DOSSIÊ
As grandes écoles de administração
A organização e o funcionamento das Grandes Ecoles de Management francesas
coincidem com o modelo dominante no mundo, o das business schools americanas,
inglesas, canadenses, espanholas, indianas. Os componentes principais desse modelo
são: seleção rigorosa dos alunos no ingresso, participação das famílias no
financiamento da escolaridade, proximidade com o mundo empresarial, boa inserção
profissional dos diplomados, atividades de pesquisa e abertura internacional
As grandes écoles de gestão tiveram um desenvolvimento muito acelerado. Entre 1995 e 2005, seu
CAMPUS
F
RANCE
campusfrance.org
10 de outubro de 2007
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o da Banque Commune d’Epreuves - BCE e o da
Banque d’Epreuves Ecricome³.
efetivo global aumentou 126% para atender cerca de
Embora os cursos preparatórios exerçam um papel
60 mil alunos. Elas multiplicaram as iniciativas para
preponderante na seleção de seus alunos, as grandes
1 Com duas exceções: a
adaptarem-se a uma concorrência cada vez mais
écoles de gestão utilizam também vários dispositivos
ESSCA e a IESEG de Lille, que
intensa, tanto na França como internacionalmente. O
de admissão “paralelos”, abertos a diplomados do en-
grupo das Grandes Ecoles de Management outorga
sino superior em primeiro e segundo anos, bem como
titulares de um baccalauréat
anualmente 19.200 diplomas em nível master e acima
a estudantes estrangeiros. Os três principais são:
(diploma do ensino médio).
dele (especializações, MBAs), o que inclui mais de
• Concursos propostos aos estudantes do segundo
52% dos masters em gestão de todo o ensino superior
ano do ensino superior. Em 2005, para 1.900 vagas
francês.
oferecidas esses concursos registraram um total de
Para cada aluno, investem em média 11 mil euros
6.544 inscrições.
por ano – duas vezes mais que o Estado para cada
• Concursos para titulares de uma licence (três
estudante em universidade. Os alunos e suas famílias
anos de estudo superior). Em 2005, de um total de
financiam uma parte importante – aproximadamente
7.896 concorrentes foram admitidos através deles
2/3 – desse investimento, através das taxas de esco-
2.033 alunos.
selecionam seus alunos
mediante concurso aberto para
2 As Classes Préparatoires aux
Grandes Ecoles - CPGE são a
grande fonte de matrículas não
só para as escolas de administração como também para as
de engenharia e para a Escola
Normal Superior - ENS.
Oferecidas pelos melhores
estabelecimentos de ensino
secundário, constituem uma
laridade. Note-se que esse é um esquema pouco habi-
• Concursos reservados a estudantes estrangeiros
tual na França, mas muito difundido em outros países.
titulares de um diploma licence, bachelor ou equiva-
Entretanto, devido à boa e rápida inserção profis-
lente. As grandes écoles dispõem de diversos con-
sional dos diplomados (mais de 50% antes da obten-
cursos, como o do SAI (Service des Admissions
ção do diploma ou imediatamente depois, mais de
Internationales)4 e o “Universa” da Banque Ecricome,
ment, Euromed-Marseille Ecole
75% em menos de dois meses), o retorno do investi-
além de vários concursos específicos. Essas iniciativas
de Management, ICN Business
mento educativo é rápido: em menos de três anos, ele
inserem-se na política de crescente internaciona-
rentabiliza-se graças ao diferencial entre o salário dos
lização das escolas e contribuem para atrair para a
recém-diplomados das escolas de gestão (mais de
França alguns dos melhores estudantes estrangeiros.
32.000 € em início de carreira) e o do conjunto de
diplomados em nível master.
Existem também seleções específicas para os
outros níveis de estudos, como por exemplo a que dá
acesso a MBAs, dirigida para jovens executivos
UMA SELECÃO QUE SE DIVERSIFICA
Em geral, as instituições selecionam a maioria de
seus alunos mediante concurso, ao final do segundo
verdadeira originalidade no
ensino superior internacional.
3 Propostos por seis escolas:
Bordeaux Ecole de Manage-
School, Reims Management
School, ESC Rouen e ESC
Toulouse/Toulouse Business
School.
4 Comum a quatro escolas:
CERAM Sophia-Antipolis, EMLyon, ESCP-EAP e HEC.
diplomados.
PERCURSOS INDIVIDUALIZADOS
ano de curso superior¹. A principal via de acesso às
O programa das grandes écoles insere-se na
grandes écoles de gestão são as “classes prépara-
tradição francesa de formar os executivos adminis-
toires² économiques et commerciales” (cursos prepa-
trativos de alto nível por meio de um currículo
ratórios em economia e comércio). Seu programa pre-
acadêmico ao mesmo tempo longo e seletivo. Trata-se
para em dois anos para os concursos de seleção; sem
a menor dúvida é o mais exigente e mais intensivo do
primeiro ciclo do ensino superior, com um notável
equilíbrio entre matemática, filosofia, história e duas
línguas vivas. No início do ano letivo 2004-2005, as
cerca de 500 classes preparatórias em economia e
comércio espalhadas por todo o território francês
receberam em torno de 15.800 alunos.
