SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 UM JORNAL A SERVIÇO DE SANTA LUZIA Número: 224/ GRÁTIS JEFFERSON BERNARDES/VIPCOMM www.jornalleiaagora.com.br Leia AGORA Homens trabalham na canalização da Av. Raul Teixeira OBRAS ADIANTADAS As obras de canalização da Avenida Raul Teixeira da Costa Sobrinho,no bairro Boa Esperança,estão a todo vapor e devem ser entregues à população local no final do próximo mês. O objetivo da obra é diminuir o trânsito na parte central de Santa Luzia. Do outro lado da cidade,no bairro Liberdade,os moradores comemoram o início da segunda etapa da obra que vai ligar a região à Avenida das Indústrias,com o intuito de também aliviar o trânsito na Avenida Brasília.PÁGINAS 4 E 5 ‘MINERAZO’ O JOGO QUE NUNCA VAI TERMINAR Depois do vexame na goleada de 7 x 1 para Alemanha , o futebol brasileiro virou chacota no mundo inteiro. O jogo que entrou para a história das Copas e que se recusa a terminar com o apito do juiz, será lembrado para sempre. Teses de especialistas e eternas discussões de mesa de bar jamais terão fim. Em Santa Luzia a decepção foi a mesma do resto do país, o LEIA AGORA acompanhou torcedores da cidade durante a vergonhosa partida, no Hotel Casa Nova.“É uma vergonha a forma como o Brasil entregou o jogo. Não é porque Neymar saiu que o time tinha que desestabilizar”, diz o empresário Josemar Santos, do bairro Maria Adélia. A seleção de Felipão merecia um final tão trágico? A pergunta que fica. PÁGINAS 6 E 7 Drenagem de água pluvial perto da Av. das Indústrias COMÉRCIO X COPA 1950/2014 REPERCUSSÃO COMERCIANTES LAMENTAM QUEDA DO MOVIMENTO NA AVENIDA BRASÍLIA DURANTE O MUNDIAL A DIFERENÇA ENTRE DERROTA E DESASTRE, PELO JORNALISTA E ESCRITOR ROBERTO ELÍSIO CONFIRA OS COMENTÁRIOS DOS FAMOSOS SOBRE O VEXAME BRASILEIRO NO MINEIRÃO PÁGINA 9 PÁGINA 8 PÁGINA 7 02 LEIA AGORA OPINIÃO SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 CARTA AO LEITOR HUMILHAÇÃO E FRACASSO Quem diria que jogando uma Copa em casa a Seleção Brasileira iria dar um grande vexame em campo? Ou melhor,tomar a quinta maior goleada da história das Copas? Ninguém esperava. Os 7 a 1 marcados pela Alemanha sobre o Brasil na última terça (8), no Mineirão, mais parecem um pesadelo sem fim que será carregado como uma verdadeira sombra por muitas gerações.Na página 6,os luzienses falam da humilhação sofrida pela seleção canarinho em campo e da indignação de ter deixado a Copa com uma verdadeira tragédia futebolística. E mais, na página 8, nosso colunista Roberto Elísio faz uma comparação entre o fantasma que representou a derrota na final da Copa de 1950 para o Uruguai, no Maracanã, e o drama vivido nesta semana no Mineirão, quando fomos facilmente batidos na semifinal pelos alemães. EXPEDIENTE Na página 4 a notícia é boa para os moradores do bairro Boa Esperança. Até o final do próximo mês, a Prefeitura Municipal promete entregar à população local mais uma fase da canalização da Avenida Raul Teixeira da Costa Sobrinho.O secretário municipal de obras,Alexsandro Wnuk,anunciou que os 1.600 metros da avenida, vão receber duas rotatórias com o objetivo de melhorar o fluxo de veículos no local. Do outro lado da cidade, no bairro Liberdade,os moradores comemoram o fim da primeira etapa da obra que vai ligar a região à Avenida das Indústrias, como mostra a reportagem da página 5. Na última semana, a prefeitura iniciou a segunda fase do projeto que deve ser entregue à população em oito meses e promete aliviar o trânsito na Avenida Brasília,no São Benedito. BOA LEITURA! Leia AGORA DIRETOR GERAL LUIZ THOMAZI DIRETOR JURÍDICO ARTHUR THOMAZI DIRETORA DE REDAÇÃO FLÁVIA THOMAZI MEMÓRIA DIRETORA COMERCIAL ANDRESSA THOMAZI SANTA LUZIA, DÉCADA DE 70 Os atletas do Vila Guilherme Vicente (goleiro), Márcio (Preto), Zé Moura (Dezinho), Milton Moura (Lico) e Mário Geraldo, após jogo em comemoração ao Dia das Mães no antigo campo Vila Guilherme, no bairro Frimisa, que homenageou dona Maria Azevedo (ao centro). REPORTAGEM: GISELLE