CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Mestrado em Modelagem Matemática e Computacional MINIMIZAÇÃO DO CUSTO ENERGÉTICO DE UM FORNO DE REAQUECIMENTO DE TARUGOS UTILIZANDO ALGORITMOS GENÉTICOS Autor: HARLEY SÂNIO OLIVEIRA DOS SANTOS Belo Horizonte - MG 2013 ii CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS MESTRADO EM MODELAGEM MATEMÁTICA E COMPUTACIONAL Minimização do Custo Energético de um Forno de Reaquecimento de Tarugos Utilizando Algoritmos Genéticos Autor: Harley Sânio Oliveira dos Santos Orientador: Professor Dr. Rodrigo Tomás Nogueira Cardoso Co-Orientador: Professor Dr. Paulo Eduardo Maciel de Almeida Belo Horizonte - MG Agosto de 2013 iii AGRADECIMENTOS Agradeço principalmente a Deus, por me guiar neste e em todos os desafios de minha vida. Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Rodrigo Cardoso, pelos ensinamentos e principalmente pelo incentivo fundamental para a realização deste trabalho. Ao meu co-orientador, Prof. Dr. Paulo Almeida, pela grande contribuição e visão diferenciada. Aos engenheiros Tiago Mascarenhas, Marcelo Teixeira, Tarciso Menezes e André Guimarães pelo apoio e grande confiança em mim depositada. Agradeço a todos os meus colegas de curso que sempre me apoiaram. Gostaria de agradecer a toda minha família. A minha mãe, Fátima, meu pai, Hélio e ao meu irmão, Álisson, pelo apoio incondicional. À minha noiva Susana Costa pelo carinho e apoio nessa trajetória. Ao meu grande amigo, Marcos Cunha, pelos ensinamentos, amizade e parceria, fundamentais durante este trabalho. Ao engenheiro Edgar Souza pela amizade e grande ajuda com bibliografia sobre fornos. Por fim, agradeço a todos que de forma direta ou indireta contribuíram para este sonho. iv RESUMO Nas indústrias siderúrgicas, diversos produtos como perfis e vergalhões são produzidos em processos de laminação a quente a partir de tarugos de aço. Para que se possam atingir as propriedades metalúrgicas, mecânicas e dimensionais do produto final, é necessário que esses tarugos estejam à temperatura adequada ao serem laminados. Nesse contexto, os fornos de reaquecimento de tarugos têm o objetivo de aquecer o aço da temperatura, em geral, ambiente até a desejada. A operação racional e econômica dos fornos de reaquecimento exige que o processo seja conduzido de forma a minimizar o consumo de combustíveis, sem, contudo, afetar a homogeneidade de encharque térmico do material e respeitando as restrições do processo. Por esse ângulo, a operação dos fornos de reaquecimento se transforma em um problema de otimização, cujo objetivo é minimizar o custo com combustíveis, atendendo as restrições do processo (capacidades e temperatura desejada). O objetivo desse trabalho foi desenvolver métodos de otimização capazes de encontrar o ponto ótimo para a operação de fornos de reaquecimento, respeitando as restrições do processo. Para caracterização do problema de otimização, foram desenvolvidos modelos matemáticos que regem o processo. Na elaboração desses modelos, foram utilizados conceitos de transferência de calor e métodos de identificação de sistemas dinâmicos. Foram realizadas simulações utilizando o modelo matemático desenvolvido e os resultados foram validados com valores reais da operação de um forno de uma usina siderúrgica. Após definição dos modelos matemáticos, foram propostos dois métodos para solução do problema de otimização não-linear, baseados em Algoritmos Genéticos. A utilização do otimizador durante a operação do forno representou uma redução de 3,36 % no consumo de combustíveis nos testes realizados. PALAVRAS-CHAVE: Otimização Reaquecimento de Tarugos. Não-linear, Algoritmos Genéticos, Fornos de v ABSTRACT In the steel industry, lots of products such as profiles and rebar are produced in hot rolling process from steel billets. In order to achieve the metallurgical, mechanical and dimensional properties of the final product, these billets must remain at proper temperatures for specific times. In this context, the reheating furnaces are designed to heat the billets from initial temperature, in general warm, to the desired temperature. The rational and economical operation of reheating furnaces requires the process to be conducted in order to minimize fuel consumption, without however affecting the homogeneity of the billet’s temperature. Thus, the operation of reheating furnaces can be seen as a complex optimization problem whose goal is to minimize the costs with fuel, given the constraints of the process (skills and desired temperature). The objective of this work is to develop an optimization algorithm able to find the flow of fuel to be consumed, which represents the lowest cost and ensures that the billets will be rolled at the proper temperature, respecting the maximum capacity of the fuel and the maximum internal temperature permitted for the furnace. Thus, a mathematical model of the reheating process was developed using the concepts of heat transfer theory and methods of identification of dynamic systems. Simulations were performed using the developed mathematical model and the results were validated with a real reheating furnace. Finally, methods have been developed based on genetic algorithms to solve the problem of nonlinear optimization, proposing specific operators for the developed model. Practical results showed that the use of the optimization algorithm for the operation in a real furnace represented 3.36% of average reduction in fuel consumption, when compared to the standard operation. Keywords: nonlinear optimization, genetic algorithms, reheating furnaces, energy consumption. vi SUMÁRIO AGRADECIMENTOS .......................................................................................................... iii RESUMO ............................................................................................................................. iv ABSTRACT .......................................................................................................................... v SUMÁRIO............................................................................................................................ vi LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................... ix LISTA DE TABELAS ......................................................................................................... xii 1 2 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 1 1.1 Objetivos gerais ....................................................................................................... 3 1.2 Objetivos específicos ............................................................................................... 3 1.3 Organização da dissertação ...................................................................................... 3 DESCRIÇÃO DO PROCESSO ...................................................................................... 4 2.1 Fornos de reaquecimento de tarugos ........................................................................ 4 2.1.1 Fornos pusher ................................................................................................... 4 2.1.2 Forno contínuo tipo viga ou soleira móvel (walking beam ou walking hearth) .. 5 2.2 Zonas de controle dos fornos de reaquecimento ....................................................... 6 2.2.1 2.3 Zona de pré-aquecimento .................................................................................. 7 Zona de aquecimento ............................................................................................... 7 2.3.1 Zona de homogeneização .................................................................................. 8 2.3.2 Injeção de combustíveis .................................................................................... 8 vii 2.3.3 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 11 3.1 Modelagem e otimização de fornos de reaquecimento ............................................ 11 3.2 Princípios de otimização ........................................................................................ 14 3.2.1 3.3 4 Operação do forno de reaquecimento estudado.................................................. 9 Otimização mono-objetivo .............................................................................. 14 Algoritmos Genéticos ............................................................................................ 15 3.3.1 Codificação..................................................................................................... 16 3.3.2 Cruzamento .................................................................................................... 16 3.3.3 Mutação .......................................................................................................... 16 3.3.4 Avaliação........................................................................................................ 17 3.3.5 Seleção ........................................................................................................... 18 3.3.6 Fluxograma básico do AG .............................................................................. 18 3.3.7 Parâmetros do AG........................................................................................... 19 METODOLOGIA ........................................................................................................ 20 4.1 Modelo matemático do reaquecimento de tarugos .................................................. 20 4.2 Modelo entre a temperatura interna do forno e as vazões dos combustíveis ............ 24 4.3 Otimização do custo energético .............................................................................. 27 4.3.1 Definição dos indivíduos AG-1 e AG-2 .......................................................... 30 4.4 Geração da população inicial AG-1 ........................................................................ 31 4.5 Geração da população inicial AG-2 ........................................................................ 31 viii 5 4.6 Seleção AG-1 e AG-2 ............................................................................................ 32 4.7 Cruzamento AG-1 .................................................................................................. 33 4.8 Cruzamento AG-2 .................................................................................................. 34 4.9 Mutação AG-1 ....................................................................................................... 35 4.10 Mutação AG-2.................................................................................................... 36 4.11 Considerações finais sobre os algoritmos AG-1 e AG-2...................................... 36 RESULTADOS ............................................................................................................ 38 5.1 Modelo do reaquecimento de tarugos ..................................................................... 38 5.2 Avaliação do número de indivíduos e de gerações para o AG-2 ............................. 42 5.3 Comparação entre os algoritmos AG-1 e AG-2 ...................................................... 47 5.4 Valores ótimos para os diferentes cenários ............................................................. 