O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores The use of artisanal glass as decorative and sustainable material in interior design Otte, Marina; Msc.; Universidade do Vale do Itajaí [email protected] Oliveira, Elza Aparecida de; Graduada; Universidade do Vale do Itajaí [email protected] Resumo Este trabalho consiste em construir um conhecimento científico, baseado nos princípios básicos do design sustentável utilizando o vidro reciclado artesanalmente como elemento decorativo capaz de satisfazer os objetivos estéticos e funcionais aplicados ao design de interiores. A partir desta premissa foi realizada uma pesquisa teórica e prática para fundamentar a eficácia da técnica artesanal Fusing, no processo de transformação de restos de vidro em produtos ecologicamente adequados. Foram desenvolvidos produtos reciclados posteriormente testados e aprovados para serem utilizados em projetos de interiores tais como em janelas, portas, divisórias, vitrais, revestimentos e obras de arte. Palavras chave: vidro; sustentabilidade; design de interiores. Abstract This study consists in constructing scientific knowledge based on the basic principles of sustainable design using handcrafted recycled glass as a decorative element able of satisfying the esthetical and functional objectives applied to interior design. In order to demonstrate such idea, a theoretical and practical research was carried out to fundament the effectiveness of the artisanal technique Fusing in the process of transforming glass residues into products which are ecologically friendly. This study developed, tested and approved recycled products to be used in projects of interiors such as in windows, doors, partition walls, stained glass windows, coverings, and works of art. Key-words: glass, sustainability; interior design O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Introdução O desejo da sociedade moderna é a qualidade de vida e isso inclui um ambiente esteticamente agradável e bem decorado. O consumidor desse nicho de mercado costuma ser alguém que privilegia o conforto e que busca emoção em cada detalhe da casa. Não dispensa uma decoração bem planejada estética e economicamente e prima pela praticidade e apelo visual atraente dos objetos decorativos. Na contramão da realização desses desejos vem a responsabilidade ambiental cada vez mais incorporada numa consciência de cidadania e respeito pelo planeta e, sobretudo, a necessidade de manutenção das condições de vida às gerações do futuro. Aliadas a essa nova postura social estão as mais diversas pesquisas acadêmicas para a produção de novos conhecimentos e mudanças de paradigmas em todos os segmentos, inclusive o da arquitetura de interiores, que se constitui no objeto desse estudo. Para Morais (2007), o profissional de Design precisa se conscientizar da situação global, desenvolver projetos sustentáveis e utilizar materiais com baixo impacto ambiental. Segundo ele, uma mobilização deve começar na base do ciclo profissional, se estender aos clientes e parceiros daqueles que já atuam no mercado. As associações e o meio acadêmico devem compartilhar e disseminar o valor da sustentabilidade, adverte ainda o autor em seu artigo sobre a importância do ecodesign para os projetos de interiores, escrito para o 4º Congresso Internacional de Pesquisa em Design, realizado em outubro de 2007. Segundo Otte (2008), é um ato de responsabilidade ambiental desenvolver estratégias para criação de produtos e serviços adequados à capacidade de utilização dos recursos naturais do planeta. Para a autora, a principal função de um bom design reside na interferência direta da escolha da matéria prima e nos processos produtivos. É função do designer, nesse contexto, aumentar o tempo de vida útil bem como alterar, sobretudo, o conceito do produto e o seu modo consumo. O panorama predatório imposto pelo modelo de desenvolvimento humano pósrevolução industrial precisa ser contido e principalmente revertido no sentido de tornar tal modelo mais compatível com a capacidade de adaptação do ambiente, utilizando-se o design como uma ferramenta de transformação