Ao término desse curso preparatório que já
selecionou com rigor seus alunos, cada grande école
de administração procura admitir os melhores candidatos. Para isso recorrem a dois concursos nacionais:
As partes em cinza
claro são próprias
das Grandes Ecoles
de Management
(Le Livre Blanc du Chapitre des
Écoles de Management de la
Conférence des Grandes Ecoles)
Próximas das realidades da empresa e do mundo
econômico, as grandes écoles de gestão estão
implantadas em todas as grandes cidades da França
continental (Le Livre Blanc du Chapitre des Écoles de Management
de la CGE)
ABERTURA INTERNACIONAL
Em sua expansão internacional, geralmente as grandes écoles de gestão vêm
seguindo um mesmo modelo de progressão,
com quatro etapas: 1) maior importância
para a aprendizagem de línguas estrangeiras; 2) promoção da mobilidade dos
estudantes; 3) contratação de professores
estrangeiros e presença crescente de “professores visitantes” provenientes de instituições parceiras; 4) construção de redes de
alianças – conhecidas como clusters – entre
instituições de países diversos.
Atualmente, em termos de abertura
internacional as grandes écoles de gestão
apresentam um balanço impressionante:
de um programa generalista, que permite que os
• a mobilidade de seus estudantes é cada vez maior;
alunos dominem todas as disciplinas fundamentais da
• a proporção de estudantes estrangeiros está hoje
gestão. Desse modo os diplomados podem encontrar
em torno de 24% do total dos alunos;
empregos em um amplo espectro de setores de
• também passaram a contar com um número signi-
atividade e de funções.
ficativo de professores estrangeiros (483 professores
Cada estabelecimento define e organiza seus
permanentes e 809 visitantes);
cursos de modo específico, mas essa grande diversi-
• desenvolveram uma oferta importante de programas
dade não se sobrepõe à profunda identidade de
com vocação internacional (masters, MBAs etc.), além
objetivos e práticas do conjunto de grandes écoles de
de uma oferta específica direcionada para os estudan-
administração. Entre seus princípios básicos estão a
tes estrangeiros, como os Master of Science (MSc);
clara vocação profissional do ensino – o estudante
• assinaram numerosos acordos de parceria e mesmo
passa em média 14 meses em empresas – e o impe-
de duplo diploma com as melhores universidades do
rativo da abertura internacional.
mundo inteiro: cerca de 2.400 acordos internacionais
Elas oferecem também um amplo leque de espe-
permitem que seus estudantes cumpram uma parte da
cializações (até 15 por estabelecimento), o que
escolaridade em uma universidade de qualquer país
permite a individualização dos percursos. Em vez de
do mundo; há cerca de 500 acordos de duplo diploma,
ficar sujeito a um ensino uniforme, idêntico para
¾ deles em nível master;
todos, o estudante pode multiplicar suas escolhas para
• de modo geral, adquiriram forte visibilidade interna-
organizar o percurso: cursos eletivos, matérias facul-
cional, inclusive em áreas geograficamente distantes;
tativas, pedagogia “diferenciada”, estágios, datas e
• essa abertura internacional é ao mesmo tempo
duração da permanência no exterior, currículo tradi-
validada e ampliada pelos diversos credenciamentos
cional ou com aprendizagem simultânea, atividades
internacionais (selos EQUIS, AACSB International,
associativas etc.
AMBA) obtidos por cerca de 15 delas.
Em razão do forte enraizamento em seus territó-
O alto desempenho internacional do modelo
rios, principalmente através dos organismos de tutela
dessas grandes écoles francesas foi confirmado pela
(câmaras de comércio, administrações locais), as gran-
recente classificação dos 25 melhores Masters in
des écoles de gestão tendem a desempenhar um papel
Management europeus, publicada pelo Financial
importante também nos diversos pólos de competiti-
Times. Com sete instituições classificadas, duas das
vidade e nos Pólos de Pesquisa e de Ensino Superior.
quais nos primeiros lugares, as escolas francesas
impõem-se perante suas parceiras da União Européia
Perfil do recém-diplomado das grandes écoles de administração
• uma especialidade profissional (por curso integral, especialização ou cursos eletivos)
• experiência empresarial (estágios, aprendizagem simultânea ou ano em empresa)
• experiência em assumir responsabilidades (associativas, concepção e condução de projetos)
• experiência internacional
• qualificações nas tecnologias da informação e da comunicação
• uma primeira rede pessoal e profissional
como líderes em matéria de formação inicial superior
em administração.
Colaboração: Lorena Pontes Masri, graduada
pela Sciences Po Bordeaux e Universidade de Coimbra
Fonte Le Livre Blanc du Chapitre des Écoles de Management
Acordos das grandes escolas de gestão francesas com estabelecimentos da América Latina
Ecole de Management de Bordeaux Brasil: FEA-USP; Costa Rica: INCAE; México: ITESM (Estado de Mexico,
Cuernavaca, Guadalaraja, Monterrey, Ciudad de Mexico); Venezuela: Unimet, IESA.
