Atlantic Islands Neogene Internacional Congress 12 a 14 de Junho de 2006 Universidade dos Açores Ponta Delgada e Workshop “Paleontology in Atlantic Islands” 15-25 de Junho de 2006 Santa Maria Marine Paleobiogeography Working Group Departamento de Biologia Universidade dos Açores Outubro de 2006 2 Organização: - Professor Doutor António Manuel de Frias Martins 1, 2 - Doutor Sérgio Ávila 1, 3, - Dra. Patrícia Madeira 3 4 1 Departamento de Biologia, Universidade dos Açores 2 Sociedade Afonso Chaves, Ponta Delgada, Açores 3 MPB - Marine Paleobiogeography Working Group (University of the Azores) 4 Centro do IMAR da Universidade dos Açores, 9901-862 Horta, Azores Secretariado: - Nuno Mendes 3 - Carla Melo 3 Comissão Científica do Workshop “Paleontology in Atlantic Islands” - Santa Maria (15-25 de Junho de 2006): - Professor Doutor António Manuel de Frias Martins (Universidade dos Açores). - Doutor Sérgio Ávila (Universidade dos Açores). - Dra. Patrícia Madeira (Universidade dos Açores). - Doutor Mário Cachão (Universidade de Lisboa). - Doutor Carlos Marques da Silva (Universidade de Lisboa). - Doutor Francisco García-Talavera (Museo de la Naturaleza y el Hombre (Ciencias Naturales), Tenerife, Canarias, ESPANHA. - Doutor Michael Kirby (Smithsonian Tropical Research Institute), USA. - Doutora Cari Zazo (Museo Nacional de Ciencias Naturales, Madrid), ESPANHA. - Doutor Claude Hillaire-Marcel (GEOTOP - Université du Québec à Montréal (UQAM)), CANADÁ. - Professor Doutor Fabrizio Cecca (Université "Pierre et Marie Curie" - Paris VI) – FRANÇA. - Professor Doutor Sergio Raffi (Dipartimento di Scienze della Terra e GeologicoAmbiental, Universidade de Bologna) – ITÁLIA. 3 Participantes no Workshop “Paleontology in Atlantic Islands” - Santa Maria (15-25 de Junho de 2006): - Doutor Sérgio Ávila (Universidade dos Açores). Dra. Patrícia Madeira (Universidade dos Açores). Dr. Nuno Mendes (Universidade dos Açores). Doutora Anunciação Ventura (Universidade dos Açores). Doutor Mário Cachão (Universidade de Lisboa). Doutor Francisco García-Talavera (Museo de la Naturaleza y el Hombre (Ciencias Naturales), Tenerife, Canarias, ESPANHA. Doutora Cari Zazo (Museo Nacional de Ciencias Naturales, Madrid), ESPANHA. Doutor Michael Kirby (Smithsonian Tropical Research Institute), USA. Doutor Andreas Kroh (Museu de História Natural, Vienna), Áustria. Doutor Claude Hillaire-Marcel (GEOTOP - Université du Québec à Montréal (UQAM)), CANADÁ. Doutora Anne de Vernal (GEOTOP - Université du Québec à Montréal (UQAM)), CANADA. Professor Doutor Fabrizio Cecca (Université "Pierre et Marie Curie" - Paris VI) – FRANÇA. Professor Doutor Sergio Raffi (Dipartimento di Scienze della Terra e GeologicoAmbiental, Universidade de Bologna) – ITÁLIA. Dra. Mafalda Moniz e Dra. Rita Gago da Câmara (Ecoteca de Santa Maria). Dra. Vera Malhão (Universidade dos Açores). André Monteiro (aluno de Biologia, Universidade dos Açores). Ana Cristina Rebelo (aluna de Biologia, Universidade dos Açores). Cidalina Gomes (aluna de Biologia, Universidade dos Açores). Sandra Monteiro (técnica auxiliar do CCPA/(Departamento de Biologia da Universidade dos Açores). Imprensa: - Pedro Monteiro (Correio dos Açores). Equipa de Televisão: - “Em Foco Produção Audiovisual, Lda.”. Skippers: Dr. Paulo Luís (“Nerus”). Hugo (“Nerus”). Marco (Clube Naval de Santa Maria). 4 1 Introdução 1.1 Jazidas Fósseis de Santa Maria No remoto arquipélago dos Açores, a ilha de Santa Maria é a mais antiga (8,12 MA) e a única onde estão registadas jazidas fósseis. Estes depósitos fossilíferos caracterizam-se frequentemente pela sua riqueza e bom estado de conservação, pertencendo na sua grande maioria ao Miocénico-Pliocénico (e.g., Figueiral, “Pedraque-Pica”, Ponta Negra, Ponta da Malbusca, Ponta do Norte e Cré), embora também haja registos Plistocénicos (Prainha, Lagoinhas e “Pedra-que-Pica”) (Figura 1). O interesse por estas jazidas vem já desde o século XVI (e.g., Gaspar Frutuoso em “As Saudades da Terra”), com a extracção de calcários utilizados na construção (cal e lajes de pedra calcária). No entanto, a indústria de extracção do calcário, nunca teve uma grande expressão para além do mercado interno, devido à má qualidade da pedra extraída e dos difíceis acessos às jazidas, e acabou também por ser abandonada à medida que o acesso a calcário proveniente do continente se tornou mais fácil. Na segunda metade do século XIX surgem os primeiros estudos científicos, com a chegada de estudiosos alemães à ilha. Ao longo do século XX, a produção científica, embora prolífica, foi diminuindo gradualmente até ao quase completo esquecimento a partir da década de 1980. Com a viragem do milénio, as jazidas fósseis de Santa Maria adquiriram uma nova importância, com o reinício do seu estudo sistemático a partir de 1998 por parte do Doutor Sérgio Ávila, investigador do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores e do IMAR. Na sequência deste trabalho, no período entre 2002 e 2006, três expedições internacionais, foram organizadas por membros do grupo de trabalho “Marine Palaeobiogeography Working Group