Divulgação
ICCV elabora Guia do Centro Histórico do Rio
Os benefícios do Veículo Leve sobre Trilhos
A publicação, produzida pelo Instituto Cultural Cidade Viva a partir de
uma pesquisa no Centro do Rio, vai mostrar atrativos como edificações
históricas, espaços culturais, ateliês de artes e artesanato, bares e
restaurantes e o legado cultural afro-brasileiro.
folha dado
ruaRio
larga
Começaram as obras que implantarão na Região Portuária e no Centro
um dos mais modernos sistemas de transporte do mundo. O VLT vai gerar
empregos, aumentar a mobilidade dos cariocas e dos turistas, além de criar
uma cidade mais integrada.
página 13
cultura e cidadania - página C3
folha da rua larga
RIO DE JANEIRO | JANEIRO – FEVEREIRO DE 2015
comércio
Resultados
do Polo Região
Portuária
A presidente do Polo
Região Portuária, Maria
Eugenia Duque Estrada, faz
um balanço das conquistas
de 2014 e aponta as boas
perspectivas para 2015.
Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Nº 49 ANO VIII
A Light quer fortalecer a produção
cultural da Zona Portuária e promover
o desenvolvimento humano local
Divulgação
página 3
história
O entorno
da Central
do Brasil
O pesquisador Aloysio
Breves comenta fatos
marcantes da história
da Central do Brasil e
seu relógio, do Morro
da Providência e do
Mangue.
página 4
gastronomia
Gerente do Instituto Light e do Centro Cultural Light, Paulo Bicalho conta em entrevista quais as
diretrizes das políticas cultural e social da companhia
cultura e cidadania I páginas C4 e C5
Beterraba:
comida
vegetariana
e natural
cidade
página 14
Yuri Maia
Divulgação
Estilista moradora do Morro da
Conceição cria roupas inspiradas
nas culturas afro e indígena
Formada em Desenho Industrial e pós-graduada em História da
África, Júlia Vidal produz figurinos para minisséries e novelas e
usa pigmentos naturais para tingir suas criações, que também se
caracterizam por cores vibrantes e mosaicos de estamparias.
página 13
Selo do novo
programa
cultural
que a Light
está
desenvolvendo,
o Anima Porto,
que tem por
objetivo o
crescimento
sociocultural
da Região
Portuária.
cultura e cidadania I páginas C4 e C5
2
folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
porto hoje
Desafios da Porto Novo para 2015
farol
Divulgação
Em seu site oficial, a
Concessionária Porto Novo
declarou-se pronta para
enfrentar os desafios que
enfrentará neste ano que
começa. Em 2015, algumas grandes obras deverão
ser entregues à população,
como o Museu do Amanhã
e o Túnel Rio 450. Outros
projetos relevantes serão
implementados, como a
construção da Frente Marítima, o novo passeio público da Região Portuária.
A empresa iniciou o ano
capacitando as suas equipes para atuar na operação
e na manutenção de túneis
Visão artística do novo passeio público da Região Portuária
e elaborou o planejamento
integrado das operações
internas de obra e conservação. Foram implantados
sistemas novos no Centro
de Controle Operacional
(CCO) e aperfeiçoados
outros já existentes, objetivando garantir o êxito
do Carnaval e das comemorações dos 450 anos da
cidade.
Serão realizados também investimentos em
paisagismo e limpeza, ligados à manutenção de
áreas verdes e à ampliação
dos pontos subterrâneos de
coleta de lixo. Com foco
na comunidade, a Concessionária entrou em 2015
oferecendo novas turmas
de capacitação profissional para auxiliar jovens e
adultos a ingressarem no
mercado de trabalho.
da redação
[email protected]
A nova Feira do Porto
Social da Cdurp, a feira
valoriza a cultura da área.
Desde 2011, a Cdurp e o
Sebrae/RJ apoiam artesãos e quituteiras da região. Segundo ele, a iniciativa de realizar a feira
na praça “entra para o calendário regular da cidade
e ajuda a criar oportunidades de venda e divulgação dos produtos produzidos no Porto”.
A nova feira acontece no Largo de São Francisco da Prainha
objetivo de levar àquela
praça tradicional iniciativas culturais que retratam
a identidade da Região
Portuária.
Para Carlos Frederico,
assessor de Desenvolvimento Econômico e
da redação
[email protected]
Projeto gráfico - Henrique Pontual e Adriana
Portella, Francis Miszputen, Maria Eugênia
Lins
Duque Estrada, Mozart Vitor Serra, Roberta
Diagramação - Suzy Terra
Abreu, Sacha Leite, Teresa Serra e Teresa
Revisão ortográfica - Raquel Terra
Speridião
Produção gráfica - Suzy Terra
Direção executiva - Fernando Portella
Produtora Executiva - Roberta Abreu
Editor e jornalista responsável - Mário Margutti
Impressão - Maví Artes Gráficas Ltda.
Colaboradores - Aloysio Clemente Breves, Ana
Contato comercial - Márcia Souza
Carolina Portella, Berzé, Fernando Portella,
Tiragem desta edição: 10.000 exemplares
Roberta Abreu, Teresa Speridião e Yuri Maia
Anúncios - [email protected]
O Instituto Pereira Passos lançou, em dezembro, o
Pacto do Rio, no auditório do Museu de Arte do Rio
(MAR). Mais de 50 instituições governamentais, privadas, acadêmicas e do Terceiro Setor assinaram o
compromisso, que objetiva a integração urbana, social
e econômica do Rio de Janeiro. A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de
Janeiro (Cdurp), gestora do Porto Maravilha, assinou
o Pacto no primeiro dia. A presidente do IPP, Eduarda
La Rocque, comemorou o comprometimento das organizações presentes e destacou que a assinatura mais
significativa será a da sociedade carioca: “A população
tem a assinatura mais importante. O pacto é dela, que
dará sua contribuição por meio de indivíduos não governamentais”.
O Pacto terá seis frentes de atuação: Espaços Urbanos
(Integração das Favelas, Mobilidade e Habitação Social),
Oportunidades (Cultura, Esporte e Empreendedorismo
e Capacitação), Segurança, Estudos, Captação e
Mobilização.
da redação I [email protected]
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folha da rua larga
Conselho editorial -Alberto Silva, Fernando
Depois que o Instituto dos Pretos Novos (IPN) fechou
suas portas por falta de recursos em dezembro passado,
a Prefeitura do Rio, através do Instituto Rio Patrimônio
da Humanidade (IRPH) e da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp),
socorreu a organização cultural, que abriga importante acervo arqueológico: o cemitério dos escravos que
morreram antes ou pouco depois de chegar ao Rio de
Janeiro.
