“Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Tradição, Modernidade e Comunicação na Amazônia: Diálogos Possíveis1 Élida Fabiani Morais de CRISTO1 Maria Ataide MALCHER 2 Universidade Federal do Pará, Belém, PA RESUMO Este artigo apresenta parte da discussão da pesquisa em desenvolvimento que analisa a oralidade tradicional em uma comunidade da Amazônia. Para tanto, são abordadas algumas discussões que envolvem o campo da comunicação, a partir das quais se propõe o estudo de uma interface entre Comunicação e Cultura. Nessa perspectiva, mostra-se essencial o entendimento da modernidade enquanto processo histórico que tem no desenvolvimento acelerado da comunicação um facilitador e ao mesmo tempo uma de suas consequências. O tema principal, a oralidade amazônica, enquanto uma forma de tradição, nesse contexto não apenas permanece viva como também dialoga com as formas contemporâneas de comunicação e cultura. PALAVRAS-CHAVE: comunicação; oralidade; cultura; Amazônia; modernidade. 1 Pontos para o início do diálogo Grande parte das mudanças que o mundo assiste, nas diversas dimensões sociais, políticas, econômicas e culturais, provoca incertezas, certo temor da novidade, e dá margem para que teóricos desenvolvam prognósticos sobre os (“novos”) caminhos da sociedade. Por muito tempo acreditou-se que as culturas locais, sobretudo as de origem popular tradicional 3, seriam “engolidas” pela nova dinâmica mundial posta em circulação pela globalização dos mercados. Tornada ela também um produto, a cultura tornou-se alvo de inúmeras especulações, sobretudo ao longo do século XX, quando o desenvolvimento dos meios de comunicação interferiu de forma mais intensa nos processos de produção cultural. Trabalho apresentado no I Seminário Regional da ALAIC - Bacia Amazônica. Mestranda em Ciência da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação “Comunicação, Cultura e Amazônia”, da UFPA. E-mail: [email protected] 2 Orientadora do trabalho. Professora adjunta da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA). Professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação “Comunicação, Cultura e Amazônia”. E-mail: [email protected] 3 Utiliza-se a concepção de cultura popular trazida por García-Canclini: esta se constituiria “por um processo de apropriação desigual dos bens econômicos e culturais de uma nação ou etnia por parte dos seus setores subalternos, e pela compreensão, reprodução e transformação, real e simbólica, das condições gerais e específicas do trabalho e da vida” (GARCÍA CANCLINI, 1983, p. 42). A cultura popular do tipo tradicional seria aquela caracterizada pela existência de conteúdos culturais de outras gerações, que ao longo do tempo foram sendo transmitidas e ressignificadas até a geração atual. 1 1 1 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA A relação entre modernidade, comunicação e cultura, e a configuração dessa relação na oralidade amazônica, é a temática principal da pesquisa que fomentou este trabalho. A principal hipótese é a de que, mesmo em contato permanente (e cada vez mais crescente) com a modernidade e os meios de comunicação trazidos por/com ela, a tradição cultural da oralidade amazônica não morre. O que se acredita que ocorre, e isso deverá ser validado ou não pelo estudo em desenvolvimento, é que essa tradição dialoga com as formas de comunicação e culturas trazidas pela modernidade, dando origem a uma oralidade desterritorizada. Para entender os diálogos que a tradição oral possivelmente mantém com as formas modernas de comunicação – leia-se meios de comunicação mediados por aparatos técnicoinformacionais –, torna-se necessário empreender antes uma reflexão sobre o papel essencial da comunicação para a configuração desse cenário atual marcado pela complexidade, em que as relações entre o moderno e o tradicional nem sempre são conflituais. Em síntese, a proposta é empreender e aprofundar a reflexão sobre essa relação. Para tanto, utiliza-se, entre outros, as contribuições de Braga (2001), para quem o objeto da comunicação são as interações sociais (ou comunicacionais): [...] se trata aí dos processos simbólicos e práticos que, organizando trocas entre os seres humanos, viabilizam as diversas ações e objetivos em que se vêem engajados (por exemplo, de área política, educacional, econômica, criativa, ou estética) e toda e qualquer atuação que solicita co-participação (p. 17-18). Essa seria a especificidade do campo da Comunicação: enquanto nas outras ciências a Comunicação é estudada como “pano de fundo”, “ou então é abordada dentro dos limites e segundo a prevalência dos objetivos e perspectivas daquelas áreas”, “Para a Comunicação, inversamente, é