O uso do vidro artesanal como material decorativo e
sustentável no design de interiores
The use of artisanal glass as decorative and sustainable material in interior design
Otte, Marina; Msc.; Universidade do Vale do Itajaí
[email protected]
Oliveira, Elza Aparecida de; Graduada; Universidade do Vale do Itajaí
[email protected]
Resumo
Este trabalho consiste em construir um conhecimento científico, baseado nos princípios
básicos do design sustentável utilizando o vidro reciclado artesanalmente como elemento
decorativo capaz de satisfazer os objetivos estéticos e funcionais aplicados ao design de
interiores. A partir desta premissa foi realizada uma pesquisa teórica e prática para
fundamentar a eficácia da técnica artesanal Fusing, no processo de transformação de restos de
vidro em produtos ecologicamente adequados. Foram desenvolvidos produtos reciclados
posteriormente testados e aprovados para serem utilizados em projetos de interiores tais como
em janelas, portas, divisórias, vitrais, revestimentos e obras de arte.
Palavras chave: vidro; sustentabilidade; design de interiores.
Abstract
This study consists in constructing scientific knowledge based on the basic principles of
sustainable design using handcrafted recycled glass as a decorative element able of satisfying
the esthetical and functional objectives applied to interior design. In order to demonstrate
such idea, a theoretical and practical research was carried out to fundament the effectiveness
of the artisanal technique Fusing in the process of transforming glass residues into products
which are ecologically friendly. This study developed, tested and approved recycled products
to be used in projects of interiors such as in windows, doors, partition walls, stained glass
windows, coverings, and works of art.
Key-words: glass, sustainability; interior design
O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores
Introdução
O desejo da sociedade moderna é a qualidade de vida e isso inclui um ambiente
esteticamente agradável e bem decorado. O consumidor desse nicho de mercado costuma ser
alguém que privilegia o conforto e que busca emoção em cada detalhe da casa. Não dispensa
uma decoração bem planejada estética e economicamente e prima pela praticidade e apelo
visual atraente dos objetos decorativos. Na contramão da realização desses desejos vem a
responsabilidade ambiental cada vez mais incorporada numa consciência de cidadania e
respeito pelo planeta e, sobretudo, a necessidade de manutenção das condições de vida às
gerações do futuro.
Aliadas a essa nova postura social estão as mais diversas pesquisas acadêmicas para a
produção de novos conhecimentos e mudanças de paradigmas em todos os segmentos,
inclusive o da arquitetura de interiores, que se constitui no objeto desse estudo. Para Morais
(2007), o profissional de Design precisa se conscientizar da situação global, desenvolver
projetos sustentáveis e utilizar materiais com baixo impacto ambiental. Segundo ele, uma
mobilização deve começar na base do ciclo profissional, se estender aos clientes e parceiros
daqueles que já atuam no mercado. As associações e o meio acadêmico devem compartilhar e
disseminar o valor da sustentabilidade, adverte ainda o autor em seu artigo sobre a
importância do ecodesign para os projetos de interiores, escrito para o 4º Congresso
Internacional de Pesquisa em Design, realizado em outubro de 2007.
Segundo Otte (2008), é um ato de responsabilidade ambiental desenvolver estratégias
para criação de produtos e serviços adequados à capacidade de utilização dos recursos
naturais do planeta. Para a autora, a principal função de um bom design reside na interferência
direta da escolha da matéria prima e nos processos produtivos. É função do designer, nesse
contexto, aumentar o tempo de vida útil bem como alterar, sobretudo, o conceito do produto e
o seu modo consumo.