O objetivo é preservar o IPN, que fica na Rua Pedro
Ernesto, 36, Gamboa. Em nota oficial, a Cdurp se comprometeu a “complementar o apoio que já presta, com
disponibilização de serviço de equipe de manutenção
e limpeza das dependências”. Também será elaborado
um plano de captação de recursos que permita alcançar a sustentabilidade do centro cultural. A presidente
do IPN, Merced Guimarães, comemorou o acordo, mas
realçou que a situação é grave: “Se até fevereiro a precariedade e falta de apoio perdurarem e as promessas
não forem cumpridas, acarretando um novo fechamento, desta vez será em definitivo”.
Pacto pela integração do Rio
Divulgação
No dia 17 de janeiro,
foi realizada a primeira
edição da Feira do Porto,
inaugurando uma programação que reunirá, todo
terceiro sábado do mês,
no Largo de São Francisco da Prainha, artesanato,
culinária, cultura e música tradicionais, no horário
das 10h às 18h. A feira é
produzida pela Associação Gastronômica Sabores do Porto e pelo grupo
Porto Artesanal, em parceria com a Companhia de
Desenvolvimento Urbano
da Região do Porto do Rio
de Janeiro (Cdurp), com o
Prefeitura e Cdurp socorrem Instituto dos Pretos Novos
Onde encontrar o jornal
A Folha da Rua Larga é de distribuição gratuita e pode ser encontrada
com mais facilidade nos seguintes endereços:
Redação do jornal
Rua São Bento, 9 - 1º andar - Centro
Rio de Janeiro
RJ - CEP 20090-010 - Tel.: (21) 2233-3690
www.folhadarualarga.com.br
[email protected]
• Banco Central – Avenida Presidente Vargas, 730 - Subsolo
• Bandolim de Ouro – Avenida Marechal Floriano, 120
• Bar Imaculada – Ladeira João Homem, 7 – Morro da Conceição
• Biblioteca Estação Leitura – Estação Central do Metrô Rio
• CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – Rua Camerino, 51
• Centro Cultural Ação da Cidadania – Avenida Barão de Tefé, 75
• Colégio Pedro II – Avenida Marechal Floriano, 80
• Mini Mix (mercado / padaria) – Avenida Marechal Floriano, 87
• Principado Louças - Avenida Marechal Floriano, 153
• Restaurante Beterraba – Rua Dom Gerado, 64-E
• Restaurante Málaga – Rua Miguel Couto, 121
• Restaurante Velho Sonho – Avenida Marechal Floriano, 163
• Subprefeitura do Centro – Rua da Constituição, 34
3
folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
comércio
2014 foi o ano do fortalecimento institucional do Polo Região Portuária
Presidente do Polo faz um balanço do ano passado e aponta perspectivas para 2015
Divulgação
FRL – Quais os principais resultados alcançados
pelo Polo em 2014?
Maria Eugenia Duque
Estrada – Sem dúvida foi a
viabilização do Festival À
Moda do Porto, que representou o primeiro grande
patrocínio conquistado pelo
Polo. Houve uma grande
compreensão da patrocinadora, a Cdurp, de que
gastronomia não é simples
comércio, pois ela tem uma
dimensão cultural muito
evidente. Foi uma grande
vitória nossa conquistar
os recursos da Cdurp por
meio de um edital voltado
para a cultura, numa região
que tem presença cada vez
maior da Economia Criativa. O Festival obrigou a
equipe do Polo a ter um
grande dinamismo e, com
isso, inauguramos possibilidades de novas parcerias,
com o objetivo de fechar
um calendário comum. A
Supervia é uma nova grande
parceira em potencial, que
desenvolve diversas atividades culturais dentro da
Estação Pedro II, que ainda
não são muito conhecidas
pela população. Estamos
estudando as possibilidades
de ações conjuntas. Também
percebemos a chance de fazer parceria com a Caixa
Econômica Federal, concorrendo aos seus editais. Outro
resultado muito positivo foi
a participação de Berg Silva, um dos mais renomados
fotógrafos de gastronomia
do país, em nosso Festival
À Moda do Porto. Tudo isso
representou um grande fortalecimento institucional do
nosso Polo.
FRL – Que outros resultados positivos podem ser
mencionados?
Maria Eugenia Duque
Estrada – Como consequência do sucesso do Festival
À Moda do Porto, o Polo
atraiu para si um bom número de novos associados.
Principalmente os novos
empreendimentos que estão
chegando à região, como a
Maria Eugenia: “Em 2015, pretendemos trabalhar mais o campo do comércio”
loja Multicoisas, o singular
Rio Cine Botequim, o restaurante natural e vegetariano Beterraba, entre outros.
Os novos empreendedores
já chegam com visão de futuro, são mais perceptivos
à necessidade de criar uma
rede de cooperação local e o
Polo é um bom instrumento
para isso. Outro resultado
interessante foi a criação
do bloco de carnaval Põe
na quentinha. Sua criação
envolveu
personalidades
como Ricardo Amaral, o
renomado chef Frédéric
Monier e Kátia Barbosa,
do Aconchego Carioca. O
bloco vai desfilar no dia 6
de fevereiro, saindo do Rio
Cine Botequim para chegar
ao Largo de São Francisco
da Prainha.
FRL – A partir do Festival À Moda do Porto,
também foi efetivada uma
parceria com a PUC-Rio.
Que parceria foi essa?
Maria Eugenia Duque
Estrada – Um professor de
food design (apresentação
de pratos) da PUC-Rio,
Enrique Renteria, fez uma
palestra durante os eventos
que marcaram a pré-produção do festival. Na ocasião,
ele ofereceu uma bolsa de
estudo integral no curso de
Design e Tradição na Gas-
tronomia, oferecido por
ele naquela universidade
católica. Chefs associados
ao Polo concorreram a essa
bolsa e, no curso, os alunos
tiveram a chance de enfocar
a gastronomia desde diversos pontos de vista: sociológico, histórico, artístico e
literário.
FRL – Em que consiste
esse novo projeto do Polo,
a Feira de Agricultura Familiar?
Maria Eugenia Duque Estrada – Trata-se de uma parceria do Polo como o INT
(Instituto Nacional de Tecnologia), que é certificador
de produtos orgânicos, não
só agrícolas como seus derivados. A ideia é fazer uma
feira desses produtos em local fechado aqui na Região
Portuária. Precisaremos de
um local coberto, porque
os produtos são perecíveis.
O ideal é que o local da feira também tenha cozinha,
para que os restaurantes da
região possam participar
do projeto, em regime de
rodízio, oferecendo cardápios de produtos orgânicos.
Além da venda de produtos,
queremos valorizar a slow
food, servindo pratos no
dia da feira. Os produtores
do entorno do Grande Rio
serão convidados a parti-
cipar. Este projeto também
prevê parceria com o INEA
(Instituto Estadual do Meio
Ambiente), o Ministério da
Agricultura e a Secretaria
Estadual de Agricultura.
FRL – Quais as perspectivas para 2015?
Maria Eugenia Duque
Estrada – Nosso principal
objetivo é realizar a segunda
edição do Festival À Moda
do Porto, revista e ampliada.
