UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS CURSO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS WESLEY TIAGO SANTOS RIBEIRO DIAGNÓSTICO FÍSICO TERRITORIAL DO CONJUNTO SANTARÉM/ NATAL-RN Natal/RN 2013 1 WESLEY TIAGO SANTOS RIBEIRO DIAGNÓSTICO FÍSICO TERRITORIAL DO CONJUNTO SANTARÉM/ NATAL-RN Diagnóstico físico territorial do conjunto Santarém/ Natal-RN apresentado ao Departamento de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como trabalho de conclusão de curso para obtenção do Bacharelado em Gestão De Políticas Públicas. Orientador: Prof. Dr. Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva Natal/RN 2013 2 DIAGNÓSTICO FÍSICO TERRITORIAL DO CONJUNTO SANTARÉM/ NATAL-RN Trabalho de conclusão de curso apresentado ao corpo docente do curso superior do Bacharelado em Gestão de Políticas Públicas, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em cumprimento às exigências legais como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Gestão de Políticas Públicas. Aprovado em: _____/_____/_____ BANCA EXAMINADORA ________________________________________ Profº. Dr. Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva Universidade Federal do Rio Grande Do Norte _______________________________________ Profª. Glenda Dantas Ferreira Universidade Federal do Rio Grande do Norte Examinadora Interna 3 RESUMO Este trabalho objetiva realizar um diagnóstico físico territorial do conjunto Santarém localizado na Zona Norte de Natal que foi construído pela política de habitação do Brasil nos anos 1980. Através da descrição sócio histórica do Brasil e de Natal na época, objetivou-se descrever as falhas das políticas de habitação nacional e local que influenciaram a atual situação de abandono em que se encontra o espaço físico territorial do conjunto que ao longo do tempo vem sofrendo negligências por parte do poder público local no que tange a realização de conservação e melhoramentos destes espaços que moldam a realidade social do habitat na localidade, marcando assim um processo de exclusão habitacional que se arrasta há décadas. Com um “olhar” mais aproximado buscou-se apontar as falhas e as soluções destes espaços para aprimorar a qualidade de vida dos que lá habitam e trabalham através de uma nova dinâmica das políticas públicas de intervenção territorial com a participação dos moradores objetivando criar uma nova “pedagogia urbana” de intervenção territorial. Palavras Chave: Conjunto Habitacional – Santarém – Diagnóstico – Política Pública – Espaço Urbano ABSTRACT This paper aims to conduct a physical diagnosis territorial assembly Santarém located in the north of Natal which was built by housing policy in Brazil in the 1980s. By describing historical partner of Brazil and Christmas season, aimed to describe the failure of housing policies national and local influencing the current situation of abandonment that is the physical space of the territorial assembly that over time has suffered negligence on the part of local government regarding the implementation of conservation and improvement of these spaces that shape the social reality of the habitat in the locality, thus marking a process of housing exclusion that has dragged on for decades. With a "look" closest sought to point out the flaws of these spaces and solutions to improve the quality of life of those who live there and work through a new 4 dynamic of policy interventions territorial resident participation aimed at creating a new "urban pedagogy" territorial intervention. Keywords: Housing - Santarém - Diagnosis - Public Policy - Urban Space SUMÁRIO INTRODUÇÃO .........................................................................................01 CAPÍTULO I: A POLÍTCA HABITACIONAL NO BRASIL NOS ANOS 1970 e 1980................................................................................ 03 1.1 Órgãos e programas estratégicos que financiaram a política habitacional no Brasil e no RN..................................................... 06 1.2 A Criação do Bairro Potengi e do conjunto Santarém em Natal ..................................................................................... 08 CAPÍTULO II: A ORIGEM DO BAIRRO POTENGI .......................... 10 1.1 Aspectos populacionais do Potengi ......................................................17 1.2 Comparativo do contexto sócio econômico do Potengi com a Zona Norte e Natal .......................................................19 CAPÍTULO III: O SANTARÉM EM DIAGNÓTICO FÍSICO TERRITORIAL ..........................................................................................23 3.1 Configuração de infraestrutura dos espaços e prédios públicos do Santarém ..............................................................................23 3.2 Diagnosticando para reestruturação e melhorias .................................29 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................35 REFERÊNCIAS .....................................................................................................36 ANEXO .........................................................................................................38 5 LISTA DE SIGLAS BNH – Banco Nacional de Habitação CIAF – Centro Integrado de Atenção Familiar CIAN – Centro Integrado de Atenção ao Menor CICOM – Centro Integrado Comunitário CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil COHAB-RN- Companhia de Habitação do Rio Grande do Norte DIN – Distrito Industrial de Natal FICAN – Programa de Construção, Conclusão e Melhoria Habitacional de Interesse Social FINAN – Programa de Financiamento, Ampliação e Melhoria FINOR- Fundo de Investimento do Nordeste GEMAC – Gerência de Materiais e Construção IBGE – Instituto brasileiro de Geografia e Estatística INOOCOP – Institutos Nacionais de Orientação a Cooperativas PIB – Produto Interno Bruto PNCCPM – Programa Nacional de Capitais e Cidades de Porte Médio PND – Plano Nacional de Desenvolvimento PROFILURB – Programa de Financiamento de Lotes Urbanos PROMORAR – Programa de Erradicação de Favelas SEMOPI – Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas SEMURB – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo 6 SFH - Sistema Financeiro de Habitação SUDENE - Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste UERN – Universidade Estadual do Rio Grande Do Norte UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte LISTA DE TABELAS TABELA 1 - PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO URBANA E RURAL EM 1950 – 1980 ..........................................................................................................04 TABELA 2 - EVOLUÃO DA POPULAÇÃO DE NATAL ENTRE 1950-1980 ......................................................................................................05 TABELA 3 - LOTEAMENTOS QUE DERAM ORIGEM AO BAIRRO POTENGI ....................................................................................................................10 TABELA 4 - DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES EM NATAL E NO POTENGI 2000-2010 .........................................................................20 TABELA 5 - SITUAÇÃO DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO POTENGI -2010(%) ....................................................................................................21 TABELA 6 - SITUAÇÃO DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO EM NATAL 2010(%) ..........................................................................................................21 TABELA 7 - CONJUNTOS, UNIDADES HABITACIONAIS E POPULAÇÃO DO BAIRRO POTENGI-2010 .............................................................23 7 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – MAPA DO MUNICÍPIO DE NATAL ...........................................12 FIGURA 2 - MAPA DO BAIRRO POTENGI .....................................................13 FIGURA 3 - PLANTA DE LOCALIZAÇÃO DO CONJUNTO SANTARÉM NO BAIRRO