AU TO RA L TO EI DI R UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU OT EG ID O PE LA LE I INSTITUTO A VEZ DO MESTRE EM IDOSOS COM A DANÇA SÊNIOR DO CU M EN TO PR DESENVOLVENDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS Por: Márcia Kern Orientador Prof. Maria Esther de Araújo Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE DESENVOLVENDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS EM IDOSOS COM A DANÇA SÊNIOR Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção especialista em Psicomotricidade. Por: Márcia Kern do grau de 3 AGRADECIMENTOS Agradeço à minha família que sempre me apoiou e aos meus amigos e professores que me acompanharam nesta jornada. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus queridos alunos da Dança Sênior, sempre dispostos, pacientes, prestativos e que tanto contribuem para o meu crescimento profissional e pessoal. 5 RESUMO Este trabalho visa identificar exercícios e atividades que intervenham no desenvolvimento das inteligências múltiplas em idosos através das aulas de Dança Sênior. São mencionados os fundamentos da Dança Sênior, como ela surgiu, como são as aulas, seus objetivos, o público alvo e os profissionais que atuam na área. Também são abordados alguns aspectos importantes sobre a cognição, o conceito moderno de inteligência, as descobertas da neurociência, a neuróbica, a importância de estimular os dois hemisférios cerebrais e, claro, a Teoria de Howard Gardner sobre os oito tipos de inteligência e os critérios para identificá-las. Expõem-se os benefícios, as dificuldades e as facilidades de desenvolver cada uma das inteligências em idosos devido à necessidade de buscar qualidade de vida para essa população que vem aumentando assustadoramente nos últimos anos. 6 METODOLOGIA O objeto de estudo dessa pesquisa é o Grupo de Dança Vem Dançar, com 35 alunos, de idade entre 60 e 80 anos, com uma aula semanal, de uma hora e trinta minutos de duração. As aulas são ministradas nas dependências do Estádio Municipal Raulino de Oliveira, na cidade de Volta Redonda/RJ, local onde está situada a Academia da Vida Oscar Cardoso, pertencente à Fundação Educacional de Volta Redonda. Trata-se de uma instituição pública, laica, que realiza ações nas áreas de educação, saúde, arte e cultura para idosos. Todas as atividades convergem para o objetivo geral de “edificar um novo cidadão idoso, mais feliz, consciente e criativo, que integre, de forma saudável, as esferas do seu ser físico, cognitivo, emocional e espiritual, atuando na melhoria da qualidade de vida pessoal, da família e da comunidade”. Para conseguir estes resultados, a Academia da Vida Oscar Cardoso apóia-se em fundamentos filosóficos e metodológicos para fazer frente ao cenário contemporâneo marcado por situações que envolvem a diminuição do suporte sócio-familiar, a perda do status ocupacional e econômico, o declínio físico continuado, a maior freqüência de doenças físicas e a incapacidade pragmática crescente. O trabalho desenvolvido, fundamentado no paradigma salutogênico, tem gerado transformações significativas na forma como o idoso percebe a realidade e na construção de recursos próprios, subjetivos, de saúde, resiliência e autocultivo. O Curso de Dança Sênior é um dos cursos de extensão, oferecidos aos alunos que já concluíram o curso básico de dois anos. Tem duração de um ano e seus objetivos, bem definidos no capítulo 1, seguem a mesma linha dos objetivos da Academia da Vida Oscar Cardoso. O perfil destes alunos é bem variado. As turmas são heterogêneas quanto ao grau de estudo, à vivência, personalidade, situação financeira e carências. Em relação a essas carências, um fato relevante é que a grande 7 maioria dos idosos que procuram as atividades da Academia da Vida possui carência afetiva e social. Este trabalho é baseado principalmente em pesquisa bibliográfica. Um dos autores mais citados é Howard Gardner, psicólogo americano, professor da Universidade de Harvard, que desenvolveu a teoria das Inteligências Múltiplas e escreveu vinte livros sobre o assunto. Possui vários seguidores, entre eles, Celso Antunes, no Brasil, também autor de vários livros, muitos deles utilizados como fonte bibliográfica. Maria Esmeralda Ballestero-Alvarez e Albigenor & Rose Militão colaboram com seus livros sobre jogos e dinâmicas de grupo, assim como Pilar Pont Geis, cujos livros são direcionados à terceira idade. Revista Veja, Revista Época, Revista Mente e Cérebro, alguns sites científicos, experimentação, observação e análise de exercícios práticos no grupo também serão utilizados a fim de aprimorar o trabalho. As informações sobre a Dança Sênior são pesquisadas em seus informativos periódicos e no site da instituição Bethesda, responsável pela criação e divulgação da Dança Sênior no Brasil. Também constam neste trabalho Lawrence C. Katz e Manning Rubin, Jorge Batllori, Elisandra Villela Gaspareto Sá e Valéria Lasca com suas atividades para exercitar o cérebro. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I – A Dança 11 CAPÍTULO II – As Inteligências Múltiplas e a Longevidade 14 2.1 – A Inteligência Lingüística 22 2.2 – A Inteligência Musical 23 2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática 23 2.4 – A Inteligência Espacial 25 2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal 26 2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal 28 2.7 – A Inteligência Naturalista 30 CAPÍTULO III – A Dança no Desenvolvimento da Inteligência 31 3.1 – A Inteligência Lingüística 31 3.2 – A Inteligência Musical 33 3.3 – A Inteligência Lógico-Matemática 35 3.4 – A Inteligência Espacial 38 3.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal 39 3.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal 40 3.7 – A Inteligência Naturalista 44 CONCLUSÃO 46 ANEXOS 47 BIBLIOGRAFIA 51 ÍNDICE 54 9 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como tema o desenvolvimento das inteligências múltiplas em idosos durante as aulas de Dança Sênior. Mas o que vem a ser a Dança Sênior? Como é praticada e quais são os seus objetivos? Qual é o seu público alvo? Seria uma dança somente para idosos? Existe uma formação especial para atuar nessa área? Todas essas questões serão abordadas, visto tratar-se de informações relevantes para um completo entendimento do tema. Os estudos de Howard Gardner (1994) mostram que todas as pessoas possuem tipos diferentes de inteligência - e não somente a lógicomatemática e a lingüística, medidas nos teste de QI - e de que ela é resultado tanto da genética quanto da experiência, esse trabalho busca mostrar como essas capacidades podem ser desenvolvidas em idosos. Até que ponto o envelhecimento representa um obstáculo ao desenvolvimento dos diversos tipos de inteligência? Haveria algum tipo de inteligência beneficiada com o avanço da idade biológica? Quais as descobertas na área da neurociência? Como se comportam as células nervosas, ou seja, dos neurônios, diante de novas informações, novas experiências? A plasticidade neural está comprovada e por si só já justifica a prática de exercícios variados ao longo da vida. Outro fato importante é o aumento da população idosa: eles estão vivendo mais. Só que viver mais nem sempre significa viver melhor. Buscar qualidade de vida é primordial, tanto para o presente quanto para o futuro. Hoje, os idosos estão mais conscientes e vem reivindicando seus direitos a fim de exercerem plenamente sua cidadania. Eles precisam saber que as inteligências múltiplas existem e podem ser exercitadas! Com base nos evidentes e inegáveis benefícios alcançados em todas as áreas da saúde física, mental e social e na contribuição para formação plena do indivíduo, esse estudo visa analisar a manutenção e a melhora da 10 qualidade de vida dos idosos ao praticar a Dança Sênior desenvolvendo as inteligências múltiplas. Afinal, que tipos de exercícios, jogos, dinâmicas de grupo, desafios poderiam ser ensinados, aprendidos, sugeridos ou criados pelos próprios alunos idosos em aulas de Dança Sênior? Mostrar-se-á que o desenvolvimento das inteligências múltiplas em idosos durante as aulas de Dança Sênior ocorre através de atividades que estimulem uma ou várias capacidades psicomotoras e neurosensoriais, dentre elas, coordenação, flexibilidade, equilíbrio, lateralidade, agilidade, resistência, força, memória, raciocínio, musicalidade, propriocepção, atenção e concentração. Enfim, será demonstrado que, ao contrário do que muitos imaginam, até a inteligência lógico-matemática pode ser desenvolvida através de aulas de dança bem planejadas e de atividades bem conduzidas. 