Universidade Presbiteriana Mackenzie
AVALIAÇÃO DA LIPOPEROXIDAÇÃO EM CARNES: UM ESTUDO DE PREPARAÇÕES
EM FORNO COMBINADO E FORNO CONVENCIONAL
Érika Monise Razera (IC) e Edeli Simioni de Abreu (Orientadora)
Apoio: PIBIC CNPq
Resumo
Alimentos de origem animal apresentam quantidades variáveis de colesterol na sua composição.
Durante o processamento térmico desses alimentos, uma fração do colesterol pode ser oxidada por
efeito do calor e do oxigênio do ar, dentre outros fatores, produzindo óxidos de colesterol que são
subprodutos nocivos à saúde humana e que podem manifestar efeitos citotóxicos, aterogênicos,
mutagênicos e carcinogênicos. Diante destes fatos e do crescente uso de tecnologia na produção de
alimentos, principalmente nos grandes centros populacionais, acreditou-se na importância de
pesquisar a possível formação de derivados oxidados do colesterol em de alimentos de origem
animal preparados em forno convencional e em forno combinado. O objetivo desse estudo foi analisar
a concentração de lipoperoxidação em carnes preparadas em forno combinado e em forno
convencional. Trata-se de um estudo transversal, em que as análises laboratoriais foram executadas
no laboratório de bromatologia e na cozinha experimental da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Os procedimentos de extração e análise seguiram o método TBAR descrito por Genot (1996), os
valores são determinados usando o TBA. Todos os testes foram realizados em duplicata e os
resultados estão relatados como média ± desvio padrão. Os resultados demonstraram que o produto
com maior lipoperoxidação foi o frango, seguido pelo peixe, carne bovina e carne suína, em ambos os
processos de cocção. Foi possível concluir que a cocção em forno combinado foi o processamento
térmico que gerou maior lipoperoxidação nos produtos analisados.
Palavras-chave: colesterol, peroxidação lipídica, forno combinado
Abstract
Foodstuffs of animal origin have varying amounts of cholesterol in your composition. During thermal
processing of foods, a fraction of cholesterol can be oxidized by effect of heat and oxygen from the air,
among other factors, producing cholesterol oxides which are by-products harmful to human health and
that can manifest as atherogenic, cytotoxic effects, mutagenic and carcinogenic. On these facts and
the growing use of technology in food production, mainly in the large centers of population, believed in
the importance of researching the possible formation of oxidized derivatives of cholesterol in foods of
animal origin prepared in a conventional oven and combined oven. The objective of this study was to
analyze the concentration of lipid peroxidation in meat prepared in combined oven and conventional
oven. This is a cross-sectional study in which the laboratory analyses were performed in the laboratory
of food science and experimental kitchen of Universidade Presbiteriana Mackenzie. The extraction
and analysis procedures followed the TBAR described by Genot (1996), the values are determined
using the TBA. All tests were conducted in duplicate and the results are reported as mean ± standard
deviation. The results demonstrated that the product with greater lipid peroxidation was the chicken,
followed by fish, beef and pork, both processes of cooking. Unable to conclude that the cooking in
oven combined thermal processing was that generated greater lipid peroxidation in products analyzed.
Key-words: cholesterol, lipid peroxidation, combined oven
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
INTRODUÇÃO
Um grande paradoxo na bioquímica dos organismos aeróbios, aos quais pertencem os
seres humanos, é que o oxigênio é absolutamente indispensável à vida, mas sob certas
circunstâncias pode apresentar severos efeitos deletérios à saúde. A maioria desses efeitos
potencialmente insalubres sucede da formação e atividade de espécies reativas do oxigênio
e do nitrogênio, que tendem a promover reações oxidativas. Muitos desses compostos
químicos formam radicais livres, apresentando uma ou mais elétrons desparelhados,
tornando-se instáveis e altamente reativos.
Estudos atuais comprovam que os óxidos de colesterol (COPs) são milhares de vezes mais
tóxicos que o próprio colesterol, podendo acarretar diversos problemas à saúde como
aterogênese (aparecimento de ateromas), citotoxicidade (toxicidade às células) e
carcinogênese (aparecimento de câncer).
