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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
DE
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
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I
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
EM IDOSOS COM A DANÇA SÊNIOR
DO
CU
M
EN
TO
PR
DESENVOLVENDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
Por: Márcia Kern
Orientador
Prof. Maria Esther de Araújo
Rio de Janeiro
2009
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
DESENVOLVENDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
EM IDOSOS COM A DANÇA SÊNIOR
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do
Mestre – Universidade Candido Mendes como
requisito
parcial
para
obtenção
especialista em Psicomotricidade.
Por: Márcia Kern
do
grau
de
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família que sempre
me apoiou e aos meus amigos e
professores que me acompanharam
nesta jornada.
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus queridos
alunos
da
Dança
Sênior,
sempre
dispostos, pacientes, prestativos e que
tanto contribuem para o meu crescimento
profissional e pessoal.
5
RESUMO
Este trabalho visa identificar exercícios e atividades que intervenham no
desenvolvimento das inteligências múltiplas em idosos através das aulas de
Dança Sênior. São mencionados os fundamentos da Dança Sênior, como ela
surgiu, como são as aulas, seus objetivos, o público alvo e os profissionais que
atuam na área. Também são abordados alguns aspectos importantes sobre a
cognição, o conceito moderno de inteligência, as descobertas da neurociência,
a neuróbica, a importância de estimular os dois hemisférios cerebrais e, claro,
a Teoria de Howard Gardner sobre os oito tipos de inteligência e os critérios
para identificá-las. Expõem-se os benefícios, as dificuldades e as facilidades
de desenvolver cada uma das inteligências em idosos devido à necessidade de
buscar qualidade de vida para essa população que vem aumentando
assustadoramente nos últimos anos.
6
METODOLOGIA
O objeto de estudo dessa pesquisa é o Grupo de Dança Vem Dançar,
com 35 alunos, de idade entre 60 e 80 anos, com uma aula semanal, de uma
hora e trinta minutos de duração. As aulas são ministradas nas dependências
do Estádio Municipal Raulino de Oliveira, na cidade de Volta Redonda/RJ, local
onde está situada a Academia da Vida Oscar Cardoso, pertencente à
Fundação Educacional de Volta Redonda. Trata-se de uma instituição pública,
laica, que realiza ações nas áreas de educação, saúde, arte e cultura para
idosos. Todas as atividades convergem para o objetivo geral de “edificar um
novo cidadão idoso, mais feliz, consciente e criativo, que integre, de forma
saudável, as esferas do seu ser físico, cognitivo, emocional e espiritual,
atuando na melhoria da qualidade de vida pessoal, da família e da
comunidade”. Para conseguir estes resultados, a Academia da Vida Oscar
Cardoso apóia-se em fundamentos filosóficos e metodológicos para fazer
frente ao cenário contemporâneo marcado por situações que envolvem a
diminuição do suporte sócio-familiar, a perda do status ocupacional e
econômico, o declínio físico continuado, a maior freqüência de doenças físicas
e
a
incapacidade
pragmática
crescente.
O
trabalho
desenvolvido,
fundamentado no paradigma salutogênico, tem gerado transformações
significativas na forma como o idoso percebe a realidade e na construção de
recursos próprios, subjetivos, de saúde, resiliência e autocultivo.
O Curso de Dança Sênior é um dos cursos de extensão, oferecidos aos
alunos que já concluíram o curso básico de dois anos. Tem duração de um ano
e seus objetivos, bem definidos no capítulo 1, seguem a mesma linha dos
objetivos da Academia da Vida Oscar Cardoso.
O perfil destes alunos é bem variado. As turmas são heterogêneas
quanto ao grau de estudo, à vivência, personalidade, situação financeira e
carências. Em relação a essas carências, um fato relevante é que a grande
7
maioria dos idosos que procuram as atividades da Academia da Vida possui
carência afetiva e social.
Este trabalho é baseado principalmente em pesquisa bibliográfica. Um
dos autores mais citados é Howard Gardner, psicólogo americano, professor
da Universidade de Harvard, que desenvolveu a teoria das Inteligências
Múltiplas e escreveu vinte livros sobre o assunto. Possui vários seguidores,
entre eles, Celso Antunes, no Brasil, também autor de vários livros, muitos
deles utilizados como fonte bibliográfica.
Maria Esmeralda Ballestero-Alvarez e Albigenor & Rose Militão
colaboram com seus livros sobre jogos e dinâmicas de grupo, assim como Pilar
Pont Geis, cujos livros são direcionados à terceira idade.
Revista Veja, Revista Época, Revista Mente e Cérebro, alguns sites
científicos, experimentação, observação e análise de exercícios práticos no
grupo também serão utilizados a fim de aprimorar o trabalho.
As informações sobre a Dança Sênior são pesquisadas em seus
informativos periódicos e no site da instituição Bethesda, responsável pela
criação e divulgação da Dança Sênior no Brasil.
Também constam neste trabalho Lawrence C. Katz e Manning Rubin,
Jorge Batllori, Elisandra Villela Gaspareto Sá e Valéria Lasca com suas
atividades para exercitar o cérebro.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
09
CAPÍTULO I – A Dança
11
CAPÍTULO II – As Inteligências Múltiplas e a Longevidade
14
2.1 – A Inteligência Lingüística
22
2.2 – A Inteligência Musical
23
2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática
23
2.4 – A Inteligência Espacial
25
2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal
26
2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal
28
2.7 – A Inteligência Naturalista
30
CAPÍTULO III – A Dança no Desenvolvimento da Inteligência
31
3.1 – A Inteligência Lingüística
31
3.2 – A Inteligência Musical
33
3.3 – A Inteligência Lógico-Matemática
35
3.4 – A Inteligência Espacial
38
3.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal
39
3.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal
40
3.7 – A Inteligência Naturalista
44
CONCLUSÃO
46
ANEXOS
47
BIBLIOGRAFIA
51
ÍNDICE
54
9
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como tema o desenvolvimento das inteligências
múltiplas em idosos durante as aulas de Dança Sênior.
Mas o que vem a ser a Dança Sênior? Como é praticada e quais são
os seus objetivos? Qual é o seu público alvo? Seria uma dança somente para
idosos? Existe uma formação especial para atuar nessa área? Todas essas
questões serão abordadas, visto tratar-se de informações relevantes para um
completo entendimento do tema.
Os estudos de Howard Gardner (1994) mostram que todas as
pessoas possuem tipos diferentes de inteligência - e não somente a lógicomatemática e a lingüística, medidas nos teste de QI - e de que ela é resultado
tanto da genética quanto da experiência, esse trabalho busca mostrar como
essas capacidades podem ser desenvolvidas em idosos. Até que ponto o
envelhecimento representa um obstáculo ao desenvolvimento dos diversos
tipos de inteligência? Haveria algum tipo de inteligência beneficiada com o
avanço da idade biológica? Quais as descobertas na área da neurociência?
Como se comportam as células nervosas, ou seja, dos neurônios, diante de
novas
informações,
novas
experiências?
A
plasticidade
neural
está
comprovada e por si só já justifica a prática de exercícios variados ao longo da
vida.
Outro fato importante é o aumento da população idosa: eles estão
vivendo mais. Só que viver mais nem sempre significa viver melhor. Buscar
qualidade de vida é primordial, tanto para o presente quanto para o futuro.
Hoje, os idosos estão mais conscientes e vem reivindicando seus direitos a fim
de exercerem plenamente sua cidadania. Eles precisam saber que as
inteligências múltiplas existem e podem ser exercitadas!
Com base nos evidentes e inegáveis benefícios alcançados em todas
as áreas da saúde física, mental e social e na contribuição para formação
plena do indivíduo, esse estudo visa analisar a manutenção e a melhora da
10
qualidade de vida dos idosos ao praticar a Dança Sênior desenvolvendo as
inteligências múltiplas.
