23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental I-174 - AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA NO CÓRREGO BOTAFOGO NA CIDADE DE GOIÂNIA-GO Karina Eliane Quege(1) Bióloga pela Universidade Católica de Goiás (UCG). Pós-graduada em Tratamento e disposição final de resíduos sólido e líquido pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Eduardo Queija Siqueira Endereço(1): Rua 86 n°361 q-F22 L-31 Setor Sul Goiânia-GO Brasil CEP: 74083-330 e-mail: [email protected] telefone: (62) 39413868 RESUMO O presente estudo foi realizado no Córrego Botafogo, Bacia do Rio Meia Ponte, na região central do Estado de Goiás. O Córrego Botafogo é classificado como sendo de classe II (resolução CONAMA 1986), tem sua nascente no Jardim Botânico em Goiânia. Percorre um trecho de 9,8 km dentro da área urbana e recebe contribuições de efluentes domésticos e pluviais. O Córrego Botafogo deságua no Córrego Anicuns, afluente do Rio Meia Ponte. Foram demarcadas três estações de amostragem ao longo do Córrego Botafogo na área urbana de Goiânia-GO e medidas as seguintes características das águas: cor, turbidez, pH, OD, DBO e sólidos suspensos nos dias de 29/outubro, 11/novembro e 16/dezembro de 2003. O curso d’água apresentou concentração de cor aparente (46 a 102mg/LPtCo), reduzida turbidez (2 a 10UT), pH neutro a básico (7,2 a 7,9), demonstrando baixos níveis de oxigênio dissolvido (1,34 a 5,27mg/L), sólidos suspensos (3 a 6mg/L) e baixos índices de demanda bioquímica de oxigênio (0,00 a 2,19mg/L). Os resultados das análises foram avaliados e verificou-se que, em geral, se o curso d’água está de acordo com a resolução do CONAMA (1986). Os resultados das características físico-químicas analisadas sugerem uma situação pouco crítica para o Córrego Botafogo nos parâmetros analisados. PALAVRAS-CHAVE: Córrego Botafogo, Oxigênio dissolvido, Demanda bioquímica de oxigênio, Poluição, Qualidade da água. INTRODUÇÃO As concentrações de Oxigênio Dissolvido (OD) em águas naturais e esgotos dependem de fatores físicos, químicos e bioquímicos. As análises de OD são úteis para se verificar os níveis de poluição das águas e para controle dos processos de tratamento de esgotos (APHA et al., 1995). A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) representa a quantidade de oxigênio dissolvido consumido pela respiração aeróbica de microorganismos que oxidam a matéria orgânica existente na água (MAIER, 1978). A DBO é a quantidade de oxigênio utilizada por uma população mista de microorganismos durante a oxidação aeróbia da matéria orgânica à temperatura de 20C0. A DBO é o parâmetro usualmente utilizado na medição de poluição orgânica, sendo a oxidação bioquímica vagarosa, ocorrendo em duas fases; na primeira são atacados principalmente os compostos carbonáceos; na segunda; a matéria não carbonácea como a amônia, produzida durante a hidrólise das proteínas (BRAILE et al, 1979). O teste de DBO5 por 5 dias consiste na medição do oxigênio dissolvido no início e depois da incubação. A DBO é a diferença entre o oxigênio dissolvido inicial e final. São descritos no APHA et al. (1995) dois métodos para determinação OD na água: de Winkler ou método iodometrico e o método eletroquímico com uso de eletrodos ou sondas. O método iodometrico é baseado no procedimento de oxidação do OD, enquanto o procedimento do eletrodo é baseado no grau de difusão do oxigênio molecular através da membrana do eletrodo. A escolha do procedimento depende das interferências presentes, da exatidão desejada, e em alguns casos, da utilidade. O método iodometrico não é realizado totalmente no campo, pois necessita transportar as amostras para o laboratório e o método eletroquímico o resultado é imediato (APHA et al.,1995). Pode-se também identificar o estado dos ecossistemas por meio dos indicadores bióticos como: coliformes, algas, peixes e abióticos como variáveis físico-químicas. Os aspectos qualiquantitativos expressam o estado da qualidade do ambiente aquático (MOULTON, 1998). ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Os sabões, fosfatos, amoníacos e resíduos orgânicos despejados alimentam bactérias e microrganismos que se multiplicam com maior rapidez em águas contaminadas. Se o acúmulo de matéria orgânica biodegradável aumenta, a degradação desta esgota o oxigênio existente na água. Os organismos mais afetados por este tipo de contaminação são os peixes e as algas. Os líquidos residuários muito frescos podem conter menor quantidade de oxigênio. No estudo de autodepuração dos cursos d’água, a determinação da quantidade de oxigênio na água é uma característica de grande importância. Em alguns lugares a quantidade de oxigênio dissolvido na água dos rios e mares tem sido alterada pela ação do homem, particularmente devido ao despejo de águas residuais domésticas não purificadas e os resíduos industriais. Esses despejos têm reduzido a biodiversidade. A concentração de matéria orgânica pode ser calculada através da demanda bioquímica de oxigênio (DBO). A teoria do contínuo fluvial citada por (RIOS & CALIJURI, 1995) possibilita relacionar características físicoquímicas do decores dos rios segundo as suas ordens. A nascente de um manancial é uma área mais elevadas, rica em vegetação, com pouca fotossíntese, maior consumo; a zona intermediária tem margem maior, maior incidência de luz, mais alimento e a foz possui maior quantidade de alimento e peixes. A ordem aumenta da nascente para a foz. Conforme se aumenta a ordem de um corpo de água, aumenta também a biodiversidade aquática. A troca de oxigênio entre atmosfera e o fluxo de água é conhecido como reoxigenação ou reaeração. Oxigenação é a absorção física de oxigênio da atmosfera para o curso d’água. A reaeração é um processo extremamente importante, pois mantêm a vida de organismos aquáticos aeróbios e facultativos e conduz o oxigênio da atmosfera de modo natural para o meio aquático (SIQUEIRA & CUNHA, 2001). A transferência de oxigênio da fase gasosa para a fase líquida se dá basicamente de duas maneiras: difusão molecular (tendência de qualquer substância de se espalhar uniformemente por todo espaço disponívelmecanismo lento); difusão turbulenta (interfaces em que ocorrem os intercâmbios gasosos – mecanismo mais eficiente). Corpo d’água de menor profundidade, com corredeiras, apresentam boas condições para reareação (VON SPERLING, 1996). Em baixa umidade ocorre um aumento da reaeração ou reoxigenação devido a forte evaporação da água na superfície livre de escoamento. O processo de evaporação produziria um gradiente de temperatura na superfície devido ao resfriamento da água e conseqüentemente uma instabilidade hidrodinâmica (SIQUEIRA & COSTA, 1997). Para medir a umidade relativa do ar utiliza-se o higrômetro. Umidade é o vapor d’água presente na atmosfera. Esse vapor é resultante da evaporação das águas dos rios mares e lagos, sobre tudo sob ação do calor solar.A rapidez com que a água evapora depende de vários fatores: temperatura, área, pressão do ar, umidade e vento. Com início das chuvas, no começo do mês de setembro, a umidade relativa aumenta. A repercussão mais nociva da poluição de um corpo d’água por matéria orgânica é a queda dos níveis de oxigênio dissolvido. As águas constituem ambientes bastante pobres em oxigênio, em virtude da baixa solubilidade do oxigênio na água. No processo de autodepuração há um balanço entre as fontes de consumo e as fontes de produção de oxigênio. Quando a taxa de consumo é superior a taxa de produção, a concentração de oxigênio tende a decrescer, ocorrendo o inverso quando a taxa de consumo é inferior à taxa de produção.Os principais fenômenos interagentes no balanço de OD no curso encontram-se na Tabela 1(VON SPERLING, 1996). Tabela 1 -Principais processos integrantes no balanço de OD Fonte: VON SPERLING (1996) Consumo de oxigênio - oxidação da matéria orgânica (respiração) - demanda bentônica (lodo de fundo) - nitrificação (oxidação da amônia) Produção de oxigênio - reaeração atmosférica - fotossíntese ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental A distribuição de oxigênio em um curso d’água é função da temperatura, da agitação das águas, da natureza e abundância de organismos que nelas vivem (seres clorofilados), reoxigenação fotossintética, da velocidade de deslocamento da água, profundidade, acidentes topográficos, ação dos ventos, intensidade luminosa e entrada de oxigênio dissolvido contribuinte de outros afluentes. A agitação da água acarreta a igualdade e o abaixamento das temperaturas em toda a espessura, assim com o aumento do teor de oxigênio dissolvido. O conteúdo de oxigênio dissolvido nas águas superficiais depende, dentre outros fatores, da quantidade e tipos de matérias orgânicas instáveis que contenha a água. O OD é um fator importante na autodepuração que é o restabelecimento do equilíbrio do meio aquático, por mecanismos naturais. Durante a autodepuração os compostos orgânicos são convertidos em compostos inertes e não prejudiciais aos rios do ponto de vista ecológico. As bactérias aeróbias atuam sobre a matéria orgânica em decomposição utilizando o OD como aceptor de elétrons no processo metabólico. As bactérias, na presença de oxigênio, convertem a matéria orgânica a compostos simples e inertes como água e gás carbônico (VON SPERLING, 1996). A velocidade de degradação da matéria orgânica por parte das