INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO Universidade Técnica de Lisboa SISTEMAS ENVIDRAÇADOS COM E SEM PROTECÇÃO SOLAR Ana Catarina de Freitas Diogo Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitectura Júri Presidente: Orientador: Co-Orientador: Vogais: Prof. Doutora Teresa Frederica Tojal de Valsassina Heitor Prof. Doutora Maria da Glória de Almeida Gomes Prof. Doutor Manuel de Arriaga Brito Correia Guedes Prof. Doutor António Heleno Domingues Moret Rodrigues Prof. Doutora Ana Paula Filipe Tomé Junho 2012 Resumo Com a escassez de combustíveis fósseis e o aumento de emissões de CO2 para a atmosfera, torna-se necessário reduzir o consumo energético originado pelos edifícios. Dado que as janelas ocupam uma grande área da envolvente exterior, e são elementos altamente favoráveis às perdas e ganhos de calor, respectivamente de Inverno e de Verão, é imprescindível conhecer de que forma as diferentes combinações de vidro e dispositivos de sombreamento existentes afectam o desempenho térmico dos edifícios. A tendência crescente da utilização do vidro na construção torna ainda mais importante a escolha cuidadosa das soluções dos vãos envidraçados que são adoptadas. Tendo em conta os conceitos de uma arquitectura bioclimática, que se baseiam na melhoria das condições de conforto interior e na minimização do consumo energético, de um modo passivo, partindo das características climáticas do local, a utilização de dispositivos de sombreamento adequados é uma das estratégias para reduzir os potenciais ganhos solares pelos envidraçados. Em qualquer estratégia de optimização do desempenho de sistemas de envidraçados, torna-se particularmente importante o correcto conhecimento das propriedades radiativas (transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α)) dos sistemas, com e sem dispositivo de sombreamento, dado que influencia muito o consumo de energia e o conforto interior dos espaços contíguos. Com o presente trabalho, pretende-se então determinar numericamente a influência da escolha dos vidros e dos dispositivos de sombreamento nas propriedades radiativas globais dos sistemas envidraçados, utilizando um modelo numérico desenvolvido recentemente no DECivil do IST. Com os resultados obtidos foram traçadas algumas recomendações de projecto. Palavras-chave: Arquitectura Bioclimática; Vidro; Vão Envidraçado; Dispositivos de Sombreamento; Propriedades Radiativas Globais; Simulação Numérica; Comportamento Térmico; Edifícios. i ii Abstract With the scarcity of fossil fuels and the increasing of CO2 emissions to the atmosphere, it becomes necessary to reduce buildings energy consumption. Considering that windows take place from a large external envelope area and are highly favorable to solar heat exchanges, in winter and summer, it is imperative to know in what way the different combinations of glass and shading devices affect the thermal performance of buildings. The tendency of using large areas of glass in today's construction turned the careful choosing of glazing solutions even more important. Regarding the bioclimatic architecture concepts, based on the improvement of indoor comfort and minimizing energy consumption, in a passive way and framed in the local climate context, the appropriate use of shading devices is one of the strategies on reducing solar heat gain through glazing systems. Any strategy of optimizing the glazing systems performance requires a proper understanding of the radiative properties (transmittance (τ) reflectance (ρ) and absorptance (α)) of the systems, with and without shading devices, because they greatly influence the energy consumption and indoor comfort of contiguous spaces. The present work intends to determine the influence of choosing the glazing type and shading devices, on the global radiative properties of the glazing systems. In order to perform this study it will be used a numerical model recently developed in the IST DECivil. Keywords: Bioclimatic Architecture, Glass, Glazing, Shading Devices; Global Radiative Properties; Numerical Simulation; Thermal Behavior; Buildings. iii iv Agradecimentos Em primeiro lugar, gostaria de expressar o meu sincero agradecimento, à Prof. Maria da Glória Gomes, orientadora deste trabalho, a disponibilidade para apoio ao desenvolvimento e à cuidadosa revisão do mesmo. Ao Prof. Manuel Correia Guedes, co-orientador deste trabalho, pela paciência demonstrada e pela sabedoria transmitida. Ao Sr. João Fernandes, da Cruzfer, pelo interesse demonstrado pelo tema deste trabalho, pela disponibilidade permanente e por toda a informação necessária para este trabalho, relativamente às protecções solares. Ao Sr. Artur Brandão, da Saint-Gobain, pela disponibilidade para o esclarecimento de dúvidas. Agradeço a todos os meus amigos, que me acompanharam e entusiasmaram durante a realização deste trabalho. Um especial agradecimento à Ana Mestre e à Lina Jesus, pela paciência e preciosa ajuda. Finalmente, aos presentes e ausente, agradeço aos meus familiares e namorado que tanto me apoiaram ao longo destes anos, não permitindo qualquer tipo de esmorecimento perante os momentos mais adversos. Sem esta demonstração de carinho, teria sido difícil. v vi Índice geral Introdução ……………………………………………………………………………………………….…….……….…… 1 1 Os vãos envidraçados na Arquitectura …………………………………………………….………..…. 7 1.1Esboço históricos …………………………………………………………………………………………….….….. 7 1.2 Estratégias de projecto bioclimática ………………………………………………………………….…..…. 17 1.2.1 Contexto climático ………………………………………………………………………………………….…..… 22 1.2.2 Áreas de envidraçado e tipos de vidro ………………………………………………………….….……25 1.2.2.1 Vidro …………………………………………………………………………………………………………….…… 27 1.2.2.2 Gás de preenchimento ………………………………………………………………………………….……31 1.2.2.3 Caixilharia ………………………………………………………………………………………………………… 32 1.2.3 Sombreamento …………………………………………………………………………………………….…… 35 1.3 Exemplos de utilização de dispositivos de sombreamento ……………………………………..….41 1.3.1 Casa Farnsworth, Illinois, EUA (1950) ) ………………………………………………….......….. 42 1.3.2 Fundação Gulbenkian, Av. De Berna, Lisboa, Portugal (1969) ………….…………….….. 43 1.3.3 Bloco Carnide, Centro histórico de Carnide, Lisboa, Portugal (2003) ……………..……....44 1.3.4 Albion Riverside, Londres, Reino Unido (2003) …………….…………………………..….….. 45 1.3.5 Estação Ferroviária, Aveiro, Portugal (2005) …………………………………..……….……… 46 1.3.6 Bar à Margem, Belém, Lisboa, Portugal (2006) …………………………………………….…….. 47 1.3.7 Faculdade de Matemática, Ljubljana, Eslovénia (2006) …………………………………….……. 48 1.3.8 Habitação Unifamiliar, Bairro de Psychico, Atenas, Grécia (2006) ………….……………....49 1.3.9 Edifício do The New York Times, Manhattan, Nova York, EUA (2007) ….…………..….. 50 1.3.10 CaixaForum Madrid, Madrid, Espanha (2008) ………………………………………..…………..51 2 Fenómenos de transmissão de calor nos vão envidraçados ………………….…….………………. 53 2.1 Trocas de calor ……………………………………………………………………………………………….….…..54 2.1.1 Transmissão de calor por condução ……………………………………………………………….……..54 2.1.2 Transmissão de calor por convecção …………………………………………………….……………….. 55 vii 2.1.3 Transmissão de calor por radiação ……………………………………………………….………………56 2.2 Coeficiente de transmissão térmica ………………………………………………………….…………..….58 2.3 Radiação Solar …………………………………………………………………………………………..……………. 59 2.4 Propriedades radiativas dos elementos ……………………………………………………..…………….60 2.5 Ganhos solares através dos envidraçados …………………………………………………..………..…… 62 2.6 Factor Solar ………………………………………………………………………………………………..…… 64 3 Estudo numérico ………………………………………………………………………………………………………… 67 3.1 Descrição do Modelo Numérico ………………………………………………………………….……….…68 3.2 Casos de estudo ………………………………………………………………………………………….…………75 3.3 Análise e discussão de resultados …………………………………………………………………..….…….78 3.3.1 Vidro simples sem dispositivo de sombreamento ………………………………………….………79 3.3.2 Vidro duplo sem dispositivo de sombreamento …………………………………………….……..85 3.3.3 Sistema envidraçado com dispositivo de sombreamento do tipo estore de lona ………………………………………………………..……………………………………………………………………….. 90 3.3.3.1 Vidro simples com estore de lona ………………………………………………………………….…..91 3.3.3.2 Vidro duplo com estore de lona …..…………………………………………………….……….…… 94 3.3.4 Sistema envidraçado com estore veneziano …………………………………………….………….…. 96 3.3.4.1 Estore veneziano com lâmina a 0° ………………………………………………………….…….……98 3.3.4.2 Estore veneziano com a lâmina a 45° ……………………………………………………….…………. 101 3.3.4.3 Estore veneziano com a lâmina a 90° ……………………………………………………….……..…… 104 3.4 Recomendações de projecto de arquitectura …………………………………………………………107 Conclusões ………………………………………………………………………………………………………...……….. 113 Referências bibliográficas ………………………………………………………………………….…….……….. 115 Anexos ……………………………………………………………………………………………………………….….…….. 123 viii Índice de figuras Figura 1.1 - Entrada para a caverna Mammoth, EUA; abrigo vegetal de uma tribo, Perú ……………….................................................................................................................................. 7 Figura 1.2 - Planta de habitação grega, sem janelas (à esquerda); pintura mural duma cena teatral .…………………………………………………………………………........................................................ 8 Figura 1.3 - Pintura mural de uma villa de Boscoreale, Pompeia ………………………………..……….. 8 Figura 1.4 - “Casa-átrio” romana e a sua disposição de acordo com a exposição solar………… 9 Figura 1.5 - Igreja Românica ………………………………………………………………………………….……………… 10 Figura 1.6 - Sé de Lisboa, Portugal; Santiago de Compostela, Galiza. séc. XII. Mosteiro da Batalha, Portugal; Catedral de Colónia, Alemanha séc. XIII ………………………………………………….. 11 Figura 1.7 - Varanda envidraçada do séc. XIX, no Porto …………………………………………………..…… 12 Figura 1.8 - “Crítica: Tempos Modernos”, Charles Chaplin, 1936 ………………………………………..… 12 Figura 1.9 - Sistema FLOAT. Introduzido em Inglaterra pela Pilkinton Glass Ltd. em 1950 …………………………………………………………………………………………………………………………………………..….. 13 Figura 1.10 - Estação de caminho-de-ferro, Paris. Claude Monet, séc. XIX …………………………… 13 Figura 1.11 - Palácio de Cristal, Paxton, Londres, séc. XVIII ………………………………………………….. 13 Figura 1.12 - Armazéns Carson, Pirie, Scott de Louis Sullivan, 1899 (à esquerda e ao centro). Fábrica Fagus, Walter Gropius e Adolf Meyer, 1912 (à direita) …………………………………………..…. 14 Figura 1.13 - Seagram Building, New York. Mies van der Rohe, 1969 ………………………………………14 Figura 1.14 - Casa da Cascata, Frank Lloyd Wright, 1936 ………………………………………………..………15 Figura 1.15 - Diagrama da Sustentabilidade …………………………………………………………………………. 17 Figura 1.16 - Pegada Ecológica ………………………………………………………………………………………………. 17 Figura 1.17 - Casa típica alentejana (à esquerda) e telhado acentuadamente inclinado (à direita) ....................................................................................................................................... 18 Figura 1.18 - Declinação solar no hemisfério Norte ……………………………………………………………... 23 Figura 1.19 - A intensidade da radiação solar, direta, é variável segundo o ângulo de ix incidência, atingindo o seu valor máximo quando a radiação é normal à superfície de incidência …………………………………………………………………………………………………………..………………… 23 Figura 1.20 - Do movimento da Terra em torno do Sol, a declinação solar é distinta no Equador, a norte e a sul do mesmo ………………………………………………………………..……………………….23 Figura 1.21 - Zonamento climático de Portugal Continental …….…………………………………………… 24 Figura 1.22 - Diagrama psicométrico de Givoni, para Lisboa …………………………………………………. 24 Figura 1.23 - Estratégias bioclimáticas para Lisboa (Zona I3 V2) …….………………………………………. 25 Figura 1.24 - Definição das áreas passivas (cor clara) e das áreas activas (cor escura) na planta de um edifício ……..…………………………………………………………………………………………………….. 26 Figura 1.25 - Esquema comparativo da parcela da radiação reflectida num vidro simples incolor, num vidro simples com película reflectiva e num vidro duplo com a película reflectiva no pano exterior do envidraçado ……..…………………………………………………………………… 29 Figura 1.26 - Esquema de sistema de vidro duplo ….……………………………………………………………. 31 Figura 1.27 - Tipos de janelas disponíveis no mercado: a) para edifícios de habitação b) para edifícios comerciais …….……………………………………………………………………………………………….. 33 Figura 1.28 - Árvore de folha caduca – carvalho (em cima); sebe (ao centro); trepadeira (em baixo) ……..…………………………………………………………………………………………………………………….. 36 Figura 1.29 - Exemplos de sombreamento fixo exterior ….…………………………………………………… 37 Figura 1.30 - Possíveis configurações e orientações das lâminas. a) Lâmina normal; b) dissipadora de brilho; c) orientadora de luz ….…………………………………………………………………….. 38 Figura 1.31 - Sombreamento do tipo portada …….………………………………………………………………… 39 Figura 1.32 - Sombreamento do tipo cortina …..…………………………………………………………………… 40 Figura 1.33 - Casa Farnsworth. Perspetivas ……………….…………………………………………………………. 42 Figura 1.34 - Fundação Gulbenkian. Entrada do Museu de Arte com o vão envidraçado recuado (à esquerda) e entradas de serviço cobertas de trepadeiras (à direita) ………………………43 Figura 1.35 - Bloco Carnide. Diferentes pontos de vista do edifício …………………………………….……. 44 Figura 1.36 - Albion Riverside. Fachada Sul (em cima), fachada Norte (em baixo, à esquerda) e a planta tipo (em baixo, à direita) …………………………………..…………………………………… 45 Figura 1.37 - Estação Ferroviária de Aveiro. Fachada poente …………………….…..……………….….. 46 Figura 1.38 - Bar à Margem. Esplanada voltada para o rio, orientada a sudoeste …………………..47 Figura 1.39 - Faculdade de Matemática. Fachada Noroeste …………………………………………………..… 48 Figura 1.40 - Habitação Unifamiliar. Varanda dos quartos, com o estore de lona recolhido (à esquerda) e com o estore de lona activo (à direita) ……………..……………………………………….. 49 Figura 1.41 - Edifício do The New York Times. Fachada principal do edifício (à esquerda) e pormenor do dispositivo de sombreamento (à direita) …………………………..…….…………………… 50 x Figura 1.42 - CaixaForum Madrid. Vista do exterior do edifício; vista através da malha metálica do interior para o exterior do edifício (em cima) e a perspectiva da praça (em baixo) ………………………………………………………..…………………………………………………………………… 51 Figura 2.1 - Condução de calor Unidimensional …….……………………………………………………………… 54 Figura 2.2 - Convecção de calor …………………………………………………………..………………………………… 55 Figura 2.3 - Convecção de calor, num vão envidraçado: junto à face exterior do pano; junto à face interior; e entre os panos de vidro …………………………………………………………………… 56 Figura 2.4 - Espectro das radiações electromagnéticas ……………………….……………………………… 57 Figura 2.5 - Radiação de calor de onda longa ………….……………………………………………………………. 57 Figura 2.6 - Fenómenos de transferência de calor num sistema envidraçado constituído por dois panos de vidro, separados por uma cavidade de ar (para Te>Ti) ………………….……….. 58 Figura 2.7 - Representação esquemática da influência da atmosfera (em percentagem) nos fenómenos de absorção e difusão da radiação solar e da quantidade absorvida e reflectida pela superfície terrestre …….…………………………………………………………………………………. 60 Figura 2.8 - Energias incidente (qi), reflectida (qr), absorvida (qa) e transmitida (qt) numa qualquer superfície ……………………………………………………………………………………………………………… 61 Figura 2.9 - Transmitância espectral do vidro para incidência normal. 1) vidro incolor de 3mm, 2) vidro colorido cinzento de 6mm e 3) vidro colorido verde de 6mm ..…………………….. 63 Figura 2.10 - Factor solar de um vão envidraçado com dispositivo de sombreamento incorporado no seu pano ……………………………………………………………………………………………………… 66 Figura 3.1 – Janela_0. Capa ………………………………………………………………………..……………………….. 68 Figura 3.2 – Janela_1. Definição do problema ……………………………………………………………………… 68 Figura 3.3 – Janela_1.A.1. Propriedades radiativas do vidro simples …………………………..………. 70 Figura 3.4 – Janela_1.A.2. Vidro duplo (em cima); Janela_1.A.3. Propriedades radiativas de cada pano do vidro duplo (à esquerda) ………………………………………………………………………………… 71 Figura 3.5 – Janela_1.A.2. Vidro duplo (em cima); Janela_1.A.4. Propriedades radiativas globais da unidade de vidro duplo (em baixo) ……………………………………………………….……………. 71 Figura 3.6 – Janela_1.A.5. Estore de lona …………………………………………………………………………….. 71 Figura 3.7 – Janela_2. Estore veneziano ………………………………………………………………….…………… 72 Figura 3.8 – Esquema da lâmina do estore veneziano …………………………………………………………. 73 Figura 3.9 - Janela_2.G.1. Segmentação da lâmina ……………………………………………………………… 73 Figura 3.10 – Guardar o ficheiro …………………………………………………………………………..……………… 74 Figura 3.11 – Vidro simples e vidro duplo ……………………………………………………………………………. 75 xi Figura 3.12 – Estore de lona (em cima); estore veneziano (em baixo) ……………………………..……. 75 Figura 3.13 – Cores dos dispositivos de sombreamento utilizadas neste estudo ………………… 75 Figura 3.14 – Esquemas do estore do tipo lona: exterior (A) e interior (B) em vidro simples; exterior (C), intermédio (D) e interior (E) em vidro duplo ………………………………………………..……. 78 Figura 3.15 – Esquemas do estore do tipo veneziano: exterior (A) e interior (B) em vidro simples; exterior (C), intermédio (D) e interior (E) e em vidro duplo ………………….…………………. 78 Figura 3.16 - Propriedades da radiação directa-directa (dir.,dir.) e difusa-difusa (dif.,dif.), do vidro simples incolor a), bronze, verde, cinzento b), reflectivo com película de aço inoxidável e reflectivo com película de titânio c), para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………………………………………………………………………………………………………….……. 80 Figura 3.17 – Radiação difusa. Sem direcção preferencial …………………………………….………………. 81 Figura 3.18 – Reflexão nas superfícies: a) especular; b) difusa …………………….………………………. 81 Figura 3.19 – Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro ……………………. 83 Figura 3.20 - Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do vidro simples incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI), para vários ângulos de incidência ………………………………………………………………………………………………….…………………………. 84 Figura 3.21 – Propriedades de radiação directa-directa (dir.,dir.) e difusa-difusa (dif.,dif.), do vidro duplo com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI) e com o pano interior incolor (CLR), para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………………………………………………………………………………………………………………... 86 Figura 3.22 – Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do vidro duplo com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI) e com o pano interior incolor (CLR), para vários ângulos de incidência do sol …………………………………… 89 Figura 3.23 – Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro e o estore do tipo lona …………………………………………………………………………………………………………………..…….. 91 Figura 3.24 – Absortância (α) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore de lona acrílica cinzenta (G) posicionado pelo interior a) e pelo exterior b), em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol …………………………………………93 Figura 3.25 – Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo xii emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo interior a) e entre panos de vidro b), em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………………………………………………………………………… 95 Figura 3.26 – Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro e o estore do tipo veneziano ………………………………………………………………………………………………………….…..… 97 Figura 3.27 – Esquema da relação da rotação da lâmina a 0° com a variação angular da radiação incidente …………………………………………………………………………………………………….…………. 98 Figura 3.28 – Propriedades da radiação directa-directa (dir.,dir.) e difusa-difusa (dif.,dif.), do vidro simples incolor (CLR)), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………………………………………………… 99 Figura 3.29 – Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples a), com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), e do sistema envidraçado duplo b), com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema envidraçado, para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………….…………………100 Figura 3.30 - Esquema da relação da rotação da lâmina a 45° com a variação angular da radiação incidente ……………………………………………………………………………….……………………………… 101 Figura 3.31 – Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo interior a) e pelo exterior b), em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol ……………………………………………………………………………………………………………….102 Figura 3.32 – Esquema da relação da rotação da lâmina a 90° com a variação angular da radiação incidente ………………………………………………………………………………………………………….…….104 Figura 3.33 – Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol …………………………………………………………………………………………………………………………..……………….. 105 xiii Figura 3.34 – Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol …………………………………………………………………… 107 xiv Simbologia (dif.,dif.) (dif.,dif.,IR) (dir.,dif.) (dir.,dir.) 0A _BRZ 0A _BRZ-CLR 0A _CLR 0A _CLR-CLR 0A _LEBRZS3 0A _LECLRS2 0A _LECLRS3 0A _RFVSS 0A _RFVSS-CLR 0W _BRZ 0W _BRZ-CLR 0W _CLR Componente difusa-difusa Componente difusa-difusa infravermelha Componente directa-difusa Componente directa-directa Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] xv 0W _CLR-CLR 0W _LEBRZS3 0W _LECLRS2 0W _LECLRS3 0W _RFVSS 0W _RFVSS-CLR 45A _BRZ 45A _BRZ-CLR 45A _CLR 45A _CLR-CLR 45A _LEBRZS3 45A _LECLRS2 45A _LECLRS3 45A _RFVSS 45A _RFVSS-CLR 45W _BRZ 45W _BRZ-CLR xvi Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] 45W _CLR Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _CLR-CLR Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _LEBRZS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _LECLRS2 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _LECLRS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _RFVSS Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo exterior do envidraçado 45W _RFVSS-CLR Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _BRZ Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _BRZ-CLR Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _CLR Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _CLR-CLR Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _LEBRZS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _LECLRS2 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _LECLRS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _RFVSS Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90A _RFVSS-CLR Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _BRZ Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _BRZ-CLR Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] xvii veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _CLR Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _CLR-CLR Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _LEBRZS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _LECLRS2 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _LECLRS3 Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _RFVSS Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo exterior do envidraçado 90W _RFVSS-CLR Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo exterior do envidraçado A Cor do estore veneziano antracite AS Área da superfície BRZ Vidro simples bronze BRZ_0A Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_0W Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_45A Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_45W Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_90A Vidro simples bronze com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_90W Vidro simples bronze com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_G Vidro simples bronze com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_G_CLR Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado entre panos do envidraçado BRZ_W Vidro simples bronze com estore de lona de cor branca, posicionado pelo interior do envidraçado BRZ_W_CLR Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado entre panos do envidraçado BRZ-CLR Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor BRZ-CLR_0A Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado BRZ-CLR_0W Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do xviii [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [m2] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] BRZ-CLR_45A BRZ-CLR_45W BRZ-CLR_90A BRZ-CLR_90W BRZ-CLR_G BRZ-CLR_W CLR CLR_0A CLR_0W CLR_45A CLR_45W CLR_90A CLR_90W CLR_G CLR_G_CLR CLR_W CLR_W_CLR CLR-CLR CLR-CLR_0A CLR-CLR_0W CLR-CLR_45A CLR-CLR_45W CLR-CLR_90A envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples incolor com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado entre panos do envidraçado Vidro simples incolor com estore de lona de cor branca, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado entre panos do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] xix CLR-CLR_90W CLR-CLR_G CLR-CLR_W D Db dT/dx E0dif. E0dir. Eb g G G _CLR-CLR G _LEBRZS3 G _LECLRS2 G _LECLRS3 G_BRZ G_BRZ-CLR G_CLR G_RFVSS G_RFVSS-CLR gd GRN GRY gv hc hr L Lb LEBRZS3 LEBRZS3_0A LEBRZS3_0W xx Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo [-] Distância entre lâminas [m] Gradiente de temperatura [-] Radiação incidente difusa [W/m2] Radiação incidente directa [W/m2] Fluxo de radiação emitido por unidade de área [W/m2] Factor solar do sistema envidraçado [%] Cor do estore de lona cinzenta [-] Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona cinzenta posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore de lona cinzenta posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples bronze com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples incolor com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Factor solar do dispositivo de sombreamento [%] Vidro simples verde [-] Vidro simples cinzento [-] Factor solar do vidro [%] Condutância térmica superficial local por convecção [W/m2.°C] Condutância térmica superficial local por radiação [W/m2.°C] Estore de lona [-] Largura da lâmina [m] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do [-] LEBRZS3_45A LEBRZS3_45W LEBRZS3_90A LEBRZS3_90W LEBRZS3_G LEBRZS3_W LECLRS2 LECLRS2_0A LECLRS2_0W LECLRS2_45A LECLRS2_45W LECLRS2_90A LECLRS2_90W LECLRS2_G LECLRS2_W envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona cinzenta posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore de lona cinzenta posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] xxi LECLRS3 LECLRS3_0A LECLRS3_0W LECLRS3_45A LECLRS3_45W LECLRS3_90A LECLRS3_90W LECLRS3_G LECLRS3_W q qa Qcond Qconv qi Qr qr qt RFVSS RFVSS_0A RFVSS_0W RFVSS_45A RFVSS_45W xxii de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado Fluxo de radiação Energia absorvida Fluxo de calor por condução Fluxo de calor por convecção Energia incidente Fluxo de calor por radiação Energia reflectida Energia transmitida Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 0°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 45°, posicionado pelo interior do envidraçado [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [-] [W/m2] [W] [W] [W] [W] [W] [W] [W] [-] [-] [-] [-] [-] RFVSS_90A RFVSS_90W RFVSS_G RFVSS_G_CLR RFVSS_W RFVSS_W_CLR RFVSS-CLR RFVSS-CLR_0A RFVSS-CLR_0W RFVSS-CLR_45A RFVSS-CLR_45W RFVSS-CLR_90A RFVSS-CLR_90W RFVSS-CLR_G RFVSS-CLR_W RFVTI RFVTI-CLR Rp Rse Rsi S Strans T T∞ Ti TS Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor antracite com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore veneziano de cor branca com a lâmina a 90°, posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore de lona de cor cinzenta, posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado entre panos do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore de lona de cor branca, posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado entre panos do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 0° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 45° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano antracite com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore veneziano branco com a lâmina a 90° posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona cinzenta posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo interior do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película de titânio [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película de titânio, pano interior incolor [-] Resistência térmica do componente [m2.°C/W] Resistência térmica superficial exterior [m2.°C/W] Resistência térmica superficial interior [m2.