Afinal, que tipos de exercícios, jogos, dinâmicas de grupo, desafios
poderiam ser ensinados, aprendidos, sugeridos ou criados pelos próprios
alunos idosos em aulas de Dança Sênior?
Mostrar-se-á que o desenvolvimento das inteligências múltiplas em
idosos durante as aulas de Dança Sênior ocorre através de atividades que
estimulem uma ou várias capacidades psicomotoras e neurosensoriais, dentre
elas, coordenação, flexibilidade, equilíbrio, lateralidade, agilidade, resistência,
força,
memória,
raciocínio,
musicalidade,
propriocepção,
atenção
e
concentração. Enfim, será demonstrado que, ao contrário do que muitos
imaginam, até a inteligência lógico-matemática pode ser desenvolvida através
de aulas de dança bem planejadas e de atividades bem conduzidas.
11
CAPÍTULO I
A DANÇA
Segundo uma definição do Infomativo Dança Sênior (2008), a dança é
a arte de mover o corpo obedecendo a uma relação de tempo e espaço,
seguindo um ritmo e uma coreografia. Isadora Duncan, dançarina pioneira
deste século, resumiu em sua famosa observação: “Se eu pudesse dizer a
você o que ela é, eu não a teria dançado”. De fato, de acordo com Fernandes
(2002), é difícil fazer dançarinos (ou até mesmo críticos de dança)
caracterizarem sua atividade de uma maneira direta e concreta.
Ao montar o projeto do curso Vem Dançar, optou-se por definir a
dança de forma mais completa, mais abrangente, que fosse de encontro aos
objetivos do curso. Segundo Marques (1995), a dança, enquanto arte, tem o
potencial de trabalhar a capacidade de criação, imaginação, sensação e
percepção, integrando o conhecimento corporal ao intelectual. O conteúdo das
aulas é composto, basicamente, de coreografias de Dança Sênior, aulas
teóricas e também atividades mais livres, que desenvolvem criatividade e
expressividade.
Tradicionalmente a dança expressava emoções extremas, como
alegria e tristeza; mas na dança moderna agora é habitual tentar transmitir
emoções mais complexas como culpa, angústia, remorso....
A música é a parceira mais importante na dança e a estrutura da
composição musical afetará fortemente a técnica da dança; mas visto que a
dança pode também ocorrer sem música, a presença da última não pode
definir a dança.
De acordo com o portal da Instituição Bethesda (2009), a Dança Sênior
surgiu na Alemanha em 1971 e foi trazida para o Brasil pela Sra. Christel
Weber em 1978. A partir de 1982, foi promovida no Ancianato Bethesda, em
Pirabeiraba (SC), pela Sra. Regina Krauser. Em 18.11.1993 foi fundada a
12
Instituição Bethesda. Para tornar-se dirigente da Dança Sênior e ter acesso ao
material – que é patenteado – é necessário habilitar-se nos cursos oficiais.
Embora sejam abertos a todos, os cursos são mais procurados por
professores, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais
de saúde.
Baseando-se no folclore de diversos povos, a dança é praticada com
muito entusiasmo no Brasil, Alemanha, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Finlândia,
Suíça, Áustria, Itália, Inglaterra. E todos podem participar! É atraente, tanto
para os já avançados na idade, como também para os mais novos, e ainda
para os portadores de limitações. Atrai pelo "poder fazer". Cada um dança
dentro de seus próprios limites.
A atividade é diversificada: A DANÇA SÊNIOR com seus passos
curtos, leves e um pouco mais lentos, pode ser aprendida facilmente. Os
movimentos suaves contagiam. A música própria em ritmo alegre estimula
cada um a movimentar-se espontaneamente inclusive aquele que não tem
experiência em dança. A possibilidade de contato, até corporal, e de abertura
para a comunicação social, superam a inibição inicial típica do idoso. As
coreografias possuem ritmos, melodias, figuras, formações e movimentos o
mais variado possível, a fim de enriquecer o aprendizado.
Os EXERCÍCIOS DE GERONTO-ATIVAÇÃO funcionam como um
aquecimento: despertam o corpo, melhoram a flexibilidade, a agilidade e a
coordenação, estimulando a postura correta da cabeça ao sentar e andar.
Desenvolve maior mobilidade no olhar e na habilidade de pegar objetos com
as mãos, possibilitando maior autonomia nas atividades diárias, como na
higiene, no vestir-se, na alimentação e na segurança de locomoção, entre
outros.
A DANÇA COM IDOSOS SENTADOS integra os participantes no
convívio de um grupo maior. É uma atividade inclusiva também para idosos
com limitações, ou sentados em cadeiras de rodas
13
O movimento estimula a motricidade dos músculos e a mobilidade das
articulações, proporcionando uma melhor coordenação motora e maior
segurança através do domínio do corpo; a respiração estimulada e a circulação
sangüínea intensificada favorecem uma melhor oxigenação e irrigação das
células prevenindo problemas cardiovasculares; a memorização de passos e
figuras e o treino constante da coordenação motora desenvolvem várias
capacidades físicas e mentais, permitindo a manutenção da capacidade
intelectual.
Com base nas informações anteriores formulou-se o objetivo geral do
curso que é desenvolver competências e habilidades que contribuam para o
autodesenvolvimento biopsicosocial e a conquista da autonomia na adoção de
hábitos e atitudes saudáveis que proporcionem satisfação com emoção e
alegria de viver. Os objetivos específicos são: conscientizar-se do corpo e do
espaço; conhecer e explorar novas possibilidades de movimento corporal;
melhorar a linguagem não-verbal e a própria expressividade; experimentar
maior sensação de autorrealização; estimular a criatividade e funções
neurológicas; fortalecer a auto-estima; conhecer e adotar novos hábitos
saudáveis e prazerosos de lazer.
14
CAPÍTULO II
AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A LONGEVIDADE
A inteligência é, pois um fluxo cerebral que nos leva a
escolher a melhor opção para solucionar uma dificuldade
e que se completa com uma faculdade para compreender,
entre opções, qual a melhor; ela também nos ajuda a
resolver problemas ou até mesmo criar produtos válidos
para a cultura que nos envolve. (ANTUNES, 2008, p.12)
Howard Gardner desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas em
1983 e procura, humildemente, explicar sua idéia:
...a idéia das inteligências múltiplas é antiga e dificilmente
posso reivindicar qualquer grande originalidade por tentar
revivê-la. Mesmo assim, salientando a palavra idéia
desejo ressaltar que a noção das inteligências múltiplas
dificilmente é um fato científico comprovado: ela é, no
máximo, uma idéia que recentemente readquiriu o direito
de ser discutida seriamente. (GARDNER, 1994, P.9)
Gardner descreveu cientificamente oito tipos de inteligência: a
lingüística, a lógico-matemática (ambas medidas em teste de QI), a espacial, a
musical, a cinestésico-corporal, a naturalista (a habilidade de compreender os
fenômenos naturais), a intrapessoal (a de reconhecer os próprios defeitos e
qualidades – e tomar decisões com base neles) e a interpessoal (a de
interpretar as intenções alheias e exercer a liderança. Gardner também diz:
15
Cada um tem uma mistura singular de vários tipos de
inteligência, o que torna a questão bem mais complexa do
que dividir a humanidade entre burros e inteligentes. A
observação científica mostra que o mundo está cheio de
gente que se destaca no pensamento lógico, mas não
tem inteligência suficiente para expressar uma idéia com
começo, meio e fim. Ou de pessoas que são brilhantes ao
filosofar sobre as grandes questões do mundo moderno,
mas não tem nenhum traquejo para executar exercícios
físicos de jardim-de-infância. Conclusão: a maioria das
pessoas é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas
áreas do conhecimento e limitada para outras. Estou me
referindo à média. Bem mais raros são os casos de gente
desprovida de qualquer inteligência. Mas eles existem.