bactérias é afetada pala temperatura. Aumenta-se a temperatura da água, a demanda bioquímica de oxigênio aumenta (THOMANN, 1987). A concentração de OD na água está associada com a temperatura da água, poluição, altitude, metabolismos dos organismos aquáticos e as características fisiográficas nos processos de autopurificação dos cursos d’água (ESTEVES, 1988; WETZEL, 1981; MOTA, 1997). A matéria orgânica em suspensão ao se sedimentar, forma o lodo de fundo. A estabilização do lodo se dá em condições anaeróbias, em virtude da dificuldade da penetração de oxigênio. A este processo dá-se o nome de demanda bentônica (VON SPERLING, 1996). Concentração de saturação de oxigênio A quantidade de oxigênio que a água pode conter é pequena e depende da temperatura; quanto maior for esta menor será a quantidade necessária para saturação. A concentração de saturação do oxigênio dissolvido na água é função decrescente da temperatura (STEEL, 1966). O aumento da temperatura reduz a solubilidade do gás e sua elevação reduz a concentração de saturação. A maior agitação entre as moléculas na água faz com que os gases dissolvidos tendam a passar para a fase gasosa, acelerando o processo de absorção do oxigênio para que o sistema fique em equilíbrio (VON SPERLING, 1996). A concentração de saturação de oxigênio dissolvido para condições locais em função da temperatura e pressão é calculada utilizando-se a equação (1) incorporada ao modelo QUAL 2E ( SIQUEIRA, 1996): INCS’= -139,34411 + (1,575701 x 105 / T) – (6,642308 x 107 / T2) + (1,243800 x 1010 / T3) – (8,621949 x 1011 / T4) Onde: CS’ = concentração de oxigênio, a 1 atm, de pressão (mg/L) T = temperatura da água (°K) = C° + 273,15 (1) A concentração obtida pela equação (1) deverá então ser corrigida para a pressão atmosférica local através de equação (2). CS = CS’ P (2) Onde: CS = concentração de equilíbrio de oxigênio em condições locais, (mg/L) P = pressão atmosférica local, (atm) = (embar) / 1013 A salinidade afeta também a solubilidade do oxigênio expressa na equação (3). A influência de sais dissolvidos pode ser computada pela seguinte fórmula empírica. γ = 1 – 9 x 10-6 . Csal (3) Onde: γ = fator de redução na solubilidade (= 1 para água pura) Csal = concentração de sais dissolvidos (mg Cl-/ l) ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Características da água em relação ao oxigênio dissolvido A água pode ser classificada como alcalina ou ácida em função do seu pH. O pH simboliza a concentração de íons hidrogênio, carregados positivamente, e a alcalinidade aos íons hidroxila, carregados negativamente.O líquido residuário é geralmente alcalino, porém quando fica velho é séptico, tornando-se ácido. Um efluente oxidado terá um pH cerca de 7.3(STEEL, 1966). O potencial hidrogeniônico esta relacionado a basicidade ou acidez de uma solução, sendo expressa pelos íons H + e OH -, apresentando nas águas naturais uma forte influência por sais, ácidos e bases presentes no meio (ESTEVES, 1988). Águas que apresentam pH acima de 4,3 e abaixo de 8,3 o elemento tamponante são os bicarbonatos HCO3-, e quando pobres em carbonatos e enriquecidas por CO2 agressivo, chegam a possuir pH inferior a 6,0 (ABES, 1979). A cor é a característica das águas que ocorre devido à existência de substância em solução ou em forma coloidal, e se diferencia da turbidez que pode causar uma cor aparente. Na cor verdadeira que se apresenta nas águas, em geral, há presença de corantes procedentes da decomposição dos vegetais. A turbidez caracteriza-se pela presença de sólidos. Uma água carregada de matérias em suspensão é uma água turva. A turbidez atua essencialmente reduzindo a intensidade luminosa e, por conseguinte, diminuindo a produtividade dos vegetais autotróficos. O teor de oxigênio está geralmente em razão inversa à turvação. Córrego Botafogo Os padrões de qualidade da água nos corpos de água corrente são fixados em função da classe de utilização. As metas a serem atingidas de recuperação e preservação da qualidade da água dependem do planejamento regional e da classificação do curso d’água. A classes dos cursos d’água definidas de acordo com o uso, ou seja, para uso da água para banho e recreação, uso para abastecimento mediante tratamento completo, uso para agricultura, uso para industrias, uso somente como escoadouro de efluentes de sistema de esgoto. O Córrego Botafogo é classificado como sendo de classe II, citado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (BARROS, 2005). As águas de rio de classe II, de acordo com a resolução do (CONAMA, 1986) são destinadas: ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; à proteção das comunidades aquáticas; à recreação de contato