a questão interacional (midiática ou não) que deve prevalecer” (BRAGA, 2004). De acordo com o autor, é no “desentranhamento” do objeto da Comunicação que é possível perceber o que de realmente comunicacional há nas interfaces 4 nas quais a comunicação se apresenta. Nessa perspectiva, França (2001) afirma que é preciso ir além do estudo dos meios e do processo comunicativo. O que diferenciaria um estudo da Comunicação seria o que define a especificidade de cada disciplina: as diferentes formas de conhecer, ver e ler o mundo. “A 4 Para Braga (2004), interface refere-se à “presença de atividades, no espaço social, que envolvem origens, processos e objetivos não inicialmente confluentes (mas antes pertencentes a „áreas diferenciadas‟). Assim, cada componente da atividade comparece com seu acervo (historicamente constituído) de práticas e de conhecimentos” (p. 11). Esse conceito é empregado para tratar das “interfaces comunicacionais”. 2 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA especificidade vem do olhar, ou do viés, que permite vê-las e analisá-las [as práticas comunicativas] enquanto comunicação, isto é, na sua natureza comunicativa” (FRANÇA, 2001, p. 5). Entretanto, Braga (2001) chama a atenção para o cuidado que deve ser tomado para que, ao ultrapassar as fronteiras (restritas) da pesquisa ancorada nos meios de comunicação, não seja feita uma “confusão” entre comunicação e cultura. Para o autor, ao passar dos meios às mediações (segundo a proposta de Martín-Barbero), “às vezes o que parece haver de propriamente comunicacional nas relações dos usuários com a mídia parece se diluir no „cultural‟” (p. 20). Na diferenciação que faz entre comunicação e cultura, Braga (2001) afirma que nos estudos sobre recepção, geralmente as mediações culturais são vistas como processos que permitem ao receptor “resistir” aos produtos de massa. Mas o autor lembra que entre o receptor e o produto midiático ocorrem interações, e são estas que permitem ao estudo ir além das preocupações etnográficas (antropológicas). É preciso estar atento às “questões de comunicação”, que dizem respeito às conversações entre as diferentes culturas (entre as diferentes identidades): Ainda sem a mídia teríamos comunicação – quando para além da observação de uma determinada identidade cultural, se observe as interações comunicacionais desta com outras. Será então o caso do multiculturalismo, quando ultrapasse a descrição etnográfica da situação multicultural (ou das culturas em presença) para observar como aquela diversidade específica observada transpõe as barreiras do diverso para interagir, qualquer que seja a interação comunicacional, conflituosa ou solidária. (BRAGA, 2001, p. 37) Assim, tendo em vista o que se propõe como objeto de estudo da pesquisa, que deu origem a este artigo, procurar-se-á estudar a tradição oral amazônica não unicamente enquanto meio de transmitir mensagens e conteúdos simbólicos, ou enquanto uma forma de manifestar a cultura popular tradicional da região – o que poderia se configurar também enquanto uma forma de resistência às modernas formas de comunicação –, mas também (e principalmente) como uma forma de comunicação e de manifestar a tradição cultural que continua sendo praticada mesmo diante dos avanços tecnológicos da atualidade vivenciados na Amazônia. Trata-se de uma tradição que dialoga, que interage com a modernidade e suas culturas e formas de comunicação. 3 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Esta seria a especificidade da pesquisa em desenvolvimento que se configura, segundo a definição de Braga (2001), como um estudo de interface entre Comunicação e Cultura 5. 2 Comunicação e cultura na modernidade Para entender a comunicação e o lugar ocupado por ela na sociedade contemporânea, é essencial compreender também o contexto do seu desenvolvimento enquanto processo de transmissão e difusão, quando ela ultrapassa o simples sentido de partilha e de comunhão (WOLTON, 2004). O desenvolvimento da comunicação acompanhou – ao mesmo tempo em que ajudou a desencadear – a emergência da modernidade, definida como “um dos valores mais fortes da época contemporânea, que privilegia a liberdade, o indivíduo, o direito à expressão e o interesse por técnicas que simplificam a vida” (idem, p. 49). Esse contexto de desenvolvimento da modernidade e da comunicação é marcado, num primeiro momento, ainda entre os séculos XV e XVI, pela expansão marítima europeia. Período ao qual também se atribui o início da globalização, no qual um “Velho Mundo” conheceu novas formas de pensar, de agir, de viver: conheceu e interagiu com novas culturas. O que começou como um projeto de expansão econômica