EDHEC - Ecole de hautes études commerciales du nord Brasil: PUC-Rio, FEA-USP; Argentina: UCC; Chile: UAI
(Santiago); México: ITESM, UDEM, UAS, UIA, ULSA; Peru: ESAN.
EM Lyon - Ecole de management de Lyon Brasil: COPPEAD-UFRJ, FGV, FEA-USP; Chile: UAI, PUC; Equador:
Universidad del Pacifico, México: ITESM (Guadalajara, Monterrey), UDLA Puebla.
ESC Amiens Picardie - Ecole supérieure de commerce Amiens Picardie Brasil: UDESC; Argentina: UNICEN; Chile: UDD.
ESC Clermont - Ecole supérieure de commerce de Clermont-Ferrand Brasil: FAAP; Argentina: UB; Chile: Universidad
Mayor; México: ITESM (Cuernavaca, Guadalajara, Monterrey, Queretaro, Toluca, Veracruz); Peru: Ulima; Venezuela:
IESA.
ESC Montpellier -Ecole supérieure de commerce de Montpellier Brasil: FGV; Argentina: UADE, UCC; Chile: UACh,
UMAG, USACH, UTALCA, Universidad de Valparaiso, UDD; Colômbia: ICESI, UNAB, EAFIT, Universidad
Externado de Colombia; México: ITESM (Guadalajara, León), UABJO, UDLA Puebla; Paraguai: UA; Peru: USIL;
República Dominicana: PUCMM; Uruguai: ORT
ESC Pau - Ecole supérieure de commerce de Pau Brasil: FGV; México: ITESM; Peru: USIL.
ESC Rouen - Ecole supérieure de commerce de Rouen Brasil: PUC-Paraná, COPPEAD-UFRJ, FGV, FEA-USP; Argentina:
UNS, UCA, UADE; Chile: UAI, UNAB, UCN, Universidad de los Andes, Universidad de Chile, UDP; Colômbia:
CESA, UniAndes; México : UDEM, UR, IEST, UIA, ITAM, ITESM (Ciudad de México, Estado de México,
Guadalajara, Monterrey, Cuernavaca, Toluca); Peru: Universidad del Pacifico, ESAN.
ESC Toulouse - Ecole supérieure de commerce de Toulouse Brasil: FEA-USP; Argentina: UB; Chile: Universidad de Chile;
Colômbia: UniAndes; Costa Rica: INCAE; México: ITESM (Estado de México, Toluca), ULSA, UDLA; Peru:
Universidad del Pacifico; Uruguai: ORT.
ESC Troyes - Ecole supérieure de commerce de Troyes Brasil: PUC-Rio; Argentina: UCA, Universidad de Palermo; Chile:
ULS, UVM; México: EBC, ITESO, ULSA (Cuernavaca), ITESM (Mazatlan), UR; Peru: ESAN.
ESCP-EAP European School of Management Brasil: FGV; Argentina: UDESA; Chile: PUC; México: ITESM; Peru :
Universidad del Pacífico.
ESSEC - Ecole supérieure des sciences économiques et commerciales Brasil: FGV, FEA-USP, COPPEAD-UFRJ, PUCRio; Argentina: UADE, Universidad Austral-IAE, UCC; Chile: Universidad de Chile; Colômbia: UniAndes; México:
ITAM, ITESM–EGADE.
EUROMED - Marseille Ecole de Management Brasil: FEA-USP, UFRGS; Argentina: UCA, UB, Universidad de Palermo;
Chile: UAI (Viña del Mar-Valparaiso), UNAB, UCV, Universidad Finis Terrae; Colômbia: UniAndes; México: EBC,
ITESM (Monterrey, Toluca).
Grenoble Ecole de Management Brasil: FEA-USP.
HEC - Ecole des hautes études commerciales Brasil: FGV; Argentina: UTDT; Chile: PUC; Costa Rica: INCAE; México:
ITAM, IPADE, ITESM; Peru: ESAN, IESA.
ICN - Ecole de Management Brasil: FEA-USP; Chile: PUC; Colômbia: UniAndes; México: ULSA (Cancún, Cuernavaca,
Pachuca), ITESM (Monterrey); Peru: USIL.
IECS - Institut européen d’études commerciales supérieures Brasil: IBMEC Rio de Janeiro; Argentina: USAL, UNC;
Colômbia: UniAndes, EAFIT; México: ITESM (León, Monterrey).
IESEG - School of Management Argentina: UADE, UCC; Chile: PUC, UDD, Universidad del Pacifico, Universidad
Mayor; Brasil: PUC-Minas, FEA-USP; Colômbia: Universidad del Rosario, Univalle; México: BUAP, ITESM (Cuernavaca,
Estado de México, Sonora Norte), ITESO, UDEM, UAS, Universidad de La Salle Bajío, UIA, ULSA.
Fontes Site da CGE
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