no Tribunal de Justiça, vamos acompanhar o andamento das questões e colaborar com o que for da competência da Seagri para a melhor solução”, afirmou o secretário. Desdobramento Um importante passo foi dado em relação à solução dos processos de trancamento de matrículas de produtores dos municípios de Ja- borandi e Correntina. No dia 18 de julho, o juiz das Comarcas de Correntina, Jaborandi e Santa Maria, Alexandre Araujo, recebeu em Correntina os advogados Jean, Guilherme e Rosimeri, do escritório Pamplona, Badissarela & Advogados Associados, acompanhados pelo Delegado Regional da Aiba, Armando Ayres de Araujo. Durante a exposição do processo, o Alexandre noticiou que já havia recebido ligação telefônica do Tribunal de Justiça da Bahia, solicitando especial atenção a alguns casos de grande repercussão, dentre os quais este se incluía.O juiz, sensibilizado com o problema, mostrou-se totalmente disposto a buscar soluções rápidas para que os produtores possam dar continuidade às suas atividades, e, após esta etapa, solucionar definitivamente os problemas derivados deste processo. Informado sobre a confecção, pela Aiba, de um mosaico (mapa) com imagens da região mostrando a localização das áreas afetadas, o juiz solicitou a apresentação oficial deste mapa para que se pudesse ter Nº 192 a idéia da amplitude do problema, e utilizá-lo como referência na solução; levantou a possibilidade de, havendo reconhecimento por parte dos produtores envolvidos e seus vizinhos, e não havendo objeção do Ministério Público, em audiência pública, determinar o destrancamento das matrículas a partir das informações Ago/11 7 contidas naquele mapa. Faz-se imprescindível e urgente que os produtores afetados e que tenham interesse em solucionar o problema (para não prejudicar aqueles que foram diligentes e já providenciaram toda a documentação), apresentem-se na Aiba para a demarcação de suas áreas no mosaico. Sangue novo A Aiba tem um novo assessor de Agronegócios, Jonatas Brito, que chegou em julho à entidade, substituindo Alcides Viana, que, após anos de dedicação e bons serviços prestados à Associação, encara agora o desafio de auxiliar o Sindicato Rural de Barreiras, reativado recentemente. Formado em Administração em Agronegócios, Jonatas é natural de Planaltina (GO), mas trabalha já há oito anos no Oeste da Bahia, onde foi supervisor comercial da Cargill. Antenado com os movimentos do mercado, como convém a um bom trader, Jonatas tem muito a contribuir com a Aiba no levantamento e análise dos dados do agronegócio no Oeste, no Brasil e no mundo. O INFORMAIBA deseja a ele e a Alcides boa sorte em seus novos rumos profissionais. ANO 19 Nº 192 Ago/11 Estréia na Fenagri No evento, a Associação empossou oficialmente o delegado regional Ivan Pinto da Costa e marcou o início de suas atividades no Vale do São Francisco O s laços entre a Aiba e o Vale do São Francisco ficaram ainda mais estreitos. A entidade, que já havia anunciado a instituição de um delegado regional no Vale, no mês de julho, participou pela primeira vez com um estande da 22ª Feira Nacional da Agricultura Irrigada, a Fenagri, que aconteceu em Juazeiro, entre os dias 27 e 30 de julho. Na ocasião, durante a reunião da Câmara Setorial da Fruticultura do Estado da Bahia, a Aiba deu posse ao seu delegado regional Ivan Pinto da Costa. Participaram da abertura do evento o governador da Bahia, Jaques Wagner, os ministros do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, além do secretário da Agricultura, Eduardo Salles, do presidente da Codevasf, Clementino Coelho, dentre outros. A Fenagri é hoje considerada a maior feira de fruticultura irrigada da América Latina e ocupou, nesta última edição, 10 mil metros quadrados do campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco, a Univasf. Dentre os expositores, além de produtores rurais de diversas