deu início a um processo que proporcionou uma maior comunicação entre pessoas, lugares e culturas diferentes. Uma das características engendradas por essa nova dinâmica mundial seria a complexidade sóciocultural, que desde então só tem aumentado, não apenas pelo lugar central que a modernidade ocupa enquanto centro da cultura ocidental, mas também pelos avanços que as técnicas de comunicação e de transporte vivenciaram e ainda vivenciam. Thompson (2008) fala sobre essa relação entre a comunicação e a compreensão do contexto em que ela se desenvolve: O desenvolvimento dos meios de comunicação se entrelaçou de maneira complexa com um número de outros processos de desenvolvimento que, considerados em sua totalidade, se constituíram naquilo que hoje chamamos de “modernidade”. Por isso, se quisermos entender a natureza da modernidade – isto é, as características institucionais das sociedades modernas e as condições de vida criadas por elas – deveremos dar um lugar central ao desenvolvimento dos meios de comunicação e seu impacto (THOMPSON, 2008, p. 12). Mais tarde, o sistema mundial moderno6 se caracterizaria pelo desenvolvimento dos transportes e dos meios de comunicação, e já no final do século XVIII, “As técnicas da 5 Além deste, o autor aponta outros possíveis estudos de interface: Comunicação, Arte e Literatura; Comunicação, Ciências Humanas e Filosofia, e Comunicação e Ciências Socais Aplicadas (BRAGA, 2001, p. 31). 6 Nomenclatura dada por Wallerstein (1974) para a rede de relações favorecida pelas grandes navegações e pelo intenso fluxo de mercadorias, de informação e das trocas interculturais decorrentes dessa expansão (Warnier, 2000, p. 44). 4 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA embarcação e da navegação a vela se aproximavam de seu apogeu, as redes de correio, de transporte fluvial e terrestre cobriam zonas cada vez maiores” (WARNIER, 2000, p. 47). No século XIX, as máquinas a vapor dos ambientes industriais potencializaram a engrenagem desse sistema mundial moderno, que no século XX encontraria na eletricidade – e nas invenções como telégrafo, rádio e TV – o “combustível” para aumentar o raio de alcance dos meios de comunicação e de contatos interculturais. Com o desenvolvimento da informática e da Internet, o mundo conectou-se. Entretanto, a concepção de um “sistema-mundo” (que começaria com a globalização dos mercados, portanto, antes do advento da internet) é questionada por autores como Ortiz (1998), devido às desigualdades e a baixa integração entre as diferentes regiões do planeta e porque ainda existem manifestações políticas e culturais significativas que resistem à modernidade. De fato, as desigualdades existem e não apenas no âmbito dos fluxos mercadológicos. Elas estão presentes também no que diz respeito às trocas interculturais. A “mundialização da cultura”, principal tema discutido nas obras de Warnier (2000) e de Ortiz (1998), se constrói a partir da agregação de valor econômico aos bens culturais e da circulação e consumo desses bens em nível mundial. Os fluxos acontecerão com maior intensidade entre os que possuem acesso aos meios de produção, difusão e consumo, que naturalmente valorizam sua própria cultura, causando em muitos momentos uma marginalização das demais. Nesse contexto, as mídias ocupam um lugar cada vez mais central, uma vez que essa circulação das diferentes culturas (e produtos culturais) em nível mundial não ocorre apenas por meio do fluxo de pessoas, mas também do fluxo de informações. Essa posição de destaque das mídias é um dos motivos que leva Braga (2001) a afirmar que, embora as interações comunicacionais (independentemente das mídias) possam ser aceitas como objeto do Campo de Estudos em Comunicação, é preciso fazer essa ampla perspectiva conviver com a importância dos processos midiáticos. Isto porque, em primeiro lugar, foi o desenvolvimento desses processos (aí, nesse caso, o autor refere-se aos meios de comunicação audiovisuais), enquanto fenômeno sócio-histórico, “que permitiu perceber, objetivar, e problematizar os processos comunicacionais em perspectiva destacada (...). Foi preciso uma presença mediática „objetivada‟ no espaço social para que a sociedade se perceba „conversando‟ consigo mesma” (BRAGA, 2001, p. 21). Antes, a sociedade conversava 5 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA consigo mesma, mas “isto sempre foi percebido (...) como educação, política, religião, ciências, artes, economia, literatura” (idem). Em segundo lugar, a centralidade da mídia se percebe pela importância dos meios de comunicação social como processo não apenas de comunicação, mas também de produção de sentidos compartilháveis