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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
artigo
Inovação em processos para a Análise
Ergonômica do Trabalho: Uma nova
rede de cooperação em ergonomia entre
Universidade – Empresas – Sociedade

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Aline França de Abreu
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1. INTRODUÇÃO
O
O objetivo da ergonomia é alterar os sistemas de trabalho, por
meio da modificação dos modus operanti, para adequá-los às características, habilidades e limitações dos trabalhadores com vistas ao seu
desempenho eficiente, confortável e seguro e, concomitantemente,
agregar valor ao desempenho global do sistema ser humano-tarefa-ambiente. A inadequação dos postos de trabalho à população de
trabalhadores constitui um problema social importante com reflexos
nas questões de requalificação, saúde e economia.
Segundo Santos e Zamberlan (1992), a “ergonomia tem como
finalidade conceber e/ou transformar o trabalho de maneira a manter
a integridade da saúde dos operadores e atingir objetivos econômicos. Os ergonomistas são profissionais que têm conhecimento sobre
o funcionamento humano e estão prontos a atuar nos processos
projetuais de situações de trabalho, interagindo na definição da
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
organização do trabalho, nas modalidades de seleção e treinamento, na definição
do mobiliário e ambiente físico de trabalho”.
Para se desenvolver projetos de aplicação da metodologia da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é necessário o apoio de uma estrutura laboratorial
para favorecer o estudo em uma dimensão implícita, considerando a atividade
como elemento central para instrumentalizar o desempenho dos sistemas de
produção nas empresas, cujo objetivo é atingir um funcionamento estável em
qualidade e produtividade. A análise dos postos de trabalho tem o intuito de
identificar as possíveis causas de deficiências que o processo pode causar aos
colaboradores e, acredita-se que, para a economia regional. Para a identificação
das origens das causas de deficiências na saúde empresarial, torna-se necessária
uma análise detalhada das condições ambientais, técnicas e organizacionais do
trabalho, bem como o comportamento do ser humano no desenvolvimento de
suas atividades. Uma das formas de compatibilizar os sistemas técnico e social
é a visão antropocêntrica da ergonomia, a qual privilegia as mudanças organizacionais e as mudanças no conceito de produtividade, a partir da qualidade de
vida no trabalho.
Para o incremento do Produto Interno Bruto (PIB), no contexto das pequenas e médias empresas, torna-se relevante a inserção de iniciativas em inovação tecnológica, na economia do conhecimento voltada para o oferecimento de
boas condições de trabalho, do ponto de vista ergonômico, buscando a criação
de valor sustentável a partir dos ativos intangíveis que influenciam o próprio
trabalhador, como: ambiente, tarefa, posto, meios de produção, organização do
trabalho, as relações entre produção e salário etc., que devem permear e conectar
interativamente a universidade, as empresas e a sociedade como um todo. Para
que tais iniciativas ocorram com efetividade dentro do contexto supra-citado,
faz-se necessário o alinhamento de uma rede de cooperação entre universidade
e pequenas e médias empresas foco do estudo, exercendo a universidade um
papel de conector e animador dessa rede, estimulando a inovação, a solução de
problemas e a melhoria contínua e, por conseqüência, minimizando o hiato das
interfaces do tecido econômico-social.
As relações interinstitucionais entre Universidade - Empresas - Sociedade
podem ser redesenhadas para criarem condições de crescimento econômico
por meio do desenvolvimento da troca e conversão do conhecimento acerca
das boas práticas em ergonomia. O alinhamento das ações dos integrantes desta
rede deve concentrar-se principalmente no compartilhamento e transferência de
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
conhecimento técnico e, na operacionalização de estratégias de operações, tanto
de forma corretiva - melhorias em sistemas já existentes - quanto de maneira
prospectiva - melhorias nos sistemas de trabalho em fase de concepção e projeto.
Essa cooperação pode ocorrer com o aperfeiçoamento da utilização dos recursos
nos diversos ambientes de trabalho, através da atuação de um conector como o
Laboratório de Ergonomia, do Núcleo de Engenharia de Produção, estruturado
na Universidade Federal de Sergipe (LabErgon/UFS).
Outro ponto forte da proposta, a abordagem da mesma em conformidade
com as diretrizes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), dentro do
Programa de Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas, uma das ações
de C,T&I, cuja meta é: “Desenvolver um ambiente favorável à dinamização do
processo de inovação tecnológica nas empresas visando a expansão do emprego,
da renda e do valor agregado nas diversas etapas de produção. Este é um dos
objetivos desta proposta aqui descrita, que estimula a inserção de um maior
número de pesquisadores no setor produtivo, a difusão da cultura da absorção do conhecimento técnico e científico e a formação de recursos humanos
para inovação. No escopo do projeto ainda, está proposto a implementação da
metodologia da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) em empresas da Rede
de Petróleo e Gás do estado de Sergipe, que prioriza aplicação de pesquisa nos
Arranjos Produtivos Locais.
O MCT incentiva Programas de Cooperação Universidade-Empresa por meio
do Apoio à Cooperação entre Empresas e Instituições Científicas e Tecnológicas
- ICTs. É explicitado no projeto que o LabErgon/UFS oferece recursos científicos à concepção e ao uso de novas tecnologias, equipamentos, ferramentas e
novos modelos gerenciais para a melhoria das condições humanas de trabalho
nos diversos processos produtivos, bem como produtos, além de prestar apoio
pedagógico na formação de discentes e aproximar novos pesquisadores a UFS,
desenvolve e colabora em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
(PD&I) na área de Engenharia III, com vistas ao oferecimento de boas condições
de trabalho para o aprimoramento do desenvolvimento territorial.
Os projetos cooperativos de PD&I envolvem parcerias entre empresas e
ICTs, em que se incluem Universidades e Institutos de Pesquisa. O principal
foco de tais projetos reside na interseção entre demandas do setor produtivo
por novas ou melhores tecnologias (em produtos, processos e serviços) e ofertas
de conhecimento científico construído por equipes especialistas no País. Em
cooperação, empresas e ICTs poderão reduzir custos da produção, diminuir o
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
risco da inovação tecnológica, ampliar significativamente a produção científica
e a competitividade das empresas”.
Esses projetos têm sido apoiados por meio de Chamadas Públicas e Editais,
financiados pelos Fundos Setoriais, executados pelos órgãos do Ministério da
Ciência e Tecnologia (CNPq e FINEP). Portanto, entende-se que propostas alinhadas a estas estratégias da União poderiam trazer benefícios à ciência e sociedade.
Os materiais desenvolvidos e difundidos pelo MCT aduzem a importância
de se trabalhar como estratégia a realização de projetos cooperativos entre ICT
e empresas, voltando-se para apoiar pequenas e médias empresas no desenvolvimento de produtos e processos inovadores.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Ergonomia
A ergonomia é uma disciplina relativamente recente, e ao longo do tempo
apresentou várias definições que foram influenciadas pela visão dos ergonomistas.
A Associação Internacional de Ergonomia (IEA) apresentou, em meados de
2000, a seguinte definição que é referência internacional:
A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica
que visa a compreensão fundamental das interações entre os seres humanos e outros componentes de um sistema, e a profissão
que aplica princípios teóricos, dados e métodos com o objetivo
de otimizar o bem-estar das pessoas e o desempenho global dos
sistemas.
No Brasil foi criada uma Norma Reguladora em Ergonomia (NR17) que “visa
estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um
máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente”. Na mesma norma, as
condições de trabalho são definidas como “aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às
condições ambientais do posto de trabalho, e à própria organização do trabalho”.
Atualmente, a ergonomia é vista como um estudo científico transdiciplinar,
que interage com a biologia humana, a medicina do trabalho, a ciência cognitiva,
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a psicologia do trabalho, a sociologia do trabalho e a ciência da gestão relacionando o ser humano com o sistema.
