Tese de doutoramento Universidade de Granada Orientação vocacional e profissional: um estudo sobre o funcionamento das estruturas de orientação nas escolas do distrito de Braga. Departamento de Didáctica e organização escolar Vera Lúcia da Costa Tavares Directores: Dr. Tomas Sola Martínez Dr. Antonio Jesús Moreno Ortiz Dr. Francisco Diaz Rosas Ano 2009 Editor: Editorial de la Universidad de Granada Autor: Vera Lúcia da Costa Tavares D.L.: GR 1548-2010 ISBN: 978-84-693-0695-6 2 Orientação Vocacional e Profissional A pessoa sábia não desce pelo caminho da morte, mas sobe pela estrada da vida. (Pv 15:24 - Rei Salomão) 3 AGRADECIMENTOS As palavras inquietam o pensamento e tornam-se sempre insuficientes quando com elas queremos expressar sentimentos. Sendo assim: Agradeço profundamente ao Professor Doutor Tomás Sola Martínez pela sua valiosa ajuda na orientação da minha tese bem como pela confiança que depositou em mim; Ao professor Doutor António Moreno Ortiz pela ajuda e atenção nos momentos de dúvida. Ao Professor Doutor Manuel Lorenzo Delgado pelas suas indicações iniciais e disponibilidade total para nos clarificar todas as dúvidas; Ao professor Doutor Francisco Diaz Rosas pela correcção da parte de análise de dados. Ao Professor Doutor Mário Gandra pela atenção que dedicou à revisão linguística deste estudo. À universidade do Minho pelo tempo que dispensou para poder concluir o meu estudo. A todos os meus companheiros de curso, em especial à professora Justina, que estabeleceu sempre contacto comigo, independentemente do trabalho isolado que tínhamos de fazer; À minha mãe, pela sua paciência, ajuda e dedicação. Obrigada por me incentivares a não desistir das minhas investigações; Ao João Carreira pelos momentos de boa disposição e descanso; Aos meus amigos que sempre me apoiaram nos momentos de cansaço: À Marta, Patrícia, Nancy, Cristina, Nuno, Alexandre, Joel, Renato, Lídia pela sua alegria e apoio nos momentos de fadiga; Ao João Miguel e ao José António, pelos conhecimentos informáticos, paciência e apoio em momentos difíceis. À Catarina Freitas pela ajuda preciosa no momento final de entrega e impressão do trabalho. Ao Carlos, pela compreensão e cujo amor e dedicação sempre manifestou. 4 Orientação Vocacional e Profissional 5 ÍNDICE Introdução……………………………………………………………...….….…...23 23 Introduction………………………………………………………….………….....27 27 Primeira parte: Fundamentação teórica 1. CAPÍTULO I – Marco teórico 1.1. Conceito de orientação, contextos de intervenção, modelos e 31 funções…………………………………………………………….………….........32 1.1.1. 31 Conceito de orientação………………………………………..……..…...32 1.1.2. 35 Contextos de intervenção em orientação…………………………….......36 1.1.2.1. 35 Orientação escolar………………………………………………….36 1.1.2.2. 36 Orientação pessoal………………………………………………....37 1.1.2.3. 38 Orientação educativa……………………………………………….39 1.1.3. 42 Objectivos da orientação…………………...………….…………….…...43 42 1.2. Áreas de Intervenção na Orientação educativa………..……………….….......43 1.2.1. 43 A orientação para o Desenvolvimento da Carreira…………………........44 1.2.2. 45 A orientação nos processos de ensino e aprendizagem………………..…46 1.2.3. 47 A orientação para a prevenção e desenvolvimento humano…………..…48 1.2.4. 49 Atenção à diversidade……………………………………...….……….…50 50 1.3. Princípios que justificam a concepção actual de orientação……………....….48 1.3.1. 50 Princípio de orientação…………………………………………………...51 1.3.1.1. 50 Princípio de prevenção……………………………………………..51 1.3.1.2. Princípio de desenvolvimento……………………………………5453 1.3.1.3. 55 Princípio de intervenção social…………………………......……..56 1.3.2. 57 Evolução dos princípios de orientação…………………………………...58 60 1.4. Funções da orientação………………………………………………….....……..61 6 Orientação Vocacional e Profissional 1.5. Modelos de Intervenção na Orientação………………..…………………..........65 1.5.1. Proposta de classificação de modelos……………...……....…................….70 1.5.1.1. Modelo de “Counseling”, Clínico ou de Atenção Individualizada .. 70 1.5.1.2. Modelo de Serviços……………………….……….………........…...71 1.5.1.3. Modelo de Programas…………………………..…...…................... 72 1.5.1.4. Modelo de Consulta……………………………………...............…..74 1.5.1.5. Modelo Tecnológico………………………………………….......…76 1.5.1.6. Modelo Psicopedagógico.……..……………………………............ 76 2. CAPÍTULO II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional 2.1. Origens e desenvolvimento da orientação ………...…………………...…….......79 2.1.1. Antecedentes e precursores da orientação profissional…………………... 79 2.1.2. A orientação nos Estados Unidos da América……………………….….... 81 2.1.3. O surgimento dos termos “counseling” e “Guidance”…………………..... 83 2.2. A orientação na Europa……………………….…………….………..…........... 86 2.2.1. Antecedentes e contributos…………….……………………………......... 86 2.2.2. Factores determinantes da evolução de Orientação Profissional…............. 88 2.2.2.1. Movimento de reforma social………………................................. 89 2.2.2.2. Movimento de psicometría ou psicotécnica………….................... 90 2.2.2.3. Movimento de higiene mental e psicanálise e counseling............... 90 2.2.3. Etapas da orientação profissional……....................................................... 90 2.2.3.1. Os começos da orientação profissional (1900-1915)… …........... 91 2.2.3.2. Um período de contrastes e de maturidade da orientação (1915-1940) ................................................................................. 93 2.2.3.3. A expansão da orientação (1950-1970).….................................... 93 2.2.3.4. A profissionalização da orientação: A Orientação a partir de 1970............................................................................................... 96 2.2.3.5. A orientação a partir dos anos 90 até hoje………….................... 97 7 2.3. Características da orientação nos diferentes países…..................................... 100 2.3.1. Alemanha………………………………………...………………….......... 100 2.3.2. Reino Unido…………...………………………......................................... 102 2.3.3. Irlanda………………...…………….……………..................................... 105 2.3.4. Itália…………………………………………………………...…............... 106 2.3.5. Holanda……………………………………………………........................ 106 2.3.6. Áustria……..…………………………………………….....….................. 108 2.3.7. Finlândia……………………………………………………………........... 108 2.3.8. Suécia………………………………………………………………............ 110 2.3.9. Grécia……………………...………………………………………............. 111 2.3.10. Luxemburgo……………………………………………………................ 112 2.3.11. Dinamarca……………….……………………………………………....... 113 2.3.12. Noruega…………………………………………………...………….…..... 114 2.3.13. Bélgica…………….…………………………………………...…….…......115 2.3.14. França.………………………………………………………...….............. 117 2.3.15. Espanha……………...……………………………………………............. 120 2.3.16. Portugal……………...……………………………………………............. 122 3. CAPÍTULO III – A acção tutorial: a Tutoria no Espaço Europeu, o papel do professor – Tutor 3.1. A tutoria no Espaço Europeu………………………...……............................... 125 3.1.1. A acção tutorial e a declaração de Bolonha…………..…......................... 125 3.1.2. As mudanças em Portugal com a Declaração de Bolonha……….............. 128 3.2. A acção tutorial no processo de ensino e aprendizagem: o papel do professor e do aluno………............................................................................................................. 132 3.2.1. Conceito de Tutoria/Tutor e o novo papel do professor, as suas competências e funções….............................................................................. 132 3.2.2. As qualidades do Tutor………………………………………................... 144 3.2.3. Dificuldades encontradas pelos tutores no exercício da acção tutorial ...... 147 3.2.4. A acção tutorial individual e grupal …………….…...………………........... 149 8 Orientação Vocacional e Profissional 3.2.5. A tutoria na EEES como resposta aos objectivos que se propõe com a nova função de professor e o novo estilo de ensino e aprendizagem ........ 151 3.3. Plano de Acção Tutorial (PAT) em Portugal………........................................ 153 3.3.1. A regulamentação do PAT…………….……............................................. 153 3.3.1.1. O perfil do aluno tutorado……….…………….............................. 156 3.3.1.2. Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional………...….....…. 157 3.3.1.3. Actividades possíveis de implementar……………………........…. 158 3.3.1.4. Avaliação do programa de Acção Tutorial…….………………….. 163 4. CAPÍTULO IV - A orientação vocacional e profissional em Portugal: uma breve análise das estruturas de orientação 4.1. O Sistema Educativo português e as estruturas de orientação……...........… 165 4.1.1. A organização do Sistema Educativo Português…………........................ 165 4.1.2. Órgãos de estruturas de orientação educativa no pré-escolar, 1º, 2º, 3º ciclo e secundário ....................................................................................... 168 4.1.2.1. Órgãos de gestão que asseguram as estruturas de orientação ….... 168 4.1.2.2. Estruturas de orientação e serviços especializados de Apoio Educativo................................................................................................ 169 4.1.2.3. Modalidades de Apoio Educativo………………………............... 171 4.1.2.4. Serviços especializados de Apoio Educativo………………......... 172 4.1.2.5. A importância do psicólogo e as suas funções………................... 181 4.1.3. A tutoria em Portugal no ensino universitário…………............................ 183 4.1.3.1. Programas implementados nas universidades como forma de orientar os alunos .................................................................................. 183 4.1.3.2. Actividades de Verão nas universidades para fomentar a descoberta vocacional……............................…………………………. 187 4.2. Estruturas externas que colaboram com as escolas na orientação vocacional e profissional………………..........……………………………....... 188 4.2.1. IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional ...……………...... 188 4.2.2. CENOR - Centro Nacional de Recursos para a Orientação …...……...…. 196 4.2.3. IOP – Instituto de Orientação Profissional ……..……………..…........... 197 9 4.3. Programas que estimularam a orientação vocacional e profissional em Portugal……………………………………………………………………….......199 4.3.1. PRODEP – Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal ....... 199 4.3.1.1. Objectivos do PRODEP………......................…………................ 200 4.3.2. POI – Programa de Orientação e Informação……………......................... 201 4.3.2.1. Objectivos do Projecto………………........……............................. 201 4.3.2.2. Destinatários do Projecto……………………………..................... 202 4.3.3. Programa de Escolhas…………………….…...………….......................... 202 4.3.4. OTL – Ocupação dos tempos Livres………….……….............................. 205 4.3.5. Outros serviços que orientam vocacionalmente e profissionalmente…..... 206 4.3.5.1. A Internet…………………..………….……................................. 206 4.3.6. Feiras e livros como espaço/instrumento de divulgação e exploração 208 vocacional e profissional………...................................................................... Segunda Parte: Estudo empírico 5. CAPÍTULO V – Desenho de investigação 5.1. Traçando o desenho de investigação................................................................. 209 5.1.1. A natureza da investigação….……………………….……..…………...... 209 5.1.2. Metodologias……………………………………………………….……... 210 5.1.3. Justificação, antecedentes e estado actual da questão………………........ 217 5.1.4. Problema de investigação………………………...……………………..... 219 5.1.4.1. Realidade em Portugal……………...………………….................. 220 5.1.5. Objectivos da investigação…………………………………..................... 222 5.2. English Translation 5.2.1. Research problem………………………………….………………..…..... 223 5.2.1.1. Reality in Portugal………………………….………………........... 225 5.2.2. Research aims………..……..……..…..…………………...…………........ 225 10 Orientação Vocacional e Profissional 5.3. Instrumento de recolha de dados…………...……………………....................... 226 5.3.1. Vantagens do questionário…………………...…………............................. 227 5.3.2. Desvantagens dos questionários……………………..……………….......... 229 5.3.3. Fiabilidade e validação……………………………………..……….……..... 231 5.4. Variáveis de investigação……………………………………..…........................ 234 5.5. Descrição da amostra………….………………..………………..……...……...... 236 5.6. Técnicas de análise e dados………………….…………………....………........... 238 5.7. Análise descritiva dos dados de investigação…….…...……….………….......... 239 6. CAPÍTULO VI – Análise e interpretação dos resultados 6.1. Análise através de tabelas de contingência e gráfico de barras dos dados das questões comuns aos psicólogos e directores de turma …………............... 241 6.1.1. Análise do grupo A- Dados de identificação………….........………........... 244 6.1.2. Análise do grupo B – Aspectos gerais…………………………..……......... 259 6.1.3. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial…………………………....... 271 6.1.4. Análise do grupo D – Atenção à diversidade……………………….…....... 287 6.1.5. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional………............. 303 6.2. Análise descritiva univariada dos questionários dos psicólogos e directores de turma………………………………………...………………......... 319 6.2.1. Questionário dos directores de turma………….…………………..…........ 319 6.2.1.1. Análise do grupo B – Aspectos gerais…..………………………..... 319 6.2.1.2. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial ………..…………..... 321 6.2.1.3. Análise do grupo D – Atenção à diversidade…………………….... 324 6.2.1.4. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional……..... 325 6.2.2. Questionário dos psicólogos………………………………………….......... 326 6.2.2.1. Análise do grupo B – Aspectos gerais………………...................... 326 6.2.2.2. Análise do grupo D – Atenção à diversidade………………............ 328 6.2.2.3. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional…......... 333 11 6.3. Análise descritiva univariada do questionário dos estudantes universitários...334 6.3.1. Análise do grupo A – Dados de identificação…………….…..................... 334 6.3.2. Análise do grupo B – Orientação vocacional e profissional…………......... 342 6.4. Diferenças significativas segundo o teste U de Mann Whitney………........... 359 6.4.1. Dados significativos no grupo A - “Dados de identificação”..................... 361 6.4.2. Dados significativos no grupo B - “Aspectos gerais”……….................... 361 6.4.3. Dados significativos no grupo C - “Apoio na acção tutorial”… …........... 362 6.4.4. Dados significativos no grupo D - “Atenção à diversidade”…................. 362 6.4.5. Dados significativos no grupo E - “Orientação vocacional e profissional”................................................................................................... 363 6.5. Análise factorial – Medida de adequação da amostra e segundo Kaiser-Meyer Olkin e a prova da esfericidade de Barlett……………........... 364 6.5.1. Questionário dos orientadores……………………...…………................. 364 6.5.1.1. Análise do grupo B – Aspectos gerais……………………............ 364 6.5.1.2. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial ……………............ 367 6.5.1.3. Análise do grupo D – Atenção à diversidade………………......... 369 6.5.1.4. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional .......... 371 6.5.2. Questionário dos psicólogos…………………………..……………......... 373 6.5.2.1. Análise do grupo B – Aspectos gerais…………............................ 373 6.5.2.2. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial ……………............ 375 6.5.2.3. Análise do grupo D – Atenção à diversidade……………............. 377 6.5.2.4. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional…....... 379 6.5.3. Questionário dos alunos……………………….……...…………............. 382 6.6. Triangulação dos dados...................................................................................... 384 7. CAPÍTULO VII – Conclusões e perspectiva futura 7.1. Conclusão e perspectiva futura………………..…………………………......... 391 7.1.1. Conclusão...........................................…………………………................ 391 7.1.2. Conclusão final e perspectivas futuras……………................................... 399 12 Orientação Vocacional e Profissional 7.2. Conclusions and future perspectives……………………………….................. 401 7.2.1. Conclusions ……………...………………………………………............. 409 409 7.2.2. Final conlusions and perspectives……….……………..…….....…………... 8. Referências bibliográficas………………………....…………………………............ 411 ANEXO I - Legislação de Suporte…………………….……..………............................ 428 433 ANEXOS II ………….……………….……………………………………………….………... 13 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 – Ilustração da organização do sistema educativo português…........................ 166 Figura 2 – Enquadramento normativo do SPO………………….................................... 177 Figura 3 – Transformações do questionário………………………................................ 233 Figura 4 – Gráfico da variável A.1…………………….................................................. 245 Figura 5 – Gráfico da variável A.2 …………………………………............................. 247 Figura 6 – Gráfico da variável A.3……………………………….................................. 247 Figura 7 – Gráfico da variável A.4 ……………………................................................. 250 Figura 8 – Gráfico da variável A.5 ………………………............................................. 251 Figura 9 – Gráfico da variável A.6 …………………………......................................... 253 Figura 10 – Gráfico da variável A.7 ………………..………………............................. 254 Figura 11 – Gráfico da variável A.8 ………………....................................................... 256 Figura 12 – Gráfico da variável A.9 …………..…………............................................. 256 Figura 13– Gráfico da variável A.10 ………...…………………………........................ 259 Figura 14– Gráfico da variável B.1…………………...…………................................... 261 Figura 15 – Gráfico da variável B.2 ……..………………………….............................. 263 Figura 16 – Gráfico da variável B.3 ……………..………….......................................... 265 Figura 17 – Gráfico da variável B.3.1……………..………………................................ 267 Figura 18 – Gráfico da variável B.5………………….................................................... 269 Figura 19 – Gráfico da variável B.7 …..………………………..................................... 271 Figura 20 – Gráfico da variável C.1……………….………............................................. 272 Figura 21 – Gráfico da variável C.2…………………………......................................... 275 Figura 22 – Gráfico da variável C.3 ………………..……………................................. 277 Figura 23 – Gráfico da variável C.4 ………………..…………...................................... 278 Figura 24 – Gráfico da variável C.5 ……………………................................................ 281 Figura 25 – Gráfico da variável C.6 ……………………................................................ 282 Figura 26 – Gráfico da variável C.7………………..…………………........................... 283 Figura 27 – Gráfico da variável C.9 dos D.T. e C.8 dos psicólogos..……..…................ 285 Figura 28 – Gráfico da variável D.1………………………............................................. 287 Figura 29 – Gráfico da variável D.2 dos D.T e D.3 dos psicólogos…..………............... 289 Figura 30 – Gráfico da variável D.4………………......................................................... 291 Figura 31 – Gráfico da variável D.5……………………................................................. 293 Figura 32 – Gráfico da variável D.6 …………………………..……….......................... 295 Figura 33 – Gráfico da variável D.7 dos D.T e D.9 dos psicólogos……......................... 298 14 Orientação Vocacional e Profissional Figura 34 – Gráfico da variável D.8 dos D.T. e D.10 dos psicólogos….................................. 300 Figura 35 – Gráfico da variável D.9 dos D.T. e D.11 dos psicólogos….................................. 302 Figura 36 – Gráfico da variável E.1……….............................................................................. 304 Figura 37 – Gráfico da variável E.2………………................................................................. 308 Figura 38 – Gráfico da variável E.3……………….................................................................. 312 Figura 39 – Gráfico da variável E.5…………......................................................................... 314 Figura 40 – Gráfico da variável E.6………............................................................................. 316 Figura 41 – Gráfico da variável E.7..……………................................................................... 320 Figura 42 – Gráfico da variável B.4 dos directores de turma……........................................... 321 Figura 43 – Gráfico da variável B.6 dos directores de turma….…......................................... 322 Figura 44 – Gráfico da variável C.8 dos directores de turma………...................................... 325 Figura 45 – Gráfico da variável D.3 dos directores de turma…………................................... 326 Figura 46 – Gráfico da variável E.4 dos directores de turma………….…............................... 327 Figura 47 – Gráfico da variável B.6 dos psicólogos……..……………................................... 328 Figura 48 – Gráfico da variável D.2 dos psicólogos………………........................................ 329 Figura 49 – Gráfico da variável D.7 dos psicólogos……………............................................. 330 Figura 50 – Gráfico da variável D.8 dos psicólogos………..................................................... 331 Figura 51 – Gráfico da variável D.12 dos psicólogos……….................................................. 332 Figura 52 – Gráfico da variável E.4 dos psicólogos………..…................................................ 333 Figura 53 – Gráfico da variável A.1 dos estudantes.…………................................................ 335 Figura 54 – Gráfico da variável A.2 dos estudantes.…………................................................. 336 Figura 55 – Gráfico da variável A.3 dos estudantes.…........................................................... 337 Figura 56 – Gráfico da variável A.4 dos estudantes………….................................................. 338 Figura 57 – Gráfico da variável A.5dos estudantes……………............................................... 339 Figura 58 – Gráfico da variável A.5.1 dos estudantes.….…………...................................... 340 Figura 59 – Gráfico da variável A.6 dos estudantes.……………........................................... 341 Figura 60 – Gráfico da variável B.1 dos estudantes.……...…................................................ 343 Figura 61 – Gráfico da variável B.3 dos estudantes…………….............................................. 344 Figura 62 – Gráfico da variável B.4 dos estudantes………..................................................... 346 Figura 63 – Gráfico da variável B.4.1 dos estudantes.….…………......................................... 347 Figura 64 – Gráfico da variável B.4.2 dos estudantes.………………..................................... 348 Figura 65 – Gráfico da variável B.5 dos estudantes.……..…….............................................. 349 Figura 66 – Gráfico da variável B.6 dos estudantes…….......................................................... 351 15 Figura 67 – Gráfico da variável B.9 dos estudantes………….......................................... 354 Figura 68 – Gráfico da variável B.10 dos estudantes………..………................................356 Figura 69– Gráfico da variável B.11 dos estudantes.………............................................. 357 16 Orientação Vocacional e Profissional ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 – Enquadramento normativo I……………………………….……............................... 43 Quadro 2 – Habilidades desenvolvidas………………...…….....................................................47 Quadro 3 – Enquadramento normativo II……………………..................................................... 48 Quadro 4 – Enquadramento normativo III………………………................................................. 49 Quadro 5 – Evolução dos princípios de orientação………………............................................... 58 Quadro 6 – Funções da orientação………………………...........................................................61 Quadro 7 – Modelos de intervenção em orientação…….............................................................68 Quadro 8 - Eixos dos modelos de intervenção na orientação psicopedagógica…......................... 69 Quadro 9 – Característica, objectivo e estratégia do modelo psicopedagógico….......................77 Quadro 10 – Características do modelo de intervenção psicopedagógica…...............................78 Quadro 11 – Etapas do termo counseling…….….......................................................................84 Quadro 12 – Diferenças entre “guidance” e “counseling”……...................................................84 Quadro 13 – Origens da orientação …………………………....................................................91 Quadro 14 – Elementos que exercem função orientadora na Alemanha...................................... 101 Quadro 15 – Serviços de orientação na Alemanha…………………..........................................102 Quadro 16 – Características da orientação na Irlanda…….......................................................... 105 Quadro 17 – Características da orientação em Itália……..….....................................................106 Quadro 18 – Características da orientação na Holanda……….……........................................... 107 Quadro 19 – Tipos de centros existentes na Bélgica……………….………............................... 116 Quadro 20 – Serviços de orientação em França…………….......................................................119 Quadro 21 – Competências essenciais do professor I………......................................................134 Quadro 22 – Competências essenciaisII………………............................................................... 134 Quadro 23 – Características do aluno que o professor deve ter em conta…..............................135 Quadro 24 – Classificação dos modelos de orientação profissional………..…........................... 137 Quadro 25 – Objectivos da acção tutorial conforme os destinatários da mesma….....................140 Quadro 26 – Funções do tutor………………………................................................................... 142 Quadro 27 – Formas de intervenção tutorial………………………............................................. 144 Quadro 28 – Tipos de tutores segundo Moust (1993)…………..................................................146 Quadro 29 – Fórmulas tutoriais………………………………...................................................148 Quadro 30 – Acção tutorial individual………………..…...........................................................149 Quadro 31 – Acção tutorial grupal…………………..................................................................... 150 Quadro 32 – Exemplo de um plano de acção tutorial (PAT)……………...................................163 Quadro 33 – Sites que promovem a orientação vocacional e profissional……........................ 207 17 Quadro 34 – Enfoques paradigmáticos…………………….................................................211 Quadro 35 – Metodologias segundo Colas (1992)………………...................................... 214 Quadro 36 – Como surge o problema de investigação…………….................................... 220 Board 36 – How does the problem emerge…………………………………………………. 223 Quadro 37 – Síntese da amostra……………....................................................................... 237 Quadro 38 – Quadro geral com a média e o desvio padrão…………................................ 241 Quadro 39 – Tabela de contingência da variável A.1…….……...........................................245 Quadro 40 – Prova do Phi da variável A.1…………….……….......................................... 245 Quadro 41 – Tabela de contingência da variável A.2…….…............................................. 246 Quadro 42 – Prova do chi quadrado da variável A.2……..………..................................... 247 Quadro 43 – Tabela de contingência da variável A.3……………......................................... 247 Quadro 44 – Prova do chi quadrado da variável A.3 …………...........................................247 Quadro 45 – Tabela de contingência da variável A.4………………….............................. 249 Quadro 46 –Prova do chi quadrado da variável A.4……......................................................249 Quadro 47 – Tabela de contingência da variável A.5……...................................................250 Quadro 48 –Prova do chi quadrado da variável A.5…………............................................ 251 Quadro 49 – Tabela de contingência da variável A.6……………...................................... 252 Quadro 50 –Prova do chi quadrado da variável A.6 ………............................................... 252 Quadro 51 – Tabela de contingência da variável A.7……….............................................. 253 Quadro 52 – Prova do chi quadrado da variável A.7……................................................... 254 Quadro 53 – Tabela de contingência da variável A.8…………...........................................255 Quadro 54 – Prova do phi da variável A.8………….......................................................... 255 Quadro 55 – Tabela de contingência da variável A.9……….............................................. 256 Quadro 56 –Prova do chi quadrado da variável A.9……………………............................ 256 Quadro 57 – Tabela de contingência da variável A.10 ……….............................................258 Quadro 58 –Prova do chi quadrado da variável A.10………................................................258 Quadro 59 – Tabela de contingência da variável B.1…………….......................................260 Quadro 60 –Prova do chi quadrado da variável B.1…………….........................................260 Quadro 61 – Tabela de contingência da variável B.2………...............................................261 Quadro 62 – Prova do chi quadrado da variável B.2……………....................................... 261 Quadro 63 – Tabela de contingência da variável B.3….......................................................264 Quadro 64 –Prova do chi quadrado da variável B.3……………….................................... 265 Quadro 65 – Tabela de contingência da variável B.3.1………........................................... 266 Quadro 66 – Prova o chi quadrado da variável B.3.1………............................................. 267 Quadro 67 – Tabela de contingência da variável B.5……………….................................. 268 18 Orientação Vocacional e Profissional Quadro 68 – Prova do chi quadrado da variável B.5……………………………............. 268 Quadro 69 – Tabela de contingência da variável B.7…………………………………….. 269 Quadro 70 – Prova do chi quadrado da variável B.7…………………………………….. 270 Quadro 71 – Tabela de contingência da variável C.1……………………………............. 271 Quadro 72 – Prova do chi quadrado da variável C.1…………………………….............. 272 Quadro 73 – Tabela de contingência da variável C.2…………………………………….. 274 Quadro 74 – Prova do chi quadrado da variável C.2…………………………………….. 275 Quadro 75 – Tabela de contingência da variável C.3……………………………............ 276 Quadro 76 – Prova do chi quadrado da variável C.3…………………………….............. 276 Quadro 77 – Tabela de contingência da variável C.4……………………………............ 277 Quadro 78 – Prova do chi quadrado da variável C.4…………………………………….. 278 Quadro 79 – Tabela de contingência da variável C.5…………………………………….. 279 Quadro 80 – Prova do chi quadrado da variável C.5…………………………………….. 280 Quadro 81 – Tabela de contingência da variável C.6……………………………............ 281 Quadro 82 – Prova do chi quadrado da variável C.6……………………………............. 281 Quadro 83 – Tabela de contingência da variável C.7……………………………............. 282 Quadro 84 – Prova do chi quadrado da variável C.7…………………………….............. 283 Quadro 85 – Tabela de contingência da variável C.9 dos D.T e C.8 dos psicólogos…..... 284 Quadro 86 – Prova do chi quadrado da variável C.9 dos D.T e C.8 dos psicólogos……. 285 Quadro 87 – Tabela de contingência da variável D.1……………………………............ 286 Quadro 88 – Prova do chi quadrado da variável D.1……………………………............. 286 Quadro 89 – Tabela de contingência da variável D.2 dos D.T e D.3 dos psicólogos….... 287 Quadro 90 – Prova do chi quadrado da variável D.2 dos D.T D.3 dos psicólogos……... 288 Quadro 91 – Tabela de contingência da variável D.4……………………………............ 290 Quadro 92 – Prova do chi quadrado da variável D.4……………………………............. 290 Quadro 93 – Tabela de contingência da variável D.5……………………………............ 292 Quadro 94 – Prova do chi quadrado da variável D.5…………………………………… 293 Quadro 95 – Tabela de contingência da variável D.6………………………………….... 294 Quadro 96 – Prova do chi quadrado da variável D.6…………………………………… 295 Quadro 97 – Tabela de contingência da variável D.2 dos D.T e D.3 dos psicólogos….... 297 Quadro 98 – Prova do chi quadrado da variável D.2 dos D.T D.3 dos psicólogos…….. 298 Quadro 99 –Tabela de contingência da variável D.8 dos D.T e D.10 dos psicólogos…... 299 Quadro 100 – Prova do chi quadrado da variável D.8 dos D.T e D.10 dos psicólogos…. 300 Quadro 101– Tabela de contingência da variável D.9 dos D.T e D.11 dos psicólogos…. 301 Quadro 102– Prova d chi quadrado da variável D. 9 dos D.T e D.11 dos psicólogos…... 301 19 Quadro 103– Tabela de contingência da variável E.1……………………...................... 303 Quadro 104– Prova do chi quadrado da variável E.1………............................................. 304 Quadro 105 – Tabela de contingência da variável E.2…………….................................. 307 Quadro 106– Prova do chi quadrado da variável E.2…………………............................ 308 Quadro 107– Tabela de contingência da variável E.3………………….............................309 Quadro 108– Prova do chi quadrado da variável E.3………………................................ 309 Quadro 109 – Tabela de contingência da variável E.5…………...................................... 310 Quadro 110– Prova do chi quadrado da variável E.5………………..................................311 Quadro 111– Tabela de contingência da variável E.6…………….....................................313 Quadro 112– Prova do chi quadrado da variável E.6……………......................................313 Quadro 113 – Tabela de contingência da variável E.7……………………...................... 314 Quadro 114– Prova do chi quadrado da variável E.7…………………...............................314 Quadro 115– Tabela de frequência da variável B.4 dos D.T…………............................ 319 Quadro 116– Tabela de frequência da variável B.6 dos D.T………………..................... 320 Quadro 117– Tabela de frequência da variável C.8 dos D.T……………………................... 321 Quadro 118– Tabela de frequência da variável D.3 dos D.T…………...............................324 Quadro 119– Tabela de frequência da variável E.4 dos D.T…………................................325 Quadro 120– Tabela de frequência da variável B.4 dos psicólogos…………....................327 Quadro 121– Tabela de frequência da variável B.6 dos psicólogos……….........................328 Quadro 122– Tabela de frequência da variável D.2 dos psicólogos…………................ 329 Quadro 123– Tabela de frequência da variável D.7 dos psicólogos………...................... 330 Quadro 124– Tabela de frequência da variável D.8 dos psicólogos……......................... 331 Quadro 125– Tabela de frequência da variável D.12 dos psicólogos……….......................332 Quadro 126– Tabela de frequência da variável E.4 dos psicólogos………….....................333 Quadro 127– Tabela de frequência da variável A.1 dos estudantes…………................ 334 Quadro 128– Tabela de frequência da variável A.2 dos estudantes……….........................335 Quadro 129– Tabela de frequência da variável A.3 dos estudantes………....................... 336 Quadro 130– Tabela de frequência da variável A.4 dos estudantes………...................... 337 Quadro 131– Tabela de frequência da variável A.5 dos estudantes…………....................339 Quadro 132– Tabela de frequência da variável A.5.1 dos estudantes…………..................340 Quadro 133– Tabela de frequência da variável A.6 dos estudantes………..................... 341 Quadro 134– Tabela de frequência da variável B.1 dos estudantes………........................... 342 Quadro 135– Tabela de frequência da variável B.3 dos estudantes…………........................ 344 Quadro 136– Tabela de frequência da variável B.4dos estudantes…………....................... 346 Quadro 137– Tabela de frequência da variável B.4.1 dos estudantes………........................ 347 20 Orientação Vocacional e Profissional 348 Quadro 138– Tabela de frequência da variável B.4.2 dos estudantes…………………....353 349 Quadro 139– Tabela de frequência da variável B.5 dos estudantes…………………......354 350 Quadro 140– Tabela de frequência da variável B.6 dos estudantes………………….......355 353 Quadro 141– Tabela de frequência da variável B.9 dos estudantes………………….......358 355 Quadro 142– Tabela de frequência da variável B.10 dos estudantes………………….....360 Quadro 143– Tabela de frequência da variável B.11 dos estudantes…………………..........357 Quadro 144 – Quadro geral com as respostas mais significativas segundo o 357 teste Mann Whitney U - …………………………………………..…..……364 Quadro 145- Dados significativos no grupo “Dados de identificação”………… ……..........361 362 Quadro 146- Dados significativos no grupo “Aspectos gerais”………………………….366 Quadro 147- Dados significativos no grupo “Apoio na acção tutorial”……………........... 362 Quadro 148- Dados significativos no grupo “Atenção à diversidade”………………...........363 Quadro 149- Dados significativos no grupo “Orientação vocacional e profissional”…...368363 365 Quadro 150- Prova de Barlett na análise do grupo B dos directores de turma………............. Quadro 151- Componentes detectadas na análise do grupo B............................................. 365 Quadro 152 - Prova de Barlett na análise do grupo C………………………………............367 Quadro 153- Componentes detectadas na análise do grupo C…………………………...... 368 369 Quadro 154 - Prova de Barlett na análise do grupo D…………………………………......73 Quadro 155 – Componentes detectadas na análise do grupo D………………………....... 370 371 Quadro 156 - Prova de Barlett na análise do grupo E……………………………….............. 372 Quadro 157 – Componentes detectadas na análise do grupo E…………………………..376 374 Quadro 158 - Prova de Barlett na análise do grupo B dos psicólogos…………………........ Quadro 159 – Componentes detectadas na análise do grupo B…………………………......374 Quadro 160 - Prova de Barlett na análise do grupo C……………………………….…........376 Quadro 161 – Componentes detectadas na análise do grupo C………………………......... 376 378 Quadro 162 - Prova de Barlett na análise do grupo D………………………………............... Quadro 163 – Componentes detectadas na análise do grupo D………………………........ 378 380 Quadro 164 - Prova de Barlett na análise do grupo E……………………………………...... Quadro 165 – Componentes detectadas na análise do grupo E…………………..……........381 Quadro 166 - Prova de Barlett na análise do grupo B do questionário dos alunos..……......382 Quadro 167 – Componentes detectadas na análise do grupo B…………………...….......... 383 Quadro 168 - Aspectos principais das componentes detectadas no questionário dos psicólogos e directores de turma………………………………..……...... 384 21 Quadro 169 – Síntese das componentes detectadas no questionário dos alunos................ 385 Quadro 170 – Síntese dos aspectos principais detectados nas perguntas abertas do questionário dos micólogos e directores de turma……………….............386 Quadro 171– Síntese dos aspectos principais detectados das perguntas abertas dos alunos…………………………….......................................................... 386 22 Orientação Vocacional e Profissional Introdução INTRODUÇÃO Tenho alguns anos de experiência na área da Educação e uma das coisas que me deu prazer fazer foi este estudo sobre a orientação vocacional e profissional nas escolas secundárias portuguesas. Desde pequena que demonstro interesse em ser professora, mas agora que o sou, o meu desejo é saber mais para me aperfeiçoar enquanto profissional. O meu interesse pela psicologia sempre se manifestou nas minhas práticas orientadoras. Sou professora, e como tal, gosto de orientar e compreender as atitudes dos alunos para os motivar e guiar na estrada da vida. Quero expressar a minha felicidade em levar a cabo um trabalho sobre orientação e dizer que me deu muita satisfação investigar sobre o mesmo. Pretendo continuar com as minhas investigações e reflexões porque sou uma professora reflexiva e acredito que a reflexão leva a uma melhor actuação como nos expressa Alarcão, (1996). «professor: conhece a tua profissão e conhece-te a ti mesmo como professor para te assumires como profissional de ensino.». Neste sentido «…após a descrição do que penso do que faço será possível encontrar as razões para os meus conceitos e para a minha actuação […] neste processo estou a descobrir-me e a conhecer-me a mim próprio como professor e a conhecer as condições em que exerço a minha profissão» Ao reflectirmos seremos mais seguros nas ideias que defendemos e reconheceremos os nossos erros mais facilmente. Isto faz de nós profissionais da Educação, orientadores e guias. Segundo Moran (2003). «Ensinar é orientar, estimular, relacionar, mais que informar. Mas só orienta aquele que conhece, que tem uma boa base teórica e que sabe comunicar. O professor vai ter que actualizar-se sem parar, vai precisar abrir-se para as informações que o aluno vai trazer, aprender com o aluno, interagir com ele.» A orientação é um «Requisito desde las primeras etapas de la educación para generar en el individuo, el conocimiento sobre si mismo y en su vida futura y profesional.» (Concepción Torres Del Moral, 2005). Pretendo continuar o meu trabalho como formadora, assumindo uma postura reflexiva para formar alunos autónomos capazes de pensarem por si próprios. A orientação torna-se uma parte importante na educação, onde a imagem do professor tutor é vista como imprescindível para ajudar na integração do (s) aluno (s) e no seu desenvolvimento pessoal. Estas são as minhas justificações para a realização do meu trabalho. A orientação torna a figura do tutor importante, pois há uma actuação do mesmo em fornecer meios, técnicas, 23 24 Orientação Vocacional e Profissional ajuda, colaboração, transmitir confiança e amizade. Há uma combinação entre educação e orientação, no entanto, a orientação é um caminho que leva à Educação. Para que a orientação tenha estes efeitos as instituições educativas tem de levar a cabo um programa em que ambos professores, orientadores e outros agentes intervenientes no processo educativo colaborem e tentem encontrar soluções para as dificuldades dos alunos, com o intuito de melhorar a qualidade do ensino. Apesar de existirem instituições privadas que desenvolvem programas de intervenção de forma individual, o que nos interessa com este trabalho é investigar a natureza da orientação levada a cabo nas instituições educativas, onde existe um apoio para que as crianças se desenvolvam a todos os níveis. A orientação é a chave do sucesso de um aluno, como tal há um estudo sistemático dos alunos que integram a escola, há um apoio prestado por vários intervenientes bem como se proporcionam materiais e actividades que ajudam os alunos a conhecerem as suas aptidões, capacidades e necessidades. Logo, a figura do professor é muito importante. O professor não trabalha sozinho, ele colabora com o psicólogo, ele assume parte da tarefa orientadora. Quem não ama o que faz dá pouco de si, por isso, o professor tem de gostar do que faz, tem de cooperar e assumir a tarefa orientadora como uma paixão. Os alunos olham para nós e buscam modelos, de uma maneira ou de outra eles são influenciados pelas nossas ideias. «A certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar conteúdos, mas também ensinar a pensar certo» (Paulo Freire, 1921-1997) No entanto há questões que nos deixam inquietos. Como fazer frente as novas situações do mercado? Qual é o papel específico do orientador profissional frente a esta situação? O que é que a nossa sociedade espera do homem em relação ao trabalho? Será que estamos a caminhar para uma nova concepção de trabalho e o seu correspondente projecto social? Quais a novas procuras sociais que existem hoje para a pessoa que escolhe? São claras? Há o problema da escolha na adolescência que nos remete para uma questão de aquisição de identidade, à formulação do que o adulto quer ser e ao delineamento de um projecto de vida. Este momento é crucial, pois envolve a sua entrada na vida adulta e a consciencialização de seu projecto de vida, antecipando a definição do seu papel adulto. Há mudanças a nível das universidades que fazem com que os professores dediquem mais tempo à tutoria. Há papéis imprescindíveis, como o dos psicólogos, que em estrita colaboração com os professores e outros agentes educativos, orientam os alunos nas suas fases difíceis. Há uma nova geração que se encontra confusa face à escolha da profissão. Introdução Estamos num período de mudanças, o Processo de Bolonha constitui um conjunto de reformas, que têm como objectivo a constituição, até 2010, do Espaço Europeu de Ensino Superior. O cumprimento deste objectivo permitirá assegurar a mobilidade dos estudantes entre instituições e países, o reconhecimento dos seus conhecimentos e competências, a potenciação da empregabilidade e da valorização da educação ao longo da vida. Para além disso, as próprias escolas de ensino médio vão sendo alvo de mudanças. Por isso, torna-se importante ver o ponto da situação do nosso país, analisar como nos encontramos face aos outros países, reflectir sobre as nossas práticas, sobre o valor atribuído a elas e reconhecer as nossas limitações. Pretendemos fazer uma análise crítica do funcionamento das estruturas de orientação, saber a opinião dos psicólogos, professores sobre as funções que desempenham. Para além disso, pretendemos ouvir os alunos para perceber se as suas dificuldades são ultrapassadas e as suas dúvidas atendidas. Este trabalho está dividido em duas partes. A primeira parte, constituída por quatros capítulos, consiste em dar uma visão alargada do conceito de orientação, dos seus pressupostos, funções e objectivos. Pretendemos focar a evolução do seu conceito ao longo dos anos bem como evidenciar as estruturas de orientação em vários países. Para além disso, tencionamos mostrar como é levado a cabo a acção tutorial em Portugal, baseando o nosso estudo na legislação mais importante. O primeiro capítulo é dedicado exclusivamente ao conceito de orientação, seus objectivos, funções e contextos de intervenção. Para além disso, tentamos focar as áreas de intervenção na orientação educativa, bem como os princípios que justificam a actual concepção de orientação. Por último descrevemos todos os modelos de intervenção na orientação. No segundo capítulo apresentamos os antecedentes e precursores da orientação profissional, bem como as suas origens. A Orientação na Europa é bastante focada, sendo descritas todas as etapas da orientação profissional. Este capítulo termina com as características da orientação nos diferentes países. O capítulo três é dedicado à tutoria no espaço Europeu bem como a nova concepção de professor. Abordamos o conceito de tutoria, acção tutorial, o novo papel, as qualidades e as dificuldades do professor. O capítulo encerra com descrição do plano de acção tutorial levado a cabo pelas escolas portuguesas. 25 26 Orientação Vocacional e Profissional No quarto e último capítulo é feita uma breve análise das estruturas que assumem a orientação. Neste capítulo encontrámos uma descrição de todos os órgãos e estruturas de orientação em Portugal bem como, tencionamos dar um panorama do trabalho levado a cabo por várias instituições desde universidades, escolas, centro de emprego, projectos e programas para o leitor perceber como funciona todo o processo de orientação em Portugal. A segunda parte do trabalho ou Metodologia de Investigação tem como objectivo fazer uma análise crítica da orientação nas escolas secundárias, mais especificamente na zona de Braga e periferia. Para isso, está dividida em três capítulos. No capítulo cinco é traçado e apresentado um desenho de investigação onde apresentamos os objectivos da nossa futura investigação e os instrumentos que pretendemos utilizar. No capítulo seis apresentamos os gráficos e as tabelas correspondentes aos dados de investigação, bem como a triangulação dos resultados. Por fim, é no capítulo sete que fazemos uma síntese geral apresentando as conclusões específicas e gerais e possíveis linhas de investigação. Por fim, concluímos o nosso trabalho com a análise dos dados de investigação nas escolas secundárias, apresentando as nossas conclusões, limitações, dificuldades e bibliografia usada. Esperamos que este trabalho seja um começo de futuros estudos possíveis mencionados na última parte do nosso trabalho e que abra e contribua, para quem lê, para o desenvolvimento de novas perspectivas e maneiras de olhar para o processo de orientação. Introdução INTRODUCTION As a person with experience in the education area, this study about professional and vocational orientation in Portuguese schools was one of the many things that gave me pleasure. Since a young age I’ve been demonstrating this great interest in being a teacher, but now, as I am one, my wish is to know more to do better as a professional. My interest in psychology was always present in my guidance practices. I am a teacher and as a teacher I like to help, guide, understand the students’ attitudes to motivate and guide them through the road of life. I want to express my delight in researching about educational orientation. I am determined to continue my researches as well as my reflections because I want to be an insightful teacher and I believe that reflection leads us to a better performance as expressed by Alarcão, I. (1996). « Professor: know your profession and know especially yourself as a teacher to assume yourself as a teaching professional». Then, « …after the description of what I think and do it would be possible to find reasons for my concepts and my performance […] in this process I am discovering and knowing myself as a teacher and meeting the conditions where I act my practice» While reflecting we would certainly be more conscious when defending our ideas and recognize our mistakes easily. This makes us educational professionals, guiders and tutors. As Moran, José (2003). says «Teaching is to orient, stimulate, relate, more than to inform. He who guides is the one who has a good theory structure and knows how to communicate. A teacher must be in constant upgrade, he needs to open himself to the information the student is going to bring and learn how to communicate with him.» Orientation is a «requisite since the first contact with education to create in the individual the knowledge about himself and his future professional life.» (Concepción Torres Del Moral, 2005). I plan to continue my work as a guide, assuming a thoughtful position to form students with autonomy and capable of thinking for themselves. The orientation has an important role in education, where the image of the professor-tutor is seen as vital to help students’ integration and their personal development. These are some of the reasons why I chose to carry out this research. The orientation makes the tutor an important piece of the puzzle. The tutor uses techniques; he 27 28 Orientação Vocacional e Profissional helps, collaborates and transmits trust and friendship. There is a blend of education and orientation. However, orientation leads to education. If we want a well-organized orientation in educational institutions, we have to carry out a program with the purpose of developing the teaching quality, in which professors, tutors and other agents that mediate the educational process can collaborate and try to find solutions to help students. In spite of existing private institutions which develop interventional individual programs, what really matters to this study is to investigate the kind of orientation carried out in the educational institutions where a support to children development exists in all levels. The orientation is the key to students’ success, that’s why there are some studies about the support given to students by educational agents as well as about the materials and activities created that help students to know their aptitudes, abilities and needs. The role of the teacher is very important. He doesn´t work alone, he works together with the psychologist, and assumes responsibilities in the guidance task. Those who don’t like what they do, don’t give the most out of them. So, the teacher has to like what he does, he has to cooperate and assume the guidance task as a passion. Students look at teachers and they see a role model. One way or another, they are influenced by their ideas. «There is no doubt that teaching is not the only thing that makes part of our task but we also need to teach to think right.» (Paulo Freire, 1921-1997). However there are questions that make us unquiet. How can we face the new situations in the market? What is the specific role of professional guides due to this situation? What are society expectations in relation to jobs? Are we heading towards a new conception of work? What are the new social demands for the person that chooses? Are they clear? There is the problem of choosing a career in adolescence that leads us to formulate questions about the acquisition of identity, what the adult wants to be and the design of a project of life. This is a crucial moment, because it involves their beginning in adult life and the conscience of their life´s project, anticipating the definition of the adult role. There are changes in universities that make us, teachers, being dedicated to orientation. There are essential identities, like psychologists, that, in straight collaboration with teachers and other educational agents, guide the students in their hard life stages. There is this new generation that isn’t sure their career´s choice. Introdução We are in an unsteady period because of Bologna, which is part of a group of measures that will make possible, till 2010, the constitution of the European Space of Superior Teaching and also because of other laws. The conclusion of Bologna’s purposes will allow the mobility of students between institutions, countries and the recognition of competences, knowledge, the potential employment and recognition of education through life. In spite of that, schools of median teaching are also in constant changing. So, it is important to see how things work in our country, analyze our position in relation to other countries. We need to reflect about our practices and the value that society gives to them and we have to try to recognize our limitations. We intend to do a critical analysis of the functioning of orientation structures, to know the psychologists and teachers’ opinions about the work they develop. We want to hear students to understand if the difficulties are overcome and their doubts heard. This study is divided in two parts. The first one is organized in four chapters and consists in giving a perspective of the orientation concept, their functions and purposes. We want to focus the evolution of the concept during the years as well as to highlight the structures of orientation in various countries. In spite of that, we aim to demonstrate how the tutorial action is carried out in Portugal, basing our study in the most important legislation. The first chapter is exclusively dedicated to the concept of orientation, their objectives, functions and interventions’ contexts. We also try to focus the intervention areas in educational orientation as well as the principles that justify the actual concept of orientation .At last, we describe all the models of intervention in orientation. In the second chapter we present the beginnings of orientation, the authors that followed the professional orientation as well as their origins. The Europe orientation is analyzed because we describe all the phases of professional orientation. This chapter ends with the characteristics of orientation in different countries. Chapter three is dedicated to the tutory in European space as well as the new conception of teacher. We wrote about the tutory, the new role, the qualities and difficulties of teacher. The chapter ends with the description of the action tutorial plan that is being put to practice by some Portuguese schools. In the last chapter we do a brief evaluation of the structures that support orientation. In this chapter we found a description of all the organs and structures of orientation in 29 30 Orientação Vocacional e Profissional Portugal as well as we focus the work done by various institutions, from universities, schools, job center, projects, programs, to underline the process of orientation in Portugal. In the second part of the research we present the methodology of research that has the purpose of doing a critical analysis of orientation in secondary schools, more specifically in Braga district and nearby surroundings. For that, it is divided in three chapters. In chapter five it is presented the research draw where we present the aims of our future research and the materials we intend to use. In chapter six we present the graphs and grids that correspond to the researches’ results as well as the result’s relation. At last, it is in the chapter seven that we do a general resume, presenting the specific and general conclusions as well as some possible future researches. Finally, we conclude our study with the results of our research in secondary schools, presenting our conclusions, limitations, difficulties and bibliography used. We hope to contribute to the creation of new works suggested by us at the end of the study. We think this work can open and contribute to the development of new perspectives and ways of looking at the process of orientation. 31 1. Marco Teórico Neste capítulo o nosso objectivo é dar uma ideia ampla do conceito de orientação, bem com os seus objectivos e contextos de intervenção. Para tornarmos este capítulo o mais completo possível descrevemos as áreas de intervenção na orientação educativa e os princípios que justificam a actual concepção de orientação, bem como a sua evolução. São, igualmente descritas, as funções da orientação e os modelos de intervenção. Concluímos este capítulo com as características apresentadas de forma sintetizada nos diferentes países, entre eles, Portugal e Espanha. 1.1 Conceito de orientação, contextos de intervenção, modelos e funções. 1.1 .1 Conceito de orientação Quando falamos em orientação profissional temos de pensar que é um assunto que impõe uma reflexão sobre o passado e sobre o presente para além de ter evoluído ao longo de quase um século de funcionamento tanto no continente Europeu como no Americano. Para além disso, por ser um conceito complexo e por existirem várias definições e perspectivas é que pretendemos mostrar como a orientação profissional se foi transformando num processo educativo e de conselho pessoal. Para além disso, referimos as épocas pelas quais tem atravessado este conceito de orientação profissional nas suas variadas etapas como vocational guidance, career guidance e career education para podermos perceber a sua evolução. A orientação nem sempre esteve ligada à educação, e tendo em conta as conexões que a orientação profissional tem com a psicologia, sociologia e educação, julgo que devemos olhar para o passado e ver o que dele podemos aprender, ao mesmo tempo que analisamos as novas tendências e paradigmas. Alguns autores referem que devemos analisar a orientação educativa no que respeita à sua história, teoria, conceitos, e a nível prescritivo, descritivo, normativo e crítico para percebermos o presente e o futuro numa perspectiva mais ampla (Bisquerra & Alvarez, 1998:20) Sabemos que os conceitos nem 32 Orientação Vocacional e Profissional sempre têm o mesmo sentido e que no campo da teoria existem várias tendências e enfoques que nos obrigam a definir este conceito. Para além disso, segundo estes autores devemos olhar para orientação educativa como uma constante formulação de propostas tendo em conta resultados de intervenções psicopedagógicas bem como teorias e modelos de intervenção (nível prescritivo). Devemos de descrever experiências em estudos de caso ou mesmo as experiências de orientação em centros educativos (nível descritivo). Convêm fazer uma análise normativa de instrumentos que são uma referência para os orientadores bem como assumir uma postura crítica perante a própria prática de orientação. Às vezes o que é normativo não é na prática muito eficaz e nesta situação assume-se o espírito crítico que vai de certo modo contribuir para uma reflexão sobre a orientação e posteriormente melhorar essa mesma prática. Na nossa opinião devemos de ter em conta que o mundo, as ideias, teorias estão sempre em constante mudança. A tecnologia avança a um ritmo galopante, a juventude é cada vez mais especializada e cresce no meio de todas estas mudanças a que chamam de globalização. Por isso, podemos agora questionar como é que a orientação profissional se encontra no meio disto tudo, analisando de certa maneira o passado, os conceitos, para reconstruir a orientação profissional e ver até que ponto é que a mesma está ou não a ser eficaz. Hoje em dia a tecnologia pode ajudar às intervenções psicopedagógicas, mas há alguns anos atrás isto não acontecia e os conceitos eram diferentes. Tentaremos demonstrar através do contexto das épocas e da cronologia a evolução do conceito de orientação e o sentido que os autores tentaram dar aos diferentes conceitos. Se olharmos para a cronologia e seguirmos as várias definições de orientação, visualizámos que em cada época aproveitava-se sempre o que já se sabia sobre orientação para se construir um novo conceito. A orientação estava dentro e fora da escola. Para além disso, tudo dependia inclusive das mudanças que caracterizavam a época. Num primeiro momento ela surgiu com o término de orientação profissional ou vocacional mas mais tarde com o impulso do estudo da psicologia ela deu mais importância à pessoa em si e, por isso, desenvolveu-se o conceito de orientação pessoal. Em seguida surgiu uma orientação escolar que era uma espécie de guia ou ajuda em determinados momentos da escola. Por fim, a orientação educativa foi uma espécie de fusão de alguns conceitos previamente abordados, bem como constituiu uma espécie de unidade e visão do sujeito como um todo. Capítulo I – Marco teórico A orientação profissional ou vocacional é uma parte restringida de todas as definições que referem a orientação profissional, pois esta vem tratar da fusão de problemas educativos e vocacionais originados quando se deseja ajudar jovens a entenderem-se a eles mesmos e quando temos de os preparar para o futuro mundo do trabalho. Essa ajuda centra-se em ensinar-lhes a fazer uso das suas experiências educativas em função das suas eleições futuras. Muitos autores utilizam também o termo vocacional, dado que a orientação profissional deu ênfase tanto ao aspecto profissional como vocacional com os termos Career education e Career development. A única diferença deste tipo de orientação e das outras está nos seus objectivos e na maneira de proceder a nível de métodos e estratégias. Fue Parsons (1908) foi o primeiro a considerar a orientação como orientação profissional. Sendo assim, foi o pai da orientação, pois impulsionou a orientação vocacional dando ênfase à ajuda e processo de clarificação que deveriam de ser fundamentais na tomada de decisão dos alunos. Viu-se nascer o termo Vocacional Guidance e os jovens, mas sobretudo os seus pais, viram uma ajuda para encontrar caminhos seguros para o êxito profissional, pois o objectivo geral de Parsons era estudar as características individuais dos alunos para que no futuro pudessem desempenhar as tarefas de forma eficiente. Segundo Parsons (1909) citado por Rodríguez Moreno (1987) a orientação profissional exige três actuações a «análisis de la persona para conocer las capacidades, intereses y temperamento; análisis de la tarea para que el orientado conociera los requisitos, oportunidades de varios tipos de trabajo; y comparación conjunta de estos tipos de análisis para razonar las relaciones entre esos dos tipos de datos.» (p.21). O orientador deve centrar-se em desenvolver a capacidade de análise do indivíduo para constituir assim uma ajuda na tomada de decisões. Mas o que isto implica é uma série de auto conhecimento que se deve desenvolver em diferentes perspectivas. Fletcher (1913) citado por Barry & Wolf (1962) define a orientação profissional como sendo uma selecção e preparação para a vida laboral. Desta forma, Claparède (1922:37) define que a orientação profissional tem como fim dirigir ou guiar o indivíduo a uma profissão que lhe ofereça mais probabilidades de sucesso, correspondendo às suas atitudes psíquicas e físicas. Sendo assim, a solução teria como base três factores principais: 1º Conhecimento do individuo que está a ser orientado; 33 34 Orientação Vocacional e Profissional 2º Conhecimento das aptidões requeridas para a execução das várias profissões; 3º Conhecimento do mercado regional de trabalho. Mais tarde uns anos, Mira e López (1927: 21-29) expressa « Esta es la misión de la orientación profesional, que se propone encontrar el tipo de trabajo más adecuado para cada hombre o mujer» Nos anos 30, na mesma linha de pensamento Chleusebairgue (1934:5) expressa «La orientación profesional comprende, como su nombre indica, el conjunto de procedimientos científicos encaminados a determinar la profesión conveniente a un individuo joven que se incorpora a la vida social, ayudándole así a resolver uno de los problemas más esenciales de su vida» Nos anos 40 com a publicação do “Manual de orientación profesional” Mira & López atribui importância à actuação científica completa e persistente que tem como único objectivo fazer com que cada sujeito se dedique ao tipo de trabalho profissional e que com o menor esforço possível obtenha rendimento e satisfação tirando proveito para si mesmo e para a sociedade. Sinoir (1954:17) refere que se deve colocar o jovem no preciso momento em que este tem de eleger a sua escolha de trabalho com a presença de dados que revelam as suas atitudes e os requisitos desse trabalho, pois serão necessários para tomar uma decisão. Mas Gemelli (1959:8) já aborda uma ideia anteriormente discutida por outros autores, na medida em que refere que toda a orientação profissional deve definir-se como um conjunto de conceitos directivos e de métodos que ajudam a indicar a cada um as suas aptidões e os deveres dos trabalhos para que possam ter a possibilidade de êxito, conseguir resultados para satisfação própria e resultados convenientes à sociedade. É em 1973 que surgem as primeiras afirmações acerca das novas funções de orientador com os movimentos na Europa e por isso Bohoslavsky (1974:15) refere «Entendemos por orientación vocacional las tareas que realizan los psicólogos especializados cuyos destinatários son las personas que enfrentan en determinado momento de su vida […] la possibilidad y necessidad de ejecutar decisiones». Law & Watt (1977) promovem a orientação a partir do termo Career education e entendem a orientação como «el conjunto de actividades planificadas que tienen como Capítulo I – Marco teórico meta facilitar el conocimiento de sí mismo, la habilidad para tomar decisiones y finalmente, la habilidad para enfrentarse a la transición.» Dando um enfoque parecido aos conceitos abordados anteriormente Rodríguez Moreno (1992) expressa que o «Programa sistemático de información y experiencias educativas y laborales coordinadas con la labor del orientador, planificadas para auxiliar en el desarrollo profesional de una persona». Alvarez (1995:36-37) assinala que por orientação profissional entende-se «el proceso sistemático de ayuda, dirigida a todas las personas en período formativo, de desempeño profesional y de tiempo libré, con la finalidad de desarrollar en aquéllas conductas vocacionales que le preparen para la vida adulta mediante una intervención técnica, basada en los principios de prevención, desarrollo intervención social con la implicación de los agentes educativo socio profesionales.» Para Ayala (1998) a meta é um esclarecimento da “identidade vocacional” onde num ambiente de relação com o aluno se deve incentivar a capacidade de decisão e buscar a satisfação das nossas próprias necessidades internas para uma satisfação pessoal. Delgado Sanchéz (2005) indica que a orientação deve contribuir principalmente para a maturidade do aluno e aponta como instrumento principal o currículo do mesmo. 1.1.2 Contextos de intervenção em orientação 1.1.2.1 Orientação escolar Este conceito de orientação escolar foca sobretudo a ajuda que o aluno precisa para ultrapassar as dificuldades e encontrar soluções eficazes no processo de aprendizagem. Autores como Garcia Hoz (1982:8) olham para a orientação escolar como um apoio ou suporte na vida académica dos alunos e também uma ajuda nas dificuldades dos alunos em adoptar técnicas de estudo. Repetto (1983:54) segue a mesma linha de Garcia Hoz e acrescenta que a ajuda presta-se para que o processo de aprendizagem individualizado seja eficiente e que o aluno realize as tarefas escolares de forma mais eficaz e alcance um bom rendimento escolar. No entanto, o campo de actuação do orientador escolar abarca tanto os professores como o 35 36 Orientação Vocacional e Profissional curriculum e o aluno, dado que todos incidem no processo escolar. Neste caso o orientador terá de obter um conhecimento do sujeito para realizar uma conjectura sobre o que o sujeito pode alcançar, informando o mesmo aluno de todo o conhecimento que o orientador possui de si. Este processo informativo já faz parte da orientação. No final faz-se uma avaliação juntamente com os professores responsáveis sobre as qualificações finais. Logo, a orientação profissional no âmbito escolar, na nossa perspectiva, tem como objectivo proporcionar a exploração do “self”, avaliando as capacidades e interesses dos alunos e ajudando-os juntamente com todos os membros da comunidade educativa a conceber um processo de ensino e aprendizagem individualizado. Através da ajuda da comunidade educativa e da exploração das aptidões e habilidades do aluno previamente detectadas estamos a assegurar uma eficácia nas tarefas que o aluno realiza. Deve-se promover um maior envolvimento pessoal dos alunos na construção do seu projecto vocacional, criando uma maior autonomia e responsabilização no processo de tomada de decisão. Assim a orientação escolar como refere Mora (2000) é um processo em que o aluno recebe ajuda para um bom rendimento académico e também para uma progressão nos estudos. 1.1.2.2. Orientação pessoal Neste conceito de orientação os autores pretendem valorizar a harmonia e a paz interior para que o indivíduo se sinta bem consigo mesmo. Este tipo de orientação implica auto conhecimento, auto estima, equilíbrio. Há um interesse nas necessidades do indivíduo de acordo com as suas habilidades e destrezas. Valoriza os valores humanistas, vitais, sofisticadores de preparação da pessoa para o futuro, bem como o seu desenvolvimento pessoal, para uma futura relação com a sociedade e para uma realização pessoal. É possível observar neste ponto como o conceito de orientação pode ser contemplado e tratado noutros âmbitos que não são exclusivamente psicológicos (campo da didáctica e campo curricular). Para além disso, é um tipo de orientação que engloba tanto a orientação no âmbito escolar como profissional ou vocacional. Com o decreto de Reorganização do Instituto Nacional de Psicotecnia de 21 de Fevereiro de 1964, surgiu uma definição também ela citada por Germain (1965) que Capítulo I – Marco teórico acrescentava que «Por orientación profesional se entiende la prática de las técnicas de psicología Aplicada encaminadas a la exploración de las aptitudes y diagnóstico de la personalidad individual, estudiada en su desarrollo, para mayor aprovechamiento de la enseñanza, acertada elección de profesión y más armoniosa adaptación a la vida profesional […]». (p.185). Neste sentido manifesta-se também Garcia Hoz (1968) Repetto (1983) e Senta (1979:169) que olham para a orientação pessoal como um processo de ajuda ao conhecimento de nós mesmos, do mundo e de tudo o que nos rodeia para podermos resolver os nossos problemas e alcançarmos o bem-estar. Todas estas afirmações estão muito próximas do conceito que Corey nos deu de counseling na época de setenta, juntamente com o enfoque eminentemente sociológico frente ao psicologismo que imperava. O autor argumentou que há uma relação directa em que o orientador ajuda o orientado a confrontar os seus problemas pessoais mas dentro de si mesmo, das suas relações e experiências. Bohoslavsky (1977) afirma que a orientação «pode ser entendida como toda actividade que, a partir de um plano de análise psicológica e mediante o emprego de recursos e técnicas psicológicas, procure promover o desenvolvimento das potencialidades do ser humano, seu amadurecimento como indivíduo e, finalmente, sua felicidade.» Outros autores referem a «orientación para la asimilación de cultura con su carácter personal.» (Forns & Rodríguez, 1977:78) Tyler (1978:87) afirma que a orientação tenta «descubrir el potencial de cada sujeto e ver que cada uno tenga a su oportunidad para desarrollar ese potencial al máximo en lo que mejor pueda ofrecer a sí mismo y al mundo.» É nos anos setenta que surge um conceito de orientação como um conceito mais completo e integral que visa preparar a pessoa para o seu futuro e adquirir maturidade para lhe facilitar o processo de escolha como nos refere Castaño López-Mesas (1983) «La orientación vocacional es un processo de maduración y aprendizaje personal a través del cual se presta una ayuda al individuo para facilitarle la toma de decisiones vocacionales, con el objeto de que logre un óptimo de realización personal y de integración a través del mundo del trabajo.» Este conhecimento de si mesmo para a realização pessoal e para integração na sociedade é também uma ideia geral de Rodríguez (1991) que diz que «orientar es, fundamentalmente, guiar, conducir, indicar de manera procesual para ayudar a las personas a conocerse a sí mismo y al mundo que los rodea; es auxiliar a un individuo a clarificar la esencia de su vida, a comprender que él es una unidad con significado capaz de y con 37 38 Orientação Vocacional e Profissional derecho a usar de su libertad, de su dignidad personal dentro de un clima de igualdad de oportunidades y actuando en calidad de ciudadano responsable tanto en su actividad laboral como en su tiempo libre.» (p.11). No entanto a ideia de Santana Vega (1993:60) parece-me bem clara quando este considera que não devemos separar a modalidade pessoal e profissional, pois as duas interagem dentro do processo educativo onde intervêm vários profissionais como os orientadores, professores, tutores, distintos profissionais da comunidade. Assim nos indica Escudero (1986), Férnandez Pérez (1978), Pérez Gómez (1981) e Zabalda (1984). Para Bisquerra (1998:9) a orientação é também um processo de ajuda que contribui e deve contribuir para o desenvolvimento humano ao longo da sua vida. A orientação para estes autores torna-se importante porque valoriza o desenvolvimento pessoal e humanista da pessoa para promover as relações humanas e socialização, bem como para valorizar as suas necessidades. De acordo com Regina Anzolch Crestani (2000) a orientação «no que diz respeito aos alunos, objectiva, principalmente, atendê-los no que se refere à formação do desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, qualificação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania». Repetto (1983:54) citado por López Urquízar & Sola Martínez (2003) define a orientação escolar como uma ajuda ao individuo para que a sua aprendizagem individual seja eficiente e para que este realize as tarefas da escola de forma eficaz e «alcance el máximo rendimiento satisfactorio.» Este tipo de orientação está ligada à acção tutorial de que quando dela falamos, e que mais adiante será um tema especificamente abordado, tem a ver com os aspectos problemáticos que influenciam o processo educativo do aluno e que incidem igualmente na integração familiar e comunitária que afecta a orientação escolar e provoca outro tipo de problemas emocionais. 1.1.2.3. Orientação educativa Segundo López Urquízar & Sola Martínez (2003) « La orientación debe se para un sistema Educativo, un elemento esencial que favorezca la calidad y mejora de la enseñanza, atendiendo a las diferencias individuales de los alumnos, el desarrollo de habilidades para “aprender a aprender”, la potención de las aptitudes de participación social y la madurez personal, propiciando un autoconocimiento del entorno social, económico y laboral a fin de estar preparados en la toma de decisiones para un futuro personal y profesional.» (p.13). Capítulo I – Marco teórico Por isso a orientação educativa apesar de ter sido definida de várias maneiras consegue transmitir sempre o tal processo de ajuda importante para conseguir promoção pessoal, maturidade do sujeito. Orientar é conduzir, guiar e desenvolver as capacidades dos sujeitos a exercer valores de liberdade, solidariedade, tolerância permitindo a construção e uma concepção da realidade que integre o conhecimento, a valorização ética e moral da mesma. López Urquízar & Sola Martínez (2003:14) falam que a orientação educativa tem de partir de uma relação entre orientador e orientado e que para eleger a vocação há que nos basear numa concepção orientadora e nos “princípios de prevención” e “desarrollo e intervención social”. Este princípio de prevenção visa reduzir os obstáculos mas não eliminá-los. Há um momento de crise 1 que se torna bom e é inevitável porque ao superá-la estaremos mais preparados para enfrentar a vida e outras situações que possam surgir.2 No que concerne ao desenvolvimento das potencialidades da pessoa este permite capacitar o sujeito das suas destrezas necessárias para que ele possa dar resposta às situações da vida para lhe proporcionar situações de aprendizagem. Todos os enfoques mais modernos visam a orientação como uma orientação educativa. No que diz respeito ao princípio de intervenção educativa toma em conta não só o sujeito mas as circunstâncias que a rodeiam e as que desenvolve. De facto, uma visão bastante alargada do que é a orientação foi surgindo nos anos sessenta e incide sobre uma orientação que considera os distintos contextos educativos, olhando para o aluno como um todo que assume algumas decisões e que contribui para o seu desenvolvimento. Surge como um factor de câmbio como afirmou Shoben (1962) e Wrenn (1962). Garcia Yagüe (1964) citado por López Urquízar & Sola Martínez (2003) define que o indivíduo deve resolver os seus problemas e ultrapassar os obstáculos através de um 1 A prevenção parte das teorias da crise, preconizada pelos psiquiatras da universidade de Havard que foram preconizadores da saúde mental. 2 Sola Martínez refere ainda os aspectos a ter em conta desde o princípio de prevenção ao contexto de orientação educativa que são: 1. As etapas educativas como a família escola, inter ciclos, ensino obrigatório, pós obrigatório e escola. 2. Conhecimento mediante uma exaustiva avaliação inicial das características do aluno que será comparado com a informação de observação do tutor realizada no início. 3. A orientação deve centrar-se nos agentes externos da escola. 39 40 Orientação Vocacional e Profissional «processo de ayuda sistemática y profesional a un sujeto, mediante técnicas psicopedagógicas y factores humanos» (p.16). Em Mira & López (1965) trata-se de uma orientação como «una actitud científica compleja y persistente destinada a conseguir que cada sujeto se dedique al tipo de trabajo profesional en el que con menor esfuerzo pueda obtener mayor rendimiento, provecho y satisfacción para sí y para la sociedad» (p.1). Garcia Hoz (1968) expressa que a orientação se diversifica consoante as necessidades de atenção do indivíduo em orientação profissional como uma ajuda para atender aos alunos, em orientação escolar uma ajuda aos problemas relacionados com a escola e uma orientação pessoal através do conhecimento de nós mesmos para enfrentarmos os problemas da vida. Há uma ideia de uma orientação centrada no acto pedagógico com um carácter preventivo e de diagnóstico com o fim de desenvolver o indivíduo como nos refere Repetto e al. (1994) «la orientación es la ciência de la acción que estudia desde la perspectiva educativa e portanto diagnostica, preventiva, evolutiva e ecológica, la fundamentación científica del diseño, la aplicación y la evaluación de los intercambios dirigidos al desarrollo e al cambio optimizado del cliente y de su contexto.» (p.87). A orientação surge ainda na ideia de Martínez de Codès (1998) como um processo integrado do acto educativo e relacionada com o desenvolvimento integral do aluno onde a meta a atingir é lutar por uma melhor orientação escolar e pessoal possível para que o aluno se auto conheça e no futuro se torne um ser autónomo, capaz de enfrentar e solucionar problemas. Seguindo a mesma linha de pensamento Álvarez et al. (1998:67) expressam que todas as experiências guiadas o máximo possível a nível escolar, pessoal, vocacional ou profissional fundem-se para uma concepção holística da personalidade. É de notar como a orientação evoluiu de tal maneira que de um simples diagnóstico que se fazia passou a olhar para o indivíduo como um todo, tendo assim um enfoque mais compreensivo e rico onde está em questão o desenvolvimento do indivíduo e o processo de simplificação e de prevenção do desenvolvimento integral do sujeito. Sendo assim, para nós a orientação educativa é um processo que visa guiar o mais perto e melhor possível o aluno em toda a orientação pessoal, vocacional ou profissional e escolar para que o desenvolvimento seja íntegro e total. É um processo em que o mesmo se deve conhecer a si próprio, às suas habilidades, destrezas, limitações e fraquezas e deste modo aja em conformidade com os valores morais e éticos. Deste modo, proporcionará Capítulo I – Marco teórico sucesso escolar e até mesmo profissional, caminhando para uma vida harmoniosa e autónoma numa sociedade em que o indivíduo sinta que dela faz parte e nela e para ela contribui diariamente. Daí julgue curioso e considere uma das melhores definições de orientação a de Sanpascual, (1999) citado por López Urquízar e Sola Martínez (2003) que afirma que «se trata de un servicio personal y sistema educativo, con el fin de ayudarle a conocer sus posibilidades y limitaciones, así como las de su medio, para que tome las decisiones adecuadas, para obtener el máximo de su desarrollo persona, académico y social y para lograr su transición a la vida activa como ciudadanos libres y responsables.» (p.15). Observam-se então as múltiplas definições que incluem a ideia de orientação para a selecção de uma carreira mas também mencionam a assistência individual para ajudar ao desenvolvimento. Ao longo dos séculos uma infinidade de estudos e experiências foram realizadas na área da orientação profissional, definindo-se diferentes perspectivas teóricas que caracterizaram a forma específica em que se aborda a orientação nesta área. O que é certo é que apesar das múltiplas definições dos seus autores que demonstram as suas perspectivas, todas parecem focar a importância da ajuda ao indivíduo para que ele atinja a maturidade vocacional e autonomia. Autores tais como Garcia Hoz (1970), Kelly (1964:440) e Miller (1971:35), referem o termo “processo de ajuda” para definir a orientação. Garcia Moreno & Torrego (1993) e Zabalda (1984) falam de um processo de ajuda na actividade educativa, cujo o objectivo é contribuir para o desenvolvimento integral do aluno para que este se torne autónomo e participe activamente na sociedade. Para Rodriguez Moreno (1995) orientar é auxiliar os indivíduos, guiá-los na descoberta de si e consciencializá-los de que são capazes de usar os seus direitos de igualdade bem como a sua liberdade e dignidade pessoal, para que se possam assumir como cidadãos no seu trabalho e no seu tempo livre. Há mesmo quem refira o a dimensão social da orientação como Férrandez & Sarramona (1978:522) citados em Torres del Moral (2005) que expressam que «la información externa de lo que ocurre en el mundo circundante de sujeto, de la sociedad en que deberá insertarse y que incide de manera más o menos intensa sobre su deseo individual.». (p.41). Todas estas observações estão completamente enquadradas naquilo que se chamaria de auto orientação e que teria como factores condicionantes o regime político e a situação económica. 41 42 Orientação Vocacional e Profissional 1.1.3. Objectivos da orientação Todo o processo orientador tem uma série de objectivos sistematizados por López Urquízar & Sola Martínez (2003) : • Ajudar à personalização da educação; • Adaptar a resposta educativa às necessidades do aluno; • Favorecer a maturidade pessoal, o desenvolvimento pessoal e sistema de valores; • Garantir aqueles elementos educativos mais diferenciados e especializados; • Prevenir os problemas de aprendizagem; • Assegurar a continuidade educativa através das distintas áreas, ciclos e etapas; • Contribuir com factores de inovação, qualidade para uma melhor educação orientadora. 1.2. Áreas de intervenção na orientação educativa Dependendo da época em que nos inserimos e das mudanças que ocorrem, as áreas de intervenção nunca foram sempre as mesmas e são apresentadas por Vélaz de Medrano (1998) por ordem cronológica. Como será possível verificar, as áreas estão de acordo com os modelos de desenvolvimento. São elas: • Orientação para o desenvolvimento da carreira; • Orientação nos processos de ensino e aprendizagem; • A orientação para a prevenção e desenvolvimento humano; • A atenção à diversidade. 1.2.1. A orientação para o desenvolvimento da carreira Capítulo I – Marco teórico Poderemos situá-la entre os anos cinquenta até setenta, onde a orientação entra numa fase de expansão devido ao aparecimento de associações que vêm realçar o trabalho de orientação e promover os contactos e intercâmbios entre os seus membros. Ressaltamos os trabalhos de Ginzberg e Super que demonstram um notável avanço no movimento designado de revolução da carreira. Ginzberg e os seus colaboradores baseiam o seu enfoque na psicologia evolutiva e no modelo freudiano da personalidade. A orientação é entendida como um processo de ajuda à pessoa para determinar o seu estilo de vida, desenvolver e aceitar uma imagem integrada e adequada de si mesmo e do seu papel no mundo do trabalho. A orientação passa a ser considerada um processo educativo e continuo que se dirige à pessoa como um todo, onde se devem incluir todos os aspectos da vida e os seus papéis na sociedade. Aqui em Portugal a reforma de Seabra inicia a reinstitucionalização de uma via vocacional no Ensino Secundário ou seja há uma preocupação em relacionar o sistema educativo e o mercado de trabalho devido à competição económica e à revolução tecnológica. Esta tendência aparece em Portugal e a reforma de Seabra de 1983 tem como principais objectivos preparar o cidadão para o mercado de trabalho bem como atribuir-lhe responsabilidades. Outras leis importantes neste campo surgiram depois, como se verifica no seguinte quadro: ENQUADRAMENTO NORMATIVO CONTEÚDO A LBSE (Lei de Bases do Sistema Educativo) – Lei n.º 46/86 de 14 de Outubro, Art.º 26.º Estipula «O apoio ao desenvolvimento psicológico dos alunos e à sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às actividades educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar, são realizadas por serviços de psicologia e orientação escolar profissional inseridos em estruturas regionais escolares». Decreto-Lei n.º 190/91 Regulamenta os serviços de Psicologia e de Orientação Escolar Despacho Conjunto n.º 191/SERE/92) Alarga o projecto "Uma escola – uma empresa" a todos os níveis do ensino básico e secundário. Entre outros, propõe como objectivos “a colaboração da comunidade na orientação e formação dos jovens” e “a orientação da educação para um contexto empresarial”. 43 44 Orientação Vocacional e Profissional O Decreto-Lei n.º 270/98, de 1 de Setembro Regulamenta os direitos e deveres dos alunos. Entre outros, o aluno deve beneficiar de actividades e medidas de apoio específicas, designadamente no âmbito de intervenção dos serviços de psicologia e orientação escolar e vocacional, bem como de apoios educativos adequados às suas necessidades educativas. O Decreto-Lei n.º 208/02, publicado em 17 de Outubro Aprova a nova orgânica do Ministério da Educação, criando a Direcção-Geral de Formação Vocacional (DGFV) Quadro 1: Enquadramento normativo I. A nível de uma intervenção mais especializada neste âmbito, em Portugal a nível da orientação escolar e profissional, compete ao psicólogo, designadamente: a) Apoiar os alunos no processo de desenvolvimento da sua identidade pessoal e do seu projecto de vida; b) Planear e executar actividades de orientação escolar e profissional, nomeadamente através de programas a desenvolver com grupos de alunos ao longo do ano lectivo, e de apoio individual ao seu processo de escolha; c) Realizar acções de informação escolar e profissional sob modalidades diversas, garantindo a participação activa dos alunos na exploração das técnicas e materiais utilizados; d) Coordenar a planificação e acompanhamento de visitas de estudo, experiências de trabalho, estágios e outras formas de contacto dos alunos com o meio e o mundo das actividades profissionais; e) Colaborar com outros serviços, designadamente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, na organização de programas de informação e orientação profissional; f) Desenvolver acções de informação e sensibilização dos pais e da comunidade em geral no que respeita à problemática que as opções escolares e profissionais envolvem. Capítulo I – Marco teórico Os serviços especializados de apoio educativo têm como objectivo geral promover as condições que assegurem a plena integração escolar dos alunos em articulação com as estruturas de orientação educativa. São constituídos por: a) Núcleo de apoios educativos; b) Serviço de psicologia e orientação (SPO); c) Serviço de acção social escolar (ASE). 