na sociedade contemporânea. Todo o aparato tecnológicoempresarial-cultural-profissional-mítico, sua complexidade, diversidade e poder intrínsecos não podem ser vistos apenas como para servir a outra sorte de objetivos e processos sociais. Em terceiro lugar, Braga (2001) aponta “o fato de que se trata de um fenômeno que põe em causa modos habituais de conversação social – que se fazia e se faz dentro de outros espaços organizados de funcionamento social” (p. 22). São esses motivos que permitem afirmar, segundo Braga, que vivemos em uma “sociedade de comunicação” ou “sociedade mediática” – e a essa conclusão acrescenta-se: mesmo diante das desigualdades no acesso à produção e recepção de informação. Ao se referir à gênese do Campo da Comunicação, Martino (2001) a associa à “comunicação moderna”, ou seja, ao advento das sociedades complexas. Nesse sentido, seria preciso compreender os processos comunicacionais enquanto fenômeno social, o que implica em dar relevância à sua singularidade histórica, em compreender que os processos comunicacionais não podem permanecer indiferentes à ação do tempo e à variedade cultural: [...] os processos comunicacionais assumem, a partir de certas condições sóciohistóricas que denominamos modernidade, um valor e um sentido histórico, o qual podemos considerar como único ou original, se comparados a outros tipos de organização social (sociedades tradicionais, comunidade primitiva) (MARTINO, 2001, p. 73). Não se pretende, com essa discussão, sugerir que as formas tradicionais de comunicação (como a oralidade) não se enquadrariam num estudo propriamente da Comunicação. Ao contrário, o que se busca é mostrar qual a configuração desse tipo de comunicação numa sociedade complexa, aparentemente incompatível com qualquer forma de tradição, na qual os meios de comunicação modernos parecem estar presentes em (quase) todos os segmentos sociais e culturais, enquanto rodas de fiar no mundo moderno7. 7 Alusão à afirmação de Thompson, numa referência a Geertz: “Se „o homem é um animal suspenso em teias de significado que ele mesmo teceu‟, como Geertz uma vez observou, então os meios de comunicação são rodas de fiar no mundo moderno e, ao usar estes meios, os seres humanos fabricam teias de significação para si mesmos” (2008, p. 19-20). 6 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA 2.1 MODERNIDADE: COMUNICAÇÃO VERSUS CULTURA? Embora a globalização e a modernidade não sejam processos novos, foi somente a partir do século XX, principalmente a partir do desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, que pensadores começaram a se questionar sobre suas consequências para a cultura e a sociedade. O início do século XX foi a época da Revolução Industrial motivada pelo surgimento da eletricidade. É nesse período que começa a ser atribuído um valor comercial à cultura e ganha força a produção em série dos bens culturais – é a produção da cultura de massa, definida como “produto cultural industrializado ou produzido „em massa‟, (...) uma cultura estandardizada cujo objetivo é agradar ao gosto médio de uma audiência indiferenciada” (TEMER; NERY, 2009, p. 100). Teixeira Coelho (1998) aponta dois grandes momentos históricos da chamada cultura de massa (no caso, períodos que marcaram sua consolidação): a “Era da Eletricidade”, no fim do século XIX, e a “Era da Eletrônica”, a partir da terceira década do século XX, que é quando “o poder de penetração dos meios de comunicação se torna praticamente irrefreável” (p. 12). O contexto ao qual autor se refere é também o do surgimento da chamada indústria cultural, termo criado em 1947 pelos teóricos Adorno e Horkheimer 8 para se referir à produção cultural em série ou industrializada, com a utilização de técnicas de reprodução, por uma classe diferente daquela que vai consumir (TEMER; NERY, 2009, p. 88). Teorizada por uma parte da escola de pensamento crítico (que pode ser representada pelos dois autores acima citados, da Escola de Frankfurt), a indústria cultural configura-se como uma espécie de face negativa da modernidade e dos meios de comunicação. De acordo com as autoras Temer e Nery (2009), “O progresso técnico é o novo e poderoso instrumento utilizado pela indústria cultural para conter o desenvolvimento da consciência das massas” (p. 89). E essa característica, entre outras, faria de meios de produção e difusão como o rádio, a TV, a fotografia, o cinema e a publicidade os responsáveis pela homogeneização das culturas, uma vez que, seguindo a lógica do mercado, fariam da produção cultural uma produção movida pelo lucro, portanto de baixa qualidade artística, moral e intelectual, deixando de lado a “verdadeira” arte, a cultura “legítima”. 