A EDUCAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL - UM PANORAMA DE SUA EVOLUÇÃO AO
LONGA DA HISTÓRIA BRASILEIRA
Adriano Martins Soler1
Ana Paula Ramos2
Resumo: O presente artigo tem como proposta apresentar uma perspectiva panorâmico-histórica
sobre a Educação Cristã no Brasil. Procuramos desenvolver de início uma contextualização da história
da Educação no Brasil, buscando explicar que a Educação Cristã é um processo de desenvolvimento
do individuo e de seus dons naturais sob uma perspectiva cristã de vida, com a realidade do homem e
do mundo, levando em conta o ser humano em seus aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais.
Em seguida passamos a percorrer como ela chegou ao Brasil a partir dos padres Jesuítas e como ela
se desenvolvia do século XIX ao século XX e como o protestantismo influenciou diretamente na
reestruturação da escola no Brasil.
Palavras-chave: Educação Cristã - História da Educação - Protestantismo
Abstract: This article has as objective to present a historical- panoramic approach on Cristian
Education in Brazil. We intented to develop, at first, an historic contextualization of Brazillian Education,
with the purpose to clarify that Education is an individual development process for the indivudual and
his/her natural gifts, under a cristian perspective of life, with the man - world reality, and taking into
consideration the human being in its phisycal, emotional, spiritual and social aspects. Right after this
presentation we will follow a timeline on how Cristian Education arrived in Brazil through Jesuitas priests
and how did it evolve from XIX to XX century, and how protestantism directly influenced school
restructuring in Brazil.
Keywords: Christian Education - History of Education - Protestantism
Introdução
De acordo com Matos (2008), se há algo que no cristianismo que tenha uma influência
imprescindível, este algo é a educação. Para ele, se a tirássemos da aplicabilidade cristã, perderíamos
toda a identidade inerente à tal concepção de mundo, pois é ela que preserva a essência histórica dos
cristãos. É por essa razão que os cristãos têm se devotado à tarefa de preservá-la.
Neste artigo iremos apresentar um contexto histórico da Educação Cristã 3 no Brasil desde o
período da descoberta, passando pela monarquia até chegarmos aos dias atuais.
Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em Metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia
e Especializando em Filosofia e Teoria do Direito. Bacharel em Direito e Teologia e Licenciado em Filosofia e Pedagogia. Atualmente é
professor de Filosofia do Direito no Grupo Educacional Uniesp em Guarujá/SP e na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo.
2
Pedagoga cursando licenciatura em Artes e Especialização em Deficiência Auditiva.
1
3
Doravante mencionada pela sigla EC
Depreendemos por EC como um processo de treinamento e desenvolvimento do individuo e de
seus dons naturais sob uma perspectiva cristã da vida, com a realidade do homem e do mundo,
levando em conta o ser humano em seus aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais.
Diante disso, o papel da EC implicaria em desenvolver um currículo e um programa
educacional em que os componentes curriculares e atividades proporcionem ao educando, não
somente a aquisição de conhecimentos diversos uns dos outros como também da sua própria
constituição física e moral, sem olvidar o entendimento de uma visão harmoniosa e integrada a vida,
relacionada com o Criador e com seus propósitos constatados nas Sagradas Escrituras. Em outras
palavras, é ensinar ciências, história, sociologia, português, matemática e todos os demais
componentes a partir dos pressupostos cristãos. Contudo adotar teorias e filosofias do
desenvolvimento humano e da educação que transpareçam o ensino bíblico sobre o homem como
imagem de Deus, porém moral e espiritualmente decrépito.
Perceberemos no decorrer de nossa abordagem que a EC, do ponto de vista histórico, estava
longe de ser uma educação para alienação, na verdade principiou uma educação formal no país,
promovendo a aculturação necessária para o desenvolvimento que o Estado necessitava para
fundamentar a cidadania ao longo da história.
O senso comum instaurado juntamente com um cientificismo foram os principais algozes da
EC, situação que veremos mais a frente.
Dos Jesuítas ao Século XIX
Conforme afirma Matos (2008) foi a Reforma Protestante a grande responsável pela mudança
de postura da Igreja Católica Romana no que diz respeito à sua visão de educação no mundo.
Em decorrência da Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana fez um grande esforço no
sentido de reafirmar e definir com maior precisão sua identidade institucional e dogmática. A
partir do século XVI, surgiu um catolicismo conhecido como ultramontano (forte defensor da
autoridade papal), tridentino (apegado à ortodoxia do Concílio de Trento) e antiprotestante. A
educação foi uma ferramenta valiosa na defesa dos interesses da igreja, tendo sido
amplamente utilizada pela organização católica mais influente nesse processo – a Sociedade
de Jesus. Em muitos lugares da Europa, os jesuítas – através de sua ação política e de suas
escolas – detiveram a expansão protestante e reconquistaram para a igreja regiões que
haviam sido alcançadas pelo novo movimento. (MATOS, 2008, p. 21).
Foi em 1549 com a chegada do governador-geral, Tomé de Souza que surgiram no Brasil
colonial, os basilares missionários e educadores – os jesuítas.