of the University of the Azores (MPB, Departamento de Biologia, Universidade dos Açores). Estas foram caracterizadas essencialmente pelo seu carácter científico, bem como pela divulgação à população local, por parte dos participantes nas sucessivas expedições, do património natural e único que urge preservar. Daqui resultaram vários artigos científicos e uma colecção de referência (DBUA-F), actualmente a mais completa sobre as jazidas fossilíferas de Santa Maria. Os vários especialistas que se deslocaram a esta ilha tiveram a oportunidade de verificar “in loco” a importância que os depósitos fossilíferos de Santa Maria representam, para a compreensão da história biológica das ilhas do Atlântico Nordeste. As palestras efectuadas no Clube Naval de Santa Maria 5 possibilitaram um maior contacto com a população local e, assim, proporcionaram a oportunidade de novas vias de comunicação, em particular com as associações não governamentais. Foi também realizado um parecer técnico para a protecção da “Pedreira do Campo”, que actualmente está classificada como “Monumento Natural Regional”. Esta zona de protecção reúne diversas características geológicas, biológicas e históricas, com uma antiga frente de exploração onde pode ser facilmente observada toda uma sequência de erupções vulcânicas e de deposições sedimentares. Engloba ainda uma gruta artificial (uma antiga furna de extracção de cal), o que torna esta reserva num local de potencial valor para o conhecimento quer da história natural quer da história social do arquipélago dos Açores. Estas características podem ser encontradas em muitas outras jazidas de Santa Maria (e.g., Ponta da Malbusca e Ponta das Salinas), no entanto apenas na Pedreira do Campo é fácil o acesso, permitindo a sua exploração pelo mercado turístico e possibilitando outras actividades de carácter didáctico-pedagógico. A atenção dada a todos os potenciais e riscos das jazidas de Santa Maria, provém de um renovado interesse científico que está apenas no seu início. Além da necessidade de continuar o estudo do património geológico de Santa Maria é imperativo redobrar os esforços para sensibilização das populações locais no sentido da sua importância e protecção, mas também para os potencias da sua exploração de carácter não destrutivo, apresentando-se como uma mais valia e não como algo nefasto para a economia local. 6 Figura 1. Localização das jazidas fossilíferas de Santa Maria e respectivas áreas ambientais a que estão integradas; Pedreira do Campo, Figueiral e Gruta Velha (Marvão), jazidas inseridas na área protegida do Monumento Natural Regional da Pedreira do Campo e na Reserva Natural Regional do Figueiral-Prainha); Macela,Prainha e Praia do Calhau (Praia Formosa), jazidas inseridas na Reserva Natural Regional do Figueiral-Prainha e na Reserva Natural da Baía da Praia; Ponta da Malbusca (Piedade), “Pedra que Pica” (Baixa do Sul) e Ponta do Castelo (Maia), jazidas inseridas na área Sítio de Interesse Comunitário da Ponta do Castelo; Ponta das Salinas (Figueiras); Ponta Negra (Baia de São Lourenço) inseridos na Reserva Natural da Baía de São Lourenço; Ponta do Norte, Baia do Tagarete (Lagoinhas) e Ilhéu das Lagoinhas, jazidas inseridas na área de Paisagem Protegida do Barreiro da Faneca e Costa Norte; Cré, jazidas inseridas na área de Reserva Natural da Baía dos Anjos (adaptado de Áreas Ambientais dos Açores, 2005). 1.2 Lista cronológica dos trabalhos publicados sobre os fósseis de Santa Maria A maioria dos autores que trabalharam os depósitos fossilíferos de Santa Maria, dedicaram maior atenção às jazidas do Miocénico. Neste grupo estão Bronn (1860, in Hartung, 1860), Reiss (1862), Mayer (1864), Cotter (1888-1892), Friedlander (1929), Berthois (1950, 1951, 1953), Ferreira (1952, 1955), Krejci-Graff et al. (1958), Zbyszewski et al. (1961), Zbyszewski & Ferreira (1961, 1962) e Mitchell-Thomé (1976). Na década de 1990, foram publicados dois trabalhos relacionados com os fósseis Quaternários de Santa Maria (García-Talavera, 1990; Callapez & Soares, 2000). 7 As jazidas fósseis Plistocénicas de Santa Maria foram intensivamente estudadas por Sérgio Ávila, desde 1999, tendo feito parte integrante da sua tese de doutoramento (Ávila, 2005). Deste trabalho, que envolveu a deslocação a Santa Maria por 11 vezes (1 em 1999, 4 em 2000, 3 em 2001, 2 em 2002 e 1 durante o ano de 2005) resultou a publicação do estudo sistemático dos moluscos marinhos fósseis (Ávila et al., 2002). Outros quatro artigos encontram-se neste momento em fase final de preparação. Estes dados, em conjunto com os estudos de Amen (2002) e Amen et al. (2005) permitiram um mais adequado conhecimento da paleoecologia da jazida da Prainha, em particular, do seu estrato de algas fósseis. O resultado mais visível deste esforço de investigação, foi o aumento do número de espécies de moluscos marinhos reportadas para o Plistocénico de Santa Maria que, em pouco mais de um século, passou de 9 (Mayer, 1864) para 101 (Ávila et al., submetido). (cf. Figura 2). 