1.2.2. A orientação nos processos de ensino e aprendizagem Hoje em dia são outros os caminhos que temos de percorrer para dar resposta às necessidades com as quais somos deparados. Antigamente limitavam-se a copiar modelos de gerações anteriores, mas agora com as mudanças da sociedade tudo é diferente. O sistema educativo deve de preparar os seus alunos para estes serem autónomos aprendendo por si mesmo. Daí se utilize a expressão “aprender a aprender”. Há medida que o indivíduo se vai desenvolvendo vai mudando o seu pensamento, tornando-o mais abstracto. Deve, ainda, desenvolver estratégias de aprendizagem e, para isso, o sistema educativo necessita de uma orientação no processo de ensino e aprendizagem. A teoria da aprendizagem de Ausubel (1978) propõe que os conhecimentos prévios dos alunos sejam valorizados, para que possam construir estruturas mentais utilizando, como meio, mapas conceituais que permitem descobrir e redescobrir outros conhecimentos, caracterizando, assim, uma aprendizagem prazerosa e eficaz. O professor aparece como um mediador que proporciona a descoberta dos processos mentais que realiza o aluno, mas o aluno também poderá ser um mediador e ajudar no desenvolvimento de outros colegas. De facto, há momentos em que os alunos apercebemse do que sabem e com a ajuda desse conhecimento constroem outro, mostrando-se capazes para cooperar com o professor. Há muitas estratégias que se revelaram interessantes, mas esta do trabalho em grupo é muito actual. Os professores também são preparados e formados para ajudar neste processo. No que concerne à formação de professores o decreto de lei nº 139-A/90 de 28 de Abril alterado pelo decreto de lei nº 105/97 de 29 de Abril e pelo decreto nº 1/98 de 2 de Janeiro 45 46 Orientação Vocacional e Profissional ressalta a formação dos professores bem como os direitos e deveres ou funções dos mesmos. Como tal aos professores é pedido que: • Desenvolvam a autonomia dos alunos bem como o seu espírito crítico; • Que respeitem as diferenças; • Que colaborem com todos os intervenientes do processo educativo para uma maior eficácia no processo de ensino e aprendizagem; • Que cumprem os programas e atendam às necessidades dos alunos; • Que participem e assegurem a realização de actividades, também elas extra aulas; • Reflexão sobre o trabalho realizado individual e colectivamente; • Enriquecer e partilhar recursos educativos bem como utilizar estratégias numa perspectiva de inovação e reforço da qualidade do ensino. Com a introdução do novo estatuto da carreira docente em 2007 os deveres são ligeiramente diferentes dado que focam mais o apoio na avaliação de docentes, a autoridade e disciplina que devem exercer bem como a promoção para o bem-estar dos alunos. Acrescenta, também, na alínea d) um ponto importante pois refere que os professores devem «Organizar e gerir o processo ensino-aprendizagem, adoptando estratégias de diferenciação pedagógica susceptíveis de responder às necessidades individuais dos alunos.» Como assinala Álvarez González & Bisquerra Alzina (1996) citados em Torres Del Moral (2005) a integração de estratégias em distintas áreas curriculares é um objectivo e a implementação actual dos currículos, por isso, torna-se observável que a orientação nos processos de ensino aprendizagem passe a ser uma das áreas fundamentais da orientação psicopedagógica. Sendo assim, estes mesmos autores apresentam-nos estratégias de aprendizagem que desenvolvem as seguintes habilidades: HABILIDADES DESENVOLVIDAS Estratégias de aprendizagem Habilidades cognitivas, tais como a comunicação, de recepção, de expressão, de processamento de informação, de uso da comunicação. Capítulo I – Marco teórico Habilidades tais como a planificação do estudo, controlo do ambiente, redução da ansiedade e controlo do progresso. Dinâmica pessoal do estudo Desenvolvimento de uma motivação, de uma boa imagem de si mesmo e de bons valores do estudo. Mudança do contexto institucional permite uma adequação da planificação da docência, adequação dos materiais do estudo, adequação da acção familiar. Quadro 2: Habilidades desenvolvidas. Podemos, ainda, acrescentar o desenvolvimento de técnicas de trabalho intelectual. 1.2.3 A orientação para a prevenção e desenvolvimento humano. É nos anos setenta que surgem novas formas de entender a orientação para a prevenção e desenvolvimento humano. O movimento da educação para a carreira assume contornos das teorias do desenvolvimento da carreira e defende a integração no currículo como instrumento formativo. Abarca o sistema educativo, a formação de adultos e a formação permanente. No entanto, o movimento da educação psicológica defende uma orientação para a prevenção e desenvolvimento que deve afectar todos os alunos desde os âmbitos educativos, familiar e social. Caracteriza-se pela preocupação que manifesta por ajudar os alunos na aquisição de competências psicológicas necessárias para enfrentar a vida. São muitos os autores que se preocupam com o desenvolvimento ou ainda developmental counseling, o que significa que a preocupação central era o desenvolvimento humano de todos os indivíduos em todos os aspectos. Podemos afirmar que a orientação adquire uma grande difusão e a figura do orientador cobra um reconhecimento profissional. Para além disso, a orientação para a prevenção primária e a orientação psicológica surgem nos anos setenta e a orientação deixa de ser algo que pretende corrigir mas prevenir e desenvolver. Em Portugal o serviço Cívico Estudantil – Janeiro de 1975 foi criado para responder a diversas necessidades, nomeadamente a da orientação dos estudos e dos estudantes para dar resposta às necessidades das colectividades. Outras leis foram importantes neste sentido: ENQUADRAMENTO CONTEÚDOS 47 48 Orientação Vocacional e Profissional NORMATIVO Lei n.º 105/01, de 31 de Agosto Cria a figura de mediador sociocultural com a função de participar na integração de imigrantes e minorias étnicas nas escolas, colaborando na prevenção e resolução de conflitos socioculturais, no cumprimento das obrigações educativas e na comunicação entre a escola e a família. O decreto-Lei n.º 301/93, de 31 de Agosto Mostra uma maior preocupação e define as competências da Escola (verificar o cumprimento do dever de frequência assídua das actividades escolares, pelos alunos, informando e comunicando aos pais e encarregados de educação da mesma), e do Estado Português (nomeadamente no que se refere à prestação de serviços de acção social, de saúde e de psicologia e orientação escolar, para apoiar e tornar efectivo o cumprimento do dever de frequência assídua dos alunos). O Decreto-Lei n.º 387/99, de 28 de Setembro Cria a Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos (ANEFA) com a natureza de instituto público, sujeito à dupla tutela dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade, concebida como estrutura de competência ao nível da concepção de metodologias de intervenção, da promoção de programas e projectos e do apoio a iniciativas da sociedade civil, no domínio da educação e formação de adultos, e ainda da construção gradual de um sistema de reconhecimento e validação das aprendizagens informais dos adultos. Despacho Conjunto n.º 279/02, de 12 de Abril Assegura uma oferta de educação e formação que, através de itinerários diversificados, proporciona uma qualificação de nível 1 ou 2, aos jovens entre os 15 e os 18 anos, que não tenham concluído os 1.º, 2.º ou 3.º ciclos do ensino básico, por abandono ou em risco de abandono precoce da escola e pretendam a obtenção do respectivo diploma e uma qualificação profissional. Despacho n.º 10543/2005, de 11 de Maio Emanado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, define no concreto quais as normas técnicas para a apresentação das estruturas curriculares e dos planos de estudos dos cursos superiores e sua publicação, entre outras as horas de contacto (onde se incluem as sessões de orientação pessoal de tipo tutórico) de cada unidade curricular do curso. Quadro 3: Enquadramento normativo II 1.2.4 Atenção à diversidade A realidade social e escolar requere uma atenção à diversidade e por isso é evidente a necessidade de profissionais formados nas estratégias de prevenção mais adequadas. Devemos, por exemplo, ter em atenção os alunos que têm necessidades educativas Capítulo I – Marco teórico especiais. Aqui em Portugal são vários os decretos que dão importância aos alunos com NEE e referem outros cuidados. Entre eles temos: ENQUADRAMENTO CONTEÚDOS NORMATIVO Lei Constitucional da República Portuguesa, de 2 de Abril de 1976 Consagra no seu Artigo 74.º «o direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar», especificamente na promoção e apoio ao «acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino» e apoio ao «ensino especial, quando necessário». Decreto-Lei n.º 319/91 Estabelece o regime educativo especial aplicável aos alunos com necessidades educativas especiais. Decreto-Lei n.º 270/98, de 1 de Setembro Regulamenta os direitos e deveres dos alunos. Entre outros, o aluno deve beneficiar de actividades e medidas de apoio específicas, designadamente no âmbito de intervenção dos serviços de psicologia e orientação escolar e vocacional, bem como de apoios educativos adequados às suas necessidades educativas. Despacho Normativo n.º 36/99, de 22 de Julho Destaca a elaboração de um itinerário individual de formação, estabelecido entre o formando e a escola, com intervenção do coordenador pedagógico e das estruturas de orientação educativa da escola, que se destina a permitir o acompanhamento do projecto pessoal de formação de cada aluno. Decreto-Lei n.º 240/2001, de 30 de Agosto Estabelece o Perfil Geral de Desempenho dos Educadores e Professores, os quais devem assegurar a realização de actividades educativas de apoio aos alunos e cooperar na detecção e acompanhamento de crianças ou jovens com necessidades educativas especiais. Quadro 4: Enquadramento normativo III. 1.3 Princípios que justificam a concepção actual de orientação Ao largo de muitos anos entrou em vigor uma orientação de carácter um pouco individualizada, pois reagia aos problemas que as pessoas encontravam pelo caminho e tinha lugar nos momentos críticos das suas vidas. Realizava-se com uma intenção 49 50 Orientação Vocacional e Profissional terapêutica e pretendia remendar o problema. Como referiu Rodríguez (1992) este tipo de aproximações fez surgir a ideia de orientação vocacional como estimulo ou tratamento para perceber as necessidades dos indivíduos. A orientação vocacional deixou de ser um tratamento de respostas “post hoc” aos problemas concretos dos momentos críticos de uma ocasião vital e uma outra ideia de orientação profissional surge. Esta é baseada numa imagem mais proactiva, que toma em consideração os contextos e atende à prevenção e ao desenvolvimento dos sujeitos. Aparece mais como uma prevenção e preparação para os problemas. De facto, Rodríguez Espinar (1993) mostra esta nova imagem de orientação no contexto escolar e assinala que se deve basear em três momentos básicos: prevenção, desenvolvimento e intervenção social. 1.3.1 Princípios de Orientação 1.3.1.1. Princípio de Prevenção Vallés (1984) refere que a orientação educativa é sobretudo preventiva e que a prevenção é uma espécie de controlo e neutralização de factores que geram conflitos. A acção orientadora tem que se antecipar às situações de conflito e não centrar-se numa coisa ou pergunta concreta. Na nossa prática orientadora sabemos que não é fácil concretizar estes princípios, pois do passado há uma tradição difícil de esquecer e na qual um modelo de orientação institucional, estático, periférico e individualizado predomina. O princípio de prevenção identificou-se durante muito tempo com o modelo preventivo de saúde mental. O modelo de saúde pública identificou três níveis de prevenção: • Intervenção primária, ou seja, actuar antes que se produza o problema reduzindo o risco; • Intervenção secundária, ou seja, uma vez que há o problema tratar de o reduzir; Capítulo I – Marco teórico • Intervenção terciária, ou seja, eliminar dentro do possível os efeitos do problema. Dos estudos que Caplan (1970) fez sobre a intervenção primária surgem dois objectivos fundamentais: • A necessidade de reduzir a frequência do mal-estar e o transtorno no sujeito de uma situação concreta. • A necessidade de proporcionar uma contribuição emocional a indivíduos que estão naquela situação. Em âmbitos educativos a prevenção primária caracteriza-se por uma acção que vai dirigida a alunos com problemas aparentes; intervêm de forma intencional antes que apareçam os sintomas e tem o intuito de diminuir o risco de fracasso escolar actuando através de estratégias mediadoras sejam elas directa ou indirectamente e dando ênfase ao contexto (grupos, associados e comunidades). Para isso utilizam-se dois procedimentos referidos por Valls Fernández (1998) que são: • Alterando os contextos ambientais dado que estes são geradores de situações de conflito; • Dotando os sujeitos de competências que lhes permitam confrontar com êxito algumas situações problemáticas. Na orientação, segundo Alvarez (1991) temos que nos centrar na orientação primária e secundária mas convêm dar mais ênfase à prevenção primária (principalmente nos três primeiros anos do desenvolvimento do indivíduo) dado que estamos numa fase em que dotamos o indivíduo de competências que lhe permitem enfrentar os problemas e actuamos num contexto em que surgem situações. Segundo Sánchez Delgado (2005) o princípio de prevenção mostra que a orientação é essencialmente proactiva e que deve de antecipar sempre que possível o surgimento de situações que se tornam um obstáculo ao pleno desenvolvimento do aluno e da sua personalidade. Esta situação vai levar a um diagnóstico 51 52 Orientação Vocacional e Profissional precoce que detecte os possíveis riscos e a necessidade de que a orientação se abra ao contexto onde se desenvolvem os indivíduos. Segundo o princípio de prevenção e fazendo alusão às ideias de Rodríguez Espinar (1993) deve-se dar especial atenção aos momentos de transição dos alunos nas várias etapas educativas, nas diferentes transições formativas e laborais ou ainda entre ciclos, ensino obrigatório, não obrigatória e na passagem da escola para o trabalho. A isto poderíamos chamar de momentos críticos. Em todos estes momentos o sujeito deve de estar preparado e fazer frente a uma eleição e a possíveis problemas que daí possam advir e não podemos continuar com a intervenção apenas quando o sujeito já se encontra num estado de angústia e desespero. O movimento da Educação para a Carreira é um bom exemplo de como ser proactivo, preventivo, modelo que não tenta concertar algo nem ser terapêutico no âmbito de orientação vocacional porque tem como finalidade realizar a união entre a escola e o mundo de trabalho desde os primeiros anos de escolaridade. O princípio de prevenção primária abre amplas possibilidades de orientação no mundo da orientação profissional. Permite ao orientador uma intervenção indirecta através dos professores. Ao mesmo tempo proporciona aos orientadores uma alternativa de tratamento tradicional de problemas. O seu grande número reduziu a actividade do orientador excepto na fase de diagnóstico. Possibilita dar algumas respostas a todas as perguntas sobre problemas ou situações geradas fora e dentro das instituições escolares como por exemplo o desemprego juvenil. (Alvarez, 1994) O princípio de prevenção primária tem pouca vigência nas nossas escolas devido a uma diversidade de motivos. Primeiro a intervenção preventiva exige que se trabalhe com programas preventivos, com desenho e avaliação desses programas ou então optar por um programa que terá sido considerado válido, fiável e adaptado ao contexto. Para além disso, significa uma grande mudança de estratégias na administração, colégios e orientadores e não é fácil familiarizar os intervenientes neste processo a prevenir os problemas, quando estamos habituados a resolver e a centrarmos a nossa atenção quando eles surgem. Em seguida é necessária uma quantidade de recursos e estruturas, o que mostra que o nosso sistema educativo teria que evoluir para fazer frente às necessidades. O que se tem feito é tratar dos problemas quando aparecem, a intervenção que pretende corrigir incidindo na orientação do dia-a-dia. Esta situação não permite evitar os problemas antes de aparecerem. Capítulo I – Marco teórico 1.3.1.2 Princípio de Desenvolvimento Outros dos princípios da orientação é o princípio do desenvolvimento. Como nos indica Rodríguez (1995) depois da segunda guerra mundial com movimento da psicologia para o desenvolvimento, houve uma mudança do conceito da orientação que se baseava nos momentos críticos, solucionava desajustes e era circunstancial. Surgiu uma orientação numa vertente mais preventiva, mais preocupada com os problemas num estado incipiente e sendo menos circunstancial. Os estudos de teóricos como Piaget (1936,1947,1972,1975) e de Érickson (1968) são mencionados por Delgado Sánchez, (2005) como uma ideia de que o desenvolvimento acontece em etapas que se fundamentam nos pressupostos da orientação para o desenvolvimento. A orientação que leva ao desenvolvimento seria uma espécie de aperfeiçoamento de outras teorias de orientação mais centradas nos momentos de crise, no problema do cliente ou na tendência adaptativa. É algo mais do que uma medida preventiva, é uma intenção de minimizar a necessidade de prevenção e dos esforços (no âmbito escolar) terapêuticos ou correctivos. Seria o produto de uma coordenação entre todos os agentes e componentes dos contextos escolares, no qual o professor é o responsável pela instrução e a equipa orientadora da integração e desenvolvimento geral do estudante. A orientação é um processo de acompanhamento do sujeito ao largo do seu desenvolvimento para activar e acelerar o dito processo Alvarez (1994). A orientação deve de acompanhar o sujeito no seu processo de desenvolvimento, tratando de identificar as suas condutas que manifesta o sujeito e definir as melhores tarefas que se adequam ao sujeito. Tendo em conta o princípio do desenvolvimento o sujeito tem de adquirir as competências para enfrentar cada um dos momentos do seu desenvolvimento. Esse processo de desenvolvimento pode ser analisado desde os enfoques: • Enfoque na maturidade que considera o desenvolvimento com uma série de etapas. Estas manifestam-se em certas condutas nas quais o orientador pode incidir através de certas tarefas. Desse modo poderá proporcionar as competências necessárias para enfrentar o processo de desenvolvimento. 53 54 Orientação Vocacional e Profissional • Enfoque cognitivo que interpreta o processo de desenvolvimento como uma interacção do sujeito com o orientador. Este processo é activo e necessita de motivação na construção e progresso harmónico da realidade. O princípio de desenvolvimento deve de se aplicar não só à orientação pessoal como também à orientação profissional. Os programas de desenvolvimento cognitivo, moral ou de carreira partem do pressuposto de que precisam de uma activação do desenvolvimento. Hoje concebe-se a orientação profissional como um processo de desenvolvimento que se produz ao longo da vida dos sujeitos (desenvolvimento da carreira profissional ou career development). São muitos os autores que concebem o desenvolvimento da carreira como um aspecto do desenvolvimento humano e elaboraram programas de orientação que pretendem estimular o progresso dos alunos num estado a outro. Alguns deles estão inspirados no desenvolvimento e na psicologia cognitiva como Tennyson (1975, 1980), outros se inspiram nas ideias evolutivas de Super (1962) sobre as tarefas do desenvolvimento e das habilidades cognitivas propostas por Guilford e apresentam um programa de desenvolvimento da Carreira (Career development education) cujo o objectivo é estimular o progresso de um aluno de um estádio a outro. Este, no caso do programa de Activação do desenvolvimento vocacional e pessoal de Pelletier, Noiseaux e Bujold (1974). Em Espanha podemos citar numerosas propostas de intervenção para o desenvolvimento vocacional como Alvarez (1987) que tenta adequar as considerações de Pelletier e outros num programa de auto exploração para os alunos de COU. Rodríguez (1987, 1992) e Alvarez (1991), que baseando-se em enfoques cognitivos apresentam modelos de orientação vocacional integrados no curriculum e na tutoria. Em Portugal, Campo (1980) aponta já para uma orientação vocacional numa perspectiva de intervenção no desenvolvimento psicológico e mais tarde Taveira (1997:401) faz um estudo sobre a exploração vocacional de jovens que resulta quer da investigação quer do desenvolvimento de programas de intervenção vocacional para jovens do ensino básico, secundário e universitário que a autora tem levado a cabo desde há alguns anos a esta parte na Universidade do Minho. Coll (2001:224) refere uma intervenção pedagógica que promova a aprendizagem significativa do aluno e que, além disso, o faça de uma forma intencional e reflexiva. Logo o autor parte da convicção de que a concepção construtivista proporciona uma explicação integradora e eficaz dos processos Capítulo I – Marco teórico 55 de ensino e aprendizagem e, ao mesmo tempo, fornece critérios para analisar, planificar, pôr em prática e avaliar esses mesmos processos. A aplicabilidade do princípio de desenvolvimento na orientação profissional foi de todo duvidosa. O progresso da orientação profissional está estritamente ligado às mudanças produzidas por este princípio. A concepção de orientação profissional como processo de desenvolvimento ao longo da vida do indivíduo (desenvolvimento da carreira profissional) é uma consequência deste princípio. Neste aspecto cabe destacar os trabalhos de Super (1951,1957) quando refere a orientação profissional como um processo de desenvolvimento. 1.3.1.3 Princípio de Intervenção social Neste princípio de intervenção social a orientação deve de ter em conta o sujeito e o contexto em que este se desenvolve. Assim sendo, temos de conhecer as variáveis contextuais. Uma das missões do orientador será a de adaptar de forma eficaz o orientado à realidade existente, bem como actuar sobre as variáveis contextuais condicionantes (as que se tornam um obstáculo ao orientado), para as transformar. Neste ponto podemos considerar a possível interculturalidade da orientação entendida como as orientações psicopedagógicas que reconhecem que todos os enfoques e teorias de ajuda se desenvolvem num contexto particular. Refere-se a uma relação de ajuda em que um ou mais participantes pertencem a distintas culturas. Reconhece-se o uso das perspectivas ocidentais e não ocidentais na ajuda e caracteriza-se pela ajuda profissional e pelos conhecimentos, destrezas e atitudes adequadas culturalmente. As mudanças e enfoques dão-se não só na aplicação de programas de orientação como também em todas as dimensões do sistema educativo tais como o curriculum, as técnicas de ensino, a motivação, a avaliação dos alunos, do professorado e dos orientadores (Repetto, 2001) Na hora de lidar com este princípio aparecem as posturas claramente definidas nos orientadores: aqueles que consideram a actividade do aluno como a base para impulsionar a mudança e o desenvolvimento pessoal (base psicológica, centrada no sujeito) e aqueles que pensam que se tem de intervir para produzir circunstâncias favoráveis para o ambiente do aluno (Menacker, 1976). Isto significa que se tem de ter em conta todos e cada um dos elementos que rodeiam o indivíduo. Está claro que a orientação modificou os seus 56 Orientação Vocacional e Profissional pressupostos psicológicos para introduzir os sociológicos (activist guidance) se se quer considerar o indivíduo na sua globalidade e no seu contexto. Este último enfoque (sociológico) segundo Menacker (1974) experimentou um forte impulso a partir dos anos setenta, especialmente na hora de estimular intervenções orientadoras nas zonas sem assistência socialmente. A intervenção orientadora tem de ser dirigida ao contexto educativo e ambiental se pretendemos ajudar o sujeito na sua realização pessoal. O orientador, junto com o indivíduo, tem de identificar aqueles aspectos do contexto social que estimulem ou que sirvam de obstáculo para esse desenvolvimento. É uma análise do contexto que é imprescindível na hora de ter de enfrentar a intervenção, tanto desde a perspectiva terapêutica como da prevenção e desenvolvimento. Em muitos casos, a transformação de alguns aspectos do ambiente é a única possibilidade para atingir os objectivos propostos. Para Rodríguez Espinar (1993) o princípio de intervenção social faz com que a orientação modifique aspectos do contexto educativo (direcção, sistemas de avaliação, metodologia…) e do contexto social (emprego juvenil, formação pós obrigatória, assistência social…). Para ele o orientador actuará de forma activa ajudando o sujeito, consciencializando-o dos obstáculos ambientais que impedem a realização pessoal. Este processo de consciencialização é deveras necessário para gerar uma atitude activa e conseguir mudanças ao longo de todo o processo educativo. Ao examinar a aplicabilidade deste princípio na orientação profissional, podemos assinalar que não se pode conceber uma intervenção sem contar com o contexto social Alvarez (1995). Desde esta perspectiva há que destacar alguns aspectos: • O sujeito tem de por à prova as suas possibilidades, valores, interesses, estilos de vida, o qual só é possível se o mesmo tiver um contacto com a própria realidade, através de experiências reais, simulações, visitas e outras actividades experienciadas e vivenciadas. • Estes modelos de orientação não se podem centrar só e exclusivamente na escola, tem de ter em conta a comunidade com os seus agentes sociais, económicos e os seus serviços de informação e documentação vocacional e ocupacional. Capítulo I – Marco teórico • Deve de se iniciar acções de abertura face a todos os que conhecem o orientado com novas situações da vida real e do mundo produtivo (emprego juvenil, bolsas de estudos e ajudas…) • Tem de se ser consciente dos factores ambientais como a família os amigos e a comunidade que podem, de certo modo, influenciar negativamente na tomada de decisões pessoais o que é muito importante controlar, adoptando uma atitude activa perante estas situações de conflito. • Em muitas ocasiões, produzem-se discrepâncias entre os objectivos e valores do sujeito e as propostas das instituições educativas e da sociedade. Esta situação precisa de ter uma constante interacção entre indivíduo e sociedade para ajustar o indivíduo a esta. Tem de haver um esforço para mudar algumas e determinadas condições do contexto. O que tem sido mencionado até aqui forma uma série de elementos constitutivos da orientação profissional e determinam o que ela é. Sabendo o que é a orientação profissional e quantos princípios e elementos é que a constituem, será interessante observar quais são as suas funções e a quem vão dirigidas, para deste modo determinar, de uma forma precisa, o conceito da mesma. 1.3.2. Evolução dos princípios de orientação Como reparámos são muitos e vários os autores que nos propõem diferentes princípios para categorizar a intervenção orientadora, contribuindo, deste modo, com a sua perspectiva. No quadro seguinte pretende-se mostrar mais algumas ideias mas de maneira cronológica para podermos ver que com a evolução do conceito de orientação foram evoluindo as perspectivas dos princípios que os autores propõem: FERNÁNDEZ HUERTA (1959) Este autor apresenta 19 princípios que podem ser resumidos em três grandes blocos: 1. Respeito pela dignidade humana, a ideia de pessoa como unidade, controlo de dados experimentais obtidos através do diálogo; 57 58 Orientação Vocacional e Profissional 2. A orientação é prevenção e previsão mais do que rectificação e correcção; 3. A personalidade do orientador deve de ser profunda e ampla. O orientador tem de ter uma preparação técnica e prática. Lázaro (1976) Delay (1973) Miller (1971 :21) Necessidade de uma orientação centrada no aluno; a orientação é parte integrante do sistema escolar e deve de ser contínua; A orientação deve realizar-se em equipa, deve desenvolver a informação, participação do aluno e da família e deve de estar aberta ao mundo do trabalho. Os sete princípios deste autor ainda seguem em vigor com os modelos actuais de orientação. São eles: 1. A orientação é para todos os alunos. A orientação é uma ajuda que se presta a todos os alunos, não só aqueles com problemas. Pretende estender-se ao longo da vida do aluno e acompanhar o seu desenvolvimento. 2. A orientação é para alunos de todas as idades. Há que implementar programas de intervenção para todas as etapas educativas tendo em conta as características individuais e aquilo que nos diz a psicologia evolutiva. 3. A orientação deve aplicar-se a todos os aspectos de desenvolvimento do aluno. Deve superar-se a visão fragmentada do aluno e cobrir todas as necessidades atendendo ao desenvolvimento íntegro do mesmo; 4. A orientação favorece o descobrimento e desenvolvimento de si mesmo. Se queremos desenvolver autonomia num processo de tomada de decisões o orientador tem de trabalhar para um auto descobrimento com o intuito de estimular os orientados. 5. A orientação deve de ser uma tarefa cooperativa em que colaboram pais, alunos, professores, orientadores e a equipa directiva do centro. Sendo assim, o orientador será um assessor do sistema educativo e não o único responsável pela orientação. 6. A orientação tem de ser considerada como parte principal de um processo total de educação; 7. A orientação deve ser responsável perante o indivíduo e a sociedade. Miller foca a necessidade de uma avaliação dos resultados da orientação e considera a orientação como «a ajuda aos jovens para passar da dependência à independência». Rodríguez Moreno (1988) Assinala sete princípios de orientação: 1. Preocupa-se com o desenvolvimento da pessoa; 2. Os seus procedimentos assentam em processos da conduta da pessoa; 3. É um processo contínuo; 4. É um processo estimulante, animador e incentivador; 5. É cooperativo; 6. É um processo de ajuda em estádios críticos e momentos chaves do Capítulo I – Marco teórico desenvolvimento; 7. Reconhece a dignidade e valor da pessoa. Rodríguez Espinar (1993) Este autor apresenta a nova imagem da orientação no contexto escolar, que tem de ser proactiva, que se antecipa a situações de problema de desenvolvimento humano. Com a prevenção reduz-se a probabilidade de surgirem problemas, e conhece-se o contexto de condições assim como o contexto de necessidades do aluno para que a sua acção transcenda o próprio marco escolar. Para ele, esta concepção deve apoiar-se nos princípios básicos de: prevenção, desenvolvimento e intervenção social. Maria Luísa Rodríguez Moreno (1998) Assinala 7 princípios: 1. A orientação preocupa-se sistematicamente com o desenvolvimento da pessoa, tentando conseguir o funcionamento ao máximo das potencialidades do estudante ou do adulto; 2. Os procedimentos da orientação assentam em processos de conduta individual; ensinam a pessoa a conhecer-se a si mesma, a desenvolverse direccionalmente e centra-se nas possibilidades, tratando de resolver carências, fraquezas e debilidades; 3. A orientação centra-se num processo contínuo de encontro e confrontação consigo mesmo, com a própria responsabilidade e com a tomada de decisões pessoal, num ensaio face à acção progressiva, face à reintegração e futuro; 4. A orientação é, primordialmente, estimulante, animadora e incentivadora, centrada no objecto ou propósito e incidente na tomada de decisões responsável, ensinando a usar, a processar informação e a clarificar as próprias experiências; 5. É cooperativa, não é obrigatória. O orientador é outro colaborador do sistema educativo, um especialista e um assessor e consultor dos docentes. O professor, por exemplo, proporciona os resultados de observação do processo de ensino e aprendizagem ou outras situações discentes, ao mesmo tempo que privilegia dos conselhos do orientador. Tarefa orientadora e docente complementam-se; 6. A orientação é um processo de ajuda em estados críticos e momentos chave do desenvolvimento, mas também contínua e progressiva, tratando de assessorar periodicamente e intermitentemente; 7. Reconhece a dignidade e o valor das pessoas e o seu direito a eleger. Inclui todos os jovens e adultos com a sua problemática específica e que tenham desejos de se desenvolverem a nível escolar e ou laboral. Quadro 5: Evolução dos princípios de orientação, adaptado de Torres del Moral, C. (2005) 59 60 Orientação Vocacional e Profissional 1.4 As funções da orientação Moreno (1988) afirma que «Es realmente muy difícil expresar, en un breve espacio, todas las funciones susceptibles de ser comprendidas en un programa orientador. Partiendo del supuesto de que la orientación es una tarea de equipo de profesionales, entre los que deben incluirse como mínimo pedagogos, psicólogos, asistentes sociales, médicos y maestros, adjudicándosele a cada uno una función previamente determinada y programada, podría asegurarse que las funciones generales serían conocer a la persona, ayudarla para que por sí misma y de modo gradual consiga un ajuste personal y social, e informar exhaustivamente en los ámbitos educativo, profesional y personal. Para lograr esos objetivos, genéricamente expuestos, se requiere: crear servicios de diagnóstico —que permitan el estudio individualizado de los problemas personales—; proporcionar experiencias que faciliten el aprendizaje correcto; saber informar, guiar y aconsejar; saber escuchar; saber dónde derivar a las personas que precisen ayuda específica o tratamiento paraescolar; y, por último, conocer las técnicas de información escolar y profesional, aprovechando al máximo los recursos comunitarios.» Em alguns países, fundamentalmente nos E.U.A., as profissões consideradas como “de ajuda” expandiram-se de forma extraordinária. São bastantes as actividades e intervenções de ajuda e orientação em certos ambientes e grupos sociais, se bem que o ambiente por excelência de ajuda e intervenção tem sido a instituição educativa. Muitos autores têm tentado elaborar uma lista de funções do orientador, o que tem sido bastante difícil. Tornou-se necessário ter em conta diferentes variáveis respeitantes às intervenções orientadoras como a finalidade, destinatários, estratégias, temas, etc. Segundo Lázaro (1978) & Caballero et al. (1982), ao querermos especificar tudo o que se pode ou deve de se fazer, resultaria quase impossível se não utilizarmos um modelo conceptual. São três os modelos descritivos mais conhecidos. Parsons (1909) já falava de diagnóstico, prognóstico e auxílio. No seguinte quadro pretendo mostrar em linha de evolução, algumas funções referidas por alguns notáveis autores: Capítulo I – Marco teórico AUTORES FUNÇÕES DA ORIENTAÇÃO Stevic (1963) Ele denotava carência de uma filosofia pessoal e de uma política profissional. Os orientadores não parecem ter um compromisso e um papel claro, respondendo de forma desordenada às pressões. Miller (1971) Pretendia elaborar uma lista de funções prioritárias. Perguntava o que deveria aproveitar e rejeitar como parte das responsabilidades dos orientadores. Shertzer & Stone (1971) Hill (1973) Eles escolhem para um centro escolar do secundário um modelo com um tipo de serviços de orientação em que se inclui os componentes ou serviços de valoração, informação, “counseling”, consulta, planificação, colocação e seguimento e avaliação. A complexidade das funções define-se assim: «De qué forma puedo cumplir con todas estas tareas, cada una de las cuales es tan importante, dentro de los límites de un día de trabajo razonable, e cómo puedo hacerlo con eficacia.» A elaboração das funções prioritárias seria um recurso razoável se implicasse um exame crítico das funções e processos de orientação numa escola, pois se «se reduce a desembarazarse de las tareas más fácilmente eludidas, no es profesionalmente válido.» Nerici (1976) Falou-nos de funções de organização, planificação, atenção geral, atenção individual, conselho e relação. Zaccaria & Bopp Seguindo um modelo mais tradicional assinalam as funções de informação académica, vocacional, pessoal e social, avaliação e diagnóstico. (1981) Repetto (1984) Esta autora define as funções a dois níveis: 1. Se o programa de orientação é básico e pouco experimentado: diagnóstico, informação e conselho; 2. Se o programa já foi largamente experimentado: diagnóstico, informação, conselho, colocação e ajuda económica, avaliação e investigação. Selvini et al. (1986/87) Ressaltam a necessidade de estabelecer uma hierarquia de funções bem como o contexto de funcionamento. Em geral pode-se requerer ajuda para resolver problemas mas não a nós próprios. Por exemplo, um director pode pedir ajuda para resolver problemas de docentes ou entre docentes e os docentes podem pedir ajuda para os alunos. Quem requer a ajuda não pode ser a pessoa com o problema em questão. Se essa ajuda é aceite há uma pessoa que assume a definição de relação e, por isso, carece de 61 62 Orientação Vocacional e Profissional Sancho (1987) autoridade para estruturar um contexto de ajuda adequado. Bisquerra (1992) Fala-nos de funções como organização e planificação, diagnóstico psicopedagógico, desenho e elaboração de programas de intervenção, consulta, avaliação e investigação. (1992) Estes autores realizam uma proposta clássica. Dizem-nos que as funções da intervenção psicopedagógica precisam de ser redefinidas atendendo ao seu objectivo geral que não pode ser outro, se não a orientação educativa. Deve ser analisado desde a perspectiva dos apoios especializados que o seu lucro requere, em todos os seus âmbitos: correctivo, preventivo e de desenvolvimento. Consequentemente, as funções da intervenção têm a ver com as grandes vertentes da orientação, coincidentes com três tipos clássicos de orientação: a vertente escolar, pessoal e vocacional. Cada uma pode ser analisada na sua vez. Sanz Oro (1995) Indica funções básicas a realizar: Garcia Vidal & González Manjón • Orientar a turma nas suas destrezas académicas, pessoais, sociais e vocacionais; Montané (1995) • Ajudar na aquisição de uma consciência vocacional, ajuda individual e em pequenos grupos; • Consulta, coordenação, trabalho com os pais, estabelecer ou coordenar os apoios externos de ajuda e atender à diversidade. Este autor assinalou algumas funções mais representativas da orientação profissional que são: Álvarez (1995) • Função de organização e planificação; • Função de diagnóstico; • Função de informação e formação; • Função de ajuda para a tomada de decisões; • Função de conselho; • Função de consulta; • Função de avaliação e investigação. Como podemos comprovar nesta proposta estão marcados praticamente a totalidade de todas as funções possíveis assinaladas por diferentes pontos de análise da função de orientação profissional, podendo assim considerar-se em certo momento globalizadora. Riart Vendrell (1996) Expõe algumas funções baseadas na análise das classificações dadas por distintos autores: • Conselho, consulta, coordenação, diagnóstico, avaliação, formação, informação, investigação, mediação, detecção e análise de necessidades, organização e programação. Apresenta um novo modelo profissional e institucional de orientação. Para Capítulo I – Marco teórico ele um novo profissional deve: 1. Conhecer os subsistemas de informação e colaborar dentro do sistema; 2. Ter o papel de realizar os elementos do sistema num sistema de mudança que vá de baixo para cima; Rodríguez Espinar 3. Fixar as bases da sua intervenção na colaboração; 4. Insistir nos objectivos propostos, frente a mudanças supérfluas sem possibilidades de futuro; (1996) 5. Estabelecer e manter o apoio de elementos do sistema através de uma relação que permita desenvolver linhas de trabalho congruentes e evitar reagir bruscamente às excessivas pressões externas Jiménez & Porras (1997) Santana Vega & Santana Bonilla Gera-se aqui uma nova linha de acção em função da organização, que se expressa como uma forma de colaboração entre professores e outros agentes educativos mediante redes, associações e alianças que propiciam relações flexíveis, democráticas e não hierárquicas para surgirem acções inovadoras de forma compartida. Assinalam que devemos integrar as várias funções a partir de três dimensões: 1. Tipos de intervenção (o que faz o consultor: aceitação, confrontação, prescrição e teorias e princípios.) (1998) 2. Tipos de problemas (tópicos que tentam ajudar a resolver: poder, autoridade, moral, coesão, normas, metas, objectivos…) 3. Unidades de mudança: a quem se dirige o consultor: indivíduos, grupo, vários grupos, organizações e sistema social. Surge a questão de o quê e quem é que determina a função de orientador. Santana Vega dá um contributo neste aspecto referindo: Santana Vega (2003) 1. O orientador e o seu contexto de trabalho. É um profissional da orientação que pode observar qual a melhor aplicação para ver as destrezas e aptidões. O seu contexto de trabalho é mais do que um, o que faz com que as funções a desempenhar se adequem às situações existentes para serem eficazes. 2. A pessoa que procura essa orientação espera que se realize um conjunto determinado de tarefas precisas e definidas. Tanto os orientadores como as pessoas com quem se relacionam esperam determinados tipos de comportamento Quadro 6: Funções da orientação, adaptado de Torres del Moral, C. (2005) e Santana Vega (2003: 49) Outros autores têm tentado descrever diversos conjuntos de dimensões que contextualizam as funções dos orientadores. Vejamos a sistematização realizada por Alvarez, V. (1994) que nos apresenta as seguintes dimensões: a) Contextos de intervenção em que os orientadores actuam: 63 64 Orientação Vocacional e Profissional • Instituições educativas; • Instituições não educativas; • Não instituições. b) Modelos de intervenção que os profissionais adoptam: • Modelo de serviços; • Modelo de intervenção por programas; • Modelo de consulta. c) Destinatários da intervenção: • Indivíduos; • Grupos primários; • Grupos em associação; • Instituições ou comunidades. d) Métodos e estratégias de intervenção: • Intervenção directa; • Intervenção indirecta; e) Funções assinaladas (que surgem através de factores externos como a administração educativa ou através de factores internos como a prática profissional): • Informativa; • Diagnóstico-avaliativa; • Preventiva; • Terapêutica; Capítulo I – Marco teórico • De apoio; • Formativa. Em todo o caso são também relevantes algumas opiniões de trabalhos levados a cabo Vélaz, et al. (2001) que mostram a sua opinião em relação aos orientadores e às respectivas funções. No que diz respeito às competências profissionais temos o trabalho de Sobrado (1997). Sobre a transformação do orientador num consumidor de resultados de investigação temos igualmente a produção de Sans Oro (2001) 1.5 Modelos de Intervenção na Orientação “Modelos”, segundo o dicionário de língua portuguesa é: «Objecto a reproduzir por imitação; representação, em pequena escala, de um objecto que se pretende representar em grande; Tudo o que serve de tipo para ser imitado sob o aspecto artístico, literário, moral etc.» Segundo Escudero (1982) citado em López Urquízar & Sola Martínez (2003), “modelo” é uma «representación simplificada del objeto a quien se dirige la intervención». Para Tejedor (1985) um modelo é uma espécie de aproximação intuitiva à realidade. Bisquerra (1992:177) acrescenta que os modelos são estratégias fundamentais que servem de guia no processo de orientação, focando ainda a representação simplificada da realidade. Portanto, um modelo identifica-se como sendo uma representação da realidade sobre a qual temos de intervir e na qual vamos ter presentes os métodos, os agentes da e os propósitos da intervenção. Há uma diversidade de modelos que nos indicam que há um avanço considerável de perspectivas diferentes no campo da investigação científica. Esta diversidade mostra que a orientação educativa pode não ter encontrado a maturidade suficiente como ciência porque os seus conteúdos não são sistematizados nem coerentes, e daí que ela continue ainda hoje a ser alvo de muita atenção por parte de estudiosos. Há múltiplas causas que geram esta diversidade de paradigmas e modelos, entre as quais a complexidade humana. Os modelos de Blake & Mouton (1976), Drapela (1983) e Morrill, Oetting & Hurst (1974) são os três modelos mais conhecidos e os que têm em conta uma série de variáveis mediante uma representação gráfica e tridimensional que explica a interacção dos elementos principais implicados na intervenção. 65 66 Orientação Vocacional e Profissional Morrill, Oetting & Hurst (1974, 1980) apresentam as funções e dimensões da intervenção orientadora agrupada em três categorias: 1. O destinatário da intervenção pode ser o indivíduo e os diferentes agentes, tais como, os grupos primários (pais, família, amigos), grupos associativos como turma, companheiros ou clubes e instituições ou comunidade como o centro, bairro ou cidade. A orientação tem de contar com os diferentes agentes que rodeiam o indivíduo e que podem estar incidindo sobre ele. Não se concebe um programa de orientação profissional se não se tem em conta os diferentes agentes que podem estar influenciando sobre as decisões e realizações pessoais e vocacionais do individuo.Com frequência se tem limitado a visão orientadora como dimensão educativa, dado que se desenvolve a função orientadora tendo como único destinatário o aluno, esquecendo o resto dos agentes apenas porque se considera que é suficiente incidir sobre a pessoa a quem temos de melhorar a sua situação e modificar as suas atitudes e condutas. É neste campo de grupos primários que se joga com um papel relevante na prevenção, desenvolvimento e intervenção social. 2. O propósito da intervenção orientadora. Esta dimensão indica que se tem de enfrentar as situações problemáticas acentuando a prevenção e desenvolvimento. Tem de se passar à intervenção antes de aparecer um problema, estimulando um desenvolvimento e a realização pessoal. Convêm incidir nas funções proactivas. Para desenvolvermos programas dirigidos a todos os destinatários, para enfrentar obstáculos que surgem na transição da escola para o mundo de trabalho que ajudem o aluno a desenvolver o seu próprio processo na tomada de decisões e que introduzam conteúdos curriculares que facilitem este desenvolvimento vocacional, tem de se ter uma intervenção proactiva, planificada e integrada no âmbito educativo. 3. Os métodos que permitem dar resposta às principais questões de toda a intervenção: A quem? Porquê? Como se intervêm? Estes métodos podem oscilar desde a intervenção directa (sem contar com agentes) até uma intervenção dinamizadora, coordenando a tarefa orientadora e dando protagonismo, mediante uma consulta, a todos os que estão implicados na intervenção, ou seja, pais, professores, amigos, etc. Assim, há uma maior implicação da equipa docente, que eficazmente preparada, pode desempenhar funções orientadoras e disponibilizar recursos humanos e materiais que podiam ser tarefa do orientador. A ideia de orientação como património de todos os educandos foi defendida por Alvarez (1995) pois adoptar o serviço de intervenção directo como único modo de intervir não permite Capítulo I – Marco teórico atingir as diferentes funções e objectivos da orientação, e por sua vez não facilita a implicação do resto dos agentes como vem ocorrendo historicamente. Marín e Rodríguez (2001) referem que há que ter em conta que os serviços educativos de qualidade não são possíveis sem a adequada formação dos agentes de tais serviços entre os quais o orientador. Blake & Mouton (1976) apresentam um modelo que tem o intuito de integrar as funções de consulta, supervisão e “counseling”. Consulta surge como uma relação triádica entre o orientador que é o assessor, o profissional docente que é o assessorado e o aluno que é cliente. O “counseling” supõe sempre uma intervenção directa e didáctica entre o orientador e o aluno. Drapela (1983) influenciou Alvarez Rojo 1994), pois este autor tenta catalogar e integrar as funções de “counseling”, consulta e supervisão. Seguindo os modelos de Blake & Mouton (1976) e Morrill et al. (1974), elabora um modelo baseado em três dimensões: 1. Unidades de intervenção ou objectivos de intervenção: indivíduos, grupos (primários ou associações); organizações como escolas, agências, sistemas industriais e comunidades (cidade, condado, federações…) 2. Temas, problemas ou situações de intervenção: intra ou interpessoais, relacionados com o trabalho, ocupacionais e morais, (rendimento/satisfação no trabalho), terceira pessoa ou grupo, como por exemplo problemas de um professor com o aluno ou a turma e estruturas e metas de organização. 3.Estratégias de intervenção: orientada à pessoa (subjectiva-afectiva), orientada ao tema ou problema (objectiva-cognitiva) e orientada ou centrada na conduta (modificação de conduta). Este modelo de intervenção tridimensional faz referência a funções específicas de consulta e supervisão. O seu maior interesse centra-se precisamente na indução da função de supervisão, pois somos conscientes da pouca aceitação e do carácter pejorativo que esta função tem no âmbito da orientação; Este autor concebe a supervisão mais como uma actividade de ajuda do que de controlo. Diríamos que é um modelo útil porque permite uma representação gráfica de um grande número de funções em base dos destinatários, às estratégias e a situações de intervenção, porque não explicita suficientemente o contexto em que intervêm os orientadores. 67 68 Orientação Vocacional e Profissional No entanto Bisquerra & Álvarez (1996:337) apresentam uma classificação mais clara e mais sintética da classificação dos modelos de intervenção na orientação. Focam a classificação de Rodríguez Espinar (1986): MODELOS DE INTERVENÇÃO NA ORIENTAÇÃO • Modelo de intervenção individualizada; • Modelo de serviços de orientação; • Modelo de programas de orientação; Quadro 7: Modelos de intervenção na orientação Álvarez González (1991) refere também três modelos entre eles: • Modelo de serviços; • Modelo de serviços mas actuando por programas; • Modelo de programas. Espinar, et al. (1993) e Álvarez González (1995) assinalam: • Modelo de intervenção directa individual (Modelo de counseling); • Modelo de intervenção em grupo (Modelo de serviços versus programas); • Modelo de intervenção indirecta e ou em grupo (Modelo de consulta). Alvarez Rojo (1994), por sua vez, assinala: • Modelo tecnológico; • Modelo de serviços; • Modelo de programas; • Modelo de consulta centrado nos problemas educativos; • Modelo de consulta centrado nas organizações. No entanto, serão os modelos de Bisquerra & Alvarez (1996) que me parecem ser os mais adequados à nossa realidade. Mas para isso, estes autores propõem eixos para a Capítulo I – Marco teórico análise dos modelos de intervenção na orientação psicopedagógica. Cada modelo ocupa um espaço dentro de um continuum que vai de um extremo ao outro dos diversos eixos. No seguinte quadro pretendemos resumir os principais eixos: EIXOS CARACTERÍSTICAS Intervenção directa – indirecta Intervenção individualem grupo Intervenção externainterna Intervenção reactivaproactiva De um extremo temos a intervenção directa que é aquela em que o orientador estabelece uma relação directa com o orientado. Este centra a sua acção no destinatário directo da sua intervenção. Na intervenção indirecta existe alguém que procura as sugestões de um orientador para as pôr em prática. O professor, por exemplo, é um mediador porque procura sugestões. Esta intervenção indirecta supõe uma intervenção mais a nível de instituição da direcção, dos professores etc. A intervenção individual situa-se num extremo e é centrada numa entrevista. A intervenção por grupos pode ser constituída por grupos pequenos, médios, associativos (15 a 30 pessoas) e pode, ainda, abarcar uma comunidade inteira3. A intervenção externa realiza-se por especialistas que não fazem parte da organização do centro. A intervenção interna é levada a cabo por especialistas que fazem parte do mesmo centro. A acção tutorial é sempre uma intervenção interna, mas há equipas nos centros de orientação que realizam intervenções externas. A intervenção reactiva pretende remediar ou corrigir certas dificuldades como as dificuldades de aprendizagem e adaptação social ou até mesmo as chamadas NEE. O modelo clínico, como verificamos mais à frente do capítulo, é justificado por este eixo. O proactivo está ligado à prevenção iniciando-se uma orientação que previna o que poderia suceder. Segue, por assim se dizer, o ditado famoso “Mais vale prevenir do que remediar” Quadro 8: eixos dos modelos de intervenção na orientação psicopedagógica Ligadas às funções de orientação profissional podemos considerar os modelos de intervenção que me parecem ser mais adequados como mencionado anteriormente pelo autor Alvarez (1994). Torna-se interessante recordar aqui brevemente esses modelos formulados por Bisquerra & Álvarez (1996), dado que se adequam à realidade da prática educativa e uma vez que se torna importante reflectirmos sobre aqueles que principalmente usamos nas nossas tarefas do dia-a-dia. Para além disso, pretendo focar os eixos de intervenção que estão na origem de tais modelos: 3 Nos anos trinta a orientação era praticamente individual com o surgimento do “counseling”, no entanto, por volta dos anos sessenta começou a ser em grupo porque se descobriram muitos benefícios no trabalho em grupo. 69 70 Orientação Vocacional e Profissional 1.5.1. Proposta de classificação de modelos 1.5.1.1. Modelo de “counseling”, clínico ou de atenção individualizada Eixos de intervenção: directa, individual, externa principalmente, mas pode ser interna e reactiva Este modelo supõe uma intervenção directa e individualizada do orientador com o orientado de modo que se proporciona um frente a frente entre ambos. Sendo assim, privilegia-se a entrevista como ferramenta utilizada. Este modelo surge para solucionar os problemas dado que é um modelo eminentemente terapêutico. O objectivo é recorrer à satisfação das necessidades específicas do orientado. Este modelo clínico centra-se na solução de problemas vocacionais e profissionais, especialmente os originados por diferentes tomadas de decisão às quais se vem submetendo o indivíduo. Assim podemos dizer que há uma dimensão preventiva e de desenvolvimento pessoal. Frequentemente no âmbito escolar recorre-se a esta intervenção pontual em que o especialista profissional possui os conhecimentos e mecanismos para interagir directamente com o orientado oferecendo-lhe a ajuda e apoio que precisa. O modelo clínico tem característica como a iniciativa do sujeito em pedir ajuda, a realização de um diagnóstico, a actuação em função dos resultados do mesmo e a conclusão. Rodríguez (1995) refere que este modelo é uma resposta à ênfase geral de orientação guidance, pois a sua atenção centra-se em problemas específicos e o orientador é mais um psicólogo clínico do que um orientador. No contexto profissional é fácil encontrar esta ajuda, pois todo o sujeito que recorre a um organismo para procurar ajuda na sua procura de emprego, encontra-a. Apenas tem falta de recursos suficientes para a sua inserção laboral. As críticas realizadas a este modelo referem talvez a sua consideração como modelo exclusivo. Devemos aceitar que muitas acções não podem focar-se num grupo de referência como ocorre habitualmente no marco escolar. Pois nestes casos temos de pensar que no final devemos legar decisões pessoais, sendo os processos seguidos totalmente individuais. Em consequência pode ser conveniente com muita frequência um contacto Capítulo I – Marco teórico pessoal entre orientador e orientado. Uma crítica importante a este modelo é que ele considera-se a principal forma de intervenção, não valorizando outros modelos de intervenção. 1.5.1.2. Modelo de serviços Eixos de intervenção: principalmente directa mas pode ser indirecta, individual e em grupo, principalmente externa mas pode ser interna e reactiva. Este é um modelo que está ligado às instituições públicas. Oferece uma série de intervenções pré-estabelecidas inicialmente e descontextualizadas, em parte, do meio em que se inserem, dado que não contam com a implicação dos diferentes agentes, ou seja, actua-se sobre o problema e não sobre o contexto. Assim um serviço oferecido no meio laboral irá propor actividades de ajuda directamente desenvolvidas pelos orientadores, sem contar com a participação ou a implicação de diferentes agentes laborais e normalmente fora do lugar concreto de trabalho. No âmbito escolar encontramos frequentemente este modelo organizativo, através dos diferentes serviços psicopedagógicos oferecidos em zonas ou áreas em que um especialista se dirige periodicamente ao centro, intervêm com os estudantes e não pretende implicar os professores. Segundo Rodríguez Espinar (1993) este modelo: 1. Tem um carácter público e social; 2. Centra-se na necessidade do indivíduo com dificuldades de risco; 3. Actua sobre o problema e não sobre o contexto que o gera; 4. Está contemplado fora do local de trabalhos ou dos centros educativos; 5. A sua localização é por zonas ou secções; 6. Actua por funções e não por objectivos. Assim sendo, o propósito da intervenção é primordialmente remendar e centra-se quase exclusivamente no especialista, dando pouco protagonismo aos agentes externos. 71 72 Orientação Vocacional e Profissional Não devemos confundir este modelo de serviços com um modelo ligado às zonas onde intervêm, pois ele é independente delas. Um departamento de orientação num centro escolar pode oferecer serviços de ajuda a estudantes, mediante intervenções individuais ou em grupo, estabelecidas previamente, descontextualizadas da realidade concreta do centro e não incidir no programa curricular em que estão comprometidos os restantes membros da comunidade escolar. Shertzer e Stone (1981) definiram para um centro escolar de secundaria um modelo de serviços de orientação. Hoyt (1962) olhava para a orientação como um conjunto de serviços integrados na escola, de onde esta assume responsabilidades na orientação e não unicamente no orientador. Apesar de o orientador ter muita importância, não assume exclusividade e os outros agentes também adquirem protagonismo. Surge, uma visão antagónica dos serviços da definida inicialmente, pois a orientação não se reduz às relações pessoais entre orientador e orientado mas inclui sobretudo relações com os professores, pais, psicopedagogos etc. Na década de noventa este modelo entra em crise e autores como Álvarez Rojo (1994) apontam como principais motivos desse fracasso o facto das intervenções de diagnóstico, que pretendem remediar, mediante um modelo de serviço não serem eficazes, devido à escassez de recursos materiais, à prática parcial e desinteressante de um orientador. 1.5.1.3. Modelo de programas Eixos de intervenção: principalmente directa mas pode ser indirecta, em grupo mas também poderá ser individual, Interna mas poderá ser externa e proactiva. Este modelo vem superar o anterior dado que entende a intervenção orientadora como uma acção que deve incidir no indivíduo e no seu contexto e mediante formas e estratégias que respondam a objectivos marcados a partir das necessidades que surgem num dado momento. Nasce a ideia de que qualquer intervenção que se deva fazer tem de ser feita através de um programa levado a cabo por algum profissional. Capítulo I – Marco teórico Peters e Aubrey (1975:64) expressam claramente que os programas de orientação são cuidadosamente planificados, compreensivos e sistemáticos para atingir objectivos claramente definidos. Traços distintivos de este modelo são o de Espinar, (1993) que refere que: 1. O programa desenvolve-se em função das necessidades do centro (instituição); 2. O programa dirige-se a todos os indivíduos; 3. Centra-se na necessidade do grupo; 4. O individuo é considerado como um agente activo do deu próprio processo de orientação; 5. Actua-se sobre o contexto com um carácter mais preventivo e de desenvolvimento do que terapêutico; 6. Estrutura-se por objectivos ao longo de um tempo; 7. Leva-se a cabo um seguimento e avaliação do que se realizou; 8. Implica todos os agentes; 9. Colaboram outros profissionais no desenho, elaboração e desenvolvimento do programa. Álvarez González (1995) citado em Torres del Moral (2005) assinala uma série de requisitos básicos que se deve ter, para poder implementar num centro educativo a intervenção por programas: • Assegurar programas dirigidos a todos os alunos; • Disponibilidade do pessoal que executa o programa, para que este tenha tarefas com carácter comunitário, processual e evolutivo; • A presença de um profissional em orientação que dinamize e que dê suporte técnico à planificação, execução e avaliação do programa; 73 74 Orientação Vocacional e Profissional Segundo Álvarez & Bisquerra (1996:340) o modelo de programas estrutura-se nas seguintes fases: 1. Análise do contexto para detectar as necessidades; 2. Traçar objectivos; 3. Planificação de actividades; 4. Realização de actividades; 5. Avaliação da eficácia do programa. A orientação vem intervir nas realidades educativas existentes de modo a desenvolver o aluno Desta forma criam-se programas que intervêm nestas realidades porque são planificados para usar estratégias e definir tarefas para desenvolver eficazmente o aluno. Delgado Sanchéz (2005) refere que a intervenção por programas assume princípios de intervenção, desenvolvimento e intervenção social. Este autor pensa que este modelo é o mais adequado porque dá sentido ao carácter educativo da orientação, dado que, para ele, a orientação deve ser um processo contínuo e integrado, para facilitar a aquisição de competências académicas, profissionais e vocacionais. Nos centros há certos programas que apresentam limitações e dificuldades, pois é conveniente ter um programa compreensivo e que integre a orientação, facilitando a formação e ajuda necessária ao desenvolvimento pessoal do aluno. 1.5.1.4. Modelo de consulta Eixos de intervenção: Indirecta, principalmente em grupo mas pode ser individual, interna mas poderá ser externa e proactiva. O modelo de consulta representa a intervenção indirecta do orientador sobre todos os agentes educativos. Mediante a consulta o orientador tem em conta as pessoas significativas para o sujeito. Com isto consegue-se dois aspectos: Capítulo I – Marco teórico 1. Que os agentes tenham mais facilidade, devido à sua aproximação e significado que tem para o orientado, em oferecer ajuda. 2. Multiplicar os esforços desenvolvido pela orientação, pois com este modelo convertem-se em agentes orientadores todos estes colaboradores. Na consulta participam três sujeitos: o orientador, que exerce o papel de consultor e prepara o indivíduo seja ele pai, professor, trabalhador social, companheiro. Este modelo apoia-se, na minha perspectiva, em dois elementos básicos: 1. A relação que se estabelece entre o consultor e o orientado. Aqui pretende-se que o consultor use técnicas e procedimentos orientadores básicos e defina os processos psico sociais sobre os quais vai intervir. Por isso, aqui não há uma relação de superioridade por parte do consultor, mas estabelece-se uma relação de igualdade. 2. É importante que o orientado assuma a responsabilidade de participar no processo orientador. Se for uma participação interessada poderá desenvolver melhor o seu trabalho profissional bem como descobrir a importância do seu papel e aperceber-se como poderá ajudar outra pessoa. Não podemos confundir este modelo com o de counseling. Neste modelo de consulta há uma relação de profissionais com status similares, mas cada um representa o seu papel (consultor/consultante). Para além disso o consultor não tem uma relação directa porque só supervisiona a consulta. Aqui neste modelo parte-se da informação e clarificação do problema desenhando-se um plano de acção que é executado e avaliado e por fim dá-se sugestões ao consultante para enfrentar a função da consulta. Quando falamos de counseling há uma relação directa e didáctica porque se estabelece uma relação entre pessoas com status distintos, como o orientador e aluno onde é desenvolvida uma intervenção terapêutica. Apesar do modelo de consulta ter-se desenvolvido frequentemente com os professores e tutores, uma forma particular de efectuá-la é através dos próprios companheiros. A orientação entre pares (peer counseling) é uma forma para que os sujeitos 75 76 Orientação Vocacional e Profissional não profissionais com uma formação específica assumam tarefas com eficácia, pois conseguem uma empatia, dado que provem de contextos similares do orientado (Gordillo, 1996) Este sistema tem sido muito usado em programas de orientação académica e profissional em centros de ensino secundário e superior (Benavente & Pérez Boullosa, 1984), onde os alunos de cursos superiores orientam os mais novos. 1.5.1.5. Modelo tecnológico Eixos de intervenção: Remota, em grupo ou individual, interna e proactiva. A intervenção através de meios tecnológicos não é algo completamente novo. Independentemente dos meios serem sofisticados ou não, o que interessa é que a orientação seja cada vez melhor e chegue a mais pessoas. Deste modo as guias informativas proporcionam ao orientado a informação que de outra maneira seria difícil serem transmitidas pelo orientador. Os programas informáticos de ajuda na tomada de decisões vocacionais surgiram nas últimas décadas. Os seus níveis de elaboração são muito desiguais, mas todos eles pretendem dotar o orientado de maior autonomia na tomada das suas decisões 1.5.1.6 Modelo psicopedagógico Eixos de intervenção: Indirecta, em grupo, interna e proactiva. Modelo psicopedagógico refere-se a um modelo misto de intervenção que junta um pouquinho de todos os modelos mencionados e é adaptado ao contexto educativo concreto. Segundo Bisquerra & Álvarez (1996) este modelo aparece como uma intervenção indirecta (consulta), em grupo, interna e proactiva. Este modelo misto baseia-se na implicação do professor/tutor como responsável pela acção tutorial e orientadora do seu grupo contando com a colaboração do orientador do centro (serviço interno) para a análise de necessidades, para o desenho e avaliação do programa. Esta é uma alternativa para apoiar a acção tutorial Capítulo I – Marco teórico e os professores sentem que estão a trabalhar com programas e são apoiados. É uma intervenção por programas, apoiada pelo modelo de consulta, deixando o modelo clínico para casos pontuais. O orientador tem, por sua vez, uma relação indirecta porque não orienta na sala de aula é como um assessor através da consulta. O quadro seguinte salienta as características, objectivos e estratégias deste tipo de intervenção: CARACTERÍSTICA, OBJECTIVO E ESTRATÉGIA. Intervenção de carácter interno Intervenção Os tutores juntos com o orientador do centro dinamizam o processo orientador e tratam de implicar o resto do professorado através do projecto curricular do centro. Pretende ser preventiva e fomentar o desenvolvimento; proactiva Intervenção com objectivo; Estratégia de A integração curricular dos conteúdos da orientação (informação académica e profissional, estratégias de aprendizagem autónoma, temas transversais, prevenção, desenvolvimento pessoal, etc) Sempre que necessário a inclusão de meios tecnológicos. intervenção Quadro 9: Característica, objectivo e estratégia do modelo psicopedagógico, adaptado de Torres Del Moral, C. (2005) Um exemplo de modelo de intervenção psicopedagógica poderá ser o de López Urzíquar & Sola Martínez (2003), que nos apresentam o quadro seguinte para explicar as suas ideias: FASES Indagações prévias CONTEÚDOS Fundamentação teórica sobre orientação e programas bem como necessidade de planificar, analisar a realidade e formular objectivos. Descrição do centro, das etapas, das aulas, e determinação do objectivo de intervenção. Segue-se uma identificação das pessoas, selecção dos materiais, desenho de estratégias e abertura a programas 77 78 Orientação Vocacional e Profissional Desenho do programa específicos. Apresentação de programas aos responsáveis pelo seu desenvolvimento, delimitação do campo de trabalho e de actividades, assumir responsabilidades em tempo e forma. Fase intermédia de apresentação Desenvolvimento do programa Avaliação do processo Procede-se da mesma forma que na fase dois e colocase em prática para depois se indicar os momentos de avaliação. Avaliação de todo o processo, aplicação das linhas de avaliação contidas no desenho, elaboração de conclusões e possíveis traços a melhorar no futuro. Quadro 10: características do modelo de intervenção psicopedagógica adaptado de López Urquízar & Sola Martínez (2003) 79 2. Desenvolvimento histórico da orientação profissional Neste capítulo desenvolveremos detalhadamente a história da orientação profissional. Num primeiro momento descrevemos os antecedentes e precursores da orientação profissional, bem como o nascimento dos termos “counseling” e “guidance”. A orientação surgiu nos E.U.A de forma diferente da orientação na Europa e passou por várias etapas que são descritas neste capítulo. No final é feita uma descrição minuciosa das características da orientação em vários países, tais como Portugal e Espanha. 2.1 Origens e desenvolvimento da orientação profissional 2.1.1. Antecedentes e precursores da orientação profissional No capítulo anterior conseguimos visualizar e ter uma ideia muito completa sobre o termo orientação. Para além disso, as suas funções, modelos e princípios ajudam-nos a visualizar melhor tal conceito. Tal como todos os conceitos, palavras e ideias, a orientação profissional também tem a sua história que se torna importante quando dela falamos hoje em dia.Citando Pierre-Bernard «Le mot orientation est d’un usage récent et on en conclut très vite que l’ ídée est neuve. Elle est en faite vieille comme le monde et comme l’enseignement. Inutile de remonter au déluge.», podemos afirmar que a orientação é algo novo que vai mais além das fronteiras, mas que tem um término muito antigo. De facto, a orientação profissional é muito citada em obras de toda a Europa e Estados Unidos da América e abriu campo para o surgimento de um novo conceito, o de career education. Portanto, o que aqui se quer afirmar é que o termo orientação é um termo deveras antigo já utilizado por Platão, Montaigne, Pascal que já mencionavam as tendências dos jovens para certos ofícios, no entanto, a própria função da orientação é algo novo. A orientação era vista como conselho e ajuda antes mesmo de ser uma eleição, por isso, podemos encontrar precedentes desta ajuda baseados em concepções religiosas e filosóficas. Platão ou Aristóteles, por exemplo, podem ser considerados um dos primeiros precursores da orientação profissional. López Bonelli (1989) mostra como Platão na República nos exibe 80 Orientação Vocacional e Profissional uma sociedade ateniense na qual, de forma natural, surge a divisão de funções e trabalhos entre diferentes indivíduos e classes. Aristóteles assinala que o desenvolvimento da racionalidade colabora na eleição de uma actividade de acordo com interesses dos indivíduos. Montaigne, pensador francês (século XVI), no seu “Essais” mostra a preocupação pela dificuldade em conhecer as inclinações naturais dos meninos e, juntamente com isso, o risco de os orientar incorrectamente na eleição da sua profissão. Pascal, no século XVII, na obra póstuma “pensées” manifestava a sua inquietação no que respeita à escolha da profissão e considerava que esta escolha era a mais importante da vida de um indivíduo e por isso merecia toda a atenção. Na obra de Vela (1990), e também na obra de Santolaria (1997) podemos observar uma curiosidade Espanhola, dado que foi neste país que foi criada a obra do Curator Orfens ou Padre de órfãos que perdurou no século XIV e XVIII, nos reinos de Aragão e Valência. Um padre velava pelos interesses dos órfãos e apoiando as suas reclamações, ajudava-os a encontrarem um trabalho do qual obtinham um salário. Esta situação constituía uma espécie de orientação profissional, embora ainda não se atribuísse este nome. Locke, filósofo Inglês do séc XVII-XVIII, partidário de uma educação teóricoprática, refere que tanto o ensino como a experiência são o que estruturam a mente das crianças, logo a educação era determinante para a eleição vocacional. No mesmo século, Leibnitz, precursor do experimentalismo, defende que uma vez que a mente é dinamizadora da formação e da instrução, a educação passa a determinar a profissão. Mas para isso cada profissão tem de ter uma preparação específica. Em 1842 aparecia em França a “guide por le choix d’un état” de Eduard Charton, que era uma espécie de dicionário de profissões que dava muita importância às aptidões profissionais e à própria preparação profissional. Logo esta acção e o próprio processo formal da orientação profissional é algo muito recente. A partir do século XVII começa a haver uma preocupação em procurar uma mão-deobra mais especializada e por isso a educação torna-se muito importante. Entra-se numa fase de pré industrialização. Durante o século XVIII, a revolução francesa toma como princípio o da igualdade de oportunidades e suprime os privilégios e o corporativismo em 1789. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Montesquieu retrata bem através da obra Le espíritu de las leyes o factor que mais contribui para a realização pessoal e profissional do indivíduo. Refere como factor crucial a livre eleição de uma profissão. Deu-se um grande impulso na educação e liberdade individual e profissional, produzido por uma mudança na sociedade na qual se quebraram barreiras, tradições e privilégios. Centrando-nos um pouco antes dos anos cinquenta, acreditava-se que a orientação profissional era algo que devia de estar concentrado na escola. Nos séculos XIX e princípios dos anos XX a orientação profissional atendia a uma classe trabalhadora e ajudava a ligar a escola ao mundo do trabalho. Nesta altura este tipo de orientação não estava ligado ao trabalho de psicólogos nem sociólogos destinados a ajudar a encontrar o melhor ofício para cada pessoa. Para além disso, era uma época em que a indústria começava a desenvolver-se e com os constantes acidentes de trabalho e rendimento insuficiente, houve quem se interessasse pela eleição de cada pessoa em função do tipo de actividade que gostaria de desempenhar, tal como Hugo Munsterberg e Taylor. Como tal, abriu-se caminho para a activação de serviços de orientação, de acções investigadoras e de sugestões para a prática. Cabe citar a de Kraepelin e a de Stern na Alemanha, a de Cattell no norte da América, a de Decroly na Bélgica, a de Binet, Lahy e Toulouse Piéron na França, a de Spearman e Pearson no Reino Unido, a de Sanctis na Itália, a de Claparède na Suíça, a de Rossolimo na Rússia, Germain o Mira em Espanha como os pioneiros destes serviços. 2.1.2. A orientação nos Estados Unidos da América Para entendermos as origens de toda a orientação convêm ter em conta uma série de factores que foram determinantes para a origem e desenvolvimento da orientação profissional. Podemos distinguir uma série de factores económicos e sociais e outros factores como sugere Alvarez (1994). Este autor indica como factores determinantes para o surgimento da orientação as seguintes condicionantes sociais e económicas: a industrialização, a escolarização, a revolução científica, o desenvolvimento do sistema capitalista de produção e organização do trabalho. 81 82 Orientação Vocacional e Profissional Nos Estados Unidos, a orientação surge como uma preocupação social e educativa, a partir do momento em que os indivíduos pedem ajuda para enfrentar as suas dificuldades. Havia uma necessidade de ajudar os indivíduos a adequarem-se a uma mudança social e económica que ia surgindo, especialmente a de alojar cada trabalhador no seu posto de trabalho. Por isso, afirma-se que as origens da orientação profissional tiveram lugar fora do âmbito escolar. Mas foi principalmente no ano 1900 que os E.U.A. tentam lutar contra as crianças, que com idades muito baixas estavam a trabalhar, sendo vítimas de abusos. Com a difusão da educação depara-se com o problema dos professores que tinham falta de preparação. Por isso, criam-se uma série de serviços de orientação para atender ao aluno. Para além disso, há várias razões como a preocupação dos pais com os seus filhos, no que diz respeito à sua educação e orientação, bem como a sociedade que se dizia democrata e defensora de direitos iguais para todos, como a escolha do papel que cada um queria ter na sociedade. Além do mais, economicamente evoluía-se e por isso os programas educativos eram cada vez mais ambiciosos e existiam cada vez mais pessoas que estavam envolvidas na orientação. López Urquízar & Sola Martínez (2003:57) referem, igualmente os motivos pelos quais nasce a orientação educativa nos E.U.A, resumindo os apresentados por Beck em 1973. • Passa-se de uma sociedade agrícola e rural a outra urbana e industrializada; • O acesso à educação, a mudança de uma concepção de educação; • As tensões internacionais, as crises e recessões e a imigração; • O apoio à investigação básica e aplicada, sobretudo, no que concerne aos testes. Outros autores como Shertzer & Stone (1973) apresentam vários factores ou motivos para o fenómeno da orientação, que são referidas por Lopez Urquízar & Sola Martinez (2003: 58): • As condicionantes sociais, em que o indivíduo face a uma carência numa sociedade precisa de orientação para se desenvolver; • O sistema económico que possibilite a necessidade de orientação; Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional • A ideia de que a sociedade norte americana centrara toda a atenção nos primeiros anos de formação e desenvolvimento para a maturidade da criança. 2.1.3. O surgimento dos termos “counseling” e “guidance” Guidance é entendido como orientação, um projecto de ajuda sistemática e profissional utilizando procedimentos educativos para favorecer auto conhecimento, ajudar na tomada de decisões e boas relações com o contexto. Aparece a primeira vez em 1914 com Truman L. Nelly com o significado de orientação educativa. A partir dos anos vinte nos E.U.A usase bastante o termo educational guidance e vocational guidance, embora na Europa se utilize mais a orientação profissional. Segundo Boy & Pine (1976) citado em López Urquízar & Sola Martínez (2003:153) “guidance” é mais: • Cognoscitiva; • Mais pessoal e pública; • Mais didáctica geralmente iniciada pelo professor para o aluno. O termo “Counseling” (conselho e assessoramento) supõe igualmente um processo de ajuda directa e inter pessoal através de um contacto pessoal. Contribui para a solução de problemas ou a melhora dos mesmos. Foi introduzido pela primeira vez por Proctor, Bloomfield e Wrenn, e foi entendido como um processo de ajuda pessoal para compreensão da informação profissional e a sua relação com as potencialidades e possibilidades da pessoa. Segundo Boy & Pine (1976) o counseling é: • Mais afectivo; • Mais pessoal, privado e confidencial; • Menos didáctico; • Geralmente iniciada pelo aluno. 83 84 Orientação Vocacional e Profissional O counseling começa-se a desenvolver a partir da primeira guerra mundial até aos anos quarenta. Valoriza-se o processo de ajuda na tomada de decisões do aluno, consciencializando-o para a importância de se compreender a si próprio. O seguinte quadro mostra uma revisão das etapas do termo counseling: ETAPAS CARACTERÍSTICAS 1ª Etapa (depois da 1º guerra mundial) Técnica de ajuda individual e orientação profissional, permitindo dar uma atenção individualizada num processo de assessoramento. Orientação – É mais do tipo clínico e psicométrico onde se utilizam instrumentos de diagnóstico com base em intervenções orientadoras. 2ª Etapa (a Partir dos anos 30) Transição de orientação vocacional (guidance) que recaía sobre as funções de adequação e selecção profissional para o “counseling” onde existia uma atenção individualizada às pessoas que necessitavam de ajuda psicológica para se entenderem a elas próprias e, desta forma, desenvolverem o seu auto conhecimento e receberem o apoio fulcral para a escolha vocacional. Orientação – o orientador torna-se um dinamizador que activa o processo de orientação e o orientado torna-se mais activo. Problema: Foi a aceitação da responsabilidade com um desconhecimento e deficiente formação profissional dos orientadores Quadro 11: Etapas do termo “counseling”. Vários autores tentaram, igualmente, mostrar a diferença entre os vocábulos “guidance” e “counseling” como nos mostra López Urquízar & Sola Martínez (2003: 153) citados por Torres Del Moral (2005: 104) AUTOR E ANO Hunphreys Traxler & North (1960) DEFINIÇÃO DE GUIDANCE Compreende o conjunto de actividades e experiências que ajudam o aluno a conhecer-se, a tomar decisões mais prudentes e a realizar uma planificação mais eficaz. DEFINIÇÃO DE COUNSELING O counseling compreende uma relação directa e inter pessoal entre o conselheiro e o cliente em que o objectivo principal é a solução adequada dos problemas do cliente. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional É processo sistemático profissional de ajuda à pessoa, através dos procedimentos educativos e interactivos para a aquisição de um melhor auto conhecimento e para que consiga relacionar-se de modo mais satisfatório com as exigências e oportunidades do seu ambiente, em conformidade com os valores sociais e morais. O conselheiro contempla a sua função como uma relação de ajuda que compreende a arte da comunicação pessoal, avaliação, interpretação e ajuda à pessoa em três campos: É a função educativa que sintetiza a vida do estudante. Ajuda-o a organizar as suas experiências educativas e leva-o a ser uma pessoa com uma melhor actuação. O “counseling” individual é uma entrevista cara a cara em que o conselheiro ajuda o cliente a resolver os seus problemas e adquirir um comportamento mais adequado. Glanz (1964) Processo de ajuda às pessoas para solucionarem os seus problemas e para serem membros responsáveis e livres da comunidade mundial em que vivem. O counseling cria um contacto personalizado de um a um que reforça a “guidance” e procura na educação uma conexão directa com a solução de problemas da pessoa. Hill (1965) É a faceta da educação que aspira a prestar ajuda à pessoa e levá-la a compreender-se, compreender o meio e criar harmonia entre ambos. A relação da pessoa com a pessoa chamamos de counseling, é o serviço de “guidance” mais apropriado para dar ao aluno a oportunidade de se conhecer, preparar as suas decisões, fazer planos e resolver problemas pessoais. Mathewson (1962) Zeran Lallas & Wegner (1964) • Evolução do sujeito; • Adaptação pessoal social; • Orientação educativo vocacional. Quadro 12: Diferença entre “guidance” e “counseling”. A conclusão que se tira destas definições é que o chamado “counseling” pretende reforçar a “guidance”, prestando apoio ao indivíduo, mantendo com ele uma relação e um contacto personalizado. O conselheiro ajuda o indivíduo a adaptar-se ao meio social, a resolver os seus problemas orientando-o e guiando-o. 85 86 Orientação Vocacional e Profissional 2.2 A orientação na Europa 2.2.1 Antecedentes e contributos Apesar de a orientação educativa ter surgido nos E.U.A com a necessidade de ajudar os jovens que começavam a trabalhar muito cedo nas indústrias, também no resto da Europa a orientação educativa percorreu um trajecto muito semelhante. É evidente que de acordo com as características de cada país a orientação foi abordada e tratada com algumas diferenças. Há sempre uma série de factores históricos e comuns de cada país que contribuíram para o nascimento desta. Enquanto nos E.U.A a orientação que se seguia era a vocacional na Europa implementava-se a orientação profissional, dando-se maior importância a esta. Nos anos oitenta, a Comunidade Europeia incentiva e promove os sistemas de orientação dos países membros. Temos o exemplo disso, do programa Petra. Num relatório sobre a execução do programa PETRA (1988-1994), apresentado ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité das Regiões e ao Comité Económico e Social, a Comissão ilustra os progressos realizados na concretização dos principais objectivos do programa, em particular o impacto sobre os sistemas nacionais. Esses objectivos, doravante integrados no programa Leonardo da Vinci, visam a melhoria do nível e a qualidade da formação profissional inicial, fomentam uma dimensão comunitária das qualificações profissionais, incentivando a cooperação, em particular no domínio da informação e da orientação profissional, bem como o desenvolvimento de oportunidades, de forma a permitir que os jovens possam encontrar um posto de trabalho. Estes programas como Sócrates, Comenius são de grande importância em matéria de edução e formação profissional. Como nos indica Torres del Moral (2005) «La orientación educativa tiene sus inicios en la orientación profesional…» (p.105). Nascem organizações internacionais referidas pela autora bem como algumas publicações importantes que fazem nascer na Europa a orientação. São de destacar A.I.O.S.P (Associação internacional de orientação escolar e profissional) O.I.T (organização internacional do trabalho), a publicação de “Hereditary Genius” de Galton em 1969, o laboratório de psicologia experimental por Wundt em 1979 e a aplicação da obra de Binet & Henri “La psichologie individuelle” em 1895. Em 1869 Galton publica seu primeiro estudo estatístico sobre a influência da ascendência directa no Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional grau de proficiência em alguma área específica. O livro recebeu o título de Hereditary Genius e relata uma pesquisa com 977 eminentes personalidades nascidas na Inglaterra, escolhidas por possuírem, acreditava Galton, um nível de aptidão que se encontra apenas uma vez em cada 4.000 homens (Garrett, 1969). O seu objectivo, declarado, era demonstrar que as aptidões humanas seriam herdadas da mesma forma que as demais características do organismo (Patto, 1993). As investigações de Galton obtiveram ampla repercussão noutros países. Na Alemanha, influenciaram pesquisadores como o psiquiatra Kraepelin que, no estudo com doentes mentais, procurava medir com precisão as diferenças em termos de magnitude, amplitude de variação e sentido. Stern, outro ilustre alemão, também obteve inspiração para seus trabalhos sobre as diferenças entre grupos – raciais, culturais, profissionais e sociais – nas investigações desenvolvidas por Galton na Inglaterra. Quem introduziu os modelos de Galton para medir as funções mentais nos Estados Unidos foi Cattell. Além dele, outros pesquisadores americanos interessaram-se pelo assunto, como Jastrow, Munsterberg e Gilbert (Garret, 1969). Em França, o estudo de Binet sobre as medidas de inteligência tomou um rumo um pouco diferente em relação às pesquisas dos ingleses e alemães, porém, esse destacado psicólogo, compartilhava o mesmo interesse em compreender as diferenças individuais e seus determinantes, objectivando distinguir, com precisão e objectividade, os normais dos anormais, os aptos dos inaptos. Embora tenha estudado medicina, o interesse de Binet pela Psicologia da criança e dos anormais foi o que o consagrou enquanto pesquisador. Tanto que participou da comissão, nomeada em 1904 pelo ministro da Instrução Pública da França, para «estabelecer métodos e formular recomendações para o ensino das crianças mentalmente retardadas das escolas públicas de Paris» (Garret, 1969:298). O resultado do trabalho nessa comissão não tardou a aparecer. Em 1905, em colaboração com Théodore Simon, foi publicada a primeira escala para medir a inteligência geral. A Escala Binet-Simon, como ficou conhecida, consistia numa série de testes que procuravam medir a aptidão intelectual de maneira mais ampla, tocando em aspectos como a adaptabilidade, a atenção e o julgamento, que segundo ele, manifestavam os mais importantes recursos da inteligência (Garrett, 1969). De certa forma todos estes estudos e dados tornaram-se importantes para orientar as pessoas profissionalmente. 87 88 Orientação Vocacional e Profissional Na tabela seguinte podemos observar os aspectos mais relevantes que caracterizaram as suas origens nos E.U.A e na Europa: E.U.A EUROPA Surge como uma preocupação social e educativa para dar resposta às reclamações de ajuda dos indivíduos para enfrentar as suas necessidades. Ajudar os indivíduos a adequar-se às novas mudanças sociais e económicas. A criação de oficinas de Orientação em diferentes países, a princípio do século marca os inícios da orientação. O tratado de Roma (1957) marca as bases da orientação profissional, com carácter público e institucional. Na década de 70, produz-se um grande desenvolvimento e consolidação. As origens situam-se fora do âmbito escolar. Posteriormente os políticos da educação detectam a necessidade de integrar a orientação dentro dos sistemas educativos. A partir de 1980, a situação económica e do emprego juvenil fazem com que a orientação profissional amplie as suas funções na ajuda na tomada de decisões, na transição para o mundo sócio-laboral através de itinerários de inserção e formação adequada. A orientação centra a sua acção nos processos de transição laboral e integração dos jovens no mundo sócio profissional. Quadro 13: Origens da orientação. 