Quinze dias após sua chegada, na recém fundada cidade de Salvador os missionários já
implantaram uma escola ‘de ler e escrever’. Dando início ao desenvolvimento da criação de escolas
elementares, secundárias, seminários e missões, que até o ano de 1759 estiveram espalhados pelo
Brasil, quando o marquês de pombal expulsa os jesuítas do país.
No ínterim de 210 anos, uma ação maciça na catequese dos índios, na educação dos colonos
e na formação de novos sacerdotes e da elite intelectual é promovida, além do controle da fé e da
moral dos habitantes da nova terra.
A missão de inserir um sistema de educação em terra estranha e tribal é árdua, visto que de
um lado, os colonizadores portugueses aventureiros que partiram deixando suas esposas, muito
incultos com hábitos criticados pelos religiosos e, de outro, os indígenas de costumes e línguas
desconhecidas.
Os jesuítas embora fossem bem instruídos e recebessem formação rigorosa defrontaram-se
com sérios problemas em adaptar-se as exigências locais. Após deslocarem-se da Bahia para o Sul, no
litoral, fundam o Colégio de São Vicente, que mais tarde é transferido para Piratininga, no planalto.
Logo em 1554 fundam o Colégio São Paulo, que deu origem ao nome da cidade.
Através de seu espírito empreendedor e atento às novas circunstâncias, padre Manoel de
Nóbrega, organiza as estruturas de ensino. Aspilcueta Navarro foi o primeiro jesuíta a aprender a
língua dos índios, do mesmo modo que foi o precursor na perspicácia em missões evangelizadoras nos
sertões. E em 1553 se junta a esses dois vultos, com apenas 19 anos, o noviço José de Anchieta, que
se destacou na obra apostólica.
Segundo Aranha (1996, p. 98) “Fernando de Azevedo, historiador brasileiro da educação, se
refere a essa ‘trindade esplêndida’ Nóbrega, o político, Navarro, o pioneiro, e Anchieta, o santo.”
Simbolizando a fase mais aprazível e heroica da história da Companhia de Jesus, através da
esplêndida obra dos jesuítas no século XVI.
Para que fossem elaborados os textos que seriam utilizados na construção da catequese, foi
necessário que os padres aprendessem a língua tupi-guarani, ficando responsável pela elaboração de
uma gramática tupi o padre Anchieta.
A Catequização
A língua tupi-guarani, conhecida como língua geral, tornou-se tão comum que era propagada
até no púlpito, permanecendo assim por um longo período, mas as autoridades portuguesas, temendo
que sobrepujasse a língua nativa, trataram logo de pleitear o uso privativo da língua portuguesa.
Os primeiros a serem atraídos pelos ensinamentos dos padres jesuítas são os filhos dos
índios, os curumins, também conhecidos como columins ou culumins, pois não obtiveram êxito em agir
inicialmente sobre os adultos.
Os curumins no primeiro momento aprenderam a ler e escrever com os filhos dos colonos, logo
padre Anchieta faz uso de recursos como teatro, música, poesia, diálogos em verso para atrair a
atenção dos pequeninos, paulatinamente os meninos através das apresentações e danças aprendem
sobre a moral e a religião cristã.
Não demora muito e surge o antagonismo entre os valores da cultura nativa e os do
colonizador.
Conforme afirma Aranha (1996), desde os primórdios da civilização os índios são alvos das
mudanças.
O sociólogo brasileiro contemporâneo Gilberto Freyre, na obra, Casa- grande e senzala, diz
que os primeiros missionários substituem as “cantigas lascivas”, entoadas pelos índios, por
hinos à Virgem e cantos devotos. Não raro os padres ridicularizam a figura do pajé e os
ensinamentos da tribo, condenam a poligamia, pregando a forma cristã de casamento, e
dessa maneira começam a abalar o sistema comunal primitivo.
O fato é que desde o inicio da civilização o índio se encontra à mercê de três interesses, que
ora se complementam e ora se chocam: a metrópole deseja integrá-lo ao processo
colonizador, os jesuítas quer convertê-lo ao cristianismo e aos valores europeus, e o colono
quer usá-lo como escravo para o trabalho. (ARANHA, 1996, p. 101).
No entanto para amenizar os riscos nas atuações missionárias, são concebidas as reduções ou
missões, assentada no sertão, longínquo dos colonos ansiosos por escravos. As basilares encontramse ao norte do México, na orla da floresta Amazônica e o interior da América do Sul, entretanto afora
destas os devotos instituíram outras de norte a sul na comarca brasileira.
Os colonos através do confinamento capturavam muitas vezes tribos inteiras. No período do
século XVII, foram destruídas muitas povoações, entre elas as administradas pelos jesuítas espanhóis.
Circunscrita à essa época temos dois planos educacionais, quais sejam, o elaborado pelo Pe.
Manoel da Nobrega que intencionava a catequização e instrução dos índios, pois era desta maneira
que determinava os Regimentos4, nesse sentido também se viu a necessidade de promover a inclusão
dos filhos dos colonos, já que, nesse momento somente os jesuítas promoviam a educação no Brasil e
que poderiam receber o apoio real na colônia. Com base nisso, passou a planejar os Recolhimentos,
que seria a educação atendendo os mamelucos, órfãos e os filhos dos caciques da terra, bem como, os
filhos dos colonos brancos dos povoados em regime de externato.