8 ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. 7 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA A partir da década de 1950, as produções da indústria da cultura passaram a ser estudadas sob um novo prisma, a partir do desenvolvimento das pesquisas dos teóricos da corrente culturológica, que teve uma vertente na França e outra concentrada em Birmingham, na Inglaterra, em torno do Centro de Estudos Culturais Contemporâneos. Tratava-se de uma revisão da teoria crítica, na medida em que se reconhecia a cultura massiva como produtora de significação, e a mídia como “elemento dinamizador de culturas próprias à sociedade moderna, porque atua em plano simbólico, instituinte” (POLISTCHUCK; TRINTA, 2003, p. 131). Os estudos culturais britânicos trazem como uma de suas principais contribuições para se pensar a relação entre comunicação e cultura na modernidade a concepção de um receptor que não é passivo e vítima de manipulações de um poder dominante representado pelas mídias, como supunham teóricos da teoria crítica, mas “um ser humano concreto, que possui repertório cultural ao qual recorre quando capta, captura, interpreta e assimila, digerindo-as, mensagens a ele destinadas” (POLISTCHUCK; TRINTA, 2003, p. 129). Acontece uma negociação simbólica no consumo dos produtos midiáticos, conclusão que não se deve apenas a uma nova concepção do receptor, mas também da própria noção de cultura: não se trata mais de produção abstrata, fruto de uma aura artística (seja ela ligada à arte erudita ou popular), tais como literatura e pintura, mas engloba as práticas cotidianas, nas suas mais variadas formas: [...] não podemos limitar o campo [da cultura] a práticas especializadas, a gêneros particulares, ou a atividades populares de lazer. “Todas as práticas” sociais podem ser examinadas de um ponto de vista cultural, podem ser examinadas pelo trabalho que elas fazem – subjetivamente (JOHNSON, 2000, p. 30). Os cultural studies, como também são conhecidos, dão relevância à reflexão sobre as atividades relacionadas às mídias na sociedade contemporânea, pela sua importância na compreensão do campo cultural contemporâneo. Neles, está uma das preocupações que norteiam este trabalho, que é a de entender [...] a interação entre as diferentes culturas e/ou diferentes identidades – uma hegemônica, fortemente ancorada na mídia, e a outra tradicional, ancorada nos costumes e tradições. Trata-se, portanto, da observação de como ocorrem as interações entre a mídia e as identidades culturais tradicionais (TEMER; NERY, 2009, p. 107). A proposta de entender a oralidade amazônica contemporânea a partir do contexto em que se desenvolvem de maneira mais acentuada os meios de comunicação e a modernidade 8 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA aproxima-se da proposta dos estudos culturais, que dão relevante atenção ao contexto histórico para se compreender os meios de comunicação de massa (e, portanto, as formas culturais por ele criadas ou ressignificadas). Nesse sentido, os meios de comunicação massivos não seriam uma ameaça para as culturas, e o consumo da comunicação de massa seria, então, lugar de negociação de sentidos. “Em determinados momentos, a cultura popular resiste e impugna a cultura hegemônica; em outros, reproduz a concepção de mundo e de vida das classes hegemônicas” (ESCOSTEGUY, 2000, p. 147). 3 Comunicação e cultura na Amazônia Uma das principais características da época contemporânea é a complexidade. Fala -se da complexidade das relações sociais, da complexidade cultural, da complexidade nos processos comunicativos. Por esse motivo, torna-se insuficiente e restrita qualquer tentativa de definir o Campo da Comunicação a partir de uma única vertente de pensamento, ou determinada área de estudo, a partir de um dos pólos do processo comunicativo, ou a partir das mídias. Já não se pensa, mesmo em relação às ciências Exatas e Naturais, em fronteiras disciplinares bem demarcadas. Vive-se em uma “crise dos paradigmas”, como Lopes (2006, p. 27) assinala, aberta pelas Ciências Sociais e seus questionamentos recentes sobre as “grandes certezas”. Martino (2001), ao se referir à interdisciplinaridade, afirma que todo objeto empírico é passível de ser estudado a partir de inúmeros pontos de vista. Mas essa contribuição entre diferentes disciplinas, ressalta o autor, não implica na redução imediata de uma em relação à outra (p. 61-62). Não seria diferente com a Comunicação. Segundo Lopes, A consciência crescente do estatuto transdisciplinar do campo permite dar conta da multidimensionalidade de que na sociedade se revestem os processos comunicativos e de sua crescente importância para a produção da modernidade em países como a América Latina (2006, p. 27). A Comunicação seria um lugar estratégico para o debate sobre a modernidade, uma vez que um dos fatores que fazem dela um campo transdisciplinar seriam os fatores externos referentes ao processo histórico da globalização. As articulações com outras disciplinas tornam “possível pensar os meios e as demais indústrias culturais como matrizes de desorganização e reorganização da experiência social e da nova trama de atores e de estratégias de poder” (MARTÍN-BARBERO, 1996, p. 62 apud LOPES, 2006, p. 27). 