(GARDNER, Revista Veja, 25 de julho de 2007, p.11)
Ainda segundo Gardner, a inteligência é resultado de dois fatores: a
genética e a experiência de cada um. Ainda não se sabe qual deles tem mais
peso. Algumas habilidades, como o raciocínio lógico e o talento para a música,
sofrem maior influência da genética. Mas no geral, tudo indica que os genes e
o ambiente contribuam em igual proporção na formação da inteligência
humana. De acordo com uma entrevista recente à Revista Época (2009),
Gardner diz que as inteligências evoluem de forma mais ou menos
pronunciada ao longo do desenvolvimento, formando o perfil de inteligência
único, como uma impressão digital, porém modificável ao longo da vida. Ele é
forjado pela hereditariedade, mas também pela experiência.
Mesmo sendo possível esculpir a inteligência, há limitações como a
biologia e idade: quanto mais velha uma pessoa, mais dificuldade de mudar o
seu perfil de inteligência. Está demonstrado por meio de extensas pesquisas
que a fase em que a experiência causa mais impacto ao cérebro é até os 20,
25 anos de vida. As pessoas podem ficar mais sábias, mas não mais
16
inteligentes, com exceção das inteligências pessoais que podem se aperfeiçoar
com o passar dos anos.
Segundo Antunes (2008), o envelhecimento não ocorre com todas as
inteligências ao mesmo tempo e, principalmente não ocorre com a mesma
intensidade nos dois hemisférios cerebrais. Ocorre muito mais por falta de
estímulos - o que seria o mesmo que dizer por falta de “ginástica” – do que por
razões de ordem biológica.
Os circuitos cerebrais responsáveis pelas diferentes inteligências
amadurecem em períodos diferentes da vida, destacando a importância do
estímulo durante a infância. A densidade das sinapses na criança de 1 a 2
anos é cerca de 50% maior do que em um adulto, mas o universitário de 22
anos tem tanta facilidade ou dificuldade de aprender quanto seu avô de 71
anos. A diferença entre eles está em saber qual dos dois está mais motivado e
qual deles se cerca de desafios mais estimulantes.
Gardner (1994) também não é a favor de testes para medir a
inteligência, pois o que vale é o que a pessoa faz de relevante com suas
habilidades mentais. De nada adiante ter um Q.I. abaixo ou acima da média,
se não puder fazer coisas que sua cultura valoriza!
E quanto ao número de inteligências, a lista vem crescendo. Gardner
e outros cientistas estão pensando também na inteligência existencial, que
seria a propensão de colocar grandes questões filosóficas, tais como “por que
morremos?”. Para ser considerada uma inteligência, uma competência deve
seguir oito critérios essenciais, dentre eles: identificação de um centro da
inteligência por dano cerebral; existência de indivíduos excepcionais em áreas
específicas da solução de problemas ou criação; gatilho neural pronto para ser
disparado em determinados tipos de informação interna ou externa;
suscetibilidade à modificação da inteligência por treinamento; evidências
evolutivas; testagem psicológica; apoio de exames psicométricos; criação de
um sistema simbólico específico.
17
A neurociência tem realizado descobertas surpreendentes sobre o
funcionamento do cérebro humano. Segundo o Informativo Dança Sênior
(2007), em 1998, cientistas comprovaram que os cérebros adultos possuem a
capacidade de gerar novas células. O declínio mental não é decorrente da
morte das células e, sim, pela redução dos dendritos (prolongamentos dos
neurônios). Neurônios velhos podem desenvolver dendritos para compensar as
perdas. Se, por exemplo, uma área cerebral apresentar uma disfunção ou
lesão, outra área pode assumir o comando da função. As redes neuronais
continuam se ramificando de acordo com a estimulação dos sentidos. Essa
capacidade chama-se plasticidade neural e por si só já justifica a prática de
exercícios variados ao longo da vida.
A “ginástica dos neurônios”, conhecida como Neuróbica – palavra
alusiva aos exercícios físicos – engloba exercícios que ativam áreas diferentes
do cérebro. Mas, de acordo com KATZ e RUBIN (2000), para ser neuróbico,
um exercício deve ser inesperado e não pode virar rotina, deve exigir atenção
e deve ser utilizar várias combinações dos cinco sentidos, além do sentido
emocional.
Mesmo com uma vida ativa, a maioria das pessoas segue atividades
rotineiras, invariáveis e não exploram a capacidade de fazer novas
associações. Circuitos pouco ativados como olfato, paladar e tato merecem
mais atenção. Como os diferentes tipos de inteligência estão localizados nos
dois hemisférios do cérebro, deve-se buscar uma integração a fim de promover
o desenvolvimento pleno do ser. Segundo a professora Celeste Carneiro
(2000), utilizando mais o lado esquerdo, considerado racional, o homem não
usufrui dos benefícios contidos no hemisfério direito, como a imaginação
criativa, serenidade, visão global, capacidade de síntese e facilidade de
memorizar. Deve-se visualizar o homem como um todo e assim equilibrando o
uso de suas potencialidades.
Na
figura
seguinte
(Franco,
especificações dos hemisférios cerebrais.
2007)
é
possível
visualizar
as
18
19
No Brasil, para fins de levantamentos demográficos, considera-se
idoso o corte definido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para os
países subdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento, isto é, a partir de 60
anos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
Brasil deverá ter a 6ª população mais idosa do planeta no ano de 2025 com
aproximadamente 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que
representará 15% da população. Os números mostram que, atualmente, uma
em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, estima-se
que a relação será de uma para cinco em todo o mundo, e de uma para três
nos países desenvolvidos.
Marina da Cruz Silva (2005) lembra que na Europa e América do
Norte, o fenômeno do envelhecimento apresentou-se de forma paulatina, ou
seja, teve início há quase cem anos atrás. Esse não tem sido o caso do Brasil,
cujo processo começou na década de sessenta, sendo marcado por uma
velocidade de expansão sem precedentes. Este fato serve de alerta ao
governo brasileiro para a necessidade de se criar, o mais rápido possível,
políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade.
Ainda é grande a desinformação sobre o idoso e sobre as
particularidades
do
envelhecimento
em
nosso
contexto
social.
O
envelhecimento humano, na verdade, quase nunca foi estudado. Poucas
escolas no país criaram cursos para auxiliar as pessoas mais velhas. Uma
prova disso é que somente após 1994 é que as instituições de ensino superior
passaram a se adaptar, a fim de atender a determinação da Lei, que prevê a
existência de cursos de Geriatria e Gerontologia Social nas Faculdades de
Medicina no Brasil. Bom esclarecer que a geriatria é uma especialidade da
medicina que trata da saúde do idoso, enquanto a gerontologia vem a ser a
ciência que estuda o envelhecimento.
Em 1º de outubro de 2004, instituiu-se a Lei 10.741, o Estatuto do
Idoso, regido por princípios que registram o direito das pessoas mais velhas a
20
uma ocupação e trabalho, como ainda acesso à cultura, à justiça, à saúde e à
sexualidade, além, é claro, de poder participar da família e da comunidade.
Entre as necessidades de um grande grupo de indivíduos idosos, está
a exigência de oportunidades de serem incluídos nas decisões a respeito da
sociedade e de sua vida diária. Os indivíduos da terceira Idade não desejam
ser desligados e serem rotulados como objetos de cuidado somente.
As modificações cognitivas e afetivas transcorridas ao longo do tempo
não param na velhice, desde que a capacidade de reserva do sistema nervoso
não seja comprometida devido à manifestação de uma demência. Desse
modo, não se pode deixar de assinalar a existência do grande potencial latente
para o rendimento intelectual na velhice.
Os idosos precisam saber que as inteligências múltiplas existem e
podem ser exercitadas! Esse conhecimento melhora a auto-imagem, favorece
o convívio social entre pessoas diferentes, promove inclusão, respeito,
integração e aumenta o bem-viver na terceira idade.
