> POVOS QUE VIVEM COM FALTA DE ÁGUA Se a água potável e acessível ocupa uma parcela tão pequena do total da água do planeta, é natural que a sua gestão e distribuição levante graves problemas. E se há zonas onde facilmente os obstáculos são ultrapassados, noutras, as carências persistem obrigando a uma grande capacidade de mobilização e trabalho por parte das populações. Quase todo o continente africano, o Médio Oriente, algumas regiões dos Estados Unidos e da América do Sul e quase todo o território da Austrália, são áreas desérticas ou semidesérticas. Em cerca de 80 países há problemas graves de água e, à medida que a população for aumentando, esses problemas agravar-se-ão. Por outro lado, os problemas com a água estão relacionados com muitos conflitos internacionais; actualmente, países e organizações continuam um esforço de diálogo, tentando a via negocial para resolver as disputas sobre a água. À procura de milagres Alguns cientistas conseguiram que certos tipos de nuvens produzam chuva artificialmente. Estas nuvens são borrifadas com um produto químico que acelera o processo de crescimento das gotas de água, que tornando--se mais pesadas são forçadas a cair... Há ainda outros cientistas que julgam ser possível rebocar um icebergue da Antárctida até à América do Sul ou ao Médio Oriente, com a ajuda de vários navios. A água contida num icebergue seria suficiente para abastecer uma grande cidade durante alguns meses... Outra solução parece ter sido encontrada pelos países com mais falta de água, que através de um processo de “dessalinização” aproveitam a água dos mares. Neste método a água é aquecida até se evaporar. O sal deposita-se no fundo e o vapor de água é depois arrefecido, transformando-se em água doce. No entanto, está a concluir-se que as quantidades de energia gastas tornam esta solução muito cara. Todos os direitos reservados / 2008 1 Os qanats do Irão Utilizados desde o século V a.C., os qanats são galerias de 70 centímetros de largura por 1 metro de altura, que podem atingir os 70 quilómetros de extensão. Foram construídos com o objectivo de captar as águas subterrâneas e ainda hoje estão em funcionamento, captando na totalidade 700 m3 de água por segundo. O comprimento total destes qanats ultrapassa a distância da Terra à Lua e o esforço da sua construção pode ser comparado ao das pirâmides do Egipto. Os países do Sahel Uma das zonas do planeta mais afectadas pela seca é o Sahel, localizado a sul do deserto do Sara, onde vivem mais de 30 milhões de pessoas. Com o aumento da população que se tem verificado na região, a terra foi explorada até à exaustão e o deserto é cada vez maior. Os anos de seca fizeram secar os poços, rios e lagos e sem água é impossível conseguir alimentos. Neste momento tenta-se preservar a água que ainda existe e construir mais poços Sabia que... - A água que se gasta num autoclismo normal, por cada disparo, é equivalente à quantidade que um habitante das regiões semiáridas de África gasta por dia? - A água subterrânea pode demorar anos ou mesmo séculos a regressar à superfície? Durante esse tempo, vai-se limpando das impurezas recolhidas na atmosfera ou solo. > A ÁGUA: ESSENCIAL À VIDA Um planeta feito de água Mais de dois terços do planeta são água. O que muitas vezes se esquece é que 97% dessa água é salgada, proveniente dos mares e oceanos, e que apenas 3% correspondem à água doce, repartida entre os gelos das calotes polares, o vapor da atmosfera, chuva, lagos, rios e correntes subterrâneas. Nos gelos que cobrem as regiões polares encontra-se grande parte da água doce do planeta (79%), e escondida nas profundezas do solo encontra-se também uma grande fatia (20%). Ou seja, feitas as contas, sobra apenas 1% para as águas superficiais, disponíveis para as nossas utilizações diárias. Só uma ínfima parte da água do planeta é potável e de fácil acesso. Todos os direitos reservados / 2008 2 Os seres vivos e a água Tal como o sol, a água é imprescindível para a vida do planeta. Basta dizer como a água é fundamental no processo da fotossíntese, para se compreender como não poderíamos de maneira nenhuma viver sem ela. Por outro lado, já quase não restam dúvidas de que a vida começou na água. E, talvez