Porém, de acordo com SILVA (2008):
[...] a transdicisplinaridade pode favorecer a compreensão dos benefícios da aplicação das recomendações ergonômicas na rotina
dos trabalhadores e, conseqüentemente, nos resultados globais
da organização, no contexto da inovação organizacional, advindo
da interação entre empresa e instituições de ensino/pesquisa.
Quanto à especialização, a ergonomia apresenta de três áreas específicas, a
saber: Ergonomia física; cognitiva e organizacional
A ergonomia física trata das características anatômicas, antropométricas,
fisiológicas e biomecânicas do homem em relação à atividade, observando a
postura de trabalho, a manipulação de objetos, os movimentos repetitivos, os
problemas osteo-musculares, o leiaute do posto de trabalho, a saúde e segurança.
A ergonomia cognitiva trata dos processos mentais, como memória, percepção, raciocínio e respostas motoras numa relação homem e os componentes
do sistema, observando os processos de decisão, o desempenho especializado,
a interação homem-máquina, a confiabilidade humana e o estresse profissional.
A justificativa para os estudos relacionados com a ergonomia cognitiva
pauta-se na assertiva de que os problemas mais graves e lesionantes do trabalho
geralmente são fundamentalmente biomecânicos, devendo uma atenção especial
ao tópico em questão, visto que, segundo Vidal e Carvalho (2008) a ergonomia
cognitiva enfoca o ajuste entre habilidades e limitações humans às máquinas, a
tarefa, ao ambiente, observando o uso de certas faculdades mentais, aquelas que
nos permitem raciocinar e tomar decisões no trabalho.
A ergonomia organizacional trata da otimização dos sistemas sociotécnicos,
estrutura organizacional, regras e processos, onde se observa a comunicação, a
gestão do coletivo, a concepção do trabalho e dos horários, a ergonomia comunitária e o trabalho cooperativo (FALZON, 2007).
Segundo Falzon (2007), o ergonomista possui quatro categorias de conhecimentos que são utilizados em situação de ação, são elas:
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• Os conhecimentos gerais sobre o ser humano em ação
• Os conhecimentos metodológicos
• Os conhecimentos específicos e
• Os conhecimentos eventuais.
Dessa forma, percebe-se que o ergonomista é habilitado a atuar em qualquer
ação, sendo esta prevista ou eventual.
A metodologia mais comumente utilizada é a Análise Ergonômica da Tarefa
(AET), que, segundo Santos (2001):
procura estudar o trabalho não só na sua dimensão explícita
(tarefa), conforme definido pela engenharia de produção, mas,
sobretudo, na sua dimensão implícita (atividades), característica
do conhecimento tácito do pessoal de nível operacional.
Conforme observa Silva (2008), a AET na dimensão implícita “considera a
atividade como elemento central para instrumentalizar o desempenho dos sistemas de produção, objetivando atingir um funcionamento estável em qualidade e
quantidade”. Portanto, cabe ao ergonomista implementar ações que minimizem
os riscos à saúde e segurança do trabalhador, aumentando a auto estima, a produtividade e minimizando as perdas econômicas da região.
2.2 Gestão do Conhecimento, Inovação, Interação Universidade-Empresa e Redes
A Gestão do Conhecimento procura compreender, a partir dos recentes
avanços nas tecnologias de informática e de telecomunicações, e das conclusões
das teorias sobre criatividade e aprendizado individual e organizacional, de que
maneira os investimentos nesta área podem de fato aumentar a capacidade de
gerar, difundir e armazenar conhecimento de valor para as empresas. Gasparetto (2006) ressalta que as organizações que se constituírem como organizações
de aprendizagem e que descobrirem como despertar a capacidade de aprender
das pessoas em todos os níveis da organização, obterão sucesso e conseguirão
manter-se no mercando competitivo.
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Segundo Murray (2004), gestão do conhecimento é uma estratégia que transforma bens intelectuais da organização – informações geradas pelos seus processos e o talento de seus colaboradores – em maior produtividade, novos valores e
aumento da competitividade. O objetivo principal da gestão do conhecimento é
tornar acessível o conhecimento para que as pessoas possam utilizá-los no momento oportuno, para ajudar não somente na execução de tarefas e tomadas de
decisão, mas também no processo de geração de idéias e inovação das empresas.
O conhecimento é informação trabalhada por pessoas e pelos recursos
computacionais, gerando cenários, simulações e oportunidades (IATROS, 2005).
Seguindo este mesmo raciocínio Aranha (1992) afirma que todo conhecimento
pressupõe o sujeito que quer conhecer o objeto a ser conhecido (como por exemplo, as mídias digitais que estendem e ampliam a capacidade de conhecer e ser
conhecido). Glasersfelt (1988) argumenta que todo conhecimento está relacionado
à ação e que as idéias não têm valor se não forem transformadas em ações que
reconstroem de alguma forma o mundo em que se vive.
A economia centrada na era do conhecimento desloca, segundo Lastres
(1999), o eixo da riqueza e do desenvolvimento de setores tradicionais para setores de tecnologia e inovação. Pode-se a firmar que a atual economia requer um
perfil de trabalhador capaz de pensar, raciocinar, decidir e de partilhar conhecimentos, contribuindo, desta forma, para o processo de inovação da empresa
na qual está inserido.
O conhecimento é visto como elemento diferenciador, gerando vantagem
competitiva nas organizações modernas. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997,
p. 83) com relação à criação do conhecimento: “a essência da estratégia está no
desenvolvimento da capacidade organizacional de adquirir, criar, acumular e
explorar o domínio do conhecimento”.
Por outro lado, a crescente necessidade de investimento em tecnologia
torna-se uma causa de sobrevivência para a indústria. Nota-se que o acesso à
tecnologia geralmente é difícil e, muitas vezes, inviável para grande parte dos
empresários.
Neste contexto, a cooperação entre a universidade e o setor produtivo tem
se destacado como importante mecanismo para estimular tal capacidade nas
empresas, pela transferência de conhecimento científico. O resultado dessa prática é o conseqüente avanço tecnológico e inovação, principalmente nos países
subdesenvolvidos e em desenvolvimento, onde a globalização intensificou as
dificuldades para o crescimento industrial (França, 2001).
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A interação universidade-empresa é um processo que pode gerar benefícios
bilaterais, apesar das dificuldades decorrentes desse relacionamento. ¿Uma das
principais vantagens desta relação está no fato das universidades auxiliarem as
empresas na busca por competitividade, apoiando a pesquisa e desenvolvimento
nas empresas fomentando a inovação tecnológica (França, 2001).
Sendo assim, a transferência, para o setor produtivo, de tecnologias geradas
em centros de pesquisa, universidades, institutos e em outras empresas é de suma
importância para o aumento da competitividade empresarial em busca de novos
mercados e da própria sobrevivência destas no mercado interno e externo. Neste
contexto a interação entre esses segmentos surge como um mecanismo poderoso
para o acesso à tecnologia, porém precisa ser estrategicamente incentivada para
se obter resultados expressivos.
De acordo com GOEDERT (1999), a estruturação de uma rede não implica
necessariamente em ganhos monetários. Ela poderá influenciar o desenvolvimento sócio-econômico de uma região, preservar a função ecológica e aumentar
a qualidade de vida, indiretamente, dos indivíduos pertencentes à rede.
