Universidade Presbiteriana Mackenzie AVALIAÇÃO DA LIPOPEROXIDAÇÃO EM CARNES: UM ESTUDO DE PREPARAÇÕES EM FORNO COMBINADO E FORNO CONVENCIONAL Érika Monise Razera (IC) e Edeli Simioni de Abreu (Orientadora) Apoio: PIBIC CNPq Resumo Alimentos de origem animal apresentam quantidades variáveis de colesterol na sua composição. Durante o processamento térmico desses alimentos, uma fração do colesterol pode ser oxidada por efeito do calor e do oxigênio do ar, dentre outros fatores, produzindo óxidos de colesterol que são subprodutos nocivos à saúde humana e que podem manifestar efeitos citotóxicos, aterogênicos, mutagênicos e carcinogênicos. Diante destes fatos e do crescente uso de tecnologia na produção de alimentos, principalmente nos grandes centros populacionais, acreditou-se na importância de pesquisar a possível formação de derivados oxidados do colesterol em de alimentos de origem animal preparados em forno convencional e em forno combinado. O objetivo desse estudo foi analisar a concentração de lipoperoxidação em carnes preparadas em forno combinado e em forno convencional. Trata-se de um estudo transversal, em que as análises laboratoriais foram executadas no laboratório de bromatologia e na cozinha experimental da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os procedimentos de extração e análise seguiram o método TBAR descrito por Genot (1996), os valores são determinados usando o TBA. Todos os testes foram realizados em duplicata e os resultados estão relatados como média ± desvio padrão. Os resultados demonstraram que o produto com maior lipoperoxidação foi o frango, seguido pelo peixe, carne bovina e carne suína, em ambos os processos de cocção. Foi possível concluir que a cocção em forno combinado foi o processamento térmico que gerou maior lipoperoxidação nos produtos analisados. Palavras-chave: colesterol, peroxidação lipídica, forno combinado Abstract Foodstuffs of animal origin have varying amounts of cholesterol in your composition. During thermal processing of foods, a fraction of cholesterol can be oxidized by effect of heat and oxygen from the air, among other factors, producing cholesterol oxides which are by-products harmful to human health and that can manifest as atherogenic, cytotoxic effects, mutagenic and carcinogenic. On these facts and the growing use of technology in food production, mainly in the large centers of population, believed in the importance of researching the possible formation of oxidized derivatives of cholesterol in foods of animal origin prepared in a conventional oven and combined oven. The objective of this study was to analyze the concentration of lipid peroxidation in meat prepared in combined oven and conventional oven. This is a cross-sectional study in which the laboratory analyses were performed in the laboratory of food science and experimental kitchen of Universidade Presbiteriana Mackenzie. The extraction and analysis procedures followed the TBAR described by Genot (1996), the values are determined using the TBA. All tests were conducted in duplicate and the results are reported as mean ± standard deviation. The results demonstrated that the product with greater lipid peroxidation was the chicken, followed by fish, beef and pork, both processes of cooking. Unable to conclude that the cooking in oven combined thermal processing was that generated greater lipid peroxidation in products analyzed. Key-words: cholesterol, lipid peroxidation, combined oven 1 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 INTRODUÇÃO Um grande paradoxo na bioquímica dos organismos aeróbios, aos quais pertencem os seres humanos, é que o oxigênio é absolutamente indispensável à vida, mas sob certas circunstâncias pode apresentar severos efeitos deletérios à saúde. A maioria desses efeitos potencialmente insalubres sucede da formação e atividade de espécies reativas do oxigênio e do nitrogênio, que tendem a promover reações oxidativas. Muitos desses compostos químicos formam radicais livres, apresentando uma ou mais elétrons desparelhados, tornando-se instáveis e altamente reativos. Estudos atuais comprovam que os óxidos de colesterol (COPs) são milhares de vezes mais tóxicos que o próprio colesterol, podendo acarretar