Também queremos trazer
para o Polo a oferta de novos serviços para os nossos
associados. Em 2014, por
exemplo, conseguimos ofertar um curso de inglês do
Pronatec para 20 garçons da
Região Portuária, na esteira
da realização da Copa do
Mundo de Futebol no Brasil. O curso foi muito bom e
deu um relevante certificado
para os participantes. Nesse contexto, pretendemos
trabalhar mais o campo do
comércio propriamente dito,
em 2015, sem esquecer das
outras dimensões do nosso
trabalho: cultura, lazer, turismo, economia criativa e
assim por diante.
da redação
[email protected]
4
folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
história
baú da rua larga
Central do Brasil: o Relógio, a Providência e o Mangue
Informações históricas sobre marcos importantes da Região Portuária
O prédio de arquitetura
art déco da Central do Brasil é um marco na paisagem
do Rio de Janeiro. Cariocas
possuem o hábito de se referir à imponente construção:
“Vou pegar um trem na Central! Trabalho na Central!
Cuidado com a Central do
Brasil!”
Também é costume um
rápido olhar para o relógio
monumental. Quantos não
acertaram seus ponteiros ao
ver a hora certa? E quantos
não disseram que estavam
atrasados ou adiantados para
o compromisso ou para o
trem? O gigante das horas
salvou vidas e compromissos, e também testemunhou
fracassos e sucessos.
O imóvel de 124 metros
de altura, com sete andares
e torre de 28 pavimentos,
foi tombado em 1996 pelo
prefeito César Maia, quase
80 anos depois do projeto definitivo de 1937 que
substituiu a velha estação
da Estrada de Ferro Dom
Pedro II. A denominação de
Estrada de Ferro Central do
Brasil veio com a República, em 1889, e a nova rede
incorporou as linhas de trens
existentes, expandindo ramais para o subúrbio e interligando as bitolas, largas e
métricas, mais estreitas, que
iam para o interior do estado
e se juntavam à antiga RMV
(Rede Mineira de Viação) –
carinhosamente tratada de
Divulgação
Antiga Estação Dom Pedro II, em 1899
“Ruim, mas Vai!” pelos passageiros.
A primeira estação, chamada de Estação da Corte,
foi inaugurada em 1858,
no quarteirão do Campo da
Aclamação, hoje Campo de
Santana, após a demolição
da Igreja de Sant’Ana, edificada em 1735, gerando uma
fantástica indenização para
a Irmandade mantenedora
do templo. Em 1879, a luz
elétrica chegou à estação e o
prédio foi ampliado para suportar o fluxo de passageiros
e produtos, principalmente o
café.
Com o término da Guer-
ra dos Canudos em 1897,
grande número de soldados vitoriosos acampou na
região. Sem moradia, esperando indenizações ou
algum aceno do governo,
eles se juntaram às centenas
de negros do pós-abolição,
que habitavam inúmeros
cortiços na área próxima do
atual Túnel João Ricardo.
A região, outrora nobre, de
imóveis ricos, foi invadida
pelos desassistidos, formando uma população que, em
alguns casos, como o famoso cortiço Cabeça de Porco,
chegou a abrigar mais de 3
mil pessoas. Parece que o
destino de combatentes e
escravos era receber o pagamento infame de pedaços de tábuas para construir
seus barracos. Exemplos
não faltaram e não faltam,
como o do Morro da Mangueira, quando soldados do
9º Regimento de Cavalaria,
em 1900, foram autorizados
pelos comandantes a pegar
o material de demolição das
casas mais abastadas e se
instalar no morro.
A providência ganhou
nome e subiu o morro. A
princípio chamado de Morro da Favela, por conta de
uma planta de flores brancas
e favas, comum em Canudos e também nas encostas
dos morros mais baixos do
Rio. Depois ganhou o nome
de Providência, face à “providência” urgente tomada
pelos soldados de Canudos.
O gigantesco corte vertical
no granito de boa qualidade do morro, que podemos
ver da Avenida Presidente
Vargas atualmente, serviu
de trabalho para os novos
moradores da Providência,
da Central e região portuária
do Santo Cristo.
Em 1929, cerca de 1.100
trens passavam pela via,
sendo 430 de bitola larga
que iam para o subúrbio,
com 170 na Linha Auxiliar.
Com o apoio das Oficinas
do Engenho de Dentro, que
atendiam as composições
elétricas e as movidas a
carvão e a vapor, o tráfego
ferroviário cresceu muito
na cidade, gerando emprego
para milhares de pessoas. O
famoso relógio de quatro faces foi fabricado pela IBM
no Brasil e é considerado o
maior do mundo com quatro
faces. Originalmente mecânico com sistema de pêndulos, foi substituído mais recentemente por um sistema
de quartzo. A denominação
de Estação Dom Pedro II foi
dada pelo presidente Arthur
Bernardes, em homenagem
ao imperador, mas não pegou. Ficou mesmo Central
do Brasil.
Cortando a região está o
canal do Mangue, incensado
no poema Santeiro do Mangue, do modernista Oswald
de Andrade, que descreve a
mistura de proxenetas, cafetãos, prostitutas brasileiras, negras, francesas e as
famosas polacas. Artistas,
músicos e escritores como
Segall, Di Cavalcanti e Bandeira frequentaram a chamada Vila Mimosa, depois
Coréia e por fim República
do Mangue em 1954.
Nesse contexto social de
trens, favelas e sexo da região da Central do Brasil, o
samba e os folguedos populares desabrocharam. Atestando isso, já em maio de
1906, a Revista da Semana
publicava a trova de violão:
“Dona Maria Gibóia, vai de
saia de balão, ao Morro da
Providência, dançar o samba a tostão”.
Hoje repetimos, ao passar
pelo prédio da Central do
Brasil, o mesmo refrão histórico: “Vou pegar um trem
na Central!”. A via férrea
possui mais de 150 anos e
o prédio quase 80. Seu rico
patrimônio de estações,
imóveis e oficinas poderia
estar mais bem preservado.
aloysio clemente breves
[email protected]
cultura e
cidadania
Reprodução
Mãe de Santo Celina de Xangô, que também é radialista e
diretora do Centro Cultural Pequena África, está ajudando
a arqueóloga Tânia Andrade Lima a identificar os objetos
sagrados ligados às religiões africanas, entre os achados
arqueológicos da região do Cais do Valongo, que foi o
maior porto de escravos das Américas.
cultura e cidadania - página C8
Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio
janeiro – fevereiro de 2015
Edição Especial
Guia do Sebrae/RJ divulga atrativos de favelas cariocas
Publicação tem dicas e mapas de sete comunidades pacificadas do Rio
Reprodução
Turistas nacionais ou
estrangeiros que tiverem
interesse em vivenciar a
vida comunitária das favelas cariocas agora podem com uma publicação
de referência: o Guia de
bolso das comunidades
do Rio. Editado pelo Sebrae/RJ, o guia enfoca
os atrativos turísticos de
sete comunidades cariocas: Chapéu Mangueira e
Babilônia, Morro dos Prazeres, Santa Marta, Morro
dos Cabritos e Tabajaras,
Turano, Salgueiro e Morro da Formiga.