2.2.2 Factores determinantes da evolução de Orientação Profissional 2.2.2.1. Movimento da reforma social De facto, como já tínhamos referido anteriormente a orientação profissional surgiu por causa de: • Reformas sociais; • Meios de produção; • Divisão do trabalho; • Estrutura social naquele momento; • Marginalização; • Imigração; Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional • Carência social; • Trabalho infantil; • Diversificação da mão-de-obra. A esta situação de conflito social e laboral surge a educação e em especial a orientação profissional, em resposta às necessidades sociais e laborais existentes. A orientação surge como uma profissão de ajuda e de reforma social com um carácter de reivindicação social. 2.2.2.2. Movimento da psicometría e ou psicotécnica. Desde os seus inícios até à segunda guerra mundial, as técnicas psicométricas tiveram entre os orientadores uma grande aceitação e este movimento psicométrico originou-se simultaneamente no norte da América e na Europa. A incorporação dos testes no processo orientador propiciou o uso do método científico com o apoio estadístico, que por sua vez, contribuiu para o desenvolvimento do diagnóstico diferencial. Também o movimento psicométrico levou a orientação a descuidar aspectos tão importantes como: • Personalidade; • A motivação; • Os interesses e a relação pessoal no processo orientador, dando lugar a que a orientação se afastasse da sua função de ajuda e assessoramento. A utilização dos testes teve primeiramente um carácter de fortalecimento objectivo da intervenção orientadora para converter-se posteriormente num paradigma afastado dos objectivos originários da orientação, dando lugar a uma mudança educativa e social. 89 90 Orientação Vocacional e Profissional 2.2.2.3. Movimento de higiene mental, psicanálise e counseling Estes conceitos também contribuíram para o desenvolvimento de Orientação profissional. Significam eles: ¬ Movimento de higiene mental: A doença mental é um fenómeno social que requere tratamento por estar no individuo e num contexto. A relação pessoal converterá no objecto fundamental da acção orientadora e exige prestar atenção à dimensão afectiva para identificar possíveis conflitos pessoais. ¬ Psicanálise: Adquire um papel importante no desenvolvimento do assessoramento e da nova concepção do processo orientador, influindo no estudo de problemas afectivos e emocionais do sujeito, na relação pessoal e em menor medida no estudo da conduta vocacional. ¬ Counseling: A escola de Minessota no seu modelo de traços e factores introduz o counseling como atenção individualizada no processo de assessoramento, aparecendo associado, inicialmente, a uma das funções da orientação profissional como técnica de enfoque de traços e factores no assessoramento psicológico. Dará lugar à polémica entre orientação (guidance) e assessoramento (counseling). Trata-se de um processo psicológico de ajuda pessoal para a compreensão de informação de estudos e profissões. 2.2.3. Etapas da Orientação profissional São vários os autores que fazem uma classificação das etapas da orientação profissional como é o caso de : • Crites, J. O. (1971); • Beck, C. E. (1973); • Gordillo, V. (1988); Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional • Rivas, F. (1988); • Bisquerra, R. (1992); • Rodríguez Moreno, M. L. (1992). Para fazer um estudo da evolução da orientação profissional tem se em conta pontos comuns das distintas classificações e parte-se das seguintes etapas: 2.2.3.1. Primeira etapa: Os começos da orientação Professional (1900- 1915) Alguns escritos demonstraram que esta orientação sempre existiu desde a época clássica de Quintiliano, Séneca, Luís Vives, etc. De uma maneira explícita na Europa e nos E.U.A detecta-se a sua finalidade em finais do século 1800 graças ao nascimento do movimento industrializado, que por sua vez provocou migrações entre os países e do campo para a cidade. Tornava-se então ocupação dos orientadores diminuir as insatisfações laborais dos trabalhadores que migravam e que eram expostos a condições injustas e duras. Por outro lado, a política educativa tentava ajustar o currículo à realidade da vida adulta e do trabalho para haver uma coerência. É nesta época que surge uma luta pelos direitos humanos, igualdade de oportunidades e dignidade dos trabalhadores, tentando democratizar-se a educação. Por esta altura nada existia, daí que no início do século XX Frank Parsons decide reformar este estado de coisas criando em Bóston o chamado Vocational Bureau. Pretendia-se ajudar jovens desfavorecidos e emigrantes na procura de emprego. O seu objectivo era consciencializar a pessoa para as suas aptidões e estudá-la de forma a encontrar o trabalho mais adequado. Numa das suas obras intitulada de Choosing vocation de 1909, Parsons propõe várias técnicas para adolescentes e aprendizes. Estas técnicas vão desde a leitura e estudo de biografias até à observação de trabalhadores. Estas técnicas ajudam os trabalhadores a diagnosticar as suas capacidades para escolherem os trabalhos que se adequam a elas e demonstram uma enorme perspectiva de êxito. Mas para isso, todo este processo orientador 91 92 Orientação Vocacional e Profissional passava por algumas fases 4 que Parsons considerava fundamentais para haver êxito. A última fase tornava-se importante porque veio chamar atenção para o processo de reflexão e decisão da ocupação, em que o indivíduo tem de confrontar as suas conclusões com todas as exigências laborais das profissões analisadas. Nos Estado Unidos criou-se por volta de 1908 e 1909 em Bóston a chamada Vocational Guidance. Davis, J. B desenvolve em 1907 um programa de orientação moral e vocacional com o intuito de integrar a orientação no currículo. Publica esta obra em 1914 com o nome vocational and moral guidance. Uma vez que a orientação era entendida por este autor como algo ligado ao processo da educação, refere que o programa pretendia que o aluno compreendesse a sua personalidade e carácter para o ajudar a desenvolver uma dimensão social da sua vida profissional, de forma consciente e segura. A orientação vocacional pode considerar-se como o ponto de partida da ampla gama de possibilidades da orientação educativa da actualidade. Nesta época criaram-se centros para apoiar jovens que abandonavam prematuramente a escolaridade obrigatória. Em 1910, cria-se a National Vocational Guidance onde se organizavam conferências para os responsáveis pelos serviços de orientação. Paralelamente à Europa na mesma época, também, na América há um movimento de orientação vocacional em meados de 1915, que se denominou de Division of applied psychology defendido pelo Carnegie Institute of tecnology, que se ocupava da selecção e direcção do pessoal da empresa, das vendas e da orientação profissional. Também Douglas Fryer em Vocational self-Guidance em 1925 oferece às pessoas que tenham recebido conselhos nas oficinas de orientação um plano de auto orientação profissional. Sendo um livro produto de experiências práticas na sua oficina de orientação profissional, o autor mostra como sabermos mais sobre as nossas aptidões e habilidades e como devemos relacioná-las com os requisitos das ocupações. O autor evidencia estas ideias na página três «The intelligent man can run an information bureau of his own […] the responsability of vocational decisions and plans lies with each individual.» (Fryer, D., 1925:3) 4 As fases passam por uma primeira clara compreensão de si mesmo, onde a reflexão e o conhecimento das nossas aptidões, interesses, limitações e qualidades era essencial. Em seguida um conhecimento vasto de profissões existentes, dos requisitos de cada uma, das vantagens e das desvantagens, as perspectivas futuras e dos condicionamentos físicos, psíquicos e pessoais. Por último há uma fase final intitulada de “razionamento verdadero” que implica ajustarmos e relacionarmos todas as fases anteriores, confrontando características pessoais e exigências laborais. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional 2.2.3.2. Segunda etapa: Período de contrastes e maturidade da orientação (primeira guerra mundial até anos 40) Em 1931 introduz-se o “counseling” como técnica de ajuda individual e em 1952 cria-se o APGA (American personnel and guidance association). Nos E.U.A a partir dos anos 20 começam-se a utilizar os vocábulos “educational guidance” e “vocational guidance” enquanto na Europa se generaliza mais utilizando o de “orientação profissional”. Cresce um interesse em considerar a orientação como algo mais do que um simples informar sobre as ocupações, considerando-se como uma intervenção mais comprometida, encaminhada tanto para ajudar o aluno no processo de tomada de decisões vocacionais como para leválos a conhecerem-se a si mesmo. Durante este período, os movimentos de higiene mental e a psicometría influíram decisivamente na acção orientadora, promovendo um estilo mais clínico e psicométrico que implica a utilização de técnicas e instrumentos de diagnóstico como base das intervenções orientadoras. O termo “counseling” é introduzido pela primeira vez por Proctor, Bloomfield e Wrenn (1931) e é entendido como um processo psicológico de ajuda pessoal para a compreensão da informação profissional e a sua relação com as potencialidades e possibilidades da pessoa. Num primeiro momento o counseling é considerado uma técnica de ajuda individual no processo de assessoramento. Esta ideia é assumida por Williamson na escola de Minessota. Como consequência directa da finalização da guerra mundial e o regresso à vida civil de milhões de pessoas que procuravam a sua reinserção laboral e educativa, surge uma notável importância da orientação. Aprecia-se nestes momentos uma progressiva incorporação dos serviços de orientação nos colégios, introduzindo-se como linha de intervenção a atenção às relações familiares. 2.2.3.3. Terceira etapa: Expansão da orientação (1950-1970) A orientação entra numa fase de expansão devido à aparição de associações que vem realçar o trabalho do orientador e promover os contactos e intercâmbios entre os seus membros. Na década de sessenta produz-se um forte desenvolvimento e consolidação. 93 94 Orientação Vocacional e Profissional Concretamente a partir do tratado de Roma (1957) artigo 128 assentam as bases daquilo que será a orientação profissional de carácter público e institucional e em 1966 a Comunidade Europeia foi clarificando as funções da orientação e como vamos observar, é a partir de 1980 que as suas funções se vêm ampliando. Nos E.U.A, nos anos 50, organizava-se a chamada A.P.G.A. (American Personnel and Guidance Association) que alegou ter 40.000 associados. Mais tarde, em 1985 surge uma publicação bem conhecida de um órgão oficial “Journal of counseling and development” Em princípios de 1960 o aumento de pressupostos para a orientação permite o seu desenvolvimento impulsionado por várias causas apontadas por López Urquízar & Sola Martínez (2003:59): 1. A identificação rápida das habilidades e capacidades das pessoas para competir com a União Soviética nos temas especiais e relacionados com armamento; 2. A perda da identidade da pessoa tanto no seu ego como a nível social. Tudo isto, como nos referem os autores, gerou um aumento de orientadores privados e oficiais com uma melhor preparação em orientação individual e em grupo. A partir daqui, a definição de orientação profissional deixou de ser somente algo que existia para ajudar a pessoa a preparar-se para eleger, aceder e progredir numa carreira. Segundo Super (1951) «Orientar profissionalmente é um processo de ajudar ao desenvolvimento de uma pessoa para integrar o conceito de si mesma com o seu papel no mundo de trabalho, com o fim de contrastá-lo com a realidade e conseguir satisfações laborais e sociais.» Numa outra definição Sinoir (1954) indica que «La función de la orientación profesional es colocar al joven – justo en el momento en que debe decidir la elección de un trabajo – en presencia de los datos precisos sobre sus actitudes y los requisitos de ese trabajo, datos que le van a ser necesarios para tomar una decisión razonable.» (p.17). Logo a orientação profissional passou a ter uma definição mais integral e totalizadora. Esta definição, segundo o contraste e a adequação do conceito de si mesmo com a realidade ocupacional, dava um grande salto, uma vez que passava a haver uma intervenção da sociologia ocupacional e da economia, abrindo uma dinâmica evolutiva e Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional individual. A dialéctica entre orientação profissional e orientação educativa desembocou, na tentativa de diferenciação de orientação profissional como tratamento, e de orientação profissional como estímulo. Ao conceber a orientação profissional como tratamento, esta torna-se útil na hora de eleger, dado que responde a problemas e possíveis dificuldades que possamos ter na hora da decisão. Aqui, o orientador deve utilizar os seus conhecimentos e técnicas para resolver os problemas. Por exemplo, Williamson explicava que os pontos principais de intervenção poderiam sintetizar-se em problemas de eleição, de dúvida de eleição, de problemas de discrepância entre os interesses e as aptidões. Bordin, por sua vez adiciona outros factores nomeadamente a falta de informação ou mesmo os conflitos consigo mesmo e a ansiedade que a pessoa tem antes de eleger. No entanto, um tanto de desacordo estava Byrne que afirmava que mais importante era ter em conta a falta de maturidade da pessoa para escolher, a falta de destreza para resolver problemas e a falta de visão global da situação. Uma coisa é certa, como já tinha referido no capítulo anterior, todos estes factores parecem surgir antes da decisão do orientando e a orientação profissional é efectiva quando ajuda a pessoa a progredir e a entrar numa nova fase da sua vida. Por sua vez, ao olharmos para a orientação profissional como estímulo reparamos que esta assume contornos diferentes. Esta orientação não pretende responder a problemas que já existiam mas tenta ajudar a adquirir conhecimentos, atitudes, destrezas e talvez um certa identidade profissional e desenvolvimento da maturidade vocacional para enfrentar certas situações nas decisões futuras. Portanto, antes da crise e ansiedade da escolha, ela vai preparando os jovens a adquirir maturidade e consciência vocacional. Este tipo de orientação previne e equipa as pessoas que vão construindo e ganhando a maturidade suficiente para uma futura eleição profissional, ao invés de esperarem pelo momento da crise. Em meados de cinquenta assistiu-se a uma redefinição da psicologia do conselho profissional ou vocacional que tem as suas raízes no movimento psicométrico e nas teorias do desenvolvimento da personalidade quando se institui como uma sub especialidade da psicologia clínica. Ressaltamos os trabalhos de Ginzberg e Super que mostram um notável avanço no movimento denominado “revolução da carreira”. Ginzberg e os seus colaboradores baseiam o seu enfoque na psicologia evolutiva e no modelo freudiano da personalidade. 95 96 Orientação Vocacional e Profissional A orientação é entendida como um processo de ajuda à pessoa para desenvolver e aceitar uma imagem integrada e adequada de si mesma e do seu papel no mundo do trabalho. A orientação passa a considerar-se como um processo contínuo e educativo onde se devem incluir todos os aspectos da vida e os seus papéis na sociedade e um processo que se dirige à pessoa como um todo global. O movimento da carreira adquire relevância ao adoptar para a orientação o enfoque do ciclo vital, que a considera como um processo de ajuda a todos os sujeitos durante toda a sua vida e em todo os seus aspectos. Manifesta-se um interesse progressivo pela atenção aos grupos em lugar de um tratamento individualizado. Os estudos que mais destacamos são as de Wrenn, Mathewson e Borow. 2.2.3.4. Quarta etapa: A profissionalização da orientação. A Orientação a partir de 1970 Nos anos 70 surgem novas formas de entender a orientação para a prevenção e desenvolvimento através de: • O movimento de educação para a carreira, que assume a colaboração das teorias do desenvolvimento da carreira e defende a integração da orientação no currículo como instrumento formativo e como processo que incorpora de forma sistemática elementos profissionais, abarcando, ainda, a formação permanente e a formação de adultos; • O movimento da educação psicológica que segue uma orientação para a prevenção e desenvolvimento que deve de abranger todos os alunos desde os âmbitos educativo, familiar e social. Caracteriza-se pela preocupação, que manifesta, em ajudar o aluno na aquisição de competências psicológicas necessárias para encarar a vida. Podemos afirmar que a orientação adquire uma grande difusão e a figura do orientador cobra um reconhecimento profissional. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Nos E.U.A, é a partir dos anos 70, que se perfilham as grandes linhas da orientação que permanecem na época actual e caracterizam a profissionalização da função orientadora, a dotação de meios e recursos e a organização de centros de formação do professorado para o exercício específico de orientador. De 1970 a 1985 destaca-se a profissionalização e organização dos centros de formação do professorado. E dos anos oitenta até aos noventa criam-se programas de prevenção para a saúde. Para além disso, esta redefinição do vocábulo continuou a evoluir até que surgiu uma orientação vocacional que se pode apelidar de mais complexa e talvez mais integral como nos refere Castãno López-Mesas (1983) «La orientación vocacional es un proceso de maduración y aprendizaje personal a través del cual se presta una ayuda al inviduo para facilitarle la toma de decisiones vocacionales, con el objeto de que logre un óptimo de realización personal y de integración a través del mundo del trabajo.» Também, Bohoslavsky (1977) acrescenta que « Entendemos por orientación vocacional las tareas que realizan los psicólogos especializados cuyos destinatarios son las personas que enfrentan en determinado momento de su vida […] la posibilidad y necesidad de ejecutar decisiones.» Este vocábulo passou a focar mais o futuro de uma pessoa, as suas escolhas e respeito pelas diferenças. De facto na Europa, nesta década o facto de existir bastante desemprego juvenil, bem como uma mudança nas estruturas de transição económica, o mercado foi influenciado e as decisões dos jovens tornaram-se cada vez mais difíceis, pelo que a orientação profissional teve de assumir um papel importante no suporte destes jovens. 2.2.3.5. Quinta etapa: A orientação a partir dos anos 90 até hoje O advento do Mercado Único Europeu, trazendo consigo a abolição de fronteiras entre países membros, veio permitir e incentivar a livre circulação não só de mercadorias e capitais como também de trabalhadores, com impacto particular nos processos de mobilidade. Relativamente à circulação de trabalhadores surge um novo contexto. A mobilidade, que até aqui se operava a partir de países menos desenvolvidos e com elevada taxa de desemprego para países da Europa Central com carência de mão-de-obra pouco qualificada, é substituída por um movimento mais fluído de trabalhadores especializados e pessoal profissional (Watts, 1993:90). Esta nova dimensão tem também implicações a 97 98 Orientação Vocacional e Profissional nível das entidades empregadoras, as quais procuram, cada vez mais, quadros profissionais com competências para trabalhar de forma eficaz nos vários países da União Europeia, e a nível de alguns postos de trabalho, cujos trabalhadores, embora não tenham que ser móveis geograficamente, necessitam de competências específicas para lidar com essas implicações. O Artigo 127 do Tratado da União Europeia aconselha os Estados-membros a desenvolver serviços de orientação profissional inovadores no sentido de pôr em prática uma política de formação profissional da Comunidade que apoie as acções dos Estadosmembros nesse domínio. Um dos aspectos de inovação consiste na introdução da dimensão europeia na orientação profissional, o que passa pela criação de novas formas de serviços que informem e aconselhem os jovens sobre as possibilidades de ensino e de formação profissional no resto da Comunidade. E é daí que a Europa considera a orientação profissional muito ligada aos processos de transição laboral e integração dos jovens no mundo sócio-profissional. No sentido de melhorar os serviços de orientação, no que respeita ao seu conhecimento sobre as oportunidades e práticas de orientação noutros Estados-membros, foram lançados alguns programas comunitários de acção: • ERASMUS - para estudantes do ensino superior; • LINGUA- para futuros professores de línguas estrangeiras; • COMETT- cooperação universidade-empresa; • PETRA- para estudantes em formação profissional inicial; • FORCE- para incentivar a formação contínua; • EUROTECNET- para promoção das qualificações ligadas à inovação tecnológica. Todos estes projectos foram concebidos para incentivar a mobilidade de estudantes e estagiários. O programa PETRA, lançado em 1988 por decisão do Conselho (87/569/CEE. JO Nº L 346, 10/12/87), continha entre os seus objectivos: melhorar a qualidade da formação profissional inicial dos jovens e «Incentivar uma melhor utilização das possibilidades resultantes de mecanismos de orientação profissional mais diversificados e de acompanhamento da formação e de uma coordenação dessas acções numa perspectiva de continuidade» (Watts, 1993: 5) Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Em 1991, por decisão do Conselho (Anexo a 91/387/CEE. JO Nº L 214, 02/08/91), é lançado o Programa PETRA II, com a duração de três anos, o qual inclui uma linha de acção independente (Acção III) que apoia as medidas de nível nacional com vista ao desenvolvimento dos sistemas de orientação face à dimensão europeia (Watts, 1993:5). Essa linha de acção permitiu: a criação de uma rede de centros nacionais de informação sobre oportunidades noutros Estados-membros; a elaboração do Manual Europeu para Conselheiros Orientadores e o desenvolvimento, em cada Estado-membro, de projectos visando a introdução da dimensão europeia na formação profissional de conselheiros de orientação (Watts, 1994: 99). O reconhecimento da importância da cooperação entre os Estados -Membros nas áreas da Educação e da Formação levou à criação de dois importantes programas comunitários de carácter global e integradores dos diversos programas anteriores: • LEONARDO DA VINCI- este programa é adoptado em 6 de Dezembro de 1994 para um período de 5 anos (1995-1999), baseia-se nos programas PETRA, FORCE, EUROTECNET, COMET, que partem do programa LINGUA e na rede IRIS, deverá apoiar e completar e ampliar as actividades empreendidas nos Estados-Membros no sentido de melhorar a qualidade das políticas e práticas de formação. • SOCRATES. Este programa foi adoptado em 14 de Março de 1995 para o período que decorre até ao fim de 1999, e que prevê uma série de acções a serem desenvolvidas no âmbito da educação, em regime de cooperação, pelos EstadosMembros. Este programa engloba três capítulos: • Capítulo I- ERASMUS (Ensino Superior) ; • Capítulo II-COMENIUS-Ensino Escolar; • Capítulo III- Medidas transversais, que compreende três acções (Acção 1- promoção das competências linguísticas; Acção 2- promoção da educação aberta e à distância e Acção 3- promoção do intercâmbio de informação e experiências). A cooperação em matéria de educação no âmbito do SOCRATES tem objectivos de ordem pedagógica, sendo as acções de cooperação no âmbito do LEONARDO mais 99 100 Orientação Vocacional e Profissional claramente orientadas para a formação profissional, com objectivos definidos em termos de emprego e competitividade. O programa LEONARDO beneficiará do apoio específico do CEDEFOP (Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional). Os programas comunitários relacionados, directa ou indirectamente, com as políticas e práticas de formação têm objectivos complementares e a sua criação pressupõe a existência de coordenação e complementaridade entre todos eles, para que os objectivos sejam mais facilmente alcançados. 2.3 Características da orientação nos diferentes países 2.3.1 Alemanha Na Alemanha surgiu um princípio de analisar as aptidões dos trabalhadores para poder passa-los de um ramo industrial para outro. De facto, em 1902 passou a funcionar em Munich uma oficina de orientação profissional chamada Deutscher Ausschuus für Berufsheratung, criada com o apoio de várias instituições como os sindicatos e as câmaras de comércio. Até meados do século a obra “psicologia e eficácia industrial” de Hugo Munsterberg publicada em 1912 na Alemanha mostra a aplicação de métodos da psicologia experimental no estudo da orientação, nas maneiras de executar e escolher uma vocação. Mais tarde em 1913 fundou-se uma comissão especial para a orientação profissional e em 1916 reorganizam-se de novo as oficinas. Em 1918 promulga-se a primeira lei que regula os serviços de orientação. É de destacar as experiências de Kerschensteiner (1854-1932) onde integrava o trabalho na vida escolar. Kerschensteiner foi um precursor da escola activa e das escolas profissionais. Segundo Savioz (1992) «A partir da sua nomeação como conselheiro escolar, compreendeu que a reforma solicitada pelo corpo docente das escolas primárias de Munique, não poderia consistir numa simples redução das matérias de ensino, mas sim que devia chegar, também, à organização dos próprios conhecimentos, para que estes servissem como meio educativo. Desde aí, a educação passou a ser o centro das suas preocupações reformadoras. Para que a escola de aperfeiçoamento exercesse uma influência realmente educativa, introduziu nela o trabalho manual [...] A sua originalidade consistiu em ter utilizado os interesses práticos da juventude como ponto de partida da Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional educação e ter procurado estabelecer um laço estreito entre o ensino teórico e os exercícios práticos.» (p.235). Ao pedagogo alemão faltava cultura filosófica suficiente para poder desenvolver uma teoria da educação original, pelo que se deixou influenciar pela teoria de Eduard Spranger. É na década de sessenta que se introduz o termo de orientação escolar na qual os docentes são integrados nesta tarefa. Em 1970, com a promulgação do plano geral da educação, a orientação passa a fazer parte do currículo escolar, tendo como responsável o professor que dedicará cinco horas semanais a tarefas orientadoras a um determinado grupo de alunos, deixando a tarefa orientadora individual para o orientador escolar. Na Alemanha a orientação, segundo López Urquízar & Sola Martínez (2003) está compartida entre dois organismos ou sectores: o sistema escolar e o instituto de emprego. O quadro que se segue mostra as funções da orientação exercidas por: ELEMENTOS QUE EXERCEM A FUNÇÃO ORIENTADORA Campo educativo • Os professores orientadores realizam a orientação como uma matéria que faz parte do plano de estudos; • Os orientadores de plena dedicação, são especialistas em pedagogia ou psicologia e a sua actuação centra-se nos problemas tal e qual como no ponto anterior, mas de maneira mais profunda; • Os orientadores da universidade informam sobre os planos de estudo, infra estruturas e conflitos pessoais e sociais. Campo do trabalho • Os governos municipais, que oferecem serviços de orientação a outros sectores de população como por ex. presidiários, deficientes… • As empresas, com a responsabilidade de formação qualificada. Mantêm serviços de orientação como consultores do pessoal docente procurando impedir o abandono dos programas de formação por meio da orientação pessoal. • O instituto de emprego intervém nos centros educativos como professores especialistas. Elaboram soluções vocacionais tendo em conta os traços da personalidade dos sujeitos, planificando a colocação e reciclagem. Quadro 14: Elementos que exercem função orientadora na Alemanha, adaptado de López Urquízar & Sola Martínez (2003:65) 101 102 Orientação Vocacional e Profissional Para sintetizar os serviços de orientação existentes na Alemanha, refiro Santana Vega (2003) SERVIÇOS DE ORIENTAÇÃO NA ALEMANHA Âmbito escolar - *Serviços de orientação escolar (Bildungsberatung): destinados a alunos desde a primária até à universidade. (6 a 25 anos). Dá-lhes ajuda individualizada, informação profissional, assessoriamento a pais ou professores, depende dos estados federais, autoridades locais e universidades. *Orientação vocacional integrada no currículo (Arbrislehre), que foca no aluno dos 16 aos 18 anos realizando programas de orientação. Dependem administrativamente dos Länder. Âmbito profissional - * Devido ao sistema dual formação profissional e formação trabalho, este campo está muito desenvolvido. *Serviço de orientação profissional (Bernfsberatung). Serviço central dependente da oficina federal de emprego. Oferece-se a toda a população sem limites de idade. As suas funções são: 1. Informação profissional e ocupacional nas escolas; 2. Coordenação das práticas em empresas; 3. Formação de orientadores; 4. Estudos do mercado de trabalho; 5. Elaboração de documentos e materiais; Cada Länder conta com oficinas de colocação com uma secção de orientação profissional. Quadro 15: Serviços de orientação na Alemanha, adaptado de Santana Vega (2003) 2.3.2. Reino Unido No Reino Unido, mais ou menos pela mesma época, desfrutava-se de um estatuto de orientação profissional. Existia uma lei que autorizava a criação dos Juvenile Advisory Committees que eram centros de formação para ajudar e aconselhar os jovens. Esta lei de 1909 era constituída por este comité no qual se integravam autoridades ligadas à escola, às indústrias e aos trabalhadores sociais. Em 1910 a lei da Orientação Profissional, choice of employment Act, permitia às autoridades educativas locais tomar medidas necessárias para ajudar os jovens no final dos estudos a procurar emprego. Em 1918 reorganizam-se as oficinas, mas a orientação vinculada à escola vai surgir nos anos 50 quando se desenvolvem os serviços de orientação escolar tanto internos como externos aos centros. O orientador assume papéis como: Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional • Professor de carreiras na escola; • Oficial de carreiras que trabalha no serviço de carreiras e está fora da escola. A partir de Fullbright Hayes (1965) começou-se a dar mais importância à orientação escolar. Na Grã-Bretanha, fomenta-se a orientação a partir da colaboração de professores norte americanos para formar orientadores que trabalhem nas escolas do Reino Unido. A orientação está vinculada ao mundo do trabalho e posteriormente países como Portugal e Espanha e Itália seguirão as mesmas ideias. Em 1972 criam-se os chamados “career teachers” que são uma espécie de coordenadores que asseguram não só a orientação individual, mas o cumprimento de funções como: • A supervisão da história das carreiras ou estudos; • Planificação do horário dedicado à educação para a carreira; • Estabelecimento e controlo das conexões estabelecidas com o ensino superior, as indústrias e o comércio. A associação nacional de professores de carreiras e orientação referiu publicamente as suas funções citadas em Torres Del Moral (2005: 123): • Promover o estabelecimento de uma estrutura eficaz com uma base profissional da orientação vocacional, educativa e pessoal; • Elaboração de programas para a carreira dirigidos a alunos de ensino secundário e superior com os seguintes objectivos: • Ajudar os estudantes a conhecer ocupações, alternativas educativas e características pessoais; • Ajudar os alunos a tomar decisões e a desenvolver estratégias; 103 104 Orientação Vocacional e Profissional • Ajudar o aluno nos períodos de transição. Um oficial de carreiras, tem como função andar pelas escolas e entrevistar os alunos que abandonam as mesmas, com o intuito de proporcionar uma transição adequada à universidade ou ao trabalho. O serviço de carreiras colabora desde 1981 com o programa de oportunidades para a juventude (YOP), proporcionando apoio e ajuda aos jovens que procuram emprego e oferecendo educação adicional do final do programa. Há um sistema de apoio externo, no caso de Inglaterra e Gales, que depende das autoridades educativas locais (LEA) e cada uma tem as suas características próprias. Elas servem para controlar uma possível implementação de uma reforma educativa governamental. Escudero (1992) refere mesmo que duas das redes externas deste país estão intimamente ligadas com a orientação: • O serviço psicológico escolar (SPS); • Professores a tempo parcial. De facto em 1988, desde a lei da educação que o apoio Britânico experienciou várias mudanças. Alguns serviços vinculados à orientação são os apontados por Santana Vega (2003): 1. Job Centres – Depende dos serviços de emprego e atende a pessoas em idade laboral ajudando-as a situarem-se; 2. Educational guidance services – Dirigem-se a todas as idades e dependem de diferentes organismos. Para além disso, utilizam a entrevista como instrumento de orientação, oferecendo diferentes serviços; 3. Independent vocacional guidance – Através de entrevistas e testes psicométricos, orientadores (career officers) atendem directamente aos indivíduos. Os designados “careers teachers” ocupam-se da orientação nos centros educativos. Contam com grande apoio documental e com o sistema “Work experience programs” destinado a proporcionar experiências de trabalho aos alunos de secundária; Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional 4. Job review workshops – programas de ensino profissional para a reintegração dos desempregados na vida laboral. 2.3.3. Irlanda As datas mais importantes da orientação neste país5 são: 1949: Lei da educação que levou ao auge da orientação. 1967: É quando o Ministério da Educação implementa a orientação em quase todos os centros de secundária onde encontramos os orientadores a trabalhar; 1987: Funda-se o comité de orientação para a educação secundária onde aparece a figura do professor conselheiro inserido nos centros. Tem o título da universidade e experiência no campo da orientação; 1982: A primeira reforma do sistema educativo Irlandês com a publicação do livro verde. Os objectivos eram melhorar a qualidade do ensino e prestar apoio a jovens desfavorecidos. O seguinte quadro mostra a síntese das características da orientação na Irlanda: CARACTERÍSTICAS DA ORIENTAÇÃO NA IRLANDA A educação, à semelhança dos outros países, é da responsabilidade do Ministério da Educação e do Trabalho. Do Ministério de Trabalho depende só o Serviço de Orientação Profissional para alunos que abandonaram a escola sem qualquer título. Nas escolas secundárias há programas de orientação para alunos dos 11 aos 14 anos onde se dá informação profissional e vocacional, e ajuda-se na tomada de decisões. Há um serviço designado de “Careers Advisory services” que depende das universidades e centros superiores dirigidos a alunos entre os 18 e 21 anos. Oferece serviços de orientação e colocação bem como de orientação individual. Quadro 16: Características da orientação na Irlanda. 5 Atenção que a Irlanda do norte é parte territorial do Reino Unido com um total de 6 condados de Ulster. Parte de Ulster, a província de Leinster, Munster, Connaught abarcam 26 condados que formam administrativamente a Irlanda. 105 106 Orientação Vocacional e Profissional 2.3.4. Itália Com o chamado Uffício di Orientamiento Profesionale del Governatorato di Roma, a orientação surge por volta de 1921. Em seguida vão-se criando centros psicopedagógicos ou de orientação para resolver os problemas dos jovens. Actualmente o seguinte quadro mostra uma síntese daquilo que é a orientação hoje em dia em Itália: CARACTERISTICAS DA ORIENTAÇÃO EM ITÁLIA • Há uma ausência de uma lei geral que dê directrizes; • Há uma divisão entre instituições públicas e privadas. • Nas instituições públicas é o Ministério da Educação que se responsabiliza pelos serviços de orientação profissional e pelas escolas, através de autoridades locais de educação que se situam em cada distrito. Já o Ministério do Trabalho, através de serviços regionais e locais, responsabiliza-se pela procura de emprego. Os centros de informação que dependem deste Ministério ou da Segurança Social pretendem informar sobre oportunidades profissionais, ocupações de tempos livres para jovens entre os 14 e 25 anos. Fora do serviço escolar as autoridades regionais promovem os centros universitários. • Nas instituições privadas como empresas, igrejas ou sindicatos promovem orientação através de entrevistas, sessões de grupo para orientar jovens entre os 11 e 19 anos. Quadro 17: Características da orientação em Itália. Há, de facto, uma ausência de uma legislação clara e uma divisão de responsabilidades entre instituições públicas e privadas. 2.3.5. Holanda Este país é o único que aprovou em 1987 a lei de apoio educativo, oferecendo a todas as escolas e a centros de formação o suporte necessário. Esta lei pretende regular as áreas de responsabilidade entre os sistemas de apoio, as instituições de formação inicial e permanente do professorado e dos centros de documentação e informação em educação. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional CARACTERÍSTICAS DA ORIENTAÇÃO NA HOLANDA Serviços de orientação na escola Destinados a jovens entre os 13 e 19 anos, a cargo dos Municípios que pretendem dar uma orientação individualizada. Orientação no ensino técnico profissional Informação e ajuda individual a jovens entre os 18 e 25 anos. superior e universidades Serviços privados de orientação. Dedicam-se a fazer diagnósticos, aplicar testes e pretendem apoiar o jovem. Estes serviços prestamse a partir dos 12 anos. Serviços de emprego São desenvolvidos para apoiar jovens desempregados, maiores de 15 anos e dependem do ministério dos assuntos sociais. Há centros de informação profissional espalhados por todo o país. Quadro 18: Características da orientação na Holanda. Alguns autores como Escudero & Moreno (1992) citados em Torres del Moral (2005), que indicam os seguintes serviços de orientação: 1. Os designados OBDs, ou seja os centros de orientação escolar que actuam no âmbito local e nos centros da primária. Vão informando os professores que participam nos programas de inovação; 2. Os chamados LPCs, centros pedagógicos nacionais. São instituições de apoio que atendem aos sectores católico, protestante e não confessional; 3. Institutos nacionais: trabalham de forma indirecta com os centros. No que diz respeito à orientação secundária, faz-se de uma forma diferente. Existem professores que realizam a função educativa e profissional. Dispõe de algumas horas para exercer a orientação profissional e dão informação sobre emprego e sobre os meios para aceder ao mesmo. No entanto, existem outros profissionais que podem exercer a orientação como os mentores, o conselho executivo e o professor orientador. Os primeiros prestam apoio em momentos de fracasso, ansiedade e depressão, o segundo resolve problemas pessoais e o último prepara o aluno para eleições futuras. 107 108 Orientação Vocacional e Profissional Como instituições externas ao sistema educativo mas que apoiam o jovem, são também a agência regional de aprendizagem (ROL) 2.3.6. Áustria Na Áustria estão implementados os Serviços de Orientação Escolar. Para além de ser um país que compreende a orientação como sendo pessoal e profissional, também foca a sua atenção e presta orientação a alunos com problemas de aprendizagem ou necessidades educativas especiais. Assim como em Portugal, também na Áustria os psicólogos escolares são a forma de contacto entre pais, professores e alunos prestando apoio aos que tem dificuldades de aprendizagem e outros problemas educativos. Actuando em cooperação com os centros escolares e os conselhos escolares de distrito, também estão os serviços de orientação de apoio à educação especial. As instituições que dependem do Ministério da Educação trabalham em colaboração com pessoal especializado. No que concerne à orientação profissional e laboral, esta depende do Ministério do Emprego e Assuntos Sociais. A Áustria sempre deu prioridade a este tipo de orientação. As características dos serviços de orientação são apresentadas por Torres del Moral (2005: 127) como sendo as seguintes: 1. Dá-nos uma informação pessoal ao longo da escolaridade; 2. Dá-nos uma informação geral; 3. Torna-se um trabalho de organização (cooperação com outras instituições); 4. Há uma instrução e formação inicial e contínua dos alunos e dos conselheiros de orientação. 2.3.7. Finlândia Do nascimento até aos 6 anos as crianças podem frequentar jardins-de infância (kindergardens) ou ficar a cargo de amas em casas privadas, a preços que dependem dos Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional rendimentos familiares. Desde 2001 que todas as crianças com 6 anos podem frequentar gratuitamente o ensino pré-escolar. Os alunos iniciam o ensino obrigatório aos 7 anos de idade e este não se encontra dividido em ciclos, considera-se que a sua duração é de 9 anos, seis em regime de monodocência e três a funcionar com um professor por disciplina. Terminado o ensino obrigatório os alunos podem candidatar-se ao ensino secundário superior geral ou profissional. A selecção dos candidatos é feita pelos estabelecimentos de ensino com base nas classificações obtidas nos estudos anteriores, ainda que as escolas profissionais possam incluir nos seus processos de admissão outros factores como a realização de testes de aptidão ou a experiência laboral. Alguns estudantes concluem o ensino básico, prosseguem os seus estudos, outros optam pelo secundário superior geral e outros pelo profissional. Para os que não o fazem existe a possibilidade de frequentarem um ano extra (uma espécie de 10º ano) que confere um certificado de maior qualificação que é entregue no final do 9º ano. O ensino secundário geral está pensado para decorrer em três anos, no entanto, os alunos podem completá-lo em dois ou quatro. Isto porque a instrução não está organizada nos habituais anos lectivos, mas por módulos e uma vez completados todos os correspondentes ao curso frequentado o aluno recebe o certificado que confere a conclusão dos estudos secundários. O acesso ao ensino superior faz-se mediante a realização de exames de admissão, mas há medida que o número de candidatos tem excedido as vagas disponíveis, as universidades têm criado critérios de selecção próprios. Ao nível dos graus académicos existe um inferior, ou bacharelato e outro superior, ou “master”, que podem ser completados em três e cinco a seis anos, respectivamente. Em acréscimo, as universidades oferecem pós-graduações científicas que são as licenciaturas e os doutoramentos. A existência de um Departamento de Educação e Cultura em cada província finlandesa mostra uma descentralização da administração e do desenvolvimento de estratégias nestas áreas. A grande maioria de instituições do ensino básico e secundário são mantidas pelas autoridades municipais mas o financiamento é repartido entre estas e o Estado. O papel do orientador será ajudar os alunos a eleger um programa de estudos individual, oferecendo-lhes orientação profissional, uma vez que a maioria dos alunos não está consciente da sua eleição profissional e do seu futuro. Como nos indica Valijärbi 109 110 Orientação Vocacional e Profissional (1993) há claramente grupos de alunos que não têm uma clara visão do futuro e vivem à margem da realidade, não têm motivação e são jovens de risco. Estes alunos precisam claramente de uma orientação. As instituições Finlandesas responsáveis pela orientação académica e profissional, que dependem do Ministério da Educação e das oficinas de trabalho, são referidas por Torres Del Moral (2005): • Conselho de Assessoramento para educação de adultos; • Conselho de Assessoramento para planificação educativa; • Conselho de Ensino Superior; • Comissões de Formação e emprego. 2.3.8. Suécia São princípios fundamentais do sistema educativo da Suécia: • O acesso de todos os cidadãos a uma educação equivalente, independentemente do sexo, de grupos étnicos, e de classe social; • Uma escola obrigatória (de nove anos); • Uma escola secundária superior, de três anos, aberta a todos os jovens; • A co-educação; • A validade nacional dos currícula, tanto para a escola obrigatória como para a não obrigatória. Por outro lado, a escola especial para indivíduos portadores de deficiência, a escola Sami para a única minoria claramente definida no país, a educação de adultos, com diversidade de opções, e integrada no sistema de ensino público, e a formação contínua, igualmente oferecida em todo o país numa grande multiplicidade de formas, contribuem para a solidez de um sistema estruturalmente uniforme em todos os níveis em que se desenvolve. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Toda a educação e a formação vocacional sueca encontram-se sob jurisdição do Ministério da Educação e Ciência, com apenas duas excepções: a formação em ciências agrárias, feita no âmbito do Ministério da Agricultura, e a formação para o emprego, uma responsabilidade do Ministério do Trabalho. Tendo como objectivo o apoio para os estudos subsequentes dos alunos, as instituições de ensino secundário superior oferecem orientação para os estudos em geral, a par de uma orientação vocacional. Esta, preocupada tanto com o mercado de trabalho como um todo, como com os sectores individuais de actividade, constitui o contacto com a vida real uma parte integrada da formação. A cooperação entre as escolas e a vida activa é estabelecida por intermédio de comités vocacionais conjuntos 2.3.9. Grécia Na Grécia existem centros de orientação: 1. Profissional, da responsabilidade do Ministério da Educação e dos serviços da O.A.E.D constituído por assessores profissionais e destinam-se a alunos entre os 15 e 18 anos que finalizaram a formação escolar e desejam prosseguir para a busca de emprego e formação profissional. 2. Serviços de Orientação Profissional fora do sistema educativo que estão localizados em Atenas, Salónica, e Heraclion e as oficinas de emprego locais. 3. Centros de apoio a jovens que desenvolvem uma formação que tenta contribuir para o desenvolvimento dos hábitos saudáveis da personalidade e da auto estima dos alunos. A Grécia, dispõe assim de serviços de orientação para todas as pessoas, tenham elas ou não escolaridade e emprego. A educação superior oferece formação técnico profissional com uma educação geral e técnica preparando o aluno para desenvolver um trabalho específico, ou seja são as (EPL) e (TEL). 111 112 Orientação Vocacional e Profissional Todos os alunos entre os 12 anos e os 17 recebem uma orientação especializada que está inserida nas escolas secundárias. No fim da secundária inferior os alunos tem uma orientação profissional escolar (SEP) que se desenvolve ao longo do primeiro, segundo e terceiro ano. Neste país salientamos como reformas educativas significativas: • Educação especial; • Os planos de estudo; • A integração de imigrantes; • As tarefas de orientação; • Renovação do instituto de pedagogia. 2.3.10. Luxemburgo Neste país os C.P.O.S ou seja os Centros de Psicologia e Orientação Profissional criam-se em 1987 e são dependentes do Ministério da Educação Nacional. Estes centros focam a sua atenção na orientação escolar e tentam ajudar os jovens que vão para a universidade, orientando-os e clarificando-os sobre instituições, cursos e apoiando durante os seus estudos. Para além disso, dão orientação educativa a jovens do ensino secundário, educação compensatória e formação profissional (Rodríguez Moreno, 1998:29). Em suma, estes centros ajudam o jovem a integrar-se na vida activa diminuindo a dificuldade dos mesmos na hora de enfrentar obstáculos. Vão mantendo um diálogo com pais e alunos tanto no último ano da primária como da secundária para promover o acesso ao ensino superior. Nesse diálogo que estabelecem, os orientadores vão informando os pais e os alunos dos objectivos educativos e profissionais bem como das ofertas educativas. Todo este apoio ao jovem na fase de passagem da vida escolar para o mundo de trabalho faz com que os C.P.O.S mantenham um contacto regular com as universidades, uma relação com o Ministério do Emprego, com as câmaras profissionais e com outros países que vão ajudando a transição do jovem da vida escolar para o mundo de trabalho. No que concerne à planificação dos serviços de orientação e psicologia escolar (S.P.O.S.) e Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional à sua coordenação há um diálogo entre as autoridades escolares e os inspectores de ensino primário. 2.3.11. Dinamarca No que concerne a este país há que destacar algumas datas e leis importantes para o aparecimento e crescimento da orientação: 1917: Funda-se o serviço público de orientação profissional; 1981: Decreto de orientação escolar e profissional que estabeleceu as condições para se desenvolverem serviços de orientação 6; 1982: Lei de orientação dos jovens; 1985: A lei sobre as oportunidades de emprego; Neste país, dá-se uma grande importância à orientação dentro do sistema educativo tanto na primária como na secundária. A orientação educativa e profissional é obrigatória nos nove primeiros cursos e facultativa no décimo. Esta orientação abarca a primária e a secundária inferior e os alunos tornam-se conscientes das suas habilidades bem como são preparados para a sua saída da escola. Quem elabora o programa é o professor titular com a ajuda do professor conselheiro. Existem, ainda, outros orientadores que se ocupam de alunos com necessidades educativas especiais. Os serviços de orientação segundo Rodríguez Moreno (1997) para jovens que terminaram a escolaridade são: 1. Programa de orientação juvenil para jovens sem emprego; 2. Orientação gratuita por meio de agências regionais de emprego; 6 Funda-se a partir deste decreto um conjunto de organismos centrais e regionais. Estes organismos são praticamente públicos, gratuitos a todos os níveis de ensino pois são responsabilidade do estado, das escolas públicas e dos municípios. 113 114 Orientação Vocacional e Profissional 3. Os sindicatos que também orientam. A educação nas folkskole segundo Torres del Moral (2005:135) é levada a cabo por professores orientadores, em tempo parcial que se realiza nos centros educativos. Tem como funções: • Prestar apoio a professores tutores e professores do ensino profissional; • Dar conselhos colectivos ou individuais aos alunos; • Planificar actividades fora do sistema educativo para alunos que abandonam a escola antes de completar o ensino obrigatório, com o intuito de os apoiar. 2.3.12. Noruega Na Noruega, A educação é essencialmente pública, embora exista um sector privado, tanto ao nível do ensino primário e secundário (inferior e superior) como ao nível do ensino superior. Este sector é considerado como suplementar do ensino público, oferecendo alternativas educativas ou abordagens ideológicas de educação. A responsabilidade geral por todos os níveis de educação pertence ao Ministério da Educação, Investigação e Assuntos Religiosos. Dele ficam apenas de fora a formação agrícola e a medicina veterinária, integradas no âmbito das competências do Ministério da Agricultura, e a educação pré-escolar, gerida pelo Ministério para a Infância e para a Família. A partir de 1975, a lei sobre o ensino especial foi integrada na legislação do ensino obrigatório, passando a competir aos municípios a responsabilidade de colocar à disposição de todos os alunos em idade de escolaridade obrigatória um ensino especial ou adaptado, de preferência organizado nas comunidades de residência dos estudantes. A orientação tem um carácter fundamentalmente vocacional, onde existe um orientador que trabalha juntamente com os professores, pais, assistentes sociais e psicólogos e são especialistas em psicologia e assistência social. Primeiro recebem uma boa formação em Psicologia e assistência social e depois a tempo inteiro dedicam-se à orientação realizando o seu trabalho em equipa multi-profissional. Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional 2.3.13. Bélgica Na Bélgica também o fenómeno da orientação é observável. Assim algumas datas assinaladas por López Urquízar & Sola Martínez (2003:61) tornam-se importantes para percebermos como aconteceu a orientação na Bélgica: 1899: Fundou-se o primeiro instituto de psicologia pedagógica; 1912: cria-se a sociedade Belga de paidotecnia que funda oficinas de orientação profissional incluindo serviços de exploração científica, apoiadas pelas revistas Bulletin Solvays Revuede Jeunes e L’orientation Escolaire et professionnelle dês enfants. Este movimento tem lugar sem conhecer a existência de instituições orientadores dos E.U.A. 1919: Estabelece-se a “Office Intercomunal pour L’ Orientation Professionnell” para a qual colaborava o pedagogo Decroly. Anexo a esta oficina está um instituto encarregado da formação de conselheiros em educação. 1936: Começa a funcionar o Serviço Nacional de Orientação Profissional da Juventude. 1937: Criam-se centros Psycho-Medico-Socieux dirigidos por psicólogos especialistas em orientação. Nesta equipe aparecem psicólogos, pedagogos, médicos e assistentes sociais. Centra-se a orientação nos alunos de 12 a 18 anos, quando terminaram a escolaridade primária. Na Bélgica, a partir de 1970 incluem-se nos centros já existentes ensino destinado a jovens e adolescentes com graves problemas. Dá-se particular importância ao diagnóstico e aos exames psicométricos tanto individuais como colectivos. Todo este trabalho psicopedagógico está reservado aos CPMS, ou seja centros psico-medicos-sociais. Existem, ainda, as oficinas de orientação escolar e profissional, a agência flamenga de emprego e formação profissional (VDAB) e os centros de orientação e iniciação sócio-profissional (COISP). O serviço flamengo de orientação profissional e colocação oferece serviços de orientação profissional a activos e a desempregados e as suas funções são as de oferecer cursos, supervisionar, fornecer ajuda psicológica e supervisionar a formação. Para além disso, este serviço de orientação colocou em prática um programa designado de “voltar a trabalhar”. 115 116 Orientação Vocacional e Profissional De acordo com o López Urquízar & Sola Martínez (2003), há dois tipos de centros nesta época na Bélgica como nos mostra o quadro seguinte: TIPOS DE CENTROS EXISTENTES NA BÉLGICA • Oficina de orientação profissional; • Centros psico-médicos-sociais. Estes ocupam-se da orientação profissional dos alunos e de estabelecer relações adequadas entre: • Pais e filhos; • Educadores e alunos; • Pais e educadores; • Orientadores e profissões. Quadro 19: Tipos de centros existentes na Bélgica. Por outro lado, temos uma educação: • Personalista, preventiva e baseada num diagnóstico precoce; • Levada a cabo por um trabalho que é feito em equipa como os enfermeiros, médicos, orientadores, assistentes sociais… • A orientação profissional não é obrigatória para a escolarização mas sim para um jovem que quer aprender um ofício; • A formação dos orientadores depende das faculdades, os estudos demoram quatro anos; • O trabalho de diagnóstico dos centros psico-medico-sociais; • Prima-se pelo diagnóstico psicométrico individual e colectivo Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional 2.3.14. França Por esta altura em 1912 inicia-se a orientação em França criando-se serviços de orientação para adolescentes. Em 1914, o Ministério do Trabalho chamava a atenção para o aperfeiçoamento e para a importância da adaptação dos adolescentes ao emprego que querem escolher e exercer. Em 1921 foi a Câmara de Comércio de Paris que criou as escolas modelo onde se orientavam os alunos face a um grande leque variado de professores. Algumas datas importantes deste país no que concerne à orientação são referidas por López Urquízar & Sola Martínez (2003:64): 1920 - Doutrinas economicistas de Taylor; 1922 - Institucionaliza-se a orientação profissional; 1924 - Oficinas de orientação profissional em Toulousse; 1928 - INETOP – Formação de orientadores que teve o seu auge nos anos 30 com orientadores bastante especializados e qualificados. 1930 - Crise industrial, jovens sem emprego, contratos com certificados de orientação; 1936 - Entrada tardia no mundo de trabalho; 1938 - Estrutura da orientação e formação profissional; 1945 - A orientação passa a ser um serviço público. Em França, depois da guerra mundial, a orientação converte-se num serviço público. A data de 1959 é importante para a orientação uma vez que esta baseia-se na reestruturação educativa com o decreto de lei de 6 de Janeiro de 1959. Com este decreto de lei os educadores são os protagonistas da orientação e passam a pedir ajuda aos orientadores apenas quando necessitarem de informação para resolver algum problema ou quando houver uma mudança negativa repentina no sucesso do aluno. Portanto a orientação adquire grande relevância. 117 118 Orientação Vocacional e Profissional A partir de 1961 os antigos centros públicos de orientação profissional passam a ser centros de orientação escolar e profissional. Em 1968 legisla-se sobre a orientação no ensino superior e as universidades organizam tudo de forma a orientar os alunos. Em França, a partir dos anos 70 pede-se que a orientação seja profunda no âmbito escolar como se vem fazendo no campo profissional como preâmbulo do mundo laboral. Para se informar das profissões existentes existem conferências aos pais, artigos de imprensa e outros meios. É obrigatório um certificado de orientação que é gratuito para se entrar em indústrias ou no comércio. López Urquízar & Sola Martínez (2003:64) indicam algumas técnicas implementadas para obter dados que figuram nos certificados que se obtêm perante: • Testes psicométricos; • Teste de nível; • Testes de instrução; • Testes de aptidão; • Ficha de entrevista com os pais; • Ficha de entrevista com o jovem; • Ficha médica referida à orientação; • Ficha de dados escolares; • Ficha de pesquisa de opinião social. Neste ano cria-se mediante um despacho que regulamenta o chamado “Bureau d’orientation” dependente do Ministério da Educação dirigida ao ensino secundário e elementar. Aparecem por isso decretos importantes: 1. Relativo à organização e administração do ministério da educação para a nomeação do director orientador e formação contínua; 2. Cria-se o chamado B.U.S. (Bureau Universitaire de Statistiques). Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Actualmente existe um serviço de orientação escolar e profissional tanto em centros privados como públicos que atendem às necessidades dos jovens. Há autores que acham, por isso, necessário «reorganizar los servicios de orientación e información por distritos escolares para integrarlos en un cuerpo común que fortalezca y fomente la formación continua.» (López Urquízar & Sola Martínez, 2003:65) Tradicionalmente existiam dois tipos de orientação: • Orientação ocupacional que depende da agência de emprego (ANDE); • Orientação escolar e profissional que depende do Ministério da Educação, mas que com a reforma de 70 vai mudando consideravelmente. A organização da orientação e alguns dos seus serviços são sintetizados muito bem por Torres del Moral (2005:114) que faz uma adaptação de Santana Vega (2003): SERVIÇOS DE ORIENTAÇÃO EM FRANÇA Grupo de ajuda psicopedagógica (GAP) A sua tarefa é diminuir a inadaptação escolar, assim como a reeducação e a recuperação de alunos com problemas (actuação individualizada). Serviço de apoio interno ao centro educativo. Centro de informação e orientação (CIO) Atende-se a todo o tipo de pessoas, desde adultos que buscam uma formação continua até adolescentes que desejem iniciar uma vida ocupacional com ou sem formação. O governo francês desde a década de 80 assinou como objectivos prioritários: 1. A luta contra a desigualdade de oportunidades; 2. Ajuda aos mais necessitados. Encarregam-se de ligar o sistema educativo com o mundo do trabalho, mediante a agência para o emprego e as organizações profissionais. Realiza funções de informação, observação e orientação estando à frente um director e conselheiros de orientação. 119 120 Orientação Vocacional e Profissional Centro médico psicopedagógico (CMPP) Actuam fora dos centros, são de âmbito provincial e atendem a meninos com graves deficiências (intervenção especializada) Centro de documentação e informação Desenvolve-se em diferentes centros de secundária. À frente do mesmo está um bibliotecário documentalista que facilita a documentação pedagógica e de orientação ao professorado. (COI) Quadro 20: Serviços de orientação em França. Na década de oitenta os serviços dependem do Ministério da Educação que pretendem que a orientação seja um processo educativo e que se estenda a todos os alunos, para além disso, desejam organizar o trabalho dos orientadores para que eles estejam integrados nas escolas. Por isso, em França antes da entrada na universidade pretendia-se atender às necessidades de aprendizagem dos alunos, dando informação respeitante a saídas profissionais, atendendo a necessidades educativas especiais, por enquanto que na universidade pretendia-se dar informação referente a carreiras, inserção laboral e profissional. 2.3.15. Espanha Em Espanha publica-se o Estatuto da Formação Profissional em 21 de Dezembro de 1928 que regulamenta a formação profissional (art. 3, livro I e livro II consagrados à organização da orientação profissional e à formação dos orientadores.). Assim sendo, os institutos de Madrid e Barcelona foram considerados instituições oficiais do Estado pelo decreto de lei 24 de Março de 1927, que teriam como função principal a de velar e dirigir a actividade das oficinas laboratório e de formar pessoal que orientasse. Para além disso, teriam de determinar os métodos e as técnicas de trabalho das incorporações nacionais. Há que recordar que em 1908 até 1936 aparecem, em Espanha, regulamentações muito concretas no que diz respeito à orientação educativa, convertendo a Espanha num dos países pioneiros nesta matéria. Desde 1940 que se vem regulamentando a orientação educativa, mas foi interrompido não alcançando uma certa maturidade, devido à guerra civil. São de destacar os seguintes serviços: M.E.C, SOEVs e IOEP bem como no Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional Ministério do Trabalho: COIE e INEN. Em Espanha, implementavam-se os Centros de Orientação e Informação para o emprego (COIEs) e os Serviços de Orientação Escolar e Vocacional (SOEVs) bem como as associações nacionais e regionais dependentes da Associação Internacional de Orientação Escolar e Profissional. Portanto, há algumas obras editadas em Espanha desde os princípios do século nas quais se define orientação profissional. Mas como sabemos, este é um vocábulo em contínua evolução e, por isso, a partir dos anos cinquenta são de destacar em Espanha os vários serviços criados em institutos municipais de educação, entre eles, os de Barcelona, Madrid e Valência e os serviços de orientação nas universidades laborais, no instituto de psicologia aplicada e psicotecnia. Antes da lei geral de educação de 1970, as disposições legais em matéria de orientação não são muito concretas, especialmente as que se referem ao ensino primário, observando-se que as acções previstas nas normativas foram praticamente inexistentes por falta de recursos económicos e pessoais. A lei de educação primária de 1945 colocou em funcionamento o serviço de psicologia escolar e orientação profissional. De destacar o regulamento de centros estatais que contempla a existência de um serviço de psicologia e orientação profissional e nasce o C.E.D.O.D.E.P. centro de documentação didáctica de ensino primário. Como o fracasso era visível criaram-se expectativas ao estabelecerem-se os institutos de ensino médio e escolas oficiais de mestria ligando as suas funções com as do instituto nacional de psicologia aplicada e psicotecnia. Cerca dos anos setenta, com a lei L.G.E 14/1970 de 4 de Agosto, recorre-se a primeira vez à actividade de orientação educativa nos centros escolares com carácter continuado. Regulamenta-se a orientação para a educação especial, organizam-se tutorias que aparecem como elemento significativo na orientação pedagógica. O departamento de orientação passa a ser dotado de especialistas adequados e o conselho de orientador tornase obrigatório em 1975. Definem-se os serviços provinciais de orientação escolar e vocacional e os estatutos de centros escolares nos artigos 2.2 e 27.2. Nos anos oitenta detecta-se um desenvolvimento inaudito de planos tanto nacionais como autónomos e Espanha passa a ser informada dos documentos da Comissão Europeia. É interessante salientar que em Portugal houve o mesmo tipo de crescimento. De destacar a lei orgânica do direito à educação em 1985 e outras disposições onde referem que todos os alunos tem direito de receber orientação vocacional e escolar, ajudas precisas para compensar possíveis carências do tipo familiar económico e socio-cultural entre outras ideias. Com a LOGSE, em 1989, define-se a função tutorial e reconhece-se a 121 122 Orientação Vocacional e Profissional orientação escolar como um direito do aluno garantido pelos serviços do sistema educativo. Definem-se os departamentos psicopedagógicos de orientação, a equipe de orientação e apoio, bem como a profissionalização dos orientadores. 2.3.16. A orientação em Portugal Em Portugal, à face daquilo que acontece na Áustria, as escolas portuguesas proporcionam uma orientação e apoio educativo a alunos do terceiro ciclo do ensino básico e também a alunos do ensino secundário. O SPO (O serviço psicológico e orientação) realiza as suas funções na etapa secundária (12 a 18 anos). Faz entrevistas a pais e a alunos e organiza visitas a lugares de trabalho. Os serviços de orientação profissional dependentes do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) dirigem a sua atenção a jovens que abandonaram a escola e orientam os seus itinerários formativos e de emprego. Em 1983 o Ministério da Educação coloca Psicólogos em Escolas do Ensino Oficial (do 7º ao 12º anos de escolaridade) cuja intervenção é coordenada pelas Faculdades de Psicologia e de Ciências da Educação das Universidades de Coimbra, Lisboa e Porto. A prioridade da intervenção incide no apoio à implementação dos projectos dos alunos da Via TécnicoProfissional, então criada, e na Orientação Escolar e Profissional dos alunos do 9º ano de escolaridade. Em 1984 a coordenação das faculdades institucionaliza-se sob a forma de Núcleos de Orientação Escolar e Profissional, permitindo que os psicólogos se reúnam periodicamente, com o objectivo de elaborarem materiais de suporte às intervenções, coordenarem procedimentos, facilitarem a integração de novos técnicos e partilharem experiências. Os SPO são criados nos estabelecimentos públicos de educação com o Despacho nº 9022/99 (2ª Série) e são definidos os serviços de Psicologia e Orientação com o Decreto-lei n.º 190/91, de 17 de Maio. Vejamos as leis mais importantes sobre este assunto: 1986 - A Lei de Bases do Sistema Educativo refere-se explicitamente, no seu artigo 26º, à intervenção psicológica nas escolas: «O apoio ao desenvolvimento psicológico dos alunos e à sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às actividades Capítulo II – Desenvolvimento histórico da orientação profissional educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar, são realizados por Serviços de Psicologia e Orientação Escolar e Profissional inseridos em estruturas regionais escolares». 1991 - O Decreto-lei nº 190/91 de 17 de Maio regulamenta, cinco anos depois, o estipulado na Lei de Bases, criando os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO), que passa a integrar Psicólogos, Professores Conselheiros de Orientação Escolar e Profissional e Técnicos de Serviço Social. 1992 - Em 11 de Agosto é publicado o Despacho que transfere para as Direcções Regionais de Educação a coordenação dos SPO. 1997 – O Decreto-Lei 300/97 cria a carreira de Psicólogo no âmbito do Ministério da Educação. 1999 – A Direcção Regional de Educação do Norte cria o SPO da DREN, com o objectivo de coordenar o trabalho desenvolvido pelos SPO da região. 2001 – A Direcção Regional de Educação do Norte organiza os SPO por Núcleos Regionais, tendo em conta os Centros da Área Educativa de pertença e a proximidade geográfica. Cria-se a figura de Coordenador de Núcleo, institucionalizam-se reuniões mensais de coordenação ao nível de cada núcleo, bem como dos coordenadores com os técnicos do SPO da DREN. Esta organização tem como objectivo contribuir para a melhoria da intervenção, proporcionando troca de experiências, concepção e partilha de materiais, formação contínua, bem como a colaboração em projectos locais comuns às diversas Escolas/Agrupamentos dos Núcleos. O SPO tem um âmbito de intervenção claramente alargado, podendo desenvolver acções dirigidas a uma diversidade de alvos recorrendo a metodologias variadas. Intervém relativamente a todas as tarefas de desenvolvimento inerentes ao nível etário dos alunos com que trabalha, tendo em conta os diversos contextos de vida mutuamente interdependentes. Daí que a intervenção não se realiza apenas junto dos alunos, sendo alargada a toda a comunidade educativa e em articulação com outros Serviços e Instituições. As áreas de intervenção do Psicólogo em contexto escolar são as seguintes: • Orientação Escolar e Profissional (OEP); • Apoio Psicológico e Psicopedagógico; • Aconselhamento/Consultoria à Comunidade Educativa; 123 124 Orientação Vocacional e Profissional • Parcerias/Colaboração com outros Serviços da Comunidade; • Actividades de Formação; • Desenvolvimento de projectos; • Reuniões de Trabalho. Esta organização dos serviços de orientação profissional e educativa centraliza-se no Ministério da Educação (âmbito educativo) e no emprego e Segurança Social (sector laboral). Há uma articulação regional situada no Porto, Lisboa e Coimbra. Fora das escolas existem outros centros de orientação profissional, particulares, que por vezes, comunicam com as escolas, quando os pais pedem o seu conselho. O IOP oferece serviços de orientação profissional ao longo da vida escolar e coopera com instituições educativas. Pode oferecer orientação em grupo ou individual ou então de acordo com as opções académicas e profissionais. O IOP, criado em 1925, teve como primeiro director Faria de Vasconcelos. A sua função inicial visava orientar jovens para uma formação adequada. Com as mudanças sociais e científicas que ocorreram ao longo do século XX, a actividade do IOP foi-se progressivamente dirigindo para o apoio à construção de projectos de vida, abrangendo várias gerações de portugueses. Simultaneamente, tem contribuído para a formação e actualização científica de técnicos de Orientação Vocacional, apoiando a implementação de actividades científicas e técnicas neste âmbito e dinamizando projectos de cooperação com outras instituições nacionais e estrangeiras. No final da década de 80, o IOP foi integrado na Universidade de Lisboa, como uma das suas unidades orgânicas, com autonomia financeira e administrativa. Actualmente, o IOP integra vários serviços que se encontram organizados por projectos, num quadro de inovação, fundamentação e avaliação da qualidade da intervenção vocacional em diferentes contextos. 125 3. A acção tutorial: a tutoria no Espaço Europeu. O papel do professor –tutor. Neste capítulo focamos a importância da acção tutorial nos dias de hoje. Estamos em constante mudança devido ao processo de Bolonha e, por isso, consideramos importante descrever as transformações ocorridas em Portugal com a declaração de Bolonha. Para além disso, o papel do professor e aluno ganha destaque, por isso, abordamos esta questão, assim como toda a regulamentação que está por trás do aluno tutorado. 3.1 A tutoria no Espaço Europeu. 3.1.1. A acção tutorial e a declaração de Bolonha Em 1998 com a declaração de Sorbona, assinada pelos quatro ministros de França, Alemanha, Reino Unido e Itália, surgiram novas propostas educativas porque segundo a declaração: «We are heading for a period of major change in education and working conditions, to a diversification of courses of professional careers with education and training throughout life becoming a clear obligation. We owe our students, and our society at large, a higher education system in which they are given the best opportunities to seek and find their own area of excellence.» Esta declaração recebe o apoio dos 31 países Europeus entre os quais Portugal e Espanha. Daqui se aprova a chamada “Declaração de Bolonha” com data de 19 de Junho de 1999, que desencadeou o denominado Processo de Bolonha que é um documento conjunto assinado pelos Ministros da Educação dos vários países europeus, reunidos na cidade italiana de Bolonha. A declaração marca uma mudança em relação às políticas ligadas ao ensino superior dos países envolvidos e procura estabelecer uma Área Europeia de Ensino Superior a partir do comprometimento dos países signatários em promover reformas de seus sistemas de ensino. A declaração reconhece a importância da educação para o desenvolvimento sustentável de sociedades tolerantes e democráticas. 126 Orientação Vocacional e Profissional Embora a Declaração de Bolonha não seja um tratado, os governos dos países signatários comprometem-se a reorganizar os sistemas de ensino superior dos seus países de acordo com os princípios que nela constam. A declaração visa a tomada de acções conjuntas para com o ensino superior dos países pertencentes à União Europeia, com o objectivo principal de elevar a competitividade internacional do sistema europeu do ensino superior. Para assegurar que o sistema europeu do ensino superior consiga adquirir um grau de atracção mundial semelhante ao das suas extraordinárias tradições cultural e científica, delinearam-se os seguintes objectivos a serem atingidos na primeira década do terceiro milénio: 1- Promover entre os cidadãos europeus a empregabilidade e a competitividade internacional do sistema europeu do Ensino Superior. 2- Adoptar um sistema baseado em três ciclos de estudos: • 1.º Ciclo, com a duração mínima de três anos • 2.º Ciclo, com a duração de um ano e meio a dois (excepcionalmente um ano); • 3.º Ciclo. 3- Implementar o suplemento ao diploma; 4- Estabelecer um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum aos países europeus, para promover a mobilidade mais alargada dos estudantes. Estes créditos podem também ser adquiridos em contextos de ensino não superior, incluindo a aprendizagem ao longo da vida, desde que sejam reconhecidos pelos estabelecimentos de ensino superior de acolhimento; 5- Promover a mobilidade dos estudantes no acesso às oportunidades de estudo e formação, bem como a serviços correlatos, professores, investigadores e pessoal administrativo, no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários; 6- Promover a cooperação europeia na avaliação da qualidade, com vista a desenvolver critérios e metodologias comparáveis; 7- Promover as dimensões europeias do ensino superior, em particular: Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • Desenvolvimento curricular; • Cooperação interinstitucional; • Mobilidade de estudantes, docentes e investigadores; • Programas integrados de estudo, de formação e de investigação. De facto, o Espaço Europeu do Ensino Superior e o Espaço Europeu de Investigação são os dois pilares da Europa do Conhecimento, pelo que a desejada integração europeia deverá ser entendida como uma necessidade efectiva de cooperação europeia, o que passa pela criação de condições favoráveis ao estabelecimento de parceiras entre instituições de ensino superior e pela mobilidade de investigadores, de professores, de estudantes e de pessoal não-docente, tendo como finalidade o desenvolvimento, a troca e a partilha de conhecimento. Neste contexto, facilmente se percebe a importância do princípio da mobilidade do conhecimento. Na verdade, mais do que falar de mobilidade de pessoas, importa falar de mobilidade do conhecimento, o capital essencial para o sucesso da Estratégia de Lisboa.7 Outras datas, relacionadas com esta matéria, foram importantes como 2001 na cidade de Praga, onde os objectivos estabelecidos em Bolonha foram confirmados e foi destacada a competitividade de EEES. Em 2003 elabora-se um comunicado em Berlim onde se acentuam medidas mais práticas para promover a aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento de competências. A declaração de Glasgow em Abril de 2005, reforça a 7 Portugal apostou na sua Presidência da União Europeia em 2000 na concepção duma resposta moderna a este objectivo, baseando a aposta no conhecimento e na inovação como factores de competitividade, coesão e emprego. Cinco anos depois, essa estratégia, então definida, e que pelo seu mérito e reconhecimento geral adoptou o nome da cidade que acolheu a cimeira fundadora e se tornou conhecida internacionalmente como Estratégia de Lisboa mantém intacta a sua actualidade e oportunidade. Os resultados conseguidos foram, no entanto, díspares. Nos países em que houve uma concretização coordenada dos objectivos de Lisboa, obtevese progressos assinaláveis em todos os indicadores. Noutros, em que Portugal se inclui, falhou a implementação e os resultados foram pouco relevantes. A agenda escolhida para concretizar a Estratégia de Lisboa e o modelo de coordenação necessitam por isso de afinações profundas, para que a solidez conceptual da estratégia se traduza em resultados concretos mais favoráveis. Como contributo para essa afinação, o Conselho Europeu da Primavera de 2005 decidiu relançar a Estratégia de Lisboa focalizando-a nos objectivos do Crescimento e do Emprego, procurando promover a competitividade, a coesão e o desenvolvimento sustentável, através da solidez das contas públicas, da qualificação e da inovação. 127 128 Orientação Vocacional e Profissional ideia da necessidade de uma universidade forte para uma Europa forte. Exige-se das universidades que cumpram compromissos e que sejam autónomas. 3.1.2. As mudanças em Portugal com o Processo de Bolonha Em Portugal, a lei de 74/2006 mostra já regime jurídico dos graus e diplomados do ensino superior que regula as alterações à Lei de Bases do Sistema Educativo, em desenvolvimento do disposto nos artigos 13.º a 15.º da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, bem como o disposto no n.º 4 do artigo 16.º da Lei n.º 37/2003, de 22 de Agosto que estabelece as bases do financiamento do ensino superior. O Decreto-Lei n.º 64/2006 regulamenta o acesso dos maiores de 23 anos ao Ensino Superior, regulamenta as provas especialmente adequadas, destinadas a avaliar a capacidade para a frequência do ensino superior dos maiores de 23 anos, previstas no n.º 5 do artigo 12.º da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro (Lei de Bases do Sistema Educativo) O processo de Bolonha é visto, no caso português, como uma oportunidade para «debater problemas de fundo que afectam a organização do ensino superior em Portugal, problemas esses resultantes em grande parte da manutenção de referenciais desactualizados para a organização curricular dos cursos e para as metodologias de ensino praticadas» (Simão, Santos e Costa, 2002:248) Este processo, para além de envolver mudanças de estruturação de graus e de organização pedagógica, «pretende que o ensino superior possa ancorar-se em metodologias que, para além dos aspectos cognitivos, estimulem o desenvolvimento de competências de comunicação, liderança, inovação, criatividade necessárias para que o indivíduo possa integrar-se, participar, usufruir das potencialidades que a sociedade do conhecimento lhe proporciona.» (Flores, et al., 2007:9). Apesar da ideia generalizada de que Bolonha tem apenas a ver com a duração dos cursos, as mudanças que estão a ocorrer no ensino Superior são muito mais profundas e têm consequências muito mais importantes, que mudam por completo o modelo de ensino que tem vindo a ser praticado nas universidades. Desde logo, as metodologias de ensino/aprendizagem foram completamente reformuladas, dando maior ênfase ao trabalho do aluno e introduzindo a aprendizagem à distância, a aprendizagem activa, a aprendizagem baseada na solução de problemas, Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor orientada a projectos, entre outras. Assim, por contraposição a uma forma de ensino mais passiva e assente na transmissão de conhecimentos, foi implementado um modelo de ensino/aprendizagem mais participado, mais atractivo para os alunos e mais centrado na aquisição de competências. Estas exigências obrigam a um maior acompanhamento dos alunos por parte dos professores e um permanente investimento na melhoria da qualidade. Como nos argumenta Tavares (2003) «Urge, pois, trabalhar de outro modo, quer ao nível da docência, quer ao nível das aprendizagens, quer ao nível da organização, gestão e respectiva avaliação, nas instituições formadoras do ensino superior, fazendo de cada espaço disciplinar, um verdadeiro instrumento de intervenção e promoção do sucesso académico dos alunos, dos professores e da própria instituição e não meras rotinas reprodutivas de conhecimento pouco assimiladas, acomodadas e equilibradas sem grande significado para o desenvolvimento das competências básicas e específicas que se pretende.» (p.45). No que respeita à duração e organização dos ciclos, o Ensino Superior passará a estar, em todos os países da Área Europeia de Ensino Superior, organizado em três ciclos: • 1º ciclo, com duração de 6 semestres, ou três anos, correspondente ao grau de Licenciatura; • 2º ciclo, com duração de 4 semestres, ou dois anos, correspondente ao grau de Mestre; • 3º ciclo, com duração de 6 semestres, ou três anos, correspondente ao grau de Doutor; Alguns cursos estão a funcionar em regime de Mestrado Integrado. Quer isto dizer que, para a formação ser reconhecida pelas Ordens profissionais, os estudantes têm que ter 5 anos de formação, correspondentes ao 1º e 2º ciclos. De qualquer modo, será sempre atribuído aos estudantes, ao fim do 1º ciclo um diploma intermédio, correspondente à Licenciatura. Existe, igualmente, uma maior flexibilidade no percurso formativo do aluno. Mesmo nos cursos com Mestrado Integrado, podem ingressar no 2º ciclo licenciados em área similar ou equivalente, com a devida creditação obtida no 1º ciclo. Para além disto, é 129 130 Orientação Vocacional e Profissional facilitada a prossecução de estudos noutras Instituições de Ensino superior, sejam portuguesas ou estrangeiras, quer mesma área do saber, quer noutras áreas complementares. A introdução generalizada do sistema de créditos em todos os tipos de formação vai permitir, após regulamentação apropriada, a acumulação destes créditos, facilitando a transferência dos estudantes de um curso para outro, dentro da mesma ou para outras instituições. Será, no entanto, de salientar que as reformas resultantes do Processo de Bolonha não têm como objectivo criar cursos iguais em todas as universidades, ou em todos os países, mas sim assegurar o reconhecimento e a comparação dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes, facilitando assim a transparência dos procedimentos, a mobilidade dos alunos entre instituições, a empregabilidade e a educação ao longo da vida. O mestrado terá sempre um curso de especialização, formado por unidades curriculares e correspondentes a cerca de metade dos créditos totais do 2º ciclo, a que se seguirá um período de trabalho essencialmente individual e supervisionado pessoalmente por um docente, que poderá ser um projecto, um estágio profissional ou uma dissertação resultante de trabalhos de investigação científica. O mínimo de créditos correspondentes a esta parte é de 25% do total do 2º ciclo. Tipicamente, isto corresponderá a um mínimo de 60 créditos para o curso de especialização e a um mínimo de 30 créditos para o trabalho individual supervisionado. Sendo assim, a passagem de um processo de ensino baseado na transmissão de conhecimentos para um processo de aprendizagem baseado no desenvolvimento de competências, é fácil de enunciar mas é uma tarefa muito difícil de concretizar. Do processo de ensino centrado no professor e nos conteúdos, para um processo de aprendizagem centrado no aluno, há um longo caminho a percorrer. Como se pode constatar pela leitura do Decreto-Lei nº 42/2005, se o objectivo é que o aluno aprenda, este deve ser o centro do processo de aprendizagem: «Nesta nova concepção, o estudante desempenha o papel central, quer na organização das unidades curriculares, cujas horas de contacto assumirão a diversidade de formas e metodologias de ensino mais adequadas, quer na avaliação e creditação, as quais considerarão a globalidade do trabalho de formação do aluno, incluindo as horas de contacto, as horas de projecto, as horas de trabalho de campo, o estudo individual e as actividades relacionadas com avaliação, abrindo-se também a actividades complementares com comprovado valor formativo artístico, sócio-cultural ou desportivo.» Para que isto aconteça, os conceitos de aula, professor e aluno mudam, e emergem novos conceitos como “comunidade de Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor aprendizagem”. A aula deixa de se limitar ao espaço físico e ao horário fixo para assumir formas mais flexíveis. O professor, deixa de ser o principal transmissor de conhecimento, para ser um engenheiro e um mediador de aprendizagem, que cria as condições que levam o aluno a aprender e a querer aprender. O aluno passa a actor principal que constrói conhecimento e adquire competências. Numa comunidade de aprendizagem a pedagogia é baseada na participação e partilha, há objectivos de aprendizagem que integram as actividades e os contextos de aquisição e utilização de conhecimento, e há mediação dos cenários colaborativos de aprendizagem e inovação pelos professores. Numa comunidade de aprendizagem o papel do professor é apoiar os projectos e iniciativas dos alunos que assumem, por seu lado, maiores responsabilidades. Uma comunidade de aprendizagem é uma abordagem que favorece a partilha e a troca de conhecimento e pode ter âmbito inter-departamental ou inter-universidades. Esta mudança de contexto (espaço e tempo) e de papéis dos professores e dos alunos colocam desafios inadiáveis às instituições de ensino superior. As administrações têm de encontrar novas formas de gerir o processo de aprendizagem, os professores têm de se adaptar a um novo papel. Como refere Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005) «El docente há dejado de ser fuente del conocimiento para desarrollar funciones de guía, orientador, asesor y facilitador de recursos y herramientas de aprendizaje.» (p.126). Partilhando esta mesma ideia há autores que referem a atitude e a forma de intervenção das equipas docentes neste contexto e dizem que são necessariamente diferentes do ensino magistral mais tradicional, exigindo uma preparação prévia dos docentes e níveis de coordenação pedagógicas efectivas e eficazes. (Simão, Santos & Costa, 2002). Assim, para além da consideração de novos modelos e formas de aprendizagem e estruturas curriculares, discute-se o que se deve ensinar e aprender, como se deve realizar a avaliação e como se devem desenvolver competências numa lógica de educação e formação ao longo da vida (Flores et al, 2007). Neste contexto o professor segundo estes autores tem de ser um bom organizador, programador, estimulador, mas sobretudo, um orientador e guia nos processos de aprendizagem, maturidade e desenvolvimento integral dos alunos. A reflexão em torno do que se espera que sejam as aulas de tutoria de cada unidade curricular e a sua articulação com o sistema de tutoria proposto pela instituição tem contribuído para a clarificação das diferentes oportunidades que cada uma acrescenta. A proposta de diferentes tipos de aulas: teóricas, práticas e de tutoria, levantam aos docentes algumas questões: Que tipo de professor deverá estar na aula teórica, na prática e 131 132 Orientação Vocacional e Profissional na de tutoria? Que tipo de conteúdos/competências, de cada unidade curricular, deverá ser assegurada por "uma equipa de professores"? Se era frequente o mesmo professor dar a totalidade das aulas de uma unidade curricular, neste novo cenário tudo parece indicar que deverá haver especialização, sendo o professor das aulas de tutoria, muito mais disponível do que o clássico professor das aulas teóricas. 3.2. A acção tutorial no processo de ensino e aprendizagem: o papel do professor e aluno. 3.2.1. Conceito de Tutoria/Tutor e o novo papel do professor, as suas competências e funções Estas novas exigências universitárias implicam toda a modificação da função docente, que passa a reconsiderar todo o processo de ensino aprendizagem. A acção tutorial ganha especial destaque. Segundo Lázaro & Asensi (1987) citados por Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005), a tutoria é «una actividad inherente a la función del profesor, que se realiza individualmente con los alumnos de un grupo de clase, con el fin de facilitar la integración personal de los procesos de aprendizaje.» Depreende-se que todo o professor tem de completar a sua tarefa de docente com a acção orientadora e tutorial. Deve exercer ambas em simultâneo, favorecendo ambos o trabalho em equipa e individual, personalizando-se o processo educativo. O professor deve potenciar metodologias de aprendizagem que tenham por finalidade a investigação e aquisição de conhecimentos mediante guias pertinentes de trabalho. No que diz respeito ao professor-tutor, outras definições de autores citadas por Torres del Moral (2005) podem ser visualizadas e comparadas: • Burges: o tutor permanecerá com os seus alunos e fará um esforço para os conhecer para que possa fazer considerações sobre o progresso dos seus estudos, desenvolvimento do aluno como pessoa. O tutor será aquele a quem os alunos poderão recorrer num momento de dificuldade. Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • Garcia Correa: O tutor é um professor encarregado de um grupo de alunos em algo mais do que dar aulas, ou seja, ajudar os alunos a realizarem-se dentro do grupo e desenvolver cada aluno individualmente e socialmente. Deve apoiar no conhecimento, adaptação e direcção de si mesmo. • Jones: É um especialista, cuja a principal missão é ocupar-se da integração do aluno no que refere à sua vocação, escolaridade e personalidade; • Sánchez: Tutoría é a acção de ajuda e orientação que o professor dá ao aluno em paralelo com a sua própria acção docente. • Benavent: Tutor é o professor que, com a personalidade predominantemente afectiva e harmonicamente integrada com os factores intelectuais, possui conhecimentos técnicos especiais (orientação, dinâmica de grupos, programação e avaliação) que lhe permitem actuar como educador integral de um grupo de alunos, coordenar e melhorar a atmosfera e coesão da equipa educadora, servir de mediador entre alunos e família, encarregando-se das tarefas administrativas imprescindíveis a que estas relações levam. • Lázaro e Asensi: Actividade inerente à função de professor, que se realiza individual e colectivamente com os alunos de um grupo de classe, com o fim de facilitar a integração pessoal dos processos de aprendizagem; • Concepción Torres del Moral: Tutor é aquele professor que trabalhando em equipa junto dos pais, professores e orientador, conhecerá todos os seus alunos e conduzirá os mesmos segundo características pessoais, aptidões, tratando de conseguir que aprendam a ser, aprendam a aprender, a conviver e a decidir. Tendo em conta as mudanças que se fazem sentir a nível da Europa, Zabalda (2000) chama a atenção para a necessidade de melhorar os conhecimentos dos professores sobre a aprendizagem e projectar novos estilos de ensino que se ajustem a estilos modernos de aprendizagem. O professor é um facilitador de recursos e ferramentas e não apenas a fonte de todo o conhecimento. Com este novo papel do professor como gestor e orientador, acentua-se cada vez mais as acções tutoriais deste sobre o estudante, destacando-se e dando-se especial importância à acção tutorial. O ser professor é assumir a orientação e tutoria dos alunos, assumindo assim uma nova forma de educar que leva os alunos à auto aprendizagem (Sola Martínez & Moreno Ortiz, 2005:127). Estes autores referem ainda uma série de competências do professor, 133 134 Orientação Vocacional e Profissional demonstradas no quadro que se segue, para levar a cabo um ensino que leve ao descobrimento e auto aprendizagem: COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DO PROFESSOR Conhecer as características pessoais dos alunos e as possibilidades de rendimento; Prestar atenção especial aos problemas relacionados com a aprendizagem como motivação, maturidade e interesses profissionais; Capacidade para guiar os alunos para usar os recursos de informação; Contribuir para a personalização dos processos de aprendizagem; Dispor de estratégias potenciadoras para uma aprendizagem auto dirigida; Conhecer métodos para gerir a aprendizagem dos alunos; Prestar ajuda contínua e oportuna a cada aluno, segundo as suas exigências ao longo do processo de aprendizagem; Ter acesso sistemático ao trabalho do aluno, em consonância com a filosofia do novo aluno e estratégias implementadas. Quadro 21: Competências essenciais do professor I, adaptado de Sola Martínez e Moreno Ortiz (2005:128) Também Veiga Simão e Flores, (no prelo) referem algumas competências do professor tutor que aparecem identificadas como essenciais ao desempenho da função de tutor e apontam três níveis: do saber, do ser e do saber-fazer. Vejamos o seguinte quadro: Saber É importante que o tutor tenha conhecimentos prévios (e alguma formação, se possível) sobre o trabalho de tutoria (finalidades, objectivos, tarefas, dimensões, monitorização…) que fazem do tutor uma pessoa com mais experiência e saber, que conheça o curriculum do curso e o meio profissional de referência para o curso. Saber Ser Ao nível do ser, o tutor assume fundamentalmente o papel de guia sendo fundamental estar motivado para o trabalho de tutoria no sentido de criar uma disponibilidade para estabelecer relações interpessoais. No que se refere às qualidades do tutor é consensual que a qualidade da comunicação entre o tutor e o aluno é essencial. Se a comunicação entre o tutor e o aluno não existisse, esta tarefa não faria sentido. Ser organizado, flexível, perseverante e paciente parecem ser características fundamentais Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor para o sucesso da tutoria. É saber escutar, saber comunicar, saber identificar necessidades e respectivas respostas, saber negociar mantendo a coerência, saber gerir conflitos. Todas estas virtudes são fundamentais e exigem um domínio e desenvolvimento constantes. Saber-Fazer Quadro 22: Competências essenciais do professor II López Urquízar & Sola Martínez (2003) referem, ainda, que o professor tutor deve ter em conta os alunos considerando os seguintes aspectos: CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS QUE O PROFESSOR DEVE TER EM CONTA. A primeira tem a ver com a capacidade que as pessoas têm em desenvolver-se durante vida e resolver os seus problemas. Pode ter a ver com as habilidades, auto estima, autonomia, relações, convivência… Maturidade geral e específica Capacidade de aprendizagem A formação pessoal Relações A segunda depreende-se com a capacidade das pessoas em resolver problemas no âmbito de áreas mais concretas, como maturidade para a leitura, para o juízo moral… Se soubermos as capacidades de aprendizagem de cada aluno, podemos adoptar estratégias e metodologias, aproveitando interesses e atitudes para desenvolver essas estratégias que optimizem o processo de aprendizagem; Partimos do princípio de uma educação integral, dentro de um campo de valores que desenvolva atitudes positivas face ao mundo, à vida e a si mesmo; Observação de comportamentos, desenvolvimento de habilidades sociais… Quadro 23: Características do aluno que o professor deve ter em conta, adaptado de López Urquízar & Sola Martínez (2003) 135 136 Orientação Vocacional e Profissional Mediante a acção tutorial, os professores projectam um modelo de ensino em que o professor atende aos conteúdos académicos, mas também complementa a sua actuação docente com funções de guia, orientador e ajuda. O próprio aluno torna-se mais activo, participando plenamente nas actividades de aprendizagem geridas por programas e guias de trabalho pessoal ou colectivo programados pelo professor que conduz todo o ensino individual ou colectivo. Certo é que a tutoria torna-se preventiva, uma vez que assumindo uma orientação individual, personalizada prestando ajuda constante aos alunos, evita possíveis carências e problemas. Ao atender às exigências próprias de cada aluno, Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005:130) estruturam a orientação em torno de três modelos: • Modelo académico; • Modelo de desenvolvimento pessoal; • Modelo de desenvolvimento profissional. O primeiro modelo consiste numa acção onde o docente como um informador, orientador num ambiente onde liberdade e autonomia pessoal adquirem os seus valores mais altos. Os objectivos deste modelo são muito simples. Este modelo pretende orientar sobre aspectos académicos, potenciar a capacidade intelectual e gerar destrezas para o estudo. Aqui são utilizados recursos simples como informação ao aluno, a explicitação de actividades, adequação de materiais e criação de um clima educativo e avaliação formativa. O segundo modelo consiste numa acção tutorial que se preocupa com aspectos mais além do campo académico e centra-se no que é estritamente pessoal. Os objectivos que devem desenvolver-se estão relacionados com o aspecto psicossocial, moral e psicosexual da pessoa. No terceiro modelo o tutor tem de complementar, planificar e coordenar a sua actividade orientadora com a do tutor no lugar onde se realizam as práticas, para ver em que medida se desenvolvem as destrezas e atitudes pessoais académicas e profissionais do aluno, tendo como referência o perfil profissional em que se está formando. Neste último modelo há um dos aspectos mais importantes que é a tomada de decisões e a busca de emprego. Há uma série de filosofias que ajudam o orientador nesta interpretação das escolhas e opções de cada pessoa como são mostradas por Rodríguez Moreno (1995): Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor CLASSIFICAÇÃO DE MODELOS DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Teorias ocupacionais Ginzberg (1951) Teorias baseadas no desenvolvimento evolutivo Destacam a influência dos primeiros anos de vida na futura eleição ocupacional. Baseiam-se na psicologia evolutiva, nos estádios vitais e no auto conceito. Super (1961) Teorias da personalidade Holland (1960) A personalidade canaliza as preferências vocacionais. Há os tipos: realista, intelecto, social, convencional, empreendedor e artístico. Teorias do azar Centra-se na eleição profissional sem planificação prévia. Intervêm a reacção emocional ou o acidente. Teoria de D. V. Tiedeman e R. D. O’Hara (1963) Considera a profissão como esperança e limitação de vida. Dimensões: propósito, autoridade, responsabilidade e aceitação do trabalho. Teorias complexas ou ecléticas Baseiam-se em satisfação de necessidades, percepção intelectual do emprego, influência da formação ocupacional. Hoppok (1976) Teorias do conselho profissional J. O. Crites (1981) Centram-se na eleição da profissão a partir do conselho profissional. Quadro 24: Classificação de modelos de orientação profissional Delgado Sánchez (2005) entende a tutoria como «un elemento individualizador e integrador de la educación.» Segundo este autor a tarefa tutorial é um complemento à acção docente geral. Do tutor podemos dizer que «es la persona que sierve de referencia a su alumnado al atenderlo en su proceso de formación». Delgado Sánchez (2005). Sendo assim dado que a acção tutorial converte-se numa peça chave do processo educativo do aluno esta concepção de tutoria implica que: • Deve haver uma cuidadosa planificação da parte do professor-tutor; • Não deve ser considerado só uma tarefa extra lectiva e deve estar integrada no processo formativo do aluno; • Que exista um adequado equilíbrio entre as componentes instrutivas e formativas. (Delgado Sánchez, 2005). 137 138 Orientação Vocacional e Profissional Álvarez Bisquerra (1996) define a tutoria como «una acción sistemática, específica concretada en un tiempo y en espacio (legalmente una hora a la semana en el aula) en la que el alumno recibe una especial atención ya sea individual o em grupo, considerándose como una acción personalizada.» Os mesmos autores atribuem os seguintes aspectos positivos à tutoria: • Contribui para a educação integral, favorecendo o desenvolvimento de todos os aspectos da pessoa: a própria identidade, sistema de valores, personalidade e sociabilidade; • Ajusta a resposta educativa às necessidades particulares prevenindo e orientando as possíveis dificuldades; • Orienta o processo de tomada de decisões ante os diferentes itinerários de formação e as diferentes opções profissionais; • Favorece as relações no seio do grupo, como elemento fundamental da aprendizagem cooperativa e da socialização; • Contribui para a adequada relação e interacção dos intervenientes na comunidade educativa. Por isso, a acção tutorial, segundo López Urquízar & Sola Martínez (2003: 172), deve considerar-se como: • Um processo contínuo; • Aquela que se desenvolve de uma forma contínua e dinâmica; • Algo que implica o processo de aprendizagem; • Aquela que exige a colaboração entre todos os agentes educativos; • Uma acção que está inserida no curriculum escola; • Aquela que propicia a auto orientação. Se encararmos a tutoria como uma componente inerente à formação universitária, emergem um conjunto de objectivos e características apontadas por Sebastián Rodríguez et al., 2004): • A acção tutorial permite a integração activa do estudante no mundo universitário; Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • A acção docente, através da função de orientação, dedica-se a impulsionar e facilitar o desenvolvimento integral dos seus estudantes nos seus diferentes âmbitos: intelectual, afectivo, pessoal e social; • A acção tutorial contribui para personalizar a educação universitária, pois permite um acompanhamento individualizado do itinerário de formação do aluno; • Na acção tutorial canalizam-se e dinamizam-se nas relações do aluno os diferentes segmentos da atenção do estudante: de carácter administrativo, docente, organizativo e de serviços; A atenção ao estudante constitui um elemento-chave de qualidade. Segundo López Urquízar & Sola Martínez (2003:174) a acção tutorial tem como objectivos gerais: • Facilitar a integração dos alunos no grupo e no centro; • Possibilitar o trabalho individual e em equipa; • Procurar a personalização do processo educativo; • Determinar apoios específicos ou actividades adequadas a certas dificuldades; • Flexibilizar as formas de avaliação; • Desenvolver atitudes positivas nos alunos, no que diz respeito ao centro e a tudo que o circunda; • Fazer adaptações curriculares a alunos com necessidades educativas especiais; • Unificar os critérios de avaliação do professorado que incide ou trabalha com o mesmo grupo; • Criar canais de participação dos pais em actividades de apoio e orientação dos seus filhos; • Facilitar o desenvolvimento das técnicas de trabalho e estudo; • Informar os pais do processo de aprendizagem dos seus filhos. Estes objectivos estão patentes nos três âmbitos de acordo com os destinatários da acção e função tutorial como nos explica o quadro seguinte: 139 140 Orientação Vocacional e Profissional DESTINATÁRIOS Depois de um conhecimento prévio do ponto de vista individual e em grupo e ajudando os alunos em cada momento de decisão e iniciativa, supõe-se a formulação dos seguintes objectivos: • Conhecer as características pessoais dos alunos e possibilidades de rendimento; Alunos • Prestar atenção a problemas que tem relação com a aprendizagem; • Facilitar a integração na dinâmica escolar; • Contribuir para a personalização dos processos de aprendizagem; • Ajudar na tomada de decisões na eleição profissional em colaboração com os serviços de orientação; • Fomentar o desenvolvimento de atitudes colaborativas a solidárias; • Oferecer aos pais informação sobre as problemáticas dos seus filhos bem como os resultados académicos dos alunos; • Prestar ajuda contínua, sistemática e oportuna; É imprescindível ter em conta as características relacionais e dinâmica do grupo para garantir a atenção adequada. Os objectivos seriam: • Conhecer as características do grupo tendo em conta a sua dinâmica e tipo de relações; • Organizar actividades de grupo que permitam a coesão entre os membros; • Informar o grupo sobre as suas características e possibilidades de aperfeiçoamento; Grupo • Potenciar a participação do grupo no desenvolvimento organizativo e funcional do mesmo; • Facilitar a participação do aluno na avaliação e valoração do rendimento escolar; • Analisar e estudar com outros professores as situações de conflito que podem apresentar-se para eliminá-las ou atenuá-las. • Elevar no grupo técnicas e hábitos de estudo encaminhados face ao desenvolvimento, do trabalho autónomo e pessoal; Educação integral entende-se com a colaboração da família que incorpora directa ou indirectamente nas tarefas escolares. É necessário partir de uma informação global das actividades a realizar com os seus filhos nas aulas e das vias Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor de participação que podem utilizar. É conveniente proporcionar espaços e tempo para esta informação e colaboração. Como objectivos, são propostos os seguintes: • Dar a conhecer o plano de orientação propiciando a sua incorporação e colaboração; • Informar periodicamente acerca das decisões dos centros, normas, situações académicas do aluno, falta de assiduidade e outros incidentes; Família • Dar informação que pode ser relevante no processo de aprendizagem e no desenvolvimento do aluno. • Estabelecer relações positivas entre os pais e centro; • Abrir canais de participação aos pais nas actividades de apoio à aprendizagem e educação dos seus filhos. A orientação educativa é estabelecida mediante a criação de departamentos de orientação com os seus técnicos especializados onde existe o exercício de função tutorial individual ou em grupo. Os objectivos seriam os seguintes: • Conhecer o funcionamento e dinâmica do centro assim como as finalidades educativas e objectivos gerais; • Estabelecer mecanismos de coordenação com o resto dos tutores para programar actividades de orientação e tutoria Centro • Determinar institucionalmente os processos de atenção aos alunos com problemas específicos pessoais ou de aprendizagem; • Promover a cooperação entre escola, família procurando uma maior eficácia e coerência na educação dos alunos; • Canalizar o ensino para que cumpra objectivos de preparação e orientação para a vida social e profissional; • Realizar, conservar e incrementar dossiers de todos os alunos e cada um dos alunos no âmbito psicopedagógio. • Conseguir da administração pública os recursos necessários para o desenvolvimento da acção tutorial; • Promover e desenvolver programas de formação do professorado tanto curricular como didáctica, metodológica e orientadora; • Fomentar a participação da comunidade educativa; • Avaliar todos os processos implicados na acção docente e orientadora. 141 142 Orientação Vocacional e Profissional O professor como líder do seu grupo, deve ser muito cuidadoso no estabelecimento de relações de carácter sócio afectivo com os alunos. Exige-se um professor-tutor que siga com o seu grupo e, em coordenação com os companheiros, a consecução dos seguintes objectivos: • Aplicar correctamente as técnicas de orientação tanto de diagnóstico como de tratamento; • Estabelecer relações adequadas entre os professores no processo de avaliação; • Coordenar actuações entre os diferentes tutores; • Desenhar programas de orientação para cada um dos ciclos segundo características próprias; Professores • Propiciar a inclusão de Programas no desenho curricular de centro. Quadro 25: Objectivos da acção tutorial conforme os destinatários da mesma. Como podemos observar toda a acção tutorial implica a participação de um tutor que é encarregue de cumprir determinadas funções. Segundo Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005) as funções do tutor encontram-se no quadro seguinte: • Colaborar na construção do conhecimento; • Orientar no conhecimento científico; Atendendo ao conhecimento • Facilitar o processo de aquisição do conhecimento; • Garantir a análise crítica do conhecimento; • Orientar face a novos campos de estudo e investigação. • Conhecer o aluno: possibilidades, capacidades e nível de maturidade das aprendizagens; Atendendo à aprendizagem • Estimular o sentido crítico; • Descobrir a necessidade científica e investigadora; • Estabelecer canais de comunicação e inter relação nas aprendizagens. • Conhecer a personalidade humana do aluno; • Colaborar na tomada de decisões; Atendendo à dimensão pessoal • Colocar em contacto com a realidade profissional desde a prática, mediante as etapas de observação; • Ajudar na aquisição de autonomia, singularidade e Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor abertura pessoal; • Fomentar a auto realização pessoal na dimensão profissional. Quadro 26: Funções do tutor. Tendo em conta a nossa experiência, as funções e competências de um tutor que achamos serem as mais importantes são as seguintes: • Acompanhar de forma individualizada o processo educativo do (s) aluno (s), de preferência ao longo do seu percurso escolar; • Facilitar a integração dos alunos na escola e na turma fomentando a sua participação; • Contribuir para o sucesso educativo e para a diminuição do abandono escolar, conforme previsto no Projecto Educativo; • Aconselhar e orientar nos estudos e nas tarefas escolares; • Aplicar questionários ou outras metodologias de análise que propiciem um conhecimento aprofundado das características próprias dos alunos: dados pessoais e familiares; dados relevantes sobre a sua história escolar e familiar; características pessoais (interesses, motivações, “estilo” de aprendizagem, adaptação familiar e social, integração no grupo – turma); Problemas e inquietudes e necessidades educativas; • Efectuar a articulação escola – família; • Efectuar a articulação com outros serviços da escola ou da comunidade. Lázaro Martínez (1997) citado em Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005:131) refere que a tutoria realiza-se respeitando as variáveis que definem o lugar onde se encontra o aluno e adaptam-se às características pessoais do estudante. Sendo assim, dadas as diferentes formas de intervenção tutorial e tendo em conta que aqui se baseiam mais a 143 144 Orientação Vocacional e Profissional nível universitário, são distinguidas as seguintes por Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005:131) A função tutorial legal ou funcional Com a introdução plena de EEES é dito que o professor universitário tem de se dedicar algumas horas semanais à tutoria. Neste tempo, o tutor planifica a sua acção tutorial. A função tutorial académica Este modelo centra-se basicamente na assessoria, consulta, dificuldades e orientação dos trabalhos de carácter científico e académico. A função tutorial docente por seminários Concebe a tutoria como uma modalidade de docência. Um bom exemplo são os seminários realizados tendo em conta as diferentes matérias. Este modelo tem uma base humana. A orientação facilita a informação sobre estudos, saídas e competências profissionais. Pode ajudar, ainda, em problemas pessoais, onde o professor aproveita para criar um clima de confiança entre aluno e professor. A tutoria personalizada Peer tutoring Consiste em estabelecer uma relação de alta camaradagem. A tutoria virtual Usam-se os meios virtuais como suporte ao conhecimento e meios de consulta. Quadro 27: Formas de intervenção tutorial. 3.2.2. As qualidades do Tutor Para além e competências e funções, o tutor tem de ter uma série de qualidades que se baseiam na confiança e no modelo de humanidade. Corominas (2001) justifica a necessidade do professor ter certas qualidades, dado que assume responsabilidades de educador e orientador ao manter um contacto tão próximo com alunos, o que lhe permite conhecê-los rapidamente e detectar os seus problemas. Ainda na linha de (Argiot, 1973) uma faceta a destacar na análise que faz do tutor é a «puente de unión entre los padres de un estudiante y el centro educativo.» (p.19). Seguindo Carl Roger citado por Brunet & Negro (1993) e Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005) o tutor deve: Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • De ser ele mesmo, de ser uma pessoa autêntica, sincera e sem hipocrisia; • Deve ser congruente com o que pensa, com o que faz, com o que diz, e difundir valores positivos; • Deve respeitar as capacidades e limitações do aluno, transmitindo-lhe confiança para desenvolver as suas possibilidades intelectuais e pessoais; • Deve estabelecer empatia com o aluno ou grupo escutando e compreendendo. Estas relações exigem tempo e paciência; • Deve estar aberto à experiência, a inovações e flexível a normas como forma de aprender entre os alunos. • Deve estar motivado pela tarefa orientadora e realizar a sua acção tutorial de forma planificada e sistematizada; • Evitar favoritismos ou contribuir para realçar aspectos negativos ou gerar conflitos, devendo contribuir para um ambiente de colaboração e cooperação; Para além destas e tendo em conta a nossa experiência o tutor deve: • Utilizar sempre que possível o reforço positivo para motivar o aluno. Não devemos derrotar o aluno quando o mesmo faz um esforço para participar; • Capacidade de se expressar de forma simples para gerar uma aproximação aos alunos; • Compreender os seus interesses e atitudes e utilizar essa informação de modo a motivar os alunos e ganhar a sua confiança. Para isso, o tutor tem de ser compreensivo e flexível; • Seguro de si mesmo, com sentido de justiça, conhecedor dos seus próprios erros; • Deve impor normas colectivamente acordadas. Segundo Moust (1993) há uma série de comportamentos que geram diferentes tipos de tutores, atendendo à finalidade e objectivos propostos na tutoria: 145 146 Orientação Vocacional e Profissional Tutor academicista, quando se utilizam os conhecimentos académicos; Tutor autoritário; Tutor que busca o êxito; Tutor colaboracionista e cooperativista; Tutor congruente-social, comporta-se como um estudante e relaciona-se informalmente. Tutor congruente-cognitivo, tem a capacidade de se expressar na linguagem dos estudantes e comunicar com eles mediante termos compreensíveis e familiares. Quadro 28: Tipos de tutores segundo Moust (1993). Segundo Lázaro e Asensi (1987), existem diferentes enfoques no que diz respeito ao conceito de tutor, e é interessante destacar as características essenciais que são atribuídas ao mesmo: • Adquire-se o título de tutor a quem tem uma relação pessoal que se estabelece com os outros; • Este outro é uma pessoa imatura, necessitada de ajuda e incapaz de se auto governar; • A necessidade da função tutorial diminui há medida que o sujeito, por seu próprio desenvolvimento, alcança uma independência. Podemos considerar o tutor como um professor que se responsabiliza por um grupo de determinados alunos tendo em conta aspectos relativos à maturidade, desenvolvimento e adopção de posturas positivas perante a vida. Ele é uma pessoa que conhece o meio em que se desenvolve o aluno, relaciona-se com os seus pais e, em conjunto com outros professores, utiliza técnicas adequadas estabelecendo pautas de avaliação do seu próprio trabalho. Em geral e tendo em conta Sola Martínez (2000) as qualidades do tutor devem ser as seguintes: • Humanista para estabelecer relações de igualdade com o aluno; • Camaradagem e amizade; Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • Mentalidade aberta para se sintonizar com as idades e compreender as suas atitudes; • Observador para valorizar os progressos académicos e pessoais dos alunos; • Firme, mantendo a sua postura e critérios, sobretudo quando se refere a normas acordadas colectivamente; • Confiante, amável, seguro de si mesmo e autêntico; • Espírito de sacrifício, pontualidade e generosidade são uma referência importante bem como um bom exemplo para os alunos; • Valorizar opiniões diversas o espírito crítico, aceitar os seus erros e demonstrar um espírito desportivo; • Motivador, sistemático e coerente. 3.2.3. Dificuldades encontradas pelos Tutores no exercício da acção tutorial No entanto, há profissionais que encontram dificuldades para exercerem as suas funções de tutores. Como nos indica Argiot (1973) o tutor «es un experto cuya principal misión es la de ocuparse de la integración de los alumnos en lo que se refiere a su escolaridad, vocación y personalidad…Su labor comprende los contactos personales, entrevistas colectivas, relaciones muy cercanas com los alumnos, tal como poços profesores pueden lograr, sea por falta de tiempo o de habilidad.» (p.19). Baseando-me na ideia de Argiot, e Serrano e Olivas (1989), julgamos que muitos professores têm falta de formação em matéria de tutoria e carência de hábitos de actualização sistemática na orientação educativa o que leva a situações que tornam os resultados do exercício da acção tutorial pouco satisfatórios. Existem dificuldades que surgem e impedem a realização da função tutorial. Muitos professores não têm tempo para se dedicarem a esta actividade bem como não planificam a mesma. Por vezes, não estão motivados para tal e desconhecem de todo metodologias e técnicas para levar a cabo a acção tutorial. No que diz respeito ao aluno, Sola Martínez e Moreno Ortiz (2005:133) indicam algumas dificuldades encontradas por parte dos professores: 147 148 Orientação Vocacional e Profissional • Dificuldade em conhecer a fundo o aluno devido à massificação; • Falta de maturidade e autonomia; • Dificuldade em encontrar-se com os alunos, cuja a problemática excede, por vezes, a acção tutorial; • Desajuste dos estudos como consequência dos sistemas da eleição da carreira. O exercício da função tutorial exige, por parte do professor, uma atitude muito positiva. Por vezes, estas dificuldades estão também ao nível do centro. Muitos professores perdem-se com tanta informação nova por causa da mudança rápida de conceitos, posições e crenças. Há professores que acham os planos de estudo complexos e não conseguem habituar-se às novas mudanças e posições. Há conceitos muito interiorizados difíceis de mudança e por isso precisam de formação, explicação e apoio. Para se sentirem seguros e assim terem um bom desempenho precisam de informação e motivação. Muitos desconhecem as novas ofertas de trabalho e algumas universidades carecem de linhas orientadoras para levar a cabo uma acção tutorial. A realidade actual do Ensino Superior, como refere Bireaud (1995), reflecte um novo público heterogéneo que exige um ensino diferente e personalizado, para o qual alguns docentes não estão preparados, e numa grande escala, apresentam défices na sua formação, o que contribui para a elevada taxa de insucesso da instituição. Também Marques (2006), faz a pergunta «Será que temos tudo preparado para um programa de treino e aprendizagem dos próprios professores universitários mais clássicos, para este tipo de actuação?» Assim sendo, Sola Martínez & Moreno Ortiz (2005:137) indicam algumas fórmulas tutoriais com conteúdos e âmbitos de actuação, que devem ser tidas em conta pelos orientadores: Saber conhecer Deveremos legar o conhecimento académico, profissional e contextual que gerará no estudante uma capacidade integral na sua vida universitária. Ser Construir um espírito universitário, tendo em conta atitudes, valores, hábitos, comportamentos, que constituem a sua formação como pessoa. Saber eleger Aqui é onde surgem os maiores problemas. Através da nossa intervenção tutorial tentaremos mostrar a realidade dos trabalhos e actividades profissionais mais ajustados ao seu perfil académico desde a prática à passagem para a vida activa. Quadro 29: Fórmulas tutoriais. Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor 3.2.4. A acção tutorial individual e grupal Segundo López Urquízar & Sola Martínez (2003) dependendo dos objectivos propostos e das possibilidades de acção tutorial, esta pode ser realizada a nível individual ou em grupo. A primeira é «aquella que se dirige a algún alumno en particular, para detectar e conocer las características y posibilidades de rendimiento, a fin de potenciarlas al máximo y contribuir al desarrollo integral de su personalidad y adaptación al entorno social e profesional.» (López Urquízar & Sola Martínez, 2003). No que diz respeito à acção tutorial em grupo é quando a mesma é realizada com vários alunos, sendo o orientador não só um guia mas um colaborador. Nos quadros seguintes conseguimos visualizar melhor a diferença entre as duas através de uma sistematização feita pelos autores: ACÇÃO TUTORIAL INDIVIDUAL Avaliação Informação recebida Informação emitida Técnicas Registos Tratamentos • Inicial • Processual; • Sumativa. • Académico; • Profissional e • Pessoal. • Ao aluno. • Observação directa e sistemática; • Escalas de rendimento académico; • Entrevistas; • Questionários de adaptação, personalidade; • Ficha psicopedagógica; • Guia de seguimento. • Individuais. Quadro 30: Acção tutorial individual 149 150 Orientação Vocacional e Profissional ACÇÃO TUTORIAL GRUPAL • • • • • • • Avaliação Informação recebida Informação emitida Técnicas (As técnicas devem ser aceites e compartilhadas pelo grupo, assim como, a finalidade da técnica deve ser um elemento de desejo dos membros do grupo.) Registos Tratamentos Inicial; Processual; Sumativa. Adaptação ao grupo; Relações inter pessoais; Valorização das intervenções. O grupo. Intervêm o grupo de forma activa: • Role-play; • Brainstorming; • Debate dirigido; • Pequeno grupo de discussão; • Mesa redonda; • Diálogo; • Entrevista; • Consulta pública; • Debate público. • Registo de datas; • Lista de atenção preferencial; • Escala de observação. • Em grupos por características; • De atenção preferencial; • Todo o grupo classe. Quadro 31: Acção tutorial grupal. Sola Martínez (1999) recorre a Ayuso López (1999), no que diz respeito aos objectivos propostos para as acções tutoriais, referindo que tantos individuais como em grupo, estes estão sempre determinados por um maior ou menor número de alunos. Vejamos nas linhas orientadoras seguintes inspiradas no autor: • Grande grupo. Se for uma acção dirigida o professor pode realizar uma actividade com o grupo todo em que há uma explicação, demonstração e por fim uma actividade que poderá consistir em ver um vídeo. Se for uma acção independente, o professor poderá propor uma actividade em comum onde cada aluno realiza a parte que lhe corresponde. • Grupo pequeno. Se for uma acção dirigida, o professor poderá trabalhar com o grupo, proporcionando-lhes ajuda. Se for uma acção independente, os alunos realizam em conjunto uma actividade, colaborando e trocando informação e ajuda. Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • Individual. Se for uma acção dirigida, o professor poderá trabalhar com os alunos proporcionando todo o tipo de ajuda, estruturando a situação e sistematizando a intervenção. Se for uma acção individual cada aluno realiza a sua actividade, sem que esta tenha de estar relacionada com a dos outros alunos. 3.2.5. A Tutoria na EEES como resposta aos objectivos que se propõe com a nova função de professor e o novo estilo de ensinoaprendizagem Em termos gerais, há uma exigência da tutoria que se encontra definida pela relação estabelecida entre o sistema de créditos ECTS e o trabalho atribuído ao aluno. Precisa-se de distribuir de uma forma racional e equilibrada o número de horas de contacto entre o professor e aluno tanto a nível de aula como tutoria. Para além disso, há que planificar bem e preparar as tarefas para antes e depois da aula. Aqui surge uma busca de diversos recursos e materiais bibliográficos, planificações de práticas e outros. Passa a haver um trabalho em equipa, de auto aprendizagem dirigida, planificada e guiada pelo professor desde a própria acção tutorial. Os alunos tornam-se mais autónomos na gestão do seu conhecimento e o professor um mediador e facilitador das aprendizagens. Deixam de existir fontes únicas de conhecimento, pois estas ampliam-se e só cabe ao professor planificar a sua acção. Segundo Sola Martínez e Moreno Ortiz (2005) a tutoria no marco da EEES tenta dar resposta aos objectivos que se propõe com a nova função de professor e o novo estilo de ensino e aprendizagem entre eles: - Nível conceptual: • Construir um conhecimento teórico, prático e aplicado, que tenha projecção no mundo laboral; • Tenta criar as construções pedagógicas adequadas que possibilitem uma aprendizagem participativa, activa e cooperativa; • Saber alternar os métodos didácticos que permitam a aplicação do ensino presencial e virtual. 151 152 Orientação Vocacional e Profissional - Nível procedimental: • Estabelecer um estilo de ensino não massificado, centrado em grupos reduzidos e flexíveis, que possibilitem um ensino o mais personalizado possível; • Criar hábitos de reflexão nos alunos; • Implementar diferentes estratégias metodológicas flexíveis nas distintas actividades programadas; • Usar a avaliação como instrumento pedagógico que gera informação construtiva, para completar em que medida obtivemos êxito ou fracasso no processo de ensino e aprendizagem; • Capacitar para o trabalho cooperativo e para aquisição de hábitos e técnicas de estudo; - Nível comportamental: • Considerar a tutoria como um meio importante na tarefa da construção de conhecimentos, da sua aplicação e aquisição de atitudes, valores e normas; • Valorizar as TIC como instrumentos facilitadores da aprendizagem e a comunicação com e entre os alunos; • Fomentar nos estudantes a indagação, criatividade, iniciativa pessoal e colectiva, a curiosidade investigadora e intelectual; • Valorizar e considerar as distintas aproximações que no âmbito do conhecimento se geram a partir de diferentes enfoques ou linhas de pensamento. Aqui em Portugal em algumas universidades e também devido ao processo de Bolonha, foram feitas várias experiências de tutoria a nível grupal. No capítulo seguinte demonstraremos algumas delas. No que diz respeito ao 1º ciclo, 2º, 3º e secundário privilegia-se mais a tutoria individual. Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor 3.3. Plano de acção Tutorial (PAT) em Portugal 3.3.1. A regulamentação do PAT No que diz respeito à acção tutorial em Portugal, o Decreto Regulamentar n.º 10/99 de 21 de Julho regulamenta as competências das estruturas de orientação educativa e enquadra no seu artigo 10º a figura do professor tutor, remetendo para o Regulamento Interno dos estabelecimentos de ensino a definição de outras competências consideradas pertinentes. O despacho nº 50/2005 refere a tutoria como uma modalidade de apoio no âmbito dos planos de recuperação e acompanhamento. 8 De salientar que são muito poucas as escolas que introduzem a figura de professor tutor, atribuindo essas responsabilidades aos professores directores de turma e psicólogos. No entanto, pareceu-nos pertinente analisar o que diz a nossa lei sobre o plano de acção tutorial. Os alicerces desta acção de tutoria são: • Capacitação – preparar os alunos para a sua própria auto-orientação e induzi-los, de forma progressiva, a criarem uma atitude para a tomada de decisões fundamentais e responsáveis sobre o presente e o futuro, quer na escola quer na vida social e profissional; • Continuidade - ser disponibilizada aos alunos ao longo dos diferentes níveis de escolaridade; • Educação – é tão importante a instrução dos alunos como a sua educação; • Implicação – dos diferentes actores, nomeadamente, família, comunidade e instituições que intervêm no processo educativo; 8 Os planos de recuperação são planos elaborados pelos professores do Conselho de Turma que vão detectando necessidades dos alunos em fazerem trabalhos extra para superarem as suas dificuldades. Os planos de acompanhamento são elaborados no final do ano pelo Conselho de Turma e contemplam alunos que não transitam de ano. Estes planos servem de apoio aos próximos directores de turma que vão ter contacto com esses alunos e precisam de compreender quais as necessidades dos mesmos. Com estas informações o Director de Turma elabora os objectivos que pretende atingir com o Projecto Curricular de Turma e que vão de encontro às necessidades destes alunos com plano de acompanhamento e dos outros, que embora não tenham, manifestaram as suas dificuldades através de questionários e conversas. 153 154 Orientação Vocacional e Profissional • Individualidade – atender às características específicas de cada aluno; Sendo assim, no que diz respeito ao Professor-tutor: • A direcção executiva pode designar, no âmbito do desenvolvimento contratual da autonomia da escola ou do agrupamento de escolas, professores tutores responsáveis pelo acompanhamento, de forma individualizada, do processo educativo de um grupo de alunos, de preferência ao longo do seu percurso escolar; • As funções de tutoria devem ser realizadas por docentes profissionalizados com experiência adequada e, de preferência, com formação especializada em orientação educativa ou em coordenação pedagógica; • Aos professores tutores compete: 1. Desenvolver medidas de apoio aos alunos, designadamente de integração na turma e na escola e orientação no estudo e nas tarefas escolares; 2. Promover a articulação das actividades escolares dos alunos com outras actividades formativas; 3. Desenvolver a sua actividade de forma articulada, quer com a família, quer com os serviços especializados de apoio educativo, designadamente os serviços de psicologia e orientação, como com outras estruturas de orientação educativa. 4. Acompanhar de forma individualizada o processo educativo de um grupo restrito de alunos, de preferência ao longo do seu percurso escolar; 5. Contribuir para o sucesso educativo e para a diminuição do abandono escolar, conforme previsto no Projecto Educativo da Escola; 6. Coordenar as adaptações curriculares, individuais ou de grupo, que o Conselho de Turma ou os serviços especializados de apoio educativo considerarem pertinentes; 7. Esclarecer os alunos sobre o mundo laboral e os procedimentos de acesso ao mesmo, promovendo atitudes de empreendedorismo; 8. Ensinar os alunos a expressarem-se, a definirem objectivos pessoais, a auto avaliarem-se de forma realista e a serem capazes de valorizar e elogiar os outros; Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor 9. Trabalhar de modo mais directo e personalizado com os alunos que manifestem um baixo nível de auto estima ou dificuldade em atingirem os objectivos definido. 10. Implicar os docentes das disciplinas em que os alunos revelam maiores dificuldades em actividades de apoio à recuperação; 11. Implicar os pais/encarregados de educação em actividades de controlo do trabalho escolar e de integração e orientação dos seus educandos; 12. Informar, sempre que solicitado, os pais/encarregados de educação, o Conselho de Turma e os alunos sobre as actividades desenvolvidas e o concomitante rendimento; 13. Desenvolver a acção de tutoria de forma articulada, quer com a família, quer com os serviços especializados de apoio educativo, designadamente NAE e SPO; 14. Elaborar relatórios periódicos (um por período) sobre os resultados da acção de tutoria, a serem entregues no Conselho Executivo para esclarecimento dos Conselhos de Turma, do Conselho Pedagógico e da família. Esta modalidade de apoio surge da necessidade de apoiar individualmente e de uma forma diferenciada alunos que apresentam problemas sociais e/ou comportamentais. Aqui está também patente a acção tutorial que segundo Torres Del Moral (2005) «se configura ahora como una tarea compleja (de saberes y de profesionales) que demanda una adecuada organización del centro que debe figurar en su Plan de Acción Tutoral.» (p.243). Também os autores Delgado Sánchez (2005) e Rodríguez Espinar (2006) referem que a acção tutorial ganha um maior reconhecimento na actualidade por parte da administração educativa que faz com que todo o centro assuma a actividade tutorial como parte integrante do projecto educativo e faz com que o professor necessite de uma formação permanente nos distintos âmbitos da acção tutorial. Assim sendo, nos Planos de Acção Tutorial (PAT) entende-se a acção de tutoria como uma dinâmica colaborativa em que intervêm diferentes actores (alunos, docentes, encarregados de educação e técnicos de serviços especializados) com diferentes graus de implicação, de forma a resolver insucesso escolar e de abandono dos alunos, de facilitar a sua integração na escola e nos grupos – turma e de atenuar eventuais situações de conflito. O Plano de Acção Tutorial é parte integrante do Projecto Curricular de Turma. O Conselho 155 156 Orientação Vocacional e Profissional Pedagógico define as directrizes gerais e os critérios de elaboração. Os Professores Tutores procedem à sua elaboração, bem como à sua divulgação e discussão em Conselho de Turma. O coordenador dos Professores Tutores monitoriza a implementação. O Plano de Acção Tutorial é composto por três etapas de elaboração/operacionalização sendo a primeira o Projecto de Escola de Acção Tutorial. Os PAT são documentos onde estão reflectidos a organização e funcionamento das tutorias. O Plano de Acção Tutorial é um instrumento onde se clarifica: • Os critérios e procedimentos para a organização e funcionamento da tutoria; • As linhas de actuação que o tutor desenvolve com os alunos de cada grupo e respectivas famílias; • A equipa educativa implicada; • As medidas para manter uma comunicação eficaz com as famílias, quer com vista ao intercâmbio de informações sobre aspectos relevantes para melhorar o processo de aprendizagem dos alunos, quer para orientá-los e promover a sua cooperação; • As actividades a realizarem semanalmente com o grupo de alunos e as previstas no atendimento individual. 3.3.1.1. Perfil do aluno tutorado No que diz respeito ao aluno, Veiga Simão & Flores (no prelo) referem que «parece transparecer a ideia, nas diferentes experiências, que, ao estudante/”tutorado” também são exigidas competências que são, de algum modo, transversais às do tutor. O estudante deve possuir e permitir um bom nível de comunicação, deve ser capaz de confrontar ideias considerando os patamares do respeito exigidos e, não menos importante, ter a capacidade de se colocar no lugar do tutor.» Esta ideia é partilhada por Wallace & Gravells (2007), pois permite adquirir uma visão mais alargada do eu, tendo em mente a compreensão das resistências às mudanças e ao conservadorismo de algumas atitudes, as quais podem constituir um enorme obstáculo à aquisição e desenvolvimento de competências pelo sujeito em formação. Emergem, entre outros aspectos cognitivos/metacognitivos, motivacionais/volitivos, o saber pedir ajuda, a abertura à crítica, o saber gerir o stress e o Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor estabelecer prioridades. O aluno é agora um sujeito activo e grande protagonista do seu processo de aprendizagem, no qual participa. No entanto, para nós, ao aluno que se propõe ser orientado pode ter: • Dificuldades de integração na escola e/ou turma; • Dificuldades de relacionamento interpessoal, como os alunos que se isolam e os alunos que são colocados de parte pelos outros; • Alunos que são vítimas de bullying; • Alunos que são agressivos, que insultam, batem, roubam colegas e danificam as instalações da escola; • Alunos com pouca assiduidade; • Comportamentos totalmente perturbadores nas aulas ou noutros espaços da escola. A tendência actual da acção tutorial aponta para uma intervenção mais centrada na prevenção e no desenvolvimento do aluno. O professor não tem de ser um “perito” em acção tutorial, mas tem que estar capacitado para esta difícil tarefa. Segundo Gomez, Mª Teresa et al. (1990), para ser um bom tutor é fundamental reconhecer-se como um professor que necessita desenvolver novas funções. 3.3.1.2. Serviços de Psicologia e Orientação Vocacional. São considerados serviços de orientação vocacional e de psicologia os seguintes: • Professor(es) de Apoio Educativo; • Conselho de Turma; • Conselho Executivo; • Conselho Pedagógico; • Assembleia de Escola; • Centro de Saúde; • Comissão de Protecção de Crianças e Jovens; 157 158 Orientação Vocacional e Profissional • Assistentes Sociais. Os professores tutores, depois de serem designados pelo Conselho Executivo, organizam-se em cada ano lectivo de acordo com o horário estabelecido pelo órgão de gestão. Ao cargo de professor tutor são atribuídos dois blocos de 90 m da componente não lectiva com a seguinte distribuição: • Um bloco semanal para o acompanhamento/aplicação das actividades concretas com o aluno e articulação com a família; • Quarenta e cinco minutos para elaboração e organização de documentação e informação a utilizar nas sessões com o tutorando; • Quarenta e cinco minutos semanais para reuniões de trabalho com a equipa de professores tutores. 3.3.1.3. Actividades possíveis de implementar O desempenho das funções anteriormente desencadeadas implica três níveis de actividades/relacionamentos: com os alunos, com os docentes da turma e com os pais/encarregados de educação. Estas actividades são propostas por Marques et al.(2008) Com o (s) Aluno (s): • Explicar as funções e tarefas da tutoria; • Manter entrevistas individuais com os alunos (informativas, orientadoras, …) sempre que necessário; • Aplicar questionários/outras metodologias de análise para diagnosticar as características próprias dos alunos, de forma a conhecer a situação de cada aluno do grupo; • Estimular e orientar o aluno ou grupo de alunos para que exponham as suas necessidades, expectativas, problemas e dificuldades; • Aprofundar o conhecimento das atitudes, interesses e motivações dos alunos para os ajudar na tomada de decisões sobre as suas opções educativas e/ou profissionais; Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor • Promover e coordenar actividades em colaboração com os Directores de Turma, os professores e os serviços especializados de apoio educativo, que fomentem a convivência, a integração e a participação dos alunos na vida da escola e no meio, nomeadamente: actividades para «ensinar a ser pessoa» (jogos sociais, de papeis, …); actividades para «ensinar a pensar» (técnicas de estudo, resolução de problemas, melhoria da memória, …) actividades para «ensinar a conviver» (dinâmicas de grupo, mesas redondas, jogos de papéis, …); actividades para «ensinar a comportar-se» (relaxar, concentrar, pensar em voz alta, …); actividades para «ensinar a decidir» (auto – conhecimento, informação profissional, programas de orientação vocacional, …). Com os Professores: • Preparar um Plano de Acção Tutorial (PAT) para todo o ano lectivo de forma a adquirir uma visão global sobre a programação, objectivos e aspectos metodológicos das diferentes disciplinas/áreas disciplinares; • Transmitir aos professores todas as informações sobre os alunos que possam ser úteis no exercício da função docente; • Colaborar com os Directores de Turma e os restantes tutores, sobretudo com os do mesmo ciclo, no momento de definir e rever objectivos, preparar materiais e coordenar o uso dos meios disponíveis. Com as Famílias/Encarregados de Educação: • Explicar as funções e tarefas da tutoria, solicitando aos pais/encarregados de educação para participarem na programação de actividades e exporem os seus pontos de vista; • Promover/obter a colaboração dos pais/encarregados de educação em relação ao trabalho pessoal dos seus educandos, organização do tempo de estudo em casa, do tempo livre e de descanso; • Preparar, em colaboração com os pais/encarregados de educação, actividades extra – curriculares, visitas de estudo e outros eventos considerados adequados; • Reunir com os pais/encarregados de educação quando o solicitarem ou quando o tutor considerar necessário, de forma a antecipar a resolução de inadequação ou de insucesso. 159 160 Orientação Vocacional e Profissional Com outros recursos disponíveis (Em função das necessidades do aluno) Na Escola pode-se articular com: sala de estudo, clubes, biblioteca, sala de jogos, director de turma, conselho de turma, e serviço de psicologia. Promover acções de sensibilização e formação. No exterior pode-se articular com: Casa da Juventude, Centro de Saúde, Gabinete psicossocial, Junta de Freguesia …O plano de Acção tutorial deve ainda contemplar os elementos em anexo, retirados do regimento de tutoria de uma das escolas secundárias de Portugal, nomeadamente a escola secundária de Odivelas: OBJECTIVOS 1- DIAGNÓSTICO DAS CARACTERÍS TICAS DOS ALUNOS ACTUAÇÕES Recolha de informação: RESPONSÁVEIS CALENDARIZAÇÃO Tutores Setembro e Outubro Conselho de Professores Tutores Elaboração da ficha • Dados pessoais e familiares; • Dados relevantes sobre a sua história escolar e familiar; • Características pessoais (interesses, motivações, «estilo»de aprendizagem, adaptação familiar e social, integração no grupo turma); problemas e inquietudes; • Necessidades educativas. 2 – REGISTO DE INFORMAÇÃO RELEVANTE Preenchimento da Ficha Individual de Tutoria a elaborar pelo Conselho de Professores Tutores, de forma a facilitar a recolha de informação e o acompanhamento, para além do levantamento dos aspectos ou assuntos tratados nas Tutores Setembro / Outubro Preenchimento da ficha Ao longo do ano lectivo Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor entrevistas individuais com o aluno e com os pais/encarregados de educação. 3ACOMPANHAMENT O PERSONALIZADO DOS ALUNOS Tutores Ao longo do ano lectivo • Adequação de planificações, metodologias de ensino e de avaliação. Conselhos de Turma Setembro/Outubro • Selecção de conteúdos/objectivos prioritários e básicos. Conselho Pedagógico Registo de informação relevante: • Recolha de informação mediante entrevistas periódicas; • Registo de incidentes; • Observações sobre atitudes, comportamento, competências demonstradas, dificuldades, etc. 4 – ADEQUAÇÃO DO ENSINOAPRENDIZAGEM Tutores • Readequação de metodologias de avaliação (critérios, instrumentos e técnicas). 5– ARTICULAÇÃO DOCENTE Potenciar a articulação dos docentes das disciplinas em que os alunos revelem mais dificuldades, através de reuniões para as quais o tutor deve: Tutores Docentes Ao longo do ano lectivo • Estabelecer a ordem de trabalhos das reuniões; • Convocar e dirigir as reuniões. Destas reuniões serão elaboradas actas circunstanciadas. 6– Implicar as famílias Tutores Ao longo do ano 161 162 Orientação Vocacional e Profissional ARTICULAÇÃO COM A FAMÍLIA na educação dos alunos para normalizar critérios que promovam uma maior coerência entre escola e família: • Elaborar o calendário das reuniões com os pais/encarregados de educação das respectivas tutorias; • Definir os procedimentos e a periodicidade para as entrevistas de tutoria com a família; Representantes dos lectivo pais/encarrega dos de educação eleitos nas turmas Coordenador dos professores tutores Conselho Executivo • Elaborar instrumentos para a comunicação interna e externa (relatórios, boletins informativos, …); • Colaborar com a Associação de Pais e Encarregados de Educação e com os serviços especializados de apoio educativo na organização de debates, encontros, escola 7 – ELABORAÇÃO DOS PAT • Elaborar os PAT. Elaborar as programações da tutoria de acordo com os PAT. Conselhos de Turma Ao longo do ano lectivo Tutores • Analisar os PAT nos Conselhos de Turma. • Apresentar aos alunos e às famílias os PAT e respectiva programação, propiciando a sua participação e recolhendo sugestões. 8 – ATENÇÃO ÀS • Identificar Tutores 1º Período Capítulo III – A acção tutorial: A tutoria no espaço Europeu, o papel do professor – tutor NEE eventuais necessidades educativas especiais dos alunos de que é tutor. Conselho Executivo NAE SPO • Participar nas decisões sobre as modalidades educativas a utilizar. • Sugerir adaptações curriculares. • Estabelecer programas de reforço pedagógico. • Solicitar apoios e recursos especiais. • Avaliar a resposta educativa. 9 – MEDIAÇÃO • Organizar reuniões de forma separada e/ou conjunta entre as partes em conflito. • Fazer de interlocutor. Tutores Conselho de Prevenção e Mediação de Conflitos Ao longo do ano lectivo Quadro 32: Exemplo de um plano de acção tutorial (PAT). 3.3.1.4. Avaliação do programa de Acção Tutorial No âmbito da avaliação dos resultados do Programa de Acção Tutorial, devem ser elaborados relatórios no final de cada período. No final do processo será analisada a evolução do aluno e a influência que o projecto de tutorial teve no desenvolvimento de diversas competências, sobretudo a nível de comportamento e de relacionamento com os outros dando também a devida importância ao percurso académico. É de referir a pertinência da articulação dos vários intervenientes no processo para uma boa implementação do programa em causa. Por vezes, deparámo-nos com dificuldades de convergência de atitudes entre os pares, devendo haver não só flexibilidade mas também rigor na gestão das mesmas para que se alcancem resultados positivos. 163 164 Orientação Vocacional e Profissional O êxito do trabalho resulta da articulação de esforços entre a escola, família e outros intervenientes. A família é ajudada no sentido de reflectir mais sobre o seu próprio relacionamento e de encontrar novas e melhores perspectivas de futuro. É notório que muitas vezes os elementos da família não têm consciência da gravidade de certas atitudes que originam comportamentos conflituosos. 165 4. A orientação vocacional e profissional em Portugal: uma breve análise das estruturas de orientação. Neste capítulo entramos mais especificamente na orientação vocacional e profissional. Apresentamos a organização do sistema educativo português e o funcionamento das estruturas de orientação. Nesta parte do capítulo focamos a importância do psicólogo e dos professores nas escolas, bem como o papel de outros agentes educativos. Em seguida fazemos uma descrição minuciosa das estruturas externas que colaboram com as escolas, tais como, o centro de emprego. Para concluir consideramos pertinente demonstrar alguns programas e serviços que ajudam na orientação vocacional e profissional. 4.1. O Sistema educativo Português e as estruturas de orientação 4.1.1. A organização do sistema educativo português Antes de estudarmos o tema da orientação profissional e vocacional sugiro um breve olhar sobre a seguinte imagem: Organização do sistema educativo português Idades 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Pré escolar Ensino básico Ensino secundário Ensino superior 166 Orientação Vocacional e Profissional Jardim de infância 1º ciclo 2º ciclo 3ºciclo Cursos Científico – humanístico; Licenciatura + mestrado + doutoramento Ensino politécnico Tecnológicos; Artísticos; Outras opções Educação e formação de jovens e adultos, CEF, RVCC… Figura 1: Ilustração da organização do sistema educativo português De facto, a organização do Sistema Educativo Português é muito mais do que este simples quadro. Por detrás de cada ciclo, estão múltiplas estruturas que asseguram a orientação profissional e vocacional. Em Portugal todas estas estruturas foram desenvolvendo-se ao longo do tempo e estiveram sempre ligadas à educação. Tudo se expandiu a partir de 1975, e de acordo com o contexto político democrático nacional, surgiu nova regulamentação de gestão para as escolas básicas de 2º e 3º ciclos e secundárias, através do Decreto-Lei n.º 769-A/76, de 23 de Outubro. Este diploma veio regular o processo democrático de eleição e de participação dos órgãos de gestão, a sua composição e atribuições. Quer na participação, quer na eleição, os intervenientes eram docentes, alunos e funcionários, cabendo a representação maioritária ao corpo docente. A gestão era assegurada por três órgãos colegiais de decisão: Conselho Directivo, Conselho Pedagógico e Conselho Administrativo. Em 14 de Outubro de 1986 foi publicada a Lei de Bases do Sistema Educativo, que constitui o diploma estruturante do Sistema Educativo Português para todos os níveis e graus de escolaridade. Entre os seus princípios estruturantes inclui-se o de «…descentralizar, desconcentrar e diversificar estruturas e acções educativas de modo a proporcionar uma correcta adaptação às realidades, um elevado sentido de participação Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal das populações…». Concretizando este princípio e outros, foi publicado o Decreto-Lei n.º 43/89, de 3 de Fevereiro, que estabeleceu o regime jurídico da autonomia das escolas. Uma das áreas em que se concretizou esta autonomia foi precisamente a da direcção administrativa e gestão dos estabelecimentos escolares, regulada pelo Decreto-Lei n.º 172/91, de 10 de Maio, aplicável a todos os níveis do ensino não superior público, incluindo a educação pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico, cujos estabelecimentos foram agrupados por áreas geográficas, com a designação de Área Escolar. Os órgãos de direcção, gestão e administração passaram a ser constituídos pelo Conselho de Escola ou de Área Escolar, o Director Executivo, o Conselho Pedagógico, o Conselho Administrativo e o Coordenador de Núcleo, nos estabelecimentos agregados em Áreas Escolares. Tendo em vista a possibilidade de soluções diversificadas, em conformidade com as características das escolas, o Despacho Normativo n.º 27/97, de 2 de Junho, veio permitir e estimular a participação e a iniciativa dos órgãos de administração e gestão das escolas, em domínios como o reordenamento da rede da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, o desenvolvimento de projectos educativos de escola e a concretização das opções organizativas que, no plano interno da escola, permitissem um melhor funcionamento, atendendo a uma realidade social e ao projecto educativo em que estavam inseridas. Posteriormente e, reconhecendo-se que a escola, enquanto centro das políticas educativas têm de construir a sua autonomia a partir da comunidade em que se insere, dos seus problemas e potencialidades, contando com uma nova atitude da administração central, regional e local, que possibilite uma melhor resposta aos desafios da mudança, foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de Maio, o actual regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, bem como dos respectivos agrupamentos de escolas. 167 168 Orientação Vocacional e Profissional 4.1.2. Órgãos e estruturas de orientação educativa do pré-escolar, 1º, 2º, 3º ciclo e secundário. Em todas as escolas a orientação vocacional e profissional está bem patente nos órgãos e estruturas destinadas para esse efeito: 4.1.2.1. Órgãos de gestão que asseguram as estruturas de orientação No ensino pré-escolar e primeiro ciclo, fazem parte do conselho todos os docentes titulares de turma. As suas competências são: • Planificar as actividades e projectos a desenvolver anualmente de acordo com as orientações do Conselho Pedagógico; • Cooperar com outras Estruturas de Orientação Educativa e com os Serviços Especializados de Apoio Educativo na gestão adequada de recursos e na adopção de medidas pedagógicas destinadas a melhorar as aprendizagens; • Dinamizar e coordenar a realização de projectos interdisciplinares das turmas; • Propor ao Conselho Pedagógico a realização de acções de formação no domínio da orientação educativa e da coordenação das actividades das turmas. A coordenação das actividades e das funções dos docentes de primeiro ciclo e a ligação permanente aos órgãos executivos e pedagógico do agrupamento será assegurada pelo coordenador. No 2º, 3º ciclo e secundário, o Conselho Pedagógico, por exemplo, é o órgão responsável pela coordenação e orientação educativa a quem compete: • Apresentar propostas para a elaboração do projecto educativo e do plano anual de actividades e pronunciar-se sobre os respectivos projectos; • Pronunciar-se sobre a proposta de regulamento interno; • Elaborar o plano de formação e actualização do pessoal docente e não docente, em articulação com o respectivo centro de formação de associação de escolas, e acompanhar a respectiva execução; Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal • Definir critérios gerais nos domínios da informação e da orientação escolar e vocacional, do acompanhamento pedagógico e da avaliação dos alunos; • Propor aos órgãos competentes a criação de áreas disciplinares ou disciplinas de conteúdo regional e local, bem como as respectivas estruturas programáticas; • Definir princípios gerais nos domínios da articulação e diversificação curricular, dos apoios e complementos educativos e das modalidades especiais de educação escolar; • Propor o desenvolvimento de experiências de inovação pedagógica e de formação, no âmbito da escola e em articulação com instituições ou estabelecimentos do ensino superior vocacionados para a formação e investigação; • Incentivar e apoiar iniciativas de índole formativa e cultural. 4.1.2.2. Estruturas de orientação e serviços especializados de Apoio Educativo No que diz respeito às estruturas de orientação educativa e serviços especializados de apoio educativo, com vista ao desenvolvimento do projecto educativo da escola, são fixadas no regulamento interno as estruturas que colaboram com o conselho pedagógico e com a direcção executiva, no sentido de assegurar o acompanhamento eficaz do percurso escolar dos alunos na perspectiva da promoção da qualidade educativa. «Planificar e organizar as actividades das diferentes estruturas educativas é a função dos Coordenadores de Departamento Curricular, Representantes de Grupo Disciplinar, Coordenadores de Ano/Ciclo e Coordenadores dos Directores de Turma.» (Monteiro, 2005). 1) Articulação curricular Na educação pré-escolar e no 1º ciclo do ensino básico, a articulação curricular é assegurada por conselhos de docentes, que, em cada escola, integram os educadores de infância e os professores do 1º ciclo. Há sempre num representante do 1º ciclo que trabalha na escola sede e que estabelece comunicação com os docentes das primárias de forma a garantir acompanhamento de todos os alunos das primárias. 169 170 Orientação Vocacional e Profissional Nos 2º e 3º ciclos do ensino básico e no ensino secundário, que normalmente constituem as escolas-sede, a articulação curricular é assegurada por departamentos curriculares, nos quais se encontram representados os agrupamentos de disciplinas e áreas disciplinares, de acordo com os cursos leccionados, o número de docentes por disciplina e as dinâmicas a desenvolver pela escola. Os departamentos curriculares são coordenados por professores profissionalizados, eleitos de entre os docentes que os integram. 2) Serviços especializados de apoio educativo Os serviços especializados de apoio educativo, facilitam o desenvolvimento da identidade pessoal e social dos alunos através da promoção do sucesso educativo. Este apoio educativo destina-se a todos os alunos da primária ao secundário. Acompanham os alunos ao longo do percurso escolar intervindo no ajustamento do processo ensinoaprendizagem e colaborando na concepção de respostas educativas adequadas. Contribuem para a identificação de interesses e aptidões, apoiando a construção do projecto de vida do aluno; facilitando a aproximação entre a família, a escola e o mundo das actividades formativas, culturais e profissionais. Assim, asseguram acções de apoio psicológico e educacional e de orientação escolar e profissional, numa dinâmica interdisciplinar de natureza cooperada, no seio da escola e com a comunidade em que se integra. À partida, nada garante que os dispositivos de apoio educativo nas escolas contribuam para a construção de um projecto educativo de carácter inclusivo e para isso basta recordar a ineficácia das acções relacionadas com o chamado apoio pedagógico acrescido ou as aulas de compensação educativa. (Roque, 1997). No entanto é função dos serviços especializados de apoio educativo promover a existência de condições que assegurem a plena integração escolar dos alunos, devendo conjugar a sua actividade com as estruturas de orientação educativa. Entende-se por Programas de Apoio Educativo o conjunto das estratégias e actividades, devidamente enquadráveis no projecto educativo de escola, que visem contribuir para o aumento do sucesso educativo dos alunos através da melhoria da aquisição de conhecimentos e competências e o desenvolvimento das capacidades, atitudes e valores consagrados nos currículos em vigor, para além de minorar as consequências das faltas e impedimentos do pessoal docente no regular funcionamento das escolas. Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal Segundo Cosme, (1998) «a função dos dispositivos de apoio educativo pode ser, contudo, bem diversa se decidirem investir na reflexão contextualizada, partilhada e contínua sobre as opções curriculares nas escolas onde se inserem, contribuindo por esta via quer para a configuração de projectos alternativos neste âmbito, quer para o desenvolvimento de projectos de formação centrados nas escolas, a partir dos quais seja possível encontrar outros tipos de resposta capazes de contribuir para a inclusão escolar e para a reflexão subsequente acerca das possibilidades, das soluções e exigências que hoje se colocam a todos aqueles que intervêm nos contextos vocacionados para promover a educação escolar, nos diversos níveis de ensino». O apoio educativo destina-se aos alunos que revelem maiores dificuldades ou carências de aprendizagem em qualquer área curricular, ou estejam em risco de exclusão e abandono escolar precoce. Aquando da distribuição dos apoios educativos, a prioridade é sempre dada aos alunos que estejam em risco de retenção ou de abandono escolar sem terem cumprido a escolaridade obrigatória. 4.1.2.3. Modalidades de Apoio Educativo As modalidades de apoio educativo, em função das necessidades específicas dos alunos e das características de cada estabelecimento de ensino, podem assumir as seguintes formas: Apoio lectivo em aulas de substituição, e apoio lectivo suplementar; Actividades de complemento curricular, e de informação e orientação educacional; Estratégias pedagógicas e organizativas específicas. O funcionamento das modalidades de apoio educativo é regulado pelo estabelecido no projecto educativo da escola. 171 172 Orientação Vocacional e Profissional 4.1.2.4. Serviços especializados de Apoio Educativo No que diz respeito aos serviços especializados de apoio educativo, como referido anteriormente estes são aqueles que, de forma coordenada com os órgãos da escola e com as estruturas de orientação educativa, promovem a existência de condições que assegurem a plena integração escolar dos alunos, nos aspectos pedagógico e socioeducativo. Segundo Cosme (1998) «Não sendo possível produzir uma caracterização homogénea das suas práticas profissionais, sempre diria que encontram-se vocacionadas para intervir junto das crianças com necessidades educativas específicas.» Constituem serviços especializados de apoio educativo os seguintes: O Serviço de Psicologia e Orientação (SPO); O núcleo de educação especial; A equipa multidisciplinar de apoio socioeducativo; Outros serviços organizados pela escola nos termos da alínea c) do n º 2 do artigo 38º do regime de autonomia, nomeadamente no âmbito da acção social escolar, da organização de salas de estudo e de actividades de complemento. O modo de organização e funcionamento dos serviços especializados de apoio educativo consta do regulamento interno da escola, no qual se estabelecerá a sua articulação com outros serviços locais que prossigam idênticas finalidades. O plano anual de actividades da escola deverá conter as estratégias a seguir, na realização do programa de apoio educativo. Para a organização, acompanhamento e avaliação das suas actividades, a escola pode fazer intervir outros parceiros ou especialistas em domínios que considere relevantes para o processo de desenvolvimento e de formação dos alunos, designadamente no âmbito da saúde e da segurança social. Sendo assim e segundo o Ministério da Educação, as competências do Núcleo de Apoio Educativo são: Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal • Colaborar com os órgãos de Administração e Gestão da Escola na identificação das necessidades e das propostas de solução, nomeadamente no que diz respeito aos Apoios Educativos a disponibilizar aos alunos com necessidades educativas especiais; • Colaborar e promover a participação esclarecida entre os Pais em todo o processo de apoios da área da Educação Especial; • Prestar apoio educativo aos alunos com necessidades educativas especiais; • Colaborar com os Conselhos de Turma/Professores Titulares na definição de uma programação individualizada ou programa educativo para alunos com necessidades educativas especiais; • Articular a sua actividade com o plano de trabalho das turmas que incluam alunos com necessidades educativas especiais. • Prestar, a qualquer momento, todas as informações necessárias aos Docentes da Turma e aos Directores das Turmas sobre alunos com necessidades educativas especiais, de modo, a assegurar uma correcta utilização dos meios pedagógicodidácticos. • Participar nas reuniões dos Conselhos de Turma que incluam alunos com necessidades educativas especiais e aos quais presta apoio. • Utilizar, de acordo com a programação individualizada, as estruturas de apoio aos Serviços Especializados de Apoio Educativo. No que diz respeito ao Serviço de Psicologia e Orientação, estes foram criados pelo decreto-lei nº 190/91 de 17 de Maio e apoiam o desenvolvimento do sistema de relações na comunidade escolar: colaborando com órgãos de gestão e órgãos colegiais da escola, instituições externas, acções de formação e experiências pedagógicas, aconselhamento psicossocial dos agentes educativos, acções de informação e sensibilização, entre outros. O serviço desenvolve a sua acção nos domínios do apoio psicopedagógico a alunos e professores, do apoio ao desenvolvimento do sistema de relações com a comunidade escolar e da orientação escolar e profissional. Para além disso, segundo o decreto de lei estes serviços (SPO): 173 174 Orientação Vocacional e Profissional A nível do apoio psicopedagógico: • Colaboram com os educadores e professores, prestando apoio psicopedagógico às actividades educativas; • Identificam e analisam as causas de insucesso escolar e propõem as medidas tendentes à sua eliminação; • Procedem à avaliação global e prestam o apoio psicopedagógico mais adequado em situações relacionadas com: • Problemas de desenvolvimento; • Dificuldades de aprendizagem; • Competências e potencialidades específicas. • Colaboram na elaboração dos planos educativos individuais, ouvindo os restantes intervenientes no processo educativo, e acompanham as situações de colocação dos alunos em regime educativo especial; • Articulam modalidades de complemento pedagógico, de compensação educativa, de educação especial, tendo em vista, tanto a individualização do ensino e a organização de grupos de alunos, como a adequação de currículos e de programas; • Propõem, de acordo com os Pais e em colaboração com os serviços competentes, o encaminhamento de alunos com necessidades especiais para modalidades adequadas de resposta educativa. A nível do apoio ao desenvolvimento do sistema de relações da comunidade educativa: • Colaboram, na sua área de especialidade, com os órgãos de direcção, administração e gestão da escola em que se inserem; Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal • Colaboram em todas as acções comunitárias destinadas a eliminar e prevenir a fuga à escolaridade obrigatória, o abandono precoce e o absentismo sistemático; • Articulam a sua acção com outros serviços especializados, nomeadamente as áreas da saúde e da Segurança Social, de modo a contribuir para o correcto diagnóstico e avaliação sócio-médico-educativa de crianças e jovens com necessidades especiais e planear as medidas de intervenção mais adequadas; • Estabelecem articulações com outros serviços de apoio sócio-educativo necessários ao desenvolvimento de planos educativos individuais; • Colaboram em acções de formação e participam na realização de experiências pedagógicas; • Colaboram, na sua área de especialidade, com Professores, Pais ou Encarregados de Educação e outros agentes educativos, na perspectiva do seu aconselhamento psicossocial; • Propõem a celebração de protocolos com diferentes serviços, empresas e outros agentes comunitários a nível local. A nível da orientação escolar e profissional: • Apoiam os alunos no processo de desenvolvimento da sua identidade pessoal e do seu projecto de vida; • Fazem planos e executam actividades de orientação escolar e profissional, nomeadamente através de programas a desenvolver com grupos de alunos ao longo do ano lectivo, e de apoio individual ao seu processo de escolha; • Colaboram com outros serviços, designadamente Instituto de Emprego e Formação Profissional, na organização de programas de informação e orientação profissional; • Desenvolvem acções de informação e sensibilização dos Pais e comunidade em geral no que respeita à problemática que as opções escolares e profissionais envolvem; O Serviço de Psicologia e Orientação, segundo Cosme (1998) «para além de intervenções casuísticas de natureza educativa, psicoterapêutica ou social dirigidas a 175 176 Orientação Vocacional e Profissional alunos que na sua grande maioria frequentam o 2º e 3º ciclo do ensino básico, definem-se pelo desenvolvimento e gestão de programas de orientação vocacional.» O SPO em algumas escolas organiza sessões de grupo dirigidas aos alunos do 9º ano de escolaridade. Estas sessões, são divulgadas no 1º período junto de cada turma e têm carácter voluntário. No final do 3º período, o Serviço de Psicologia e Orientação implementa, sessões dirigidas aos Encarregados de Educação cujos filhos terminaram o 9º ano. O Serviço de Psicologia e Orientação, em algumas escolas com a colaboração de outras estruturas educativas da escola, convida diversos profissionais a virem à escola falar sobre os seus percursos escolares e profissionais. De referir, que algumas escolas não são dotadas de SPO, o que faz com que muitas crianças padeçam desta carência de apoios. No entanto nas escolas que têm SPO, a intervenção psicológica é veiculada através deste, que é destinado a toda a comunidade educativa e assegurado por um técnico especialista em Psicologia. A legislação referente e relacionada com estes importantes serviços de orientação pode ser visualizada na figura seguinte: Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal Orientação Escolar e Profissional Despacho conjunto nº 426/98, de 26 de Outubro, dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Alargamento da Rede de SPO Despacho conjunto nº 290/97, de 4 de Setembro, dos Ministérios das Finanças e da Educação Regime jurídico da carreira de psicólogo no âmbito do Ministério da Educação Decreto‐Lei nº 300/97, de 31 de Outubro Decretos lei referentes ao SPO Serviços de Psicologia e Orientação Decreto‐lei n.º 190/91, de 17 de Maio Procede à criação dos SPO nos estabelecimentos públicos de educação Despacho nº 9022/99 (2ª Série) Figura 2: Enquadramento normativo relativo ao SPO No que concerne aos serviços de apoio social educativo segundo o despacho conjunto 105/97 de 1 de Julho, são competências do mesmo: • Providenciar no sentido de informar as Famílias/Encarregados de Educação do âmbito deste serviço; • Apoiar os alunos e as famílias no que diz respeito aos programas de alimentação e nutrição, aos auxílios económicos e ao seguro escolar; 177 178 Orientação Vocacional e Profissional • Articular a sua actividade com o Director de Turma/Professor Titular da Turma. São competências dos outros serviços de apoio: • Coordenar as actividades de apoio educativo e de complemento curricular; • Coordenar a organização e funcionamento das salas de estudo, aulas de substituição, biblioteca e actividades de enriquecimento; • Coordenar as visitas de estudo. São competências da unidade de intervenção educativa: • Apoiar as crianças portadoras de síndrome de autismo; • Promover a integração dos seus alunos; • Colaborar e promover a participação entre os pais em todo o processo de apoio na área de Educação Especial; • Propor a celebração de protocolos com diferentes entidades; • Colaborar com os professores titulares de turma/Conselhos de turma na definição de uma programação individualizada para os alunos; • Desenvolver acções de informação e sensibilização dos pais e comunidade em geral; • Prestar, a qualquer momento, todas as informações necessárias aos docentes, de modo a assegurar uma correcta utilização dos meios pedagógico-didáctico. Todas estas estruturas de orientação são organizadas e levadas a cabo por pessoas especializadas, cuja função principal é a de manter essas mesmas estruturas bem organizadas. Estes agentes internos são os que contribuem para que a orientação vocacional e profissional aconteça e para isso estes serviços na escola estão repartidos e compostos por grupos. O Conselho de Docentes é um deles, são todos os professores e educadores em exercício efectivo de funções. O Conselho de Docentes visa assegurar de forma articulada com outras Estruturas de Orientação Educativa do Agrupamento, a adopção de metodologias específicas destinadas ao desenvolvimento quer dos planos de Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal estudo quer das componentes curriculares da sua iniciativa; Analisa sempre a oportunidade de adopção de medidas de gestão flexível dos currículos destinadas a melhorar as aprendizagens e a prevenir a exclusão; Elabora propostas curriculares diversificadas, em função da especificidade de grupos de alunos; Assegura a coordenação de procedimentos e formas de actuação nos domínios da aplicação de estratégias de diferenciação pedagógica e da avaliação das aprendizagens; Para além de identificar necessidades de formação dos docentes, também analisa e reflecte sobre as práticas educativas e o seu contexto. Os conselhos de turma são constituídos pelos docentes da turma, pelo delegado dos alunos, por um representante dos pais e encarregados de educação da turma e ainda pelo representante do SPO, sempre que necessário. O Conselho de Turma de natureza disciplinar inclui, além dos membros referidos no número anterior, o Delegado ou Subdelegado dos alunos da turma, no 3º ciclo, e o representante da organização representativa dos pais e encarregados de educação da escola e um representante do Conselho Executivo. Cabe a estes conselhos de turma: • Analisar a situação da turma e identificar características específicas dos alunos a ter em conta no processo de ensino e aprendizagem de forma a elaborar o Projecto Curricular de Turma; • Analisar os problemas de integração dos alunos e o relacionamento entre os Professores e alunos da turma; • Planificar o desenvolvimento de actividades a realizar com os alunos; • Identificar diferentes ritmos de aprendizagem e necessidades educativas especiais dos alunos, promovendo a articulação com os respectivos serviços especializados de apoio educativo, em ordem à sua superação; • Conceber e delinear actividades em complemento do currículo; • Definir estratégias de modo a colmatar os problemas detectados; • Dar parecer sobre todas as questões de natureza pedagógica e disciplinar que à turma digam respeito; • Colaborar em actividades culturais, desportivas e recreativas que envolvam os alunos e a comunidade, de acordo com os critérios de participação definidos pelo Conselho Pedagógico; 179 180 Orientação Vocacional e Profissional • Preparar informação adequada, a disponibilizar aos Pais e Encarregados de Educação, relativa ao processo de aprendizagem e avaliação dos alunos; • Propor ao Conselho Executivo as medidas educativas disciplinares a aplicar aos alunos; • Avaliar os alunos, tendo em conta as competências definidas a nível nacional e os critérios estabelecidos pelo Conselho Pedagógico; • Solicitar a avaliação especializada em situações que impliquem a retenção repetida do aluno no mesmo ano e elaborar a proposta devidamente fundamentada decorrente dessa avaliação. Estas reuniões de Conselho de turma são presididas pelos directores de turma, que mais do que ninguém são um agente que está em constante contacto com os pais e que apoia os alunos em todas as dificuldades e problemas que possam surgir. O Director de Turma assume um papel altamente responsável na relação educativa. É ele o intermediário indispensável entre professores, pais e alunos, ao mesmo tempo que tem em mãos a gestão dos processos de aprendizagem e se empenha em estabelecer com os educandos laços de amizade. (Carvalheira Mato, 1999). O director de turma é um elemento que muito contribui para orientação vocacional e profissional dos alunos da turma que dirige e apoia. É ele que estuda a turma, coordenando e elaborando o Projecto Curricular de Turma. Segundo a nossa experiência, é o Director de Turma que sinaliza alunos, em conjunto com os restantes docentes pertencentes ao Conselho de Turma, para a frequência de cursos profissionais, apoio psicológico, inserção em turmas de percursos alternativos dialogando com alunos e pais. Quando um aluno tem necessidades educativas especiais o director de turma pode sugerir que as necessidades do aluno podem ser satisfeitas por escola diferente daquela que resulta da aplicação dos artigos 3º a 5º da Portaria n º 73/2004, de 2 de Setembro, podendo, pedir para ser ouvido o serviço de psicologia e orientação (SPO) ou o núcleo de educação especial e o conselho pedagógico. Após isto é proposto pelo órgão executivo a sua transferência e transporte para essa escola. Para além disso, coordena, em colaboração com os docentes da turma, a adequação de actividades, conteúdos, estratégias e métodos de trabalho, à situação concreta do grupo e à especificidade de cada aluno; articula as actividades da turma com os pais e Encarregados de Educação promovendo a sua Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal participação; dá conhecimento ao Encarregado de Educação do encaminhamento do aluno para os Serviços de Psicologia e Orientação; aprecia ocorrências de indisciplina e aplicar as medidas educativas disciplinares no âmbito da sua competência; promove a participação dos alunos, professores, pais e Encarregados de Educação na aplicação de medidas educativas disciplinares; coordena o processo de avaliação dos alunos garantindo o seu carácter globalizante e integrador. 4.1.2.5. A importância do psicólogo e as suas funções É difícil determinar o futuro pessoal e profissional principalmente quando a fase da escolha ocorre na adolescência, essa fase de conflito e turbulência interna. Erickson citado por Barros (1986) diz que «o adolescente está na idade da identidade versus confusão de papéis.» e «nessa idade, raramente o jovem se identifica com os seus pais, ao contrário, revela-se contra o domínio deles, o seu sistema de valores e a sua intromissão na sua vida particular, pois o jovem tem de separar a sua identidade da dos seus pais.» (p.80). As intervenções dos psicólogos em contextos educativos são amplas, não só em relação aos destinatários (alunos, professores, pais/encarregados de educação, escola enquanto organização, comunidade educativa), mas também em termos de objectivos (remeditativos, prevenção primária, secundária, desenvolvimento). De facto, os professores são não só portadores de conhecimento mas também os agentes que acompanham e detectam muitos problemas nos alunos. No entanto, embora seja ele, em parte, a levar a cabo uma acção tutorial, os psicólogos tornam-se imprescindíveis e excelentes colaboradores dos professores, pois estudam mais a fundo os alunos problemáticos, por isso, embora não tenham o nome de tutores a sua tarefa é exclusivamente orientar. As dúvidas que professores possam ter relativamente às atitudes dos alunos, é aos psicólogos que vamos perguntar e pedir colaboração. O Ministério da Educação vem apostando na melhoria da qualidade da educação e por isso a carreira do psicólogo foi também reforçada ao ser criada pelo decreto-lei 300/97 de 31 de Outubro. Segundo o Decreto-lei nº 190/91, de 17 de Maio de 1991, há necessidade de conjugar diferentes factores que estão directamente envolvidos na qualidade do sistema como a formação dos Recursos Humanos e ainda os Recursos especializados de Apoio, nos quais se enquadra o Psicólogo. O Ministério da Educação atribui a este agente um papel 181 182 Orientação Vocacional e Profissional importante no processo educativo, responsabilizando-o pelo acompanhamento do aluno no seu percurso escolar, contribuindo para a identificação dos seus interesses e aptidões e intervindo sempre que a situação ensino/aprendizagem esteja de alguma forma prejudicada. O psicólogo aparece como um facilitador interagindo e acompanhando o desenvolvimento pessoal dos alunos, assim como o seu projecto de vida. No Decreto-Lei nº 300/97, de 31 de Outubro de 1997, esta ideia é reforçada ao legislar que «a qualidade da Educação está intimamente dependente dos recursos pedagógicos de que a Escola dispõe para o acompanhamento do percurso escolar dos seus alunos. Este acompanhamento pressupõe uma intervenção pedagógica individualizada sempre que estejam detectadas situações de dificuldade, mas igualmente implica apoiar os alunos nas escolhas que terão que fazer ao longo da sua escolaridade.» De acordo com este Decreto-Lei, ao Psicólogo competem variadas funções, designadamente: • Contribuir para o desenvolvimento integral do aluno, assim como a construção de sua identidade pessoal; • Conceber e participar na definição de estratégias de superação em situações concretas; • Intervir ao nível Psicológico e Psico-pedagógico. • Promover a cooperação entre agentes educativos, nomeadamente, pais, professores e restante comunidade escolar e destes com os alunos; • Desenvolver acções de aconselhamento pessoal e vocacional; • Colaborar em conjunto com a comunidade educativa em acções de prevenção. Os alunos necessitam de acompanhamento especializado, para que a qualidade do ensino /aprendizagem, a promoção de igualdade de oportunidades e o sucesso escolar sejam de facto etapas a superar. A Escola assume uma extrema importância no desenvolvimento da personalidade das crianças, no relacionamento que este manifesta relativamente aos seus pares, na introdução de valores e na melhoria de determinadas competências pessoais e sociais. Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal A Escola é o segundo cuidador dos nossos jovens, depois da família. É na escola que passam mais tempo, logo, é também nela que os problemas se manifestam de forma visível nas tarefas do dia-a-dia, resultando em insucesso escolar. A Escola tem de ser um ambiente inclusivo e a esta problemática urge dar respostas que possam satisfazer a necessidade crescente da Escola. É importante cada vez mais dotar o aluno de “ferramentas” que lhe proporcionem uma realização enquanto indivíduos, impulsionadoras de optimização da inclusão social de cidadãos autónomos, técnicos capazes, respeitadores e respeitáveis, e é para isso o psicólogo trabalha e contribui. 4.1.3. A tutoria em Portugal no ensino universitário 4.1.3.1. Programas implementados nas universidades com o intuito de orientar os alunos A orientação e o apoio aos alunos das universidades são, hoje em dia, uma necessidade que tem vindo a ser reconhecida pelos próprios estabelecimentos de ensino superior, os quais procuram disponibilizar formas de dar resposta a este desafio. Como análise às perguntas de António Teodoro (2003) 9 sobre se haveria condições para implementar as novas mudanças que ocorrem a nível Europeu, Tavares, (2007) escreve «…talvez deva ser procurada essa tão desejável resposta numa análise das necessidades da nossa sociedade, dos nossos alunos, da realidade e da abertura das portas à globalização.» Nesta sequência de ideias, Veiga Simão & Flores (no prelo) referem que «Os programas de tutoria, o mentoring e a tutoria curricular são algumas das formas encontradas nestas instituições para dar resposta às necessidades de apoio e orientação aos alunos universitários.» 