ARAUJO E LUISA SANTOS CRONISTA: ROBERTO ELÍSIO CONTATOS COM REDAÇÃO (31) 3641-5634 / 8364-7194 [email protected] PARA ANUNCIAR (31)8364-4868 ENDEREÇO Rua do Serro, 457, Centro Santa Luzia - MG 04 LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 CIDADE A canalização de mais de 1.600 metros da Av. Raul Teixeira da Costa Sobrinho, no bairro Boa Esperança, está prevista para ser entregue no final do próximo mês Máquinas estão no local para o trabalho de retirada de pedras e entulhos Nos próximos dias, a prefeitura vai iniciar a pavimentação asfáltica na avenida OBRA ADIANTADA Canalização no Boa Esperança promete minimizar o fluxo de veículos na região central da cidade A canalização de mais de 1.600 metros da Avenida Raul Teixeira da Costa Sobrinho, no bairro Boa Esperança, está prevista para ser entregue à população local no final do próximo mês. Quem garante é o secretário municipal de obras, Alexsandro Wnuk, que visitou a obra na última segunda-feira (7). “Como a Copasa teve que fazer a ligação da rede de esgoto das casas a avenida e também tivemos paralisações na Copa, a obra atrasou um pouco e agora deve ser entregue à população no fim de agosto”, destaca. “Já estamos fazendo base e sub-base. Dentro de poucos dias, iniciaremos a pavimentação asfáltica”, acrescenta. De acordo com Wnuk, para prevenir buracos no novo asfalto da Raul Teixeira, a Secretaria Municipal de Obras asfaltou parte das ruas paralelas à avenida. “Parte das ruas Presidente Delfim Moreira, Redelvim Andrade, Café Filho, Afonso Pena, Getúlio Vargas e Castelo Branco receberam pavimentação asfáltica”, observa. "Estou achando ótima a canalização dessa avenida, porque vai trazer mais desenvolvimento, saúde e melhorar muito a vida de quem mora nas proximidades’’ “Moro no bairro Boa Esperança há cinco anos e sempre reclamei do mau cheiro do brejo, que agora, graças a Deus, vai acabar, com a implantação dessa avenida sanitária” ■ Maria das Graças Fernandes, de 53 anos ■ Maurina Costa, de 40 anos Todos esses benefícios estão agradando a dona de casa Maria das Graças Fernandes, de 53 anos, que há 15 é moradora do bairro Boa Esperança. “Estou achando ótima a canalização dessa avenida, porque vai trazer mais desenvolvimento, saúde e melhorar muito a vida de quem mora nas proximidades”, avalia. A também dona de casa Maurina Vieira Costa, de 40 anos, concorda com Maria das Graças e acrescenta que o mau cheiro vai acabar. “Moro no bairro Boa Esperança há cinco anos e sempre reclamei do mau cheiro do brejo, que agora, graças a Deus, vai acabar, com a implantação dessa avenida sanitária”, ressalta. E os benefícios não param por aí. De acordo com o secretário de obras, duas rotatórias se- rão feitas na Raul Teixeira. “Vamos ter dois retornos, cada um deles a 100 metros, sendo um para dar acesso a avenida Estância dos Lagos e outro para quem estiver saindo do condomínio e quiser seguir no sentido do bairro São Geraldo”, explica. A segunda etapa da obra na avenida Raul Teixeira que, ao todo, custará R$ 8 milhões à prefeitura, consiste na canalização do trecho que vai da linha da Fazenda Boa Esperança até a rotatória do São Geraldo, em frente ao depósito do Nica. “Essa etapa também já está sendo iniciada e deve ficar pronta em setembro”, garante Wnuk. “Nosso intuito com essa obra é retirar todo fluxo do Centro Histórico de Santa Luzia. Por isso, nosso projeto não se resume simplesmente à canalização da avenida Raul Teixeira. Para o próximo ano, vamos fazer uma estrada ligando a avenida Estância dos Lagos ao bairro Kennedy e, posteriormente, vamos ligá-la ao Novo Centro”, planeja Wnuk. 05 LEIA AGORA CIDADE SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 Faltam poucos destalhes para concluir a obra na Av. Dom Pedro I, no Chácaras Del Rey Máquinas já podem ser vistas trabalhando paralelas à Avenida das Indústria Prefeitura já deu início à drenagem de água pluvial para que o novo acesso do bairro Liberdade à Avenida das Indústrias seja entregue