D I S C I P L I N A Metodologia Científica O caminho da ciência: o método científico Autoras Célia Regina Diniz Iolanda Barbosa da Silva aula 03 Governo Federal Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância – SEED Carlos Eduardo Bielschowsky Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba Reitor José Ivonildo do Rêgo Reitora Marlene Alves Sousa Luna Vice-Reitora Ângela Maria Paiva Cruz Secretária de Educação a Distância Vera Lúcia do Amaral Vice-Reitor Aldo Bezerra Maciel Coordenadora Institucional de Programas Especiais - CIPE Eliane de Moura Silva Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Diagramadores Bruno de Souza Melo (UFRN) Dimetrius de Carvalho Ferreira (UFRN) Ivana Lima (UFRN) Johann Jean Evangelista de Melo (UFRN) Mariana Araújo (UFRN) Projeto Gráfico Ivana Lima (UFRN) Revisora Tipográfica Nouraide Queiroz (UFRN) Revisora de Estrutura e Linguagem Rossana Delmar de Lima Arcoverde (UFCG) Ilustradora Carolina Costa (UFRN) Revisora de Língua Portuguesa Maria Divanira de Lima Arcoverde (UEPB) Editoração de Imagens Adauto Harley (UFRN) Carolina Costa (UFRN) Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - UEPB D585 Diniz, Célia Regina. Metodologia científica / Célia Regina Diniz; Iolanda Barbosa da Silva. – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP, 2008. ISBN: 978-85-87108-98-2 1. Metodologia científica I. Título. 21. ed. CDD 001.4 Copyright © 2008 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da UEPB - Universidade Estadual da Paraíba. Apresentação N a aula anterior estudou-se o Conhecimento Científico que foi abordado na perspectiva de sua construção, descobertas e implicações no cotidiano das pessoas e na sociedade como um todo. Nesta aula, vai-se estudar o caminho percorrido pelo saber científico em seu processo de construção e as possibilidades epistemológicas de produção da Ciência. Nesse caso, buscar-se-á como se produz ciência com o uso do Método Científico. O material desta aula virá acompanhado de orientações e atividades que buscam levá-lo ao conhecimento e reflexão em torno do caminho da ciência: o método científico. Desse modo: n elabore n busque n realize as atividades, sugeridas no material ao longo das aulas; ampliar seus estudos, consultando as leituras que virão indicadas; sua auto-avaliação da aula, utilizando-se do espaço disponibilizado. Nesse momento, vocês são convidados a percorrer os caminhos da ciência, conhecendo por meio da teoria o que é o Método Científico? Objetivos Pretende-se, ao final desta aula, que você tenha conhecido e compreendido que: 1 2 3 não há produção de conhecimento científico sem o uso do método científico; existem perspectivas diferentes na relação entre sujeito e objeto do conhecimento; o método científico torna-se o caminho para produção do saber científico. Aula 03 Metodologia Científica O que significa pensar usando método? Pense nisto!!! O homem ao pensar sobre o(s) fenômeno(s)/fato(s) que os circunda constrói hipóteses e elabora conjecturas em torno deles, buscando encadear as respostas por meio de argumentos lógicos. Ao procurar conhecer a(s) verdade(s) sobre o(s) fenômeno(s)/fato(s) o homem cria uma sistematicidade no modo de pensar sobre si e a sua relação com eles. Atividade 1 sua resposta Considerando sua experiência de professor, nesse momento você é convidado a pensar sobre a organização dos conteúdos de Geografia em um ano letivo no Ensino Fundamental II ou no Ensino Médio. Relate como se pensa e se ordena a distribuição desses conteúdos em sua escola. Aula 03 Metodologia Científica Reflita!!! O modo como você distribuiu o conteúdo está orientado por etapas sistemáticas de apreensão do conhecimento ordenadas por uma lógica de produção do saber científico. Essa lógica orienta o modo de conhecer os fenômenos que são estudados e a busca de verdades em torno deles. O saber elaborado trata de objetos empíricos, de coisas e de processos. O que é o Método Científico? A origem