11 CAPÍTULO I A DANÇA Segundo uma definição do Infomativo Dança Sênior (2008), a dança é a arte de mover o corpo obedecendo a uma relação de tempo e espaço, seguindo um ritmo e uma coreografia. Isadora Duncan, dançarina pioneira deste século, resumiu em sua famosa observação: “Se eu pudesse dizer a você o que ela é, eu não a teria dançado”. De fato, de acordo com Fernandes (2002), é difícil fazer dançarinos (ou até mesmo críticos de dança) caracterizarem sua atividade de uma maneira direta e concreta. Ao montar o projeto do curso Vem Dançar, optou-se por definir a dança de forma mais completa, mais abrangente, que fosse de encontro aos objetivos do curso. Segundo Marques (1995), a dança, enquanto arte, tem o potencial de trabalhar a capacidade de criação, imaginação, sensação e percepção, integrando o conhecimento corporal ao intelectual. O conteúdo das aulas é composto, basicamente, de coreografias de Dança Sênior, aulas teóricas e também atividades mais livres, que desenvolvem criatividade e expressividade. Tradicionalmente a dança expressava emoções extremas, como alegria e tristeza; mas na dança moderna agora é habitual tentar transmitir emoções mais complexas como culpa, angústia, remorso.... A música é a parceira mais importante na dança e a estrutura da composição musical afetará fortemente a técnica da dança; mas visto que a dança pode também ocorrer sem música, a presença da última não pode definir a dança. De acordo com o portal da Instituição Bethesda (2009), a Dança Sênior surgiu na Alemanha em 1971 e foi trazida para o Brasil pela Sra. Christel Weber em 1978. A partir de 1982, foi promovida no Ancianato Bethesda, em Pirabeiraba (SC), pela Sra. Regina Krauser. Em 18.11.1993 foi fundada a 12 Instituição Bethesda. Para tornar-se dirigente da Dança Sênior e ter acesso ao material – que é patenteado – é necessário habilitar-se nos cursos oficiais. Embora sejam abertos a todos, os cursos são mais procurados por professores, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais de saúde. Baseando-se no folclore de diversos povos, a dança é praticada com muito entusiasmo no Brasil, Alemanha, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Suíça, Áustria, Itália, Inglaterra. E todos podem participar! É atraente, tanto para os já avançados na idade, como também para os mais novos, e ainda para os portadores de limitações. Atrai pelo "poder fazer". Cada um dança dentro de seus próprios limites. A atividade é diversificada: A DANÇA SÊNIOR com seus passos curtos, leves e um pouco mais lentos, pode ser aprendida facilmente. Os movimentos suaves contagiam. A música própria em ritmo alegre estimula cada um a movimentar-se espontaneamente inclusive aquele que não tem experiência em dança. A possibilidade de contato, até corporal, e de abertura para a comunicação social, superam a inibição inicial típica do idoso. As coreografias possuem ritmos, melodias, figuras, formações e movimentos o mais variado possível, a fim de enriquecer o aprendizado. Os EXERCÍCIOS DE GERONTO-ATIVAÇÃO funcionam como um aquecimento: despertam o corpo, melhoram a flexibilidade, a agilidade e a coordenação, estimulando a postura correta da cabeça ao sentar e andar. Desenvolve maior mobilidade no olhar e na habilidade de pegar objetos com as mãos, possibilitando maior autonomia nas atividades diárias, como na higiene, no vestir-se, na alimentação e na segurança de locomoção, entre outros. A DANÇA COM IDOSOS SENTADOS integra os participantes no convívio de um grupo maior. É uma atividade inclusiva também para idosos com limitações, ou sentados em cadeiras de rodas 13 O movimento estimula a motricidade dos músculos e a mobilidade das articulações, proporcionando uma melhor coordenação motora e maior segurança através do domínio do corpo; a respiração estimulada e a circulação sangüínea intensificada favorecem uma melhor oxigenação e irrigação das células prevenindo problemas cardiovasculares; a memorização de passos e figuras e o treino constante da coordenação motora desenvolvem várias capacidades físicas e mentais, permitindo a manutenção da capacidade intelectual. Com base nas informações anteriores formulou-se o objetivo geral do curso que é desenvolver competências e habilidades que contribuam para o autodesenvolvimento biopsicosocial e a conquista da autonomia na adoção de hábitos e atitudes saudáveis que proporcionem satisfação com emoção e alegria de viver. Os objetivos específicos são: conscientizar-se do corpo e do espaço; conhecer e explorar novas possibilidades de movimento corporal; melhorar a linguagem não-verbal e a própria expressividade; experimentar maior sensação de autorrealização; estimular a criatividade e funções neurológicas; fortalecer a auto-estima; conhecer e adotar novos hábitos saudáveis e prazerosos de lazer. 14 CAPÍTULO II AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A LONGEVIDADE A inteligência é, pois um fluxo cerebral que nos leva a escolher a melhor opção para solucionar uma dificuldade e que se completa com uma faculdade para compreender, entre opções, qual a melhor; ela também nos ajuda a resolver problemas ou até mesmo criar produtos válidos para a cultura que nos envolve. (ANTUNES, 2008, p.12) Howard Gardner desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas em 1983 e procura, humildemente, explicar sua idéia: ...a idéia das inteligências múltiplas é antiga e dificilmente posso reivindicar qualquer grande originalidade por tentar revivê-la. Mesmo assim, salientando a palavra idéia desejo ressaltar que a noção das inteligências múltiplas dificilmente é um fato científico comprovado: ela é, no máximo, uma idéia que recentemente readquiriu o direito de ser discutida seriamente. (GARDNER, 1994, P.9) Gardner descreveu cientificamente oito tipos de inteligência: a lingüística, a lógico-matemática (ambas medidas em teste de QI), a espacial, a musical, a cinestésico-corporal, a naturalista (a habilidade de compreender os fenômenos naturais), a intrapessoal (a de reconhecer os próprios defeitos e qualidades – e tomar decisões com base neles) e a interpessoal (a de interpretar as intenções alheias e exercer a liderança. Gardner também diz: 15 Cada um tem uma mistura singular de vários tipos de inteligência, o que torna a questão bem mais complexa do que dividir a humanidade entre burros e inteligentes. A observação científica mostra que o mundo está cheio de gente que se destaca no pensamento lógico, mas não tem inteligência suficiente para expressar uma idéia com começo, meio e fim. Ou de pessoas que são brilhantes ao filosofar sobre as grandes questões do mundo moderno, mas não tem nenhum traquejo para executar exercícios físicos de jardim-de-infância. Conclusão: a maioria das pessoas é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas áreas do conhecimento e limitada para outras. Estou me referindo à média. Bem mais raros são os casos de gente desprovida de qualquer inteligência. Mas eles existem. (GARDNER, Revista Veja, 25 de julho de 2007, p.11) Ainda segundo Gardner, a inteligência é resultado de dois fatores: a genética e a experiência de cada um. Ainda não se sabe qual deles tem mais peso. Algumas habilidades, como o raciocínio