primário; a irrigação de hortaliças e plantas frutíferas, à criação natural ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana. Os padrões de qualidade para córregos de classe II são estabelecidos na resolução do CONAMA na Tabela 2 (CONAMA,1986). Tabela 2-Padrões de qualidade de água para Córrego de classe II Fonte: CONAMA(1986) Componente Valor materiais flutuantes virtualmente ausentes óleos e graxas virtualmente ausentes substâncias que comuniquem gosto ou odor virtualmente ausentes substâncias que formem depósitos objetiváveis virtualmente ausentes Coliformes 5000ct por 100ml Cor até 75mg/L PtCo Turbidez até 100UT até 5mg/LO2 DBO5 à 20C° OD, em qualquer amostra não inferior a 5mg/LO2 O Córrego Botafogo está situado na região central do Estado de Goiás (Figura 1), localizado entre os paralelos 160 38’S e -160 44’S, meridianos 490 14’W. O Córrego Botafogo apresenta uma extensão de 9,8 km da nascente a foz, percorrendo a área urbana da cidade de Goiânia, passando pelos bairros: Jardim das Esmeraldas, Bairro Santo Antônio, Vila Maria José, Vila São João, Pedro Ludovico, Jardim Goiás, Setor Sul, Setor Central, Universitário, Vila Nova, Nova Vila, Setor Norte Ferroviário e Criméia Leste (GHAZALE, 2002). ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Este curso d’água recebe afluente do Córrego Areião, possui nascente preservada e formada por três lagos localizados no Jardim Botânico Chico Mendes, entre os setores Jardim das Esmeraldas e Bairro Santo Antônio. No seu percurso o rio se encontra no estado natural com a margem coberta pela vegetação do Jardim Botânico até a Avenida Jamel Cecílio. O Córrego Botafogo é canalizado a partir da avenida Jamel Cecílio até o Setor Ferroviário e não tem cobertura vegetal nas suas margens. O Córrego tem sua foz no Ribeirão Anicuns, afluente da margem direita do Rio Meia Ponte (citado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente). Na Tabela 3 mostra alguns valores de DBO5 em rios que seus cursos d’água passam ou cortam áreas urbanas como o Córrego Botafogo. Tabela 3-Valores de DBO5 em alguns ecossistemas lóticos brasileiros. *valores médios extremos ** valores extremos no curso d’água. Manancial Local DBO5 mg.L –1 O2 Riac.Bodocongó Campina Grande-Pb 28 a 264* Rib.João Leite Rio Monjolinho Goiânia-Go São Paulo 0,2 a 2,5** 3,1 a 176** Rio das Velhas Minas Gerais 2 a 18,3* Rib.Capivara R. Meia Ponte Nerópolis-Go Goiânia-Go 1,4 a 6,3* 1,3 a 24,2* Arroio Cará Rio Grande Sul 1,9 a 4** Rib.Pedreira Goiânia-Go 0,5 a 6,3** ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Referência CEBALLOS et al. (1993) SANEAGO (1996) GUERESHI & MELÃO (1997) JUNQUEIRA et al.(2000) COSTA et al.(2001) VASCONCELOS(200 2) WEIRICH et. al.(2002) SANEAGO (2002) 5 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 1-Localização geográfica do Córrego Botafogo, e as estações de amostragem E1, E2 e E3 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental JUSTIFICATIVA Este breve período de observação da qualidade das águas no Córrego Botafogo vem contribuir ao acervo de informações existentes sobre recursos hídricos em Goiás. Este estudo também vem analisar a qualidade das águas do Córrego Botafogo, afluente do Rio Meia Ponte; estudar a Bacia do Meia Ponte, uma das mais importante para Goiânia; bem como conhecer o efeito da urbanização sobre a qualidade dos corpos d’água. OBJETIVOS Para o estudo do Córrego Botafogo, foram estabelecidos os seguintes objetivo:1) caracterizar a qualidade da água no Córrego Botafogo na área urbana de Goiânia e 2) avaliar se a qualidade da água do Córrego Botafogo está de acordo com a Resolução CONAMA(1986) para os seguintes parâmetros: OD, DBO5, cor, turbidez, sólidos suspensos, pH para rios de classe II. METODOLOGIA Escolha da área de estudo O Córrego Botafogo foi a área de estudo escolhida, pois pouco se conhece sobre este recurso hídrico.O Córrego Botafogo corre na área urbana de Goiânia e possui uma extensão razoável (9,8 km). As pontes em sua extensão facilitam a coleta das amostras em alguns lugares o Córrego apresenta problemas de mau odor. Escolha das estações de amostragem e período de amostragem Foram demarcadas três estações de amostragem em locais estratégicos ao longo da extensão do Córrego Botafogo: Lago do Jardim Botânico (nascente), Setor Sul e rua Dr. Constâncio Gomes no Criméia Leste (foz), nomeadas E1, E2 e E3 respectivamente (Figura 1, p.10) As coletas foram realizadas nos meses de outubro, novembro e dezembro, nos dias 29, 11 e 16, no horário entre às 14 e 15 horas. Durante as coletas foram registrados aspectos gerais do local de amostragem, descritos na Tabela 4. Foram determinadas as seguintes características físico-químicas