regiões da Bahia e de Pernambuco, havia empresas de equipamentos, trades, portos, e as vinícolas, já que o Vale hoje é o segundo maior pólo vitivinicultor do Brasil. A região produz anualmente 1,5 milhão de toneladas de frutas e legumes, que exporta em boa parte para os mercados internacionais, como Estados Unidos, Europa e Japão. A agricultura irrigada do Vale movimenta US$ 800 milhões ao ano e emprega diretamente na região cerca de 240 mil pessoas. “A feira é muito bonita e tem grande sinergia com a nossa Bahia Farm Show. Tivemos a oportunidade nestes dias de evento de trocar experiências com os produtores daqui, e, especialmente, de expor trabalhos desenvolvidos pela Aiba com sucesso na defesa dos interesses dos produtores”, disse o vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt, que viajou para a Fenagri acompanhado do diretor regional da Aiba em Salvador, João Lopes Araujo. Bezerra diz que Bahia terá mais 70 mil hectares irrigados até o final dos quatro anos do Governo Dilma U ma das boas notícias que o evento, prestigiado com a presença de dois ministros, trouxe foi a informação de que a Irrigação será prioridade no governo Dilma Rousseff. Quem garantiu foi o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, segundo quem a irrigação é destaque no PAC, através do Novo Programa de Irrigação do Semiárido Brasileiro. “Se é verdade que enfrentamos muitos problemas na agricultura irrigada, com áreas ociosas, problemas de drenagem, falta de tecnologia, financiamento e acesso aos mercados externos, por outro lado, há 50 anos, com o nascimento da Sudene, não há indústria neste país que tenha contribuído para gerar mais emprego e renda que a agricultura irrigada no semiárido brasileiro”, disse o ministro, causando grande entusiasmo na platéia. Ainda segundo Fernando Bezerra, entre impostos federais e estaduais, a atividade arrecada aproximadamente R$500 milhões ao ano, e gera cerca de 550 mil empregos diretos. A meta para o final dos quatro anos de mandato da presidente Dilma é implantar e colocar em início de operação mais 70 mil hectares irrigados no território baiano. “É mais que o que a Codevasf tem hoje em perímetros irrigados no estado da Bahia”, comparou Bezerra. Além disso, o ministro disse que também será dada atenção aos perímetros já existentes. “Esses pioneiros que iniciaram a grande aventura da agricultura irrigada no semiárido”, concluiu. 8 ANO 19 Aiba e PMLEM pleiteiam superintendência da Codevasf no Oeste da Bahia A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) propôs ao presidente em exercício da Codevasf, Clementino Coelho, a implantação de uma superintendência regional do órgão no Oeste da Bahia, na cidade de Barreiras. O pleito, formalizado em carta pelo presidente da Aiba, Walter Horita, no dia 15 de julho, teve como argumento o desenvolvimento expe- rimentado pela região graças ao agronegócio, como fruto da atuação da iniciativa privada, que, segundo a Aiba, carece de representação federal neste segmento. O Oeste da Bahia tem em torno de 160 mil hectares de projetos de irrigação, dos quais 10 mil hectares são públicos, o que torna a parceria potencialmente estratégica também para a Codevasf. A Aiba defende que a repre- sentatividade e a credibilidade da Codevasf fazem dela o parceiro ideal para o desenvolvimento de trabalhos para melhorar a performance das atividades agrícolas, com sustentabilidade econômica, social e ambiental. “Esta iniciativa beneficiará toda a região Oeste e vai contribuir para a geração de emprego e renda, e melhoria da qualidade de vida da população, na medida em que colabora para a redução dos fluxos migratórios e dos efeitos econômicos e sociais decorrentes de secas e inundações e otimiza os cuidados com a preservação dos recursos naturais das bacias hidrográficas”, disse Walter Horita. Os argumentos da Aiba foram endossados pela