à população em oito meses SEGUNDA ETAPA INICIADA Prefeitura dá início à segunda fase do novo acesso que vai ligar o Liberdade à Avenida das Indústrias A segunda etapa das obras para o novo acesso que vai ligar o bairro Liberdade à Avenida das Indústrias, com o objetivo de melhorar o trânsito na Avenida Brasília, começou a ser executada pela Secretaria Municipal de Obras na última semana. A primeira etapa da obra, que consiste na pavimentação da avenida Dom Pedro I e rua Imperatriz Leopoldinense, ambas no bairro Chácaras Del Rey, até à Avenida Europa, no Baronesa, foi entregue à população na última semana, segundo o secretário municipal de obras, Alexsandro Wnuk. “Com essa primeira etapa concluída, conseguimos melhorar o acesso entre os bairros beneficiados e minimizar antigos problemas, como poeira, barro e buraco. Na avenida Dom Pedro I, no Chácaras Del Rey, fizemos sarjeta, gramado no canteiro central e drenagem superficial em cima do córrego que corta a via ”, destaca Wnuk. “Agora, demos início à drenagem de água pluvial na Avenida das Indústrias, atrás da empresa Rocca Brasil para, pos- "Acho muito importante a prefeitura investir em grandes obras como essa, que melhoram o acesso para pedestres e veículos e valorizam as casas da região’’ ’’Antes, aqui na Avenida Dom Pedro I, no bairro Chácaras Del Rey, não subia carro em época de chuva, e ninguém aguentava a poeira em tempos de seca. Hoje tudo mudou’’ ■ Daniel Luiz da Silva, de 66 anos ■ Wellington Crisólogo, de 35 anos teriormente, começarmos a pavimentação asfáltica até a Avenida Europa”, informa. O novo acesso terá 1,1 km de extensão, vias com 12m de largura, passeio na lateral es- querda, no sentido Avenida das Indústrias/bairro Liberdade, meio fio e sarjeta. Para que a obra chegue a esse ponto é preciso oito meses de espera, segundo Wnuk. “É uma obra de- morada, cheia de detalhes. Já estamos em negociação com cinco famílias que serão indenizadas e terão que deixar o local, ressalta. Quem vive na região está sa- tisfeito com o novo acesso à Avenida das Indústrias. É o caso do aposentado Daniel Luiz da Silva, de 66 anos. Para ele, que é morador do bairro Liberdade, a nova passagem vai valorizar os imóveis e melhorar o trânsito nos bairros beneficiados. “Acho muito importante a prefeitura investir em grandes obras como essa, que melhoram o acesso para pedestres e veículos e valorizam as casas da região. Agora só falta passar ônibus pra ficar 100%”, avalia. O motorista Wellington Crisólogo, de 35 anos, morador do bairro Baronesa, também aprova o novo acesso e faz um alerta quanto à sinalização. “Antes, aqui na Avenida Dom Pedro I, no bairro Chácaras Del Rey, não subia carro em época de chuva, e ninguém aguentava a poeira em tempos de seca. Hoje tudo mudou. Essa obra melhorou muito a vida de todos aqui. Contudo, é preciso implantar sinalização para se evitar acidentes, já que a via ficou muito rápida”, observa. LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 COPA NO BRASIL DAVID BACELAR 06 Surpresa e decepção marcaram a tarde do dia 8 no Hotel Casa Nova, em Santa Luzia, onde torcedores assistiram, perplexos, à goleada da Alemanha sobre o Brasil QUE VEXAME! Só no primeiro tempo, Alemanha faz 5 gols indefensáveis para o goleiro Júlio César Para Marcílio Aguiar o técnico alemão estou bem a seleção de Felipão DAVID BARCELAR ção. Parabéns para ele", diz. Outra torcedora que ficou decepcionada foi a estudante Thais Frossard, de 22 anos. "Achei mesmo que íamos ganhar a Copa, porque ouvi dizer que o evento estaria comprado", diz. O Brasil se despede do sonho do hexa dando um “show de decepção", como avalia o proprietário do Hotel Casa Nova, Eduardo Moreira. "Hoje não existe amor à camisa, mas sim ao dinheiro. Convocaram muitos jogadores estrelinhas, que gostam de um selfie (autorretrato, normalmente tomado com uma câmera digital de mão ou celular com câmera). É um aprendizado para eles saberem que futebol não é MBA, é jogo em equipe, com toque de bola