9 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Para se entender a Comunicação na Amazônia, que internamente já se apresenta sob inúmeras formas e em diferentes níveis de desenvolvimento, é preciso dar atenção especial às formas culturais e, portanto, aos estudos e disciplinas que tradicionalmente trabalham com o tema da cultura. Isso não pressupõe, segundo Martín-Barbero (apud LOPES, 2006, p. 27), a dissolução dos problemas-objeto da Comunicação nos de outras disciplinas sociais. 3.1 CONSTITUIÇÃO DA CULTURA AMAZÔNICA: ALGUNS ELEMENTOS A configuração da cultura na região amazônica, apesar da multiplicidade com que se apresenta ao longo do território, demonstra particularidades que “se repetem” entre as diversas formas de manifestação cultural. Um pouco da história ajuda-nos a compreender as suas peculiaridades: até meados do século XX, o isolamento da região ainda era significativo, não apenas em relação ao restante do Brasil, mas em relação à própria América Latina. O território que com isso se assegurou para o futuro foi dos mais expressivos. Isso se deve em parte à fraqueza dos movimentos de expansão vindo do Pacífico (...). Deve-se também atribuir um peso considerável à principal via de penetração – o rio Amazonas – e ao gênero de ocupação que se afirmou: ralo, linear, ao longo dos rios (VELHO, 1981, p. 35 apud LOUREIRO, 2000, p. 24). Esse isolamento da região foi o responsável, segundo Loureiro (2000), pelas singularidades da região em relação ao conjunto do Brasil. Foi ele que permitiu, por exemplo, [...] a predominância numérica dos índios e caboclos durante alguns séculos, a economia apoiada no extrativismo da floresta, na qual o caboclo constitui um elemento-chave em face do saber acumulado sobre o hábitat natural, e a persistência da cultura cabocla diante das outras contribuições que viriam a ocorrer nas últimas décadas (LOUREIRO, 2000, p. 29). O relativo isolamento não impediu a complexificação do espaço e da cultura amazônicos, mas permitiu o desenvolvimento de uma dinâmica sócio-cultural que lhe é peculiar. Distante dos centros urbanos, algumas populações ainda vivem sob um ritmo de vida em grande parte determinado pela natureza, de onde vem a busca para desvendar os fenômenos e segredos de seu mundo, através dos mitos e da estetização. Para Loureiro, é a monumentalidade da natureza, de grandes proporções, que instiga o caboclo à compreensão imaginativa. Diferentemente do espaço da cultura urbana, e isso é válido para o restante do Brasil, nas regiões interioranas da Amazônia, sobretudo da Amazônia ribeirinha 9, a cultura em 9 Refere-se às populações que se constituíram e se desenvolveram nas margens ao longo dos rios que banham a região. 10 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA muitos momentos ainda está ancorada num ambiente onde a oralidade prevalece. A despeito de todos os avanços eletrônicos e digitais vivenciados atualmente, em que uma gama de informações textuais e imagéticas pode ser armazenada e compartilhada entre múltiplos indivíduos espalhados por todo o mundo, esse hábito permanece como um mecanismo de extrema importância para a manutenção de determinadas culturas na medida em que se configura como uma das principais – se não a única – formas de transmissão de conhecimento, crenças, valores, e hábitos dentro de uma comunidade. A cultura do ambiente interiorano ribeirinho é aceita como uma das mais representativas da cultura amazônica, é “aquela em que podem ser percebidas, mais fortemente, as raízes indígenas e caboclas tipificadoras de sua originalidade” (LOUREIRO, 2000. p. 57). Daí a importância da tradição oral, que muitas vezes é a condicionante para que outras tradições culturais continuem a existir 10. Isso porque, sendo um hábito predominante das culturas populares, cujos membros em sua maioria são analfabetos ou não tiveram uma formação educacional completa, a forma de transmissão de todo conhecimento é realizada através da troca de experiências e do “falar”. Se o hábito deixa de existir, dificilmente a tradição permanece porque a memória deixa de ser transmitida às novas