Prefeitura de LEM, que também endereçou uma carta ao presidente da Codevasf reforçando o pleito. “A instalação da Superintendência Regional da Codevasf em Barreiras fortalecerá economicamente a região Oeste. A população de Luís Eduardo Magalhães seria diretamente beneficiada com a geração de emprego e renda, redução de fluxos migratórios e dos efeitos econômicos e sociais que isso acarretaria. O nosso foco maior com esse pedido é manter um atendimento direcionado à nossa região, que tem grande volume de demanda”, explica o prefeito Humberto Santa Cruz. Cartório de Imóveis de São Desidério voltou a apresentar problemas no atendimento em julho O Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas de São Desidério voltou a apresentar problemas no atendimento no mês de julho. Do dia 14 ao dia 29, o cartório ficou sem oficial designado, em função de problemas administrativos. Ao tomar conhecimento do problema, a Aiba imediatamente informou a situação ao Tribunal de Justiça da Bahia, por carta à sua presidente, a desembargadora Telma Britto. Em seguida, tratou do assunto em duas audiências na Corregedoria do Interior, com o juiz corregedor Osvaldo de Almeida Bomfim, nos dias 22 e 28 de julho. Após intervenção deste, o atendimento ao público foi normalizado na primeira semana de agosto, com nova designação da servidora que vinha respondendo pelos atos do Cartório como oficial, Eliene Rodrigues de Souza Silva. Em 2009 houve uma situação semelhante, e, para que o atendimento fosse normalizado, a Aiba chegou a contribuir com a disponibilização de uma estagiária de direito, durante um ano e meio, na condição de voluntária. Porém, também por ordem administrativa, está suspensa a prestação de serviços para o cartório por voluntários. Sem funcionários e sem voluntários, o cartório conta atualmente apenas com a oficial designada, o que certamente comprometerá o atendimento ao público, sobretudo no período de pico de contratação de custeios e outros financiamentos que dependem do órgão. Para evitar desencontros, anote os dias e horários de atendimento: das 8h às 14, de segunda a quinta. Às sextas-feiras o cartório funciona apenas para serviços internos e em todas as últimas quartas-feiras de cada mês ele não funciona. Nº 192 Ago/11 9 ANO 19 Nº 192 Ago/11 10 Aplicação dos recursos do Fundesis segue em ritmo acelerado V etor de transformação social dos mais eficazes na região Oeste da Bahia, o Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia – Fundesis avança no cumprimento do seu papel, e as entidades contempladas pelo Edital 2010 já estão recebendo novas parcelas dos recursos não reembolsáveis dispo- nibilizados para 2011. Foram ao todo R$555 mil, que estão sendo aplicados em melhorias estruturais, equipamentos e material didáticos para otimizar o atendimento de instituições diversas, como a Associação Betel de Ação Social, que, pela primeira vez, submete um projeto ao Fundo. “Foi uma oportunidade que vislumbramos de ampliar a escola, já que a demanda é grande demais para atendermos completamente nas condições em que estávamos”, conta a presidente da Associação, que também é professora de Metodologia da Alfabetização e Educação Infantil na Universidade do Estado da Bahia-Uneb, Débora Cunha. Graças aos recursos do Fundesis, a Betel, que hoje atende a cerca de 160 crianças, estima alcançar 240 alunos, entre quatro e oito anos de idade a partir da conclusão das obras. A Betel focaliza a alfabetização infantil. Seu ensino é público e gratuito e está integrado à Rede Pública Municipal de Barreiras. “Quanto mais crianças contribuirmos para alfabeti- zar e direcionar para a rede pública já com a habilidade da leitura e da escrita, mais colaboramos para que elas tenham a chance de avançar nos estudos”, diz a professora, para quem o Fundesis teve um papel “muito significativo” nesta obra social. No início de