lógico e o talento para a música, sofrem maior influência da genética. Mas no geral, tudo indica que os genes e o ambiente contribuam em igual proporção na formação da inteligência humana. De acordo com uma entrevista recente à Revista Época (2009), Gardner diz que as inteligências evoluem de forma mais ou menos pronunciada ao longo do desenvolvimento, formando o perfil de inteligência único, como uma impressão digital, porém modificável ao longo da vida. Ele é forjado pela hereditariedade, mas também pela experiência. Mesmo sendo possível esculpir a inteligência, há limitações como a biologia e idade: quanto mais velha uma pessoa, mais dificuldade de mudar o seu perfil de inteligência. Está demonstrado por meio de extensas pesquisas que a fase em que a experiência causa mais impacto ao cérebro é até os 20, 25 anos de vida. As pessoas podem ficar mais sábias, mas não mais 16 inteligentes, com exceção das inteligências pessoais que podem se aperfeiçoar com o passar dos anos. Segundo Antunes (2008), o envelhecimento não ocorre com todas as inteligências ao mesmo tempo e, principalmente não ocorre com a mesma intensidade nos dois hemisférios cerebrais. Ocorre muito mais por falta de estímulos - o que seria o mesmo que dizer por falta de “ginástica” – do que por razões de ordem biológica. Os circuitos cerebrais responsáveis pelas diferentes inteligências amadurecem em períodos diferentes da vida, destacando a importância do estímulo durante a infância. A densidade das sinapses na criança de 1 a 2 anos é cerca de 50% maior do que em um adulto, mas o universitário de 22 anos tem tanta facilidade ou dificuldade de aprender quanto seu avô de 71 anos. A diferença entre eles está em saber qual dos dois está mais motivado e qual deles se cerca de desafios mais estimulantes. Gardner (1994) também não é a favor de testes para medir a inteligência, pois o que vale é o que a pessoa faz de relevante com suas habilidades mentais. De nada adiante ter um Q.I. abaixo ou acima da média, se não puder fazer coisas que sua cultura valoriza! E quanto ao número de inteligências, a lista vem crescendo. Gardner e outros cientistas estão pensando também na inteligência existencial, que seria a propensão de colocar grandes questões filosóficas, tais como “por que morremos?”. Para ser considerada uma inteligência, uma competência deve seguir oito critérios essenciais, dentre eles: identificação de um centro da inteligência por dano cerebral; existência de indivíduos excepcionais em áreas específicas da solução de problemas ou criação; gatilho neural pronto para ser disparado em determinados tipos de informação interna ou externa; suscetibilidade à modificação da inteligência por treinamento; evidências evolutivas; testagem psicológica; apoio de exames psicométricos; criação de um sistema simbólico específico. 17 A neurociência tem realizado descobertas surpreendentes sobre o funcionamento do cérebro humano. Segundo o Informativo Dança Sênior (2007), em 1998, cientistas comprovaram que os cérebros adultos possuem a capacidade de gerar novas células. O declínio mental não é decorrente da morte das células e, sim, pela redução dos dendritos (prolongamentos dos neurônios). Neurônios velhos podem desenvolver dendritos para compensar as perdas. Se, por exemplo, uma área cerebral apresentar uma disfunção ou lesão, outra área pode assumir o comando da função. As redes neuronais continuam se ramificando de acordo com a estimulação dos sentidos. Essa capacidade chama-se plasticidade neural e por si só já justifica a prática de exercícios variados ao longo da vida. A “ginástica dos neurônios”, conhecida como Neuróbica – palavra alusiva aos exercícios físicos – engloba exercícios que ativam áreas diferentes do cérebro. Mas, de acordo com KATZ e RUBIN (2000), para ser neuróbico, um exercício deve ser inesperado e não pode virar rotina, deve exigir atenção e deve ser utilizar várias combinações dos cinco sentidos, além do sentido emocional. Mesmo com uma vida ativa, a maioria das pessoas segue atividades rotineiras, invariáveis e não exploram a capacidade de fazer novas associações. Circuitos pouco ativados como olfato, paladar e tato merecem mais atenção. Como os diferentes tipos de inteligência estão localizados nos dois hemisférios do cérebro, deve-se buscar uma integração a fim de promover o desenvolvimento pleno do ser. Segundo a professora Celeste Carneiro (2000), utilizando mais o lado esquerdo, considerado racional, o homem não usufrui dos benefícios contidos no hemisfério direito, como a imaginação criativa, serenidade, visão global, capacidade de síntese e facilidade de memorizar. Deve-se visualizar o homem como um todo e assim equilibrando o uso de suas potencialidades. Na figura seguinte (Franco, especificações dos hemisférios cerebrais. 2007) é possível visualizar as 18 19 No Brasil, para fins de levantamentos demográficos, considera-se idoso o corte definido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para os países subdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento, isto é, a partir de 60 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil deverá ter a 6ª população mais idosa do planeta no ano de 2025 com aproximadamente 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representará 15% da população. Os números mostram que, atualmente, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, estima-se que a relação será de uma para cinco em todo o mundo, e de uma para três nos países desenvolvidos. Marina da Cruz Silva (2005) lembra que na Europa e América do Norte, o fenômeno do envelhecimento apresentou-se de forma paulatina, ou seja, teve início há quase cem anos atrás. Esse não tem sido o caso do Brasil, cujo processo começou na década de sessenta, sendo marcado por uma velocidade de expansão sem precedentes. Este fato serve de alerta ao governo brasileiro para a necessidade de se criar, o mais rápido possível, políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade. Ainda é grande a desinformação sobre o idoso e sobre as particularidades do envelhecimento em nosso contexto social. O envelhecimento humano, na verdade, quase nunca foi estudado. Poucas escolas no país criaram cursos para auxiliar as pessoas mais velhas. Uma prova disso é que somente após 1994 é que as instituições de ensino superior passaram a se adaptar, a fim de atender a determinação da Lei, que prevê a existência de cursos de Geriatria e Gerontologia Social nas Faculdades de Medicina no Brasil. Bom esclarecer que a geriatria é uma especialidade da medicina que trata da saúde do idoso, enquanto a gerontologia vem a ser a ciência que estuda o envelhecimento. Em 1º de outubro de 2004, instituiu-se a Lei 10.741, o Estatuto do Idoso, regido por princípios que registram o direito das pessoas mais velhas a 20 uma ocupação e trabalho, como ainda acesso à cultura, à justiça, à saúde e à sexualidade, além, é claro, de poder participar da família e da comunidade. Entre as necessidades de um grande grupo de indivíduos idosos, está a exigência de oportunidades de serem incluídos nas decisões a respeito da sociedade e de sua vida diária. Os indivíduos da terceira Idade não desejam ser desligados e serem rotulados como objetos de cuidado somente. As modificações cognitivas e afetivas transcorridas ao longo do tempo não param na velhice, desde que a capacidade de reserva do sistema nervoso não seja comprometida devido à manifestação de uma demência. Desse modo, não se pode deixar de assinalar a existência do grande potencial latente para o rendimento intelectual na velhice. Os idosos precisam saber que as inteligências múltiplas existem e podem ser exercitadas! Esse conhecimento melhora a auto-imagem, favorece o convívio social entre pessoas diferentes, promove inclusão, respeito, integração e aumenta o bem-viver na terceira idade. Também a atividade física está intimamente