°C/W] Vidro simples [-] Energia total transmitida para o interior [W/m2] Temperatura absoluta [K] Temperatura característica do fluido [m2] Temperatura do ambiente interior [°C] Temperatura da superfície exposta do sólido [°C] xxiii Tsi U V W W _LEBRZS3 W _LECLRS2 W _LECLRS3 W_BRZ W_BRZ-CLR W_CLR W_CLR-CLR W_RFVSS W_RFVSS-CLR α α α dir.,dif. α dir.,dir. αdif.,dif.,IR εS λ ρ ρ dir.,dif. ρ dir.,dir. ρb ρdif.,dif.,IR ρf σ τ τb τdif.,dif.,IR τdir.,dif. τdir.,dir. τf τV ф xxiv Temperatura da superfície interior do paramento [°C] Coeficiente de transmissão térmica [W/m2.°C] Estore veneziano [-] Cor do estore de lona/veneziano branca [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior bronze, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície dois, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo baixo emissivo, pano exterior incolor, pano interior incolor, película de baixa emissividade na superfície três, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples bronze com estore de lona de cor branca, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior bronze, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples incolor com estore de lona de cor branca, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior incolor, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro simples reflectivo com película em aço inoxidável com estore de lona de cor branca, posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Vidro duplo, pano exterior reflectivo com película em aço inoxidável, pano interior incolor, com estore de lona branca posicionado pelo exterior do envidraçado [-] Absortância [-] Ângulo das lâminas [°] Absortância directa-difusa [-] Absortância directa-directa [-] Absortância difusa-difusa infravermelha [-] Emissividade da superfície [-] Condutibilidade térmica do material [W/m.K] Reflectância [-] Reflectância directa-difusa [-] Reflectância directa-directa [-] Reflectância tardoz [-] Reflectância difusa-difusa infravermelha [-] Reflectância frontal [-] Constante de Stefan-Boltzmann [W/m2K4] Transmitância [-] Transmitância tardoz [-] Transmitância difusa-difusa infravermelha [-] Transmitância directa-difusa [-] Transmitância directa-directa [-] Transmitância frontal [-] Transmitância visível [-] Projecção no plano normal à fachada do ângulo de incidência do sol [°] Introdução Introdução A habitabilidade dos espaços e as questões com que se prendem o conforto ambiental, em geral, e o conforto térmico e de iluminação natural, em particular, são essenciais numa actividade que coloca o homem como o seu objecto principal. O “conforto”, numa perspectiva de exigência humana, é menor ou maior, consoante o maior ou menor esforço exercido para se adaptar às condições envolventes (Vianna, 2004). A radiação solar tem uma grande influência no conforto interior dos espaços e/ou no nível de consumo energético necessário para manter esse conforto em níveis aceitáveis. Neste contexto, conhecer e controlar o efeito da radiação solar no interior dos edifícios é importante numa perspectiva de arquitectura sustentável, quer em termos de consumos energéticos, quer em termos de conforto. O vidro, a partir do início do século passado, passou a ser um dos materiais mais importantes na construção das ideias dos arquitectos. O despoletar da indústria vidreira, num contexto socioeconómico decorrente da Revolução Industrial, possibilitou a construção de edifícios mais leves e transparentes. Contudo, este aumento da utilização massiva do vidro traz consigo graves problemas de conforto térmico, pelas elevadas perdas de calor e pelos excessivos ganhos solares que se dão através do vidro, respectivamente, no Inverno e no Verão. De um modo geral, as actividades humanas, requerem materiais e energia que, conduzem à corrupção física dos solos. Os impactes 1 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar no ambiente, provocados pela procura de materiais, energia, água e território atingem uma preocupante escala global. O edificado como resultado de actividades humanas tem, consequentemente, impactes ambientais e energéticos (Pinheiro, 2006). Por exemplo, para o concelho de Lisboa, o consumo de energia eléctrica é responsável pela maior percentagem de consumo de energia primária. De facto, em Lisboa, a energia eléctrica representa cerca de 41% do consumo total de energia primária, sendo quase o dobro da segunda forma de energia mais utilizada (o gasóleo rodoviário com um peso de 23% do consumo total de energia primária). Da energia primária consumida, os edifícios são os responsáveis por 85% do consumo de energia eléctrica do concelho (Lisboa e-NOVA, 2005). Com a escassez de combustíveis fósseis – fontes de energia não renováveis –, e o aumento das emissões de CO2 para a atmosfera, reduzir os consumos energéticos originados pelos edifícios, é uma das formas mais eficazes para dar cumprimento aos compromissos assumidos por 55 países no Tratado de Quioto, relativos às alterações climáticas (Pinheiro, 2006). Porém, a eficiência energética não se restringe unicamente à diminuição dos consumos energéticos, porque para isso bastaria que os sistemas de climatização, iluminação e ventilação – que permitem um ambiente de conforto interior aceitável e independente do ambiente exterior envolvente – fossem desligados (Nilsson, 2003; Poirazis, 2008). Uma das formas mais eficazes para conseguir uma utilização racional da energia, sem pôr em causa o desempenho e as condições de conforto do edifício, é a escolha criteriosa do tipo de vidro, dimensão e sua orientação e a utilização de protecções solares (usualmente designados por dispositivos de sombreamento) nos sistemas envidraçados. O presente estudo apresenta-se como um contributo para um melhor conhecimento da influência da escolha dos vidros e dos dispositivos de 2 Introdução sombreamento (transmitância, nas propriedades reflectância e radiativas absortância) dos globais sistemas envidraçados, e da sua importância para a arquitectura bioclimática. O trabalho tem como principais objectivos: 1 Apresentar as principais estratégias de projecto a ter em consideração para alcançar uma arquitectura bioclimática, com vista à criação de condições de salubridade e de conforto nos espaços habitados e à minimização do consumo energético, das quais se destacam os vãos envidraçados e os dispositivos de sombreamento. Caracterizar os principais elementos dos vãos envidraçados, em particular o vidro e os dispositivos de sombreamento. Descrever a importância dos vãos envidraçados e dos dispositivos de sombreamento, enquanto factores determinantes das condições de conforto térmico no interior dos edifícios e a influência do comportamento dos mesmos na eficiência energética das construções. 2 Descrever e aplicar um modelo numérico que permite determinar as propriedades radiativas globais dos sistemas envidraçados para várias combinações de vidro (simples e duplo, incolor, de controlo solar e de baixa emissividade) e de dispositivos de sombreamento (estore de lona e estore veneziano; interior, exterior e intermédio). 3 Avaliar a influência das propriedades radiativas de cada elemento do vão envidraçado – como por exemplo as propriedades radiativas do vidro e dos dispositivos de sombreamento, a espessura do vidro e a geometria dados dispositivos de sombreamento – nas propriedades globais dos sistemas envidraçados. 3 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 4 Estabelecer algumas recomendações de projecto de arquitectura, à luz dos resultados obtidos. A elaboração do presente trabalho segue três fases distintas que se complementam e fundamentam o estudo. A revisão bibliográfica através da consulta de literatura técnica, revistas especializadas, catálogos e sites informativos tem como finalidade adquirir conhecimento geral sobre o tema, contextualizando-o. Numa primeira fase abordam-se questões como as estratégias bioclimáticas para uma arquitectura sustentável, evidenciando a sua importância na redução das necessidades energéticas dos edifícios e as quais são as bases fundamentais para uma arquitectura energético-ambiental mais responsável. Após esse enquadramento é sintetizada a relevância da eficiência energética dos edifícios e do cumprimento dos requisitos impostos pela regulamentação, numa época em que a ameaça económica, social e ambiental provocada pelas alterações climáticas, é agravada pelas actividades exercidas pelo ser humano. Em particular, pretende-se tomar conhecimento sobre a evolução histórica do vidro, enquanto vão envidraçado, e dos dispositivos de sombreamento identificando os aspectos, com eles relacionados, que influenciam o conforto térmico no interior do edifício e o seu desempenho energético. É também recolhida toda a informação das características solar-ópticas dos vidros e dos dispositivos de sombreamento que são alvo de estudo. Numa segunda fase é descrito, de forma sucinta, o funcionamento do programa numérico (solar-óptico) no qual são simuladas numericamente diferentes combinações de vidros e dispositivos de sombreamento, obtendo-se as propriedades radiativas globais de diferentes sistemas envidraçados. São analisados e discutidos os resultados obtidos para diferentes sistemas envidraçados representativos. 4 Introdução Por fim, são estabelecidas estratégias de projecto e elaboradas conclusões que se pretendem ser uma mais-valia na compreensão do comportamento de diferentes sistemas de envidraçados, em particular com dispositivos de sombreamento activos. Espera-se que este trabalho ofereça um importante contributo para a prática de projectos energeticamente mais eficientes. O presente trabalho encontra-se estruturado em cinco capítulos. O Capítulo 1 apresenta de forma sucinta a evolução histórica da utilização dos vãos envidraçados e dos dispositivos de sombreamento na arquitectura tendo em conta o contexto económico, social e as evoluções/inovações técnicas e tecnológicas na construção. Destina-se, também, ao enquadramento do tema perante a importância dos vãos envidraçados e dos dispositivos de sombreamento enquanto estratégia para a sustentabilidade da construção, numa arquitectura pensada para o clima e local a que se destina. É através do correcto dimensionamento dos vãos envidraçados e do adequado desenho dos dispositivos de sombreamento que, aliados a outros parâmetros, se define uma arquitectura bioclimática e energeticamente mais eficiente. Ilustram-se também algumas das soluções disponíveis no mercado de vãos envidraçados, tendo em conta os tipos de vidro, a respectiva caixilharia e dispositivos de sombreamento e, ainda, alguns exemplos de obras de arquitectos que conjugam estes dois elementos marcantes na arquitectura. O Capítulo 2 sintetiza o grupo de acções térmicas exercidas sobre os edifícios, em especial nos vãos envidraçados, bem como os principais parâmetros a ter em consideração na avaliação do comportamento térmico e óptico dos sistemas envidraçados, pois a sua correcta compreensão é de máxima importância para a 5 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar satisfação das exigências de conforto térmico no interior dos edifícios. No Capítulo 4 descreve-se o modelo numérico utilizado, na óptica de utilizador, onde são realizadas as simulações numéricas. São simuladas as propriedades radiativas globais de sistemas envidraçados de pano simples e duplo, com e sem dispositivos de sombreamento, nomeadamente estore de lona acrílica e estore veneziano com lâminas de alumínio reguladas em três posições (0°, 45° e 90°). Neste capítulo, são também elaboradas algumas recomendações de projecto de arquitectura, em que os vãos envidraçados e os dispositivos de sombreamento são os elementos de destaque como estratégias bioclimáticas, no âmbito deste trabalho. Por fim, é apresentada uma breve síntese conclusiva dos principais resultados obtidos, indicando-se também temas para desenvolvimento futuro. 6 Os vão envidraçados na arquitectura 1 Os vãos envidraçados na arquitectura 1.1 Esboço histórico Ao longo da história, a arquitectura tem sido alvo de grandes e variadíssimas transformações. O ser humano, como nómada, usufruía dos abrigos que a Natureza podia providenciar, como cavernas, troncos de árvores, pequenas elevações ou até depressões no terreno. Ao tornar-se sedentário, foi necessário desenvolver abrigos mais elaborados e resistentes para se proteger das condições climatéricas (temperatura, precipitação, ventos e raios solares), de animais selvagens ou outros intrusos (Figura 1.1). Inicialmente as construções eram executadas, exclusivamente, com os materiais locais disponíveis e as respectivas técnicas desenvolvidas por cada povo e/ou civilização, tendo o método de construção evoluído de forma distinta nas várias regiões do planeta. A imagem de vão, como o entendemos hoje, não existia. Existiam apenas aberturas que permitissem a entrada e a saída das pessoas e bens, um limitado fluxo de ar para a extração de fumos existentes no interior do espaço habitado, bem como Figura 1.1 Entrada para a caverna Mammoth, EUA; abrigo vegetal de uma tribo, Perú. (fonte: Google Images) 7 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar iluminação. Contudo, a vulnerabilidade que estas aberturas apresentavam levaram a que posteriormente lhes fossem adicionados mecanismos que permitissem maior controlo das condições de habitabilidade no interior da construção: peles de animais penduradas, esteiras ou tecido para regular o fluxo de ar e a radiação solar; persianas para sombreamento e para dificultar a entrada de intrusos; membranas translúcidas de papel oleado ou pano e, mais tarde, de vidro, para admitir a entrada de luz, evitando a passagem de ar, água e neve (Allen et al., 2009). As casas Gregas não tinham janelas, apenas uma porta, tal como as casas Etruscas e as casas Romanas primitivas. As coberturas de lona em tensão por cordas sobre os pátios gregos são exemplo de dispositivos móveis (Figura 1.2). Estes dispositivos eram construídos em tela suspensa em argolas ou sustentada por cabos em suportes verticais, o que lhes permitia serem desenrolados ou recolhidos consoante as horas de insolação (Palhinha, 2009). Figura 1.2 Planta de habitação grega, sem janelas (à esquerda); pintura mural duma cena teatral. (fonte: Google Images.) Com o crescimento das cidades romanas, após a fundação de Roma, começaram algumas infra-estruturas, tais como água e saneamento, assim como edifícios públicos de serviços: os banhos, o fórum, o circo, o teatro ou outros. Perante este contexto evolutivo, as casas romanas começam a ter algumas janelas para o exterior (Figura 1.3). De acordo com Moita (2010), os romanos já demonstravam grande preocupação com o uso e controlo da energia solar. Assim, a tipologia das suas habitações obedecia a regras de construção de acordo com a localização geográfica, a forma e a orientação, em que a “casa-átrio” romana 8 Figura 1.3 Pintura mural de uma villa de Boscoreale, Pompeia. (fonte: Google Images.) Os vão envidraçados na arquitectura é exemplo disso (Figura 1.4). A radiação solar, de Inverno e de Verão (1 e 2), é admitida pelos vãos e interceptada por dispositivos de Figura 1.4 “Casa-átrio” romana e a sua disposição de acordo com a exposição solar. (fonte: Moita, 2010) sombreamento devidamente dimensionados; as funções privadas tomam lugar no edifício de dois pisos (3), recuado e protegido da rua e sem janelas a Norte; a Sul (4) a fachada é revestida de uma trepadeira de folha caduca, que regula sazonalmente a radiação incidente no edifício; as funções principais dão-se no edifício da frente (5) próximo da rua (8); o átrio (6) possui abundante vegetação que impede grandes amplitudes térmicas e o lago com repuxo (7) concede um arrefecimento por evaporação, nos dias quentes. Tal disposição e orientação formal e funcional criava um microclima, controlando conveniente a entrada de luz natural, assim como a adequada ventilação dos espaços interiores. Esta tipologia também esteve presente nas casas tradicionais dos países do Norte de África. Na Idade do Bronze, os egípcios, fenícios e romanos, já realizavam trabalhos em vidro – a uma escala muito reduzida – para uso e adorno exclusivo dos nobres. O vidro soprado era produzido na península Itálica e essencialmente utilizado em vasos e copos, mantendo-se um luxo ao alcance de poucos até ao séc. XVII (Pinho, 1991). 9 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Apesar das propriedades resistentes e qualidades ópticas do vidro serem ainda muito débeis, os romanos foram os primeiros a empregar este material na arquitectura. O vidro era, na sua maior parte, empregue em aberturas semi-circulares existentes nas abóbadas dos edifícios públicos. Assim, na maioria das habitações romanas, as janelas eram fechadas com portadas de madeira ou com grades de pedra, metal ou terracota. Nas janelas das habitações mais luxuosas, como em Herculano e Pompeia, em lugar do vidro (que exigia um processo de fabrico muito mais dispendioso), eram usadas pedras translúcidas, como a ágata, a mica, o ónix ou o alabastro (Mendonça, 2005; Saint-Gobain, 2007). O Império Romano foi quem mais contribuiu para a disseminação da produção vidreira. O sucesso das suas conquistas territoriais, as relações comerciais, a construção de estradas, bem como uma administração política e económica eficaz, criou as condições favoráveis à expansão deste material em toda a Europa Ocidental e Mediterrâneo. O vidro romano foi encontrado mesmo em lugares tão distantes como a China, transportado por mar pelas rotas da seda. No séc. X, ocorrem mudanças significativas nas técnicas de produção do vidro. Devido à crescente escassez de matériasprimas, foi a ilha veneziana de Murano que deteve a exclusividade do comércio, pois extraía das algas o carbonato de potássio necessário à sua produção, atingindo o apogeu da sua atividade no séc. XIII (Saint-Gobain, 2007). 10 Figura 1.5 Igreja Românica. (fonte: Google Images) Os vão envidraçados na arquitectura É também neste período (séc. X) que surge, na Europa, a arquitectura Românica. O vidro era já utilizado nas igrejas Românicas, embora com dimensões bastante reduzidas devido, tanto pelas limitações de fabricação do vidro como pelas limitações tecnológicas de então. De facto, para compensar as excessivas cargas exercidas sobre as paredes, as paredes eram espessas e reforçadas com sólidos contrafortes de pedra e, para não lhes diminuir a resistência, todas as aberturas para o exterior eram de reduzida dimensão (Figura 1.5). Estes pequenos vãos envidraçados permitiam a entrada de luz natural rasante e difusa nos espaços interiores – tão adequadas ao místicismo da época –, assim como a ventilação dos espaços. Já as igrejas do período Gótico tinham vãos de maiores dimensões do que os do Românico Figura 1.6 Sé de Lisboa, Portugal; Santiago de Compostela, Galiza. séc. XII. Mosteiro da Batalha, Portugal; Catedral de Colónia, Alemanha séc. XIII. (fonte: wikipédia) sendo replectos de vitrais translúcidos (Figura 1.6). Os primeiros exemplos da utilização dos pergaminhos de papel ou linho embebido em óleo de linhaça apareceram nos hospitais florentinos nos anos 1390 a 1400, os quais eram fixados com réguas cruzadas para que não se rompessem com o vento. Um pouco mais tarde, mas apenas nas casas nobres e palácios, são incorporados envidraçados fixos, com possibilidade de abertura de um postigo pelo lado interior. O aro destes envidraçados era, tal como nas catedrais, a própria parede, à qual eram chumbados. No final do séc. XV, no período renascentista, é introduzida a massa de vidraceiro, permitindo uma melhor estanquidade ao ar e água, denotando uma crescente preocupação com o conforto 11 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar térmico no interior dos edifícios. Em Itália, os arquitectos renascentistas como Miguel Ângelo, Alberti e Paládio, tiraram partido das novas técnicas de fabrico de vidro de maiores dimensões, desenvolvido em Veneza, conseguindo janelas com envidraçados mais amplos. No decorrer do séc. XIX, em casos como ateliers de arte ou em ofícios de minúcia , em que iluminação abundante é necessária, a área envidraçada era já superior à área da envolvente opaca. Este fenómeno não só esteve presente nas fachadas dos edifícios da Europa Central e do Norte, como também se desenvolveu no Sul da Europa. É exemplo disso a Figura 1.7, que mostra a fachada de tardoz duma casa desta época, no Porto. Até esta altura, os toldos Figura 1.7 Varanda envidraçada do séc. XIX, no Porto. (fonte: Mendonça, 2005) no exterior e as cortinas no interior foram os principais dispositivos móveis agregados ao vão, que através de um sistema de cordas e roldanas lhes permitia serem enrolados e desenrolados. Principalmente na região mediterrânica, começa a ser utilizado outro tipo de sistema, que consistia no uso de janela dupla, em que o pano interior é uma janela de vidro e o pano exterior é uma janela cega do tipo portada, normalmente composta por tábuas horizontais (Palhinha, 2009). Com a Revolução Industrial – iniciada no Reino Unido em meados do séc. XVIII e que se expandiu pelo mundo a partir do séc. XIX – surgiu a exploração de novas fontes de energia naturais (combustíveis fósseis como a hulha, o carvão e o petróleo) que vieram alterar a paisagem e o uso dos solos (Gaspar, 2009). Também surgiu o desenvolvimento de novas tecnologias, resultantes da invenção e evolução da máquina a vapor, que veio modernizar por completo a indústria do seu tempo. As alterações económicas, e principalmente sociais, trazidas pelo movimento industrial foram documentadas de forma bastante crítica e consciente nos filmes de Charles Chaplin (Figura 1.8). O grande desenvolvimento industrial impulsionou, inevitavelmente, a evolução da indústria da construção e trouxe 12 Figura 1.8 “Crítica: Tempos Modernos”, Charles Chaplin, 1936. (fonte: Cine Clube Ybitu Katu) Os vão envidraçados na arquitectura consigo novos materiais e métodos de produção, nomeadamente o ferro e o vidro (Figura 1.9). Esta descoberta permite aligeirar a construção concentrando as cargas num esqueleto de elementos metálicos portantes, onde as paredes ficam praticamente dispensadas de qualquer função estrutural, e os espaços ganham outra liberdade em planta e as fachadas maior possibilidade de abertura para o exterior e maior luminosidade no interior. Figura 1.9 Sistema FLOAT. Introduzido em Inglaterra pela Pilkinton Glass Ltd. em 1850. (fonte: Allen et al., 2004) Exemplo disso são os edifícios envidraçados do séc. XIX, como por exemplo as estações de caminho-de-ferro – tão bem retratadas pelos pintores impressionistas como Claude Monet (Figura 1.10) – , fábricas e escritórios, tendo como expoente máximo o pavilhão de exposições, Palácio de Cristal em Londres (Figura 1.11) de Joseph Paxton. Figura 1.10 Estação de caminho-de-ferro, Paris. Claude Monet, séc. XIX. (fonte: wikipédia) Este método de construção inovador com estrutura metálica e vidro, de montagem rápida e com grande exatidão pela utilização de módulos, permite romper a fronteira entre o interior e o exterior. No entanto, a extensa utilização do vidro nas fachadas acarreta graves impactos ao nível de desempenho ambiental. De facto, o uso de grandes superfícies envidraçadas fixas origina um efeito de estufa interior potenciando o sobreaquecimento, nas estações quentes (Gaspar, 2009), tornando o edifício totalmente dependente de sistemas de ventilação e climatização que, Figura 1.11 Palácio de Cristal, Paxton, Londres, séc. XIX. (fonte: arquitetandonanet) consequentemente, exigem grandes consumos de energia. 13 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Durante a estação de aquecimento, apesar de grandes áreas envidraçadas potenciarem os ganhos solares, que são favoráveis nesta estação, permitem por outro lado grandes perdas de calor por condução, devido ao vidro ter um coeficiente de transmissão térmica, (ver capítulo 2), consideravelmente elevado. Com a introdução do betão na construção, ainda no séc. XIX, grandes modificações se vieram a sentir na construção, no início do séc. XX. O betão armado, como material estrutural, permitiu que a parede deixasse de ter importância enquanto elemento de suporte reduzindo significativamente a espessura da parede e a limitação da área dos vãos envidraçados. Perante estas novas possibilidades construtivas, até então impossíveis, surgem construções de conjunto de edifícios habitacionais e, em particular de edifícios de serviços, em que a área de envidraçados Figura 1.12 Armazéns Carson, Pirie, Scott de Louis Sullivan, 1899 (à esquerda e ao centro). Fábrica Fagus, Walter Gropius e Adolf Meyer, 1912 (à direita). (fonte: Google Images) aumenta consideravelmente (Figura 1.12). 2 A exploração da construção em altura, a criação de ambientes interiores mais apelativos e uma maior relação destes com o exterior, aliada ao aumento generalizado da utilização de uma energia eléctrica mais barata, conduz ao abandono total dos elementos de sombreameto, em busca da expressão plena desta tendência arquitectónica. Assiste-se assim, com sistemas de “fachada cortina” (Figura 1.13), ao início do Movimento Moderno (período entre as décadas de 10 a 50 do século passado), do qual se materializam construções inteiramente dissociadas do contexto climático local, com recurso 14 Figura 1.13 Seagram Building, New York. Mies van der Rohe, 1969. (fonte: conservapedia) Os vão envidraçados na arquitectura excessivo e desregrado a sistemas de climatização que mantenham os padrões de conforto térmico no interior dos edifícios. Mas, se por um lado, a fachada totalmente envidraçada respondia à libertação das paredes por completo da composição arquitectónica, por outro, afastava-se largamente da ideia central de “a forma segue a função”, defendida por Frank Lloyd Wright (Figura 1.14). Perante a excessiva admissão de radiação solar e de grandes trocas de calor pelos envidraçados, surge a necessidade Figura 1.14 Casa da Cascata, Frank Lloyd Wright,1936. (fonte: conservapedia) de se estudarem novas soluções. Para que se conseguisse diminuir o coeficiente de transmissão térmica, , dos vidros, surge no final da década de 50 do século passado a solução do sistema envidraçado de vidro duplo. Esta solução evidencia uma significativa melhoria nas características de isolamento térmico (U ≈ 2.5 W/m2°C) face aos envidraçados de vidro simples (U ≈ 5 - 6 W/m2°C) (Oesterle et al., 2001). As condensações superficiais, o encandeamento com a luz solar e as elevadas trocas de calor através do vão envidraçado ocorridas com um sistema de vidro simples, foram minoradas. Com a crise energética dos anos 70, houve ainda uma maior consciencialização da importância da poupança energética e da necessidade da introdução de regulamentação térmica para os edifícios. 15 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Outras técnicas construtivas de envidraçados foram assim desenvolvidas para que o desempenho térmico destes sistemas fosse melhorado. Exemplo disso é a substituição do ar da cavidade por outros gases, como o árgon, o crypton e o xénon, e a introdução de películas de controlo solar. A colocação de uma fina película metalizada (de controlo solar) sobre uma das faces do vidro – podendo ser usado em vidro simples ou vidro duplo – aumentou o desempenho energético do vidro impedindo o atravessamento da radiação solar para o espaço interior, mas sacrificando a entrada de luz natural e a visão através do vidro. Nos finais do séc. XX, é introduzida no mercado uma película de elevado desempenho energético – a película baixa-emissiva. Esta película, para além de permitir a transmissão visível para o espaço interior, reduz a transmissão solar. No entanto, dificilmente o vidro só por si poderá controlar eficazmente os excessivos ganhos solares, durante a estação de Verão, sendo necessária a utilização de dispositivos de sombreamento. Como referido anteriormente, o abrigo com a pele de animais ou fibras vegetais foi o modo de proteção de eleição do povo primitivo. Desde esses tempos mais remotos que, por via sensitiva, se tem a perfeita noção da relação existente entre o clima, a forma e o material da construção e o bem-estar físico (Moita, 2010). Por isso, a orientação do edificado segundo a geometria solar, características geográficas e tipos de clima, é o princípio base de qualquer projeto, tomado ao longo da história para alcançar condições de conforto – mediante os estilos próprios de cada cultura. Quando se começa a perceber a relação entre as propriedades físicas dos materiais e o seu comportamento térmico nas construções, assim como os impactes a nível do consumo energético nas edificações, começa a fazer-se um maior 16 Os vão envidraçados na arquitectura investimento em dispositivos de sombreamento por forma a reduzir os impactos. Na sequência da maior consciência para o desempenho energético e ambiental – em que as crises energéticas de 1973 e 1979 foram o factor impulsionador – e da crescente importância atribuída à imagem dos edifícios, a adequação do desenho arquitectónico às características de eficiência energética começou Figura 1.15 Diagrama da Sustentabilidade. (fonte: Google Images) a ser um requisito a tomar em conta no projecto de edifícios. Deste modo, surgem também termos como “sustentabilidade”, “ecologia”, “emissões de carbono” e “pegada ecológica” (Figura 1.15 e 1.16), que deixam de ser vistos como conceitos científicos e passam a ser discutidos no dia-a-dia. O correcto dimensionamento dos vãos envidraçados e a adequada implementação de dispositivos de sombreamento, aliada a uma consciente e pragmática prática sustentável de construir, não só Figura 1.16 Pegada Ecológica. (fonte: Google Images) reduz os custos com a energia como também poupa o ambiente de um desgaste acelerado, que cada vez mais se faz sentir. 