diversos problemas à saúde como aterogênese (aparecimento de ateromas), citotoxicidade (toxicidade às células) e carcinogênese (aparecimento de câncer). Portanto, a comunidade científica apresenta cada vez maior interesse em conhecer os constituintes dos alimentos, sua capacidade antioxidante e seus efeitos patogênicos sobre a saúde. Alimentos de origem animal apresentam quantidades variáveis de colesterol na sua composição. Durante o processamento térmico desses alimentos, uma fração do colesterol pode ser oxidada por efeito do calor e do oxigênio do ar, dentre outros fatores, produzindo óxidos de colesterol que são subprodutos nocivos à saúde humana e que podem manifestar efeitos citotóxicos, aterogênicos, mutagênicos e carcinogênicos. Várias tecnologias vêm sendo desenvolvidas com o intuito de assegurar a qualidade dos alimentos. Dentre estes processos tecnológicos, o forno combinado, oriundo da fusão entre a cocção a vapor e o forno de convecção, apresentou uma grande evolução e resultou em maiores possibilidades, que são justamente as duas funções combinadas. Diante destes fatos e do crescente uso de tecnologia na produção de alimentos, principalmente nos grandes centros populacionais, acreditou-se na importância de pesquisar a possível formação de derivados oxidados do colesterol em de alimentos de origem animal preparados em forno convencional e em forno combinado. A partir destes fatos e dentro desse panorama de tecnologia da cocção acredita-se na importância do conhecimento de métodos, que além de rápidos e práticos, podem ser mais ou menos nocivos à saúde. O objetivo desse estudo foi analisar a concentração de lipoperoxidação em carnes preparadas em forno combinado e em forno convencional. 2 Universidade Presbiteriana Mackenzie REFERENCIAL TEÓRICO 1 Gorduras na alimentação Os hábitos alimentares exercem grande influencia sobre o crescimento, desenvolvimento e saúde geral dos indivíduos. Estudos clínicos e epidemiológicos recentes têm mostrado que a gordura dietética desempenha um papel importante, no desenvolvimento de doenças cardiovasculares (BOBBIO; BOBBIO, 2003). Com a modernidade, a procura por processos e produtos alimentícios de fácil obtenção e de rápido procedimento aumentou nos últimos anos. A fritura é um desses processos que pode oferecer alimentos de preparo fácil e rápido, além de proporcionar sabor, odor e textura agradáveis ao consumidor (GARCIA, 2003). A agilidade e o resultado prazeroso do processo é um requisito muito importante em relação aos produtos fritos, porém, devem-se levar em conta os processos pelo qual esse alimento passou, tornando-se, assim, prejudicial à saúde (BOBBIO; BOBBIO, 2003). Os ácidos graxos constituintes dos óleos e gorduras apresentam diferenças na composição e no grau de instauração. Essa diferença pode alterar suas qualidades físico-químicas, além de favorecer ou diminuir as alterações químicas ocorridas durante o processo, armazenamento e preparo dos alimentos (BOBBIO; BOBBIO, 2003). São muitas as alterações que os lipídeos podem sofrer, entre elas, a oxidação, que é a mais comum. Fatores internos e externos, como calor, luz, presença de metais, contato com oxigênio, entre outros, podem levar à oxidação (MORETTO et al., 2002). Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (NEUTZLING et al., 2007), um dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares é a hipercolesterolemia, uma condição que se caracteriza pela presença de taxas elevadas de colesterol no sangue, acima de 200 mg/dl, e que afeta um quinto da população brasileira, especialmente as pessoas com mais de 45 anos. O colesterol é um esteróide lipídico, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos, sendo o principal esterol sintetizado por animais. Possui funções orgânicas essenciais, como a produção de hormônios, porém representa um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, quando em excesso, caracterizado por hipercolesterolemia (LEHNINGER et.al., 2007). 