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NOS RASTROS DO “BRASIL GRANDE”: CENÁRIO EDUCACIONAL PIAUIENSE
EM TEMPOS DE EUFORIA ECONÔMICA (1971 – 1975)
Francisco Helton de Araujo Oliveira Filho (Bolsista PIBIC/UFPI-AF), Cláudia Cristina da Silva
Fontineles (Orientadora, Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino/UFPI e do
Programa de Pós-graduação em História do Brasil)
Introdução
O objetivo deste trabalho é analisar as transformações ocorridas no campo educacional nos
“tempos eufóricos” do primeiro governo de Alberto Silva, entre os anos de 1971 e 1975, no Piauí,
onde a técnica e a ciência – elementos valorizados pelo modelo administrativo dos militares –
estiveram direcionados para o desenvolvimento econômico do Estado.
Buscamos realizar nesse trabalho, uma analise articulada das políticas e dos programas
educacionais desse governo, a partir da reflexão de Alba de Castro (2010), na medida em que
refletem o panorama do sistema de gestão da educação dentro de um paradigma pensado em
contexto regional e implementado pelo Estado, e Claudia Fontineles (2009, 2011), que analisa a
construção da “modernização e da auto-estima piauienses” nos dois governos albertistas, algo que
também repercutiu no cenário educacional do Estado.
Utilizamos como fontes os jornais da época: O Dia, O Estado do Piauí, Jornal do Piauí e A
Hora, além de fontes obtidas no arquivo do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Piauí –
SINTE –PI, e as publicações da Companhia Editora do Piauí – COMEPI, (1972-1975).
Metodologia
No primeiro momento buscamos identificar, catalogar e digitalizar as fontes documentais e
hemerográficas acerca do cenário educacional e cultural piauiense durante a primeira administração
de Alberto Silva, contidas no Arquivo Público do Estado do Piauí – APEP, Biblioteca Comunitária
Jornalista Carlos Castello Branco da UFPI e Biblioteca Publica Cromwell de Carvalho.
Pesquisamos quatro dos principais jornais da época como O Dia (janeiro a março de 1972);
Estado do Piauí (1971, 72, 73); Jornal do Piauí (janeiro a setembro de 1971, 72) e Jornal A Hora
(1971, 72) no Arquivo Publico do Estado do Piauí. Além de fontes obtidas no arquivo do Sindicato dos
Trabalhadores da Educação do Piauí – SINTE –PI, e as publicações da Companhia Editora do Piauí
– COMEPI, (1972-1975). Essas fontes tornaram possível a análise do clima de “euforia” nos primeiros
anos do governo de Alberto Silva, observando dessa forma a elaboração e execução dos planos e
medidas do seu governo no âmbito da educação e cultura do Estado.
Observamos dessa forma, a elaboração e execução dos planos e medidas do seu governo no
âmbito da educação e cultura do Estado. Além disso, notamos a relação que existiu entre as ações
do governo militar e a administração do Estado, buscando problematizar essas fontes no sentido de
como esse momento de euforia influenciou as ações no plano cultural e educacional.
Resultados e Discussão
O governo Alberto Silva se propôs a realizar uma grande obra no campo educacional.
Identificamos uma matéria do jornal A Hora de 2 de fevereiro de 1972, anunciando a construção de
90 novas salas de aulas pelo governo do Estado, e a ampliação de mais 50 salas em grupos
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escolares do interior, perfazendo um total de 140 novas salas de aulas, com recursos de 2 milhões e
400 mil cruzeiros. Além de outros desdobramentos da política educacional como: adoção de salário
móvel para professoras primaria, estabelecendo salário móvel, garantindo aumento toda vez que
houver variação; construção grupos escolares e quadras esportivas; construção do Instituto de
Educação do Piauí. Percebemos que era comum o governo anunciar a programação da construção
de novas salas. No entanto, muitas dessas informações eram desencontradas, a exemplo do que foi
exposto anteriormente. Essa poderia ser uma das estratégias utilizadas pelo governo para criar uma
imagem de “canteiro de obras” no Estado.
O governo procurou privilegiar o servidor publico como o símbolo do progresso e
desenvolvimento do Estado, publicando varias reportagem oferecendo treinamentos e valorização da
categoria. Essa campanha de treinamento era uma das estratégias criadas pelo governo para
valorizar o funcionário publico com vistas a maior funcionalidade e segurança do serviço público.
Houve uma aproximação dos gestores estaduais aos profissionais da educação. Por outro
lado, a versão do Sinte-Pi sobre esse período foi de que isso significou “o maior grau de adesão e
colaboracionismo político dos líderes da APEP para com o Governo do Estado, chegando alguns
deles a ocuparem postos intermediários na hierarquia dos órgãos do sistema educacional estadual” 1.
Tentando a resolver os problemas das categorias funcionais, o governo anunciou nos jornais
o aumento para os funcionários do Estado e enquadramento de funcionários da secretaria de
educação, estabelecendo inclusive concurso publico para preenchimento de vagas em todo o Estado.