de comportamento e não apenas como incremento de vendas. (OTTE, 2008) O fato é que, finalmente, está na ordem do dia a preocupação com a preservação do meio ambiente e estabeleceu-se como prioridade a necessidade do combate ao desperdício e ao uso indiscriminado dos recursos naturais do planeta. Torna-se, portanto, indispensável a construção do conhecimento sobre materiais alternativos que possam ser empregados no design de interiores que contribuam com atitudes ecologicamente corretas, sem perder o caráter funcional e decorativo, próprio do cotidiano das pessoas. É imperativo e fundamental tornar mais responsável o existir no mundo para que seja possível desempenhar plenamente o mais primitivo e importante papel social que é a perpetuação e sobrevivência da humanidade, sem deixar de atender o lado criativo da ornamentação dos espaços, pois é sabido que desde a mais remota antiguidade é prática do homem enfeitar a sua morada. (KAZAZIAN, 2005) É neste cenário que a utilização de recursos recicláveis e materiais sustentáveis se torna uma prática relevante no design de interiores. A adoção de critérios ecologicamente mais adequados no momento em que se projeta ambientes contribui sobremaneira para a “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores gestão ambiental e se torna uma vantagem competitiva quanto à imagem do designer no mercado, devido ao aumento do interesse dos consumidores pelas questões ambientais. (DIAS, 2007) Em resposta a essa nova concepção e aproveitando o atual momento em que se percebe uma nítida retomada da valorização da manufatura artesanal, esta pesquisa ganha incentivo por incorporar uma irreversível tendência mundial de conscientização. O vidro, objeto deste trabalho, se enquadra perfeitamente como argumento ambientalmente sustentável em razão de sua característica de total e infinita reciclabilidade, tornando-o um dos materiais mais ecologicamente adequados com inúmeras possibilidades de uso. Por meio do vidro reciclado artesanalmente, cria-se ainda outros modos de utilização, pois agrega-se a ele a estética decorativa e artística. A reciclagem preserva a natureza ao reduzir a necessidade de captação de novas matérias-primas o que também contribui significativamente para a preservação do meioambiente. Outro aspecto é o menor descarte de lixo, reduzindo os custos de coleta urbana e aumentando a vida útil de aterros sanitários. Tudo isso considerado, é possível dizer que o vidro é um dos materiais mais sustentáveis. Se houver uma conscientização da população a cerca dos benefícios da sua reciclagem, seria possível reaproveitar integralmente os resíduos com enormes benefícios ecológicos, econômicos e sociais. (ABIVIDROS, 2009) Desde o começo da década de 80, a glass art em todas as suas formas de manifestação, tem emergido do confinamento do contexto eclesiástico para a arquitetura em geral, através de grandes painéis de vidro onde é possível manifestar uma enorme variedade de linguagens, estilos e formas. A partir daí o vidro artístico reciclado ou não, tem conquistado um considerável espaço no design de interiores graças ao seu alto potencial decorativo e funcional. (MOOR, 1997) O objetivo desta pesquisa é desenvolver um produto que esteja de acordo com os princípios da sustentabilidade e averiguar se o processo de transformação artesanal, utilizando vidro reciclado, produzirá como resultado um objeto estético que possa ser utilizado no design de interiores. É importante ressaltar ainda, que esta pesquisa foi idealizada dentro de uma abordagem desconstrutivista, onde as características finais do produto em nada se assemelham ao objeto original reciclado, porém decorre de uma nova concepção de uso e reflexão sobre o lixo do planeta e sua transformação em objetos de requinte para serem utilizados em decoração de alto padrão. O produto desta pesquisa deverá preencher a lacuna existente entre a estética rudimentar de objetos decorativos de material reciclado, quando, incapazes de abstrair-se de sua forma original, traduzem apenas a mera obviedade e o mercado de luxo que desabrocha para as questões sociais e