50 5.4.1 Cenário I:........................................................................................................ 51 5.4.2 Cenário II: ...................................................................................................... 52 5.4.3 Cenário III: ..................................................................................................... 55 5.5 6 7 Utilização do AG-2 na operação do forno de reaquecimento real ........................... 58 Conclusões e trabalhos futuros ..................................................................................... 60 6.1 Conclusões ............................................................................................................ 60 6.2 Trabalhos Futuros .................................................................................................. 61 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 62 ix LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 - Representação de uma laminação a quente. ......................................................... 1 Figura 2.1 - Vista esquemática de um forno de reaquecimento pusher. ................................... 5 Figura 2.2 - Vista esquemática de um forno de reaquecimento tipo walking beam. ................. 6 Figura 2.3 - Vista esquemática do interior de um forno de reaquecimento de tarugos. ............ 7 Figura 4.1 - Gráfico da temperatura interna do forno em função do comprimento................. 22 Figura 4.2 - Gráfico do calor específico do aço em função de sua temperatura. .................... 23 Figura 4.3 - Gráfico da vazão de GAF (%) e temperatura interna do forno (°C) durante teste de identificação. ................................................................................................................... 25 Figura 4.4 - Gráfico da temperatura interna real e a definida pelo modelo para a zona de aquecimento. ........................................................................................................................ 26 Figura 4.5 - Fluxograma de execução de cada algoritmo de otimização: AG-1 e AG-2. ........ 30 Figura 4.6 - Exemplo de um indivíduo. ................................................................................ 31 Figura 4.7 - Indivíduo gerado no AG-2. ............................................................................... 32 Figura 4.8 - Exemplo da operação de cruzamento 1. ............................................................. 33 Figura 4.9 - Exemplo de filhos gerados pelo cruzamento 1. .................................................. 34 Figura 4.10 - Exemplo da operação de cruzamento 2. ........................................................... 34 Figura 4.11 - Exemplo da operação mutação 1. .................................................................... 35 Figura 4.12 - Exemplo da operação mutação 2. .................................................................... 36 Figura 5.1 - Gráfico da temperatura interna do forno e a temperatura do tarugo durante o reaquecimento. ..................................................................................................................... 38 x Figura 5.2 - Temperatura de desenfornamento real e prevista pelo modelo para cada tarugo produzido. ............................................................................................................................ 40 Figura 5.3 - Gráfico de dispersão entre a temperatura de desenfornamento real e a prevista pelo modelo. ........................................................................................................................ 41 Figura 5.4 - Histograma do erro de previsão da temperatura de desenfornamento. ................ 41 Figura 5.5 - Gráfico do valor ótimo para cada número de indivíduos e de gerações para o AG2. ......................................................................................................................................... 44 Figura 5.6 - Resultados comparativo de cada solução. .......................................................... 46 Figura 5.7 - Gráfico do valor ótimo para cada número de indivíduos e de gerações para o AG1. ......................................................................................................................................... 49 Figura 5.8 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário I. .......................................................................................................................................... 52 Figura 5.9 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário II. ......................................................................................................................................... 53 Figura 5.10 - Gráfico das vazões dos combustíveis para temperatura de enfornamento de 50 °C. ....................................................................................................................................... 54 Figura 5.11 - Gráfico das vazões dos combustíveis para temperatura de enfornamento de 450 °C. ....................................................................................................................................... 55 Figura 5.12 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário III. ........................................................................................................................... 56 Figura 5.13 - Melhor resposta e temperatura de desenfornamento por geração, simulando temperatura de enfornamento de 50 °C no cenário III. .......................................................... 57 Figura 5.14 - Vazões de combustíveis para simulação com temperatura de enfornamento de 450 °C no cenário III............................................................................................................ 58 xi Figura 5.15 - Vazões dos combustíveis padrão e ótimas durante teste no forno de reaquecimento. ..................................................................................................................... 59 xii LISTA DE TABELAS Tabela I - Poder Calorífico Inferior característico para cada tipo de combustível. ................... 9 Tabela II - Parâmetros encontados para o modelo de 1ª ordem para GAF e óleo em cada zona de controle. .......................................................................................................................... 26 Tabela III - Erro absoluto médio dos modelos de 1ª ordem. .................................................. 27 Tabela IV - Valores do tempo de execução médio (min) em função do número de indivíduos e de gerações para o AG-2. ..................................................................................................... 43 Tabela V - Valores ótimos normalizados médios para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-2. .......................................................................................................... 45 Tabela VI - Resultados das soluções permitidas AG-2.......................................................... 45 Tabela VII – Resultados de pvalor encontrados na comparação das melhores soluções. ....... 46 Tabela VIII - Temperatura de desenfornamento média (°C) para cada número de indivíduos e gerações para o AG-2. .......................................................................................................... 47 Tabela IX - Valores do tempo de execução médio (min) em função do número de indivíduos e de gerações para o AG-1. ..................................................................................................... 48 Tabela X - Valores ótimos normalizados médios para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-1. .......................................................................................................... 50 Tabela XI - Resultados das soluções permitidas AG-1 e AG-2. ............................................ 50 Tabela XII - Custo energético normalizado padrão e ótimo encontrados no teste no forno de reaquecimento. ..................................................................................................................... 59 1 1 INTRODUÇÃO A laminação consiste na passagem de uma peça entre dois cilindros que giram, de forma a reduzir a área da seção transversal. Nesse processo, raramente passa-se o material somente uma vez entre os cilindros. Sendo assim, o equipamento deve ser capaz de submeter o material a uma sequência de passes (CETLIN e HELMAN 2005). Existem diversos produtos fabricados pelo processo de laminação, como por exemplo placas, chapas, bobinas, perfis, barras, cantoneiras e vergalhões, utilizando como matériasprimas blocos, placas ou tarugos de aço. Em relação ao tipo de laminação, existem dois grandes grupos: laminação a quente e laminação a frio. No processo de laminação a quente, uma das etapas mais importantes é o reaquecimento do aço. É nessa fase que tarugos, placas e blocos adquirem a temperatura que irá garantir boas condições para a laminação e a qualidade superficial do produto (MIRANDA, ZIVIANI e JÚNIOR 2006). Pode-se observar na Figura 1.1 uma vista esquemática de um laminador a quente. Figura 1.1 - Representação de uma laminação a quente. Fonte: Gerdau Aços Especiais. A etapa de reaquecimento acontece em fornos, cujo objetivo é aquecer o aço enfornado da temperatura inicial, em geral ambiente, até a temperatura desejada, utilizando a menor quantidade de combustíveis possível sem, contudo, afetar o encharque do material (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000). 2 A operação dos fornos de reaquecimento tem grande importância no processo siderúrgico, tanto do ponto de vista econômico, quanto produtivo e ambiental. Economicamente, o consumo dos combustíveis necessários para o reaquecimento pode representar até 15 % do custo de produção do laminado (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000). Já em relação à produtividade, em diversos laminadores é a capacidade do forno que dita o ritmo de produção, fazendo do reaquecimento o limitador para alcançar um maior volume de produção. Além desses fatores, o mais importante está na relevância ambiental, onde o mundo está voltado para a sustentabilidade, desenvolvendo ações no sentido de diminuir o consumo de combustíveis fósseis e diminuir a emissão de gases que aumentam o efeito estufa. Os fornos de reaquecimento são sistemas complexos, onde a transferência de calor para o aço é influenciada por diversos fatores, como temperatura interna do forno, vazão dos combustíveis, valor térmico dos combustíveis, vazão de ar, etc.. Nesse sentido, durante décadas, relevantes trabalhos científicos foram desenvolvidos com o objetivo de modelar e controlar esses sistemas, que podem ser classificados como sendo não-linear e a parâmetros distribuídos, com múltiplas entradas e saídas. Pensando desse modo, a operação dos fornos de reaquecimento pode ser interpretada como sendo um problema de otimização, onde o objetivo é encontrar o consumo de combustíveis que proporcione o menor custo, obedecendo às restrições de capacidade e garantindo que o tarugo esteja com a temperatura desejada após o reaquecimento, mesmo na presença de eventuais interferências. As restrições impostas pelo processo são de natureza não-linear e dificultam encontrar soluções que pertençam à região factível do problema. Além disso, calcular a temperatura do tarugo durante o reaquecimento envolve a solução de equações diferenciais, com tratamento de restrições complexas. Nesse cenário, os algoritmos evolucionários têm apresentado desempenhos satisfatórios na busca da solução ótima, em especial os Algoritmos Genéticos, cada vez mais utilizados nas indústrias. 