Portanto, a comunidade científica apresenta cada vez maior interesse em conhecer os
constituintes dos alimentos, sua capacidade antioxidante e seus efeitos patogênicos sobre a
saúde.
Alimentos de origem animal apresentam quantidades variáveis de colesterol na sua
composição. Durante o processamento térmico desses alimentos, uma fração do colesterol
pode ser oxidada por efeito do calor e do oxigênio do ar, dentre outros fatores, produzindo
óxidos de colesterol que são subprodutos nocivos à saúde humana e que podem manifestar
efeitos citotóxicos, aterogênicos, mutagênicos e carcinogênicos.
Várias tecnologias vêm sendo desenvolvidas com o intuito de assegurar a qualidade dos
alimentos. Dentre estes processos tecnológicos, o forno combinado, oriundo da fusão entre
a cocção a vapor e o forno de convecção, apresentou uma grande evolução e resultou em
maiores possibilidades, que são justamente as duas funções combinadas.
Diante destes fatos e do crescente uso de tecnologia na produção de alimentos,
principalmente nos grandes centros populacionais, acreditou-se na importância de pesquisar
a possível formação de derivados oxidados do colesterol em de alimentos de origem animal
preparados em forno convencional e em forno combinado.
A partir destes fatos e dentro desse panorama de tecnologia da cocção acredita-se na
importância do conhecimento de métodos, que além de rápidos e práticos, podem ser mais
ou menos nocivos à saúde.
O objetivo desse estudo foi analisar a concentração de lipoperoxidação em carnes
preparadas em forno combinado e em forno convencional.
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REFERENCIAL TEÓRICO
1 Gorduras na alimentação
Os hábitos alimentares exercem grande influencia sobre o crescimento, desenvolvimento e
saúde geral dos indivíduos. Estudos clínicos e epidemiológicos recentes têm mostrado que
a gordura dietética desempenha um papel importante, no desenvolvimento de doenças
cardiovasculares (BOBBIO; BOBBIO, 2003).
Com a modernidade, a procura por processos e produtos alimentícios de fácil obtenção e de
rápido procedimento aumentou nos últimos anos. A fritura é um desses processos que pode
oferecer alimentos de preparo fácil e rápido, além de proporcionar sabor, odor e textura
agradáveis ao consumidor (GARCIA, 2003).
A agilidade e o resultado prazeroso do processo é um requisito muito importante em relação
aos produtos fritos, porém, devem-se levar em conta os processos pelo qual esse alimento
passou, tornando-se, assim, prejudicial à saúde (BOBBIO; BOBBIO, 2003).
Os ácidos graxos constituintes dos óleos e gorduras apresentam diferenças na composição
e no grau de instauração. Essa diferença pode alterar suas qualidades físico-químicas, além
de favorecer ou diminuir as alterações químicas ocorridas durante o processo,
armazenamento e preparo dos alimentos (BOBBIO; BOBBIO, 2003).
São muitas as alterações que os lipídeos podem sofrer, entre elas, a oxidação, que é a mais
comum. Fatores internos e externos, como calor, luz, presença de metais, contato com
oxigênio, entre outros, podem levar à oxidação (MORETTO et al., 2002).
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (NEUTZLING et al., 2007), um dos fatores
de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares é a hipercolesterolemia, uma
condição que se caracteriza pela presença de taxas elevadas de colesterol no sangue,
acima de 200 mg/dl, e que afeta um quinto da população brasileira, especialmente as
pessoas com mais de 45 anos.
O colesterol é um esteróide lipídico, encontrado nas membranas celulares e transportado no
plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas
celulares dos mamíferos, sendo o principal esterol sintetizado por animais. Possui funções
orgânicas essenciais, como a produção de hormônios, porém representa um dos fatores de
risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, quando em
excesso, caracterizado por hipercolesterolemia (LEHNINGER et.al., 2007).
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
2 Oxidação Lipídica
A oxidação dos ácidos graxos poliinsaturados é o principal mecanismo de deterioração das
carnes. Os fosfolipídios, presentes nas membranas celulares dessas carnes, são os
principais alvos da oxidação, por possuírem em sua composição grandes quantidades de
ácidos graxos insaturados (SILVA, 2004).