por essa razão, o seu papel seja tão importante na autoconservação, auto-regulação e reprodução dos seres vivos. Para além de entrar na constituição dos tecidos, a água é o dissolvente que transporta as substâncias necessárias aos processos fisiológicos. Todas as reacções químicas necessárias à vida ocorrem apenas na presença de água, por isso, sem ela, nenhum ser vivo resiste: perder 10% de água traz a qualquer organismo vivo graves problemas, se as perdas atingirem os 20 a 30% é certo que acabará por morrer. No caso do homem, as necessidades diárias de água situam-se entre os 2 e 4 litros, que podem não só ser bebidos mas também ingeridos através dos alimentos. No corpo humano, a quantidade de água representa, em média, cerca de 65% do peso, ou seja, numa pessoa que pese 70 quilos existem 40 litros de água. O sangue é composto por 80% de água, o esqueleto por 44%, e no cérebro essa percentagem sobe surpreendentemente para os 90%! O ciclo da água Pode dizer-se que a quantidade de água do planeta se tem mantido constante desde o aparecimento do homem. A água existente nos oceanos, continentes e atmosfera faz parte de um ciclo perpétuo que é mantido em movimento pela energia do sol e pela força gravítica. O ciclo hidrológico é essencial no ambiente: – transporta e faz circular a água de umas regiões para as outras; – é um importante agente modelador da crosta terrestre (devido à erosão e ao transporte de sedimentos); – e, acaba por ser um condicionante de toda a cobertura vegetal do planeta, ou seja, de toda a vida na Terra. Sabia que... Os gelos da Antárctida atingem espessuras que podem chegar aos 4 quilómetros? Os primeiros animais que conseguiram viver fora de água, tiveram que passar por um longo processo de adaptação? Um animalzinho chamado “ichthiostega” foi o primeiro vertebrado a consegui-lo? Nas medusas e nas alforrecas a percentagem de água pode atingir os 99%? Todos os direitos reservados / 2008 3 Adaptados ao deserto Mesmo as espécies das regiões mais secas organizam-se em função da sua dependência de água e conseguem manter o equilíbrio adaptando-se das mais diferentes maneiras às condições de seca. O rato-canguru não precisa de beber água. Vai fabricando a sua própria água à medida que digere as sementes secas que lhe servem de alimento. Os escaravelhos do deserto aprenderam a fazer o pino, para que as gotas de água do nevoeiro lhes escorram até à boca. O galo silvestre africano leva a água até ao ninho nas penas da barriga. Estas penas são como esponjas absorventes que lhe permitem matar a sede às crias. Sabia que... É possível encontrar água fóssil na natureza? Existem rochas onde ficaram fossilizadas algumas gotas, para que não restem dúvidas de que a água sempre por cá andou... > POLUIÇÃO Mas não é só a escassez de água que se verifica em algumas regiões que representa um problema grave. Ao derramar, nos rios e lagos, resíduos provenientes da agricultura, indústria e grandes cidades, o homem tem sido responsável pela contaminação de grande parte das águas doces do planeta, águas subterrâneas incluídas, uma vez que as infiltrações arrastam consigo grandes quantidades de fertilizantes químicos. A situação é preocupante em praticamente todos os países do mundo. Só na Europa existem mais de 100 milhões de pessoas que não dispõem de abastecimento de água e as águas residuais de 250 milhões de pessoas não recebem ainda qualquer tratamento. Em Portugal, o assunto da poluição das águas tem vindo a ganhar força. Foi instituído um conjunto de parâmetros aos quais a água deve obedecer, baseado na presença de determinadas substâncias que podem ser nocivas. A chamada “Lei da Água” fixa “as características mínimas de qualidade a que uma água deve obedecer, em função do seu tipo de utilização”, sendo assim estipulados valores máximos recomendados (VMR) e valores máximos admissíveis (VMA), acima dos quais a água é considerada imprópria para consumo. As entidades gestoras dos sistemas de distribuição de água para consumo humano devem garantir que a água que chega aos consumidores obedece aos valores estipulados pela lei. No caso da EPAL, por exemplo, os laboratórios que controlam a qualidade da água permitem detectar e quantificar, para