Para LIPNACK e STAMPS (1994) as principais razões para as organizações
atuarem em rede são:
•marketing: venda em conjunto, pesquisas de mercado, marca conjunta,
serviços de exportação e avaliação das necessidades comuns;
• treinamento: habilidades básicas, gerais e específicas;
•recursos: aquisições conjuntas, armazenagem conjunta, coordenação de
fornecedores, equipamentos especializados e serviços profissionais
• P&D: desenvolvimento em conjunto de produtos/serviços, de processos,
compartilhamento de pesquisa e inovações e transferência e difusão de
tecnologias
•pesquisa: programa de qualidade, padronização, benchmarking e compartilhamento de padrões internos.
O entendimento sobre as relações comportamentais inter ou intraorganizacionais, segundo TORNARTKY E FLEISHER (1990), tem sido limitado nos estudos
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
que envolvem o processo de inovação. Para os mesmos a relação é vista como
uma atividade voluntária, uma vez que os mesmos são focados para a análise de
redes de trabalho de indivíduos dentro de uma especialidade científica. Segundo
os autores, as relações devem ser analisadas sob a ótica das metas, papéis, regras,
hipóteses e expectativas sobre comportamento e resultados. Nesta perspectiva,
pessoas, em uma determinada organização, utilizam um amplo vocabulário social, econômico, técnico, político - para descrever o que está ocorrendo.
De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE (2005), INOVAÇÃO é entendida como a implementação de um
produto (bem ou serviço) novo ou significamente melhorado, ou um processo, ou
um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas
de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. Para
Mattos et al. (2008), INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL “é a adoção ou desenvolvimento de novos métodos de organização e gestão, no local de trabalho ou nas
relações da empresa com o mercado, fornecedores ou distribuidores”. Assim é
tratada a proposta do projeto de Ergonomia. Além de se fomentar a INOVAÇÂO
ao longo de toda proposta, com vistas a “processos”, como ressaltado pelo MCT,
OCDE, Mattos et al., atenções foram dadas aos resultados esperados pelo projeto
quanto aos impactos de inovação:
•formação de agentes com perfil adequado para implementar técnicas inovadoras em ergonomia e segurança do trabalho em processos inovadores;
•possibilidade de privilégios de propriedade intelectual, prevendo-se a
participação dos pesquisadores e bolsistas envolvidos no projeto nos ganhos econômicos resultantes da exploração da tecnologia/conhecimentos
gerados;
•disseminação da cultura do empreendedorismo inovador, com base tecnológica na área de Ergonomia; e
•estímulo ao uso de novas metodologias aplicadas em Ergonomia, adotando-se o conceito de inovação organizacional.
A transferência de tecnologia a partir de um estreitamento de relações
entre universidade e empresa tem sido tema central de constantes debates e
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pesquisas. Isso se dá pela necessidade de entendimento em compreender o
que essa relação envolve o que está sendo e o que deve ser transferido, e de
que forma esse processo deve ocorrer (tanto no ambiente provedor, quanto do
receptor). Essa compreensão possibilita que o processo seja desenvolvido de
forma apropriada, atingindo seu principal objetivo que é subsidiar as empresas
a se manterem competitivas no mercado possibilitando ao país um desenvolvimento tecnológico sustentável.
Finalmente ressalta-se a importância que tem todos os componentes do
processo de transferência, como por exemplo: a informação e a infra-estrutura
necessárias para que a transferência de conhecimento ocorra entre os setores.
Dar a efetiva importância às partes que compõem o todo fará com que o processo se desenvolva em harmonia e cada detalhe passa a ser pensado e valorizado,
correspondendo às expectativas dos envolvidos.
3. Uma aplicação da Teoria - Resultados e Discussões
O estudo apresentado foi realizado em uma das empresas da Rede de Petróleo
e Gás de Sergipe, a qual chamamos de Empresa 1, na atividade de preparação do
produto, pela qual três funcionários são responsáveis. A seguir se apresentam
duas atividades críticas da preparação do produto, sua análise organizacional, a
AET e a análise ambiental.
3.1. Análise das Condições Organizacionais de Trabalho
3.1.1. Dados referentes à repartição de funções entre os diferentes postos de trabalho
A atribuição de funções é documentada através das Ordens de Serviço, que
define responsabilidades e observações relativas à Saúde, Segurança e Meio
Ambiente de cada funcionário. Não há rodízio de funções. Recomenda-se enriquecer o trabalho com base no rodízio de funções em toda a empresa devido às
melhorias nas condições físicas e organizacionais de trabalho advindas, entre
elas: redução da monotonia e da fadiga, aumento da motivação e da satisfação
com o trabalho, maior comprometimento do funcionário, reconhecimento profissional e aprendizado de todo sistema organizacional.
Durante o levantamento de informações sobre os microprocessos da empresa por meio de entrevistas não estruturadas, os trabalhadores envolvidos no
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
processo de produção afirmaram atuar indistintivamente em qualquer etapa
da fabricação do produto. A partir desta informação conclui-se que há grande
probabilidade de existir nestas circunstâncias ambiguidade de papéis. Contudo,
a partir das observações das atividades, percebeu-se a divisão clara de tarefas
entre os três funcionários. De fato, em atividades repetitivas e de baixo nível
de complexidade, foi observado e é recomendado o rodízio de tarefas entre os
funcionários de modo principalmente a minimizar o desgaste físico (como será
discutido na Análise Ergonômica do Trabalho).
3.1.2. Dados referentes ao arranjo físico das máquinas e sistemas de
produção
O leiaute adotado é do tipo funcional, onde as máquinas ou postos de trabalho são agrupados segundo o tipo de operação que realizam e as peças ou
componentes movimentados em lotes de um setor para o outro (MONDEN apud
LUZZI, 2004). Considerando que são os mesmos funcionários que executam todas
as atividades de preparação do produto, a distribuição dos setores ao longo do
galpão é inadequada, pois exige movimentação frequentes dos trabalhadores a
distâncias relativamente longas. Além disso, a análise pelo Diagrama de Fluxo
permitiu identificar que o leiaute adotado não obedece a sequencia de tarefas
da produção, como se pode observar a Figura 1.
Figura 1: Leiaute atual da produção
Uma alternativa (Opção 1) é realizar uma melhoria de leiaute de modo a
posicionar os setores conforme a sequencia do fluxo de materiais em produção e
tornar adjacentes áreas de maior movimentação entre si, como a de armazenagem
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de bombonas com água industrial e a área de produção e desta a de lavagem.
Esta recomendação está esquematizada na Figura 2.
Figura 2. Leiaute proposto da produção
Outra alternativa (opção 2) é utilizar mecanismos para reduzir o esforço
durante as movimentações de material, já que as distâncias serão mantidas, como
a paleteira elétrica apresentada na Figura 3.
Figura 3. Paleteira elétrica
3.1.3. Dados referentes à estrutura das comunicações
As comunicações no processo de produção são feitas de modo informal, por
meio de linguagem falada e gestual. Verifica-se a troca constante de informações
tanto entre os funcionários que executam as atividades quanto entre estes e os
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
que supervisionam, possibilitando a intervenção imediata nos processos, especialmente tratando-se de procedimentos de segurança na produção. Na atividade
de preparação do produto, a comparação imediata entre os tempos de produção
registrados e os tempos da produção em curso pode identificar desvios importantes no processo, como eficiência no funcionamento da bomba, por exemplo.
Na área administrativa, observam-se meios informais de comunicação de forma
oral ou escrita (e-mail, principalmente), havendo ainda documentos formais sobre
a forma de relatórios, registros e ordens de produção. A comunicação informal
é importante para proporcionar um intercâmbio intenso e rápido de informações entre os funcionários, contudo, recomenda-se a adoção de meios formais
(documentados) em situações onde se faz importante o registro e controle das
informações. Inclui-se a necessidade de adoção de indicadores de desempenho
das metas operacionais, puxadas pelas tarefas dos operadoresnas estruturas de
comunicações.