POTENGI ........................................................................................14 FIGURA 4 - MAPA DE LOCALIZAÇÃO DOS CONJUNTOS HABITACIONAIS DE NATAL ...........................................................................15 FIGURA 5 - MAPA DOS CONJUNTOS HBITACIONAIS DE NATAL COM LOTEAMENTOS E RELOTEAMENTOS .................................................16 FIGURA 6 – MAPA DAS QUADRAS DE CONSTRUÇÃO DO SANTARÉM ..........................................................................................................17 FIGURA 7 - MAPA DAS PRAÇAS DA REGIÃO ADMINISTRTIVA NORTE ....................................................................................................................25 FIGURA 8 – MAPA DOS ESQUIPAMENTOS URBANOS DO CONJUNTO POTENGI .........................................................................................27 FIGURA 9 – MAPA DO SANEAMENTO BÁSICO DO BAIRRO POTENGI ...............................................................................................................2 8 FIGURA 10 – PRAÇA IGUARASSÚ ...................................................................29 FIGURA 11 – PRAÇA SUMARÉ .........................................................................29 FIGURA 12 - PRAÇA ITAITUBA ........................................................................30 8 Introdução Este trabalho realizou um diagnóstico físico territorial do conjunto Santarém, localizado no bairro do Potengi – Região Administrativa Norte de Natal - a partir do levantamento, descrição e análise dos espaços públicos do conjunto, considerando o contexto histórico em que o mesmo foi construído, isto é, das políticas de habitação dos governos Federal e estadual que atuaram à época da sua implantação (década de 1980); tal política habitacional tinha como objetivo atenuar a crise de déficit de moradia fruto de uma série de consequências das decisões políticas e econômicas que geraram uma série de transformações e impacto na vida de moradores do campo e que ocasionou por parte destes as migrações intensas para o meio urbano. A relevância de um trabalho como este, dá-se na necessidade de melhor identificar as deficiências das políticas públicas que criaram os conjuntos habitacionais de Natal e, neste caso particularmente o Santarém, que atuaram pelo imediatismo e com falta de uma visão estratégica de médio e longo prazo e num contexto de centralização e autoritarismo político em um contraste com o atual momento em que a Política Urbana brasileira passa marcada, por um lado, pela centralização das decisões do Executivo (por exemplo, Programa Minha Casa Minha Vida) e, por outro, pela abertura às decisões participativas (por exemplo, a 5ª Conferência das Cidades). Nesse sentido, nosso objetivo é contribuir para melhor identificação das precariedades urbanísticas do espaço público do conjunto Santarém, tendo como justificativa geral essa possibilidade de avaliar o espaço construído por uma política pública (no passado) e sua apropriação pelos moradores (no presente) e incentivar também a participação popular no processo de implantação da política urbana através dos fóruns de discussão ( por exemplo na Conferência das Cidades). Para tanto, lançamos mão da coleta de dados secundários com base em censos do IBGE, além da descrição da realidade econômica e social do Santarém, e comparouse sua situação com os demais conjuntos da Zona Norte e com o município de Natal. Como 1º objetivo buscou-se obter um quadro descritivo da atual realidade físico territorial do mesmo a partir de fotografias retiradas dos espaços e prédios públicos para 9 assim avaliar suas situações de conservação estadas físicas. Foi com um “olhar” mais aproximado que se procurou nesse diagnóstico observar dentro do conjunto seus espaços físico-territoriais mais precários que destoam dos objetivos e metas que foram delimitados na sua construção nos anos 1980 e qual devem ser cumpridos pelo município que visam proporcionar qualidade de vida aos cidadãos. Como 2º objetivo o trabalho irá descrever as falhas nas políticas públicas urbanas que ao longo das décadas foram mal implantadas mostrando suas consequências negativas para a atualidade e o seu 3º objetivo é identificar se as condições físicas dos espaços e prédios públicos do conjunto Santarém estão em consonância com as metas e diretrizes do Plano Diretor de Natal no que tange a boa conservação dos mesmos e seu aproveitamento por parte da população, bem como as suas condições ambientais e de segurança e salubridade que se exige para as devidas condições de sua utilização coletiva por parte dos moradores do conjunto. Servirá como um apontamento ao Gestor Público para que, olhando passado e presente da história do Potengi e do Santarém, possa tomar decisões levando em consideração as peculiaridades que ambos possuem e que possam alterar a percepção do planejamento urbano num espaço micro sem destoar do macro, pois, os novos modelos de intervenção urbana na cidade exigem novos meios de articulações que façam por onde respeitar a pluralidade de cada lugar sem fugir da estratégia global da cidade nem do seu aspecto metropolitano e regional. Este trabalho está dividido em três capítulos. No capítulo um se foi feita uma descrição do período histórico em que passava o Brasil nas décadas de 1970 e 1980 apontando seus problemas sociais e econômicos e de habitação. Fez-se, ainda, uma descrição dos programas habitacionais, órgãos de financiamento e demais projetos que viabilizaram a política de construção de conjuntos habitacionais no país como estratégia para enfrentar o déficit habitacional. No capítulo dois se descreve a origem do bairro Potengi que à época nascia como fruto dessas políticas, detalha-se sua atual situação econômica e social e realiza-se um comparativo entre a sua situação com outros bairros da Zona Norte e com o município de Natal confrontando-se cada realidade. Por fim, no capítulo três se realiza o diagnóstico físico territorial propriamente dito do conjunto com a visualização (a partir de fotografias), descrição e avaliação dos espaços e prédios 10 públicos apontando, logo em seguida, soluções que podem vir a ser tomadas no sentido de reverter a situação incólume desses espaços e prédios. Capítulo I: Apolítica habitacional no Brasil nos anos 1970 e 1980 Para empreendermos um diagnóstico físico-territorial do conjunto Santarém se faz necessário primeiro realizar uma descrição do contexto do período histórico de como ocorreu sua criação no início da década de 1980 e de como a situação econômica que o Brasil atravessava à época, uma vez que esta influenciou o planejamento estatal no que tange aos projetos de moradia popular que foram determinantes para “moldar” as bases de um processo evolutivo urbano, onde a construção de conjuntos habitacionais acabou virando a “válvula de escape” para o problema da falta de acesso a moradia no Brasil. Nos anos 1970 durante o Governo Militar a economia foi marcada por fortes mudanças fruto de um novo momento do planejamento da política nacional puncionado por um período de crescimento vigoroso do PIB (Produto Interno Bruto) que atingia taxas médias anuais de 11% e que ficou conhecido como “milagre econômico”. Nesta fase de desenvolvimento do país, o governo militar realizou com projetos estruturantes de modernização um aquecimento na economia nacional. Esse período ficou conhecido para as regiões mais atrasadas em relação ao sudeste do país através de dois planos nacionais o I e o II PND (Planos Nacionais de desenvolvimento), os quais injetavam investimentos nos setores energéticos, petroquímicos e na produção de bens de capital ( SILVA, 2003). A década também teve ações de aquecimento para a economia do meio rural com a criação de projetos específicos de modernização da infraestrutura agrícola e pela criação do FINOR (fundo de investimentos do nordeste) em 1974 que objetivava dar incentivos fiscais e apoio financeiro a