bonito, muito treino e amor ao país", adverte. DAVID BARCELAR te com nossos jogadores", avalia a jovem. O Brasil, que pela segunda vez sedia um mundial, esperava acabar com o fantasma que representou a derrota na final da Copa de 1950 para o Uruguai, no Maracanã, mas foi facilmente batido na semifinal pelos alemães. "Para mim a derrota da seleção não foi nenhuma novidade, porque até o agora só tinha visto o Brasil ganhar aos trancos e barrancos", disse o paulista Dimitri Nogueira, de 45 anos, que assistiu à partida no Hotel Casa Nova, no centro. Quem concorda com Dimitri, mas acrescenta que esperava ver o Brasil na final do mundial, é o empresário, Marcílio Aguiar, de 45. "Estava acreditando que o Brasil chegaria à final, mas acho que o técnico alemão estudou muito bem a sele- DAVID BARCELAR O sonho de conquistar o hexa em casa acabou de forma desastrosa para a Seleção Brasileira em 8 de julho, no Mineirão. Derrotada pela Alemanha por 7x1, sendo os cinco primeiros gols aos 29 minutos do primeiro tempo, a equipe de Felipão vai deixar profundas feridas em mais de 200 milhões de brasileiros, que não esperavam por essa goleada histórica. "Não é porque Neymar saiu que a equipe tinha que se desestabilizar, até porque um jogador não pode carregar o time nas costas", desabafa o microempresário Josemar Santos, de 48 anos. A estudante Isabelle Viana, de 18, acredita que a saída de Neymar mexeu com o psicológico da equipe. "Todo mundo fala que Neymar é o cérebro do time, acabou que isso mexeu psicologicamen- AGÊNCIA ABR Luzienses lamentam derrota vergonhosa da seleção de Felipão no Mineirão Segundo Dimitri Nogueira, a derrota do Brasil não foi nenhuma novidade Eduardo Moreira, do Hotel Casa Nova: “Não existe amor à camisa” LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 COPA NO BRASIL FOTOS JEFFERSON BERNARDES/VIPCOMM 07 O JOGO QUE NUNCA VAI TERMINAR BRASIL 1 X 7 ALEMANHA REPERCUSSÃO ‘‘Alemães deram aula de futebol dentro e fora do campo’’ ■ Marcelo Tas, apresentador de TV. PESADELO DO HEXA No Mineirão espalhadas pelo Brasil, o que se viu foi uma torcida chocada e à beira das lágrimas diante da goleada imposta pelos alemães a um Brasil perdido em campo. A esperança de ganhar um Mundial dentro de casa foi desfeita em apenas cinco minutos, gol após gol da equipe de Kloze, Muller e Joaquim Low. O hexa virou um pesadeloe esse 8 de julho ganha um lugar na posteridade, ao Lado do Maracanazo e da tragédia do Sarriá. ‘‘Não vamos nos deixar alquebrar. Brasil levanta, sacode a poeira e dá volta por cima’’ ■ Dilma Rousseff, presidente ‘‘Nem com Neymar a gente se livrava do Minerazo’’ ■ Helio de La Peña , comediante ‘‘A derrota é para valentes que lutam. O fracasso é para os covardes. ■ Paulo Coelho, escritor ‘‘Tá parecendo jogo de fim de ano da escola do meu filho’’ ■ Giovanna Antonelli, atriz ‘‘Essa seleção não tem variação de jogada. Para Felipão e Parreira, meio a zero está bom’’ ■ Careca, Ex-jogador ‘‘Feio, feio e muito feio... tem de ter o segundo tempo?’’ ■ Xuxa, apresentadora ‘‘Foi normal o que se passou quando não se tem jogador para jogar’’ ■ Chilavert, ex-goleiro da seleção paraguaia Se até mesmo Felipão admitiu durante entrevista coletiva que a derrota do Brasil diante da Alemanha por 7 a 1 foi o maior vexame da história da Seleção Brasileira em Copas do Mundo,a tragédia não passaria em branco para os milhares de brasileiros conectados nas redes sociais. A seleção canarinho virou motivo de chacota na internet,deixando claro que a população está indignada com o péssimo futebol apresentado pelo Brasil na última terça-feira (8),no Mineirão. ‘‘Nem o Alemão mais otimista acertaria esse placar’’ ■ Luiza Possi, cantora ‘‘Que time horrível. Jogou aberto, mas não tem meio de campo. Vergonha’’ ■ Edmundo, ex-jogador ‘‘Nós tentamos ser respeitosos com o Brasil jogando futebol e marcando gols’’ ■ Schweinsteiger, volante da seleção da Alemanha ‘‘Perdemos, foi uma surra(...) mas dou parabéns ao Júlio César, que não teve nada com isso’’ ■ Valessa Popozuda, funkeira ‘‘É um jogo que acontece apenas uma vez na carreira de um jogador’’ ■ Klose, atacante da seleção da Alemanha ‘‘Entregarei o troféu de melhor em campo. Depois vou para terapia’’ ■ Tatá Werneck, atriz e comediante ‘‘Essa seleção poderia ter perdido o jogo e ser perdoada. Mas não desse jeito’’ ■ Alex Lala, ex-jogador americano ‘‘Dia para aprender e esquecer! Brasil em pane total e Alemanha deu um banho de bola’’ ■ Gustavo Kuerten, tenista Virou chacota ‘‘A alemanha fez algum gol no intervalo?’’ ■ Marcelo Rubens Paiva, jornalista e escritor ‘‘Ainda não estou acreditando no que aconteceu’’ ■ Rivaldo, ex-jogador 08 LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 COPA NO BRASIL/ARTIGO COPA DE 50 FOI TRAGÉDIA. COPA DAS COPAS, UMA VERGONHA NACIONAL AGÊNCIA BRASIL Roberto Elísio Os analistas esportivos mais lúcidos de todo o país são unânimes em reconhecer a absoluta inexistência de qualquer semelhança entre as duas copas mundiais realizadas no Brasil.Em 1950,data da primeira, a seleção brasileira foi derrotada pela do Uruguai, na partida final,pelo placar de 2x1. Uma tragédia marcou a inauguração, no Rio de Janeiro, na época Capital da República,do Estádio do Maracanã, então o maior do mundo,mas a catástrofe se resumiu exclusivamente ao aspecto esportivo,cobriu os jogadores daquele tempo de lágrimas e marcou,pelo resto da vida,a história do goleiro Barbosa, acusado de haver falhado no gol que desempatou o jogo a favor dos uruguaios, aos 32 minutos do segundo tempo. Na última terça-feira, em Belo Horizonte, no Mineirão, um dos vários estádios remodelados ou construídos no Brasil com o dinheiro do contribuinte (pelo que se sabe,só pelo que se sabe, já foram gastos pelo Governo Federal cerca de 50 bilhões de reais) para servirem de palco à decantada Copa das Copas, o que ocorreu foi uma vergonha nacional: além de não passar das semifinais para decidir o troféu em sua casa, a seleção brasileira foi simplesmente massacrada pela Alemanha, pelo vexatório e inacreditável marcador de7xl, cinco gols conquistados ainda no primeiro tempo do jogo, quatro dos quais num período de apenas seis minutos. A Copa das Copas, como a ela se referia euforicamente a presidente Dilma Rousseff, transformou-se num acontecimento em que se mesclaram o aspecto esportivo e a manipulação política, da qual os atuais detentores do poder no país esperavam extrair enormes dividendos com vistas às eleições que se realizarão este ano.A presença da esperteza política,aliás, não é manobra só de agora. Vem do tempo em que a Presidência da República ainda era ocupada pelo senhor Luiz Na semifinal de 2014, a seleção foi aniquilada pelo ótimo time da Alemanha em pleno MIneirão Inácio Lula da Silva, já então empenhado na vitória eleitoral da candidata por ele lançada à sua própria sucessão. Para pressionar a decisão da Fifa sobre o local da Copa de 2014, Lula mobilizou uma grande comitiva - da qual participou o hoje próspero empresário Pelé, o mais consagrado futebolista da história brasileira e que chegou, inclusive, a ser proclamado como "o atleta mundial do século". Logo após o anúncio da escolha do Brasil para sede da disputa, Lula correu logo às emissoras de televisão, para dizer, com sua conhecida falsa modéstia, que ele não merecia ser cumprimentado pelo fato:"Quem está de parabéns é a Dilma, porque a Copa vai ser realizada no governo dela". Na ocasião, ainda faltavam quase dois anos para a realização das últimas eleições presidenciais no Brasil. E a candidata Dilma Rousseff, uma quase desconhecida à época, acabou sendo eleita. Em 1950, data da primeira Copa do Mundo em seu terri- tório, o Brasil ganhou o Estádio do Maracanã, localizado no Rio de Janeiro. Depois da Copa e da derrota para os uruguaios, o Maracanã incorporou-se ao patrimônio do município do Rio de Janeiro. Em 2014, foi construído no Estado de São Paulo, com dinheiro dos impostos pagos pelos brasileiros, um monumental estádio, imediatamente