120 101 100 88 nº espécies novos registos 80 nº total de espécies 60 53 38 40 20 29 9 0 Mayer (1864) Zbyszewsky & Ferreira (1961, 1962) García-T alavera (1990) Callapez & Soares Ávila et al. (2002) (2002) Ávila et al. (submetido) Figura 2 Evolução do número de novos registos e número de espécies citadas por autor, e do número total de taxa/espécies correctamente assinaladas para o Plistocénico de Santa Maria. 1.3 Estudos de Paleontologia na Universidade dos Açores Por sugestão do Doutor Mário Cachão (Universidade de Lisboa), foi organizado e leccionado no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, o “1º curso de Paleontologia”, que decorreu entre 17-20 de Junho de 2002 e que foi leccionado por Carlos Marques da Silva e Mário Cachão (Fac. Ciências, Univ. Lisboa), a que se seguiu o 8 “I Workshop Marine Fossils of the Azores: future perspectives” que decorreu em Santa Maria, entre 21 e 27 de Junho de 2002. Desta expedição faziam parte 15 alunos da Universidade dos Açores, e um total de 10 investigadores (7 nacionais e 3 estrangeiros). Para este workshop foram ainda convidados os Doutores Jordí Martinell e Rosa Domènech (Universidade de Barcelona), e o Doutor José Madeira (Fac. Ciências de Lisboa). Durante este workshop, foi elaborado um parecer técnico que permitiu classificar a Pedreira do Campo (e também o Figueiral), como Monumento Natural Regional (Cachão et al., 2003). Entre 17 e 20 de Maio de 2005, decorreu no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores um curso avançado, leccionado pelo Doutor Fabrizio Cecca (Universidade de Paris VI), intitulado “Palaeobiogeography of marine fossil invertebrates: concepts and methods”, a que se seguiu o “II Workshop Marine Fossil Invertebrates of the Azores”, que decorreu em Santa Maria entre 20 e 22 de Maio. 2. Congresso Internacional “Atlantic Islands Neogene” Decorreu em Ponta Delgada, nas instalações da Universidade dos Açores, entre os dias 12 e 14 de Junho de 2006, um congresso internacional subordinado aos seguintes temas: 1) Paleobiogeografia: As ilhas Atlânticas como casos de estudo; 2) Variações do nível do mar e a sua influência na fauna e flora das ilhas Atlânticas; 3) Influência das glaciações na fauna e flora insulares;4) Paleoceanografia; 5) Processos e padrões de dispersão, colonização e especiação nas ilhas oceânicas; 6) O subestádio isotópico 5e nos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Mais informações podem ser encontradas no seguinte endereço: http://www.uac.pt/~cicia De referir que a maioria dos participantes neste Congresso, deslocaram-se posteriormente a Santa Maria, onde participaram no Workshop “Palaeontology in Atlantic Islands”. 9 3. III Workshop“Palaeontology in Atlantic Islands” Na sequência dos workshops anteriormente organizados pelo Doutor Sérgio Ávila e outros elementos do Departamento de Biologia decorreu na ilha de Santa Maria, entre 15 e 25 de Junho de 2006, o 3º Workshop Internacional, “Palaeontology in Atlantic Islands”. A lista de participantes compreendeu vários especialistas na área da paleontologia, provenientes de vários países, bem como um grupo de estudantes da Universidade dos Açores. A expedição foi ainda acompanhada pela Doutora Anunciação Ventura, directora do Centro de Conservação e Protecção do Ambiente (CCPA, Universidade dos Açores). A convite da organização do Workshop, as técnicas da Ecoteca de Santa Maria, Dra. Rita Gago e Dra. Mafalda Moniz puderam, sempre que possível, acompanhar as visitas às jazidas fósseis de Santa Maria, onde tiveram a oportunidade de observar em campo o trabalho dos especialistas, e discutir sobre a melhor forma de se trabalhar a jazidas em termos pedagógicos. Para registar os achados científicos, Pedro Monteiro, um fotojornalista já veterano neste tipo de acontecimentos, acompanhou diariamente os trabalhos de campo. Fez também parte deste Workshop uma equipa profissional de vídeo-reportagem da empresa “Em Foco Produção Audiovisual, Lda.” que pela primeira vez documentou, em formato profissional, os trabalhos de campo para posterior edição e produção de 2 programas televisivos de divulgação científica (meia hora) sobre os fósseis de Santa Maria. Dado que muitas das jazidas estudadas se encontram em locais só acessíveis por mar, incluiu-se uma equipa de skippers da empresa “Nerus”, que esteve também presente na primeira edição deste Workshop, em 2002. Contou-se ainda com a colaboração de skippers e barcos do Clube Naval de Santa Maria. A RTP-Açores acompanhou a expedição durante dois dias, tendo produzido uma reportagem que passou no Jornal da Noite do dia 25 de Junho de 2006. Esta expedição a Santa Maria, teve uma forte componente didáctico-pedagógica, com uma participação activa no trabalho de investigação, de alunos da Universidade dos Açores (ver lista de participantes). Como já é hábito, em Santa Maria, durante o Workshop realizaram-se no Clube Naval de Vila do Porto um ciclo de comunicações científicas entre que decorreu entre 16 e 23 de Junho (inclusive), que teve larga participação da população local. Os palestrantes 10 foram o Doutor Mário Cachão (17 de Junho), a Doutora Anunciação Ventura (20 de Junho), Doutor Andreas Kroh (22 de Junho) e Doutor Sérgio Ávila (24 de Junho). 