empresas do já instaladas ou que viessem a se instalar no nordeste para assim atrair novos empregos (CAMPOS, 2008). Na década de 1980 o país atravessava uma crise econômica que ficou conhecida como “a década perdida” devido à estagnação econômica e seus altos índices de inflação, houve retração da produção industrial e baixo crescimento do PIB. As raízes dessa crise 11 era o endividamento externo do país, desajustando as políticas tomadas na década anterior. A taxa média de crescimento da indústria foi apenas 1,5% e os investimentos estatais caíram em 17,6% e o PIB cresceu a 3% e a taxa média de crescimento do PIB per capita era de 0,8% e se manteve praticamente inalterada e toda a década em U$ 2.200. Ocorreu também o aumento do déficit público devido à elevação das taxas internacionais de juros e também aumento da dívida interna (OLIVEIRA, 2005). O país também sofria as consequências do período desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961). No início do seu mandato em 1956 aproximadamente 60% da população brasileira vivia no campo e 30 milhões de pessoas no meio urbano. Com o seu plano de metas que tinha por objetivo fazer o país "crescer cinquenta anos em cinco”, Juscelino Kubitschek dá início a uma nova atividade estatal no setor de infraestrutura (rodovias, hidrelétricas e aeroportos) e incentiva a industrialização do país, substituindo importações e atraindo o capital estrangeiro. O impacto desse plano para a população do campo se faz notar no crescente êxodo rural da década de 1950 até o ano 1980 conforme a tabela abaixo (VELOSO, 2009): TABELA 1- BRASIL: PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO URBANA E RURAL EM %: 1950-1980 DÉCADA POPULAÇÃO URBANA POPULAÇÃO RURAL 1950 36 64 1960 55 45 1970 56 44 1980 68 32 Fonte: (Ribeiro; Scalon 2001 apud SILVA,2003) Nota: Reelaboração do autor Os dados da tabela acima evidenciam que essa queda da população rural de 64% referente à década de 1950 para 32% na década de 1980 (época da construção expressiva de conjuntos habitacionais) em relação aos 36% que moravam no meio urbano e passaram a ser 68% é fruto desse impacto do projeto desenvolvimentista que priorizou o meio urbano em detrimento do rural nos seus investimentos e acabou gerando um impacto negativo segregando a população de renda média e alta em áreas 12 mais nobres da cidade e relegando o trabalhador rural para a periferia dos grandes centros urbanos causando a inversão populacional campo-cidade. A intensificação desses investimentos e a criação e a diversificação de outros durante o governo militar no centro sul do país, só agravou essa situação de desigualdade no meio urbano relegando a população mais pobre ao subúrbio (SILVA, 2003). Em Natal pode-se perceber o impacto dessa reestruturação pelos dados da tabela abaixo que detalham em números populacionais como o êxodo rural afetou o crescimento populacional da cidade durante o período desenvolvimentista. TABELA 2- NATAL E A EVOLUÃO DA POPULAÇÃO- 1950-1980 ANO POPULACÃO VARIAÇÃO POPULACIONAL (%) 1950 103.215 88.2 1960 162.537 57.5 1970 264.379 62. 7 1980 416.898 57. 7 Fonte: Ferreira 1996, apud SILVA, 2003 p.98 e Censo IBGE (2000) Nota: Reelaboração do autor Percebe-se pela tabela acima a variação populacional da capital que ocorreu nesse período desenvolvimentista. Houve um salto de 103.215 habitantes em 1950 para 416.898 em 1980. Nem a criação da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) no governo de Juscelino Kubitschek em 1959 que tinha por objetivo planejar, articular e coordenar ações para o desenvolvimento do Nordeste foi capaz de conter esse êxodo rural. Dentre essas ações estava a de atrair empresas para geração de emprego e para isso ela instalou o DIN (Distrito Industrial de Natal) em 1970 cujo impacto foi a necessidade de mão de obra qualificada. 13 As empresas que aqui se instalaram não conseguiram absorver todos esses trabalhadores, pois, eles não estavam qualificados para esse novo ramo de trabalho fora do meio rural. Problema esse que se repetia em todo o Brasil com esses trabalhadores que chegavam ao Rio de Janeiro ou São Paulo nas mesmas situações como cita Silva: Esses trabalhadores acostumados à vida rural não se adaptavam a vida urbana e ao trabalho na cidade. Esta condição de desempregado gerou vários problemas, como: falta de moradia, de emprego, de serviços sociais que atendessem a esse contingente. (SILVA, 2005 p. 25). Essa situação de marginalização desses retirantes os obrigou a criar novos arranjos e estratégias de produção fundiária na periferia onde foram morar dando assim origem a favelas e loteamentos irregulares, verdadeiros loci de pobreza. 1.1 Órgãos e programas estratégicos que financiaram a política habitacional no Brasil e no RN Em 1964 o governo cria o SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e o BNH (Banco Nacional de Habitação) para dar uma reposta a rápida urbanização do Brasil. O Estado entre o fim dos anos 1970 e início dos anos 1980 construiu-se quase 50.000 mil unidades habitacionais em Natal e também ocorreram programas de lotes urbanizados, melhorias em áreas carentes, remoção de favelas, entre outros (SILVA, 2003 p. 12). No ano 1975 Natal fora incluída no PNCCPM (Programa Nacional de Capitais e Cidades de Porte Médio) do governo militar e a partir daí até 1985 o governo do estado implementou, através da COHAB-RN (Companhia de Habitação do Rio Grande do Norte), o POFILURB ( programa de financiamento de lotes urbanos) para a população de baixa renda que resultou na produção de 2.126 unidades de lotes urbanizados. A COHAB-RN respondia pela construção de residências para moradores que tinham renda entre 3 e 5 salários mínimos, pelo INOOCOP (institutos nacionais de orientação a cooperativas), que atendia famílias com renda entre 5 a 12 salários mínimos Essa política habitacional do BNH foi calcada na construção de uma clara divisão sócio espacial dentro da cidade estando presente a relação entre o mercado de terras e a 14 construção dos conjuntos habitacionais. A concentração de renda na população era expressiva com 72% das famílias recebendo até um salário mínimo, 10% da população de 3 a 5 salários, 7,4% da população entre 5 a 8 salários e apenas 8% da população acima de 8 salários (PETIT, 1990 apud SILVA, 2003 p. 81). No ano de 1978 foram criados o FINAN (Programa de financiamento, ampliação e melhoria) e o FICAM (Programa de financiamento de construção, conclusão e melhoria habitacional de interesse social) como novos instrumentos da política habitacional do governo do RN, tais programas proporcionaram melhorias em 1.500 moradias entre 78 e 84. Até 1984 pelo PROMORAR (Programa de Erradicação de Favelas) foram construídas 2.008 unidades habitacionais no RN, sendo quase a metade destas em Natal (900 unidades). Foi na gestão do então governador da época, Tarcísio Maia, que se deu a decisão de se construir a maioria dos conjuntos habitacionais para as famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos (SILVA, 2003. p. 84). O “sonho da casa própria” através da construção dos conjuntos foi vendido à população com uma retórica social de atenção à população de baixa renda que estava relegada às condições precárias de moradia, mas se pretendeu muito mais alcançar êxitos econômicos com o mercado de terras segregando assim a cidade dividindo-a entre os bairros ricos e os mais pobres. Segundo Medeiros: A ocupação da cidade, através da construção dos conjuntos habitacionais, é reflexo da interface do Estado e capital, em que o primeiro irá dar subsídios a atuação do segundo, com a construção do aparato necessário ao desenvolvimento capitalista da cidade (MEDEIROS, 2007 apud SILVA, 2003 P.). Isso resultou numa clara divisão social do espaço e concentração de serviços urbanos em alguns bairros da cidade (Zonas Sul e Leste) em detrimento de outros (Zonas Norte e Oeste). Com essa lógica calcou-se a disparidade que a Zona Note e Oeste teriam em relação a outras zonas da cidade se consolidando como espaço de pobreza em Natal com um “desenho” urbanístico disperso. Segundo Silva: A falta de uma legislação urbanística específica, que orientasse a instalação de tais conjuntos, foi determinante para o padrão disperso e fragmentado característico da disposição dessas 15 habitações na cidade, aliado a uma centralização das decisões em um regime autoritário. (SILVA 2003, p. 81). O que só se agravou ao longo das décadas, pois, sem a fiscalização do poder público e uma atuação no sentido de melhor estruturar a infraestrutura dessas localidades, a desordem do “desenho” local das mesmas expõe a desigualdade em que estão inseridas com fortes tendência a se agravar cada vez mais como lembra Lima: Os proprietários do solo urbano, ao seu interesse, controlam esse processo e, com a conveniência e a participação de órgãos estatais (BNH), determinam os rumos de crescimento urbano e a qualidade das condições de vida em Natal. (LIMA, 1989, p. 96). 