IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2180 UTILIZAÇÃO DE FUNGICIDAS NO TRATAMENTO DE SEMENTES DE MAMONA*1 Amanda Kelly Dias Bezerra1; Riselane de Alcântara Bruno¹; Cibele dos Santos Ferrari¹; Givanildo Zildo da Silva¹; Joel Martins Braga Júnior¹; Edna Ursulino Alves 1 1 Universidade Federal da Paraíba, Areia - PB; e-mail: [email protected] RESUMO – O tratamento com fungicidas constitui-se em uma medida segura e de baixo custo para o controle de fungos associados às sementes. Dessa forma, o trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a influência de diferentes doses e fungicidas na qualidade fisiológica e sanitária de sementes de Ricinus communis L. O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes CCA/UFPB, onde as sementes foram tratadas com três doses dos fungicidas Carbendazim (0, 200, 300 e 400ml/100 kg de sementes), Fludioxonil (0, 100, 150 e 200ml/100 kg de sementes) e Captan (0, 100, 150 e 330g/100 kg de sementes). A qualidade fisiológica das sementes foi determinada pela emergência, primeira contagem e IVE, enquanto a avaliação sanitária foi realizada a partir de teste do papel filtro. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 3 x 4, sendo utilizado o programa WINSTAT para análise estatística. Os tratamentos químicos proporcionaram redução na incidência de fungos Aspergillus spp., sendo mais acentuada quando utilizado tratamento com Captan. Quando avaliado o vigor das sementes, observa-se uma redução significativa para os parâmetros analisados, com exceção do fungicida Captan na dose 100g/Kg, o qual proporcionou maior porcentagem de emergência e IVE. Palavras - chave – Aspergillus spp.; vigor; viabilidade; Ricinus communis. INTRODUÇÃO O fruto da mamoneira (Ricinus communis L.) apresenta aproveitamento integral, obtendo-se como produto principal o óleo, estável sob variadas condições de pressão e temperatura, e como subproduto a torta, a qual pode ser utilizada como adubo orgânico (COSTA et al., 2004). Em sementes de mamona é comum a alta incidência de fungos, principalmente quando elas são colhidas com alto teor de água. Os fungos reduzem a qualidade das sementes devido ao aquecimento provocado pela respiração e do consumo ou alterações na constituição das reservas, as quais causam a descoloração da semente e a produção de micotoxinas, inibidoras de proteínas e de ácidos nucléicos (MACHADO, 2000). Segundo Morroni et al. (2007), a germinação pode ser 1 * Pesquisa financiada pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) com projeto intitulado de Multiplicação de sementes básicas de mamona em áreas zoneadas do nordeste. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185. IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2181 influenciada pelo tratamento químico e pela qualidade sanitária das sementes. Um dos procedimentos que pode ser realizado para evitar o prejuízo ocasionado por esses microrganismos seria o tratamento de sementes com fungicidas, que se constitui numa medida eficiente, pouco poluente e de baixo custo (MENTEN et al., 2005). Diante do exposto, o trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a influência de diferentes fungicidas e doses na qualidade fisiológica e sanitária de sementes de mamona. METODOLOGIA As sementes de mamona cultivar BRS Nordestina foram provindas do campo experimental da EMBRAPA/Algodão, Barbalha/CE e conduzidas ao Laboratório de Análise de Sementes do Departamento de Fitotecnia do CCA/UFPB, localizado em Areia/PB, para a execução do experimento. O teor de água inicial foi determinado de acordo com o método da estufa a 105 ± 3°C por 24h (BRASIL, 2009). As sementes de mamona foram tratadas com fungicidas compostos pelos seguintes ingredientes ativos: Carbendazim (200, 300 e 400ml do produto comercial por 100 kg de sementes, respectivamente doses 1, 2 e 3), Fludioxonil (doses de 100, 150 e 200ml do produto comercial por 100 kg de sementes, respectivamente doses 1, 2 e 3) e Captan (doses 100, 150 e 330g do produto comercial por 100 kg de sementes, respectivamente doses 1, 2 e 3). As sementes foram colocadas em sacos plásticos, acrescentados os fungicidas e homogeneizados manualmente, com exceção da testemunha, a qual não recebeu aplicação de produto químico. Após as sementes previamente tratadas, realizou-se a semeadura e a análise das seguintes variáveis: Emergência – utilizou-se 100 sementes, em 4 repetições de 25 sementes por tratamento, com a utilização de bandejas de polipropileno e o substrato areia, semeadas a 2cm de profundidade. A primeira contagem se deu ao sétimo dia após a semeadura e a contagem final no décimo quarto dia, onde foram analisadas as plântulas normais (BRASIL, 2009). Paralelamente ao teste de germinação, foram realizadas contagens diárias para a avaliação do Índice de Velocidade de Emergência (IVE), determinado de acordo com Maguire (1962); Sanidade das sementes - o teste de sanidade foi conduzido pelo método de incubação em papel de filtro sem congelamento (NEERGAARD, 1979) para verificação da incidência de Aspergillus spp., em dez repetições de dez sementes por tratamento. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial. Foi utilizado o programa estatístico WINSTAT ao nível de probabilidade de 5%. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185. IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2182 RESULTADOS E DISCUSSÃO O teor de água inicial das sementes apresentou média de 3,3%. Para a avaliação fisiológica, a Figura 1 apresenta os dados referentes à primeira contagem de emergência onde observa-se uma redução na porcentagem de plântulas normais com o aumento das doses dos fungicidas. Em relação à emergência (Figura 2), observa-se que os fungicidas Carbendazim e Fludioxonil provocaram redução na qualidade fisiológica com o aumento da dosagem, entretanto, as sementes tratadas com Captan não apresentaram esta redução tão acentuada na emergência, sendo que com a dose 1 (100g/Kg) houve um aumento para esta variável. Na figura 3, verifica-se que o IVE foi negativamente afetado pelos fungicidas Carbendazim e Fludioxonil, enquanto a dose 1 de Captan (100g/Kg) promoveu maior velocidade de emergência das plântulas. A Figura 3 demonstra que os tratamentos com fungicida afetaram significativamente a incidência de A. spp., ocorrendo uma redução na porcentagem de incidência deste fungo de cerca de 20% em média nas maiores doses de Carbendazim e Fludioxonil em relação à testemunha. Verificouse que o tratamento das sementes com Captan reduziu significativamente a incidência de A. spp. em níveis de até 40% em média, para a maior dosagem de fungicida utilizada. Sabendo-se que a incidência de patógenos pode deteriorar as sementes, chegando a provocar queda na emergência das plântulas (TANAKA e CORRÊA, 1981), espera-se que o tratamento com fungicidas proporcione melhor expressão da qualidade fisiológica das sementes. Neste estudo, os fungicidas Carbendazim e Fludioxonil foram efetivos no controle de A. spp., no entanto houve redução do vigor de plântulas, demonstrando algum efeito fitotóxico destes. A dose 1 de Captan apresentou uma tendência de aumento do vigor associado a menor incidência de fungos. CONCLUSÃO A dose 100g/kg do fungicida a base de Captan, obteve resultado superior para os parâmetros avaliados, em relação aos demais considerados neste estudo. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185. IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2183 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para análise de sementes. Brasília, p. 385, 2009. COSTA, H.M. et al. Effects from the castor oil on sílica-filled natural rubber compounds. Polímeros, v.14, p.46-50, 2004. MACHADO, J. C. Tratamento de sementes no controle de doenças. Lavras: LAPS/UFLA/FAEPE, 2000. 138 p. MENTEN, J. O. M.; LIMA, L. C. S. F.; FRARE, V. C.; RABALHO, A. A. Evolução dos produtos fitossanitários para tratamento de sementes no Brasil. In: ZAMBOLIM, L. Sementes: qualidade fitossanitária. Viçosa: UFV/DFP, 2005. p. 333-374. MARRONI, I. V. et al. Efeito dos tratamentos químico e biológico de sementes de mamona sobre a germinação, emergência e produção de massa seca. In: SIMPÓSIO ESTADUAL DE AGROENERGIA, 1., 2007, Pelotas. Anais... Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2007. 1 CD-ROM. NEERGAARD, P. Seed pathology. London: The Mac Millan Press, 1979. v. 2, 1191 p. POLETINE, J. P.; MACIEL, C. D. G.; TELLI, F. B.; ZANOTTO, M. D.; AMARAL, J. G. C. Avaliação de fungicidas para tratamento de sementes de mamona (Ricinus communis L.). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 2., 2006, Aracaju. Anais... Aracaju, 2006. 1 CD-ROM. TANAKA, M. A.; CORRÊA, M. U. Influência de Aspergillus e Penicillium no armazenamento de sementes de feijão (Phaseolus vulgaris L.). Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 6, n. 3, p. 451-456, 1981. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185. IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2184 Figura 1 – Primeira Contagem de sementes Ricinus communis em função da diferentes dosagens do fungicida 80 70 Emergência (%) 60 50 Carbendazim Fludioxonil 40 Captana y car= -2,25x² + 1,85x + 70,85 R² = 0,67 yflu = -1,25x² - 0,15x + 69,35 R² = 0,97 ycap = -1,5x² + 3,9x + 69,4 R² = 0,77 30 Polinômio (Carbendazim) Polinômio (Fludioxonil) 20 Polinômio (Captana) 10 0 0 1 2 3 Doses Figura 2 – Porcentagem de Emergência de sementes R. communis L. de plântulas normais de mamona cultivar BRS Nordestina CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185. IV Congresso Brasileiro de Mamona e I Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas, João Pessoa, PB – 2010 Página | 2185 3 2,5 Carbendazim 2 IVE Fludioxonil Captana 1,5 Polinômio (Carbendazim) ycar = -0,0375x² - 0,093x + 2,7195 R² = 0,86 y flu = -0,0206x² - 0,1419x + 2,6969 R² = 0,96 ycap = -0,0934x² + 0,1761x + 2,6862 R² = 0,98 1 0,5 Polinômio (Fludioxonil) Polinômio (Captana) 0 0 1 2 3 Doses Figura 3 – Índice de Velocidade de Emergência de plântulas de Ricinus communis L. 45 Incidência de Aspergillus spp (%) 40 35 30 Derosal 25 Maxim Captan 20 15 10 ycar = -0,65x + 4,15 5 0 0 1 2 R² = 0,95 yflu = -0,35x + 4,1 R² = 0,98 ycap = 0,85x² - 3,47x + 4,08 = 0,99 3 R² 4 Doses Figura 4 – Incidência de Aspergillus spp em sementes de Ricinus communis L. CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA, 4 & SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE OLEAGINOSAS ENERGÉTICAS, 1, 2010, João Pessoa. Inclusão Social e Energia: Anais... Campina grande: Embrapa Algodão, 2010. p. 2180-2185.