3 1.1 Objetivos gerais É objetivo do trabalho encontrar os modelos matemáticos que descrevem o processo de aquecimento de tarugos em fornos de reaquecimento e desenvolver métodos de otimização baseados em Algoritmos Genéticos para o problema. 1.2 Objetivos específicos São objetivos específicos do trabalho: Desenvolver o modelo matemático de aquecimento do tarugo dentro do forno por meio das equações de transferência de calor e de técnicas de identificação de sistemas dinâmicos. Desenvolver métodos de otimização baseados em algoritmos genéticos para encontrar a vazão dos combustíveis que gera o menor custo, atendendo as restrições do processo. Verificar a utilização do algoritmo de otimização no processo real. 1.3 Organização da dissertação A dissertação está organizada da seguinte forma. No capítulo 2 é feita uma descrição do processo de reaquecimento. No capítulo 3 é mostrada uma fundamentação teórica sobre modelo e otimização de fornos de reaquecimento e sobre algoritmos genéticos. No capítulo 4 é apresentada a metodologia. No capítulo 5 são discutidos os resultados. E, por fim, no capítulo 6 são feitas as conclusões e propostas de trabalhos futuros. 4 2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO Nesse capítulo é feita uma descrição sobre fornos de reaquecimento de tarugos existentes e as características do forno estudado. 2.1 Fornos de reaquecimento de tarugos Os fornos de reaquecimento são equipamentos responsáveis por aquecer o tarugo até a temperatura desejada. Nesse processo, os tarugos passam pelo interior do forno recebendo calor e saem dele com a temperatura ideal para serem laminados. O forno de reaquecimento é considerado o primeiro equipamento da linha de produção das laminações a quente e é uma parte fundamental para a fabricação do produto final. Os fornos de reaquecimento possuem grandes dimensões (na ordem de 10 a 30 m de comprimento) e ocupam considerável espaço físico nas áreas de laminação. Devido ao alto investimento necessário para sua instalação, é inviável a existência de um segundo forno, trabalhando como reserva, para que seja utilizado em caso de falhas. Os fornos de reaquecimento têm como principais objetivos aquecer o tarugo até a temperatura desejada, garantindo a homogenização da temperatura, utilizando o menor tempo e menor custo possível, obedecendo as restrições do processo. Os fornos de reaquecimento, por trabalharem com temperaturas elevadas em seu interior ( acima de 1100 °C), devem ser revestidos por materiais refratários. Basicamente, os fornos de reaquecimento podem ser classificados pela forma de carregamento, pelos combustíveis que utiliza e pelo número de zonas de controle de temperatura. Em relação ao carregamento, existem dois grandes tipos de fornos contínuos de reaquecimento: pusher e walking beam (HAUCK e LAIA 2002). 2.1.1 Fornos pusher Os fornos do tipo pusher (empurrador) são de concepção antiga e são caracterizados pela soleira de refratários. Possuem normalmente 3 ou 5 zonas de controle de temperatura. 5 Nesses fornos as peças enfornadas são empurradas para dentro do forno. A característica principal é que para cada peça enfornada tem-se, obrigatoriamente, uma peça desenfornada e que os tarugos são dispostos um em contato com o outro no interior do forno. Não existe espaço livre entre os tarugos e, desse modo, são difíceis de serem esvaziados. Uma desvantagem dos fornos do tipo pusher é a possibilidade de ocorrer sobreposição de peças adjacentes, caso elas tenham significativas diferenças dimensionais ou caso haja um grande volume de carepa dentro do forno. A Figura 2.1 mostra uma vista esquemática de um forno tipo pusher. Figura 2.1 - Vista esquemática de um forno de reaquecimento pusher. Fonte: Curso ABM (HAUCK e LAIA 2002). Nos fornos pusher os tarugos desenfornados ou são laminados e viram produtos ou são rejeitados e devolvidos ao pátio de estocagem de tarugos. Não há a possibilidade de devolver o tarugo desenfornados para o interior do forno. 2.1.2 Forno contínuo tipo viga ou soleira móvel (walking beam ou walking hearth) Nos fornos do tipo walking beam a movimentação das peças é feita por meio de um sistema de vigas móveis e fixas. Quando esse movimento é feito por uma soleira de refratários, o forno é chamado soleira móvel (walking hearth). As vigas móveis, refrigeradas a água e isoladas termicamente, elevam e depositam as peças nas vigas fixas de forma cíclica, levando o conjunto de peças para frente. 6 Neste tipo de forno não há a soleira de refratários, mas sim queimadores na parte inferior do forno. As operações de enfornamento e desenfornamento são executadas de forma independente. Em alguns fornos do tipo walking beam é possível até mesmo o reenfornamento da peça desenfornada, por meio da movimentação reversa das vigas móveis. Uma grande vantagem operacional é que esse tipo de forno permite espaçamento entre as peças em seu interior, facilitando a separação de lotes e permitindo que a produção não seja interrompida por problemas no pátio de estocagem de tarugos. A Figura 2.2 mostra uma vista esquemática de um forno walking beam. Figura 2.2 - Vista esquemática de um forno de reaquecimento tipo walking beam. Fonte: Curso ABM (HAUCK e LAIA 2002). Os fornos de reaquecimento possuem zonas de controle de temperatura, distribuídas ao longo da direção longitudinal. 2.2 Zonas de controle dos fornos de reaquecimento Os fornos possuem comumente 3 zonas de controle: pré-aquecimento, aquecimento e homogeneização. Sendo que as duas últimas, aquecimento e homogeneização, podem ainda apresentar subdivisões em: direita e esquerda, ou inferior e superior, dependendo da estrutura do forno. Na Figura 2.3 são mostradas as zonas de controle de um forno de reaquecimento de tarugos. 7 Figura 2.3 - Vista esquemática do interior de um forno de reaquecimento de tarugos. Na Figura 2.3, o sentido de movimentação do tarugo no interior do forno é da direita para esquerda. Desse modo, ao serem enfornados os tarugos passam primeiro pela zona de pré-aquecimento, em seguida pela zona de aquecimento e, por fim, pela zona de encharque, onde são desenfornados. 2.2.1 Zona de pré-aquecimento A zona de pré-aquecimento, também conhecida como zona convectiva ou zona booster, é caracterizada pela ausência de queimadores. Desse modo, o calor contido nos gases quentes provenientes das zonas posteriores, e que passam pela zona de pré-aquecimento, é o principal fornecedor de energia para o reaquecimento. Nessa etapa, a transmissão de calor para os tarugos se dá por convecção. A zona de pré-aquecimento possui uma conexão com a tubulação responsável por levar os gases à chaminé de exaustão. 2.3 Zona de aquecimento A zona de aquecimento possui queimadores e, comumente, é a zona que possui o maior volume dentro do forno. Nessa zona, a transferência de calor para os tarugos se dá principalmente por convecção e por radiação, a partir dos refratários das paredes, da abóbada do forno e das chamas dos queimadores. A zona de aquecimento é a que fornece a maior quantidade de calor aos tarugos, permitindo que o material atinja em sua superfície uma temperatura bem próxima da temperatura final desejada. 8 2.3.1 Zona de homogeneização A zona de homogeneização, também conhecido como zona de encharque ou de equalização, é a última por onde o tarugo passa no interior do forno. Essa zona tem por objetivo garantir que a temperatura do tarugo seja homogenia em todo seu volume, apresentando diferença de temperatura entre o ponto mais quente e o mais frio de um tarugo menor que 70 °C. Essa é a zona mais quente do forno, apresentando temperaturas de trabalho acima de 1200 °C. Assim como na zona de aquecimento, nessa etapa a troca térmica ocorre por convecção e radiação. Como descrito anteriormente, as zonas de aquecimento e homogeneização possuem queimadores responsáveis pelo fornecimento de energia térmica no interior do forno. Há diferentes tipos de combustíveis utilizados em fornos de reaquecimento, que serão descritos a seguir. 2.3.2 Injeção de combustíveis Os fornos de reaquecimento podem utilizar combustíveis líquidos e gasosos, dependendo do seu projeto e da disponibilidade. Os combustíveis gasosos utilizados em fornos de reaquecimento são (HAUCK e LAIA 2002): Gás de alto-forno (GAF); Gás de coqueria (GCO); Gás de aciaria (GAC); Gás natural (GN); Gás liquefeito de petróleo (GLP); Gás misto (Mistura dos outros tipos de gás). Em relação aos óleos combustíveis, os comumente utilizados são (HAUCK e LAIA 2002): Óleos pesados; 9 Óleos derivados de alcatrão. Os combustíveis possuem características específicas referentes à composição química, ao poder calorífico e formas de utilização. A Tabela I mostra a diferença de poder calorífico inferior (PCI), a energia liberada na forma de calor durante a combustão, para cada combustível (HAUCK e LAIA 2002). Tabela I - Poder Calorífico Inferior característico para cada tipo de combustível. Fonte: Curso ABM (HAUCK e LAIA 2002). COMBUSTÍVEL PCI PADRÃO (kcal/Nm³) FAIXA DE VARIAÇÃO (kcal/Nm³) TEMPERATURA DE IGNIÇÃO (°C) GAF GLP ÓLEO GN 770 27300 9000 9000 700 a 1100 24000 a 30000 8700 a 9050 700 a 800 440 a 550 530 a 580 600 a 650 Por meio da Tabela I é possível observar que, dentre os combustíveis gasosos, o que possui maior PCI é o GLP, com 27300 kcal/Nm³. Em contrapartida, o combustível que possui o menor PCI é o GAF, 770 kcal/Nm³, que é aproximadamente 35 vezes menor que o GLP. O valor do PCI do combustível utilizado deve ser considerado desde a construção do forno, uma vez que gases com baixo PCI necessitarão de uma vazão bem maior para fornecer a mesma quantidade de energia, se comparados a gases com alto PCI. O que determina o poder calórico de cada combustível é sua composição química. 