Também
a
atividade
física
está
intimamente
relacionada
à
longevidade. De acordo com reportagem “De onde vem a inteligência”, na
Revista Época (2009), os exercícios físicos aumentam o número de vasos
sanguíneos no cérebro, melhorando a nutrição e oxigenação dos neurônios;
também estimulam a geração de células no hipocampo - a área do cérebro
encarregada da memória - e impulsionam a produção de um tipo de
substância, chamada fator de crescimento, que aumenta as conexões entre os
neurônios.
Segundo
o
médico
alemão
Gerd
Kempermann
(2009), especialista em regeneração do cérebro, diz que o aumento da
expectativa de vida é devido às melhores condições de vida e do progresso da
medicina. Porém, a expectativa de vida aumenta num ritmo muito maior do que
o desenvolvimento de terapias para combater os males relacionados ao
envelhecimento, como a perda da capacidade cognitiva. A adaptação do corpo
ao aumento da longevidade não é adequada. Um dos maiores dramas é a
21
demência e há também a degeneração óssea. É preciso investir em
prevenção. Seu conselho para garantir qualidade de vida na velhice é atividade
física e intelectual por toda a vida a fim de se criar uma espécie de reserva de
neurônios.
Em pesquisas com camundongos, cientistas descobriram que a
atividade intelectual torna possível produzir novos neurônios mesmo na idade
adulta. Quanto mais abrangente for a atividade, maior seu efeito. Outro fato
importante é que o cérebro humano gasta muita energia para equilibrar o
corpo. Por isso as pessoas idosas têm mais dificuldade de exercer atividades
intelectuais em movimento.
Por todos esses motivos, as atividades desenvolvidas nas aulas do
curso
Vem
Dançar
estimulam
sempre
uma
ou
várias
capacidades
psicomotoras e neurosensoriais. Por exemplo, ao fechar os olhos e imaginarse fazendo um exercício ou um passo de dança elabora-se uma imagem
mental que, segundo Ballestero-alvarez (2005), estimula a audição, a atenção,
o raciocínio, a memória e a concentração, que levará principalmente ao
desenvolvimento da inteligência espacial.
Da mesma forma, outros tipos de inteligência são desenvolvidos
quando da realização ou mesmo da tentativa de realizar tal exercício. A
vivência corporal do movimento estimula não só as capacidades citadas acima,
mas também várias outras, fundamentais para viver melhor: sensibilidade,
expressividade, hábitos saudáveis, boa postura, atitude positiva, superação,
auto-realização, relações humanas, convivência e autonomia.
Nos itens seguintes constarão informações sobre cada uma das oito
inteligências e, no Capítulo III, as atividades propostas para desenvolvê-las.
22
2.1 – A Inteligência Linguística
Segundo Gardner (1994), as operações centrais da linguagem são
vistas em funcionamento, com especial clareza, no poeta. Uma sensibilidade
ao significado das palavras, à ordem entre as palavras, seguindo ou mesmo
violando regras gramaticais. Uma sensibilidade aos sons, ritmos, inflexões e
metros das palavras. Uma sensibilidade às diferentes funções da linguagem,
para
convencer,
entusiasmar,
estimular,
transmitir
informações
ou
simplesmente agradar.
A competência linguística é, de fato, a inteligência – a competência
intelectual
–
mais
estudada
e
que
parece
mais
democraticamente
compartilhada na espécie humana. Enquanto o músico, por exemplo,
apresenta habilidades que parecem remotas e até mesmo misteriosas para um
individuo com capacidade normal, o poeta ou um escritor parece ter
desenvolvido um grau superlativamente aguçado de capacidades que todos
possuem: ouvir falar, ler, escrever conceitos e idéias
Jornalistas, escritores, oradores, palestrantes, advogados, atores usam
a palavra para informar, transmitir ideias; líderes políticos, especialistas em
direito utilizam a linguagem para convencer o outro; professores a utilizam no
processo de ensino-aprendizagem.
A linguagem aparece na sociedade moderna não como um fim em si,
mas como uma ferramenta de vários indivíduos: do historiador e do crítico
literário para transmitir suas conclusões, do cientista, para comunicar seus
achados, do narrador para contar uma história, etc.
23
2.2 – A Inteligência Musical
Howard Gardner (1994) diz que, de acordo com as habilidades, o
compositor está para a inteligência musical da mesma maneira que o poeta
está para a inteligência lingüística. Também o cantor, o instrumentista, o
engenheiro de som, o produtor, o crítico, o docente, o diretor regente possuem
este tipo de inteligência bem desenvolvida.
De todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados,
nenhum surge mais cedo do que o talento musical. Uma criança em idade préescolar com uma genialidade em determinada área musical (tirar melodias de
ouvido, por conta própria, repetir perfeitamente uma peça que escute ou
dominar os fundamentos básicos de um instrumento) pode ter um talento
central herdado, mas claramente a expressão desse talento dependerá do
meio em que vive.
Os componentes da inteligência musical, ou seja, os elementos
centrais da música são o tom (ou melodia), o ritmo (sons emitidos em
determinadas freqüências auditivas e agrupadas conforme um sistema
prescrito) e o timbre (qualidades características de um som).
Embora na maioria dos indivíduos normais, as capacidades musicais,
inclusive a sensibilidade ao tom, localizam-se no hemisfério direito do cérebro,
ocorrem efeitos crescentes no hemisfério esquerdo durante um treinamento ou
sob tarefas desafiadoras. E isto se deve a grande variedade de tipos e graus
de habilidades musicais, além das diversas maneiras e modalidades de se
encontrar a música. E a dança é uma delas.
2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática
Cientista, matemático, contador, engenheiro, projetista, analista de
sistemas são exemplos de profissionais que possuem um talento muito
especializado, a inteligência lógico-matemática.
24
Este tipo de pensamento não se origina na esfera auditivo-oral, como
ocorre com as capacidades lingüísticas e musicais, explica Gardner (1994): ele
está no confronto com o mundo dos objetos, ordenando-os, reordenando-os,
avaliando sua quantidade. Segue uma longa e complexa cadeia, dos objetos
para as afirmações, das ações para as relações, do sensório-motor para a
abstração até os ápices da lógica.
Gardner também cita Williard Quine que aponta a estreita relação entre
lógica e matemática: ”...a lógica está envolvida com afirmativas, enquanto a
matemática trabalha com entidades abstratas, não lingüísticas, mas que em
suas “instâncias superiores” a lógica conduz, por estágios naturais, à
matemática.”
Vê-se então o cientista utilizando a matemática como ferramenta para
explicar o funcionamento do mundo, provar suas conquistas e explicar suas
teorias.
A inteligência lógico-matemática possui ainda outros tipos de
características: o pensamento do matemático é guiado mais pelo raciocínio do
que pela memorização dos elementos, ou seja, a ordem é mais importante que
os elementos; os matemáticos realizam seus principais trabalhos ainda jovens,
ao contrário de outras áreas; além disso, seus trabalhos não podem ser
apreciados por leigos, como uma poesia ou composição musical.
Mesmo que a fase de maior desenvolvimento desta inteligência ocorra
desde os primeiros anos de vida até o início da vida adulta, a pessoa idosa
continua sendo capaz de realizar operações concretas e abstratas, desde que,
logicamente, observado o grau de dificuldade das atividades.
De acordo com Celso Antunes (2008), não há nada mais matemático
do que a dança de um grande bailarino; a geometria está presente nos
desenhos da coreografia, a espacialidade é quase nada sem matemática e os
grandes músicos fazem da sua arte uma matemática sonora.