ecológicas. Metodologia Para a execução deste trabalho foram cumpridas as seguintes etapas: Pesquisa Bibliográfica e eletrônica; Pesquisa prática em um atelier de vidro; Desenvolvimento dos protótipos; Pesquisa qualitativa para verificar aceitação do produto “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Descrição da Técnica utilizada A pesquisa prática desenvolveu-se numa empresa de manufatura artesanal, o atelier Arteviva, situado na Rua Heitor Liberato, 941, na cidade de Itajaí, Santa Catarina, que transforma o vidro pelo processo de fusão, técnica conhecida por Glass Fusing. Este processo consiste no derretimento de placas de vidro em fornos especiais, onde a temperatura de fusão gira em torno de 800°C, podendo variar de acordo com o resultado desejado. Dois ou mais pedaços de vidro são fundidos num único bloco dentro de um molde préfabricado. Os moldes são feitos de diversos materiais como cerâmica, gesso, fibra cerâmica, papel fibra, cordierita, concreto celular, porcelana, aço inoxidável ou qualquer outro material que suporte altas temperaturas sem sofrer deformação. Os moldes são isolados do vidro por uma camada de caulim e, dependendo do material, podem ser reutilizados várias vezes. (LUNDSTROM, 1991) Numa primeira etapa, o vidro é cortado pelo método usual, ou seja, com cortador com ponta de diamante, em seguida, adicionam-se os corantes desejados e monta-se sobre uma forma ou molde o projeto pretendido. Leva-se ao forno frio para que se proceda a queima que deve ser monitorada em patamares determinados a fim de minimizar o risco de quebra. O resfriamento é tão importante quanto à queima e deve ser lento e gradativo. O resultado só pode ser apreciado quando o forno estiver frio ou em condições de ser manipulado. (VIGGIANI, 1991) Os efeitos resultantes deste processo são infinitamente variáveis e parcialmente controláveis o que implica um caráter artesanal e artístico ao vidro fundido. Por essa técnica pode-se obter diversos tipos de texturas, formas, relevos, coloração e transparências. A gama de combinações permite o exercício ilimitado de criatividade e design. (MOOR, 1997) Desenvolvimento da Pesquisa Prática A matéria-prima utilizada nesta pesquisa foi o vidro plano novo, resíduos descartados de vidraçarias e garrafas de diversas cores e formatos. Não foram utilizados corantes no desenvolvimento dos protótipos. As garrafas foram selecionadas, lavadas para a retirada dos rótulos e posteriormente cortadas em anéis em uma máquina artesanal para esse fim (Fig. 1 e Fig.2). Outras foram quebradas em cacos. O vidro plano descartado foi recortado em vários formatos ou transformado em cacos de diversos tamanhos. Fig.1 e 2: Máquina de cortar garrafas e aros de diversas cores (Atelier Arteviva) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores No processo, foram utilizadas como suporte somente placas de coordierita cobertas com uma camada de caulim, pó isolante que tem por finalidade impedir a aderência do vidro derretido. Os testes preliminares consistiram na obtenção de diferentes texturas, a partir da sobreposição de pedaços de vidro plano de tamanhos e formatos variados. Na seqüência, foram adicionados vidros oriundos de garrafas e vários testes de cores e texturas foram realizados mesclando restos de vidro plano com aros e cacos de garrafas coloridas. Os aros de garrafas foram separados por cor e espessura e colocados sobre um vidro plano de 12,5cm x 12,5cm em diferentes composições de cores e queimados a uma temperatura entre 720ºC a 800ºC. (Fig.3 e Fig.4) Fig.3 e 4: Montagem com vidro plano e aro de garrafa marrom (Atelier Arteviva, 2009) Fig.5 e 6: Protótipos resultantes da queima (Atelier Arteviva, 2009) Aros de garrafas de diferentes diâmetros e cores foram colocados sobre um vidro plano de 12,5cm x 12,5cm e levados ao forno para o procedimento da queima. (Fig. 7 e 8) A intenção era desenvolver um novo modelo para revestimento de paredes. “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Fig.7 e 8: Montagem com vidro plano e aro de garrafa verde e marrom. (Atelier Arteviva, 2009) Desenvolvimento dos Protótipos Diversas montagens