O panorama predatório imposto pelo modelo de desenvolvimento humano pósrevolução industrial precisa ser contido e principalmente revertido no sentido de tornar tal
modelo mais compatível com a capacidade de adaptação do ambiente, utilizando-se o design
como uma ferramenta de transformação de comportamento e não apenas como incremento de
vendas. (OTTE, 2008)
O fato é que, finalmente, está na ordem do dia a preocupação com a preservação do
meio ambiente e estabeleceu-se como prioridade a necessidade do combate ao desperdício e
ao uso indiscriminado dos recursos naturais do planeta. Torna-se, portanto, indispensável a
construção do conhecimento sobre materiais alternativos que possam ser empregados no
design de interiores que contribuam com atitudes ecologicamente corretas, sem perder o
caráter funcional e decorativo, próprio do cotidiano das pessoas. É imperativo e fundamental
tornar mais responsável o existir no mundo para que seja possível desempenhar plenamente o
mais primitivo e importante papel social que é a perpetuação e sobrevivência da humanidade,
sem deixar de atender o lado criativo da ornamentação dos espaços, pois é sabido que desde a
mais remota antiguidade é prática do homem enfeitar a sua morada. (KAZAZIAN, 2005)
É neste cenário que a utilização de recursos recicláveis e materiais sustentáveis se
torna uma prática relevante no design de interiores. A adoção de critérios ecologicamente
mais adequados no momento em que se projeta ambientes contribui sobremaneira para a
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gestão ambiental e se torna uma vantagem competitiva quanto à imagem do designer no
mercado, devido ao aumento do interesse dos consumidores pelas questões ambientais.
(DIAS, 2007)
Em resposta a essa nova concepção e aproveitando o atual momento em que se
percebe uma nítida retomada da valorização da manufatura artesanal, esta pesquisa ganha
incentivo por incorporar uma irreversível tendência mundial de conscientização.
O vidro, objeto deste trabalho, se enquadra perfeitamente como argumento
ambientalmente sustentável em razão de sua característica de total e infinita reciclabilidade,
tornando-o um dos materiais mais ecologicamente adequados com inúmeras possibilidades de
uso. Por meio do vidro reciclado artesanalmente, cria-se ainda outros modos de utilização,
pois agrega-se a ele a estética decorativa e artística.
A reciclagem preserva a natureza ao reduzir a necessidade de captação de novas
matérias-primas o que também contribui significativamente para a preservação do meioambiente. Outro aspecto é o menor descarte de lixo, reduzindo os custos de coleta urbana e
aumentando a vida útil de aterros sanitários. Tudo isso considerado, é possível dizer que o
vidro é um dos materiais mais sustentáveis. Se houver uma conscientização da população a
cerca dos benefícios da sua reciclagem, seria possível reaproveitar integralmente os resíduos
com enormes benefícios ecológicos, econômicos e sociais. (ABIVIDROS, 2009)
Desde o começo da década de 80, a glass art em todas as suas formas de manifestação,
tem emergido do confinamento do contexto eclesiástico para a arquitetura em geral, através
de grandes painéis de vidro onde é possível manifestar uma enorme variedade de linguagens,
estilos e formas. A partir daí o vidro artístico reciclado ou não, tem conquistado um
considerável espaço no design de interiores graças ao seu alto potencial decorativo e
funcional. (MOOR, 1997)
O objetivo desta pesquisa é desenvolver um produto que esteja de acordo com os
princípios da sustentabilidade e averiguar se o processo de transformação artesanal, utilizando
vidro reciclado, produzirá como resultado um objeto estético que possa ser utilizado no design
de interiores. É importante ressaltar ainda, que esta pesquisa foi idealizada dentro de uma
abordagem desconstrutivista, onde as características finais do produto em nada se assemelham
ao objeto original reciclado, porém decorre de uma nova concepção de uso e reflexão sobre o
lixo do planeta e sua transformação em objetos de requinte para serem utilizados em
decoração de alto padrão.
O produto desta pesquisa deverá preencher a lacuna existente entre a estética
rudimentar de objetos decorativos de material reciclado, quando, incapazes de abstrair-se de
sua forma original, traduzem apenas a mera obviedade e o mercado de luxo que desabrocha
para as questões sociais e ecológicas.
Metodologia
Para a execução deste trabalho foram cumpridas as seguintes etapas:
Pesquisa Bibliográfica e eletrônica;
Pesquisa prática em um atelier de vidro;
Desenvolvimento dos protótipos;
Pesquisa qualitativa para verificar aceitação do produto
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Descrição da Técnica utilizada
A pesquisa prática desenvolveu-se numa empresa de manufatura artesanal, o atelier
Arteviva, situado na Rua Heitor Liberato, 941, na cidade de Itajaí, Santa Catarina, que
transforma o vidro pelo processo de fusão, técnica conhecida por Glass Fusing. Este processo
consiste no derretimento de placas de vidro em fornos especiais, onde a temperatura de fusão
gira em torno de 800°C, podendo variar de acordo com o resultado desejado.