1.2 A Criação do Bairro Potengi e do conjunto Santarém em Natal Em 1975 por meio do Decreto nº 1.713 de 2 de setembro, na gestão do prefeito Vauban Bezerra, nascia o Bairro Potengi que teve inicialmente 379 casas construídas. Seu toponômio é uma alusão ao rio mais famoso do RN. Ele possui atualmente os seguintes conjuntos: POTENGI, SOLEDADE I / II, PANORAMA I / II, PANATIS I / II / III, PROMORAR, SANTA CATARINA, SANTARÉM, MORADA - CNB I / II, APERN, PLANÍCIE DAS MANGUEIRAS. No fim da década de 80 o território de Natal foi divido em zonas administrativas através da Lei nº 3. 178/89 que foram: Norte, Sul, Leste e Oeste, reunido no total de 36 bairros sendo a maior a região administrativa norte, com uma área de aproximadamente 5770 hc que corresponde a 39,4% do território municipal e é, em termos quantitativos, o 3º maior colégio eleitoral do RN. Ela está localizada à margem esquerda do rio Potengi fazendo limite geográfico ao norte com município de Extremoz, ao sul com o município de São Gonçalo do Amarante, a leste com o rio Potengi e o oceano atlântico e a oeste com a estrada de Extremoz e a Rede Ferroviária Federal S.A. Essa região é o 3º maior colégio eleitoral do RN (MEDEIROS, 2007). 16 Os maiores conjuntos habitacionais foram edificados na Zona Norte, ao todo 57,1% dos conjuntos com mais de 1001 unidades e somente 9,1% dos conjuntos dessa zona possuem menos de 200 unidades habitacionais (MEDEIROS, 2007). A construção desses grandes conjuntos só foi possível devido a grande quantidade de glebas de terras disponíveis nessa zona em relação a outras zonas da cidade. A COHAB construiu 65% dos seus conjuntos lá na zona norte e o INOCOOP apenas 4,8%. Pela COHAB prevaleceu o modelo de conjunto de casas continuamente seriadas, na zona sul houve uma inovação por parte do INOCOOP com a construção de habitações semiverticalizadas em blocos de apartamentos (MEDEIROS, 2007). Natal hoje possui ao todo 60 conjuntos habitacionais com mais de 45 mil unidades residenciais o que equivale a 35% das moradias na cidade deixando a cidade na situação de ser a que possui, proporcionalmente no país, mais moradias de conjuntos habitacionais no seu território. Todo o crescimento urbano de Natal durante os anos 60 a 80 foi em maior medida devido à política habitacional do país através da construção desses conjuntos. De tal modo que em Natal como aponta Valença (2000): “conjunto habitacional é nome e ponto de referência em cada bairro” (VALENÇA, 2000 apud MEDEIROS, 2007). O conjunto Santarém foi construído em 1981 com 2.764 unidades habitacionais com área territorial de 139 hectares pela COHAB pra as famílias com rendimento de 3 a 5 salários mínimos (SILVA, 2003). Como outros conjuntos, o Santarém foi construído em área periférica em relação ao centro da cidade forçando o deslocamento dos moradores por vias fora da malha urbana, dificultando assim o deslocamento dos moradores de conjuntos habitacionais distantes do cento da cidade que segundo Andrade: “Penalizou, ainda, a população com os custos e o tempo gasto nos deslocamentos diários” (ANDRADE apud, 1987, CUNHA, 1991). Tanto a AV. Dr. João Medeiros Filho como a Avenida das Fronteiras são eixos viários importantes para o conjunto e para o bairro por serem responsáveis por grande parte escoamento do tráfego urbano de Natal, do bairro e da Zona Norte. 17 A primeira percorre longitudinalmente a zona norte criando um diferencial na paisagem intraurbana enobrecendo as suas áreas arredores e a segunda percorre todo o conjunto escoando o trafego urbano e demarcando a divisão limítrofe entre o conjunto e a periferia urbana do bairro. CAPÍTULO II – A Origem do Bairro Potengi O Potengi possuía loteamentos antes do seu decreto de criação. Tais espaços eram, em sua maioria, áreas rurais que, ao longo do tempo, foram se urbanizando conforme a cidade crescia e as políticas públicas de habitação iam sendo gradativamente implantadas Abaixo vemos a tabela descritiva com cada um desses loteamentos (SILVA, 2003). TABELA 03: LOTEAMENTOS QUE DERAM ORIGEM AO BAIRRO POTENGI Nome Bosque do Rio Santa Catarina Morada Panatis _ _ _ _ _ _ Lotamento Sítio Novo Mar Del Plata Sesquicentenário Total Proprietário SONMAR – Imóveis Ltda. Aldo Fernandes R. de Melo e Outros Construtora Norte Brasil Ltda. – CNB Construtora Norte Brasil Ltda. – CNB Gilberto Cavalcanti América Futebol clube José Inácio Neto Mar Del Plata Boanerges Januário Soares e Araújo _ Elza Ramos Bacurau Rio Norte João Francisco da Silva 13 Fonte: Anuário da SEMURB-2012 Abaixo seguem os mapas de localização geográfica do Potengi no município de Natal e sua localização na região administrativa Norte, ou simplesmente Zona Norte e dos limites territoriais do conjunto Santarém no Potengi. Pelos mapas observa-se que o Potengi (área em vermelho no 1º mapa) está geograficamente na região central da Zona Norte e é um bairro extenso assim como a maioria dos outros bairros dessa Região. No 18 segundo mapa a observação constata-se a dimensão dos conjuntos da COHAB no contexto espacial e social de Natal Figura 01: Mapa do município de Natal com o Potengi em destaque. Fonte: SEMURB-2009 – do livro “Natal: meu bairro minha cidade”. 19 Figura 02: Mapa do bairro Potengi Fonte: Anuário da SEMURB – 2010 20 Figura 03: Planta de localização do conjunto Santarém no bairro Potengi Fonte: Arquivo da SEMURB- 2013 21 Figura 04: Mapa da localização dos conjuntos habitacionais de Natal Fonte: Arquivo da SEMURB - 2009 22 Figura 05: Mapa dos conjuntos habitacionais do Potengi com loteamentos e reloteamentos Fonte: SILVA, 2003. Nota: Reelaboração do autor 23 Abaixo temos um quadro com a figura das quadras de construção do Santarém em 1983. Essas quadras não variavam muito no seu formato de conjunto a conjunto. Figura 06: Mapa das quadras da construção do Santarém Fonte: SILVA, 2003 com base na escala cartográfica da CAERN, 1998 Nota: Reelaboração do autor. 2. 1 Aspectos populacionais do Potengi Pelo censo do IBGE do ano de 2010 observamos que a configuração populacional do bairro Potengi deu um salto pouco significativo comparando-se seus números com outros bairros da Zona Norte. Ele saltou de 56.259 em 2000 para 57.848 habitantes em 2010, portanto uma variação de 1.248 habitantes apenas. Já o do bairro Nossa Senhora da Apresentação, da mesma zona, teve um salto populacional que variou de 56.522 para 79.759 habitantes, portanto um salto considerável de 23.237 sendo esse o bairro com maior crescimento populacional da Zona Norte e de Natal ao mesmo tempo. Já no bairro do Alecrim, na Zona Leste, constatou-se uma situação inversa, ele sofreu um decréscimo de 3.651 moradores saindo de 32.356 para 28.705 habitantes sendo este o bairro que mais sofreu decréscimo de habitantes em Natal segundo o mesmo censo. O crescimento do bairro Planalto na Zona Oeste também merece registro, ele saltou de 14.314 para 31.206 habitantes, um salto bastante considerável de 16.892 moradores também nesses mesmos dez anos, o que o faz ser o segundo bairro que mais cresceu em números populacionais de Natal. 