O plano elaborado por Nóbrega objetivava atender a multiplicidade de interesses e aptidões
destes que mencionamos acima. Se iniciava pelo estudo do português, incluindo o ensino das
‘verdades’ cristãs, a escola de ler e escrever. A partir daí, era disponível, porém em caráter opcional,
4
Consistiam em "leis" criadas pelo então governador-geral do Brasil Tomé de Sousa com orientações precisas sobre a organização do poder público fazenda, justiça, defesa, fundação de uma capital - e sobre temas relevantes como as relações com os indígenas e sua catequese e o estímulo às
atividades agrícolas e comerciais
uma instrução sobre canto e de música instrumental, além de duas vertentes, uma que privilegiava o
aprendizado profissional e agrícola e outro o de gramática com viagem de estudos à Europa 5.
Nóbrega tinha como intuito recrutar indígenas para uma vocação sacerdotal, porém não havia
uma adequação na cultura do índio que propiciasse isso de maneira pacífica, tal situação,
provavelmente contribuiu para a proposição de que o ensino profissional e agrícola fosse voltado
especificamente ao indígena.
Não podemos ignorar que a organização contida na Ratio6 tinha por intuito concentrar sua
programação nos elementos da cultura europeia. O que torna claro uma falta de interesse ou uma ideia
estabelecida que seria impossível instruir o índio. Parecia necessário concentrar os esforços apenas
nos filhos dos colonos em detrimento do índio, os futuros sacerdotes em detrimento do leigo e era essa
a justificativa dos religiosos.
Assim, podemos dizer que os colégios jesuítas foram, acima de tudo, instrumento de formação
da elite colonial, o plano legal que se baseava na catequização e instrução dos índios e o plano real
criam um abismo entre si.
Vejamos a seguir a discrepância que havia entre o Plano de Estudo idealizado por Nóbrega e o
da Ratio.
Inicialmente não se falava explicitamente em oferecer somente a educação profissional e agrícola ao índio e o outro à população
'branca' exclusivamente, porém tal tendência logo foi concretizada
6
Organização e plano de estudos da Companhia de Jesus publicado em 1599
5
Quadro 1 - Planos de estudos
Plano de Estudo de
Plano de Estudo de
Nóbrega
Ratio
Aprendizado do Português
Doutrina Cristã
Escola de Ler e Escrever
Canto
Música
Orfeônico
Instrumental
Aprendizado profissional e
Gramática
agrícola
Latina
Viagem à Europa
Curso de Humanidades
Curso de Filosofia
Curso de Teologia
Viagem à Europa
Fonte: ARANHA, M. L. de A. História da Educação. Editora Moderna, 2003, 2ª Ed
De acordo com Ribeiro (2007), do ponto de vista religioso, a catequese era do interesse da
companhia, como manadeiro de religiosos do catolicismo, que no decorrer da reforma foi bastante
aluído.
Já através de uma perspectiva econômica o interesse era de ambos, tanto do colonizador,
quanto da catequese, que, no entanto tornando o índio mais maleável, logo seria tranquilo explorá-lo
através da sua mão de obra.
A educação profissional que ocorria através do trabalho manual, visto como algo básico era
estabelecida através da relação no local de trabalho entre os negros, índios ou mestiços que
constituíam grande parte da massa colonial.
Em contrapartida a educação feminina limitava-se aos afazeres domésticos e a execução de
boas maneiras.
A elite era preparada para o trabalho intelectual segundo um modelo religioso (católico),
mesmo que muitos de seus membros não chegassem a ser sacerdotes. Isto porque, diante
do apoio real oferecido, a Companhia de Jesus se tornou a ordem dominante no campo
educacional. Isto, por sua vez, fez com que os seus colégios fossem procurados por muitos
que não tinham realmente vocação religiosa, mas que reconheciam que esta era a única via
de preparo intelectual. Haja visto que, em determinadas épocas, a procura era tão maior que
a capacidade, limitada, é certo, dos colégios que chegou a causar problemas, como a
“Questão dos Moços Pardos”, resolvida em 1689, os graus acadêmicos obtidos nessas
escolas eram, juntamente com a propriedade de terra e escravos, critérios importantes de
classificação social.
Este componente religioso da elite colonial brasileira deve ser destacado juntamente com
seu desejo de lucro fácil, ou melhor, rápido e abundante. E esta vinculação tem suas origens
na própria história da constituição da nação portuguesa, onde o guerreiro estava,
conquistando o seu próprio território, e depois outros, contra infiéis árabes, africanos e
indígenas. (RIBEIRO, 2007, p. 24).
É relevante que o funcionamento da Reforma e Contra-Reforma calhada nos primórdios do
século XVI geram o mesmo infortúnio no seio do cristianismo. No entanto considerando-se defendente
do catolicismo e um estimulo do desempenho educacional tanto na área metropolitana, bem como na
colonial está Portugal, que através de cunho religioso, vem defender o catolicismo e acometida de
qualquer heresia.