O guia divulga os mapas dessas regiões, com
informações sobre locais
para fazer lanche e orientação sobre os principais
meios de hospedagem local. Lançado no fim de dezembro de 2014, na Feira
do Empreendedor, o guia
vai além das informações
básicas. Para o visitante
que deseja conhecer a história dessas comunidades,
ele divulga curiosidades
como os detalhes sobre
o jardim desenhado por
paisagistas franceses e
executado por moradores
da comunidade do Morro
dos Prazeres, no qual foram plantadas ervas medicinais e aromáticas. Outro
exemplo: informa que, no
alto do Morro Santa Marta, há uma igreja com a
imagem dessa santa.
O conteúdo do guia foi
elaborado a partir de um
mapeamento prévio, feito
por especialistas em turismo, em parceria com os
pequenos empreendedores locais. Devido à grande procura de programas
turísticos em favelas por
O guia também divulga os principais eventos e atividades
das comunidades pacificadas
visitantes estrangeiros, o
guia contém uma versão
em inglês. A proposta básica é apoiar os visitantes
interessados em conhecer
a cultura comunitária local e em experimentar a
rotina diária dos moradores.
Turismo de experiência
Entre os atrativos mais
procurados por visitantes
de favelas estão aqueles que são classificados
como turismo de experiência, tais como a gastronomia, os pontos associa-
dos a fatos marcantes da
história local e os mirantes com vista privilegiada
para as belezas naturais e
urbanas do Rio de Janeiro. O guia também indica
os serviços de albergues
e de moradores que trabalham como guias de
turismo. Na avaliação do secretário Nacional de Políticas de Turismo, Vinicius
Lummertz, o turismo de
experiência, além de va-
lorizar a cultura comunitária, contribui para documentar a história dos
destinos turísticos: “É
um tipo de turismo que
agrega valor aos produtos
e serviços de uma região,
ao mesmo tempo em que
promove o encantamento
dos turistas”, disse ele.
Do ponto de vista cultural, o guia informa, por
exemplo, onde fica o famoso Corredor de Grafittis do Morro dos Praze-
res, a estátua de Michael
Jackson no Santa Marta,
a casa de artesanato do
Morro dos Cabritos, a
Capela dos Operários e
o projeto Fazendo Arte
do Morro do Turano. O
guia é colorido, com diagramação e textos leves,
que aumentam o prazer de
folheá-lo.
Na página final da publicação, os editores informam que o projeto
“foi criado visando ao
desenvolvimento do empreendedorismo em comunidades pacificadas”.
E acrescenta: “O Sebrae
busca integrar as comunidades com seus diferentes
serviços e potencialidades
turísticas, gerando oportunidades aos pequenos
empreendimentos locais
e sempre valorizando a
cultura e a tradição das
comunidades. Nesse turismo de experiência,
também preza-se o desenvolvimento de ações sustentáveis, com a redução
de impactos negativos sobre o meio ambiente”.
Nesse contexto, o que
se recomenda a todos os
turistas é que contratem
os guias locais, pois eles
conhecem os roteiros, os
moradores, os comerciantes, a história da favela,
enfim, todas as informações que permitirão ao
visitante desfrutar ao máximo da sua experiência.
da redação
[email protected]
C2
Edição Especial
janeiro – fevereiro de 2015
cultura e cidadania
boca no trombone
Cliques Rua Larga
Divulgação Art Rua
Je suis, você é, nous sommes
Je suis Charlie Hebdo e Charlie Chaplin,
os cartunistas mortos e a dor de seus parentes
e amigos. Nós somos também os encapuzados
que atiraram e aqueles que se sentiram ofendidos pelo desrespeito a Maomé. Eu sou o que
desrespeita e o que venera, o gatilho e o peito
baleado, as notícias de acidente e os acidentados – a inteligência e a ignorância. Nós somos
Marco Acher, condenado à morte por tráfico de
drogas na Indonésia, o traficante e o consumidor. Somos os jovens sem esperanças de futuro
e aqueles que poderiam prover oportunidades.
Eu sou você atado ou disperso, verdadeiro ou
mentiroso.
Nós somos a seca e a inundação, o calor e a
falta d’água nas represas – as estrelas e o chão.
Você é aquele que pede esmolas no sinal, aquele
que dá ou o que levanta o vidro com medo de
assalto. Eu sou o cão maltratado e o seu algoz, a
prostituta e o cafetão – somos todos corruptos,
corruptores e os honestos indignados. Nós somos a lágrima e o sorriso, o medo e a coragem
de agir com o coração, aquele que bate na cara e
aquele que deixa seu rosto na distância do tapa.
Você é o que desmata, a árvore que cai, os bichos que morrem, aquele que polui e o que padece pela poluição – somos a nossa fauna e flora.
Eu sou o Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro sou
eu. Sou pai e filho, neto e avô. Sou Deus, Maomé, Buda, Pai de Santo, Lúcifer e ateu. Você é a
fome e o alimento, a dor e a saúde – aquilo que
come e desperdiça. Nós somos os que caminham
em protestos nas ruas, os mascarados, a polícia
e os políticos nos quais votamos. Você é uma
mistura de homem e mulher. Eu sou o sem terra
e o proprietário dela; sou negro, branco, amarelo
e pardo – sou todas as cores, de todas as bandeiras, costuradas num pano de chão. Somos as
crianças que habitam os idosos e os jovens que
envelhecem por não acreditarem na realização
dos seus sonhos.
Nós somos o “bem-mal”, o bem-me-quer e o
mal-me-quer, a mistura de raças e credos, o doente, o médico, a escravidão e o coronel. Somos
o Amarildo, seu assassino e aquele que escondeu seu corpo. Você é o poder e a grana, o cargo,
a submissão e a omissão. Eu sou a pobreza e
o desperdício – somos o equilíbrio e a loucura.
Você é o empregado e o chefe, o estudante e o
professor, o cego que atravessa a rua sem ajuda,
o motorista que atravessa o sinal fechado, o bêbado e o sóbrio, aquele que malha e o sedentário. Somos todos mendigos e aqueles que acham
a desgraça normal.