da palavra método é grega e significa um conjunto de etapas e processos a serem seguidos na apreensão ordenada da realidade na busca da verdade sobre os fenômenos/fatos investigados. Nesse caminho de conhecer há uma série de etapas (fases) para se tentar resolver um problema, tornado objeto de investigação. Quando se fala em método, busca-se explicitar quais são os motivos pelos quais o pesquisador escolheu determinados caminhos e não outros. Diante disso, se compreende que o método, no sentido geral, é um conjunto de ações, procedimentos e atividades sistemáticas que permitem o ordenamento e alcance de um objetivo no processo de construção do conhecimento na ciência. E que a questão do método diz respeito a pressupostos que fundamentam o modo de pesquisar e são anteriores a coleta de dados na realidade. Convidando Rubem Alves para discussão sobre o método científico, somos levados a um exercício de raciocínio. Observe: O que eu desejo que você anote é isto: a inspiração mais profunda da ciência não é um privilégio dos cientistas, porque a exigência da ordem se encontra presente mesmo nos níveis mais primitivos da vida. Se não necessitássemos de ordem para sobreviver não a procuraríamos. E é somente porque a procuramos que a encontramos. [...] Ordens distintas, regras diferentes, mundos diferentes. [...] Esta é a razão por que a ciência, desde os seus primórdios, tratou de inventar métodos para impedir que os desejos corrompessem o conhecimento objetivo da realidade. [...] cientistas que só trabalham com fatos, que só levam em consideração aquilo que pode ser visto, tocado e medido. [...]. (ALVES, 1994, p. 37-9) Aula 03 Metodologia Científica Atividade 2 Usando o raciocínio metódico apresentado por Rubem Alves sobre “as ordens distintas, regras diferentes e mundos diferentes,” analise a poesia de cordel O PLANETA ÁGUA de Manoel Monteiro , fazendo correlações entre fatos e registrando sua interpretação. Você sabia que é Preciso economizar Água doce de beber Porque senão vai faltar? E que é muito Provável Que água doce e potável Em breve possa acabar? Se sabia, muito bem, Senão vai ficar sabendo Que falta de cuidados Tem manancial morrendo, Uns, sujam a água que bebem E nem de longe percebem O mal que estão cometendo. Verificar o exemplo de procedimento para a inserção de nota de rodapé, de acordo com as normas da ABNT. A água não vai sumir Mas com o rio assoreado, Água suja, lixo exposto, Morro e campo desmatado, Lago com chumbo e mercúrio Com esse pincel expúrio O presente é mal pintado Água nunca foi nem é Um recurso renovável Por isso não desperdice Nossa doce água potável; O H²O bem composto Não tem gosto, mas seu gosto Tem sabor inimitável. [...] MONTEIRO, Manoel. O planeta água está pedindo socorro. Campina Grande, Pb: Gráfica Martins, 2005. Literatura de Cordel. Aula 03 Metodologia Científica Àgua pura de beber È bastante limitada, Àgua salgada tem muita Mas de toda água somada Pelo que já apurou-se Dois por cento é água doce O resto é água salgada. sua resposta [...] Reflita!!! O raciocínio metódico por você desenvolvido na análise da poesia estabeleceu correlações entre fenômenos cotidianos e fatos narrados no debate histórico de sua época sobre a escassez da água doce e potável. Esses fatos estão presentes na narrativa do discurso poético como espaço de informação e crítica social. Nesse caso, você atuou como um investigador na busca de relações entre fatos e acontecimentos cotidianos de sua realidade. Aula 03 Metodologia Científica A busca da verdade na concepção do método Pense nisto!!! A construção de verdades é o propósito da ciência, para isto ela se utiliza de métodos sistemáticos que concebem os seres e os fatos como estando interligados entre si por certas relações. Nesse caso, cabe ao método encontrar e reproduzir encadeamentos lógicos que desvendem essas relações por meio do conhecimento ordenado de leis e princípios científicos. Perceba que a busca da verdade na