Como combatente de Cristo, os membros desta obra se dedicam por completo e a frente está o
fundador Inácio de Loyola. É imprescindível evidenciar que a formação intelectual fornecida pelos
jesuítas, e, entretanto, a formação da nata colonial, que passará por uma forte opressão na maneira de
pensar e aclarar a realidade.
Tal formação intelectual que pressupunha uma elite colonial era apresentada em moldes que
se adequava praticamente por completo em uma política colonial. Ribeiro (2007) apresenta o seguinte
esquema:
i.
Uma orientação jesuíta universal7 que tinha por base a literatura antiga e a língua latina8;
ii.
Uma necessidade de complementar os estudos na Europa, mais especificamente na
Universidade de Coimbra9;
iii.
A prerrogativa do trabalho intelectual em detrimento ao manual afastava os alunos dos
assuntos e problemas relativos à realidade imediata, diferenciando-os da maioria da
população que era escrava e iletrada alimentando a ideia de que o mundo civilizado estava 'lá
fora'10 e serviria de referencial.
7
Era costume dos jesuítas seguir os apontamentos indicados no Ratio, independente do lugar de atuação. De acordo com a regra 34 do Provincial "como
porém, na variedade de lugares, tempos e pessoas pode ser necessária alguma diversidade na ordem e no tempo consagrado aos estudos, nas
repetições, disputas e outros exercícios ainda nas férias, se julgar conveniente, na sua Província, alguma modificação para maior progresso nas letras,
informe o Geral para que se tomem as determinações acomodadas a todoas as necessidades, de modo, porém que se aproximem o mais possível da
organização geral dos nossos estudos" França, 1960, p. 132 (apud Ribeiro, 2007, p. 26).
8
Na verdade, o que foi desenvolvido no Brasil foi o curso de humanidades, ou seja, os estudos menores, que seriam compostos de quatro etapas de
gramática (com o intuito de assegurar expressão clara e exata), uma de humanidade (com o intuito de assegurar expressão rica e elegante) e uma de
retórica (com o intuito de assegurar expressão poderosa e convincente).
9
Em relação aos cursos posteriores ao de humanidades, no Brasil foram ordenados alguns visando a formação dos padres catequistas.
10
Tratava-se da Europa de maneira geral.
Ribeiro (2007) afirma que a adequação proposta, apesar de positiva, não estava completa, pois
o princípio geral tinha o intuito de formar o cristão - católico - que não tivesse vínculos específicos com
nenhuma espécie de governo civil. Esta situação, juntando-se ao fato de que eram escolhidos os
melhores alunos para estudarem Teologia para que no futuro possam se tornar membros da
Companhia de Jesus, fazia com que a maior beneficiada fosse exatamente a própria ordem religiosa.
Quando foi adotado como orientação de administração dos bens materiais os critérios contidos
nas 'Constituições' foi constatado como mais um indício que a união que havia entre o governo
português e os jesuítas tinha sido conduzido em benefício maior dos jesuítas. Tal questão levou a um
choque, em um momento mais tarde, culminando com a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal
e do Brasil em 1759.
Ainda, havia no plano do Pe. Nóbrega a proposta de idealização de confrarias que serviria
como sustento para a clientela dos Recolhimentos, que encontrariam nos missionários os diretores
espirituais e docentes e nos leigos11 veriam os administradores dos bens materiais. No plano das
Constituições, era proibido a criação dos Recolhimentos e o atendimento da clientela de sua proposta,
também estava determinado que os bens materiais deveriam permanecer vinculados à Companhia de
Jesus. Tais bens eram adquiridos com a aplicação dos recursos resultantes do ‘Padrão de Redízima’12,
que foi colocado em prática a partir de 1564. Também é necessário ressaltar que as missões jesuíticas
foram a base da economia florestal amazônica durante a primeira metade do século XVII, vindo daí
grande lucro.
A relevância social destes religiosos foi tão grande que se tornaram na única força que tinha
condições de influenciar no domínio do senhor do engenho. Tal feito foi conquistado não somente
pelos colégios, mas também do confessionário, do teatro, e em especial pela tradição do terceiro filho 13.
A Educação no Século XIX
Cambi (1999) afirma que o século XIX é o século da educação. O século é caracterizado por
uma conturbada luta de classes que envolveria burguesia e proletariado e que atingiu a sociedade,
cultura, economia e política. Tal situação culminou em uma dramática radicalização das ideias
pedagógicas e educacionais, alicerçando-as como ferramentas de controle social e do projeto político e
da própria gestão do poder.
Dá-se o nome de leigo àquele que não tem formação teológica
Consistia em 10% de toda a arrecadação dos dízimos reais que ficavam destinados, de forma inalienável a esses colégios e casas de
formação, garantindo assim o sustento dos religiosos.
13
O primeiro seria o herdeiro e o segundo, o letrado.
11
12
A revolução industrial juntamente com o desenvolvimento econômico e social que dela
decorreram, teve início como uma mobilização social que melhorou o perfil da burguesia e seus
variados grupos. Tal cenário, fez com que o ato de educar se tornasse um mecanismo de controle para
a burguesia e de emancipação social para o povo.