2.3.3 Operação do forno de reaquecimento estudado O forno de reaquecimento estudado neste trabalho é do tipo pusher. Suas características dimensionais são: 20 m de comprimento e 12,80 m de largura. Os tarugos têm seção transversal quadrada com 130 mm de lado e comprimento em torno de 12 m. Os combustíveis utilizados são GAF e óleo. A temperatura desejada de desenfornamento encontra-se acima de 1100 °C. Sendo que, tarugos laminados com temperaturas abaixo do valor desejado podem causar problemas 10 operacionais, tais como: excesso de carepa na superfície do tarugo, maior desgaste das cadeiras de laminação e sucateamento do material. Estes fatores elevam o custo de produção, podendo ocasionar até o descumprimento do plano de produção. Desta maneira, faz-se necessário um controle preciso da temperatura do material nos fornos de reaquecimento. O controle de temperatura do material é feito por meio de um efeito em cascata. Os queimadores de combustíveis aquecem o interior do forno, que, por sua vez, aquece os tarugos. O forno estudado é dividido em três câmaras: pré-aquecimento, aquecimento e encharque, assim como o mostrado na Figura 2.3. O forno possui queimadores na zona de aquecimento e de homogeneização. Em cada queimador, as vazões de combustível (GAF e óleo) e a vazão do comburente (ar atmosférico) obedecem a relação estequiométrica de combustão. Dessa forma, a capacidade da vazão de ar atmosférico pode ser um gargalo operacional. Outra característica importante do forno é a perturbação provocada pela variação da temperatura com que os tarugos são enfornados (temperatura de enfornamento). Os tarugos não são enfornados sempre à mesma temperatura, sendo função do tempo de estocagem do material. Quando a temperatura de enfornamento é modificada, torna-se necessário alterar as vazões dos combustíveis para manter o controle sobre o reaquecimento. Por fim, as variações do ritmo de produção do laminador também são perturbações no controle da temperatura interna do forno. Quando a laminação pára, o desenfornamento de tarugos é interrompido, forçando-os a ficar um maior tempo no interior do forno. Esse maior tempo de residência tende a sobre-aquecer os tarugos. Por isso, em caso de interrupções no laminador, as vazões de combustíveis devem ser diminuídas. 11 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo, são descritos os trabalhos encontrados na literatura sobre modelagem matemática e otimização de fornos de reaquecimento. Em seguida, é feita uma revisão bibliográfica sobre algoritmos genéticos. 3.1 Modelagem e otimização de fornos de reaquecimento Desde a década de 1970, os problemas de modelagem e controle de fornos de reaquecimento têm recebido considerável atenção (YANG e LU 1988). Muitos trabalhos abordam a modelagem matemática das transferências de calor que ocorrem no interior dos fornos, como em (H. E. PIKE e CITRON 1970), (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000), (MIRANDA, ZIVIANI e JÚNIOR 2006) e (SANTOS, SCHIAVO e GIACOMIN 2008). Nesses trabalhos foram desenvolvidos modelos matemáticos que permitem estimar, por meio de simulações, a temperatura do material durante o reaquecimento, utilizando como entradas as temperaturas internas do forno. No trabalho de (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000) é mostrado que o material reaquecido, no caso placa de aço, recebe calor do interior do forno de duas formas: radiação e convecção. Desse modo, a transferência de calor para a placa é descrita pela equação (3.1). (3.1) Onde K é a condutividade térmica da placa, y é a espessura da placa, σ é a constante de Stefan-Boltzmann, τ é o fator de forma, A é a área superficial da placa, Tf é a temperatura do forno, Ts a temperatura na superfície da placa, Tg a temperatura dos gases aquecidos que constituem a atmosfera do forno e Hc é o coeficiente de transferência de calor por convecção. No trabalho de (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000), foram realizados experimentos medindo a temperatura da placa durante todo o reaquecimento e os resultados encontrados foram satisfatórios, validando o modelo proposto. Segundo (TEIXEIRA, JOTA e TEIXEIRA 2007a), é comum encontrar na literatura modelos matemáticos que descrevam o comportamento termodinâmico de aquecimento das placas em função da temperatura da atmosfera do forno de reaquecimento. (YANG e LU 12 1988), (JIONG 1989), (GARCÍA, et al. 1998) e (VAN DITZHUIJZEN, STAALMAN e KOORN 2002). No entanto, modelos que abordem a dinâmica da temperatura do forno, em função das vazões de combustível e de ar, parecem ser menos freqüentes. Trabalhos relacionados são encontrados em (M. H. TEIXEIRA, et al. 2007b) e em (TEIXEIRA, JOTA e TEIXEIRA 2007a). Nesses artigos, são implementadas melhorias nos controladores PIDs (Proporcional-Integral-Derivativo) responsáveis por controlar as temperaturas internas do forno em cada zona, atuando, para tanto, nas vazões de ar e dos combustíveis. Os trabalhos desenvolvidos nesses artigos obtiveram como resultado a redução do consumo de combustíveis. No entanto, não é garantido que o consumo obtido se aproxima do ponto ótimo possível. Nos trabalhos que descrevem melhorias nas malhas de controle, foram utilizadas técnicas de identificação de sistemas dinâmicos para definição dos modelos que relacionam a temperatura interna do forno com as vazões de combustíveis. Ainda segundo (TEIXEIRA, JOTA e TEIXEIRA 2007a), nesses trabalhos, sob o paradigma da identificação caixa preta (AGUIRRE 2007), estruturas de primeira ou de segunda ordem com atraso puro de tempo, para um dado ponto operacional, são, geralmente, escolhidas para representação de modelos na forma de funções de transferência (WANG, CHAI e GUAN 1999). Nesse ponto da pesquisa bibliográfica, pode-se observar que os trabalhos encontrados, em sua maioria, ou abordam a modelagem matemática da transferência de calor com objetivo de conhecer a temperatura do tarugo a partir da temperatura interna do forno, ou abordam a sintonia das malhas de controle, descrevendo a relação entre as vazões de combustíveis e a temperatura interna do forno. Não são comuns trabalhos que descrevem modelos amplos, que relacionem as vazões do combustíveis com a temperatura interna do tarugo, o que permitiria calcular o custo com combustíveis. Em 2010, Xuegang e colaboradores (XUEGANG, CHAO e ZHENGANG 2010) apresentaram a idéia de transformar o controle do forno de reaquecimento em um problema de otimização. Nesse trabalho foram utilizados algoritmos imunológicos para encontrar a melhor curva de aquecimento. 13 Xuegang e colaboradores (XUEGANG, CHAO e ZHENGANG 2010) propõem uma abordagem para otimização do reaquecimento de tarugos definindo a função objetivo como a soma de 3 parcelas. A função objetivo do modelo de otimização é descrita pela equação (3.2). (3.2) Onde, Tm(tf),T*m,Ts(tf),Tc(tf) e T(t) são: a temperatura média do tarugo, a temperatura desejada do tarugo no desenfornamento, a temperatura da face superior do tarugo, a temperatura na parte central do tarugo e a temperatura interna do forno, respectivamente. Os coeficientes µ1, µ2, µ3 são os pesos de cada objetivo. Nessa abordagem é possível observar os três objetivos de otimização nas três parcelas da soma da função objetivo. Primeiro, obter a menor diferença entre a temperatura média do tarugo e a temperatura desejada. Segundo, ter a menor diferença entre a temperatura superficial e central do tarugo, ou seja, a maior homogeneidade da temperatura ao longo do tarugo. E, por último, a solução deve apresentar a menor integral da temperatura interna do forno possível. Os pesos µi permitem ponderar cada um dos objetivos. Nesse tipo de abordagem, a minimização do custo do consumo de combustíveis é um dos objetivos e está representada ao buscar a menor integral da temperatura interna do forno. No entanto, na prática, a relação entre a temperatura do forno e o custo com combustíveis não é direta. É possível encontrar soluções com diferentes custos, no entanto apresentando a mesma integral da temperatura interna. Isso acontece porque, em fornos de reaquecimento, a relação entre a temperatura interna e a vazão dos combustíveis depende das condições iniciais e apresenta comportamento diferente para cada zona de controle. O trabalho proposto por Xuegang (XUEGANG, CHAO e ZHENGANG 2010) não apresenta algumas restrições práticas do processo, como, por exemplo, a capacidade de variação da temperatura interna do forno (dinâmica do forno), que é fator limitante do processo (M. H. TEIXEIRA, et al. 2007b). Outras restrições também desconsideradas foram as capacidades dos combustíveis e do ar de combustão. Nesse contexto, o trabalho aqui proposto se torna relevante ao passo que propõe modelos que relacionam as vazões dos combustíveis com a temperatura do tarugo e, 14 posteriormente, métodos de otimização que minimizam o custo, respeitando todas as restrições do processo. 3.2 Princípios de otimização Ao longo dos anos, a otimização tem ganhado posição destacada nos setores industriais e de prestação de serviços (TEPEDINO 2012). A competitividade do mercado tem levado as empresas a buscar o aumento do lucro por meio da redução de custos, aumentando o volume de produção, aumentando a utilização dos equipamentos, melhorando o desempenho, etc. Pode-se entender a otimização como a busca da melhor solução possível dentre todas as candidatas, considerando critérios de desempenho e respeitando as restrições do problema (R. H. TAKAHASHI 2007). Para este trabalho, será utilizada uma categoria da otimização. A otimização monoobjetivo. 3.2.1 Otimização mono-objetivo Segundo (R. H. TAKAHASHI 2007), a otimização mono-objetivo, ou escalar, deve minimizar uma função cuja imagem é um escalar, onde há uma única função objetivo. Desse modo, a equação (3.3) representa um problema irrestrito, cuja solução é um vetor de parâmetros x que minimiza a função f(·) : Rn -> R. (3.3) No entanto, os problemas reais comumente apresentam restrições. Desse modo, faz-se necessário expressar tais limitações como funções que gerem regiões no espaço de parâmetros Rn, sobre as quais se deve buscar soluções para o problema. As equações (3.4) e (3.5) representam restrições de desigualdade e igualdade, respectivamente (R. H. TAKAHASHI 2007). (3.4) (3.5) 15 Onde r é o número de restrições de desigualdade e p é o número de restrições de igualdade. 3.3 Algoritmos Genéticos Algoritmos Genéticos (AG) são métodos computacionais de busca baseados nos mecanismos de evolução natural e na genética. Em um AG, uma população de possíveis soluções para o problema em questão evolui de acordo com operadores probabilísticos concebidos através de metáforas biológicas, de modo que há uma tendência de que, na média, os indivíduos representem soluções cada vez melhores à medida que o processo evolutivo continua (TANOMARU 1995). Esses algoritmos são compostos basicamente por três operadores: seleção, cruzamento e mutação (GOLDBERG 1994). Os Algoritmos Genéticos são implementados como uma simulação de computador, e consiste na criação de uma população de representações de soluções candidatas que são modificadas em busca de soluções melhores a cada geração. A cada geração, a adaptação de cada indivíduo da população é avaliada. A partir dessa avaliação, alguns indivíduos são selecionados para a próxima geração, onde ocorre cruzamento e mutação para formar uma nova população (TANOMARU 1995). Por sua vez, a nova população passa pelo processo de seleção para geração da próxima população. Esse ciclo é executado até que os critérios de parada sejam atingidos. Esses critérios geralmente são estipulados em função do número máximo de gerações ou no valor ótimo desejado (TANOMARU 1995). A codificação dos indivíduos é fundamental para o AG, pois é ela que mapeia o espaço de busca. A codificação estabelece uma correspondência entre um conjunto de soluções do problema original e um conjunto de indivíduos. Outra fase importante é a atribuição de fitness. Nela cada indivíduo recebe um valor correspondente a sua aptidão. Tal valor será a base para o processo de seleção, de modo que os indivíduos mais aptos (melhores valores de fitness) têm maior chance de serem selecionados para compor a população da próxima geração (TANOMARU 1995). 