relacionada à longevidade. De acordo com reportagem “De onde vem a inteligência”, na Revista Época (2009), os exercícios físicos aumentam o número de vasos sanguíneos no cérebro, melhorando a nutrição e oxigenação dos neurônios; também estimulam a geração de células no hipocampo - a área do cérebro encarregada da memória - e impulsionam a produção de um tipo de substância, chamada fator de crescimento, que aumenta as conexões entre os neurônios. Segundo o médico alemão Gerd Kempermann (2009), especialista em regeneração do cérebro, diz que o aumento da expectativa de vida é devido às melhores condições de vida e do progresso da medicina. Porém, a expectativa de vida aumenta num ritmo muito maior do que o desenvolvimento de terapias para combater os males relacionados ao envelhecimento, como a perda da capacidade cognitiva. A adaptação do corpo ao aumento da longevidade não é adequada. Um dos maiores dramas é a 21 demência e há também a degeneração óssea. É preciso investir em prevenção. Seu conselho para garantir qualidade de vida na velhice é atividade física e intelectual por toda a vida a fim de se criar uma espécie de reserva de neurônios. Em pesquisas com camundongos, cientistas descobriram que a atividade intelectual torna possível produzir novos neurônios mesmo na idade adulta. Quanto mais abrangente for a atividade, maior seu efeito. Outro fato importante é que o cérebro humano gasta muita energia para equilibrar o corpo. Por isso as pessoas idosas têm mais dificuldade de exercer atividades intelectuais em movimento. Por todos esses motivos, as atividades desenvolvidas nas aulas do curso Vem Dançar estimulam sempre uma ou várias capacidades psicomotoras e neurosensoriais. Por exemplo, ao fechar os olhos e imaginarse fazendo um exercício ou um passo de dança elabora-se uma imagem mental que, segundo Ballestero-alvarez (2005), estimula a audição, a atenção, o raciocínio, a memória e a concentração, que levará principalmente ao desenvolvimento da inteligência espacial. Da mesma forma, outros tipos de inteligência são desenvolvidos quando da realização ou mesmo da tentativa de realizar tal exercício. A vivência corporal do movimento estimula não só as capacidades citadas acima, mas também várias outras, fundamentais para viver melhor: sensibilidade, expressividade, hábitos saudáveis, boa postura, atitude positiva, superação, auto-realização, relações humanas, convivência e autonomia. Nos itens seguintes constarão informações sobre cada uma das oito inteligências e, no Capítulo III, as atividades propostas para desenvolvê-las. 22 2.1 – A Inteligência Linguística Segundo Gardner (1994), as operações centrais da linguagem são vistas em funcionamento, com especial clareza, no poeta. Uma sensibilidade ao significado das palavras, à ordem entre as palavras, seguindo ou mesmo violando regras gramaticais. Uma sensibilidade aos sons, ritmos, inflexões e metros das palavras. Uma sensibilidade às diferentes funções da linguagem, para convencer, entusiasmar, estimular, transmitir informações ou simplesmente agradar. A competência linguística é, de fato, a inteligência – a competência intelectual – mais estudada e que parece mais democraticamente compartilhada na espécie humana. Enquanto o músico, por exemplo, apresenta habilidades que parecem remotas e até mesmo misteriosas para um individuo com capacidade normal, o poeta ou um escritor parece ter desenvolvido um grau superlativamente aguçado de capacidades que todos possuem: ouvir falar, ler, escrever conceitos e idéias Jornalistas, escritores, oradores, palestrantes, advogados, atores usam a palavra para informar, transmitir ideias; líderes políticos, especialistas em direito utilizam a linguagem para convencer o outro; professores a utilizam no processo de ensino-aprendizagem. A linguagem aparece na sociedade moderna não como um fim em si, mas como uma ferramenta de vários indivíduos: do historiador e do crítico literário para transmitir suas conclusões, do cientista, para comunicar seus achados, do narrador para contar uma história, etc. 23 2.2 – A Inteligência Musical Howard Gardner (1994) diz que, de acordo com as habilidades, o compositor está para a inteligência musical da mesma maneira que o poeta está para a inteligência lingüística. Também o cantor, o instrumentista, o engenheiro de som, o produtor, o crítico, o docente, o diretor regente possuem este tipo de inteligência bem desenvolvida. De todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical. Uma criança em idade préescolar com uma genialidade em determinada área musical (tirar melodias de ouvido, por conta própria, repetir perfeitamente uma peça que escute ou dominar os fundamentos básicos de um instrumento) pode ter um talento central herdado, mas claramente a expressão desse talento dependerá do meio em que vive. Os componentes da inteligência musical, ou seja, os elementos centrais da música são o tom (ou melodia), o ritmo (sons emitidos em determinadas freqüências auditivas e agrupadas conforme um sistema prescrito) e o timbre (qualidades características de um som). Embora na maioria dos indivíduos normais, as capacidades musicais, inclusive a sensibilidade ao tom, localizam-se no hemisfério direito do cérebro, ocorrem efeitos crescentes no hemisfério esquerdo durante um treinamento ou sob tarefas desafiadoras. E isto se deve a grande variedade de tipos e graus de habilidades musicais, além das diversas maneiras e modalidades de se encontrar a música. E a dança é uma delas. 2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática Cientista, matemático, contador, engenheiro, projetista, analista de sistemas são exemplos de profissionais que possuem um talento muito especializado, a inteligência lógico-matemática. 24 Este tipo de pensamento não se origina na esfera auditivo-oral, como ocorre com as capacidades lingüísticas e musicais, explica Gardner (1994): ele está no confronto com o mundo dos objetos, ordenando-os, reordenando-os, avaliando sua quantidade. Segue uma longa e complexa cadeia, dos objetos para as afirmações, das ações para as relações, do sensório-motor para a abstração até os ápices da lógica. Gardner também cita Williard Quine que aponta a estreita relação entre lógica e matemática: ”...a lógica está envolvida com afirmativas, enquanto a matemática trabalha com entidades abstratas, não lingüísticas, mas que em suas “instâncias superiores” a lógica conduz, por estágios naturais, à matemática.” Vê-se então o cientista utilizando a matemática como ferramenta para explicar o funcionamento do mundo, provar suas conquistas e explicar suas teorias. A inteligência lógico-matemática possui ainda outros tipos de características: o pensamento do matemático é guiado mais pelo raciocínio do que pela memorização dos elementos, ou seja, a ordem é mais importante que os elementos; os matemáticos realizam seus principais trabalhos ainda jovens, ao contrário de outras áreas; além disso, seus trabalhos não podem ser apreciados por leigos, como uma poesia ou composição musical. Mesmo que a fase de maior desenvolvimento desta inteligência ocorra desde os primeiros anos de vida até o início da vida adulta, a pessoa idosa continua sendo capaz de realizar operações concretas e abstratas, desde que, logicamente, observado o grau de dificuldade das atividades. De acordo com Celso Antunes (2008), não há nada mais matemático do que a dança de um grande bailarino; a geometria está presente nos desenhos da coreografia, a espacialidade é quase nada sem matemática e os grandes músicos fazem da sua arte uma matemática sonora. 