No âmbito da educação, esse confronto entre classes deu origem à diversas pedagogias
diferenciadas, com modos e métodos diversos, e sempre incutidas de todas as vertentes pedagógicas
do século XIX. É circunscrito à esse contexto que o pensamento sobre liberdade que era defendido por
homens como Pestalozzi, Fichte, e Frobel se torna o indicador sociopolítico e consequentemente
ideológico da educação.
Manacorda (2001) explica que é neste cenário vislumbrado por entraves políticos e sociais que
é desenvolvido um conflito didático e pedagógico que envolveriam burgueses conservadores e um
proletariado que ansiava por mudanças. Esta batalha traz grandes influências à todas as esferas e
níveis da educação, desde a instrução até as escolas infantis, elementares e secundárias.
Nesse sentido, poder acessar a instrução, ter atribuída ao Estado sua responsabilidade, bem
como sua separação da igreja, foram pontos de suma importância no desenvolvimento educacional
deste século. Tais tensões dizem respeito à relação entre educação e sociedade, indicando que o
debate pedagógico-educacional estava intrinsecamente ligado ao conflito sociopolítico, e ambos partem
de contradições e são causadores de outras que ainda surgiriam.
Cambi (1999) afirma que entre positivismo e socialismo, a ideologização da pedagogia tornouse mais forte e explícita. Como o positivismo, a pedagogia decorre da sociologia em muitos aspectos,
especialmente, na tendência em socializar o homem de acordo com modelos funcionais para uma
específica sociedade. Entretanto, em segundo lugar a pedagogia é a pedagogia é desprovida de seu
escopo ideológico da liberdade. O ponto alto dessas evidências está inserido nos processos que o
referido autor chama de ideologização, que apontaria que tal situação provém de uma posição central
da educação no reordenamento social dos diversos grupos e classes sociais.
Podemos observar que essa questão da ideologia forma um ponto importante e fundamental
da pedagogia do século XIX. Estaríamos nesse momento, diante de uma pedagogia crítica em
detrimento às ideologias e as estruturas da sociedade moderna.
Não podemos esquecer que outro aspecto essencial na construção da pedagogia no século em
foco é a sua reformulação enquanto um conhecimento científico e uma reorganização técnica da escola
como instituição. Diante disso, vejamos como Cambi (1999) sintetiza o século XIX:
[...] bastante rico em modelos formativos, em teorizações pedagógicas, em
compromisso educativo e reformismo escolar, em vista justamente de um
crescimento social a realizar-se da maneira menos conflituosa possível e da forma
mais geral. (CAMBI,1999, p.14)
Também se tornaram características do século XIX, o conflito entre teorias e a manifestação de
pensadores como Hegel e Herbart, que eram contrários ao pensamento de Pestalozzi, Schiller e
Frobel14. Tal multiplicidade de ideias e teorias formaram o pensamento educacional em várias partes do
mundo, sendo ligado às especificidades do contexto cultural ao qual pertenceriam 15.
Conforme o século XIX avançava, a instalação da pedagogia moderna atua
concomitantemente à organização de instituições destinadas à educação. Desta forma, a composição
de um sistema e seu gerenciamento da instituição-escola padece de uma reavaliação da sua prática
metodológica. Realmente, tal processo, acontece de maneira semelhante ao avanço das abordagens,
teorias e práticas educativas.
Outra característica consideravelmente importante da educação no século XIX foi o
aparecimento da pedagogia científica e da experimental. Tal fenômeno é enriquecedor no sentido de
promoverem um cisão entre a filosofia e a política, além de procurar relacioná-las com a fisiologia, a
antropologia e a psicologia. Tal prática intencionava conceder à pedagogia uma renovação dos seus
conteúdos e métodos, valendo-se do paradigma científica, indutivo e empírico.
Finalmente, o século XIX é marcado por uma série de tensões e crises. Os desacordos
decorrentes dos choques entre burguesia e proletariado atingem seu ápice e contribuem para o
aparecimento das 'bipolarizações' - esquerda, direita, internacionalismo e colonialismo. Ainda neste
contexto, é apresentado uma série de renovações no âmbito da cultura, influenciando em um
distanciamento das correntes defendidas durante o século, tais como, o idealismo e o positivismo.
A pedagogia e a educação acabam se envolvendo em uma agitação cultural, que resultaria de
séculos de desavenças, choques e alterações nas diferentes classes sociais. Este fato contribuiu para
que durante o século XIX, tais mudanças agregassem outras em um nível de relações
socioeconômicas, e ainda, a implantação de novas ordens sociais. Todo esse processo é determinante
para o aparecimento e a renovação contínua das correntes educativo-pedagógicas.
14
Hegel enquanto historicista e Herbart como realista eram contrários aos pensamentos deles por considerarem românticos demais.
Inglaterra, França, Alemanha, Itália são alguns dos países onde a atividade pedagógico-educativa fora colocada em prática, apresentando em diversos
níveis as relações entre educação, sociedade e política.