9 António Teodoro pergunta, a respeito dos debates sobre as mudanças nos currículos e nas escolas numa intervenção da sessão de abertura da “International Sociological Association” realizada em Lisboa no ano 2003, se «…ao aceitarmos a sociedade globalizada conseguiremos viver juntos? Será que a escola conseguirá responder a esta diversidade de culturas de interesses e mandatos, que com a globalização é cada vez mais uma realidade?» 183 184 Orientação Vocacional e Profissional Sendo assim, estas autoras dão alguns exemplos de programas que foram experimentados e que demonstram formas para operacionalizar a tutoria de forma muito diversificada. Uma das experiências realizadas pela universidade do Minho foi na tentativa de promover iniciativas de ensino-aprendizagem mais activo e centrado no estudante e também no seguimento da implementação do processo de Bolonha. A vertente de relevo na iniciativa do projecto foi a ideia de que o professor deve lançar desafios aos alunos, que estes aceitam realizar em pequenos grupos. Aqui podem contar com a colaboração do professor que apoia na resolução de dúvidas que possam surgir. O projecto designado “Project-led-education” com alunos do primeiro ano do curso de Engenharia e Gestão Industrial permitiu segundo Powell & Weenk (2003) citados por Veiga Simão & Flores (no prelo) o «trabalho em equipa, a resolução de problemas interdisciplinares e a articulação teoria/prática, na realização de um projecto que culmina com a apresentação de uma solução/produto a partir de uma situação real, relacionada com o futuro contexto profissional.» De facto, as conclusões foram positivas dado que os alunos desenvolveram competências transversais que levaram a uma superação do 1º ano do curso com mais sucesso. A função de tutor nesta experiência foi realizada essencialmente por docentes, responsáveis pela leccionação das unidades curriculares que integram o projecto junto de uma equipa de alunos constituída no primeiro dia do semestre. A dimensão dos grupos é, geralmente, de 6 a 8 elementos. De uma forma geral, todos os grupos reúnem semanalmente com o tutor do seu grupo, para discutirem assuntos relacionados com o desenvolvimento do projecto e com o funcionamento do grupo de trabalho. As reuniões tutoriais decorrem nas salas de projecto do respectivo grupo, existindo um dia e hora fixos para esta reunião. Esta reunião tutorial não está prevista no horário dos alunos, sendo da responsabilidade do tutor e do grupo decidir qual o horário mais conveniente para ambas as partes (Veiga Simão & Flores, 2008: 3). Fez-se um balanço desta experiência onde se ouviram tutores e alunos. De um modo geral, ficou-se com uma visão positiva da tutoria por parte dos vários intervenientes, nomeadamente ao nível da relação (mais próxima) com os alunos, e consequentemente, uma melhor compreensão das suas motivações e interesses, sentimentos de realização profissional por parte dos tutores, o fomento da motivação do grupo, o apoio e ajuda no processo de monitorização do projecto. Há, no entanto, segundo as autoras, um conjunto de aspectos que merecem reflexão: a necessidade de formação neste âmbito, o Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal reconhecimento institucional destas funções, nomeadamente em termos de carga horária, a questão da avaliação e a combinação das funções docentes e das funções de tutoria. Outra das experiências efectuadas foi no âmbito das actividades de acolhimento aos novos alunos, em que o Gabinete de Apoio Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade de Psicologia e o de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa desenvolveram dois programas de apoio aos estudantes. Estes programas foram estruturados de forma a privilegiar os apoios inter-pares, sublinhando os benefícios de uma relação próxima, cujos comportamentos de modelagem (Bandura, 1969) poderão facilitar a promoção de uma boa adaptação de novos membros nos primeiros momentos de vivência numa dada instituição (Welling, 1997). O lema é ajudar mais do que dirigir, desafiar e acolher, ter em conta emoções e pensamentos, explorar e estabelecer compromissos (Wallace & Gravells, 2005). Os dois programas desenvolvidos dirigem-se tanto a alunos estrangeiros, de ERASMUS como a alunos do 1º ano. Em termos gerais os objectivos seriam integrar o novo estudante no novo meio académico e fomentar o seu desenvolvimento pessoal e interpessoal, com vista à promoção do seu bem-estar. Assim, pretendeu-se ajudar os alunos a conhecerem a instituição, o seu funcionamento e o contexto geográfico em que se inserem, criar uma rede de acolhimento de forma a evitar o isolamento social, definir e atingir os seus objectivos académicos, ter contacto com conhecimentos implícitos da licenciatura. No que concerne ao Instituto Superior Técnico, este foi uma das instituições pioneiras no programa de tutorado. Criou, no ano lectivo 2003/04, um programa de tutorado para alguns dos seus alunos, programa esse que tem vindo a alargar-se a um número cada vez maior de cursos e de alunos. Actualmente funciona com alunos do 1º e 2º ano dos cursos de licenciatura e mestrado, tendo como objectivo principal proporcionar um acompanhamento personalizado, permanente e formal do percurso escolar do estudante, num esforço de definição de políticas e procedimentos susceptíveis de promover a qualidade do ensino e do sucesso educativo. A tutoria permite o acompanhamento dos estudantes, distribuídos por grupos de cerca de 15 alunos, que se reúnem regularmente com o tutor que lhes foi atribuído durante a sua permanência no 1º e 2º ano do respectivo curso. A esta função corresponde a atribuição de 1 crédito por semestre, equivalente a 1 hora lectiva por tutor e por grupo de estudantes, mínimo de 10 e máximo de 15 Alunos. O apoio técnico ao programa é desenvolvido por um Grupo de Trabalho que, essencialmente, apoia na monitorização e avaliação do Programa, no apoio aos Coordenadores e Tutores, e ainda 185 186 Orientação Vocacional e Profissional no apoio directo aos Estudantes. Segundo Veiga Simão & Flores (no prelo) as funções de tutor neste programa são «Auxiliar na integração do aluno do 1º ano, encorajar, motivar, orientar e esclarecer dúvidas, diagnosticar potencialidades e dificuldades, monitorizar o progresso académico e apoiar na orientação profissional.» Outras universidades como a ESE, em Setúbal, propõe um sistema tutorial que é destinado a cursos já adequados ao processo de Bolonha. De entre as várias possibilidades, a ESE optou por um modelo indissociavelmente ligado ao funcionamento da Unidade Curricular (UC) “Carteira de competências” obrigatória e comum a todos os planos de estudos, que se caracteriza pelo acompanhamento dos estudantes ao longo de todo o curso. Esta UC tem como finalidade o reconhecimento formal de aprendizagens e de competências adquiridas em diversos contextos e situações, de natureza científica, académica, profissional e social, desde que reconhecidas como significativas e relevantes no âmbito das competências desejáveis para os licenciados dos diferentes cursos. Esta UC permite e incentiva o estudante, com o apoio do tutor, a traçar, definir e construir, ao longo do curso, um percurso de aprendizagens, cujo resultado final será certificado em 5 créditos, podendo integrar a sua participação em actividades que habitualmente decorram fora do calendário formal. No âmbito deste programa é referido pelo mesmo e por Veiga Simão & Flores (no prelo) que o papel do tutor implica «actuar, de uma forma amigável, apoiando familiares e facilitando o progresso do estudante a nível emocional, intelectual e nas actividades concretas de aprendizagem.» São apontadas funções como facilitar relações institucionais e o sentimento de pertença; fornecer feedback em relação a progressos académicos de trabalho e fornecer apoio pessoal e personalizado. A reflexão sobre as experiências relatadas fez emergir a necessidade de formação do docente universitário em diversas áreas já referidas acima, o conhecimento científico na área da especialidade, o conhecimento cultural, o conhecimento na área da psicologia e da pedagogia, passando pelo conhecimento da prática docente e pelo conhecimento de si próprio (Veiga & Flores, 2007). Como refere Veiga Simão & Flores (no prelo) «A principal riqueza das experiências de tutoria referenciadas parece residir no privilégio que o sistema atribui ao estudante: o de se encontrar regularmente, a sós ou em grupos muito restritos, com um professor que lhe dedica uma atenção muito especial. Do ponto de vista Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal do tutor, a vantagem reside em poder contribuir para a redução do insucesso escolar e do abandono no Ensino Superior.» Com estes programas, com o novo papel do professor e aluno promove-se um sistema de formação integral dos estudantes, um modelo educativo da instituição, contribuiu-se para a concretização de um sistema de ensino mais flexível, em que o estudante gere com responsabilidade a aquisição de conhecimentos, compreende-se melhor as dificuldades académicas dos estudantes e os modos de agir sobre elas num contexto de natureza não avaliativa, revalorizamos o papel do docente, motivando-o para as actividades de docência, por via da aquisição de novos “instrumentos pedagógicos” que podem ser benefícios dos sistemas de tutoria. 4.1.3.2. Actividades de Verão para fomentar a descoberta vocacional. Nas universidades o apoio aos alunos é assegurado por psicólogos e professores existentes na universidade que visam ajudar o aluno prestando o apoio de que necessitam para a aprendizagem dos conteúdos. As universidades já começam a implementar programas, como transcritos acima, mostrando a ideia de que o professor é um tutor e para isso deve dedicar algumas horas exclusivas à orientação. No entanto, não são só os programas que mostram como se encontra a tutoria e orientação nas universidades. A Academia de Verão na Universidade de Aveiro foi pensada para sensibilizar os jovens para a descoberta da sua vocação, permitindo-lhes experimentar algumas das ofertas da Universidade, e conhecer o mundo universitário. O programa Academia de Verão desenrolou-se em dois períodos. Durante duas semanas, os alunos do ensino secundário de todo o país foram convidados a experimentar a vida universitária a tempo inteiro participando em projectos e actividades pedagógicas das suas áreas científicas de eleição, acompanhados pelos Professores, alunos e Investigadores da universidade. Os futuros caloiros fizeram do campus universitário a sua nova casa, usufruindo das instalações e das actividades que a universidade lhes propiciou. Paralelamente ao programa científico, com aulas em laboratórios, visitas à biblioteca e saídas de campo decorreram as acções culturais, desportivas e de lazer que incluíram um Passeio na Ria e outro pela cidade de Aveiro, aulas de Ioga, Capoeira e Body Combat. 187 188 Orientação Vocacional e Profissional O designado “Eu-Verão” da Universidade de Évora, aproveita o tempo das férias escolares dos mais jovens. A Universidade de Évora pretende, desta forma, proporcionar um conjunto de oportunidades destinadas a favorecer o conhecimento, a experimentação e a exploração de diferentes contextos de natureza cultural, científica, tecnológica, artística, desportiva, etc. Ocupa, desta forma, as crianças e jovens da região do Alentejo com propostas de actividades de grande valor educativo para a sua formação e desenvolvimento pessoal, social e vocacional. Com a iniciativa eu-VERÃO procura-se, igualmente, contribuir para despertar e/ou aprofundar gostos, interesses, sensibilidades, capacidades e competências que podem surgir quando os jovens têm oportunidade de experimentar, explorar e criar em novos contextos. A “Universidade Júnior” na Universidade do Porto é um programa de actividades de Verão organizado pela Universidade do Porto pensado de forma a sensibilizar os jovens pré-universitários para as Ciências, as Letras e as Artes. A “Universidade Júnior” abre as portas de faculdades e centros de investigação da universidade do Porto a alunos do 5º ao 11º ano de escolaridade que, durante uma semana das suas férias escolares, poderão experimentar a vida universitária participando em projectos e actividades pedagógicas das suas áreas científicas de eleição. Com muito jovens a permanecer na cidade em regime de alojamento, contando com a colaboração de Câmaras Municipais, que garantem o transporte para o Porto dos seus jovens munícipes, envolvendo monitores para múltiplos e diferentes projectos de actividades, a universidade júnior constitui uma das maiores operações alguma vez realizadas pela Universidade do Porto. 4.2 Estruturas externas que colaboram com as escolas na orientação vocacional e profissional 4.2.1. IEFP – Instituo de Emprego e Formação Profissional Criado com o Decreto-Lei nº 519-A2/79, de 29 de Dezembro, o IEFP é uma instituição com longa história. Para além de promover do emprego e as qualificações, o IEFP tem um conjunto alargado de objectivos e dispõe de uma rede desconcentrada de serviços. A sua Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal história começa nos anos 30 para fazer face ao desemprego proveniente da crise económica que se registava. No entanto, a sua origem, segundo o próprio site do IEFP, remonta a 1962 e desde então teve várias denominações até que, em 1979, assumiu a designação por que hoje é conhecido. Em 1962 Portugal encontrava-se num processo de reorganização industrial daí a taxa de desemprego elevada. A maioria dos portugueses, sem habilitações adequadas, estava, por esta altura no desemprego. O Fundo de Desenvolvimento da Mãode-obra, (FMDO), emergiu nessa realidade social com o decreto-lei nº44 506, de 10 de Agosto de 1962 e tinha como objectivo atribuir pensões de reforma ou invalidez, e subsídios temporários de desemprego ao pessoal operário, até serem admitidos nas empresas reorganizadas ou nas novas indústrias. Perante a situação de uma reestruturação do mercado da mão-de-obra, havia necessidade de dar-lhes formação profissional adequada de forma a poderem ser admitidos nas novas indústrias. Face a esta necessidade crescente surgiu o Instituto de Formação Profissional Acelerada, (IFPA) com o decreto-lei n.º44 538, de 23 de Agosto de 1962. Em 1964 entra em funcionamento o primeiro Centro de Formação Profissional Acelerada que vai ao encontro das necessidades de formação e reconversão profissional, pois existia falta de pessoal técnico e de trabalhadores qualificados. Em Janeiro de 1965 foi criado o Centro Nacional de Formação de Monitores, em dependência directa da FDMO e em estreita colaboração com o IFPA, essencialmente destinado à preparação de pessoal em serviço nos Centros de Formação Profissional. Nos primeiros Centros de Formação Profissional é implementado o Sistema de Formação Profissional Acelerada ou Formação Profissional para Adultos, com o objectivo de qualificar trabalhadores, num curto espaço de tempo (4 a 8 meses), em profissões integradas em áreas prioritárias como, por exemplo, construção civil, madeiras, electricidade e metalomecânica. As situações de desemprego involuntário constituem um grave problema social e nem a reconversão levada a cabo pelo IFPA, nem os subsídios aos trabalhadores desempregados por parte do FDMO são por si só capazes de fazer parar a crise e o movimento emigratório. Era necessário que o trabalhador desempregado colaborasse também na sua própria recuperação e/ou reconversão profissional. Desta forma, havia necessidade de criar os meios adequados ao encaminhamento dos desempregados para os serviços de recuperação ou directamente para os empregos disponíveis noutras empresas. 189 190 Orientação Vocacional e Profissional É neste contexto socioeconómico que, em 9 de Dezembro de 1965, é promulgado o Dec. nº 42731 que cria no Ministério das Corporações e Previdência Social, o Serviço Nacional de Emprego (SNE) com a atribuição de estudar e organizar o funcionamento do mercado de emprego de acordo com as orientações internacionais da época, tendo em vista o enquadramento da política emigratória na política nacional de emprego, elaborar o Catálogo Nacional das Profissões (CNP) e organizar os Serviços de Colocação e Orientação Profissional. Nos anos 70 quebram-se as barreiras tradicionais entre educação, formação e trabalho e começa-se a assistir, nos países ocidentais, à proliferação de ideias que defendem que as qualificações não podem continuar a obter-se com base nos modelos clássicos. Logo, se a formação já não responde às necessidades e expectativas do mercado de emprego e do indivíduo e se há exigências das sociedades contingenciais que procuram cada vez mais competências não técnicas, como a capacidade de adaptação, de compreensão, de percepção da globalidade, de relacionamento e de comunicação, torna-se cada vez mais pertinente uma reflexão estratégica sobre a temática da formação profissional, na sua relação com os subsistemas com os quais interage. Com a Revolução de 25 de Abril de 1974, o Ministério do Trabalho é dotado de uma nova estrutura, ficando o Fundo de Desemprego sob a sua tutela. É criado o Gabinete de Gestão do Fundo de Desemprego e o FDMO mantém-se na dependência do Ministério do Trabalho. No âmbito deste Ministério são ainda criadas as Secretarias de Estado do Trabalho, do Emprego e da Emigração. Na estrutura da Secretaria do Estado do Emprego são criadas duas Direcções Gerais: a do Emprego (DGE) e de Promoção de Emprego (DGPE). À primeira serão cometidas as atribuições do SNE que é extinto. Na evolução do quadro institucional atrás mencionado é criado o Instituto do Emprego e Formação Profissional, (IEFP), através do decreto-lei nº. 519-A2/79 de 29 de Dezembro. É dotado de autonomia administrativa e financeira, revestindo a forma de serviço personalizado do Estado, para o qual são transferidas as competências da Direcção Geral do Emprego (DGE), da Direcção Geral da Promoção do Emprego (DGPE) e do Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra. O IEFP é, portanto, criado com o objectivo de integrar num único organismo a execução das políticas de emprego e formação profissional, de forma a conseguir-se não só uma maior racionalidade e operacionalidade, mas também uma aproximação efectiva à Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal diversidade das regiões nacionais. O decreto-lei nº 193/82, de 20 de Maio, vem estabelecer a Lei Orgânica do IEFP, definindo as suas atribuições, bem como as dos respectivos serviços. Em 1985 dá-se uma reestruturação profunda com a publicação do seu Estatuto (Decreto-Lei nº 247/85, de 12 de Julho), criando uma «estrutura exemplarmente flexível e eficaz, o que supõe um estatuto de pessoal e uma orgânica incompatíveis com a rigidez típica da administração pública tradicional». No âmbito de intervenção de cada uma das Delegações Regionais funcionam os Centros de Emprego, Centros de Formação Profissional de Gestão Directa, Centro de Reabilitação e os Centros de Apoio à Criação de Empresas (CACE). Nessa sequência, mais tarde, foi publicado o decreto-lei nº 213/2007, de 29 de Maio que, para além de definir os objectivos e atribuições do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P., introduz alterações significativas na estrutura e organização internas, racionalizando o emprego de recursos e garantindo ganhos de eficiência e eficácia, mantendo, no entanto, a gestão tripartida e a estrutura de serviços desconcentrada. A Portaria nº 637/2007, de 30 de Maio, publicada no seguimento daquele diploma, aprova o Estatuto do IEFP, I. P., definindo o funcionamento dos seus órgãos e regulando a organização e estrutura orgânica dos Serviços Centrais e Regionais, bem como as competências das suas Unidades Orgânicas. O IEFP, I. P., conta ainda com o apoio de uma rede de Centros de Formação Profissional de Gestão Participada. Tornou-se numa rede extensa e com uma excelente cobertura geográfica de todo o território nacional continental, permitindo chegar os serviços do IEFP, I. P. a toda a população. A rede de Centros apresentou sempre uma maior tendência para a área do emprego, o que revela a preocupação da instituição com a integração das pessoas no mercado de trabalho. Entretanto, as novas políticas governamentais de combate ao baixo grau habilitacional da população portuguesa, pretendendo que o nível secundário constitua o patamar mínimo da sua qualificação, conduziram ao lançamento da Iniciativa Novas Oportunidades. Este programa visa instituir novas formas de aprendizagem, qualificação e certificação de adultos. É nessa perspectiva que são criados os Centros Novas Oportunidades, disseminados através de uma rede territorial alargada e institucionalmente diversificada. O IEFP, I. P., aderiu a esta Iniciativa, integrando, gradualmente, Centros Novas Oportunidades nos seus Centros de Formação Profissional, conferindo-lhes uma nova dinâmica de actuação. 191 192 Orientação Vocacional e Profissional As escolas actualmente colaboram com os institutos de emprego, de forma a orientar os seus alunos para vários cursos que são organizados pelos mesmos. Todos os professores e estruturas acima mencionadas trabalham todos os dias em colaboração para orientar os alunos da escola vocacionalmente e profissionalmente. As escolas orientam e organizam cursos que são dirigidos a adultos em horários próprios para os mesmos. Hoje em dia mais do que orientar os alunos, as escolas tem agora a missão de orientar as pessoas ao longo da vida que nunca deixam de ser alunos. Agora a maior parte destes cursos para adultos e jovens são ministrados nas escolas ou em centros tutelados pelos IEFP. Vejamos alguns cursos que permitem a colaboração entre o Instituto de Emprego e Formação Profissional e as escolas: • Cursos de Aprendizagem: – Regime de formação em alternância gerido pelo IEFP, nos centros de formação directa ou participada pelas empresas e associações empresariais. Os planos e formação são reconhecidos pelo Ministério da Educação, o que lhes permite conferir equivalência ao ensino formal. Os cursos são organizados com períodos de formação em sala alternando com outros de prática efectiva em postos de trabalho. Têm como objectivo incrementar a qualificação profissional básica, especializar ou reconverter e melhorar a formação pessoal. Conferem certificação profissional de níveis 2 ou 3 e habilitações académicas equivalentes aos ensinos básico ou secundário. • Qualificação Inicial: – Tipo de formação também tutelado directamente pelo IEFP, destinado a oferecer qualificação profissional inicial a jovens que pretendem ingressar no mundo do trabalho. Os planos de formação são reconhecidos pelo Ministério da Educação, o que lhes permite conferir equivalência ao ensino formal. A Qualificação Inicial é orientada para profissões específicas em relação directa com o sector de actividade a que está ligado o centro de formação. Esta formação é geralmente orientada para uma dada actividade profissional específica, mas simultaneamente estruturada de modo a conferir equivalência aos ensinos básico ou secundário em articulação com a respectiva certificação profissional de níveis 2 ou 3. Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal • Cursos de Educação e Formação (CEF):10 - Estes cursos constituem uma alternativa ao ensino regular para a frequência da escolaridade de 6, 9 ou 12 anos, oferecendo simultaneamente, a qualificação escolar e profissional necessárias para a entrada no mundo do trabalho. Os CEF foram criados com o objectivo da «…promoção do sucesso escolar, bem como a prevenção dos diferentes tipos de abandono escolar, designadamente o desqualificado» 11 . Para atingir este duplo objectivo seguem orientações metodológicas específicas, integrando 4 componentes de formação: - Sócio cultural, Científica, Tecnológica e Prática. Os cursos têm como público-alvo os jovens com 15 ou mais anos em risco de abandono escolar, ou que abandonaram antes da conclusão do 12º ano de escolaridade, ou tendo-o concluído sem qualificação profissional, pretendam adquiri-la para ingresso no mundo do trabalho. Para responder aos diferentes perfis de habilitações de entrada e níveis de ensino em que se desenrolam os CEFs existem sete tipologias de cursos. Os cursos são desenvolvidos pela rede das escolas públicas, particulares e cooperativas, escolas profissionais e pelos centros de gestão directa ou participada do IEFP. • Cursos de Educação e Formação de Adultos (cursos EFA) são uma oferta integrada de educação e formação para públicos adultos com idade igual ou superior a 18 anos, que possuam baixos níveis de escolaridade e de qualificação profissional. Estes cursos podem ser organizados pelas escolas. Algumas leis importantes nesta matéria foram as seguintes: O despacho conjunto n.º 1083/2000, DR 268, SÉRIE II, de 20 de Novembro, que regulamenta a criação de Cursos de Educação e Formação de Adultos (cursos EFA), com dupla certificação escolar e profissional. O despacho conjunto n.º 650/2001, DR 167, SÉRIE II, de 20 Julho que aprova o modelo de certificado a atribuir na conclusão dos Cursos de Educação e Formação de Adultos, de acordo com o determinado no nº 17 do despacho conjunto nº 1083/2000. Simultaneamente, introduz algumas alterações relativamente ao desenho curricular e às áreas de formação profissionalizante. Surge a rectificação n.º 2145/2001, DR 220, SÉRIE II, de 21 de Setembro que rectifica a nota (b) do anexo nº 3, desenho curricular, do despacho conjunto nº 650/2001, de 2001-07-20, 10 11 Despacho conjunto ME/MSST nº 453/2004 de 27 de Julho Diploma legal acima citado. 193 194 Orientação Vocacional e Profissional alterando para «É desejável que a componente de formação profissionalizante inclua formação em contexto real de trabalho». O despacho conjunto nº 26401/2006, DR 249, SÉRIE II, de 29 de Dezembro introduz alterações na estrutura, funcionamento, organização e certificação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos. A Portaria n.º 817/2007, DR 144, SÉRIE I, de 27 de Julho define o regime jurídico dos cursos de educação e formação de adultos (EFA). • Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências permite que cada adulto, com idade igual ou superior a 18 anos e habilitações escolares inferiores ao 4.º, 6.º, 9.º ou 12.º ano, possa ver reconhecidas, validadas e certificadas competências que adquiriu ao longo da vida e em diferentes contextos. O Despacho n.º 6 741/06, de 24 de Março, aprova o regulamento específico que define o regime de acesso aos apoios concedidos no âmbito da tipologia de projecto "Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Após o preenchimento da ficha de inscrição é iniciado, pela equipa de profissionais do Centro Novas Oportunidades, um trabalho de definição do perfil de entrada de cada adulto, de forma a encaminhá-lo para um processo de RVCC ou para uma oferta formativa mais adequada. Segundo Cavaco, Cármen (2007) «Os adultos que aderem ao RVCC são encarados como indivíduos portadores de uma experiência de vida única, que é o seu principal recurso para a realização do processo. Faz-se uma “leitura pela positiva”, em que se pretende identificar e valorizar aquilo que a pessoa aprendeu ao longo da vida.» Neste processo de RVCC a educação é entendida como um processo contínuo no tempo e no espaço e uma “produção de si, por si”, em que o indivíduo «se utiliza a si próprio como recurso» (Charlot, 1997, citado em Canário, 2000:133). Conforme refere Sandra Bellier (2001:254) «a competência não é aquilo que se faz mas como se consegue fazê-lo de maneira satisfatória. É portanto aquilo que está subjacente à acção e não a própria acção». O facto da competência ter por base uma acção, um contexto e procedimentos específicos coloca algumas dificuldades na avaliação de competências nos Centros em estudo, desde logo porque o processo de reconhecimento e validação ocorre diferido no tempo. Ou seja, o indivíduo não é avaliado no momento em que manifesta certa competência mas sim à posteriori. Outros decretos de lei importantes nesta matéria foram: Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal • O Despacho n.º 15 187/06, de 14 de Julho, regula o funcionamento dos Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Revoga o Despacho nº. 15 797/03de 14 de Agosto; • A Portaria n.º 86/07, de 12 de Janeiro, do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e do Ministério da Educação, altera a Portaria n.º 1 082-A/01, de 5 de Setembro, que cria uma rede nacional de Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), tendo por referência as metas inscritas na iniciativa "Novas Oportunidades"; • Acções S@BER+: - São acções de formação de curta duração destinadas a adultos maiores de 18 anos, que proporcionam o reforço ou a aquisição de competências relevantes nos domínios profissional e pessoal completando percursos de formação. Este programa de formação integra-se numa estratégia de mobilização dos adultos para a aprendizagem ao longo da vida. Visa estimular os públicos adultos a adquirir, desenvolver ou reforçar as suas competências pessoais, profissionais ou escolares, e diversificar as ofertas educativas dirigidas a adultos, criando soluções flexíveis e certificáveis que promovam a melhoria das qualificações escolares e profissionais da população adulta. Estas acções organizam-se em módulos de 50h estruturados segundo níveis de complexidade de iniciação, aprofundamento e consolidação dos conhecimentos e das técnicas adquiridas na formação. Estes cursos permitem o prosseguimento de estudos e a aquisição de competências profissionais. São ministrados em centros de formação profissional do IEFP, em escolas básicas e secundárias da rede pública, em escolas particulares e cooperativas, em escolas profissionais, e em entidades privadas acreditadas como entidades formadoras, de acordo com a legislação em vigor. Normalmente são os professores, directores de turma que através do contacto, projecto curricular de turma, reuniões do conselho de turma que vão dialogando e chegando a conclusões sobre alunos possíveis de frequentarem estes cursos. Enquanto directora de turma, foram vários os contactos que mantive com os intervenientes do processo educativo, desde contactos com a psicóloga, centro de emprego, escolas, assistente social, professores, professora do ensino especial, pais e aluno para poder orientar alguns alunos neste sentido. 195 196 Orientação Vocacional e Profissional 4.2.2. CENOR – Centro Nacional de Recursos para a Orientação O Centro Nacional de Recursos para a Orientação, CENOR, integra a rede europeia Euroguidance, que opera no âmbito do Programa Leonardo da Vinci. É, assim, cofinanciado pela Comissão Europeia e pelas autoridades nacionais de cada país. Em Portugal, o CENOR está sedeado em Lisboa. É missão do CENOR desenvolver a dimensão europeia nos sistemas nacionais de educação, formação e orientação, partilhando métodos de trabalho e divulgando práticas inovadoras, com os sistemas de cada país da rede. Compete ao CENOR, através do seu portal, http://cenor.dgidc.min-edu.pt/, dirigido a alunos, profissionais de educação e de orientação, público em geral e organizações diversas relacionadas com educação e formação: • Produzir materiais formativos e informativos, desdobráveis, folhetos, CD-roms, entre outros; • Divulgar e gerir informação sobre oportunidades educativas e formativas, níveis de qualificação e certificação e percursos académicos e profissionais, a nível nacional e europeu; • Responder a questões no âmbito dos recursos de orientação e da mobilidade transnacional; políticas e recursos europeus no âmbito da orientação ao longo da vida . Os Centros Nacionais de Recursos para Orientação de cada país membro da Rede Euroguidance divulgam no Portal PLOTEUS, http://europa.eu.int/ploteus, através de ligações a bases de dados, informação sobre educação e formação na Europa, sobre: • Cursos, escolas e instituições de ensino superior; • Programas comunitários de mobilidade (ERASMUS, entre outros); • Intercâmbio e informação sobre bolsas de estudo; • Propinas, reconhecimento de diplomas e qualificações; • Enquadramento legal – estudar, viver e trabalhar em países europeus, aspectos gerais e informação sobre custo de vida, impostos e segurança social, alojamento. Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal O CENOR participa em conferências, seminários, workshops, a nível nacional e europeu, mantendo-se desta forma actualizado quanto às tendências inovadoras na orientação escolar e profissional. Quanto ao pré primário e 1º ciclo e 2º ciclo, este centro nacional de recursos sugere como áreas de intervenção psicopedagógica durante o pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico, as dificuldades de aprendizagem, as necessidades educativas especiais e o comportamento e relacionamento interpessoal. Poderá encontrar, em cada uma das áreas, a descrição detalhada de cada livro e uma secção para observações. Os livros apresentados são direccionadas para a intervenção. Para o ensino secundário a intervenção psicopedagógica proposta centra-se sobretudo nos métodos de estudo e no comportamento e relacionamento interpessoal. Quanto à formação da comunidade educativa neste dossier são apresentados alguns temas a explorar com a comunidade educativa, através de acções de formação, conversas informais, panfletos, etc. As sugestões apresentadas são: os comportamentos anti-sociais e psicopatologias, a adolescência, a relação família-escola. 4.2.3. IOP - Instituto de Orientação Profissional O IOP, criado em 1925 visava orientar os jovens. Este instituto funciona fora dos estabelecimentos de educação. O IOP integra vários serviços que se encontram organizados por projectos, num quadro de inovação, fundamentação e avaliação da qualidade da intervenção vocacional em diferentes contextos. A Orientação Escolar e Profissional contribui para promover e apoiar esse desenvolvimento. • O Instituto de Orientação Profissional (IOP) é uma unidade orgânica da Universidade de Lisboa especializada neste domínio; • Desempenha um papel importante no âmbito da Orientação e Aconselhamento Vocacional de jovens e adultos; • Perspectiva a sua acção como um fórum permanente de especialização e actualização dos profissionais de Orientação Vocacional; 197 198 Orientação Vocacional e Profissional • Integra, na sua actividade regular, projectos de investigação a nível nacional e internacional, no âmbito da Psicologia Vocacional, desenvolvendo novas metodologias e instrumentos de intervenção. No que concerne aos serviços este dá consultas de orientação e aconselhamento vocacional, proporcionando uma ajuda especializada na construção de projectos de vida no âmbito da escola e do trabalho; Quanto à formação especializada visa contribuir para uma progressiva especialização e actualização dos técnicos de orientação vocacional, desenvolve projectos de investigação a nível nacional e internacional, coopera com organizações, nacionais e estrangeiras, e técnicos especializados, no âmbito da fundamentação promoção, implementação e avaliação de actividades na área vocacional. Proporciona o acesso a documentação especializada a estudantes e técnicos. A Consulta de Orientação e Aconselhamento Vocacional oferece uma ajuda especializada na construção e implementação de projectos de vida no âmbito da escola e do trabalho. Realiza-se através de um processo que inclui diversas actividades, individuais e em grupo, no âmbito da avaliação psicológica, do aconselhamento vocacional e da informação escolar e profissional. O IOP estabelece também protocolos de cooperação com instituições educativas. Os seus objectivos são:Prosseguir estudos; • Ingressar no mundo do trabalho; • Desenvolver-se como pessoa; • Contribuir para o bem social. No IOP, o processo de Orientação inicia-se com uma fase de sensibilização à importância do desenvolvimento vocacional no quadro de vida do indivíduo e do papel activo e responsável que este deve assumir na sua direcção e dinamização. Prossegue com uma análise das diversas dimensões do desenvolvimento vocacional, introduzindo progressivamente diversas actividades, individuais e em grupo, promotoras e orientadoras desse desenvolvimento. Entre essas actividades, incluem-se diversas modalidades de avaliação psicológica, visando clarificar e aprofundar o conhecimento de si próprio; consultas individuais de Aconselhamento Vocacional, procurando responder de forma personalizada às necessidades de cada cliente; análise de informação escolar e profissional Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal e disponibilização de materiais e fontes informativas, com o objectivo de desenvolver atitudes e competências favoráveis à exploração vocacional. A Consulta de Orientação e Aconselhamento Vocacional do IOP enquadra-se nas mais recentes perspectivas conceptuais da Psicologia Vocacional e é apoiada por técnicos especializados neste domínio. No âmbito da Consulta para estudantes do 9º ano de escolaridade, realizam-se também actividades individuais e em grupo com Pais ou Encarregados de Educação, com objectivos quer de informação, quer de sensibilização ao seu papel específico no desenvolvimento vocacional dos jovens. 4.3. Programas que estimularam a orientação vocacional e profissional em Portugal 4.3.1. Prodep – Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal O PRODEP III é o Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal, acordado com a Comissão Europeia e que vigorou, no período de 2000 a 2006. O Despacho Conjunto n.º 261/01, de 22 de Março, aprova a regulamentação que define o regime de acesso à medida n.º 4 "Educação e formação ao longo da vida", acção 4.2 "Ofertas diversificadas de curta duração" do PRODEP III. Este programa surge na continuidade dos PRODEP I e II os quais permitiram, durante toda a década de 90, desenvolvimentos na Educação em Portugal entre os quais se destacam: • A evolução para uma escolaridade básica de 9 anos; • A criação e desenvolvimento do ensino profissional de nível secundário e qualificação profissional III; • A instituição de um sistema de formação contínua de docentes; • A introdução, no âmbito do sistema educativo, da valência de Psicologia e Orientação Educativa. 199 200 Orientação Vocacional e Profissional 4.3.1.1. Objectivos do PRODEP Segundo o despacho acima mencionado são objectivos deste programa: • Melhorar a qualidade da Educação Básica, contribuindo para uma cultura de iniciativa, responsabilidade e cidadania; • Expandir e diversificar a formação inicial de jovens, apostando na Qualidade e elevada Empregabilidade das novas gerações; • Promover a Aprendizagem ao Longo da Vida e melhorar a Empregabilidade da População Activa; • Guiar e promover o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento; Para atingir estes objectivos concorrem: • A Intervenção Operacional da Educação (programa nacional); • Os Programas Operacionais Regionais que, na sua vertente desconcentrada da Educação, contam com investimentos dirigidos às infra-estruturas da educação préescolar e dos ensinos básico e secundário, bem como ao ensino profissional. No âmbito do Quadro Comunitário de Apoio III surgem ainda outras Intervenções Operacionais que, de modo previamente articulado com o PRODEP III, também apresentam linhas de financiamento específicas dirigidas à prossecução destes objectivos. Entre estes, destacamos o Programa Operacional Sociedade de Informação e o Programa Operacional do Emprego, Formação e Desenvolvimento Social. Os principais objectivos estratégicos que o PRODEP III visa alcançar são essenciais para o desenvolvimento futuro das novas gerações. Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal 4.3.2. (POI) - Programa de orientação e informação É um projecto aprovado pelo Prodep III que assenta numa intervenção articulada e concertada dos profissionais dos diferentes órgãos e estruturas da escola ao serviço dos alunos enquanto cidadãos informados, esclarecidos e conscientes dos seus planos de vida. 4.3.2.1. Objectivos do Projecto • Desenvolver aplicações de um programa de Orientação Autónoma de âmbito Escolar e Profissional permitindo aos utilizadores o acesso a informação e formação sobre Percursos individuais de formação e em função dos planos de vida educacionais; • Abrir a Escola de forma a permitir aos alunos de outras escolas vivenciar experiências educativas nos nossos espaços pedagógicos: Oficinas, Laboratórios, Salas de aula específicas, bem como favorecer experiências educacionais dos nossos próprios alunos, organizando Palestras, Colóquios, Mesas Redondas, debates incidindo sobre temáticas de orientação escolar, vocacional, profissional, cultural e artística; • Promover, valorizar, divulgar e formar em áreas promissoras do desenvolvimento tecnológico, nomeadamente nas de Electrotecnia/Electrónica e de Mecânica, permitindo aos alunos o contacto e a vivência com outras ferramentas do saber e com os meios empresariais mais desenvolvidos nessas áreas; • Divulgar por todos os meios: em suporte de papel, electrónico e digital, as ofertas educacionais visando o esclarecimento cabal e adequado de todos os intervenientes (Pais e Encarregados de Educação, alunos de todos os níveis de ensino) implicados na tomada de decisão por uma via formativa. 201 202 Orientação Vocacional e Profissional 4.3.2.2. Destinatários do Projecto São destinatários directos destas acções, os alunos que frequentam o 9º, 10º, 11º e 12ºs anos de escolaridade e os alunos dos percursos profissionais qualificantes dos ensinos básico e secundário (Cursos de Educação e Formação). Atendendo aos conteúdos das acções propostas, são também destinatários (indirectos) os alunos dos restantes anos de escolaridade que frequentam a escola, bem como alunos das diferentes escolas do concelho, pais e encarregados de educação, professores, formadores e público em geral. 4.3.3. Programa de Escolhas O Programa Escolhas foi criado pela Resolução do Conselho de Ministros nº4/2001, de 9 de Janeiro. Numa primeira fase de implementação, que decorreu entre Janeiro 2001 e Dezembro de 2003, tratava-se de um Programa para a Prevenção da Criminalidade e Inserção de Jovens dos bairros mais problemáticos dos Distritos de Lisboa, Porto e Setúbal. Os seus objectivos foram: • Prevenção da criminalidade e inserção dos jovens dos bairros mais vulneráveis dos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal; • A formação pessoal e social, escolar e profissional e parental dos jovens; • Dinamizar parcerias de serviços públicos e das comunidades dos bairros seleccionados; • Contribuir para a articulação da actuação de todas as entidades e todas as acções que trabalhem na inserção dos jovens; • Articular a sua acção com as comissões de protecção de menores e outras parcerias existentes no local. Terminado este período, partindo da aprendizagem obtida e respondendo a novos desafios, nasce, na sequência da Resolução do Conselho de Ministros nº 60/2004, o Escolhas – 2ª Geração (E2G). De âmbito nacional, o EG2 decorreu entre Maio de 2004 e Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal Setembro de 2006, tendo financiado e acompanhado 87 projectos, enquadrados nas Zonas Norte , Centro e Sul e Ilhas. O público-alvo prioritário do E2G foram crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos oriundos de contextos sócio-económicos desfavorecidos e problemáticos. O Programa abrangeu ainda jovens com idades compreendidas entre os 19 e os 24 anos, famílias e outros elementos da comunidade, como professores, auxiliares educativos, etc. Em termos de intervenção, e a partir da experiência adquirida na primeira fase, foram introduzidas alterações em três eixos essenciais: 1. Transformação de um Programa de prevenção da criminalidade num Programa de promoção da inclusão. A nova fase do Escolhas visou a promoção da inclusão social de crianças e jovens provindos de contextos socio-económicos desfavorecidos e problemáticos, numa lógica de solidariedade e de justiça social. 2. De um Programa com uma lógica central para um Programa assente em projectos localmente planeados. O Escolhas reconduziu a sua acção a um modelo de confiança nas instituições locais (Escolas, Centros de Formação, Associações…) a quem se desafiou para a concepção, implementação e avaliação de projectos. 3. De entre as crianças e jovens vulneráveis, com necessidade de maior investimento no sentido da sua inserção social, encontram-se as crianças e os jovens descendentes de imigrantes e minorias étnicas. Estes tornaram-se uma das prioridades do Escolhas. A Resolução do Conselho de Ministros nº 80 de 2006 procede à renovação do Programa Escolhas terceira fase, reforçando-o através de um aumento do investimento direccionado e do número de projectos a apoiar. O Programa Escolhas foi renovado para o período de 2007 a 2009, com o objectivo de promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos sócio-económicos mais vulneráveis, tendo em consideração o maior risco de exclusão social, nomeadamente dos descendentes de imigrantes e minorias étnicas, procurando a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social. Cada projecto é constituído por uma instituição promotora e diversos parceiros (Escolas, Centros de Formação, Associações, entre outras), que em conjunto formam um consórcio. Através deste modelo o Programa Escolhas reúne cerca de 770 instituições. Cada consórcio concebe e implementa actividades em 4 domínios: 203 204 Orientação Vocacional e Profissional Ao abrigo do programa disponível no site, http://www.programaescolhas.pt/, desenvolvem-se 4 grandes eixos de acção, complementares: Medida I - Inclusão Escolar e Educação Não Formal a) Actividades de combate ao abandono escolar e de promoção do sucesso escolar; b) Medidas de educação que facilitem a reintegração escolar de crianças e jovens que tenham abandonado a escola ou dela estejam ausentes, a partir dos 12 anos dinamizadas dentro ou fora do espaço escolar; c) Acções de educação não formal que favoreçam a aquisição de competências pessoais e sociais, promovendo o sucesso educativo; d) Co-responsabilização das famílias no processo de desenvolvimento pessoal e social das crianças e jovens, através da mediação familiar e formação parental. Medida II - Formação Profissional e Empregabilidade a) Actividades que favoreçam o acesso à formação profissional e ou emprego; b) Capacitação dos destinatários com competências e saberes que constituam vantagens competitivas para a sua integração social e profissional; c) Promoção da responsabilidade social de empresas e outras entidades, mobilizando oportunidades para a inserção na vida activa (estágios profissionais, promoção do primeiro emprego, etc.). Medida III - Participação Cívica e Comunitária a) Desenvolvimento de espaços criativos e inovadores, que permitam dinamizar actividades ocupacionais facilitadoras da integração comunitária e do desenvolvimento de competências pessoais e sociais; b) Promoção da participação social, através das dinâmicas associativas (formais e informais); c) Desenvolvimento de um espírito de cidadania activa no sentido de valorizar a presença das crianças e jovens na sociedade; Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal d) Descoberta, de uma forma lúdica, da língua, valores, tradições, cultura e história de Portugal e dos países de origem das comunidades imigrantes; e) Aproximação às instituições do Estado; f) Co-responsabilização dos familiares no processo de desenvolvimento pessoal, social, escolar e profissional; g) Iniciativas de serviço à comunidade; h) Promoção de espaços de informação e aconselhamento especialmente destinados à divulgação de informação e serviços de Estado dirigidos aos jovens; i) Promoção da mobilidade juvenil dentro e fora do território nacional. Medida IV - Inclusão Digital. a) Actividades Lúdico Pedagógicas; b) Actividades específicas de âmbito formativo em Tecnologias da Informação e da Comunicação; c) Actividades de apoio à inclusão escolar. Dentro destas medidas e programas, temos algumas realizadas pelas escolas que visam promover visitas de exploração vocacional. Após os contactos com as respectivas entidades realizam visitas que possibilitem o contacto directo com as oportunidades de formação e o mundo do trabalho. Para além disso, tem sempre um psicólogo ou especialista que orienta este tipo de visitas 4.3.4. OTL – Ocupação dos tempos livres O Programa de Ocupação de Tempos Livres dos Jovens pretende proporcionar aos jovens a ocupação dos seus tempos livres, através do contacto com diversas áreas de actividade profissional, permitindo-lhes o seu desenvolvimento pessoal. Este é um programa que permite aos jovens explorar profissões do seu interesse e através de experiências significativas e enriquecedoras, permitindo o estabelecimento de critérios para uma escolha futura. O OTL é, assim, um instrumento privilegiado de desenvolvimento vocacional, para 205 206 Orientação Vocacional e Profissional além de visa estimular o contacto directo dos jovens com a natureza e melhorar o conhecimento da realidade onde se inserem, designadamente nas suas vertentes histórica, cultural e social e para além de constituir um contributo inequívoco para a formação e desenvolvimento dos jovens, sendo, ainda, uma das medidas mais eficazes na prevenção de comportamentos de risco; Manda o Governo, pelo Ministro da Juventude e do Desporto, ao abrigo do n.º 2 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 70/96, de 4 de Junho, atendendo ao estabelecido no DecretoLei n.º 198/96, de 17 de Outubro, o seguinte: 1. É aprovado o Regulamento do Programa de Ocupação de Tempos Livres (OTL), que faz parte integrante da presente portaria. 2. É atribuída a gestão do Programa OTL ao Instituto Português da Juventude (IPJ). 3. É revogada a Portaria n.º 745-J/96, de 18 de Dezembro. 4. A presente portaria entra em vigor em 1 de Fevereiro de 2001. 4.3.5. Outros serviços que orientam vocacionalmente e profissionalmente 4.3.5.1. A Internet Hoje em dia a internet é também um meio pelo qual a orientação vocacional e profissional acontece. Segundo Castro (2008) «A Internet foi considerada desde o início como um meio massivo de informação e comunicação mais democrático que existe, isto porque os seus serviços permitem uma relação entre emissor e receptor no mesmo nível e funcionalidade. O receptor é um participante activo em um processo de comunicação e se torna um emissor, à medida que possui as mesmas ferramentas de criação e o mesmo canal de distribuição. Estas características da rede aumentam notavelmente com a proliferação dos blogs.» Esta autora realça assim o blog como instrumento de tutoria «O blog da sala de aula é um espaço em que todos os alunos e tutores escrevem. As temáticas são as questões, os interesses e problemas da turma, além das actividades do Plano de Acção Tutorial. O “blogueiro” pode ser o tutor ou os alunos. Estes serão os que iniciarão as conversas cada Capítulo IV – A orientação vocacional e profissional em Portugal semana na hora destinada à tutoria, no horário do grupo os demais alunos participarão lendo e respondendo às postagens na mesma hora ou durante a semana. Devemos considerar o público para o qual o blog está dirigido, porque isto determinará a linguagem a ser utilizada e a escolha dos temas.» Em Portugal, a comunicação entre professores e alunos, especialmente a nível universitário, torna-se muito importante, no entanto, existem diversos sítios na Internet, que oferecem oportunidades de exploração vocacional e que constituem uma oportunidade de em conjunto pais e filhos, descobrirem informação relevante, e de promoverem o desenvolvimento vocacional dos filhos. O quadro que se segue apresenta alguns exemplos: SITE ACTIVIDADE DESCRIÇÃO http://www.dgidc.minedu.pt/ Acções de formação, concursos, escola móvel Apresenta uma série de sugestões de concursos dirigidos às escolas e alunos bem como dá informação sobre projectos, formações e possui muita informação para alunos do secundário. www.estudantes.com.br/v ocacional/ Jogo das Vocações Oferece a possibilidade de realizar um jogo como forma de ajudar a pensar, para que o jovem possa fazer uma boa escolha. www.acessoensinosuperi or.pt Acesso ao Ensino Superior Disponibiliza informação sobre todos os cursos do ensino superior: provas de acesso, notas mínimas, notas dos últimos colocados, regulamento, etc www.ipp.pt/ Teste de Interesses Possibilita a realização de um teste de interesses, com base na oferta formativa do Instituto Politécnico do Porto. http://www.iefp.pt/forma cao/CNP/Paginas/CNP.as px Classificação Nacional das Profissões Apresenta todas as profissões existentes em Portugal. http://guiadoestudante.cli x.pt/ Guia do Estudante Disponibiliza informação dirigida especialmente aos alunos do secundário que 207 208 Orientação Vocacional e Profissional pretendem ingressar na universidade. http://clubeiep.netpercurs os.com/ Clube IEP O Clube IEP é um sítio onde os jovens podem publicar trabalhos sobre profissões, obter informação sobre o Sistema Educativo e Formativo, deixar as suas opiniões e mensagens, divertir-se com os jogos e ainda enviar postais e fazer o download de imagens. http://www.dgfv.minedu.pt/ Pais e Encarregados de Educação Colabore de forma informada e consciente, na tomada de decisão tão importante na vida do seu filho/educando. Quadro 33: Sites que promovem a orientação vocacional e profissional. 4.3.6. Feiras e livros como espaço/instrumento de divulgação e exploração vocacional e profissional Existem Feiras de Orientação Vocacional. São organizadas por algumas escolas secundárias e ou universidades destinadas a divulgarem cursos e Instituições, junto dos alunos do Ensino Secundário. As Feiras da Juventude Emprego e Formação Profissional decorrem na Feira Internacional de Lisboa (FIL) normalmente no início de Dezembro e ocorrem pelo menos de 2 em 2 anos. O Fórum Exponor é um Salão de Produtos e Serviços para a Educação e Ensino, que decorre normalmente em Maio na EXPONOR (Porto). Salientamos os subsalões, Didáctica, Salão do material didáctico, Eduk@ - Salão da oferta educativa e formativa, Young – Salão de produtos, equipamentos e serviços para jovens. No que diz respeito a livros, existem diversas publicações portuguesas que existem para ajudar no processo de orientação vocacional. Uma das publicações mais recentes é o Guias Univ. disponível em www.infoforum.pt. O Guia Prático do Estudante tem como principal objectivo, informar todos os estudantes sobre as opções de que dispõem no que se refere a cursos e instituições de Ensino Superior existentes no nosso país. 209 5. Desenho de Investigação Nesta segunda parte do estudo e, especialmente neste capítulo, apresentamos o desenho de investigação. É aqui que justificamos o porquê do título do estudo, bem como os objectivos que nos propusemos atingir. Julgamos que é interessante apresentar as opções que fizemos a nível de instrumentos utilizados e a amostra escolhida. Para além disso, descrevemos as técnicas de análise de dados. 5.1. Traçando o desenho de investigação Orientação vocacional e profissional: um estudo sobre o funcionamento das estruturas de orientação nas escolas do distrito de Braga. 5.1.1. A natureza da investigação Investigar é procurar e descobrir. A experiência prática obtida através do ensaio e erro, o raciocínio lógico com que se analisa mentalmente as situações vivenciadas e a investigação, a procura do desconhecido, têm sido os principais meios utilizados pelo homem para procurar a informação de que necessita para alargar os seus conhecimentos. A palavra investigação deriva da palavra do latim “investigatio” (in + vestigium). “In” significando uma acção de entrar e “vestigium” corresponde a vestígio, marca, sinal. Uma investigação científica segundo Sousa (2005) «procura o conhecimento científico através do estudo dos factos observados no contexto em que se posiciona essa ciência» (p.13). Para (Graziano e Reulin, 1989) citados em Sousa (2005), «A Investigação é um processo de pesquisa em que se procura cuidadosamente colocar uma questão e proceder sistematicamente para recolher, analisar, interpretar e comunicar a informação necessária para responder à questão.» (p.13). Com base nestas ideias, a nossa opinião é de que a investigação parte quase sempre de premissas, preposições, pressupostos, conhecimentos já adquiridos, que analisa através de um raciocínio logicamente conduzido utilizando diferentes métodos de procedimento (dedução, indução e argumentação), para chegar a conclusões que são conhecimentos. Neste caso a paciência e a perseverança são virtudes também referidas por Sousa (2005) 210 Orientação Vocacional e Profissional como indispensáveis ao processo de investigação científica, devendo aceitar-se os erros e falhas com naturalidade, pois estes aparecem sempre na 1ª fase do processo. Aprendemos mais com os erros do que com novas descobertas. Para além disso, a honestidade é outra virtude tendo-se o cuidado para não resistir a qualquer tentação inconsciente de visão enviesada dos resultados quando estes se afastam do que era esperado. Mesmo na construção das perguntas dos questionários podem surgir perguntas tendenciosas em que as respostas terão uma probabilidade maior de ser num sentido do que noutro. Nesta linha de pensamento está Ghiglione e Matalon (2001), que afirmam que qualquer erro ou ambiguidade associados à construção do questionário, levará a conclusões erradas. Por isso, nesta parte de investigação pretendemos ser o mais possível transparentes, neutros para que nada influencie os resultados que estão para vir. O corpo da investigação é constituído pelas fases que definem os seus alicerces: • O problema; • As hipóteses; • Controlo das variáveis; • A selecção das amostras; • A definição dos procedimentos necessários para a realização da investigação. É isso que vamos tentar expor brevemente. Vamos explicar o problema e o propósito de toda a tese, bem como o objectivo geral e os objectivos específicos. Em seguida explicaremos as metodologias que pretendemos usar bem como uma descrição de como serão utilizadas e analisadas. 5.1.2. Metodologias A investigação educativa trata de questões e problemas de natureza epistemológica, metodologia, fins e objectivos na procura de conhecimento no âmbito educativo. Tornouse difícil conciliar diferentes concepções de investigação educativa, tornando-se difícil chegar a uma definição. As concepções que podemos encontrar são várias mas aquelas 211 Capítulo V – Desenho de Investigação analisadas por Santana Vega, citado em Torres Del Moral (2005), são as características dos principais enfoques, como podemos observar no quadro seguinte: ENFOQUES PARADIGMÁTICOS POSITIVISTA INTERPRETATIVO SOCIOCRÍTICO Surge nos séculos XV e XVI. Visão estática do mundo, fé na razão e nos sentidos para compreender o mundo, são as características do pensamento conhecido como realismo e positivismo de Comte e Hobbes. Séculos XVIII e XIX questiona-se o método da lógica e a da ciência para a compreensão dos fenómenos humanos. Para os idealistas alemães o mundo social é criado pelas pessoas que vivem nele. (Kant, Hegel e Schelling) Surge no século XIX com a escola de Frankfurt (Horkeimer , Adorno Marcuse e Lowenthal. A sua implementação é desenvolvida pelo neomarxismo. (Habermas, Freire, Carry e Kemmis.) Supostos Mecanicistas e estáticos provenientes do modelo positivista das ciências naturais. Evolutivos e dinâmicos inspirados na tradição humanista. Dinâmicos, evolutivos, ideológicos, derivados da ciência social crítica. Derivações Concepção mecanicista de ordem social e natural. Os sujeitos comportam-se como sujeitos reactivos perante o seu meio social. Concepção dinâmica, mutável e social de ordem social. Os sujeitos consideram-se agentes activos e criativos na construção e determinação da realidade. Concepção dinâmica e histórico-social da realidade. Os sujeitos são agentes activos da construção de uma ordem social que se determina por opções de valor, poder e interesses. Nomológica, Psicométrica, de laboratório, experimental científica. Ideográfica, de campo, naturalista, humanista. Reconstrutiva, colaborativa e participativa. Rastreio histórico conceptuais Tipos de investigação 212 Orientação Vocacional e Profissional Crenças metodológicas Pode-se obter um conhecimento objectivo para apressar a realidade. O investigador não intervém para garantir a objectividade. O investigador deve adequar-se ao desenho prefixado. Metodologia desenhada para comprovar teorias. Dialéctica teórico-prática Atitudes face a outro paradigma Os dados utilizam-se para corroborar e falsear teorias. O valor destes encontra-se mediatizado pela concepção do que para quê que foram extraídos. Escassa dialéctica. Desdém pela prova contextual qualitativa relevante. Objectividade é em suma de inter subjectividades. O investigador não pode deixar de participar à sua volta e observar a sua incidência nele. Parte-se do “conceito sensível”, que por meio de descrições, tentam captar o significado dos eixos. O método insere-se na investigação. Metodologia desenhada para descobrir teorias. Produz-se um intercâmbio dinâmico entre teoria, conceitos e datas com retro informação e modificação constante das teorias e dos conceitos baseando-se em dados obtidos. Recusa da dependência face a umas quantas abstracções quantificadas. Não existirá separação entre investigador e sujeitos investigados. A investigação é uma tarefa participativa. Metodologia dialéctica Gera-se pelo diálogo e consenso do grupo investigador. Metodologia desenhada para fazer evidentes os condicionamentos ideológicos de acção e gerar propostas de actuação para transformar as situações sociais A teoria e a prática mantêm uma relação dialéctica que supõe uma reciclagem contínua entre ambas à luz da reflexão crítica. O positivismo ignora os aspectos inconscientes e a mediação histórico social das acções. Dá ênfase aos aspectos particulares das acções à custa do contexto histórico social em que se produzem. 213 Capítulo V – Desenho de Investigação Técnicas Testes estandardizados, entrevistas estruturadas, observação não participante, etc. Observação participante, entrevistas em profundidade, registo de incidentes, etc. Questionários, entrevistas em profundidade. Combinam-se técnicas quantitativas e qualitativas. Quadro 34: Enfoques paradigmáticos, adaptado de Concepción Torres Del Moral (2005) De facto, estas diferentes concepções vão gerar diferentes procedimentos metodológicos diversos para poder enfrentar os problemas que surgem a nível educativo. Kerlinger (1975) defende que a investigação científica deve ser sistemática, controlada, empírica e crítica de preposições hipotéticas acerca das relações entre os fenómenos naturais. Para este autor a investigação é uma verificação científica da teoria. Segundo Rincón, Arnal, Lurre e Sans (1995) a investigação é uma actividade humana orientada para a descrição, compreensão, explicação e transformação da realidade social através de um plano de indagação sistemática. Echevarría, 1982 faz referência a um método científico como meio de acesso à natureza de fenómenos ordenado e sistemático e Hernádez Pina (1999) destaca um conjunto de procedimentos que permitem abordar um problema de investigação com o intuito de atingir os objectivos determinados, mediante o qual se obtém o conhecimento científico. Dane, (1990) define que a investigação como aquela que implica a obtenção de informação, directamente de um grupo de indivíduos, mediante perguntas que podem apresentar-se de múltiplas formas (questionários, entrevistas….) No nosso trabalho vamos utilizar o questionário de resposta aberta e fechada e segundo Sierra Bravo (1996) o seu emprego permite observar de uma vez as múltipas variáveis dos indivíduos sem intervir neles e sem manipulá-los. No entanto Colas (1992) distingue três metodologias: a de investigação científica tradicional, a crítica e a qualitativa. Vejamos no quadro seguinte (Colas, 1992, 2ª ed.) as características metodológicas dos paradigmas de investigação: 214 Orientação Vocacional e Profissional Problema da investigação Positivista Interpretativo Crítico Teórico Percepções Vivenciais Interpretações Desenho Estruturado Aberto e flexível Dialéctico Amostra Procedimentos estatísticos Não determinada e informante Os interesses dos sujeitos determinam os grupos de investigação. Técnicas qualitativas Comunicação pessoal Redução Participação do grupo na análise Técnica de recolha de Instrumentos válidos e fiáveis dados Análise interpretação e Técnicas estatísticas Exposição de Conclusões dados Valorização investigação da Validade externa e interna Fiabilidade e validade Credibilidade Fase intermédia Validade consensual Transferência Dependência Confirmação Quadro 35: Metodologias segundo Colas (1992). Saber qual deles serve melhor a investigação educacional não se afigura como tarefa fácil, muito embora a tendência dos dois últimos paradigmas sirva o corte com o empirismo lógico que serviu de postulado à investigação de pendor mais tradicionalista. Lakatos (citado em Coutinho, 2005) afirma que «os paradigmas nem sempre competem entre si, os antigos não morrem, na maior parte das vezes são “completados”». O Paradigma Positivista fundamenta-se no positivismo lógico e no empirismo. A natureza da realidade percepcionada é única, estática, fragmentada, tangível, convergente e simplificadora. Segundo Fernandes (1991) «A investigação dita quantitativa tem sido o paradigma dominante da investigação em educação. Pode afirmar-se que muitos dos Capítulo V – Desenho de Investigação resultados mais relevantes que influenciam a fora como ensinamos ou aprendemos foram obtidos através de estudos tipicamente quantitativos.» Isto é, os investigadores utilizaram de forma sistemática processos de medida, métodos experimentais ou quase-experimentais, análise estatística de dados e modelos matemáticos para testar hipóteses, identificar relações causais e funcionais e para descrever situações educacionais de forma rigorosa. A filosofia deste paradigma é o positivismo de Comte. A formulação e a testagem de hipóteses constituem características das investigações do tipo quantitativo. Na sua testagem utilizam-se testes mais ou menos poderosos reconhecidos como o ANOVA (Análise da variância), s análise a variância multivariada (MANOVA), o t-teste ou teste de Mann-Whitney. O Paradigma Interpretativo ou qualitativo que “pretende substituir as noções científicas da explicação, previsão e controlo do paradigma positivista pelas compreensão, significado e acção” (Coutinho, 2005), penetrando no mundo pessoal dos sujeitos em determinado contexto social. Tem como bases o naturalismo e os processos qualitativos. A realidade é encarada como múltipla, intangível, divergente e holística, daí se procurar compreendê-la e interpretá-la (fundamentação da teoria interpretativa e da fenomenologia). No paradigma interpretativo os valores do investigador exercem influência no processo, tendo em conta que existe dependência derivada do inter-relacionamento sujeito/objecto e, como tal, existe risco de subjectividade. «A investigação qualitativa e os seus métodos são uma resposta às limitações reveladas pelos métodos quantitativos. Na verdade quando os investigadores da educação, muito particularmente os psicólogos, começaram-se a interessar pelos processos cognitivos e metacognitivos dos seres humanos e a reconhecer a importância dos processos (mecanismo) do pensamento, cedo perceberam que os métodos quantitativos eram limitados e até inapropriados.» (Fernandes, 1991). A filosofia de Kant e os seus sucessores está na base do paradigma qualitativo. Na qualitativa o investigador é o “instrumento” de recolha de dados por excelência, a qualidade (vaidade e fiabilidade) dos dados depende muito da sua sensibilidade da sua integridade e do seu conhecimento. O Paradigma Sociocrítico que encontra a sua fundamentação e engloba tendências da Teoria Crítica de Habbermas, do neomarxismo, dos trabalhos de Freire, entre outros, opõese à tradição positivista e interpretativa que sustenta os paradigmas anteriores e tem como 215 216 Orientação Vocacional e Profissional finalidades o emancipar, criticar e identificar potenciais de mudança. Na verdade, considera-se que o paradigma interpretativo embora tenha mudado as regras do jogo, não conseguiu modificar a natureza do mesmo. Os seus objectivos prendem-se com a análise das transformações sociais e a construção de respostas a determinados problemas que delas surgem. È com o seu aparecimento que se põe em causa a neutralidade da investigação educacional assumindo-se que esta possui um carácter emancipatório e transformador das organizações e processos educativos. Usa uma metodologia mais orientada para a prática educativa e perspectiva a mudança e a tomada de decisões com base na investigação avaliativa e na Investigação-Acção, através de técnicas em que impera o estudo de casos. Tendo em conta as características da investigação podemos afirmar que a metodologia caracteriza-se pela utilização de métodos quantitativos porque vai haver um tratamento estatístico a partir dos dados obtidos do SPSS, logo ao gerarmos dados quantitativos necessários adoptamos o paradigma positivista. Há igualmente uma metodologia qualitativa dado que após o problema, vai haver uma consolidação dos objectivos, conclusões, instrumentos e sairá deste trabalho uma via possível de investigação futura bem como há respostas que requerem uma interpretação por parte do investigador, o que faz com que usemos o paradigma interpretativo. A nossa investigação pretende ser activa, dado que vamos analisar o trabalho que se faz nos centros de orientação e descritiva porque centra-se no presente e descreve-se um conjunto de fenómenos num momento determinado. Fox (1981:478) mostra-nos as condições para que ocorra uma aproximação descritiva. Refere que a maioria dos métodos de investigação educativa são descritivos porque tentam descobrir e interpretar um determinado fenómeno no âmbito educativo. Para termos uma abordagem desse método temos de: • Formular um problema e mostrar a sua importância em estudá-lo; • Seleccionar o enfoque de investigação em cujo processo de dimensão básica é a de descrever o problema; • Determinar os objectivos; • Concretizar o instrumento para recolher os dados; • Seleccionar a amostra; Capítulo V – Desenho de Investigação • Recolher e analisar os dados. 5.1.3. Justificação, antecedentes e estado actual da questão. O capítulo II artigo 10º alínea C do Estatuto da Carreira Docente descreve todos os deveres dos professores, em particular, os deveres que tem em cooperar com os agentes educativos e os pais. Todos sabemos que um dos deveres do professor é orientar o aluno em colaboração com outros agentes, como por exemplo, o psicólogo e o Conselho Executivo. Em Portugal, o psicólogo assume a função de orientador bem como os próprios professores. No entanto, sabemos que o psicólogo não poderá trabalhar sozinho com o intuito de ajudar o aluno. Em Portugal há uma intervenção claramente alargada, onde se desenvolvem acções dirigidas a uma diversidade de alvos recorrendo a metodologias variadas. O SPO intervém relativamente a todas as tarefas de desenvolvimento inerentes ao nível etário dos alunos com que trabalha, tendo em conta os diversos contextos de vida mutuamente interdependentes. Daí que a intervenção deva ser realizada com toda a comunidade educativa e em articulação com outros serviços e instituições. As áreas de intervenção do Psicólogo em contexto escolar são as seguintes: • Orientação Escolar e Profissional (OEP) • Apoio Psicológico e Psicopedagógico • Aconselhamento/Consultoria à Comunidade Educativa • Parcerias/Colaboração com outros Serviços da Comunidade • Actividades de Formação • Desenvolvimento de projectos • Reuniões de Trabalho No caso da Orientação Escolar e Profissional (OEP) este tem por objectivo acompanhar o aluno no processo de desenvolvimento da sua identidade pessoal e do seu projecto de vida, nomeadamente ajudar a identificar o percurso formativo mais adequado às suas necessidades e características e apoiar no processo de tomada de decisão vocacional. Tal como o SPO tem um papel fundamental na orientação dos alunos, em colaboração com outros agentes educativos (professores, pais e/ou encarregados de 217 218 Orientação Vocacional e Profissional educação). A intervenção no âmbito da orientação escolar e profissional abrange todos os níveis de escolaridade e actividades diversificadas, tais como: • - intervenção individual/grupo, • - visitas de estudo a instituições de formação, mostras de orientação; • - painéis com profissionais; • - entrevistas a profissionais; • - mediatecas/bibliotecas vocacionais, • - apoio às matrículas. Contudo, os anos de transição – 9º e 12º ano – são aqueles onde recai maior atenção e dedicação por parte destes serviços. Logo a justificação deste trabalho seria exactamente analisar até que ponto serão todos os alunos do 12º ano a receber esta orientação, se tanto professores como psicólogos colaboram entre si e se estão preparados para levar a cabo a sua acção tutorial. Como sabemos o professor tem uma grande responsabilidade porque realiza as suas funções falando com os pais, professores e alunos. Nas nossas escolas são os Directores de Turma que tem essa função. Segundo a Direcção Regional do Norte, o psicólogo em contexto escolar intervém a nível psicológico e psicopedagógico, na observação, avaliação, orientação e apoio dos alunos, promovendo a cooperação com professores, pais e/ou encarregados de educação e outros agentes educativos, na perspectiva do seu aconselhamento psicossocial. Para além disso, estabelece articulações com outros serviços especializados de apoio educativo necessários ao desenvolvimento de planos educativos individuais. A intervenção integra métodos indirectos de intervenção psicológica e constitui um excelente complemento de acções desenvolvidas em outras áreas de intervenção através da promoção de competências, do trabalho em equipa, mobilização de grupos e desenvolvimento de estratégias concertadas e articuladas entre os vários agentes na resolução de problemas da comunidade educativa. Este psicólogo leva a cabo uma acção tutorial, pois deve de ter uma preparação adequada, dedicar horas de reflexão para levar a cabo um programa de intervenção nas escolas. Para além disso, não devemos esquecer que todos os alunos devem receber essa orientação, especialmente a nível de orientação vocacional e profissional. No entanto, estamos conscientes que muitas escolas enfrentam problemas a Capítulo V – Desenho de Investigação este nível. Muitas não possuem Serviços de Psicologia e Orientação e outras apresentam problemas diversificados, por isso, queremos, de facto, conhecer e determinar a qualidade do ensino e orientação analisando e chegando a conclusões sobre a eficácia, sobre o cumprimento de objectivos, sobre o funcionamento do sistema e a eficácia das políticas reguladoras. É natural que se detectem alguns erros na orientação dos nossos alunos, ou até mesmo a falta dela. Queremos chegar a conclusões que serão fulcrais para no futuro se procederem a melhorias. Esta será a justificação do nosso trabalho e irá ajudar-nos a perceber onde nós como professores, psicólogos ou outros agentes falhámos, onde podemos corrigir para tornamos a nossa orientação mais eficaz ou até mesmo quais os métodos que devemos continuar a colocar em prática, porque os mesmos têm sucesso. Desta maneira vamos estar a contribuir para uma melhor qualidade da escola e para uma acção tutorial mais eficaz. Em suma, este trabalho não pretende criticar nem glorificar, mas sim estudar esta parte tão importante que é a orientação. Se levarmos cabo uma acção tutorial eficaz estamos a garantir o sucesso dos alunos na escola e fora dela. Neste caso, vamos pôr à prova as distintas concepções que abordámos sobre orientação bem como pôr à prova a maneira como está organizado o sistema relativamente à orientação vocacional e profissional. 5.1.4. Problema da investigação O problema é o comandante que estabelece o rumo de toda a investigação. Segundo Sousa (2005:44) «O problema é o objectivo da investigação, a meta que se pretende atingir, a pergunta científica para a qual procuramos resposta.» Quase todos os autores como: Barquero, 1989; Best, 1970; Bisquerra, 1989; Cohen & Manion, 1987; Gall, 1989; Mouly, 1978; Stenhouse, 1979; Travers, 1969 e outros referem que o problema é o ponto de início de qualquer investigação. Trata-se, portanto da especificação da questão que originou o estudo, da sintetização da problemática, tendo a investigação por objectivo procurar a resposta para este problema. A formulação do problema é a definição daquilo que se procura. O quadro seguinte mostra como o problema surge: 219 220 Orientação Vocacional e Profissional O problema surge, em investigação, devido à necessidade: 1. De esclarecer uma lacuna no conhecimento pedagógico (Barquero, 1989); 2. De se estudar um fenómeno educacional novo (McGuigan, 1977); 3. De testar programáticas, metodologias e técnicas educacionais (Mouly, 1978); 4. De analisar as relações pedagógicas (Estrela, 1986) Quadro 36: Como surge o problema de investigação, adaptado de Sousa, A. (2005:45) Tendo como base estas ideias e procurando sermos modestos, lúcidos e prudentes a nosso principal problema desta investigação baseia-se nas seguintes questões: • Os nossos alunos pré universitários e futuros professores recebem a orientação vocacional necessária? • Todos recebem orientação? • Quem orienta, como e em que circunstâncias? • Seguem alguns programas de intervenção? • Como funciona esta orientação nas escolas secundárias portuguesas? • Essa orientação parece eficaz e pertinente para o sucesso dos alunos no ensino superior e leva à satisfação dos mesmos? Porquê? Pretendemos, de facto, conhecer e determinar a qualidade desta orientação e como se processa. Vamos fazer reflexões, analisar, entrevistar e aprofundar a situação actual para determinar a eficácia das políticas reguladoras da orientação vocacional e profissional. 5.1.4.1. Realidade em Portugal. Como foi analisado anteriormente, os Directores de Turma têm a cargo uma turma na qual levam a cabo, no início do ano lectivo, um estudo sobre as dificuldades e características das mesmas. Em conjunto com os restantes professores da turma, psicólogo e professor do Capítulo V – Desenho de Investigação ensino especial ou professor tutor são delineadas estratégias para combater as dificuldades apresentadas pela turma em geral e por alguns alunos em particular. São estabelecidos vários contactos com os pais e com os alunos, bem como são realizadas várias reuniões para todos os professores da turma (conselho de turma) para planearem todas estas estratégias. Os Directores de Turma possuem duas horas semanais dedicadas ao atendimento de pais e respectiva orientação. Aqui o psicólogo é também um orientador que ajuda o professor com os alunos mais problemáticos. No que refere aos professores tutores e aos planos de acção tutorial que as escolas podem desenvolver, podemos afirmar que são muito poucas as que decidem designar “professores tutores”. As escolas que optam por o fazer levam a cabo um plano de acção tutorial analisado anteriormente no capítulo três. Na maior parte das escolas, a responsabilidade em combater o insucesso escolar e o abandono, bem como a orientação profissional e vocacional, é atribuída aos professores directores de turma, psicólogos e outros agentes educativos. Dado que são escassas as escolas que possuem um PAT e levam a cabo a contratação de professores tutores, algumas delas por falta de condições, decidimos analisar criticamente o funcionamento dos departamentos de orientação em algumas escolas de Portugal e, por isso, usaremos a zona de Braga e periferia como amostra. Pretendemos saber as opiniões dos psicólogos e professores/Directores de Turma sobre como levam a cabo a acção tutorial, bem como se colaboram entre si e como o fazem para ajudar os alunos. Pretende-se perceber se os alunos que ingressaram na universidade com a intenção de seguir a carreira docente estão satisfeitos, tem sucesso e se receberam algum tipo de orientação anterior. Para isso pretendo responder às seguintes perguntas: • Quais são as funções dos psicólogos hoje em dia? • Trabalham em conjunto com os professores/Directores de Turma? • Seguem programas de intervenção? • As escolas possuem SPO? Se não como fazem para levar a cabo a orientação dos alunos? • Em que circunstâncias ajudam os alunos? Onde? • Recebem todos a orientação necessária para fazer uma escolha no ingresso da universidade? 221 222 Orientação Vocacional e Profissional • Qual a importância que atribuem ao papel de ambos os profissionais? • Existe colaboração entre psicólogos, professores e directores executivos? • Existe colaboração com os pais? • Os alunos que ingressaram na universidade com o intuito de seguirem a carreira docente, receberam orientação, tem sucesso e estão satisfeitos com a escolha? 5.1.5. Objectivos da investigação Tentaremos fazer opções porque não poderemos abarcar tudo ao mesmo tempo porque nem todas as abordagens são compatíveis, ou seja, como diz Sousa (2005) «Não procurar estudar o oceano, mas apenas uma das suas gotas.» Por isso o objectivo geral será: Analisar e aprofundar as estruturas de orientação e serviços especializados que com elas colaboram, das escolas secundárias do distrito de Braga e calcular o nível de orientação dos alunos universitários que ingressaram na carreira docente e que frequentam o primeiro ano da universidade. Os objectivos específicos serão: 1- Conhecer as funções dos psicólogos e directores de turma integrados nas escolas secundárias a partir de questionários; 1. Analisar o tipo de colaboração entre psicólogos, directores de turma, professores e conselhos executivos; 2. Analisar o valor dado às funções que prestam; 3. Analisar o valor e a percepção dos professores em relação às funções e actuações orientadoras do centro efectuando questionários aos mesmos; 4. Comprovar quem é que recebe orientação e para que efeitos; Capítulo V – Desenho de Investigação 5. Comprovar o grau de orientação dos alunos na escolha da profissão de professor, tirando conclusões a partir de questionários a alunos do 1º ano da universidade. 5.2. English translation 5.2.1. Research problem The problem is the guider that establishes the way for all the research. According to Sousa, A. (2005:44) «The problem is the purpose of the research, the goal that we intend to reach, the scientific question whose answer we search for.» Almost all the authors like: Barquero, 1989; Best, 1970; Bisquerra, 1989; Cohen & Manion, 1987; Gall, 1989; Mouly, 1978; Stenhouse, 1979; Travers, 1969 and others say that the problem is the starting point for any research. This question originates the study, the synthesis of the problem, having the research a purpose to look for an answer to this problem. The formulation of the problem is the definition of what we try to find. The following picture demonstrates how the problem emerges. The problem emerges, in research, due to the necessity: 1. To enlighten a gap in the pedagogic knowledge. (Barquero, 1989); 2. To study a new educational phenomenon (McGuigan, 1977); 3. To test programmatic, mythologies and educational techniques. (Mouly, 1978); 4. To analyze the pedagogic relations. (Estrela, 1986) Board 36: How does the problem emerge?, adapted by Sousa, A. (2005:45) Bearing in mind these ideas and trying to be unpretentious, logical and careful our main problem of this research is based on the following questions: • Do pre university students and future teachers receive the necessary vocational and professional orientation? • Do all of them receive orientation? • Who guides, how and in which circumstances? 223 224 Orientação Vocacional e Profissional • Do they follow any intervention programs? • How do this orientation functions in secondary Portuguese schools? • Is this orientation efficient and useful to the success of students that are in the university and does it take to their satisfaction? Why? We want, in fact, to know and determine the quality of this orientation and know how it is processed. Let´s make some reflections, analyze and interview about the actual situation to determine the competence of the administration of politics that controls the professional and vocational orientation. 5.2.1.1. Reality in Portugal. As it was seen in the beginning, the class directors have to guide a class in which they take along, in the beginning of the year, a study about the difficulties and characteristics of the same. Together with psychologist and teacher of special teaching or tutor, strategies are designed to face the difficulties presented by the class in general and by students in particular . Various contacts with parents and students are established, as well as lots of meetings for all the teachers of the class (class council) to plan all of these strategies. The class directors possess two hours per week to parents meetings and orientation. Here the psychologist is also a guider that helps the teacher with more problematic students. In what concerns to professors-tutors and to the action tutorial plans (PAT) that schools can develop, we can add that there are few of them that decide to attribute the title of professor tutor to someone. The schools that decide to design a tutorial plan do that as in the example analyzed in chapter three. In the majority of schools, the responsibility to face the lack of success and abandonment as well as the vocational and professional orientation is attributed to class directors, psychologists and other educational individuals. Once there are few schools that possess a PAT (and take along the idea of tutors, some of them, by lack of conditions), we decided to analyze critically the functioning of orientation structures in some Portuguese schools and, for that purpose, we used as sample Capítulo V – Desenho de Investigação the region of Braga and surroundings. We intend to know the psychologists’ and class directors’ opinions about how to take along the tutorial action, as well as if they work together and what they do to help students. We want to understand if students that go into university with the intention of following a teaching career are satisfied, have success and if they received any kind of orientation. For that, we aim to answer to the following questions: • What are the functions of psychologists nowadays? • Do they work together with class directors? • Do they follow any kind of intervention programs? • Do schools possess SPO? If not what do they do to guide students? • In what circumstances do they help students? Where? • Do students receive the necessary orientation to go to the university • Which importance do people attribute to both professionals? • Does collaboration exist between psychologists, teachers and class directors? • Does collaboration exist with parents? • Do students that come into the university with the purpose of following teaching careers received orientation, have success and are satisfied with their choice? 5.2.2. Research aims We will try to make options because we can’t analyze everything at the same time because not all the points of view are compatible, as Sousa, A. (2005) says «Don´t look to study all the ocean, but only some of its drops.» So, the main purpose will be: To analyze and penetrate in the orientation structures and specialized services that cooperate with them, from secondary schools of Braga district and surroundings and to calculate the level of orientation in university students that came into a teaching career and attend the first year of university. 225 226 Orientação Vocacional e Profissional The main specific purposes are: • To know the psychologists’ functions in secondary schools through questionnaires; • To analyze the existing collaboration between class directors and school director; • To analyze the value given to the functions they have; • To analyze the value and perception of teachers in relation to the school’s functions and orientation performances through questionnaires to class directors. • To prove who receives orientation and for what purposes? • To prove the students’ level of guidance when choosing the career of teacher, taking conclusions through questionnaires given to students in the first year of the university. 5.3. Instrumento de recolha de dados Instrumentos são meios técnicos que se utilizam para registar as observações ou facilitar o tratamento experimental (Bisquerra, 1989). Em investigação em educação um dos mais usuais é o questionário, entrevistas, descrições, videogravações….Thorndike (1914) referia que «Se uma coisa existe, existe em alguma quantidade; se existe em alguma quantidade, pode medir-se». Se as variáveis não são medidas com rigor, a investigação perde o seu valor. Dado que é uma metodologia descritiva, o método de trabalho escolhido foi o questionário, um instrumento bom para obter informação. O questionário é uma técnica que tem sido muito utilizada na investigação educativa (Colas y Buendía, 2001), (Fox, 1981), (Kerlinger, 1981), e o objectivo é obter informação de forma ordenada e sistemática. Um questionário interroga, pergunta e questiona. Deriva do termo latino quaestionariu e designa uma série de questões ou perguntas sobre um dado assunto. Poderemos dizer que o questionário é uma técnica de investigação em que se interroga, por escrito, uma série de sujeitos, tendo como objectivo conhecer as suas opiniões, atitudes, predisposições, sentimentos, interesses, expectativas, experiências pessoais, etc. Ao aplicarmos um questionário estamos a interrogar um determinado número de sujeitos, tendo em vista uma generalização, ou melhor, o suscitar de um conjunto de Capítulo V – Desenho de Investigação respostas individuais, em interpretá-las e generalizá-las. Os questionários são utilizados em investigações para se obterem informações directamente provenientes dos sujeitos, que depois se convertem em dados susceptíveis de serem analisados. Segundo Hoinville & Jowell (1978) as três questões imprescindíveis para se efectuar a planificação de qualquer investigação baseada em questionários são: 1. O exacto objectivo do questionário; 2. A população que se pretende estudar; 3. Os recursos de que se dispõe. De salientar que o questionário utilizado por nós é misto, ou seja, contêm respostas abertas e fechadas. 