ciência moderna funda-se em pressupostos que valorizam a razão, experimentação e observação em torno da investigação de fenômenos/ fatos que nos levam a exercícios de raciocínio diferenciados. A Modernidade trouxe a valorização da experimentação e da observação aliada ao raciocínio como caminhos legítimos para se fazer ciência. Esse pressuposto considerava que o homem seria capaz de descobrir as causas dos fenômenos da natureza, descrevendo em leis gerais o seu modo de funcionamento. Entretanto, antes desse momento histórico, o pressuposto dominante não considerava a observação humana como uma possibilidade de produzir saber, pois o único conhecimento possível era dado por Deus ao homem, por meio da revelação. Conforme Alves (1994), Kepler decifrou o enigma do universo, descobrindo o segredo por meio de uma melodia poética; no entanto, foi Galileu que se tornou o especialista em decifrar metodicamente os códigos do universo afirmando “que o livro da natureza está escrito em caracteres matemáticos” (GALILEU apud idem, op. cit., p. 70). Veja-se o trecho de uma carta de Kleper (apud ALVES, op.cit, p. 73) falando sobre a melodia do universo: Os movimentos celestes nada mais são que uma canção contínua para várias vozes, percebida pelo intelecto e não pelo ouvido; uma música que, por meio de tensões discordantes, síncopes e ‘cadenzas’ [...] progride na direção de certas resoluções determinadas, estabelecendo assim certas marcas no fluxo imensurável do tempo. Não é de causar surpresa, portanto, que o homem, imitando o seu Criador, tenha, finalmente, descoberto a arte da notação musical, desconhecida dos antigos. O homem desejava reproduzir a continuidade do tempo cósmico dentro de uma breve hora, por Aula 03 Metodologia Científica meio de uma engenhosa harmonia de várias vozes, a fim de saborear uma amostra do prazer que o Criador Divino tem em Suas obras, e participar de sua alegria fazendo música na imitação de Deus. O pioneiro a tratar do método na ciência foi Galileu Galilei com o método experimental que consiste numa “indução experimental, chegando-se a uma lei geral por intermédio da observação de certo número de casos particulares” (LAKATOS; MARCONI, 2000, p. 47). Essa concepção de método vem contribuir com a consolidação da Ciência Moderna, conforme Alves (op. cit., p. 81) “[...], freqüentemente se ouve dizer que, em oposição aos filósofos metafísicos da Idade Média, a ciência moderna se caracteriza por seu amor aos fatos [...]”. Se o método, o caminho de conhecer da ciência, de Kepler tivesse sobressaído é bem provável que o olhar da ciência estivesse voltado para contemplação mística, andando de mãos dadas com músicos, teólogos e artistas, ao invés das possibilidades criadas com os códigos matemáticos de Galileu em tecnologias e técnicas que promoveram revoluções trazendo também implicações sociais questionáveis em seus resultados. Atividade 3 Outros gêneros textuais nos permitem conhecer os fatos da história da ciência, no caso vai-se buscar na Literatura de Cordel fragmentos dessa história. Leia os fragmentos dos versos de Gonçalo Ferreira da Silva (2005, p. 33-4) sobre GALILEU GALILEI e registre sua interpretação, relacionando-a à discussão da aula. [...] Pitágoras e Nicolau Copérnico, por excelência na vida de Galileu tireram grande influência, eram os três a dose tripla da mais pura inteligência. Verificar o exemplo de procedimento para a inserção de nota de rodapé, de acordo com as normas da ABNT. Galileu ao desprezar a caduca teoria do princípio geocêntrico grande mergulho daria nos mistérios insondáveis do campo da Astronomia. Cf. com ALMEIDA, Carla; MASSARANI, Luisa; MOREIRA, Ildeu de Castro (Orgs). Cordel e Ciência: a ciência em versos populares. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2005. Você sabia que Galileu só escapou da fogueira da inquisição da Igreja Católica porque desmentiu suas descobertas? Aula 03 Metodologia Científica Porém a contestação da aristotélica lei e o princípio heliocêntrico de Galileu Galilei de que a Terra é quem gira em torno do Astro-Rei. Provocaram tanto ódio, tão feroz ira mortal na cega Igreja Católica que seus ministros do mal conduziram Galileu Galileu ao tribunal. Diante do tribunal Galileu foi obrigado a dizer publicamente que havia se enganado contrariando o princípio que tinha formulado. Antes Galileu dissera com pura e sã consciência que a Igreja Católica tão pobre de competência não tinha elementos para intrometer-se em ciência. sua resposta [...] Aula 03 Metodologia Científica Reflita!!! Galileu tornou-se uma referência para Ciência Moderna; no entanto, sua concepção de método contribuiu para o desenvolvimento de uma ciência cujos desdobramentos e implicações sociais foram vistos na aula anterior. As bases epistemológicas do método científico Pense nisto!!! A Epistemologia como um campo da Filosofia se preocupa com a análise e crítica dos pressupostos metodológicos da Ciência Moderna. Nesse caso, torna-se importante o conhecimento dos fundamentos que orientam o modo de pensar e de abordar os fenômenos/fatos investigados pela ciência. Na discussão sobre os pólos que compõem o conhecimento científico aparece de um lado o homem que se propõe a conhecer (sujeito) e do outro a realidade a ser conhecida (objeto). Esse debate inaugura na Ciência Moderna caminhos para o conhecimento cujo foco está no sujeito, no objeto ou em ambos. Esses caminhos metódicos irão identificar as bases de construção do saber científico e da pesquisa científica na modernidade. A Epistemologia traz três perspectivas à compreensão da relação entre sujeito e objeto do conhecimento. São elas: o empirismo, o racionalismo e o interacionismo. a) O empirismo A compreensão em torno da verdade dos fatos nos encaminha para o conhecimento das causas e dos efeitos. David Hume (apud ALVES, 1994, p. 128) dizia: “[...] todos os objetos com que a razão pode se ocupar se classificam em duas gavetas: relação de idéias, o que nos abre o campo da lógica e da matemática e matérias de fato, o que nos conduz aos eventos do mundo exterior e suas relações.” Aula 03 Metodologia Científica O empirista Hume acreditava que os pensamentos sobre os fatos derivam de relações causais fundamentando suas análises em bases psicológicas do sujeito humano. Para ele a causa de um fenômeno decorre da observação de repetições de sucessões de eventos. Logo, supõe nessa perspectiva a primazia do objeto em relação ao sujeito, isto é, o conhecimento deve ser produzido a partir da forma como a realidade se apresenta ao cientista. Nesse sentido, as relações causais poderiam ser descobertas pelo investigador/ pesquisador tornando a verdade sobre os fatos uma realidade possível de se ordenar na experiência de observação dos fenômenos. No entanto, emerge nesse exercício metódico do saber científico um problema: por que tais relações ao serem percebidas e criadas pela experiência podem traçar caminhos diferentes? Considerando que as relações causais provocam estímulos tendo os seus efeitos compreendidos como respostas o investigador/pesquisador poderia metodicamente ordenar comportamentos na busca de respostas desejáveis ao processo de ensino e aprendizagem na educação formal. Veja-se a crítica de Alves (op. cit., p. 129) ao uso desse método: Não se pode negar que o conhecimento de causas seja extremamente eficiente. Elas são usadas constantemente por pais, educadores, torturadores, psicólogos e psiquiatras, vendedores, propagandistas, políticos, religiosos _ enfim, todas e quaisquer pessoas _ que desejam modificar (não importa que se alegue que a mudança é pra melhor!) o comportamento dos outros. Atividade 4 sua resposta Exercitando a crítica ao método causal assista ao filme Laranja Mecânica de Stanley Kubrick observando e relacionando os estímulos causais e as respostas esperadas no uso desse método. 