4. Plano de trabalhos O III Workshop Internacional decorreu entre os dias 15 e 25 de Junho de 2006, logo após o Congresso Internacional “Atlantic Islands Neogene”, ocorrido na Universidade dos Açores (São Miguel). Os dias de chegada a Santa Maria (15 de Junho) e de partida para São Miguel (25 de Junho), foram reservados respectivamente para uma discussão final do plano de trabalhos da expedição e para as conclusões finais do Workshop. Na Tabela I, está exposto o plano de trabalho seguido nos restantes 9 dias, em que se teve a oportunidade de visitar e estudar 11 locais de valor paleontológico. A prioridade estipulada para a visita das jazidas variou entre as mais estudadas na última década (e.g., Prainha e Praia do Calhau, na Praia Formosa, e Lagoinhas, na Baía do Tagarete), e as menos conhecidas (e.g., Malbusca e Ilhéu das Lagoinhas); entre as com um registo fossilífero de maior qualidade a nível pedagógico (e.g., Miradouro da Macela e Pedreira do Campo) às mais exuberantes a nível paleontológico (e.g., “Pedraque-Pica”); ou ainda entre as jazidas mais antigas, pertencentes ao MiocénicoPliocénico e as mais recentes, do Plistocénico. Adicionalmente, embora um pouco fora do âmbito deste Workshop foi também dada alguma relevância às jazidas que compreendessem um valor histórico e social (e.g., Figueiral e Ponta do Castelo). As visitas estiveram condicionadas ao estado do mar. Não obstante, no geral, o plano de trabalhos não sofreu alterações de maior, dado que as condições climatéricas se mantiveram relativamente estáveis. O tempo dispensado em cada local visitado esteve também dependente do valor paleontológico, dimensões e variabilidade faunística do registo fóssil, das suas potencialidades para o ensino da paleontologia e compreensão da história geológica de Santa Maria, e ainda das condições de acessibilidade da jazida. À semelhança da edição de 2002, foram programadas algumas palestras, em que os oradores convidados, falaram sobre temas das suas experiências no campo da Paleontologia. Estas ocorreram no Clube Naval de Santa Maria, e estiveram abertas ao Público em geral. 11 Como o transporte dos participantes no Workshop em Santa Maria foi feito com o apoio da Câmara Municipal, as visitas às jazidas foram efectuadas no período entre as 9 horas e as 18 horas. Desta forma, foram postas à disponibilidade dos participantes viaturas alugadas, para a eventual conclusão de trabalhos fora do horário estipulado. Tabela I. Plano de trabalhos do 3º Workshop Internacional, "Palaeontology in Atlantic decorrido no período entre 16 e 24 de Junho de 2006 17 18 20 21 23 16 Junho 19 Junho 22 Junho Junho Junho Junho Junho Junho MiraPraia do douro da Calhau, Macela Prainha Ponta do LagoiMacela Castelo nhas Ponta “Pedra do Miradouro Prainha Cré Malbusca -queCastelo da Macela Pica” (Maia) Praia do Calhau Praia Pedreira do Malbusca do Pedreira Campo Calhau do Campo Islands", 24 Junho Figueiral e Pedreira do Campo Ponta do Castelo 12 5. Diário do Workshop Internacional “Palaeontology in Atlantic Islands” 16 de Junho de 2006 A jazida da Praia do Calhau (Figura 3), na Praia Formosa (Almagreira), foi escolhida como apresentação aos participantes do património paleontológico de Santa Maria. Localizada na linha de costa, a uma altitude entre os 2 a 4 m acima do actual nível das águas do mar, a poucos metros da estrada de acesso à Praia Formosa, esta jazida é uma das poucas jazidas pertencentes ao Plistocénico existentes em Santa Maria e a mais estudada nas últimas décadas. A Praia do Calhau reúne assim características ideais para o ensino e estudo dos fenómenos evolutivos em ilhas oceânicas em geral e da Paleontologia, em particular, no arquipélago dos Açores. Figura 3. Jazida da Praia do Calhau, Praia Formosa (Almagreira). Pormenor das filmagens efectuadas no local. À chegada à Praia do Calhau, os visitantes deparam-se com um conspícuo nível de algas calcárias fósseis (ver Figura 4), com cerca de 50-60 cm de espessura, característica mais evidente desta jazida, algo raro no conjunto de todas as jazidas estudas em Santa Maria. Os especialistas tiveram a oportunidade de estabelecer a estratigrafia desta jazida e de estudar in loco a comunidade fóssil associada. Os 13 moluscos bivalves são os invertebrados mais abundantes desta jazida, uma característica aliás comum às restantes jazidas visitadas por este Workshop. Os estudantes que acompanhavam a expedição tiveram a oportunidade de observar pela primeira vez não só as principais técnicas de investigação paleontológicas em campo, como também de descobrir o mais importante espólio do Plistocénico açoriano, e assim compreender como se caracteriza esta época no contexto insular. A amostragem contemplou alguns espécimes fósseis, para estudo da comunidade faunística ali presente, e também para uma posterior datação em laboratório, bem como contemplou recolha de amostras para uma colecção de referência que será posteriormente entregue ao cuidado da Ecoteca de Santa Maria. Foram ainda amostradas areias