todos os parâmetros, valores significativamente inferiores aos definidos nas Todos os direitos reservados / 2008 4 legislações portuguesa e europeia. Desta forma é dada, assim, uma garantia suplementar de saúde pública. Tipo de poluição mais frequentes Poluição bacteriológica: Contaminação por bactérias, vírus e outros micróbios portadores de doenças. Causas: esgotos e adubos. Poluição química: Contaminação através de elementos químicos que podem destruir a fauna e a flora. Causas: óleos, insecticidas, detergentes sintéticos, adubos químicos e esgotos. Poluição física: Alteração da cor, gosto, cheiro e temperatura da água. Causas: erosão, húmus, vegetação e a própria actividade humana. Poluição radioactiva: Presença de materiais radioactivos das centrais ou explosões nucleares. Um problema global Nas águas do Reno são despejadas todos os anos milhões de toneladas de resíduos contaminados provenientes das indústrias. Em 1986, um acidente provocou o derrame de produtos químicos altamente tóxicos, deixando o rio sem vida. Na China existem já 41 cidades a consumir água proveniente de lençóis contaminados. Na Índia, os rios são quase considerados esgoto a céu aberto, arrastando para o mar todo o tipo de resíduos. Só 10% das indústrias da margem do Ganges tratam as águas despejadas neste rio sagrado. > A ÁGUA SAGRADA E INSPIRADORA A ligação da água ao sobrenatural terá nascido quando o homem reconheceu que dela dependia para sobreviver: precisava de água para saciar a sede, mas também na manufactura de utensílios que lhe eram essenciais. Por outro lado, terá sentido como era imprevisível a ausência ou a força da água e como as secas ou inundações lhe causavam grandes danos. Por ser um mistério, a água passou a merecer respeito. Todos os direitos reservados / 2008 5 A água ocupou assim um lugar de destaque nas mitologias e lendas, inspirando ao longo dos tempos filósofos, poetas, músicos e pintores. Em praticamente todas as religiões, nos textos, símbolos ou rituais, a água está presente de uma forma muito clara, ora explicando o nascimento dos seres e a origem das coisas, ora sendo-lhe atribuídos poderes purificadores e sagrados. Osíris, deusa do Nilo, Afrodite, nascida da espuma do mar, Neptuno, deus romano dos oceanos, o baptismo cristão, os banhos no rio Ganges, as narrações sobre dilúvios são apenas alguns exemplos. > O ABASTECIMENTO DE ÁGUA – HISTÓRIA, FACTOS E CURIOSIDADES A necessidade de água desde sempre atraiu as pessoas para a proximidade dos rios. E todos os problemas que a gestão da água implica foram sem dúvida um contributo para a evolução das sociedades mais antigas, aos poucos transformadas em centros de poder e organização. Pode mesmo dizer-se que a gestão da água deu um grande contributo para o desenvolvimento do espírito democrático e do sentido de comunidade. A primeira barragem que se conhece é a de El-Kafara, perto do Cairo, construída há mais de 4500 anos. Prova que, desde há milénios, o homem procura dominar a água e defender-se contra as faltas ou os excessos que tantos problemas lhe causam. Para se proteger das inundações, o homem ergue diques; para transportar a água, constrói canais, aquedutos e condutas; para trazer a água de zonas mais baixas, inventa mecanismos cheios de imaginação. Primeiro terá utilizado um recipiente tipo balde, atado a uma corda que depois suspendeu por um gancho. Mais tarde trocou este gancho por uma roldana. O parafuso de Arquimedes, a bomba de dois cilindros de Ctesibios, a picota são nomes que ficaram para a História, ligados também à elevação da água. Sabia que... - As tribos beduínas seguiam uma ordem de prioridades na utilização dos poços e nascentes? As famílias com mais elementos eram sempre as primeiras a servirem-se de água. - A picota ou cegonha usa-se ainda em algumas zonas do país para tirar água para regas e pode ser designada de mil e uma maneiras. Há quem lhe chame balança, bimbarra, gaivota, saragonha, varola, zabumba, etc… Todos os direitos reservados / 2008 6 > COMO É QUE A ÁGUA CHEGA HOJE ÀS NOSSAS CASAS 1. A água é captada num aquífero, numa albufeira ou num rio (situado normalmente numa cota baixa). 