10 Aula 03 Metodologia Científica Reflita!!!! A análise do filme permite uma compreensão dos métodos adotados nas práticas pedagógicas e como esses métodos está focado numa perspectiva de ciência e de conhecimento cujo sujeito do processo não é o educador nem o educando, mas os procedimentos metódicos e analíticos construídos por abordagens científicas orientadas por relações de causa e efeito. b) O racionalismo Nessa perspectiva o homem enquanto sujeito do conhecimento ou a sua atividade de conhecer em relação ao objeto por meio da sua capacidade de pensar e avaliar tomando a razão como parâmetro de conhecimento torna-se a referência de onde provém o saber. Nesse caso, a razão é quem conhece e as experiências são conhecidas. Em primeiro plano está o sujeito (pesquisador) que ordena a realidade; dito de outra forma, a realidade se constrói no pensamento para depois existir enquanto realidade vivida e experiência compreendida. Nessa perspectiva, a idéia de causa estaria na razão e seria a partir desse plano mental de idéias que a realidade poderia ser construída e conhecida como verdade pelo pesquisador. As idéias racionalistas trazem o sujeito pensante para o espaço da produção e construção do conhecimento, Carvalho et. al. parafraseando Descartes (2000, p. 24) diz: Assim, penso, logo existo, ou seja, minha certeza de existência decorre do fato de que eu estou pensando. Esta é uma idéia clara e distinta, dirá Descartes, uma vez que dela posso duvidar. Todas as idéias claras e distintas que descrevem as propriedades definidoras de um objeto são tomadas como verdadeiras e correspondem às coisas em si mesmas. Fecha-se, assim, o circuito da dúvida metódica: existe uma correspondência entre a matéria e a idéia. Na Crítica da razão pura (1999) Immanuel Kant considera que a ciência produz um conhecimento universal e que não se pode duvidar. A razão vem filtrar a realidade restringindo o acesso ao que ela permite, não há conhecimento das coisas em si mesmas, mas como elas aparecem diante do sujeito sobre a forma de fenômenos. Nessa perspectiva racionalista, o tempo, o lugar, a substância e a causalidade da razão são categorias anteriores à experiência humana. Sendo assim, é o sujeito que ordena metodicamente o conhecimento sobre si e sobre as coisas. Com Hegel, a razão é histórica e se construiu na oposição das idéias constituintes das transformações e mudanças nos espaços de luta, nas revoluções do século XVIII. Ele busca compreender racionalmente o movimento contraditório de negação (a tese, sua negação e a negação da negação) dos acontecimentos humanos, propondo uma dialética (método de Aula 03 Metodologia Científica 11 abordar os acontecimentos humanos) no plano do espírito, das idéias de uma época histórica. Hegel (1999) afirmava “que o real era racional e o racional era real”. Logo, a verdade estava no plano da razão e não da experiência de uma vida material. A crítica de Chalmers (2000, p.138) ao pensamento racionalista pode contribuir com o debate dessa aula. Veja-se: O racionalista extremado afirma que há um critério único, atemporal e universal com referência ao qual se podem avaliar os méritos relativos de teorias rivais [...]. São científicas apenas aquelas teorias capazes de ser claramente avaliadas em termos do critério universal e que sobrevivem ao teste. [...] A verdade, a racionalidade e a ciência, portanto são vistas como sendo intrinsecamente boas. A perspectiva racionalista limita a percepção do investigador prendendo-o a categorias fechadas (teorias e conceitos) do pensamento, isto traz implicações no caminho do conhecimento, particularmente em concepções pré-estabelecidas sobre os fatos que não consideraram as particularidades e as singularidades dos fenômenos humanos buscando generalizações e universalidade de verdades. Atividade 5 sua resposta Analisando o método racionalista na prática do educador no uso do material didático de Geografia disponibilizado pelas Secretarias de Educação se percebe que alguns conceitos são trabalhados nos livros didáticos independentes das particularidades regionais e locais. Descreva no espaço, a seguir, alguns conceitos trabalhados em Geografia nos quais você pode localizar um determinismo racionalista na busca de generalizações e universalismos. 