de origem biogénica para estudo de micro e de nano-fósseis. Figura 4. Algas cálcárias fósseis, e fauna fóssil associada, abundantes na jazida Praia do Calhau, Praia Formosa (Almagreira). A caminho da Praia Formosa fica o Miradouro da Macela (Almagreira), onde se encontra uma jazida fossilífera a cerca de 100 m de altitude (Fig. 5). Esta caracteriza-se essencialmente por moldes internos de bivalves, muito frágeis, e de baixo grau de preservação. Não obstante, têm um valor não só ao nível paleontológico no seu sentido mais restrito, mas também ao nível didáctico-pedagógico, pois é um dos raros locais onde se pode observar claramente fósseis de animais, essencialmente bivalves, na posição que possuíam em vida, mostrando um processo de fossilização in situ. 14 Figura 5. Jazida do Miradouro da Macela (Almagreira). A Pedreira do Campo (Vila do Porto) foi o terceiro local visitado pela expedição (Fig. 6). À semelhança da Praia do Calhau, esta jazida possui um razoável caminho de acesso, assim proporcionando óptimas condições para o estudo e ensino da paleontologia nos Açores. Esta jazida Miocénica permitiu aos participantes a oportunidade de observar e estudar um registo fóssil rico, proveniente de uma época geológica anterior ao primeiro local visitado. Sobre a jazida fóssil encontra-se uma sucessão de estruturas vulcânicas, também valiosa para o conhecimento e ensino da história geológica do arquipélago. Por exemplo, as lavas em almofada, que sinalizam uma antiga erupção submarina, podem ser agora observadas a quase 150 metros acima do actual nível do mar. Os cientistas com um preocupado interesse, renovaram elogios ao seu importante espólio geológico e biológico, característica aliás que levou à sua protecção governamental (Cachão et al., 2003). 15 Figura 6. Pedreira do Campo, Vila do Porto 17 de Junho de 2006 O quarto local visitado pela expedição internacional foi a Cré. Esta jazida localiza-se no lado norte da Ilha de Santa Maria, na freguesia de São Pedro. Esta área possui várias jazidas fósseis presumivelmente do Miocénico-Pliocénico, que se estendem por uma área considerável, tendo sido estudadas com alguma incidência na segunda metade do século passado. Não obstante, devido ao tempo limitado deste Workshop, a zona visitada restringiu-se à zona leste da Baía da Cré (Fig. 7), por vezes denominada por “Casa da Cré”. Foi neste local, que na 2ª edição destes Workshops de Paleontologia, em 2002, se encontraram alguns dos mais emblemáticos fósseis de Santa Maria. Dentre estes, podemos destacar fragmentos de ossos de baleia (Fig. 8a), os grandes Equinodermes Clypeaster altus (Fig. 8b) e os dentes de tubarão (Fig. 8c). Com excepção do primeiro exemplo, estes fósseis podem ser encontrados em outros locais de Santa Maria, como por exemplo, na jazida da “Pedra-que-Pica” ou na Malbusca. No entanto, estão aqui reunidos numa área de acesso relativamente fácil, permitindo a qualquer visitante observar estes espécimes raros e perfeitamente preservados. 16 Figura 7. Jazida da Baía da Cré (São Pedro). a b c Figura 8. Exemplos de fósseis encontrados na Baía da Cré (São Pedro). a) fragmento de osso de baleia (vértebra da mandíbula); b) Clypeaster altus; c) dente de tubarão. Os participantes tiveram a oportunidade de estudar o registo fóssil desta zona e observar in loco não só os grandes fósseis, anteriormente referidos, como também outros menos mediáticos, mas de igual importância paleontológica. Na jazida da Baía da 17 Cré podem ser encontrados indícios de alguma importância histórica das pedras calcárias utilizadas na construção civil em Santa Maria. Não só a frente da jazida estudada pelos paleontólogos foi sujeita antigamente a extracção, como também se pode encontrar na área uma velha casa (a “Casa da Cré”) construída com pedras provenientes da jazida fossilífera da Cré. Nesta jazida foi estudada a posição dos fósseis e a sua localização estratigráfica (Fig. 9). Foram também recolhidos espécimes fósseis para a colecção de referência, para o estudo da comunidade fóssil, e também para datação. Figura 9. Trabalhos realizados na Jazida da Baía da Cré (São Pedro). À noite, o Doutor Mário Cachão apresentou duas palestras no Clube Naval de Santa Maria (Fig. 10). Na primeira, sobre a Pedreira do Campo e o seu património geológico, foram explicadas à audiência presente as peculiaridades desta área, agora classificada como Monumento Natural, e a sua importância geológica. Na segunda, sobre o património geológico do arquipélago da Madeira, em particular alguns dos ilhéus de Porto Santo (Ilhéu da Cal e Ilhéu de Cima), este investigador ofereceu aos ouvintes uma oportunidade de comparação entre os dois arquipélagos portugueses, ao nível da sua história geológica e social. 18 Figura 10. Palestra apresentada pelo Doutor Mário Cachão, no Clube Naval de Santa Maria (Vila do Porto). 