foram realizadas utilizando-se também um determinado tipo de resíduo de vidro plano descartado da fabricação de pratos da empresa que sediou a pesquisa, onde para cada prato produzido sobram duas peças quadradas com um círculo vazado. O protótipo foi montado com duas dessas sobras sobrepostas sobre uma placa de cordierita coberta por caulim e a elas foram adicionados aros de garrafas transparentes (Fig. 9 e 10), selecionados por tamanho e espessura com o objetivo de transformar o conjunto num único bloco de vidro. A composição foi levada ao forno elétrico para o procedimento da queima, numa temperatura média de 780º C. (Fig.11 e Fig. 12) Fig. 9 e 10: Montagem com resíduo da produção de pratos e aros de garrafas (Atelier Arteviva, 2009) Fig.11 e 12: Montagem antes e depois da queima (Atelier Arteviva, 2009) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Um novo protótipo foi testado e desenvolvido com aros de garrafa colocados entre duas lâminas de vidro plano, seguindo o mesmo roteiro de procedimentos, (Fig. 13) alterando apenas as medidas e formatos das lâminas e o número de aros de garrafas. Fig.13 e 14: Montagem com aros de garrafa entre 2 lâminas de vidro (Atelier Arteviva, 2009) Garrafas de diversas cores foram quebradas em cacos e posteriormente mescladas a pedaços de vidro plano oriundos de descartes de vidraçarias formando diversas composições. Com a finalidade de economizar energia, os protótipos foram queimados sempre juntos, preenchendo o forno com carga total. No decorrer da pesquisa, foram produzidas várias amostras para a composição de um vitral. As peças foram concebidas com diversos elementos provenientes das montagens anteriores com anéis e cacos de garrafas de cores verde e marrom com formatos e tamanhos variados. Em decorrência da dificuldade de obter garrafas de outras tonalidades, num dos protótipos acrescentou-se cacos de copos de cristal azul, para obter uma coloração mais variada. O resultado estético da amostra foi surpreendente e atingiu as expectativas (Fig. 15).A junção do cristal com o vidro, porém, mostrou-se inadequada dados os diferentes pontos de fusão e dilatação, o que resultou em rachaduras e descolamento da peça. (Fig. 16) Fig. 15: Protótipo de vitral (Atelier Arteviva, 2009) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Fig.16: Descolamento do cristal (Atelier Arteviva, 2009) Comparando as imagens do cristal azul e do vidro de garrafa verde, fundidos à mesma temperatura, percebe-se nitidamente a diferença do ponto de derretimento. (Fig. 17 e 18) Fig.17 e 18: Cacos de copos de cristal azul e cacos de garrafa verde (Atelier Arteviva, 2009) A diferente dilatação do cristal e do vidro de garrafas e de outros materiais, por ação do calor, provoca vibrações moleculares e, portanto, um distanciamento entre seus constituintes estruturais. “Este aumento dimensional é característico de cada material e expresso por um fator que depende da temperatura, denominado coeficiente de dilatação.” (AMORÓS; et al 1997) Para dar prosseguimento à pesquisa utilizaram-se garrafas azuis e o resultado da queima foi compatível com as de cores verde e marrom. (Fig.19) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Fig.19: Protótipo de cacos de garrafa azul (Atelier Arteviva, 2009) Em outra etapa da pesquisa foram feitos testes com tintas atóxicas, ou seja, livres do componente chumbo, com o objetivo de aumentar a diversidade de cores, pois a maioria das garrafas disponíveis para descarte é de cores verde e marrom. A tinta utilizada foi da marca Duncan (Fig. 20) por ser de origem americana e possuir garantia de atoxidade. Foram testadas as cores azul, amarelo e branco, com resultados satisfatórios, porém pouco compensatórios, dado o elevado custo da tinta. (Fig. 21, 22 e 23) Fig.20: Tintas Duncan (Atelier Arteviva, 2009) Fig.21: Pigmento branco Fig.22: Pigmento azul Fig.23: Pigmento amarelo “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Resultados Os resultados das amostras obtidas no decorrer da pesquisa demonstraram, de um modo geral, um grande potencial estético e funcional capaz de produzir uma gama enorme de possibilidades