12 Aula 03 Metodologia Científica Atividade 6 Observe a charge e estabeleça uma relação da iconografia com os desafios trazidos pela racionalização da vida contemporânea. Registre sua análise e interpretação no espaço indicado. sua resposta Verificar o exemplo de procedimento para a inserção de nota de rodapé, de acordo com as normas da ABNT. Jornal da Ciência, nº 595, 13/04/07. Disponível em < http://www.jornaldaciencia.org.br/charges.jsp. > Acesso em: 02 set. 2007. Aula 03 Metodologia Científica 13 c) O Interacionismo Essa perspectiva considera a produção do conhecimento numa interação entre sujeito e objeto do conhecimento. Nesse sentido o método torna-se um caminho marcado por intersecções entre o pesquisador e os fatos investigados, configurando a realidade como uma possibilidade de verdade. O conhecimento por ser uma dimensão interpretativa do sujeito e do objetivo que é múltiplo e plural torna-se verdadeiro em circunstâncias específicas e pode ser desconstruído ou ressignificado pelo pesquisador a partir do caminho que for traçado na investigação. As teorias e os conceitos são relativos aos contextos, às ideologias, às configurações históricas e às particularidades culturais. As verdades da ciência são relativas e historicamente contextuais e, portanto nunca neutras. Nesse caso, as ciências humanas não precisam se angustiar, pois o seu objeto de estudo é de natureza interpretativa e não há necessidade de se buscar uma objetividade pautada em um dos pólos do conhecimento. O cientista nessa perspectiva é um sujeito impregnado de valores e ideologias de sua época histórica e não um ser purificado das condições plurais que determinam a sua existência como homem e pesquisador, quebrando assim com uma suposta neutralidade científica enfatizada na perspectiva empirista e racionalista. Atividade 7 Como a perspectiva interacionista pode contribuir com uma análise da relação entre os sujeitos (professor e aluno) e o objeto (a aula de geografia) para superação de problemas de aprendizagem? Registre situações que caracterizem essa interação e como ela contribui com a aprendizagem no coletivo da sala de aula. Verificar o exemplo de procedimento para a inserção de nota de rodapé, de acordo com as normas da ABNT. Situação 1 Ver concepção de interação social na aula O1 de Leitura, Análise e Interpretação de Textos. 14 Aula 03 Metodologia Científica Situação 2 Reflita!!! A descrição e análise dessas situações permitem a você desenvolver um raciocínio metódico cuja perspectiva de caminho não está fundada na primazia do sujeito ou do objeto, mas numa possibilidade de interação entre eles na produção de um saber sobre a sua prática pedagógica. Concluindo a aula!!!!! Espera-se que você tenha compreendido, nessa aula, a importância do Método Científico para a construção do saber científico e possa vir a exercitar o uso do método na produção de seus conhecimentos e de suas pesquisas em sua formação universitária. Aula 03 Metodologia Científica 15 Sugestões de Leitura Orienta-se como leituras complementares as discussões apresentadas nesta aula: BERVIAN, P. A.; CERVO, A. L. Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo: MAKRON Books, 1996. Os autores apresentam no capítulo 2 – O Método Científico, uma discussão teórica sobre as noções e importância do estudo do método, os tipos e os processos de aplicação do método científico. LAKATOS, E. M; MARCONI, M. de A. Metodologia Científica. 