ANALISE COMPARATIVA DA AGILIDADE EM PRATICANTES DE BASQUETEBOL SOBRE RODAS Greidson Caetano de Aquino Graduado em Educação Física pelo Unileste-MG [email protected] Thiago Eugênio Fortes Graduado em Educação Física pelo Unileste – MG [email protected] Ricardo José Rabelo Mestre em Educação Física pela UCB Universidade Católica de Brasília Docente do Curso de Educação Física do Unileste MG [email protected] RESUMO O presente estudo teve como objetivo comparar a agilidade em praticantes de basquetebol sobre rodas de uma equipe da 1º divisão do campeonato brasileiro com uma equipe do campeonato mineiro. A amostra foi composta por 22 (vinte e dois) atletas do sexo masculino, divididos em 02 grupos: G1: composto por 11 atletas de uma equipe da 1º divisão do campeonato brasileiro e o G2, composto por 11 atletas de uma equipe do campeonato mineiro. O instrumento utilizado foi o teste de agilidade, Zigue Zague Texas Fitness adaptados por Belasco Junior e Silva (1998) citados Gorgatti e Bohme (2003). A análise estatística baseou-se na estatística descritiva (média e desvio padrão) e a estatística inferencial (teste t de Student) com nível de significância de p ≥ 0,05. Os resultados encontrados demonstram que a equipe de basquetebol sobre rodas da 1º divisão (G2) obteve resultados significativamente superior no teste de agilidade em todas as classes funcionais (p≤0,05) quando comparado com a equipe que disputa o campeonato mineiro. Palavras – Chave: Basquetebol sobre rodas. Agilidade. ABSTRACT This study had the objective to compare the basketball athletes’ agility in wheel chair of a Brazilian championship’s first-division team of the state of Minas Gerais championship’s team. The study’s sample was composed by 22 (twenty two) athletes of the male gender, divided in 2 (two) groups: G1: composed by 11 of the state of Minas Gerais championship team’s athletes’ e G2: composed by 11 first-division team’s athletes of Brazilian championship. The utilized instrument was the agility test zigzag of Texas Fitness adapted by Belasco Junior and Silva (1998) mentioned by Gorgatti and Bohme (2003). The information was noted through descriptive statistics after was applied the test “t” 1 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. of Student to independence samples for know if the difference was significant. As result noticed that the first-division basketball team in wheel chairs had supercilious agility in every class when compared with the ones of the state of Minas Gerais championship team. At the end of research can be concluded the Brazilian championship’s first-division team’s athletes had a general supercilious agility when compared of the state of Minas Gerais championship team’s athletes in a importance de 3,2 %. Key-Words: Basketball in wheel chairs. Agility INTRODUÇÃO A prática esportiva para pessoas portadoras de deficiência é realizada desde a Grécia antiga, mas as raízes do esporte para deficientes físicos podem ser traçadas através da história do basquetebol sobre rodas. As primeiras manifestações esportivas ocorreram efetivamente após a segunda guerra mundial na Inglaterra, na década de 40 (FREITAS, 1997 e PEREIRA, 2002). O basquetebol sobre rodas surgiu em 1946 ao mesmo tempo nos EUA com Dr. Lipton e na Inglaterra com o médico neurologista L. Guttmam, no famoso hospital de Stoke Mondeville, com o objetivo de reabilitação de lesados medulares, amputados, lesionados cerebrais, sendo que com o passar do tempo a prática esportiva também vem sendo usada como um meio para a integração social. No Brasil o basquetebol sobre rodas surgiu através de 02 atletas que foram reabilitar-se nos Estados Unidos: Robson Sampaio que depois fundou o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro e Sergio Del Grande que fundou o Clube dos Paraplégicos, em São Paulo (FREITAS, 1997; BARIAM; BIM, 2004). A prática esportiva do basquetebol sobre rodas traz