Embora sejamos tudo e todos, podemos escolher quem de fato queremos ser. Esta atitude é
o que nos torna diferentes. Eu sou apenas um
poeta que devora a vida
e vomita versos.
fernando portella
[email protected]
Empena do artista TOZ, representante do Rio no evento Art Rua
Divulgação Art Rua
Empena do francês Seth Globepainter para o evento Art Rua
cultura e cidadania C3
Edição Especial
janeiro – fevereiro de 2015
ICCV vai lançar guia cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro
Publicação será gratuita e terá informações de 16 diferentes áreas da cidade
Divulgação
O
ICCV (Instituto
Cultural Cidade Viva)
está desenvolvendo um
projeto editorial que irá
documentar e divulgar
os atrativos culturais do
Centro Histórico do Rio
de Janeiro. A proposta é fazer uma pesquisa
inicial de 100 atrativos
culturais, materiais e/ou
imateriais, que dará origem à edição de um guia
de referência, com ênfase
nos seguintes aspectos:
edificações
históricas
com suas arquiteturas de
época; espaços culturais
atuantes na região; ateliês de artes plásticas e de
artesanato; bares históricos e restaurantes típicos, locais vinculados ao
patrimônio cultural afro-brasileiro, como a Pedra
do Sal (onde nasceu o
samba), o Cais do Valongo (por onde aportavam
os escravos) ou o Centro
Cultural José Bonifácio
(instituição da prefeitura
voltada para a difusão da
cultura de matriz africana). O guia irá registrar
também os eventos culturais tradicionais, bem
como as festas populares
e religiosas, que serão divulgados em um calendário dentro da publicação.
O futuro guia, em princípio, será intitulado Ca-
Theatro Municipal do Rio de Janeiro: arquitetura inspirada no L’Opéra de Paris
Divulgação
Fachada do prédio Paris, na Praça Tiradentes, que se transformará em hotel por dois
empresários franceses, com inauguração prevista para este ano
minhos da Cultura: Centro Histórico do Rio de
Janeiro, e conterá dados
referentes às seguintes
áreas urbanas: Central do
Brasil, Avenida Presidente Vargas, Saara, Praça
Mauá, Candelária, Avenida Rio Branco e Rua Primeiro de Março, Castelo,
Cinelândia, Lapa, Largo
da Carioca, Praça Tiradentes, Campo de Santana, Praça da Cruz Vermelha, Bairro de Fátima e
Aterro do Flamengo.
O guia terá versão impressa, mas também será
disponibilizada em versão eletrônica para a internet, sendo ambas gratuitas para o público em
geral. O projeto preenche
uma lacuna no campo das
informações
culturais
sobre o Rio de Janeiro
e tem como um de seus
objetivos difundir, para
visitantes nacionais e
estrangeiros, as riquezas
culturais do Centro Histórico da Cidade Maravilhosa, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento da Economia
Criativa da cidade.
Fernando Portella, diretor-executivo do Intituto Cultural Cidade Viva
e idealizador do projeto
editorial, afirma que a
intenção é “elaborar e
publicar um livro de notório valor humanístico,
contribuindo assim para
a preservação, valorização e divulgação de
bens culturais materiais
e imateriais do Centro da
cidade do Rio de Janeiro, que, no passado, foi
sede administrativa do
Brasil Colônia e cenário
de importantes decisões
e eventos da história do
nosso país”.
A viabilização do projeto está baseada no uso
das leis de incentivo fiscal à cultura – federal
(Lei Rouanet), estadual
(Lei do ICMS/RJ) e municipal (Lei do ISS/RJ).
Já foram captados até a
presente data R$ 70 mil
da Taesa (Lei Rouanet),
R$ 90 mil pelo Edital do
Comitê Rio 450 anos e
R$ 10 mil via Lei do ISS.
O valor total do projeto é
R$ 302.900,00. A expectativa do ICCV é conseguir o restante da verba
por meio de patrocínio da
Light e apoio do Sebrae/
RJ.
da redação
[email protected]
C4
Edição Especial
janeiro – fevereiro de 2015
entrevista
“A Zona Portuária se mistura com
a história da nossa própria empresa”
Gerente do Instituto Light fala das políticas social e cultural da companhia
Divulgação
Divulgação
Nesta entrevista para a Folha da Rua
Larga, o gerente do Instituto Light para
o Desenvolvimento Urbano e Social – e
também gerente do CCL (Centro Cultural Light) Paulo Bicalho, comenta a
política cultural da companhia, mostra
como a empresa vai participar das celebrações dos 450 anos da cidade do
Rio de Janeiro e fala das perspectivas
de encontrar novas parcerias para as
atividades do Centro Cultural Light.
FRL - Qual é a política cultural da
Light para a região da Rua Larga e
Zona Portuária? Que projetos importantes a empresa tem patrocinado e
apoiado nesta área onde está situada
sua sede?
Paulo Bicalho – A Zona Portuária
tem grande importância para a Light.
Primeiro, porque nossa sede histórica
(1912) fica na região, ao lado do Itamaraty. Segundo, porque a Zona Portuária
teve papel importante na história do Rio
de Janeiro, que é misturada com a história da nossa própria empresa. Revitalizar a região é como uma missão para a
Light, que viu o auge e o declínio local
iniciado ou acelerado com a criação da
Avenida Presidente Vargas, que rasgou
o Centro do Rio. Nossa política cultural pretende reativar as aptidões históricas da região, fortalecer a produção
cultural local, valorizar a história e sua
relação com a Light e, principalmente,
promover o desenvolvimento humano.
FRL – A história dos 110 anos da
Light se confunde com a história de
desenvolvimento do estado do Rio de
Janeiro. O acervo da empresa é rico e
importante para estudantes, planejadores públicos e privados. Que ações
estão sendo apoiadas para a comemoração dos 450 anos da cidade?
Paulo Bicalho – O Instituto Light para
o Desenvolvimento Urbano e Social é a
entidade responsável pela política cultural da empresa, assim como por outros projetos especiais. Entre eles está
Paulo Bicalho, gerente do Instituto Light
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o Programa de Revitalização da antiga
Rua Larga, que se iniciou antes da escolha da cidade como sede das Olimpíadas de 2016. O instituto também é guardião, por meio do Centro Cultural Light, do acervo histórico da companhia,
que completa em 2015 seus 110 anos de
atividades no Rio. Os documentos preservados remontam ao final do século
XIX, época em que a empresa ainda estava iniciando suas prospecções, antes
mesmo de operar oficialmente na cidade. De lá para cá, acumulamos mais
de um milhão de itens no acervo, entre
fotografias, filmes, arquivos de áudio,
equipamentos de precisão, mobiliário,
documentos textuais, mapas, plantas
e até obras de arte. Com tamanha memória sobre a cidade, é natural que a
empresa esteja se preparando para contribuir com as comemorações dos 450
anos do Rio. Temos presença no Comi-
O Museu Light de Energia, uma das grandes atrações da companhia, apresenta experimentos
variados, jogos eletrônicos, painéis multimídia e artefatos históricos
cultura e cidadania C5
Edição Especial
janeiro – fevereiro de 2015
Divulgação
mos criar possibilidades de conexões
entre os indivíduos, trazer mobilidade
à cidade, propor novas referências em
substituição às antigas, assim como
criar oportunidades baseadas nas vocações locais dos territórios. Isso trará o
desenvolvimento humano e uma nova
atmosfera, mais propícia à formalidade
e ao bom relacionamento entre os clientes e a Light.
tê Rio 450, com profissionais da Light
envolvidos diretamente. Já há alguma
programação definida, de onde destaco o Programa Anima Porto, selo que
será aplicado às nossas ações culturais
na Região Portuária. Já nasce com esse
selo o Festival do Porto, que inaugura
importantes parcerias com a Cdurp, a
Concessionária Porto Novo, o Sebrae/
RJ e a Secretaria Estadual de Cultura.