2.4 – A Inteligência Espacial 25 Artistas, escultores, cirurgiões, arquitetos, engenheiro, matemáticos, marceneiros, mecânicos, publicitários, inventores e treinadores esportivos fazem parte do grupo de pessoas que possuem as capacidades centrais a este tipo de inteligência, também chamada de viso-espacial: capacidades de perceber o mundo visual (objetos, formas) com precisão, formar imagens mentais, efetuar transformações e modificações sobre as percepções iniciais e ser capaz de recriar aspectos de experiência visual, mesmo na ausência de estímulos físicos relevantes. A exemplo do que ocorre com outros tipos de habilidades, o conhecimento espacial também pode servir para a ciência, como uma ferramenta útil para captar informações, formular problemas e resolvê-los. Aqueles que desejam distinguir-se nas artes, na ciência e na engenharia devem reconhecer que o espaço tanto permite quanto impede a coexistência de algumas características estruturais; devem aprender a dominar a “linguagem do espaço” e a “pensar no meio espacial” Quanto à manutenção e ao desenvolvimento destas capacidades em pessoas idosas, Gardner diz: Minha concepção é que cada forma de inteligência possui uma trajetória de vida natural: enquanto o pensamento lógico-matemático prova ser frágil na etapa tardia da vida, entre todos os indivíduos, e a inteligência corporalcinestésica também encontra-se “sob risco”, pelo menos determinados aspectos do conhecimento espacial-visual provam ser vigorosos, especialmente em indivíduos que os praticam regularmente ao longo de suas vidas. Há uma noção de todo, uma sensibilidade “gestalt” que é central na inteligência espacial e que parece ser uma recompensa pelo envelhecimento – uma capacidade continuada ou talvez até mesmo aumentada de reconhecer o todo, de discernir padrões até mesmo quando determinados detalhes ou pontos refinados 26 podem ser perdidos. Talvez a sabedoria se baseie nesta sensibilidade a padrões, formas e ao todo.(GARDNER, 1994, p. 158). 2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal É a capacidade de usar o próprio corpo de maneiras altamente diferenciadas e hábeis para propósitos diversos. Atletas, dançarinos, mágicos, mímicos, atores, inventores, cirurgiões e artesãos são alguns dos profissionais que possuem a inteligência cinestésico-corporal bem desenvolvida. Eles têm noção aguçada de ritmo, no qual as sequências se encaixam perfeitamente o fluxo, pontos de repouso ou mudança, senso de direção e um ponto final. O estímulo para desenvolver este tipo de inteligência está presente, obviamente, nos esportes e na prática de atividades físicas em academias e escolas, mas não se restringe a eles; de acordo com Ballestero-Alvarez (2005), a aprendizagem cinestésica ocorre quando as atividades estimulam os sentidos, proporcionam experimentação e aprendizado ativo, com o corpo inteiro, integrado, harmônico e completo; enriquece com novos significados e perspectivas de vida. De todos os usos do corpo, nenhum atingiu ápices maiores ou foi mais variavelmente desenvolvido pelas culturas do que a dança. Judith Hanna, uma atenta estudiosa deste meio define a dança como sequências culturalmente padronizadas de movimentos corporais não verbais que são propositais, intencionalmente rítmicos e apresentam valor estético aos olhos daqueles para quem o dançarino está se apresentando. Gardner ainda acrescenta: A dança pode servir como veículo de expressão secular ou religiosa; como uma diversão social ou atividade recreativa, como meio para dar vazão a sentimentos; como uma afirmativa de valores estéticos ou de um valor estético em si; como um reflexo de um padrão de 27 subsistência econômica ou como uma atividade econômica em si. A dança pode servir a um propósito educacional em um rito de iniciação, marcando a transformação pela qual um indivíduo eventualmente passar; ela pode ser usada para incorporar o sobrenatural, como quando curandeiros dançam para invocar os espíritos; ela pode até mesmo ser usada para a relação sexual, nos casos nos quais as mulheres podem discriminar os homens em termos de seu desempenho em dança e sua resistência. (GARDNER, 1994, p.173) Segundo o dançarino e coreógrafo americano Paul Taylor, citado por Gardner (1994), um dançarino deve aprender a executar um movimento de dança com precisão de forma e tempo. O dançarino se preocupa com sua colocação, espaçamento de palco, a qualidade de um salto, a suavidade de um pé – quer o movimento parta para um público ou espirale sobre si mesmo. Muitos movimentos são possíveis, variando desde uma pequena oscilação até os que são como um pião, dos percussivos até os sustenidos. É da combinação destas qualidades - variadas em velocidade, direção, distância, intensidade, relações espaciais e força – que é possível descobrir ou constituir um vocabulário de dança. Além destas características relativamente objetivas, a personalidade do dançarino inevitavelmente passará através de seu desempenho. O coreógrafo contemporâneo da dança moderna Mercê Cunningham cortou o nó entre a música e a dança. Interessado no movimento puro e simples, ele é um dos principais formalistas da dança, um inveterado investigador de como o peso e a força interagem com o tempo e o espaço, um paladino da ideia de que a dança é uma arte independente que não requer qualquer apoio da música, nenhum fundo visual e nenhum enredo. Suas danças, portanto fornecem uma oportunidade para que observemos a inteligência corporal em sua forma mais pura, não contaminada com a 28 sobrecarga representativa. Mas a dança pode vir de muitas formas. Conforme Michail Baryshnikov comentou: “Dançar é como muitas línguas novas, que expandem nossa flexibilidade e alcance. O dançarino, assim como o estudioso da linguagem, precisa de tantas quanto possível; nunca é bastante.” Nas aulas de Dança Sênior, além do treinamento dos passos de dança e das coreografias que por si só já representam um estímulo a esta inteligência, também são oferecidas aos alunos exercícios neuróbicos, já citados anteriormente. Caracterizam-se por serem atividades não-usuais ao aluno, estimularem vários sentidos ao mesmo tempo e exijirem o uso do pensamento e da atenção. Exercícios bem planejados, orientados e executados melhoram a atenção, tão cobrada, mas nunca ensinada nas escolas, ampliam a relação da pessoa com o mundo e dimensionam o convívio em bases mais completas. Todos são equipados com um sexto sentido de cinestesia – a capacidade de agir graciosamente e de apreender diretamente as ações ou capacidades dinâmicas de outras pessoas ou objetos. E o corpo é muito mais do que uma máquina ou um objeto artificial; ele é o recipiente do senso de eu do indivíduo, seus sentimentos e aspirações mais pessoais, bem como a entidade à qual os outros respondem de uma maneira especial devido às suas qualidades singularmente humanas. 2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal As inteligências pessoais correspondem a capacidades de processamento de informações – uma direcionada para dentro e outra para fora – disponíveis para qualquer ser humano. Conhecer a si mesmo e conhecer os outros é tão primordial quanto conhecer objetos ou sons, porém trata-se de uma esfera ainda ignorada por muitos e pobremente entendida. Sua existência afeta a maneira como os outros o tratarão, pois pensando em seu próprio corpo de forma especial, forma uma imagem - o que Gardner 29 (1994) chama de senso de eu - que se modificará perpetuamente, influenciando seus pensamento e comportamentos, de acordo com o meio em que vive. Em sua esfera mais primitiva, a inteligência intrapessoal equivale a pouco mais do que a capacidade de distinguir um sentimento de prazer de um de dor e, com base nesta discriminação tornar-se mais envolvido ou retrair-se de uma situação. Em seu nível mais avançado, esse conhecimento permite detectar e simbolizar conjuntos de sentimentos altamente complexos e diferenciados. Romancistas, paciente e terapeutas, sábios idosos são aquele que possuem a inteligência intrapessoal bem desenvolvida A inteligência interpessoal volta-se para fora, para outros indivíduos; a capacidade central é capacidade de observar e fazer distinções entre outros indivíduos e, em