2.4 – A Inteligência Espacial
25
Artistas, escultores, cirurgiões, arquitetos, engenheiro, matemáticos,
marceneiros, mecânicos, publicitários, inventores e treinadores esportivos
fazem parte do grupo de pessoas que possuem as capacidades centrais a este
tipo de inteligência, também chamada de viso-espacial: capacidades de
perceber o mundo visual (objetos, formas) com precisão, formar imagens
mentais, efetuar transformações e modificações sobre as percepções iniciais e
ser capaz de recriar aspectos de experiência visual, mesmo na ausência de
estímulos físicos relevantes.
A exemplo do que ocorre com outros tipos de habilidades, o
conhecimento espacial também pode servir para a ciência, como uma
ferramenta útil para captar informações, formular problemas e resolvê-los.
Aqueles que desejam distinguir-se nas artes, na ciência e na engenharia
devem reconhecer que o espaço tanto permite quanto impede a coexistência
de algumas características estruturais; devem aprender a dominar a
“linguagem do espaço” e a “pensar no meio espacial”
Quanto à manutenção e ao desenvolvimento destas capacidades em
pessoas idosas, Gardner diz:
Minha concepção é que cada forma de inteligência possui
uma trajetória de vida natural: enquanto o pensamento
lógico-matemático prova ser frágil na etapa tardia da vida,
entre todos os indivíduos, e a inteligência corporalcinestésica também encontra-se “sob risco”, pelo menos
determinados aspectos do conhecimento espacial-visual
provam ser vigorosos, especialmente em indivíduos que
os praticam regularmente ao longo de suas vidas. Há uma
noção de todo, uma sensibilidade “gestalt” que é central
na
inteligência
espacial
e
que
parece
ser
uma
recompensa pelo envelhecimento – uma capacidade
continuada
ou
talvez
até
mesmo
aumentada
de
reconhecer o todo, de discernir padrões até mesmo
quando determinados detalhes ou pontos refinados
26
podem ser perdidos. Talvez a sabedoria se baseie nesta
sensibilidade a padrões, formas e ao todo.(GARDNER,
1994, p. 158).
2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal
É a capacidade de usar o próprio corpo de maneiras altamente
diferenciadas e hábeis para propósitos diversos. Atletas, dançarinos, mágicos,
mímicos, atores, inventores, cirurgiões e artesãos são alguns dos profissionais
que possuem a inteligência cinestésico-corporal bem desenvolvida. Eles têm
noção aguçada de ritmo, no qual as sequências se encaixam perfeitamente o
fluxo, pontos de repouso ou mudança, senso de direção e um ponto final.
O estímulo para desenvolver este tipo de inteligência está presente,
obviamente, nos esportes e na prática de atividades físicas em academias e
escolas, mas não se restringe a eles; de acordo com Ballestero-Alvarez (2005),
a aprendizagem cinestésica ocorre quando as atividades estimulam os
sentidos, proporcionam experimentação e aprendizado ativo, com o corpo
inteiro, integrado, harmônico e completo; enriquece com novos significados e
perspectivas de vida.
De todos os usos do corpo, nenhum atingiu ápices maiores ou foi mais
variavelmente desenvolvido pelas culturas do que a dança. Judith Hanna, uma
atenta estudiosa deste meio define a dança como sequências culturalmente
padronizadas de movimentos corporais não verbais que são propositais,
intencionalmente rítmicos e apresentam valor estético aos olhos daqueles para
quem o dançarino está se apresentando. Gardner ainda acrescenta:
A dança pode servir como veículo de expressão secular
ou religiosa; como uma diversão social ou atividade
recreativa, como meio para dar vazão a sentimentos;
como uma afirmativa de valores estéticos ou de um valor
estético em si; como um reflexo de um padrão de
27
subsistência
econômica
ou
como
uma
atividade
econômica em si. A dança pode servir a um propósito
educacional em um rito de iniciação, marcando a
transformação pela qual um indivíduo eventualmente
passar;
ela
pode
ser
usada
para
incorporar
o
sobrenatural, como quando curandeiros dançam para
invocar os espíritos; ela pode até mesmo ser usada para
a relação sexual, nos casos nos quais as mulheres
podem discriminar os homens em termos de seu
desempenho em dança e sua resistência. (GARDNER,
1994, p.173)
Segundo o dançarino e coreógrafo americano Paul Taylor, citado por
Gardner (1994), um dançarino deve aprender a executar um movimento de
dança com precisão de forma e tempo. O dançarino se preocupa com sua
colocação, espaçamento de palco, a qualidade de um salto, a suavidade de
um pé – quer o movimento parta para um público ou espirale sobre si mesmo.
Muitos movimentos são possíveis, variando desde uma pequena oscilação até
os que são como um pião, dos percussivos até os sustenidos. É da
combinação destas qualidades - variadas em velocidade, direção, distância,
intensidade, relações espaciais e força – que é possível descobrir ou constituir
um vocabulário de dança. Além destas características relativamente objetivas,
a personalidade do dançarino inevitavelmente passará através de seu
desempenho.
O coreógrafo contemporâneo da dança moderna Mercê Cunningham
cortou o nó entre a música e a dança. Interessado no movimento puro e
simples, ele é um dos principais formalistas da dança, um inveterado
investigador de como o peso e a força interagem com o tempo e o espaço, um
paladino da ideia de que a dança é uma arte independente que não requer
qualquer apoio da música, nenhum fundo visual e nenhum enredo. Suas
danças, portanto fornecem uma oportunidade para que observemos a
inteligência corporal em sua forma mais pura, não contaminada com a
28
sobrecarga representativa. Mas a dança pode vir de muitas formas. Conforme
Michail Baryshnikov comentou: “Dançar é como muitas línguas novas, que
expandem nossa flexibilidade e alcance. O dançarino, assim como o estudioso
da linguagem, precisa de tantas quanto possível; nunca é bastante.”
Nas aulas de Dança Sênior, além do treinamento dos passos de dança
e das coreografias que por si só já representam um estímulo a esta
inteligência, também são oferecidas aos alunos exercícios neuróbicos, já
citados anteriormente. Caracterizam-se por serem atividades não-usuais ao
aluno, estimularem vários sentidos ao mesmo tempo e exijirem o uso do
pensamento e da atenção.
Exercícios bem planejados, orientados e executados melhoram a
atenção, tão cobrada, mas nunca ensinada nas escolas, ampliam a relação da
pessoa com o mundo e dimensionam o convívio em bases mais completas.
Todos são equipados com um sexto sentido de cinestesia – a capacidade de
agir graciosamente e de apreender diretamente as ações ou capacidades
dinâmicas de outras pessoas ou objetos. E o corpo é muito mais do que uma
máquina ou um objeto artificial; ele é o recipiente do senso de eu do indivíduo,
seus sentimentos e aspirações mais pessoais, bem como a entidade à qual os
outros respondem de uma maneira especial devido às suas qualidades
singularmente humanas.
2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal
As
inteligências
pessoais
correspondem
a
capacidades
de
processamento de informações – uma direcionada para dentro e outra para
fora – disponíveis para qualquer ser humano. Conhecer a si mesmo e
conhecer os outros é tão primordial quanto conhecer objetos ou sons, porém
trata-se de uma esfera ainda ignorada por muitos e pobremente entendida.
Sua existência afeta a maneira como os outros o tratarão, pois pensando em
seu próprio corpo de forma especial, forma uma imagem - o que Gardner
29
(1994) chama de senso de eu - que se modificará perpetuamente,
influenciando seus pensamento e comportamentos, de acordo com o meio em
que vive.
Em sua esfera mais primitiva, a inteligência intrapessoal equivale a
pouco mais do que a capacidade de distinguir um sentimento de prazer de um
de dor e, com base nesta discriminação tornar-se mais envolvido ou retrair-se
de uma situação. Em seu nível mais avançado, esse conhecimento permite
detectar e simbolizar conjuntos de sentimentos altamente complexos e
diferenciados.