15
Educação no Século XX
A educação no século XX não teve muitos avanços em relação ao Império. O período busca
mudar o rumo desta educação rotulada como tradicionalista e intelectualista, com o intuito de dar o
sentido de vivo e ativo. Sempre esteve presente na história da educação, movimentos que buscavam
inovar buscando uma nova perspectiva na educação existente. As principais características desta nova
escola seriam a educação integral, ativa, prática em que se tornava obrigatório os trabalhos manuais e
o ensino individualizado. As atividades nesse momento estão centradas nos alunos, levando em
consideração o estímulo da iniciativa.
Nesse momento, os docentes passam a introduzir um pensamento liberal democrático, lutando
por uma escola pública para todos, com o intuito de alcançar uma sociedade igualitária e sem
prerrogativas.
Ingressamos em um ponto denominado identidade da educação, que seria uma forma de agir
coletiva que objetivava desenvolver as habilidades e os conhecimentos, porém ela como campo de
produção de conhecimentos sistemáticos seria uma fonte de problemas. A pesquisa sobre a educação
parte de diferentes pontos de vista como a história, a filosofia, a psicologia e foi acrescentando em si
um conjunto de conhecimentos sistemáticos ou científicos que eventualmente se apresentava de
maneira passiva.
Podemos dizer que é imprescindível que a produção de conhecimentos sobre assuntos mais
contundentes nos processos da educação como ensinar, organizar conhecimentos e formalizar modos
de socialização. Não há um consenso em como deve ser tratado a epistemologia na educação.
Entre os anos de 1930 e 1937 houve no Brasil uma dos maiores períodos de radicalização
política. Tal época, caracterizada por uma efervescência ideológica foi consideravelmente rica na
multiplicidade de projetos diferenciados para a sociedade brasileira. Cada um desses projetos
apresentava uma nova política educacional para o país.
Em tal período apareceram quatro distintos pensamentos sobre a educação brasileira conforme
mostra o quadro abaixo.
Quadro 2 - Movimentos educacionais na década de 30
Liberais
Intelectuais que objetivavam construir um país em bases urbano, industriais,
democráticas e que endossavam as teses gerais da Pedagogia Nova. Publicaram o
"Manifesto dos Pioneiros de Educação Nova" (1932), propondo bases pedagógicas
renovadas e reformulação da política educacional.
Católicos
Defensores da Pedagogia Tradicional, os católicos reagiram ao "Manifesto"
orquestrando uma bateria poderosa contra as teses escolanovistas. Eles foram às
últimas consequências contra os liberais. chegando mesmo a uma campanha de
difamação. Nas vésperas da Constituinte de 1934, organizaram a Liga Eleitoral
Católica (LEC), que serviu como instrumento de pressão para valer os interesses
católicos gerais na elaboração da Carta Magna.
Governo
Procurou aparentar situar-se numa posição de neutralidade. Francisco Campos, que
dirigia o então recém-criado Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP) (1931),
dizia querer aproveitar a contribuição de ambos os grupos, acabando por colocar em
execução uma política educacional própria, mas também distante de princípios
efetivamente democráticos.
ANL
Entidade que aglutinou boa parcela das classes populares, no sentido de formação de
(Aliança
Nacional
uma frente anti-imperialista e antifascista.
Libertadora)
Fonte: ARANHA, M. L. de A. História da Educação. Editora Moderna, 2003, 2ª Ed
Em 1946, com o fim do Estado Novo16, foi adotada uma nova Constituição de caráter liberal e
democrático. Essa Constituição contribuiu muito para a Educação de maneira geral. O então Ministro
Raul Leitão da Cunha regulamenta o Ensino Primário e o Ensino Normal, além de desenvolver o
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC, que visava atender as mudanças exigidas pela
sociedade pós-revolução de 30.
Evidentemente as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional
foram as mais marcantes da época, entretanto, houve várias iniciativas que marcaram este período o
colocando como provavelmente o mais fértil da História da Educação no Brasil, conforme abaixo:
Em 1950, em Salvador, no Estado da Bahia, AnísioTeixeira inaugura o Centro
Popular de Educação (Centro Educacional Carneiro Ribeiro),dando início a sua ideia
de escola-classe e escola-parque. Em 1952, em Fortaleza, Estado do Ceará, o
educador Lauro de Oliveira Lima inicia uma didática baseada nas teorias científicas
de Jean Piaget: o Método Psicogenético. Em 1953, a educação passa a ser
administrada por um Ministério próprio: o Ministério da Educação e Cultura. Em
1961, a Prefeitura Municipal de Natal, no Rio Grande do Norte, inicia uma campanha
de alfabetização («De Pé no Chão Também se Aprende a Ler»). A técnica didática,
criada pelo pernambucano Paulo Freire, propunha-se a alfabetizar, em 40 horas,
adultos analfabetos. A experiência teve início na cidade de Angicos, no Estado do
16
Oficialmente o fim do Estado Novo se deu em 29 de outubro de 1945
Rio Grande do Norte, e, logo depois, na cidade de Tiriri, no Estado de Pernambuco.
Em 1962 é criado o Conselho Federal de Educação, cumprindo o artigo 9o da Lei de
Diretrizes e Bases. Este substitui o Conselho Nacional de Educação. São criados
também os Conselhos Estaduais de Educação. ( RIBEIRO, M. L. S. apud LIMA,
2007, p.188)
Em seguida passamos à fase marcada no século XX pela ditadura militar. Ela durou 21 anos,
teve início em 31 de março de 1964 com o golpe que depôs o então presidente João Goulart e findouse com a eleição indireta de Tancredo Neves, que faleceu antes de poder assumiu o cargo, dando
lugar ao seu vice José Sarney.