nos três pontos de amostragem: OD, DBO5, cor, turbidez, sólidos suspensos e pH. A escolha de três pontos amostrais teve por objetivo a diminuição de custos para realização do trabalho. Tabela 4-Relação das estações de amostragem e sua localização e aspectos gerais do local de amostragem Estação E1 Endereço Lago do jardim Botânico Aspectos gerais do local de amostragem Ambiente lêntico, nascente do Córrego Botafogo, água com cor barrenta. E2 Setor sul, avenida 83. Ambiente lótico, presença de resíduos sólidos, presença canalizações de esgoto pluvial, córrego canalizado, ausência de escuma e odor, água esverdeada, presença de pequena queda d’água e fluxo rápido. E3 Rua Dr. Constâncio – Criméia Leste Ambiente lótico, presença de resíduos sólidos e escuma, lodos, presença de esgoto doméstico com escoamento de efluentes e fortes odores, água barrenta, fluxo lento e trecho não canalizado. Variáveis climáticas Os dados climáticos para o período de observações foram obtidos dos boletins metereologicos do Departamento de Engenharia Rural da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás. Procedimento de laboratório As amostras foram coletadas em um recipiente de plástico e colocadas, posteriormente, em copos plásticos com tampa. As amostras foram levadas para o Laboratório de Saneamento da Escola de Engenharia Civil da UFG para fazer as medições físico-quimicas. A temperatura da água (TAG) em °C e o oxigênio dissolvido ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental (OD – mg/L) foram medidos no local com oxímetro Handylab OX1/set da Schot; a cor (COR – mg/L), turbidez (TUR – NUT), sólidos suspensos (SOL – mg/L) foram medidos pelo DR890 Colorimeter da Hach; o potencial hidrogeniônico (pH) pelo método eletroquímico; e as amostras foram conservadas na estufa incubadora para DBO modelo 347 CD da Fanem a 20 oC. Procedimento de campo As amostras foram coletadas no período vespertino, com o auxílio de um balde de plástico e corda. Depois de coletada as amostras foram medidas as concentrações de OD feita à medição com o oxímetro Handylab OX1 da Schot e posteriormente as amostras foram colocadas em recipiente de copo plástico e levadas para incubação durante 5 dias a 20 °C no Laboratório de Saneamento da Escola de Engenharia Civil da UFG. RESULTADOS E DISCUSSÃO A variação temporal de OD analisadas no Córrego Botafogo nas estações E1, E2 e E3 estão inseridas nas Figuras 2, 3, 4, 5, 6 e 7. 6,0 5,3 5,5 5,0 4,5 4,6 4,6 4,4 4,4 OD mg/L 4,0 29/10/03 11/11/03 16/12/03 3,5 2,9 3,0 2,6 2,5 2,5 2,5 2,1 2,5 2,0 2,4 1,7 1,8 1,5 1,3 1,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 2-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada no ponto E1 em 29/10, 11/11 e 16/12/03 Observou-se um aumento de oxigênio dissolvido do dia 29/10/2003 para o 2°dia de incubação em E1 (Figura 2). Isto se deve ao fato de que houve oxigenação da amostra na mudança de recipiente para colocá-la na incubadora. A partir do 2° dia de incubação houve decréscimo de OD, sendo que no 5° dia (2/11/03) verificou 2,5mg/L de OD. Em E1 houve um aumento de oxigênio dissolvido do dia 2° para 3° dia de incubação (17 para 18/12/03). Isto pode ter ocorrido devido a erro de leitura do oxímetro. A partir do 3° dia de incubação houve diminuição do valor de OD sendo que no 5° (20/12/03) dia verificou 1,7mg/L OD. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 8 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 5,0 4,8 4,5 4,6 4,6 4,4 4,5 4,0 OD mg/L 3,5 3,0 29/10/03 11/11/03 16/12/03 2,8 2,7 2,5 2,5 2,5 2,5 2,3 2,0 2,1 2,0 2,0 1,9 1,5 1,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 3-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada no ponto E2 em 29/10, 11/11 e 16/12/03 Em 29/10/03 para o 2° de incubação em E2 registrou aumento de OD. Acredita-se que houve oxigenação da amostra durante a transferência da mesma para outro recipiente. A partir do 2° dia (30/10/03) os valores registrados de OD decaíram, sendo que no 2° registrou 2,8mg/L e no último dia de incubação 2,5mg/l. No 2° para o 3° dia de incubação (17 para 18/12/03) houve aumento do OD em E2. Isto pode ter ocorrido devido a erro na leitura do oxímetro. No 3° dia encontrou 2,1mg/L OD e no último dia de incubação encontrou 2,0mg/L OD. 5,5 5,1 5,0 4,5 4,4 4,3 4,2 4,0 4,0 OD mg/L 4,0 3,5 3,0 2,7 29/10/03 11/11/03 16/12/03 2,6 2,6 2,5 2,5 2,4 2,0 2,3 2,1 2,3 2,1 1,5 1,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 4-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada no ponto E3 em 29/10, 11/11 e 16/12/03 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 9 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental No dia 29/10/2003 para o 2° de