ao deficiente benefícios físicos como fortalecimento da musculatura geral e localizada, melhora orgânico – funcional, melhora das capacidades funcionais e entre benefícios psicológicos melhora da auto imagem, do estimulo a independência e autonomia, entre os benefícios sociais a integração social, o convívio com outras pessoas deficientes ou não e o acesso ao esporte como lazer ou reabilitação proporcionando uma melhora no bem estar de um modo geral e por ultimo os benefícios fisiológicos com a elevação de níveis de alguns hormônios que ativados inibem a tendência depressiva que acomete a maioria dos deficientes, assim prevenindo deficiências secundarias (CAMARGO NETTO, 1996; SOUZA,1994; ZUCHETO e CASTRO, 2002) O basquetebol sobre rodas não é um simples jogo sobre rodas, pois ainda é necessária a melhora da habilidade para a coordenação dos movimentos do jogo, manejo da cadeira de rodas, ritmo e de algumas qualidades físicas como velocidade, flexibilidade, força muscular, potência, resistência muscular local e geral, equilíbrio e a agilidade. A agilidade não é um componente importante só no basquetebol sobre rodas, mas em todos os desportos em cadeira de rodas bem como na vida de um modo geral (GORGATTI; BOHME, 2003). Por se tratar de uma modalidade coletiva o basquetebol sobre rodas possui vários elementos importantes para um bom andamento do jogo, sendo a agilidade um desses componentes. Esta, quando bem desenvolvida, possibilita aos praticantes um melhor manejo da cadeira de rodas através de uma 2 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. sucessão de esforços internos breves, mudanças rápidas de direção, envolvendo a circunstância do jogo, ocasionando assim um maior dinamismo na partida e maior eficiência na jogada. (FREITAS, 1997; CAMARGO NETTO, 1996; BARIAM e BIM, 2004). Sua manifestação resulta em uma harmoniosa combinação de diferentes qualidades, destacando além da coordenação, a velocidade, o equilíbrio, a resistência, a força e a flexibilidade (GORLA, ARAÚJO e CARMINATO, 2005). A agilidade quando bem desenvolvida traz benefícios para a saúde do deficiente, e precisa ser testada, pois pode servir de parâmetro para prescrição de exercícios, e elaboração de programas de treinamento tendo como objetivo a performance, a saúde do deficiente e a evolução do esporte. Em linhas gerais, o aprimoramento da agilidade dá ao basquetebol sobre rodas a oportunidade de ser mais dinâmico, com melhor qualidade das jogadas transformando um simples jogo em um grande espetáculo. Neste sentido o presente estudo teve como objetivo comparar a agilidade em praticantes de basquetebol sobre rodas de uma equipe da 1º divisão do campeonato brasileiro e de uma equipe do campeonato mineiro. METODOLOGIA A amostra foi composta por 22 (vinte e dois) atletas do sexo masculino todos praticantes de basquetebol sobre rodas, divididos em 2 grupos, o G1: composto por 11 atletas de uma equipe participante do campeonato mineiro e o G2: Composto por uma equipe da 1º divisão do campeonato brasileiro. Para a coleta de dados foi utilizados 5 cones de PVC e um cronômetro com precisão de décimos de segundos e para medir a variável foi utilizado o teste de agilidade adaptado para cadeirantes com o nome de Zigue-Zague Texas Fitness adaptados por Belasco Junior e Silva (1998) citado por Gorgatti e Bohme (2003). A pesquisa teve como procedimentos, a solicitação de uma autorização por escrito aos responsáveis pelas agremiações. Em seguida foi apresentado aos atletas voluntários um termo de consentimento livre e esclarecido que entre outros aspectos informava sobre a pesquisa, os procedimentos adotados nos testes, os possíveis riscos e desconfortos bem como também assegurava o anonimato. Como critério de inclusão adotou-se que serio que os voluntários estivessem inscritos e aptos a jogar por suas equipes. Para a realização do teste de agilidade foi utilizado a cadeira de rodas que o voluntário utiliza em seus treinamentos e jogos visto que as cadeiras são ajustadas individualmente em função do nível da lesão. Para caracterização da amostra os atletas foram separados pela classificação funcional formalizada pela CBBC (s.d). Os dados coletados foram tabulados e analisados através da estatística descritiva, média e desvio padrão e para comparação dos resultados foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes (nível de significância de 5%). 