Mais ações virão durante o ano.
FRL - Com a implantação das
UPPs, o problema dos gatos, do furto de energia, tem diminuído? Qual a
parceria da empresa para a conquista
da cidadania nas comunidades pacificadas? Qual a política de patrocínio
social da empresa?
Paulo Bicalho – Com a implantação
das UPPs, a empresa pode ter acesso
novamente aos territórios, agora livres
do poder paralelo. As pessoas que moram nas favelas cariocas têm demonstrado interesse na formalização da sua
situação. O problema são as décadas
de uma cultura de informalidade que
influencia negativamente o comportamento delas. Quando entendemos esta
dinâmica, soubemos que era preciso
criar ou pelo menos estimular o surgimento de uma nova cultura. Precisa-
O projeto Quanta Energia! levou para moradores de 20 comunidades pacificadas informações
sobre uso racional da energia elétrica. Em cena, os cientistas malucos do grupo Mad Science, que
começaram sua turnê no Centro Cultural Light
Augusto Malta
A Light possui impressionante acervo de fotos de Augusto Malta, um dos pioneiros da fotografia no
Brasil, que foi funcionário da empresa
FRL – Quais as perspectivas de atividades no Centro Cultural Light?
Paulo Bicalho – Em épocas de dificuldade de investimentos, nós vamos
recorrer à criatividade e às parcerias
estratégicas. Nossos objetivos com o
Instituto Light e o Centro Cultural são
comuns aos de outras empresas e certamente poderemos formar alianças que
permitam a manutenção de ações necessárias ao desenvolvimento pela cultura,
pelo esporte e com respeito ao meio
ambiente, como estivemos fazendo há
anos.
mário margutti
[email protected]
Anima Porto:
novo programa cultural da Light
Selo do novo programa da Light
A Light está desenvolvendo o Anima Porto, que tem por objetivo o desenvolvimento
sociocultural da Região Portuária. O programa é um “guarda-chuva” que abarcará
uma série de projetos patrocinados pela Light e seus parceiros na região. Abrangerá
a programação do Centro Cultural Light, o Animando a Rua Larga (que é realizado
pelo Instituto Cultural Cidade Viva), o Festival do Porto (concertos de jazz e blues
itinerantes pela Zona Portuária), assim como o patrocínio da Folha da Rua Larga.
O programa chancelará com um selo os projetos alinhados aos seus objetivos. Dessa
forma, as ações dos parceiros ganham um sentido de unidade e suas ações socioculturais
se tornam mais visíveis na região.
A ARTE DA
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Todo terceiro sábado do mês, Artesanato, Cultura,
Música e Culinária tradicionais da Região Portuária no
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C8
Edição Especial
janeiro – fevereiro de 2015
cultura e cidadania
Obras do Porto Maravilha valorizam
legado místico africano
Mãe de Santo ajuda a identificar objetos sagrados no sítio arqueológico do Valongo
As obras do Porto Maravilha revelaram um
importante sítio arqueológico no Cais do Valongo, que foi o maior porto
de recepção de escravos
africanos das Américas
no século XIX. O local
foi soterrado no tempo da
Monarquia, com o propósito de esconder os horrores do comércio de escravos realizado no Brasil Colônia. As obras de
revitalização da Região
Portuária trouxeram à luz
um impressionante conjunto de peças de época,
que foram confiadas à arqueóloga Tânia Andrade
Lima, do Museu Nacional
da UFRJ. Ela está classificando e catalogando os
achados arqueológicos,
que, posteriormente, irão
constituir o acervo do
Memorial da Diáspora
Africana na Zona Portuária. O objetivo não é reviver os tempos trágicos da
escravidão, mas sim celebrar a riqueza cultural e a
diversidade das religiões
de matriz africana.
Em seu trabalho, Tânia está contando com
uma valiosa auxiliar: a
Mãe de Santo Celina de
Xangô, que ajuda a reconhecer objetos sagrados
do misticismo africano,
entre peças que parecem
simples pedras.
“A pesquisadora encontrou nas escavações uma
Mãe Celina participa de ritual no Valongo
imagem de Bara, que é o
orixá Exú. Como a pesquisadora é católica, ficou até com medo de tocar na peça, achando que
era uma coisa diabólica.
Então eu expliquei a ela
que ele é um orixá mensageiro, ligado ao poder
e à virilidade, e que, por
isso, ele foi demonizado.
Imagina, ele era o gostoso da história!”, conta a
Mãe de Santo.
Entre as peças encontradas nos canteiros de
obras, Mãe Celina já reconheceu uma série de
otás, que são pedras que
representam os orixás. E
também identificou contas sagradas, que ela cha-
ma de monjolós e seguis.
Mãe Celina afirma que
se emociona com esse trabalho de reconhecimento,
porque as peças revelam
que, em meio ao profundo sofrimento vivido pelos negros na escravidão,
eles conseguiam manter
a esperança através da fé
em forças superiores.
Caderno Cultura e Cidadania
Realização
Divulgação
Divulgação
Patrocínio
Radialista criada em
São Gonçalo e diretora
do Centro Cultural Pequena África, que fica
no Largo de São Francisco da Prainha, Mãe
Celina se mudou para a
Rua Sacadura Cabral, na
Zona Portuária. Agora
não quer mais se afastar
do campo sagrado dos
achados arqueológicos.
E conclui: “Se sou Celina
de Xangô (Ydaobá), preciso agradecer aos meus
ancestrais. Nunca mais
fecharei meus olhos para
isso. Minha raiz está toda
enterrada aqui”.
A arqueóloga Tânia Andrade Lima também conta com o auxílio de Mãe
Meninazinha de Oxum e
do professor e babalaô
Fernando Portugal, na tarefa de identificação das
peças encontradas no sítio arqueológico.
Outra relevante con-
tribuição de Mãe Celina para a preservação
da memória da Pequena
África foi a lavagem das
escadarias do Valongo,
juntamente com o grupo
Afoxé Filhos de Gandhi.
O ritual é feito uma vez
por ano, e Mãe Celina
participa de pés descalços, dançando, entoando
cânticos e jogando flores
por onde passa. O Cais
do Valongo e da Imperatriz está entre os pontos
em análise pela Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
e pode ser reconhecido
como Patrimônio da Humanidade.
da redação
[email protected]
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folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
cidade
morro da conceição
O africano que existe em nós brasileiros
Júlia Vidal mora no Morro da Conceição, é formada pela UFRJ
em Desenho Industrial, pós-graduada em História da África no
Brasil e também estuda a etnia indígena. Com grande desenvoltura,
seu falar vai mostrando aos poucos que é uma pessoa sensível e
culta. Quando lhe perguntei por que optou pelo mundo da moda,
ela disse que tudo que construiu até agora já estava dentro dela, e
só faltava um pequeno “clique” para que as coisas acontecessem.