1.2 Estratégias de projecto bioclimático A arquitectura bioclimática surge hoje como uma opção fundamental de resposta aos danos ambientais que se têm vindo a assistir ao longo dos anos, como a poluição atmosférica, o aquecimento global e a destruição de recursos naturais, pelo uso de fontes de energia não renováveis, como o petróleo e o carvão. A relação entre os edifícios e o clima foi, durante mais de um século, desvalorizada em detrimento de valores que ainda hoje nos acompanham. O aparecimento de novos materiais e técnicas construtivas levou a um progressivo abandono dos antigos processos construtivos que tinham em consideração os elementos climáticos e paisagísticos, os materiais naturais e locais, e o saber 17 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar empírico passado de geração em geração. A globalização dos critérios arquitectónicos, baseada na lógica da economia e da produção em massa resulta, em muitos casos, numa construção completamente dissociada do contexto local. Exemplo disso é, o facto de usufruirmos de um dos climas mais favorável da Europa e, nem por isso, os nossos edifícios nos proporcionarem as melhores condições de conforto possíveis. A arquitectura bioclimática consiste em pensar e projectar um edifício com vista à criação de condições de salubridade e de conforto nos espaços habitados e a minimização do consumo energético. As boas práticas para uma construção sustentável devem responder à especificidade do contexto climático, das características ambientais, culturais e comportamentais do local onde o edifício se insere. Assim, as muitas técnicas utilizadas para o constante diálogo entre o edifício e a sua envolvente não são mais do que a conciliação de técnicas utilizadas em construções seculares (como casas caiadas de branco, para um maior arrefecimento do espaço interior, de Verão (Guedes, 2005), ou a inclinação dos telhados orientados a Sul, para um maior aquecimento do mesmo, de Inverno, típico no países nórdicos) às exigências contemporâneas (Figura 1.17). É logo na fase de estudo prévio que se começam a ponderar os exemplos de boas práticas, pois é ainda na fase inicial de projecto que tomam lugar a análise das características locais (como a Figura 1.17 Casa típica alentejana (à esquerda) e telhado acentuadamente inclinado (à direita). (fonte: Google Images) 18 Os vão envidraçados na arquitectura vegetação, a paisagem, a topografia, a existência de água ou a falta dela, a exposição solar, o sombreamento, abrigo e o escoamento de ar frio), os critérios e as estratégias a considerar. O respeito detido por estas técnicas estratégicas poderá, consoante o local em que se encontra e a função a que se destina, melhorar o desempenho energético do edifício reduzindo os consumos para o aquecimento, de Inverno, para o arrefecimento, de Verão e para a iluminação. A selecção do lugar, a forma e a orientação dos edifícios são os segundos aspectos a considerar para a optimização da exposição ao trajecto solar e aos ventos dominantes. É essencial que o local de implantação dos edifícios seja de acordo com o regime de ventos, para que se promova a ventilação natural de modo eficiente. Em zonas de encosta devem ser privilegiadas as zonas mais baixas, onde o ar circula de um modo mais uniforme e com velocidades mais moderadas, bem como o lado que recebe mais horas de sombra. A configuração dos espaços internos depende da função a que se destinam. Contudo, os edifícios devem ser de volumes compactos pois, quanto menor for o número de fachadas expostas mais fácil se torna o controlo das trocas de calor pela envolvente. É de evitar que o edifício seja profundo e que possua zonas internas, sem acesso à ventilação e iluminação natural. Quanto à altura que devem deter, é resultado do compromisso a que se chega em função da predominância dos ventos no Verão e no Inverno. A construção de edifícios deve ter em conta, não só o trajecto solar, como a correcta orientação da fachada, para que melhor se tire proveito da radiação solar. No hemisfério Norte é, geralmente, recomendada a orientação a Sul onde a optimização dos ganhos solares de Inverno é mais eficiente. Contudo, é importante ter presente a programação de dispositivos de 19 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar sombreamento nessa fachada, prevenindo ganhos solares excessivos, no Verão. Importa perceber que não existe uma solução única e aplicável a todas as situações, mas sim inúmeros mecanismos que devem ser seleccionados no sentido de se encontrar uma solução que melhor se adeque a determinado local. Neste contexto, são, seguidamente, apresentados os aspectos gerais a ter em vista no projecto bioclimático. A ventilação constitui também um requisito para o conforto térmico e salubridade no interior dos edifícios, principalmente nas estações quentes. A ventilação natural pode ser promovida através da acção do vento (por diferenças de pressão criadas pelo vento em torno do edifício) ou por “efeito de chaminé” (por diferenças de temperatura e de densidade do ar, no exterior e no interior do edifício). A ventilação fornece ar fresco aos ocupantes, melhorando a qualidade do ar e evitando condensações e, para além de facilitar o arrefecimento do corpo humano por convecção e evaporação, remove o calor excessivo do interior do edifício, proporcionando temperaturas mais confortáveis, quer de sensação térmica, quer no interior do próprio edifício. A ventilação natural pode ser alcançada de diversos modos (diurna ou nocturna), mas os mais comuns são a ventilação unilateral através de uma única abertura; a ventilação cruzada através de aberturas em fachadas opostas; a canalização do vento através de torres nos casos em que a localização e a posição do edifício não estão de acordo com os fluxos de vento; a introdução de átrios e outros. O aumento da inércia térmica, que regula e suaviza as amplitudes térmicas por efeito de armazenamento do calor e do frio (na massa), conjugado com o devido isolamento térmico da envolvente representam uma melhoria do conforto térmico durante todo o ano. 20 Os vão envidraçados na arquitectura O controlo dos ganhos internos é importante, na medida em que pode contribuir significativamente para evitar o sobreaquecimento, especialmente em edifícios de serviços em que, o uso da iluminação artificial, a concentração de ocupantes e de equipamentos por estes utilizados são as principais fontes de calor. Para além dos pilares e técnicas da arquitectura bioclimática que se prendem com o desenho e o dimensionamento do edifício, perante o contexto climático em que se insere, importa referir que nem sempre é possível atingir condições de conforto térmico interior, dentro dos limites regulamentares. De facto, e principalmente em situações de reabilitação em que uma solução totalmente passiva seria economicamente inviável, é necessário recorrer a sistemas activos que permitam um enquadramento mais flexível, apesar de se dever potenciar ao máximo a utilização de energias renováveis. Mediante os princípios gerais de projecto bioclimático, aos quais os edifícios devem obedecer, para que seja alcançada uma arquitectura mais responsável e capaz de responder, de um modo passivo, às necessidades de conforto interno, interessa conhecer as estratégias de projecto que melhor se adequam ao clima português. Das estratégias de projecto apresentadas, no âmbito deste trabalho, destacam-se as áreas de envidraçado e tipos de vidro, e o sombreamento, enquanto vão envidraçado e dispositivos de sombreamento móveis. Na medida em que é através do vão envidraçado que os ganhos solares são decisivos, descrevem-se, seguidamente, os elementos que o constituem de forma mais detalhada. 21 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.2.1 Contexto climático O primeiro ponto a ter em atenção na definição das estratégias bioclimáticas é a análise do clima em que se insere o projecto, conhecendo as temperaturas médias para as estações de Inverno e de Verão e os ventos dominantes. O conhecimento destes parâmetros é fundamental para a correcta definição das condições de conforto que, apesar de teoricamente definidas para temperaturas entres os 22°C e 26°C, em normas como ASHRAE 55-92 (1992) e da ISO 7730 (1994), variam não só de pessoa para pessoa como de clima para clima. Está estudado que as pessoas que vivem em países de climas mais quentes, sentem-se confortáveis com temperaturas mais altas do que as pessoas que vivem em climas mais frios, sendo essas temperaturas diferentes das consideradas ideais pelos padrões convencionais. Portugal Continental é considerado um país de clima temperado, fortemente influenciado por 700 Km de costa atlântica. Assim, as temperaturas médias correspondem às consideradas confortáveis (18°C a 26°C), atingindo valores extremos próximos dos 0°C, de Inverno, e dos 40°C, de Verão. Perante estas condições climáticas de que se dispõe, é possível, na maior parte dos casos, projectar edifícios livres de sistemas mecânicos de climatização, com excepção dos edifícios de serviços. As temperaturas do ar são, de um modo geral, influenciadas pela existência de vento. O vento resulta da deslocação de massas de ar de zonas mais frias para zonas mais quentes, em que a topografia é o factor determinante na sua velocidade. O vento é tanto uma vantagem como uma desvantagem, pois de Verão permite arrefecer a temperatura do ar e, consequentemente, as fachadas dos edifícios a ele expostas, mas 22 Os vão envidraçados na arquitectura de Inverno pode significar um de arrefecimento demasiado elevado. Outro ponto importante na análise climática é a geometria solar. É a trajectória solar (Figura 1.18) que define a duração da exposição solar, e o ângulo de incidência dos raios solares (Figura 1.19) que determinam a intensidade da radiação solar ao longo do dia, em qualquer ponto do globo terrestre. Figura 1.18 Declinação solar no hemisfério Norte. (fonte: Moita, 2010) Figura 1.19 A intensidade da radiação solar, direta, é variável segundo o ângulo de incidência, atingindo o seu valor máximo quando a radiação é normal à superfície de incidência. (fonte: Moita, 2010) Salienta-se a diferença de trajectória solar no Inverno e no Verão, no hemisfério Norte. Este facto advém da orbita elíptica da Terra, descrita em torno do Sol, conjugada com o ângulo de inclinação do eixo terrestre – ângulo constante de (Moita, 2010) – que, fixando as estações do ano, explica a diferença de intensidade da radiação e de tempo de exposição solar nas duas Figura 1.20 Do movimento da Terra em torno do Sol, a declinação solar é distinta no Equador, a norte e a sul do mesmo. (fonte: Google Images.) estações (Figura 1.20). O contexto climático, e outros, através do qual o projecto bioclimático se deve reger, varia com a latidude e a altitude do local em questão. Deste modo, e de acordo com o Zonamento climático de Portugal Continental (Figura 1.21) estabelecido pelo RCCTE (2006) conseguem-se recomendar algumas medidas a implementar, por exemplo, para a zona de Lisboa. 23 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Figura 1.21 Zonamento climático de Inverno (I) e de Verão (V) para Portugal Continental. As cores escuras representam um clima mais rigoroso: (fonte: RCCTE, 2006) Sendo o clima de Lisboa classificado como I3 V2, é possível traçar um diagrama psicométrico (Figura 1.22) tendo em conta as características do ar, a humidade e a temperatura necessárias a uma sensação térmica e higrométrica adequada às exigências humanas para o conforto (desenvolvido por Givoni em 1976), que permite antever as medidas a implementar com sucesso. Figura 1.22 Diagrama psicométrico de Givoni, para Lisboa. (fonte: Google Images.) Uma vez estimadas as necessidades de conforto interior, Gonçalves e Graça (2004) resumem as principais medidas a implementar na de zona de Lisboa. 24 Os vão envidraçados na arquitectura Na Figura 1.23 encontram-se resumidas as medidas bioclimáticas que devem ser consideradas para Inverno e para Verão, tendo em Figura 1.23 Estratégias bioclimáticas Lisboa (Zona I3 V2). (fonte: Gonçalves, 2004) para conta o conforto térmico, higrométrico e lumíco interior. 1.2.2 Áreas de envidraçado e tipos de vidro Oferecendo muito pouca resistência à transferência de calor radiante, é através das janelas que se obtêm a maior parte dos ganhos solares. Deste modo, consoante a orientação da fachada onde se localizam, devem ter dimensões diferentes. 25 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Os envidraçados orientados a Sul devem ocupar um máximo de 30-40% da área dessa fachada, pois se de Inverno importa permitir a entrada da radiação solar no interior do edifício quando o sol está mais baixo no céu, de Verão pode ser problemático se o envidraçado for sobredimensionado. Nas restantes orientações, a área de envidraçado não deve exceder os 20% do total da fachada, pois a Nascente e a Poente é efectivamente mais difícil controlar a entrada, tanto da radiação solar como da radiação visível, dos raios solares com ângulos de incidência sempre baixos durante todo o ano. Porque a Norte os ganhos solares são reduzidos, sendo estes vãos apenas necessários para uma adequada iluminação natural, também não devem exceder os 20% do total da respectiva fachada. Note-se que, quanto melhor for dimensionado o vão envidraçado, mais eficazes são as chamadas áreas passivas (áreas potencialmente ventiladas e iluminadas de modo natural) cuja profundidade corresponde a duas vezes a altura do pé-direito (geralmente 6m) (Figura 1.24). Figura 1.24 Definição das áreas passivas (cor clara) e das áreas activas (cor escura) na planta de um edifício. (fonte: Guedes, 2011) Em climas temperados, como é o caso de Portugal, eleger diferentes tipos de vidro para as diferentes orientações é provavelmente o procedimento mais apropriado. Como tal, os vãos envidraçados orientados a sul devem poder permitir a entrada de uma maior quantidade de radiação solar no interior do edifício do que os vãos envidraçados das restantes orientações. 26 Os vão envidraçados na arquitectura Para que o dimensionamento, tanto dos dispositivos de sombreamento, como dos vãos envidraçados, possa ser o mais ajustado possível a cada situação projectual, existem vários programas de simulação para este efeito, tais como o EnergyPlus ou o Ecotect. A selecção dos diferentes elementos constituintes dum vão envidraçado – vidro, caixilharia e dispositivo de sombreamento – num edifício, tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma tarefa cada vez mais difícil. Desde a Revolução Industrial, e com o deflagrar das novas tecnologias de produção e construção, o leque de soluções actualmente disponíveis no mercado é consideravelmente extenso. As necessidades de aquecimento, com origem nas perdas térmicas através dos vãos envidraçados, estimam-se em cerca de 25% a 30% do gasto energético nos edifícios (Lisboa E-Nova, 2008), pelo que a sua escolha merece especial atenção para que o seu desempenho térmico, bem como o desempenho acústico, higrométrico, de segurança, de ventilação e luminosidade, seja o mais eficiente possível. 1.2.2.1 Vidro O impacto da utilização do vidro no consumo energético depende da sua apropriada aplicação. Aplicado adequadamente, o vidro pode fornecer ganhos solares para o interior do edifício no Inverno e, conjugado com um dispositivo de sombreamento, exclui-los no Verão, permitindo a entrada de luz natural sem risco de encandeamento. Deste modo, pode-se reduzir o consumo energético para aquecimento, arrefecimento e iluminação artificial (Allen et al., 2009). 27 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar O vidro é um material disponível em diversas espessuras, dimensões, cores e acabamentos, onde o coeficiente de transmissão térmica, , (descrito no capítulo 2), pela expressão (2.4), e a transmitância, solar e visível, e o factor solar, , (descrito no capítulo 2), pela expressão (2.11)) são características chave para o seu desempenho. Assim, um vão convencional de vidro simples incolor possui um coeficiente de transmissão térmica na ordem dos , muito mais elevado do que um sistema de vidro duplo com . Embora numa proporção cada vez menor, o acréscimo de um terceiro ou quarto pano de vidro, reduz cada vez mais o valor de . Porém, apesar de este efeito ser consideravelmente positivo – quanto mais pequeno é o coeficiente de transmissão térmica , melhor o isolamento térmico do elemento e mais reduzidas serão as perdas térmicas –, o aumento do número de panos de vidro tem repercussões na quantidade de radiação solar e de luz visível que é transmitida para o espaço interior, para além de ter um custo cada vez mais elevado. A espessura e dimensão de um pano de vidro estão intimamente relacionadas com os tipos de apoio associados, a altura a que será colocado, as pressões de vento a que será sujeito e, evidentemente, com a função que este irá desempenhar (SaintGobain, 2000) – vidro de segurança, acústico, térmico, estrutural ou decorativo. Para além do vidro produzido com processos de têmpera ou laminado, tornando-o mais resistente a variações extremas de temperatura e ao impacto – aconselhado para vidros de segurança e corta-fogo –, existe também uma vasta gama de vidros padronizados que dão resposta a diversas soluções decorativas de espaços interiores, satisfazendo diferentes funções essenciais e enriquecendo os espaços com as suas qualidades estéticas. 28 Os vão envidraçados na arquitectura No caso de vidros simples coloridos a transmitância solar é mais reduzida do que um vidro incolor – cada cor difere na quantidade de radiação que é transmitida, sendo as mais comuns o bronze, verde, cinzento, azul e prateado (Allen et al., 2009) – sendo designados como vidros de controlo solar (Figura 1.25). Os vidros coloridos, apesar de apresentarem um melhor controlo da radiação solar e visível transmitida, têm uma elevada capacidade de absorver a radiação e, por isso, aquecem muito contribuindo para o aumento da temperatura interior do edifício. Figura 1.25 Esquema comparativo da parcela da radiação reflectida num vidro simples incolor, num vidro simples com película reflectiva e num vidro duplo com a película reflectiva no pano exterior do envidraçado. (fonte: Allen et al., 2004) O vidro com controlo solar apresenta um menor factor solar devido à sua reduzida transmitância, diminuindo a quantidade de radiação solar que passa instantaneamente para o espaço interior – a transmissão visível varia entre 14%, para um vidro cinzentoescuro, a 75% para as cores mais claras, da radiação incidente, comparado com os 85% da transmitância visível da radiação incidente do vidro incolor (Allen et al., 2009; ASHRAE, 2001). Por um lado, se a utilização deste tipo de vidro promove um melhor desempenho do que o vidro normal para a estação de Verão – reduzindo os ganhos solares directos através do envidraçado e, consequentemente, os consumos energéticos para as necessidades de arrefecimento –, por outro, para a estação de Inverno pode significar um aumento das necessidades de aquecimento. 29 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Contudo, o vidro colorido pode traduzir-se num indesejado crescimento dos consumos com a iluminação artificial, dado que, não só reduz a quantidade de radiação solar que o atravessa, mas também diminui a luz visível que passa através deste. Se admitirmos a combinação de vidro colorido num sistema envidraçado de vidro duplo, conseguem-se controlar mais eficazmente essas quantidades de radiação absorvidas e transmitidas, embora a questão da redução de luz visível admitida para o espaço interior se mantenha. Para que se consigam obter melhores resultados destas propriedades – reduzir ainda mais o factor solar do vidro relativamente aos coloridos correntes – a indústria vidreira desenvolveu películas de alto desempenho. Estas películas ultra finas e transparentes – agregadas a uma das faces do pano do vidro aquando da sua produção – podem ser altamente reflectantes (como os espelhos) e, podem também ser de baixa emissividade em que se podem atingir valores de transmitância visível duas vezes superiores aos da transmitância solar (ASHRAE, 2001). São conhecidos dois processos de fabrico das películas reflectantes. O primeiro, mais antigo, consiste na deposição de óxidos metálicos directamente sobre a superfície do vidro quando este ainda se encontra quente e, por ser bastante resistente ao toque e oferecer uma excelente durabilidade, pode ser aplicada em vidros de um só pano. No segundo, mais recente, são projectados átomos na superfície do vidro – numa câmara de vácuo, em três camadas, sendo no mínimo, uma delas metálica – resultando uma solução menos resistente ao toque. Por isso, estas películas são utilizadas em vãos envidraçados com mais de um pano, nas superfícies voltadas para a cavidade de ar, para que possa ficar mais resguardada (Sirgado, 2010). Tipicamente, um sistema de vidro duplo com uma película baixa emissiva numa das 30 Os vão envidraçados na arquitectura superfícies internas é, termicamente, equivalente a um sistema de vidro triplo (Allen et al., 2009). 1.2.2.2 Gás de preenchimento O princípio do sistema envidraçado de vidro duplo consiste, normalmente, em encerrar entre dois panos de vidro uma lâmina de ar seco e imóvel com o objectivo de limitar as transferências térmicas por convecção e tirar vantagem da baixa condutibilidade térmica do ar (Figura 1.26). Desta forma, a solução de vidro duplo torna-se mais isolante, uma vez que o vidro, por si só, é dos materiais de envolvente dos edifícios que se apresenta com um coeficiente de transmissão térmica mais elevado (Allen et al., 2009). Figura 1.26 Esquema de sistema de vidro duplo. (fonte: ASHRAE, 2001) Para reduzir ainda mais a transferência de calor no vão envidraçado por convecção e condução, o ar seco confinado na cavidade entre os panos de vidro, pode ainda ser substituído por gases menos condutores. A implementação deste tipo de gases pode representar um acréscimo de eficiência térmica de 12% a 18% em relação ao vidro duplo, com ar de preenchimento, dependendo do tipo de gás e da dimensão da cavidade (Allen et al., 2009). Os gases mais utilizados são o árgon, o crípton e o 31 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar xénon, que fazem parte da composição da atmosfera. São inertes, não tóxicos, não reactivos, incolores e inodores. A cavidade de ar, com o objectivo de eliminar o problema frequente de condensações e até de congelamento (em climas frios) na face interna do pano exterior do sistema de vidro duplo, era inicialmente selada simplesmente através da união das duas extremidades dos panos de vidro. Apesar dessas ocorrências terem sido excluídas, a união das duas extremidades revelou-se termicamente muito condutora. Por isso, hoje em dia, é utilizado um espaçador metálico, normalmente em alumínio, embora as soluções em aço inoxidável e aço galvanizado sejam soluções menos condutoras que, não só garantem uma reduzida condução de calor e a eliminação de condensações, através de dissecantes no interior do mesmo, como encerram estruturalmente os panos de vidro entre si. 1.2.2.3 Caixilharia O caixilho é entendido como a moldura que suporta os panos do sistema envidraçado – sejam eles de vidro simples, duplo ou mais panos – e tem como objetivo primordial assegurar a estanquidade e a operacionalidade do mesmo. As Figura 1.27 a) e b), ilustram as várias formas de caixilharia disponíveis no mercado, sejam elas fixas ou móveis. O material empregue na fabricação da caixilharia dos vãos envidraçados influencia, para além do comportamento térmico do sistema envidraçado, a resistência, a durabilidade e até a estética do elemento (ASHRAE, 2001), em particular, e do próprio edifício, em geral, no que toca à composição arquitectónica. 32 Os vão envidraçados na arquitectura b) Figura 1.27 Tipos de janelas disponíveis no mercado: a) para edifícios de habitação b) para edifícios comerciais. (fonte: Allen et al., 2004) A madeira, o metal e o polímero são os três materiais habitualmente empregues na concepção das caixilharias dos vãos envidraçados. A madeira é um dos materiais disponíveis na Natureza. É bom isolante térmico, de fácil manuseamento e bastante resistente perante as solicitações – especialmente se for isento de nós. Se, por um lado, a alteração das suas dimensões face aos diferenciais de temperatura é pouco significativa, por outro, a sua resposta à presença de humidade é crítica, podendo levar ao empenamento, à degradação orgânica (pelo aparecimento de bolores e insectos) 33 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar e à consequente necessidade de manutenção frequente (ASHRAE, 2001; Allen et al., 2009). Assim, embora tenha sido dos primeiros materiais a ser empregue no fabrico de caixilhos, está cada vez mais a cair em desuso – contribuindo em muito o seu elevado custo – apesar de se bem construídos e bem cuidados, poderem ter um tempo de vida útil bastante longo. O coeficiente de transmissão térmica, , da madeira toma valores entre 2.0 W/m2.°C a 2.5 W/m2.°C (Sirgado, 2010) e, quanto maior for a espessura do caixilho, melhor será o seu desempenho. O metal é um material que, apesar de apresentar excelentes características estruturais – que permitem secções mais delgadas – e de durabilidade, tem um desempenho térmico fraco pois é extremamente condutor. O metal de eleição é o alumínio, porque é leve, durável, não corrosivo, de fácil extrusão e de baixo custo. Porém, o alumínio possui uma condutibilidade térmica 1000 vezes superior à madeira ou aos polímeros (ASHRAE, 2001). Com o intuito de contornar este problema, os caixilhos de alumínio são frequentemente comercializados com corte térmico – um componente não-metálico que separa a estrutura em contacto com o ambiente exterior da superfície exposta ao interior – que, para além de melhorar o seu desempenho térmico, evita condensações no interior do caixilho. Com a introdução do corte térmico, o coeficiente de transmissão térmica, , do caixilho reduz-se significativamente, de 10.5 W/m2oC (sem corte térmico) para 5.5 W/m2oC (com corte térmico) (Sirgado, 2010). Em termos de acabamento, as superfícies do alumínio podem ser anodizadas ou termolacadas para que lhe seja proporcionada uma ainda maior durabilidade e uma vasta gama de cores de acabamento. O polímero vulgarmente utilizado na produção de caixilhos para vãos envidraçados é o PVC (policloreto de vinilo). É um plástico que, para além de bastante versátil, é um bom isolante térmico, altamente resistente ao impacto e abrasão, e que não gera emissões para o ambiente. O seu comportamento térmico e 34 Os vão envidraçados na arquitectura estrutural é semelhante ao da madeira, com coeficientes de transmissão térmica, , da ordem dos (Sirgado, 2010). Tal como o alumínio, o PVC também pode ser apresentado sob diversas formas e variadas cores, podendo responder a todo o tipo de necessidades e preferências. A estanquidade e a operacionalidade são, por norma, asseguradas pelos caixilhos executados com estes materiais mas, quanto mais elevado for a sua resistência térmica, melhor. Por isso, alguns fabricantes já comercializam caixilhos híbridos, usando as melhores características de cada material em resposta a uma solução composta. É possível conquistar uma boa resistência aos agentes agressivos, usando alumínio pelo exterior, e tirar o partido estético da madeira pelo interior, aumentando o grau de resistência térmica do conjunto. 