Tal período não foi dos melhores para a Educação, os cinco generais que governaram o país
tinham como pauta em relação à educação a repressão, privatização de ensino, exclusão de
considerável parcela das classes sociais populares do ensino profissionalizante, o tecnicismo
pedagógico e a desmobilização do magistério por meio de abundante e confusa legislação
educacional. Assim, podemos dizer que somente com muito otimismo encontraremos indícios de saldo
positivo na herança deixada pela ditadura militar.
Quando passamos a analisar a educação no século XX refletindo acerca dos acontecimentos
que marcaram essa fase no Brasil, depreendemos que foi desenvolvida uma situação contraditória,
pois enquanto a educação que era oferecida era baseada quase que unicamente no universo literário,
a maior parte das crianças captava mais informações por meio audiovisuais que impressos.
A despeito de no final do século XX, alguns países tenham passado a implementar nos planos
de estudos escolares as novas tecnologias, como o uso de computadores, a situação paradoxal
permanecia. Os docentes estavam capacitados para lecionar com base nas técnicas pedagógicas e em
conteúdos tradicionais.
A Educação Cristã Protestante
Podemos perceber pelos que vimos até o momento que a partir do século XIX houve uma
evidente perda da influência da igreja em relação à Educação. Cada vez mais, o Estado buscava uma
independência da religião cristã, parte pela laicidade dele, parte por entender que não precisava mais
do auxílio da igreja. Tal contexto apenas reverberava uma situação que se desenvolvia na Europa com
uma onda de independência, chegando até mesmo a ter características de revolta, com relação ao
cristianismo de maneira geral.
Queremos, no entanto, apontar como se encontra a educação cristã protestante no Brasil.
O protestantismo era conhecido como a religião da palavra devido ao uso direto da Bíblia e não
de manuais ou resumos, somente no século XIX quando a Constituição de 1824 legitima a liberdade
religiosa que começa a ser desenvolvido, de maneira mais incisiva, seus trabalhos no Brasil.
Quando os protestantes chegam ao Brasil eles podem ser divididos em dois grupos:
i.
Os que vêm com o intuito de fixar suas igrejas;
ii.
Os que vêm com o intuito de fazer missões e evangelizar;
Foram os alemães os pioneiros em relação à questão institucional, ou seja, com o propósito de
formar comunidades evangélicas permanentes. Fixaram-se inicialmente no Rio de Janeiro e Rio
Grande do Sul com instituições confessionais luteranas, porém não foram essas as principais formas
de difusão desse novo sistema de credo.
É a partir de 1850 que o protestantismo começa a se difundir de fato no Brasil com as missões
que tinham a intenção de propagar sua fé. Tal tentativa de inserção ficou sendo conhecida como
'protestantismo missionário' e trouxe para o Brasil as denominações: Congregacional, Presbiteriana,
Metodista, Batista e Episcopal.
As raízes do protestantismo brasileiro, principalmente o de missões, tem suas bases
fincadas na América do Norte. O que acontece é que por esse tipo de instituição ser
minoritária e sem tanta expressão, no seu princípio ele se apóia nas igrejas norteamericanas. Isso porque quando o protestantismo chega ao Brasil a situação é
diferente de quando ele chegou na colônia inglesa. Atualmente os movimentos
neoconservadores e reformistas que chegam na sociedade e nas igrejas norteamericanas, tentando restaurar paradigmas antigos, as instituições Brasileiras
procuram valores que nunca fizeram parte da sociedade brasileira. Por isso alguns
autores propõem a idéia de que no Brasil o protestantismo foi recebido como
vanguarda do progresso e da modernidade. (MENDONÇA, VELASQUES FILHO,
1990, p. 13).
O protestantismo como nova religião desperta curiosidade e interesse das pessoas que era
visto pela elite intelectual republicana como modelo de modernidade, passando a estimular, desta
maneira, sua aceitação. Outro fator que irá contribuir para a difusão deste novo princípio religioso é o
fato do catolicismo ser enxergado como a religião da aristocracia e a população social mais humilde e
inclusive os ex-escravos observavam nessa nova igreja um lugar onde sua honestidade e respeito seria
reconhecido.
Devemos ressaltar que a despeito do protestantismo estar sendo propagado e aceito, ele
passou por algumas barreiras, se defrontando com resistências diante do catolicismo brasileiro.