Romancistas, paciente e terapeutas, sábios idosos são aquele que
possuem a inteligência intrapessoal bem desenvolvida
A inteligência interpessoal volta-se para fora, para outros indivíduos; a
capacidade central é capacidade de observar e fazer distinções entre outros
indivíduos e, em particular, entre seus humores, temperamentos, motivações e
intenções. Em sua forma mais elementar, é a capacidade da criança pequena
de discriminar entre os indivíduos ao seu redor e detectar seus vários humores.
Numa forma avançada, permite que o adulto hábil leia as intenções e desejos
– mesmo quando ocultados – de muitos outros indivíduos e, potencialmente
ajam em cima deste conhecimento - por exemplo, influenciando um grupo de
indivíduos díspares a comportar-se ao longo de linhas desejadas.
As formas desenvolvidas da Inteligência interpessoal encontram-se
nos políticos, religiosos, docentes, terapeutas e conselheiros.
O desenvolvimento destas duas inteligências segue a mesma trajetória
e elas estão intimamente ligadas em qualquer tipo de cultura: o conhecimento
intrapessoal depende de aplicar as lições aprendidas a partir da observação de
outras pessoas, enquanto o conhecimento interpessoal baseia-se nas
discriminações internas que o indivíduo faz rotineiramente.
Em contraste às inteligências musical e espacial, as pressões da
sociedade para que se desenvolvam as inteligências pessoais é muito grande;
30
o indivíduo conquista assim o próprio bem-estar e melhora seu relacionamento
com os outros. E a dança promove excelentes oportunidades para que os
alunos desenvolvam esse potencial como, por exemplo, quando as mulheres,
sempre em número maior, precisam voluntariar-se para dançar como
cavalheiro.
2.7 – A Inteligência Naturalista
Trata-se da inteligência dos biólogos, botânicos, zoólogos, jardineiros,
paisagistas, floristas e amantes da natureza. Está ligada à vida animal e
vegetal e por isso é também chamada de inteligência biológica ou ecológica.
Manifesta-se nas atividades artísticas e práticas espirituais que envolvem
aspectos do mundo natural, reconhecendo a natureza, a variação entre as
espécies e suas relações.
A descoberta do mundo animal e vegetal pelas crianças mais novas e
seu encantamento demonstra com clareza uma manifestação deste tipo de
inteligência, como acredita Antunes (2008). Ela pode ser estimulada com
práticas pedagógicas que transformem a aprendizagem em um processo de
investigação e pesquisa pessoal. Alunos constroem seus próprios significados
e questionam: “Por que isso é como é?”
31
CAPÍTULO III
A DANÇA NO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA
A fim de desenvolver todas as múltiplas competências nos idosos nas
aulas de Dança Sênior, serão relatadas as atividades propostas nos itens
seguintes.
3.1 Atividades para a Inteligência Linguística
Atividade 1: ACRÓSTICO
Os alunos fazem um acróstico com o seu nome e as qualidades que
julgam ter ou que gostariam de ter ao dançar. Exemplo:
MEMÓRIA
PRAZER
RESPEITO
CONQUISTA
D ISCIPLINA
COOPERAÇÃO
Desenvolvimento da atividade:
v Fazer uma apresentação oral dos acrósticos;
v Realizar uma discussão acerca das qualidades descritas;
v Realizar um novo acróstico com qualidades definidas em consenso;
v Montar um mural com todos os acrósticos
32
Atividade 2: LEITURA DE TEXTOS SOBRE DANÇA E DEBATES
Os alunos lêem textos trazidos pelo professor e debatem, expondo
suas opiniões. Segue texto “Penso, logo danço”.
Penso, logo danço
Pensar para dançar?! Parece estranho, pois naturalmente as pessoas
acham que dançar é ouvir a música e deixar seu corpo ser levado por
ela... Depois que já sabemos o que fazer, nós somos levados pela música.
Mas como curtir a música se você não sabe quais movimentos fazer? Aí é
que entra a técnica e o aprendizado! As pessoas têm que pensar para
aprender a dançar! Na realidade, não só para aprender a dançar, mas para
aprender qualquer coisa! Sempre é preciso pensar e entender o assunto.
A metodologia de ensino “Penso, logo danço” não ensina por imitação, não
é só olhar o professor e imitar o que ele está fazendo. Em geral, quem só
aprende olhando tem dificuldade para fazer o passo depois, erra assim que
o professor pára de fazer o movimento, e no dia seguinte nem lembra mais
o que aprendeu. A pessoa que aprende só olhando o professor se torna
um ótimo “copiólogo”, mas não se torna um bom dançarino! Quando você
pensa e entende, você aprendeu: faz o movimento sozinho, e não
copiando de outra pessoa. Depois, enquanto estiver dançando, não é
preciso pensar de forma consciente o tempo todo, pois você já automatizou
os movimentos.
Os
professores
desenvolvendo
são
a
facilitadores
capacidade
de
do
processo
de
auto-aprendizagem
organização das idéias dos alunos e da consciência corporal.
aprendizado,
através
da
33
Atividade 3: PESQUISA SOBRE O TEMA QUADRILHA
Os alunos pesquisam sobre as quadrilhas: sua origem, história, os
passos, as competições, etc., anotam os dados e expõem oralmente para
turma.
Opções: Pesquisar sobre vários temas de interesse do grupo ou de acordo
com a época do ano.
Atividade 4: ELABORAR IMAGENS COM PALAVRAS
Um aluno observa alguns passos de dança em vídeo e, em seguida,
deve descrevê-los oralmente, sem executá-los, para outro aluno que estava
ausente e não assistiu ao vídeo. O aluno que ouve as descrições elabora
imagens mentalmente e tenta executá-los. Posteriormente, os dois alunos
assistem ao vídeo juntos e discutem as imagens passadas/recebidas com
as imagens reais.
Variações: Substituir o vídeo pelos próprios alunos executando os passos
ou até uma pequena coreografia.
Atividade 5: CRIAR COREOGRAFIA BASEADOS EM UMA MÚSICA
Os alunos pesquisam e escolhem uma música, estudam a letra,
interpretam-na e criam uma coreografia.
3.2 Atividades para a Inteligência Musical
Atividade 1: DANÇAR COM / CONTRA / INDEPENDENTE DA MÚSICA
Escolher três músicas a serem tocadas enquanto os alunos são
estimulados a dançar, se expressar ou simplesmente movimentar o corpo
conforme os seguintes princípios:
34
Música 1: Dançar com a música, obedecendo-a corporalmente,
seguindo seu ritmo.
Música 2: Dançar contra a música, ou seja, em desacordo com o ritmo
tocado.
Música 3: Dançar independente da música, seguindo os impulsos
internos do próprio corpo, como se ela não estivesse tocando, sem responder
a seus estímulos, mas consciente deles.
Atividade 2: RITMO
Realizar exercícios ritmados com instrumentos diversos (triângulo,
chocalho, batutas, etc) ou com os pés e as mãos
Atividade 3: ALTERAR LETRA DA MÚSICA
A
coreografia
chamada
Dança
das
Boas
Vindas
pode
ser
acompanhada por uma música. Apresentar a letra abaixo aos alunos e solicitar
que a adaptem-na ao seu contexto.
Como é bom te ver e te receber
Como é bom te ver e te encontrar
Com o pé direito, com o pé direito, vou caminhar
Com o pé esquerdo, com o pé esquerdo pra te encontrar
Vamos dar e receber, doar e agradecer
Em sua companhia é muito mais gostoso viver!
Opções: Mantendo ou alterando as rimas, escrever várias letras
possíveis; cantar e dançar no ritmo
35
Obs.: O grupo Vem Dançar adaptou a letra e a coreografia a um projeto da
turma de Educadores Comunitários da mesma instituição. Ficou assim:
Como é bom te ver e te abraçar
Como é bom te ver e te abraçar
Com o pé direito, com o pé direito, vou convidar
Com o pé esquerdo, com o pé esquerdo para cantar
Vamos dar e receber, doar e agradecer
Em sua companhia é muito mais gostoso dançar!