Em carnes précozidas e armazenadas sob congelamento, o resultado mais evidente da
oxidação lipídica é o aparecimento de sabor e odor desagradáveis (requentado). Resultam
do acúmulo de produtos oriundos de ácidos graxos, sendo o hexanal o mais volátil e
comum. A oxidação lipídica também afeta a textura e a coloração dos alimentos além de
diminuir seu valor nutricional, pela inativação de vitaminas lipossolúveis antioxidantes e pela
diminuição do teor de ácidos graxos essenciais (CURI et.al., 2002).
O aquecimento da carne, pela cocção, gera uma série de modificações que promovem
reações oxidativas. Alterações nas estruturas celulares acabam expondo os fosfolipídeos à
ação do oxigênio. O calor também atua na desnaturação das proteínas inativando as
enzimas como, por exemplo, a catalase, que tem como função a inibição do processo
oxidativo. Para agravar ainda mais a situação, a peroxidase, que é uma enzima próoxidante, que acelera a oxidação de vários produtos, não é inativada pelo calor do
cozimento. Outro efeito prejudicial da desnaturação protéica é gerado pelas proteínas heme,
como a hemoglobina e mioglobina que, ao serem aquecidas, liberam ferro. O tempo de
cozimento está diretamente ligado com a liberação de ferro, por exemplo, se o aquecimento
for prolongado e a baixas temperaturas, haverá uma maior oxidação lipídica. Esse calor
também
provoca
a
liberação
do
oxigênio
da
mioglobina,
transformando-a
em
metamioglobina, que, junto ao ferro, torna-se um catalisador da oxidação lipídica. Acima de
60° C esse fenômeno ocorre com maior intensidade (BRUM, 2004).
3 Peroxidação Lipídica
O processo de peroxidação lipídica é gerado pela reação de um radical livre com um ácido
graxo insaturado e propagada por radicais peroxilas. Essa reação resulta na formação de
hidroperóxidos lipídicos e aldeídos, tais como o 4-hidroxinonenal, isoprostanos e
malondialdeído (MDA), que podem ser detectados em amostras biológicas, e utilizados para
se avaliar o estresse oxidativo (LIMA; ABDALLA, 2001).
Os radicais livres têm de reagir com ácidos graxos poliinsaturados, servindo como
indicadores do processo de peroxidação lipídica ou lipoperoxidação (LPO) (LIMA;
ABDALLA, 2001).
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4 Carnes
Alimento tradicional, a carne constitui, ao mesmo tempo, um critério essencial para o
estabelecimento do nível de vida das populações, sendo que a tendência à diminuição ou
elevação de sua taxa é considerada como muito significativa (CONCHILLO et al., 2003).
Em 1938, era possível distinguir um conjunto de países grandes consumidores de carne,
cujo consumo diário per capita oscilava entre 100 e 200g. Tratava-se dos Estados Unidos,
da maioria dos países da Europa e de certo número de países da América do Sul,
importantes produtores de carne. No lado oposto, encontravam-se pequenos países
consumidores, em que o consumo cotidiano era de apenas 50g e abaixo desse valor: na
região mediterrânea (Grécia, Portugal, Espanha, Itália) e o conjunto dos países não
europeus, com exceção da América do Sul, grande produtora. Enfatiza-se que, às vésperas
da Revolução Francesa, o consumo dos franceses teria sido de 52g, ou seja, mais ou
menos o que era consumido por esses países em 1938 (FLANDRIN; MONTANARI, 1998).
5 Cocção e Tecnologia
Segundo Proença (1997), em todas as épocas os homens sempre se preocuparam em se
alimentar de forma saudável e com gosto refinado no sabor. Dessa maneira, foram surgindo
muitos especialistas famosos em degustação, e interessados no processo de cozimento e
de conservação dos alimentos, chegando até os dias atuais. Na busca de uma alimentação
perfeita, foram descobertos e criados vários tipos de aparelhos de cozimento: fogões de
lenha, fogões de chamas, fornos de aquecimento tradicionais, forno de microondas e por fim
um processo tecnológico mais avançado, o forno combinado.
As cozinhas industriais precisam, cada vez mais, se aperfeiçoarem, oferecendo qualidade
alimentar, seja em relação ao sabor, ao controle bacteriológico e a disponibilização de
produtos mais saudáveis. Tudo acrescido a concorrência acirrada que obrigada a baixar os
custos. Por isso, a solução é investir em equipamentos de última geração (BREVIGLIERI b,
1998).