3 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 2 Oxidação Lipídica A oxidação dos ácidos graxos poliinsaturados é o principal mecanismo de deterioração das carnes. Os fosfolipídios, presentes nas membranas celulares dessas carnes, são os principais alvos da oxidação, por possuírem em sua composição grandes quantidades de ácidos graxos insaturados (SILVA, 2004). Em carnes précozidas e armazenadas sob congelamento, o resultado mais evidente da oxidação lipídica é o aparecimento de sabor e odor desagradáveis (requentado). Resultam do acúmulo de produtos oriundos de ácidos graxos, sendo o hexanal o mais volátil e comum. A oxidação lipídica também afeta a textura e a coloração dos alimentos além de diminuir seu valor nutricional, pela inativação de vitaminas lipossolúveis antioxidantes e pela diminuição do teor de ácidos graxos essenciais (CURI et.al., 2002). O aquecimento da carne, pela cocção, gera uma série de modificações que promovem reações oxidativas. Alterações nas estruturas celulares acabam expondo os fosfolipídeos à ação do oxigênio. O calor também atua na desnaturação das proteínas inativando as enzimas como, por exemplo, a catalase, que tem como função a inibição do processo oxidativo. Para agravar ainda mais a situação, a peroxidase, que é uma enzima próoxidante, que acelera a oxidação de vários produtos, não é inativada pelo calor do cozimento. Outro efeito prejudicial da desnaturação protéica é gerado pelas proteínas heme, como a hemoglobina e mioglobina que, ao serem aquecidas, liberam ferro. O tempo de cozimento está diretamente ligado com a liberação de ferro, por exemplo, se o aquecimento for prolongado e a baixas temperaturas, haverá uma maior oxidação lipídica. Esse calor também provoca a liberação do oxigênio da mioglobina, transformando-a em metamioglobina, que, junto ao ferro, torna-se um catalisador da oxidação lipídica. Acima de 60° C esse fenômeno ocorre com maior intensidade (BRUM, 2004). 3 Peroxidação Lipídica O processo de peroxidação lipídica é gerado pela reação de um radical livre com um ácido graxo insaturado e propagada por radicais peroxilas. Essa reação resulta na formação de hidroperóxidos lipídicos e aldeídos, tais como o 4-hidroxinonenal, isoprostanos e malondialdeído (MDA), que podem ser detectados em amostras biológicas, e utilizados para se avaliar o estresse oxidativo (LIMA; ABDALLA, 2001). Os radicais livres têm de reagir com ácidos graxos poliinsaturados, servindo como indicadores do processo de peroxidação lipídica ou lipoperoxidação (LPO) (LIMA; ABDALLA, 2001). 4 Universidade Presbiteriana Mackenzie 4 Carnes Alimento tradicional, a carne constitui, ao mesmo tempo, um critério essencial para o estabelecimento do nível de vida das populações, sendo que a tendência à diminuição ou elevação de sua taxa é considerada como muito significativa (CONCHILLO et al., 2003). Em 1938, era possível distinguir um conjunto de países grandes consumidores de carne, cujo consumo diário per capita oscilava entre 100 e 200g. Tratava-se dos Estados Unidos, da maioria dos países da Europa e de certo número de países da América do Sul, importantes produtores de carne. No lado oposto, encontravam-se pequenos países consumidores, em que o consumo cotidiano era de apenas 50g e abaixo desse valor: na região mediterrânea (Grécia, Portugal, Espanha, Itália) e o conjunto dos países não europeus, com exceção da América do Sul, grande produtora. Enfatiza-se que, às vésperas da Revolução Francesa, o consumo dos franceses teria sido de 52g, ou seja, mais ou menos o que era consumido por esses países em 1938 (FLANDRIN; MONTANARI, 1998). 5 Cocção e Tecnologia Segundo Proença (1997), em todas as épocas os homens sempre se preocuparam em se alimentar de forma saudável e com gosto refinado no sabor. Dessa maneira, foram surgindo muitos especialistas famosos em degustação, e interessados no processo de cozimento e de conservação dos alimentos, chegando até os dias atuais. Na busca de uma alimentação perfeita, foram descobertos e criados vários tipos de aparelhos de cozimento: fogões de lenha, fogões de chamas, fornos de aquecimento tradicionais, forno de microondas e por fim um processo tecnológico mais avançado, o forno combinado. As cozinhas industriais precisam, cada vez mais, se aperfeiçoarem, oferecendo qualidade alimentar, seja em relação ao sabor, ao controle bacteriológico e a disponibilização de produtos mais saudáveis. Tudo acrescido a concorrência acirrada que obrigada a baixar