16 3.3.1 Codificação Para aplicar o Algoritmo Genético a um problema é necessário representar cada possível solução como uma seqüência de símbolos gerados a partir de um determinado alfabeto, ou seja, uma codificação (TANOMARU 1995). A codificação do indivíduo deve ser adequada ao tipo de problema tratado. As codificações binária e real, por exemplo, são amplamente utilizadas em problemas de otimização contínua. Em alguns problemas, o mais natural é utilizar a codificação real, eliminando assim a necessidade de conversão dos dados reais para binário e vice-versa. Usando algumas metáforas com a biologia, cada indivíduo ou cromossomo é formado por uma seqüencia de genes. Sendo que, cada gene pode assumir qualquer valor do alfabeto definido pela codificação (TANOMARU 1995). 3.3.2 Cruzamento Cruzamento é um processo no qual ocorrem trocas de informações entre pares de indivíduos, chamados nessa operação de pais. Este é um processo aleatório, que ocorre dependente de uma probabilidade fixa, denominada taxa de cruzamento (TANOMARU 1995). Pode-se afirmar que o operador de cruzamento é responsável pela recombinação das características dos pais durante o processo de reprodução, o que permite que os filhos gerados recebam tais características como herança genética. Espera-se que os pais sejam capazes de gerar filhos melhores, aprimorando assim a qualidade da população gradativamente a cada geração. 3.3.3 Mutação A mutação impede que os processos de seleção e cruzamento concentrem a população em uma área restrita do espaço de busca (TANOMARU 1995). Na prática, o processo de mutação é implementado pela variação aleatória de uma parte do indivíduo, geralmente aplicada em alguns genes. Assim como no cruzamento, o 17 número de execuções do operador de mutação é controlado por um parâmetro fixo, comumente denominado taxa de mutação. 3.3.4 Avaliação O processo de avaliação é realizado sobre a população, com base na função objetivo do problema. Esses valores são utilizados para calcular a aptidão (fitness) do indivíduo e sua função é representar quão adaptados os indivíduos estão para o problema em questão (TANOMARU 1995). Em muitos casos, o uso do valor de função objetivo puro como função de aptidão não é adequado, tendo em vista que podem haver valores negativos, que dificultam o cálculo de probabilidades de seleção, ou ainda a pressão seletiva excessiva em torno de ótimos locais. Para evitar esses problemas foram propostas várias técnicas de ranqueamento da população, também conhecidas como operadores de ranking. Estas técnicas afetam o valor de função visto pelo algoritmo, mas garantem que o ordenamento das soluções é mantido. Exemplos de operadores desse tipo são o ranking linear e o ranking exponencial (GOLDBERG 1994). O ranking linear, formulado conforme a equação (3.6), é o mais utilizado (TEPEDINO 2012). (3.6) Onde: Fi é o valor de fitness do indivíduo i; Min é o valor de fitness a ser atribuído ao pior indivíduo; Max é o valor a ser atribuído ao melhor indivíduo; N é o tamanho da população; i é o índice do indivíduo na população, ordenada de acordo com o valor da função objetivo do melhor para o pior valor. 18 3.3.5 Seleção O operador de seleção tem o papel de emular o processo de evolução de Darwin, dando aos indivíduos mais aptos maior chance para perpetuação de suas características. Por sua vez, a determinação dos indivíduos mais aptos é feita com base na função de aptidão. Vários métodos já foram propostos na literatura para realizar a seleção, como Roleta Estocástica, Torneio Estocástico, Amostragem Estocástica Universal, etc. (GOLDBERG 1994). O método da roleta é o método de seleção mais simples e mais usado. Os indivíduos de uma população são selecionados para a próxima geração utilizando uma “roleta”. Cada indivíduo é representado na roleta por uma fatia proporcional a seu índice de aptidão. Assim, os indivíduos que possuem maior aptidão ocupam maiores fatias na roleta e os com pouca aptidão, fatias menores (TEPEDINO 2012). A probabilidade de sobrevivência (pi) do indivíduo i é determinada com base no valor de aptidão, como segue: (3.7) Essas probabilidades são utilizadas para construir uma roleta de tal forma que a área correspondente a cada solução é diretamente proporcional a pi. Portanto, soluções com maior aptidão têm maiores probabilidades e, conseqüentemente, maiores chances de serem escolhidas. O elitismo é a ação de garantir que o indivíduo que gerou o melhor resultado a cada geração seja um dos selecionados. 3.3.6 Fluxograma básico do AG (TEPEDINO 2012) apresenta o procedimento do Algoritmo 1 para um algoritmo genético simples. 19 3.3.7 Parâmetros do AG Em geral, o AG depende dos seguintes parâmetros (TEPEDINO 2012): tamanho da população: número de indivíduos; número de gerações: quantidade máxima de gerações realizadas; taxa de cruzamento: probabilidade a que um par de indivíduos é submetido para ocorrer o cruzamento; taxa de mutação: probabilidade que ocorra a mutação. A seguir é apresentada a metodologia do trabalho desenvolvido. 20 4 METODOLOGIA Foram desenvolvidos os modelos matemáticos que descrevem o processo de reaquecimento e, posteriormente, os algoritmos de otimização para encontrar o custo ótimo. O modelo matemático do reaquecimento permitiu conhecer a temperatura do tarugo durante todo o reaquecimento e foi utilizado na verificação das restrições e no cálculo do custo das soluções candidatas. 4.1 Modelo matemático do reaquecimento de tarugos Nos fornos de reaquecimento, a combustão fornece energia aquecendo o interior do forno, que, por sua vez, aquece os tarugos. Os tarugos no interior do forno recebem calor do ambiente de 2 formas: por radiação e por convecção. Essas duas formas de transferência de energia estão relacionadas à diferença entre a temperatura interna do forno (temperatura ambiente) e a temperatura do tarugo. Adaptando o modelo proposto por (GORNI, FORMICA e BOGDAN 2000), e considerando o tarugo como tendo uma temperatura uniforme em todo seu volume, o balanço de energia do reaquecimento pode ser descrito pelo sistema de equações (4.1)Erro! Fonte de referência não encontrada.. (4.1) Onde: Qr é a quantidade de calor que o tarugo recebe por radiação; Qc é a quantidade de calor que o tarugo recebe por convecção; T é a temperatura do tarugo; m é a massa do tarugo; c é o calor específico do tarugo; 21 A é a área do tarugo que recebe calor; TA é a temperatura interna do forno; σ é a constante de Stefan-Boltzmann; hc é o fator de transferência de calor por convecção entre o ar e o tarugo. O sistema de equações (4.1) mostra que, para encontrar a temperatura do tarugo em função do tempo, é preciso conhecer a temperatura interna do forno (T A(t)) durante todo o reaquecimento. Entretanto, a temperatura interna não é medida em todas as partes do forno. Os fornos, comumente, possuem apenas um sensor de temperatura interna para cada zona de controle. Por isso, nos modelos é assumido que a temperatura em cada zona é homogênea. Na zona de pré-aquecimento não existem sensores de temperatura. Por isso, a temperatura interna nessa região é definida como sendo resultado de uma função linear, que interpola a temperatura interna na zona de aquecimento e a temperatura interna na entrada do sistema de exaustão. No gráfico da Figura 4.1 é mostrada a temperatura interna do forno em função do comprimento do forno. Neste exemplo a temperatura da entrada do sistema de exaustão é de 900 °C, a temperatura da zona de aquecimento é de 1180 °C e a temperatura na zona de encharque é de 1260 °C. As simulações foram feitas utilizando o software MATLAB 7.12 ©. 22 Figura 4.1 - Gráfico da temperatura interna do forno em função do comprimento. No gráfico da Figura 4.1, a posição 0 m representa o ponto por onde o tarugo entra no forno e a posição 20 m, por onde o tarugo sai. Desse modo é possível definir a temperatura ambiente durante toda a passagem do tarugo pelo interior do forno. Outra consideração importante no modelo é o fato de que o calor específico do aço varia em função da sua temperatura (ALVES FILHO 2004), como mostra o gráfico da Figura 4.2. 23 Figura 4.2 - Gráfico do calor específico do aço em função de sua temperatura. Fonte: (ALVES FILHO 2004). Por meio do gráfico da Figura 4.1 é possível observar que o calor específico não possui valor fixo e que durante a mudança de fase do aço a aproximadamente 735 °C, o calor específico possui o maior valor. Nessa temperatura, é necessário o fornecimento de maior quantidade de energia para que o aço aumente a temperatura em 1 °C. Para resolver o sistema de equações diferenciais (4.1) foi utilizado o método de Range-Kutta de 4ª ordem (BURDEN e FAIRES 2008). Para tanto, é utilizada a condição inicial, T(0), que representa a temperatura com que o tarugo é enfornado, chamada de temperatura de enfornamento. Essa informação é obtida por meio de um sensor de temperatura infravermelho responsável por medir a temperatura com que o tarugo entra no forno. A solução do sistema de equações (4.1) permite conhecer a temperatura do tarugo durante todo o processo de reaquecimento. Sendo a temperatura final do tarugo, chamada de temperatura de desenfornamento, a informação mais importante. Essa temperatura não pode ser inferior a um limite mínimo necessário para o processo de laminação. Para validação do modelo, foram comparados os resultados da temperatura de desenfornamento real com as obtidas pelo modelo matemático proposto. É aceitável erro 24 absoluto médio de 10 °C, devido à precisão do sensor de temperatura ser de aproximadamente 12 °C. 4.2 Modelo entre a temperatura interna do forno e as vazões dos combustíveis Como descrito na seção anterior, por meio da temperatura interna do forno é possível obter a temperatura do tarugo durante o reaquecimento. No entanto, esse modelo não é suficiente para determinar a relação entre as vazões dos combustíveis e a temperatura interna do forno. Por isso, foram utilizadas técnicas de identificação de sistemas dinâmicos para estimação dos parâmetros dos modelos (modelagem caixa-preta) (AGUIRRE 2007). Como descrito nos trabalhos de (TEIXEIRA, JOTA e TEIXEIRA 2007a), a forma utilizada para a representação dos modelos matemáticos obtidos foi através de funções de transferência. Uma função de transferência é definida como a transformada da resposta ao impulso unitário do sistema, para condições iniciais nulas. A Transformada de Laplace foi usada neste caso, pois representa a resposta ao impulso por um sinal contínuo no tempo (HAYKIN e VEEN 2007). As malhas de temperatura do processo apresentaram uma resposta típica de sistemas de primeira ordem com atraso puro de tempo (HAYKIN e VEEN 2007). Dessa forma, o modelo para utilizado é representado pela equação (4.2). (4.2) Onde: κ é o ganho do sistema. σ é o atraso puro de tempo. τ é a constante de tempo. Y(s) é a transformada de Laplace da saída (temperatura interna do forno). X(s) é a transformada de Laplace do sinal de entrada (vazão dos combustíveis). O gráfico da figura mostra a resposta característica desse tipo de modelo. 