5.3.1. Vantagens do questionário Nós achamos pertinente usar este tipo de recolha de dados por vários motivos. Como nos indica Munn & Drever (1995), um questionário oferece informação estandardizada e todos os inquiridos respondem às mesmas perguntas ao mesmo tempo, logo a comparação entre as respostas é muito mais valiosa. Para além disso, economiza tempo que é tão valioso para a nossa investigação dado que toda a gente se encontra a responder ao mesmo tempo e responde no momento que achar mais adequado. Na mesma linda de pensamento está Rojo (2001) «El Cuestionario es un medio útil y eficaz para recoger información en un tiempo relativamente breve». Para além disso, se o questionário for entregue em mãos como decidimos fazer, não será susceptível de se perder pelo correio ou até de se atrasar. Como é anónimo a pessoa inquirida pode responder com sinceridade. Também, Sousa (2005:206) refere as vantagens de um questionário que foram tidas em contas por nós: • Podem ser aplicados simultaneamente a um grande número de indivíduos; 227 228 Orientação Vocacional e Profissional • Mesmo que os sujeitos estejam dispersos por uma área geográfica extensa, o questionário pode ser enviado e devolvido pelo correio; • Obtêm-se dados de uma forma relativamente rápida; • Garante anonimato dos inquiridos, o que leva a uma maior veracidade das respostas dadas; • Os questionários permitem que os sujeitos respondam no momento que julguem mais conveniente; • Não há circunstâncias externas que possam influenciar as respostas dos questionários; • Obtêm-se respostas que de outro modo seriam inacessíveis. Segundo Rojo (2001) as respostas fechadas têm muitas vantagens entre as quais: • É fácil de classificar e analisar; • É fácil de responder; • É objectivo. No entanto tivemos em conta o que o autor nos diz: «Para poder formular preguntas cerradas es necesario anticipar las posibles alternativas de respuestas» (Rojo, 2001). Como não podemos antecipar todas elas incluímos em algumas respostas a categoria “outros” ou “sem opinião”. Na nossa investigação escolhemos o questionário como um instrumento de recolha de dados por estes motivos. Para além disso, no nosso caso o questionário busca informação descritiva como o sexo, idade e habilitações e procura encontrar informação de natureza quantitativa ou qualitativa. No entanto a nossa maior razão para esta escolha baseia-se naquilo que nos diz Muñoz (2003) «El cuestionario es un instrumento muy útil para la recogida de datos, especialmente de aquellos difícilmente accesibles por la distancia o dispersión de los sujetos a los que interesa considerar, o por la dificultad para reunirlos. Permite, además, en paralelismo con la entrevista, identificar y sugerir hipótesis y validar otros métodos.» Para além de poder ser usado juntamente com a entrevista, foi pela razão de ser difícil reunir todos os indivíduos, que quisemos utilizar o questionário Capítulo V – Desenho de Investigação com respostas igualmente abertas para os inquiridos poderem expressar-se mais facilmente quando falamos da questão da orientação vocacional e profissional. Este tipo de questionário proporciona respostas de maior profundidade, ou seja dá ao sujeito uma maior liberdade de resposta, podendo esta ser redigida pelo próprio. No entanto a interpretação e o resumo deste tipo de questionário é mais difícil dado que se pode obter um variado tipo de respostas, dependendo da pessoa que responde ao questionário. As vantagens deste tipo de questionário misto segundo Rojo (2001) são: prezam o pensamento livre e a originalidade; surgem respostas mais variadas; respostas mais representativas e fiéis da opinião do inquirido; o inquirido concentra-se mais sobre a questão; vantajoso para o investigador, pois permite recolher variada informação sobre o tema em questão. Para além disso, relativamente às perguntas abertas o mesmo autor refere que: “Las preguntas abiertas son particularmente útiles cuando no tenemos información sobre las posibles respuestas de las personas o cuando esta información es insuficiente.” Para além disso, estas respostas abertas funcionam perfeitamente e são profícuas aquando a triangulação dos dados, pois nelas recolhemos e analisamos os dados desde distintos ângulos para compará-los e interpretá-los. (Colás Bravo, 1992) Dado que cada escola tem um psicólogo e algumas turmas de 12º ano entregamos este questionário a cerca de 20 escolas secundárias que ficam bastante dispersas entre si e o questionário torna-se muito útil para obter rapidamente respostas e dados sem ser preciso reunir os indivíduos. 5.3.2. Desvantagens dos questionários Como todos os outros instrumentos, também o questionário apresenta as suas desvantagens. Segundo Sousa (2005:206) as desvantagens deste instrumento de investigação poderiam ser as seguintes: • Não é aplicável a pessoas que não saibam ler e escrever, o que limita a sua utilização em investigações com crianças na pré-escolaridade; • Não permite saber em que é que o sujeito estava a pensar no momento em que respondeu, o que poderá ser importante na avaliação qualitativa das suas respostas; 229 230 Orientação Vocacional e Profissional • Os sujeitos podem não responder a todas as perguntas, devolvendo o questionário sem as respostas a algumas questões importantes; • O questionário não oferece a garantia de que a maior parte os devolva, o que pode fazer com que a amostra se torne insuficiente; • Apenas aborda um pequeno número de questões, uma vez que quantas mais perguntas houver maior é a probabilidade de não serem respondidas; • Podem surgir dificuldades de objectividade, uma vez que a mesma pergunta pode ser interpretada de maneira diferente por sujeitos diferentes. Algumas desvantagens de possuir respostas abertas poderão ser: • Dificuldade em organizar e categorizar as respostas; • Requer mais tempo para responder às questões; • Muitas vezes a caligrafia é ilegível; • Em caso de baixo nível de instrução dos inquiridos, as respostas podem não representar a opinião real do próprio. Na nossa investigação, achamos pouco provável algumas destas situações ocorrerem, dado que o público-alvo são pessoas com escolaridade, neste caso um questionário será para ser preenchido pelos orientadores ou psicólogos das escolas e pelos professores/Directores de Turma e outro pelos alunos do 1º ano da universidade. O questionário é entregue em mãos, o que não permite a fácil perda dos mesmos. Elaboramos um questionário que pretende ser o mais objectivo possível, evitando assim segundas interpretações. As perguntas são abertas e fechadas e pretende-se comparar as mesmas para se chegarem a conclusões. Capítulo V – Desenho de Investigação 5.3.3. Fiabilidade e validação Segundo Hill & Hill (2002) «A fiabilidade e validade de uma medida não são a mesma coisa e têm uma relação estranha. Uma medida pode ter boa fiabilidade e ter pouca validade mas sem a fiabilidade adequada, a medida não pode ter a validade adequada.» (p.149). O que daqui se depreende é que é preciso uma fiabilidade adequada mas que não é suficiente para garantir a validade adequada. Em geral, uma variável latente12 é formada por várias “variáveis componentes” e por vezes cada uma destas componentes tem, por sua vez, vários aspectos. Os itens do questionário medem directamente os aspectos das componentes e a variável latente. O questionário tem validade de conteúdo adequada quando os itens formam uma amostra representativa de todos os itens disponíveis para medir os aspectos. No que diz respeito à fiabilidade, diz-se que uma medida de uma variável latente é fiável se for consistente. O questionário será utilizado para retirar as informações e percepções de psicólogos e directores de turma relativamente à orientação vocacional e profissional prestada nas escolas secundárias. Questionários diferentes serão utilizados para os alunos do 1º ano da universidade de modo a sabermos a sua opinião relativamente à orientação vocacional que receberam e perceber se esta foi ou não eficaz. Relativamente ao primeiro pretenderemos saber a sua formação, que tipo de apoio é dado por parte deles, as suas funções, com quem trabalham e saber alguns aspectos gerais. Em relação aos professores directores de turma tentaremos saber se estes colaboram com os psicólogos, como, em que circunstâncias, se conhecem a legislação e se informam os alunos sobre saídas profissionais. Em relação aos alunos serão feitas perguntas como o tipo de curso frequentam, se corresponde ao curso que pretendiam, grau de satisfação, nº de vezes que pediram orientação, se receberam orientação, quem a forneceu, aspectos gerais sobre o seu conhecimento a nível de profissões e ajudas relacionadas com a orientação. 12 Variável latente é o termo usado por Hill & Hill para designar as variáveis componentes que podem ser medidas a partir de perguntas de um questionário. A estas perguntas dá-se tecnicamente o nome de itens de um questionário. Deve haver pelo menos um item e de preferência 4 a 6 itens para medir cada uma das variáveis componentes. Logo a variável latente é medida pelas componentes que a compõe. Esta variável não pode ser observada nem medida directamente mas definida a partir de um conjunto de variáveis componentes a que podemos dar o nome de “itens”. Estes itens segundo os autores podem não ser adequados para medir a variável latente e por isso podem ser alterados ou retirados. A fiabilidade e a validade são outros pontos a ter em conta para determinar a adequacidade do questionário e medir a variável latente. 231 232 Orientação Vocacional e Profissional Todos os questionários serão portadores de variáveis independentes que são chamadas por Sierra Bravo (1988) de “preguntas de identificación” que são «aquellas que se refieren a las características básicas de las unidades de observación. Conocidas en el ámbito sajón como background, son fundamentales porque suelen constituir las variables independientes principales en una investigación experimental. En el caso de las personas serían: edad, sexo, estado civil, región de nacimiento y de residencia, profesión, estudios, ingresos…» A validação dos questionários foi feita através da experiência realizada numa amostra piloto. Segundo Rojo (2001) «Antes de aplicar un cuestionario a un grupo numeroso, conviene experimentarlo en un grupo reducido de características lo más semejantes a las personas a las que se va a encuestar. Esta aplicación previa tiene por objeto detectar preguntas e instrucciones ambiguas que posteriormente pueden restar validez al instrumento. Es lo que se denomina cuestionario piloto de la prueba.» Seleccionamos dez escolas do Porto e passamos os respectivos questionários. Contactamos com alguns professores da universidade e das escolas bem como psicólogos para que nos dessem a sua opinião relativamente a algumas questões. Para além disso, pedimos opinião a especialistas em matéria de metodologia de investigação. Entrevistamos inclusive alunos para que nos dissessem a pertinência de algumas questões que colocamos e se estavam adaptadas à realidade escolar. Alguns professores e alunos sugeriram a alteração de algumas questões bem como a inserção de outras. Com estas entrevistas pessoais foi possível perceber que algumas perguntas não eram bem explícitas e que a escala adoptada não era a melhor. Sendo assim, procedeu-se à melhoria desses defeitos e testamos os questionários nas dez escolas do Porto. Adoptamos, assim, uma investigação quantitativa, qualitativa (perguntas abertas do questionário) e descritiva. Para isso elaboramos três questionários: • Questionário para os Directores de turmas do 12º ano; • Questionário para psicólogos das escolas secundárias; • Questionário direccionado a alunos da universidade. A análise da fiabilidade dos questionários não considerou as respostas de sim e não nem as respostas relacionadas com sexo, idade entre outras por não se considerarem 233 Capítulo V – Desenho de Investigação respostas em que podemos depreender a opinião da pessoa inquirida. Neste tipo de respostas obtém-se informação mas não a valorização de uma opinião. Por isso, dado que o objectivo do questionário dos alunos era esse, obter informação sobre a orientação recebida no secundário, não achamos pertinente testá-lo. Para além disso, para termos uma ideia das opiniões dos alunos relativamente a este assunto foram realizadas perguntas abertas. Achamos que não vale simplesmente saber se o aluno teve orientação ou não e se procurou ajuda, também pedimos a sua opinião que consideramos ser mais bem expressa numa resposta aberta em forma de entrevista. No final dos questionários foi-nos, igualmente, permitido ouvir os alunos relativamente a este assunto. Apresentamos o gráfico seguinte que nos sintetiza as alterações sofridas pelo questionário com o intuito de obtermos um questionário altamente fiável: Questionário original de Torres del Moral, C. (2005) Transformações ¬ ¬ ¬ Revisões de especialistas em matéria de metodologia de investigação; Reformulação de ítems ambíguos e da escala das respostas. Pré-testagem em indivíduos e anáise com alpha de cronbach. Questionário definitivo ¬ Opinião de professores, psicólogos e alunos para o adaptar à realidade escolar e perceber as dificuldades ao responder. Figura 3: Transformações do questionário. Sendo assim, seguimos o modelo de Alpha de Cronbach para determinarmos a fiabilidade estatística e valorizamos as seguintes dimensões: Aspectos gerais, Apoio na acção tutorial, atenção à diversidade e orientação vocacional e profissional. Os resultados foram os seguintes: 234 Orientação Vocacional e Profissional - Questionário dos directores de turma: Reliability Statistics Cronbach's Alpha N of Items ,948 28 O resultado do alpha é 0,948 o que supõe uma boa fiabilidade estatística. - Questionário dos psicólogos: Reliability Statistics Cronbach's Alpha N of Items ,928 28 O resultado do alpha é 0,928 o que mostra fiabilidade estatística. 5.4. Variáveis da investigação No nosso estudo vamos falar de variáveis dependentes e independentes. As variáveis independentes apesar de serem objecto de análise por parte do programa SPSS e de não serem objecto de análise por parte do alpha de cronbach são a base das variáveis dependentes. Para Fox (1981) a variável indica uma característica que num dado projecto de investigação pode ter mais de um valor. Capítulo V – Desenho de Investigação O total das variáveis estudadas nos questionários de ambos directores de turma e psicólogos foram 100. No que diz respeito às variáveis do questionário dos alunos estas são 24. Tanto o questionário dos directores de turma como o dos psicólogos são compostos por 10 variáveis independentes: 1- Sexo; 2- Idade; 3- Estado civil; 4- Situação profissional; 5- Espaço social da escola; 6- Ensino que é levado a cabo na escola; 7- Experiência como docente; 8- Trabalha a tempo parcial ou total; 9- Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu; 10- Habilitações. No caso do questionário dos directores de turma este é composto por 40 variáveis dependentes distribuídas em quatro grupos: 1ª parte: Aspectos gerais – 9 variáveis em que uma é de resposta aberta; 2ª parte: Apoio na acção tutorial – 11 variáveis em que duas são de resposta aberta; 3ª parte: Atenção à diversidade – 11 variáveis em que uma é de resposta aberta; 4ª parte: orientação vocacional e profissional – 9 variáveis em que duas são de resposta aberta. Relativamente ao questionário dos psicólogos este é composto por 40 variáveis dependentes distribuídas igualmente em quatro grupos e diferindo apenas no número de variáveis em cada parte: 235 236 Orientação Vocacional e Profissional 1ª parte: Aspectos gerais – 9 variáveis em que uma é de resposta aberta; 2ª parte: Apoio na acção tutorial – 9 variáveis em que uma é de resposta aberta; 3ª parte: Atenção à diversidade – 13 variáveis em que uma é de resposta aberta; 4ª parte: orientação vocacional e profissional – 9 variáveis em que duas são de resposta aberta. 5.5. Descrição da amostra Segundo nos indica Colás e Buendía (2001) a amostra é um subconjunto de sujeitos pertencentes a uma população determinada. Depois de contactar com o ministério da educação, com a dgic e após uma inscrição e explicação detalhada do meu estudo nas escolas, foi-me autorizado entregar os questionários às escolas para as quais pretendíamos estudar. Em seguida, escolhemos convidar 25 escolas para participarem neste projecto, mas infelizmente, e porque não podemos esperar muito tempo pela resposta de todas, 19 escolas aceitaram participar, o que consideramos ser muito bom, dado a complexidade de conseguir obter resultados rápidos em escolas tão diferentes e dispersas entre si. Segundo Hernández Sampiere et al. (2006) «Amostra é qualquer parte de uma população/universo, com as mesmas características. Ao se pretender conhecer aspectos de uma população, há dois caminhos a seguir, ou se pesquisam todos os elementos, e neste caso é chamado de censo, ou apenas uma amostra deles.» Neste caso escolhemos esta amostra. São escolas tanto da cidade como da periferia. Cada uma dessas escolas possui mais do que uma turma do 12º ano. Não podemos precisar quantas turmas de 12º ano existem em cada escola, pois estas variam de acordo com a inscrição dos alunos nesse ano. Por isso, como essa informação é muito específica introduzimos no envelope entre seis a sete questionários para os directores de turma e quando nos dirigimos às escolas pedimos para que caso existissem mais turmas solicitassem mais questionários ou fotocopiassem. Houve escolas que o fizeram e outras em que os questionários sobraram. Pela conversa com as escolas foram muito poucos os directores de Turma que não preencheram os questionários. Relativamente aos psicólogos todos preencheram inclusive nas escolas que possuíam mais 237 Capítulo V – Desenho de Investigação do que um. No que concerne aos alunos todos os alunos convidados preencheram os questionários, ou seja, um total de 38 alunos numa turma do 1º ano da universidade. Os questionários foram entregues em mão com uma carta de apresentação do trabalho que está a ser desenvolvido. Relativamente aos questionários dos alunos, estes foram igualmente entregues em mão com a carta de apresentação. Para além de os questionários estarem identificados com a informação sobre a universidade e o trabalho que está a ser desenvolvido também possuíam a direcção para facilitar a devolução da informação, pois foi dada a possibilidade de entregar via correio. Em alguns casos, foi estabelecido o contacto via e-mail e telefone e em noutros casos recolhemos em mãos os questionários dirigindo-nos às escolas. Sendo assim a informação sobre a amostra poderá ser mais visível no seguinte quadro: PÚBLICO-ALVO AMOSTRA AMOSTRA PERCENTAGEM DA CONVIDADA ACEITE POPULAÇÃO QUE ACEITOU Directores de Turma de 12º ano 25 escolas 19 escolas – 73 directores de turma 72% Psicólogos 25 escolas 19 escolas – 20 psicólogos 72% Alunos 37 alunos 37 alunos 100% Quadro 37: Síntese da amostra Julgamos que a amostra é bastante representativa e relevante. Consideramos que em 25 escolas o facto de 19 terem respondido afirmativamente ao nosso pedido é muito bom. Algumas escolas enviaram os seus questionários via correio, no entanto, fizemos questão de visitar algumas delas que não nos responderam até à data solicitada. Nessas visitas conseguimos obter mais população. No entanto, sabemos, igualmente, que em todas as escolas nem todos os directores de turma das turmas de 12º ano responderam aos questionários ou porque estavam ausentes no momento de entrega ou simplesmente porque não o preencheram, no entanto, penso que amostra que temos de directores de turma é 238 Orientação Vocacional e Profissional bastante representativa e os poucos que não participaram acabam por não inviabilizar os resultados. Relativamente aos psicólogos todas as escolas que aceitaram enviaram a resposta ao nosso pedido, afirmando, em alguns casos, através de um ofício, que a escola não possuía psicólogo. Logo, apesar de termos 19 escolas os psicólogos são vinte pois há escolas que tem mais de um e outras que não possuíam psicólogo até à data. Estamos satisfeitos com o nosso trabalho uma vez que no mundo das escolas é bastante complexo e difícil conseguir-se reunir todos os profissionais que desejamos envolver no nosso trabalho, daí termos feito um esforço e fazermos algumas deslocações e telefonemas às escolas. Relativamente à universidade do Minho onde fizemos a nossa pesquisa, estamos bastantes contentes com o envolvimento e participação tanto de alunos como de professores. Os professores disponibilizaram-se sempre para ajudar, conseguiram reunir todos os alunos do 1º ano do curso que dá possibilidade de seguir a carreira docente no 4º ano (modelo de Bolonha) e entregaram os questionários. 5.6. Técnicas de análise de dados. Analisar significa que vamos obter, resumir respostas a perguntas de investigação, ou seja, tratar os dados para inferir as conclusões. Enquanto antigamente efectuar manualmente e com calculadora os dados estatísticos de uma investigação demorava imenso tempo, com os computadores e softwares estatísticos depende-se apenas de algumas horas. Por isso, como tratamento de dados será realizado pelo sistema informático SPSS 17.0, um dos mais utilizados pelos investigadores da área das ciências sociais. A razão para a escolha deste programa deve-se ao facto de ser um dos eleitos pela comunidade de investigação. Para além disso, ser-nos-ia muito doloroso fazer cálculos de fiabilidade, análise factorial e até estabelecer comparações. Com o SPSS e após a introdução da base de dados é muito mais fácil procedermos a testes para obtermos conclusões. Com este programa elaboramos tabelas de contingência juntamente com os gráficos de barras e com o teste de chi-quadrado, tabelas de frequência juntamente com a percentagem, média, desvio padrão, gráficos de barras e gráficos circulares. Foi, ainda, realizado o teste de Mann Whitney U de forma a aprofundar mais o resultado do chiquadrado e comprovar que os resultados eram significativos. Por fim, foi realizada a Capítulo V – Desenho de Investigação análise factorial com o teste de KMO e Barlett com o intuito de descobrir as componentes detectadas bem como a adequação das questões e a sua factibilidade. 5.7. Análise descritiva dos dados de investigação As variáveis de identificação são comuns tanto para directores de turma como psicólogos: Sexo; idade; estado civil; situação profissional; espaço social da escola; ensino que é levado a cabo na escola; experiência como docente; trabalha a tempo inteiro ou parcial; número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu e habilitações. Para além disso, há questões que são comuns aos dois questionários de directores de turma e psicólogos. Como tal, tanto as variáveis de identificação como as variáveis comuns a ambos questionários serão analisadas com tabelas de contingência com percentagens e os gráficos de barra para podermos comparar as respostas dadas pelos directores de turma e pelos psicólogos. As variáveis não comuns, ou seja, as perguntas que só poderiam ser feitas a psicólogos ou directores de turma serão analisadas através de tabelas de frequência com desvio padrão e os respectivos gráficos de barras. No caso dos alunos, uma vez que as perguntas baseiam-se em respostas de “sim” e não” decidimos analisar com tabelas de frequência juntamente com desvio padrão e gráfico de bola. 239 240 241 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 6. Análise e interpretação dos resultados Após a justificação alargada do nosso estudo no capítulo anterior, apresentamos neste capítulo a análise feita através de gráficos e tabelas para obtermos resultados que possam ser pertinentes para o nosso estudo. Sendo assim, dividimos todos os grupos de variáveis para ser mais fácil ao leitor perceber a comparação que estabelecemos entre as respostas dadas pelos psicólogos e directores de turma. Para além disso, mostramos como são os resultados significativos através de testes estatísticos e da análise factorial. No final, fazemos a triangulação dos dados para que o leitor perceba a ligação e as diferenças de opiniões entre alunos, professores e psicólogos. 6.1. Análise através de tabelas de contingência e gráfico de barras das questões comuns aos psicólogos e directores de turma. Iniciamos a análise dos dados com uma tabela geral juntamente com a média e o desvio padrão salientadas a negrito e a azul as questões que revelaram resultados significativos que vão ser analisadas mais profundamente : N Colabora com os 93 professores e conselho executivo na orientação dos alunos? Existe um plano de acção 93 tutorial? Se respondeu sim, indique a 37 frequência da sua participação na realização do mesmo Enquanto director/a de 73 turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? Mean 4,76 Std. Deviation 1,057 Variance 1,117 7,99 ,787 ,619 3,70 1,051 1,104 4,58 ,896 ,803 242 Orientação Vocacional e Profissional Recorre aos pais na 93 orientação do aluno? Está a par dos programas 73 de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? Como director/a de 93 turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? As reuniões do conselho de 93 turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: O grau de colaboração dos 93 psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: Colaborar nas actividades 93 educativas é: Manter uma relação com os 93 pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: Colaborar com os professores 73 e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: Preparar e avaliar as 93 práticas orientadoras é: O valor dado pela 93 comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: Considera o seu trabalho 73 como director/a de turma: Manter conversas periódicas 93 com os outros professores ou psicólogo, quando existente, /professores e Directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: Dá apoio a alunos com 93 N.E.E.? Colabora na detecção de 93 problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? 4,29 ,636 ,404 4,71 ,736 ,541 3,92 ,612 ,375 12,84 ,517 ,267 15,58 ,851 ,724 12,89 ,345 ,119 12,92 ,265 ,070 12,82 ,385 ,148 12,38 ,509 ,259 16,13 ,679 ,461 12,88 ,331 ,110 12,92 ,265 ,070 3,75 ,637 ,406 5,37 ,906 ,821 243 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Colabora, sempre que 73 possível, com o psicólogo(a)? Intervém directamente com 93 os alunos que apresentam problemas de comportamento? Pede colaboração de outros 93 agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Encaminha para outros 93 serviços alunos que apresentam problemas? Ajuda os professores 73 pertencentes ao conselho de turma nas relações com os alunos e vice-versa? Colabora com os 93 professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? Intervém nas famílias de 93 risco? Orienta os seus alunos 93 vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? Ajuda os alunos nos 93 momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Ajuda só os alunos que o/a 93 procuram? Pede informações sobre 73 saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? Há um interesse da escola 93 relativamente à orientação vocacional e profissional? Intervém directamente com 93 os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? 5,52 ,729 ,531 5,46 ,652 ,425 4,88 ,750 ,562 5,19 ,798 ,636 5,36 ,734 ,538 5,59 ,594 ,353 4,48 ,802 ,644 5,01 ,634 ,402 4,75 ,717 ,514 9,57 2,438 5,943 10,64 4,398 19,344 8,22 1,458 2,127 4,48 ,701 ,492 244 Orientação Vocacional e Profissional Ajuda os alunos a 93 desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? 5,40 ,662 ,438 Quadro 38: Quadro geral com os valores da média e do desvio padrão 6.1.1. Análise do Grupo A – Dados de identificação As diferenças estatísticas foram calculadas pelas seguintes opções estatísticas cujo os cálculos se encontram a seguir : - Phi: “Sexo” e “trabalha a tempo total ou parcial” - Chi-quadrado de Pearson: Idade, estado civil, situação profissional, espaço social da escola, ensino levado a cabo na escola, experiência como docente, trabalha a tempo total ou parcial, número de cursos, habilitações e todas as perguntas fechadas. Para melhor guiar quem lê o nosso estudo, decidimos introduzir nas tabelas que ilustram o teste do chi-quadrado a palavra “Não” a negrito indicando que não há diferenças significativas de opinião e a palavra “Sim” quando há diferenças significativas. A.1 – Sexo É visível que 57,5% dos directores de turma são do sexo feminino bem como 80% dos psicólogos. O phi prova-nos que existem poucas diferenças estatísticas, apresentando-nos um valor de 0,66. 245 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Tabela de contingência Sexo Feminino masculino Total Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Count 42 31 73 % within Cargo 57,5% 42,5% 100,0% % within Sexo 72,4% 88,6% 78,5% % of Total 45,2% 33,3% 78,5% Count 16 4 20 % within Cargo 80,0% 20,0% 100,0% % within Sexo 27,6% 11,4% 21,5% % of Total 17,2% 4,3% 21,5% Count 58 35 93 % within Cargo 62,4% 37,6% 100,0% % within Sexo 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 62,4% 37,6% 100,0% Quadro 39: Tabela de contingência da variável “A-1”. Prova do Phi Approx. Value Sig. Nominal Nominal by Phi -,191 Cramer's V ,191 N of Valid Cases 93 ,066 ,066 Não Quadro 40: Prova do Phi da variável “A-1”. Assinalamos a negrito que não há diferenças significativas, embora seja nos psicólogos onde há mais percentagem do sexo feminino como se pode comprovar na tabela de contingência e no gráfico de barras: Figura 4: Gráfico da variável “A-1”. 246 Orientação Vocacional e Profissional A.2 – Idade No que concerne à idade, visualizamos que tanto directores de turma (65,8%) como psicólogos (40%) estão inseridos na faixa dos 36 a 45 anos. Tabela de contingência Idade menos de 31-35 30 anos anos Cargo 36-45 anos Total mais de 56 46-55anos anos 0 11 48 12 2 73 % within Cargo ,0% 15,1% 65,8% 16,4% 2,7% 100,0% % within idade ,0% 61,1% 85,7% 100,0% 100,0% 78,5% ,0% 11,8% 51,6% 12,9% 2,2% 78,5% 5 7 8 0 0 20 % within Cargo 25,0% 35,0% 40,0% ,0% ,0% 100,0% % within idade 100,0% 38,9% 14,3% ,0% ,0% 21,5% 5,4% 7,5% 8,6% ,0% ,0% 21,5% 5 18 56 12 2 93 % within Cargo 5,4% 19,4% 60,2% 12,9% 2,2% 100,0% % within idade 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 5,4% 19,4% 60,2% 12,9% 2,2% 100,0% Count Directores de Turma % of Total Psicólogos Count % of Total Total Count % of Total Quadro 41: Tabela de contingência da variável “A-2”. A prova dos chi-quadrado indica-nos diferenças estatísticas, apresentando um valor de 0,00 pois como nos indica o gráfico de barras há, ainda, bastantes directores de turma na faixa etária dos 31-35 anos e dos 46-55 anos ,assim como os psicólogos, se dividem pela faixa etária “menos de 30 anos”, “31-35 anos” e “36-45 anos”. 247 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Teste do Chi quadrado Value Pearson ChiSquare Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 27,037 Df a 26,837 21,584 Asymp. Sig. (2sided) 4 ,000 4 1 ,000 ,000 93 Sim Quadro 42: Teste do chi quadrado da variável “A-2”. Figura 5: Gráfico da variável “A2”. A.3 – Estado Civil 69,9% dos directores de turma são casados, no entanto 20,5% são solteiros, assim como, os psicólogos que se dividem entre solteiros e casados, sendo que 45% são solteiros. Tabela de Contingência Estado civil divorciado(a solteiro(a) casado(a) viúvo(a) ) Total Cargo Directores de Turma Psicólogos Count 15 51 0 7 73 % within Cargo 20,5% 69,9% ,0% 9,6% 100,0% % within estado civil 62,5% 86,4% ,0% 87,5% 78,5% % of Total 16,1% 54,8% ,0% 7,5% 78,5% Count 9 8 2 1 20 248 Orientação Vocacional e Profissional Total % within Cargo 45,0% 40,0% 10,0% 5,0% 100,0% % within estado civil 37,5% 13,6% 100,0% 12,5% 21,5% % of Total 9,7% 8,6% 2,2% 1,1% 21,5% Count 24 59 2 8 93 % within Cargo 25,8% 63,4% 2,2% 8,6% 100,0% % within estado civil 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 25,8% 63,4% 2,2% 8,6% 100,0% Quadro 43: Tabela de contingência da variável “A-3”. Segundo a prova do Chi-quadrado (,004) há diferenças significativas no estado civil de ambos os profissionais, assinalado no quadro anterior a negrito com a palavra “Sim”. Podemos visualizar a diferença no seguinte gráfico e barras: Teste do Chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 13,528 12,212 1,400 Df a 3 3 1 Asymp. Sig. (2sided) ,004 ,007 ,237 93 Sim Quadro 44: Teste do Chi quadrado da variável “A-3”. Figura 6: Gráfico da varivel “A-3” 249 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados A.4 – Situação profissional 76,7% dos directores de turma têm uma situação profissional mais estável do que os psicólogos. Por sua vez, estes dividem-se entre contratados e definitivos bem como 20% ainda escolhem a opção “outros” escrevendo no espaço destinado a tal que esta situação é precária e trabalham não como contratados mas a recibos verdes. De facto, para além de constatarmos que algumas escolas não possuem psicólogo, outras contratam-nos a recibos verdes. Tabela de contingência situação profissional definitivo(a contratado(a) ) outros Cargo Directores Turma de Psicólogos Total Total Count 5 56 12 73 % within Cargo 6,8% 76,7% 16,4% 100,0% % within situação profissional 38,5% 87,5% 75,0% 78,5% % of Total 5,4% 60,2% 12,9% 78,5% Count 8 8 4 20 % within Cargo 40,0% 40,0% 20,0% 100,0% % within situação profissional 61,5% 12,5% 25,0% 21,5% % of Total 8,6% 8,6% 4,3% 21,5% Count 13 64 16 93 % within Cargo 14,0% 68,8% 17,2% 100,0% % within situação profissional 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 14,0% 68,8% 17,2% 100,0% Quadro 45: Tabela de contingência da variável “A-4”. Segundo teste do chi quadrado há diferenças significativas, pelo que o resultado é ,000, o que indica as diferenças na situação profissional de psicólogos e directores de turma. Teste do chi-quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 15,533a 13,283 ,048 93 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,001 ,826 Sim Quadro 46: Teste do Chi quadrado da variável “A-4” 250 Orientação Vocacional e Profissional Através do gráfico de barras denotamos que são os directores de turma que mais estabilidade profissional têm: Figura 7: Gráfico da variável “A-4” A.5 – Espaço social da escola 63% dos directores de turma e 70% dos psicólogos afirmam que a escola se situa num espaço rural e urbano. Há semelhanças no espaço social da escola, o que é normal porque a maioria das escolas no distrito de Braga estão inseridas num espaço rural e urbano. Tabela de contingência Espaço social da escola Urbano Cargo Directores de Turma Psicólogos Total rural rural e urbano Total Count 15 12 46 73 % within Cargo 20,5% 16,4% 63,0% 100,0% % within Espaço social da 93,8% escola 70,6% 76,7% 78,5% % of Total 16,1% 12,9% 49,5% 78,5% Count 1 5 14 20 % within Cargo 5,0% 25,0% 70,0% 100,0% % within Espaço social da 6,3% escola 29,4% 23,3% 21,5% % of Total 1,1% 5,4% 15,1% 21,5% Count 16 17 60 93 251 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados % within Cargo 18,3% 64,5% 100,0% % within Espaço social da 100,0% escola 17,2% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 18,3% 64,5% 100,0% 17,2% Quadro 47: Tabela de contingência da variável “A-5” Através do teste do chi quadrado denotamos que não há diferenças significativas, uma vez que ,228 é o resultado. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 2,954a 3,556 1,329 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,228 ,169 ,249 93 Não Quadro 48: Teste do Chi quadrado da variável “A-5” O gráfico de barras mostra, igualmente, a mancha vermelha em ambos os lados, o que mostra que há coincidência de resultados. Figura 8: Gráfico a variável “A-5” 252 Orientação Vocacional e Profissional A.6 – Ensino que é levado a cabo na escola 100% dos psicólogos afirma que o ensino levado a cabo na escola é compreendido entre o 7º ano e o 12º bem como 84,9% dos directores também enquadra a sua escola nestes anos, o que é normal porque a maioria das escolas secundárias portuguesas possuem ensino do 7º ao 12º ano. Tabela de contingência Ensino que é levado a cabo na escola 10º ao 12º 7º ao 12º ano ano 5º ao 12º ano Total Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Count 9 62 2 73 % within Cargo 12,3% 84,9% 2,7% 100,0% % within Ensino que é levado a cabo na escola 100,0% 75,6% 100,0% 78,5% % of Total 9,7% 66,7% 2,2% 78,5% Count 0 20 0 20 % within Cargo ,0% 100,0% ,0% 100,0% % within Ensino que é levado a cabo na escola ,0% 24,4% ,0% 21,5% % of Total ,0% 21,5% ,0% 21,5% Count 9 82 2 93 % within Cargo 9,7% 88,2% 2,2% 100,0% % within Ensino que é levado a cabo na escola 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 9,7% 88,2% 2,2% 100,0% Quadro 49: Tabela de contingência da variável “A-6” Através do teste do chi quadrado e do seu resultado ,181, denotamos que não há diferenças significativas: Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 3,418a 5,719 1,268 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,181 ,057 ,260 93 Não Quadro 50: Teste do Chi quadrado da variável “A-6” 253 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados O gráfico de barras e mancha verde mostra-nos, igualmente, que a maioria das escolas possuem um ensino desde 7º ao 12º ano. Figura 9: Gráfico da variável “A-6” A.7 – Experiência como docente/psicólogo 50,7% dos directores de turma têm uma experiência de ensino entre 9 a 15 anos, bem como 55% dos psicólogos, no entanto, ainda 20% dos psicólogos têm uma experiência de 4 a 8 anos e 39,7% dos directores de turma de 15 a 20 anos. As restantes percentagens dividemse pelas outras faixas etárias. Tabela de contingência Experiência como docente/psicólogo 0-3 anos Cargo Directores de Turma Psicólogos Total 9 a 4 a 8 anos anos 15 15 a anos 20 mais de 20 anos Total Count 0 0 37 29 7 % within Cargo ,0% ,0% 50,7% 39,7% 9,6% 100,0% % within Experiência como docente/psicólogo ,0% ,0% 77,1% 93,5% 87,5% 78,5% % of Total ,0% ,0% 39,8% 31,2% 7,5% 78,5% Count 2 4 11 2 1 20 % within Cargo 10,0% 20,0% 55,0% 10,0% 5,0% 100,0% % within Experiência como docente/psicólogo 100,0% 100,0% 22,9% 6,5% 12,5% 21,5% % of Total 2,2% 4,3% 11,8% 2,2% 1,1% 21,5% Count 2 4 48 31 8 93 % within Cargo 2,2% 4,3% 51,6% 33,3% 8,6% 100,0% % within Experiência como docente/psicólogo 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 2,2% 4,3% 51,6% 33,3% 8,6% 100,0% Quadro 51: Tabela de contingência da variável “A-7” 73 254 Orientação Vocacional e Profissional O teste do chi quadrado mostra-nos diferenças significativas assinaladas a negrito com a palavra “Sim” e com o resultado ,000: Teste do chi quadrado Value Df Asymp. Sig. (2-sided) Pearson Chi-Square 26,503a 4 ,000 Likelihood Ratio 24,294 4 ,000 Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 15,333 1 ,000 93 Sim Quadro 52: Teste do chi quadrado da variável “A-7” O gráfico de barras ilustra essa diferença. Ambos os profissionais possuem de 9 a 15 anos assinalados a laranja, no entanto, há uma grande mancha a roxo pertencentes aos directores de turma que demonstra a larga experiência de ensino, entre 15 a 20 anos. Figura 10: Gráfico da variável “A-7” A.8 – Trabalha a tempo total ou parcial. Salienta-se que 100% dos directores trabalha a tempo total por enquanto que 40% dos psicólogos trabalha a tempo parcial, daí alguns trabalharem a recibos verdes. Este resultado 255 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados é muito importante, pois não havendo uma estabilidade profissional por parte dos psicólogos a colaboração entre estes profissionais fica limitada e muito aquém das expectativas. Tabela de contingência Trabalha a tempo Total Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Parcial Total Count 73 0 73 % within Cargo 100,0% ,0% 100,0% % within Trabalha a tempo 85,9% ,0% 78,5% % of Total 78,5% ,0% 78,5% Count 12 8 20 % within Cargo 60,0% 40,0% 100,0% % within Trabalha a tempo 14,1% 100,0% 21,5% % of Total 12,9% 8,6% 21,5% Count 85 8 93 % within Cargo 91,4% 8,6% 100,0% % within Trabalha a tempo 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 91,4% 8,6% 100,0% Quadro 53: Tabela de contingência da variável “A-8” Através da prova do Phi conseguimos visualizar que existem claramente diferenças significativas importantes para este estudo. O resultado é ,000 o que comprova que nem todos trabalham a tempo inteiro. Teste do Phi Nominal by Nominal N of Valid Cases Value Approx. Sig. Phi ,586 ,000 Cramer's V ,586 93 ,000 Sim Quadro 54: Teste do phi da variável “A-8” 256 Orientação Vocacional e Profissional O gráfico de barras indica-nos essa significância, uma vez que nenhuma mancha azul clara se encontra no cargo de directores de turma, o que indica que todos os directores de turma inquiridos trabalham a tempo inteiro. Figura 11: Gráfico da variável “A-8” A.9 – Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa a que assistiu Ambos os directores de turma e psicólogos possuem entre 3 a 4 cursos, sendo que 38,4% são directores de turma e 40% são psicólogos. Tabela de contingência Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa a que assistiu Nenhum Cargo Directores de Turma Psicólogos 1 a cursos 23 a cursos 4 mais de 4 cursos Total Count 8 25 28 12 73 % within Cargo 11,0% 34,2% 38,4% 16,4% 100,0% % within Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu 80,0% 78,1% 75,7% 85,7% 78,5% % of Total 8,6% 26,9% 30,1% 12,9% 78,5% Count 2 7 9 2 20 % within Cargo 10,0%$ 35,0% 45,0% 10,0% 100,0% % within Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu 20,0% 21,9% 24,3% 14,3% 21,5% 257 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Total % of Total 2,2% 7,5% 9,7% 2,2% 21,5% Count 10 32 37 14 93 % within Cargo 10,8% 34,4% 39,8% 15,1% 100,0% % within Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa a que assistiu 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 10,8% 34,4% 39,8% 15,1% 100,0% Quadro 55: Tabela de contingência da variável “A-9” Segundo a prova do Chi quadrado não há diferenças significativas, como podemos observar pelo resultado superior a ,005. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value Df ,622a ,661 ,057 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,891 ,882 ,811 93 Não Quadro 56: Teste do chi quadrado“A-9” O gráfico de barras mostra-nos que tanto os psicólogos como os directores de turma assistiram na sua maioria entre 3 a 4 cursos, sendo que outra grande parte de ambos assistiu entre 1 a 2 cursos, como visualizámos nas manchas verdes e castanha clara. Figura 12: Gráfico da variável “A-9” 258 Orientação Vocacional e Profissional A.10 – Habilitações 70% dos directores de turma possuem apenas licenciatura bem como 60% dos psicólogos. Tabela de contingência Habilitações licenciatura e pós licenciatura e licenciatura e licenciatura graduação mestrado doutoramento Total Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Count 53 7 10 3 73 % within Cargo 72,6% 9,6% 13,7% 4,1% 100,0% % within habilitações 81,5% 58,3% 76,9% 100,0% 78,5% % of Total 57,0% 7,5% 10,8% 3,2% 78,5% Count 12 5 3 0 20 % within Cargo 60,0% 25,0% 15,0% ,0% 100,0% % within habilitações 18,5% 41,7% 23,1% ,0% 21,5% % of Total 12,9% 5,4% 3,2% ,0% 21,5% Count 65 12 13 3 93 % within Cargo 69,9% 12,9% 14,0% 3,2% 100,0% % within habilitações 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 69,9% 12,9% 14,0% 3,2% 100,0% Quadro 57: Tabela de contingência da variável “A-10” Segundo a prova do Chi quadrado não há diferenças estatísticas significativas. Todos os profissionais possuem licenciatura. Teste de chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 4,087a 4,300 ,069 93 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,252 ,231 ,792 Não Quadro 58: Teste do Chi quadrado da variável “A-10” No gráfico de barras a mancha azul clara indica a licenciatura como habilitação da maioria de ambos os profissionais. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 13: Gráfico da variável “A-10” 6.1.2. Análise do Grupo B - Aspectos gerais Para esta análise utilizamos as tabelas de contingência com as percentagens correspondentes entre as respostas dadas pelos directores de turma e psicólogos ilustradas com os seus correspondentes em gráficos de barras. Para além disso, utilizamos a prova do Chi quadrado para nos revelar se os dados são significativos ou não. É de salientar que nesta parte dos questionários, bem como nas seguintes, as perguntas abertas serão analisadas em conjunto com as perguntas fechadas de modo a compreender algumas respostas fechadas dadas pelos inquiridos. Pergunta B.1 - O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: Como podemos observar 57,5 % dos directores de turma referem que o seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à educação é média, ficando apenas 9,6 % grande conhecedora sobre esta legislação. No que concerne aos psicólogos 85,5% refere que o seu conhecimento é alto. 259 260 Orientação Vocacional e Profissional Tabela de contingência O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Baixo médio alto Total Count 24 42 7 73 % within Cargo 32,9% 57,5% 9,6% 100,0% % within O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: 100,0% 93,3% 29,2% 78,5% % of Total 25,8% 45,2% 7,5% 78,5% Count 0 3 17 20 % within Cargo ,0% 15,0% 85,0% 100,0% % within O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: ,0% 6,7% 70,8% 21,5% % of Total ,0% 3,2% 18,3% 21,5% Count 24 45 24 93 % within Cargo 25,8% 48,4% 25,8% 100,0% % within O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 25,8% 48,4% 25,8% 100,0% Quadro 59: Tabela de contingência da variável “B.1” Há aqui claramente resultados significativos como nos indica o teste do chi quadrado, uma vez que há diferenças de opinião e o valor é ,000. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value df Asymp. Sig. (2-sided) 47,040a 45,809 35,284 2 2 1 ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 60: Teste do chi quadrado da variável “B.1” O gráfico de barras ilustra melhor esta diferença. De facto são os psicólogos que apresentam uma mancha cor-de-rosa clara mais evidente que representa o conhecimento alto que possuem relativamente à legislação sobre educação. Já nos directores de turma é a 261 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados mancha amarela, representativa do conhecimento médio, que mais se destaca. De salientar, ainda, que 24 directores de turma consideram baixo o seu conhecimento. Figura 14: Gráfico de barras da variável “B.1” Pergunta B.2 - Colabora com os professores e Conselho Executivo na orientação dos alunos? Os directores de turma dividiram-se entre “algumas vezes” e “muitas vezes”, sendo que o “algumas vezes” atingiu 39,7% e “muitas vezes” 24,7%. É claramente visível que os psicólogos, 85% colaboram com os professores e conselhos executivos. Mais uma vez está bem patente esta diferença de opiniões. São mais os psicólogos a colaborar com o conselho executivo. Tabela de contingência Colabora com os professores e conselho executivo na orientação dos alunos? Total nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos algumas vezes muitas vezes sempre Count 12 29 18 14 73 % within Cargo 16,4% 39,7% 24,7% 19,2% 100,0% % within Colabora com os 100,0% professores e conselho executivo na orientação dos alunos? 100,0% 85,7% 45,2% 78,5% % of Total 12,9% 31,2% 19,4% 15,1% 78,5% Count 0 0 3 17 20 262 Orientação Vocacional e Profissional % within Cargo Total ,0% ,0% 15,0% 85,0% 100,0% % within Colabora com os ,0% professores e conselho executivo na orientação dos alunos? ,0% 14,3% 54,8% 21,5% % of Total ,0% ,0% 3,2% 18,3% 21,5% Count 12 29 21 31 93 % within Cargo 12,9% 31,2% 22,6% 33,3% 100,0% % within Colabora com os 100,0% professores e conselho executivo na orientação dos alunos? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 31,2% 22,6% 33,3% 100,0% 12,9% Quadro 61: Tabela de contingência da variável “B.2” Nesta questão há claramente uma diferença significativa dado o resultado do Chi quadrado, 000. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association 32,286a 36,918 26,922 N of Valid Cases 93 Df Asymp. Sig. (2-sided) 3 3 1 ,000 ,000 ,000 Sim Quadro 62: Teste do chi quadrado da variável “B.2” Também o gráfico de barras mostra-nos a divergência de opiniões nos D.T., sendo que a maioria destaca-se na mancha verde, o que significa que colaboram “algumas vezes” com professores e conselhos executivos. A mancha roxa no lado dos psicólogos destaca a constante colaboração dos mesmos com outros professores: Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 15: Gráfico de barras da variável “B.2” Pergunta B.2.1 - Em que medida é importante existir essa colaboração? Nesta pergunta aberta quisemos saber a opinião dos directores de turma e psicólogos e decidimos fazer uma síntese do que foi focado, pois alguns dos inquiridos fizeram referências aos mesmos factos: Os Directores de turma focaram: • Cada um dos professores seja ou não do conselho executivo pode ajudar com diferentes conhecimentos. O director de turma tende a ser um facilitador e mediador de problemas, logo necessita de estar algumas vezes em contacto com o conselho executivo que também ajuda a solucionar; • Só um processo que envolve todos os agentes educativos é que permite o pleno desenvolvimento dos projectos; • A orientação educativa pode ser encarada como um factor motivador dos alunos para o estudo, sendo importante a colaboração entre os vários intervenientes educativos; • Facilita o trabalho a desenvolver no terreno e a organizar acções de actuação imediatas; • É importante na medida em que se podem antecipar problemas, no entanto, não devemos estar sempre a pedir colaboração destes porque alguns problemas podem ser resolver sozinhos pelos directores de turma. 263 264 Orientação Vocacional e Profissional Os Psicólogos focaram: • Dado que existem muitos alunos e é impossível o psicólogo chegar a todos eles o director de turma e conselho executivo assumem o papel fulcral de orientadores; • A nível de legislação e orientação é importante esta orientação; • É importante na medida em que diferentes intervenientes possuem informações divergentes que podem ser cruzadas e fornecer dados importantes. Pergunta B.3 - Existe um plano de acção tutorial na escola? Aqui valorizamos especialmente a percentagem das respostas, embora existam diferenças significativas segundo o chi quadrado. É de salientar que em 100%, 31,1% dos inquiridos dizem que não existe plano de acção tutorial e 32, 1% afirmam que não sabem se existe ou não. Apenas 38,7% afirma existir. Adquirimos um dado muito importante para a nossa investigação, pois há um desconhecimento sobre o que é o PAT e a descoberta de que muitas escolas ainda não possuem PAT. Tabela de contingência Existe um plano de acção tutorial? não sei Cargo Directores de Turma Psicólogos Total sim não Total Count 29 30 14 73 % within Cargo 39,7% 41,1% 19,2% 100,0% % within Existe um plano 100,0% de acção tutorial? 83,3% 50,0% 78,5% % of Total 31,2% 32,3% 15,1% 78,5% Count 0 6 14 20 % within Cargo ,0% 30,0% 70,0% 100,0% % within Existe um plano ,0% de acção tutorial? 16,7% 50,0% 21,5% % of Total ,0% 6,5% 15,1% 21,5% Count 29 36 28 93 % within Cargo 31,2% 38,7% 30,1% 100,0% % within Existe um plano 100,0% de acção tutorial? 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 38,7% 30,1% 100,0% 31,2% Quadro 63: Tabela de contingência da variável “B.3” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Segundo o teste do chi quadrado há claramente diferenças significativas de opinião importantes para este estudo e assinaladas a negrito com “Sim”. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 21,912a 25,570 20,779 93 df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 Sim Quadro 64: Teste do Chi quadrado da variável “B.3” É através do gráfico de barras que visualizamos a grande mancha laranja que indica que grande maioria dos D.T. não tem conhecimento sobre a existência do PAT. No entanto, também a mancha verde se destaca nos D.T. mostrando que a maioria diz que sim e a mancha azul nos psicólogos indicando que a maioria diz que não. Figura 16: Gráfico de barras da variável “B.3” Pergunta B.3.1 - Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo. Apenas os inquiridos que responderam à questão anterior é que tiveram de responder a esta questão. Concluímos que todos os psicólogos e directores de turma que afirmaram na 265 266 Orientação Vocacional e Profissional questão anterior que “sim” dividiram-se entre a opção “sempre” e “algumas vezes” sendo que o primeiro tem 50% e o segundo 33%. Os directores dividiram-se pela resposta “Algumas vezes” e “muitas vezes”, sendo que a maior percentagem é a resposta “nunca”. Isto deve-se ao facto de apesar de existir o PAT em algumas escolas, nem todos os professores são chamados a participar na elaboração dos mesmos por vários motivos. Tabela de contingência Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo Nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 22 4 4 1 31 % within Cargo 71,0% 12,9% 12,9% 3,2% 100,0% % within Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo 95,7% 66,7% 100,0% 25,0% 83,8% % of Total 59,5% 10,8% 10,8% 2,7% 83,8% Count 1 2 0 3 6 % within Cargo 16,7% 33,3% ,0% 50,0% 100,0% % within Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo 4,3% 33,3% ,0% 75,0% 16,2% % of Total 2,7% 5,4% ,0% 8,1% 16,2% Count 23 6 4 4 37 % within Cargo 62,2% 16,2% 10,8% 10,8% 100,0% % within Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 62,2% 16,2% 10,8% 10,8% 100,0% Quadro 65: Tabela de contingência da variável “B.3.1” Há um resultado significativo segundo a prova do Chi quadrado, uma vez que o resultado é ,002. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 14,626a 12,436 8,295 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,002 ,006 ,004 37 Sim Quadro 66: Teste do Chi quadrado da variável “B.3.1” O gráfico de barras destaca a mancha azul nos directores de turma mostrando que grande maioria não participa, o que diverge das respostas dos psicólogos. Figura 17: Gráfico de barras da variável “B.3.1” Pergunta B.5 - Recorre aos pais na orientação do aluno? 67,1% dos casos os directores de turma recorrem aos pais na orientação do aluno “algumas vezes”, sendo que 23,3% recorrem “muitas vezes”. No caso dos psicólogos também 85% recorre “algumas vezes” . Neste aspecto é normal não haver esta constante procura dos pais por parte destes profissionais, pois nem sempre os professores e psicólogos consideram necessário chamar os pais à escola. 267 268 Orientação Vocacional e Profissional Recorre aos pais na orientação do aluno? Nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 3 49 17 4 73 % within Cargo 4,1% 67,1% 23,3% 5,5% 100,0% % within Recorre aos pais na orientação do aluno? 100,0% 74,2% 94,4% 66,7% 78,5% % of Total 3,2% 52,7% 18,3% 4,3% 78,5% Count 0 17 1 2 20 % within Cargo ,0% 85,0% 5,0% 10,0% 100,0% % within Recorre aos pais na orientação do aluno? ,0% 25,8% 5,6% 33,3% 21,5% % of Total ,0% 18,3% 1,1% 2,2% 21,5% Count 3 66 18 6 93 % within Cargo 3,2% 71,0% 19,4% 6,5% 100,0% % within Recorre aos pais na orientação do aluno? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 3,2% 71,0% 19,4% 6,5% 100,0% Quadro 67: Tabela de contingência da variável “B.5” Segundo este teste não há diferenças significativas, pois o resultado é ,192. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 4,739a 6,158 ,103 Df Asymp. Sig. (2-sided) 3 3 1 ,192 ,104 ,749 93 Não Quadro 68: Teste do Chi quadrado da variável “B.5” Segundo o gráfico de barras a mancha verde destaca-se em ambos, indicando que ambos recorrem algumas vezes aos pais para orientarem os alunos. 269 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 18: Gráfico de barras da variável “B.5” Pergunta B.7 - Como Director/a de Turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos ou professores? Em 64,4% dos casos, os directores de turma organizam acções de formação “algumas vezes”, assim como 70% dos psicólogos que responderam, igualmente, “algumas vezes”. No entanto as restantes percentagens nos directores de turma dividem-se pelo “nunca”, “muitas vezes” e “sempre”. No caso dos psicólogos 30% ainda respondeu “muitas vezes”. Tabela de contingência Como director/a de turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 20 47 5 1 73 % within Cargo 27,4% 64,4% 6,8% 1,4% 100,0% % within Como director/a 100,0% de turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? 77,0% 45,5% 100,0% 78,5% % of Total 21,5% 50,5% 5,4% 1,1% 78,5% Count 0 14 6 0 20 270 Orientação Vocacional e Profissional % within Cargo Total ,0% 70,0% 30,0% ,0% 100,0% % within Como director/a ,0% de turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? 23,0% 54,5% ,0% 21,5% % of Total ,0% 15,1% 6,5% ,0% 21,5% Count 20 61 11 1 93 % within Cargo 21,5% 65,6% 11,8% 1,1% 100,0% % within Como director/a 100,0% de turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 65,6% 11,8% 1,1% 100,0% 21,5% Quadro 69: Tabela de contingência da variável “B.7” Segundo a prova do Chi quadrado há resultados significativos. O resultado é ,005, o que podemos considerar ainda dentro do limite de significância. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 12,942a 15,950 9,576 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,005 ,001 ,002 93 Sim Quadro 70: Teste do Chi quadrado da variável “B.7” Através do gráfico de barras observamos que a maioria dos profissionais confessa organizar algumas vezes seminários, no entanto, estas diferenças significativas reflectemse porque 20 directores de turma ainda responderam que nunca organizam. 271 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 19: Teste do Chi quadrado da variável “B.7” 6.1.3. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial Pergunta C.1 - As reuniões de Conselho de Turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: São 86,3% dos directores de turma que afirmam que as reuniões do Conselho de Turma são “muito importantes”, na medida em que é nelas que há um momento para se dedicarem à orientação dos alunos. Também 75% dos psicólogos as consideram muito importantes, pois também participam nelas. É normal obter esta consistência de resultados nesta pergunta, uma vez que este é o momento na qual todos os professores da turma se juntam. Tabela de contingência As reuniões do conselho de turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: nada importante Cargo Directores de Turma Psicólogos pouco importante importante muito importante Total Count 1 3 6 63 73 % within Cargo 1,4% 4,1% 8,2% 86,3% 100,0% % within As reuniões do conselho de turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: 100,0% 100,0% 54,5% 80,8% 78,5% % of Total 1,1% 3,2% 6,5% 67,7% 78,5% Count 0 0 5 15 20 272 Orientação Vocacional e Profissional Total % within Cargo ,0% ,0% 25,0% 75,0% 100,0% % within As reuniões do conselho de turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: ,0% ,0% 45,5% 19,2% 21,5% % of Total ,0% ,0% 5,4% 16,1% 21,5% Count 1 3 11 78 93 % within Cargo 1,1% 3,2% 11,8% 83,9% 100,0% % within As reuniões do conselho de turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 3,2% 11,8% 83,9% 100,0% Quadro 71: Tabela de contingência da variável “C.1” Aqui não existe claramente um resultado significativo, dado que o resultado é ,167, logo não há diferenças nas opiniões. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 5,073a 5,299 ,103 df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,167 ,151 ,748 93 Não Quadro 72: Teste do Chi quadrado da variável “C.1” Pelo gráfico de barras é possível vermos este acordo de opiniões através da mancha azul clara. Figura 20: Gráfico de barras da variável “C.1” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta C.1.1 - Se respondeu “importante” ou muito importante” explique sumariamente em que medida são as reuniões importantes. Nesta questão pretendemos perceber o porquê da importância destes momentos na orientação dos alunos. Os professores explicaram de forma sucinta e foram referidos os seguintes aspectos: • Apuram-se, nestas reuniões, os problemas, tentam encontrar-se soluções e estratégias para que possam ser comuns às várias disciplinas; • Nestas reuniões encontra-se, por vezes, a discussão das dificuldades de integração dos alunos nos cursos, desmotivações graves, tentando-se encaminhar o aluno da melhor forma; • Nestas reuniões definem-se actividades em conjunto para promover o bem-estar dos alunos; • Os professores manifestam opiniões relativas às diferentes apetências dos mesmos, bem como há professores mais velhos e com mais tempo na escola que nos podem falar melhor sobre certos alunos. • A orientação dos alunos deve ser feita em conjunto; No caso dos psicólogos foram referidos os seguintes aspectos: • O psicólogo pode e deve participar nestas reuniões quando solicitado pelo conselho de turma. Quando existem problemas de integração, comportamento ou outras dificuldades o psicólogo e o professor elaboram estratégias de intervenção. • Ao trabalhar em conselho de turma contribui-se para obter ganhos terapêuticos; • A diversidade de informação que tanto professores e psicólogos têm enriquece o apoio ao aluno; • Os psicólogos no ensino secundário participam pouco nestas reuniões, mas dado que a orientação profissional se torna cada vez mais um dos factores mais importantes no processo de ensino e aprendizagem a falta de um técnico acaba por ser um lapso da escola. 273 274 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta C.2 - O grau de colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: A maioria dos directores de turma, 50,7% considera a colaboração dos psicólogos boa, por enquanto que 55% dos psicólogos considera a colaboração dos directores de turma satisfatória. É de salientar que ainda uma percentagem de 27,4% de directores de turma considera a colaboração dos psicólogos satisfatória e 25% dos psicólogos considera a colaboração dos directores de turma pouco satisfatória. Tabela de contingência O grau de colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: pouco satisfatório Cargo Directores de Turma Psicólogos Total satisfatório bom muito bom Total Count 5 20 37 11 73 % within Cargo 6,8% 27,4% 50,7% 15,1% 100,0% % within O grau de 50,0% colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: 64,5% 92,5% 91,7% 78,5% % of Total 5,4% 21,5% 39,8% 11,8% 78,5% Count 5 11 3 1 20 % within Cargo 25,0% 55,0% 15,0% 5,0% 100,0% % within O grau de 50,0% colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: 35,5% 7,5% 8,3% 21,5% % of Total 5,4% 11,8% 3,2% 1,1% 21,5% Count 10 31 40 12 93 % within Cargo 10,8% 33,3% 43,0% 12,9% 100,0% % within O grau de 100,0% colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 33,3% 43,0% 12,9% 100,0% 10,8% Quadro 73: Tabela de contingência da variável “C.2” Segundo a prova do Chi quadrado há resultados significativos. O resultado é ,003 o que indica diferenças de opinião. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 14,280a 14,445 11,859 df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,003 ,002 ,001 93 Sim Quadro 74: Teste do chi quadrado da variável “C.2” Através do gráfico podemos comprovar esse resultado onde não há concordância de opinião. A mancha verde destaca-se nos D.T. por enquanto que a mancha vermelha destaca-se nos psicólogos. Figura 21: Gráfico de barras da variável “C.2” Pergunta C.3 - Colaborar nas actividades educativas é: 90,4% dos directores de turma consideram ser “muito importante” colaborar nas actividades educativas bem como 90% dos psicólogos. Aqui não há claramente diferenças estatísticas, o que se revela normal. 275 276 Orientação Vocacional e Profissional Tabela de contingência Colaborar nas actividades educativas é: pouco importante importante Cargo Directores de Turma Psicólogos Total muito importante Total Count 1 6 66 73 % within Cargo 1,4% 8,2% 90,4% 100,0% % within Colaborar nas actividades educativas é: 100,0% 75,0% 78,6% 78,5% % of Total 1,1% 6,5% 71,0% 78,5% Count 0 2 18 20 % within Cargo ,0% 10,0% 90,0% 100,0% % within Colaborar nas actividades educativas é: ,0% 25,0% 21,4% 21,5% % of Total ,0% 2,2% 19,4% 21,5% Count 1 8 84 93 % within Cargo 1,1% 8,6% 90,3% 100,0% % within Colaborar nas actividades educativas é: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 8,6% 90,3% 100,0% Quadro 75: Tabela de contingência da variável “C.3” Segundo a prova do Chi Quadrado não há resultados significativos, pois o resultado é ,847 e a maioria concorda. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value Df ,332a ,540 ,012 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,847 ,763 ,912 93 Não Quadro 76: Teste do chi quadrado da variável “C.3” Através do gráfico de barras a mancha encarnada não engana, indicando que ambos os profissionais consideram muito importante colaborar nas actividades educativas. 277 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 22: Gráfico de barras da variável “C.3” Pergunta C.4 - Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre escola e família é: Sem dúvida que grande parte dos directores de turma consideram ser muito importante manter uma relação com os pais, pois facilita a ligação da escola e família. Temos 89% que responderam “muito importante”. Os psicólogos estão todos de acordo e 100% consideram “muito importante”. Tabela de contingência Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: Importante Cargo Directores de Turma Psicólogos muito importante Total Count 7 66 73 % within Cargo 9,6% 90,4% 100,0% % within Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: 100,0% 76,7% 78,5% % of Total 7,5% 71,0% 78,5% Count 0 20 20 % within Cargo ,0% 100,0% 100,0% % within Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: ,0% 23,3% 21,5% 278 Orientação Vocacional e Profissional Total % of Total ,0% 21,5% 21,5% Count 7 86 93 % within Cargo 7,5% 92,5% 100,0% % within Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 7,5% 92,5% 100,0% Quadro 77: Tabela de contingência da variável “C.4” Aqui não há claramente diferenças estatísticas, pois o resultado é superior a ,005 o que se revela positivo. Teste do chi quadrado Value Df Asymp. Sig. (2-sided) Pearson Chi-Square 2,074a Likelihood Ratio 3,543 1 1 ,150 ,060 Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 1 ,152 2,052 93 Não Quadro 78: Teste do chi quadrado da variável “C.4” Mais uma vez a mancha encarnada indica que ambos estão em total acordo, pois julgam ser muito importante manter esta relação entre escola e família: Figura 23: Gráfico de barras da variável “C.4 279 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta C.5 - Colaborar com os professores e Conselhos Executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: De facto, 54,8% dos directores de turma considera esta colaboração “importante” e 80% dos psicólogos “muito importante”. De salientar que 30,1% dos directores de turma considera “pouco importante” e 20% dos psicólogos “importante”. Tabela de contingência Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: nada importante Cargo Directores de Turma Psicólogos Total pouco importante importante muito importante Total Count 1 22 40 10 73 % within Cargo 1,4% 30,1% 54,8% 13,7% 100,0% % within Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: 100,0% 100,0% 90,9% 38,5% 78,5% % of Total 1,1% 23,7% 43,0% 10,8% 78,5% Count 0 0 4 16 20 % within Cargo ,0% ,0% 20,0% 80,0% 100,0% % within Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: ,0% ,0% 9,1% 61,5% 21,5% % of Total ,0% ,0% 4,3% 17,2% 21,5% Count 1 22 44 26 93 % within Cargo 1,1% 23,7% 47,3% 28,0% 100,0% % within Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 23,7% 47,3% 28,0% 100,0% Quadro 79: Tabela de contingência da variável “C.5” Segundo a prova do Chi quadrado há claramente diferenças significativas, pois o resultado é ,000. 280 Orientação Vocacional e Profissional Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 35,003a 35,373 27,343 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro80:Teste do chi quadrado da variável “C.5” O gráfico ilustra essa diferença. A mancha castanha clara destaca que os D.T. valorizam menos do que os psicólogos esta colaboração com conselhos executivos e professores. Os psicólogos destacam-se com a mancha roxa que significa “muito importante”. Figura 24: Gráfico de barras da variável “C.5” Pergunta C.6 - Preparar e avaliar as práticas orientadoras é: 76,7% dos directores de turma consideram “importante” preparar e avaliar as práticas orientadoras, não sendo, por isso, algo prioritário mas 90% dos psicólogos atribuem mais importância a esta avaliação e preparação das práticas orientadoras escolhendo praticamente todos a opção “muito importante”. 281 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Tabela de contingência Preparar e avaliar as práticas orientadoras é: Cargo Directores Turma Psicólogos Total pouco importante importante muito importante Total 1 56 16 73 1,4% 76,7% 21,9% 100,0% % within Preparar e 100,0% avaliar as práticas orientadoras é: 96,6% 47,1% 78,5% % of Total 1,1% 60,2% 17,2% 78,5% Count 0 2 18 20 % within Cargo ,0% 10,0% 90,0% 100,0% % within Preparar e ,0% avaliar as práticas orientadoras é: 3,4% 52,9% 21,5% % of Total ,0% 2,2% 19,4% 21,5% Count 1 58 34 93 % within Cargo 1,1% 62,4% 36,6% 100,0% % within Preparar e 100,0% avaliar as práticas orientadoras é: 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 62,4% 36,6% 100,0% de Count % within Cargo 1,1% Quadro 81:Tabela de contingência da variável “C.6” Segundo a prova do Chi quadrado aqui há claramente diferenças significativas, pois o resultado é ,000, o que é excelente . Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 31,381a 32,411 29,912 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 82:Teste do chi quadrado da variável “C.6” O gráfico de barras comprova essa significância de resultados. Por enquanto que os D.T. se destacam com o lilás, considerando importante preparar e avaliar as práticas orientadoras, os psicólogos destacam-se com o amarelo considerando muito importante. 282 Orientação Vocacional e Profissional Figura 25:Gráfico de barras da variável“C.6” Pergunta C.7 - O valor dado pela comunidade e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma prestam é : 60,3% dos casos considera que o valor dado pela comunidade e órgãos de gestão ao serviço dos directores de turma é “bom”, sendo que 21,9 % considera “muito bom” e 17,8% considera “satisfatório”. No caso dos psicólogos, 60% atribui um valor “muito bom” ao seu trabalho, 25% considera “bom” e 15% satisfatório. Tabela de contingência O valor dado pela comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: satisfatório Bom Cargo Directores de Turma Psicólogos muito bom Total Count 13 44 16 73 % within Cargo 17,8% 60,3% 21,9% 100,0% % within O valor dado pela 81,3% munidade educativa e órgãos de stão ao serviço que os directores turma/SPO prestam é: 89,8% 57,1% 78,5% % of Total 14,0% 47,3% 17,2% 78,5% Count 3 5 12 20 % within Cargo 15,0% 25,0% 60,0% 100,0% % within O valor dado pela comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: 18,8% 10,2% 4 2,9% 21,5% 283 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Total % of Total 3,2% 5,4% 12,9% 21,5% Count 16 49 28 93 % within Cargo 17,2% 52,7% 30,1% 100,0% % within O valor dado pela comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 17,2% 52,7% 30,1% 100,0% Quadro 83:Tabela de contingência da variável “C.7” Aqui existem algumas diferenças de opinião, daí a prova do chi quadrado ser bastante significativa com um valor de ,000. Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 11,341a 10,846 5,689 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,003 ,004 ,017 93 Sim Quadro 84:Teste do chi quadrado da variável “C.7” No gráfico de barras o azul destaca-se, assinalando a opinião dos D.T. que escolhe a escala “bom” para classificar o valor dado pela comunidade educativa ao serviço que prestam. Esta opinião difere da barra verde que mostra a opinião dos psicólogos que consideram que o valor dado ao seu trabalho é muito bom. Figura 26 :Gráfico de barras da variável “C.7” 284 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta C.9 (directores de turma) - Manter conversas periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, sobre os alunos e os seus problemas é: Pergunta C.8 (psicólogos) - Manter conversas periódicas com os outros professores ou directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: 90,4% dos directores de turma referem que estas conversas entre os dois profissionais são consideradas “muito importantes” assim como 100% dos psicólogos as consideram igualmente “muito importantes”. Estes resultados são positivos na medida em que constatamos que existe diálogo entre os profissionais. Tabela de contingência Importante Cargo Directores de Turma Psicólogos Total muito importante Total Count 7 66 73 % within Cargo 9,6% 90,4% 100,0% % within Manter conversas periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, /professores e Directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: 100,0% 76,7% 78,5% % of Total 7,5% 71,0% 78,5% Count 0 20 20 % within Cargo ,0% 100,0% 100,0% % within Manter conversas periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, /professores e Directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: ,0% 23,3% 21,5% % of Total ,0% 21,5% 21,5% Count 7 86 93 % within Cargo 7,5% 92,5% 100,0% % within Manter conversas periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, /professores e Directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 7,5% 92,5% 100,0% Quadro 85:Teste do chi quadrado da variável “C.9 dos directores de turma e C.8 dos psicólogos ” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Não existe relevância nos resultados, segundo a prova do chi quadrado, pois o resultado é superior a ,005. Segundo o gráfico de barras o verde destaca-se em ambos, mostrando que não há diferenças de opinião e, de facto a maioria considera muito importante manter conversas sobre os problemas dos alunos. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value df Asymp. Sig. (2sided) 2,074a 3,543 2,052 1 1 1 ,150 ,060 ,152 93 Não Quadro 86:Teste do chi quadrado da variável “C.9 dos directores de turma e C.8 dos psicólogos” Quadro 27:gráfico de barras da variável “C.9 dos directores de turma e C.8 dos psicólogos” 285 286 Orientação Vocacional e Profissional 6.1.4. Análise do grupo D- Atenção à diversidade Pergunta D.1 - Dá apoio a alunos com N.E.E? Em 49,3% dos casos os D.T. apoiam os alunos “algumas vezes”. No entanto, de referir que 43,8% não dá apoio a estes alunos (talvez por o não ter na sala de aula). No caso dos psicólogos 85% dá apoio “algumas vezes” pelo mesmo motivo referido acima e 10% dos psicólogos dão apoio “muitas vezes”. Tabela de contingência Dá apoio a alunos com N.E.E.? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 32 36 5 0 73 % within Cargo 43,8% 49,3% 6,8% ,0% 100,0% % within Dá apoio a alunos com N.E.E.? 100,0% 67,9% 71,4% ,0% 78,5% % of Total 34,4% 38,7% 5,4% ,0% 78,5% Count 0 17 2 1 20 % within Cargo ,0% 85,0% 10,0% 5,0% 100,0% % within Dá apoio a alunos com N.E.E.? ,0% 32,1% 28,6% 100,0% 21,5% % of Total ,0% 18,3% 2,2% 1,1% 21,5% Count 32 53 7 1 93 % within Cargo 34,4% 57,0% 7,5% 1,1% 100,0% % within Dá apoio a alunos com N.E.E.? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 34,4% 7,5% 1,1% 57,0% 100,0% Quadro 87:Tabela de contingência da variável “D.1” Há relevância nestes resultados segundo a prova do chi quadrado, pois o resultado é ,001: Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association 16,132a 21,943 12,570 N of Valid Cases 93 df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,001 ,000 ,000 Sim Quadro 88:Tabela de contingência da variável “D.1” 287 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Através do gráfico de barras visualizamos essa diferença de opiniões. A mancha azul e vermelha estão próximas indicando que parte dos D.T. dá apoio algumas vezes a alunos com N.E.E e outra parte nunca dá. Os psicólogos afirmam na sua maioria dar sempre este apoio. Figura 28: Gráfico de barras da variável “D.1” Pergunta D.2 (directores de turma) e pergunta D.3 –(psicólogos) - Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Em 76,7% dos casos há “sempre” colaboração por parte dos directores na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou aprendizagem do aluno e em 50% dos psicólogos, embora não haja sempre esta colaboração, há “muitas vezes”. De salientar que 35% referiu “algumas vezes” e 15,1% dos directores de turma referiram, igualmente, “algumas vezes” Tabela de contingência Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Nunca Cargo Directores de Turma algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 2 11 4 56 73 % within Cargo 2,7% 15,1% 5,5% 76,7% 100,0% 288 Orientação Vocacional e Profissional Psicólogos Total % within Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? 66,7% 61,1% 28,6% 96,6% 78,5% % of Total 2,2% 11,8% 4,3% 60,2% 78,5% Count 1 7 10 2 20 % within Cargo 5,0% 35,0% 50,0% 10,0% 100,0% % within Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? 33,3% 38,9% 71,4% 3,4% 21,5% % of Total 1,1% 7,5% 10,8% 2,2% 21,5% Count 3 18 14 58 93 % within Cargo 3,2% 19,4% 15,1% 62,4% 100,0% % within Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 3,2% 19,4% 15,1% 62,4% 100,0% Quadro 89:Tabela de contingência da variável “D.2 dos directores de turma e D.3 dos psicólogos” Aqui há claramente diferenças estatísticas segundo o resultado do chi quadrado que é ,000 Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 35,344a 34,800 15,884 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 90:Teste do chi quadrado da variável “D.2 dos directores de turma e D.3 dos psicólogos” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Através dos gráficos denotamos essa diferença de opiniões. A mancha roxa destaca-se perfeitamente no lado dos directores de turma indicando que a maioria colabora sempre na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem. As manchas verdes e lilás nos psicólogos estão quase ao mesmo nível mas é a verde que se sobressai, indicando que os psicólogos colaboram muitas vezes. Figura 29:Gráfico de barras da variável “D.2 dos directores de turma e D.3 dos psicólogos” Pergunta D.4 - Intervém directamente com alunos que apresentam problemas de comportamento? 68,5% dos directores de turma intervém “sempre” directamente nos alunos que apresentam problemas de comportamento. No caso dos psicólogos 100% não intervém sempre mas fazem-no “muitas vezes”. Aqui há claramente diferenças significativas como comprovamos pela tabela do chi quadrado. 289 290 Orientação Vocacional e Profissional Tabela de contingência Intervém directamente com os alunos que apresentam problemas de comportamento? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total 50 73 Count 1 5 17 % within Cargo 1,4% 6,8% 23,3% 68,5% 100,0% % within Intervém 100,0% directamente com os alunos que apresentam problemas de comportamento? 100,0% 45,9% 100,0% 78,5% % of Total 1,1% 5,4% 18,3% 53,8% 78,5% Count 0 0 20 0 20 % within Cargo ,0% ,0% 100,0% ,0% 100,0% % within Intervém ,0% directamente com os alunos que apresentam problemas de comportamento? ,0% 54,1% ,0% 21,5% % of Total ,0% ,0% 21,5% ,0% 21,5% Count 1 5 37 50 93 % within Cargo 1,1% 5,4% 39,8% 53,8% 100,0% % within Intervém 100,0% directamente com os alunos que apresentam problemas de comportamento? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 5,4% 39,8% 53,8% 100,0% 1,1% Quadro 91:Tabela de contingência da variável “D.4” Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value Df Asymp. Sig. (2-sided) 38,563a 45,778 12,811 3 3 1 ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 92:Teste do chi quadrado da variável “D.4” 291 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Através do gráfico de barras destacam-se estas diferenças de opinião. A mancha vermelha nos D.T. indica que os mesmos intervém sempre, ao contrário, dos psicólogos que, na sua maioria, responderam muitas vezes, destacando-se com mancha azul. Figura 30:Gráfico de barras da variável “D.4” Pergunta D.5 - Pede colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? 39,7% dos directores de turma pedem “muitas vezes” colaboração a outros agentes educativos para planificar estratégias e programas de intervenção. O item “algumas vezes” também adquire uma percentagem de 34,2%. Os psicólogos têm percentagens mais estáveis, pois 85% afirma colaborar “muitas vezes”. 292 Orientação Vocacional e Profissional Tabela de contingência Pede colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Count 1 % within Cargo 1,4% algumas vezes muitas vezes sempre Total 25 29 18 73 34,2% 39,7% 24,7% 100,0% % within Pede 50,0% colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? 96,2% 63,0% 94,7% 78,5% % of Total 1,1% 26,9% 31,2% 19,4% 78,5% Count 1 1 17 1 20 % within Cargo 5,0% 5,0% 85,0% 5,0% 100,0% % within Pede 50,0% colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? 3,8% 37,0% 5,3% 21,5% % of Total 1,1% 1,1% 18,3% 1,1% 21,5% Count 2 26 46 19 93 % within Cargo 2,2% 28,0% 49,5% 20,4% 100,0% % within Pede 100,0% colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 28,0% 49,5% 20,4% 100,0% 2,2% Quadro 93:Tabela de contingência da variável “D.5” Aqui há claramente diferenças estatísticas, segundo a prova do chi quadrado, uma vez que o resultado é ,002. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 15,240a 17,139 ,015 df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,002 ,001 ,902 93 Sim Quadro 94:Teste de chi quadrado da variável “D.5” Através do gráfico conseguimos visualizar essa diferença de opiniões. De facto, a mancha vermelha é a que mais se destaca indicando que ambos os profissionais pedem colaboração muitas vezes a outros agentes educativos para planificar programas de intervenção. No entanto, a mancha verde adquire grande proporção no lado dos D.T, indicando que grande parte deles apenas pede esta colaboração “algumas vezes”. A mancha roxa também se sobressai um pouco no lado dos D.T, indicando que são estes profissionais os que mais dividem a sua opinião nesta questão. Figura 31:Gráfico de barras da variável “D.5” 293 294 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta D.6 - Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas? 50,7 % dos directores de turma encaminha “sempre” os alunos que apresentam problemas para outros serviços e 75% dos psicólogos encaminha “muitas vezes”, sendo que alguns problemas conseguem resolver. 34,2 % dos directores de turma encaminham “muitas vezes”, mas não sempre e 20% dos psicólogos encaminha “algumas vezes”. Tabela de contingência Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas mais complexos? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 2 9 25 37 73 % within Cargo 2,7% 12,3% 34,2% 50,7% 100,0% % within Encaminha 66,7% para outros serviços alunos que apresentam problemas mais complexos? 69,2% 62,5% 100,0% 78,5% % of Total 2,2% 9,7% 26,9% 39,8% 78,5% Count 1 4 15 0 20 % within Cargo 5,0% 20,0% 75,0% ,0% 100,0% % within Encaminha 33,3% para outros serviços alunos que apresentam problemas mais complexos? 30,8% 37,5% ,0% 21,5% % of Total 1,1% 4,3% 16,1% ,0% 21,5% Count 3 13 40 37 93 % within Cargo 3,2% 14,0% 43,0% 39,8% 100,0% % within Encaminha 100,0% para outros serviços alunos que apresentam problemas mais complexos? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 14,0% 43,0% 39,8% 100,0% 3,2% Quadro 95:Tabela de contingência “D.6” Aqui, existem algumas diferenças estatísticas segundo a prova do chi quadrado que apresenta um resultado de ,001. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 17,109a 24,035 9,758 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2sided) ,001 ,000 ,002 93 Sim Quadro 96:Tabela de contingência “D.6” No gráfico de barras observamos esta divisão de opiniões. A maioria dos D.T. destaca-se na mancha roxa, o que significa que encaminha sempre os alunos que apresentam problemas complexos. A mancha vermelha também se destaca em ambos os profissionais, mas é nos psicólogos que ela apresenta maior significado, pois demonstra que a maioria deles encaminha muitas vezes. Figura 32:Gráfico de barras da variável “D.6” Pergunta D.6.1 - Se respondeu “algumas vezes”, “muitas vezes” ou “sempre”, indique quais foram os serviços aos quais recorreu. Esta pergunta aberta consiste em tentar perceber quais os serviços para os quais os alunos são encaminhados pelos D.T. e psicólogos. 295 296 Orientação Vocacional e Profissional Os serviços para os alunos são encaminhados pelos D.T. são: • SPO – Este serviço foi focado por todos os inquiridos; • Gabinete do aluno; • Consulta jovem – centro de saúde. • I.D.T. – instituto da droga e toxicodependência; • Cruz vermelha; • ICPJ – Protecção de menores; • Médica da escola; • Sala de estudo e conselho executivo no caso de apresentarem problemas disciplinares. Os serviços para os quais os alunos são encaminhados pelos psicólogos: • Instituição pública de saúde – psiquiatra e neurologia; • Centros de apoio especializado – dislexia… • CPCJ´s; • Centros de saúde; • Segurança social; • Intervenção clínica; • Pedopsiquiatria; • Centro de estudo; • Serviço de nutrição. 297 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta D.7 (directores de turma) e pergunta D.9 (psicólogos) - Ajuda os professores (pertencentes ou não ao conselho de turma) na relação com os alunos e vice-versa? 50,7% dos directores de turma afirma ajudar sempre por enquanto que 55% dos psicólogos afirma ajudar “algumas vezes”. As percentagens dividem-se, ainda, pelo resto das escolhas de resposta, o que significa que há variação. Tabela de contingência Ajuda os professores (pertencentes ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? algumas vezes Cargo Directores de Turma Psicólogos Total muitas vezes sempre Total Count 11 25 37 73 % within Cargo 15,1% 34,2% 50,7% 100,0% % within Ajuda os professores (pertencentes ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? 50,0% 73,5% 100,0% 78,5% % of Total 11,8% 26,9% 39,8% 78,5% Count 11 9 0 20 % within Cargo 55,0% 45,0% ,0% 100,0% % within Ajuda os professores (pertencentes ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? 50,0% 26,5% ,0% 21,5% % of Total 11,8% 9,7% ,0% 21,5% Count 22 34 37 93 % within Cargo 23,7% 36,6% 39,8% 100,0% % within Ajuda os professores (pertencentes ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 23,7% 36,6% 39,8% 100,0% Quadro 97:Tabela de contingência da variável “D.7 dos directores de turma e D.9 dos psicólogos” Segundo a prova do chi quadrado podemos concluir que os resultados são significativos com resultado de ,000 298 Orientação Vocacional e Profissional Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 21,215a 27,030 20,961 Df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 98:Tabela de contingência da variável “D.7 dos directores de turma e D.9 dos psicólogos” Através do gráfico de barras conseguimos visualizar a mancha amarela que se destaca no lado dos D.T. e que representa a resposta “sempre”, resposta esta que não aparece no lado dos psicólogos. Estes dividem-se pelas outras respostas, mas é a cor azul forte que tem a maioria, sendo que os psicólogos ajudam “ algumas vezes” os professores. Figura 33:Gráfico de barras da variável D.7 dos directores de turma e D.9 dos psicólogos” Pergunta D.8 (directores de turma) e Pergunta D.10 (psicólogos) - Colabora com os professores e Encarregados de Educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? 299 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 82,2% dos D.T. colaboram “sempre” com os professores e encarregados de educação para solucionar os problemas. Os restantes 17,8% dividem-se entre o item “algumas vezes” e “muitas vezes”, sendo que o último tem uma percentagem de 11%. Os psicólogos têm a mesma opinião e 100% afirma colaborar não sempre mas “muitas vezes” com professores e encarregados de educação para solucionar os problemas que afectam os seus filhos. Tabela de contingência Colabora com os professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? algumas vezes Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Count 5 % within Cargo 6,8% muitas vezes sempre 8 60 73 82,2% 100,0% 11,0% Total % within Colabora com 100,0% os professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? 28,6% 100,0% 78,5% % of Total 5,4% 8,6% 64,5% 78,5% Count 0 20 0 20 % within Cargo ,0% 100,0% ,0% 100,0% % within Colabora com ,0% os professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? 71,4% ,0% 21,5% % of Total ,0% 21,5% ,0% 21,5% Count 5 28 60 93 % within Cargo 5,4% 30,1% 64,5% 100,0% % within Colabora com 100,0% os professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 30,1% 64,5% 100,0% 5,4% Quadro 99:Tabela de contingência da variável “D.8 dos directores de turma e D.10 dos psicólogos” 300 Orientação Vocacional e Profissional Esta diferença de resultados é normal uma vez que são os directores de turma que estão mais em contacto com os encarregados de educação e muitas vezes são a ponte entre psicólogo e encarregados de educação. Teste do chi-quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 59,149a 63,324 25,247 df 2 2 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 100:Teste do chi quadrado da variável “D.8 dos directores de turma e D.10 dos psicólogos” No gráfico de barras destaca-se a cor laranja indicando esta constante colaboração por parte dos D.T. No caso dos psicólogos é simplesmente a cor verde que indica a totalidade dos psicólogos que respondeu “muitas vezes”. Figura 34: Gráfico de barras da variável “D.8 dos directores de turma e D.10 dos psicólogos” 301 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta D.9 (directores de turma) e Pergunta D.11 (Psicólogos) - Intervém nas famílias de risco? 74% dos D.T. intervém “algumas vezes” nas famílias de risco, no entanto, ainda uma percentagem de 19,2 %% intervém “muitas vezes”. No caso dos psicólogos, 65% intervém “sempre” e 35% intervém “muitas vezes”. Tabela de contingência Intervém nas famílias de risco? Nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 4 54 14 1 73 % within Cargo 5,5% 74,0% 19,2% 1,4% 100,0% % within Intervém nas famílias de risco? 