Dois ou mais pedaços de vidro são fundidos num único bloco dentro de um molde préfabricado. Os moldes são feitos de diversos materiais como cerâmica, gesso, fibra cerâmica,
papel fibra, cordierita, concreto celular, porcelana, aço inoxidável ou qualquer outro material
que suporte altas temperaturas sem sofrer deformação. Os moldes são isolados do vidro por
uma camada de caulim e, dependendo do material, podem ser reutilizados várias vezes.
(LUNDSTROM, 1991)
Numa primeira etapa, o vidro é cortado pelo método usual, ou seja, com cortador com
ponta de diamante, em seguida, adicionam-se os corantes desejados e monta-se sobre uma
forma ou molde o projeto pretendido. Leva-se ao forno frio para que se proceda a queima que
deve ser monitorada em patamares determinados a fim de minimizar o risco de quebra. O
resfriamento é tão importante quanto à queima e deve ser lento e gradativo. O resultado só
pode ser apreciado quando o forno estiver frio ou em condições de ser manipulado.
(VIGGIANI, 1991)
Os efeitos resultantes deste processo são infinitamente variáveis e parcialmente
controláveis o que implica um caráter artesanal e artístico ao vidro fundido. Por essa técnica
pode-se obter diversos tipos de texturas, formas, relevos, coloração e transparências. A gama
de combinações permite o exercício ilimitado de criatividade e design. (MOOR, 1997)
Desenvolvimento da Pesquisa Prática
A matéria-prima utilizada nesta pesquisa foi o vidro plano novo, resíduos descartados
de vidraçarias e garrafas de diversas cores e formatos. Não foram utilizados corantes no
desenvolvimento dos protótipos.
As garrafas foram selecionadas, lavadas para a retirada dos rótulos e posteriormente
cortadas em anéis em uma máquina artesanal para esse fim (Fig. 1 e Fig.2). Outras foram
quebradas em cacos. O vidro plano descartado foi recortado em vários formatos ou
transformado em cacos de diversos tamanhos.
Fig.1 e 2: Máquina de cortar garrafas e aros de diversas cores (Atelier Arteviva)
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No processo, foram utilizadas como suporte somente placas de coordierita cobertas
com uma camada de caulim, pó isolante que tem por finalidade impedir a aderência do vidro
derretido.
Os testes preliminares consistiram na obtenção de diferentes texturas, a partir da
sobreposição de pedaços de vidro plano de tamanhos e formatos variados. Na seqüência,
foram adicionados vidros oriundos de garrafas e vários testes de cores e texturas foram
realizados mesclando restos de vidro plano com aros e cacos de garrafas coloridas.
Os aros de garrafas foram separados por cor e espessura e colocados sobre um vidro
plano de 12,5cm x 12,5cm em diferentes composições de cores e queimados a uma
temperatura entre 720ºC a 800ºC. (Fig.3 e Fig.4)
Fig.3 e 4: Montagem com vidro plano e aro de garrafa marrom (Atelier Arteviva, 2009)
Fig.5 e 6: Protótipos resultantes da queima (Atelier Arteviva, 2009)
Aros de garrafas de diferentes diâmetros e cores foram colocados sobre um vidro
plano de 12,5cm x 12,5cm e levados ao forno para o procedimento da queima. (Fig. 7 e 8) A
intenção era desenvolver um novo modelo para revestimento de paredes.
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Fig.7 e 8: Montagem com vidro plano e aro de garrafa verde e marrom. (Atelier Arteviva, 2009)
Desenvolvimento dos Protótipos
Diversas montagens foram realizadas utilizando-se também um determinado tipo de
resíduo de vidro plano descartado da fabricação de pratos da empresa que sediou a pesquisa,
onde para cada prato produzido sobram duas peças quadradas com um círculo vazado. O
protótipo foi montado com duas dessas sobras sobrepostas sobre uma placa de cordierita
coberta por caulim e a elas foram adicionados aros de garrafas transparentes (Fig. 9 e 10),
selecionados por tamanho e espessura com o objetivo de transformar o conjunto num único
bloco de vidro. A composição foi levada ao forno elétrico para o procedimento da queima,
numa temperatura média de 780º C. (Fig.11 e Fig. 12)
Fig. 9 e 10: Montagem com resíduo da produção de pratos e aros de garrafas (Atelier Arteviva, 2009)
Fig.11 e 12: Montagem antes e depois da queima (Atelier Arteviva, 2009)
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Um novo protótipo foi testado e desenvolvido com aros de garrafa colocados entre
duas lâminas de vidro plano, seguindo o mesmo roteiro de procedimentos, (Fig. 13) alterando
apenas as medidas e formatos das lâminas e o número de aros de garrafas.