18 de Junho de 2006 A jazida da “Pedra-que-Pica” (Fig. 11) localiza-se na área da Baixa do Sul (Santo Espírito), no lado sul-sudeste da Ilha de Santa Maria. Em contraste com as jazidas anteriores, esta área não possui um acesso por terra que ofereça as necessárias condições de segurança, sendo o mar a via mais segura. O seu registo fóssil pode ser classificado como o mais exuberante encontrado em Santa Maria. Reúne uma fauna rica, perfeitamente preservada, pertencente ao Miocénico-Pliocénico e, ainda que em menor extensão, também ao Plistocénico. Podem ser encontrados exemplos de muitos grupos de animais, sendo de destacar os briozoários (Fig. 12a), corais, crustáceos, moluscos (Figs. 12b e 12c), equinóides, peixes e ainda icnofósseis (marcas de actividade biológica) (Fig. 12d). 19 Figura 11. Jazida da”Pedra-que-Pica” (Baixa do Sul, Santo Espírito). Mais uma vez, os espécimes aqui encontrados não são de forma alguma únicos desta jazida de Santa Maria, mas o seu estado de preservação e abundância relativa, torna esta jazida única, em termos paleontógicos. a c b d Figura 12. Exemplos de fósseis de invertebrados encontrados na jazida da “Pedra-quePica” (Baixa do Sul, Santo Espírito). a) Briozoários; b) Gastrópodes; c) Bivalves; d) icno-fósseis. 20 À semelhança da Pedreira do Campo, ainda que em menor extensão, também podem ser encontradas formações vulcânicas (Fig. 13) que, para muitos dos participantes, em muito engrandecem o valor geológico desta área. Figura 13. Dique lávico encontrado na jazida da “Pedra-que-Pica”, (Baixa do Sul, Santo Espírito). O nome “Pedra-que-Pica” provém dos pescadores locais, para dar ênfase ao facto de ser virtualmente impossível caminhar sobre a jazida de pés descalços. A jazida estende-se até à zona inter-marés, onde os resultados da erosão marinha podem ser facilmente detectados (Fig. 14). Os participantes tiveram a oportunidade de estudar a comunidade fóssil ali preservada, a natureza dos diferentes estratos, e ainda colectar espécimes para um estudo mais profundo em laboratório e para a colecção de referência (Fig. 15). 21 Figura 14. Exemplo de marcas de erosão natural num espécime de Clypeaster altus, frequentes na jazida da “Pedra-que-Pica” (Baixa do Sul, Santo Espírito). Figura 15. Trabalhos de campo na “Pedra-que-Pica”. Medição da altura dos estratos e da jazida fóssil (secção). 22 19 de Junho de 2006 A jazida da Malbusca (Piedade, Santo Espírito) localiza-se a cerca de 30 m de altitude, numa zona caracterizada por encostas de grande declive (Fig. 16). Em consequência da sua difícil acessibilidade, esta jazida é uma das menos estudadas da Ilha de Santa Maria. Ao contrário de outras jazidas localizadas no litoral, está relativamente protegida, em particular de agentes antropogénicos, pois a sua altitude e localização funcionam como uma defesa natural, dificultando o seu acesso. No entanto, esta zona da Malbusca parece ter sido alvo de extracção de cal num passado relativamente recente. Na encosta da ponta da Malbusca pode-se observar uma gruta artificial (ver Fig. 17) e ainda pequenas rochas calcárias espalhadas no topo da encosta, no que aparenta ter sido o local onde se partiriam as lajes trazidas das jazidas fossilíferas localizadas mais abaixo. Figura 16. Jazida da Malbusca (Piedade, Santo Espírito). Embora menos exuberante que a jazida da “Pedra-que-Pica”, esta jazida da Malbusca é rica em elementos fósseis. Os grupos animais, anteriormente referidos, estão aqui também aqui representados. As estruturas vulcânicas também aparecem mais uma vez a envolver a jazida. 23 Figura 17. Gruta artificial da Malbusca (Piedade, Santo Espírito). 20 de Junho de 2006 A sexta jazida visitada (Fig. 18), localiza-se nas imediações do antigo porto baleeiro da Ponta do Castelo, na Maia, extremo sudeste da ilha de Santa Maria. Relativamente pequena em extensão e menos exuberante que as anteriores, esta jazida passa totalmente despercebida à maioria dos visitantes, menos informados. Não obstante, com um olhar mais cuidado, todo um universo de pequenos invertebrados destaca-se da matriz negra e arenosa que caracteriza a jazida. Embora o seu estado de conservação seja frágil, podem ser facilmente colectados espécimes de pequenos corais (Fig. 19a), bivalves (Fig. 19b) e gastrópodes (Figs. 19c e 19d), dotados do mais fino e detalhado pormenor. 24 Figura 18. Jazida da Ponta do Castelo (Maia, Santo Espírito). a c b d Figura 19. Alguns exemplos de fósseis dos invertebrados mais comuns na Jazida da Ponta do Castelo (Maia, Santo Espírito): a) corais; b) bivalves ; c) e d) gastrópodes. À noite, a Doutora São Ventura ofereceu uma palestra no Clube Naval de Santa Maria sobre o ambiente açoriano (Fig. 20). Apresentou exemplos onde a ciência e a sociedade açoriana parecem trabalhar em conjunto. Expôs também alguns dos maus exemplos, com apresentação de situações concretas que, a longo prazo, resultarão na degradação do ambiente e do bem-estar dos açorianos. 25 Figura 20. Palestra apresentada pela Doutora Anunciação Ventura, no Clube Naval de Santa Maria. 21 de Junhode 2006 Do Miradouro da Macela, visitado no primeiro dia, pode-se avistar na encosta oeste, à mesma altitude, uma porção de terreno com colorações em tudo semelhantes à observada na jazida do miradouro (Fig. 21). Após uma pequena visita, os especialistas observaram fósseis com as mesmas características dos do registo fóssil do Miradouro da Macela (ver Fig. 22), permitindo assim dizer que a jazida do Miradouro é mais extensa do que anteriormente se suponha. 