particular, entre seus humores, temperamentos, motivações e intenções. Em sua forma mais elementar, é a capacidade da criança pequena de discriminar entre os indivíduos ao seu redor e detectar seus vários humores. Numa forma avançada, permite que o adulto hábil leia as intenções e desejos – mesmo quando ocultados – de muitos outros indivíduos e, potencialmente ajam em cima deste conhecimento - por exemplo, influenciando um grupo de indivíduos díspares a comportar-se ao longo de linhas desejadas. As formas desenvolvidas da Inteligência interpessoal encontram-se nos políticos, religiosos, docentes, terapeutas e conselheiros. O desenvolvimento destas duas inteligências segue a mesma trajetória e elas estão intimamente ligadas em qualquer tipo de cultura: o conhecimento intrapessoal depende de aplicar as lições aprendidas a partir da observação de outras pessoas, enquanto o conhecimento interpessoal baseia-se nas discriminações internas que o indivíduo faz rotineiramente. Em contraste às inteligências musical e espacial, as pressões da sociedade para que se desenvolvam as inteligências pessoais é muito grande; 30 o indivíduo conquista assim o próprio bem-estar e melhora seu relacionamento com os outros. E a dança promove excelentes oportunidades para que os alunos desenvolvam esse potencial como, por exemplo, quando as mulheres, sempre em número maior, precisam voluntariar-se para dançar como cavalheiro. 2.7 – A Inteligência Naturalista Trata-se da inteligência dos biólogos, botânicos, zoólogos, jardineiros, paisagistas, floristas e amantes da natureza. Está ligada à vida animal e vegetal e por isso é também chamada de inteligência biológica ou ecológica. Manifesta-se nas atividades artísticas e práticas espirituais que envolvem aspectos do mundo natural, reconhecendo a natureza, a variação entre as espécies e suas relações. A descoberta do mundo animal e vegetal pelas crianças mais novas e seu encantamento demonstra com clareza uma manifestação deste tipo de inteligência, como acredita Antunes (2008). Ela pode ser estimulada com práticas pedagógicas que transformem a aprendizagem em um processo de investigação e pesquisa pessoal. Alunos constroem seus próprios significados e questionam: “Por que isso é como é?” 31 CAPÍTULO III A DANÇA NO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA A fim de desenvolver todas as múltiplas competências nos idosos nas aulas de Dança Sênior, serão relatadas as atividades propostas nos itens seguintes. 3.1 Atividades para a Inteligência Linguística Atividade 1: ACRÓSTICO Os alunos fazem um acróstico com o seu nome e as qualidades que julgam ter ou que gostariam de ter ao dançar. Exemplo: MEMÓRIA PRAZER RESPEITO CONQUISTA D ISCIPLINA COOPERAÇÃO Desenvolvimento da atividade: v Fazer uma apresentação oral dos acrósticos; v Realizar uma discussão acerca das qualidades descritas; v Realizar um novo acróstico com qualidades definidas em consenso; v Montar um mural com todos os acrósticos 32 Atividade 2: LEITURA DE TEXTOS SOBRE DANÇA E DEBATES Os alunos lêem textos trazidos pelo professor e debatem, expondo suas opiniões. Segue texto “Penso, logo danço”. Penso, logo danço Pensar para dançar?! Parece estranho, pois naturalmente as pessoas acham que dançar é ouvir a música e deixar seu corpo ser levado por ela... Depois que já sabemos o que fazer, nós somos levados pela música. Mas como curtir a música se você não sabe quais movimentos fazer? Aí é que entra a técnica e o aprendizado! As pessoas têm que pensar para aprender a dançar! Na realidade, não só para aprender a dançar, mas para aprender qualquer coisa! Sempre é preciso pensar e entender o assunto. A metodologia de ensino “Penso, logo danço” não ensina por imitação, não é só olhar o professor e imitar o que ele está fazendo. Em geral, quem só aprende olhando tem dificuldade para fazer o passo depois, erra assim que o professor pára de fazer o movimento, e no dia seguinte nem lembra mais o que aprendeu. A pessoa que aprende só olhando o professor se torna um ótimo “copiólogo”, mas não se torna um bom dançarino! Quando você pensa e entende, você aprendeu: faz o movimento sozinho, e não copiando de outra pessoa. Depois, enquanto estiver dançando, não é preciso pensar de forma consciente o tempo todo, pois você já automatizou os movimentos. Os professores desenvolvendo são a facilitadores capacidade de do processo de auto-aprendizagem organização das idéias dos alunos e da consciência corporal. aprendizado, através da 33 Atividade 3: PESQUISA SOBRE O TEMA QUADRILHA Os alunos pesquisam sobre as quadrilhas: sua origem, história, os passos, as competições, etc., anotam os dados e expõem oralmente para turma. Opções: Pesquisar sobre vários temas de interesse do grupo ou de acordo com a época do ano. Atividade 4: ELABORAR IMAGENS COM PALAVRAS Um aluno observa alguns passos de dança em vídeo e, em seguida, deve descrevê-los oralmente, sem executá-los, para outro aluno que estava ausente e não assistiu ao vídeo. O aluno que ouve as descrições elabora imagens mentalmente e tenta executá-los. Posteriormente, os dois alunos assistem ao vídeo juntos e discutem as imagens passadas/recebidas com as imagens reais. Variações: Substituir o vídeo pelos próprios alunos executando os passos ou até uma pequena coreografia. Atividade 5: CRIAR COREOGRAFIA BASEADOS EM UMA MÚSICA Os alunos pesquisam e escolhem uma música, estudam a letra, interpretam-na e criam uma coreografia. 3.2 Atividades para a Inteligência Musical Atividade 1: DANÇAR COM / CONTRA / INDEPENDENTE DA MÚSICA Escolher três músicas a serem tocadas enquanto os alunos são estimulados a dançar, se expressar ou simplesmente movimentar o corpo conforme os seguintes princípios: 34 Música 1: Dançar com a música, obedecendo-a corporalmente, seguindo seu ritmo. Música 2: Dançar contra a música, ou seja, em desacordo com o ritmo tocado. Música 3: Dançar independente da música, seguindo os impulsos internos do próprio corpo, como se ela não estivesse tocando, sem responder a seus estímulos, mas consciente deles. Atividade 2: RITMO Realizar exercícios ritmados com instrumentos diversos (triângulo, chocalho, batutas, etc) ou com os pés e as mãos Atividade 3: ALTERAR LETRA DA MÚSICA A coreografia chamada Dança das Boas Vindas pode ser acompanhada por uma música. Apresentar a letra abaixo aos alunos e solicitar que a adaptem-na ao seu contexto. Como é bom te ver e te receber Como é bom te ver e te encontrar Com o pé direito, com o pé direito, vou caminhar Com o pé esquerdo, com o pé esquerdo pra te encontrar Vamos dar e receber, doar e agradecer Em sua companhia é muito mais gostoso viver! Opções: Mantendo ou alterando as rimas, escrever várias letras possíveis; cantar e dançar no ritmo 35 Obs.: O grupo Vem Dançar adaptou a letra e a coreografia a um projeto da turma de Educadores Comunitários da mesma instituição. Ficou assim: Como é bom te ver e te abraçar Como é bom te ver e te abraçar Com o pé direito, com o pé direito, vou convidar Com o pé esquerdo, com o pé esquerdo para cantar Vamos dar e receber, doar e agradecer Em sua companhia é muito mais gostoso dançar! 3.3 Atividades para a Inteligência Lógico-Matemática Atividade 1: ORDENAR PASSOS FORA DE ORDEM Propor uma série de passos necessários ao desenvolvimento de uma tarefa fora de ordem e pedir que os alunos ordenem. Exibir vários passos típicos da dança sênior e movimentos soltos, fora de ordem, e pedir aos alunos que componham, em grupos, uma coreografia: passo simples, contra-passo, passo lateral, balanceio, tip, palmas, roda de pares, passeio, movimentos de membros superiores, membros inferiores, tronco, cabeça. Variação: ordenar as ações que devem ser tomadas para organizar uma apresentação, uma exposição ou um evento ligado à dança. 