2. Ao ser captada num rio passa em primeiro lugar por um sistema de grelhagem, que consiste numa grelha que impede corpos de maiores dimensões, como ramos e pedras, de prosseguirem o seu caminho. Esta grelha, conforme o estado da água em questão, pode ter uma malha mais ou menos apertada. 3. A água passa então pela tamização, um processo mecânico que remove os sólidos que não ficaram retidos anteriormente. O objectivo desta etapa é impedir que partículas sólidas danifiquem os equipamentos, nomeadamente da Estação Elevatória (EE) e da Estação de Tratamento de Águas (ETA). 4. Um sistema de bombagem, constituído por uma EE, permite elevar a água até à ETA, situada normalmente numa cota superior à do rio. Todos os direitos reservados / 2008 7 5. Quando a água chega à ETA passa por uma nova microtamização, onde são retirados sólidos muito finos e poderá ser adicionado oxigénio para precipitar o ferro e o manganês. 6. A fase seguinte é denominada de "pré-oxidação" e envolve um reagente capaz de destruir os microrganismos vivos e a matéria orgânica, normalmente cloro ou ozono. 7. No tanque da decantação estes flóculos, por serem mais pesados, depositam-se no fundo. 8. A filtração é feita sobre uma camada de areia, ou areia e antracide em filtro de dupla camada, removendo-se a parte sólida, o que baixa a turvação e a cor. Caso se pretenda remover também o cheiro e o sabor da água, adiciona-se carvão activado. 9. A água entra num reservatório. Irá passar ainda por uma desinfecção final com cloro gasoso. 10. Normalmente o reservatório de distribuição está num ponto alto, pelo que é necessário que uma EE eleve a água. Este reservatório encontra-se praticamente cheio, ao abrirmos a torneira vai baixando, sendo reposto de seguida. > IDEIAS PARA RESPEITAR A ÁGUA O problema da falta de água ocupa já um lugar privilegiado na lista de preocupações do planeta. Muitos países procuram soluções e as propostas que têm sido feitas apontam não só para medidas de grande escala (como o transporte de água dos locais onde é abundante para os locais onde é mais escassa), mas também para mudanças de pequena escala que visam racionalizar o consumo. Exemplo disso são as mudanças que se começam a verificar nos sistemas de rega agrícolas, até agora responsáveis por dois terços do consumo mundial de água. Actualmente procura-se que os sistemas tradicionais sejam substituídos por sistemas "gota-a-gota", que apostam numa produção óptima para um consumo mínimo. Também a indústria, outro grande consumidor, deve procurar reduzir o consumo e tratar as águas residuais que produz, fazendo com que entrem de novo no ciclo e evitando assim grandes perdas. E quanto a nós, vulgares consumidores, o que podemos fazer? É importante sublinhar que todas as pessoas, individualmente, podem não só fazer pressão para que continuem a procurar-se soluções, mas também reduzir o consumo de água nas suas próprias casas. Todos os direitos reservados / 2008 8 Apresentamos-lhe aqui algumas ideias: • Atenção às torneiras que pingam, às mangueiras que são deixadas a correr durante horas a fio, aos banhos prolongados, que apesar de nos saberem muito bem são muito pouco ecológicos... Sempre que possível prefira o duche rápido ao banho de imersão, que gasta o dobro da água. • As máquinas de lavar roupa, sem dúvida imprescindíveis, para além de muita energia, consomem água com fartura (aproximadamente 100 litros por lavagem). Convém enchê-las bem, e no caso de não haver roupa que chegue para uma carga completa escolher o programa de “meia carga”, que será suficiente. • O caudal de uma torneira normal ultrapassa os 10 litros minuto. Ou seja, deixar a torneira aberta enquanto se escova os dentes, se lava toda a loiça do jantar ou se faz a barba, equivale a gastar muitos, muitos litros de água. É só fazer as contas... • Um terço da água que se gasta em casa é proveniente das descargas do autoclismo: 10 litros de água são consumidos cada vez que o disparamos. Há quem ponha uma garrafa de litro e meio dentro do depósito, fazendo assim com que a sua capacidade diminua e o consumo de água seja reduzido para 8,5 litros por disparo. Outra solução poderá ser escolher um autoclismo de duplo depósito que usa a água de forma mais racional. • Antes de comprar electrodomésticos novos