3.1.4. Dados referentes aos métodos e procedimentos de trabalho
Os métodos e procedimentos de trabalho na preparação do produto não
permitem muita flexibilidade visto que a ordem de preparação da solução é
fixa. A rotina é determinada pelo planejamento da produção, de acordo com as
entregas previstas. Os treinamentos executados visam a transmitir informações
quanto aos procedimentos de segurança, qualidade e meio ambiente na execução das tarefas, embutindo-se neste aspecto o aprendizado sobre o processo de
produção. As adequações são fruto de conhecimentos adquiridos na prática da
atividade. Observadas as questões de segurança, os modos de fabricação de um
novo produto são modelados pelo exercício de sua fabricação, acompanhada
de perto pelos funcionários de direção e gestão. Na administração, não existe
uma rotina rígida, algumas tarefas permitem a determinação de quando e como
executar, outras devem seguir modelos documentais já adotados e prazos de
execução predefinidos. O mapeamento dos métodos de execução é determinado
pelos procedimentos operacionais do sistema de gestão integrada.
Ainda pautando-se nas formas de melhoria da organização do trabalho, recomenda-se que todo funcionário recém-contratado pela empresa seja submetido,
pelo menos durante quinze dias, a um regime de rodízio de funções, de forma a
ocupar todas as funções da empresa neste período. Tal medida proporcionará o
conhecimento de todos os processos existentes na empresa.
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3.1.5. Dados referentes às modalidades de execução do trabalho
Existem normas quanto aos horários de entrada e saída e intervalo de almoço
para todos os funcionários. Em relação ao processo de produção, não são fixadas
pausas para descanso, as quais são observadas pela característica do processo
produtivo, que exige um período de espera em cada lote para “circulação” do
produto (refere-se ao tempo necessário para homogeneização da mistura). Neste
período, os trabalhadores ficam circulando pela empresa, ou simplesmente em
pé junto ao tanque de sucção, devendo sempre um deles estar atento ao nível do
tanque, que deve ser controlado pelo acionamento da bomba. Devido ao esforço
físico observado (que será discutido na Análise Ergonômica de Tarefas) e da temperatura da área de produção (que será apresentada nas Condições Ambientais
de Trabalho), pautando-se no anexo 3 da NR15, recomenda-se um intervalo de
15 minutos de descanso a cada 45 minutos de trabalho em processo de produção.
Nas atividades administrativas, quando estas envolverem entrada de dados em
computador, deve-se proporcionar uma pausa de 10 minutos a cada 50 minutos
trabalhados. Tais pausas têm por objetivo a recuperação da fadiga muscular ocasionada pelas atividades, promovendo o atendimento às necessidades fisiológicas
dos funcionários, levantar, andar e promover o contato social com os colegas de
trabalho. Estes intervalos devem ser enriquecidos com atividades de ginástica
laboral e, para os trabalhadores da produção, proporcionar a adoção da postura
sentada, em oposição à em pé exercida durante todo o processo.
3.1.6. Dados referentes às modalidades de planificação e de tomada de decisão
A estrutura hierárquica da empresa é horizontalizada, havendo contato formal e informal entre diretores e subordinados para tomada de decisões, sendo a
responsabilidade da decisão do funcionário de maior hierarquia. A aproximação
(física e organizacional) entre gestores e operadores permite a tomada conjunta
de decisões ao longo do processo produtivo em virtude das comunicações informais existentes. De fato a decisão é do funcionário de maior hierarquia, mas
“o subordinado, uma vez tendo liberdade para expor seus pensamentos perante
superiores, poderá sentir-se mais participativo” (SCHULER SOBRINHO, 2005).
Assim, a alta participação do trabalhador nas decisões sobre o seu próprio trabalho contribui para que este trabalhe mais motivado.
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3.2. Componentes do sistema ser humano – tarefa – ambiente
Execução:
Operador de Produção e
Assistente de Produção
Frequência da atividade:
Mediante demanda
Origem da Demanda:
Planejamento da Produção
Destino da Demanda:
Controle de Qualidade
Onde fazer:
Área de Produção
Figura 4. Fluxograma de atividades: Preparação do Produto
B = indica fluxograma de Atividades do Controle de Qualidade
Análise ergonômica de tarefas críticas da preparação do produto
Análise Ergonômica de Tarefas: Preparação do Produto
Origem da Demanda:
Planejamento da Produção
Destino da Demanda:
Controle de Qualidade
Atividade 1
O que fazer?
1. Buscar bombonas com matéria-prima MP007.
Quem faz?
Assistente de Produção
Quando fazer?
Mediante Demanda
Como fazer?
1.1. Acomodar bombona no carro transportador
1.2. Inclinar carro transportador
1.3. Transportar até a área de produção
Onde fazer?
Área de armazenamento de água industrial
Com o que fazer?
Carro transportador
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Análise ergonômica de tarefas críticas da preparação do produto
1.1.1. O assistente posiciona os garfos do carro transportador sob a bombona de 260 kg. Eleva o encaixe
móvel localizado na haste vertical do carro a 52 cm do piso até o encaixar na borda superior da bombona,
a 90 cm, de modo a mantê-la estável, estendendo o braço direito e inclinando um pouco a coluna para
frente. Durante toda a atividade de preparação do produto, os funcionários usam os seguintes equipamentos de proteção individual: luvas de borracha nitrílica, avental impermeável, botas impermeáveis
em PVC, óculos de segurança.
1.2.1. Coloca um dos pés (geralmente o esquerdo) sobre um suporte localizado na parte superior do carro
a 31 cm de altura e pressiona para baixo (dando um pequeno salto), este movimento, acompanhado do de
puxar o suporte para mãos em direção ao seu próprio corpo, deixa o carrinho inclinado. O carro possui
134 cm de altura.
1.3.1. Anda aproximadamente 11m empurrando o conjunto (carro e bombona) com os membros superiores
levemente flexionados e as mãos mantidas a 87 cm do piso. São transportadas 10 bombonas, deixadas
enfileiradas ao lado da área de produção.
Análise ergonômica de tarefas críticas da preparação do produto
1.1.1.1. Pode-se usar a paleteira elétrica recomendada nas condições organizacionais para realizar esta
movimentação de bombonas.
1.2.1.1. Não executar salto no momento de inclinar o carrinho.
1.3.1.1. Alteração do leiaute para aproximar área de armazenamento de água industrial da área de
produção.
1.2.1.2. e 1.3.1.2. Pode-se usar a paleteira elétrica recomendada nas condições organizacionais como
alternativa às recomendações 1.2.1.1. e 1.3.1.1
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Atividade 2
O que fazer?
2. Depositar MP007 no tanque de sucção
Quem faz?
Operador de Produção e/ou Assistente de Produção
Quando fazer?
Onde fazer?
Mediante Demanda
2.1. Aproximar bombona do tanque de sucção.
2.2. Succionar conteúdo da bombona com mangueira.
2.3. Retirar bombona
2.4. Transportá-la a área de água industrial.
Área de Produção
Com o que fazer?
Carro transportador e/ou Mangueira conectada a uma bomba
Como fazer?
Diagnóstico ergonômico:
2.1.1. O operador de produção encaixa e transporta a bombona em movimento idêntico ao descrito no
item 1.1 e aguarda por cerca de quatro minutos em pé junto a área de produção a atividade de sucção
do líquido.
2.2.1. Assistente de produção encaixa uma ferramenta metálica na tampa da bombona e gira-a cerca de
duas vezes no sentido anti-horário com o braço esquerdo. Retira a tampa, colocando-a sobre a bombona.