36 Atividade 2: RELAÇÕES DE EQUIVALÊNCIA Estabelecer relações de equivalência para completar. Explicar o que significam os sinais de pontuação e dar um exemplo fora do contexto da dança: : = está para :: = assim como Ex: Churchill : (está para) Inglaterra :: (assim como) Stalin : _________ Pedir outros exemplos oralmente e, em seguida, entregar uma folha com exercícios de equivalência para cada aluno fazer individualmente. Dar preferência a temas ligados ao curso, à instituição, à cidade ou às suas vivências. Alexandre : Informática :: Solange : ___________________ Márcia : Dança :: Gama : _____________________ Tom Jobim : Bossa Nova :: Elvis Presley : ________________ Obama : EUA :: Lula : _____________________ Leite : Vaca :: Mel : ______________________ Pelé : Futebol :: Giba : _____________________ Recife : Pernambuco :: Salvador : _________________ Pinguim : Pólo sul :: Canguru : _________________ 37 Atividade 3: CORRELACIONAR COLUNAS Pedir que os alunos preencham os parênteses da coluna da direita, correlacionando os tipos de dança e seus países de origem: 1 - Fado ( ) - Brasil 2 - Tango ( ) - Itália 3 - Jazz ( ) - México 4 - Ópera ( ) - Cuba 5 - Flamenco ( ) - Jamaica 6 - Samba ( ) - Portugal 7 - Reggae ( ) - Estados Unidos 8 - Mariachi ( ) - Argentina 9 - Salsa ( ) - Espanha Atividade 4: PALAVRAS CRUZADAS, SOPA DE LETRAS, DIAGRAMAS Os alunos completam palavras cruzadas, sopa de letras ou diagramas com temas relacionados à dança, à longevidade, etc. Segue em anexo Mata-Palavra sobre o tema Ioga. 38 Atividade 5: PROPOR PROBLEMAS E DESAFIOS Pedir que os alunos calculem a probabilidade de formar casais para coreografia; quantos “coringas” (pessoas que ensaiam como cavalheiro e dama) devem ser treinados de modo que se formem pares e ninguém fique sobrando no dia de uma apresentação. Variações: Calcular quantos dias de ensaio é necessário para uma apresentação de uma ou mais coreografias, Entregar problemas ou desafios para os alunos resolverem em casa e corrigir na aula seguinte. 3.4 Atividades para a Inteligência Espacial Atividade 1: MUDANDO DE LOCAL E A FORMA DO LOCAL DE AULA Eventualmente, mudar a disposição das cadeiras, mesas, quadro e outros objetos da sala de aula; também realizar as aulas em diferentes locais (praças, campos, salas pequenas, corredores, etc) Atividade 2: DESENHAR AS FIGURAS DA COREOGRAFIA Após aprender uma coreografia, os alunos devem dividi-las em etapas e desenhá-las relacionando com figuras: rodas, fileiras, colunas, estrelas, pontos soltos, unidos ou distantes um do outro, etc Variação: Para aumentar a dificuldade da tarefa, os alunos devem girar as figuras mentalmente e, em seguida, desenhá-las. Atividade 3: IMAGINAR-SE DANÇANDO O professor explica lenta e detalhadamente os passos de uma coreografia enquanto os alunos ouvem atentamente e se imaginam dançando. Depois, finalizam o trabalho, dançando realmente. 39 Atividade 4: JOGO DE TABULEIRO COM PESSOAS Vestidos com chapéus ou coletes, cada um representando uma peça ou parte do time do jogo em questão, os alunos se movimentam por “casas” desenhadas no chão. A quantidade de casas e a direção que os alunos percorrem são de acordo com as regras do jogo e o lançamento de um dado. 3.5 Atividades para a Inteligência Cinestésico-Corporal Atividade 1: TAPETE DE SENSAÇÕES Confecciona-se um tapete com diferentes texturas, formas e temperaturas para que os alunos, com olhos vendados, por ele caminhem e, em seguida, descrevam as sensações. Sugestão do material a ser utilizado: lixas de texturas finas e grossas; isopor, espuma, mármore, pedras, lã, areia, folhas secas. Atividade 2: RELAXAMENTO Deitados em colchonetes, em posições confortáveis, os alunos seguem comandos para relaxar as diferentes partes do corpo, ao mesmo tempo em que ouvem uma música relaxante. Variação: Exercício do Tai Chi Chuan: De pé, elevar lentamente ambos os braços com as palmas das mãos viradas para cima, como se fosse empurrar o céu, inspirando profundamente. Abaixar os braços e expirar lentamente. Fazer rotação lateral da cabeça para a esquerda e para a direita e voltar. Apertar fortemente os punhos, franzir o rosto e relaxar tudo ao mesmo tempo. Saltitar e cair suavemente sobre a ponta dos pés dez vezes seguidas, como se estivesse pulando sobre uma nuvem. 40 Atividade 3: CORRIDA DO NOVELO DE LÃ Alunos dispostos em duas colunas, sentados em uma cadeira. O primeiro aluno de cada coluna recebe um novelo de lã, segura uma ponta da lã e desenrola o suficiente para passá-lo ao aluno de trás por cima da cabeça. O novelo vai sendo passado e desenrolado por todos até chegar ao último participante da coluna. Neste ponto, o novelo deve voltar ao primeiro aluno, passando todos os participantes, que agora devem enrolá-lo. Vence a coluna que terminar primeiro. Variações: Alunos de pé; Passar o novelo pela lateral, fazendo rotação de tronco; Passar um rolo de papel higiênico, várias vezes, sem rasgálo, até que sobre apenas o rolinho de papelão; 3.6 Atividades para as Inteligências Intrapessoal e Interpessoal Atividade 1: INVENTÁRIO DE SENTIMENTOS Cada aluno recebe uma série de perguntas sobre alguns sentimentos e anotam, individualmente, quais as ações desencadeadas por esses sentimentos. Numa segunda etapa, em grupos, determinam estratégias positivas para lidar com os sentimentos descritos. Exemplo: 41 INVENTÁRIO DE SENTIMENTOS A maioria das pessoas experimenta e expressa sentimentos de formas diferentes. Pense a respeito de suas reações típicas em face de diversas emoções e complemente com suas ações habituais nas seguintes situações: Quando estou feliz, normalmente__________________________________ Quando estou preocupado(a) com alguma coisa, _____________________ Quando tenho confiança, eu _____________________________________ Quando estou nervoso(a), normalmente____________________________ Quando estou aborrecido(a), _____________________________________ Quando tenho medo de algo, eu___________________________________ Quando estou triste, costumo _____________________________________ Atividade 2: DIÁLOGOS INTERNOS Os alunos recebem cópias de desenhos de pessoas em situações diversas com balões em branco e imaginam o que cada personagem está falando ou pensando. Em seguida, expõem para o grupo suas ideias. 42 Atividade 3: ESCOLHA A FOTO São apresentadas fotos com diferentes tipos de dança para que os alunos escolham a que mais se identificam e relatem como se sentem. Atividade 4: ESCOLHER MÚSICA E COREOGRAFIA PARA UMA APRESENTAÇÃO Na primeira fase do trabalho, os alunos pesquisam músicas que gostariam de dançar e trazem a letra para aula. Em seguida, divididos em pequenos grupos, debatem suas escolhas e definem qual a melhor opção, inclusive com alguns movimentos para a coreografia. Os grupos expõem suas idéias e escolhem uma ou mais músicas para montar uma coreografia e apresentá-la. Atividade 5: DINÂMICA DO CONSENSO Divididos em grupos, os alunos recebem uma lista de qualidades relacionadas ao curso de dança. Cada grupo deve escolher as 10 palavras que mais identifiquem o curso e expor à turma. Entre as 10 palavras escolhidas, cada grupo deve escolher agora apenas 5 palavras, e assim por diante até que se encontre um consenso na escolha da 1 palavra. Variação: Cada aluno escreve uma frase respondendo à pergunta: “O que a dança representa para você?”. Em seguida, formam-se grupos e cada grupo escreve uma frase que envolva a resposta de todos os seus membros. Para finalizar, todos os grupos apresentam uma frase apenas que resuma a opinião geral. 43 Para dançar, é importante que uma pessoa.. seja bondosa seja comunicativa seja solidária tenha coordenação motora saiba se divertir saiba liderar seja sábia tenha senso de humor tenha educação seja ativa seja lógica seja inteligente seja amigável seja compreensiva seja humilde seja alegre seja digna de confiança seja companheira seja extrovertida faça o melhor possível tenha espírito esportivo mantenha o controle seja honesta seja agressiva seja crítica seja correta seja capaz de me entender seja disciplinada seja faladora seja magra escute com atenção seja calma seja criativa seja atraente seja elegante tenha resistência física seja espontânea seja confiante seja madura seja prática 44 Atividade 6: ANÁLISE CRÍTICA Observar a filmagem de uma apresentação do grupo - ou de uma aula - e fazer a análise crítica. Reconhecer os erros e estabelecer metas para melhorar a performance tanto individual quanto do grupo. Identificar e valorizar os pontos positivos. 