Os equipamentos desenvolvidos para alimentação coletiva devem atender as condições de:
economia de energia, através da regulação de materiais, simplificação na utilização,
adaptando os materiais às limitações dos usuários, facilidade de higienização e
manutenção; atendimento as normas de segurança pessoal (PROENÇA, 1997).
O forno combinado surgiu na Europa por volta de 1976. Foi desenvolvido a partir da junção
do steamer (cocção a vapor) e do forno de convecção. A similaridade entre os dois
equipamentos é que ambos operam com sistema de movimentação dirigida de ar
(convecção: calor seco ou ar quente) e de vapor (steamer por calor úmido). Assim, o forno
combinado, oriundo da fusão destes dois equipamentos, apresentou uma grande evolução e
5
VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
resultou em maiores possibilidades, que são justamente as funções combinadas
(SANT’ANA ,1998).
Dentro desse panorama de tecnologia da cocção, acredita-se na importância do
aprofundamento dos conhecimentos de métodos, que além de rápidos e práticos, podem ser
contribuir ou não com a saúde humana.
MÉTODO
Trata-se de um estudo transversal, em que as análises laboratoriais foram executadas no
laboratório de bromatologia e na cozinha experimental da Universidade Presbiteriana
Mackenzie, no período de outubro a dezembro de 2010.
1 Métodos de cocção
Carnes preparadas no forno convencional e no forno combinado: carne bovina (patinho),
frango (levando em conta, que as vísceras do frango foram descartadas do experimento),
peixe e carne suína (lombo), sem adição de temperos.
As carnes foram assadas e preparadas em duplicata, na Cozinha Experimental da
Universidade de Presbiteriana Mackenzie da seguinte forma:
O forno convencional foi pré-aquecido, até atingir a temperatura de 150° C.
Em seguida, as carnes foram colocadas em assadeiras de alumínio individuais e cobertas
por uma camada de papel alumínio, sendo que o peixe permaneceu assando por 55
minutos, enquanto que o frango, o lombo e o patinho ficaram assando por 2 horas.
Já o forno combinado, foi pré-aquecido em temperatura padrão de 180° C.
Após este tempo, as carnes também foram colocadas em assadeiras de alumínio individuais
e cobertas por uma camada de papel alumínio, em que o peixe ficou assando por 45
minutos, enquanto que o patinho por 1 hora, e o frango e lombo por 1 hora e 10 minutos.
2 Método para determinação de lipoperoxidação
Materiais:
1
Béquer de 250 mL
1 pipeta de 1 mL
1 pipeta de 10 mL
1 forma de assar
1 prato redondo
6
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6 elenmeyers de 250 mL
6 funis de vidro
6 papeis de filtro
8 pipetas de 5 mL
8 peras
7 tubos de ensaio
2
Cubetas de quartzo para leitura do espectofotômetro
Equipamentos:
Espectofotômetro Femto 700 plus
Fogão cooktop eletrolux ME46x
Forno cooktop eletrolux GC 75x
Ultrassom Unique USC 1800ª
Balança analítica Shimadzu AY220
Balança semi-analítica Ohaus Scout Pro
No método TBAR descrito por Genot, os valores são determinados usando o TBA
(GENOT,1996).
Para extração, 2g da amostra foi homogeneizada junto com 16 mL de 5 % (w/v) de solução
aquosa do ácido trichloroacetic (TCA) contendo 100 µL de BHT preparado fresco no etanol
(1mg/mL), através do uso do homogeneizador, regulado a 20.000 rpm por 15 segundos.
Depois da filtração, 2 mL do extrato foi misturado com 2 mL da solução TBA (20 mol/L) em
tubos de ensaio, e os tubos de ensaio foram submersos em água de banho a 70° C por 30
minutos e depois rapidamente resfriados no gelo. Após o resfriamento, a absorção das
soluções reativas foi lida a 532 nm usando uma Unicam UV-vis espectrofotômetro contra
uma branca contendo 2 mL de TCA e 2 mL do reagente TBA. Os resultados foram
expressos como miligramas do MDA (malondialdeído) equivalentes por quilograma (ou
partes por milhão) de amostra de alimento usando um coeficiente de extinção molar de
1.56x10 M-1. cm-1 por malondialdeído. A sensibilidade do método é 0.37 mg do MDA
equivalente /kg por amostra de alimento (FU,M-X et.al.;1996).