Fig.13 e 14: Montagem com aros de garrafa entre 2 lâminas de vidro (Atelier Arteviva, 2009)
Garrafas de diversas cores foram quebradas em cacos e posteriormente mescladas a
pedaços de vidro plano oriundos de descartes de vidraçarias formando diversas composições.
Com a finalidade de economizar energia, os protótipos foram queimados sempre juntos,
preenchendo o forno com carga total.
No decorrer da pesquisa, foram produzidas várias amostras para a composição de
um vitral. As peças foram concebidas com diversos elementos provenientes das montagens
anteriores com anéis e cacos de garrafas de cores verde e marrom com formatos e tamanhos
variados. Em decorrência da dificuldade de obter garrafas de outras tonalidades, num dos
protótipos acrescentou-se cacos de copos de cristal azul, para obter uma coloração mais
variada. O resultado estético da amostra foi surpreendente e atingiu as expectativas (Fig.
15).A junção do cristal com o vidro, porém, mostrou-se inadequada dados os diferentes
pontos de fusão e dilatação, o que resultou em rachaduras e descolamento da peça. (Fig. 16)
Fig. 15: Protótipo de vitral (Atelier Arteviva, 2009)
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Fig.16: Descolamento do cristal (Atelier Arteviva, 2009)
Comparando as imagens do cristal azul e do vidro de garrafa verde, fundidos à mesma
temperatura, percebe-se nitidamente a diferença do ponto de derretimento. (Fig. 17 e 18)
Fig.17 e 18: Cacos de copos de cristal azul e cacos de garrafa verde (Atelier Arteviva, 2009)
A diferente dilatação do cristal e do vidro de garrafas e de outros materiais, por ação
do calor, provoca vibrações moleculares e, portanto, um distanciamento entre seus
constituintes estruturais. “Este aumento dimensional é característico de cada material e
expresso por um fator que depende da temperatura, denominado coeficiente de dilatação.”
(AMORÓS; et al 1997)
Para dar prosseguimento à pesquisa utilizaram-se garrafas azuis e o resultado da
queima foi compatível com as de cores verde e marrom. (Fig.19)
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Fig.19: Protótipo de cacos de garrafa azul (Atelier Arteviva, 2009)
Em outra etapa da pesquisa foram feitos testes com tintas atóxicas, ou seja, livres do
componente chumbo, com o objetivo de aumentar a diversidade de cores, pois a maioria das
garrafas disponíveis para descarte é de cores verde e marrom. A tinta utilizada foi da marca
Duncan (Fig. 20) por ser de origem americana e possuir garantia de atoxidade. Foram
testadas as cores azul, amarelo e branco, com resultados satisfatórios, porém pouco
compensatórios, dado o elevado custo da tinta. (Fig. 21, 22 e 23)
Fig.20: Tintas Duncan (Atelier Arteviva, 2009)
Fig.21: Pigmento branco
Fig.22: Pigmento azul
Fig.23: Pigmento amarelo
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Resultados
Os resultados das amostras obtidas no decorrer da pesquisa demonstraram, de um
modo geral, um grande potencial estético e funcional capaz de produzir uma gama enorme de
possibilidades de composições de forma, cores e texturas para criação de produtos destinados
à decoração de interiores como vitrais, revestimentos, divisórias, aberturas, painéis e obras de
arte.
Alguns problemas surgiram durante o processo. Um deles foi a falta de brilho de
alguns protótipos que resultaram em amostras opacas, principalmente quando se tratava de
garrafas verdes. Essa questão foi resolvida acrescentando fundente aos aros de garrafas antes
de processar a queima. “O óxido de chumbo presente no fundente confere ao vidro um maior
índice de refração, incrementando seu brilho.” (AKERMAN, 2000)
A quebra durante o resfriamento também aconteceu com freqüência e muitas amostras
ficaram perdidas. Este problema foi minimizado com patamares de resfriamento, ou seja, em
determinados pontos mantinha-se a temperatura estabilizada, aumentando assim o tempo de
resfriamento. Com base na curva de expansão térmica dos vidrados (AMORÓS, et al, 1997),
realizaram-se patamares de resfriamento a cada 50ºC a partir de 550ºC. Pois é em torno dessa
temperatura que o vidro encontra-se no ponto de transição vítrea, portanto, mais sujeito a
quebras. Segundo Akerman (2000), o ponto de transição vítrea (Fig. 24) é a temperatura
abaixo da qual o comportamento do material é um sólido, ou seja, o vidro como conhecemos
e, acima, o comportamento é de um líquido.