os custos. Por isso, a solução é investir em equipamentos de última geração (BREVIGLIERI b, 1998). Os equipamentos desenvolvidos para alimentação coletiva devem atender as condições de: economia de energia, através da regulação de materiais, simplificação na utilização, adaptando os materiais às limitações dos usuários, facilidade de higienização e manutenção; atendimento as normas de segurança pessoal (PROENÇA, 1997). O forno combinado surgiu na Europa por volta de 1976. Foi desenvolvido a partir da junção do steamer (cocção a vapor) e do forno de convecção. A similaridade entre os dois equipamentos é que ambos operam com sistema de movimentação dirigida de ar (convecção: calor seco ou ar quente) e de vapor (steamer por calor úmido). Assim, o forno combinado, oriundo da fusão destes dois equipamentos, apresentou uma grande evolução e 5 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 resultou em maiores possibilidades, que são justamente as funções combinadas (SANT’ANA ,1998). Dentro desse panorama de tecnologia da cocção, acredita-se na importância do aprofundamento dos conhecimentos de métodos, que além de rápidos e práticos, podem ser contribuir ou não com a saúde humana. MÉTODO Trata-se de um estudo transversal, em que as análises laboratoriais foram executadas no laboratório de bromatologia e na cozinha experimental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no período de outubro a dezembro de 2010. 1 Métodos de cocção Carnes preparadas no forno convencional e no forno combinado: carne bovina (patinho), frango (levando em conta, que as vísceras do frango foram descartadas do experimento), peixe e carne suína (lombo), sem adição de temperos. As carnes foram assadas e preparadas em duplicata, na Cozinha Experimental da Universidade de Presbiteriana Mackenzie da seguinte forma: O forno convencional foi pré-aquecido, até atingir a temperatura de 150° C. Em seguida, as carnes foram colocadas em assadeiras de alumínio individuais e cobertas por uma camada de papel alumínio, sendo que o peixe permaneceu assando por 55 minutos, enquanto que o frango, o lombo e o patinho ficaram assando por 2 horas. Já o forno combinado, foi pré-aquecido em temperatura padrão de 180° C. Após este tempo, as carnes também foram colocadas em assadeiras de alumínio individuais e cobertas por uma camada de papel alumínio, em que o peixe ficou assando por 45 minutos, enquanto que o patinho por 1 hora, e o frango e lombo por 1 hora e 10 minutos. 2 Método para determinação de lipoperoxidação Materiais: 1 Béquer de 250 mL 1 pipeta de 1 mL 1 pipeta de 10 mL 1 forma de assar 1 prato redondo 6 Universidade Presbiteriana Mackenzie 6 elenmeyers de 250 mL 6 funis de vidro 6 papeis de filtro 8 pipetas de 5 mL 8 peras 7 tubos de ensaio 2 Cubetas de quartzo para leitura do espectofotômetro Equipamentos: Espectofotômetro Femto 700 plus Fogão cooktop eletrolux ME46x Forno cooktop eletrolux GC 75x Ultrassom Unique USC 1800ª Balança analítica Shimadzu AY220 Balança semi-analítica Ohaus Scout Pro No método TBAR descrito por Genot, os valores são determinados usando o TBA (GENOT,1996). Para extração, 2g da amostra foi homogeneizada junto com 16 mL de 5 % (w/v) de solução aquosa do ácido trichloroacetic (TCA) contendo 100 µL de BHT preparado fresco no etanol (1mg/mL), através do uso do homogeneizador, regulado a 20.000 rpm por 15 segundos. Depois da filtração, 2 mL do extrato foi misturado com 2 mL da solução TBA (20 mol/L) em tubos de ensaio, e os tubos de ensaio foram submersos em água de banho a 70° C por 30 minutos e depois rapidamente resfriados no gelo. Após o resfriamento, a absorção das soluções reativas foi lida a 532 nm usando uma Unicam UV-vis espectrofotômetro contra uma branca contendo 2 mL de TCA e 2 mL do reagente TBA. Os resultados foram expressos como miligramas do MDA (malondialdeído) equivalentes por quilograma (ou partes por milhão) de amostra de alimento usando um coeficiente de extinção molar de 1.56x10 M-1. cm-1 por malondialdeído. A sensibilidade do método é 0.37 mg do MDA equivalente /kg por amostra de alimento (FU,M-X et.al.;1996). Todos os testes foram realizados em duplicata e os resultados foram relatados como média ± desvio padrão. 