24 Ainda segundo o censo a Zona Norte teve um salto de 244.743 para 303.543 habitantes. Foi a zona com maior crescimento populacional de Natal. A segunda zona que mais cresceu em população foi a Zona Oeste que saltou de 195.584 para 218.405 habitantes, e a zona onde mais se diminuiu o numero de habitantes foi a Leste cuja população caiu de 116.106 para 115.297 habitantes. Observa-se então que a variação do aumento populacional das Zonas Norte, Oeste e de Natal foi diretamente influenciado pelos bairros de Nossa Senhora da Apresentação e Planalto, revelando assim que é nestas localidades onde se encontra a tendência de crescimento populacional na cidade, em razão disso, o poder público terá que permanecer com uma necessária atenção para ambos e assim observar continuamente as consequências de tal dinâmica, seus riscos e possibilidades para intervir de forma a acompanhar tal crescimento e proporcionar aos seus moradores qualidade de vida em razão de lá habitarem. No quesito renda per capita o censo revelou que no Potengi a porcentagem de pessoas que ganham de meio salário mínimo até um salário é de 34,77% e de 1 a 2 salários mínimos é de 28,41% e de 5 a 10 salários está em 1,11%. É o maior rendimento médio salarial comparando-se com os demais rendimentos d todos os bairros da Zona Norte. O pior rendimento salarial na Zona Norte foi encontrado no bairro Salinas com 2,11% da população ganhando de 1 a 2 salários mínimos e 0,30% ganhando de 5 a 10 salários. Expondo assim a concentração de renda que se concentra no bairro Potengi em relação aos demais bairros dessa zona. Já em relação aos demais bairros de Natal o bairro de Petrópolis, na Zona Leste, é o que possui a maior renda per capita do município são 30,24% de sua população ganhando de 5 a 10 salários mínimos. Tal concentração de expõe o contraste de renda entre as zonas administrativas da cidade e a necessidade de uma política de promoção econômica para a Zona Norte com aproveitamento das potencialidades locais e possibilidades através de uma gestão municipal que construa uma agenda capaz de gerar impacto efetivo para reverter esse quadro de pobreza local. 25 2.2 Comparativo do contexto sócio econômico do Potengi com a Zona Norte e Natal No quesito educação o Potengi possui 93,26% de sua população de 5 anos ou mais de idade alfabetizada. É maior taxa de toda a Zona Norte, em contraste com o bairro Salinas, também da Zona Norte, que possui 75,09% de sua população de 5 anos ou mais alfabetizada. Em Natal o bairro que possui o maior número de pessoas alfabetizadas com 5 anos ou mais de idade é Petrópolis, na Zona Leste, com 98% ao todo e o que possui menor número de pessoas na mesma faixa de idade é o Guarapes, na Zona Oeste, com 72,21% da população alfabetizada. Na comparação por zona a Zona Oeste possui a menor taxa entre todas as zonas de Natal com 85,83% da população com 5 anos ou mais alfabetizada, em contraste com a Zona Sul que possui 96,24% da população alfabetizada nessa mesma faixa etária. Os números das menores taxas de alfabetização dos bairros ou zonas de pior situação educacional são consideravelmente satisfatórios, o que mostra um avanço real do alcance ao público alvo das políticas públicas de inclusão de educação básica ao longo do tempo e que confirmam a eficácia de sua permanência. Firmando-se a tendência, não demorarão muitas décadas para se alcançar os 100% de alfabetização dessa população mais distante dos altos níveis de educação das zonas de maior taxa educacional. Dados da SEMOPI (secretaria de municipal de infraestrutura e obras púbicas) do ano de 2010 mostram que em relação ao sistema de drenagem o bairro do Potengi tem o segundo maior percentual de toda a Zona Norte com 60% do sistema ficando atrás apenas do bairro Redinha com 62%. Ainda na Zona Norte os menos drenados são Lagoa Azul com 20% apenas e Salinas com apenas 2%, sendo este ao mesmo tempo o bairro menos drenado de Natal. Após o bairro Salinas, o menos drenado de toda a Natal é o Planalto com apenas 13% do sistema. Em relação ao Potengi os dados são preocupantes, pois, 40% do bairro ainda não possui um sistema de drenagem ficando assim a população sujeita a toda sorte de doenças transmissíveis pela ausência desse sistema. 26 No quesito pavimentação o Potengi está percentualmente empatado com o bairro de Igapó (Zona Norte) com 70% de pavimentação em cada bairro. Com relação ao total de bairros da cidade os mais drenados são: Santos Reis, Rocas, Ribeira e Cidade Alta, todos na Zona Leste com 100% de drenagem. Já os mais pavimentados são: Pitimbu (Zona Sul), Santos Reis, Ribeira, Cidade Alta, (todos da Zona Leste) e o bairro da Cidade da Esperança (Zona Oeste), todos possuindo 100% de pavimentação cada. O que demonstra que a concentração desses serviços públicos se deu em sua maioria nos bairros mais antigos da cidade onde no passado foram contemplados com projetos de intervenção estruturantes. Com relação ao número de domicílios na década observamos um crescimento de 0,28% no Potengi, foram 2.804 a mais no bairro e 57.857 domicílios a mais em Natal conforme detalhado na tabela abaixo. TABELA 04: DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES EM NATAL E NO POTENGI 20002010 Domicílios Particulares Permanentes - Natal Domicílios Particulares Permanentes - Potengi 2000 2010 2000 2010 177.665 235.522 13.505 16.309 Fonte: Anuário da SEMURB 2010 - Com base nos censo do IBGE 2010 No sistema de esgotamento sanitário o Potengi apresentou um número consideravelmente baixo de banheiro, sanitário ou fossa séptica nas moradias dos seus habitantes e um número relativamente alto de outro tipo de esgotamento sanitário. Verifica-se pela tabela abaixo a carência daquele bairro em relação a esses serviços básicos de esgotamento sanitário. Ainda é alto o percentual a atingir de habitantes sem esses serviços. Um projeto de saneamento é urgente para melhorar as condições sanitárias do Potengi. 27 TABELA 05: SITUAÇÃO DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO POTENGI -2010(%) Tem banheiro ou sanitário ou rede geral de esgoto ou pluvial Tem banheiro ou sanitário ou fossa séptica Tem banheiro, ou sanitário ou outro tipo de esgotamento. Não tem banheiro ou sanitário 2.29% 38,57% 59.01% 0.09%. Fonte: Anuário da SEMURB-2012 Constata-se pelos números da tabela a carência daquele bairro em relação a esses serviços básicos de esgotamento sanitário. Ainda é alto o percentual de habitantes sem esses serviços. Denotando que o poder público em ambos os casos se omitiu ao longo do tempo não realizando esses serviços mais básicos de forma ampla e satisfatória para a adequada estruturação de sua rede. Na próxima tabela temos mais números do esgotamento sanitário em relação a atual situação de Natal onde podemos realizar um comparativo com o Potengi e realizar uma breve análise da situação. TABELA 6: SITUAÇÃO DO ESGOTAMENTO SANITÁRIO EM NATAL 2010(%) Tem banheiro ou sanitário fossa séptica Tem banheiro ou sanitário ou outro tipo de esgotamento Não tem banheiro ou sanitário 31.01% 37.00% 0.23% Fonte: Anuário da SEMURB 2012 Chama a atenção na tabela o ainda baixo percentual dos que possuem em Natal banheiro, sanitário ou fossa séptica assim, como no Potengi, se fazendo urgente e inadiável um projeto municipal de saneamento urbano amplo que atenda toda a cidade. Natal ainda possui um baixo índice de saneamento, o que pode acarretar complicações sérias na saúde da população através de doenças transmitidas pela contaminação do lençol freático da cidade e da água usualmente dele consumida pelos seus moradores. A ausência de uma política de saneamento contínua levou a cidade a atual vulnerabilidade expondo todas as doenças comuns a esse tipo de ambiente. 