3. ed. rev.ampl. São Paulo: Atlas, 2000. As autoras apresentam uma discussão teórica e densa no capítulo 2 – Métodos Científicos, dos conceitos clássicos sobre Método Científico estabelecendo um estudo comparativo entre os tipos de Métodos no processo histórico de construção da Ciência Moderna. Resumo Nesta aula, foram trabalhadas as concepções de Método Científico, conceito e definições a partir de um debate com autores clássicos da Metodologia Científica. As definições tornaram-se possibilidades interpretativas à construção de uma discussão sobre a Ciência Moderna. Nesse debate, resgatou-se as bases epistemológicas do Método Científico: o empirismo, o racionalismo e o interacionismo. O empirismo e o racionalismo partem do princípio de existência de uma realidade independente do ponto de vista do pesquisador e que deve ser por este alcançada, seja tomando como sua via principal de acesso à percepção ou a razão. Nas duas perspectivas, o sujeito (pesquisador) participa do processo de construção do conhecimento. Já o interacionismo estabelece como caminho para produção do conhecimento a interação entre sujeito e objeto do conhecimento. Nessa perspectiva, os pontos de vista se constroem na desconstrução de uma suposta ausência do pesquisador no campo de investigação. Essa possibilidade de caminho contribui com as pesquisas no campo das ciências humanas. 16 Aula 03 Metodologia Científica Auto-avaliação Comente o fragmento a seguir, refletindo após as discussões desta aula sobre o que é método científico? O método científico quer descobrir a realidade dos fatos e esses, ao serem descobertos, devem, por sua vez, guiar o uso do método. Entretanto, como já foi dito, o método é apenas um meio de acesso: só a inteligência e a reflexão descobrem o que os fatos realmente são. [...] O cientista, sempre que lhe falta a evidência como arrimo, precisa questionar e interrogar a realidade. (BERVIAN; CERVO, 1996, p. 21) Referências ALMEIDA, C.; MASSARANI, L.; MOREIRA, I. de C. Cordel e ciência: a ciência em versos populares. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2005. ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 20. ed. São Paulo: Brasiliense,1994. BERVIAN, P. A.; CERVO, A. L. Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo: MAKRON Books, 1996. CHALMERS, A. F. O que é ciência afinal? Tradução de Raul Fiker. São Paulo: Brasiliense, 1993. CARVALHO, A. M. et al. Aprendendo metodologia científica: uma orientação para os alunos de graduação. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000. DIONNE, J.; LAVILLE, C. A Construção do Saber. Tradução de Heloísa Monteiro e Francisco Settineri. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. HEGEL, F. W. Hegel. São Paulo: Nova Cultural, 1999. Coleção Os Pensadores. KANT, I. Kant. São Paulo: Nova Cultural, 1999. Coleção Os Pensadores. LAKATOS, E. M; MARCONI, M. de A. Metodologia Científica. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 2000. MONTEIRO, M. O planeta água está pedindo socorro. Campina Grande: Gráfica Martins, 2005. Literatura de Cordel. Aula 03 Metodologia Científica 17 Anotações 18 Aula 03 Metodologia Científica Anotações Aula 03 Metodologia Científica 19 Anotações 20 Aula 03 Metodologia Científica Metodologia Científica – Geografia EMENTA Conhecimento e Saber; O Conhecimento Científico e Outros Tipos de Conhecimento; Principais Abordagens Metodológicas; Contextualização da Ciência Contemporânea; Documentação Científica; Tipos de Trabalhos Acadêmico-Científicos; Tipos de Pesquisa; Aplicações Práticas. AUTORAS n Célia Regina Diniz n Iolanda Barbosa da Silva AULAS 01 O saber humano e sua diversidade 02 Ciência e Conhecimento 03 O caminho da ciência: o método científico 04 Os tipos de métodos e sua aplicação 05 O método dialético e suas possibilidades reflexivas 06 Leitura: análise e interpretação 07 Como organizar e documentar a leitura: esquemas, fichamentos, resumos e resenhas 08 Normalização na redação de trabalhos científicos – parte I 11 A pesquisa e a iniciação científica na universidade 12 Redação do projeto de pesquisa 2º Semestre de 2008 10 Normalização na redação de trabalhos científicos – parte III Impresso por: Texform 09 Normalização na redação de trabalhos científicos – parte II