incorporado ao patrimônio do Corinthians,o clube pelo fanaticamente torce - e não procura disfarçar sua preferência - o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva. É mais uma evidência de que nada existe de semelhante entre a Copa de 50 e a Copa das Copas, como foi batizada pela presidente Dilma Rousseff, agora candidata, com o apoio incondicional de Lula, à reeleição para mais quatro anos no comando da Presidência da República Federativa do Brasil. E mais: em 1950, o Brasil perdeu a final da Copa por 2x1, com todos os gols sendo marcados no segundo tempo. O Brasil abriu o placar com gol do craque Friaça, na época pertencente ao São Paulo. O Uruguai empatou através de Schiaffino, então considerado um dos maiores jogadores do mundo, tanto que logo depois se transferiu para o futebol italiano. Aos 32 minutos, apenas treze antes de terminar a partida, o ponteiro Ghiggia invadiu o campo brasileiro pela esquerda, driblou o lateral Bigode (que era titular do Fluminense) e fulminou o goleiro Barbosa,cedido à nossa seleção pelo Vasco da Gama. Em 1950,em pleno coração do Rio de Janeiro, capital da República, uma tragédia esportiva silenciou o Brasil inteiro, com a derrota, diante do Uruguai, pelo apertado placar de 2x1. Na última terça-feira, em Belo Horizonte, capital do Estado onde nasceu Pelé, "o atleta mundial do século", uma vergonha calou toda a nação, com a derrota diante da Alemanha pelo humilhante placar de 7x1, tendo o único gol do Brasil sido marcado aos 43 minutos do segundo tempo, apenas dois, portanto, antes do jogo acabar. 09 LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 COPA NO BRASIL PREJUÍZOS NA COPA Comerciantes registram queda no movimento na Avenida Brasília durante o Mundial Se bares, restaurantes, açougues e supermercados têm motivos para comemorar no balanço das vendas em julho, outros setores do comércio lamentam a temporada de Copa no Brasil - principalmente depois da tragédia na avenida Pedro I e do vexame da seleção na semifinal contra a Alemanha. "Pra gente que vive de comissão, a Copa trouxe prejuízo. As vendas caíram 50%", afirma Edailton Chamone, vendedor da loja Colchões e Saúde, localizada na Avenida Brasília. Segundo comerciantes da avenida, o movimento no comércio foi o pior em relação a outras temporadas do Mundial, realizadas em outros países. "Sábado é o melhor dia para o comércio e ter que fechar mais cedo, como ocorreu em dias de jogo da seleção, atrapalhou muito as vendas", afirma Rosemere Fernandes, em relação ao movimento na Banca Cultura, que funciona há 19 anos na Avenida Brasília. Não foi diferente na banca de eletrônicos Marcelo Games. Entretanto, segundo Helenice de Jesus, no o ponto comercial não registrou alterações muito significativas. Nem o setor de material esportivo ficou livre dos impactos negativos da temporada do Mundial, segundo GIlmar As vendas caíram 50% no trabalho de Edailton. Já na banca de Helenice, só produtos verde e amarelo tiveram saída "Acho que a Copa não influenciou nem para melhor nem para pior. Os produtos com referência às cores do Brasil saíram bem, mas, por outro lado, todas as vendas caíram em dias de jogo", avalia. Nem o segmento de produtos esportivos tem muito a comemorar por ocasião da Copa do Mundo no Brasil. Há seis anos na avenida, a Dijan Esportes registrou alta nas vendas de camisas da seleção, mas teve queda no comércio de produtos em geral. "O re- cesso dos clubes e escolas foi o que mais nos prejudicou, já que somos fabricantes e nosso foco são lojistas", ressalta o comerciante Gilmar de Oliveira. 