incubação em E3 registrou aumento do valor de OD. Acredita-se que houve oxigenação da amostra no momento da transferência da mesma para outro recipiente. A partir do 2° dia de incubação houve diminuição de OD. No 2° dia o OD revelou 2,7mg/L e no 5° dia (2/12/03) revelou 2,5mg/L. Em E3 observou-se aumento no valor de OD do 2° para o 3° dia de incubação (12 para 13/11/03).Isto pode ter ocorrido devido a erro na leitura do oxímetro. No 3° dia o OD registrado foi 4,4mg/L e no 5° decaiu para 4,0mg/L. 3,0 2,9 2,8 2,8 2,7 2,6 2,6 2,7 2,5 2,5 2,6 2,5 2,4 2,4 OD mg/L 2,2 E1 E2 E3 2,0 1,8 1,6 1,4 1,3 1,2 1,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 5-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada nos pontos E1, E2 e E3 em 29/10/03 5,5 5,3 5,1 5,0 4,8 4,6 4,6 4,5 OD mg/L 4,5 4,4 4,4 4,4 4,2 E1 E2 E3 4,0 4,0 4,0 3,5 3,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 6-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada nos pontos E1, E2 e E3 em 11/11/03 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 10 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 4,5 4,3 4,0 OD mg/L 3,5 3,0 2,5 2,5 2,3 2,3 E1 E2 E3 2,4 2,3 2,1 2,1 2,0 1,9 2,1 2,1 2,0 2,0 1,8 1,7 1,5 1,0 1 2 3 4 5 tempo de incubação Figura 7-Decaimento do OD durante o período de incubação da amostra coletada nos pontos E1, E2 e E3 em 16/12/03 O clima da Região Centro-Oeste apresenta-se influenciado pelo relevo e latitude, conduzindo a uma diversificação térmica, determinando o máximo de precipitação pluviométrica no verão e o mínimo no inverno (NIMMER, 1989). Verificam-se nos dados obtidos (Tabela 5), que a evaporação diminuiu com o aumento da umidade relativa e abaixamento da temperatura do ar, pois o ar está saturado de moléculas d’água (GARCEZ, 1999). Os dados climáticos obtidos para este período de observações registram os aspectos do clima da Região Centro-Oeste (Tabela 5) neste período de estudo. Tabela 5-Características climáticas durante o período de amostragem no Córrego Botafogo Fonte: METEORGO(1993) Data Temperatura média do ar(Co) 29/10/03 11/11/03 16/12/03 29, 7Co 24,9Co 22,4Co Precipitação média (mm) Evaporação média(mm) Umidade média relativa(%) 0,0 0,0 1,0 4,7mm 5,2mm 2,1mm 89% 89% 98% Verificando os registros de dispersão das variáveis físico-químicos das estações de amostragem durante o estudo, obtiveram-se os seguintes resultados (Tabela 6). ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 11 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Tabela 6-Variação dos dados físico-químicos obtidos nas estações de amostragem durante o período de observação Característica Unidade E1 E2 E3 DBO5 mg/L 0,00-0,86 0,00-0,40 0,00-2,19 CONAMA (1986) até 5 Cor mg/LPtCo 74-90 46-56 90-102 até 75 Turbidez UT 5-9 2-7 5-10 até 100 Sólidos suspensos mg/L 3-6 4-5 3-5 - pH - 7,6-7,7 7,5-7,9 7,2-7,6 - Em estudo realizado pela SANEAGO (1996) verificou-se que o Ribeirão João Leite apresenta águas coloridas com teores médios de 35 a 78,7 mg.L–1PtCo. O Córrego Botafogo, semelhante ao João Leite, corta áreas urbanas e neste Córrego observou-se teores de 46 a 102 mg/L PtCo de cor. Quanto a turbidez (HAMMER 1979) menciona que águas claras apresentam geralmente níveis em torno de 25 UT e enlameadas excedem 100 unidades. Em condições experimentais em que não haja dados sobre OD num corpo d’água em estudo, Von Sperling (1996) sugere valores médios de 5mg/L para DBO5. Neste estudo verificou valores semelhantes a Von Sperling em trecho de pequena ação antrópica. Na estação 1 a DBO apresentou o valores de 0,00 a 0,86mg/L (Figura 8). A DBO aumentou consideravelmente do mês de outubro para o mês de novembro. Acredita-se que isto se deva ao aumento da matéria orgânica e a chuva no final do ano. No mês de novembro pode-se ter ocorrido maior despejo de matéria orgânica, fazendo com que a DBO elevasse e no início de dezembro as chuvas aumentaram, proporcionando maior diluição de água, conseqüentemente diminuindo a DBO. Dados de DBO5 da estação 1 DBO5 mg/L 1,00 0,86 0,80 29/out/03 0,60 0,4 0,40 0,20 11/nov/03 16/dez/03 0 0,00 Figura 8-Variação temporal de DBO5 no Córrego Botafogo - E1 A cor variou de 74 a 90 mg/ PtCo em E1(Figura 9). Houve uma redução da cor do mês de outubro a dezembro. Provavelmente devido ao aumento da chuva mais para o final do ano, ocorrendo uma diluição. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 12 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Cor mg/L Pt Co Dados de cor da estação 1 100 90 82 80 74 29/out/03 60 11/nov/03 40 16/dez/03 20 0 Figura 9-Variação temporal de cor no Córrego Botafogo – E1 A turbidez variou de 5 a 9 UT na estação 1(Figura 10). Registrou valores maiores para turbidez em novembro e dezembro. Isto pode ser devido ao aumento das chuvas mais para o final do ano, aumentando o número de partículas dispersas, como areias vindas do esgoto pluvial. Pode ser por isso os registros de valores mais elevados de turbidez em novembro e dezembro. Turbidez UT Dados de turbidez da estação 1 9 10 7 8 6 29/out/03 5 11/nov/03 4 16/dez/03 2 0 Figura 10-Variação temporal de turbidez no Córrego Botafogo – E1 Os valores registrados de sólidos suspensos variaram de 3 a 6 mg/L em E1 (Figura 11). Com o aumento das chuvas nos meses de novembro e dezembro pode aumentar o número de partículas suspensas devido ao arraste de partículas pela chuva como areia, cascalho. Dados de sólidos suspensos da estação 1 Sol mg/L 8 6 4 2 6 4 29/out/03 3 11/nov/03 16/dez/03 0 Figura 11-Variação temporal de sólidos suspensos no Córrego Botafogo – E1 Em relação ao pH os valores encontrados na estação variaram de 7,6 a 7,7 (Figura 12). O pH apresentou-se neutro a básico nos três dias de cada mês, indicando que no Córrego Botafogo não há presença de grandes cargas poluidoras. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 13 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dados de pH da estação 1 7,8 7,7 pH 7,7 29/out/03 7,7 11/nov/03 7,6 7,6 16/dez/03 7,6 7,6 Figura 12-Variação temporal de pH no Córrego Botafogo – E1 A DBO na estação 2 apresentou valores na faixa de 0,00 a 0,40mg/L (Figura 13), provavelmente devido ao aumento da matéria orgânica e a maior predominância de chuva no final do ano. No mês de novembro pode-se ter ocorrido um maior despejo de matéria orgânica, fazendo com que a DBO aumentasse e no início de dezembro as chuvas aumentaram que pode proporcionar diluição de água conseqüentemente diminuindo a DBO. Dados de DBO5 da estação 2 DBO5 mg/L 0,50 0,4 0,40 0,34 29/out/03 0,30 11/nov/03 0,20 16/dez/03 0,10 0 0,00 Figura 13-Variação temporal de DBO5 no Córrego Botafogo – E2 A cor variou de 56 a 46 mg/L PtCo em E2 (Figura 14). Os valores de cor decresceram de outubro para dezembro. Esse decréscimo do valor provavelmente pode ter ocorrido devido ao aumento da chuva mais para o final do ano, diluindo a água. Essa diminuição dos valores da cor ocorreu também na estação 1. Cor mg/L PtCo Dados de cor da estação 2 60 56 50 46 40 29/out/03 11/nov/03 20 16/dez/03 0 Figura 14-Variação temporal de cor no Córrego Botafogo – E2 Em relação a turbidez ela variou de 2 a 7 UT na estação 2(Figura 15). Com o aumento das chuvas mais para o final do ano, acredita-se aumentar o número de partículas dispersas, como areias vindas do esgoto pluvial. Por isso registrou valor elevado da turbidez em dezembro. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 14 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dados de turbidez da estação 2 Turbidez UT 8 7 6 5 4 29/out/03 11/nov/03 2 16/dez/03 2 0 Figura 15-Variação temporal de turbidez no Córrego Botafogo – E2 Os valores registrados de sólidos suspensos variaram de 4 a 5mg/L em E2 (Figura 16). Com o aumento das chuvas nos meses de novembro e dezembro aumenta o número de partículas suspensas devido ao arraste de partículas pela chuva como areiam e cascalho. Dados de sólidos suspensos da estação 2 Sol mg/L 6 5 4 4 29/nov/03 4 11/nov/03 2 16/dez/03 0 Figura 16-Variação temporal de sólidos suspensos no Córrego Botafogo – E2 Em relação ao pH os valores encontrados na estação variaram de 7,5 a 7,9 (Figura 17). O pH apresentou neutro a básico nos três dias de cada mês na estação 2, indicando que no córrego Botafogo não há presença de grandes cargas poluidoras. Dados de pH da estação 2 8,00 7,9 7,9 pH 7,80 7,60 29/out/03 7,5 7,40 11/nov/03 16/dez/03 7,20 Figura 17-Variação temporal de pH no Córrego Botafogo – E2 Na estação 3 a DBO5 apresentou o valor de 0,00 a 2,19 mg/L (Figura 18). A DBO5 aumentou de novembro para dezembro, provavelmente devido ao aumento da matéria orgânica. No mês de novembro e dezembro pode ter ocorrido despejo de matéria orgânica, fazendo com que a DBO5 aumente. Na foz do Córrego Botafogo pode ter acúmulo de matéria orgânica. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 15 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dados de DBO5 da estação 3 2,19 DBO5 mg/L 2,50 2,00 29/out/03 1,50 1,06 11/nov/03 1,00 16/dez/03 0,50 0 0,00 Figura 18-Variação temporal de DBO5 no Córrego Botafogo – E3 A cor variou de 90 a 102mg/LPtCo em E3(Figura 19). Houve uma redução da cor do mês de outubro a dezembro, provavelmente devido ao aumento da chuva mais para o final do ano, diluindo a água. A diminuição do valor da cor de outubro a novembro ocorreu em todas as estações. Cor mg/L PtCo Dados de cor da estação 3 105 102 100 100 29/out/03 95 90 90 11/nov/03 16/dez/03 85 80 Figura 19-Variação temporal de cor no Córrego Botafogo – E3 A turbidez variou de 5 a 10 UT na estação 3 (Figura 20). A turbidez nos meses de novembro e dezembro apresentou-se menor do que em outubro. Dados de turbidez da estação 3 Turbidez UT 15 10 29/out/03 10 5 5 5 11/nov/03 16/dez/03 0 Figura 20-Variação temporal de turbidez no Córrego Botafogo – E3 Os valores registrados de sólidos suspensos variaram de 3 a 5mg/L em E3 (Figura 21).Nesta estação encontraram-se valores de sólidos suspensos no mês de outubro e novembro maiores do que em dezembro. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 16 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dados de sólidos suspensos da estação 3 Sol mg/L 6 5 5 4 3 29/out/03 11/nov/03 2 16/dez/03 0 Figura 21-Variação temporal de sólidos suspensos no Córrego Botafogo – E3 O pH variou de 7,2 a 7,6 (Figura 22). Apresentou-se neutro a levemente básico. Dados de pH da estação 3 7,8 7,6 pH 7,6 29/out/03 7,4 7,4 11/nov/03 7,2 7,2 16/dez/03 7 Figura 22-Variação temporal de pH no Córrego Botafogo – E3 A concentração de OD no Córrego Botafogo (Figuras 2, 4 e 6) apresentou valor não inferior à 5mg/L em E1 e E3 no dia 11/novembro como recomendado pela resolução CONAMA (1986) para rios de classeII e os demais valores inferiores a 5mg/L. No dia 29/outubro em E1 verificou o menor valor descrito, 1,34mg/L. Das nove medições de OD no campo, duas estiveram de acordo com a resolução CONAMA(1986). Dos registros de Demanda Bioquímica de Oxigênio do Córrego Botafogo que variaram de 0,00 a 2,19 (Figuras 8, 13 e 18) no período de amostragem, todas as concentrações estiveram em conformidade com a resolução CONAMA (1986) que indica valores até 5mg/l (Tabela 6), sugerindo que pode ser feito a recuperação desse curso d’água. Observa-se que na estação 3 foi a que revelou os maiores registros de DBO sugerindo uma maior contribuição de fontes poluidoras neste trecho durante o período estudado. Os valores observados para cor aparente (Figuras 9, 14 e 19), indicam que as águas do Córrego Botafogo são coloridas, pois os valores obtidos nas amostragens variaram de 46 a 102mg/L PtCo e o CONAMA(1986) sugere que a cor não ultrapasse o valor de 75mg/L PtCo (Tabela 6).No Córrego Botafogo as águas são pouco turvas, pois os valores encontrados nas amostragens variaram de 2 a 10 UT (Figuras 10, 15 e 20) e o CONAMA (1986) indica o valor da turbidez até 100 UT. Há pequena quantidade de sólidos em suspensão, os valores de sólidos variaram de 3 a 6 mg/L (Figuras 11, 16 e 21). O pH prevaleceu de neutro a levemente alcalino não verificando, portanto, um estado séptico do Córrego Botafogo. A faixa de pH encontrada no Córrego Botafogo (Figuras 12, 17 e 22), esteve de neutro a básico, tendo como elemento do tamponamento o bicarbonato, não agressivo às comunidades aquáticas. Pela estreita variação observada tudo, indica pouca ou inexistente influencia de efluentes industriais com fortes características químicas para alteração desta variável no córrego. CONCLUSÕES As análises realizadas de água no Córrego Botafogo sugerem as seguintes informações desse ecossistema fluvial para o período amostrado: ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 17 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental - Estreitas faixas de variação de pH (7,2 a 7,9) com potencial hidrogeniônico conferindo a este ecossistema um caráter neutro a básico; - O Córrego apresenta águas coloridas (46 a 102mg/ LPtCo). Em algumas amostras do Córrego Botafogo durante o período estudado apresentaram valores superiores a 75 mg/LPtCo que é recomendado pelo CONAMA (1986). A turbidez apresentou baixos valores (2 a 10UT), estando em conformidade com a resolução do CONAMA (1986) que indica valores até 100 UT; - Há baixa concentração de sólidos suspensos (3 a 6mg/L) estando de acordo com a resolução CONAMA(1986) ; - Todos os valores mencionados para DBO estavam em conformidade com a resolução do CONAMA (1986). Neste período estudado o Córrego Botafogo apresentou águas com baixas concentrações de demanda bioquímica de oxigênio; - Em algumas amostras a concentração de OD foi superior a 5mg/L apresentando de acordo com a resolução do CONAMA (1986) que sugere valores não inferiores a 5mg/L para OD e a maioria dos valores encontrados para OD estiveram inferior a 5mg/L. As concentrações de oxigênio dissolvido estão relativamente baixas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 2. ABES. 1979. Manual do Analista de Água.Rio de Janeiro.CETESB.98p. APHA, AWWA e WPCF, Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 1995. Eaton, A. D., Clesceli, L.S., Grenberg, A. 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