Introduz a mangueira na bombona elevando um pouco os membros superiores. Liga a bomba acionando
uma chave liga-desliga localizada a 1,55m a sua esquerda e a 1,22 de altura, fazendo uma rotação de
tronco para esquerda, braço esquerdo abduzido e completamente esticado. Aciona o dispositivo com a
ponta dos dedos. Inclina a bombona para a esquerda para retirar todo liquido. Acompanha a existência
de água na bombona observando um visor localizado na bomba, flexionando o pescoço, atentando-se ao
ruído emitido. Desliga a bomba, retira a mangueira e afasta a bombona segurando-a pela borda superior.
2.3.1. O operador de produção pega a bombona que foi afastada do tanque de sucção e, segurando-a pela
borda superior e com movimentos circulares, move a bombona para fora da área de produção.
2.4.1. O operador de produção leva a bombona movimentando-a inclinada, segurando-a pela borda superior e executando movimentos circulares. Por vezes coloca a bombona na horizontal e chuta-a para
o fundo do galpão. O piso da área encontra-se molhado (risco de escorregamento e contaminação). Há
valas de contenção de liquido em caso de vazamento apenas junto às paredes do galpão.
Recomendações Ergonômicas:
2.1.1.1. e 2.4.1.1.Levar uma bombona com a paleteira elétrica (recomendada nas condições organizacionais) ao local de armazenamento enquanto aguarda o esvaziamento de outra bombona.
2.2.1.1. Aproximar chave liga-desliga do posto de trabalho onde a bombona é esvaziada.
2.2.1.2. Colocar visor de líquido a altura de 1,5m (altura dos olhos funcionário).
2.3.1.1. OK
2.4.1.2. Existe dispositivo de contenção de líquido, tipo calha, nas margens do galpão onde ocorre a
produção. Contudo, recomenda-se complementar colocando este dispositivo também em torno da área
de produção, para reduzir a dispersão do produto até a sua retenção.
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Atividade 3
O que fazer?
3. Buscar matéria-prima MP1302.
Quem faz?
Operador de Produção e/ou Assistente de Produção
Quando fazer?
Onde fazer?
Mediante Demanda
3.1.Retirar embalagem de transporte.
3.2.Encaixar paleteira no palete.
3.3. Elevar conjunto
3.4. Transportar até a área de produção
Área de matéria-prima
Com o que fazer?
Paleteira.
Como fazer?
Diagnóstico ergonômico:
3.1.1. O assistente de produção corta a embalagem plástica com uma faca comum e retira-a. Flexiona a
coluna e apoia-se em apenas um dos pés para alcançar o outro lado da pilha de sacos.
3.2.1. O operador de produção busca a paleteira e encaixa os garfos no palete.
3.3.1. Flexiona e estende o membro superiores repetidamente (27 vezes) segurando no apoio para mãos da
haste da paleteira. No momento de maior flexão o suporte fica a 1,15m do piso e na maior extensão, a 72 cm.
3.4.1. O operador de produção puxa o conjunto (1000 kg só de matéria-prima) de costas para o percurso
enquanto o assistente de produção empurra o conjunto com os membros superiores estendidos e corpo
inclinado para frente.
Recomendações Ergonômicas:
3.1.1.1. Circular em torno da pilha para retirar a embalagem de modo a evitar a flexão da coluna.
3.2.1.1. OK
3.3.1.1. e 3.4.1.1. Substituir a paleteira de elevação manual por uma de elevação elétrica, como o modelo
indicado na Figura 5.
Figura 5. Modelo de substituição da paleteira de elevação manual por elétrica
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Atividade 4
O que fazer?
4. Depositar MP1302 no tanque de sucção
Quem faz?
Operador de Produção
Quando fazer?
Como fazer?
Onde fazer?
Mediante Demanda
4.1. Pegar saco
4.2. Colocá-lo sobre a borda do tanque.
4.3. Depositar conteúdo
4.4. Misturar no tanque
Área de Produção.
Com o que fazer?
Manual
Diagnóstico ergonômico:
4.1.1. O operador de produção pega o saco pelas extremidades com as mãos e apoia-o sobre os dedos
e antebraço. Faz rotação de tronco, flexão da coluna e, dependendo da altura da pilha e localização do
saco, efetua alguns passos, conforme pode ser observado na Figura 5. Ressalta-se que o funcionário
alega sentir dores na região lombar em períodos de produção intensa, onde são produzidos até três
lotes do produto por dia.
4.2.1. Ergue-o até a borda do tanque (89 cm de altura) flexionando os membros superiores.
4.3.1. Corta a extremidade do saco voltado para dentro do tanque com uma faca. Deixa o saco na vertical
para descida do produto. Deposita o saco vazio em um tanque destinado aos resíduos.
Obs.: Para os três itens anteriores serão apresentadas mais a diante a análise postural pelo método
RULA e a análise do Limite de Peso Recomendado pela equação NIOSHI.
4.4.1. Enquanto a matéria-prima é depositada, o assistente de produção mistura a solução com um
bastão plástico, executando movimentos circulares com os membros superiores no sentido anti-horário,
inclina o tronco para frente e se apoia sobre a perna direita, um pouco a frente da esquerda. Movimenta-se ao redor do tanque. Aciona periodicamente a bomba, deslocando-se cerca de 2 passos, estendendo
os membros superiores e acionando a chave liga-desliga com a ponta dos dedos
Recomendações Ergonômicas:
4.1.1.1. Usar dispositivo permita maior elevação (mesa elevadora de palete.), como a plataforma de
elevação hidráulica da Figura 6. Aproximar conjunto do tanque de sucção.
4.2.1.1. e 4.3.1.1. OK
Obs.: Para os três itens anteriores serão apresentadas mais a diante a análise postural pelo método
RULA e a análise do Limite de Peso Recomendado pela equação NIOSHI, resultando no detalhamento de
recomendações.
4.4.1.1. Substituição da mistura manual por mistura através de agitador mecânico.
Obs.: Para o item anterior será apresentada mais a diante a análise postural pelo método RULA, resultando no detalhamento das recomendações.
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Atividade 5
O que fazer?
5. Buscar matérias-primas MP1804 e MP105
Quem faz?
Operador de Produção
Quando fazer?
Como fazer?
Mediante Demanda
5.1. Colocar sacos de matéria-prima sobre plataforma
5.2. Transportar até a área de produção
Onde fazer?
Área de matéria-prima
Com o que fazer?
Plataforma de transporte
Diagnóstico ergonômico:
5.1.1. Flexão da coluna para pegar saco de 50 kg sobre palete a 20 cm do piso e colocá-lo sobre o palete.
Coloca o saco na horizontal apoiando as extremidades sobre as mãos. Devido ao caráter corrosivo do
composto, usa máscara respiradores com filtro para gases ácidos e vapores orgânicos.
5.2.1. Puxa o conjunto (palete e paleteira) pelo apoio para mãos da paleteira. Extensão do membro
superior direito.
Recomendações Ergonômicas:
5.1.1.1. Flexionar os joelhos para alcançar o saco.
5.2.1.1. Alteração do leiaute para aproximar área de matéria-prima da área de produção. Alternativamente, pode-se reduzir o esforço muscular com o uso da paleteira elétrica, conforme foi apresentado
na da Figura 3.
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Figura 6. Rotação do tronco e flexão da coluna
Figura 7. Mesa Elevadora de Palete
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Atividade 6
O que fazer?
6. Depositar MP1804 e MP105 no tanque de sucção
Quem faz?
Operador de Produção
Quando fazer?
Mediante Demanda
Como fazer?
6.1. Pegar matéria-prima MP1804 no palete
6.2. Pesar
6.3. Depositar matéria-prima MP1804 no tanque
6.4. Pegar matéria-prima MP105 no palete
6.5. Depositar matéria-prima MP105 no tanque de sucção
Onde fazer?