10 LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 CULTURA SOUL DO BEM ACONTECE ■ SHOW NO SOLAR Após dois anos de apresentações solo nos projetos "Encontro dos Compositores" e "Experiência Autoral", o cantor e escritor mineiro Marco Antônio Neri prepara-se para um novo ciclo em sua carreira ao se apresentar na cidade em 19 de julho, às 20h, no Solar da Baronesa (rua Direita, 408, Centro Histórico), com entrada a R$ 5 (dinheiro). O evento, produzido pela Equipe ExperiênciAutoral, conta com as participações de Acácio Gonçalves e Hudson Abreu. Domingo é dia de música na Feirinha do Palmital. É na badalada Praça da Savassi que o Projeto Soul Du Bem abre espaço não somente para a música negra, como para os mais variados ritmos de artistas locais. "A base do projeto é o estilo black soul music, mas acreditamos na união dos artistas e produtores culturais locais, abrindo espaço para todos os estilos", explica uma das voluntárias do projeto, a moradora do Palmital, Vanessa Pereira. Há um ano, o projeto realiza atividades para promover e valorizar a cultura local. "O Soul Du Bem surgiu em maio de 2013, nascendo da necessidade de promover manifestações culturais e o resgate da cultura negra e periférica dentro do bairro, sem nenhum vínculo político ou partidário", ressalta Vanessa. Com nove integrantes, além de apoiadores e amigos, o grupo tem como meta, agora, angariar recursos para expandir a atuação do projeto. "Queremos submeter o projeto ao edital da Lei de Incentivo à Cultura do estado para tentarmos captar recursos através da empresas da região e fazer do Soul Du Bem uma atividade cultural itne- LEIA AGORA Com trabalho voluntário, grupo de jovens promove cultura e arte no Palmital ■ DEGUSTAÇÃO O Empório Casa de Vó realiza neste sábado (12), a partir das 10h, uma degustação com o chef João Salles. No empreendimento, localizado à rua Silva Jardim , 171, Centro (ao lado do Bar do Gaiola), encontra-se um mix de produtos caseiros, queijos regionais e importados, massas e salgados congelados, bons vinhos e cervejas especiais. ■ BELOS MOVIMENTOS Com voluntários e amigos do projeto, Vanessa (última à direita) trabalha para valorizar a arte negra rante nos 40 bairros mais pobres de Santa Luzia", planeja. Os voluntários se revezam para a execução das atividades, segundo Vanessa. "Organizamos as apresentações, tarefas, reuniões e outras atividades de acordo com a disponibilidade de cada um, contanto com amigos e muitas pessoas que contribuem de alguma forma. Os voluntários são produtores culturais, DJ's, dançarinos, arte- educadores e outros profissionais e lideranças." Para os próximos meses, o grupo está organizando um encontro para arrecadar fundos para o projeto. "Fazemos tudo com recursos próprios e de apoiadores e, como planejamos ampliar o alcance do nosso trabalho, estamos buscando mais recursos para promover artistas e fomentar a cultura nos lugares mais pobres da cidade." O balé oferecido na Bella Academia Mineira de Dança, localizada no bairro Bicas, vem fazendo sucesso com as crianças de Santa Luzia. Kamily Cristina, de 10 anos, é uma das 27 alunas. Há um mês frequentando as aulas, ela se mostra satisfeita com a própria evolução. “Os exercícios são bem legais, e algumas vezes exigem muito, mas estou dando conta”, avalia. Quem também faz aula na turma de Kamily é a pequena Raiane, de 7. A garotinha, que já está há três meses na Bella Academia, destaca o trabalho desenvolvido pela professora. “Izabella ensina muito bem. Quando crescer quero ser bailarina”, planeja. A Bella Academia Mineira de Dança oferece aulas de balé duas vezes por semana, de segunda a sábado, e está localizada na Avenida das Indústrias, 5.174, bairro Bicas, próximo ao portal. A escola de dança, que aceita pagamentos no cartão de crédito, funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h, e aos sábados, das 9h às 20h. Para mais informações ligue: (31) 3033-0473 / 8787-3444 ou acesse www.facebook.com/bellaacademiadedanca. 