26 Figura 21. Vista para oeste da jazida da Macela (Almagreira). Figura 22. Fóssil de Bivalve, elemento da fauna fóssil comum, na Jazida da Macela (Almagreira). Já na jazida da Prainha (Fig. 23), os jornalistas da RTP-Açores foram convidados a acompanhar a expedição, no estudo paleontológico, e a ouvir a explicação dos especialistas sobre o que lhes era proporcionado observar. A jazida da Prainha, localizada numa pequena Baía, no sul de Santa Maria, pertence ao Plistocénico e é, em conjunto com as da Praia do Calhau e das Lagoinhas, o registo fóssil mais bem estudado 27 das últimas décadas. A fauna fóssil aqui encontrada é em tudo semelhante à encontrada na Praia do Calhau (Ávila et al., 2002). Figura 23. Jazida da Prainha (Almagreira). À semelhança de outras jazidas do litoral mariense, o registo fóssil da Prainha está exposto às intempéries de Inverno e a outros agentes de erosão característicos desta faixa costeira. Alguns dos participantes, para quem a Prainha e a Praia do Calhau não eram novidade, puderam constatar um recuo significativo das jazidas em relação ao mar. Na Praia do Calhau houve mesmo a oportunidade de observar grandes blocos de rochas sedimentar arrancados do seu seio e rolados pela acção do mar. Já a caminho de Vila do Porto, a Pedreira do Campo mereceu uma segunda visita. Neste local privilegiado para o estudo e ensino da Paleontologia nos Açores, os visitantes tiveram a oportunidade de observar de novo algumas das particularidade desta jazida. De salientar que este é, até ao momento, o único local em Santa Maria onde foi observada uma matriz onde os fósseis são quase inteiramente compostos por um tipo específico de pequenos fósseis, os macro Foraminíferos (Fig. 24). Os jornalistas tiveram a oportunidade de ouvir o porquê da importância em proteger esta área, bem como de saber um pouco mais da história geológica de Santa Maria que este local expõe. 28 Figura 24. Fósseis de Macro-foraminíferos abundantes no registo fóssil da jazida da Pedreira do Campo (Vila do Porto). Já em Vila do Porto e à noite, o Doutor Andreas Kroh apresentou duas palestras no Clube Naval de Santa Maria (Fig. 25). Na primeira, sobre o seu trabalho paleontológico em Equinodermes, foram explicadas as principais técnicas de estudo destes animais singulares, e o que se pode compreender através destes, sobre a história geológica de um determinado local. Na segunda palestra, este especialista falou sobre o património geológico de Oman. Figura 25. Palestra apresentada pelo Doutor Andreas Kroh, no Clube Naval de Santa Maria (Vila do Porto). 29 22 de Junho de 2006 O sétimo dia de expedição foi o dia escolhido para visitar o Ilhéu das Lagoinhas (Santa Bárbara, Fig. 26). Infelizmente, o estado do mar não o permitiu, embora tenha possibilitado uma aproximação suficiente para confirmar que o Ilhéu possui registo fóssil. Devido à sua localização geográfica (costa Norte) e às condições climatéricas usuais nesta zona da Ilha de Santa Maria, a jazida do Ilhéu das Lagoinhas é um dos registos fósseis menos conhecidos e estudados de Santa Maria. Figura 26. Ilhéu das Lagoinhas (Santa Bárbara). Apesar das condições climatéricas, foi possível fazer uma viagem de barco ao longo de toda a linha de costa de Santa Maria. Esta permitiu obter uma nova perspectiva sobre os vários estratos que formam a ilha, representantes de momentos precisos ao longo da sua história geológica. Os participantes desembarcaram no antigo porto baleeiro da Ponta do Castelo. Para os investigadores foi não só uma oportunidade de estudarem novamente in loco os pequenos fósseis desta jazida e de efectuarem novas recolhas, mas também de descobrir que esta jazida é maior do que inicialmente se supunha. Parcialmente obstruída por um deslizamento de terras, foi descoberta uma outra frente, onde a estratigrafia se manteve melhor preservada que a secção anteriormente conhecida. 30 Aproveitando a presença do barco, os visitantes rumaram à jazida da Malbusca. Nesta, foram estudados novos aspectos da estratigrafia e colectados espécimes para um estudo mais profundo em laboratório, bem como para a colecção de referência. 23 de Junho de 2006 A jazida das Lagoinhas localiza-se na zona oeste da Baía do Tagarete (Santa Bárbara), a norte de Santa Maria e foi o décimo local visitado durante este Workshop. Esta jazida Plistocénica é, em conjunto com as da Praia do Calhau e da Prainha, o registo fóssil mais bem estudado das últimas décadas (Ávila et al., 2002; Ávila, 2005). Quando comparado com as restantes jazidas da mesma época, o registo fóssil é de menores dimensões, mas no geral possui características semelhantes, como por exemplo a camada de algas fósseis, ainda que com uma menor espessura, não ultrapassando geralmente os 30 cm (Fig. 27). No regresso a Vila do Porto, a jazida da Praia do Calhau, a sul, foi de novo visitada, tendo-se estabelecido correspondências com a jazida das Lagoinhas, a norte. Figura 27. Camada de algas calcárias encontrada na jazida das Lagoinhas (Santa Bárbara). 