verifique os consumos de água e energia dos diferentes modelos: vale a pena investir em electrodomésticos ecológicos. Os modelos mais recentes de máquinas de lavar roupa e loiça, mesmo ainda gastando muita água, já gastam metade da água em relação aos modelos de há 15 anos. • Quando decidir lavar o carro, faça-o com a ajuda de uma esponja e de um balde. Evite passar horas com a mangueira a correr. • Regue o jardim durante a noite, a água será muito melhor aproveitada. E porque não recuperar a água da chuva para regar as plantas? • Se lavar a louça à mão, compensa-lhe juntar alguma quantidade antes de começar. E use o lava-loiça, gasta 3 a 4 vezes menos água do que se lavar cada peça individualmente debaixo da torneira. Sabia que... Para se obter 1 quilo de cimento são necessários 35 litros de água? Para se fazer 1 quilo de papel, 250 a 500 litros? E 1 quilo de arroz, até nos chegar às mãos, gasta 4500 litros? Cada português gasta em média 100 litros de água por dia, mas há diferenças grandes de região para região. Em Viseu, por exemplo, o consumo é de 40 litros hab/dia enquanto que em Faro a média diária sobe para os 500 Todos os direitos reservados / 2008 9 litros por habitante. Nas áreas metropolitanas os consumos são também muito elevados, correspondendo a metade do consumo total do país. A Gestão dos Recursos Hídricos Em Portugal, os recursos hídricos, per capita, são dos mais altos da Europa, mas a sua gestão enfrenta dificuldades. Por um lado, a desigual distribuição de água que se agrava com a concentração da população no litoral, por outro, o problema da dependência de Espanha, com as bacias do Tejo, Douro e Guadiana a terem o seu maior desenvolvimento em território espanhol. A gestão dos recursos hídricos é um problema encarado à escala nacional, mas que pode e deve começar em casa de cada cidadão. Sugerimos-lhe que ponha em prática as ideias para poupar água que damos neste capítulo. Poderá ser um bom começo. > CARTA EUROPEIA DA ÁGUA I. Não há vida sem água. A água é um bem precioso, indispensável a todas as actividades humanas. II. Os recursos de águas doces não são inesgotáveis. É indispensável preservá-los, administrá-los e, se possível, aumentá-los. III. Alterar a qualidade da água é prejudicar a vida do homem e dos outros seres vivos que dependem dela. IV. A qualidade da água deve ser mantida a níveis adaptados à utilização para que está prevista e deve, designadamente, satisfazer as exigências da saúde pública. V. Quando a água, depois de utilizada, volta ao meio natural, não deve comprometer as utilizações ulteriores que dela se farão, quer públicas, quer privadas. VI. A manutenção de uma cobertura vegetal adequada, de preferência florestal, é essencial para a conservação dos recursos de água. VII. Os recursos aquíferos devem ser inventariados. VIII. A boa gestão da água deve ser objecto de um plano promulgado pelas autoridades competentes. Todos os direitos reservados / 2008 10 IX. A salvaguarda da água implica um esforço crescente de investigação, de formação de especialistas e de informação pública. X. A água é um património comum, cujo valor deve ser reconhecido por todos. Cada um tem o dever de a economizar e de a utilizar com cuidado. XI. A gestão dos recursos de água deve inscrever-se no quadro da bacia natural, de preferência a ser inserida no das fronteiras administrativas e políticas. XII. A água não tem fronteiras. É o recurso comum que necessita de uma cooperação internacional. Nos anos 60, as preocupações com o nível de poluição das águas doces aumentaram consideravelmente. Concluía-se na altura que “os progressos da civilização moderna conduzem, em certos casos, a uma crescente degradação dos recursos naturais” e que “devem ser tomadas medidas no sentido de conservação da qualidade e quantidade dos nosso recursos aquíferos”. O Conselho da Europa proclama assim, em Maio de 1968, a “Carta Europeia da Água”, um documento que constituiria um meio de acção eficaz para se compreenderem melhor os problemas relacionados com a água e que apelava a uma acção colectiva à escala europeia. Passados mais de 20 anos, todos os princípios se mantêm actuais e igualmente importantes. Todos os direitos reservados / 2008 11