7 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 RESULTADOS E DISCUSSÃO Este estudo, realizado com testes in vitro, foi realizado em duplicata. Para análise dos dados foi utilizado o valor médio dos resultados, que são apresentados no quadro, nas tabelas e na figura a seguir. As amostras foram caracterizadas em relação ao método de cocção, tempo e temperatura de cocção, como se pode observar no quadro 1. Quadro 1: Caracterização das amostras Amostra Método de cocção Temperatura de cocção Tempo de cocção Carne bovina - patinho Forno convencional 150°C 2 horas Carne bovina - patinho Forno combinado 180°C 1 hora Frango Forno convencional 150°C 2 horas Frango Forno combinado 180°C 1 hora e 10 minutos Peixe - corvina Forno convencional 150°C 55 minutos Peixe - corvina Forno combinado 180°C 45 minutos Carne suína - lombo Forno convencional 150°C 2 horas Carne suína - lombo Forno combinado 180°C 1 hora e 10 minutos Na tabela 1 podem-se verificar os valores de absorbância e na tabela 2 a determinação do MDA das amostras. Tabela 1: Valores de absorbância das amostras Massa de Amostra (g) Abs1 Abs2 Média Desvio padrão Patinho Combinado 2,1659 0,334 0,336 0,335 ± 0,001414 Patinho Convencional 2,2464 0,177 0,181 0,179 ± 0,002836 Frango Combinado 2,4278 0,472 0,48 0,476 ± 0,005689 Frango Convencional 2,1709 0,292 0,296 0,294 ± 0,002828 Peixe Combinado 2,2691 0,433 0,446 0,440 ± 0,009192 Peixe Convencional 2,2589 0,307 0,304 0,306 ± 0,002121 Lombo Combinado 2,0723 0,149 0,148 0,149 ± 0,000707 Lombo Convencional 2,0578 0,101 0,099 0,100 ± 0,001414 Amostras Os resultados se mostraram bastante homogêneos de acordo com o cálculo de desvio padrão apresentados na tabela 1. 8 Universidade Presbiteriana Mackenzie Tabela 2: Determinação de MDA dos alimentos MDA (g/Kg) Amostras Forno Combinado Forno Convencional Patinho 2,29 1,18 Frango 2,90 2,00 Peixe 2,86 2,00 Lombo 1,06 0,72 O MDA é um dos produtos finais da peroxidação lipídica e, por ser um produto estável, pode ser utilizado como medida cumulativa deste processo (HALLIWELL; GUTTERIDGE, 1989). Como a produção do MDA é um marcador para a ocorrência do processo de oxidação lipídica, na tabela 2, quando se compara os níveis de MDA entre os dois métodos de cocção, fica nítido que a peroxidação lipídica é maior nos alimentos de origem animal preparados em forno combinado. Figura 1: Representação gráfica comparativa de MDA dos alimentos e métodos de cocção estudados O colesterol é um importante composto biológico que é amplamente encontrado em vários tipos de alimentos, principalmente em carnes. Foi constatada a presença de peroxidação lipídica em 100% das amostras estudadas. 9 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Esse resultado sugere que os dois tipos de processamento de alimentos desenvolvidos nesse estudo levam à formação de óxidos de colesterol. De acordo com os resultados obtidos, houve uma maior peroxidação lipídica na carne de frango preparada em forno combinado. Rababah et al. (2005) verificaram haver maior peroxidação lipídica em carne de galinha preparada em microondas, em comparação com a carne preparada em forno convencional. Newburg (1980) também leva em conta, que a formação e a degradação de melonaldeído em carnes e derivados, é conseqüência do tempo e da temperatura de cozimento; considerado um meio de transferência de calor e alteração do produto – por exemplo, o tipo de corte, e a presença do mineral ferro na carne interferem nos resultados (NEWBURG,1980; SHAMBERGER,1977). Estes resultados reforçam os dados obtidos neste trabalho, porém não foram encontradas literaturas específicas, que utilizaram o forno combinado e convencional para o cozimento das carnes bovina, suína, peixe e frango, impossibilitando assim um parâmetro de comparação mais fidedigno (RABAH et.al., 2005). O presente estudo foi o primeiro na literatura que analisou a peroxidação lipídica de produtos de alimentos preparados em forno combinado. No forno convencional a oxidação lipídica não é favorecida tendo em vista que há uma câmara fechada, na qual a incorporação de ar durante a cocção é limitada. Já, no forno combinado, desenvolvido a partir da junção do steamer (cocção a vapor) e do forno de convecção, cuja similaridade entre os dois equipamentos