de composições de forma, cores e texturas para criação de produtos destinados à decoração de interiores como vitrais, revestimentos, divisórias, aberturas, painéis e obras de arte. Alguns problemas surgiram durante o processo. Um deles foi a falta de brilho de alguns protótipos que resultaram em amostras opacas, principalmente quando se tratava de garrafas verdes. Essa questão foi resolvida acrescentando fundente aos aros de garrafas antes de processar a queima. “O óxido de chumbo presente no fundente confere ao vidro um maior índice de refração, incrementando seu brilho.” (AKERMAN, 2000) A quebra durante o resfriamento também aconteceu com freqüência e muitas amostras ficaram perdidas. Este problema foi minimizado com patamares de resfriamento, ou seja, em determinados pontos mantinha-se a temperatura estabilizada, aumentando assim o tempo de resfriamento. Com base na curva de expansão térmica dos vidrados (AMORÓS, et al, 1997), realizaram-se patamares de resfriamento a cada 50ºC a partir de 550ºC. Pois é em torno dessa temperatura que o vidro encontra-se no ponto de transição vítrea, portanto, mais sujeito a quebras. Segundo Akerman (2000), o ponto de transição vítrea (Fig. 24) é a temperatura abaixo da qual o comportamento do material é um sólido, ou seja, o vidro como conhecemos e, acima, o comportamento é de um líquido. Fig. 24: Gráfico de resfriamento rápido e lento (Akerman, 2000) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Após o desligamento do forno, deixou-se resfriar naturalmente até a temperatura de 550ºC e a partir deste ponto até 150ºC estabeleceu-se patamares de resfriamento, conforme mostra o gráfico da Fig.25. Fig. 25: Gráfico de patamares de resfriamento (Dados extraídos da pesquisa) Os patamares são feitos por meio do religamento do forno por um determinado tempo para que a temperatura permaneça constante. Desliga-se novamente o forno e deixa-se a temperatura cair naturalmente mais 50ºC e assim sucessivamente até o limite de 150ºC. A partir desse ponto, o resfriamento acontece naturalmente até a temperatura ambiente. o vidro, ao ser aquecido novamente [...] ocorre uma diminuição do seu coeficiente angular, o que indica que a dilatação do vidro é parcialmente contrabalanceada pela contração que tem início ao entrar em estado plástico, no qual sua deformabilidade permite-lhe iniciar a recuperação de volume correspondente a essa temperatura [...] (AMORÓS; et al, p. 11, 1997). A maioria das amostras resultantes apresentou características de aplicabilidade com grande potencial decorativo e funcional. (Fig. 26, 27, 28 e 29) Fig.26 e 27: Protótipos de vidros para porta, janelas e revestimentos (Atelier Arteviva, 2009) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Fig. 28 e 29: Protótipos de peças para vitral (Atelier Arteviva, 2009) Averiguação da Aceitação do Produto A partir de visitas e entrevistas aos profissionais de diversas vidraçarias, constatou-se o interesse crescente pela reciclagem do vidro plano por parte da indústria vidreira e por parte de alguns artesãos da região. Conforme informação obtida nessas visitas todo descarte é recolhido pela própria indústria que fabrica o vidro ou então é reservado a pedido de algum artesão. Nas entrevistas realizadas com o consumidor final e profissionais da área, ficou demonstrado pela maioria, o interesse e a satisfação em contribuir para a preservação ambiental na hora de adquirir um produto reciclado. Em se tratando de objeto de decoração, o fator decisivo para a aquisição é que tenha um design atraente e que atenda às necessidades funcionais do ambiente. Aplicação dos Produtos Desenvolvidos Nesta etapa da pesquisa, foram elaborados projetos de interiores para a aplicação dos protótipos desenvolvidos. Algumas amostras foram selecionadas para compor ambientações. Três simulações diferentes foram feitas e duas aplicações verdadeiras realizadas. 