28 Todas essas estatísticas, que revelam a situação de precariedade dessa carência social não só no Potengi, mas também em todos os demais conjuntos da Zona Norte em comparação aos conjuntos das demais zonas, prova o que aqui já foi dito a respeito da lógica que orientou a construção dos mesmos ao longo dos anos por parte do poder público para esta população. Em uma análise do histórico da expansão da cidade e sua periferização a partir da política de construção dos conjuntos habitacionais nos anos 1980, constata-se que a população da Zona Norte foi a principal prejudicada neste aspecto, pois, sua exclusão se deu devido a criação desses espaços diferenciados e antagônicos onde segregou-se a população de renda média e alta numa área da cidade e os trabalhadores que possuíam baixa renda na periferia . Essa política habitacional estabeleceu duas lógicas contraditórias, a do capital privado e seus interesses embutidos pelo financiamento do BHN para a construção dos conjuntos, e a dos moradores que era a de serem atendidos pelo poder público e adquirir seus imóveis. Esse conflito moldou o espaço de habitat construído para essa população marcando assim três tipos de construções: Uma orientada pelo estado, outra pelos próprios moradores que podiam arcar com a construção de sua própria habitação e outra pela população que foi excluída pelo BHN dando origem assim aos loteamentos irregulares (SILVA, 2005 p. 129). Outra constatação para a acentuação dessa periferização são os loteamentos irregulares que se tornaram ao longo do tempo locis mais pobres da periferia que contém hoje a Zona Norte e são fruto também da falta de fiscalização do poder público que, por isso, permitiu que ao longo da décadas moradores os “fragmentassem” dando espaço para construções privadas que causam ainda mais dificuldades ao poder público em atender essa população nos os serviços mais básicos como saneamento, calçamento e coleta de lixo. 29 CAPÍTULO III: O Santarém em diagnóstico físico-territorial 3.1 Configurações de infraestrutura dos espaços e prédios públicos do Santarém Dentro do projeto inicial da construção dos conjuntos habitacionais pelo poder público junto com a COHAB/RN os mesmos deveriam ter a seguinte estrutura e prédios públicos após finalizado e entregue a população: Escolas, posto de saúde, parada de ônibus, centro comercial, centro integrado comunitário(CICOM), áreas verdes, clube de mães, teatros, quadra de esportes, gerência de materiais de construção (GEMAC), unidade policial, centro integrado de atenção familiar(CIAF), centro integrado de atenção ao menor (CIAN), conselho comunitário, centro social urbano,templo religioso, agencias de coreios, jardins, teatro de arena, biblioteca, campo de futebol, cinema e praças (MEDERIOS, 2007 p. 108). Todos esses equipamentos coletivos e demais prédios públicos, constavam no projeto de implantação dos conjuntos habitacionais na Zona Norte. Na configuração do espaço urbano construído no bairro Potengi o conjunto Santarém possui uma localização privilegiada, ele inicia na margem esquerda da Av. Dr. João Medeiros Filho e é cortado pela Av. Itapetinga. A Av. Dr. João Medeiros Filho é detentora de inúmeros pontos comerciais dos mais variados ramos do comércio, seja varejista ou atacadista, além de ser um dos eixos viários mais importantes da malha urbana de Natal valorizando assim o conjunto no aspecto da mobilidade urbana. Abaixo temos a tabela com a descrição do número de conjuntos, de unidades habitacionais e de moradores do Potengi e também do Santarém nesse respectivo contexto segundo dados da SEMURB de 2009. 30 TABELA 07. CONJUNTOS, UNIDADES HABITACIONAIS E POPULAÇÃO DO BAIRRO POTENGI-2010. Conjunto Potengi Solidade I Solidade II Panorama I Panorama II Panatis I e III Panatis II(PROMORAR) Santa Catarina Unidade Habitacional 379 540 1945 260 80 1123 220 Santarém Morada – CNB I e II APERN Planície das Mangueiras Total Fonte: SEMURB - 2009. 2200 População 1076 2430 8753 1530 5053 990 9900 2759 144 48 12483 648 198 76 342 9774 44033 Pela tabela acima se verifica que o Santarém é o conjunto mais populoso do bairro Potengi, possui 12483 moradores num universo de 44033 o que significa 0,42% da população do total do bairro, enquanto que o Morada - CNB I e II e o Solidade I, por exemplo, só possuem um total de 648 e 2430 habitantes respectivamente, sendo este segundo um dos primeiros a serem construídos na Zona Norte, a sua construção data de 1978. É número bastante expressivo o de habitantes do Santarém, portanto, precisa de um “olhar” por parte o poder público diferenciado entre os demais daí a necessidade da melhoria dos espaços públicos de lazer e com a preservação do meio ambiente deve ser buscada urgentemente para o melhor aproveitamento da população desses espaços e sua total qualidade de vida em lá habitar. Em relação ao número de prédios e espaços públicos, o Santarém é possuidor de sete praças que se localizam em cada quarteirão do mesmo continuamente quadra a quadra e bem distribuídas. São elas: Iguarassú, Corumbá, Sumaré, Araruama, Muriaé, Caucaia e Praça do Sarney. Seus prédios públicos são: Complexo Cultural da Zona Norte, Biblioteca Pública, três unidades de saúde, sendo uma delas um CEMEI denominado Antonio Gurgel, Complexo Penal Dr. João Chaves, Presídio provisório Professor Raimundo Nonato, unidade de atendimento psiquiátrico da polícia, complexo cultural e 31 desportivo do Santarém, um campus da UERN em construção, centro educacional Alferes Tiradentes, escola estadual Dom Adelino Dantas, escola estadual 15 de outubro, posto policial da polícia militar, 12ª delegacia de polícia civil, academia da 3ª idade, duas quadras, dois campos de futebol, um terreno baldio e uma lagoa de captação. Todos são localizados em sua maioria paralelamente a Av. Itapetinga, ou em ruas de acesso próximo a esta o que dá uma maior valorização das residências que junto a estes se localizam em ambos os casos. Ao longo das décadas o poder público se omitiu na conservação e manutenção devida a esses prédios e espaços públicos o que fez com que a sua deterioração fosse acelerada ao longo do tempo e que a população fosse usufruindo com riscos a sua integridade física alguns desses espaços e intervindo de forma indevida em outros na sua infraestrutura para assim tentar conservá-los dessa deterioração, ou simplesmente para uso particular. Ao não concluir a construção de todos os prédios, itens e demais equipamentos que constavam no projeto inicial de implantação dos conjuntos e não realizar a manutenção regular dos mesmos já existentes, o poder público abriu espaço para essas intervenções irregulares. Depois de tantos anos constata-se hoje que suas praças e quadras de esportes não detêm de uma infraestrutura mínima de mobiliário urbano nos seus espaços físicos, nem iluminação adequada, nem de lazer e nem de rampas de acesso para cadeirantes. Há acumulo de lixo em algumas praças e esgoto a céu aberto em outras além de intervenções de moradores no espaço físico das mesmas com plantio de árvores e instalação de objetos não condizentes nem adequados a serem parte de seu mobiliário urbano tudo a fim de melhorar o espaço para o uso dos usuários, mas tudo sem a autorização do poder público o que compromete diretamente o aproveitamento desses espaços e a adequação correta para os seus devidos fins. Seus prédios públicos do mesmo modo também precisam de um melhoramento em sua infraestrutura. Há casos também de alguns desses espaços e prédios que se encontram em bom estado de conservação, mas estes infelizmente representam a minoria dos casos. As fotografias retiradas de cada espaço e prédios púbicos e que se encontram no anexo deste trabalho expõem a real situação atual desses espaços no Santarém, a precariedade de uns e a boa conservação de outros, bem como a total ausência da 32 atuação do poder público em cumprir seu papel de agente administrador dos mesmos junto à população. Algumas ruas também foram fotografadas sem calçamento e esgoto. Pelo mapa abaixo da SEMURB vemos a exata localização das praças do Santarém em toda a sua extensão territorial. De acordo com o mesmo o conjunto