25 Foi definido um modelo para cada zona de controle do forno e para cada combustível; e durante os testes para identificação de cada modelo, as vazões das outras zonas foram mantidas constantes. O acoplamento das malhas de controle que determina a influência de uma zona em outra não foi considerado nesse modelo. Primeiro, foram feitos testes aplicando degraus subseqüentes na vazão de cada combustível e observando a temperatura interna do forno em cada zona de controle. No gráfico da Figura 4.3 é mostrado o resultado do teste, relacionando a vazão de GAF e a temperatura interna. Nesse teste a vazão foi aumentada em 10 % a cada 10 min e observada a variação da temperatura. Figura 4.3 - Gráfico da vazão de GAF (%) e temperatura interna do forno (°C) durante teste de identificação. Por meio desse teste, foi possível estimar o ganho estático (κ) e os parâmetros constante de tempo constante de tempo dominante (τ) e de atraso puro de tempo (σ) para cada modelo. Os parâmetros parâmetros foram estimados por meio de minimização do erro quadrático médio utilizando os dados dados do teste. Os parâmetros encontrados são mostrados na Tabela II. 26 Tabela II - Parâmetros encontrados para o modelo de 1ª ordem para GAF e óleo em cada zona de controle. Parâmetros σ (min) κ (°C/Un. Vazão) τ (min) GAF Zona Aquecimento 3.1 Zona Homogenização 3.2 0.005 0.021 3.9 3.8 Parâmetros σ (min) κ (°C/Un. Vazão) τ (min) Óleo Zona Aquecimento 3.0 Zona Homogenização 3.1 0.018 0.22 2.3 2.1 Utilizando os modelos estimados para comparação com os dados reais, foi obtido o gráfico da Figura 4.4. Por meio desse gráfico, é possível observar que a temperatura proposta pelo modelo se aproxima da temperatura real. Figura 4.4 - Gráfico da temperatura interna real e a definida pelo modelo para a zona de aquecimento. Na Tabela III são mostrados os erros absolutos médios obtidos para cada modelo. Os erros foram considerados satisfatórios, baseados nos resultados encontrados em (TEIXEIRA, JOTA e TEIXEIRA 2007a) e pela prática de controle do forno. 27 Tabela III - Erro absoluto médio dos modelos de 1ª ordem. Modelo GAF Óleo Erro Absoluto Médio, °C Zona Aquecimento Zona Homogenização 1.37 1.12 1.45 1.25 Dessa forma, foi obtido o modelo entre as vazões dos combustíveis e a temperatura interna do forno. Esse modelo foi implementado no MATLAB© e por meio dele é possivel conhecer a temperatura interna do forno durante todo o reaquecimento a partir das vazões dos combustíveis. Essa informação é utilizada pelo modelo de reaquecimento no cálculo da temperatura do tarugo dentro do forno. 4.3 Otimização do custo energético O custo energético do forno de reaquecimento por unidade de tempo é calculado a partir do somatório do consumo de cada combustível por unidade de tempo em cada zona de controle multiplicado pelo seu respectivo preço unitário. Para o cálculo, o tempo foi discretizado com intervalo de 4 min. Dessa forma, a função objetivo para encontrar o menor custo pode ser descrita pela expressão (4.3). (4.3) Onde: C denota o custo energético por unidade de tempo; i denota cada tipo de combustível utilizado no forno. i = 1 ou 2 (GAF ou óleo); j denota cada zona de controle do forno. j = 1 ou 2 (homogeinização ou encharque); t denota cada instante de tempo considerado na discretização; Vi,j,t é a vazão do combustível i na zona de controle j no instante de tempo t; Pi é o preço unitário do combustível i. Sendo o problema imposto a uma série de restrições, sendo elas: 1. Cada combustível possui uma capacidade máxima de vazão em cada zona de controle. 2. A vazão de ar também possui uma capacidade máxima em cada zona de controle. 3. Por questões de segurança, a temperatura interna do forno possui limites máximos permitidos em cada zona de controle. 28 4. As vazões de combustíveis possuem limites máximos de variação. Por isso as soluções candidatas não podem apresentar variação de vazão maior que o permitido, entre dois instantes de tempo consecutivos. 5. A temperatura do tarugo no desenfornamento deve ser maior que a temperatura mínima necessária para o processo de laminação. As desigualdades (4.4), (4.5), (4.6), (4.7) e (4.8) mostram as equações referentes às restrições do problema. (4.4) (4.5) (4.6) (4.7) (4.8) Onde: i denota cada combustível utilizado no forno. j denota cada zona de controle do forno. t denota cada instante de tempo considerado na discretização. Vi,j,t é a vazão do combustível i na zona de controle j no instante de tempo t. CAP i,j é a capacidade máxima de vazão do combustível i na zona de controle j. Var j,t é a vazão de ar na zona de controle j e no instante de tempo t. Ta j,t é a temperatura interna do forno na zona de controle j e no instante de tempo t. Ta Max j é a temperatura máxima interna do forno permitida na zona de controle j. CAPar ,j é a capacidade máxima de vazão de ar na zona de controle j. Δ Vi,j,t max é a variação máxima permitida da vazão do combustível i na zona de controle j no instante de tempo t. Td é a temperatura de desenfornamento do tarugo. Td min é a temperatura de desenfornamento mínima necessária. 29 Encontrar soluções dentro da região factível, determinando as vazões de combustíveis em cada zona de controle para cada instante de tempo que gere o menor custo não é trivial. Na operação dos fornos, a simples tarefa de encontrar as vazões adequadas, que atendam as restrições, representa alta complexidade. Os operadores treinam vários meses para que estejam aptos a operar o forno, sem violar as restrições do processo. Além disso, é possível observar a característica não-linear do problema por meio da desigualdade (4.8). Nesse contexto, para a solução do problema de otimização, foram escolhidos métodos baseados em algoritmos genéticos. A escolha foi motivada pela capacidade dos algoritmos genéticos em percorrer o espaço de soluções, pela flexibilidade em adaptar o método para o problema proposto e, também, pela crescente utilização de algoritmos genéticos nas indústrias. No processo de criação do otimizador baseado em algoritmos genéticos foram necessários os seguintes passsos: definição dos indivíduos (codificação), definição do método de geração da população inicial, desenvolvimento das operações de seleção, mutação e cruzamento, definição da função fitness e o cálculo do custo com penalidade. Foram desenvolvidos dois otimizadores baseados em algoritmos genéticos: AG-1 e AG-2. Os dois algoritmos se diferem na geração da população inicial, na mutação e no cruzamento. Sendo o AG-1 mais parecido com a forma simples dos algoritmos genéticos, e o AG-2 desenvolvido com a concepção de incluir os conhecimentos práticos do problema para ajudar a busca. As restrições de 4.4, 4.5 e 4.7 foram obedecidas durante a geração da população inicial e durante as operações de cruzamento e mutação. Já as restrições 4.6 e 4.8 foram implementadas na forma de penalidade, elevando o valor do custo para os indivíduos que não atendem essas restrições. A penalidade foi implementada multiplicando por mil a diferença entre a temperatura real e a temperatura desejada, quando a real for maior que a desejada. Na Figura 4.5 são mostrados os fluxogramas de cada algoritmo. 30 Figura 4.5 - Fluxograma de execução de cada algoritmo de otimização: AG-1 e AG-2. Por meio da Figura 4.5, é possível observar a diferença dos algoritmos na geração da população inicial e nos operadores de cruzamento e mutação. 4.3.1 Definição dos indivíduos AG-1 e AG-2 Um indivíduo foi definido como um conjunto de quatro vetores que representam as vazões de cada combustível em cada zona de controle a cada instante de tempo. Dessa forma, um indivíduo representa uma solução candidata para o problema e a partir dele é possível verificar o atendimento às restrições e associar o seu custo energético. A codificação do algoritmo utilizada foi real e cada gene representa a vazão de um combustível em uma zona de controle em um instante de tempo. Na Figura 4.6 é mostrado o gráfico de um exemplo de um indivíduo. 31 Vazão de GAF Vazão de GAF, Nm³/h 4 2 x 10 1.5 1 0.5 0 0 20 40 60 80 100 120 140 Tempo, min Vazão de Óleo Vazão de Óleo, kg/h 250 160 180 Zona de Aquecimento Zona de Homogenização 200 150 100 50 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Tempo, min Figura 4.6 - Exemplo de um indivíduo. 4.4 Geração da população inicial AG-1 Para o algoritmo AG-1, a população inicial foi gerada utilizando valores aleatórios, entre os valores mínimos e máximos permitidos, na criação de cada gene de cada indivíduo. Nessa população, foram obedecidas algumas restrições do processo, sendo elas: a vazão de cada combustível não pode ser maior que sua capacidade, a vazão de ar não pode ser maior que a capacidade e a variação da vazão de combustível entre dois instantes de tempo consecutivos não pode ser maior que um valor máximo. Essas restrições também foram garantidas nas operações de cruzamento AG-1 e mutação AG-1. A Figura 4.6 mostrou um exemplo de um indivíduo gerado pela geração da população inicial AG-1. 4.5 Geração da população inicial AG-2 No algoritmo AG-2, a população inicial é gerada a partir das vazões atuais no forno, no instante 0. Dessa forma, assume-se que a condição de operação do forno no instante 0, é uma boa estimativa para busca da solução ótima. 32 Para que os indivíduos sejam diferentes, é feita uma perturbação aleatória de cada gene. A Figura 4.7 mostra a condição inicial e um indivíduo gerado a partir dela. 4 Vazão de GAF, Nm³/h 2 Vazão de GAF x 10 1.5 1 Z. Aquecimento - C. Inicial Z. Homogenização - C. Inicial Z. Aquecimento - Perturbado 0.5 0 Z. Homogenização - Perturbado 0 5 10 15 20 25 30 Tempo, min 35 40 45 50 35 40 45 50 Vazão de Óleo Vazão de Óleo, kg/h 150 100 50 0 0 5 10 15 20 25 30 Tempo, min Figura 4.7 - Indivíduo gerado no AG-2. Por meio do gráfico da Figura 4.7, é possível observar que o indivíduo gerado no AG2 utilizou informações das condições iniciais, com característica distinta do indivíduo gerado pelo AG-1 (Figura 4.6), que foi gerado de forma totalmente aleatória. 4.6 Seleção AG-1 e AG-2 O método de seleção implementado foi do tipo roleta, onde a probabilidade de seleção de um indivíduo é proporcional ao seu valor de aptidão. A função de aptidão utilizada foi ranking linear. Na seleção foi implementado o elitismo, garantindo que o indivíduo com maior aptidão seja selecionado para a próxima geração. 33 4.7 Cruzamento AG-1 No cruzamento AG-1, os indivíduos selecionados foram combinados dois a dois e, para cada par de indivíduos, foram trocadas as vazões de cada zona de controle de cada combustível, submetidos a uma probabilidade constante de 65% de acontecer. A Figura 4.8 mostra dois indivíduos selecionados e como ocorre o cruzamento, por exemplo, da vazão de GAF da zona de encharque. Figura 4.8 - Exemplo da operação de cruzamento AG-1. A operação de cruzamento gera dois indivíduos filhos, diferentes dos pais. Por isso, esses novos indivíduos passam por um teste para verificar se atendem à restrição de capacidade máxima de ar. Caso os novos indivíduos não atendam à restrição, a operação de cruzamento é cancelada e o filho gerado se torna cópia do pai. Na Figura 4.9 são mostrados os filhos gerados pelo cruzamento dos pais da Figura 4.8. 