O primeiro clique aconteceu por ocasião de uma megaexposição
no CCBB, chamada África Arte. Seu fascínio foi tamanho que ela
não conseguia mais sair de lá. Tanto foi, tanto viu e tanto fotografou, que terminou sendo convidada para ser a fotógrafa das perfomances da exposição. Mas o fato que mudou a sua vida definitivamente foi quando, por coincidência ou obra do destino, recebeu
um convite do fotógrafo e jornalista Ricardo Beliel para fazer uma
exposição no Largo da Prainha.
A exposição organizada por Beliel era de fotos com temática
africana e chamava-se Rio Luanda. Júlia não pensou duas vezes.
Pediu demissão do trabalho. Com a África na cabeça e a ajuda da
mãe (artista plástica), ela cortou, criou, pintou, montou, desenhou
e costurou dia e noite, produzindo material suficiente para encher
uma barraca de cinco metros quadrados. De lá para cá, não parou
mais. Sua produção criou asas. Foi parar em lojas especializadas
como Mutações e ganhou as passarelas do mundo: Rio de Janeiro,
Bogotá e Londres.
No Brasil, já trabalhou com figurinos em TVs e palcos. Vestiu
personagens de programas como: Superbonita e A grande família,
além da novela Gabriela, entre outros. Ela tem em seu histórico o
figurino de personagens encarnadas
por atrizes como
Thaís Araújo e
Carol Castro. Sua
empresa oferece
serviços de concepção de figurinos, customização
de peças, produção
de moda e vestuário, design gráfico
e estampas inspiradas na simbologia afro-indígena brasileira.
As peças de roupa que cria são cuidadosamente estudadas. Tudo
tem um fundamento histórico e cultural. Os tecidos são de fibras
naturais, o tingimento é feito do que vem da natureza. Assim ela
usa: açafrão, genipapo, urucum e outros recursos para dar pigmentação às peças que confecciona. Além do reaproveitamento de tecidos, ela borda também com linhas não-sintéticas. Palha da costa,
búzios e pérolas são alguns exemplos de materiais sustentáveis
usados por ela.
As roupas que produz são carregadas da atmosfera africana e
indígena e exibem cores vivas e desenhos de muita beleza. Recentemente, Júlia foi escolhida para fazer parte da campanha internacional da Shell intitulada Make the future, que aborda ideias
que podem mudar o mundo. Nessa campanha, o trabalho dela é
reconhecido como celebração do patrimônio cultural através de um
design sustentável.
Em breve, Júlia lançará um livro de sua autoria, cujo título é: O
africano que existe em nós brasileiros. Com os olhos fixos na cultura afro-indígena e os pés na criatividade brasileira, Júlia vai construindo passo a passo o seu sonho profissional. A artista oferece
mensalmente um tour étnico pela região do Morro da Conceição,
além de organizar palestras sobre histórias afro-indígenas em seu
ateliê, que fica na Rua Jogo da Bola, 49, sobrado 2.
Telefones: (21) 98126-0404 /
99639-0929 / 2266-2096.
Site: www.juliavidal.com.br.
teresa speridião
[email protected]
Benefícios do VLT para o Porto do
Rio de Janeiro
Novo sistema de transporte vai gerar emprego, criar mobilidade e mais integração
Divulgação
O cálculo é da empresa
concessionária VLT Carioca: as obras do Veículo
Leve Sobre Trilhos vão gerar 1.280 empregos diretos e
indiretos na construção. De
acordo com a concessionária, que foi contratada pela
Prefeitura do Rio para implantar e operar o sistema,
as obras serão responsáveis
pela abertura de 320 vagas
diretas e 960 indiretas. O
sistema prevê quatro estações com 38 paradas, distribuídas em 28 km de extensão. A entrega está prevista
para o primeiro semestre de
2016. Mas, neste ano que
se inicia, deverá estar concluído o primeiro trecho do
projeto, unindo as quatro
estações previstas: Praia
Formosa, Santo Cristo, Praça Mauá e Cinelândia. As
contratações iniciais de mão
de obra já começaram e a
empresa forma um banco de
oportunidades para futuras
contratações. Quem estiver
interessado, pode enviar seu
currículo para [email protected], inclusive
para vagas a partir de 2016,
quando o VLT já deverá estar funcionando.
Desde julho de 2011, diversos pontos da Região
Portuária começaram a receber estrutura para a implantação do VLT, como a
Via Binário do Porto, a Rua
General Luiz Mendes de
Morais e o Túnel Ferroviário do Morro da Providência, em intervenções executadas pela Concessionária
Porto Novo. Em janeiro do
ano passado, sob gerência
da Concessionária do VLT
Carioca, as obras avançaram
pelos bairros Gamboa, Saúde, Santo Cristo e Centro.
Outubro de 2014 marcou
o começo das obras vinculadas ao VLT na Avenida Rio
Branco, via estratégica para
levar passageiros do Centro
ao Aeroporto Santos Dumont. Essa etapa provocou
mudanças importantes no
trânsito e nos transportes do
Centro. No fim da avenida,
a Cinelândia receberá, em
janeiro de 2015, exposição
do protótipo do VLT, que
hoje está aberto à visitação
dos cariocas nos Galpões
da Gamboa. Pedestres poderão conferir como será o
transporte do futuro no Rio.
O protótipo permanecerá na
área por tempo indeterminado.
Os cinco trens fabricados na França chegarão ao Rio em meados
de 2015. Os 27 restantes serão montados no Brasil
da redação
[email protected]
Agrade o seu paladar,
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folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
gastronomia
Restaurante Beterraba: onde
sabor e saúde andam juntos
receitas carol
O estilo gastronômico de sucesso gerou uma filial em Copacabana
Yuri Maia
O restaurante Beterraba
é um achado para aqueles
que procuram no Centro
um lugar para comer bem
e de modo saudável. A
casa oferece comida natural e também vegetariana. Além do zelo absoluto
no quesito limpeza, o Beterraba leva ainda muito
a sério a palavra natural,
a começar pelo sal que é
usado apenas o suficiente
para dar sabor.
Os caldos industrializados não são usados e os
de legumes são retirados
do próprio cozimento. As
azeitonas estão fora do
cardápio por conter muito sódio. A proposta de
quem comanda as panelas é de zero fritura: tudo
é grelhado, assado ou cozido e, o melhor de tudo,
o óleo é só o suficiente
para o cozimento.
O que mais surpreende
é que, apesar de tantas
restrições, os pratos são
extremamente saborosos.
O segredo fica por conta
dos temperos perfumados: alho, cebola, manjericão, orégano, hortelã,
salsa, entre outros.
Há uma seção vegetariana com três tipos de arroz, massa ao pesto (essa
é imperdível) e hambúrguer de soja (nunca sai
do cardápio por ser um
grande sucesso entre os
clientes). Para os adeptos da comida natural, há
peixes todos os dias com
receitas diferentes. Os
pratos não são repetidos
durante a semana. Alguns
já se tornaram famosos,
como o empadão de camarão e o quibe de banana verde.