Junho, A Associação Betel de Ação Social recebeu uma parcela de R$25 mil, a primeira do montante de R$50 mil. Com a verba, a escola está investindo na construção de três novas salas e um novo piso para realizar suas atividades. O público-alvo da entidade provém dos bairros de Vila Rica, Barreiras I, Cascalheira, Vila Amorim, Vila dos Funcionários, São Pedro e Barreirinhas. ANO 19 Nº 192 Ago/11 11 Veja outras entidades contempladas e como estão sendo aplicados os recursos do Fundesis Associação Bambam Creche Escola Recebeu, no início de Junho, R$ 20 mil de um total de R$ 50 mil que serão financiados. Localizada no Loteamento São Paulo, a entidade atende a 50 crianças e está sendo contemplada pelo Fundesis pela segunda vez. Os recursos serão direcionados para a construção do segundo piso e novos espaços, como salas para oficinas de música, teatro, dança, artes plásticas, fantoches e banda de sucata. O projeto passará a atender também o público infanto-juvenil (6 a 17 anos), oferecendo diretamente 120 vagas. Oferece atendimento para moradores dos bairros Morada da Lua, Antônio Geraldo, Boa Sorte, Loteamento São Paulo e Recanto dos Pássaros. Centro de Promoção Humana Eugênia Ravasco Localizado na Vila dos Funcionários, em Barreiras, a instituição atende crianças e adolescentes do sexo feminino, sedo ao todo 100 meninas. O Associação dos moradores da Vila Buriti Centro acaba de receber a segunda parcela, no valor de R$ 18 mil, restando R$ 14 mil, do valor total de R$50 mil para serem aplicados. Com os recursos, um novo pavimento está sendo construído, onde serão instaladas sala de arte, biblioteca, uma sala de dança, sala de atendimento psicológico, banheiros e dispensa. Desde 2007, o Fundesis, uma iniciativa da Aiba e do Banco do Nordeste, já investiu mais de R$1,5 milhão em projetos de 19 instituições da região. Recebeu a 2º parcela, no valor de R$ 22 mil, dando continuidade à aquisição de equipamentos eletrônicos, móveis, brinquedos, utensílios para cozinha e todo material necessário para o atendimento do berçário. Atende aos Moradores da Vila Buriti e adjacências, no município de Luís Eduardo Magalhães. A instituição, que participa pela segunda vez de um edital do Fundesis, foi contemplada com um total de R$ 50 mil em 2011. APAE (Luís Eduardo Magalhães) senvolvimento das habilidade pisicomotoras. Associação de Proteção as Crianças Pobres Recebeu a última parcela, no valor de R$ 10 mil reais, de um total de R$40 mil. Os recursos serão destinados à construção do Complexo Desportivo e Hidroterápico, que conta com piscina aquecida e sistema de filtragem à base de ozônio, sendo o mais moderno no mercado. O investimento em atividades aquáticas proporciona aos assistidos da Apae a maximização do de- Localizada na Vila do Papelão, em Barreiras, a instituição recebeu no inicio do mês de junho a última parcela, no valor de R$25 mil, de um total de R$45 mil. A entidade atende atualmente a 100 crianças da periferia de Barreiras, especificamente, da Vila Brasil e Santa Luzia, com idades de zero a quatro anos. Bahia Farm Show 2012 já tem 40% dos espaços vendidos N em bem abriram as vendas para os espaços de exposição da Bahia Farm Show 2012, e 40% da área da feira já estão confirmados. Desde meados de julho, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) deu início à oferta de espaços para quem já era expositor na edição 2011. As áreas para novos expositores serão disponibilizadas a partir de 30 de agosto. A próxima edição da maior feira de tecnologia agríco- la e negócios do Norte/ Nordeste acontecerá de 29 de maio a 02 de junho de 2012. De acordo com o gerente comercial do evento, Pablo Manopella, desde a feira passada, a maioria dos expositores já sinalizava a intenção de garantir a participação em 2012. “Tem sido assim, em todas as edições, mas, especialmente nas duas últimas, que tiveram como