3.3 Atividades para a Inteligência Lógico-Matemática
Atividade 1: ORDENAR PASSOS FORA DE ORDEM
Propor uma série de passos necessários ao desenvolvimento de uma
tarefa fora de ordem e pedir que os alunos ordenem.
Exibir vários passos típicos da dança sênior e movimentos soltos, fora
de ordem, e pedir aos alunos que componham, em grupos, uma coreografia:
passo simples, contra-passo, passo lateral, balanceio, tip, palmas, roda de
pares, passeio, movimentos de membros superiores, membros inferiores,
tronco, cabeça.
Variação: ordenar as ações que devem ser tomadas para organizar
uma apresentação, uma exposição ou um evento ligado à dança.
36
Atividade 2: RELAÇÕES DE EQUIVALÊNCIA
Estabelecer relações de equivalência para completar. Explicar o que
significam os sinais de pontuação e dar um exemplo fora do contexto da
dança:
: = está para
:: = assim como
Ex: Churchill : (está para) Inglaterra :: (assim como) Stalin : _________
Pedir outros exemplos oralmente e, em seguida, entregar uma folha
com exercícios de equivalência para cada aluno fazer individualmente. Dar
preferência a temas ligados ao curso, à instituição, à cidade ou às suas
vivências.
Alexandre : Informática
::
Solange : ___________________
Márcia : Dança
::
Gama : _____________________
Tom Jobim : Bossa Nova ::
Elvis Presley : ________________
Obama : EUA
::
Lula : _____________________
Leite : Vaca
::
Mel : ______________________
Pelé : Futebol
::
Giba : _____________________
Recife : Pernambuco
::
Salvador : _________________
Pinguim : Pólo sul
::
Canguru : _________________
37
Atividade 3: CORRELACIONAR COLUNAS
Pedir que os alunos preencham os parênteses da coluna da direita,
correlacionando os tipos de dança e seus países de origem:
1 - Fado
(
) - Brasil
2 - Tango
(
) - Itália
3 - Jazz
(
) - México
4 - Ópera
(
) - Cuba
5 - Flamenco
(
) - Jamaica
6 - Samba
(
) - Portugal
7 - Reggae
(
) - Estados Unidos
8 - Mariachi
(
) - Argentina
9 - Salsa
(
) - Espanha
Atividade 4: PALAVRAS CRUZADAS, SOPA DE LETRAS, DIAGRAMAS
Os alunos completam palavras cruzadas, sopa de letras ou diagramas
com temas relacionados à dança, à longevidade, etc.
Segue em anexo Mata-Palavra sobre o tema Ioga.
38
Atividade 5: PROPOR PROBLEMAS E DESAFIOS
Pedir que os alunos calculem a probabilidade de formar casais para
coreografia; quantos “coringas” (pessoas que ensaiam como cavalheiro e
dama) devem ser treinados de modo que se formem pares e ninguém fique
sobrando no dia de uma apresentação.
Variações: Calcular quantos dias de ensaio é necessário para uma
apresentação de uma ou mais coreografias,
Entregar problemas ou desafios para os alunos resolverem em casa
e corrigir na aula seguinte.
3.4 Atividades para a Inteligência Espacial
Atividade 1: MUDANDO DE LOCAL E A FORMA DO LOCAL DE AULA
Eventualmente, mudar a disposição das cadeiras, mesas, quadro e
outros objetos da sala de aula; também realizar as aulas em diferentes locais
(praças, campos, salas pequenas, corredores, etc)
Atividade 2: DESENHAR AS FIGURAS DA COREOGRAFIA
Após aprender uma coreografia, os alunos devem dividi-las em etapas
e desenhá-las relacionando com figuras: rodas, fileiras, colunas, estrelas,
pontos soltos, unidos ou distantes um do outro, etc
Variação: Para aumentar a dificuldade da tarefa, os alunos devem girar
as figuras mentalmente e, em seguida, desenhá-las.
Atividade 3: IMAGINAR-SE DANÇANDO
O professor explica lenta e detalhadamente os passos de uma
coreografia enquanto os alunos ouvem atentamente e se imaginam dançando.
Depois, finalizam o trabalho, dançando realmente.
39
Atividade 4: JOGO DE TABULEIRO COM PESSOAS
Vestidos com chapéus ou coletes, cada um representando uma peça
ou parte do time do jogo em questão, os alunos se movimentam por “casas”
desenhadas no chão. A quantidade de casas e a direção que os alunos
percorrem são de acordo com as regras do jogo e o lançamento de um dado.
3.5 Atividades para a Inteligência Cinestésico-Corporal
Atividade 1: TAPETE DE SENSAÇÕES
Confecciona-se um tapete com diferentes texturas, formas e
temperaturas para que os alunos, com olhos vendados, por ele caminhem e,
em seguida, descrevam as sensações.
Sugestão do material a ser utilizado: lixas de texturas finas e grossas;
isopor, espuma, mármore, pedras, lã, areia, folhas secas.
Atividade 2: RELAXAMENTO
Deitados em colchonetes, em posições confortáveis, os alunos
seguem comandos para relaxar as diferentes partes do corpo, ao mesmo
tempo em que ouvem uma música relaxante.
Variação: Exercício do Tai Chi Chuan: De pé, elevar lentamente ambos
os braços com as palmas das mãos viradas para cima, como se fosse
empurrar o céu, inspirando profundamente. Abaixar os braços e expirar
lentamente. Fazer rotação lateral da cabeça para a esquerda e para a direita e
voltar. Apertar fortemente os punhos, franzir o rosto e relaxar tudo ao mesmo
tempo. Saltitar e cair suavemente sobre a ponta dos pés dez vezes seguidas,
como se estivesse pulando sobre uma nuvem.
40
Atividade 3: CORRIDA DO NOVELO DE LÃ
Alunos dispostos em duas colunas, sentados em uma cadeira. O
primeiro aluno de cada coluna recebe um novelo de lã, segura uma ponta da lã
e desenrola o suficiente para passá-lo ao aluno de trás por cima da cabeça. O
novelo vai sendo passado e desenrolado por todos até chegar ao último
participante da coluna. Neste ponto, o novelo deve voltar ao primeiro aluno,
passando todos os participantes, que agora devem enrolá-lo. Vence a coluna
que terminar primeiro.
Variações: Alunos de pé;
Passar o novelo pela lateral, fazendo rotação de tronco;
Passar um rolo de papel higiênico, várias vezes, sem rasgálo, até que sobre apenas o rolinho de papelão;
3.6 Atividades para as Inteligências Intrapessoal e
Interpessoal
Atividade 1: INVENTÁRIO DE SENTIMENTOS
Cada aluno recebe uma série de perguntas sobre alguns sentimentos
e anotam, individualmente, quais as ações desencadeadas por esses
sentimentos. Numa segunda etapa, em grupos, determinam estratégias
positivas para lidar com os sentimentos descritos. Exemplo:
41
INVENTÁRIO DE SENTIMENTOS
A maioria das pessoas experimenta e expressa sentimentos de formas
diferentes. Pense a respeito de suas reações típicas em face de diversas
emoções e complemente com suas ações habituais nas seguintes
situações:
Quando estou feliz, normalmente__________________________________
Quando estou preocupado(a) com alguma coisa, _____________________
Quando tenho confiança, eu _____________________________________
Quando estou nervoso(a), normalmente____________________________
Quando estou aborrecido(a), _____________________________________
Quando tenho medo de algo, eu___________________________________
Quando estou triste, costumo _____________________________________
Atividade 2: DIÁLOGOS INTERNOS
Os alunos recebem cópias de desenhos de pessoas em situações
diversas com balões em branco e imaginam o que cada personagem está
falando ou pensando. Em seguida, expõem para o grupo suas ideias.