Todos os testes foram realizados em duplicata e os resultados foram relatados como média
± desvio padrão.
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este estudo, realizado com testes in vitro, foi realizado em duplicata. Para análise dos dados
foi utilizado o valor médio dos resultados, que são apresentados no quadro, nas tabelas e na
figura a seguir.
As amostras foram caracterizadas em relação ao método de cocção, tempo e temperatura
de cocção, como se pode observar no quadro 1.
Quadro 1: Caracterização das amostras
Amostra
Método de cocção
Temperatura de cocção
Tempo de cocção
Carne bovina - patinho
Forno convencional
150°C
2 horas
Carne bovina - patinho
Forno combinado
180°C
1 hora
Frango
Forno convencional
150°C
2 horas
Frango
Forno combinado
180°C
1 hora e 10 minutos
Peixe - corvina
Forno convencional
150°C
55 minutos
Peixe - corvina
Forno combinado
180°C
45 minutos
Carne suína - lombo
Forno convencional
150°C
2 horas
Carne suína - lombo
Forno combinado
180°C
1 hora e 10 minutos
Na tabela 1 podem-se verificar os valores de absorbância e na tabela 2 a determinação do
MDA das amostras.
Tabela 1: Valores de absorbância das amostras
Massa de
Amostra (g)
Abs1
Abs2
Média
Desvio
padrão
Patinho Combinado
2,1659
0,334
0,336
0,335
± 0,001414
Patinho Convencional
2,2464
0,177
0,181
0,179
± 0,002836
Frango Combinado
2,4278
0,472
0,48
0,476
± 0,005689
Frango Convencional
2,1709
0,292
0,296
0,294
± 0,002828
Peixe Combinado
2,2691
0,433
0,446
0,440
± 0,009192
Peixe Convencional
2,2589
0,307
0,304
0,306
± 0,002121
Lombo Combinado
2,0723
0,149
0,148
0,149
± 0,000707
Lombo Convencional
2,0578
0,101
0,099
0,100
± 0,001414
Amostras
Os resultados se mostraram bastante homogêneos de acordo com o cálculo de desvio
padrão apresentados na tabela 1.
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Tabela 2: Determinação de MDA dos alimentos
MDA (g/Kg)
Amostras
Forno Combinado Forno Convencional
Patinho
2,29
1,18
Frango
2,90
2,00
Peixe
2,86
2,00
Lombo
1,06
0,72
O MDA é um dos produtos finais da peroxidação lipídica e, por ser um produto estável, pode
ser utilizado como medida cumulativa deste processo (HALLIWELL; GUTTERIDGE, 1989).
Como a produção do MDA é um marcador para a ocorrência do processo de oxidação
lipídica, na tabela 2, quando se compara os níveis de MDA entre os dois métodos de
cocção, fica nítido que a peroxidação lipídica é maior nos alimentos de origem animal
preparados em forno combinado.
Figura 1: Representação gráfica comparativa de MDA dos alimentos e métodos de cocção estudados
O colesterol é um importante composto biológico que é amplamente encontrado em vários
tipos de alimentos, principalmente em carnes. Foi constatada a presença de peroxidação
lipídica em 100% das amostras estudadas.
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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011
Esse resultado sugere que os dois tipos de processamento de alimentos desenvolvidos
nesse estudo levam à formação de óxidos de colesterol.
De acordo com os resultados obtidos, houve uma maior peroxidação lipídica na carne de
frango preparada em forno combinado. Rababah et al. (2005) verificaram haver maior
peroxidação lipídica em carne de galinha preparada em microondas, em comparação com a
carne preparada em forno convencional.
Newburg (1980) também leva em conta, que a formação e a degradação de melonaldeído
em carnes e derivados, é conseqüência do tempo e da temperatura de cozimento;
considerado um meio de transferência de calor e alteração do produto – por exemplo, o tipo
de corte, e a presença do mineral ferro na carne interferem nos resultados
(NEWBURG,1980; SHAMBERGER,1977).