34 Figura 4.9 - Exemplo de filhos gerados pelo cruzamento AG-1. A operação de mutação ocorre de forma similar para as vazões de óleo. 4.8 Cruzamento AG-2 No cruzamento AG-2, os indivíduos selecionados foram combinados dois a dois e, para cada par de indivíduos, as vazões foram cortadas em um ponto único e as informações são trocadas a partir desse ponto, de acordo com uma probabilidade constante de 65% de acontecer. Para exemplificar o operador desenvolvido, as informações de vazão da zona de aquecimento são mostradas em forma de vetor na Figura 4.10. Figura 4.10 - Exemplo da operação de cruzamento AG-2. No exemplo mostrado na Figura 4.10, o ponto de corte, que é escolhido aleatoriamente, foi igual a 3. Dessa forma, o filho 1 foi formado com as vazões do pai 1 do ponto 1 ao ponto três e com as informações do pai 2 do ponto 4 em diante. Já o filho 2 foi formado de forma complementar ao filho 1. 35 Após a troca de informações, os filhos gerados passam por um teste para verificar o atendimento às restrições de variação máxima permitida e capacidade máxima. O operador foi também aplicado às outras vazões de combustível da mesma forma. 4.9 Mutação AG-1 A operação de mutação AG-1 foi implementada para aplicar uma variação de valor em um dado gene. O cruzamento é submetido a uma probabilidade de 5% de acontecer em cada gene e, quando ocorre, a vazão de um combustível em um determinado instante de tempo é modificada aleatoriamente, obedecendo às restrições de capacidade e variações permitidas. A Figura 4.11 mostra uma operação de mutação na vazão da zona de aquecimento de um indivíduo. 4 1.8 Vazão de GAF x 10 1.7 Vazão de GAF, Nm³/h 1.6 1.5 1.4 1.3 Antes Mutação Após Mutação 1.2 1.1 1 0 5 10 15 20 25 30 Tempo, min 35 40 45 50 Figura 4.11 - Exemplo da operação mutação AG-1. Por meio da Figura 4.11, é possível observar a alteração provocada pela operação mutação 1. 36 4.10 Mutação AG-2 A operação mutação 2 foi implementada aplicando uma interpolação linear entre dois genes escolhidos aleatoriamente. Essa operação é submetida a uma probabilidade de 5% de acontecer em cada vazão de cada zona de controle. A Figura 4.12 mostra um exemplo da operação de mutação 2. 4 1.8 Vazão de GAF x 10 1.7 Vazão de GAF, Nm³/h 1.6 1.5 Antes Mutação Após Mutação 1.4 1.3 1.2 1.1 1 0 5 10 15 20 25 30 Tempo, min 35 40 45 50 Figura 4.12 - Exemplo da operação mutação AG-2. Por meio da Figura 4.12, é possível observar um exemplo da aplicação da mutação 2, onde os pontos escolhidos para a interpolação foram o 27 e o 48. Em relação ao AG-1, a mutação AG-2 torna as soluções com curvas de vazões mais suaves no tempo. Essa característica é se assemelha com a operação padrão do forno. 4.11 Considerações finais sobre os algoritmos AG-1 e AG-2 O critério de parada dos algoritmos utilizados foi o atendimento do número máximo de gerações. 37 Foram realizados testes para comparar os dois algoritmos propostos e a operação padrão do forno. Foram realizados, também, testes para definição dos parâmetros do otimizador (número de indivíduos e número de gerações) com o objetivo de identificar o melhor resultado. 38 5 RESULTADOS Os primeiros resultados apresentados são referentes ao desenvolvimento do modelo matemático do reaquecimento. Em seguida são apresentados os resultados referentes à utilização dos algoritmos de otimização desenvolvidos. E, por fim, são apresentados os resultados alcançados com a utilização do otimizador na operação do forno. 5.1 Modelo do reaquecimento de tarugos Por meio do modelo de reaquecimento de tarugos foram obtidos alguns resultados simulando a operação do forno. O gráfico da Figura 5.1 mostra o comportamento da temperatura interna do forno e da temperatura do tarugo durante o processo de reaquecimento. Temperatura do tarugo e temperatura interna do forno durante o reaquecimento 1300 1200 1100 Temperatura, °C 1000 900 800 700 600 Temp. tarugo Temp. interna forno 500 400 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Tempo, min Figura 5.1 - Gráfico da temperatura interna do forno e a temperatura do tarugo durante o reaquecimento. 39 Para simulação apresentada na Figura 5.1 foi considerado o seguinte cenário: Temperatura de enfornamento (T(0)): 450 °C. Temperatura na entrada do sistema de exaustão: 900 °C. Temperatura na zona de aquecimento: 1190 °C. Temperatura na zona de encharque: 1260 °C. Tempo de reaquecimento: 230 min. Por meio do gráfico da temperatura do forno (Figura 5.1) é possível perceber as 3 zonas de controle de temperatura. O gráfico da Figura 5.1 permite também perceber a dinâmica do aquecimento do tarugo e a influência da variação do calor específico em função da temperatura, onde, por volta de 735 °C, aproximadamente 80 min de reaquecimento, a temperatura do tarugo mostra desaceleração no ritmo de aquecimento. Para esse exemplo, a temperatura do tarugo no desenfornamento seria de aproximadamente 1115 °C, valor aceitável para o processo de laminação. Para validação do modelo, foram comparados 98 dados de temperatura de desenfornamento real e de temperatura de desenfornamento encontrado pelo modelo. Os dados foram coletados durante diferentes cenários de produção e com ritmo nominal de produção. Nos gráficos das figuras 5.2, 5.3 e 5.4 são mostrados os resultados. 40 Temperatura Prevista e Temperatura Real para cada tarugo Real Previsão 1160 Temperatura (°C) 1140 1120 1100 1080 1060 0 10 20 30 40 50 Tarugo 60 70 80 90 100 Figura 5.2 - Temperatura de desenfornamento real e prevista pelo modelo para cada tarugo produzido. No gráfico da Figura 5.3 é apresentado o gráfico de dispersão entre a temperatura de desenfornamento real e a prevista pelo modelo. Em vermelho é mostrada a reta desejada e em azul a reta que melhor se aproxima dos pontos. E no histograma da Figura 5.4 é mostrada a distribuição do erro de previsão do modelo, onde é possível ver que o erro absoluto médio foi de aproximadamente 6,67 °C. Esse valor de erro está dentro da tolerância exigida pelo modelo. 41 Temperatura prevista x temperatura real 1160 1150 1140 Real (°C) 1130 1120 1110 1100 1090 1080 1070 1070 1080 1090 1100 1110 1120 1130 1140 1150 Predição (°C) 1160 Figura 5.3 - Gráfico de dispersão entre a temperatura de desenfornamento real e a prevista pelo modelo. Erro de Previsão 9 8 7 Média: -0.31874 Média Abs.: 6.6683 6 Ocorrências Desvio: 8.7531 5 4 3 2 1 0 -30 -20 -10 0 Erro (°C) 10 20 Figura 5.4 - Histograma do erro de previsão da temperatura de desenfornamento. 30 42 Uma vez validado o modelo, ele foi utilizado pelo algoritmo AG-2 para escolha dos parâmetros número de gerações e número de indivíduos. 5.2 Avaliação do número de indivíduos e de gerações para o AG-2 Para avaliação dos resultados do algoritmo genético AG-2 desenvolvido, foram feitas execuções variando o número de indivíduos e o número de gerações. Para essa comparação, foram utilizados os seguintes parâmetros para o modelo: Produção por hora: 100 % da capacidade. Temperatura de enfornamento: 250 °C. Os parâmetros do algoritmo foram: Número de execuções: 21. Probabilidade de cruzamento: 65 %. Probabilidade de mutação: 5 %. Para que seja possível controlar o processo, é necessário que o custo ótimo seja encontrado em um tempo inferior a 10 min. Sendo assim, a Tabela IV mostra o tempo de execução médio para cada algoritmo, onde estão marcados em verde os maiores tempos inferiores a 10 min para cada número de indivíduos. A Tabela IV mostra o tempo de execução médio para cada algoritmo, onde estão marcados em verde os maiores tempos inferiores a 10 min para cada número de indivíduos. 43 Tabela IV - Valores do tempo de execução médio (min) em função do número de indivíduos e de gerações para o AG-2. Número de Indivíduos Número de Gerações 10 30 50 70 90 110 130 150 20 0.22 0.66 1.10 1.53 1.97 2.41 2.85 3.29 40 0.43 1.30 2.17 3.04 3.91 4.78 5.65 6.52 60 0.65 1.96 3.26 4.57 5.87 7.18 8.48 9.79 80 0.87 2.61 4.35 6.08 7.82 9.56 11.30 13.04 100 1.09 3.27 5.45 7.63 9.81 12.00 14.18 16.36 120 1.31 3.92 6.53 9.14 11.75 14.36 16.97 19.58 140 1.53 4.59 7.65 10.71 13.77 16.83 19.89 22.95 160 1.75 5.25 8.75 12.25 15.75 19.25 22.75 26.25 180 1.96 5.88 9.80 13.72 17.64 21.56 25.48 29.39 200 2.19 6.57 10.95 15.32 19.70 24.08 28.46 32.84 Por meio da Tabela IV é possível observar que, de fato, quanto maior o número de gerações e de indivíduos, maior o tempo de execução. Durante as execuções foram obtidas as vazões de GAF e óleo que geraram o menor custo para cada configuração. Os valores ótimos são apresentados de forma normalizada neste trabalho por questões de segredo industrial. A Figura 5.5 mostra graficamente as curvas de valor ótimo para cada tamanho da população em função do número de gerações. É possível observar que, de forma geral, o valor ótimo melhora com o aumento do tamanho da população e com o aumento do número de gerações. 44 Melhor resposta a cada geração para cada tamanho de população 5 20 indivíduos 40 indivíduos 60 indivíduos 80 indivíduos 100 indivíduos 120 indivíduos 140 indivíduos 160 indivíduos 180 indivíduos 200 indivíduos 4.75 4.5 |Custo Ótimo|, R$/t 4.25 4 3.75 3.5 3.25 3 2.75 2.5 10 30 50 70 90 110 130 150 Número de Gerações Figura 5.5 - Gráfico do valor ótimo médio normalizado (R$/t) para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-2. A Tabela V mostra os valores ótimos médios encontrados para cada número de indivíduos e de gerações, que foram mostrados no gráfico da Figura 5.5. Na Tabela V estão marcados em verde os valores ótimos médios que atendem o tempo máximo de execução permitido, para cada tamanho da população. 45 Número de Indivíduos Tabela V - Valores ótimos normalizados médios (R$/t) para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-2. 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 10 4.41 4.49 4.42 4.32 4.52 4.64 4.60 4.74 4.73 4.81 30 3.51 3.32 3.23 3.15 3.12 3.02 3.07 3.09 3.09 3.03 50 3.41 3.24 3.20 3.08 2.95 2.88 2.91 2.91 2.88 2.83 Número de Gerações 70 90 3.36 3.35 3.24 3.23 3.19 3.18 3.07 3.06 2.90 2.88 2.84 2.82 2.86 2.81 2.86 2.85 2.82 2.76 2.74 2.69 110 3.34 3.23 3.17 3.06 2.86 2.80 2.77 2.82 2.72 2.66 130 3.34 3.23 3.17 3.06 2.86 2.79 2.73 2.81 2.71 2.63 150 3.34 3.23 3.16 3.06 2.85 2.79 2.72 2.80 2.69 2.62 Por meio dos valores observados na Tabela V, não é possível afirmar que o ótimo global foi encontrado. Além disso, há valores melhores que aqueles encontrados com o tempo menor que 10 min (marcados em verde), mas que não poderão ser considerados. Mesmo assim, é necessário escolher dentre as soluções permitidas, a melhor. A Tabela VI mostra os resultados para as soluções permitidas, onde é possível observar que a solução 6 apresentou menor valor ótimo médio. Tabela VI - Resultados das soluções permitidas AG-2. Configuração 1 Indivíduos Gerações Valor Ótimo Médio 20 150 3.34 Desvio Padrão Médio 0.38 2 40 150 3.23 0.09 3 60 150 3.16 0.13 4 80 110 3.06 0.21 5 100 90 2.88 0.16 6 120 70 2.84 0.15 7 140 50 2.91 0.13 8 160 50 2.91 0.08 9 180 50 2.88 0.17 10 200 30 3.03 0.15 O gráfico de caixa da Figura 5.6 mostra análise dos valores ótimos encontrados nas soluções permitidas. 