gerações. Entretanto, Loureiro (2000) ressalta que a cultura do mundo rural de predominância ribeirinha dialoga com a cultura do mundo urbano, no qual realiza contribuições, assim como a cultura urbana contribui para a cultura rural: “Interpenetram-se mutuamente, embora as motivações criadoras de cada qual sejam relativamente distintas” (p. 57). É nessa relação de interação que reside o foco deste trabalho. Procura-se chegar ao entendimento de que a Comunicação e a modernidade não apenas dialogam com as culturas tradicionais, mas também permitem que as diferentes culturas dialoguem entre si, o que não provoca homogeneização ou necessariamente se configura como prejudicial para as culturas locais, sobretudo as de origem popular tradicional. Entretanto, cabe ressaltar que toda essa discussão não exclui a possibilidade de conflito, de desigualdades e da hegemonia de determinadas formações culturais e comunicacionais em relação a outras. É preciso conhecer em que medida os fatores decorrentes do crescimento exponencial dos contatos interculturais podem afetar de alguma 10 De acordo com o Ministério da Cultura, que mantém uma ação nacional voltada para a preservação da tradição oral (o “Ação Griô”), “A transmissão oral permeia as mais diversas culturas e independente da origem ou da etnia muitos povos tem a oralidade como única fonte da perpetuação de sua história”. Cf. http://www.cultura.gov.br/culturaviva/category/cultura-ecidadania/acao-grio/ (Acesso em 14 de dezembro de 2010) 11 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA maneira a manutenção das culturas locais situadas fora do sistema mundial onde circulam bens e valores culturais. No caso da Amazônia, que desde o período de colonização do Brasil esteve submetida a inúmeros conflitos culturais, é preciso verificar em que medida esses conflitos do passado permanecem, se transformaram em outro tipo de interação ou, em última instância, não existem mais. Loureiro destaca os principais conflitos de signos pelos quais a história cultural da Amazônia passou. O primeiro deles ocorreu nos primeiros séculos após a chegada dos portugueses no Brasil, quando a catequese e a pedagogia dos jesuítas trouxeram seus símbolos religiosos, morais, culturais estranhos às populações indígenas e ribeirinhas. Outro teria ocorrido durante o Ciclo da Borracha, quando a tentativa de imposição de padrões culturais vindos de fora – especialmente da Europa e, mais especificamente, da França – “serviu [também] como estimuladora do imaginário „de fora‟ sobre a região (...), [onde] se originam concepções estigmatizadoras da cultura da origem cabocla, vista como inferior, primitiva e „folclórica‟, tendo o folclore, nesse caso, o sentido rebaixado de cultura primária, superficial e puramente lúdica” (LOUREIRO, 2000, p. 73-74). Por fim, outro conflito simbólico apontado pelo autor consiste na crescente abrangência da televisão na região. Esta, sobretudo a partir da instalação de equipamentos de videotape nas emissoras de rede, com seus vídeos produzidos nos maiores centros brasileiros (Rio de Janeiro e São Paulo), geraram uma “inversão ideológica na avaliação do gosto artístico, privilegiando como melhor e superior a programação veiculada pelo videotape” (idem, p. 74). O poder de comunicação do vídeo, seu alcance, o fascínio de suas imagens seriam novos fatores simbólicos que entram em conflito com os símbolos da cultura do homem natural da região: Além disso, diferentemente do rádio, que é pura oralidade, a televisão impõe o silêncio ao espectador, ao mesmo tempo em que sua imagem redimensiona uma comunicação social antes basicamente oralizada. Por meio dessa linguagem de imagens a cidade penetra persuasivamente no campo, no imaginário das pessoas que antes representava expressão de integração com a vida (LOUREIRO, 2000, p. 75). Na perspectiva dos estudos culturais britânicos, é possível afirmar que existe sim um “sistema cultural dominante”, e que esse sistema faz uso dos meios de comunicação para atuar. Entretanto, não se pode concluir que as mídias manipulam e que a resistência imposta aos seus produtos seja considerada “mecanismo de defesa”. “O que se tem, então, sob os olhos é uma „cultura do outro‟ (...), que não se deixa assimilar inteiramente e encontra suas 12 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA próprias formas de adequação e pertença a configurações que lhe são próprias” (POLISTCHUCK; TRINTA, 2003, p. 131 ). Isto nos permite afirmar que, apesar dos conflitos simbólicos entre padrões culturais diferentes, entre formas de comunicação diferentes, a cultura amazônica mantém seu caráter tradicional. A hipótese é de que este tradicional se desterritoriza: assim, a oralidade supostamente deixa de ser somente veículo de uma tradição identitária e passa a absorver outros elementos (os mitos, as lendas, a transmissão de saberes tradicionais passam a conviver com as novelas, com o jogo de futebol). A oralidade passa a tratar de temas desterritorizados (“de fora”), e as pessoas passam a transmitir também informações sem a vivência dos fatos. 