1.2.3 Sombreamento O dimensionamento dos dispositivos de sombreamento, tal como o dos vãos envidraçados, também deve ser uma medida a ter em consideração para o controlo dos ganhos solares através dos envidraçados, reduzindo-os até 80% (O.A., 2001). É no Verão que a situação é crítica, como tal, o devido sombreamento dos vãos envidraçados (sombreamento fixo, móvel, através da envolvente ou de arranjos exteriores) principalmente dos que se encontram orientados a Sul, a Este e Oeste, é de máxima importância. O uso de cor clara em vez de uma cor escura, nos dispositivos de sombreamento, é preferível, visto ser mais eficaz na reflexão da radiação solar e na difusão da iluminação natural. A forma mais eficaz de reduzir os ganhos solares através de um vão envidraçado, é interceptando a radiação directa do sol antes 35 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar de esta atingir o elemento envidraçado (ASHRAE, 2001). A implementação de dispositivos de sombreamento é, por isso, a melhor solução a aplicar. Ainda que a principal razão para a sua utilização seja limitar os ganhos solares pelo envidraçado, na estação quente, reduzindo as necessidades nominais de energia para arrefecimento, os dispositivos de sombreamento cumprem outras funções, também importantes, como controlar a luminosidade que é admitida no interior do espaço, atenuando possíveis efeitos de brilho sobre as superfícies menos rugosas, que por reflexão provocam encandeamento, e manter a privacidade dos habitantes do espaço, ocultando a actividade verificada no interior do mesmo. Em geral, espera-se que os dispositivos de sombreamento tenham uma elevada componente reflectiva, para que uma grande parcela da radiação solar seja reflectida, e a restante parcela pouco transmitida e absorvida pelos dispositivos, reduzindo a transmissão de calor para o ambiente interior. Por isso se utilizam mais frequentemente cores claras do que cores escuras nos dispositivos de sombreamento – como melhor se perceberá ao longo do Capitulo 3. O sombreamento dos vão envidraçados pode ser conseguido de várias formas. Podem ser usados pelo exterior, pelo interior ou no interior da cavidade de ar, entre panos de vidro. Os dispositivos podem ainda ser fixos ou móveis, e estes últimos automáticos ou manuais, consoante a possível operacionalidade por parte dos utilizadores. No mercado estão disponíveis diferentes soluções como proteções solares do tipo vegetal, projecções arquitectónicas (palas) verticais ou horizontais, estores de tela e veneziano, portadas e cortinas. O modo mais natural de promover o sombreamento é através da vegetação (Figura 1.28). Estrategicamente bem posicionadas em relação ao edifício, as árvores, sebes ou trepadeiras, são óptimas 36 Figura 1.28 Árvore de folha caduca – carvalho (em cima); sebe (ao centro); trepadeira (em baixo). (fonte: Google Images) Os vão envidraçados na arquitectura soluções na medida em que, sendo possível a fácil adaptação destas às necessidades de sombreamento de um vão (em particular se forem de folha caduca) proporcionam sombreamento nos meses quentes e permitem a admissão de raios solares nos meses frios (Olgyay et al., 1957). As palas horizontais ou verticais, galerias, arcadas ou varandas (Figura 1.29) são consideradas como dispositivos fixos e estão naturalmente presentes na geometria da construção. Estes elementos conseguem promover uma sombra significativa no vão envidraçado, que é variável consoante a altura do sol. Tendo em conta que este tipo de sombreamento faz parte integrante do edificado, e com o seu apropriado dimensionamento, consegue-se bloquear a radiação solar em praticamente todo o vão envidraçado, no Verão (quando o sol está mais alto), e permitir a sua passagem durante o Inverno (quando o sol está mais baixo) (Sirgado, 2010). A altura, o comprimento, a profundidade do elemento a afixar e a sua exacta posição, em relação às dimensões do vão são, assim, variáveis a ter em consideração de modo a aproveitar ao máximo os benefícios da radiação solar, em ambas as estações (Palhinha, 2009). Refira-se que as palas, apesar de serem eficazes relativamente à radiação solar directa, não o são perante a radiação difusa e reflectida nos elementos e edifícios adjacentes. Os dispositivos de sombreamento do tipo portadas, podem ser aplicados tanto pelo interior como pelo exterior do vão envidraçado. As persianas e os estores de lona ou veneziano são de possível utilização pelo exterior, pelo interior ou entre panos Figura 1.29 Exemplos de sombreamento fixo exterior. (fonte: Olgyay et al., 1957) 37 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar de vidro. O seu controlo pode ser manual, automático ou serem fixos. As cortinas são o único dispositivo de sombreamento a ser utilizado apenas pelo interior do vão envidraçado. O estore do tipo veneziano é composto por um conjunto de lâminas paralelas e igualmente espaçadas. As lâminas podem ser verticais ou horizontais. Este sistema é bastante comum, económico e de fácil aplicação às estruturas existentes e consegue uma excelente protecção contra os raios solares. A sua versatilidade é enorme. Os perfis das lâminas podem possuir distintas configurações e características (Figura 1.30) permitindo um melhor ajustamento às condições que se desejam para cada caso. A possibilidade de lhes conferir uma orientação adequada, permite uma melhor protecção do espaço interior à exposição directa dos raios solares e o controlo da entrada de luz solar e possíveis situações de encandeamento. As lâminas dos estores estão disponíveis em variadas cores e formas que permitem ao projectista a escolha da solução técnica e visual que melhor se integre na composição arquitectónica da fachada do edifício. Apesar da sua aplicação pelo exterior ser termicamente mais eficiente do que pelo interior ou entre panos, exige uma maior robustez da estrutura por ter de resistir às solicitações climáticas do ambiente externo. Os estores de lona do tipo rolo são também bastante comuns, mas podem apresentar algumas limitações no equilíbrio entre as a) 38 b) Figura 1.30 Possíveis configurações e orientações das lâminas. a) Lâmina normal; b) dissipadora de brilho; c) orientadora de luz. (fonte: Warema, 2011) c) Os vão envidraçados na arquitectura necessidades de iluminação e de sombreamento (Palhinha, 2009). De facto, este tipo de estore é normalmente caracterizado por transmitâncias reduzidas, eficazes para o controlo dos ganhos solares na estação de arrefecimento, mas criando ao mesmo tempo uma barreira à entrada da iluminação natural nos espaços. Os estores de lona são dispositivos retrácteis com uma caixa de recolha de dimensão bastante reduzida, com controlo manual ou automático. Normalmente são produzidas num material liso e flexível que garante a perfeita integração na composição da fachada dos edifícios. Estão disponíveis em diversas cores e materiais, podendo ser-lhes conferida uma maior ou menor transparência. O seu material pode ser metálico ou não metálico, passando pelo PVC, poliéster, fibra de vidro ou outros. Este dispositivo pode tornar-se mais eficaz quando composto por um tecido metálico laminado (lona de filtro solar), que admite a vista para o exterior, zelando, em simultâneo, pela privacidade dos utilizadores. Desta forma filtra-se a radiação solar e reflecte-se fortemente o calor na estação mais quente (Sirgado, 2010). Contudo, tal como acontece com o estore do tipo veneziano, quando aplicado pelo exterior, o tecido deve ser de espessura superior à aplicada no interior (ou de modo intersticial entre panos) e com um acabamento mais resistente. O seu funcionamento deve estar sujeito a guias laterais, reforçando a Figura 1.31 Sombreamento do tipo portada. (fonte: Extrusal, 2012) resistência à acção do vento (Santos, 2007). Outro dispositivo de sombreamento é o sistema de portadas (Figura 1.31), que podem ser de correr ou de batente. As portadas bloqueiam praticamente na totalidade a admissão de raios solares 39 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar para o interior do edifício, e quando fechadas por completo podem servir também como sistema de segurança e privacidade dos utilizadores (Palhinha, 2009). Os materiais e cores disponíveis são vastos, embora o alumínio e o PVC sejam a escolha mais corrente nos últimos anos para este tipo de aplicação, quer quando aplicado pelo exterior ou pelo interior. A madeira também é utilizada mas, tal como acontece na caixilharia, é um material mais dispendioso e com necessidade de maior manutenção, podendo estar sujeito a empenamento e à degradação orgânica. Termicamente, a solução das portadas apresenta benefícios quanto às pontes térmicas. Efectivamente, comparando com uma solução de estore, que necessita de uma caixa integrante do mecanismo de funcionamento, nas portadas esta caixa é dispensada, eliminando as pontes térmicas planas e lineares daí provenientes (Sirgado, 2010). As cortinas – sistema de utilização interior e móvel (Figura 1.32) – são geralmente de utilização complementar a outros sistemas de maior eficiência no sombreamento (Palhinha, 2009). Estão disponíveis em diversos materiais e cores e estão associadas muitas vezes a funções decorativas e de garantia de privacidade. Estes, como outros, tendem a eliminar alguma radiação indesejada, principalmente difusa e reflectida, que possa ter atravessado o dispositivo de sombreamento principal, complementando assim a redução das cargas de aquecimento e arrefecimento (ASHRAE, 2001). 40 Figura 1.32 Sombreamento do tipo cortina. (fonte: foto de autor.) Os vão envidraçados na arquitectura 1.3 Exemplos de utilização de dispositivos de sombreamento Os exemplos de obras com vãos envidraçados com dispositivos de sombreamento, a seguir apresentados, pretendem ilustrar diferentes soluções arquitectónicas adoptadas por arquitectos em diferentes pontos do globo, apontando a sua correcta ou incorrecta adequação às necessidades de conforto. O edifício deve ser tomado como um todo. Na perspectiva de uma arquitectura responsável energeticamente eficiente, o arquitecto, em conjunto com os técnicos de instalação dos dispositivos de sombreamento, deve enquadrar o edifício no clima em que se insere. A escola do local, da forma e da orientação são considerações a serem ponderadas ainda na fase de projecto, por forma a garantir que as necessidades de conforto térmico e visual dos utilizadores do edifício são asseguradas. A concepção e o correcto dimensionamento dos dispositivos de sombreamento, não só proporcionam o devido sombreamento no interior do edifício para que os ganhos solares através do envidraçado sejam devidamente controlados evitando o sobreaquecimento na estação de arrefecimento reduzindo os consumos energéticos em climatização, como fazem parte de todo um conjunto conceptual, para uma arquitectura harmoniosa e de carácter próprio. 41 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.3.1 Casa Farnsworth, Illinois, EUA (1950). Mies van der Rohe. Respeitando os ideais de Mies de arquitectura modernista, esta obra é o ex-líbris de uma arquitectura depurada e puritana numa simplificada existência transcendental. Constituída apenas por dois planos horizontais, o piso e a cobertura, todo o edifício é suspenso em pilares de aço, com todos os paramentos totalmente envidraçados. Como facilmente se depreende, os ganhos solares pelos envidraçados são demasiado elevados. Para manter a simplicidade conceptual da construção são simplesmente usadas cortinas no controlo da entrada da radiação solar no interior do edifício. Apesar de ser concebida com ventilação cruzada, a orientação da casa (Oeste-Este) não a favorece. O sobreaquecimento do ar interior é uma realidade presente, nos meses quentes, em que a vegetação e as cortinas se apresentam como insuficientes na sua minimização. Por essa razão, e por representar uma obra marcante na história da arquitectura moderna, esta habitação de fim-de-semana tornou-se uma obra museu. 42 Figura 1.33 Casa Farnsworth. Perspetivas. (fonte: farnsworthhouse) Os vão envidraçados na arquitectura 1.3.2 Fundação Calouste Gulbenkian, Av. de Berna, Lisboa, Portugal (1969). Ruy Jervis d’Athouguia, Pedro Cid, Alberto Pessoa e Viana Barreto e Ribeiro Telles. O edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian é uma obra impar, que materializa a síntese programática, revolucionando a perspectiva e o significado de espaço cultural em Portugal, numa integração íntima com o espaço verde. Concebido para dar corpo à sede e museu da fundação, o edifício integra-se na cidade de modo imperturbável, vivendo em harmonia com os jardins que o rodeiam. É palco de conceitos bioclimáticos, indiscutivelmente eficazes. Uma construção que, apesar de se expandir abaixo do nível do terreno, mostra-se á superfície como um edifício desenvolvido na horizontal. Os vãos envidraçados recuados, relativamente à linha da fachada, permitem a sua protecção à radiação solar directa, causadora de sobreaquecimento de Verão. Uma vez que, o edifício é profundo, foram abertos claustros concedendo luz ao interior do edifício e também melhores condições de ventilação. Para além da concepção dos vãos envidraçados recuados, o sombreamento é conseguido através da vegetação existente nos espaços verdes exteriores. A vegetação é estabelecida estrategicamente para o efeito. Outras medidas são postas em prática como os lagos existentes para arrefecimento por Figura 1.34 Fundação Gulbenkian. Entrada do Museu de Arte com o vão envidraçado recuado (à esquerda) e entradas de serviço cobertas de trepadeiras (à direita). (fonte: wikipédia) evaporação. 43 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.3.3 Bloco Carnide, Centro histórico de Carnide, Lisboa, Portugal (2003). Promontório Arquitetos. Situado na fronteira entre o bairro histórico de Carnide e a expansão urbana circundante, o sistema construtivo da fachada de ritmo reticulado e repetitivo baseia-se em painéis modulares de betão pré-fabricado, que contrastam com o sistema de painéis fixos e portadas de correr em madeira. As portadas de correr, não só cumprem a sua função como dispositivo de sombreamento, impedindo a entrada da radiação solar para o interior do espaço, controlando os ganhos solares através dos envidraçados, como conferem à já rígida estrutura um sentido de movimento. Ao longo do dia e consoante o movimento aparente do sol, assim se presencia o ajuste constante das portadas às necessidades de sombreamento (manobradas pelos utilizadores dos diferentes apartamentos) dando vida ao edifício. Possui um desenho em forma de L, em que o bloco com maior número de pisos e, claro, maior área de fachada, se encontra orientada a Sul. Assim, enquanto este bloco se encontra bem orientado perante o trajecto solar, o outro bloco tem as fachadas de maiores áreas voltas a Nascente e a Poente, sentido em que a radiação solar incidente envidraçados) é mais intensa. 44 (perpendicular ao plano dos Figura 1.35 Bloco Carnide. Diferentes pontos de vista do edifício. (fonte: Promontório) Os vão envidraçados na arquitectura 1.3.4 Albion Riverside, Londres, Reino Unido (2003). Foster + Partners. Composto por um conjunto de três edifícios distintos, o projecto foi concebido para unir, num novo conceito de bairro urbano, habitação, local de trabalho e lazer. A forma em arco, do conjunto de edifícios habitacionais, voltada para o rio Tamisa, cria novos espaços públicos e direcciona a vista dos apartamentos. A fachada Norte (voltada para o rio) está protegida da radiação solar directa, permitindo que as fachadas sejam maioritariamente em vidro. A elevada área envidraçada a Norte pode, no entanto, significar perdas de calor, no Inverno, se os vãos envidraçados não forem devidamente isolados. A fachada Sul, em contraste com a fachada Norte, é revestida com uma fina rede de barras de alumínio, perfurada nos locais das varandas e da janelas, recuadas que possibilitam não só o controlo dos ganhos solares pelos envidraçados mas também criam um jogo ritmado de aberturas e fechamentos da fachada. Este tipo de solução é mais conhecida como fachada de dupla pele, muito usada em edifícios de serviços, que por norma possuem elevadas áreas envidraçadas. Figura 1.36 Albion Riverside. Fachada Sul (em cima), fachada Norte (em baixo,à esquerda) e a planta tipo (em baixo, à direita). (fonte: fosterandpartners) 45 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.3.5 Estação Ferroviária, Aveiro, Portugal (2005). João Lúcio Lopes Arquitetos. A estação ferroviária de Aveiro é o exemplo de uma arquitectura mais abrangente, no que toca ao seu propósito fundamental. Não se destinando apenas ao tradicional embarque e desembarque de passageiros, é enriquecida com outras valências de cariz comercial, de serviços e lazer. Concebida como um cruzamento, ligando quatro pontos da cidade, é materializada de forma leve e verticalizada através de elementos laminares exteriores. Os elementos laminares verticais fazem parte da estrutura do edifício e permitem estabelecer a relação do interior com o exterior mas permitem também a entrada da radiação solar no seu interior, de modo controlado e maioritariamente de forma difusa. Esta fachada, orientada a poente, recebe radiação solar directa, a partir da tarde, momento em que o ângulo de incidência do sol começa a diminuir, e a intensidade da radiação solar a aumentar. Sendo a estação uma construção abaixo do nível do solo, a radiação solar que consiga atravessar directamente o envidraçado sem ser interceptada pelas palas, apenas incidirá nas paredes superiores, tornando-a difusa. Desta forma conseguem-se níveis de iluminação natural bastante aceitáveis. Contudo, o possível sobreaquecimento, no Verão, é atenuado pela ventilação natural das entradas a Norte e a Sul. 46 Figura 1.37 Estação Ferroviária de Aveiro. Fachada poente. (fonte: jlla) Os vão envidraçados na arquitectura 1.3.6 Bar à Margem, Belém, Lisboa, Portugal (2006). João Pedro Falcão de Campos. Um restaurante-bar, que pouco mais é do que uma estrutura de perfis metálicos brancos e vidro, é quase como um “abrigo” para a actividade que nele se desenvolve. O ritmo alternado de superfície plana (vidro) e relevo (perfis metálicos) dá forma à dualidade “fechado-aberto”. O edifício pode estar completamente fechado ou completamente aberto, resultando na extensão, do restaurante, para o exterior. Uma vez que o edifício é totalmente desprovido de qualquer isolamento térmico, as trocas de calor através do envidraçado, para as estações quentes e frias, são consideráveis. Contudo, no Inverno, a transmitância da radiação solar para o interior do espaço é aproveitada ao máximo mantendo o dispositivo de sombreamento desativado (toldo de lona). No Verão, em que os ganhos solares pelo envidraçado são extremamente elevados, mantém-se o dispositivo de sombreamento activo para que seja reduzido o risco de sobreaquecimento do interior. Também a possibilidade da abertura total do interior ao exterior possibilita a ventilação do espaço sem que seja preciso o uso de ventilação através de meios Figura 1.38 Bar à Margem. Esplanada voltada para o rio, orientada a sudoeste. (fonte: falcaodecampos) mecânicos. 47 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.3.7 Faculdade de Matemática, Ljubljana, Eslovénia (2006). Bevk Perović Arhitekti. O edifício da Faculdade de Matemática da Universidade de Ljubljana é uma ampliação do edificado já existente. Na impossibilidade de articular espaços públicos exteriores, existem duas salas de uso comum e dois jardins urbanos na cobertura. De um estilo tradicionalmente modernista, os envidraçados serigrafados com motivos retilíneos verticais de diferentes densidades, marcam a dinâmica da fachada. A serigrafia regula a intensidade da radiação solar no interior dos espaços, principalmente a radiação solar visível. Já os ganhos de calor, pelos envidraçados, podem ser problemáticos. A fachada principal encontra-se orientada a Noroeste, e esta orientação é bastante desfavorável, pois está sujeita à radiação solar com um ângulo de incidência muito baixo. A juntar à má orientação do edifício, este não possui qualquer tipo de dispositivo de sombreamento sobre os vãos envidraçados (de áreas elevadas), correndo elevados riscos de sobreaquecimento, de Verão, e encandeamento provocado pela reflexão nas superfícies claras e polidas. 48 Figura 1.39 Faculdade de Fachada Noroeste. (fonte: archdaily) Matemática. Os vão envidraçados na arquitectura 1.3.8 Habitação Unifamiliar, Bairro de Psychico, Atenas, Grécia (2006). Pantelis Nicolacopoulos. A cidade de Atenas está localizada numa área de transição climática, caracterizada pelo clima mediterrânico e temperado. Assim, tal como o clima português, o clima grego nesta região permite práticas arquitectónicas bioclimáticas. Esta habitação unifamiliar, situada no lote dum bairro residencial, tem a fachada dos quartos orientada segundo o eixo SudesteNoroeste. A radiação solar que recebe é maioritariamente pela manhã até ao meio-dia solar. A fachada exterior da varanda que serve os quartos foi estudada e desenhada para que a radiação solar directa, incidente no plano do envidraçado inferior, tome lugar apenas de Inverno. Deste modo, no Verão, a radiação solar incidente nestes vãos, terá apenas uma componente reflectida pela envolvente. O estore de lona posicionado pelo exterior, com uma cor clara, é a solução escolhida para interceptar a entrada da radiação solar directa, apenas quando necessário. Porém, apesar de o edifício possuir estores de lona em todas as janelas, a área de envidraçado é elevada, relativamente à área total da fachada, em que os vãos envidraçados do piso superior, estão sempre sujeitas à radiação solar directa, quer seja de Verão ou de Inverno. Perante esta situação, o risco de sobreaquecimento no piso superior, de Verão, é uma constante. Figura 1.40 Habitação Unifamiliar. Varanda dos quartos, com o estore de lona recolhido (à esquerda) e com o estore de lona activo (à direita). (fonte: mimoa) 49 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1.3.9 Edifício do The New York Times, Manhattan, Nova York, EUA (2007). Renzo Piano Building Workshop e FXFOWLE Architects. O arranha-céus do The New York Times, integra a linguagem arquitectónica da cidade, transmitindo progresso e inovação. Possui uma estreita relação entre o interior e o exterior procurando integrar características de uma arquitectura sustentável. O dispositivo de sombreamento, composto por tubos cerâmicos dispostos horizontalmente, forma uma fachada de dupla pele sobre o envidraçado com película espectralmente selectiva e de baixa emissividade, que reflecte a radiação solar indesejada. Possuindo uma orientação, aproximadamente, Sudeste-Noroeste, todas as fachadas estão expostas à radiação solar directa, o pode causas problemas. Para a situação de Inverno, esta solução pode até garantir as necessidades de conforto térmico interiores, maximizando os ganhos solares através dos vãos envidraçados, mas de Verão, se a fachada de dupla pele não for devidamente ventilada, pode conduzir ao sobreaquecimento do ambiente interior. Contudo, esta solução é parte integrante do conceito e caracter do edifício, tão próprios da marca que alberga. 50 Figura 1.41 Edifício do The New York Times. Fachada principal do edifício (à esquerda) e pormenor do dispositivo de sombreamento (à direita). (fonte: foto de autor.) Os vão envidraçados na arquitectura 1.3.10 CaixaForum Madrid, Madrid, Espanha (2008). Herzog & De Meuron. O museu CaixaForum Madrid é a reinvenção do edifício a partir de uma estação eléctrica abandonada, combinando a traça da fachada original com a nova construção. Os novos pisos encontram-se encerrados no interior de uma “caixa” em ferro fundido oxidado, com a intenção de que a cor deste se aproximasse à cor dos tijolos da fachada existente. Pelo exterior, este edifício pode transmitir ser uma estrutura pesada, mas no seu interior o ambiente que se alcança é outro. O involucro metálico é uma malha rendilhada que se sobrepõe ao edifício, proporcionando artísticas perspectivas da cidade, funcionando como dispositivo de sombreamento. Este é um magnífico exemplo de dispositivo de sombreamento totalmente integrado ao carácter e identidade do edifício, contribuindo para o controlo dos ganhos solares através dos envidraçados e transformando a radiação solar, não só em radiação difusa como também em projecções de arte através da luz. Contudo, sendo o ferro um bom condutor térmico, é bem provável que, sem a ajuda de meios mecânicos de climatização, se dê um sobreaquecimento do ar interior. O sobreaquecimento do ambiente interior advirá da elevação da temperatura do ferro fundido, e da posterior transmissão de calor por convecção e radiação. Figura 1.42 CaixaForum Madrid. Vista do exterior do edifício; vista através da malha metálica do interior para o exterior do edifício (em cima) e a perspectiva da praça (em baixo). (fonte: wikipédia; foto de autor.) 51 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Uma vez que, em meio urbano, a adequação de um edifício existente ao trajecto solar é limitado, a atenção dada aos vãos envidraçados e aos meios de sombreamento, têm que ser redobrados. Curiosamente, a instalação de arte em plantas verdes no edifício vizinho contribui para a diminuição da radiação reflectida da envolvente, que incide no edifício CaixaForum. 52 Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados 2 Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados A fachada é o elemento da envolvente dos edifícios com maior superfície e, para além disso, é o que tem mais contacto com as pessoas, tanto as que se encontram no exterior como as que se encontram no interior do edifício, pois faz a interface entre o ambiente exterior e o interior. A fachada tem um papel marcante nas trocas de calor que ocorrem na construção. Os vãos envidraçados, em particular, são responsáveis por grande parte dessas trocas por serem elementos muito propensos a ganhos e perdas de calor. Os elementos da envolvente do edifício devem ter características que possam satisfazer as condições de conforto e salubridade do ambiente interior, com o mínimo de consumo de energia possível, quer no Inverno quer no Verão (RCCTE, 2006). A influência da radiação solar no grupo de acções térmicas exercidas sobre os edifícios é de extrema importância, pois constitui um valioso contributo para a satisfação das exigências de comportamento térmico no interior dos edifícios, de Inverno, e é o factor que se assume como mais condicionante para o cumprimento dessas mesmas exigências, de Verão. Neste contexto, é muito importante conhecer os modos de transmissão de calor que ocorrem nos edifícios, em particular nos elementos constituintes da sua envolvente. Assim, serão descritos os processos de transferência de calor, com especial atenção para 53 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar os fenómenos de radiação solar e a sua acção sobre os vãos envidraçados. 2.1 Trocas de calor A transferência de calor entre dois pontos de um elemento verifica-se sempre que, entre eles, exista uma diferença de temperatura. Havendo conservação de energia – a quantidade de calor que o elemento mais “quente” concede é igual à quantidade de calor que o elemento mais “frio” recebe –, a propagação de calor ocorre sempre no sentido do elemento com temperatura mais elevada para o elemento com temperatura mais baixa. A transferência de calor pela envolvente do edifício pode dar-se através de três fenómenos: condução, convecção e radiação, que serão seguidamente descritos. 