Santarém é privilegiado em números de praças, não só em relação ao bairro Potengi, mas em toda a Zona Norte. Observa-se a existência delas em toda a sua extensão territorial. Figura 07: Mapa das praças da Região Administrativa Norte Fonte: Anuário de Equipamentos Urbanos da SEMURB-2009 Nota: Reelaboração do autor Já nos demais bairro percebe-se pelo mesmo mapa o número reduzido de praças e a ausência total das mesmas nos loteamentos mais periféricos da Zona como nos bairros de Nossa Senhora da Apresentação e Lagoa Azul. Essa diferença se deve ao fato de que os conjuntos construídos pela COHAB tiveram uma infraestrutura diferenciada em relação às demais áreas urbanas que foram construídas sobre os loteamentos de forma 33 desordenada e irregular sem a devida atuação do poder público durante tal processo. Tal situação denota outra desigualdade presente na Zona Norte que não é apenas social, mas também urbana e de escassez de qualidade na sua infraestrutura de espaço urbano e que aponta para a necessidade de uma intervenção do poder público a fim de diminuir esse abismo melhorando seus equipamentos e espaços urbanos proporcionando assim uma melhora na qualidade de vida dos seus moradores. No mapa que se segue vemos o detalhamento nos demais bairros da Zona Norte dos prédios e itens públicos urbanos de uso coletivo. Percebe-se a carência da presença de alguns itens em alguns bairros e a sua maior presença em outros. Há uma carência maior dos mesmos em regiões mais periféricas e sua concentração nos conjuntos construídos pela COHAB. 34 Figura 08: Mapa de equipamentos urbanos do bairro Potengi Fonte: Anuário de equipamentos urbanos SEMURB-2009 35 Muitos prédios ou praças foram erguidos ou inaugurados muito após a inauguração dos conjuntos o que levou uns a serem beneficiados e outros não. Assim, quando necessitar do atendimento de alguns deles, muitos terão que se locomover a enormes distâncias de suas residências para serem atendidos. No quesito esgotamento sanitário no mapa abaixo se vê a quantidade de ligações de esgotamento sanitário bairro a bairro da Zona Norte. É visível a carência desse serviço nessa zona. Os melhores casos são os de Igapó e Salinas, mesmo assim ainda além do ideal. Uma carência que revela que tanto os conjuntos mais estruturados ou loteamentos estão todos muito abaixo do nível necessário para atender a população. Figura 09: Mapa do saneamento básico da Região Administrativa Norte Fonte: Anuário da SEMURB-2009. Nota: Reelaboração do autor Menos de 100 habitantes De 400 a 1000 habitantes De 1.000 a 3.000 habitantes 36 3.2 Diagnosticando para reestruturação e melhorias Após a observação e análise fotográficas desses espaços e prédios públicos para a realização deste diagnóstico físico territorial, observamos nos espaços fotografados a precária infraestrutura dos espaços públicos e total ausência de equipamentos urbanos nas praças e quadras do conjunto Santarém. É nestes espaços que ocorrem o caso mais grave da ausência de manutenção na sua infraestrutura com um quadro de completo abandono, como por exemplo, nos casos das praças Iguarassú e Sumaré onde, na primeira, o lixo se acumula por falta de coleta regular e na segunda por falta de mobiliário urbano o espaço interno da praça “invadido” e transformado em um campo de futebol improvisado pelos moradores que desviam assim o objetivo de uso coletivo da praça e do seu espaço público utilizando-o de uma forma privada. Figura 10: Praça Iguarassú com lixo e sem mobiliário urbano. Figura 11: Praça Sumaré sem mobiliário urbano e com campo de futebol improvisado Fonte: Do autor Fonte: Do autor As “invasões” e intervenções não se dão apenas para uso de lazer, também ocorreram intervenções inadequadas ao espaço interno das praças sem autorização da prefeitura. Alguns moradores, a fim de melhorar a infraestrutura das praças abandonadas pelo poder público, decidiram por conta própria equipá-la com mobiliários inadequados ao local, como é o caso das praças Araruama e Itaituba onde a população arborizou e equipou-as com pneus ao seu redor alterando assim as características do espaço interno das mesmas conforme fotografia abaixo. 37 Figura 12: Praça Itaituba sem mobiliário urbano e arborizada pelos moradores Fonte: Do autor Para se realizar um diagnóstico mais acurado se fez necessário primeiramente descrever os fins para os quais foram construídos cada prédio ou espaço público que variaram entre: fins recreativos, de lazer, educativo, de saúde, de segurança pública e mobilidade urbana. Esses fins não constaram como critério para avaliação com nota, mas apenas para delimitar o objetivo de cada prédio ou espaço público. Em seguida delimitamos três critérios qualitativos que variaram entre bom, regular e ruim que avaliaram as condições físicas de conservação, cada mobiliário urbano e também de iluminação (este último no caso das quadras esportivas e das praças) que podem ser observados em fotografias retiradas de cada um desses prédios ou espaços no anexo deste trabalho. E por último, a existência de segurança para o uso dos mesmos variando entre “sim” (quando existente) e “não” (quando inexistente). Através de um quadro de notas avaliou-se a situação geral de cada prédio ou espaço público com uma pontuação que variou de 1 (os piores casos) a 10 (os melhores casos) de acordo como se encontraram as suas condições físicas, as condições de seu mobiliário urbano e as de segurança. 38 Nome do Espaço ou Qualidade Tipo de Uso Prédio Púbico do Prédio Segurança ou Espaço Avaliação Final público Praça Iguarassú Lazer Ruim Não 3 Praça Corumbá Lazer Ruim Não 2 Praça Sumaré Lazer Ruim Sim 2 Praça Itaituba Lazer Regular Sim 5 Praça Araruama Lazer Boa Não 6 Praça do Sarney Lazer Boa Não 7 Praça Muriaé Lazer Boa Sim 5 Praça Caucaia Lazer Ruim Não 1 Quadra 1 Lazer Fraca Não 4 Quadra 2 Lazer Regular Não 1 Quadra 3 Lazer Regular Não 2 Lazer Regular Sim 4 Futebol 2 Lazer Regular Não 3 Lagoa de Saúde Captação Pública Médio Não 3 Terreno Mobilidade Baldio 1 urbana Ruim Não 1 Terreno Mobilidade Baldio 2 urbana Ruim Não 1 Lazer Boa Sim 10 Pública Educativo Boa Sim 8 Unidade de Saúde Saúde 1 Pública Boa Sim 7 Unidade de Saúde Saúde 2 Pública Boa Sim 6 Campo de Futebol 1 Campo de Complexo Cultural da Zona Norte Biblioteca 39 Saúde CMEI Pública Boa Sim 8 Penal Dr. João Segurança Ruim Sim 5 Chaves Pública Ruim Não 4 Boa Sim 6 Complexo Presídio Provisório Prof. Raimundo Segurança Nonato Pública Unidade de atendimento Saúde Psiquiátrico Pública policial Complexo 6 Cultural e Desportivo do Educativo Regular Não Educativo Boa Sim Santarém Escola Dom Adelino Dantas 10 Centro Educacional Alferes 9 Educativo Boa Sim 15 de Outubro Educativo Boa Sim 9 Prédio da Segurança Polícia Militar Pública Boa Sim 7 Prédio da 12ª Segurança DP Civil Pública Boa Sim 8 Idade Recreativo Boa Sim 10 Parada de Mobilidade ônibus urbana Ruim Não 1 Ruim Não 3 Tiradentes Escola Estadual Academia da 3ª Mobilidade Rua dos Lírios urbana Rua Mobilidade 40 Votuporanga urbana Ruim Não 1 Ruim Não 4 Ruim Não 1 Mobilidade Rua Guaraí urbana Mobilidade Rua Caarapó urbana Com esses critérios foi possível fazer um comparativo caso a caso de todos os prédios e espaços púbicos do conjunto, com exceção da sede avançada do campus da UERN ainda em construção, e extrair os problemas que surgiram ao longo do tempo e assim descrever as soluções e medidas a serem tomadas. No quadro abaixo temos o detalhamento de cada prédio ou espaço e sua situação. A análise desses dados a partir desses critérios leva a apontar soluções e melhorias para estes espaços e prédios públicos. De forma objetiva e sintética, caso a caso de todas as ações que precisam ser realizadas na ordem de citação de cada espaço ou prédio foi descrita no quadro de soluções abaixo. Quadro das soluções para os prédios e espaços públicos do conjunto Santarém Praças, quadras e campos de futebol e parada de ônibus Lagoa de captação e terrenos baldios Instalação e melhoria de mobiliário