Fig. 24: Gráfico de resfriamento rápido e lento (Akerman, 2000)
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Após o desligamento do forno, deixou-se resfriar naturalmente até a temperatura de
550ºC e a partir deste ponto até 150ºC estabeleceu-se patamares de resfriamento, conforme
mostra o gráfico da Fig.25.
Fig. 25: Gráfico de patamares de resfriamento (Dados extraídos da pesquisa)
Os patamares são feitos por meio do religamento do forno por um determinado tempo
para que a temperatura permaneça constante. Desliga-se novamente o forno e deixa-se a
temperatura cair naturalmente mais 50ºC e assim sucessivamente até o limite de 150ºC. A
partir desse ponto, o resfriamento acontece naturalmente até a temperatura ambiente.
o vidro, ao ser aquecido novamente [...] ocorre uma diminuição do seu coeficiente
angular, o que indica que a dilatação do vidro é parcialmente contrabalanceada pela
contração que tem início ao entrar em estado plástico, no qual sua deformabilidade
permite-lhe iniciar a recuperação de volume correspondente a essa temperatura [...]
(AMORÓS; et al, p. 11, 1997).
A maioria das amostras resultantes apresentou características de aplicabilidade com
grande potencial decorativo e funcional. (Fig. 26, 27, 28 e 29)
Fig.26 e 27: Protótipos de vidros para porta, janelas e revestimentos (Atelier Arteviva, 2009)
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Fig. 28 e 29: Protótipos de peças para vitral (Atelier Arteviva, 2009)
Averiguação da Aceitação do Produto
A partir de visitas e entrevistas aos profissionais de diversas vidraçarias, constatou-se o
interesse crescente pela reciclagem do vidro plano por parte da indústria vidreira e por parte de
alguns artesãos da região. Conforme informação obtida nessas visitas todo descarte é recolhido
pela própria indústria que fabrica o vidro ou então é reservado a pedido de algum artesão.
Nas entrevistas realizadas com o consumidor final e profissionais da área, ficou
demonstrado pela maioria, o interesse e a satisfação em contribuir para a preservação ambiental
na hora de adquirir um produto reciclado. Em se tratando de objeto de decoração, o fator
decisivo para a aquisição é que tenha um design atraente e que atenda às necessidades
funcionais do ambiente.
Aplicação dos Produtos Desenvolvidos
Nesta etapa da pesquisa, foram elaborados projetos de interiores para a aplicação dos
protótipos desenvolvidos. Algumas amostras foram selecionadas para compor ambientações.
Três simulações diferentes foram feitas e duas aplicações verdadeiras realizadas.
1ª simulação: Quarto do casal com painéis de vidro reciclado com iluminação indireta.
Protótipo escolhido para aplicação:
Fig. 30: Protótipo para simulação 1
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Criação da ambientação do espaço:
Fig.31: Croquis da ambientação do quarto
Imagens em 3D:
Fig.32e 33: Imagem 3D da ambientação do quarto e detalhe do painel
Fig.34: Imagem 3D da ambientação do quarto com vista para os painéis de vidro reciclado
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2ª Simulação: Abertura circular para entrada de luz para o Living, no alto da parede sobre o
móvel da TV.
Protótipo escolhido para aplicação:
Fig. 35: Protótipo para compor simulação 2
Criação da ambientação do espaço:
Fig.36: Croquis do móvel da TV com a abertura circular
Imagem em 3D:
Fig.37: Imagem 3D do móvel da TV com entrada de luz na parede
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3ª Simulação: Vitral de vidro reciclado dividindo área interna da área de lazer.