está em que ambos operam com sistema de movimentação dirigida de ar (convecção: calor seco ou ar quente) e de vapor (steamer por calor úmido), há uma capacidade muito maior de alimentar a câmara de cocção com moléculas de oxigênio (SANT’ANA ,1998). No forno combinado, na função seco/úmido o tempo e a exposição ao calor são fatores relevantes para a propagação dos radicais livres, o que explica os resultados obtidos nas carnes bovina (patinho), suína (lombo), peixe e em destaque a de frango, pois o tempo de cozimento neste tipo de forno foi de 1 hora a principio, com exceção da carne de peixe; em temperatura de 180° C. Enquanto que no forno convencional as carnes ficaram assando por um período de 2 horas, com exceção do peixe; em temperatura inferior a 150 ° C, por menos tempo. Portanto, a função seco/úmido e a temperatura do forno combinado são fatores que favorecem a peroxidação lipídica; enquanto que as carnes preparadas em forno convencional com temperatura inferior, e em tempo de cozimento maior são as mais 10 Universidade Presbiteriana Mackenzie recomendadas para o consumo, devido sua menor peroxidação. Outros métodos devem ser incorporados futuramente, a fim de se avaliar uma melhor opção de preparo dessas carnes. O principal método para análise laboratorial do MDA utilizado é a reação do MDA com o ácido tiobarbitúrico (TBA), formando um complexo colorido que pode ser quantificado por espectrofotometria ou por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), ambos com detecção visível. Uma vez que outros aldeídos podem reagir com o TBA, a quantificação de MDA por espectrofotometria vem recebendo muitas críticas, e a cromatografia, por se tratar de uma técnica de separação, tem sido a técnica de escolha para a quantificação do MDA (GROTTO et al., 2008). O método de TBARs não é considerado como o melhor marcador indireto de peroxidação lipídica, pois sofre ação de vários interferentes, porém é um método simples, de baixo custo e reprodutível, sendo amplamente utilizado. Corroborando o que já foi citado anteriormente, o presente estudo foi o primeiro na literatura que analisou a peroxidação lipídica em produtos preparados em forno combinado, dessa forma, recomenda-se que outros estudos sejam realizados, bem como outras metodologias sejam empregadas, afim de elucidar dúvidas acerca desse método de cocção relativamente novo e inovador. CONCLUSÃO Esse experimento constatou que do ponto de vista de TBARS, a carne de porco, preparada em ambos os fornos, sendo eles combinado e convencional, apresentou ser melhor e mais saudável para o consumo. Já a carne de frango e o peixe, considerando ambos os métodos de cocção, praticamente empatados, se mostraram com maior nível de oxidação, sendo assim, constatou-se que estas são as menos saudáveis para o consumo. Portanto, a carne de frango e o peixe preparados em forno combinado se mostraram bem improfícuas se comparadas às outras carnes analisadas nesse experimento, resultando em um alto teor de peróxidos. De modo geral, as carnes preparadas em forno combinado apresentaram maior índice de lipoperoxidação, não sendo um método de cocção aconselhável quando comparado ao tratamento térmico em forno convencional. Por fim, dos métodos de cocção estudados, o preparo da carne de frango e de peixe no forno combinado pode ser considerado o pior método de cozimento, elevando o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 11 VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 REFERÊNCIAS BOBBIO, Florinda Orsatti; BOBBIO, Paulo A. Introdução à química de alimentos. 3. ed. São Paulo: Varela, 2003. 238 p. BREVIGLIERI ,R. Coração das cozinhas. Revista Cozinha Industrial, N°.65 nov-dez 1998 a.p 44 e 49.Ed Novos Editores Associados. BRUM, Aelson Aloir Santana. Métodos de extração e qualidade da fração lipídica. Monografia (Mestrado em Ciências e tecnologia de alimentos) - Universidade São Paulo. Piracicaba, 2004. CONCHILLO, A.; ANSORENA, D.; ASTIASARAN, I. Combined effect of cooking (grilling and roasting0 and chilling storage (with and without air) on lipid and cholesterol oxidation in chicken breast. Journal of Food Protection, v. 66, n.5, p. 840-846, 2003. 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