2.1.1 Transmissão de calor por condução A condução é a transferência de calor pelo movimento cinético ou pelo impacto directo de partículas moleculares e atómicas de um corpo (Moret et al., 2009), sobretudo sólido, podendo ocorrer também em líquidos e gases. Este fenómeno é regido pela Lei de Fourier que, para o caso mais simples de condução unidimensional (Figura 2.1), permite determinar o fluxo de calor estabelecido entre duas superfícies numa dada direcção, sendo o seu valor proporcional à área normal à direcção do fluxo e ao gradiente de temperatura nessa mesma direcção. Admitindo-se, para este trabalho, um fluxo de calor unidireccional e normal à superfície, tem-se: (2.1) em que: 54 Figura 2.1 Condução de Unidimensional. (fonte: Moret et al., 2009) calor Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados – fluxo de calor por condução ; λ – condutibilidade térmica do material – área da superfície 2 ; ); – gradiente de temperatura. Existem materiais utilizados na construção, como os metais, com maior condutibilidade térmica do que outros, como a cortiça, podendo alguns deste último tipo serem utilizados como isolantes térmicos. A condutibilidade térmica varia consoante o tipo de material, a fase em que se encontra, o peso específico, a porosidade, a humidade e a temperatura, entre outros parâmetros. 2.1.2 Transmissão de calor por convecção Tal como referido, a transferência de calor por condução deve-se a colisões internas entre átomos e moléculas vizinhas de um corpo, em função do campo de temperaturas em que a matéria se encontra. De modo equivalente, esta lei é também verdadeira para fluidos que se encontrem em repouso. Contudo, no caso mais geral de fluidos em movimento, mesmo que se continue a dar difusão por agitação molecular, o calor é transportado essencialmente pelas correntes macroscópicas de fluido (Figura Figura 2.2 Convecção de calor. 2.2). Este processo de transferência é designado por convecção. A convecção pode considerar-se como natural, quando resulta apenas das diferenças de pressão originadas por gradientes térmicos – como por exemplo um radiador de calor que ao aquecer o ar na sua vizinhança provoca uma corrente ascensional –, e como forçada, caso resulte de diferenças de pressão impostas por causas externas – como o vento atmosférico. Algumas vezes, os mecanismos ocorrem em simultâneo, classificando-se neste caso a convecção como mista. 55 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Os escoamentos que, provocados por convecção, ocorrem num vão envidraçado, tomam lugar em três posições: junto à face exterior do pano; junto à face interior; e entre os panos de vidro (Figura 2.3). Para os casos de vãos envidraçados com mais do que um pano, o espaçamento entre eles é preenchido com ar ou, tal como desenvolvido no Capítulo 1, com outros tipos de gás menos viscosos. Na presença de dispositivos de sombreamento os fenómenos de transferência de calor tornam-se mais complexos. O fluxo de calor associado à transmissão de calor por convecção para uma dada área ( perpendicular ao fluxo, é descrito pela Lei de Newton: (2.2) onde: – fluxo de calor por convecção ; – condutância térmica superficial local por convecção ; – área superficial de contacto entre o elemento sólido e o fluido , perpendicular ao escoamento; – temperatura da superfície exposta do sólido – temperatura característica do fluido ; . 2.1.3 Transmissão de calor por radiação Todos os corpos emitem e absorvem radiação electromagnética de diferentes comprimentos de onda (FLIR Sistems, 2006; Moret et al., 2009), cuja intensidade é função da sua temperatura absoluta e do tipo de superfície. Ainda que o espectro de radiação electromagnética (Figura 2.4) seja bastante mais extenso – com comprimentos de onda de 10-14 56 Figura 2.3 Convecção de calor, num vão envidraçado: junto à face exterior do pano; junto à face interior; e entre os panos de vidro. Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados λ Comprimento de onda (µm) µm a 104 µm –, a energia térmica emitida por um corpo confina-se à região limitada do espectro compreendida entre 0.1-100 µm, Figura 2.4 Espectro das electromagnéticas. (fonte: Poizaris, 2008) radiações designada por radiação térmica. Nesta área encontram-se as bandas ultravioleta (≈0.1-0.38 µm), visível (≈0.38-0.78 µm (EN 410, 1998)) e a infravermelha (≈0.78-100 µm). É corrente, em física dos edifícios, distinguir a radiação de onda curta (ou radiação solar), situada entre ≈0.3-2.5 µm (EN 410, 1998), e a radiação de onda longa (ou infravermelha), situada entre ≈5-50 µm (EN 410, 1998). Esta classificação vai ser a utilizada neste trabalho. A Figura 2.5 representa, esquematicamente, a troca de calor por radiação de onda longa. Numa abordagem simplificada, o fluxo de calor associado à Figura 2.5 Radiação de calor de onda longa. transmissão de calor por radiação de onda longa, entre o paramento e as restantes superfícies compartimento, para uma dada área ( interiores do ) perpendicular ao fluxo, é descrito pela expressão: (2.3) em que: – fluxo de calor por radiação ; – condutância térmica superficial local por radiação ; – área da superfície 2 ); 57 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar – temperatura do ambiente interior ( ); – temperatura da superfície interior do paramento ( ). Os fenómenos de radiação de onda curta serão descritos no subcapítulo 2.3. 2.2 Coeficiente de transmissão térmica Na maior parte dos casos estes três processos de transferência de calor (condução, convecção e radiação) coexistem (Figura 2.6). No que respeita aos vãos envidraçados, quando se está perante uma diferença de temperaturas entre o espaço exterior e interior, a transferência de calor dá-se a partir de todos os elementos constituintes de um vão – descritos no Capítulo 1. Estão presentes trocas por condução através do vidro e do caixilho, por convecção entre as superfícies dos vidros e o ar (da cavidade e do ambiente) e por radiação de onda longa entre as superfícies dos vidros e o ar do ambiente interior e exterior e/ou outros elementos adjacentes. Existe ainda a necessidade de deduzir um coeficiente apropriado para os elementos de construção que, aplicado à diferença de temperatura nos processos de transmissão de calor – diferença de temperaturas entre o exterior e o espaço interior –, forneça o valor correcto dos fluxos de calor. Este coeficiente designa-se por coeficiente de transmissão térmica, que integra todos os fenómenos de transmissão de calor – condução, convecção e radiação de onda longa (NP EN 673, 2000) – e, para regime permanente, é expresso como: (2.4) onde: – coeficiente de transmissão térmica 58 Figura 2.6 Fenómenos de transferência de calor num sistema envidraçado constituído por dois panos de vidro, separados por uma cavidade de ar (para Te>Ti). (fonte: Gomes, 2011) Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados - resistência térmica superficial exterior - resistência térmica superficial interior - resistência térmica do componente . 2.3 Radiação Solar Uma vez que os fenómenos de radiação solar têm um papel muito importante nas trocas de calor pelos vãos envidraçados, neste subcapítulo descrevem-se estes fenómenos de forma mais detalhada. O Sol é a maior estrela do Sistema Solar que, à distância de cerca de 150 milhões de quilómetros da Terra, constitui a nossa principal fonte de vida (Wikipédia, 2011). A luz – radiação electromagnética emitida pelo Sol – garante a manutenção e conservação de todo o Ecossistema e, na inexistência dela, a Vida tal como a conhecemos seria incomportável. A energia resultante das reacções de fusão dos núcleos dos átomos de hidrogénio é irradiada para o espaço sobre a forma de energia electromagnética (DGEG, 2011), com uma intensidade de 6 600 W/m2 (Moita, 2010). Essa energia – dissipada ao longo do trajecto – alcança o limite da atmosfera com uma intensidade de cerca de 1400 W/m2 (ASHRAE, 2001), designada por constante solar. A radiação solar que atinge o solo, é constituída por uma componente directa – que atravessa a atmosfera unidireccionalmente –, uma componente difusa – que resulta de múltiplos desvios em diferentes direcções pelos componentes da atmosfera – e, ainda, uma componente reflectida – conhecida por albedo –, proveniente da reflexão no solo e objectos circundantes. Dependendo da rugosidade e tipo de materiais que compõem o ambiente envolvente, esta componente reflectida pode alcançar 59 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar valores entre 3% e 85% da radiação total incidente (Moret et al., 2009). A soma das três componentes é denominada como radiação solar global (Figura 2.7). O Sol proporciona energia de forma natural, constante e inesgotável. Apesar de gratuita e sem prejuízo para o meio ambiente, somente uma ínfima fracção da energia solar disponível é utilizada. Assim, apesar do esforço de implementação de mais e melhores tecnologias solares activas em Portugal, este recurso é, ainda, subaproveitado no país e em todo o mundo. A escolha criteriosa dos vãos envidraçados constitui uma técnica passiva de aproveitamento da energia do sol. A conjugação adequada do tipo de vidro do vão envidraçado, bem como os restantes elementos que o constituem, e o dispositivo de sombreamento possibilita a diminuição dos consumos energéticos, em especial na estação de arrefecimento, devido ao frequente sobreaquecimento no interior do edifício. Figura 2.7 Representação esquemática da influência da atmosfera (em percentagem) nos fenómenos de absorção e difusão da radiação solar e da quantidade absorvida e reflectida pela superfície terrestre. (fonte: Moita, 2010) 2.4 Propriedades radiativas dos elementos Como foi referido em §2.1.3, todos os corpos emitem radiação. Por definição, só um corpo negro absorve toda a radiação incidente, independentemente do comprimento de onda e da 60 Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados direcção de incidência. A quantidade de potência radiada por um corpo radiante puro, rege-se pela Lei de Stefan-Boltzmann (ASHRAE, 2001; Moret et al., 2009; Gomes, 2011): (2.5) em que: – fluxo de radiação emitido por unidade de área ; – constante de Stefan-Boltzmann – temperatura absoluta ; . Os corpos reais emitirão a uma dada temperatura, um fluxo de radiação inferior ao do corpo negro: (2.6) sendo: - fluxo de radiação ; – emissividade da superfície, ; – fluxo de radiação emitido por unidade de área . Quando a energia radiante incide sobre uma superfície, parte dessa energia é absorvida – que eleva a temperatura desse corpo –, parte é reflectida e a restante é transmitida. Os coeficientes de absorção , reflexão e transmissão , podem ser expressos, respectivamente, como a relação entre as parcelas de radiação absorvida, reflectida e transmitida e o fluxo total incidente (Figura 2.8): ; ; Figura 2.8 Energias incidente (qi), reflectida (qr), absorvida (qa) e transmitida (qt) numa qualquer superfície. (fonte: Moret et al., 2009 Adaptado) (2.7) Pela conservação da energia, estes coeficientes devem respeitar a condição: (2.8) 61 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar No caso dos corpos opacos – como por exemplo certos materiais dos dispositivos de sombreamento e a caixilharia de um vão envidraçado – não existe componente de transmissão ( )ea equação (2.8) pode ser simplificada para: (2.9) Neste trabalho, assume-se que todos os corpos são cinzentos. A lei de Kirchhoff estabelece que para uma dada temperatura, a emitância espectral de um corpo, espectral, , é igual à sua absortância : (2.10) Assim, para um corpo cinzento onde as propriedades espectrais são constantes em todos os comprimentos de onda ( ), a equação (2.10) pode ser reescrita como e . Sendo mais fácil a medição da parcela da radiação que é reflectida – com o apoio de um espectrómetro – do que a medição da emissividade directamente, é usual determinar a emissividade para os elementos opacos pela igualdade resultante, da expressão (2.10) (FLIR Systems, 2006). 2.5 Ganhos solares através dos envidraçados O balanço energético dos edifícios é fortemente influenciado pelo comportamento térmico das soluções adoptadas para a envolvente e é, sem dúvida, um instrumento essencial para a correcta compreensão das necessidades nominais de energia e o desempenho térmico dos edifícios. Embora o desenvolvimento teórico das necessidades nominais de energia não seja o foco deste trabalho, é de interesse perceber, que parte da radiação 62 Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados solar incidente constitui efectivamente um ganho de calor para os edifícios, através dos vãos envidraçados. A principal função do vidro, na construção, é transmitir a radiação solar e a luz visível para o interior do edifício. Assim, da radiação total incidente no vão envidraçado, uma parte é reflectida instantaneamente para o exterior, outra é absorvida pelo vidro (e/ou pela capa de controlo solar) e a restante é transmitida para o interior do edifício. A Figura 2.8 ilustra a forma como a radiação que incide numa superfície se decompõe nas três parcelas referidas. Estas parcelas normalizadas pela radiação incidente constituem as designadas propriedades ópticas do vidro de transmitância, reflectância e absortância que dependem não só do comprimento de onda – como por exemplo na gama do solar ou visível – mas também do ângulo de incidência da radiação solar. Para um dado ângulo de incidência, as curvas espectrais de transmitância, reflectância e absortância do vidro – para um conjunto de comprimentos de onda – dependem da cor do vidro, da sua espessura e, no caso de um vidro com película de controlo solar ou de baixa emissividade, dependem da natureza desta película. A Figura 2.9 ilustra, a título de exemplo, a curva espectral da transmitância para 3 tipos de vidro para o ângulo de incidência normal ao plano do envidraçado. Como já referido em §1.2.1, o ângulo de incidência da radiação solar depende da altura do Sol que, para cada local, varia com a Figura 2.9 Transmitância espectral do vidro para incidência normal. 1) vidro incolor de 3mm, 2) vidro colorido cinzento de 6mm e 3) vidro colorido verde de 6mm. (fonte: Moret et al., 2009) 63 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar hora do dia, e a estação do ano. Nos meses de Inverno e de meiaestação a altura do Sol e o ângulo de incidência, é menor do que no Verão e, logo, a componente de radiação solar normal aos vãos envidraçados verticais é maior. O uso de uma película refletiva e/ou um dispositivo de sombreamento são a solução corrente para este problema. Para a radiação directa as propriedades ópticas dependem do ângulo de incidência pois têm características direccionais bem definidas. No caso da radiação difusa, proveniente quer do céu quer da reflexão dos elementos próximos da envolvente, por não apresentar nenhuma direcção privilegiada, tem que ser considerada uma integração sobre todas as direcções de uma semiesfera centrada no plano do vidro, designadas por propriedades hemisféricas. Para simplificar este cálculo, pode ser adoptado o valor para uma direcção de incidência próxima dos 60° como representativo das propriedades hemisféricas (Brandemuehle & Beckman, 1980; McFarland, 1978). Para este trabalho são utilizadas as propriedades ópticas do vidro, directas e difusas, referentes a cada ângulo de incidência do sol. No Capítulo 4, serão apresentadas as propriedades solar-ópticas dos vidros consideradas neste estudo, que foram retiradas das tabelas da ASHRAE (ver Anexo 1.1) (ASHRAE, 2001). 2.6 Factor Solar Para além das três parcelas (transmitância, reflectância e absortância) em que se decompõe a radiação incidente de forma instantânea, existe ainda outra indirecta que constitui a parte de energia absorvida pelo elemento, que é depois transmitida para o interior por mecanismos de convecção e radiação. É então indispensável definir um parâmetro que tenha em conta a 64 Fenómenos de transmissão de calor nos vãos envidraçados totalidade de energia transmitida para o interior do edifício com origem na radiação solar. Este parâmetro é o factor solar do vidro que pode ser definido como a relação entre o ganho de calor solar através do vidro – quer transmitância instantaneamente, em resultado da sua , quer posteriormente em resultado da absortância e das condutâncias térmicas superficiais do vidro – e a radiação solar nele incidente . Assim, tem-se: (2.11) onde é a fracção de radiação absorvida, que é transmitida para o interior sob a forma de fluxo de calor. Pela expressão (2.11), deduz-se que quanto mais baixo for o factor solar do vidro, menores são os ganhos solares através dele. Uma vez que a variação das propriedades ópticas do vidro, é muito reduzida para ângulos de incidência solar entre 0° e 40° (ASHRAE, 2001), também assim o será para o factor solar. Num vão envidraçado de uso corrente, o factor solar que lhe está associado é geralmente insuficiente no controlo eficaz dos ganhos de calor na estação de arrefecimento, principalmente se receber radiação directa na maior parte do dia. Para tal situação ser melhorada, a intersecção da radiação directa antes de esta atingir o vidro, é o mais aconselhado. Tal pode ser conseguido através da utilização de dispositivos de sombreamento exteriores. Para este trabalho são tidos em conta apenas os dispositivos de sombreamento móveis, colocados no plano do vidro – descritos em maior pormenor no Capítulo 3 –, mas é também comum recorrer a meios de sombreamento fixos. O cálculo do factor solar total, contabilizando a presença de um dispositivo de sombreamento – susceptível à activação parcial ou total, pelos utilizadores do edifício – é mais complexo. O factor 65 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar solar do dispositivo de sombreamento depende do tipo de dispositivo e da sua regulação (Figura 2.10) e é geralmente fornecido pelos fabricantes. A contabilização do efeito de redução dos ganhos solares do conjunto vidro/dispositivo de sombreamento é (Moret et al., 2009): (2.12) onde: – factor solar total do conjunto vidro/dispositivo de sombreamento; – energia que incide no vidro após atravessar o dispositivo de sombreamento; – energia que entra para o interior após atravessar o conjunto vidro/dispositivo; - factor solar do vidro; – factor solar do dispositivo de sombreamento; – radiação solar incidente. Os principais parâmetros físicos a ter em conta na avaliação do comportamento térmico e óptico dos vãos envidraçados são: o coeficiente de transmissão térmica U expresso pela equação (2.4), a transmitância τS solar (na gama da radiação solar) e visível τV (na gama da radiação visível) e o factor solar total g expresso pela equação (2.12). Na regulamentação térmica portuguesa (RCCTE, 2006) os requisitos mínimos de qualidade térmica dos vãos envidraçados com dispositivos de sombreamento são expressos em termos de factor solar total g (ver Anexo II). 66 Figura 2.10 Factor solar de um vão envidraçado com dispositivo de sombreamento incorporado no seu pano. (fonte: Moret et al., 2009) Estudo numérico 3 Estudo numérico Apesar de já existirem alguns modelos para a determinação das propriedades radiativas globais em sistemas sem dispositivo de sombreamento (Finlayson et al., 1998; ISO/DIS 15099, 2003; Wright, 1999; Edwards, 1977), são ainda muito escassos os modelos aplicados a sistemas com dispositivos de sombreamento (Gomes & Rodrigues, 2006; Gomes et al., 2008; Gomes, 2010; Wright & Kotey, 2006; Klems, 2001; ASHRAE, 2001). Por isso, este modelo numérico – recentemente desenvolvido no DECivil do IST no âmbito da Tese de Doutoramento em Engenharia Civil de Gomes (2010) – vem constituir uma mais-valia para os projectistas que, em fase de projecto, podem simular as diferentes soluções de sistemas envidraçados. Assim, pode ter-se uma melhor percepção e controlo sobre os fenómenos que ocorrem nos envidraçados, adequando-os às condições locais. Neste capítulo, será feita a descrição do programa do modelo numérico, na ótica do utilizador. São apresentados os dados necessários ao seu funcionamento, bem como a caracterização dos elementos selecionados para objecto deste estudo. Serão igualmente apresentadas as diversas simulações levadas a cabo, para a determinação das propriedades radiativas globais de diferentes sistemas envidraçados. Por último, será realizada a análise e discussão de resultados, no que diz respeito à influência da escolha dos vidros e dos dispositivos de sombreamento nas propriedades radiativas globais dos sistemas envidraçados. 67 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 3.1 Descrição do Modelo Numérico Este modelo numérico, apesar de ter sido desenvolvido para a modelação de um sistema de fachada de dupla pele – bastante complexo por depender de fenómenos diversos que se encontram interligados dinamicamente – permite, também, a modelação de sistemas mais simples. Foram considerados, neste programa, três modelos distintos mas que se interligam entre si: o modelo de transferência de calor, o modelo solar-óptico e o modelo de ventilação. O presente estudo centrou-se apenas no modelo solar-óptico (ver Anexo III). Este modelo numérico foi desenvolvido em linguagem Visual Basic 6, permitindo menus de interface com o utilizador bastante intuitivos. Assim, ao começar o programa, surge uma primeira janela (Janela_0) com o nome do programa e o nome do autor (Figura 3.1). Ao carregar no botão “Start” surge a Janela_1 de Definição do problema (Figura 3.2), em que são pedidos três tipos de Figura 3.1 Janela_0. Capa. Figura 3.2 Janela_1. Definição do problema. 68 Estudo numérico informação: os dados geométricos gerais do sistema, os dados climáticos – exteriores e interiores – e os dados do modelo de ventilação, que não será utilizado no presente estudo. Como dados geométricos (ver Área_A da Janela_1 na Figura 3.2) fornece-se: a altura (H) e a largura (W), que consistem, respectivamente, na altura total do vão e na espessura total do sistema; o número de divisões (slices), horizontais, que o programa vai ter em conta nos modelos de transferência de calor e de ventilação; o número de aberturas exteriores (nEx_op) que o sistema possa ter; o número de layers, entendidos como o número de panos, quer sejam de vidro ou de sombreamento, e a distância entre esses mesmos panos. A Área_C da Janela_1, representada na Figura 3.2, corresponde ao modelo ventilação, que não vai ser explicado por sair fora do âmbito deste trabalho. Descreve-se de seguida com maior pormenor, os elementos que são necessários introduzir para a presente análise. Na Área_A da Janela_1, ao seleccionar-se o número de layers, pode imediatamente ser definido o tipo de layer – vidro (Glass) com ou sem dispositivo de sombreamento (Shading Device). Quando se selecciona o vidro, este pode ser simples (Single Glazing) ou duplo (Double Glazing Unit). Se for simples, são solicitadas as propriedades radiativas do vidro que se pretende estudar (Figura 3.3), sendo estas a transmitância (τ) – que podem ser Figura 3.3 Janela_1.A.1. Propriedades radiativas do vidro simples. consideradas iguais para as duas faces , frontal e tardoz (τf = τb), pelo que na designação da transmitância os índices f e b são omitidos (Gomes, 2010) – e a reflectância (ρ) – da face frontal (f) e da face tardoz (b). Todas as propriedades têm de ser fornecidas para as componentes de radiação directa e difusa. De uma forma geral, parte da radiação directa, que incide nos elementos da fachada do 69 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar edifício, é transmitida directamente para o interior do espaço e outra transforma-se em difusa dando origem às componentes directa-directa e directa-difusa, respectivamente. A radiação difusa manter-se-á sempre difusa. Assim, fornecem-se a propriedades radiativas do elemento, para as componentes de radiação directa-directa (dir.,dir.) – respeitante a cada ângulo de incidência – da directa-difusa (dir.,dif.), da difusa-difusa solar (dif.,dif.,S) e da difusa-difusa infravermelha (dif.,dif.,IR). É-nos também solicitado o coeficiente de transmissão térmica ( ) e a espessura dos elementos. Importa também perceber que no caso do vidro, devido às suas características especulares, a radiação directa incidente nunca passa a ser difusa, depois de o atravessar, e por isso tanto a transmitância directa-difusa (τdir.,dif.) como a reflectância directadifusa (ρdir.,dif.) são automaticamente consideradas nulas e rasuradas. Pelo facto do vidro ser opaco à radiação infravermelha a transmitância difusa-difusa infravermelha (τdif.,dif.,IR) do vidro é também nula. Após todos os valores requisitados terem sido introduzidos, faz-se “OK” para que os valores sejam gravados e se possa continuar a introdução de dados. Figura 3.4 Janela_1.A.2. Vidro duplo (em cima); Janela_1.A.3. Propriedades radiativas de cada pano do vidro duplo (à esquerda). Se for selecionada a opção de vidro duplo, podem ser introduzidas as propriedades radiativas (Figura 3.4) de cada pano de vidro que compõem a unidade (Janela_1.A.2 e Janela_1.A.3) ou, em alternativa, introduzir as propriedades radiativas globais (Figura 3.5) da unidade de vidro duplo (Janela_1.A.2 e Janela_1.A.4). 70 Estudo numérico Para além das características dos panos de vidro também se tem de definir os dispositivos de sombreamento, sempre que estes estejam presentes. O programa permite acomodar dispositivos de sombreamento do tipo estore de lona (Roller Blind) ou estore veneziano (Venetian Blind). No caso do estore de lona, é necessário fornecer as propriedades radiativas específicas da lona (Figura 3.6), bem como o coeficiente de transmissão térmica ( ), a espessura e a altura do dispositivo. À semelhança do que acontece para os menus de introdução de dados dos vidros (da Janela_1.A.2 à Janela_1.A.4), nesta Janela_1.A.5 (Figura 3.6) também existem algumas propriedades rasuradas – as propriedades directa-directa. Importa referir que Figura 3.5 Janela_1.A.2. Vidro duplo (em cima); Janela_1.A.4. Propriedades radiativas globais da unidade de vidro duplo (em baixo). neste caso, ao contrário do que acontece nos panos de vidro, a quantidade de radiação directa incidente não se mantém directa mas transforma-se em difusa, devido às características predominantemente difusivas do dispositivo de sombreamento e, por isso, tanto a transmitância directa-directa (τdir.,dir.) como a reflectância directa-directa (ρdir.,dir.) do estore de lona, são nulas. Por outro lado, se o dispositivo de sombreamento for do tipo estore veneziano (Figura 3.7), a introdução de dados é um pouco mais elaborada, uma vez que o problema também é mais Figura 3.6 Janela_1.A.5. Estore de lona. complexo. De facto, as propriedades radiativas dos estores venezianos, ao contrário dos estores de lona que têm propriedades fixas, são variáveis segundo a geometria das lâminas e o ângulo de incidência da radiação solar, para além das propriedades radiativas das próprias lâminas. É importante referir que, o resultado que o programa gera nesta janela é de extrema utilidade, no que toca à simplificação de todo este problema. O programa, depois de possuir os dados geométricos e radiativos das lâminas e o ângulo de incidência do sol determina as propriedades radiativas globais do estore 71 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Figura 3.7 Janela_2. Estore veneziano. veneziano, podendo ser tratado na restante simulação como se fosse um outro qualquer elemento vertical, como o vidro ou a tela de rolo, simplificando grandemente a complexidade que um dispositivo de sombreamento deste tipo representa. Assim, é necessário introduzir na Área_D da Janela_2 (Figura 3.7) a geometria da lâmina do dispositivo (Slat´s Geometry), nomeadamente: a largura da lâmina (Lb); a distância entre lâminas (Db); o ângulo de inclinação da lâmina (α) e o ângulo de incidência da radiação solar (ф) (Figura 3.8). Na Área_E da Figura 3.7 introduzem-se as propriedades radiativas da lâmina. Note-se que não são fornecidas as propriedades radiativas directas-directas das lâminas, uma vez que se admite que estas têm propriedades puramente difusivas, ou seja, que toda a radiação directa que incide nas lâminas se transforma em radiação difusa. As propriedades εslat,f e εslat,b correspondem às emitâncias frontal e de tardoz das lâminas. À semelhança dos panos de vidro e do estore de lona também é necessário fornecer o coeficiente de transmissão térmica, 72 , a Figura 3.8 Esquema da lâmina do estore veneziano. (fonte: Gomes, 2010. Adaptado) Estudo numérico espessura do estore veneziano e a altura do dispositivo de sombreamento. As Área_F e Área_G da Figura 3.7, referem-se ao menu de cálculo das propriedades radiativas efetivas ou globais do estore. Na Área_F é calculada a transmitância directa-directa (τdir.,dir.) do estore veneziano que corresponde à fracção da radiação solar directa, que atravessa directamente o dispositivo sem interceptar as lâminas, e que é um problema meramente geométrico (Gomes, 2010; Gomes et al., 2012). Para que este cálculo seja efectuado, basta fazer “Solve” nesta Área_F e os valores da transmitância directa-directa do estore veneziano, necessários para a obtenção das propriedades radiativas efectivas do dispositivo de sombreamento, serão apresentadas nos respeptivos campos. A Área_G da Figura 3.7 diz respeito às transmitâncias, reflectâncias e absortâncias directa-difusa (τdir.,dif.; ρdir.,dif.; αdir.,dif.), difusa-difusa solar (τdif.,dif.; ρdif.,dif.; αdif.,dif.) e difusa-difusa infravermelha (τdif.,dif.,IR; ρdif.,dif.,IR; αdif.,dif.,IR). Estes valores são igualmente gerados pelo programa e, para serem obtidos tem ainda que se estabelecer o número de segmentos (“Slat division”) de discretização de cada lâmina a considerar no cálculo (Figura 3.9). Na presente análise foi sempre utilizada para a discretização de cada lâmina em cinco elemento iguais, de acordo com a norma Figura 3.9 Janela_2.G.1. lâmina. Segmentação da ISO 15099 (2003). O estudo da influência da discretização das lâminas no cálculo das propriedades radiativas de estores venezianos pode ser encontrado em Gomes et al. (2006) e em Gomes et al. (2012). Note-se que, sempre que finalizada a introdução dos dados requeridos, há que carregar sempre no botão “OK”, para que o programa guarde essa informação. Após se introduzir/calcular as propriedades de todos os panos envidraçados e dispositivos de sombreamento, sempre no sentido 73 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar do exterior para o interior, carregando no botão “Next”, pode-se obter as propriedades radiativas globais do sistema envidraçado, com ou sem dispositivo de sombreamento, carregando no botão “Solve AbsS” da Janela_1 (Figura 3.2). Neste momento, é solicitado automaticamente, que se guarde o ficheiro, gerado pelo programa, na pasta que se pretender (Figura 3.10), o qual pode ser posteriormente manipulado em EXCEL. A descrição detalhada do modelo solar-óptico subjacente ao programa, que se baseia no método da radiosidade, encontra-se em Gomes (2010). As propriedades radiativas dos estores venezianos, e de sistemas envidraçados com este tipo de estore, calculadas pelo programa de cálculo descrito, foram comparadas com resultados experimentais in-situ, respectivamente em Gomes et al. (2008) e Gomes et al. (2012). 