urbano, iluminação, gramado telas de proteção, arborização, reforma, coleta regular de lixo e tela de proteção. Tratamento de esgoto, coleta de lixo e arborização para melhor aproveitamento do meio ambiente no espaço urbano. Biblioteca e unidades de saúde Construção de rampas de acesso para cadeirantes, melhor iluminação e arborização dos espaços internos. Complexo Penal Dr. João Chaves e Tratamento de esgoto, reforma interna e externa dos mesmos com Presídio readequação dos espaços com rampa de acesso para cadeirantes, Provisório Profº. melhor iluminação externa e limpeza dos espaços internos para Raimundo retirada de entulho e lixo Nonato 41 Unidade Policial Psiquiátrica e Tratamento de esgoto, retirada de entulho e lixo, readequação das Complexo vias de acesso com rampa para cadeirantes, construção de Cultural e infraestrutura para proteção externa com muro para a fachada e Desportivo do melhor iluminação externa. Santarém Escolas Dom Adelino Dantas, Reestruturação e iluminação do campo de futebol, melhor iluminação 15 de Outubro e nas laterais internas e rampa de acesso para cadeirantes. Alferes Tiradentes Prédios da Polícia Militar e da 12ª DP Civil Melhor iluminação, estacionamento para viaturas policiais, e construção de rampas de acesso para cadeirantes. Ruas Votuporanga, dos Calçamento, tratamento de esgoto, iluminação e arborização. Lírios, Caarapó e Guaraí O Complexo Cultural da Zona Norte e a sede do campus avançando da UERN não foram incluídos no quadro de soluções visto que o primeiro está em ótimo estado de conservação e em uso pela população e o segundo ainda se encontra em fase de construção. 42 Quanto a mobilidade urbana do conjunto no que diz respeito a transporte público a população está bem atendida. São sete linhas de ônibus: 73,78A-47, 60, 15-16, 17-78, 84 e 03. Segundo o presidente do complexo cultual e esportivo do Santarém, o senhor Lusvaldo Bandeira e Melo, os moradores desejam uma linha que siga da Av. Itapetinga até os bairros da Ribeira e Petrópolis, finalizando em Ponta Negra e cruzando a ponte Newton Navarro. Não há reclamações em relação ao atraso ou qualidade dos transportes. Neste quesito o Santarém é privilegiado e não possui transtornos maiores a serem resolvidos. Considerações finais A partir deste diagnóstico objetivou-se contribuir para a realização de melhorias no conjunto Santarém no aspecto físico territorial para a melhoria de seu espaço construído e a qualidade de vida dos seus moradores. A qualidade de vida ao habitar é um direito e a exclusão da população a esse direito ficou evidenciado neste trabalho que foi fruto do equívoco das decisões políticas do passado que fizeram das políticas públicas urbanas, não um instrumento de transformação social de fato, mas sim, de resposta ao imediatismo político em que se vivia à época desprezando seus malefícios em longo prazo relegando a população a atual exclusão e abandono. O território como parte do habitar precisa estar na pauta da gestão das políticas públicas como um meio não apenas de inovação, mas de reconquista do direito à moradia tão negligenciada pelo poder público de forma contínua e não apenas pontual. Durante esse trabalho foi exposta toda a realidade de deterioração em que se encontram esses prédios e espaços públicos do Santarém que continuamente tem suas necessidades de manutenção sendo negligenciadas. A conclusão a que se chegou é que a situação é péssima e não há em médio prazo uma perspectiva de melhora dessa realidade. Conseguiu-se pelo confronto de sua realidade sócio econômica com outros bairros de Natal, descrever a gravidade da situação e da distância do que preconiza as atuais políticas urbanas do Estatuto da Cidade e do Plano Diretor de Natal. A realidade descrita dá para encaminhamentos futuros aos Gestores 43 Públicos os indicativos do caminho a percorrer na realidade do Potengi e do Santarém. Buscou-se aqui apenas examinar para depois apontar qual o caminho a seguir para uma nova política de intervenção urbana no município de Natal. Não obstante a dificuldade de obtenção de dados mais apurados e detalhados da realidade do conjunto para mais apontamentos e encaminhamentos ficou claro que há a necessidade de uma pedagogia urbana que seja capaz de envolver a população nessa reconquista para que a mesma possa não apenas ser sujeito de tais políticas, mas agente de cooperação como o poder público através de espaços públicos de participação e construção dessa agenda para que a cidadania seja exercida desde a questão do habitar até as questões mais complexas da vida urbana moderna tão cheia de fragmentação de atores e interesses particulares e diversos. Uma intervenção participativa é o mote que construirá o caminho para essas conquistas por tanto tempo adiadas. 44 REFERÊNCIAS CAMPOS, H. S. O. O Finor e o Desenvolvimento do Nordeste - processos de distribuição e de concentração de renda. Prisma Jurídico, São Paulo, v.7, n 1, p 35-37, jan./jun. 2008. 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Natal: Cooperativa Cultural, 1998. 46 ANEXO Figura 01: Praça Iguarassú Fonte: Do autor Figura 03: Praça Iguarassú Fonte: Do autor Figura 02: Praça Araruama Fonte: Do autor Figura 04: Praça Corumbá Fonte: Do autor 47 Figura 05: Praça Corumbá Fonte: Do autor Figura 07: Quadra Fonte: Do autor Figura 06: Praça Caucaia Fonte: Do autor Figura 08: Quadra Fonte: Do autor 48 Figura 09: Praça José Sarney Fonte: Do autor Figura 11: Praça Muriaé Fonte: Do autor Figura 10: Praça Muriaé Fonte: Do autor Figura12: Praça Muriaé Fonte: Do autor 49 Figura 13: Praça Muriaé à noite Fonte: Do autor Figura 14: Rua dos Lírios com rua Votuporanga sem calçamento Fonte: Do autor Figura 15: Rua Votuporanga sem calçamento Fonte: Do autor Figura 16 : Rua Guaraí com Av. das Fonte: Do autor 50 Figura 17: Rua Caarapó com a Av. da Fronteiras Figura 18: Canteiro da Av. das Fronteiras Fonte: Do autor Fonte: Do autor Figura 19: Quadra Fonte: Do autor Figura 20: Canteiro da Av. das Fronteiras Fonte: Do autor 51 Figura 21: Quadra Fonte: Do autor Figura 22: Campo de futebol Fonte: Do autor Figura 23: Campo de futebol Fonte: Do autor Figura 24: Lagoa de captação Fonte: Do autor 52 Figura 25: Esgoto na lagoa de captação Fonte: Do autor Figura 26: Terreno baldio sem uso Fonte: Do autor Figura 27: Terreno baldio Fonte: Do autor Figura 28: Terreno baldio Fonte: Do autor 53 Figura 29: Terreno Baldio na Av. das Fronteiras Fonte: Do autor Figura 31: Complexo cultural da Zona Norte Fonte: Do autor Figura 30: Biblioteca pública em bom Fonte: Do autor Figura 32: Área de lazer do complexo Fonte: Do autor 54 Figura 33: Parte interna do complexo cultural Fonte: Do autor Figura 34: Campus da UERN em construção Fonte: Do autor Figura 34: Unidade de saúde Fonte: Do autor Figura 36: Acesso para cadeirantes na unidade de saúde Fonte: Do autor 55 Figura 37: Complexo penal Dr. João Chaves Fonte: Do autor Figura 39: Complexo penitenciário Profº. Raimndo Nonato Fonte: Do autor Figura 38: Complexo Profº. Raimundo Nonato Fonte: Do autor Figura 40: Unidade de atendiomento psiquiátrico da polícia Fonte: Do autor 56 Figura 41: Fachada da hospital psiquiátirico da polícia. Fonte: Do autor Figura 42: Grade de ferro como “muro” do complexo cutural e desportvio. Fonte: Do autor Figura 43: Fachada da escola 15 de Outubro Fonte : Do autor Figura 44: Prédio da Polícia Militar Fonte: Do autor 57 Figura 45: Academia da 3ª idade na Av. Itapetinga Figura 46: Parada de ônibus na Av. Fonte: Do autor Itapetinga Fonte: Do autor Figura 47: Prédio da 12ª Delgacia de Polícia Fonte: Do autor Figura 48:Prédio da 12ª Del de Polícia Civíl Fonte: Do autor 58 Figura 49: Fachada da escola Tiradentes Fonte: Do autor Figura 51: Escola 15 de outubro Fonte: Do autor Figura 53: Fachada do CEMEI Antonio Gurgel Fonte: Do autor Figura 50: Unidade de Saúde Fonte: Do autor Figura 52: Campo de futebol na escola 15 de outubro Fonte: Do autor Figura 54: Praça Itaituba Fonte: Do autor 59 60 61 62 63