No entanto, notícias sobre os problemas salariais das categorias do magistério eram algo recorrente
nos jornais de Teresina. Se a situação salarial dos professores em Teresina era irregular, no interior
do estado a situação era mais alarmante.
Ressaltamos ainda o papel que o governo albertista desempenhou no fomento a produção
intelectual, como o financiamento da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí – IHGP, e o
financiamento da publicação de livros de escritores piauienses, com a implantação do Plano Editorial
do Estado e criação da Secretaria de Cultura. Um dessas realizações foi a expansão da COMEPI, em
1972, O Decreto n° 1416, publicado em 17 de janeiro de 1972, criou uma comissão para realizar o
levantamento do acervo bibliográfico de autores piauienses, ou de obras relativas ao Piauí, para
serem incluídas no Plano Editorial do Estado. Executou ainda a reforma e ampliação da Casa Anísio
Brito, onde funcionava o Arquivo Publico, o Museu Estadual e a Academia Piauiense de Letras. Além
das iniciativas culturais, Alberto Silva deu apoio aos intelectuais piauienses, afirmando através da
assessoria de imprensa que os homens da cultura do Piauí “tem o poder de criação muito grande, [e]
porque o intelectual piauiense é bastante pobre e sem muitos meios para editar os seus próprios
trabalhos” 2.
A influência dos governos militares nas decisões artísticas, culturais e educacionais do
governo Alberto Silva pode ser revelada pelas dimensões do “projeto Piauí”. O projeto seria
executado por um grupo de antropólogos, sociólogos, psicólogos, assistentes sociais, especialistas
em comunicação social e relações humanas, analistas, médicos sanitaristas, arquitetos e urbanistas,
1
SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO BASICA PUBLICA DO PIAUÍ. Nossa História.
Disponível em: http://www.sintepiaui.org.br/interna_historia.php. Acesso em: 22 de ago. 2013.
2
Estado do Piauí, Teresina, 21 de agosto de 1971, p. 8.
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professores de artes industriais, especialistas em artesanato e administração. Além das realizações
no âmbito de pesquisas e estudos técnicos, o projeto visava ainda realizações no âmbito cultural, com
o aproveitamento de manifestações culturais, como o folclore e o teatro. Mas o Projeto Piauí foi
também alvo das criticas do deputado Francisco Figueiredo, que o chamou de “enciclopédia do nada”
3
. Essas críticas se deram em razão das inundações que ocorreram no Piauí. Para o deputado o
Projeto se preocupava “apenas com coisas ridículas como seja matar ratos no Parque Piauí e
patrocinar festivais de violeiros ‘que nenhum proveito trazem para o desenvolvimento do estado’”.
Conclusão
Pode-se pensar que o governo Alberto Silva foi de fato um “construtor da auto estima
piauiense”. Implementou a reforma do ensino no Piauí, passando a ser prioridade do seu governo a
partir de 1972. Ampliou a oferta do ensino publico voltado para o ideal de desenvolvimento. Trouxe
técnicos para estudar e elaborar o seu projeto, juntamente com a criação da Universidade Federal do
Piauí. Apoiado pelos investimentos federais atuou em todas as áreas da administração publica de
forma dinâmica.
Teresina era o palco de implementação do “Grande Piauí”. Criou o departamento estadual de
cultura, para incentivar o desenvolvimento cultural do Estado. Alberto Silva mudou o cenário
educacional e cultural do Piauí. Tinha a seu lado o apoio dos servidores públicos. Realizações que
permaneceram vivas por um longo período na memória do povo piauiense. Preocupou-se em mudar
a imagem do Piauí dentro e fora do Estado. Em viajem ao Rio de Janeiro, em 1971, afirmou que o
“Piauí já não é mais aquele”, se referindo à nova mentalidade imprimida por sua administração no
Estado" 4.
Essa euforia e entusiasmo se refletiu nos projetos e realizações da secretaria de educação e
cultura, tendo o secretario Wall Ferraz à frente. No entanto, essa “mística” criada pelo governo, ainda
hoje é problematizada pelos historiadores e pesquisadores desse período, revelando que foi muito
mais um esforço do próprio governo de criar uma imagem de crescimento e euforia, que atingiu todos
os âmbitos da administração pública do Estado.
Apoio: PIBIC/UFPI-AF
Referências
BRITO, Itamar de Sousa. História da Educação no Piauí. Ed. Grafica da UFPI, Teresina, 1996.
CASTRO, Alba Tereza Barroso de. Breve Retrato da Educação no Brasil Contemporâneo a partir das
reformas educacionais latino-americanas, Revista História Agora on line, n. 8, p.1-11.
FONTINELES, Cláudia Cláudia Cristina da. O Recinto do Elogio e da Critica: maneiras de durar de
Alberto Silva na memória e na história do Piauí. 2009. Tese (Doutorado em História). Recife- PE.
Palavras-chave: Tempos eufóricos. Educação no Piauí. Alberto Silva.
3
4
Jornal do Piauí, Teresina, 18 de abril de 1973, p. 8.
Jornal Do Piauí, Teresina, 8 de junho de 1971, p. 8.
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