100,0% 100,0% 66,7% 7,1% 78,5% % of Total 4,3% 58,1% 15,1% 1,1% 78,5% Count 0 0 7 13 20 % within Cargo ,0% ,0% 35,0% 65,0% 100,0% % within Intervém nas famílias de risco? ,0% ,0% 33,3% 92,9% 21,5% % of Total ,0% ,0% 7,5% 14,0% 21,5% Count 4 54 21 14 93 % within Cargo 4,3% 58,1% 22,6% 15,1% 100,0% % within Intervém nas famílias de risco? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 4,3% 58,1% 22,6% 15,1% 100,0% Quadro 101:Tabela de contingência da variável “D.9 dos directores de turma e D.11 dos psicólogos” Aqui há algumas diferenças estatísticas, pois normalmente os directores de turma encaminham estes casos para os psicólogos da escola, intervindo “algumas vezes”. Por sua vez, estes têm uma acção orientadora nestes casos. Teste do chi-quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 59,854a 62,889 53,822 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 102:Tabela de contingência da variável “D.9 dos directores de turma e D.11 dos psicólogos” 302 Orientação Vocacional e Profissional O gráfico de barras é claro ao assinalar essa diferença de opiniões. A cor laranja representativa da resposta “nunca” destaca-se mais nos D.T. do que nos psicólogos, assim como a cor lilás claro, representativa da resposta “muitas vezes”. Figura 35:Tabela de contingência da variável “D.9 dos directores de turma e D.11 dos psicólogos” 6.1.5. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional Pergunta E.1 - Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? 76,6% dos D.T. orienta “muitas vezes” os seus alunos de acordo com as suas características próprias, no entanto, 60% dos psicólogos orienta “sempre” e 30% orienta-os “muitas vezes”. 303 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Tabela de contingência Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 1 14 53 5 73 % within Cargo 1,4% 19,2% 72,6% 6,8% 100,0% % within Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? 100,0% 93,3% 89,8% 27,8% 78,5% % of Total 1,1% 15,1% 57,0% 5,4% 78,5% Count 0 1 6 13 20 % within Cargo ,0% 5,0% 30,0% 65,0% 100,0% % within Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? ,0% 6,7% 10,2% 72,2% 21,5% % of Total ,0% 1,1% 6,5% 14,0% 21,5% Count 1 15 59 18 93 % within Cargo 1,1% 16,1% 63,4% 19,4% 100,0% % within Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 16,1% 63,4% 19,4% 100,0% Figura 103:Tabela de contingência da variável “E.1” Segundo a prova do Chi quadrado há diferenças significativas. O valor é claro, pois é inferior a ,005. 304 Orientação Vocacional e Profissional Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value df Asymp. Sig. (2-sided) 34,150a 29,412 22,004 3 3 1 ,000 ,000 ,000 93 Sim Figura 104:Teste do chi quadrado da variável “E.1” Através do gráfico de barras, denotamos essa diferença de opiniões. A cor laranja evidencia-se mais na parte dos D.T. e a verde na parte dos psicólogos, o que significa que estes últimos orientam sempre os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, o que é normal pois é uma das suas tarefas. Figura 36:Gráfico de barras da variável “E.1” Pergunta E.1.1 - Se respondeu “Algumas vezes”, “muitas vezes” ou “Sempre” descreva sumariamente como faz esta orientação, quais os intervenientes e em que momento é feita: Nesta questão quisemos saber mais pormenores sobre a maneira como é feita esta orientação, em que momento e quem nela participa. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Foram focados pelos directores de turma os seguintes aspectos: • Esta orientação é feita pelos psicólogos com a participação do director de turma; • Debates nas aulas de A.O.E. nas quais o director de turma leva recortes de jornal ou dos cadernos de emprego do jornal “expresso” para análise e são sugeridos a alguns alunos sites para consulta relacionados com o acesso ao ensino superior ou oferta de emprego; • Organizam-se sessões de esclarecimento com o SPO; • Pedem-se pesquisas aos alunos sobre médias e cursos para acesso ao ensino superior para que eles saibam igualmente procurar; • Quando necessário recorre-se ao SPO para ajudar a esclarecer dúvidas ou quando há pedidos de ajuda; • Às vezes, há directores de turma, que lhes levam panfletos sobre saídas profissionais e falam sobre isso com eles nos últimos minutos de uma aula; • Nas horas destinadas ao Encarregados de Educação realizam essa orientação e quando observam que há alunos muito bons e capazes de estabelecem um diálogo com os mesmos e com os seus pais com vista a orientá-los; • Em conversas informais os D.T. afirmaram que tentam ouvir as aspirações dos alunos e caso julguem importante encaminham-nos para os serviços da escola. Para além disso, os D.T. recorrem a casos pretéritos para elucidar alunos indecisos. • Ao longo do trabalho desenvolvido pelos alunos, os D.T. acrescentaram que se apercebem dos seus gostos, dificuldades e limitações, mostram-lhes os cursos e disciplinas específicas exigidas. No entanto, referem que a última opção é sempre do aluno. • Alguns D.T. afirmaram orientar os alunos especialmente na altura das inscrições para os exames e no 3º período quando vão realizar os exames. Foram focados os seguintes aspectos pelos psicólogos: 305 306 Orientação Vocacional e Profissional • Há uma resposta a solicitações individuais específicas, recolhemos os dados, fazemos pesquisa e tomamos medidas; • Fazemos uma avaliação individual, promoção e auto-conhecimento; • Há uma avaliação e análise de diferentes alternativas possíveis e apoio à tomada de decisão individual; • Através do programa estandardizado e estruturado “descobrir caminhos” fazemos essa orientação. Esta orientação parte de algum auto conhecimento estabelecido, cabe aos psicólogos afinar esse conhecimento e relacioná-lo com a oferta educativa/formativa. Recorro a instituições educativas e formativas bem como o IEFP. • Em momentos que os alunos procuram os psicólogos individualmente ou em grupo, avalia-se a sua situação (decisão ou indecisão, áreas pretendidas, conhecimento e desconhecimento…). Num segundo momento explora-se a oferta formativa, recorrendo-se a sites de cursos da direcção geral do ensino superior. Recolhe-se a informação sobre cursos, planos para esclarecer os alunos que não devem ingressar num curso que tem objectivos diferentes dos seus. • Esclarecem-se questões relativas à candidatura ao ensino superior; • Fazem-se actividades de treino de competências no domínio da procura de emprego; • Todo o trabalho depende da idade, objectivo de vida etc; • Realizam-se visitas de estudo vocacionais; • Há escolas que iniciam o ano lectivo com uma divulgação dos serviços de psicologia. Depois de procurarem os psicólogos aplicam-se testes, dão informação e exploram a tomada de decisões; • Promovem-se hábitos de pesquisa; • Envolvem-se pais e professores na sua escolha. 307 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta E.2 - Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Nos momentos de risco ou dificuldade de tomada de decisão 50,7% dos D.T. ajudam os alunos “muitas vezes” e ainda 46,6% respondeu “algumas vezes”, por enquanto que 65% dos psicólogos ajudam “sempre” e 30% “muitas vezes”. Tabela de contingência Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos Total algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 1 34 37 1 73 % within Cargo 1,4% 46,6% 50,7% 1,4% 100,0% % within Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? 100,0% 97,1% 86,0% 7,1% 78,5% % of Total 1,1% 36,6% 39,8% 1,1% 78,5% Count 0 1 6 13 20 % within Cargo ,0% 5,0% 30,0% 65,0% 100,0% % within Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? ,0% 2,9% 14,0% 92,9% 21,5% % of Total ,0% 1,1% 6,5% 14,0% 21,5% Count 1 35 43 14 93 % within Cargo 1,1% 37,6% 46,2% 15,1% 100,0% % within Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 37,6% 46,2% 15,1% Quadro 105:Tabela de contingência da variável “E.2” 100,0% 308 Orientação Vocacional e Profissional Aqui é clara esta diferença de respostas como nos prova o teste do Chi quadrado com o valor de ,000. Teste do chi-quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 51,160a 45,786 35,571 df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 106:Teste do chi quadrado da variável “E.2” No gráfico de barras a diferença de opiniões é evidente. A cor lilás evidencia-se na parte dos D.T. e a vermelha na parte dos psicólogos, indicando que mais uma vez estes ajudam sempre os alunos nos momentos de risco. Figura 37:Gráfico de barras da variável “E.2” 309 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta E.3 - Ajuda só os alunos que o/a procuram? 82,2% dos directores de turma afirmaram que não ajudam só os alunos que os procuram bem como 80% dos psicólogos afirmam que também não ajudam somente os alunos que os procuram. Tabela de contingência Ajuda só os alunos que o/a procuram? Cargo Directores de Turma Psicólogos Total Sim não às vezes Total Count 8 60 5 73 % within Cargo 11,0% 82,2% 6,8% 100,0% % within Ajuda só os alunos que o/a procuram? 80,0% 78,9% 71,4% 78,5% % of Total 8,6% 64,5% 5,4% 78,5% Count 2 16 2 20 % within Cargo 10,0% 80,0% 10,0% 100,0% % within Ajuda só os alunos que o/a procuram? 20,0% 21,1% 28,6% 21,5% % of Total 2,2% 17,2% 2,2% 21,5% Count 10 76 7 93 % within Cargo 10,8% 81,7% 7,5% 100,0% % within Ajuda só os alunos que o/a procuram? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 10,8% 81,7% 7,5% 100,0% Quadro 107:Tabela de contingência da variável “E.3” Não há dados significativos segundo o Chi quadrado. Este facto é positivo porque demonstra que estes profissionais não se preocupam somente com os alunos que procuram ajuda mas com todos. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value Df Asymp. Sig. (2-sided) ,230a ,216 ,227 2 2 1 ,892 ,898 ,634 93 Não Quadro 108:Teste do chi quadrado da variável “E.3” 310 Orientação Vocacional e Profissional O gráfico indica essa concordância de opiniões. Ambos os profissionais ajudam não só os alunos que os procuram mas também outros, como é evidenciado pela cor vermelha. Figura 38:Gráfico de barras da variável “E.3” Pergunta E.5 - Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? Relativamente a este ponto 97,3% dos casos consideram que a escola interessa-se pela orientação vocacional e profissional bem como 100% dos psicólogos. Tabela de contingência Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? Sim Cargo Directores de Turma Psicólogos às vezes Total Count 71 2 73 % within Cargo 97,3% 2,7% 100,0% % within Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? 78,0% 100,0% 78,5% % of Total 76,3% 2,2% 78,5% Count 20 0 20 311 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Total % within Cargo 100,0% ,0% 100,0% % within Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? 22,0% ,0% 21,5% % of Total 21,5% ,0% 21,5% Count 91 2 93 % within Cargo 97,8% 2,2% 100,0% % within Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 97,8% 2,2% 100,0% Quadro 109:Tabela de contingência da variável “E.5” Aqui não há claramente diferenças estatísticas uma vez que o resultado é ,454 ou seja superior a ,005. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value Df ,560a ,981 ,554 1 1 1 93 Asymp. Sig. (2sided) ,454 ,322 ,457 Não Quadro 110:Teste do chi quadrado da variável “E.5” Sem dúvida que através da cor azul forte denotamos essa concordância de opiniões. Há, segundo estes profissionais, interesse pela escola, o que se considera um bom resultado em termos de investigação . 312 Orientação Vocacional e Profissional Figura 39: Gráfico de barras da variável “E.5” Pergunta E.6 - Intervém directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? No que concerne a este aspecto 71,2% refere que intervém “algumas vezes” dando dicas sobre saídas profissionais e os restantes dividem-se pelos itens “algumas vezes” e “sempre”, sendo que 19,2% é a percentagem da resposta “sempre.” No caso dos psicólogos 75% intervém “muitas vezes”. Tabela de contingência Intervém directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? Nunca Cargo Directores de Turma Psicólogos algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 2 52 14 5 73 % within Cargo 2,7% 71,2% 19,2% 6,8% 100,0% % within Intervém 100,0% directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? 98,1% 48,3% 55,6% 78,5% % of Total 2,2% 55,9% 15,1% 5,4% 78,5% Count 0 1 15 4 20 313 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados % within Cargo Total ,0% 5,0% 75,0% 20,0% 100,0% % within Intervém ,0% directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? 1,9% 51,7% 44,4% 21,5% % of Total ,0% 1,1% 16,1% 4,3% 21,5% Count 2 53 29 9 93 % within Cargo 2,2% 57,0% 31,2% 9,7% 100,0% % within Intervém 100,0% directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 57,0% 31,2% 9,7% 100,0% 2,2% Quadro 111:Tabela de contingência da variável “E.6” Há claramente diferenças significativas segundo a prova do chi quadrado com um resultado de ,000. Teste do chi quadrado Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases Value df Asymp. Sig. (2-sided) 31,126a 34,372 22,999 3 3 1 ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 112:Teste do chi quadrado da variável “E.6” Através do gráfico visualizamos essa diferença. A cor verde destaca-se no lado dos D.T. indicando que estes intervêm individualmente ou em grupo algumas vezes, ao contrário dos psicólogos que intervêm muitas vezes, como mostra a cor encarnada. 314 Orientação Vocacional e Profissional Figura 40:Gráfico de barras da variável “E.6” Pergunta E.7 - Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? 53,4% dos alunos são ajudados “muitas vezes” pelos D.T. para desenvolverem algumas estratégias pessoais, sendo que 37% dos D.T. afirmaram ajudar “sempre” os alunos a seleccionar e a tratar a informação. No caso dos psicólogos 90% afirma ajudar “sempre” os alunos. Tabela de contingência Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? Nunca Cargo Directores de Turma algumas vezes muitas vezes sempre Total Count 1 6 39 27 73 % within Cargo 1,4% 8,2% 53,4% 37,0% 100,0% % within Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? 100,0% 100,0% 95,1% 60,0% 78,5% 315 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Psicólogos % of Total 1,1% 6,5% 41,9% 29,0% 78,5% Count 0 0 2 18 20 % within Cargo ,0% ,0% 10,0% 90,0% 100,0% Total % within Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? ,0% ,0% 4,9% 40,0% 21,5% % of Total ,0% ,0% 2,2% 19,4% 21,5% Count 1 6 41 45 93 % within Cargo 1,1% 6,5% 44,1% 48,4% 100,0% % within Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % of Total 1,1% 6,5% 44,1% 48,4% 100,0% Quadro 113:Tabela de contingência da variável “E.7” Os resultados segundo o chi quadrado são significativos, pois o resultado indica essa diferença de opinião (,000) Teste do chi quadrado Value Pearson Chi-Square Likelihood Ratio Linear-by-Linear Association N of Valid Cases 17,751a 20,274 14,674 Df 3 3 1 Asymp. Sig. (2-sided) ,000 ,000 ,000 93 Sim Quadro 114:Teste do chi quadrado da variável “E.7” 316 Orientação Vocacional e Profissional A cor laranja destaca-se na parte dos D.T. indicando a frequência de “muitas vezes”, ao contrário dos psicólogos onde a cor verde é a que mais se sobressai e indica a frequência de “sempre”. Figura 41:Gráfico de barros da variável “E.7” Pergunta E.8 - Observações que queira fazer relativamente a aspectos que considera fulcrais para que a orientação, levada a cabo tanto por directores de turma como por vários agentes educativos, tenha sucesso. Poderá referir estratégias que funcionam ou não e, se achar necessário, poderá referir qual o envolvimento dos pais na formação dos seus educandos e de que maneira o meio em que os alunos vivem interfere. Decidimos incluir esta questão porque achamos necessário existir um espaço de reflexão, ambos os directores de turma e psicólogos possam exprimir as suas opiniões e sentimentos sobre o processo de orientação nas escolas. Metade dos Directores de Turma utilizaram este espaço para expressaram as suas opiniões bem como alguns psicólogos. Foram focados pelos D.T. os seguintes aspectos: Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados • Cada vez mais alunos chegam ao 12º ano com muitas dúvidas relativamente ao ensino profissional; • Os programas devem ser articulados a nível de escola, que promovam a orientação dos alunos desde o 1º período ou no início do 10º ano; • Os directores de turma têm pouco tempo no seu horário para fazer estas intervenções; • Os pais têm muita influência nos seus filhos, como tal, devem apoiar os seus educandos juntamente com a escola; • O meio inserido também tem influências nos comportamentos e atitudes, daí ser muito importante uma maior intervenção em zonas mais desfavorecidas; • As dificuldades económicas também influenciam as opções dos alunos. Há muitos que começam a trabalhar muito cedo; • Deveria ser obrigatório os pais virem à escola uma vez por mês e existir a possibilidade de os contactar via e-mail ou internet. Os pais poderiam receber uma mensagem via telemóvel sobre as faltas dos seus filhos, assiduidade, notas de testes de avaliação etc. Os directores de turma poderiam ser os responsáveis por essas informações, no entanto, deveriam ter mais horas destinadas a essa orientação, pois não é um ou dois blocos que são suficientes para marcar faltas, receber pais ou alunos, justificar faltas, tratar de processos disciplinares ou participações, escrever cartas para os pais, organizar o dossier, orientar os alunos em vários aspectos entre outros. • As acções de formação deveriam ser feitas para elucidar pais e filhos; • Deveria designar-se um grupo de trabalho que organizasse sessões de esclarecimento, actividades com o psicólogo e gabinete do aluno. • É pertinente realizar testes psicotécnicos de orientação e formação profissional aos alunos. • É pertinente confrontar livremente o aluno com diversas situações relacionadas com as áreas de emprego/profissões pretendidas pela maioria (ex. taxas de empregabilidade, índices de desemprego nos sectores, índices remuneratórios, 317 318 Orientação Vocacional e Profissional grande satisfação no exercício das actividades etc). A partir daqui podemos partir para uma discussão alargada com a turma. • Podemos solicitar um levantamento das actividades desenvolvidas pelos profissionais das áreas pretendidas pelos alunos; • Analisar as questões relacionadas com a procura de emprego ou de acesso ao ensino superior com a presença dos pais; • Apesar de já haver um bom trabalho relativamente à orientação vocacional e profissional, cada vez a oferta é maior e esta orientação deve ser alargada ao 10º e 11º ano. • Deveria considerar-se dois momentos de orientação: um no 9º ano e outro no 12º ano. Todos os alunos deveriam realizar testes de orientação profissional nestas duas fases. Foram focados pelos psicólogos os seguintes aspectos: • A criação de uma rede ou plataforma com ofertas actualizadas e disponíveis; • A carga horária dos alunos é excessiva; • Diversidade de tarefas e objectivos propostos ao psicólogo são tão vastos que acaba por não ter tempo, por exemplo, para se empenhar e organizar mais actividades que envolvam os pais; • Deveria haver mais aposta na organização de visitas vocacionais, promoção de autonomia que é muito importante na tomada de decisões; • Uma das escolas utiliza o programa “O futuro bué” da doutora Maria do Céu Taveira. Trata-se de um programa dirigido a grupos pequenos. Encontra-se em fase de avaliação. Consiste em antes de iniciar a intervenção com todos os alunos. São realizadas entrevistas individuais semi estruturadas com os pais para avaliar as suas expectativas em relação ao percurso dos filhos. No final do programa os pais são chamados de novo à escola para, juntamente com o aluno, realizar uma escolha. Os directores de turma apoiam este processo. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 6.2. Análise descritiva univariada dos questionários dos Directores de Turma e Psicólogos. Para esta análise utilizamos as tabelas de frequência ilustradas com os seus correspondentes em gráficos de barras e claro com o respectivo desvio. Como sabemos há questões que são específicas a cada cargo, por isso, neste aspecto como são questões específicas analisaremos segundo as tabelas de frequência e gráficos de barras. 6.2.1. Questionário dos Directores de Turma 6.2.1.1. Análise do grupo B - Aspectos gerais Pergunta B.4 - Enquanto Director/a de Turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? 69,9 % dos casos os D.T. afirmaram trabalhar “muitas vezes” a orientação vocacional e profissional. A média de 4,58 está boa. Enquanto director/a de turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? N Valid Missing Mean Std. Deviation 73 0 4,58 ,736 Enquanto director/a de turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? Frequency Valid Nunca Percent Cumulative Valid Percent Percent 7 9,6 9,6 9,6 algumas vezes 9 12,3 12,3 21,9 muitas vezes 51 69,9 69,9 91,8 Sempre 6 8,2 8,2 100,0 Total 73 100,0 100,0 Quadro 115:Tabela de frequência da variável “B.4” 319 320 Orientação Vocacional e Profissional No gráfico de barras é visível o destaque da cor vermelha que indica que muitas vezes os directores de turma trabalham a orientação vocacional e profissional. Figura 42:Gráfico de barras da variável “B.4” Pergunta B.6 - Está a par dos programas de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? Apenas 2,7 % dos inquiridos não está a par dos programas que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos. Os restantes dividem-se, sendo que o “muitas vezes” é o mais respondido com 46,6%. A média numa escala de 1 a 6 encontra-se boa. Está a par dos programas de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? N Valid 73 Missing 0 4,71 ,736 Mean Std. Deviation Está a par dos programas de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? Frequency Valid nunca Percent Valid Percent Cumulative Percent 2 2,7 2,7 2,7 algumas vezes 27 37,0 37,0 39,7 muitas vezes 34 46,6 46,6 86,3 sempre 10 13,7 13,7 100,0 Total 73 100,0 100,0 Quadro 116:Tabela de frequência da variável “B.6” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados O gráfico de barras mostra-nos a frequência da cor lilás claro e encarnado, sendo que a encarnada, representativa da escala “muitas vezes”, é a maior. Figura 43:Gráfico de barras da variável “B.6” 6.2.1.2. Análise do grupo C – Apoio na acção tutorial Pergunta C.8 - Considera o seu trabalho como Director/a de Turma: 87,7% dos inquiridos vêem o seu trabalho como sendo muito importante. Considera o seu director/a de turma: N trabalho como Valid 73 Missing 0 12,88 ,331 Mean Std. Deviation Considera o seu trabalho como director/a de turma: Frequency Percent Valid Importante Valid Percent Cumulative Percent 9 12,3 12,3 12,3 muito importante 64 87,7 87,7 100,0 Total 73 100,0 100,0 Quadro 117:Tabela de frequência da variável “C.8” 321 322 Orientação Vocacional e Profissional O gráfico de barras destaca, sem dúvida, a cor vermelha representativa da escala “muito importante” indicando a valorização que atribuem ao seu trabalho. Figura 44:Gráfico de barras da variável “C.8” Pergunta C.8.1 - Justifique a escolha anterior Nesta pergunta aberta pretendemos saber em que aspecto o seu trabalho é importante. Foram focados os seguintes aspectos: • Os D.T. são a articulação entre a escola e o meio e é um coordenador no Conselho de Turma e no Executivo na supressão e solução de problemas dos alunos de ordem diversa, social e cultural; • Às vezes o trabalho do director de turma perde toda a importância, dado que não há resposta nem feedback por parte dos encarregados de educação, o que interrompe o trabalho desenvolvido pelo primeiro; • Há necessidade de existir alguém que controle um grupo de alunos dada a grande diversidade de saídas e informação profissional; • Proporciona a integração e o envolvimento dos alunos na realização de actividades educativas no contexto escolar; Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados • Os D.T. são praticamente a primeira pessoa a quem os alunos recorrem quando têm problemas; • É O D.T. que comunica eventuais falhas e virtudes dos filhos no comportamento, assiduidade e notas; • Visa a orientação/coordenação do processo de ensino-aprendizagem. Promove a ligação entre professores e alunos e tenta estabelecer uma relação eficaz com pais e escola; • Porque gere o processo de forma a obter o máximo de sucesso, sem comprometer o resultado do produto final. • Embora este seja um cargo de extrema importância a carga lectiva para este profissional se dedicar ao trabalho de direcção de turma é pouco. Pergunta C.10 - Descreva sumariamente quais os momentos que se dedica mais para orientar a sua direcção de turma e quais os temas a serem abordados que considera prioritários. Nesta questão quisemos saber o que pensam os directores de turma compreender o que acham que deve ser abordado, quando e em que momento o devem fazer. Foram focados os seguintes aspectos: • Alguns D.T. dedicam tempo, por vezes, no início da aula auscultando as questões dos alunos. No 2º e 3º período nas reuniões com os pais ou na hora lectiva marcada no horário ajudam no preenchimento de inscrições para os exames nacionais e tentam responder a questões relacionadas com o ensino superior (cursos, prérequisitos, provas específicas e/ou perfil do aluno para determinado curso.) • Quando ocorrem problemas disciplinares e fraco aproveitamento da turma dedicam esse tempo à chamada de atenção destes alunos. • Há temas que são abordados relativos a atitudes, postura e comportamentos adequados a ter tanto em contexto de sala de aula como fora desta. 323 324 Orientação Vocacional e Profissional • São utilizadas as aulas de A.O.E (Apoio e orientação educativa) para informar os alunos sobre as condições de acesso ao ensino superior, sobre ofertas educativas, organização de visitas de estudo aos estabelecimentos de ensino superior mais próximos. De salientar que estas aulas não existem em todas as escolas. Nestas aulas discute-se problemas relacionados com a sociedade actual, violência, alimentação e oferece-se a chamada “formação cívica”. 6.2.1.3. Análise do grupo D – Atenção à diversidade Pergunta D.3 - Colabora, sempre que possível, com psicólogo(a)? Em 48% dos casos há sempre colaboração entre os D.T. e os psicólogos. As restantes percentagens dividem-se pelos itens “algumas vezes” e “muitas vezes”. Colabora, sempre que possível, com o psicólogo(a)? N Valid 73 Missing Mean Std. Deviation 0 5,52 ,729 Colabora, sempre que possível, com o psicólogo(a)? Frequency Percent Valid algumas vezes Valid Percent Cumulative Percent 10 13,7 13,7 13,7 muitas vezes 15 20,5 20,5 34,2 Sempre 48 65,8 65,8 100,0 Total 73 100,0 100,0 Quadro 118:Tabela de frequência da variável “D.3” No gráfico de barras a cor azul destaca-se indicando que os D.T. colaboram sempre com os psicólogos. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 45: Gráfico de barras da variável “D.3” 6.2.1.4. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional Pergunta E.4 - Pede informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? 51% dos inquiridos afirmam que “sim”, que pedem informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos. Pede informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? N Valid 73 Missing Mean Std. Deviation 0 10,64 4,398 Pede informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? Frequency Valid Sim Percent Valid Percent Cumulative Percent 51 69,9 69,9 69,9 Não 3 4,1 4,1 74,0 às vezes 19 26,0 26,0 100,0 Total 73 100,0 100,0 Quadro 119:Tabela de frequência da variável “E.4” 325 326 Orientação Vocacional e Profissional O gráfico de barras mostra a cor azul com mais escolha. Esta cor é representativa da resposta “sim”, o que indica que os D.T., na sua maioria, pedem informações sobre saídas profissionais. Figura 46:Gráfico de barras da variável “E.4” 6.2.2. Questionário dos psicólogos 6.2.2.1. Análise do grupo B – Aspectos gerais Pergunta B.4 - Trabalha-se a orientação vocacional e profissional na escola? Nesta pergunta há bastante variação nas respostas. 40% dos casos referem que se trabalha “sempre” a orientação vocacional na escola mas ainda 30% referem “algumas vezes”. De salientar que 25% afirmam nunca se trabalhar esta vertente. Statistics Trabalha-se a orientação vocacional e profissional na escola? N Valid 20 Missing 0 4,60 1,273 Mean Std. Deviation Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Trabalha-se a orientação vocacional e profissional na escola? Frequency Percent Valid nunca Valid Percent Cumulative Percent 5 25,0 25,0 25,0 algumas vezes 6 30,0 30,0 55,0 muitas vezes 1 5,0 5,0 60,0 sempre 8 40,0 40,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 120:Tabela de frequência da variável “B.4” O gráfico de barras mostra como destaque a cor encarnada e amarela. É a vermelha que assume o maior destaque, pois a maioria dos psicólogos afirma trabalhar-se sempre a orientação vocacional e profissional na escola, embora ainda uma parte afirme trabalhar-se algumas vezes. Figura 47:Gráfico de barras da variável “B.4” Pergunta B.6 - Planifica os programas de intervenção que vão ser levados a cabo? 80% dos inquiridos respondeu que planificava “sempre” os programas de intervenção a serem levados a cabo. Visualizamos que 60,3 % dos directores de turma estão a par “muitas vezes” destes programas e 37% está a par “algumas vezes”. 327 328 Orientação Vocacional e Profissional Planifica os programas de intervenção que vão ser levados a cabo? N Valid 20 Missing 0 5,80 ,410 Mean Std. Deviation Planifica os programas de intervenção que vão ser levados a cabo? Frequency Valid muitas vezes Percent Cumulative Valid Percent Percent 4 20,0 20,0 20,0 Sempre 16 80,0 80,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 121:Tabela de frequência da variável “B.6” Através do gráfico observamos claramente que a maioria planifica os programas de intervenção levados a cabo. Esta escolha é representada pela cor verde. Figura 47:Gráfico de barras da variável “B.6” 6.2.2.2. Análise do grupo D- Atenção à diversidade Pergunta D.2 - Existe colaboração com os professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E.? Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 50% dos psicólogos consideram que há colaboração com os professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E., no entanto, os outros 50% dividem-se entre a resposta “não” e “às vezes”, sendo que 40% escolhe a resposta “às vezes”. Existe colaboração com os professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E? N Valid 20 Missing Mean Std. Deviation 0 12,75 ,951 Existe colaboração com os professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E? Percent Valid Percent 10 50,0 50,0 50,0 Não 2 10,0 10,0 60,0 às vezes 8 40,0 40,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Frequency Valid Sim Cumulative Percent Quadro 122:Tabela de frequência da variável “D.2” Pelo gráfico depreendemos que há duas cores que se destacam: a verde e a laranja. É a primeira que detém a maioria dos psicólogos que afirma que existe colaboração com professores e centros no apoio a alunos com N.E.E, no entanto, ainda uma parte representativa da cor laranja afirma que existe às vezes essa colaboração. Figura 48: Gráfico de barras da variável “D.2” 329 330 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta D.7 - Dá assistência aos professores nas actividades, processos de avaliação formativa, apoio pedagógico e promoção dos alunos? 40% dos psicólogos referem que dão assistência “algumas vezes” aos professores nas actividades e outros processos e 40% dão apoio “muitas vezes”. Dá assistência constante aos professores nas actividades, processos de avaliação formativa, apoio pedagógico e promoção dos alunos? N Valid 20 Missing Mean Std. Deviation 0 4,55 ,768 Dá assistência constante aos professores nas actividades, processos de avaliação formativa, apoio pedagógico e promoção dos alunos? Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent Nunca 4 20,0 20,0 20,0 algumas vezes 8 40,0 40,0 60,0 muitas vezes 8 40,0 40,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 123:Tabela de frequência da variável “D.7” Através do gráfico denotamos duas cores representativas das respostas: a laranja e a azul, que indica que metade de 16 psicólogos dá assistência algumas vezes aos professores nas actividades e processos de avaliação e outra metade dá muitas vezes. Aqui os resultados estão divididos. Figura 49:Gráfico da variável da variável “D.7” 331 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta D.8 - Facilita aos professores informação/ajuda na orientação vocacional e profissional? Em 75% dos casos os psicólogos facilitam “algumas vezes” aos professores informação/ajuda na orientação vocacional e profissional. Facilita aos professores informação/ajuda na orientação vocacional e profissional? N Valid 20 Missing 0 4,40 ,510 Mean Std. Deviation Facilita aos professores informação/ajuda na orientação vocacional e profissional? Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent Nunca 2 10,0 10,0 10,0 algumas vezes 15 75,0 75,0 85,0 muitas vezes 3 15,0 15,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 124:Tabela de frequência da variável “D.8” O gráfico de barras destaca a cor vermelha representativa da escala “algumas vezes”, que indica que a maioria facilita informação sobre a orientação vocacional e profissional aos professores. Figura 50 : Gráfico de barras da variável “D.8” 332 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta D.12 – Atende ao pedido de ajuda de todos os alunos? Sem dúvida que a maior parte dos psicólogos atende sempre ao pedido de ajuda de todos os alunos. Temos uma percentagem de 85%. Atende ao pedido de ajuda de todos os alunos? N Valid 20 Missing Mean Variance 0 4,40 ,642 Atende ao pedido de ajuda de todos os alunos? Frequency Valid nunca Percent Valid Percent Cumulative Percent 1 5,0 5,0 5,0 algumas vezes 1 5,0 5,0 10,0 muitas vezes 1 5,0 5,0 15,0 sempre 17 85,0 85,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 125:Tabela de frequência da variável “D.12” O gráfico de barras mostra a cor verde como a que mais se destaca. Esta cor é representativa da escala “sempre”. Figura 51:Gráfico de barras da variável “D.12” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 6.2.2.3. Análise do grupo E – Orientação vocacional e profissional Pergunta E.4 - Os professores/Directores de Turma pedem informações sobre saídas profissionais para informar os seus alunos? 65% dos psicólogos referem que “às vezes” os professores/directores de turma pedem algumas informações sobre saídas profissionais para informar os seus alunos. N Valid 20 Missing 0 11,45 ,828 Mean Std. Deviation Os professores/directores de turma pedem informações sobre saídas profissionais para informar os seus alunos? Frequency Percent Cumulative Valid Percent Percent Valid sim 6 30,0 30,0 30,0 não 1 5,0 5,0 35,0 às vezes 13 65,0 65,0 100,0 Total 20 100,0 100,0 Quadro 126:Tabela de frequência da variável “E.4” No gráfico de barras é a cor verde a que mais se sobressai o que indica que grande parte considera que os professores ou D.T. pedem às vezes informações. Figura 52:Gráfico de barras da variável “E.4” 333 334 Orientação Vocacional e Profissional 6.3 Análise descritiva univariada do questionário dos estudantes universitários. Para estudarmos as respostas deste questionário utilizamos tabelas de frequência com os respectivos gráficos de barras. 6.3.1. Análise do grupo A – Dados de identificação Pergunta 1 – Sexo Como podemos observar pelo gráfico e pelas tabelas de frequência 83,8% dos estudantes são do sexo feminino e 16,2% do sexo masculino. Sexo N Valid 37 Missing Mean Std. Deviation 0 ,16 ,374 Sexo Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent feminino 31 83,8 83,8 83,8 masculino 6 16,2 16,2 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 127:Tabela de frequência da variável “A.1” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 53: Gráfico circular da variável “A.1” Como podemos observar é a cor azul a que mais predomina, ou seja, o sexo feminino. Pergunta 2 - Idade 75,7% dos estudantes inquiridos encontram-se entre 17 e 20 anos. 18,9% dos alunos tem entre 21 a 25 anos. Idade N Valid 37 Missing 0 2,35 ,753 Mean Std. Deviation Idade Frequency Valid 17-20 anos Percent Cumulative Valid Percent Percent 28 75,7 75,7 75,7 21-25 anos 7 18,9 18,9 94,6 30-33 2 5,4 5,4 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 128:Tabela de frequência da variável “A.2” 335 336 Orientação Vocacional e Profissional Figura 54:Gráfico circular da variável “A.2” Pelo gráfico denotamos que é a cor verde a que mais se sobressai, ou seja, a idade entre os 17 e 20 anos. Pergunta 3 - Estado Civil 94,6% dos inquiridos são solteiros(as). Estado civil N Valid 37 Missing Mean Std. Deviation 0 6,11 ,458 Estado civil Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent solteiro (a) 35 94,6 94,6 94,6 Outros 2 5,4 5,4 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 129:Tabela de frequência da variável “A.3” 337 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 55:Gráfico circular da variável “A.3” Pelo gráfico, sem dúvida que a cor azul claro é a que ocupa grande parte indicando o estado civil de solteiro como o que mais predomina. Pergunta 4 - Curso 100% dos alunos são de Línguas estrangeiras aplicadas. Curso N Valid 37 Missing 0 9,00 ,000 Mean Std. Deviation Curso Frequency Valid Línguas aplicadas 37 Percent 100,0 Valid Percent 100,0 Quadro 130:Tabela de frequência da variável “A.4” Cumulative Percent 100,0 338 Orientação Vocacional e Profissional Figura 56 :Gráfico circular da variável “A.4” Aqui não temos dúvidas. Os alunos da universidade, por vezes, estão misturados quando assistem às aulas, pois alguns alunos de cursos diferentes podem ter disciplinas atrasadas que são idênticas entre os cursos, mas neste caso todos pertencem ao mesmo curso. Pergunta 5 - Situação académica Podemos constatar, através da tabela de frequência, que 51,4% dos alunos está no 1º ano da universidade, no entanto, é de salientar que as restantes percentagens dividem-se pelos itens “2º ano na universidade” e “3º ano ou mais na universidade”. O primeiro item tem 35,1% de alunos que estão no 2º ano da universidade e 13,5 % no terceiro ou mais anos na universidade. Situação académica N Valid Missing Mean Std. Deviation 37 0 10,49 ,721 339 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Situação académica Frequency Valid Percent Cumulative Valid Percent Percent 1º ano na universidade 19 51,4 51,4 51,4 2º ano na universidade 13 35,1 35,1 86,5 13,5 13,5 100,0 100,0 100,0 3º ano ou universidade Total mais na 5 37 Quadro 131:Tabela de frequência da variável “A.5” Figura 57:Gráfico circular da variável “A.5” O gráfico mostra a predominância da cor vermelha que indica o 1º ano na universidade, embora a verde também seja bastante representativa. Pergunta 5.1 Se já está há mais de um ano na universidade indique a razão. Apenas 18 alunos responderam a esta questão uma vez que foram os alunos que disseram que estavam há mais de um ano na universidade. 32,4% afirmou que mudou de curso, 8,1% mudou de universidade, 2,7% reprovou e 5,4% refere que há outras razões para o facto de já estarem há mais tempo na universidade. 340 Orientação Vocacional e Profissional Se já está há mais de um ano na universidade indique a razão N Valid 18 Missing 0 13,93 1,207 Mean Std. Deviation Se já está há mais de um ano na universidade indique a razão Frequency Valid Missing Total Percent Valid Percent Cumulative Percent Mudança de curso 12 32,4 66,7 66,7 Retenção 1 2,7 5,6 72,2 Mudança de universidade 3 8,1 16,7 88,9 Outros 2 5,4 11,1 100,0 Total System 18 19 37 48,6 51,4 100,0 100,0 Quadro 132:Tabela de frequência da variável “A.5.1” Figura 58:Gráfico circular da variável “A.5.1” O gráfico detém na maioria a cor amarela, o que demonstra que grande parte dos alunos mudou de curso. 341 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta 6 - A escolha do seu curso foi: 64,9% dos alunos referiram esta ser agora a sua primeira escolha, talvez daí as mudanças de curso e 13,5 referiram ser a sua 2ª escolha. A escolha do seu curso foi: N Valid 37 Missing 0 17,93 1,146 Mean Std. Deviation A escolha do seu curso foi: Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent 1ª escolha 24 64,9 64,9 64,9 2ª escolha 5 13,5 13,5 78,4 3ª escolha 2 5,4 5,4 83,8 nenhuma das anteriores 6 16,2 16,2 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 133:Tabela de frequência da variável “A.6” Figura 59:Gráfico circular da variável “A.6” 342 Orientação Vocacional e Profissional A cor azul indica que na maioria dos alunos a escolha do curso foi a primeira, embora a cor-de-rosa também adquira um significado interessante, pois se a escolha não foi nenhuma das anteriores poderá indicar que a escolha do curso foi das últimas. 6.3.2. Análise do grupo B – Orientação vocacional e profissional Pergunta 1 - Estás satisfeito com o curso que escolheu? 81,1 % diz que está a gostar bastante do curso, por isso encontra-se satisfeito e apenas 10,8% dizem que não. Statistics Está satisfeito com o curso que escolheu? N Valid 37 Missing 0 21,27 ,608 Mean Std. Deviation Está satisfeito com o curso que escolheu? Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent Sim 30 81,1 81,1 81,1 Não 4 10,8 10,8 91,9 Sem opinião 3 8,1 8,1 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 134:Tabela de frequência da variável “B.1” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 60:Gráfico circular da variável “B.1” Pelo gráfico comprovamos que a maioria está satisfeita com o curso. O sim é representado pela cor amarela. Pergunta 2 - Qual a razão para a escolha do seu curso? Decidimos incluir esta pergunta para percebermos as razões de escolha do curso. Foram focados os seguintes aspectos: • O gosto pelas literaturas em geral; • Não sabia o que escolher; • Sempre gostei de línguas; • Não entrei nos anteriores; • A oportunidade de ter como língua o árabe; • Desejo de trabalhar como tradutor (a); • Este curso tem saída; • A escolha anterior não era a melhor, por isso, tentei esta; • Este curso tem várias saídas e com o passar do tempo posso escolher o trabalho que tiver mais saída: tradução, legendagem, hotelaria, turismo, comércio, professor… • Aprofundar línguas e melhorar o meu conhecimento; • Quero ensinar; 343 344 Orientação Vocacional e Profissional Pergunta 3 - Teve algum tipo de orientação no ensino secundário que o ajudasse a decidir na escolha da sua profissão? Teve algum tipo de orientação no ensino secundário que o/a ajudou a decidir na escolha da sua profissão? N Valid 37 Missing Mean Std. Deviation 0 21,70 ,463 Teve algum tipo de orientação no ensino secundário que o/a ajudou a decidir na escolha da sua profissão? Frequency Valid Percent Cumulative Valid Percent Percent Sim 11 29,7 29,7 29,7 Não 26 70,3 70,3 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 135:Tabela de frequência da variável “B.3” Figura 61:Gráfico circular da variável “B.3” A cor vermelha representativa da resposta “não” é a que mais predomina indicando uma resposta interessante. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pergunta 3.1 - Se respondeu “sim”, explique sumariamente como recebeu essa orientação, de quem e se a considerou pertinente? Nesta questão aberta tentamos perceber de que forma receberam os alunos esta orientação e a perspectiva que tem sobre a mesma. Foram referidos os seguintes aspectos: • Acesso a uma mesa redonda, onde se falava sobre as distintas saídas. Fazia-se isso com a directora de turma; • Receberam alguma orientação da psicóloga; • Sessões de orientação organizadas pelo psicólogo; • Faziam-se testes e explicavam-se os resultados; • Os professores da turma davam dicas; • Palestras; Alguns alunos referem que estas orientações foram pertinentes, mas outras, especialmente os testes psicotécnicos, não foram importantes, pois os alunos escolheram um curso que acabaram por desistir e mudar. Pergunta 4 - Já procurou o psicólogo alguma vez para o/a ajudar na escolha, na mudança ou indecisão do curso a seguir? 73% diz que nunca procurou psicólogo e 27% diz que sim. Já procurou o psicólogo alguma vez para o/a ajudar na escolha, na mudança ou indecisão do curso a seguir? N Valid 37 Missing 0 21,73 ,450 Mean Std. Deviation 345 346 Orientação Vocacional e Profissional Já procurou o psicólogo alguma vez para o/a ajudar na escolha, na mudança ou indecisão do curso a seguir? Frequency Valid Percent Valid Percent Cumulative Percent Sim 10 27,0 27,0 27,0 Não 27 73,0 73,0 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 136:Tabela de frequência da variável “B.4” Figura 62:Gráfico circular da variável “B.4” O gráfico é preenchido praticamente pela cor azul que representa a resposta “não”, o que significa que a maioria não procurou nunca o psicólogo. Pergunta 4.1 - Se respondeu sim indique se o psicólogo foi: Apenas 10 alunos responderam a esta questão porque responderam “sim” na questão anterior. Sendo assim, a totalidade mencionou que procurou um psicólogo escolar. Se respondeu sim indique se o psicólogo foi: N Valid Missing Mean Std. Deviation 10 0 24,00 ,000 347 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Se respondeu sim indique se o psicólogo foi: Frequency Valid Missing Total Psicólogo escolar System 10 27 37 Percent 27,0 73,0 100,0 Valid Percent 100,0 Cumulative Percent 100,0 Quadro 137:Tabela de frequência da variável “B.4.1” Figura 63:Gráfico circular da variável “B.4.1” Sem dúvida que o psicólogo procurado foi sempre o da escola, pois a cor lilás preenche o gráfico todo. Pergunta 4.2 - Considerou pertinente a sua ajuda? Em 27% dos casos 18,9% não considerou pertinente a sua ajuda. Considerou pertinente a sua ajuda? N Valid 10 Missing 27 21,70 ,483 Mean Std. Deviation 348 Orientação Vocacional e Profissional Considerou pertinente a sua ajuda? Frequency Valid Missing Total Percent Valid Percent Cumulative Percent Sim 3 8,1 30,0 30,0 Não 7 18,9 70,0 100,0 Total System 10 27 37 27,0 73,0 100,0 100,0 Quadro 138:Tabela de frequência da variável “B.4.1” Figura 64:Gráfico circular da variável “B.4.1” Pelo gráfico percebemos que a cor verde é a mais representativa, indicando que a maior parte dos alunos não considerou pertinente a ajuda do psicólogo. Pergunta 5 - Era informado(a), na escola que frequentava, sobre cursos e saídas profissionais? 64,9% salienta que era informado sobre cursos e saídas profissionais e 35,1 diz que não. Statistics Era informado (a), na escola que frequentava, sobre cursos e saídas profissionais? N Valid 37 Missing 0 21,35 ,484 Mean Std. Deviation Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Era informado (a), na escola que frequentava, sobre cursos e saídas profissionais? Frequency Percent Cumulative Valid Percent Percent Valid Sim 24 64,9 64,9 64,9 Não 13 35,1 35,1 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 139:Tabela de frequência da variável “B.5” Figura 65:Gráfico circular da variável “B.5” A cor lilás é a que mais se sobressai e representa a resposta “sim”. Apesar da cor verdeclaro ter alguma escolha, a maior parte dos alunos afirma que não era informado sobre saídas profissionais. Pergunta 5.1 - Se respondeu sim, indique quem eram as pessoas que o/a informavam e de que maneira o faziam: Nesta questão quisemos saber quem foram os intervenientes na orientação destes alunos: • Secretaria da escola; • Docentes; 349 350 Orientação Vocacional e Profissional • Conselho Executivo; • Realizava-se um fórum com as saídas profissionais; • Os alunos realizavam trabalhos na disciplina de área de projecto relacionados com saídas profissionais; • Os professores nas aulas iam informando; • Havia pessoas da universidade que iam à escola informar os alunos; • Os professores analisavam textos com os alunos relacionados com o assunto; • O psicólogo organizava palestras mas falava de maneira geral e não podia ajudar individualmente porque eram muitos alunos; • Exposições e debates; • Faziam-se visitas vocacionais ou visitava-se a Feira de profissões; Pergunta 6 - O seu director (a) de turma ajudava-o (a) a este nível? 43,2% dos alunos dizem que o Director de turma não os ajudou a este nível. Temos 32,4% que dizem que “sim” e 21,6% referem que o director de turma ajudava “às vezes”. Statistics O seu director(a) de turma ajudava-o (a) a este nível? N Valid 37 Missing 0 22,78 2,299 Mean Std. Deviation O seu director(a) de turma ajudava-o (a) a este nível? Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid Sim 12 32,4 32,4 32,4 Não 16 43,2 43,2 75,7 Sem opinião 1 2,7 2,7 78,4 Às vezes 8 21,6 21,6 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 140:Tabela de frequência da variável “B.6” Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Figura 66: Gráfico circular da variável “B.6” Este gráfico apresenta-se bastante fatiado. A cor rosa, verde e amarela são as que mais proporção tem. No entanto é a cor verde a mais escolhida, o que indica que os directores de turma não os ajudavam a este nível. Pergunta 7 - Qual era o papel do director de Turma na sua escola? Esta questão permite-nos saber o que pensam os alunos do papel do director de turma. Foram focados os seguintes pontos: • Informar os alunos de novas oportunidades e encaminhá-los para a universidade; • Verificar faltas; • Orientar os alunos; • Justificar faltas; • Ouvir os alunos nas suas queixas, dúvidas e ajudá-los guiando-os e orientando-os; • O papel era nulo no que diz respeito ao assunto da orientação, dada a falta de tempo para realizar todas as tarefas; • Informava os pais sobre comportamento e faltas; 351 352 Orientação Vocacional e Profissional • Fazia alguns avisos sobre papéis que tínhamos de entregar mas estava à margem deste assunto da orientação. Todas as dúvidas eram esclarecidas pela secretaria da escola; • Aconselhava e ajudava sobre o que quiséssemos; • Dirigia a turma para que esta tivesse um bom desempenho e funcionamento; • Foi muito importante para a minha escolha da carreira; Embora sejam vários os pontos focados pelos alunos, a sua maioria refere que a função é simplesmente tirar faltas e comunicar aos pais o desempenho dos alunos. Alguns alunos vão igualmente focando que os directores de turma falavam sobre saídas profissionais, apoiavam na inscrição de exames e orientavam-nos quando estes tinham dúvidas, no entanto, sempre nos tempos de intervalo ou nos primeiros minutos da sua aula. Pergunta 8 - Qual era o papel do psicólogo na sua escola? Neste questão quisemos saber como vêem os alunos o papel deste profissional. Foram focados os seguintes pontos: • Orientava os alunos mais problemáticos; • Não tinha um papel muito preponderante, no entanto, esclarecia algumas dúvidas; • Guiava os alunos para o mercado de trabalho; • Não existia psicólogo; • Ajudava nos problemas familiares; • Os alunos nem sabiam que o psicólogo existia, por isso, não era muito procurado; • Orientava os alunos que queriam mudar de escola; • Ajudavam a nível emocional; • Nunca percebi o papel do psicólogo e nem sempre o tivemos presente na escola; • Organizava sessões de orientação vocacional e profissional; • Apoiava alunos com N.E.E. Nesta questão é interessante referir que muitos alunos afirmam que não existia psicólogo na sua escola. Noutras escolas, o psicólogo existia mas não estava lá a tempo inteiro, o que 353 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados fazia com que nem sempre estivesse disponível para atender os alunos. Embora alguns alunos refiram o facto de o psicólogo orientar vocacionalmente e profissionalmente, são poucos os que o fazem dadas as inúmeras tarefas que tem na escola. Muitos alunos nunca tiveram contacto com o mesmo, no entanto, vão referindo algumas das suas possíveis tarefas. Pergunta 9 - Pensa que existe apoio e orientação nas escolas para ajudar os alunos a escolherem a sua carreira? 59,5% dos alunos afirma que deveria existir mais apoio e orientação nas escolas. Statistics Pensa que nas escolas secundárias deveria existir mais apoio e orientação com o intuito de ajudar os alunos a escolherem a sua carreira? N Valid 37 Missing 0 23,19 3,187 Mean Std. Deviation Pensa que existe apoio e orientação nas escolas para ajudar os alunos a escolherem a sua carreira? Frequency Valid Não Percent Valid Percent Cumulative Percent 22 59,5 59,5 59,5 Sim 4 10,8 10,8 70,3 Sem opinião 11 29,7 29,7 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 141:Tabela de frequência da variável “B.6” 354 Orientação Vocacional e Profissional Figura 67:Gráfico circular da variável “B.9” Sem dúvida que a cor laranja é a que mais se sobressai, embora a verde também se destaque. Na sequência da pergunta anterior a maior parte dos alunos não considera que as escolas secundárias trabalhem a orientação. Pergunta 9.1 - Se respondeu não, indique em que aspecto as escolas deveriam apoiar mais? Achamos pertinente incluir esta questão na medida em que é interessante sabermos a opinião dos alunos relativamente a este aspecto. Os alunos mencionaram: • Organizar mais actividades que estejam actualizadas e nos informem sobre as novas profissões e os novos cursos na universidade; • Deveriam disponibilizar informações sobre os cursos e os respectivos planos de curso; • Deveria existir uma disciplina no 12º ano que tivesse o objectivo de orientar tanto quem quisesse ingressar na universidade como no mundo de trabalho; • Deveria existir mais sessões de esclarecimento, pois a mudança do secundário para a universidade é muito brusca; • Mais conferências e workshops; • Trazer testemunhos de pessoas que tiveram várias experiências na universidade; • Deveria existir mais do que um psicólogo, pois há escolas que não nenhum . Deveria haver horários de atendimento mais flexíveis; Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados • Há desconhecimento sobre estes apoios e, por isso, muitos alunos não fazem testes vocacionais. Os psicólogos deveriam dar a conhecer aos alunos esta ajuda; • Deveria existir fóruns, conferências, debates e discussões abertas, pois os testes de vocação são muito nebulosos; • Mais visitas às universidades; Pergunta 10 - Considera-se vocacionado para ser professor? 48,6% considera que não tem vocação para ser professor. Salientamos o facto de este curso, de acordo com o processo de Bolonha, ter outras saídas para além de professor mas o certo é que 29,7% também não tem opinião, o que significa que ainda não sabem muito bem o que querem realmente. Statistics Considera-se vocacionado para ser professor? N Valid 37 Missing 0 22,08 ,722 Mean Std. Deviation Considera-se vocacionado para ser professor? Frequency Valid Sim Percent Valid Percent Cumulative Percent 8 21,6 21,6 21,6 Não 18 48,6 48,6 70,3 Sem opinião 11 29,7 29,7 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 142:Tabela de frequência da variável “B.10” 355 356 Orientação Vocacional e Profissional Figura 68:Gráfico circular da variável “B.10” O gráfico encontra-se bem fatiado, no entanto é a cor verde a que atinge maior destaque, o que indica que a maioria dos alunos não se considera vocacionado para ser professor. No entanto, ainda 11 alunos representados com a cor azul afirmam que sim e 8 representados pela cor vermelha não tem opinião. Pergunta 11 - Pensa que todos os futuros professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir esta carreira? 62,2% dos alunos considera que os professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir a carreira docente, no entanto, 35,1% não quiseram manifestar a sua opinião. Statistics Pensa que todos os futuros professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir esta carreira? N Valid 37 Missing 0 21,73 ,962 Mean Std. Deviation Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Pensa que todos os futuros professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir esta carreira? Frequency Valid Sim Percent Valid Percent Cumulative Percent 23 62,2 62,2 62,2 Não 1 2,7 2,7 64,9 Sem opinião 13 35,1 35,1 100,0 Total 37 100,0 100,0 Quadro 143:Tabela de frequência da variável “B.11” Figura 69:Gráfico circular da variável “B.11” No gráfico não há dúvida que a cor azul clara é a que mais se sobressai, significando que grande parte pensa que deve existir a orientação para quem quer ser professor. Pergunta 11.1 - Se respondeu “sim” ou “não” justifique a sua resposta: Considerámos importante incluir esta questão aberta para perceber como é vista esta profissão por quem está estudar nesta área. Foram referidos estes aspectos: • Podemos ser muito bons no que estudamos, no entanto, podemos não saber como transmitir esse conhecimento; 357 358 Orientação Vocacional e Profissional • Alguns professores descobrem que não tem vocação quando de facto obtém experiência, por isso, deveriam ter essa experiência antes de leccionar; • Ser professor é complicado, talvez das mais complexas profissões e é difícil ter a certeza que se quer ser sem ter passado pela experiência, daí que a orientação e aconselhamento seja necessário; • Com orientação podem aprender estratégias para lidarem com os alunos, aliás todas as profissões que envolvam relações humanas devem ter bastante formação e orientação antes de exercerem a profissão e até mesmo durante a profissão; • Uma profissão que exerce tanta influência sobre outros indivíduos deveria ter prérequisitos para entrar na universidade; • Nos dias de hoje ser professor é um desafio e exige muito da pessoa, as melhores qualificações não só a nível de conhecimento mas de destreza e paciência, logo deveria existir algum exame antes de se entrar na profissão e não depois. Pergunta 12 - Se quiser referir alguma coisa pertinente para este questionário utilize este espaço. Este espaço foi, de facto, utilizado. Alguns alunos manifestaram as suas preocupações, sentimentos e limitações. Há alunos que queriam de facto seguir a via ensino mas não se achavam com capacidades e demonstraram muitas dúvidas sobre o futuro. Uma das alunas já tinha tirado um curso e não se sentia preenchida vocacionalmente e decidiu tirar este para poder leccionar. Vários alunos referiram que no início estavam motivados para seguir uma determinada profissão e com o passar do tempo desmotivaram e agora sentem-se frustrados porque nunca tiveram qualquer orientação. Outros afirmam ser este o curso mais correcto que preenche todos os requisitos e os seus gostos. 359 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 6.4. Diferenças significativas segundo o teste U de Mann Whitney O teste U Mann-Whitney é o teste mais popular quando se trata de ver as diferenças significativas de duas amostras. É semelhante ao teste de Wilcoxon e kruskal-Wallis . Este testa que duas amostras de população são equivalentes no local. Decidimos apresentar um estudo mais profundo das variáveis significativas e comprovar com um teste mais específico que os resultados são significativos. A tabela seguinte mostra-nos essa significância. Ranks Cargo Idade estado civil situação profissional Experiência como docente/psicólogo Trabalha a tempo O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: N Mean Rank Sum of Ranks Directores de Turma 73 52,64 3842,50 Psicólogos 20 26,43 528,50 Total 93 Directores de Turma 73 48,88 3568,00 Psicólogos 20 40,15 803,00 Total 93 Directores de Turma 73 49,44 3609,00 Psicólogos 20 38,10 762,00 Total 93 Directores de Turma 73 51,85 3785,00 Psicólogos 20 29,30 586,00 Total 93 Directores de Turma 73 43,00 3139,00 Psicólogos 20 61,60 1232,00 Total 93 Directores de Turma 73 38,97 2844,50 Psicólogos 20 76,33 1526,50 Total 93 Colabora com os professores e Directores de Turma conselho executivo na orientação Psicólogos dos alunos? Total 73 39,58 2889,00 20 74,10 1482,00 Existe um plano de acção tutorial? Directores de Turma 73 40,73 2973,00 Psicólogos 20 69,90 1398,00 Total 93 93 Se respondeu sim, indique a Directores de Turma frequência da sua participação na Psicólogos realização do mesmo Total 31 17,15 531,50 6 28,58 171,50 Como director/a de turma/psicólogo organiza Directores de Turma 73 42,95 3135,00 Psicólogos 20 61,80 1236,00 37 360 Orientação Vocacional e Profissional seminários/acções de formação Total ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? 93 O grau de colaboração dos psicólogos/directores de turma na orientação dos alunos é: Directores de Turma 73 51,86 3785,50 Psicólogos 20 29,28 585,50 Total 93 Preparar e avaliar as práticas orientadoras é: Directores de Turma 73 39,19 2861,00 Psicólogos 20 75,50 1510,00 Total 93 O valor dado pela comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: Directores de Turma 73 43,65 3186,50 Psicólogos 20 59,23 1184,50 Total 93 Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: Directores de Turma 73 39,74 2901,00 Psicólogos 20 73,50 1470,00 Total 93 Dá apoio a alunos com N.E.E.? Directores de Turma 73 42,42 3097,00 Psicólogos 20 63,70 1274,00 Total 93 Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Directores de Turma 73 52,98 3867,50 Psicólogos 20 25,18 503,50 Total 93 Intervém directamente com os alunos que apresentam problemas de comportamento? Directores de Turma 73 53,03 3871,00 Psicólogos 20 25,00 500,00 Total 93 Pede colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Directores de Turma 73 46,50 3394,50 Psicólogos 20 48,83 976,50 Total 93 Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas? Directores de Turma 73 51,80 3781,50 Psicólogos 20 29,48 589,50 Total 93 Colabora com os professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? Directores de Turma 73 54,53 3981,00 Psicólogos 20 19,50 390,00 Total 93 Ajuda os professores Directores de Turma (pertencentes ou não ao conselho Psicólogos de turma) nas relações com os Total alunos e vice-versa? 73 53,27 3889,00 20 24,10 482,00 Intervém nas famílias de risco? Directores de Turma 73 37,86 2763,50 Psicólogos 20 80,38 1607,50 Total 93 93 Orienta os seus alunos Directores de Turma vocacionalmente e Psicólogos profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo Total com as suas características próprias? 73 40,92 2987,50 20 69,18 1383,50 Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como Directores de Turma 73 39,45 2879,50 Psicólogos 20 74,58 1491,50 93 361 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Total 93 Intervém directamente com os Directores de Turma alunos (individualmente ou em Psicólogos grupo) dando informações sobre Total saídas profissionais? 73 40,22 2936,00 20 71,75 1435,00 Ajuda os alunos a desenvolverem Directores de Turma habilidades e estratégias pessoais Psicólogos para buscar, seleccionar e tratar Total informação? 73 41,60 3037,00 20 66,70 1334,00 93 93 Quadro 144: Quadro geral com as respostas mais significativas Segundo o teste Mann Whitney U 6.4.1. Dados significativos no Grupo “Dados de identificação”. Segundo o teste Mann – Whitney U há diferenças significativas nas respostas que tínhamos analisado anteriormente. Test Statistics Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2-tailed) Estado civil Situação profissional 593,000 803,000 -1,503 ,001 552,000 762,000 -2,039 ,004 Idade 318,500 528,500 -4,379 ,000 Experiência como Trabalha a docente/psicólogo tempo 376,000 586,000 -3,645 ,000 438,000 3139,000 -5,622 ,000 Quadro 145:Dados significativos no grupo “dados de identificação” 6.4.2. Dados significativos no Grupo “Aspectos gerais” Segundo o teste Mann – Whitney U há diferenças significativas em todos os itens anteriormente analisados como sendo significativos. 362 Orientação Vocacional e Profissional Test Statistics Como director/a de turma/psicólogo organiza seminários/acções O seu grau de Se respondeu sim, de formação ou conhecimento Colabora com os indique a grupos de trabalho sobre a legislação professores e frequência da sua destinados à relativa à conselho executivo participação na comunidade, orientação na orientação dos Existe um plano de realização do alunos e educativa é: alunos? acção tutorial? mesmo professores? Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2-tailed) 143,500 2844,500 -5,940 ,000 188,000 2889,000 -5,287 ,000 272,000 2973,000 -4,554 ,000 35,500 531,500 -2,729 ,003 434,000 3135,000 -3,293 ,001 Quadro 146: Dados significativos no grupo “Aspectos gerais” 6.4.3. Dados significativos no Grupo “Apoio na acção tutorial”. Segundo o teste Mann Whitney U os resultados neste grupo são significativos: Test Statistics O grau de colaboração dos psicólogos/director es de turma na Preparar e avaliar orientação dos as práticas alunos é: orientadoras é: Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2-tailed) 375,500 585,500 -3,533 ,000 160,000 2861,000 -6,265 ,000 Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: O valor dado pela comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: 200,000 2901,000 -5,347 ,000 485,500 3186,500 -2,523 ,002 Quadro 147: Dados significativos no grupo “Apoio na acção tutorial” 6.4.4. Dados significativos no Grupo “Atenção à diversidade”. Segundo o teste Mann Whitney U há diferenças significativas evidentes na tabela em anexo. 363 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvi mento ou de Dá apoio a aprendizage alunos com m do N.E.E.? aluno? Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2-tailed) Intervém directament e com os alunos que apresentam problemas de comportam ento? Pede colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldade s do aluno? Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas? Ajuda os professores (pertencent es ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? Colabora com os professores e encarregad os de educação para solucionar problemas que afectam Intervém os seus nas famílias educandos? de risco? 396,000 293,500 290,000 693,500 379,500 272,000 180,000 62,500 3097,000 -3,550 ,000 503,500 -4,723 ,000 500,000 -4,654 ,000 3394,500 -,2,330 ,004 589,500 -3,545 ,000 482,000 -4,578 ,000 390,000 -6,129 ,000 2763,500 -7,025 ,000 Quadro 148: Dados significativos no grupo “Atenção à diversidade” 6.4.5. Dados significativos no Grupo “Orientação vocacional e profissional”. Segundo o teste Mann Whitney U comprovam-se as diferenças significativas. Orienta os seus alunos Ajuda os alunos Intervém vocacionalmente e nos momentos de directamente com Ajuda os alunos a profissionalmente, risco ou os alunos desenvolverem que frequentam o dificuldades como (individualmente habilidades e 12º ano, de acordo ingresso, mudança ou em grupo) estratégias pessoais com as suas de turma ou dando informações para buscar, características eleição da sobre saídas seleccionar e tratar próprias? profissão? profissionais? informação? Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2-tailed) 286,500 2987,500 -4,843 ,000 178,500 2879,500 -5,612 ,000 235,000 2936,000 -5,228 ,000 336,000 3037,000 -4,117 ,000 Quadro 149: Dados significativos no grupo “orientação vocacional e profissional” 364 Orientação Vocacional e Profissional 6.5. Análise factorial – Medida de adequação da amostra segundo o Kaiser-Meyer Olkin e a prova da esfericidade de Barlett. Para interpretarmos os resultados interessa-nos fundamentalmente o teste de KMO e a prova de Barlett que são provas que definem se a análise em função da amostra e das suas características é factível e adequada. Neste teste podemos observar a tabela de variação total explicada mais a sua correspondente em gráfico e a matriz das componentes rotativas. Estas estatísticas determinam-nos a idoneidade da nossa amostra e o significado da rotação. Estes serão, eventualmente, os elementos essenciais para determinar a factibilidade da análise. Elaborámos esta prova para os três questionários que distribuímos: alunos, orientadores e psicólogos. 6.5.1. Questionário dos orientadores 6.5.1.1. Análise do grupo B - “Aspectos gerais” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square Df Sig. ,364 49,582 28 ,007 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta um resultado discreto, no entanto, aceitável, pelo que é comprovado pela prova de Barlett que nos indica que a análise factorial é factível. 365 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Total Variance Explaineda Componen Initial Eigenvalues t Total % of Variance 1 2 3 4 5 6 7 8 2,196 1,563 1,325 ,856 ,825 ,599 ,464 ,173 27,445 19,541 16,565 10,697 10,310 7,481 5,804 2,157 Extraction Sums of Squared Loadings Cumulative % 27,445 46,986 63,551 74,248 84,557 92,039 97,843 100,000 Total % of Variance 2,196 1,563 1,325 27,445 19,541 16,565 Cumulative % 27,445 46,986 63,551 Quadro 150: Prova de Barlett na análise do grupo B O total das três componentes detectadas mostra-nos uma percentagem de 63,5%, o que a priori é um resultado muito bom: • Componente 1 – 27,44% • Componente 2 – 19,54% • Componente 3 – 16,56% Structure Matrixa Component 1 O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: Colabora com os professores e conselho executivo na orientação dos alunos? Existe um plano de acção ,699 tutorial? Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo Enquanto director/a de turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? Recorre aos pais na orientação do aluno? 2 3 ,202 ,024 ,527 ,712 ,738 366 Orientação Vocacional e Profissional Está a par dos programas ,895 de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? Como director/a de ,806 turma/psicólogo organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos e professores? Quadro 151: Componentes detectadas na análise do grupo B Elaboramos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 ITEMS B.3 ITEMS B.1,B.2, B.3.1, B.4 E B.8 ITEMS B.6 E B.7 Na componente 1 temos um factor bastante importante e, por isso, aparece como o único da primeira componente, o item B.3. É de facto um item relacionado com a preocupação da escola e dos profissionais em saber se existe ou não um plano de acção tutorial. Por isso, vamos dar-lhe o nome de “Plano de acção tutorial” . A componente 2 é composta pelos itens B.1, B.2 B.4, B.3.1, e B.8. É uma componente que faz referência tanto ao conhecimento como colaboração, organização e participação dos profissionais em matérias de orientação educativa. Por isso, chamaremos à componente “colaboração e participação na orientação dos alunos” . A componente 3 composta pelos itens B.6 e B.7 faz referência à procura de mais informação para ajudar o aluno, comunicando com os pais para sabermos se faz parte de algum programa de intervenção, por isso, chamaremos “Procura de informação aquando a orientação do aluno” 367 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 6.5.1.2. Análise do grupo C - “Apoio na acção tutorial” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square Df Sig. ,590 140,017 36 ,000 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado adequado e aceitável indicanos que a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Rotation Sums of Squared Loadingsa Extraction Sums of Squared Loadings Comp Initial Eigenvalues onent Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 1 2 3 4 5 6 7 8 9 2,650 1,524 1,126 1,066 ,802 ,673 ,520 ,408 ,231 29,444 16,931 12,516 11,847 8,908 7,475 5,780 4,532 2,567 29,444 2,650 29,444 29,444 46,375 1,524 16,931 46,375 58,891 1,126 12,516 58,891 70,738 1,066 11,847 70,738 79,646 87,121 92,902 97,433 100,000 Quadro 152: Prova de Barlett na análise do grupo C 2,515 1,674 1,194 1,169 As quatro componentes detectadas explicam os 70,7% de variação. A componente 1 apresenta 29,4%, a componente 2 mostra uma variação de 16,9%, a componente 3 uma percentagem de variação de 12,5% e a componente 4 apresenta uma variação de 11,8%. Este resultado é excelente. 368 Orientação Vocacional e Profissional Structure Matrixa Component 1 2 3 4 As reuniões do conselho de ,672 turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: O grau de colaboração dos ,845 psicólogos na orientação dos alunos é: Colaborar nas actividades ,733 educativas é: Manter uma relação com os ,786 pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: Colaborar com os ,924 professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: Preparar e avaliar as ,503 práticas orientadoras é: O valor dado pela ,595 comunidade educativa e órgãos de gestão ao serviço que os directores de turma/SPO prestam é: Considera o seu trabalho ,796 como director/a de turma: Manter conversas ,873 periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, /professores e Directores de turma sobre os alunos e os seus problemas é: Quadro 153: Componentes detectadas na análise do grupo C Elaboramos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 COMPONENTE 4 ITEM C.4, C.8 E C.9 ITEM C.1, C.3 E C.6 ITEM C.2 E C.7 ITEM C.5 A componente 1 está relacionada com a forma como o próprio director de turma olha para o seu trabalho. Há aqui um trabalho que estabelece ponte entre professores, alunos e encarregados de educação. Há uma valorização da comunicação do seu trabalho, como tal, chamaremos a esta componente “As inter relações do director de turma”. 369 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados A componente 2 está ligada à participação do director de turma nas actividades e à própria avaliação das mesmas. Como tal terá como nome: “Participação e avaliação das actividades”. A componente 3 foca essencialmente aspectos de valorização, como são vistos estes profissionais pela comunidade educativa, e ajuda prestada aos directores de turma por parte dos psicólogos. Chamaremos “Valorização do cargo”. A componente 4 foca essencialmente a importância que se dá à colaboração entre directores de turma, psicólogos e conselho executivo nas actividades que se planificam para os alunos. Chamaremos “Colaboração da comunidade educativa” 6.5.1.3. Análise do grupo D- “Atenção à diversidade” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square df Sig. ,533 158,920 28 ,000 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado adequado e aceitável indicanos que a análise em função da amostra é adequada, assim como, a prova de Barlett que indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Initial Eigenvalues Compone nt Total 1 2 3 4 5 6 7 8 2,605 1,689 1,104 ,844 ,694 ,562 ,291 ,211 % Variance 32,558 21,114 13,797 10,553 8,671 7,028 3,639 2,638 Extraction Sums of Squared Loadings Rotation Sums of Squared Loadingsa of Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 32,558 2,605 32,558 32,558 53,672 1,689 21,114 53,672 67,469 1,104 13,797 67,469 78,022 86,694 93,722 97,362 100,000 Quadro 154: Prova de Barlett na análise do grupo D 2,483 1,758 1,398 370 Orientação Vocacional e Profissional Structure Matrixa Component 1 2 3 Dá apoio a alunos com ,728 N.E.E.? Colabora na detecção de ,894 problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Intervém directamente com ,666 os alunos que apresentam problemas de comportamento? Pede colaboração de outros ,496 agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Encaminha para outros ,670 serviços alunos que apresentam problemas? Ajuda os professores ,112 (pertencentes ou não ao conselho de turma) nas relações com os alunos e vice-versa? Colabora com os ,820 professores e encarregados de educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? Intervém nas famílias de ,808 risco? Quadro 155: Componentes detectadas na análise do grupo D COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 ITEM D.2, D.3 E D.4, D.6, D.7 E D.8 ITEM D.9 ITEM D.1 e D.5 A componente 1 aborda questões relacionadas com o apoio e a colaboração prestada pelo director de turma à comunidade educativa em geral, por isso, chamaremos de “ Apoio prestado à comunidade educativa”. 371 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados A componente 2 foca especificamente a intervenção nas famílias de risco. Chamaremos “Intervenção de risco”. A componente 3 foca aspectos relacionados com a intervenção do director de turma em alunos com N.E.E. ou outro tipo de problema digno de ser encaminhado para outro serviço. Chamaremos a esta componente “Intervenção em alunos com N.E.E.” 6.5.1.4. Análise do grupo E - “Orientação vocacional e profissional” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square Df Sig. ,564 95,322 24 ,003 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado adequado e aceitável indicanos a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Initial Eigenvalues Component Total 1 2 3 4 5 6 7 1,597 1,188 1,177 1,057 ,869 ,669 ,442 % of Variance Extraction Sums of Squared Loadings Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 22,814 22,814 1,597 22,814 22,814 16,971 39,785 1,188 16,971 39,785 16,821 56,606 1,177 16,821 56,606 15,099 71,705 1,057 15,099 71,705 12,420 84,125 9,556 93,681 6,319 100,000 Quadro 156: Prova de Barlett na análise do grupo E As componentes detectadas foram quatro: • Componente 1 – 22,8% • Componente 2 – 16,97% • Componente 3 – 16,82 Rotation Sums of Squared Loadingsa 1,408 1,188 1,368 1,123 372 Orientação Vocacional e Profissional • Componente 4 – 15% O total destas componentes perfaz 72%, o que demonstra um resultado excelente. Structure Matrixa Component 1 2 3 4 Orienta os seus alunos ,932 vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? Ajuda os alunos nos ,813 momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Ajuda só os alunos que o/a ,819 procuram? Pede informações sobre ,161 saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? Há um interesse da escola ,387 relativamente à orientação vocacional e profissional? Intervém directamente com ,838 os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? Ajuda os alunos a ,134 desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? Quadro 157: Componentes detectadas na análise do grupo E Fazemos uma síntese das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 COMPONENTE 4 ITEM D.3 ED.4 ITEM D.6 E D.7 ITEM D.2 ITEM D.1 E D.5 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados De facto estas componentes estão todas relacionadas com a orientação vocacional e profissional. Assim sendo, a componente 1 foca os actos de ajuda ao aluno mas também ao facto de procurarmos informação para o mesmo, daí que decidimos apelidar de “Busca de informação para a orientação vocacional e profissional”. A componente 2 está relacionada com a intervenção directa com o intuito de ajudar a desenvolver habilidades para a autonomia do aluno na procura de informação. Chamaremos a esta componente “Intervenção para a autonomia na busca de informação”. A componente 3 foca especificamente essa intervenção mas nos momentos de mudança de curso, ingresso no ensino superior etc. Chamaremos simplesmente “Orientação vocacional e profissional”. A componente 4 está relacionada com a intervenção, não só do director de turma, mas da escola. Chamaremos a esta componente “A atitude da escola face à orientação vocacional e profissional.” 6.5.2. Questionário dos Psicólogos 6.5.2.1. Análise do gupo B - “Aspectos gerais” KMO and Bartlett’s Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett’s 373actíve Approx. Chi-Square Sphericity Df Sig. ,422 47,652 21 ,001 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado adequado e aceitável indicanos que a análise em função da amostra é adequada, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. 373 374 Orientação Vocacional e Profissional Total Variance Explainedb Initial Eigenvalues Component 1 2 3 4 5 6 7 Extraction Sums of Squared Loadings % of Variance Cumulative % Total Total 2,159 1,892 1,414 ,819 ,387 ,181 ,149 30,839 27,030 20,195 11,694 5,528 2,591 2,123 30,839 57,869 78,063 89,757 95,285 97,877 100,000 Rotation Sums of Squared Loadingsa % of Variance Cumulative % Total 2,159 1,892 1,414 30,839 27,030 20,195 30,839 57,869 78,063 2,151 1,800 1,562 Quadro 158: Prova de Barlett na análise do grupo B (questionário psicólogos) Foram detectadas três componentes. De salientar que uma das perguntas (B 3.1) não foi inserida devido ao facto de ter poucas respostas. Isto acontece porque só teria de responder à pergunta B.3 quem respondeu afirmativamente na pergunta anterior, logo era facultativa. O resultado das três componentes é de 78%, o que podemos concluir que é excelente. Este resultado divide-se pelas três componentes: • Componente 1 – 30,8% • Componente 2 – 27% • Componente 3 – 20,1% Structure Matrixa Component 1 O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à educação educativa é: Colabora com os professores e conselho executivo na orientação dos alunos? Existe um plano de acção tutorial? Trabalha-se a orientação vocacional e profissional na escola? 2 3 ,553 ,664 ,246 ,790 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Recorre aos pais na ,287 orientação do aluno? Planifica os programas de ,884 intervenção que vão ser levados a cabo? Como psicólogo organiza ,868 seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos ou professores? Quadro 159: Componentes detectadas na análise do grupo B Fazemos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 ITEM B.2 E B.6 ITEM B.1, B.3 E B.4 E B.7 ITEM B.5 A componente 1 está relacionada com a colaboração e planificação de actividades. Chamaremos “Colaboração e planificação de actividades”. A componente 2 está relacionada com conhecimento do psicólogo sobre a legislação e actividades que se fazem na escola. Chamaremos “ conhecimento das práticas orientadoras na escola”. A componente 3 foca apenas a ajuda dos pais neste processo. Por isso, chamaremos “Relações com os encarregados de educação.” 6.5.2.2. Análise do grupo C - “Apoio na acção tutorial” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Approx. Chi-Square Sphericity df Sig. ,535 160,008 28 ,000 375 376 Orientação Vocacional e Profissional A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado adequado e aceitável indicanos que a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Rotation Sums of Squared Loadingsa Extraction Sums of Squared Loadings Comp Initial Eigenvalues onent Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 1 2 3 4 5 6 7 8 4,043 1,462 1,056 ,739 ,573 ,089 ,034 ,004 50,534 18,277 13,198 9,235 7,165 1,111 ,430 ,051 50,534 4,043 50,534 50,534 68,811 1,462 18,277 68,811 82,009 1,056 13,198 82,009 91,244 98,409 99,519 99,949 100,000 Quadro 160: Prova de Barlett na análise do grupo C 4,023 1,540 1,092 As três componentes detectadas são um resultado de 82% de variação o que é excelente. A componente 1 detém 50,5% de variação, a componente 2 tem uma variação de 18,27 % e a componente 3 uma variação de 13,1%. Structure Matrixa Component 1 As reuniões do conselho de turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: O grau de colaboração dos directores de turma na orientação dos alunos é: Colaborar nas actividades educativas é: Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre a escola e a família é: Colaborar com os professores e conselhos executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: 2 3 ,921 ,965 ,981 ,193 ,956 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Preparar e avaliar as ,766 práticas orientadoras é: O valor dado pela ,975 comunidade, professores e órgãos de gestão ao SPO é: Manter conversas ,478 periódicas com os Directores de Turma e outros professores sobre os alunos e os seus problemas é: Quadro 161: Componentes detectadas na análise do grupo C Fazemos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 CMPONENTE 3 ITEMS C.1, C.2, C.3, C.4, C.7 E C.8 ITEM C.6 ITEM C.5 A componente 1 foca aspectos relacionados com a colaboração. Refere-se à colaboração prestada pelos directores de turma, à colaboração nas actividades educativas, às conversas com professores e directores de turma, pais e reuniões do conselho de turma. Por isso, chamaremos “relação com pais e professores”. À componente 2 chamaremos apenas “preparação e avaliação de actividades”. À componente 3 “Relação com órgãos de gestão na preparação das actividades orientadoras.” 6.5.2.3. Análise do grupo D - “Atenção à diversidade” KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square df Sig. ,539 103,085 66 ,002 377 378 Orientação Vocacional e Profissional A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado aceitável indica-nos a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Rotation Sums of Squared Loadingsa Extraction Sums of Squared Loadings Comp Initial Eigenvalues onent Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 3,778 2,016 1,783 1,207 ,914 ,819 ,463 ,399 ,262 ,207 ,087 ,065 31,483 16,800 14,862 10,060 7,617 6,828 3,856 3,323 2,183 1,724 ,725 ,540 31,483 48,283 63,145 73,205 80,822 87,650 91,506 94,829 97,011 98,735 99,460 100,000 3,778 2,016 1,783 1,207 31,483 16,800 14,862 10,060 31,483 48,283 63,145 73,205 3,437 2,548 1,869 1,353 Quadro 162: Prova de Barlett na análise do grupo D Num total de 4 componentes detectadas há uma variação de 73%, o que é muito bom. A componente 1 detém 31,4%, a componente 2 tem 16,8%, a componente 3 tem 14,% e a componente 4 detém 10%. Structure Matrixa Component 1 Dá apoio a alunos com N.E.E.? Existe colaboração com os ,566 professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E? Colabora na detecção de ,889 problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem dos alunos? 2 3 4 ,183 Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Intervém directamente com ,690 os alunos que apresentam problemas de comportamento? Pede colaboração de outros ,463 agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Encaminha para outros ,207 serviços alunos que apresentam problemas? Dá assistência aos professores nas actividades, ,825 processos de avaliação formativa, apoio pedagógico e promoção dos alunos? Facilita aos professores ,811 informação/ajuda na orientação vocacional e profissional? Ajuda os professores na ,852 relação com os alunos e vice-versa? Colabora com os ,516 professores e pais para solucionar problemas que afectam os seus filhos? Intervém nas famílias de risco? ,583 Atende ao pedido de ajuda ,835 de todos os alunos? Quadro 163: Componentes detectadas na análise do grupo D . Fazemos uma síntese dos resultados: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 COMPONENTE 4 ITEM D.2,D.3 D.5 E D.10 ITEM D.4 E D.11 ITEM D.7, D.8 D.9 ITEM D.1, D.6 E .12 A componente 1 foca essencialmente o aspecto da colaboração com os pais, professores para planificar programas e solucionar problemas. Chamaremos “Colaboração com a comunidade educativa”. À componente 2 chamaremos “Intervenção directa com alunos”. 379 380 Orientação Vocacional e Profissional Na componente 3 há uma referência à ajuda prestada pelo psicólogo aos professores, por isso, chamaremos “Assistência aos professores”. A componente 4 faz referência essencialmente ao auxílio prestado aos alunos com N.E.E e outros com vários problemas. Chamaremos “Auxílio a alunos com comportamentos de risco.” 6.5.2.4. Análise do grupo E - “Orientação vocacional e Profissional KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square df Sig. ,596 43,113 21 ,003 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado aceitável indica-nos a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. Total Variance Explainedb Rotation Sums of Squared Loadingsa Initial Eigenvalues Extraction Sums of Squared Loadings Comp onent Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 1 2 3 4 5 6 7 2,741 1,429 1,232 ,631 ,472 ,371 ,123 39,163 20,415 17,602 9,021 6,745 5,296 1,759 39,163 59,578 77,180 86,201 92,945 98,241 100,000 2,741 1,429 1,232 39,163 20,415 17,602 39,163 59,578 77,180 2,494 1,634 1,582 Quadro 164: Prova de Barlett na análise do grupo E As três componentes detectadas perfazem um total de 77%, o que é um total de variação muito bom. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Structure Matrixa Component 1 2 Orienta os alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Ajuda só quem o/a procuram? Os professores/directores de turma pedem informações sobre saídas profissionais para informar os seus alunos? ,885 Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? ,203 Intervém directamente com o aluno (individualmente ou grupo) dando informações sobre saídas profissionais? ,351 Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar a informação? ,814 3 ,319 ,867 ,827 Quadro 165: Componentes detectadas na análise do grupo E Fazemos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 ITEM D.1, D.5, D.6 E D.7 ITEM D.2 E D.4 ITEM D.3 381 382 Orientação Vocacional e Profissional A componente 1 está relacionada com a ajuda e intervenção realizadas aos alunos de forma a orientá-los vocacionalmente e profissionalmente. Chamaremos “ Apoio ao aluno na orientação vocacional e profissional.” A componente 2 está relacionada com o pedido de ajuda por parte dos directores aos psicólogos. Chamaremos a esta componente “apoio prestado aos directores de turma”. A componente 3 chamar-se-á “disponibilidade do psicólogo”. 6.5.3. Questionário dos alunos KMO and Bartlett's Testa Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. Bartlett's Test of Sphericity Approx. Chi-Square Df Sig. ,533 78,719 28 ,000 A prova de Kaiser-Meyer-Olkin apresenta-nos um resultado aceitável indica-nos que a análise é adequada em função da amostra, assim como, a prova de Barlett que nos indica que a análise é factível. Total Variance Explained Rotation Sums of Squared Loadingsa Extraction Sums of Squared Loadings Comp Initial Eigenvalues onent Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total 1 2 3 4 5 6 7 8 2,196 1,855 1,229 1,019 ,718 ,502 ,339 ,143 27,453 27,453 2,196 27,453 27,453 23,185 50,638 1,855 23,185 50,638 15,359 65,997 1,229 15,359 65,997 12,740 78,737 1,019 12,740 78,737 8,972 87,709 6,278 93,987 4,232 98,218 1,782 100,000 Quadro 166: Prova de Barlett na análise do questionário dos alunos 1,991 1,908 1,360 1,219 O total das quatro componentes detectadas perfaz um total de 78,7%, o que é um resultado muito bom. A componente 1 detém 27,4%, a componente 2 tem 23,1%, a componente 3 detém 15,35% e a componente 4 tem uma variação de 12,7%. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Structure Matrixa Component 1 2 3 4 Está satisfeito com o curso ,890 que escolheu? Teve algum tipo de ,888 orientação no ensino secundário que o/a ajudou a decidir na escolha da sua profissão? Já procurou o psicólogo ,564 alguma vez para o/a ajudar na escolha, na mudança ou indecisão do curso a seguir? Era informado (a), na escola ,779 que frequentava, sobre cursos e saídas profissionais? O seu director(a) de turma ,550 ajudava-o (a) a este nível? Pensa que nas escolas ,654 secundárias deveria existir mais apoio e orientação com o intuito de ajudar os alunos a escolherem a sua carreira? Considera-se vocacionado ,809 para ser professor? Pensa que todos os futuros ,274 professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir esta carreira? Quadro 167: Componentes detectadas na análise do questionário os alunos Fazemos uma síntese dos resultados e das componentes detectadas: COMPONENTE 1 COMPONENTE 2 COMPONENTE 3 COMPONENTE 4 ITEM B.4 E B.7 ITEM B.5 ITEM B.2 E B.3 B.1, B.6 E B.8 À componente 1 podemos chamar-lhe “vocação vs informação recebida”, uma vez que foca aspectos relacionados com a informação que o aluno recebeu e qual o grau de consciência sobre a sua vocação. 383 384 Orientação Vocacional e Profissional A componente 2 poderá chamar-se “A ajuda prestada pelo director de turma”. A componente 3 chamar-se-á “orientação vocacional e profissional”. A componente 4 chamar-se-á “grau de satisfação com orientação recebida”. 6.6. Triangulação dos resultados Segundo Colás (1992:275) este método trata-se de um dos métodos «más importantes propuestos para asegurar los critérios de validez reconocidos, aportando credibilidad a los datos obtenidos en la investigación». Desta forma, com a comparação dos diferentes resultados tentamos perceber as coincidências entre elas e através delas formular conclusões gerais e específicas para este trabalho de investigação. Pretendemos um estudo simples e sem complicações. A interpretação das componentes obtidas na análise factorial é um processo que pode ser complexo e árduo. Logo, para não nos afastarmos do objectivo essencial decidimos apresentar uma síntese das componentes detectadas de forma a fazermos a triangulação dos dados, conforme vemos no seguinte quadro: DIMENSÃO Aspectos gerais: ORIENTADORES 9 Colaboração e participação na orientação dos alunos; 9 Busca de informação para a orientação dos alunos; 9 Conhecimento das práticas orientadoras da escola. 9 Diálogo com o director de turma e ponte que estabelece com pais e professores; 9 Participação e avaliação de actividades; 9 Valor atribuído aos directores de turma. 9 Apoio prestado à comunidade educativa; 9 Intervenção em casos de alunos com N.E.E e problemas de comportamento; 9 Encaminhamento de alunos para outros serviços. Apoio na acção tutorial: Atenção à diversidade: Orientação profissional: vocacional e 9 Busca de informação para orientação vocacional e profissional; PSICÓLOGOS 9 Colaboração e planificação das actividades; 9 Conhecimento das práticas orientadoras; 9 Relação com os encarregados de educação. 9 Diálogo com pais e professores; 9 Participação e avaliação de actividades; 9 Relação com órgãos de gestão na preparação das práticas orientadoras. 9 Colaboração e apoio à comunidade educativa; 9 Intervenção directa com alunos com N.E.E e problemas de comportamento; 9 Encaminhamento dos alunos para outros serviços; 9 Assistência a professores. 9 Apoio aos alunos na orientação vocacional e profissional, no Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados 9 Ajuda no desenvolvimento de habilidades para a autonomia do aluno na busca de informação; 9 Ajuda nos momentos de mudança de curso, ingresso no ensino superior… 9 A atitude da escola face à orientação vocacional e profissional. desenvolvimento de habilidades, ajuda na mudança de curso e ingresso no ensino superior; 9 Apoio aos directores de turma; 9 Disponibilidade do psicólogo. Quadro 168: Aspectos principais das componentes detectadas no questionário dos psicólogos e directores de turma. ALUNOS 9 Vocação vs informação que recebeu no ensino secundário; 9 Ajuda prestada pelos Directores de Turma e o seu grau de satisfação; 9 A procura de ajuda por parte do aluno ao psicólogo da escola, nos momentos de dúvida; 9 O grau de satisfação com a orientação recebida e opinião sobre os seus efeitos na escolha do seu curso. Quadro 169: Síntese das componentes detectadas no questionário dos alunos. No caso dos alunos, grande parte das perguntas era de resposta aberta pelo que não podíamos antecipar todo o tipo de respostas, pois estas baseiam-se na sua experiência de vida. As restantes perguntas contêm simplesmente opções como “sim” e “não”. O quadro acima sintetiza os aspectos focados por essas questões. No quadro um fazemos uma síntese dos aspectos abordados pelas questões fechadas de ambos os directores de turma e psicólogos. Este quadro foi baseado nas componentes detectadas às quais atribuímos um nome. Para além de um quadro síntese com os aspectos principais da análise factorial decidimos incluir um quadro com os aspectos principais focados pelas perguntas abertas dos três questionários, como podemos observar no quadro quarenta e dois e quarenta e três: 385 386 Orientação Vocacional e Profissional DIMENSÃO Aspectos gerais: ORIENTADORES 9 Considerações sobre a importância de existir a colaboração entre os agentes educativos; PSICÓLOGOS 9 Considerações sobre a importância de existir a colaboração entre os agentes educativos; Apoio na acção tutorial: 9 Explicação sobre a importância das reuniões do conselho de turma; 9 Explicar a importância do cargo de director de turma; 9 Descrição dos serviços para os quais os alunos já foram encaminhados pelos directores de turma; 9 Explicação dos momentos em que se dedica mais à direcção da turma e quais os temas abordados e considerados prioritários. 9 Apoio prestado à comunidade educativa; 9 Intervenção em casos de alunos com N.E.E e problemas de comportamento; 9 Encaminhamento de alunos para outros serviços. 9 Explicação sobre a importância das reuniões do conselho de turma; 9 Descrição dos serviços para os quais os alunos já foram encaminhados pelos directores de turma; Atenção à diversidade: Orientação profissional: vocacional e 9 Descrição sumária da orientação indicando intervenientes e descrevendo os momentos em que é feita; 9 Observações sobre estratégias, grau de satisfação, aspectos fulcrais a ter em conta na orientação. 9 Colaboração e apoio à comunidade educativa; 9 Intervenção directa em alunos com N.E.E e problemas de comportamento; 9 Encaminhamento dos alunos para outros serviços; 9 Assistência a professores. 9 Descrição sumária da orientação indicando intervenientes e descrevendo os momentos em que é feita; 9 Observações sobre estratégias, grau de satisfação, aspectos fulcrais a ter em conta na orientação. Quadro 170: Síntese dos aspectos principais detectados nas perguntas abertas do questionário dos psicólogos e directores de turma. ALUNOS 9 A razão da escolha do curso; 9 Explicação de como recebeu orientação no ensino secundário, quem foram os intervenientes e se a considerou pertinente; 9 Explicação sobre a maneira como era feita essa orientação; 9 Explicação sobre o papel do psicólogo na escola; 9 Opinião sobre como poderiam as escolas apoiar mais; 9 Justificação sobre a resposta que deu relativamente ao facto de achar ou não que os futuros professores deveriam ter orientação antes de seguirem a carreira docente; 9 Utilização de um espaço onde os alunos podem manifestar opiniões relativas à matéria de orientação. Quadro 171: Síntese dos aspectos principais detectados nas perguntas abertas dos alunos. Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados Esta triangulação de dados obtidos através de questionários com perguntas abertas e fechadas permite-nos extrair uma serie de inferências baseadas nas coincidências que visualizámos especialmente nas respostas abertas ou de opinião. Sintetizamos da seguinte maneira: • Visualizamos que ambos os profissionais são maioritariamente do sexo feminino e trabalham em escolas situadas num espaço rural e urbano, pelo que acabam por lidar com todo o tipo de alunos tanto oriundos da cidade como do campo. De destacar que também os estudantes universitários são maioritariamente do sexo feminino; • Encontramos semelhanças igualmente no ensino que é levado a cabo na escola dos profissionais, pois na sua maioria as escolas têm turmas desde 7º ano até 12º ano. • Um aspecto interessante é o número de cursos sobre orientação assistidos pelos profissionais, pois ambos parecem muito bem informados sobre esta matéria possuindo entre 3 a 4 cursos sobre orientação. O mesmo acontece com as habilitações literárias pois ambos os profissionais analisados possuem boas qualificações e habilitações uma vez que a todos têm licenciatura. Devemos evidenciar que os alunos referiram que recebiam orientação a nível vocacional e profissional especialmente de sessões organizadas por estes profissionais, o que mostra a importância destes cargos a este nível. • Outro aspecto muito importante detectado na análise dos dados foi o facto de grande percentagem de directores de turma não saber se existe ou não um plano de acção tutorial bem como, ainda, alguns que tinham conhecimento afirmaram não existir. Grande percentagem de psicólogos também afirmou não existir plano de acção tutorial na escola. De facto, é uma falha de algumas escolas não possuírem um PAT nem incumbirem essa necessidade, importância e preocupação na sinalização de alunos. Há cada vez mais alunos que apresentam variadíssimos problemas e são sujeitos, por vezes, à intervenção directa do director de turma ou do psicólogo. Este problema poderia ser evitado se as escolas assumissem uma postura de prevenção de certos problemas e de desenvolvimento dos alunos. De facto, o PAT é visto como importante nas escolas de intervenção prioritária, sendo ignorado em parte pelas restantes. • São os directores de turma que mais ajudam os restantes professores da turma, auxiliando nas relações entre eles, no entanto, ambos os profissionais colaboram com encarregados de educação e professores para solucionar os problemas que afectam os 387 388 Orientação Vocacional e Profissional filhos. No que concerne somente aos pais, ambos os profissionais afirmam recorrer algumas vezes aos pais quando orientam os alunos. É importante salientar que ambos consideram que colaborar nas actividades educativas é muito importante, o que significa que há uma consciência de que colaboração é importante. Por isso, ambos valorizam a relação que se deve estabelecer entre pais e alunos de forma a fazer ponte entre escola e família; • Seguindo esta sequência evidenciamos a consideração dada por ambos os profissionais às conversas periódicas entre eles ou com outros professores sobre a turma; • Há um aspecto relevante que detectamos, pois ambos os profissionais consideram as reuniões do conselho de turma “muito importantes”, uma vez que são momentos fundamentais na orientação dos alunos. Numa questão aberta foi possível os profissionais enumerarem os aspectos mais importantes que são abordados nestas reuniões. Foram focados praticamente os mesmos aspectos, o que demonstra algo em comum entre os profissionais. • Encontramos referência ao facto de ambos ajudarem não só os alunos que os procuram, como também a referência ao interesse que a escola demonstra pela orientação vocacional e profissional. • Também foi destacado por ambos o interesse demonstrado pelos directores de turma que pedem informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos, bem como os psicólogos salientam o facto de ajudarem algumas vezes os professores na promoção dos alunos, facilitando ajuda e informação na orientação vocacional e profissional. De salientar que os alunos afirmam que eram informados sobre saídas profissionais pelos psicólogos, directores de turma entre outros nas escolas secundárias, o que comprova a comunicação existente entre directores de turma, alunos e psicólogos. O que parece não existir é um espaço e momento para o fazer, o que leva alguns alunos a afirmarem que o director de turma ajudava às vezes os alunos nas suas dúvidas. O mesmo acontece com os psicólogos, o facto de não existir psicólogo, ou este trabalhar a tempo parcial inviabiliza as respostas dos alunos, pois alguns referem que nem sempre o psicólogo os podia ajudar neste sentido. • Concluímos através da última pergunta aberta que ambos os profissionais não estão muito satisfeitos com algumas situações que ocorrem nas escolas, o que impede que esta orientação seja eficaz. Há cada vez mais jovens que chegam com muitas dúvidas ao ensino secundário, dada a grande oferta formativa. Como professora do ensino Capítulo VI – Análise e interpretação dos resultados secundário sinto essa dificuldade em lidar com casos de alunos que não sabem o que querem, se querem ir para o ensino profissional, se para o EFA, se para o nocturno, geral ou tecnológico. Para além disso, foram focados os programas não estão articulados a nível de escola nem a nível do tipo de ensino que se administra, daí que não promove esta orientação desde o início. Constatou-se que os directores de turma possuem muito pouco tempo no seu horário para se dedicarem à direcção de turma. Há pouco tempo para tratarem de casos complicados de abandono, insucesso, problemas de risco, faltas, participações disciplinares, diálogo com os encarregados de educação entre outros, o que se agrava, ainda, com o novo estatuto do aluno. Os directores de turma deveriam ter mais tempo no seu horário para se dedicarem a estas situações relativas à orientação do aluno e estes deveriam ser convidados a procurar o director para esclarecer dúvidas. • Estes profissionais manifestaram, ainda, o interesse e a preocupação em estar mais em contacto com os pais. Deveria, segundo os mesmos, ser permitido mandar mensagens via correio electrónico ou telemóvel a avisar das faltas, das notas e dos testes de avaliação e os directores de turma poderiam ficar responsáveis por esse trabalho. Para além disso, deveriam ser feitas acções de formação para elucidar pais e filhos. Os estudantes referiram que poderia existir aulas em todas as escolas secundárias de orientação profissional e vocacional para os directores de turma poderem ter um momento em que se reuniam com a turma e faziam um levantamento das actividades desenvolvidas pelos profissionais das áreas pretendidas pelos alunos; • Os psicólogos mostraram, igualmente, as suas ideias para promover a orientação transmitindo a ideia de que se poderiam criar plataformas actualizadas e disponíveis para os alunos e apostar mais nas visitas vocacionais. De salientar, que uma das escolas referiu um programa muito interessante que promove esta orientação: “O futuro bué” da doutora Maria do Céu Taveira. Trata-se de um programa dirigido a grupos pequenos. Antes de iniciar a intervenção com todos os alunos são realizadas entrevistas individuais semi estruturadas com os pais para avaliar as suas expectativas em relação ao percurso dos filhos. No final do programa os pais são chamados de novo à escola para, juntamente com o aluno, realizar uma escolha. Os directores de turma apoiam este processo. Os alunos sugeriram igualmente visitas vocacionais, testemunhos da universidade que participassem em sessões de esclarecimento. Os fóruns e plataformas dedicadas a este assunto foram ainda mencionados por vários alunos. 389 390 Orientação Vocacional e Profissional A análise final e mais específica é feita a seguir. Após a análise dos dados mais significativos chegou o momento de analisarmos as opiniões que diferem e que são significativas para este estudo, bem como os dados que nos forneceram informações cruciais. 391 7. Conclusões e perspectiva futura 7.1 Conclusões Através dos dados de identificação é de salientar que bastantes psicólogos são contratados e trabalham a recibos verdes. Logo a sua situação não é definitiva mas sim precária, por isso, grande parte trabalha a tempo parcial (40%). Este aspecto poderá ser negativo e pouco benéfico em matéria de orientação vocacional e profissional. Se os psicólogos não se encontram a tempo inteiro na escola e se trabalham em condições precárias não se poderão envolver eficientemente nas tarefas orientadoras. No entanto, é importante referir as alterações que foram feitas este ano no código de trabalho. Assim, de acordo com o nº2 do art. 35 da Lei 12-A/2008, aprovada por este governo, os serviços da Administração Pública só poderão celebrar "contratos de tarefa e de avença", ou seja, contratos de prestação de serviços com "pessoas colectivas", isto é, apenas com empresas. E segundo o nº4 do mesmo artigo, só «excepcionalmente, quando se comprove ser impossível ou inconveniente» celebrar contratos com empresas «é que o membro do governo responsável pela área das finanças pode autorizar a celebração de contratos de tarefa e de avença com pessoas singulares», ou seja, com trabalhadores a "recibos verdes". Em algumas escolas esta alteração não foi feita, no entanto, julgamos que esta lei poderá estimular as escolas a celebrarem contratos a termo certo. Ainda assim, temos de referir o facto de algumas escolas não possuírem psicólogo, o que é de facto um aspecto negativo. De referir que no capítulo dois, página 122, foi mencionado o facto dos SPO terem sido criados em 1991, mas o certo é que temos agora a evidência que 18 anos após a criação e implementação ainda há escolas sem este tipo de apoios, o que é preocupante. Os psicólogos apoiam mais os alunos com N.E.E., no entanto, são os directores de turma que afirmam colaborar sempre na detecção de problemas educativos ou de aprendizagem dos alunos. Para além disso, os directores de turma intervêm sempre nos alunos que apresentam problemas de comportamento e os psicólogos intervêm muitas vezes, mas não sempre, pois só intervêm quando são chamados ou quando o aluno lhes é 392 Orientação Vocacional e Profissional encaminhado. Todavia, são os psicólogos que pedem mais colaboração a outros agentes educativos para planificar estratégias e para colmatar as dificuldades do aluno. Aqui parece-me evidente que os directores de turma intervêm mais em problemas de comportamento e dificuldades de aprendizagem por serem o agente educativo que está mais em contacto com os alunos e a sua principal tarefa ser a de dirigir a turma. Está bem patente que a tarefa dos psicólogos, na escola, consiste em intervir principalmente quando lhes é solicitado, no entanto, também pedem colaboração e ajuda ao director de turma para organizar as suas tarefas. São os psicólogos que intervêm mais nas famílias de risco. Os directores de turma encaminham mais vezes os alunos para outros serviços, no entanto, os psicólogos também o fazem muitas vezes. É notável alguns serviços para os quais são encaminhados os alunos. Numa pergunta aberta a maior parte dos directores de turma afirmou encaminhar para o psicólogo ou sala de estudo quando apresentam problemas de comportamento, o que significa que espera colaboração do psicólogo para aconselhar o aluno, o que vai de encontro ao que foi mencionado anteriormente, que os psicólogos ajudam especialmente os alunos que lhes são encaminhados. Os serviços mais citados pelos psicólogos foram a CPCJ – protecção de menores e centros de apoio especializado. Aqui permite-nos perceber que muitas vezes e após ter sido direccionado pelo D.T. a visitar o psicólogo, são várias as vezes que este é igualmente encaminhado conforme o problema que apresenta. De salientar, que nem sempre o aluno é encaminhado e apenas quando revela comportamentos anormais. Detectamos, ainda, que os psicólogos possuíam objectivos e tarefas vastas de difícil cumprimento. A colaboração com os professores e conselhos executivos não é algo que os directores de turma praticam com frequência, no entanto, os psicólogos colaboram sempre com o concelho executivo e com os professores. De referir que aquando a explicação mais aprofundada sobre o porquê da importância desta colaboração entre os vários intervenientes alguns directores de turma referiram o seguinte aspecto: «É importante na medida em que se podem antecipar problemas, no entanto, não devemos estar sempre a pedir colaboração destes porque alguns problemas podem ser resolvidos por nós.» Já os psicólogos consideram que esta colaboração deve existir sempre porque «Dado que existem muitos alunos é impossível o psicólogo chegar a todos eles, logo o director de turma e conselho executivo assumem um papel fulcral de orientadores.» Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura Os directores de turma consideram a colaboração do psicólogo boa mas os psicólogos consideram a dos D.T. satisfatória. Embora ambos os profissionais considerem que é importante colaborar nas actividades educativas bem como manter relação com os pais os D.T. já valorizam menos a colaboração com o conselho executivo e professores. Quando a colaboração é mais específica os directores de turmas retraem-se um pouco ao contrário dos psicólogos que consideram muito importante. Os psicólogos mostraram disponibilidade em trabalhar com os directores de turma embora nem sempre os ajudem nas actividades e processos de avaliação formativa, bem como facilitam algumas vezes informação aos professores e informação sobre orientação vocacional e profissional. Estamos certos que este acontecimento se deve ao facto de nem sempre estarem presentes nas escolas e possuírem objectivos de trabalho tão vastos e inúmeros pedidos de ajuda de alunos, que com tanto esforço tentam ajudar na íntegra. Na opinião dos alunos, ambos os profissionais aparecem muitas vezes em colaboração na organização de actividades com outros professores e conselho executivo e na resolução de problemas dos alunos. Através das perguntas abertas depreendemos que os D.T. preferem e consideram profícuo resolver os problemas autonomamente colaborando apenas quando pertinente. Os D.T. mostram-se, ainda, menos satisfeitos com o valor atribuído ao seu trabalho, considerando mesmo assim “bom”, por enquanto que os psicólogos estão muito satisfeitos com o valor que a comunidade educativa atribui ao seu trabalho, classificando-o como “muito bom”. As opiniões dos alunos da universidade são várias no que concerne ao papel do director de turma. Grande parte afirma que este não teve um papel crucial na sua orientação vocacional e profissional devido ao facto de não ter tempo para executar todas as tarefas que lhe competia, o que vai de encontro ao que referimos anteriormente. Foram destacadas as burocracias das escolas em termos de papéis de faltas, justificação entre outras, que acabam por ocupar muito o tempo destes profissionais. Acrescentaram que o director de turma não tinha tempo para os orientar neste aspecto e pedia ajuda ao psicólogo que os encaminhava para a secretaria ou conselho executivo, dado o pouco tempo na escola ou até mesmo excesso de alunos para orientar. Ao analisarmos as funções e o valor atribuído às mesmas por parte dos estudantes, concluímos que isto vai de encontro ao primeiro objectivo, pois depreendemos que há de facto um 393 394 Orientação Vocacional e Profissional excesso de carga sobre estes profissionais que deveriam ter os seus objectivos bem definidos quanto às suas tarefas e deveriam ter mais condições de trabalho para poderem corresponder a todas as solicitações dos alunos. Foi reforçado pelos alunos o facto de na sua escola não existir psicólogo bem como a ocupação do mesmo apenas com alunos problemáticos. Para além disso, muitos alunos nem sabiam que a escola possuía psicólogo e quando tinha eram vários os momentos que ele não se encontrava na mesma. Relativamente ao grau de conhecimento da legislação relativa à orientação educativa grande percentagem de psicólogos admite ter um conhecimento alto, por enquanto que os D.T. afirmam ter um conhecimento médio. De referir, que no capítulo um, página 46 e capítulo quatro é focada esta necessidade de formação e actualização por parte dos professores e outros profissionais na área da educação. Observamos que a maioria dos profissionais confessa organizar algumas vezes seminários e acções de formação destinados à comunidade educativa, no entanto, estes resultados revelaram-se significativos pois alguns D.T. ainda responderam que nunca organizam acções de formação. Foi explicado pelos mesmos nas perguntas abertas que o tempo para cumprir os objectivos, as tarefas, organizar outras actividades de departamento destinadas à comunidade educativa e cumprir a planificação é muito pouco, o que faz com que não haja tempo para organizar seminários. Ambos valorizam as reuniões do conselho de turma considerando-as um contributo muito importante. Os directores de turma focam mais o seguinte aspecto: «Nestas reuniões definem-se actividades em conjunto para promover o bem-estar dos alunos.» E os psicólogos lamentam e referem que «O psicólogo pode e deve participar mais nestas reuniões quando solicitado pelo conselho de turma. Quando existem problemas de integração, comportamento ou outras dificuldades o psicólogo e o professor elaboram estratégias de intervenção. Estas reuniões são importantes para isso mesmo, no entanto, os psicólogos no ensino secundário participam pouco nestas reuniões, mas dado que a orientação profissional se torna cada vez mais um dos factores mais importantes no processo de ensino e aprendizagem a falta de um técnico acaba por ser um lapso da escola.» O facto de existir falta de um técnico desta categoria acaba por se evidenciar nas respostas dos mesmos. Para além disso, os D.T. valorizam menos a preparação e avaliação das actividades, não deixando de achar importante mas não prioritário, por enquanto que os psicólogos Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura consideram muito importante. Recordamos que no capítulo um destacamos, na página 46, alguns decretos de lei que fazem referência a este dever de «Reflectir sobre o trabalho realizado individual e colectivamente.» Relativamente à forma como funcionam as actuações orientadoras da escola foram os directores de turma que mais revelaram não saber se existia PAT nas escolas, assim como, são mais os psicólogos que afirmam participar na elaboração do PAT do que os directores de turma. Os professores deveriam ser informados e incentivados a elaborarem estes projectos, participando e organizando-os, no entanto, é compreensível porque se não há PAT os professores também não podem participar. Como recordamos, é no capítulo três que fazemos uma análise exaustiva do que significa o PAT e como está regulamentado aqui em Portugal, bem como pode ser levado a cabo nas escolas. Na página 153 destacamos a tutoria como modalidade de apoio aos planos de recuperação e acompanhamento segundo o despacho 50/2005. No que diz respeito à orientação vocacional e profissional os directores de turma consideram que a sua ajuda é bastante, embora os psicólogos ajudem sempre os alunos nesta área. Podemos depreender, através de uma das perguntas abertas, que os directores de turma ajudam bastantes vezes os alunos nesta área mas pedem muitas vezes apoio e colaboração ao psicólogo organizando “sessões de esclarecimento com o SPO”. De salientar algo muito positivo constatado numa das escolas. Há aulas próprias no horário do director de turma chamadas A.O.E, em que o mesmo se reúne com os seus alunos e tem essa função, ou seja, a de orientar os alunos ajudando-os a construir a sua identidade e a descobrir os seus gostos. Achamos muito interessante e produtivo existirem essas aulas no horário do director de turma e julgamos ser algo que poderia estender-se a todas as escolas secundárias portuguesas. Segundo os D.T. inquiridos nestas aulas há «Debates nas quais o director de turma leva recortes de jornal ou dos cadernos de emprego do jornal expresso para análise e são sugeridos a alguns alunos sites para consulta relacionados com o acesso ao ensino superior ou oferta de emprego. Aqui ajuda-se os alunos no momento de inscrição de exames, trazendo informação sobre cursos, disciplinas específicas e condições de acesso ao ensino superior.» De referir que há, ainda, no horário de alguns directores de turma um bloco de aulas destinada a receber alunos, no entanto, acaba por nunca ser utilizada por falta de informação aos mesmos e porque os directores de turma consideram que esse bloco acaba por ser muito pouco para orientar todos os alunos. 395 396 Orientação Vocacional e Profissional Os psicólogos afirmam ajudar quando lhes é solicitado, recolhendo dados e analisando-os. Outros organizam visitas de estudo vocacionais e organizam acções de formação no início do ano para dar informação sobre esta matéria. São os psicólogos que ajudam mais os alunos nos momentos de risco, dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão e a desenvolverem estratégias pessoais para buscarem, seleccionarem e tratarem as informações, embora os directores assumam fazer este trabalho “muitas vezes”. Isto deve-se ao facto da sua profissão ser mais direccionada para tal. No entanto, os directores de turma focaram que a sua tarefa baseia-se mais na integração dos alunos, no envolvimento dos mesmos em actividades educativas, no diálogo com os pais e estabelecem ponte entre escola e família. Relativamente a este aspecto mostraram-se insatisfeitos dado que muitas vezes o seu trabalho acaba por perder toda a importância quando não há resposta por parte dos pais, o que interrompe todo o trabalho e processo de orientação. Os D.T. referem, ainda, que pedem muitas vezes informações sobre saídas profissionais e fazem esta orientação muitas vezes, ainda que em alguns minutos das suas aulas ou até mesmo fora das aulas nos intervalos, o que mais uma vez indica a falta de tempo e espaço que promova a orientação vocacional e profissional. Os alunos consideram que não há orientação nas escolas secundárias que os ajudem e guiem na escolha da sua carreira. Para além disso, é interessante as sugestões que fazem desde a disponibilização nas escolas secundárias de planos de curso, bem como a obrigatoriedade de uma disciplina que tivesse o objectivo de orientar os alunos nesse sentido, como constatamos anteriormente. Os alunos mencionaram que era interessante trazer testemunhos de pessoas que tiveram várias experiências na universidade e deveria ser obrigatório existir mais do que um psicólogo com horários de atendimento mais flexíveis. Os alunos consideram os testes vocacionais muito nebulosos e, por isso, deveria existir fóruns, conferências, debates e discussões abertas. Há, segundo os alunos, um desconhecimento sobre estes apoios e, por isso, muitos alunos não fazem testes vocacionais. Os psicólogos poderiam dar a conhecer aos alunos esta ajuda. No que concerne ao grau de satisfação dos alunos que passaram pelas escolas secundárias e encontram-se neste momento na universidade, podemos constatar que o seu grau satisfação é satisfatório. São alunos que ingressaram num curso de 3 anos mais 2, ou seja, para seguirem a carreira docente os alunos são obrigados a adquirir mestrado. Todas estas mudanças a nível de Bolonha são destacadas e descritas minuciosamente no capítulo três. Denotamos que estes alunos têm idades compreendidas entre os 17 e 33 anos e são na Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura sua maioria solteiros. Através dos gráficos conseguimos visualizar que uma grande parte dos alunos que se encontra no primeiro ano do curso de “Línguas estrangeiras aplicadas” está há mais de um ano na universidade maioritariamente devido a mudança de curso. Através destes dados conseguimos perceber a dúvida dos alunos aquando entrada na universidade. Alguns entraram noutros cursos porque não sabiam o que escolher, mas agora que mudaram para este a maior parte afirma estar a gostar do curso. De salientar que este inquérito foi feito no 2º semestre para dar tempo aos alunos de se ambientarem e saberem como funciona o curso, de modo a poderem dar a sua opinião sobre o mesmo. No entanto é numa das perguntas abertas que ficamos a perceber a razão da escolha deste curso e de notar que algumas razões indicam-nos mais uma vez a falta de orientação dos alunos. Alguns referem que não sabiam o que escolher e outros referem que é mais uma tentativa, dado que a anterior noutro curso não funcionou. De referir, ainda, que alguns alunos pensam que o curso tem saída e, por isso, ingressaram no mesmo. São poucos os alunos que salientam o facto de quererem ensinar. Este questionário dirigido aos alunos deu-nos bastantes respostas, na medida em que grande parte dos alunos admite que não recebeu orientação suficiente no ensino secundário que os ajudasse a decidir na sua escolha. Alguns indicam que, efectivamente, eram informados sobre saídas profissionais, mas grande parte considera não ter recebido essa informação. Achamos interessante constatar que os poucos que receberam essa orientação destacaram o director de turma e o psicólogo que, em colaboração, organizavam sessões de esclarecimento e mesas redondas, no entanto, não consideraram os testes psicotécnicos de grande pertinência. Os alunos admitiram na sua maioria nunca terem procurado o psicólogo nos momentos de dúvida e os poucos que procuraram foi sempre o psicólogo da escola, não considerando a ajuda pertinente, pois como referi anteriormente, os alunos não gostaram dos testes psicotécnicos, porque acharam que os resultados não eram apropriados e sentiam-se pressionados a seguirem os mesmos. Aquando a resposta dos alunos que receberam dicas sobre saídas profissionais, os mesmos mencionaram que essa orientação era feita por profissionais das universidades que faziam sessões de esclarecimento com psicólogo e directores de turma, bem como visitas a feiras de profissões. Por fim, a maior parte dos alunos não pretende ser professor, mas consideram esta profissão de extrema importância e, por isso, que a orientação destes alunos deve ser 397 398 Orientação Vocacional e Profissional também ela prioritária. Segundo os alunos há uma falta de organização nesta matéria, o que acaba por prejudicá-los. A oferta é cada vez maior, os cursos diferem de ano para ano devido a alterações de Bolonha e cada vez mais os alunos sentem necessidade de um especialista que os ajude nesta matéria. Os alunos sentem esta falta não só no secundário mas também na universidade, daí termos dedicado parte do capítulo quatro à tutoria no ensino universitário, uma prática ainda nova em Portugal, mas de grande importância e pertinência. São vários os professores que descobrem que não tem vocação para o serem quando têm a experiência de ensinar, por isso, segundo os estudantes eles deveriam ter essa experiência na universidade bem como aconselhamento no ensino secundário. É pertinente evidenciar os sentimentos dos alunos, pois são eles o objecto envolvido na orientação. Alguns alunos manifestaram as suas preocupações, sentimentos e limitações. Há alunos que queriam, de facto, seguir a via ensino mas não se achavam com capacidades e tinham muitas dúvidas sobre o futuro. Um dos estudantes já tinha tirado um curso e não se sentia preenchido vocacionalmente e decidiu tirar este para poder leccionar. Vários alunos referiram que no início estavam motivados para seguir uma determinada profissão e com o passar do tempo desmotivaram e, por isso, sentem-se frustrados porque nunca tiveram qualquer orientação. Outros afirmam ser este o curso mais correcto e que preenche todos os seus requisitos. Achamos importante concluir com as palavras dos alunos tal como eles as escreveram. É sobre elas que devemos reflectir, pois são eles que estão a passar neste momento pela experiência de lutarem por uma profissão e formação: «Com orientação podemos aprender estratégias para lidar com os alunos, aliás todas as profissões que envolvam relações humanas devem ter bastante formação e orientação antes da teoria ser posta em prática […] uma profissão que exerce tanta influência sobre outros indivíduos deveria ter pré-requisitos para entrar na universidade. Nos dias de hoje ser professor é um desafio e exige muito de si, as melhores qualificações não só a nível de conhecimento mas de destreza e paciência, logo deveria existir algum exame antes de se entrar na profissão e não depois.» 399 Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura 7.1.1. Conclusão final e perspectiva Concluímos que: • É necessário dar mais condições aos psicólogos e clarificar os seus objectivos para que não sejam tão vastos, bem como deveriam as escolas poder contratar mais do que um, quando necessário; • É preciso dar mais condições aos directores de turma, flexibilizando o seu horário e atribuindo mais horas para que estes possam dedicar mais tempo à orientação dos alunos; • É imprescindível incentivar a colaboração de ambos os profissionais aqui estudados e os alunos para que, sem receios, procurem os serviços destes profissionais; • É importante introduzir mais actividades vocacionais, aulas de A.O.E e apostar em fóruns e plataformas que incentivem e promovam a autonomia do aluno na procura de informação sobre cursos e saídas; • É necessário mais envolvimento dos pais nesta tarefa orientadora, chamando-os à escola para participar em sessões de esclarecimento; A realidade é que tanto os directores de turma, professores e psicólogos possuem uma diversidade de funções e tarefas de natureza tão díspar que às vezes não consegue surtir o efeito desejado. Porque não criar primeiro estabilidade aos professores e psicólogos? Depois disso, poderia criar-se equipas facilitadoras e dedicadas exclusivamente à orientação e desenvolvimento do aluno. Poderia apostar-se mais em professores-tutores. Parece-nos que há um receio das escolas em incutir a palavra colaboração. Não podemos ser individualistas e trabalhar em grupo poderá ser a palavrachave para o sucesso das tarefas orientadoras. Um dos deveres de ambos estes profissionais “Promover a cooperação entre agentes educativos e comunidade escolar”, pag. 182 deste trabalho. A administração educativa deveria aumentar a contratação do número de profissionais tanto professores como psicólogos para ser possível criarem-se estas redes de 400 Orientação Vocacional e Profissional colaboração e equipas. Parece-nos existir pouca colaboração com o conselho executivo, o que nos parece complicar mais a tarefa orientadora. O nosso trabalho de investigação destaca a complexidade e toda a política reguladora que está por detrás das escolas. A escola é, de facto, um mundo complexo, onde surgem todos os casos e problemas possíveis, por isso, deve existir uma definição clara de objectivos que regulem todas as escolas. Visualizamos que não há um apoio, investimento no trabalho do director de turma e psicólogo, bem como não há uma aposta alargada na orientação vocacional e profissional. Há muitas dúvidas que permanecem por falta de diálogo entre os agentes educativos e ministério da educação. Estamos a passar por um período conturbado na educação do nosso país ao mesmo tempo que estamos numa época de mudança nas universidades a nível Europeu e uma mudança a nível de sociedade. A informação chega muito depressa aos alunos e é tanta que confunde e desorienta-os. Precisa-se redefinir estes objectivos e apostar mais nos profissionais de ensino que orientam as novas gerações, porque como concluímos não podemos simplesmente negligenciar a sua importância ou forçá-los a atingir objectivos tão rapidamente. Visualizamos, por exemplo, no capítulo dois que há países como a Holanda e como a Alemanha que nos parecem bastante eficazes no que diz respeito à orientação vocacional e profissional. A Alemanha apoia desde muito cedo as crianças neste aspecto. Portugal parece-nos ter uma boa estrutura e organização neste sentido, mas de facto um olhar mais atento concluirá que os resultados são desanimadores. Quanto a estes profissionais devem-se capacitar das mudanças que ocorrem nas escolas e tentar levar a cabo as suas tarefas orientadoras da melhor maneira não desmotivando e actualizando-se sempre que possível e necessário. Tendo em conta as nossas conclusões e visto que poderíamos enumerar vários aspectos que fomos desvendando e analisando ao longo deste estudo destacamos alguns temas futuros e interessantes a abordar: • Grau de eficácia das intervenções do psicólogo nos alunos; • Estudo sobre o grau de satisfação dos alunos no ensino secundário; • Satisfação dos alunos no ensino universitário; • O grau de orientação nos alunos com N.E.E; • A tutoria no ensino universitário. Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura 7.2. Conclusions and future perspectives 7.2.1. Conclusions Through the identification results we can see that many psychologists don´t have a well defined job when working with green receipts. Their work at schools is temporary, that´s why many of them work in part-time (40%). This aspect is absolutely negative in terms of professional and vocational orientation. If psychologists don´t work in full time at schools and if their situation doesn´t offer them conditions, they cannot involve themselves efficiently in tasks related to orientation. However, it is important to refer that some relevant changes were made this year in the working law. So, through the law nº 2 of the article 35 – 12- A/2008 approved by this govern we visualize that the public administration services are only allowed to make contracts on green receipts exclusively with “collective people”, this means only with enterprises. Following the law nº 4 of the same article, when proved that it is “not possible or inconvenient” to celebrate contracts with enterprises, a government member, responsible for financial area, can authorize green receipts contracts with a single person. In some schools some changes were not done yet, but we think this law will stimulate some changes, such as to have some professionals with a working contract. So, only a few will ask for authorization to work on green receipts. Further we have to highlight the fact that many schools don’t have a psychologist and this is an error and a negative aspect. On page 122 we mentioned the fact that the SPO was created in 1991 but now we have the confirmation that after 18 years of being created and implemented there are lots of schools without them which is an absolute error. The psychologists support more students with special needs; nevertheless the class director admits to help in the detection of educative or learning problems. In spite of that, the class directors intervene in students that have behaviour problems and the psychologist intervene many times but not always because they only intervene when they are called or when the student is directed to SPO. The psychologists are the ones who ask for more collaboration from other educative agents to plan strategies to help students overcome their difficulties. 401 402 Orientação Vocacional e Profissional Here is evident that the class director intervenes more in problems related to behavior and learning difficulties because he is the one who is constantly in contact with students in class and because he has the task of guiding the class. It is visible that the psychologists’ tasks in schools consist in intervening when asked. On the other hand, he also has no problem in asking cooperation and help to the class director. In addition to this, we can see that the psychologist is the one who intervenes more in problematic families. The class directors send more students to other services, yet the psychologists also do that sometimes. It is interesting to observe the kind of services referred by both professionals. The majority of class directors said that they send students to psychologists or to study rooms when they have behavior problems, which means that he expects the psychologist collaboration and help to advice the student. This was mentioned previously, that the psychologists help essentially the students that are sent by teachers. The services referred by psychologists were the CPCJ- children’s protection and specialized support centers. This leads us to understand that many times after being advised by class directors to visit the psychologist there are situations where students are equally guided to other services by psychologists taking into account the problem he has. The student is not always directed, only when he reveals abnormal behaviors. We have also detected that psychologists have innumerous and vague purposes. The collaboration with teachers and school director is not something that class directors practice frequently, however the psychologists admit to work together with the school director and teachers in general. We think that it is important to say that, when asking class directors to explain better why this collaboration between various educational agents is important, some of them referred the following aspect: «it is important once we can anticipate problems; nevertheless we cannot be always asking school director´s collaboration because we have the capacity to solve many problems alone.» The psychologists think that this collaboration must be always present because «there are many students and it is impossible for the psychologists to help all of them. The class director and school director assume an extremely important orientation role.» The class directors consider good the collaboration of the psychologist but the psychologist see the class director´s collaboration as satisfactory. Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura In spite of both professionals consider that collaborating in activities, as well as keeping a relation with parents is important, class directors give less importance to the collaboration with the school director and teachers. When the collaboration is more specific, the class director is not as much comfortable in contrast to the psychologists that consider it very important. The psychologists demonstrated availability in working with class directors in spite of not always helping them in the activities and formation evaluation process as well as sometimes give information about vocational and professional orientation. We are sure that this is related to the fact that they are not always present in schools and possess an indefinite work as well as lots of asks for help from students which they try to help totally and efficiently. In students’ opinion, both professionals appear in collaboration very much, especially when organizing activities with others teachers and school director and in the students’ problems resolution. Through the opening questions we noted that D.T. prefer and consider more productive when they solve the problems with autonomy, collaborating when necessary. The class director is less satisfied with the value that community attributes to his work in opposition to psychologists that seem to be satisfied with the value that educational community attributes to his work, choosing the scale “very good”. The opinions about the role of class directors in schools vary. A great part says that he doesn´t have a crucial role in vocational and professional orientation due to the fact of not having time to do all the tasks asked by school, which emphasizes what we said before. Many students mentioned the bureaucracy in schools in terms of papers to assessment, justifications, and meetings, etc. which takes a lot of time to these professionals. They add that the class director doesn´t have time to guide them efficiently and asked many times the psychologist that also directed them to the administrative services of school or school director. All of that because he was not working full-time in school and had too many students to help. When analyzing both functions and the value given by students we conclude that this objective is related with the first one because we highlight the fact that there is an excess of duties over these professionals. They should have their objectives well defined in what concerns to their task and should have more working conditions to correspond to all the students’ requests. 403 404 Orientação Vocacional e Profissional It was mentioned by some students that in their schools the psychologists don’t exist, and when they do, they are always worried with the problematic students. Furthermore, some students also mentioned that they don’t know that there was a psychologist in their school and when it had he was many times out of the school, working in part time only. In what concerns to the knowledge level in terms of legislation related to orientation, a great percentage of psychologists admit to possess a high knowledge, once the class directors admit to have a median knowledge. We have to reinforce that in chapter one, on page 46 and in chapter four it was focused this necessity of formation and actualization by teachers and other professionals in educational area as well as Portuguese laws were described. We observed that the majority of these professionals organize workshops directed to the educational community sometimes, however, these results revealed became interesting because some D.T. answered that they never organize these kinds of workshops. It was explained by them in the open questions that the time to overcome their aims and duties, organize the department activities directed to educational community and to overcome the programs in their subjects is few. So, they don´t have time to organize more workshops. Both professionals give value to the class council meetings, looking at them as an important contribute to student’s orientation. The class directors focus more the aspect: «In these meetings we define activities together to promote the well being of students.» The psychologists regret and refer that «The psychologists can and must participate in these meetings when asked by the class council and when there are problems connected with integration, behavior or other difficulties. The psychologists and teacher plan some interceptive strategies. These meetings are important because of that, however, the psychologists in secondary teaching don’t participate in these meetings very much, but since professional orientation is one of the most important factors in the process of teaching and learning, the absence of a technician like a psychologist is certainly a school mistake.» Furthermore, the class directors give less value to the preparation than to the evaluation of the activities. On one hand, they think it is important, on the other hand they do not believe that it is a priority. The psychologists consider this work very important. In chapter one on page 46 we reinforce some laws that do reference to this duty “Reflect about individual and collective work.” Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura In what concerns to the way which orientation practices function in school, many class directors confessed that they didn’t know that the PAT existed in their school. The psychologists are also the ones who participate more in PAT elaboration. We think the teachers should be informed as well as motivated to participate and organize these kind of projects, however, it is normal because if there is no PAT teachers cannot participate. As we saw in chapter three, we explore the PAT concept as well as how it is regulamented in Portugal and how it can be adopted by schools. On page 153 we highlight the tutory as a supporting structure for the students’ recuperation and guidance plan, as it appears in the law 50/2005. In what concerns to vocational and professional orientation, the class directors consider that they help students very much, since the psychologist always helps students in this area. We can conclude from an open question that the class director helps students very much in this area. But, lots of times, they ask for the help and collaboration of the psychologist to organize “explanation sessions with SPO.” We have to underline that we observed something very positive in one of the schools. Every week they have lessons exclusively dedicated to guide students professionally. They are called “A.O.E.” where class directors help students to construct their identity and find their vocation. We consider this fact very interesting and productive because these lessons exist in class director’s schedule and are object of preparation by them. So, we think it could be adapted to all secondary Portuguese schools. In these lessons they assume that «there are debates in which the class director brings pieces of journal about employment to analyze and sites related with the admission to university are suggested. Here we help students in the moment of filling in the paper exams, bringing information about courses, specific subjects and admission conditions to university». We also need to refer that there is in the class directors schedule one hour dedicated to students, however it is not used because the majority of students don’t know that this hour exists and all the class directors think this hour is not sufficient to help all of them. So, the psychologists said that they help students when asked, gathering information about them and dedicating their time analyzing the results. Others organize study vocational visits and courses in the beginning of the year to give information about this matter. The psychologists are the ones who help students in the moments of risk, changes of class or profession election. They also help them to develop personal strategies to find, select and use the information in spite of the directors assume that they do this lots of time. This is also related to the fact that their work is more directed for that. The directors focus 405 406 Orientação Vocacional e Profissional that their main task is to integrate students in class, help them in their relationships between classmates and teachers, to help them in educational activities and in the dialogue between school and parents. Bearing in mind this fact, we also observed that class directors are not satisfied once that his job loses importance when there is no answer from parents, interrupting the process of orientation. The class directors add that they frequently ask for information about jobs to elucidate their students at the beginning of the lesson or during breaks. This means that time and space are required to promote vocational and professional guidance. Students think there is no guidance in secondary schools that help them and guide them in their future choices. In spite of that, it is interesting the suggestions they make. Students have given suggestions such as the availability, in secondary schools, of course plans as well as the obligation of a subject that could have the purpose of helping students in their moments of choosing. This fact we have already observed in the conclusions taken from the class directors’ answers. They showed interest in bringing people from universities to talk about their experiences and to have more than one psychologist in school with a flexible schedule. The students considered the vocational tests very uncertain and, so, there should exist platforms, conferences, debates and open discussions. As students referred, there is a lack of information about these supports and they think the psychologist should motivate and call the attention for the existence of this help. Taking into account the satisfaction level of the university students they are in the “satisfactory level” as we can prove from the questions we made. These are students that attend a course of 3 years plus 2, once that in Portugal it is obligatory to acquire the title of master to teach. All of these Bolonha changings are described in chapter three. We note that these students have between 17 and 33 years old and the majority is single. From the graphs we can visualize that great part of those who are in the course “Línguas estrangeiras aplicadas” are in the university for the second or third year because the majority changed course. Through these results we are able to understand the multiple doubts they had when they chose the course. Some of them chose another course because they didn’t know what to select, but now they changed to this course and they admit that they are enjoying. Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura We call the attention to the fact that we have done these questions only in the second semester to give students time to get used to and to learn how the course functions, to better give their opinion about it. However, in one of the open questions we understood the reason for choosing these course and we noticed that some answers demonstrated the lack of orientation that students have. Some of them referred the fact of choosing this course because they didn’t know what to choose. Others underline the fact that it is another try because the first try in choosing a course without thinking was not successful. In addition, many students think that the course has a guaranteed job and that’s why they chose it. We have few students who highlight their motivation to teach as a reason. These questions gave us lots of answers and proved many things we referred in the beginning, once that the majority of students admit that they didn´t have the right orientation in secondary school that could help them to decide what to follow in the university. They said that teachers informed them about professional offers but a great part considered and admitted that they didn’t receive that information. We find interesting that the few students who received this orientation mentioned the class director and the psychologist who, in straight collaboration, organized sessions and round tables to guide students vocationally and professionally. However, they didn´t like psychological tests. The majority of students admitted that they never looked for a psychologist in their moments of doubts and the ones who consulted one thought that his help was not efficient once they don´t like psychological tests because they thought that the results were not appropriate and they felt pressure in following them. Some students mentioned that the orientation was done by people from universities that organized sessions with the psychologists and class directors to solve doubts as well as visits to job markets. At last, many students also admitted that they do not intend to be teachers, but they consider this job of extreme importance and complexity, so the orientation given to these students should also be a priority. Students believe there is a lack of organization in this matter. The offer is huge and courses differ from year to year because of Bolonha changings and because there are more and more students in need of a technician that helps them in this matter. Students need this guidance not only in secondary but also in the 407 408 Orientação Vocacional e Profissional university, that’s why we dedicated part of chapter four to tutory in university teaching, a practice yet new in Portugal, but of great importance. There are various teachers that discovered they aren’t gifted to be teachers only when they were in contact with a class, so, as these students mentioned, they must have this experience in university as well as advice in secondary teaching. It is interesting to highlight the students feelings because they are the object involved in orientation. Some students demonstrated their worries, feelings and limitations. There are some of them who admit their wish to follow a teacher career but they confessed their low self-esteem and doubts about future. One of the students referred that he was already graduated but he didn’t feel vocationally happy and decided to attend this course because what he really wanted was to teach. Many students, in the beginning, were motivated to follow a profession but with time they lost the motivation and now they feel frustration because they never had any kind of orientation. Others add that they are in the correct course since they are vocationally happy. Bearing this in mind, we think it’s important to conclude with students words. It is about them that we should reflect, because they are facing this experience in this moment and fighting for a job and a formation: «With orientation we can learn how to be with students in a classroom, in fact all the professions that involve human relations should be well formed and guided before the theory gets put into practice […] a profession that has an impact and influence over individuals should have pre-requisites to attend university. Nowadays to be a teacher is a challenge, it demands the best qualifications in terms of knowledge but also patience and capacity to involve a group, so there should be an exam before going into university and not after.” Capítulo VII – Conclusões e perspectiva futura 7.2.2. Final conclusion and perspectives We concluded that: • It is necessary to give better conditions to psychologists and clarify their purposes in school as well as schools should be autonomous to ask for more psychologists when necessary; • It is required to give better conditions to class directors, changing their schedules and giving them more hours to guide the class; • It is essential to stimulate the collaboration between both professionals here studied and students that, without fear, must be motivated to look for the services of these professionals; • It is essential to introduce more vocational activities and bet in forums and platforms that encourage and promote the student autonomy in their research about courses and course plans. • It is necessary to have more involvement of parents in this guidance task, calling them to school to participate in information meetings. The reality is that class directors, teachers and psychologists possess a diversity of complex functions and tasks that sometimes don’t have the effect we wish. Why not insure professors and psychologists stability first? After that some teamwork dedicated exclusively to development and guidance of students should be created. We could bet more in tutors-professors. Schools should motivate teachers to use the word “collaboration”. We cannot be individualists because working in group could be the keyword to the success of orientation tasks. One of the duties of both professionals is to “Promote and cooperate between educational agents and school community”, page 182 of this work. The educational administration should increase the number of psychologists as well as teachers in schools to make possible to create this multiple groups of cooperation. It seems that there are few partnerships especially with the school director which, we think, can complicate the orientation task. 409 410 Orientação Vocacional e Profissional Our research work emphasizes the complexity of politics that are behind schools. The school is, in fact, a complex world where any kind of cases and problems emerge, so there should be a clear definition of purposes that control all the schools. We observed that there is no support, investment in class director’s work as well as in psychologist, so this does not fortify the bet in vocational and professional orientation. There are lots of doubts that remain because of the lack of dialog between the educational agents and the educational ministry. We are facing a complicated period in the education of our country and, at the same time, we are in an era of changing in universities as well as in society. The information arrives quickly to our students and the immensity of it bewilders them. There is the need to re-define these objectives and bet in teaching professionals capable of guiding the new generations, because, as we concluded, we cannot simply neglect their importance neither force them to work on a part-time basis. We saw in the beginning that there are countries like Holland and Germany that look very efficient in what concerns to vocational and professional orientation. Germany supports its children since their first years. Portugal also seems to have a great structure and organization, but in fact, a closer look will tell that the results are disappointing. In what concerns to these professionals they must be aware of the changings that are occurring in schools and carry out their guidance efficiently with motivation and conscious of their constant need for updating. Bearing these conclusions in mind and taking into account many aspects already pointed out, that we discovered with this long and hard study, we highlight some future themes that could be interesting to study: • Level of efficiency of psychologists’ interventions in students; • Study about the students’ level of satisfaction in secondary teaching; • Study about the level of satisfaction in university teaching; • The level of orientation in children with special needs; • The tutorial action in university teaching. 411 8. Referências bibliográficas Álvarez González. M. (1991). Modelos e programas de intervención en orientación. Actas del VIII encuentro de la Asociación coordinadora estatal de pedagogía: Pedagogía y orientación en la reforma. Albacete 26-28 Abril. Álvarez González, M. (1995). Orientación profesional. Barcelona, Cedecs, pp. 36-37 Álvarez González, M. & Bisquerra Alzina, R. (1996). Aproximación al concepto de orientación y tutoría. En M. Álvarez e R. 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Cranston, R.L: Carroll Press. 428 Orientação Vocacional e Profissional Anexo I: Legislação de suporte ¾ Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei nº46/86, 14 de Outubro Define o âmbito, os objectivos e a organização da educação especial (artigos 17º e 18º). ¾ Lei de Bases da Reabilitação – Lei 9/89, 2 de Maio. Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (artigo 9º). ¾ Decreto-Lei 6/2001, 18 de Janeiro. Aprova a reorganização curricular do ensino básico. Prevê a regulamentação das medidas especiais de educação, dirigidas a alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente (artigo 10º). ¾ Despacho Normativo 30/2001, 19 de Julho. Define a avaliação dos alunos abrangidos pelas medidas especiais de educação (ponto 54). ¾ Decreto-Lei nº 35/90, 25 de Janeiro. Define o regime de gratuitidade e de escolaridade obrigatória. ¾ Decreto-Lei 190/91 de 17 de Maio cria, no âmbito do ME, os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO). ¾ Decreto-Lei 319/91, 23 de Agosto. Define medidas de regime educativo especial a aplicar a alunos com necessidades educativas especiais dos alunos do ensino básico e secundário. ¾ Despacho 173/ME/91, 23 de Outubro. Regulamenta os procedimentos necessários à aplicação de medidas previstas no D.L. 319/91. ¾ Portaria 611/93, 29 de Junho. Aplica o disposto no D.L 319/91, às crianças com NEE que frequentam os jardins-de-infância. ¾ Despacho nº 37/ME/94, 8 de Agosto. Estabelece as condições especiais de colocação de docentes portadores de doença ou deficiência. ¾ Despacho Conjunto nº 46/MF/ME/95. Aplica aos socio-educativos das IPSS o princípio da gratuitidade. ¾ Decreto-Lei nº 95/97, 23 de Abril. Define o âmbito dos cursos de formação especializada dos docentes. Legislação de suporte ¾ Despacho Conjunto 105/97, 1 de Julho. Define a prestação de apoio educativo a alunos com necessidades educativas especiais. ¾ Portaria 1102/97, 3 de Novembro. Garante as condições de educação para os alunos que frequentam as cooperativas de ensino especial. ¾ Portaria 1103/97, 3 de Novembro. Garante as condições de educação em colégios de ensino especial particular. ¾ Despacho n.º 7520/98, 6 de Maio. Cria as Unidades de Apoio à Educação de Crianças e Jovens Surdos e define as competências, equipamentos e organização das respostas educativas. ¾ Parecer n.º3/99, 17 de Fevereiro. Parecer do Conselho Nacional de Educação sobre a educação de crianças e alunos com necessidades educativas especiais. ¾ Despacho Conjunto n.º 198/99, 3 de Maio. Aprova o conjunto referencial de perfis de formação especializada dos docentes. ¾ Despacho Conjunto nº 600/99, 22 de Julho. Regulamenta a componente lectiva dos docentes de educação especial. ¾ Despacho n.º 16935/99, 30 de Agosto. Condições especiais de frequência relativas à precocidade. ¾ Despacho Conjunto n.º 891/99, 19 de Outubro. Define o enquadramento legal de intervenção precoce dirigida a crianças com deficiência ou em risco de atraso grave de desenvolvimento, e sem família. ¾ Despacho nº 15459/2001, 26 Julho. Regulamenta as condições de atribuição de modalidades de acção social escolar. ¾ Lei de Bases do Sistema Educativo. Lei 46/86 de 14 de Outubro (com as alterações da Lei 115/97 de 19 de Setembro) ¾ Lei-Quadro do Pré-Escolar. Lei 5/97 de 10 de Fevereiro (regulamentada pelo DecretoLei 147/97 de 11 de Junho); Rede Nacional da Educação Pré-Escolar – Portaria 482/99 de 1 de Julho. ¾ Organização e gestão curricular do ensino básico – Decreto-Lei 6/01 de 18 de Janeiro (declaração de retificação 4-A/01 de 28 de Fevereiro); 429 430 Orientação Vocacional e Profissional ¾ Organização e gestão curricular do secundário – Decreto-Lei 7/01 de 18 de Janeiro (declaração de retificação 4-E/01 de 28 de Fevereiro); ¾ Competências das estruturas de orientação educativa – Decreto Regulamentar 10/99 de 21 de Julho; ¾ Actividades de complemento curricular – Despacho 141/ME/90 de 1 de Setembro; ¾ Linhas orientadoras para a gestão flexível do curriculo – Despacho 9590/99 de 14 de Maio; ¾ Área Escola – Despacho 142/ME/90 de 1 de Setembro; ¾ Educação Sexual – Lei 120/99 de 11 de Agosto (regulamentada pelo Decreto-Lei 259/00 de 17 de Outubro); ¾ Regulamento das turmas com currículos alternativos – Despacho 22/SEEI/96 de 19 de Junho; ¾ Iniciação a uma Língua estrangeira no 1º Ciclo – Despacho 60/SEEI/96 de 19 de Novembro; ¾ Inserção de Línguas estrangeiras no Secundário – Despacho Normativo 26/00 de 2 de Junho; ¾ Ensino Moral e Religioso – Decreto-Lei 329/98 de 2 de Novembro; ¾ Regulamento dos cursos de especialização tecnológica - Portaria 989/99 de 3 de Novembro; ¾ Matrizes curriculares dos cursos gerais e tecnológicos do Secundário – Portaria 710/01 de 11 de Julho. ¾ Regime Jurídico da Aprendizagem. Decreto-Lei 205/96 de 25 de Outubro. ¾ Requalificação Pedagógica – 1º Ciclo. Lei 92/01 de 20 de Agosto. ¾ Condições relativas à precocidade – Despacho 16935/99 de 30 de Agosto; ¾ Assiduidade dos alunos. Despacho 24/SERE/88 de 7 de Julho; ¾ Ensino Especial – Decreto-Lei 319/91 de 23 de Agosto ¾ Regime de Avaliação dos alunos do Ensino Básico – Despacho Normativo 30/01 de 22 de Junho – Despacho 644-A/94 de 15 de Setembro (a revogar de acordo com a calendarização dos Decs. Lei 6 e 7/01); Legislação de suporte ¾ Avaliação aferida no final dos 3 ciclos do ensino básico – Despacho 5437/00 de 9 de Março; ¾ Regime de Avaliação dos alunos do Ensino Secundário – Despacho Normativo 338/93 de 21 de Outubro; ¾ Regime de Avaliação em Educação Física – Despacho 30/SEED/95 de 11 de Agosto; ¾ Regime de Avaliação a alunos com falta de assiduidade – Despacho 26/SEEI/96 de 26 de Junho; ¾ Gestão, Autonomia e Agrupamentos. Regime de autonomia, administração e gestão escolar – Decreto-Lei 115-A/98 de 4 de Maio (com alterações da Lei 24/99 de 22 de Abril); ¾ Regime Disciplinar. Estatuto do Aluno – Decreto-Lei 270/98 de 1 de Setembro; ¾ Apoios pedagógicos / educativos. Conceito modalidades e estratégias de apoio – Despacho 178-A/ME/93 de 30 de Julho; ¾ Regime aplicável à prestação de apoio educativo – Despacho Conjunto 105/97 de 1 de Julho; ¾ Orientações reguladoras de apoio integrado a crianças com deficiência ou em risco de atraso grave – Despacho Conjunto 891/99 de 19 de Outubro; ¾ Aulas de apoio ao 12º ano nocturno – Despacho Conjunto 1117/00 de 29 de Novembro ¾ Outros apoios. Fundo de Compensação Sócio Económica – Despacho Conjunto 413/99 de 15 de Maio; ¾ Apoio sócio educativo a alunos da escolaridade obrigatória – Despacho Conjunto 651/00 de 12 de Junho; ¾ Apoio sócio educativo a alunos do ensino secundário – Despacho Conjunto 652/00 de 12 de Junho; ¾ Bolsas de mérito para alunos carenciados do secundário – Despacho Conjunto 731/00 de 14 de Julho; ¾ Apoio financeiro a alunos de associações e cooperativas de ensino especial – Portaria 126/01 de 23 de Fevereiro. ¾ Ingresso no Ensino Superior. Decreto-Lei 296-A/98 de 25 de Setembro (com a rectificação do Decreto-Lei 99/99 de 30 de Março); 431 432 Orientação Vocacional e Profissional ¾ Regime especial de acesso – Decreto-Lei 393-A/99 de 2 de Outubro ¾ Competências na área da acção social escolar – Decreto-Lei 399-A/84 de 28 de Dezembro; ¾ Protecção a Crianças / Jovens em Perigo. Comissão Nacional – Decreto-Lei 98/98 de 18 de Abril; ¾ Programa 15-18 (jovens que não concluíram o 3º Ciclo na idade legalmente prevista) – Despacho 19971/99 de 20 de Outubro; ¾ “Escolhas” (prevenção da criminalidade e inserção de jovens) – Resolução Conselho de Ministros 4/01 de 9 de Janeiro; ¾ Decreto-Lei n.º 18/ 89 de 11 de Janeiro. Define modalidades de apoio a pessoas com deficiência grave e dependentes. ¾ Despacho n.º 52/ SESS/90 de 16 de Julho. Aprova as normas que regulam a implantação, criação e funcionamento dos serviços e equipamentos que desenvolvem Actividades de Apoio Ocupacional a Deficientes. ¾ Despacho conjunto Nº 479/2005 de 13 de Julho de 2005. Garantir a igualdade de oportunidades e justiça social. 433 Anexo II 434 Orientação Vocacional e Profissional Caro (a) Director (a) de Turma: Chamo-me Vera Tavares e encontro-me a desenvolver uma tese de doutoramento para a Universidade de Granada, em Espanha, intitulada “Orientação profissional e vocacional nas escolas secundárias portuguesas”. Gostaria de pedir a sua colaboração para a mesma, pelo que, como ambos sabemos, o cargo de director de turma é fundamental na orientação dos nossos alunos. É ele o mediador de problemas na turma. Como tal, gostaria que colaborasse e fosse o mais sincero (a) possível, pois gostaríamos de perceber que papel tem na orientação vocacional e profissional dos alunos. Grata pela atenção e tempo dispensado, Vera Tavares 435 A - Dados de identificação: 1. Se xo: F M 2. Idade________ 3. Estado civil_____________ 2. Situação profissional: Definitivo 3. Rural 5º ao 12º ano 4 a 8 anos 9 a 15 anos 15 a 20 mais de 20 anos Trabalha a tempo: Total 7. 7º ao 12º ano Experiência como docente: 0-3 anos 6. Rural e Urbano Ensino que é levado a cabo na escola: 10º ao 12º ano 5. Outros ___________ Espaço social da escola: Urbano 4. Contratado Parcial Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu: Nenhum 1a2 3a4 mais de 4 436 Orientação Vocacional e Profissional 8. Habilitações: Bacharelato Licenciatura Licenciatura e mestrado Licenciatura e pós graduação Licenciatura e doutoramento B – Aspectos gerais: 1. O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: Baixo 2. Médio Alto Colabora com os professores e Conselho Executivo na orientação dos alunos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 2.1 Em que medida é importante existir esta colaboração? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3. Existe um plano de acção tutorial na escola? Não sei Sim Não 437 3.1 Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo: Nunca 4. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Enquanto Director/a de Turma trabalha a orientação vocacional e profissional na escola? Nunca 5. Muitas vezes Sempre Recorre aos pais na orientação do aluno? Nunca 6. Algumas vezes Algumas vezes Muitas vezes Sempre Está a par dos programas de intervenção que estão a ser levados a cabo para orientar os alunos? Nunca 7. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Como Director/a de Turma organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos ou professores? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre C – Apoio na acção tutorial 1. As reuniões de Conselho de Turma, para a orientação dos alunos, são um contributo: 438 Orientação Vocacional e Profissional Nada Importante Pouco importante Importante Muito importante 1.1 Se respondeu “importante” ou “muito importante” explique sumariamente em que medida são as reuniões importantes: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2. O grau de colaboração dos psicólogos na orientação dos alunos é: Pouco satisfatório 3. Satisfatório Bom Muito bom Colaborar nas actividades educativas é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 4. Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre escola e família é: Nada importante Pouco Importante Importante Muito importante 439 5. Colaborar com os professores e Conselhos Executivos nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: Nada importante Pouco Importante Importante Muito importante 6. Preparar e avaliar as práticas orientadoras é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 7. O valor dado pela comunidade e órgãos de gestão ao serviço que os Directores de turma prestam é : Pouco satisfatório Satisfatório Bom Muito Bom 8. Considera o seu trabalho como Director/a de Turma: Nada importante 8.1 Pouco importante Importante Muito importante Justifique a escolha anterior: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 440 Orientação Vocacional e Profissional 9. Manter conversas periódicas com os outros professores ou psicólogo, quando existente, sobre os alunos e os seus problemas é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante D- Atenção à diversidade 1. Dá apoio a alunos com N.E.E? Nunca 2. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Nunca 3. Muitas vezes Sempre Colabora, sempre que possível, com psicólogo(a)? Nunca 4. Algumas vezes Algumas vezes Muitas vezes Sempre Intervém directamente com alunos que apresentam problemas de comportamento? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 441 5. Pede colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Nunca 6. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas complexos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 6.1 Se respondeu “Algumas vezes”, Muitas vezes” ou “Sempre” indique quais foram os serviços aos quais recorreu: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 7. Ajuda os professores pertencentes ao Conselho de Turma nas relações com alunos e vice-versa? Nunca 8. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Colabora com os professores e Encarregados de Educação para solucionar problemas que afectam os seus educandos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 442 Orientação Vocacional e Profissional 9. Intervém nas famílias de risco? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 10. Descreva sumariamente quais os momentos que se dedica mais, para orientar a sua direcção de turma e quais os temas a serem abordados que considera prioritários: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ E – Orientação vocacional e profissional 1. Orienta os seus alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 443 1.1 Se respondeu “Algumas vezes”, “Muitas vezes” ou “Sempre”, descreva sumariamente como faz esta orientação, quais os intervenientes e em que momento é feita: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2. Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 3. Ajuda só os alunos que o/a procuram? Sim 4. Não Às vezes Pede informações sobre saídas profissionais para comunicar aos seus alunos? Sim Não Às vezes 444 Orientação Vocacional e Profissional 5. Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? Sim 6. Não Às vezes Intervém directamente com os alunos (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? Nunca 7. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? Nunca 8. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Observações que queira fazer relativamente a aspectos que considera fulcrais para que a orientação, levada a cabo tanto por directores de turma como por vários agentes educativos, tenha sucesso. Poderá referir estratégias que funcionam ou não e, se achar necessário, poderá referir qual o envolvimento dos pais na formação dos seus educandos e de que maneira o meio em que os alunos vivem interfere. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Obrigada pela sua colaboração! 445 Caro (a) Psicólogo (a): Chamo-me Vera Tavares e encontro-me a desenvolver uma tese de doutoramento para a Universidade de Granada, em Espanha, intitulada “Orientação profissional e vocacional nas escolas secundárias portuguesas”. Gostaria de pedir a sua colaboração para a mesma, pelo que, como ambos sabemos, o psicólogo é essencial na orientação dos nossos alunos e é um apoio sempre presente. Como tal, gostaria que colaborasse e fosse o mais sincero(a) possível, pois gostaríamos de perceber que papel tem na orientação vocacional e profissional dos alunos. Grata pela atenção e tempo dispensado, Vera Tavares 446 Orientação Vocacional e Profissional A - Dados de identificação: 1. Sexo: F M 2. Idade________ 3. Estado civil_____________ 4. Situação profissional: Definitivo 5. Contratado Espaço social da escola: Urbano 6. Rural 7º ao 12º ano 5º ao 12º ano Experiência na área de psicólogo (a): 0-3 anos 8. Urbano e rural Ensino que é levado a cabo na escola: 10º ao 12º ano 7. Outros ________________ 4 a 8 anos Trabalha a tempo: Total Parcial 9 a 15 anos 15 a 20 mais de 20 anos 447 9. Número de cursos/acções de formação relacionados com orientação educativa que assistiu: Nenhum 1a2 3a4 mais de 4 10. Habilitações: Bacharelato Licenciatura Licenciatura e mestrado Licenciatura e pós graduação Licenciatura e doutoramento B – Aspectos gerais: 1. O seu grau de conhecimento sobre a legislação relativa à orientação educativa é: Baixo 2. Médio Alto Colabora com os professores e Conselho Executivo na orientação dos alunos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 2.1 Em que medida é importante existir esta colaboração? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 448 Orientação Vocacional e Profissional 3. Existe um plano de acção tutorial na escola? Não sei Sim Não 3.1 Se respondeu sim, indique a frequência da sua participação na realização do mesmo: Nunca 4. Algumas vezes Muitas vezes Sempre Algumas vezes Muitas vezes Sempre Planifica os programas de intervenção que vão ser levados a cabo? Nunca 7. Sempre Recorre aos pais na orientação do aluno? Nunca 6. Muitas vezes Trabalha-se a orientação vocacional e profissional na escola? Nunca 5. Algumas vezes Algumas vezes Muitas vezes Sempre Como psicólogo/a organiza seminários/acções de formação ou grupos de trabalho destinados à comunidade, alunos ou professores? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 449 C – Apoio na acção tutorial 1. As reuniões com os directores de turma ou professores são: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 1.1 Se respondeu “Importante” ou “Muito importante” explique sumariamente em que medida são as reuniões importantes: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2. O grau de colaboração dos Directores de Turma na orientação dos alunos é: Pouco satisfatório 3. Satisfatório Bom Muito bom Colaborar nas actividades educativas é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 450 Orientação Vocacional e Profissional 4. Manter uma relação com os pais do aluno, facilitando a ligação entre escola e família é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 5. Colaborar com os professores e Conselho Executivo nas actividades de orientação destinadas aos alunos é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante Importante Muito importante 6. Preparar e avaliar as práticas orientadoras é: Nada importante Pouco importante 7. O valor dado pela comunidade, professores e órgãos de gestão ao Serviço de Psicologia e Orientação é: Pouco satisfatório Satisfatório Bom Muito Bom 8. Manter conversas periódicas com os Directores de Turma e outros professores sobre os alunos e os seus problemas é: Nada importante Pouco importante Importante Muito importante 451 D- Atenção à diversidade 1. Dá apoio a alunos com N.E.E? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 2. Existe colaboração com os professores e outros centros no apoio a alunos com N.E.E.? Sim Não Às vezes 3. Colabora na detecção de problemas educativos de desenvolvimento ou de aprendizagem do aluno? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 4. Intervém directamente com alunos que apresentam problemas de comportamento? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 5. Pede a colaboração de outros agentes educativos para planificar programas de intervenção ou estratégias para colmatar as dificuldades do aluno? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 6. Encaminha para outros serviços alunos que apresentam problemas complexos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 452 Orientação Vocacional e Profissional 6.1 Se respondeu “Algumas vezes”, Muitas vezes” ou “Sempre” indique quais foram os serviços aos quais recorreu: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 7. Dá assistência constante aos professores nas actividades, processos de avaliação formativa, apoio pedagógico e promoção dos alunos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 8. Facilita aos professores informação/ajuda na orientação vocacional e profissional? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 9. Ajuda os professores na relação com os alunos e vice-versa? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 10. Colabora com os professores e pais para solucionar problemas que afectam os seus filhos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 453 11. Intervém nas famílias de risco? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 12. Atende ao pedido de ajuda de todos os alunos? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre E – Orientação vocacional e profissional 1. Orienta os alunos vocacionalmente e profissionalmente, que frequentam o 12º ano, de acordo com as suas características próprias? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 1.1 Descreva sumariamente como se faz esta orientação, quais os intervenientes e em que momento é feita: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 454 Orientação Vocacional e Profissional 2. Ajuda os alunos nos momentos de risco ou dificuldades como ingresso, mudança de turma ou eleição da profissão? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 3. Ajuda só quem o/a procura? Sim Não Às vezes 4. Os professores/Directores de Turma pedem informações sobre saídas profissionais para informar os seus alunos? Sim Não Às vezes 5. Há um interesse da escola relativamente à orientação vocacional e profissional? Sim Não Às vezes 6. Intervém directamente com o aluno (individualmente ou em grupo) dando informações sobre saídas profissionais? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 7. Ajuda os alunos a desenvolverem habilidades e estratégias pessoais para buscar, seleccionar e tratar informação? Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 455 8. Observações que queira fazer relativamente a aspectos que considera fulcrais para que a orientação vocacional e profissional, levada a cabo pelos psicólogos e outros agentes educativos tenha sucesso. Poderá referir estratégias que funcionam ou não e, se achar necessário, poderá mencionar qual o envolvimento dos pais na formação dos seus educandos e de que maneira o meio em que os alunos vivem interfere. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Obrigada pela sua colaboração! 456 Orientação Vocacional e Profissional Caro (a) aluno (a) Chamo-me Vera Tavares e encontro-me a desenvolver uma tese de doutoramento para a Universidade de Granada, em Espanha, intitulada “Orientação profissional e vocacional nas escolas secundárias portuguesas”. Como tal, gostaria que colaborasse e fosse o mais sincero (a) possível. Se achar pertinente referir mais alguma coisa para além do que lhe é questionado e que ajude, de certa forma, a perceber como foram os alunos pré universitários orientados no secundário pode fazê-lo na última pergunta. Grata pela atenção e tempo dispensado, Vera Tavares 457 A - Dados de identificação: 1. Sexo: F M 2. Idade________ 3. Estado civil_____________ 4. Curso____________________________________________________________ 5. Situação académica: 1º ano na universidade 2º ano na universidade Há 3 anos ou mais na universidade 5.1 Se já está há mais de um ano na universidade indique a razão: Mudança de curso Retenção Mudança de universidade Outros__________ 5.2 A escolha do seu curso foi: 1ª escolha 2ª escolha 3ª escolha B – Orientação vocacional e profissional 1. Está satisfeito com o curso que escolheu? Sim Não Sem opinião nenhuma das anteriores 458 Orientação Vocacional e Profissional 2. Qual o motivo que o levou a escolher este curso? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3. Teve algum tipo de orientação no ensino secundário que o/a ajudou a decidir na escolha da sua profissão? Sim 3.1 Não Se respondeu “sim” explique sumariamente como recebeu essa orientação, de quem e se a considerou pertinente? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 459 4. Já procurou o psicólogo alguma vez para o/a ajudar na escolha, na mudança ou indecisão do curso a seguir? Sim Não 4.1 Se respondeu sim indique se o psicólogo foi: Escolar Privado Outros:____________ 4.2 Considerou pertinente a sua ajuda? Sim 5. Não Era informado(a), na escola que frequentava, sobre cursos e saídas profissionais? Sim Não Outros:_______________ 5.1 Se respondeu sim, indique quem eram as pessoas que o/a informavam e de que maneira o faziam: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 460 Orientação Vocacional e Profissional 6. O seu director (a) de turma ajudava-o (a) a este nível? Sim Não Às vezes Outros:__________________________ 7. Qual era o papel do director de Turma na sua escola? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 8. Qual era o papel do psicólogo na sua escola? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 9. Pensa que nas escolas secundárias deveria existir mais apoio e orientação com o intuito de ajudar os alunos a escolherem a sua carreira? Sim Não Acho que já existe Outros:_____________________ 461 9.1 Se respondeu não, indique em que aspecto as escolas deveriam apoiar mais? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 10. Considera-se vocacionado para ser professor? Sim Não Sem opinião 11. Pensa que todos os futuros professores devem ter orientação antes de tomarem a decisão de seguir esta carreira? Sim Não Sem opinião 10.1 Se respondeu “sim” ou “não” justifique a sua resposta: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 462 Orientação Vocacional e Profissional 12. Se quiser referir alguma coisa que considere pertinente para este questionário, utilize este espaço: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Obrigada pela sua colaboração!