74 Figura 3.10 Guardar o ficheiro. Estudo numérico 3.2 Casos de estudo No estudo das propriedades solar-ópticas globais de sistemas envidraçados, podem ser conjugadas diversas soluções, quer de vidro, quer de dispositivo de sombreamento. Tal como foi referido no Capitulo 2, existem hoje no mercado um vasto leque de soluções, com vidros simples ou múltiplos de diferentes tipos e dispositivos de sombreamento que podem ir desde elementos fixos integrantes do edifício – palas, arcadas, etc. – a dispositivos Figura 3.11 Vidro simples e vidro duplo. (fonte: autor) móveis, operáveis pelo utilizador – portadas, estores, toldos, entre outros. Para este ensaio serão admitidas apenas algumas dessas soluções. Assim, consideraram-se o vidro simples (S) e vidro duplo (D) (Figura 3.11), com espessuras de 6mm, incolor (CLR), colorido (bronze (BRZ); verde (GRN); cinza (GRY)), reflectivo (RFV) e de baixa emissividade (LE) (ver Anexo 4.1). No que diz respeito aos dispositivos de sombreamento consideraram-se estores do tipo lona (L) acrílica e do tipo veneziano (V) com lâminas em alumínio (Figura 3.12), ambos em cor clara e escura (Figura 3.13), cujas características se apresentam no Anexo 4.2. T Cor do dispositivo de sombreamento Lona Acrílica Lâmina de alumínio Branco (W) Cinzento (G) Branco (W) Antracite (A) Figura 3.13 Cores dos dispositivos de sombreamento utilizadas neste estudo. (fonte: Warema, 2011. Adaptado) Figura 3.12 Estore de lona (em cima); estore veneziano (em baixo). (fonte: foto de autor) Simularam-se, assim, 1166 casos distintos dos quais se resumem os sistemas envidraçados sem dispositivo de sombreamento para vidro simples e vidro duplo (ver Anexo 5.1); os sistemas envidraçados com dispositivo de sombreamento do tipo estore de 75 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar lona e estore veneziano, com as lâminas reguladas em três posições: 0°, 45°, 90° com a horizontal, sendo o ângulo de 90° correspondente à posição de lâminas completamente fechadas (ver Anexo 5.2 e 5.3). Para as diferentes combinações, o estudo considera ainda seis ângulos de incidência da radiação solar: 0°, 40°, 50°, 60°, 70° e 80°. O vidro reflectivo foi estudado com duas películas reflectivas diferentes – de aço inoxidável (SS) e titânio (TI) –, e o vidro baixo emissivo com a aplicação da película nas superfícies dois e três – com o primeiro pano de vidro incolor ou bronze, e o segundo pano de vidro incolor (pano interior). Neste estudo, foram simulados dois tipos de estore: estore de lona e estore veneziano. O estore do tipo lona é de tela acrílica e foram escolhidos um de cor clara e um de cor escura – em branco (W) e cinzento-escuro (G). No caso dos estores do tipo veneziano, as lâminas são de alumínio, igualmente em cores clara e escura – em branco (W) e antracite (A), respetivamente. Para cada simulação é necessário fornecer as propriedades isoladas de cada material que constitui o sistema envidraçado, quer seja do vidro, quer seja do dispositivo de sombreamento, mas especificamente da lona ou das lâminas do estore veneziano. A partir das propriedades isoladas de cada elemento, o programa consegue calcular as propriedades globais do sistema envidraçado. As propriedades dos diferentes vidros foram retiradas da ASHRAE (2001) – ver Anexo 1.1 – e dos dispositivos de sombreamento (lona e lâminas dos estores venezianos) da Warema (2011) – ver Anexo 1.2 e 1.3. As propriedades ópticas, tanto dos diferentes vidros como dos dispositivos de sombreamento, são apenas referentes à radiação de onda curta (radiação solar, ver em §2.1.3). Apesar de o presente estudo apenas incidir sobre as propriedades solarópticas, também são solicitadas pelo programa as propriedades 76 Estudo numérico radiativas de onda longa dos elementos. Uma vez que o vidro é considerado como opaco à radiação de onda longa, a transmitância difusa-difusa infravermelha é nula, .A emissividade do vidro foi considerada igual a para vidro simples incolor e para vidro baixo-emissivo. Neste trabalho e a título de exemplo, é considerado o estore do tipo lona Type 470 da WAREMA (2011) (ver Anexo 4.2) de onde se puderam extrapolar algumas das distâncias, referentes ao seu posicionamento em relação ao envidraçado, necessárias para a simulação numérica, sendo a espessura da lona de . Relativamente à geometria do estore do tipo veneziano, foi considerado um E80 AF da WAREMA (2011) (ver em Anexo 4.2), com a largura da lâmina de lâminas de , o espaçamento entre e a espessura da lâmina de (Figura 3.8). Os coeficientes de transmissão térmica dos diferentes elementos foram calculados segundo a expressão (2.4), consultando os elementos da ASHRAE (2001), Saint Gobain (2000) e Warema (2011). Os restantes dados não influenciam a análise solar-óptica desenvolvida neste trabalho. 3.3 Análise e discussão de resultados Numa primeira fase foram simulados, com base na tabela da ASHRAE (2001), os diferentes tipos de vidro simples disponíveis (ver Anexo 4.1). Esta primeira simulação é efectuada sem os dispositivos de sombreamento para que, numa fase posterior, se possam comparar os diferentes resultados entre o envidraçado sem dispositivo e o envidraçado com dispositivo de sombreamento (do tipo lona e do tipo veneziano). 77 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Esta análise comparativa foi efetuada para diferentes ângulos de incidência da radiação solar, pois as propriedades ópticas do vidro variam com esse ângulo (ASHRAE, 2001). Nesta análise tem-se em consideração, a parcela de radiação incidente directa, que depois de atravessar o sistema envidraçado, se mantém directa (dir.,dir.) e que se torna difusa (dir.,dif.) e, também, a parcela de radiação incidente difusa, que se mantém difusa (dif.,dif.). Para este estudo foram considerados dois tipos de estore – estore de lona e estore veneziano –, em três posições possíveis de colocação – no exterior, no espaço de ar intermédio e no interior (Figura 3.14 e 3.15). A A 78 B B C C D D E Figura 3.14 Esquemas do estore do tipo lona: exterior (A) e interior (B) em vidro simples; exterior (C), intermédio (D) e interior (E) em vidro duplo. (fonte: Santos, 2007. Adaptado) E Figura 3.15 Esquemas do estore do tipo veneziano: exterior (A) e interior (B) em vidro simples; exterior (C), intermédio (D) e interior (E) e em vidro duplo. (fonte: Santos, 2007. Adaptado) Estudo numérico 3.3.1 Vidro simples sem dispositivo de sombreamento O caso mais simples a ser testado neste trabalho corresponde ao sistema de vidro simples sem dispositivo de sombreamento. Foram simulados seis tipos de vidro simples: i) incolor (CLR); ii) colorido bronze (BRZ); iii) colorido verde (GRN); iv) colorido cinzento (GRY); v) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS); vi) reflectivo com película de titânio (RFVTI). Na Figura 3.16 ilustra-se a variação das propriedades da radiação directa-directa e difusa-difusa do vidro simples incolor, bronze, verde, cinzento e reflectivo, para vários ângulos de incidência da radiação solar: 0°, 40°, 50°, 60°, 70° e 80°. À medida que o ângulo de incidência do sol aumenta, as propriedades da radiação solar directa-directa de transmitância, reflectância e absortância, vão assumindo comportamentos distintos. Embora a variação das propriedades ópticas do vidro seja muito reduzida para os ângulos de incidência no intervalo de 0° e 40° (ver em §2.7), para ângulos de incidência superiores a 40° é bastante visível que, quanto maior é o ângulo de incidência, menor é o valor da transmitância e maior é o valor da reflectância (Figura 3.16). Atendendo a que a soma das propriedades radiativas transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) é unitária (equação (2.7)), espera-se que à medida que uma das propriedades aumenta, pelo menos uma (ou as duas outras) tenda a diminuir, e vice-versa. O vidro simples incolor acaba por, a partir de um ângulo de incidência próximo dos 80°, conseguir que uma maior percentagem da radiação incidente seja reflectida para o exterior do que transmitida para o ambiente interior. Em relação às propriedades da radiação solar difusa-difusa, tanto a transmitância como a reflectância e a absortância, são constantes para os diferentes ângulos de incidência, independentemente do tipo de vidro. Este facto já era esperado, uma vez que a radiação difusa não tem um direcção preferencial 79 1 1 0,8 0,8 (dif.-dif.) (dir.-dir.) SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 Ângulo de incidência (°) CLR_τ CLR_ρ 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR_α CLR_τ CLR_ρ CLR_α 1 1 0,8 0,8 (dif.-dif.) (dir.-dir.) a) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) BRZ_τ BRZ_ρ BRZ_α BRZ_τ BRZ_ρ BRZ_α GRN_τ GRN_ρ GRN_α GRN_τ GRN_ρ GRN_α GRY_τ GRY_ρ GRY_α GRY_τ GRY_ρ GRY_α 1 1 0,8 0,8 (dif.-dif.) (dir.-dir.) b) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 Ângulo de incidência (°) 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) RFVTI_τ RFVTI_ρ RFVTI_α RFVTI_τ RFVTI_ρ RFTI_α RFVSS_τ RFVSS_ρ RFVSS_α RFVSS_τ RFVSS_ρ RFSS_α c) Figura 3.16 Propriedades da radiação directa-directa (dir.-dir) e difusa-difusa (dif.-dif.), do vidro simples incolor a), bronze, verde, cinzento b), reflectivo com película de aço inoxidável e reflectivo com película de titânio c), para vários ângulos de incidência do sol. 80 Estudo numérico (Figura 3.17). Para além disso, verificou-se que os valores das propriedades difusa-difusa são praticamente coincidentes com os valores das propriedades directa-directa para o ângulo de 60°, tal como referido no Capítulo 2 (Gomes, 2010; Moret et al., 2009). A capacidade do vidro simples incolor absorver a radiação solar, quer directa quer difusa, é reduzida, e os valores de absortância directa e difusa são muito próximos e invariantes com o ângulo de incidência do sol. Figura 3.17 Radiação difusa. Sem direcção preferencial. (fonte: autor) O motivo pelo qual as propriedades da radiação directa-difusa é inexistente, deve-se ao facto do vidro ter características especulares (Figura 3.18). A radiação que incide de forma directa é transmitida e reflectida de forma directa, e a radiação que incide de forma difusa é transmitida e reflectida como difusa. Este facto é verificado para todos os tipos de vidro e, logo, para todos os sistemas envidraçados, sem dispositivo de sombreamento. raio incidente raio incidente raio reflectido raios reflectidos a) b) Figura 3.18 Reflexão nas superfícies: especular; b) difusa. (fonte: Gomes, 2010) a) Como se observou na Figura 3.16 b), para o caso dos vidros simples coloridos – em bronze, em verde e em cinzento – a diferença entre resultados é pouco significativa. Contudo, em comparação com o vidro simples incolor, a variação entre as propriedades solar-ópticas são claras. As propriedades directa-directa de transmitância e de reflectância dos vidros coloridos têm um comportamento semelhante ao que é verificado no vidro incolor – à medida que o ângulo de 81 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar incidência aumenta, a transmitância diminui e a reflectância aumenta. Contudo, os valores de transmitância e reflectância dos vidros coloridos são, em geral, mais baixos devido ao facto do vidro colorido, mais escuro que o vidro incolor, ser menos transparente que o vidro incolor. Assim, o vidro colorido impedindo que a radiação solar atravesse o pano do vidro, em maior quantidade do que o vidro incolor, acaba por absorve-la, o que justifica os valores bastante superiores da absortância. Também nas propriedades solar-ópticas difusa-difusas, que não são influenciadas pela variação angular da radiação (ver em §2.5), verifica-se que a absortância dos vidros coloridos é maior do que a do vidro incolor, tomando inclusivamente valores superiores à transmitância e à reflectância do respectivo vidro colorido. O comportamento de um vidro simples reflectivo face à radiação solar e à sua variação angular, é diferente dos casos anteriores. Tal como referido no §1.2.2.1, o vidro reflectivo – com película de controlo solar – diminui a quantidade de radiação solar que atravessa o pano de vidro para o espaço interior, pois tem por objectivo impedir por reflexão a entrada da radiação solar. Logo, e como era de esperar, a transmitância directa-directa e difusadifusa do vidro reflectivo é consideravelmente inferior à dos vidros incolores e coloridos. Após se perceber como se relacionam as propriedades isoladas do envidraçado, importa agora estimar as propriedades globais do mesmo. As propriedades globais dos vidros dependem, naturalmente, das propriedades directa-directa e difusa-difusa do vidro e da radiação directa e difusa incidente. Tomando, como exemplo, a transmitância do sistema, pode determinar-se o total da energia transmitida para o interior, 82 Estudo numérico Eodir. dir. Tdir.,dir. x Eodir. Eodif. dif. Tdir.,dif. x Eodif. Figura 3.19 Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro. (fonte: autor) atravessando o pano do vidro (Figura 3.19) do seguinte modo (Gomes, 2010): ( ) (3.1) onde: – energia total transmitida para o interior; – transmitância directa-directa; – transmitância difusa-difusa; – radiação incidente directa; – radiação incidente difusa. A fim de se obter a transmitância global total do sistema, tem-se: (3.2) Apesar da radiação solar incidente no plano do envidraçado e de cada uma das suas componentes – directa e difusa – ser dependente das condições climatéricas (céu limpo ou enublado, hora do dia e dia do ano), assim como da orientação do envidraçado, neste trabalho, a radiação directa e difusa incidente foram consideradas como unitárias (Eodir. = Eodif. = 1). A Figura 3.19 resultou da aplicação da equação (3.1) para a transmitância e da sua extrapolação para as propriedades da 83 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar reflectância e da absortância. A Figura 3.20 ilustra a variação das propriedades globais da radiação solar do vidro simples incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e com película de titânio (RFVTI), para vários ângulos de incidência da radiação solar: 0°, 40°, 50°, 60°, 70° e 80°. Observando a Figura 3.20 facilmente se constata que o vidro incolor apresenta, de longe, valores de transmitância mais elevada – cerca do dobro do vidro colorido, e o quadruplo dos vidros 1 1 0,8 0,8 ρ (global) τ (global) reflectivos. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 Ângulo de incidência (°) 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ GRN CLR BRZ GRN GRY RFVSS RFVTI GRY RFVSS RFVTI 1 α (global) 0,8 0,6 0,4 0,2 0 0 10 20 30 40 50 60 Ângulo de incidência (°) 84 CLR BRZ GRN GRY RFVSS RFVTI 70 80 Figura 3.20 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do vidro simples incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI), para vários ângulos de incidência. Estudo numérico Tendo em conta os valores para cada ângulo de incidência, os vidros reflectivos são evidentemente mais eficazes em impedir a entrada de radiação solar para o ambiente interior do que os vidros incolores e coloridos. Contudo, pode-se correr o risco de impedir de tal forma a admissão de calor e de luz para o espaço interior que leve ao aumento dos consumos energéticos de Inverno com os sistemas de climatização e iluminação artificial. 3.3.2 Vidro duplo sem dispositivo de sombreamento Com a combinação de dois panos de vidro com caixa-de-ar intermédia – sistema de vidro duplo – as propriedades térmicas são melhoradas (especialmente devido à resistência térmica adicional da caixa de ar) e as propriedades solar-ópticas são dependentes dos tipos de vidro utilizados. Para potenciar melhor as propriedades dos sistemas envidraçados, normalmente o pano de vidro interior é incolor e o exterior pode ser tanto incolor, como colorido ou reflectivo. Relativamente aos vidros baixoemissivos a película baixo-emissiva pode ser aplicada em ambos os panos envidraçados (interior ou exterior) sempre nas faces que dão para o interior da cavidade de ar (ver em §1.2.2.1) por razões de durabilidade. Estes vidros foram apenas simulados na presença dos dispositivos de sombreamento. Na Figura 3.21 apresentam-se as propriedades solar-ópticas directa-directa e difusa-difusa para diferentes vidros duplos. Os valores destas propriedades calculadas pelo modelo numérico descrito em §3.2 foram comparados com os valores indicados em ASHRAE (2001) mostrando, em geral, uma boa concordância. Facilmente se observa que o simples facto de estarmos na presença de um vidro duplo, mesmo que este seja constituído por dois panos de vidro incolor, melhora o seu desempenho. 85 1 1 0,8 0,8 τ (dif.dif.) τ (dir.-dir.) SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 30 40 50 60 70 CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 80 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR 1 1 0,8 0,8 α (dif.dif.) α (dir.-dir.) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (dif.dif.) ρ (dir.-dir.) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR Figura 3.21 Propriedades de radiação directa-directa (dir.-dir.) e difusa-difusa (dif.-dif.), do vidro duplo com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI) e com o pano interior incolor (CLR), para vários ângulos de incidência do sol. 86 Estudo numérico Uma vez que, tal como referido anteriormente, as propriedades solar-ópticas do vidro – transmitância, reflectância e absortância – são directamente proporcionais, continuam a ter um comportamento semelhante ao vidro simples face ao aumento do ângulo de incidência da radiação solar. Desta forma, à medida que o ângulo de incidência aumenta, a transmitância diminui e a reflectância aumenta. Sendo o vidro um material especular, à semelhança do que acontece com o vidro simples, a transmitância e a reflectância directa-difusa do vidro duplo continuam a ser nulas. Toda a radiação que incide directamente é transmitida directamente, e a difusa é transmitida como difusa, para todas as soluções de vidro duplo. A transmitância do vidro duplo é mais reduzida do que a do vidro simples, na medida em que o vidro duplo transmite menos radiação para o espaço interior. Assim, era de esperar que a quantidade de radiação reflectida para o espaço exterior pelo vidro duplo fosse mais elevada – com a radiação incidente a ser reflectida em dois panos envidraçados e fortemente condicionada pela reflectância do pano exterior. Contudo, essa diferença não é relevante. O que significa que o sistema de vidro duplo, em geral, absorve mais radiação, transmitindo-a posteriormente para o espaço interior, por fenómenos de convecção e radiação de onda longa. Tal como acontece no vidro simples, os vidros duplos coloridos – vidro bronze, verde e cinzento no pano exterior, e simples no pano interior – a reflectância varia com o ângulo de incidência de forma semelhante. A transmitância, por seu termo, apresenta uma redução de quase 20%, relativamente aos vidros simples coloridos. A transmitância sofre uma redução progressiva, consoante o aumento do número de panos do sistema envidraçado. 87 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar A coloração do vidro (na massa) acaba por funcionar como que um “filtro” à passagem da radiação solar. Percebe-se que, em caso de impossibilidade do uso de vidro reflectivo ou de outro tipo de filtro - por motivos monetários ou outros - a escolha de um vidro colorido em vez de um incolor, possa melhorar as condições do ambiente interior. Todavia, o facto do vidro colorido absorver mais radiação solar do que o vidro incolor, pode fazer aumentar a temperatura no interior do espaço. Já no caso dos vidros reflectivos, embora os vidros duplos transmitam ligeiramente menos radiação, reflectem exatamente a mesma quantidade de radiação que um vidro simples. Este facto deve-se exclusivamente à presença da película de controlo solar no vidro exterior. A Figura 3.22 apresenta as propriedades radiativas globais do vidro duplo, que foram calculadas de forma semelhante às do vidro simples (equação (3.2)). Por um lado, em termos de absortância, o vidro duplo acaba por assumir um pior comportamento, comparativamente com o vidro simples. A absortância do vidro duplo incolor aumenta para o dobro da do vidro simples incolor, e a absortância dos vidros duplos coloridos também sofre um aumento relativamente ao vidro simples coloridos, apesar de já não ser tão notória como no vidro simples incolor (ver Figura 3.20 e 3.22). Uma vez que o vidro colorido exterior assume uma função de “filtro solar”, vê a sua capacidade de transmitir a radiação solar para o 2º pano, reduzida. Como consequência, em geral, a transmitância dos vidros duplos, com o pano exterior colorido, é inferior à dos vidros simples coloridos. 88 1 1 0,8 0,8 ρ (global) τ (global) Estudo numérico 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR 1 α (global) 0,8 0,6 0,4 0,2 0 0 10 20 30 40 50 60 70 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR GRN-CLR GRY-CLR RFVSS-CLR RFVTI-CLR 80 Figura 3.22 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do vidro duplo com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), verde (GRN), cinzento (GRY), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI) e com o pano interior incolor (CLR), para vários ângulos de incidência do sol. Ao contrário do vidro duplo incolor e dos vidros duplos coloridos, o vidro duplo reflectivo com película de controlo solar, acaba por apresentar diferenças insignificantes relativamente ao vidro simples com película de controlo solar pois, se esta se encontra no pano exterior, a radiação solar é reflectida para o exterior logo no início do seu percurso através do sistema envidraçado, e a quantidade de radiação que ainda consegue atingir o pano interior é já bastante reduzida. De uma forma geral, relativamente às propriedades solar-ópticas dos vãos envidraçados, quase se poderia afirmar que seria desnecessária a implementação de vidros duplos em detrimento dos vidros simples. Contudo, a duplicação do número de panos de 89 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar vidro, com caixa-de-ar intermédia, diminui o coeficiente de transmissão térmica, , pelo que a torna uma solução recomendável. 3.3.3 Sistema envidraçado com dispositivo de sombreamento do tipo estore de lona Após o estudo das propriedades solar-ópticas do vidro simples – incolor, bronze, verde, cinzento, reflectivo com película de controlo solar em aço inoxidável e em titânio – e do vidro duplo – com o pano exterior incolor, bronze, verde, cinzento, reflectivo de controlo solar com película em aço inoxidável e em titânio, incolor e bronze de baixa emissividade, e o pano interior incolor – seguese a análise do sistema envidraçado com o dispositivo de sombreamento do tipo lona. O cálculo das propriedades radiativas globais deste sistema, constituído por um pano de vidro e outro com um estore de lona, é realizado de modo semelhante ao do vidro duplo, sem dispositivo de sombreamento. De facto, a layer do estore de lona é, para efeitos deste estudo, considerado como um pano adicional, como se de um outro pano de vidro se tratasse, apesar de ter, naturalmente, propriedades radiativas bastante diferentes. Em primeiro lugar, as telas dos estores são bastante mais opacas, variando o grau de opacidade de acordo com a dimensão da malha dos tecidos que as constituem. Em segundo lugar, e o que torna consideravelmente mais complexa a análise, é o facto do dispositivo de sombreamento introduzir uma parcela de radiação incidente directa que passa a ser difusa depois de atravessar o dispositivo de sombreamento, que é inexistente no caso dos sistemas envidraçados sem dispositivo de sombreamento. 