3.7 Atividades para a Inteligência Naturalista Atividade 1: OBSERVAR, SERIAR, CLASSIFICAR Cada aluno recebe um cartão em que está escrito, ou um tipo de dança, ou um compositor/dançarino famoso, ou um país, ou uma foto relacionada à dança. Ao sinal, os alunos procuram cartões que se relacionem com o seu cartão e montam um grande painel de classificação de danças. Atividade 2: PASSEIOS Realizar passeios, caminhadas ecológicas, aulas de dança e relaxamento em lugares bem variados: parques, áreas verdes, calçadões, pistas de corrida, estádios, praias, zoológicos. Ouvir todos os sons, sentir o vento, a temperatura, a umidade do ar e observar todos os detalhes do local. Atividade 3: DANÇA CIRCULAR Executar danças circulares que envolvem os quatro elementos da natureza (ar, terra, fogo e ar). 45 Atividade 4: DIAGRAMA Divididos em grupos, os alunos estudam as figuras da Dança Sênior: roda; troca de par; movimento; mãos dadas; o ritmo e a melodia. Em seguida, elaboram um diagrama. Exemplo: Reflexões sobre as figuras da Dança Sênior 46 CONCLUSÃO Conhecendo um pouco mais sobre a grande família das oito inteligências, pode-se dividi-las – e classificá-las – de uma maneira interessante: as inteligências espacial, lógico-matemática e cinestésicacorporal estão relacionadas à estrutura e às funções do objeto, ou seja, do mundo físico, com o qual os indivíduos entram em contato; as inteligências lingüística e musical não se relacionam ao objeto, mas refletem as estruturas de linguagens e músicas específicas; as inteligências pessoais refletem um conjunto de restrições poderosos e rivais: a existência da própria pessoa, das outras pessoas e a cultura onde se inserem. Embora as atividades sugeridas nesse estudo estejam divididas em capítulos, por questões didáticas, grande parte delas estimula, propositalmente, as várias inteligências, oportunizando ao idoso do Curso Vem Dançar seu acesso de forma lúdica e intensa. Os avanços científicos sobre a compreensão do cérebro e essa nova visão de várias inteligências atuando em conjunto ampliam as possibilidades do indivíduo de identificar-se consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Assim, no campo da educação, as práticas pedagógicas voltadas para a busca do ser humano integral vão sendo moldadas por novos paradigmas, sempre abertos a novas perspectivas e a novos estudos. É o que está fazendo Gardner atualmente, dedicando-se ao estudo de uma nova inteligência: a Inteligência Existencial. Trata-se da capacidade da pessoa de situar-se diante da existência integral do cosmos e do infinito; de questionar-se e refletir sobre a vida, a morte, o mundo e seu destino. 47 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 >> Fotos Anexo 2 >> Atividades Impressas 48 ANEXO 1 Foto I - Leitura de textos relacionados à dança com posterior discussão sobre o tema (trabalhando as inteligências linguística e pessoais). 49 Foto II - Apresentação de uma coreografia de Dança Sênior (trabalhando especialmente as inteligências cinestésico-corporal e espacial) 50 ANEXO 2 ATIVIDADES IMPRESSAS 51 BIBLIOGRAFIA ANTUNES, Celso. Como desenvolver conteúdos explorando as inteligências múltiplas. Fascículo 3. 7ª Ed., Petrópolis/RJ: Vozes, 2008 ________________. A Teoria das Inteligências Libertadoras. 4ª Ed., Petrópolis/RJ: Vozes, 2003 ________________. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 14ª Ed., Campinas, SP: Papirus, 2008 – (Coleção Papirus Educação) BALLESTERO-ALVAREZ, María Esmeralda. Exercitando as inteligências múltiplas: Dinâmicas de grupo fáceis e rápidas para o ensino superior. 2ª Ed., Campinas, SP: Papirus, 2005 BATLLORI, Jorge. Jogos para Treinar o Cérebro. São Paulo: Madras, 2006 FERNANDES, Ciane. O Corpo em Movimento: O Sistema Laban/Bartenieff na Formação e Pesquisa em Artes Cênicas. São Paulo: Annablume, 2002 FRANCO, Alfred Sholl. Corpo Humano I. v. 2 / Alfred Sholl Franco et al. – 2. Ed. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2007 GARDNER, Howard. Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas. Reimpressão 2007, Porto Alegre: Artmed, 1994 KATZ, Lawrence C. RUBIN, Manning. Mantenha o seu Cérebro Vivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000 MILITÃO, Albigenor & Rose. Jogos, Dinâmicas e Vivências Grupais. 11ª Reimpressão, Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2009 PONT GEIS, Pilar. Atividade física e saúde na terceira idade: teoria e prática. 5ª Ed., Porto Alegre: Artmed, 2003 52 _______________. RUBÉ, Maika Carroggio. Terceira Idade. Atividades criativas e recursos práticos. Porto Alegre: Artmed, 2003 SÁ, Elisandra Villela Gaspareto. LASCA, Valéria. Exercite Sua Mente – Guia prático para aprimoramento da memória, linguagem e raciocínio. São Paulo: Prestígio, 2005 THAGARD, Paul. Mente – Introdução à Ciência Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 1998 Revista Época. Editora Globo S.A., Nº 573, 11 de maio de 2009. Semanal. p.70 Revista Veja. Rio de Janeiro; Editora Abril, 25 de julho de 2007. Semanal. ano 40 / nº 29. p.11. Revista Mente e Cérebro. Ediouro, Ano XVI nº 191, p.16 Informativo da Dança Sênior. Pirabeiraba/SC; Março de 2007. Ano XIV nº 2. Unidade de Ação da Instituição Bethesda. p.11 Informativo da Dança Sênior. Pirabeiraba/SC; Março de 2008. Ano XV nº 2. Unidade de Ação da Instituição Bethesda. p.9 Atividade reduz perdas associadas à velhice. O Globo, Rio de Janeiro, 22 mar.2009. p.42, caderno ciências/saúde. MARQUES, Isabel A. Projeto Dança Escola – Dialogando com o corpo, a arte e a educação. http://portal.unesco.org/culture/en/files/9597/10904014853DANÇAESCOLA.pdf/DANCA-ESCOLA.pdf . 13-30 p., acessado em 24/04/2009 www.portalbethesda.org.br Dança Sênior, acessado em 17/05/2009 www.pedagiaanhembi.jpg.ig.com.br-www.ucs.br, Inteligências Múltiplas, como definidas por Howard Gardner, 1-1 p., acessado em 13/03/2009 53 CARNEIRO, Celeste. A arte e o cérebro no processo de aprendizagem. http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/criatividade2.html, 1-7 p., acessado em 13/03/2009 CRUZ, Marina da Silva. O Processo de envelhecimento no Brasil: desafios e perspectivas. Textos sobre Envelhecimento, v.8 n.1. Rio de Janeiro: 2005 http://www.unati.uerj.br, acessado em 24/04/2009 http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm, IBGE, 1-4 p., acessado em 10/05/2009 54 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTOS 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 8 INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I – A DANÇA 11 CAPÍTULO II – AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A LONGEVIDADE 14 2.1 – A Inteligência Linguística 22 2.2 – A Inteligência Musical 23 2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática 23 2.4 – A Inteligência Espacial 25 2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal 26 2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal 28 2.7 – A Inteligência Naturalista 30 CAPÍTULO III - A DANÇA NO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA 31 3.1 – Atividades para a Inteligência Linguística 31 3.2 – Atividades para a Inteligência Musical 33 3.3 – Atividades para a Inteligência Lógico-Matemática 35 3.4 – Atividades para a Inteligência Espacial 38 3.5 – Atividades para a Inteligência Cinestésico-Corporal 39 3.6 – Atividades para Inteligências Intrapessoal e Interpessoal 40 3.7 – Atividades para a Inteligência Naturalista 44 CONCLUSÃO 46 ANEXOS 47 BIBLIOGRAFIA 51 ÍNDICE 54