3 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados da pesquisa estão apresentados em forma de tabelas com uma discussão bem objetiva para um melhor entendimento. Tabela 01: Caracterização da Amostra quanto à classificação funcional Classe 1,0/1,5 2,0/2,5 3,0/3,5 4,0/4,5 Total Campeonato Porcentagem Campeonato Mineiro (G1) (%) Brasileiro (G2) 05 45,4 % 03 04 36,3 % 06 0 0% 0 02 18,1 % 2 11 100 % 11 Porcentagem (%) 27,2 % 54,5 % 0% 18,1 % 100 % Como pode-se notar na tabela 1 a amostra foi divida em classes sendo que 45,4% dos atletas da equipe G1 localizados na classe 1 e 1,5 já da equipe G2, 27,2% estão nesta categoria, na classe 2 e 2,5 36,3% dos atletas da equipe G1 e 54,5% da equipe G2, onde o restante de cada instituição se encontra na classe 4 e 4,5 18,1% da equipe G1 e da equipe G2, notando-se que cada instituição no teste não obteve atletas na classe 3 e 3,5. Esta divisão segundo Freitas (1997) citado por Portes (2006) é feita através da classificação funcional, criada para que seja um fator de nivelamento entre os aspectos de capacidade física e competitiva, enfatizando o potencial funcional do atleta e não do nível técnico, colocando as deficiências semelhantes em um grupo determinado, objetivando igualar a competição entre indivíduos com varias seqüelas de deficiência, tornando a competição mais justa. Tabela 02: Média, desvio padrão, valores mínimo e máximo de tempo (s) das instituições nas classificações funcionais Instituição Equipe Campeonato Mineiro (G1) Equipe Campeonato Brasileiro (G2) Classificação N Funcional 1,0/1,5 05 2,0/2,5 04 4,0/4,5 02 1,0/1,5 2,0/2,5 4,0/4,5 03 06 02 Média 20,41 21,10 19,03 Desvio Padrão 1,60 1,24 0,53 20,69 17,64 16,03 4,16 1,61 2,00 Mínimo Máximo (S) (S) 18,31 22,31 19,94 22,87 18,66 19,41 18,09 15,45 14,61 25,50 20,00 17,45 Podemos observar na tabela 2 a média dos resultados das equipes divididos em grupos pelas classes funcionais, enfatizando o valor mínimo e máximo, além dos desvios padrão do teste sendo estes divididos nos grupos pela classificação funcional, notando-se ainda que a equipe G2 possui agilidade matematicamente melhor do que a equipe G1, mesmo tendo nos dois extremos o maior tempo do teste que foi 25,50 seg e o menor tempo 14,61 seg, 4 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. o que demonstra um maior equilíbrio entre os componentes da equipe em termos de funcionalidade. Tabela 03: Comparação da media dos dois grupos (teste t). Instituição N Média Campeonato Mineiro (G1) Campeonato Brasileiro (G2) * p< 0,05 11 20,41 Desvio Padrão 1,44 11 18,18 2,85 p-value 0,032* Verifica-se na tabela 3 a comparação entre os grupos no qual se percebe que a equipe G2 teve melhor desempenho quando comparado com a equipe G1 num nível de significância de 3,2%. Segundo Courbariaux (1996) e a Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (s.d), os atletas com classificação funcional mais baixa na maioria das vezes possuem resultados inferiores aos atletas de classificação funcional mais alta, pois estes não conseguem executar rotação ativa do tronco, podendo comprometer o equilíbrio do tronco e membros superiores, pois possuem lesões medulares altas e poliomielite também muito severas, já os atletas de classificação funcional mais alta apresentam estes resultados porque suas lesões são baixas e estes atletas são geralmente amputados de membro inferior ou tiveram poliomielite com seqüela pequena, não comprometendo rotações em todos os planos e o equilíbrio e forças no tocar a cadeira. Sendo assim os com lesões mais baixas apresentam resultados superiores em relação aos atletas de classes mais altas, notando-se que a equipe G2 possui menor número de atletas com lesões mais altas do que a equipe G1. Os dados coletados mostram que 45,4% dos atletas da equipe G1 encontram-se na classe 1/1,5 enquanto que apenas 27,2% dos atleta da equipe G2 estão nesta categoria e que a equipe G2 possui mais atletas nas classes intermediárias e altas. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Com os resultados desta pesquisa pode-se concluir que a equipe de basquetebol sobre rodas G2 participante da 1º divisão do campeonato brasileiro tem uma media de tempo no teste de agilidade significativamente inferior quando comparados com a equipe G1 que disputa apenas o campeonato mineiro. Esta diferença pode ser creditada ao tempo de prática da modalidade, ao equipamento, cadeira de rodas, ao nível de classificação funcional, à quantidade de treinamento durante a semana, e também a forma de treinamento. Porém, o fato mais relevante é o que diz respeito ao número de indivíduos que compõe cada classe nas equipes pesquisadas. Recomendam-se novas pesquisas com amostras mais significativas e com um aprofundamento maior cercando as variáveis físicas, motoras e 5 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. antropométricas, força, flexibilidade, equilíbrio, potência, qualidades estas que afetam diretamente a agilidade. Para os treinadores, recomenda-se que em suas agremiações sejam mescladas de atletas de classes altas e baixas e que as pessoas que forem lidar com deficientes procurem se aprofundar bastante na área. REFERÊNCIAS BARIAN, Sabrina Helena Souza e BIM, Ricardo Henrique. Aspectos Motivacionais e Benefícios da Prática do Basquetebol Sobre Rodas. Maringá: s.n., 2004. CAMARGO NETTO, Francisco. Desporto Adaptado a Portadores d Deficiência: Basquete Porto Alegre: s.n.,1996. CBBC, Classificação Funcional. S.d, disponível em internet: http://www.cbbc.org.br Acesso em 28 out.2006. COUBARIAX, B. The Classification System for Wheelchair Basketball Players. IWBF, 1996, disponível em internet: www.basquetesobrerodas.com.br. Acesso em 29 out.2006 FREITAS, Patrícia Silvestre de. Iniciação Ao Basquetebol Sobre Rodas. Uberlândia: Breda, 1997. FREITAS, Patrícia Silvestre e CIDADE, Ruth Eugenia Amarante . Noções Sobre Educação Física e Esporte para Pessoas Portadoras de Deficiência: Uma Abordagem para professores de 1º e 2º Graus. Uberlândia: Breda, 1997. GORGATTI, Márcia Greguol e BOHME, Maria Tereza Silveira. Autenticidade Cientifica de um Teste de Agilidade para Indivíduos em Cadeira de Rodas. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo. 2003. GORLA, José Irineu, ARAUJO, Paulo Ferreira e CARMINATO, Ricardo Alexandre. Análise das variáveis motoras em atletas de basquetebol em cadeiras de rodas. Revista Digital EFDeportes. 2005, disponível em internet http://www.efdeportes.com. Acesso em 15 jul.2006. PEREIRA, Izabela. A importância do basquetebol em cadeira de rodas nos aspectos físicos e sociais para os portadores de deficiência física. 2002, disponível em internet: http://www.cdof.com.br/deficientes. Acesso em 7 set 2006. PORTES, Andreza Henriques Hosken. Analise comparativa da agilidade de atletas praticantes de basquete em cadeira de rodas em relação a classificação funcional.1º ed. [S.I]: Pioneira,2006. SOUZA,Pedro Américo de.O Esporte na Paraplegia e Tetraplegia.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1994. 6 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008. ZUCHETTO, Ângela Teresinha, CASTRO, Rosangela Laura Ventura Gomes de. As Contribuições das atividades físicas para a qualidade de vida dos deficientes físicos. Revista Kinesis, Santa Maria, 2002. 7 MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.3 - N.2 – Ago/Dez. 2008.