90 Estudo numérico Eo Tdir.,dir. x Eodir. dir. dir. dif. Tdir.,dif. x Eodir. Eodif. dif. Tdif.,dif. x Eodif. Figura 3.23 Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro e o estore do tipo lona. (fonte: autor) Tomando como exemplo a transmitância do sistema, pode-se expressar o total da energia transmitida para o interior, que atravessa o pano de vidro e posteriormente o estore de lona (Figura 3.23) é expresso do seguinte modo (Gomes, 2010): ( ) (3.3) onde: – energia total transmitida para o interior; – transmitância directa-directa; – transmitância directa-difusa; – transmitância difusa-difusa; – radiação incidente directa; – radiação incidente difusa. A fim de se obter a transmitância global total do sistema, aplica-se novamente a equação (3.2): 3.3.3.1 Vidro simples com estore de lona Uma vez que, pelas Figuras 3.20 e 3.22, se constatou que as propriedades radiativas dos diferentes tipos de vidros coloridos 91 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar são bastante próximas, assim como os dois tipos de vidro reflectivo, serão apenas considerados o vidro colorido bronze e o vidro reflectivo com película de controlo solar em aço inoxidável, para além do vidro incolor, com o estore de lona posicionado pelo interior e pelo exterior do vão envidraçado. A transmitância global total do sistema pode ser determinada pelas equações (2.2) e (2.3), à semelhança dos vãos envidraçados sem dispositivo de sombreamento, sendo função da propriedade da transmitância directa-directa, directa-difusa e difusa-difusa do sistema envidraçado e das parcelas de radiação directa e difusa incidente. Esta relação também se verifica para as parcelas da reflectância e da absortância, considerando , para vários ângulos de incidência da radiação solar: 0°, 40°, 50°, 60°, 70° e 80°. Foram considerados estores de lona de cor branca (W) e cinzenta (G) em duas posições distintas, relativamente ao pano do envidraçado: pelo exterior e pelo interior do vidro simples. A partir deste ponto do trabalho, todos os gráficos apresentados têm como base de comparação os resultados mais simples de sistemas envidraçados sem dispositivo de sombreamento. A colocação de um dispositivo de sombreamento num vão envidraçado melhora consideravelmente as características do sistema – como um todo – considerando o estore 100% activo. Contudo, o seu posicionamento relativo e a cor, juntamente com cada tipo de vidro, mostram desempenhos distintos. De um modo geral, para o vidro simples incolor com a lona posicionada pelo interior do vão, a transmitância apresenta valores próximos aos do vidro simples incolor com a lona posicionada no exterior. Contudo, quando esta se encontra no interior, a transmitância apresenta uma redução, ainda que pequena, com o ângulo de incidência da radiação solar, ao contrário do que se verifica no caso do estore posicionado pelo 92 Estudo numérico exterior, em que a transmitância é invariante com o ângulo de incidência do sol. Isto deve-se ao facto do estore exterior bloquear grande parte da radiação incidente fazendo com que a parcela de radiação que atravessa o vidro (com propriedades variáveis com o ângulo de incidência do sol) seja já bastante reduzida (ver Anexo 6.1 e 6.2). Em termos de reflectância, verifica-se que o sistema com o estore de lona posicionado pelo exterior é mais eficaz, porque apresenta valores de reflectância superiores ao do estore posicionado pelo interior, para além dos valores serem constantes com o ângulo de incidência da radiação solar e idênticos para os diferentes dos tipos de vidro. A grande diferença presente nesta solução com o estore pelo interior é a influência exercida pela cor do dispositivo de sombreamento. As cores escuras podem, por um lado, impedir mais eficazmente a transmissão da radiação directamente para o interior do espaço mas por outro, a reflexão vai dar-se em menor quantidade e a absorção será claramente superior, o que conduz à posterior libertação de calor por convecção para o espaço, principalmente se o estore se encontrar pelo interior, 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) aumentando assim os ganhos solares (Figura 3.24). 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_G BRZ_G RFVSS_G G_CLR G_BRZ G_RFVSS a) b) Figura 3.24 Absortância (α) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore de lona acrílica cinzenta (G) posicionado pelo interior a) e pelo exterior b), em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 93 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Embora um sistema envidraçado com estore de lona de cor escura consinta uma transmitância da radiação solar para o interior do espaço menor do que um sistema envidraçado sem dispositivo de sombreamento, o estore de cor clara poderá ser considerado de melhor desempenho, pois a posterior readmissão da radiação de onda longa no interior do espaço é inferior. 3.3.3.2 Vidro duplo com estore de lona Comparativamente com o sistema envidraçado de vidro simples com o estore de lona colocado pelo interior ou pelo exterior do espaço, o sistema de vidro duplo com o estore de lona colocado pelo interior ou pelo exterior não apresenta alterações de maior, o que demonstra o efeito determinante que o estore de lona tem nas propriedades solar-ópticas dos sistemas envidraçados. São, até, bastante idênticos os valores das diferentes propriedades e respectiva variação com o ângulo de incidência do sol. Ou seja, o comportamento de um sistema de vidro simples ou de um sistema de vidro duplo, agregado ao estore de lona, seja a sua posição relativamente ao envidraçado, pelo interior ou pelo exterior, é praticamente o mesmo. Com o estore pelo exterior, o sistema assume as propriedades da lona, independentemente do tipo de vidro ou solução do envidraçado (ver Anexo 6.4). Para os casos de envidraçado de vidro duplo com o estore de lona posicionado entre panos de vidro, apesar de se terem feito simulações apenas para os ângulos de 0°, 60° e 80°, e uma vez que os valores das propriedades radiativas para ângulos de incidência do sol inferiores a 40° são iguais aos valores para o ângulo de incidência de 0°, os valores para os ângulos de incidência do sol de 94 Estudo numérico 50° e 70° foram considerados como o valor médio entre os 40° e 60° e entre 60° e 80°, respectivamente. Pela observação da Figura 3.25, percebe-se que com ambas as cores – branca e cinzenta – os resultados obtidos desta solução (com estore intersticial) estão muito próximos à solução do vidro duplo com dispositivo de sombreamento pelo interior. Os sistemas envidraçados com os três tipos de vidro baixo emissivo, acabam por ter um comportamento diferente, quando a do dispositivo é branca ou cinzenta. Contudo, 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) cor 0,6 0,4 0,2 o 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZCLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_W BRZ-CLR_W RFVSS-CLR_W CLR-CLR_G BRZ-CLR_G RFVSS-CLR_G LECLRS2_W LECLRS3_W LEBRZS3_W LECLRS2_G LECLRS3_G LEBRZS3_G 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) a) 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_W_CLR BRZ_W_CLR RFVSS_W_CLR CLR_G_CLR BRZ_G_CLR RFVSS_G_CLR b) Figura 3.25 Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo interior a) e entre panos de vidro b), em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 95 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar comportamento é semelhante aos restantes tipos de vidro (Figura 3.25). 3.3.4 Sistema envidraçado com estore veneziano O conhecimento das propriedades radiativas dos estores venezianos permite que estes sejam tratados de forma idêntica à dos panos envidraçados, facilitando bastante o estudo de sistemas envidraçados complexos que envolvam este tipo de dispositivo de sombreamento (Gomes, 2010). Na verdade, ao contrário dos estores de lona, os estores venezianos apresentam-se como um dispositivo muito mais versátil no controlo dos ganhos solares pelos envidraçados, na medida em que, a menos que sejam fixos, permitem uma rotação da lâminas e desta forma um melhor ajustamento às diferentes condições solares ao longo do dia. No entanto, esta versatilidade da posição das lâminas acarreta a alteração das suas propriedades radiativas e, consequentemente a complexidade do seu cálculo. Assim como acontece no sistema envidraçado com dispositivo de sombreamento de lona, a radiação solar incidente tem uma componente de radiação directa e outra difusa. No entanto, a forma como estas componentes de radiação são transmitidas através dos estores de lona e dos estores venezianos é consideravelmente diferente. A radiação directa, ao atravessar o estore de lona, transforma-se totalmente em difusa e a radiação difusa manter-se-á obviamente difusa. Na presença de um estore veneziano, só uma parte da radiação solar directa se mantém directa – não chegando a interceptar as lâminas do estore – e a restante passa indirectamente pelo dispositivo na forma de radiação difusa, quer por reflexão entre as lâminas do estore, quer por transmissão através das lâminas 96 Estudo numérico Eo dir. dir. dif. Tdir.,dir. x Eodir. T dir.,dif. x Eodir. Eodif. dif. T dif.,dif. x Eodif. Figura 3.26 Parcelas da radiação incidente que atravessam o pano do vidro e o estore do tipo veneziano. (fonte: autor) quando estas não são opacas. A radiação solar incidente difusa passa através do estore veneziano na forma difusa (Figura 3.26). Como rapidamente se deduz, as propriedades solar-ópticas do estore veneziano são não só função das propriedades solarópticas das lâminas do estore mas também da geometria – largura da lâmina, distância entre lâminas e o ângulo da lâmina – e do ângulo de incidência do sol. A descrição detalhada do cálculo das propriedades solar-ópticas do estore veneziano podem ser encontradas em Gomes (2010) e Gomes et al. (2012). Após se determinarem as propriedades solar-ópticas do estore veneziano, este pode ser considerado no cálculo das propriedades solar-ópticas do sistema envidraçado como se de um pano individual se tratasse. As propriedades globais do sistema (vidro simples em conjunto com o estore veneziano) continuam a ser calculadas pelas expressões (3.2) e (3.3). Como já referido, as simulações com o dispositivo de sombreamento do tipo veneziano, consideram, para além dos diferentes tipos de vidro, a cor, a posição do estore, o ângulo de incidência da radiação solar e o ângulo das lâminas do estore veneziano. No âmbito deste trabalho, foram adoptados para a presente análise estores com lâminas horizontais com ângulos de inclinação de 0°, 45° e 90°, em que o ângulo de 90° corresponde à situação de estore totalmente fechado. 97 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 3.3.4.1 Estore veneziano com lâminas a 0° Para o dispositivo de sombreamento do tipo veneziano, com lâminas a 0° (na posição horizontal), quanto mais baixa for a altura do sol (menor o ângulo de incidência da radiação solar) maior será a quantidade de radiação que será transmitida para espaço interior, sem que intercepte as lâminas do estore (Figura 3.27). Por outro lado, quanto maior for este ângulo, maior é o número de reflexões entre as lâminas adjacentes, até que a radiação chegue por fim ao interior do edifício. Assim, para maiores ângulos de incidência do sol, existe uma maior absortância da radiação solar pelas lâminas e uma menor transmissão de radiação directa para o espaço interior, ganhando a radiação difusa uma maior expressão, como se mostra na Figura 3.28 para o caso de vidro simples com o estore veneziano colocado pelo exterior, com a lâmina branca. De um modo geral, o comportamento dos sistemas envidraçados à radiação solar, com vidro simples e duplo, com o estore veneziano a 0° de regulação da lâmina, é muito idêntico entre si. As transmitâncias do sistema de vidro simples são ligeiramente superiores, pois o vidro duplo oferece maior resistência térmica que o vidro simples. A transmitância do sistema envidraçado com estore veneziano toma valores inferiores, comparativamente aos do vidro simples ou do vidro duplo sem dispositivo de sombreamento. Verifica-se que a transmitância com estore veneziano é bastante mais elevada quando a incidência da radiação solar é perpendicular ao plano da fachada do edifício do que para os restantes ângulos de incidência do sol (Figura 3.27 e 3.28), tomando o valor de transmitância do vidro. Observa-se, também, que a transmitância é menor para os vidros reflectivos, qualquer que seja o posicionamento do estore – pelo interior, pelo exterior ou entre panos de vidro. Nestes casos, como consequência da baixa 98 Figura 3.27 Esquema da relação da rotação da lâmina a 0° com a variação angular da radiação incidente. (fonte: autor) 1 1 0,8 0,8 τ (dif.-dif.) τ (dir.-dir.) Estudo numérico 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 40 50 60 70 CLR_0W BRZ_0W CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W RFVTI_0W RFVSS_0W RFVTI_0W 1 1 0,8 0,8 ρ (dif.-dif.) ρ (dir.-dir.) 30 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 50 60 70 CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W RFVTI_0W RFVSS_0W RFVTI_0W 0,8 0,8 0,6 0,4 0,4 0,2 0 0 30 40 50 60 Ângulo de incidência (°) 80 0,6 0,2 20 40 BRZ_0W 1 10 30 CLR_0W 1 0 20 Ângulo de incidência (°) α (dif.-dif.) α (dir.-dir.) 20 70 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR_0W BRZ_0W CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W RFVTI_0W RFVSS_0W RFVTI_0W Figura 3.28 Propriedades da radiação directa-directa (dir.-dir.) e difusa-difusa (dif.-dif.), do vidro simples incolor (CLR)), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS) e reflectivo com película de titânio (RFVTI), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 99 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar transmitância, a absortância toma valores mais elevados. O posicionamento do estore relativamente ao plano do envidraçado confere maior ou menor capacidade de reflectir a radiação solar. Tal como era esperado, é com o estore posicionado pelo exterior que, em termos globais, a variação da reflectância com o ângulo de incidência do sol é menor (Figura 3.29) (ver em Anexo 6.7 e 6.9). No que diz respeito às características da lâmina, em particular à sua cor, verifica-se que a capacidade reflectora dos estores com 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) cor antracite (mesmo com a lâmina a 0°) é menor do que os de 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 0W_CLR 0W_BRZ 0W_RFVSS 0A_CLR 0A_BRZ 0A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) a) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 0W_BRZ-CLR 0W_LECLRS2 0W_LEBRZS3 BRZ-CLR 0W_CLR-CLR 0W_RFVSS-CLR 0W_LECLRS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR 0A_CLR-CLR 0A_BZR-CLR 0A_RFVSS-CLR 0A_LECLRS2 0A_LECLRS3 0A_LEBRZS3 b) Figura 3.29 Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples a), com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), e do sistema envidraçado duplo b), com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema envidraçado, para vários ângulos de incidência do sol. 100 Estudo numérico cor branca. Assim, é com os estores escuros que a absortância é, consideravelmente, superior à solução com a cor clara, principalmente se posicionado pelo interior (ver Anexo 6.6 e 6.8). A presença do estore veneziano entre os panos de vidro, de um modo geral, equipara-se à solução de vidro duplo com o dispositivo de sombreamento pelo interior, relativamente às propriedades solar-ópticas (ver Anexo 6.10). No entanto, a radiação solar absorvida pelo estore posicionado pelo interior será libertada para o ambiente interior, podendo originar situações de sobreaquecimento (através de fenómenos de convecção e radiação de onda longa), ao passo que, com o estore posicionado entre panos de vidro, esse fenómeno é minorado. Assim, a última solução poderá ser mais vantajosa. 3.3.4.2 Estore veneziano com lâminas a 45° O dispositivo de sombreamento do tipo veneziano, com as lâminas a 45° (Figura 3.30), vai ter uma abertura entre as lâminas adjacentes inferior à situação de lâminas a 0°. Assim espera-se que uma menor quantidade de radiação incidente directa consiga chegar ainda na forma de radiação directa ao interior do espaço, sendo grande parte (ou na totalidade) interceptada pelas lâminas tornando-se difusa. De facto, quanto mais alto está o sol (maior o ângulo de incidência da radiação solar), maior é a componente de transmitância difusa. Figura 3.30 Esquema da relação da rotação da lâmina a 45° com a variação angular da radiação incidente. (fonte: autor) Embora os resultados obtidos, comparados com os casos de sistemas envidraçados sem dispositivo de sombreamento, tenham um comportamento semelhante ao descrito para uma rotação das lâminas a 0° – transmitâncias inferiores, reflectâncias semelhantes e absortâncias superiores –, não se pode efectuar uma análise tão generalista no que toca ao posicionamento do dispositivo de 101 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar sombreamento, em particular para os casos com sistema de vidro simples. No caso dos envidraçados simples com o estore veneziano a 45°, tal como era espectável, a redução da transmitância com o ângulo de incidência do sol é menor do que com as lâminas a 0°, tanto posicionado pelo interior com pelo exterior. Para o estore com lâminas a 45°, o posicionamento do estore, assim como a cor da lâmina, já imprime diferenças de maior consideração. Com o sistema de vidro simples com o estore 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) veneziano colocado pelo interior (ver Anexo 6.13), os resultados 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_45W BRZ_45W RFVSS_45W CLR_45A BRZ_45A RFVSS_45A 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) a) 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 45W_CLR 45W_BRZ 45W_RFVSS 45A_CLR 45A_BRZ 45A_RFVSS b) Figura 3.31 Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo interior a) e pelo exterior b), em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 102 Estudo numérico da reflectância são relativamente semelhantes para a cor branca ou para a cor antracite. Com o estore pelo exterior já é notória a maior absortância e a menor reflectância nos sistemas envidraçados com estore veneziano a 45°, colocado pelo exterior e de cor antracite, em comparação com os de cor branca (ver Anexo 6.14). Se posicionado pelo exterior esta situação, já de si menos má, torna-se ainda melhor pois a absortância, e posterior reemissão, acontece no exterior do edifício, não contribuindo para o aumento da temperatura do ar interior (Figura 3.31). Relativamente ao impacto da colocação do estore pelo exterior, ao contrário do que acontece com a colocação do estore pelo interior (com valores de reflectância invariantes com a cor das lâminas, mas distintos para cada tipo de vidro), a reflectância com o estore pelo exterior apresenta valores muito próximos para os diferentes tipos de vidro e ângulos de incidência do sol. De facto, estando o estore posicionado pelo exterior, a radiação é interceptada e reflectida antes de chegar ao ambiente interior e, assim, independentemente do tipo de vidro em questão, os sistemas assumem as características de reflectância das lâminas (ver Anexo 6.12 e 6.14). Apesar das transmitâncias do sistema para a cor clara e para a cor escura apresentarem resultados idênticos, as reflectâncias já não o são. É evidente que para a cor antracite exibe valores bastante reduzidos e consequentemente valores de maior absorção do que para a cor branca. As conclusões obtidas para os casos de vidro duplo com as três diferentes posições do estore veneziano – pelo interior, pelo exterior e entre panos de vidro – com rotação a 45° são idênticos aos mesmos casos para o estore veneziano com rotação da lâmina a 0° (ver Anexos 6.8 a 6.10 e 6.13 a 6.15). 103 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 3.3.4.3 Estore veneziano com a lâmina a 90° No dispositivo de sombreamento do tipo veneziano, com as lâminas a 90°, a abertura entre as lâminas adjacentes é inexistente (Figura 3.32). Portanto é esperado que a maior parte da radiação solar seja reflectida directamente para o ambiente exterior, ou absorvida pelas lâminas do estore, e teoricamente, nenhuma radiação seja transmitida para o interior do edifício. Contudo, na realidade, os estores venezianos nunca conseguem impedir totalmente a entrada da radiação solar pois existem sempre pequenas aberturas no estore – quer dos orifícios por onde passam as guias do estore, quer pela não sobreposição completa das lâminas – que deixam sempre passar parte da radiação solar incidente (de forma difusa). Nesta situação, em que os 90° de rotação das lâminas correspondem ao estore totalmente fechado, verifica-se claramente que em nenhum dos casos se regista transmitâncias no sistema. Uma vez que o estore é considerado como completamente fechado – 100% activo – é espectável que em nenhum dos casos se venham a registar transmitâncias através do sistema envidraçado (ver Anexo 6.16 a 6.20). Para o sistema de vidro simples com o estore veneziano posicionado pelo interior do edifício, com lâminas de cor quer branca, quer antracite, a reflectância é em geral baixa mas encontra-se no mesmo intervalo de resultados que o vidro simples sem dispositivo de sombreamento (Figura 3.33). Estes resultados permitem concluir que as características reflectância do sistema são assumidas praticamente pelo vidro. 104 de Figura 3.32 Esquema da relação da rotação da lâmina a 90° com a variação angular da radiação incidente. (fonte: autor) 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) Estudo numérico 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RSS CLR BRZ RSS CLR_90W BRZ_90W RSS_90W CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A Figura 3.33 Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. Tal como se tem vindo a verificar para este tipo de sistema, com a cor branca, a solução com vidro incolor ganha maior expressão relativamente às restantes. Já com a cor antracite, os vidros refletivos têm uma maior actuação sobre o total do sistema. Nos casos com estore veneziano pelo interior de lâminas de cor antracite dá-se uma menor reflexão da radiação solar e como consequência, uma maior absortância do sistema em relação aos casos com estore de cor branca (ver Anexo 6.16 e 6.18). Verificase também que em ambos os casos com estore pelo interior (branco e antracite) a absortância é superior ao sistema de vidro simples sem estore. Ao posicionar-se o estore pelo exterior, a transmitância é nula e a radiação solar incidente vai ser somente reflectida e absorvida (ver Anexo 6.17 e 6.19). É de notar que, tal como acontece no sistema envidraçado com dispositivo de sombreamento de lona, colocado pelo exterior, os resultados não denotam qualquer alteração perante a variação angular da radiação solar incidente. As propriedades radiativas do sistema ficam apenas dependentes das propriedades radiativas 105 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar isoladas da lâmina do estore, independentemente do tipo de vidro selecionado. Consegue-se claramente perceber a influência da coloração da lâmina do estore nas propriedades solar-ópticas do sistema (a cor branca reflecte mais e absorve menos que a cor antracite). Podese então concluir que se o estore estiver sempre fechado – com a rotação da lâmina a 90° – não importa o tipo de vidro presente no sistema. Apesar de tudo, é importante frisar que, na prática, o estore raramente consegue estar completamente fechado, embora a influência do tipo de vidro continue a ser bastante diminuta. Com o estore veneziano colocado pelo exterior do pano envidraçado, a proporcionalidade das propriedades radiativas do sistema, explicada pela expressão (2.7), é claramente perceptível. Sendo a transmitância nula, a reflectância e a absortância têm de ter valores complementares. Assim, para a cor branca da lâmina do estore tem-se uma elevada reflectância e uma reduzida absortância e para a cor antracite temos precisamente o inverso (ver Anexo 6.17 e 6.19). Verifica-se também que a solução de envidraçado duplo com o estore veneziano posicionado pelo interior ou pelo exterior, tem um comportamento bastante idêntico ao comportamento da solução de envidraçado simples com o estore veneziano na mesma posição. De facto, em termos de valores absolutos das propriedades, para cada ângulo de incidência, existe apenas uma variação ligeira e pouco significativa entre os resultados. Para sistemas envidraçados duplos com estore veneziano entre panos de vidro, e tal como já tinha sido verificado para os casos de vidro duplo com o estore de lona colocado entre os panos de vidro, a variação das propriedades solar-ópticas do sistema com o ângulo de incidência do sol, é semelhante às com o estore pelo interior (Figura 3.34). Comparativamente com o sistema 106 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) Estudo numérico 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90W_CLR BRZ_90W_CLR RFVSS_90W_CLR CLR_90A_CLR BRZ_90A_CLR RFVSS_90A_CLR Figura 3.34 Reflectância (ρ) global, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. envidraçado duplo sem dispositivo de sombreamento, a reflectância do vidro duplo com estore intersticial de cor antracite toma valores semelhantes e a absortância é superior, enquanto que com a lâmina do estore veneziano de cor branca o sistema que integra o estore entre panos do vidro incolor destaca-se dos restantes pelos seus valores mais elevados de reflectância e mais reduzidos de absortância. 3.4 Recomendações de projecto de arquitectura A arquitectura bioclimática exige que sejam conhecidos diversos conceitos em que o desenho do edifício tem um papel importante. Para que o edifício esteja perfeitamente enquadrado no meio em que se insere, é fundamental conhecer o comportamento dos sistemas envidraçados à radiação solar, que são responsáveis por grandes perdas e ganhos de calor pela envolvente. Com o presente trabalho, foram efectuadas um conjunto de simulações em que se avaliou a influência da escolha do tipo de 107 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar vidro, do tipo de estore e do seu posicionamento e geometria, nas propriedades radiativas globais de um sistema envidraçado. Deve-se privilegiar a orientação a Sul, das fachadas de maior área, pois é a Sul que a altura solar é maior e que se tira melhor partido da radiação solar. Verificou-se que quanto mais alto está o sol menor é a transmitância de um sistema envidraçado e, assim, é possível alcançarem-se condições de conforto (térmico e lumínico) interior, tanto de Verão como de Inverno. Ou seja, de Verão, o ângulo de incidência do sol é maior, havendo uma menor transmitância da radiação solar, importante na diminuição dos ganhos solares para estação quente e, de Inverno, que o ângulo de incidência do sol é menor, a transmitância é superior, benéfico para os ganhos solares na estação fria. Assim se justifica a orientação do edifício a Sul bem como os vãos envidraçados de maior área, localizados nesta fachada. Contudo, de Verão, os vãos envidraçados têm que ter dispositivos de sombreamento que os proteja da radiação indesejada, que pode provocar situações de sobreaquecimento. De Inverno, os estores estão, normalmente, desactivados, de modo a maximizar os ganhos solares pelos vãos envidraçados e, assim, diminuir os consumos energéticos nesta estação. De Verão, por seu turno, é essencial a activação dos estores. Para este último caso, o tipo de estore influencia grandemente o desempenho do sistema envidraçado, mais do que o tipo de vidro. Mesmo assim, verificou-se que a melhor solução é o envidraçado baixo emissivo. O vidro baixo emissivo intercepta a radiação solar, reflectindo grande parte desta imediatamente para o exterior, permitindo contudo a entrada da radiação visível, mais do que os vidros reflectivos e coloridos. De facto, este é o problema destes tipos de vidro. Podem reflectir bastante a radiação solar (no caso dos vidros reflectivos) ou impedir a transmissão desta através da absorção (no caso dos vidros coloridos), mas para além de diminuírem a qualidade e quantidade de luz natural no interior do 108 Estudo numérico edifício, a radiação solar é reemitida posteriormente para o espaço interior, por convecção e radiação de onda longa, elevando a temperatura do ar interior. A utilização de envidraçados de baixa emissividade adequa-se à exigências que os vãos envidraçados a Nascente e a Poente devem cumprir, sendo estas as orientações em que os ganhos solares são mais intensos. Porém, o vidro baixo emissivo ainda é muito dispendioso e muitas vezes não é economicamente viável. Espera-se que a curto prazo esta situação se altere. Quanto à coloração do dispositivo de sombreamento, verificou-se que deve ser de cor clara, pois é mais eficaz na reflexão da radiação solar, tanto no estore de lona como no estore veneziano. Se o estore for de cor escura, tem o grande inconveniente de absorver a maior parte da radiação solar, em vez de a reflectir. Deste modo haverá uma maior quantidade de radiação reemitida por convecção e radiação de onda longa, para o ambiente interior. Por esta mesma razão, torna-se evidente que, a colocação do dispositivo de sombreamento deve ser implementada pelo exterior do pano envidraçado e não pelo interior. O posicionamento do estore pelo exterior é muito mais conveniente, por diversos motivos. Em primeiro lugar, concede ao edifício uma marca física e visual distinta, sendo-lhe conferido um carácter único na composição da fachada e de como esta se articula com os espaços interiores, consoante os seus usos e necessidades. Em segundo lugar, com o estore pelo exterior do pano envidraçado a radiação solar, quer seja directa ou difusa, é interceptada antes de se encontrar no interior do edifício. Isto significa que, ao contrário do que acontece com o estore posicionado pelo interior e até mesmo entre panos de vidro, o que é reflectido e absorvido é reflectido e reemitido, respectivamente, directamente para o exterior. Deste modo, e 109 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar com uma ventilação eficiente entre o estore e o envidraçado, as trocas de calor entre os dois sistemas são diminuídas. Outro facto importante na escolha do posicionamento do estore pelo exterior do envidraçado, em vez de pelo interior ou intermédio, é que as propriedades radiativas globais do sistema envidraçado estão condicionadas às propriedades radiativas do dispositivo de sombreamento (100% activo, com estore de lona ou com estore veneziano completamente fechado, corresponde ao ângulo das lâminas a 90°), ou seja, independentemente do tipo de vidro presente, as propriedades solar-ópticas do estore comandam as propriedades globais do sistema. No entanto, o posicionamento do dispositivo de sombreamento pelo interior do pano envidraçado ou entre panos de vidro é menos dispendioso em termos de custos de instalação ou de manutenção e limpeza, mas ficam aquém dos resultados alcançados com o estore posicionado pelo exterior do envidraçado. A escolha do tipo de estore (estore de lona ou estore veneziano) depende bastante das condições de conforto térmico e lumínico interiores, necessárias para cada caso, consoante os usos dos espaços associados a cada vão envidraçado. O estore de lona assemelha-se ao estore veneziano, quando este tem as lâminas praticamente fechadas. Mas o estore veneziano é bastante mais versátil que o estore de lona, na medida em que pode ser ajustado (manualmente ou mecanicamente) pelo utilizador, consoante as suas necessidades, sendo raramente utilizado completamente fechado. O estore de lona, por seu turno, ou está aberto ou está fechado, e se adoptar um modo de activação intermédio, por exemplo estando fechado apenas até meia altura do vão envidraçado, o risco de sobreaquecimento ou de encandeamento é elevado. 