pano de fundo uma excelente conjuntura para o agronegócio brasileiro”, explica Pablo. Para 2012, a previ- são da Aiba é de uma expansão da ordem de 15% na área de exposição da Bahia Farm Show. “Mas não descartamos dobrar esse percentual caso haja demanda”, diz o coordenador da feira, Alex Rasia. Para crescer, será necessário investir em infraestrutura. A meta da entidade realizadora é pavimentar 23 mil metros quadrados de rua de um total de 30 mil metros quadrados do Complexo Bahia Farm Show. “Estamos estudando a viabilidade”, afirma Rasia. A Bahia Farm Show é promovida pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Associação dos Revendedores de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado da Bahia (Assomiba), Fundação Bahia e Prefeitura Municipal de Luís Eduardo Magalhães. ANO 19 Nº 192 Ago/11 12 Atenção produtor! O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia – Inema e a Aiba, comunicam aos produtores rurais que aderiram ao Plano de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais que foram devolvidas pelos Correios diversas notificações emitidas pelo Inema. Essas notificações solicitam aos proprietários e posseiros rurais que protocolaram o Termo de Adesão ao Plano, a apresentação de documentos e informações complementares para instrução do processo junto ao órgão. São aproximadamente 140 produtores que deixaram de receber as correspondências e precisam comparecer ao Inema de Barreiras, até do dia 25 de agosto, sem falta, para retirar as notificações e corrigir os respectivos endereços, sob pena de terem seus processos arquivados a partir daquela data. Orientação intensiva Catra fez plantão em Barreiras no dia 28.07 Nos dias 27 e 28 de julho, os membros da Comissão de Assessoria Técnica para Regularização Ambiental (Catra) se reuniram em Barreiras. No dia 27, apenas os membros efetivos da comissão participaram do encontro na Casa dos Recursos Hídricos. Esta foi a segunda reunião na re- gião, desde a assinatura da Parceria Conjunta Sema/Seagri n° 060, de 31 de maio de 2011. Na oportunidade, os representantes discutiram o fluxo dos trâmites dos Projetos de Adequação e Regularização Ambiental (PAD) dos imóveis cadastrados no Plano de Adequação e Regularização dos Imó- Primeira reunião da Catra, logo após a Bahia Farm Show veis Rurais (PARA), para dar mais celeridade ao processo. “Com este ordenamento dos processos, os proprietários adesos ao plano vão providenciar o cadastro de suas áreas no Plano Oeste Sustentável junto à Aiba, e, na seqüência, regularizem seus passivos através dos Projetos de Adequação e Regularização Ambiental (PAD), que também serão apresentados à Catra. A Comissão irá avaliar, orientar e convalidar o PAD, instruindo o Termo de Compromisso e será responsável pelo envio dos projetos ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia – Inema”, explica o diretor de Meio Ambiente da Aiba, José Cisino Lopes. A Catra é formada por representantes da ONG The Nature Conservancy, da Aiba, da Seagri e do Inema. No dia 28 de julho, foi a vez dos membros da Catra passarem estas orientações aos proprietários e consultores ambientais da região Oeste, envolvidos nos processos. O evento foi realizado na Aiba, com a presença de aproximadamente 70 pessoas e foi considerado muito positivo pelos organizadores. Uma das orientações passadas neste dia, reforçada pelo diretor de Meio Ambiente da Aiba, é para que os proprietários que aderiram ao Plano de Adequação observem o prazo estipulado de 365 dias, a partir da data de protocolo, para a entrega dos Projetos do PAD. Caso este prazo esteja vencendo, é preciso providenciar imediatamente o pedido de prorrogação para mais 120 dias, em conformidade com o Decreto n°12.920/2011. Cisino lembra ainda que “o PAD deve ser elaborado de acordo com os passivos ambientais declarados na época do requerimento de adesão”.