4 Comunicação híbrida, culturas híbridas Uma vez que os atores da cultura popular tradicional são pessoas simples e que muitas vezes não dispõem das mesmas estruturas para concorrer num cenário global com as culturas dominantes, surgem questões relativas à presença dos bens e valores globais na vida das inúmeras populações do mundo, entre elas a das populações tradicionais da Amazônia. Nesse caso, um aspecto merece destaque porque envolve diretamente a comunicação numa configuração local e no que ela difere das tendências atuais modernas: a oralidade tradicional. Os estudos culturais têm convergido para a teoria de que a globalização não produziu a unificação cultural. Ao contrário, deu margem para a interculturalidade, uma forma de relação entre as diferentes culturas, mas cujo conceito, de acordo com García-Canclini, vai além do de hibridação cultural: enquanto esta “designa um conjunto de processos de intercâmbios e mesclas de culturas, ou entre formas culturais”, a interculturalidade abrange as relações conflitivas entre as culturas: No mundo contemporâneo, o incremento de viagens, de relações entre as culturas e as indústrias audiovisuais, as migrações e outros processos fomentam o maior acesso de certas culturas aos repertórios de outras. Em muitos casos essa relação não é só de enriquecimento, ou de apropriação pacífica, mas conflitiva. [...] Em todo esse contexto vemos que os processos de hibridação são uma das modalidades de interculturalidade, mas a noção de interculturalidade é mais abrangente, inclui outras relações entre as culturas, intercâmbios às vezes conflitivos (GARCÍA- CANCLINI. Disponível em: http://www.edusp.com.br/cadleitura/cadleitura_0802_8.asp). Sabe-se que é inevitável que aspectos culturais de outros lugares acabem sendo trazidos paras as culturas locais, devido à intensificação da comunicação e das relações entre os mais variados lugares do mundo. Com os meios de comunicação de massa, do jornal 13 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA impresso à televisão, tornou-se possível obter informações de lugares separados por regiões continentais, conhecer outros lugares e diferentes culturas. Esse processo intensificou-se ainda mais com a Internet e a formação de uma rede de relações mundiais. Todos esses processos que marcam a época contemporânea, porém, não acabaram com as culturais locais, posto que estas são dotadas da capacidade de ressignificar e adaptar os produtos globais ao contexto regional. É importante, porém, perceber de que maneira esse processo ocorre e se a adaptação se configura como uma “perda” para essas culturas, comprometendo a natureza tradicional dessas manifestações culturais. O estudo dos processos comunicativos em momentos e contextos diferentes, sua evolução ao longo da história e as implicações sociais dela decorrentes é fundamental para se entender também os comportamentos dentro do campo cultural. Quando o processo comunicativo constitui, em si mesmo, uma tradição cultural – como é o caso da oralidade na Amazônia –, a importância desse tipo de estudo torna-se ainda maior. É assim que se pretende estabelecer uma relação próxima e de interdependência entre a emergência da modernidade, o desenvolvimento da comunicação e o processo de hibridação cultural. Entende-se que, num contexto marcado por formas múltiplas de comunicação, em que oralidade (tradicional) interage com audiovisual e internet (formas modernas de comunicação), tem-se um mosaico comunicacional, híbrido, que não acarreta forçosamente um aniquilamento das formas tradicionais. É assim que também as culturas se comunicam, formando uma paisagem de hibridismos na modernidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAGA, José Luiz. Constituição do Campo da Comunicação. In: NETO, Antônio Fausto; PRADO, José Luis Aidar; PORTO, Sérgio Dayrrel (Org.). Campo da comunicação: Caracterização, problematizações e perspectivas. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2001. ______. Os estudos de interface como espaço de construção do Campo da Comunicação. In: XIII Encontro da Compós, 2004, São Bernardo do Campo/SP. Biblioteca online da Compós, GT Epistemologia da Comunicação. COELHO, Teixeira. O que é indústria cultural. 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