Protótipo escolhido para aplicação:
Fig. 38: Protótipo para compor simulação 2
Criação da ambientação do vitral:
Fig.39 e 40: Croquis do vitral e localização no ambiente
Imagem em 3D:
Fig.41: Imagem 3D da ambientação do vitral de vidro reciclado
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1ª colocação: Esculturas para parede de vidro e metal com inserções de vidro reciclado em
apartamento na cidade de Itajaí. Projeto do arquiteto Carlos Lupatini.
Protótipo escolhido para aplicação:
Fig. 42: Protótipo usado no projeto.
Criação da obra:
Fig.43: Croquis da escultura com inserções de
vidro reciclado
Fig.44: Escultura parcialmente pronta
Fig.45: Obra concluída e instalada. (Acervo Pessoal)
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2ª colocação: Apliques de vidro reciclado em balcão da Clínica São Lucas em Itajaí. Projeto
de Diva Rossini e Graziela Donato.
Fig. 46: Projeto de um balcão com detalhes em vidro reciclado.
Fig. 47: Projeto concluído
Considerações Finais
Na constante busca por soluções inovadoras no sentido de tornar os ambientes
habitáveis mais adequados aos novos tempos, ricos em estímulos e sensações encontram-se os
objetos de vidro reciclado incorporados do valor da arte e do artesanato, capazes de provocar
uma reflexão e deflagrar a conscientização do uso sustentável dos recursos do planeta. “A
desconstrução que preserva”, conceito que direcionou a criação do projeto como um todo,
abordou a decomposição das embalagens em anéis que foram reagrupados originando assim
novas formas de utilização.
Analisando os resultados obtidos, conclui-se que a reflexão aliada ao bem-estar,
amplia o olhar do homem sobre o mundo, restabelece sua relação com a natureza e resgata sua
responsabilidade sócio-ambiental, pois ficou evidente a satisfação do usuário ao saber de sua
contribuição ao adquirir um produto de design sustentável sem a estética usual dos chamados
produtos “verdes”. Ficou também demonstrado que essa característica é cada vez mais
determinante do ato da compra, já que se admite a sustentabilidade como valor agregado.
Entretanto, a esta pesquisa, que embora tenha atendido objetivos funcionais e
estéticos, recomendam-se complementações, principalmente quanto ao uso de fundentes, por
serem substâncias portadoras de chumbo e inadequadas aos princípios de sustentabilidade
abordados. Consideramos, portanto, os resultados insuficientes para a elaboração de uma
teoria neste quesito.
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REFERÊNCIAS
ABIVIDRO. Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. Disponível
em:<http://www.abividro.org.br/> Acesso em: 22/04/09.
AKERMAN, Mauro. Natureza, estrutura e propriedades do vidro. CETEV-Centro
Técnico de Elaboração do Vidro. Disponível em: <http://www.saint-gobaincetev.com.br/ovidro/vidro.pdf> Acesso em: 02/03/2010.
AMORÓS, J.L. et al. Acordo esmalte-suporte (II) expansão térmica de suportes e
esmaltes cerâmicos. Instituto de Tecnologia Cerâmica, Universidade de Valência, 1997.
Disponível em : <http://www.ceramicaindustrial.org.br/pdf/v02n12/v2n12_1.pdf > Acesso
em: 02/03/2010.
DIAS, Reinaldo. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. São Paulo:
Atlas, 2007.
KAZAZIAN, Thierry (org.). Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento
sustentável. Tradução de Eric Roland Rene Heneault. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo,
2005.
LUNDSTROM, Boyce. Advanced fusing techniques. 2ª Ed. Vitreous Publications, Camp
Colton, OR/USA, 1991.143 p.
MORAIS, Vinícius Alberto. A importância do ecodesign para o design de interiores. In: 4º
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Espírito
Santenses.
2007.
Disponível
em
<http://www.anpedesign.org.br/artigos/pdf/A%20import%E2ncia%20do%20ecodesign%20pa
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MOOR, Andrew. Architectural glass art. London: Reed International Books, 1997.
OTTE, Marina. Ecodesign: o uso do design ambientalmente adequado, um estudo de caso
na Indústria Moveleira Butzke. 2008. 118 f. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Ambiental)- Universidade Regional de Blumenau. Disponível em
<http://proxy.furb.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=477> Acesso em: 20/04/09.
VIGGIANI, Donatella. Glass fusing techniques. Milano: Edizioni Edarte,1991.
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