Área produção
Com o que fazer?
Manual
Diagnóstico ergonômico:
6.1.1. Flexiona a coluna, pega o saco e coloca-o na vertical. Retira-o do palete e coloca ao lado da balança, ainda com a coluna flexionada. Usa uma pequena barra de ferro para fragmentar os cristais de
matéria-prima.
6.2.1. Usando um respirador para gases ácidos, posiciona o balde sobre a balança e corta o saco com
uma faca, com a coluna flexionada. Ergue-se um pouco e despeja vagarosamente o conteúdo do saco no
balde, observando o peso no display digital da balança.
6.3.1. Ergue-se totalmente e move-se cerca de três passos em direção ao tanque. Flexiona os membros
superiores para depositar conteúdo do balde no tanque.
6.4.1. Flexiona a coluna, pega o saco com as mãos, posiciona-o na vertical sobre o palete e corta-o com
uma faca.
6.5.1. Ergue-se e, com uma rotação de tronco, apóia o saco sobre a borda do tanque e despeja vagarosamente o conteúdo dentro do tanque.
Recomendações Ergonômicas:
6.1.1.1. e 6.4.1.1. Idem 4.1.1.1 - Usar dispositivo que permita maior elevação (mesa elevadora de palete.).
Fragmentar cristais com o saco sobre o palete.
6.2.1.1. Cortar com o saco sobre o palete. Flexionar os joelhos para alcançar o balde.
6.3.1.1. OK
6.5.1.1. Aproximar palete do tanque de sucção.
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
O que fazer?
Quem faz?
Quando fazer?
Como fazer?
Onde fazer?
Com o que fazer?
Atividade 7
7. Elevar ao tanque de mistura
Assistente de Produção
Mediante demanda
7.1. Acionar bomba
7.2. Fragmentar resíduos de matéria-prima sólida
Área de produção
Manual
Diagnóstico ergonômico:
7.1.1. Aciona a bomba em intervalos irregulares, conforme nível do líquido no tanque de sucção. Desloca-se cerca
de 2 passos, estendendo os membros superiores e acionando a chave liga-desliga com a ponta dos dedos.
7.2.1. O assistente de produção usa uma peneira, imerge-a na solução, coleta partículas grandes de material sólido e pressiona com a mão para fragmentá-las. Permanece de pé junto ao tanque de produção
por cerca de cinco minutos. Tronco inclinado para frente e pescoço flexionado
Recomendações Ergonômicas:
7.1.1. Aproximar o dispositivo liga-desliga do posto de trabalho.
7.2.1. Deve-se evitar que o funcionário mantenha um contato tão direto com o produto. O uso do agitador mecanizado, proposto como alternativa de substituição da mistura manual dispensará a execução
desta atividade visto que o equipamento é capaz de fragmentar de modo mais eficiente às partículas
da matéria-prima.
Atividade 8
O que fazer?
Quem faz?
Quando fazer?
Como fazer?
Onde fazer?
Com o que fazer?
8.Circulação do Produto
Assistente de Produção e/ou Operador de Produção.
Mediante demanda
8.1. Acompanhar vazão
8.2. Preparar bombonas para retirada do produto
Área de produção
Manual
Diagnóstico ergonômico:
8.1.1. Aguardam aproximadamente 30 minutos de mistura em pé. Atentam-se para os ruídos da bomba
e para o nível de líquido no tanque para acionar chave e ajustar vazão.
8.2.1. Manuseiam as bombonas vazias inclinadas da área de armazenagem até enfileirá-las próximo a balança.
Recomendações Ergonômicas:
8.1.1.1. Colocar na área de produção assentos de material lavável para evitar contaminação. Usar este
período para proporcionar a posição sentada e realização de ginástica laboral.
8.2.1.1. OK
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
A análise preliminar das posturas de trabalho durante a preparação do
produto apontou a necessidade de verificações mais completas. Optou-se pela
adoção de uma análise postural pelo método RULA e pela aplicação da equação
NIOSHI para calcular os limites de peso recomendáveis em levantamento e
transporte manual de carga. A seguir são apresentados os dados para a análise
ergonômica da tarefa.
Análise pelo Método RULA
Operador de produção: atividade de deposição de matéria-prima:
Figura 8. Deposição de matéria-prima
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Braço – 3: braço flexionado aproximando-se de um plano perpendicular ao tronco ao nível do ombro.
Antebraço – 2: movimento de flexão do antebraço.
Punho – 1: punho reto.
Giro de punho – 1: não há giro de punho.
Acréscimos: Postura repetitiva: +1
Carga maior que dez quilos: +3
Resultado total do Grupo A: 7
Pescoço – 1: posição normal.
Tronco – 5: tronco flexionado até quase a horizontal, havendo ainda flexão lateral.
Pernas – 1: pés apoiados.
Acréscimos: Postura repetida : +1
Carga maior que dez quilos: +3
Resultado total do Grupo B: 9
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Análise Ergonômica da Tarefa:
Nível 4 – escore final sete indica que deve ser realizada uma investigação
e mudanças imediatas.
Os riscos ergonômicos que a tarefa apresenta estão relacionados ao levantamento de peso com os membros superiores, a repetitividade da tarefa e a redução
na altura da pilha ao longo da atividade. A pilha de sacos da matéria-prima no
início da atividade é de 87 cm, quase ao mesmo nível do tanque de deposição
(89 cm) e a altura compatível com o alcance do trabalhador em pé, sem exigir
flexão de coluna ou membros inferiores (99 cm= altura do cotovelo em pé).
Nesta situação, há movimentação dos membros superiores e deslocamento ao
redor do palete, se necessário. Contudo, a medida que o material é depositado,
a altura da pilha se reduz, chegando a um mínimo de 20 cm, postura crítica
usada na análise postural pelo RULA. Koemer e Grandjean (2005) alertam para
o fato de que, “se uma pessoa se curva até que a parte superior do corpo fique
praticamente na horizontal, então o efeito de alavanca impõe uma pressão muito
grande nos discos da coluna lombar”, o que, com o tempo, pode levar a intensas
dores nesta região do corpo.
Recomenda-se utilizar um mecanismo de elevação do palete que possibilite
ao operador aumentar a altura da pilha à medida que deposita os sacos. Há necessidade também de aproximar o palete do tanque de sucção e reduzir a altura
deste. As alturas de trabalho devem ser tais que o palete e a borda do tanque
estejam no mesmo nível.
Assistente de produção: atividade de mistura manual
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Figura 9. Operador realizando mistura manual
Braço – 4: flexão de braço até acima do nível do ombro.
Antebraço – 2: flexão de antebraço.
Punho – 2: extensão do punho.
Giro de punho – 1: não há giro de punho.
Acréscimos: Postura estática : +1
Não há carga: 0
Resultado total do Grupo A: 5
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Pescoço – 1: pescoço pouco flexionado.
Tronco – 2: tronco pouco flexionado.
Pernas – 2: eleva constantemente um dos pés do chão.
Acréscimos: postura estática : +1
Não há Carga: 0
Resultado total do Grupo B: 4
Análise Ergonômica da Tarefa:
Nível 3 – escores finais cinco ou seis indicam que deve ser realizada uma
investigação e mudanças deverão ser realizadas em um curto prazo.
O assistente de produção mistura a solução com um bastão plástico cilíndrico,
executando movimentos circulares com os membros superiores no sentido anti-horário. Inclina o tronco para frente e apóia-se sobre a perna direita, um pouco
a frente da esquerda, movimenta-se ao redor do tanque. Aciona periodicamente
a bomba, deslocando-se cerca de dois passos, rotacionando o tronco, abduzindo
o braço e acionando a chave liga-desliga com a ponta dos dedos. A atividade
é repetitiva e o esforço muscular exigido aos membros superiores aumenta de
acordo com o aumento da densidade da solução que é misturada.