12 LEIA AGORA SANTA LUZIA, 11 A 18 DE JULHO DE 2014 GERAL CRÔNICA DE UMA CIDADE ROBERTO ELÍSIO DE CASTRO SILVA [email protected] A subida e a descida da montanha Certamente por ter tido sempre entre meus melhores amigos - e na grande maioria deles pessoas mais velhas , a cada dia vejo fortalecida a convicção de que a vida se expõe ao longo do tempo a uma faca de duas pontas.Ou de dois gumes,se preferirem.A primeira das fases da existência representa a subida de uma imaginária montanha,composta pela infância,a adolescência,a mocidade e os sonhos. Transcorre de forma lenta,morosa,demorada, pelo menos na ilusória avaliação de quem está passando por ela e ansioso por encurtar caminhos.A primeira ponta da faca,então,põe fim à escalada.A outra fase começa quando a idade madura inicia a montagem de sua barraca, indicando o rumo da descida irreversível.É a chegada da velhice,modernamente mais conhecida pela generosa denominação de terceira idade,ou,mais generosamente ainda,de melhor idade,tratamento que no fundo,significa quase uma homenagem póstuma antecipada. Seja que apelido tenha,velhice nunca deixará de ser velhice,essa inevitável e definitiva forma de solidão,anunciadora da proximidade da entrada em ação da segunda ponta da faca.Embora resistente à ideia de considerarme nessa última condição,às vezes fico assustado com certas deferências que recebo,como no caso do motorista - invariavelmente mais novo - que para o seu carro e me concede o pri- vilégio de atravessar a rua,ou da moça à minha frente na fila do caixa do supermercado, que cutuca suavemente o meu braço e diz, com discreto e educado sorriso:"O senhor tem preferência".Ultimamente,juro que não sei o motivo,esse tipo de histórias tem me ocorrido com acentuada frequência. Saudosista incorrigível,irrecuperável e assumido,ando constatando,estarrecido,perplexo e estupefacto,enormes vazios na paisagem humana que compunha a subida da minha montanha.Já está praticamente consumida pela ação impiedosa do tempo.Vêm à lembrança os companheiros do Grupo Modestino Gonçalves,do Ginásio Santa Luzia,das noites no Bar Natal e das madrugadas seresteiras pelas ruas escuras,quando,como no dizer da canção antiga,tudo era calmo,a cidade dormia e a ambição descansava.Alguns da mesma idade,outros tantos - e em maior parte mais velhos.Quantos já partiram para o andar de cima,deixando o térreo cada vez mais desabitado.Há poucos dias,um colega jornalista de épocas mais distantes teve a gentileza de me enviar uma foto da nossa turma responsável, na década de l970,pelos jornais falados da Rádio Guarani,principalmente o "Alta tensão",a principal atração noticiosa da emissora,que ia ao ar ao meio dia,de segunda a sexta.Os que ainda estão por aqui são pouquíssimos.No seu último livro - uma autobiografia - o ines- quecível escritor luziense José Bento Teixeira de Salles se referiu ao antigo grupo de alegres boêmios que se reuniam todas as noites na Gruta Metrópole,famoso ponto de encontros molhados na lendária Rua da Bahia,em Belo Horizonte.De trinta frequentadores relacionados,restavam três.Como Bento nos deixou em agosto do ano passado,só ficaram dois.Não vou citar os nomes,para não preocupar meu companheiro de dupla.O que fazer? De minha parte,recorro a Beto (Roberto),Júlia e Jojô (Joana) meus três netos adoráveis,em companhia dos quais consigo realizar a façanha de voltar à infância.No período das férias escolares,porém,amargo a ausência deles.Em companhia dos pais e da avó materna,viajam sempre.Avesso a maiores deslocamentos,permaneço na base,ainda que "solitário e triste, ao ribombar do trovão".Em dezembro passado,os netos foram,pela segunda vez,passar as férias na Disney,nos Estados Unidos,onde o avô nunca foi e nem pretende ir.Diante da delicada insistência dos pequenos para que também me integrasse à comitiva,escapei pela tangente,também delicadamente:"O vovô não pode ir,não.Pelo regulamento da Disney, lá só pode ter um Pateta.Se o vovô for,serão dois". Neste fim de junho/início de julho,aproveitando as férias dessa desastrosa Copa do Mundo para os brasileiros,eles foram conhecer Gramados,no Rio Grande do Sul,para patinar no gelo.O diálogo convite-recusa voltou a se repetir:"Agora você vai,né vovô"? Não fui,mediante a seguinte explicação:"A esta altura do campeonato da vida,o único gramado que continua me atraindo é o do campo do Santa Cruz". Nada mais disse,nem me foi perguntado...