1ª simulação: Quarto do casal com painéis de vidro reciclado com iluminação indireta. Protótipo escolhido para aplicação: Fig. 30: Protótipo para simulação 1 “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores Criação da ambientação do espaço: Fig.31: Croquis da ambientação do quarto Imagens em 3D: Fig.32e 33: Imagem 3D da ambientação do quarto e detalhe do painel Fig.34: Imagem 3D da ambientação do quarto com vista para os painéis de vidro reciclado “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores 2ª Simulação: Abertura circular para entrada de luz para o Living, no alto da parede sobre o móvel da TV. Protótipo escolhido para aplicação: Fig. 35: Protótipo para compor simulação 2 Criação da ambientação do espaço: Fig.36: Croquis do móvel da TV com a abertura circular Imagem em 3D: Fig.37: Imagem 3D do móvel da TV com entrada de luz na parede “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores 3ª Simulação: Vitral de vidro reciclado dividindo área interna da área de lazer. Protótipo escolhido para aplicação: Fig. 38: Protótipo para compor simulação 2 Criação da ambientação do vitral: Fig.39 e 40: Croquis do vitral e localização no ambiente Imagem em 3D: Fig.41: Imagem 3D da ambientação do vitral de vidro reciclado “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores 1ª colocação: Esculturas para parede de vidro e metal com inserções de vidro reciclado em apartamento na cidade de Itajaí. Projeto do arquiteto Carlos Lupatini. Protótipo escolhido para aplicação: Fig. 42: Protótipo usado no projeto. Criação da obra: Fig.43: Croquis da escultura com inserções de vidro reciclado Fig.44: Escultura parcialmente pronta Fig.45: Obra concluída e instalada. (Acervo Pessoal) “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores 2ª colocação: Apliques de vidro reciclado em balcão da Clínica São Lucas em Itajaí. Projeto de Diva Rossini e Graziela Donato. Fig. 46: Projeto de um balcão com detalhes em vidro reciclado. Fig. 47: Projeto concluído Considerações Finais Na constante busca por soluções inovadoras no sentido de tornar os ambientes habitáveis mais adequados aos novos tempos, ricos em estímulos e sensações encontram-se os objetos de vidro reciclado incorporados do valor da arte e do artesanato, capazes de provocar uma reflexão e deflagrar a conscientização do uso sustentável dos recursos do planeta. “A desconstrução que preserva”, conceito que direcionou a criação do projeto como um todo, abordou a decomposição das embalagens em anéis que foram reagrupados originando assim novas formas de utilização. Analisando os resultados obtidos, conclui-se que a reflexão aliada ao bem-estar, amplia o olhar do homem sobre o mundo, restabelece sua relação com a natureza e resgata sua responsabilidade sócio-ambiental, pois ficou evidente a satisfação do usuário ao saber de sua contribuição ao adquirir um produto de design sustentável sem a estética usual dos chamados produtos “verdes”. Ficou também demonstrado que essa característica é cada vez mais determinante do ato da compra, já que se admite a sustentabilidade como valor agregado. Entretanto, a esta pesquisa, que embora tenha atendido objetivos funcionais e estéticos, recomendam-se complementações, principalmente quanto ao uso de fundentes, por serem substâncias portadoras de chumbo e inadequadas aos princípios de sustentabilidade abordados. Consideramos, portanto, os resultados insuficientes para a elaboração de uma teoria neste quesito. “10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design” O uso do vidro artesanal como material decorativo e sustentável no design de interiores REFERÊNCIAS ABIVIDRO. Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. Disponível em:<http://www.abividro.org.br/> Acesso em: 22/04/09. AKERMAN, Mauro. Natureza, estrutura e propriedades do vidro. CETEV-Centro Técnico de Elaboração do Vidro. Disponível em: <http://www.saint-gobaincetev.com.br/ovidro/vidro.pdf> Acesso em: 02/03/2010. AMORÓS, J.L. et al. Acordo esmalte-suporte (II) expansão térmica de suportes e esmaltes cerâmicos. Instituto de Tecnologia Cerâmica, Universidade de Valência, 1997. Disponível em : <http://www.ceramicaindustrial.org.br/pdf/v02n12/v2n12_1.pdf > Acesso em: 02/03/2010. DIAS, Reinaldo. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2007. 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