É importante lembrar
que tudo isso está sob
orientação
de
uma
nutricionista
rigorosa
O novo ambiente do Restaurante Beterraba
oferece mais conforto aos clientes
Yuri Maia
Yuri Maia
A nutricionista da casa se empenha na
oferta de pratos saborosos e saudáveis
Yuri Maia
O cardápio é diversificado entre comida natural e vegetariana
e empenhada em servir
pratos saborosos e saudáveis. Uma boa opção
para quem não quiser almoçar é tomar uma tigela
de sopa com um sabor diferente para cada dia da
semana, acompanhada de
pão feito na casa.
As sobremesas seguem
a filosofia da casa: frutas
tropicais variadas, pudim
e a famosa torta integral
de banana. Desde maio
de 2014, o Beterraba
está funcionando dois
números acima da casa
anterior. A proprietária
Luciana Ganem decorou
o restaurante com muito
bom gosto e fez, inclusive, uma bela descoberta: ao retirar um reboco,
havia um nicho com azulejos portugueses lindíssimos que estavam escondidos há anos. A mudança de endereço trouxe
algumas vantagens: a
cozinha ficou mais ampla
e os clientes ganharam
mais conforto com a atual disposição das mesas.
O salão possui 110 lugares, comumente lotados na hora do almoço. A
maioria dos clientes é de
funcionários de empresas
da região, que, quando cadastrados, ganham
descontos. O sucesso do
restaurante natural é tão
grande que já foi aberta
uma filial em Copacabana, que funciona de
domingo a domingo e só
para almoço.
Não importa qual seja
o Beterraba: do Centro
ou de Copacabana, ele é
sempre uma garantia de
almoço saudável, com
prazer
gastronômico.
Centro: Rua Dom Gerardo, 64-E. Telefone: (21)
2263-5932. Aberto de
segunda a sexta, somente
para almoço. Em Copacabana: Rua Souza Lima,
37-A. Aberto de domingo
a domingo, somente para
almoço. Telefone: (21)
2267-2605. Site: www.
restaurantebeterraba.
com.br. E-mail para contato: [email protected].
teresa speridião
[email protected]
Os termômetros estão
a cada dia mais altos. Os
tamborins já estão a postos e a festa mais famosa
do Brasil vai começar. O
Carnaval tem aquecido
ainda mais as ruas cariocas. Não podemos nos
esquecer de nos hidratar e
comer bem para ter energia e foliar com saúde e
alegria. Nem pensar em
gastar tempo na cozinha:
uma deliciosa solução são
os sanduíches. Simples,
práticos e refrescantes,
eles têm dois segredos: um bom pão e um
recheio criativo. Aqui
vai uma sugestão, mas
fiquem à vontade para
criar recheios com os
ingredientes que tiverem em casa. Uma dica:
escolha um pão, coloque manteiga ou azeite,
uma folha, uma proteína, alguns legumes, que
podem ser crus ou cozidos, e um molho para
dar personalidade. Bom
apetite e divirta-se!
Sanduíche de rosbife fatiado
ACP
Ingredientes:
• 180g de rosbife fatiado
• 2 pães árabes integrais
• 2 folhas de alface americana
• ½ de xícara de folhas de
espinafre
• ¼ de xícara de tomatinho
cereja partido na metade
• ¼ de xícara de abobrinha
crua fatiada
Para o molho:
• 2 colheres de sopa de
maionese
• 1 dente de alho amassado
• 1 copo de iogurte natural
firme
• ½ colher de chá de vinagre de vinho branco
• ½ colher de sopa de cebolinha picada
• ½ colher de sopa de salsa
picada
• 1 colher de chá de orégano seco
• sal a gosto
Modo de preparo
Aqueça levemente o pão o alho e as ervas. Tempere
árabe no forno. Regue com com sal. Sirva acompaum fio de azeite. Coloque nhando o sanduíche.
as folhas no pão. Disponha
por cima as fatias de carne
e arrume os legumes. Regue
ana carolina portella
com um pouco de molho.
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Para fazer o molho, bata
Confira outras
vigorosamente o iogurte
receitas da Carol no blog
com a maionese, o vinagre, nacozinhacomcarol.blogspot.com
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lazer
folha da rua larga
janeiro – fevereiro de 2015
Light cria plataforma na internet para divulgar atrativos do estado
Ferramenta conta com ajuda de blogueiros e postagens tradicionais
A Light criou na internet
uma plataforma que ajudará
as pessoas a planejar uma
viagem pelo interior do estado ou a encontrar um programa cultural divertido e
gratuito. O Rio merece, pois
é um estado que possui 92
municípios com muitas belezas naturais e diversas opções de diversão, arte e cultura. Para deixar os internautas
atualizados sobre tudo o que
acontece no território fluminense, o Rio Light pode ser
acessado através do endereço
www.riolight.com.br.
Por meio de uma estrutura chamada mashup, o Rio
Light agrupa publicações de
diversos blogs em um único
site, permitindo aos internautas acharem conteúdos interessantes sobre estilo de vida,
moda, gastronomia, esportes,
turismo, arte, cultura e lazer, informando sobre o que
acontece de bom no estado
do Rio de Janeiro.
O Rio Light já conta com a
colaboração de 17 blogueiros
que se dedicam a temas do
nosso estado. Além dos posts
dos tradicionais Diário do
Rio de Janeiro, Blog Carioca
e Diários Gastronômicos, a
plataforma também incorporou o Blog do Ney Motta,
ator e produtor que traz as
principais notícias sobre o
mundo das artes, e também
O Passeador Tijucano, editado por Pedro Paulo Bastos,
que divulga notícias e histórias do tradicional bairro
carioca.
Além destes, o Rio Light
traz as agendas de eventos da
zona norte e da zona sul da
Cidade Maravilhosa, através
do Blog Zona Norte e Etc.
e do Carioca DNA. Em síntese, quem acessa o site encontra exposições, passeios
culturais, feiras, informações gastronômicas, dicas de
Divulgação
da redação
[email protected]
Diversificado, o Rio Light informa temas como a moda verão carioca,
conforme as tendências ditadas pelos camelôs da Uruguaiana (foto)
moda e muito mais.
A proposta é criar um espaço de divulgação para
quem ama e fala sobre o Rio,
possibilitando o compartilhamento de conteúdos e a busca de notícias com energia.
Para os que escrevem, é mais
um local para divulgar toda
a paixão pelo nosso estado.
Para a empresa de energia,
o Rio Light é uma iniciativa
que reafirma o amor da companhia pelo Rio.
Quem é blogueiro(a) e
gosta de postar textos ou imagens vinculadas aos atrativos
do estado do Rio de Janeiro,
pode se cadastrar e fazer parte desse time de craques da
informação via internet (o
link para cadastro é www.riolight.com.br/contato).
da redação
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FRL ED 49 - Instituto Cidade Viva