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
A atividade manual pode ser substituída por um agitador mecanizado. Se o
tanque onde a mistura manual é executada for mantido fixo, pode ser utilizado
um agitador mecanizado conforme a Figura 10.
Figura 10: Agitador mecânico fixo
Se o tanque continuar a ser utilizado para outras finalidades, exigindo a
retirada do mesmo do local onde é executada a mistura, pode-se optar por um
agitador mecanizado suspenso por uma haste fixa, como o da Figura 11.
Figura 11. Agitador mecânico suspenso
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
As empresas fornecedoras destes equipamentos afirmam que normalmente
são dimensionados especificamente para cada caso, podendo ser fornecidos com
várias faixas de potência, rotação, comprimento de haste e tipos e diâmetro de
hélices, sendo estas configurações especificadas dependendo das características
do produto agitado. A densidade e a viscosidade do produto que será agitado,
além do fator de tipo de agitação (homogeneização, dissolução, suspensão de
sólidos, etc.) influenciam diretamente no dimensionamento do equipamento,
sendo imprescindíveis estas informações para um bom e eficiente dimensionamento do equipamento. As informações necessárias para o dimensionamento
envolvem: dimensões, volume útil e volume total do tanque; densidade e viscosidade do produto; peso, volume e tamanho dos sólidos (quando aplicável); qual
a finalidade da agitação e forma de fixação do equipamento.
Análise do Levantamento de Pesos pela Equação NIOSH:
A equação de NIOSH (Nacional Institute for Occupacional Safety and Health – EUA) foi desenvolvida para calcular o peso limite recomendável em tarefas
repetitivas de levantamento de cargas. Refere-se a tarefa de apanhar uma carga e
deslocá-la para depositá-la em outro nível, usando as duas mãos. Neste estudo, a
equação é utilizada para análise do peso do levantamento de sacos de MP1308,
inicialmente na condição mais crítica de levantamento e posteriormente nas
condições recomendadas.
A equação estabelece um valor de referência de 23 kg, que corresponde a
capacidade de levantamento, no plano sagital, de uma altura de 75 cm do solo,
para um deslocamento vertical de 25 cm, segurando uma carga a 25 cm do corpo.
Esse valor é multiplicado por seis fatores de redução:
LPR = LC x HM x VM x DM x AM x FM x CM
LC: constante de carga (23)
HM: fator de distância horizontal
VM: fator de altura
DM: fator de deslocamento vertical
AM: fator de assimetria
FM: fator de freqüência
CM: fator de pega
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
Nas condições de trabalho analisadas, estes fatores assumem os seguintes
valores:
HM = 0,83 (H = 30 cm, ou seja, carga a 30 cm do corpo)
VM = 1 (V = 20, ou seja, altura da carga 20 cm do piso)
DM = 0,88 (D = 69, ou seja, deslocar a carga de uma altura de 20 cm a uma
altura de 89 cm)
AM = 0,71 (A= 90°, ou seja, ângulo de rotação do corpo).
FM = 0,91 (média de 2 levantamentos por minuto durante um período inferior a uma hora)
CM = 1 (boa pega)
LPR = 23 x 0,83 x 1 x 0,88 x 0,71 x 0,91 x 1 = 10,85 kg,
Ou seja, nestas condições, significa que a pessoa pode levantar aproximadamente 10,85 kg sem sofrer danos músculo-esqueléticos. Calculando-se o
índice de levantamento (carga / LPR), encontramos o valor de 2,30. Um índice
de levantamento entre 1 e 3 indica aumento moderado do risco. Os métodos de
execução da atividade precisam ser modificados. Nesse caso, as recomendações
já apresentadas melhorariam as condições de levantamento de carga. Ratificando-as: instalação de mesa elevadora de palete, diminuição do ritmo de repetição
da atividade, revezamento de tarefas com o outro operador, evitar torção no
levantamento de cargas.
Análise das condições ambientais de trabalho
• Dados referentes ao ambiente térmico
• Dados referentes ao ambiente acústico
• Dados referentes ao ambiente lumínico
• Dados referentes ao ambiente vibratório
• Dados referentes à qualidade do ar
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
Variáveis
Real
Recomendação
Norma
Temperatura (°C)
32,8
23 a 26 °C
ISO9241
Umidade (%)
62,5
40 a 80 %
ISO9241
Iluminância (lx)
985,3
750 lx
NBR 5413
Ruído (dB) – bomba desligada
59,1
Até 65dB
NR17
Ruído (dB) – bomba ligada
72,9
Até 65dB
NR17
IBUTG (Assistente de Produção)
IBUTG Médio
Metabolismo Médio
Recomendação
Norma
28,83 °C
167 Kcal/h
30,8
NHO-06
IBUTG (Operador de Produção)
IBUTG Médio
Metabolismo Médio
Recomendação
Norma
29,29°C
237,97
29,10 °C
NHO-06
As recomendações para as condições ambientais são:
Análise das condições ambientais de trabalho
Temperatura: A circulação natural do ar não é satisfatória, a vestimenta
é de algodão relativamente espessa e o uso dos equipamentos da segurança
aumenta a sensação térmica, nota-se excesso de suor na pele e nas roupas dos
funcionários. A temperatura medida foi de 32°C e, de acordo com a ISO 9241,
a faixa de temperatura aceitável é entre 23 e 26°C. Tais observações levam a
considerar o ambiente térmico desfavorável. Além disso, não há bebedouro na
área de produção, o que obriga os funcionários a entrarem no escritório administrativo para reposição de líquido. Como a temperatura deste ambiente é em
média 25°C , a entrada e saída repentinas pode levar a transtornos fisiológicos
advindos de choque térmico. Atividades físicas realizadas no calor fazem com
que a capacidade muscular fique reduzida, o rendimento decaia e a atividade
mental se altera, apresentando no trabalhador uma perturbação da coordenação
sensório-motora. Diante das condições expostas, recomenda-se a adoção de sistema de ventilação artificial, com fluxo de ar voltado para os trabalhadores e a
colocação de bebedouro no galpão onde ocorre a produção.
Iluminância: A iluminação do galpão é feita por meio de iluminação natural
(pela presença de portas amplas) e artificial (por meio de lâmpadas fluorescentes suspensas). A iluminação é uniformemente distribuída, notando-se sombra
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
significativa apenas na parte do galpão atrás do tanque de mistura devido à altura deste. O mostrador digital da balança situa-se nesta região, mas a presença
de sombra é até favorável, pois os valores são luminosos e a presença de luz
direcionada poderia provocar ofuscamento e dificuldade de leitura. A medição
quantitativa indicou uma iluminância média no posto de trabalho de 985,3 lx,
índice acima dos parâmetros da NBR 5413 (300 a 750 lx), considerando para o
caso analisado a iluminação geral para áreas de trabalho e tarefas com requisitos
visuais normais. Pode-se eliminar o excesso de iluminância, enquadrando-a no
parâmetro indicado, havendo uma economia no consumo de energia, optando-se
por lâmpadas de menos potência, maior espaçamento entre si, e sequências de
luminárias com acendimento independente, possibilitando que recebam maior
índice de iluminância apenas as áreas de maior solicitação
Ruído: Há duas situações acústicas distintas que se alternam em intervalos
irregulares de tempo ao longo da preparação do produto: com a bomba ligada
(72,9 dB) e com a bomba desligada (59,1 dB). A situação com a bomba ligada
revela um nível de ruído superior ao indicado para conforto acústico pela NR17:
65 dB. As recomendações são: posicionar a bomba na parte externa do galpão,
afastando, assim, a fonte de ruído, e adotar o uso de protetor auricular.