Encontramos no jornal presbiteriano Imprensa Evangélica do dia 1 de setembro de 1877 um artigo
denominado dous systemas em que tenta apontar o antagonismo entre a religião católica e protestante,
passando a apresentar a superioridade do protestantismo por meio das seguintes palavras:
O Protestante separa o Estado da Igreja; o Romano deseja que sejam reunidos. O
Protestante edifica suas instituições sobre a vontade do povo; o Papal propõe
edifica-lassobre a vontade do Papa. O Protestante segura a liberdade religiosa; o
Papa exige que cada um entregue sua consciência ao cuidado de seu superior
escolástico. O Protestante desenvolve as faculdades do entendimento por estimular
o espírito de independência e vigor pessoal; o Papal esmaga este espírito por sua
doutrina de obediência e submissão passiva. O Protestante já pôz o mundo na
carreira do progresso e prosperidade; o Papal deseja prende-la e torna-lo atrazado
por aquelles caminhos velhos e tortuosos, pelos quaesjá tem infelizmente conduzido
tantas nações ao naufrágio e desolação. (grafia de época). (BARBOSA, 2002, p.
62).
Com o final da Monarquia e o advento da República é rompido o enlace com o catolicismo e os
missionários estrangeiros que tinham o propósito de pregar o evangelho ganham espaço e passam a
poder exercer seu objetivo maior que seria o de ganhar novas vidas pautadas em uma verdadeira
salvação.
Os Primeiros Colégios Confessionais Protestantes no Brasil
Com a necessidade basilar do protestantismo em evangelizar e promover o conhecimento,
surgiu a necessidade em formar instituições de ensino que facilitassem esse caminho, bem como,
mantivesse a ideia social da igreja. Tais instituições de ensino começaram a eclodir a partir da segunda
metade do século XIX, e foram responsáveis por diversas mudanças na pedagogia brasileira que são
notórias até os dias atuais.
Os metodistas foram os que mais se envolveram, a princípio, com as questões educacionais,
alegavam que não teriam crescido tanto quanto os presbiterianos e os batistas porque deixaram de
lado um pouco a evangelização por abordagem direta para abraçarem a educação e usar desta
ferramenta para apresentar o evangelho. Entretanto, a primeira escola confessional protestante no
Brasil, surgiu em 1870, que é a Escola Americana de origem presbiteriana e a metodista aparecem em
1881, que é o famoso Colégio Piracicabano.
A relevância da criação e do papel desenvolvido pela Escola Americana em terras brasileiras
chegaram longe e isso estimulou o advogado John Theron Mackenzie a investir nesse colégio com
uma doação em vida de cerca de 42 mil dólares, além de ter deixado mais 8 mil de herança, a fim de
que a instituição pudesse crescer e abrigar um curso superior de engenharia que fora inaugurado em
1896 passando a se chamar Mackenzie College.
O colégio Piracicabano não fica atrás, ele passa a apresentar diversos aspectos inovadores no
que se refere a estrutura física, conceitos e práticas. Vemos essas características presentes nos:
[...] prédios próprios, com arquitetura que os distinguia pelas salas amplas e
construídas especificamente para o ensino. As classes eram mistas. As carteiras de
estudante passaram a serem individuais. Havia salas especiais para música,
geografia, com imensa quantidade de mapas, cartazes com esqueleto do corpo
humano, pesos e medidas para o ensino do sistema métrico, microscópios. E, já no
colégio Piracicabano, as disciplinas eram latim, português, inglês, francês,
gramática, caligrafia, aritmética, matemática, álgebra, geometria, astronomia,
cosmografia, geografia, história universal, história do Brasil, história sagrada,
literatura, botânica, física, química, zoologia, mineralogia, desenho, música, piano,
costura, bordado e ginástica. (ELIAS, 2005, p. 82).
O Colégio Piracicabano fundamentalmente destrói alguns paradigmas que estimulam outras
escolas metodistas, que seria regido pela missionária Martha Watts, que passariam a se fixar no país,
tais como:
i.
O Colégio Americano de Petrópolis (1895) que serviu como base para a construção do atual
Benett no Rio de Janeiro;
ii.
O Colégio Mineiro em Minas Gerais (1902);
iii.
O Colégio Izabela Hendrix (1904);
No ano de 1887 seria fundada a Escola do Alto do Rio de Janeiro por mulheres que tinham
como propósito um ensino baseado no modelo metodista. O próprio jardim de infância é uma herança
dos protestantes norte-americanos.
Após a proclamação da República o número de escolas protestantes irá crescer desta forma a
religião originada das reformas passa a ser mais aceita e com isso passa a ter uma maior difusão e
notoriedade. Isso também se deve as influências e ao estímulo que a pedagogia inovadora trouxe, pois
os colégios confessionais eram usados como instrumentos de propagação do Evangelho.
Considerações finais
Atualmente a E.C. sofre um problema de banalização do conhecimento, alguns entendem que
é impossível conciliar a epistemologia cristã com a científica, ou que o cristianismo serviria para no
máximo fornecer um conjunto de normas éticas.
Não entendemos desta maneira, para nós há epistemes sérias nas Escrituras que devem ser
conduzidas da mesma maneira que as diversas teorias científicas, exatamente pelo caráter teórico e
não de verdade, destas últimas.
Observamos que ao longo da história o cristianismo foi de suma importância para que, através
de uma 'educação secular', pudesse haver a possibilidade de uma educação voltada para o sistema
axiológico cristão. E nessa perspectiva há um investimento intelectual e operacional na educação como
um todo.
Tal assunto está longe de esgotar-se, dada a riqueza de sua influência na história. Esta,
porém, é nossa singela contribuição para a continuidade desta discussão na via acadêmica.
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