31 24 de Junho de 2006 No penúltimo dia do Workshop internacional de Paleontologia, os participantes visitaram um dos locais mais emblemáticos do espólio paleontológico de Santa Maria. De todas a jazida fósseis visitadas, a Furna de Cal do Figueiral (Fig. 28) é um dos locais com maior relevância ao nível histórico. Na obra de Gaspar Frutuoso, datada do século XVII, podem ser lidas passagens sobre a extracção de lajes e de cal no Figueiral. Actualmente abandonada, despojos desta indústria extractiva podem ser ainda encontrados nas imediações, nomeadamente as ruínas de um antigo forno de cal, construído com pedras provenientes da mesma furna. Figura 28. Furna de Cal do Figueiral, Vila do Porto. O grande valor histórico do local só pode ser comparado à importância geológica do seu registo fóssil. Não obstante quase três séculos de indústria extractiva, este local ainda mantém a estrutura estratigráfica e uma grande riqueza em espécimes fósseis, usualmente pequenos bivalves Pectinídeos (Fig. 29). Apesar de abundante, a riqueza específica é reduzida. 32 Figura 29. Bivalves Pectinídeos encontrados na Furna de Cal do Figueiral (Vila do Porto). A tarde foi reservada para a conclusão dos estudos na jazida da Ponta do Castelo. A descoberta da nova frente, veio não só a alterar a perspectiva sobre as dimensões da jazida, mas também sobre a composição faunística. Desta forma, os fósseis presentes nesta nova área foram reanalisados assim como a sua disposição nos vários estratos. À noite, em conferência de imprensa, o Doutor Sérgio Ávila apresentou uma palestra sobre a investigação paleontológica que o MPB - Marine Paleobiogeography Working Group (University of the Azores) tem vindo a desenvolver em Santa Maria (Fig. 30). Figura 30. Palestra apresentada pelo Doutor Sérgio Ávila, no Clube Naval de Santa Maria. 33 Em seguida, procedeu-se ao encerramento do 3º Workshop “Palaeontology in Atlantic Islands” com uma Mesa Aberta que contou com a participação da presidente da Câmara de Vila do Porto, Dra. Nélia Figueiredo, intitulada “Paleontologia em Santa Maria: o Passado e o Futuro”, em que foram discutidos os primeiros resultados deste Workshop e, à luz destes, se falou sobre o futuro do estudo científico das jazidas de Santa Maria. 34 6 Agradecimentos Agradecemos a ajuda inicialmente prestada ao Doutor Sérgio Ávila pelo Sr. Dalberto Pombo, um dos maiores naturalistas dos Açores e responsável pelo incutir em várias geração de jovens de Santa Maria, o “bichinho” pelo estudo do património natural dos Açores. Daí que, já em 2002, se tenha proposto no final do 2º Workshop a devida homenagem a este mariense, com uma sala “Dalberto Pombo” na “Casa dos Fósseis” (proposta de museu para Santa Maria). Agradecemos ainda a ajuda sempre prestada pelo Clube Naval de Santa Maria, quer no apoio com embarcações e “skippers” - obrigado Marco! - quer na cedência das suas instalações para as várias palestras efectuadas durante o Workshop. Agradecemos ainda o apoio logístico dado pela Câmara Municipal de Vila do Porto, bem como o interesse manifestado pela Ex.ª Sra. Presidente, Dra. Nélia Figueiredo, nos trabalhos de investigação que temos vindo a efectuar ao longo dos últimos 8 anos em Santa Maria. Agradecemos ainda a ajuda dada pelos alunos da Universidade dos Açores (Dra. Vera Malhão, Ana Cristina Rebelo, André Monteiro e Cidalina Gomes) na recolha de fósseis, bem como nas triagens que ainda estão a decorrer neste momento. Agradecemos também a ajuda dada pelos Dra. Carla Melo, Sandra Monteiro e Dr. Nuno Mendes na logística e efectivação deste Workshop. Um agradecimento especial aos “skippers” da “Nerus”, Dr. Paulo Luís e Hugo, pela disponibilidade e vontade em que o trabalho decorresse sempre pelo melhor, bem como ao Pedro Monteiro, repórter fotográfico que nos acompanha nestas expedições desde o 1º Workshop e cujo trabalho fotográfico documenta este relatório. Por último, agradecemos o apoio financeiro dado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (Direcção Regional do Ambiente, Açores), Direcção Regional da 35 Ciência e Tecnologia, FCT-Fundação para a Ciência e a Tecnologia, CCPA-Centro de Conservação e Protecção do Ambiente (Universidade dos Açores) e Geo-Fun. O Doutor Sérgio Ávila é actualmente suportado por uma bolsa de pósdoutoramento SFRH/BPD/22913/2005 (FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia) e a Dra. Patrícia Madeira é suportada pelo projecto “Geo-Monumentos”, apoiado financeiramente pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (Direcção Regional do Ambiente, Açores). 36 10. Bibliografia ABDEL-MONEM, A. A., L. A. FERNANDEZ & G. M. BOONE, 1975. K-Ar ages from the eastern Azores group (Santa Maria, São Miguel and the Formigas Islands). Lithos, 8: 247-254. ADEY, W. H., 1979. Coralline algae as indicators of sea-level. In PLASCHE, O. VAN DE (Ed.). Sea-level research, a manual for the collection and evaluation of data: 229-280. 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