42
Atividade 3: ESCOLHA A FOTO
São apresentadas fotos com diferentes tipos de dança para que os
alunos escolham a que mais se identificam e relatem como se sentem.
Atividade 4: ESCOLHER MÚSICA E COREOGRAFIA PARA UMA
APRESENTAÇÃO
Na primeira fase do trabalho, os alunos pesquisam músicas que
gostariam de dançar e trazem a letra para aula. Em seguida, divididos em
pequenos grupos, debatem suas escolhas e definem qual a melhor opção,
inclusive com alguns movimentos para a coreografia. Os grupos expõem suas
idéias e escolhem uma ou mais músicas para montar uma coreografia e
apresentá-la.
Atividade 5: DINÂMICA DO CONSENSO
Divididos em grupos, os alunos recebem uma lista de qualidades
relacionadas ao curso de dança. Cada grupo deve escolher as 10 palavras que
mais identifiquem o curso e expor à turma. Entre as 10 palavras escolhidas,
cada grupo deve escolher agora apenas 5 palavras, e assim por diante até que
se encontre um consenso na escolha da 1 palavra.
Variação: Cada aluno escreve uma frase respondendo à pergunta: “O
que a dança representa para você?”. Em seguida, formam-se grupos e cada
grupo escreve uma frase que envolva a resposta de todos os seus membros.
Para finalizar, todos os grupos apresentam uma frase apenas que resuma a
opinião geral.
43
Para dançar, é importante que uma pessoa..
seja bondosa
seja comunicativa
seja solidária
tenha coordenação motora
saiba se divertir
saiba liderar
seja sábia
tenha senso de humor
tenha educação
seja ativa
seja lógica
seja inteligente
seja amigável
seja compreensiva
seja humilde
seja alegre
seja digna de confiança
seja companheira
seja extrovertida
faça o melhor possível
tenha espírito esportivo
mantenha o controle
seja honesta
seja agressiva
seja crítica
seja correta
seja capaz de me entender
seja disciplinada
seja faladora
seja magra
escute com atenção
seja calma
seja criativa
seja atraente
seja elegante
tenha resistência física
seja espontânea
seja confiante
seja madura
seja prática
44
Atividade 6: ANÁLISE CRÍTICA
Observar a filmagem de uma apresentação do grupo - ou de uma aula
- e fazer a análise crítica. Reconhecer os erros e estabelecer metas para
melhorar a performance tanto individual quanto do grupo. Identificar e valorizar
os pontos positivos.
3.7 Atividades para a Inteligência Naturalista
Atividade 1: OBSERVAR, SERIAR, CLASSIFICAR
Cada aluno recebe um cartão em que está escrito, ou um tipo de
dança, ou um compositor/dançarino famoso, ou um país, ou uma foto
relacionada à dança. Ao sinal, os alunos procuram cartões que se relacionem
com o seu cartão e montam um grande painel de classificação de danças.
Atividade 2: PASSEIOS
Realizar passeios, caminhadas ecológicas, aulas de dança e
relaxamento em lugares bem variados: parques, áreas verdes, calçadões,
pistas de corrida, estádios, praias, zoológicos. Ouvir todos os sons, sentir o
vento, a temperatura, a umidade do ar e observar todos os detalhes do local.
Atividade 3: DANÇA CIRCULAR
Executar danças circulares que envolvem os quatro elementos da
natureza (ar, terra, fogo e ar).
45
Atividade 4: DIAGRAMA
Divididos em grupos, os alunos estudam as figuras da Dança Sênior:
roda; troca de par; movimento; mãos dadas; o ritmo e a melodia. Em seguida,
elaboram um diagrama. Exemplo:
Reflexões sobre as figuras da Dança Sênior
46
CONCLUSÃO
Conhecendo um pouco mais sobre a grande família das oito
inteligências, pode-se dividi-las – e classificá-las – de uma maneira
interessante: as inteligências espacial, lógico-matemática e cinestésicacorporal estão relacionadas à estrutura e às funções do objeto, ou seja, do
mundo físico, com o qual os indivíduos entram em contato; as inteligências
lingüística e musical não se relacionam ao objeto, mas refletem as estruturas
de linguagens e músicas específicas; as inteligências pessoais refletem um
conjunto de restrições poderosos e rivais: a existência da própria pessoa, das
outras pessoas e a cultura onde se inserem.
Embora as atividades sugeridas nesse estudo estejam divididas em
capítulos,
por
questões
didáticas,
grande
parte
delas
estimula,
propositalmente, as várias inteligências, oportunizando ao idoso do Curso Vem
Dançar seu acesso de forma lúdica e intensa.
Os avanços científicos sobre a compreensão do cérebro e essa nova
visão de várias inteligências atuando em conjunto ampliam as possibilidades
do indivíduo de identificar-se consigo mesmo, com os outros e com o mundo.
Assim, no campo da educação, as práticas pedagógicas voltadas para a busca
do ser humano integral vão sendo moldadas por novos paradigmas, sempre
abertos a novas perspectivas e a novos estudos.
É o que está fazendo Gardner atualmente, dedicando-se ao estudo de
uma nova inteligência: a Inteligência Existencial. Trata-se da capacidade da
pessoa de situar-se diante da existência integral do cosmos e do infinito; de
questionar-se e refletir sobre a vida, a morte, o mundo e seu destino.
47
ANEXOS
Índice de anexos
Anexo 1 >> Fotos
Anexo 2 >> Atividades Impressas
48
ANEXO 1
Foto I - Leitura de textos relacionados à dança com posterior discussão sobre
o tema (trabalhando as inteligências linguística e pessoais).
49
Foto II - Apresentação de uma coreografia de Dança Sênior (trabalhando
especialmente as inteligências cinestésico-corporal e espacial)
50
ANEXO 2
ATIVIDADES IMPRESSAS
51
BIBLIOGRAFIA
ANTUNES,
Celso.
Como
desenvolver
conteúdos
explorando
as
inteligências múltiplas. Fascículo 3. 7ª Ed., Petrópolis/RJ: Vozes, 2008
________________. A Teoria das Inteligências Libertadoras. 4ª Ed.,
Petrópolis/RJ: Vozes, 2003
________________. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 14ª Ed.,
Campinas, SP: Papirus, 2008 – (Coleção Papirus Educação)
BALLESTERO-ALVAREZ, María Esmeralda. Exercitando as inteligências
múltiplas: Dinâmicas de grupo fáceis e rápidas para o ensino superior. 2ª
Ed., Campinas, SP: Papirus, 2005
BATLLORI, Jorge. Jogos para Treinar o Cérebro. São Paulo: Madras, 2006
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54
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTOS
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
8
INTRODUÇÃO
9
CAPÍTULO I – A DANÇA
11
CAPÍTULO II – AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A LONGEVIDADE
14
2.1 – A Inteligência Linguística
22
2.2 – A Inteligência Musical
23
2.3 – A Inteligência Lógico-Matemática
23
2.4 – A Inteligência Espacial
25
2.5 – A Inteligência Cinestésico-Corporal
26
2.6 – As Inteligências Intrapessoal e Interpessoal
28
2.7 – A Inteligência Naturalista
30
CAPÍTULO III - A DANÇA NO DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA
31
3.1 – Atividades para a Inteligência Linguística
31
3.2 – Atividades para a Inteligência Musical
33
3.3 – Atividades para a Inteligência Lógico-Matemática
35
3.4 – Atividades para a Inteligência Espacial
38
3.5 – Atividades para a Inteligência Cinestésico-Corporal
39
3.6 – Atividades para Inteligências Intrapessoal e Interpessoal
40
3.7 – Atividades para a Inteligência Naturalista
44
CONCLUSÃO
46
ANEXOS
47
BIBLIOGRAFIA
51
ÍNDICE
54
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