110 Estudo numérico O estore veneziano com as lâminas a 0° (perpendiculares ao pano de vidro) permitem a entrada da radiação directa sem que esta intercepte as lâminas, quando o sol está mais baixo, e bloqueia a radiação directa reflectindo-a de forma difusa para o interior do edifício, quando o sol está mais alto. Com as lâminas a 45°, seja o ângulo de incidência do sol elevado ou não, a radiação directa é na sua maioria interceptada e reflectida de forma difusa. Deste modo, o estore veneziano é mais adequado por se adaptar mais facilmente às diferentes condições da radiação solar, ao longo do dia e ao longo do ano (de Inverno ou de Verão). Com o intuito de privilegiar a radiação difusa em detrimento da radiação directa, as lâminas devem ser reguladas a 45° para as alturas do nascer e pôr do sol, e reguladas a 0° no intervalo em que a altura solar é mais elevada. 111 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 112 Conclusões Conclusões A fachada sempre funcionou como um elemento regulador das condições ambientes, da admissão de luz natural, dos ganhos e perdas de calor e da renovação de ar interior. Quando as tecnologias de construção disponíveis eram mais simples, o arquitecto dominava-as, numa estreita relação com o edifício, adequando-o à envolvente e às condições climáticas locais. Após as crises energéticas dos anos 70, o reconhecimento do impacto exercido pelo Homem sobre o ambiente tomou proporções económico-sociais e políticas urgentes. A imagem de transparência, leveza e progresso associada à utilização de áreas envidraçadas, cada vez mais elevadas, implica um consumo energético excessivo perante a procura de níveis aceitáveis de conforto e salubridade interiores. Uma das formas mais eficazes para conseguir uma utilização racional da energia, sem pôr em causa o desempenho e as condições de conforto do edifício, é o uso de dispositivos de sombreamento nos sistemas envidraçados. No presente trabalho, pretendeu-se estudar a importância dos vãos envidraçados na arquitectura e a influência da escolha dos vidros e dos dispositivos de sombreamento nas propriedades radiativas globais dos sistemas envidraçados. Para isso simularamse cerca de 1166 combinações de sistemas envidraçados, sem e com dispositivo de sombreamento. Foram considerados envidraçados de vidro simples incolor, bronze, verde, cinzento, 113 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem dispositivo de sombreamento reflectivo com película de aço inoxidável e de titânio, vidros duplos com o pano interior incolor e com o pano exterior incolor, bronze, verde, cinzento, reflectivo com película de aço inoxidável e de titânio e baixo-emissivo com película baixa-emissiva na superfície dois e três. Relativamente aos dispositivos de sombreamento foram considerados um estore de lona acrílica, de cor branca e cinzenta, e um estore veneziano com as lâminas em alumínio de cor branco e antracite, segundo três ângulos de regulação (0°, 45° e 90°). Foram consideradas três posições para os dispositivos de sombreamento (interior, exterior e ente os panos) e ainda seis ângulos de incidência da radiação solar: 0°, 40°, 50°, 60°, 70° e 80°. Avaliou-se a importância do tipo de vidro e do tipo, core posição do estore nas propriedades solar-ópticas dos sistemas envidraçados. Com os resultados obtidos, propuseram-se algumas recomendações de projecto. Deste modo, o presente estudo apresenta-se como um contributo para um melhor conhecimento da influência da escolha dos vidros e dos dispositivos de sombreamento nas propriedades radiativas globais (transmitância, reflectância e absortância) dos sistemas envidraçados, e da sua importância para a arquitectura bioclimática. Espera-se que se possa continuar este estudo, no sentido de proporcionar melhores condições de avaliação do conforto térmico e lumínico no interior dos edifícios. Com o desenvolvimento futuro deste trabalho pode estudar-se o comportamento dos sistemas envidraçados, face à radiação infravermelha (radiação de onda longa), à radiação visível, e obter ainda o factor solar associado a cada solução. Estas propriedades radiativas e parâmetros de desempenho térmico associados aos sistemas envidraçados podem ser utilizados em programas de simulação energética em edifícios, extremamente úteis para o projecto de edifícios energeticamente eficientes. 114 Referências bibliográficas Referências bibliográficas Almeida, S.; Matias, L.; Rebelo, M.; Pina Dos Santos, C. (2009). Representações e práticas de conforto térmico em ambientes interiores. Lisboa: LNEC. Relatório 130/2009 – ES/LNEC. Allen, Edward; Iano, Joseph (2004). Fundamentals of Building Construction: Materials and Methods. Cap. 17 and 18. 5th edition. John & Sons Inc., New Jersey, USA, 2004. Anink, D.; Boonstra, C.; Mak, J. (2006). Handbook of Sustainable Building: An Environmental Preference Method for Selection of Materials for Use in Construction and Refurbishment. London: James & James, April 2006. ASHRAE (2001). 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(fonte: ASHRAE, 2001. Adaptado) Propriedades Radiativas Isoladas do Vidro 1b 1d 6 CLR 6 BRZ 0.88 0.54 80.00 Hemis., Difusa 70.00 τv 60.00 ID mm Vidro Simples Normal 0.00 Exp. do Vidro, 50.00 Ângulos de Incidência da Radiação Solar 40.00 Envidraçado gv τ ρf 0.81 0.80 0.78 0.73 0.62 0.39 0.73 0.88 0.87 0.85 0.80 0.69 0.43 0.80 0.08 0.09 0.11 0.15 0.27 0.53 0.14 ρb 0.08 0.09 0.11 0.15 0.27 0.53 0.14 gv τ ρf 0.62 0.59 0.57 0.53 0.45 0.29 0.54 0.49 0.45 0.43 0.39 0.32 0.18 0.41 0.05 0.06 0.07 0.11 0.19 0.42 0.10 ρb 0.05 0.68 0.66 0.62 0.53 0.33 0.10 gv τ ρf 0.31 0.30 0.30 0.28 0.24 0.16 0.28 0.15 0.15 0.14 0.13 0.11 0.06 0.13 0.21 0.22 0.23 0.26 0.34 0.54 0.25 ρb 0.38 0.38 0.39 0.41 0.48 0.64 0.41 gv τ ρf 0.29 0.29 0.28 0.27 0.23 0.15 0.27 0.14 0.13 0.13 0.12 0.09 0.06 0.12 0.22 0.22 0.24 0.26 0.34 0.54 0.26 ρb 0.40 0.40 0.42 0.44 0.50 0.65 0.43 gv τ ρf 0.60 0.59 0.57 0.51 0.40 0.21 0.53 0.51 0.48 0.46 0.41 0.30 0.14 0.43 0.14 0.15 0.17 0.22 0.35 0.59 0.21 ρb 0.15 0.16 0.18 0.23 0.35 0.57 0.22 gv τ ρf 0.65 0.63 0.60 0.54 0.42 0.21 0.56 0.51 0.48 0.46 0.41 0.30 0.14 0.43 0.15 0.16 0.18 0.23 0.35 0.57 0.22 ρb 0.14 0.15 0.17 0.22 0.35 0.59 0.21 gv τ ρf 0.45 0.42 0.40 0.35 0.27 0.14 0.38 0.33 0.30 0.28 0.24 0.17 0.07 0.26 0.09 0.09 0.10 0.14 0.23 0.44 0.13 ρb 0.13 0.14 0.16 0.21 0.34 0.58 0.20 Vidro Reflectivo 1l 1n 6 SS CLR 20% 6 TI CLR 20% 0.2 0.2 Vidro Duplo Low-e, e = 0.2 na superfície 2 17b 6 LE CLR 0.73 Vidro Duplo Low-e, e = 0.2 na superfície 3 17d 17f 6 CLR LE 6 BRZ LE 0.73 0.45 127 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Anexo 1.2 Propriedades radiativas isoladas da lona do estore de lona. (fonte: Warema, 2011. Adaptado) Fechado; ângulo de incidência 0° Material Cor Acrílico Acrílico Branco (W) Cinza-escuro (G) Transmitância Solar (τ) 0.27 0.04 Reflectância Solar (ρ) 0.67 0.31 Absortância Solar (α) 0.06 0.65 Anexo 1.3 Propriedades radiativas isoladas da lâmina do estore veneziano. (fonte: Warema, 2011. Adaptado) Propriedades das lâminas do estore veneziano exterior Material Cor Alumínio Alumínio Branco (W) Antracite (A) 128 Propriedades isoladas da lâmina Transmitância Solar Reflectância Solar Absortância Solar (τ) (ρ) (α) 0.00 0.00 0.75 0.15 0.25 0.85 Anexo 2 Anexo 2 Valores máximos regulamentares do factor solar 129 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 130 Anexo 2 Anexo 2.1 Factores solares máximos admissíveis de vãos envidraçados com mais de 5% da área útil do espaço que servem. (fonte: RCCTE, 2006.) V1 Classe de inércia térmica: Fraca Média Forte 0.15 0.56 0.56 Zona climática V2 Factor solar 0.15 0.56 0.56 V3 0.10 0.50 0.50 131 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 132 Anexo 3 Anexos 3 Layouts gerais do programa 133 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 134 Anexo 3 Anexo 3.1 Selecção do tipo de vidro. “Layout” do programa. Introdução dos dados dos panos envidraçados simples e duplos. (fonte: Gomes, 2010) 135 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Anexo 3.2 Selecção do tipo de estore. “Layout” do programa. Introdução dos dados dos dispositivos de sombreamento (estores venezianos e de lona). (fonte: Gomes, 2010) 136 Anexo 4 Anexos 4 Esquemas e pormenores dos elementos de estudo 137 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 138 Anexo 4 Anexo 4.1 Tipos de vidro. Representação esquemática dos envidraçados, simples e duplos, utilizados nas simulações numéricas. Incolor Bronze Verde Cinzento (CLR) (BRZ) (GRN) (GRY) Incolor-Incolor (CLR-CLR) Bronze-Incolor (BRZ-CRL) Incolor baixo emissivo com película na superfície 2 –Incolor (LECLRS2) Reflectivo de aço inoxidável-Incolor (RFVSS-CLR) Reflectivo de aço inoxidável (RFVSS) Reflectivo de titânio (RFVTI) Reflectivo de titânio-Incolor (RFVTI-CLR) Incolor baixo emissivo com película na superfície 3 –Incolor (LECLRS3) Bronze baixo emissivo com película na superfície 3 –Incolor (LEBRZS3) 139 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Anexo 4.2 Tipos de estore. Pormenor do estore de lona a) e do estore veneziano b). (fonte: Warema, 2011) a) 140 b) Anexo 5 Anexo 5 Diagramas das simulações 141 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 142 Anexo 5 Anexo 5.1 Síntese das simulações realizadas com: a) sistema envidraçado de vidro simples sem dispositivo de sombreamento; b) sistema envidraçado de vidro duplo sem dispositivo de sombreamento. S Sistema envidraçado: Vidro: Cor Prop. CLR BRZ GRN GRY RFV SS 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° Radiação: Ângulo de incidência TI 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° a) D Sistema envidraçado: CLR Vidro int.: Vidro ext.: Cor Prop. CLR BRZ GRN GRY RFV SS Radiação: Ângulo de incidência 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° TI 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° b) 143 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar Anexo 5.2 Síntese das simulações realizadas com: a) sistema envidraçado de vidro simples com estore de lona posicionado pelo exterior ou pelo interior; b) sistema envidraçado de vidro simples com estore veneziano posicionado pelo exterior ou pelo interior. SL Sistema envidraçado-dispositivo: Vidro: Cor Prop. CLR Dispositivo: Cor Posição W Exterior Radiação: Ângulo de incidência BRZ RFV SS TI G W G Interior Exterior Interior 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° a) SV Sistema envidraçado-dispositivo: Vidro: Cor Posição CLR Dispositivo: Cor Posição Ângulo W Exterior Radiação: Ângulo de incidência BRZ RFV SS TI A W A Interior Exterior Interior 0°- 45°- 90° 0°- 45°- 90° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° b) 144 Anexo 5 Anexo 5.3 Síntese das simulações realizadas com: a) sistema envidraçado de vidro duplo com estore de lona posicionado pelo exterior, pelo interior ou entre panos; b) sistema envidraçado de vidro duplo com estore veneziano posicionado pelo exterior, pelo interior ou entre panos. DL Sistema envidraçado-dispositivo: CLR Vidro int.: Vidro ext.: Cor Posição CLR W A Dispositivo: Cor Posição Exterior Intermédio Radiação: Ângulo de incidência Interior BRZ LE RFV SS TI W A Exterior Intermédio CLRS2 CLRS3 W Interior Exterior BRZS3 A Intermédio Interior 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° a) Sistema envidraçado-dispositivo: DV Vidro int.: CLR Vidro ext.: Cor Prop. CLR W A Dispositivo: Cor Posição Exterior Intermédio Interior Ângulo Radiação: Ângulo de incidência BRZ RFV LE SS TI W A Exterior Intermédio CLRS2 CLRS3 W Interior Exterior BRZS3 A Intermédio Interior 0°- 45°-90° 0°- 45°-90° 0°- 45°-90° 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 60°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° 0°- 40°- 50°- 60°- 70°- 80° b) 145 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 146 Anexo 6 Anexo 6 Resultados 147 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 148 Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.1 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 40 50 60 70 80 CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_W BRZ_W RFVSS_W CLR_G BRZ_G RFVSS_G 1 1 0,8 0,8 ρ (global) ρ (global) 30 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_W BRZ_W RFVSS_W CLR_G BRZ_G RFVSS_G 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_W BRZ_W RFVSS_W CLR_G BRZ_G RFVSS_G 149 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.2 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 50 60 70 80 BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS W_CLR W_BRZ W_RFVSS G_CLR G_BRZ G_RFVSS 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS W_CLR W_BRZ W_RFVSS G_CLR G_BRZ G_RFVSS 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 40 CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 150 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 20 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS W_CLR W_BRZ W_RFVSS G_CLR G_BRZ G_RFVSS Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.3 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_W LECLRS2_W BRZ-CLR_W LECLRS3_W RFVSS-CLR_W LEBRZS3_W 30 CLR-CLR CLR-CLR_G LECLRS2_G 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 40 50 60 70 80 BRZCLR BRZ-CLR_G LECLRS3_G RFVSS-CLR RFVSS-CLR_G LEBRZS3_G 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZCLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_W BRZ-CLR_W RFVSS-CLR_W CLR-CLR_G BRZ-CLR_G RFVSS-CLR_G LECLRS2_W LECLRS3_W LEBRZS3_W LECLRS2_G LECLRS3_G LEBRZS3_G 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_W BRZ-CLR_W RFVSS-CLR_W CLR-CLR_G BRZ-CLR_G RFVSS-CLR_G LECLRS2_W LECLRS3_W LEBRZS3_W LECLRS2_G LECLRS3_G LEBRZS3_G 151 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.4 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR W_CLR-CLR W_BRZ-CLR W_RFVSS-CLR G_CLR-CLR G_BRZ-CLR G_RFVSS-CLR W_LECLRS2 W_LECLRS3 W_LEBRZS3 G_LECLRS2 G_LECLRS3 G_LEBRZS3 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR W_CLR-CLR W_BRZ-CLR W_RFVSS-CLR W_LECLRS2 W_LECLRS3 W_LEBRZS3 CLR-CLR G_CLR-CLR G_LECLRS2 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR-CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 BRZ-CLR G_BRZ-CLR G_LECLRS3 RFVSS-CLR G_RFVSS-CLR G_LEBRZS3 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR W_CLR-CLR W_LECLRS2 152 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR W_BRZ-CLR W_LECLRS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) RFVSS-CLR W_RFVSS-CLR W_LEBRZS3 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR G_CLR-CLR G_BRZ-CLR G_RFVSS-CLR G_LECLRS2 G_LECLRS3 G_LEBRZS3 Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.5 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore de lona acrílica branca (W) e cinzenta (G) posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_W_CLR BRZ_W_CLR RFVSS_W_CLR CLR_G_CLR BRZ_G_CLR RFVSS_G_CLR 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_W_CLR BRZ_W_CLR RFVSS_W_CLR CLR_G_CLR BRZ_G_CLR RFVSS_G_CLR 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 20 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_W_CLR RFVSS_W_CLR RFVSS_W_CLR CLR_G_CLR BRZ_G_CLR RFVSS_G_CLR 153 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.6 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ), e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W CLR_0A BRZ_0A RFVSS_0A 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W CLR_0A BRZ_0A RFVSS_0A 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 154 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_0W BRZ_0W RFVSS_0W CLR_0A BRZ_0A RFVSS_0A Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.7 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 30 40 50 60 70 80 CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 0W_CLR 0W_BRZ 0W_RFVSS 0A_CLR 0A_BRZ 0A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 0W_CLR 0W_BRZ 0W_RFVSS 0A_CLR 0A_BRZ 0A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 0W_CLR 0W_BRZ 0W_RFVSS 0A_CLR 0A_BRZ 0A_RFVSS 155 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.8 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR CLR-CLR_0W RFVSS-CLR_0W LECLRS3_0W 50 60 70 80 BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_0A BRZ-CLR_0A RFVSS-CLR_0A LECLRS2_0A LECLRS3_0A LEBRZS3_0A 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_0W LECLRS2_0W LEBRZS3_0W 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR CLR-CLR_0W RFVSS-CLR_0W LECLRS3_0W CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_0A BRZ-CLR_0A RFVSS-CLR_0A LECLRS2_0A LECLRS3_0A LEBRZS3_0A 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 40 CLR-CLR 1 0,2 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_0W LECLRS2_0W LEBRZS3_0W BRZ-CLR CLR-CLR_0W RFVSS-CLR_0W LECLRS3_0W 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) 156 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_0W LECLRS2_0W LEBRZS3_0W 20 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_0A BRZ-CLR_0A RFVSS-CLR_0A LECLRS2_0A LECLRS3_0A LEBRZS3_0A Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.9 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR 0W_CLR-CLR 0W_RFVSS-CLR 0W_LECLRS3 40 50 60 70 80 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR 0A_CLR-CLR 0A_BZR-CLR 0A_RFVSS-CLR 0A_LECLRS2 0A_LECLRS3 0A_LEBRZS3 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 0W_BRZ-CLR 0W_LECLRS2 0W_LEBRZS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR 0W_CLR-CLR 0W_RFVSS-CLR 0W_LECLRS3 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR 0A_CLR-CLR 0A_BZR-CLR 0A_RFVSS-CLR 0A_LECLRS2 0A_LECLRS3 0A_LEBRZS3 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR RFVSS-CLR 0W_BRZ-CLR 0W_LECLRS2 0W_LEBRZS3 20 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSSCLR 0W_BRZ-CLR 0W_LECLRS2 0W_LEBRZS3 BRZ-CLR 0W_CLR-CLR 0W_RFVSS-CLR 0W_LECLRS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RSS-CLR 0A_CLR-CLR 0A_BZR-CLR 0A_RFVSS-CLR 0A_LECLRS2 0A_LECLRS3 0A_LEBRZS3 157 . SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.10 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 0° posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_0W_CLR BRZ_0W_CLR RFVSS_0W_CLR CLR_0A_CLR BRZ_0A_CLR RFVSS_0A_CLR 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_0W_CLR BRZ_0W_CLR RFVSS_0W_CLR CLR_0A_CLR BRZ_0A_CLR RFVSS_0A_CLR 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR-CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 158 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_0W_CLR BRZ_0W_CLR RFVSS_0W_CLR CLR_0A_CLR BRZ_0A_CLR RFVSS_0A_CLR Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.11 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ), e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 30 40 50 60 70 80 CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_45W BRZ_45W RFVSS_45W CLR_45A BRZ_45A RFVSS_45A 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_45W BRZ_45W RFVSS_45W CLR_45A BRZ_45A RFVSS_45A 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_45W BRZ_45W RFVSS_45W CLR_45A BRZ_45A RFVSS_45A 159 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.12 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 45W_CLR 45W_BRZ 45W_RFVSS 45A_CLR 45A_BRZ 45A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 45W_CLR 45W_BRZ 45W_RFVSS 45A_CLR 45A_BRZ 45A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 160 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS 45W_CLR 45W_BRZ 45W_RFVSS 45A_CLR 45A_BRZ 45A_RFVSS Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.13 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 40 50 CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_45A LECLRS2_45A LEBRZS3_45A BRZ-CLR CLR-CLR_45W RFVSS-CLR_45W LECLRS3_45W 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 60 70 80 BRZ-CLR CLR-CLR_45A RFVSS-CLR_45A LECLRS3_45A 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_45W LECLRS2_45W LEBRZS3_45W 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR CLR-CLR_45W RFVSS-CLR_45W LECLRS3_45W 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_45W LECLRS2_45W LEBRZS3_45W 20 0,6 0,4 0,2 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR_45A BRZ-CLR_45A RFVSS_45A LECLRS2_45A LECLRS3_45A LEBRZS3_45A 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_45W LECLRS2_45W LEBRZS3_45W BRZ-CLR CLR-CLR_45W RFVSS-CLR_45W LECLRS3_45W 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR BRZ-CLR_45A LECLRS2_45A LEBRZS3_45A BRZ-CLR CLR-CLR_45A RFVSS-CLR_45A LECLRS3_45A 161 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.14 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 50 60 70 80 BRZ-CLR 45A_CLR-CLR 45A_RFVSS-CLR 45A_LECLRS3 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 45W_BRZ-CLR 45W_LECLRS2 45W_LEBRZS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR 45W_CLR-CLR 45W_RFVSS-CLR 45W_LECLRS3 CLR-CLR RFVSS-CLR 45A_BRZ-CLR 45A_LECLRS2 45A_LEBRZS3 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 40 CLR-CLR RFVSS-CLR 45A_BRZ-CLR 45A_LECLRS2 45A_LEBRZS3 BRZ-CLR 45W_CLR-CLR 45W_RFVSS-CLR 45W_LECLRS3 0,2 0,6 0,4 0,2 BRZ-CLR 45A_CLR-CLR 45A_RFVSS-CLR 45A_LECLRS3 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 45W_BRZ-CLR 45W_LECLRS2 45W_LEBRZS3 162 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR RFVSS-CLR 45W_BRZ-CLR 45W_LECLRS2 45W_LEBRZS3 20 BRZ-CLR 45W_CLR-CLR 45W_RFVSS-CLR 45W_LECLRS3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 45A_BRZ-CLR 45A_LECLRS2 45A_LEBRZS3 BRZ-CLR 45A_CLR-CLR 45A_RFVSS-CLR 45A_LECLRS3 Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.15 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 45° posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 30 40 50 60 70 80 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_45W_CLR BRZ_45W_CLR RFVSS_45W_CLR CLR_45A_CLR BRZ_45A_CLR RFVSS_45A_CLR 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_45W_CLR BRZ_45W_CLR RFVSS_45W_CLR CLR_45A_CLR BRZ_45A_CLR RFVSS_45A_CLR 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_45W_CLR BRZ_45W_CLR RFVSS_45W_CLR CLR_45A_CLR BRZ_45A_CLR RFVSS_45A_CLR 163 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.16 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ), e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_90W BRZ_90W RFVSS_90W CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RSS CLR BRZ RSS CLR_90W BRZ_90W RSS_90W CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 164 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RFVSS CLR_90W BRZ_90W RFVSS_90W CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.17 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado simples, com vidro incolor (CLR), bronze (BRZ) e reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), com estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro simples, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 30 40 50 60 70 80 CLR BRZ RSS CLR BRZ RSS 90W_CLR 90W_BRZ 90W_RFVSS 90A_CLR 90A_BRZ 90A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RSS CLR BRZ RSS 90W_CLR 90W_BRZ 90W_RFVSS 90A_CLR 90A_BRZ 90A_RFVSS 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 Ângulo de incidência (°) 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR BRZ RFVSS CLR BRZ RSS 90W_CLR 90W_BRZ 90W_RFVSS 90A_CLR 90A_BRZ 90A_RFVSS 165 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.18 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo interior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR BRZ_90W LECLRS3_90W RFVSS-CLR RFVSS_90W LEBRZS3_90W 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 50 60 70 80 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A LECLRS2_90A LECLRS3_90A LEBRZS3_90A 0,6 0,4 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 0 80 10 CLR-CLR CLR_90W LECLRS2_90W BRZ-CLR BRZ_90W LECLRS3_90W 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) RFVSS-CLR RFVSS_90W LEBRZS3_90W 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 40 0,2 0,2 0,6 0,4 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A LECLRS2_90A LECLRS3_90A LEBRZS3_90A 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) Ângulo de incidência (°) 166 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR CLR_90W LECLRS2_90W 20 CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90W BRZ_90W RFVSS_90W CLR_90A BRZ_90A RFVSS_90A LECLRS2_90W LECLRS3_90W LEBRZS3_90W LECLRS2_90A LECLRS3_90A LEBRZS3_90A Anexo 6 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.19 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ), reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado pelo exterior, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) BRZ-CLR 90W_CLR-CLR 90W_RFVSS-CLR 90W_LECLRS3 40 50 CLR-CLR RFVSS-CLR 90A_BRZ-CLR 90A_LECLRS2 90A_LEBRZS3 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,2 60 70 80 BRZ-CLR 90A_CLR-CLR 90A_RFVSS-CLR 90A_LECLRS3 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 90W_BRZ-CLR 90W_LECLRS2 90W_LEBRZS3 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR FVRSS-CLR 90A_BRZ-CLR 90A_LECLRS2 90A_LEBRZS3 BRZ-CLR 90W_CLR-CLR 90W_RFVSS-CLR 90W_LECLRS3 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) CLR-CLR RFVSS-CLR 90W_BRZ-CLR 90W_LECLRS2 90W_LEBRZS3 20 0,6 0,4 BRZ-CLR 90A_CLR-CLR 90A_RFVSS-CLR 90A_LECLRS3 0,6 0,4 0,2 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 90W_BRZ-CLR 90W_LECLRS2 90W_LEBRZS3 BRZ-CLR 90W_CLR-CLR 90W_RFVSS-CLR 90W_LECLRS3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR RFVSS-CLR 90A_BRZ-CLR 90A_LECLRS2 90A_LEBRZS3 BRZ-CLR 90A_CLR-CLR 90A_RFVSS-CLR 90A_LECLRS3 167 SISTEMAS ENVIDRAÇADOS com e sem protecção solar 1 1 0,8 0,8 τ (global) τ (global) Anexo 6.20 Transmitância (τ), reflectância (ρ) e absortância (α) globais, do sistema envidraçado duplo, com o pano exterior incolor (CLR), bronze (BRZ) reflectivo com película de aço inoxidável (RFVSS), baixo-emissivo com película na superfície dois (S2) e na superfície três (S3) e com o pano interior incolor (CLR), com o estore veneziano de lâminas em alumínio branco (W) e antracite (A) a 90° posicionado entre panos de vidro, em relação ao sistema de vidro duplo, para vários ângulos de incidência do sol. 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 40 50 60 70 80 BRZ-CLR RSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90W_CLR BRZ_90W_CLR RFVSS_90W_CLR CLR_90A_CLR BRZ_90A_CLR RFVSS_90A_CLR 1 1 0,8 0,8 0,6 0,4 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90W_CLR BRZ_90W_CLR RFVSS_90W_CLR CLR_90A_CLR BRZ_90A_CLR RFVSS_90A_CLR 1 1 0,8 0,8 α (global) α (global) 30 CLR-CLR 0,2 0,6 0,4 0,2 0,6 0,4 0,2 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 Ângulo de incidência (°) 168 20 Ângulo de incidência (°) ρ (global) ρ (global) Ângulo de incidência (°) 20 30 40 50 60 70 80 Ângulo de incidência (°) CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR-CLR BRZ-CLR RFVSS-CLR CLR_90W_CLR BRZ_90W_CLR RFVSS_90W_CLR CLR_90A_CLR BRZ_90A_CLR RFVSS_90A_CLR