Estes resultados reforçam os dados obtidos neste trabalho, porém não foram encontradas
literaturas específicas, que utilizaram o forno combinado e convencional para o cozimento
das carnes bovina, suína, peixe e frango, impossibilitando assim um parâmetro de
comparação mais fidedigno (RABAH et.al., 2005). O presente estudo foi o primeiro na
literatura que analisou a peroxidação lipídica de produtos de alimentos preparados em forno
combinado.
No forno convencional a oxidação lipídica não é favorecida tendo em vista que há uma
câmara fechada, na qual a incorporação de ar durante a cocção é limitada. Já, no forno
combinado, desenvolvido a partir da junção do steamer (cocção a vapor) e do forno de
convecção, cuja similaridade entre os dois equipamentos está em que ambos operam com
sistema de movimentação dirigida de ar (convecção: calor seco ou ar quente) e de vapor
(steamer por calor úmido), há uma capacidade muito maior de alimentar a câmara de
cocção com moléculas de oxigênio (SANT’ANA ,1998).
No forno combinado, na função seco/úmido o tempo e a exposição ao calor são fatores
relevantes para a propagação dos radicais livres, o que explica os resultados obtidos nas
carnes bovina (patinho), suína (lombo), peixe e em destaque a de frango, pois o tempo de
cozimento neste tipo de forno foi de 1 hora a principio, com exceção da carne de peixe; em
temperatura de 180° C. Enquanto que no forno convencional as carnes ficaram assando por
um período de 2 horas, com exceção do peixe; em temperatura inferior a 150 ° C, por
menos tempo.
Portanto, a função seco/úmido e a temperatura do forno combinado são fatores que
favorecem a peroxidação lipídica; enquanto que as carnes preparadas em forno
convencional com temperatura inferior, e em tempo de cozimento maior são as mais
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recomendadas para o consumo, devido sua menor peroxidação. Outros métodos devem ser
incorporados futuramente, a fim de se avaliar uma melhor opção de preparo dessas carnes.
O principal método para análise laboratorial do MDA utilizado é a reação do MDA com o
ácido tiobarbitúrico (TBA), formando um complexo colorido que pode ser quantificado por
espectrofotometria ou por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), ambos com
detecção visível. Uma vez que outros aldeídos podem reagir com o TBA, a quantificação de
MDA por espectrofotometria vem recebendo muitas críticas, e a cromatografia, por se tratar
de uma técnica de separação, tem sido a técnica de escolha para a quantificação do MDA
(GROTTO et al., 2008).
O método de TBARs não é considerado como o melhor marcador indireto de peroxidação
lipídica, pois sofre ação de vários interferentes, porém é um método simples, de baixo custo
e reprodutível, sendo amplamente utilizado.
Corroborando o que já foi citado anteriormente, o presente estudo foi o primeiro na literatura
que analisou a peroxidação lipídica em produtos preparados em forno combinado, dessa
forma, recomenda-se que outros estudos sejam realizados, bem como outras metodologias
sejam empregadas, afim de elucidar dúvidas acerca desse método de cocção relativamente
novo e inovador.
CONCLUSÃO
Esse experimento constatou que do ponto de vista de TBARS, a carne de porco, preparada
em ambos os fornos, sendo eles combinado e convencional, apresentou ser melhor e mais
saudável para o consumo. Já a carne de frango e o peixe, considerando ambos os métodos
de cocção, praticamente empatados, se mostraram com maior nível de oxidação, sendo
assim, constatou-se que estas são as menos saudáveis para o consumo. Portanto, a carne
de frango e o peixe preparados em forno combinado se mostraram bem improfícuas se
comparadas às outras carnes analisadas nesse experimento, resultando em um alto teor de
peróxidos.
De modo geral, as carnes preparadas em forno combinado apresentaram maior índice de
lipoperoxidação, não sendo um método de cocção aconselhável quando comparado ao
tratamento térmico em forno convencional.
Por fim, dos métodos de cocção estudados, o preparo da carne de frango e de peixe no
forno combinado pode ser considerado o pior método de cozimento, elevando o risco de
desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
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Contato: [email protected] e [email protected]
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Erika Monise Razera