IBUTG: O gasto metabólico encontrado para o operador de produção indica
a existência de sobrecarga térmica, pois o IBUTG encontrado (29,29°C) foi levemente superior ao limite de tolerância da NHO06 (29,1°C). Para reverter esta
situação, além das medidas recomendadas para alcançar uma situação de conforto térmico – alínea a, o que reduzirá o IBUTG – acrescenta-se a necessidade de
colaboração do assistente de produção nas atividades do operador de produção,
o que poderá ser proporcionado com a adoção de misturador mecânico como
alternativa a mistura manual. A adoção das recomendações ergonômicas para
adequação de melhores posturas de trabalho contribuirão para reduzir o gasto
metabólico de ambos.
Agentes Químicos: Quanto às matérias-primas sólidas, no tocante à manipulação para produção, nota-se a formação de uma pequena quantidade de particulado sólido no ar durante a deposição. Na pesquisa de campo, observou-se
o uso de luvas de borracha nitrílica, avental impermeável, botas impermeáveis,
óculos de segurança e, apenas pelo operador de produção durante a deposição
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
da matéria-prima MP1804, uso de respirador purificador de ar tipo filtro químico
com filtro para gases ácidos. Há chuveiro de emergência e lava-olhos, assim como
a lavagem de luvas e equipamentos que entraram em contato com o produto.
Indica-se como recomendações o uso de máscara facial durante toda a preparação
do produto, selecionando o filtro adequado às características das matérias-primas
e do produto final e uso de uniforme de mangas compridas.
O diagnóstico das disfunções evidentes ao sistema ser humano - tarefa –
ambiente foi realizado em quatro empresas integrantes da Rede de Petróleo e
Gás do estado de Sergipe, no ano de 2009. Este estudo é complementado por
observações, fotografias, análise da planta da obra e distribuição do mobiliário
para avaliação do fluxo de movimentos e fluxo informacional.
Ressalta-se que o sucesso da Rede de Cooperação em Ergonomia entre a
Universidade Federal de Sergipe, as empresas vinculadas à Rede de Petróleo e
Gás, a Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de
Sergipe e Sociedade resultou na continuidade das ações embarcando no projeto
a inserção de outras empresas da Rede de Petróleo e Gás de Sergipe.
5. CONCLUSÃO
Os resultados validam os pressupostos da importância e necessidade de intervenção ergonômica nas empresas, a fim de se minimizar as causas de afastamento
dos trabalhadores por acidentes de trabalho, aumentando sua produtividade e o
bem estar no ambiente organizacional.
Verificou-se que com a atuação de uma nova rede de cooperação em ergonomia entre Universidade – Empresas – Sociedade foi possível alcançar a formação
de agentes com perfil adequado para implementar técnicas inovadoras em ergonomia e segurança do trabalho em processos inovadores; aprimora-se a possibilidade de privilégios de propriedade intelectual, prevendo-se a participação
dos pesquisadores e bolsistas envolvidos em um projeto nos ganhos econômicos
resultantes da exploração da tecnologia/conhecimentos gerados na Universidade; pode-se disseminar a cultura do empreendedorismo inovador, com base
tecnológica na área de Ergonomia; e estímulou-se o uso de novas metodologias
aplicadas em Ergonomia, adotando-se o conceito de inovação organizacional.
Assim, o objetivo do trabalho foi atingido, pois corrobou-se que pela intervenção conjunta de agentes de fomento em cooperação é possível alterar os
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Inovação em processos para a Análise Ergonômica do Trabalho
sistemas de trabalho das organizações para adequá-los às características, habilidades e limitações dos trabalhadores adicionando-se valor ao desempenho global
do sistema ser humano-tarefa-ambiente. Um projeto cooperativo de ergonomia
constitui a solução de um problema social com reflexos nas questões de requalificação, saúde e economia da região.
A aplicação das recomendações ergonômicas advindas da Análise Ergonômica do Trabalho pretende dotar o trabalhador de condições que levem a uma
qualidade de vida no trabalho, a qual tem estreitas relações com a qualidade de
vida extra-trabalho. Agindo sobre o trabalhador, unidade celular de uma organização, favorecendo seu posto de trabalho com melhores condições, leva, quando
em conjunto todos os postos de trabalho da organização, a uma melhoria do sistema produtivo como um todo, com consequência em um maior controle sobre
o processo e redução de falhas. Atenta-se ainda a importância da redução dos
índices de acidentes de trabalho, afastamentos, absenteísmos e insatisfação com
o trabalho, analisando-se os prejuízos financeiros oriundos destes fatores, como
recurso a proporcionar a saúde financeira da organização e a possibilidade de
maiores investimentos públicos e privados em inovação dos sistemas produtivos.
De acordo com Ilda (2005), às vezes é necessário adotar certas soluções de
compromisso. Isso significa fazer aquilo que é possível, dentro às restrições
existentes, mesmo que não seja a alternativa ideal. Essas restrições geralmente
recaem no domínio econômico, prazos exíguos ou, simplesmente, atitudes conservadoras. De qualquer forma, o requisito mais importante, ao qual não se devem
fazer concessões, é o da segurança do operador, pois não há nada que pague os
sofrimentos, as mutilações e o sacrifício de vidas humanas.
Para o desenvolvimento deste projeto com a aplicação da metodologia da
Análise Ergonômica do Trabalho (AET) foi necessário o apoio de uma estrutura
laboratorial (LabErgon/UFS) que favoreceu o estudo em uma dimensão implícita,
considerando as atividades operativas como elemento central para instrumentalizar o desempenho dos sistemas de produção nas empresas vinculadas à Rede
de Petróleo e Gás do estado de Sergipe, cujo objetivo é atingir um funcionamento
estável em qualidade e produtividade, em favor à saúde e satisfação dos trabalhadores.
A análise dos postos de trabalho em todas as empresas estudadas identificou
as causas de deficiências que os processos operativos podem causar aos colaboradores e, acredita-se que, para a economia regional. Foi possível a identificação
das origens das causas de deficiências na saúde empresarial, detalhando-se
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CAPACITE: Exemplos de Inovação Tecnológica
as condições ambientais, técnicas e organizacionais do trabalho, bem como o
comportamento do ser humano no desenvolvimento de suas atividades diárias.
Comprova-se com este projeto que uma das formas de compatibilizar o sistema
técnico-social é a visão antropocêntrica da ergonomia, a qual privilegia as mudanças organizacionais no conceito de produtividade, a partir da qualidade de
vida no trabalho.
A rede de cooperação em ergonomia entre Universidade – Empresas – Sociedade favoreceu também o apoio pedagógico na formação dos discentes da
Universidade Federal de Sergipe, orientado para desenvolver um programa
de iniciação científica em Ergonomia. Também foi possível se identificar o conhecimento técnico específico requerido pelas empresas que visam a oferta de
melhores condições de trabalho desenvolvendo e colaborando em projetos de
pesquisa e inovação tecnológica na área de Ergonomia, com vistas à difusão do
conhecimento em técnicas ergonômicas
Na relação de cooperação entre Universidade – Empresas – Sociedade,
a transferência de conhecimento é o elemento fundamental na melhoria da
competitividade da empresa ou da melhoria da qualidade de vida da sociedade
mediante a captação, interiorização, propagação e utilização do conhecimento
adquirido junto à Universidade.
Todos os resultados esperados pelo projeto foram atingidos em virtude da
formação de uma rede sólida de cooperação em ergonomia no Estado de Sergipe
com a participação da Universidade Federal de Sergipe, das empresas vinculadas à Rede de Petróleo e Gás, da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação
Tecnológica do Estado de Sergipe e Sociedade.
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