46 Custo ótimo para cada solução 4.5 |Custo ótimo| 4 3.5 3 2.5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Solução Figura 5.6 - Resultados comparativo de cada solução. Observando o gráfico caixa, as configurações 5, 6, 7, 8 e 9 apresentaram as menores medianas. Para escolha da melhor solução foi utilizada a função kruskalwallis do MATLAB© para obter o pvalor. Um pvalor menor que 0,05 sugere que há evidencias estatísticas da rejeição da hipótese nula de que os dados foram obtidos de uma mesma população. O teste de kruskal-wallis é uma versão não-paramétrica do teste anova. A Tabela VII mostra os pvalores encontrados na comparação entre cada solução. Tabela VII – Resultados de pvalor encontrados na comparação das melhores soluções. Configuração 5 6 7 8 9 5 x 0.3563 0.7907 0.6044 0.6583 6 0.3563 x 0.1533 0.1223 0.426 7 0.7907 0.1533 x 0.7713 0.4114 8 0.6044 0.1223 0.7713 x 0.5526 9 0.6583 0.426 0.4114 0.5526 x Os resultados de pvalor encontrados sugerem que, apresar da configuração 6 ter obtido a menor mediana, não é possível afirmar que essa solução possui população distinta das 47 demais configurações. Portanto, não é possível afirmar que uma configuração é estaticamente melhor que a outra apenas por meio da análise dos dados obtidos. Analisando as restrições do problema, na Tabela VIII é mostrada a temperatura de desenfornamento média para cada número de indivíduos e de gerações, com o objetivo de avaliar o atendimento das soluções à restrição de que essa temperatura deve ser maior que 1100 °C. Tabela VIII - Temperatura de desenfornamento média (°C) para cada número de indivíduos e gerações para o AG-2. Número de Indivíduos Número de Gerações 10 30 50 70 90 110 130 150 20 1120.53 1103.30 1101.26 1100.21 1100.13 1100.07 1100.07 1100.04 40 1123.83 1102.01 1100.04 1100.05 1100.02 1100.02 1100.01 1100.01 60 1120.80 1100.30 1100.10 1100.04 1100.05 1100.01 1100.02 1100.00 80 1115.07 1100.35 1100.08 1100.03 1100.01 1100.01 1100.01 1100.02 100 1120.96 1103.00 1100.34 1100.07 1100.02 1100.03 1100.11 1100.03 120 1120.82 1101.71 1100.24 1100.12 1100.04 1100.03 1100.02 1100.02 140 1123.15 1100.93 1100.29 1100.24 1100.16 1100.05 1100.02 1100.03 160 1121.58 1100.70 1100.18 1100.06 1100.14 1100.25 1100.03 1100.02 180 1128.02 1101.07 1100.16 1100.26 1100.11 1100.07 1100.08 1100.09 200 1125.34 1101.59 1100.31 1100.27 1100.15 1100.12 1100.08 1100.01 Por meio da Tabela VIII é possível observar que após 70 gerações a temperatura de desenfornamento se aproxima da desejada de 1100 °C, apresentando diferença inferior a 1°C. Esse resultado é satisfatório, uma vez que o sensor que mede a temperatura no processo possui precisão de 12 °C e o modelo apresentou erro absoluto médio de aproximadamente 6.67 °C. 5.3 Comparação entre os algoritmos AG-1 e AG-2 Para avaliação dos resultados do algoritmo genético AG-1 desenvolvido, também foram feitas execuções com diferentes números de indivíduos e de gerações. Para essa comparação, foram utilizados os mesmos parâmetros utilizados no AG-2: Produção por hora: 100 % da capacidade. 48 Temperatura de enfornamento: 250 °C. Os parâmetros do algoritmo foram: Número de execuções: 21. Probabilidade de cruzamento: 65 %. Probabilidade de mutação: 5 %. A Tabela IV mostra o tempo de execução médio para cada configuração, onde estão marcados em verde os maiores tempos inferiores a 10 min para cada número de indivíduos. Número de Indivíduos Tabela IX - Valores do tempo de execução médio (min) em função do número de indivíduos e de gerações para o AG-1. 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 10 0.22 0.44 0.66 0.88 1.10 1.31 1.52 1.75 1.96 2.19 30 0.66 1.31 1.97 2.64 3.30 3.93 4.57 5.26 5.89 6.56 50 1.10 2.19 3.28 4.40 5.49 6.55 7.62 8.76 9.81 10.94 Número de Gerações 70 90 1.54 1.98 3.06 3.94 4.59 5.91 6.17 7.93 7.69 9.89 9.17 11.79 10.67 13.72 12.27 15.77 13.74 17.66 15.31 19.68 110 2.42 4.81 7.22 9.69 12.09 14.41 16.77 19.28 21.59 24.06 130 2.86 5.69 8.53 11.45 14.28 17.03 19.82 22.78 25.51 28.43 150 3.29 6.56 9.84 13.21 16.48 19.65 22.87 26.29 29.44 32.81 Por meio da Tabela IX (tempo AG-1) e comparando com Tabela IV (tempo AG-2) é possível observar que os dois algoritmos apresentam tempos de execução próximos. Esse fato pode ser explicado devido aos dois algoritmos terem a mesma avaliação da função objetivo, operação crítica que toma maior tempo dentro do algoritmo desenvolvido. A Figura 5.5 mostra graficamente as curvas de valor ótimo para cada tamanho da população em função do número de gerações para o AG-1. É possível observar que, de forma geral, o valor ótimo melhora com o aumento do tamanho da população e com o aumento do número de gerações. E que os resultados ainda não convergiram. Além disso, em comparação com o gráfico da Figura 5.5, que mostra os resultados do AG-2, é possível observar que o algoritmo AG-1 encontrou custo significativamente superior. 49 Melhor resposta a cada geração para cada tamanho de população 10.2 10 20 indivíduos 40 indivíduos 60 indivíduos 80 indivíduos 100 indivíduos 120 indivíduos 140 indivíduos 160 indivíduos 180 indivíduos 200 indivíduos |Custo Ótimo|, R$/t 9.8 9.6 9.4 9.2 9 8.8 8.6 10 30 50 70 90 110 130 150 Número de Gerações Figura 5.7 - Gráfico do valor ótimo para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-1. A Tabela X mostra os valores ótimos encontrados para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-1. Na Tabela X estão marcados em verde os valores ótimos médios que atendem o tempo máximo de execução permitido, para cada tamanho da população. 50 Número de Indivíduos Tabela X - Valores ótimos normalizados médios para cada número de indivíduos e de gerações para o AG-1. 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 10 10.11 9.37 9.15 9.28 8.86 9.21 9.04 8.81 9.06 8.89 30 9.99 9.20 9.08 9.22 8.83 9.08 8.87 8.74 8.86 8.79 50 9.87 9.14 9.03 9.17 8.76 9.03 8.84 8.72 8.83 8.76 Número de Gerações 70 90 9.80 9.72 9.07 8.98 8.98 8.95 9.13 9.07 8.72 8.70 9.01 8.96 8.79 8.77 8.68 8.65 8.81 8.77 8.74 8.72 110 9.69 8.92 8.93 9.02 8.66 8.94 8.75 8.64 8.75 8.72 130 9.63 8.89 8.91 8.98 8.65 8.94 8.71 8.62 8.73 8.72 150 9.57 8.83 8.90 8.95 8.62 8.93 8.68 8.61 8.71 8.72 A Tabela XI mostra os melhores valores encontrados para cada solução, comparando AG-1 e AG-2. Tabela XI - Resultados das soluções permitidas AG-1 e AG-2. Configuração 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Indivíduos Gerações 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 150 150 150 110 90 70 50 50 50 30 Média AG-1 Valor Desvio Ótimo Padrão Médio Médio 9.57 8.83 8.90 9.02 8.70 9.01 8.84 8.72 8.83 8.79 8.92 0.77 0.19 0.17 0.18 0.27 0.21 0.36 0.12 0.19 0.20 0.27 AG-2 Valor Desvio Ótimo Padrão Médio Médio 3.34 3.23 3.16 3.06 2.88 2.84 2.91 2.91 2.88 3.03 3.03 0.38 0.09 0.13 0.21 0.16 0.15 0.13 0.08 0.17 0.15 0.17 Por meio da Tabela XI é possível observar que o AG-2 apresentou resultados significativamente melhores que o AG-1. 5.4 Valores ótimos para os diferentes cenários Uma grande vantagem na utilização do otimizador é a facilidade em simular diferentes valores de entrada e conseguir extrair informações importantes dos resultados. 51 Nos fornos de reaquecimento discussões sobre os impactos do enfornamento a quente e do ritmo de produção são constantes e trazem informações estratégicas para a empresa, importantes nas tomadas de decisão sobre que investimento fazer e que metas estipular. Por isso, o algoritmo AG-2 desenvolvido foi utilizado para encontrar a solução ótima para diferentes situações de temperatura e para 3 ritmos de produção: baixo, médio e alto. Os resultados dessas simulações mostrarão se o algoritmo é capaz de encontrar soluções factíveis para diferentes situações e também se os resultados são coerentes com o observado na prática operacional. Para as simulações foram utilizados os seguintes parâmetros do algoritmo: Tamanho da população: 120 indivíduos. Número de gerações: 70. Número de execuções: 21. 5.4.1 Cenário I: O primeiro cenário simula uma produção com ritmo baixo de 53 % da capacidade e diferentes temperaturas de enfornamento: 50, 250 e 450 °C. A seguir são apresentados os parâmetros utilizados. Ritmo de produção: 53 % da capacidade. Temperaturas internas do forno iniciais: o 1120 °C na zona de aquecimento, o 1170 °C na zona de encharque. Vazões dos combustíveis iniciais: o 12000 Nm³/h de GAF na zona de aquecimento, o 5000 Nm³/h de GAF na zona de encharque, o 0 kg/h de óleo na zona de aquecimento, o 0 kg/h de óleo na zona de encharque. Temperatura de enfornamento: 50, 250 e 450 °C. O gráfico da Figura 5.8 mostra os custos médios encontrados. 52 Figura 5.8 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário I. Por meio do gráfico da Figura 5.8 é possível observar que quanto maior a temperatura de enfornamento menor o custo ótimo encontrado. Isso é decorrente do fato de que quanto maior a temperatura de enfornamento, menor a quantidade de energia necessária a ser fornecida ao tarugo para o reaquecimento e, conseqüentemente, menor consumo. 5.4.2 Cenário II: O segundo cenário simula uma produção padrão de 100 % e diferentes temperaturas de enfornamento. A seguir são apresentados os parâmetros utilizados. Ritmo de produção: 100 % da capacidade. Temperaturas internas do forno iniciais: o 1180 °C na zona de aquecimento, o 1220 °C na zona de encharque. Vazões dos combustíveis iniciais: o 15000 Nm³/h de GAF na zona de aquecimento, o 9600 Nm³/h de GAF na zona de encharque, o 100 kg/h de óleo na zona de aquecimento, o 50 kg/h de óleo na zona de encharque. Temperatura de enfornamento: 50, 250 e 450 °C. O gráfico da Figura 5.9 mostra os resultados encontrados nas execuções. 53 Figura 5.9 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário II. Por meio do gráfico da Figura 5.9 é possível observar que o custo ótimo é consideravelmente superior quando há enfornamento a frio (temperatura de 50 °C). Nessa situação, é necessária a utilização de óleo para que a temperatura de desenfornamento seja atingida. O gráfico da Figura 5.10 mostra as vazões de combustíveis de uma solução ótima encontrada para a temperatura de 50 °C, onde é possível observar que é utilizada a vazão máxima de GAF e um complemento de óleo. 54 Vazão de GAF, Nm³/h Vazão de GAF 18000 15000 12000 9000 6000 3000 0 0 20 40 60 80 100 120 Tempo, min 140 160 180 Zona de Aquecimento Zona de Homogenização 140 160 Vazão de Óleo, kg/h Vazão de Óleo 100 80 60 40 20 0 0 20 40 60 80 100 120 Tempo, min 180 Figura 5.10 - Gráfico das vazões dos combustíveis para temperatura de enfornamento de 50 °C. Para as temperaturas de 250 e 450 °C, a solução encontrada pelo otimizador tende a não utilizar óleo, somente GAF. Como o preço do GAF é muito baixo, o consumo nessas duas situações possui médias parecidas e, conseqüentemente, custos parecidos. O gráfico da Figura 5.11 mostra as vazões de combustíveis para a temperatura de enfornamento de 450 °C. 55 Vazão de GAF, Nm³/h Vazão de GAF 15000 12000 9000 6000 3000 0 0 20 40 60 80 100 120 Tempo, min 140 160 180 Zona de Aquecimento Zona de Homogenização 140 160 Vazão de Óleo, kg/h Vazão de Óleo 120 100 80 60 40 20 0 0 20 40 60 80 100 120 180 Tempo, min Figura 5.11 - Gráfico das vazões dos combustíveis para temperatura de enfornamento de 450 °C. Comparando os cenários é possível observar que, mesmo as soluções encontradas no cenário I apresentarem menores vazões horárias, o custo ótimo foi maior que o encontrado no cenário II. Isso ocorre porque no cenário I o tempo de reaquecimento é maior, devido ao baixo ritmo de produção. Esse efeito é também observado na prática, onde os produtos com baixo ritmo de produção apresentam os maiores custos energéticos. 5.4.3 Cenário III: O terceiro cenário simula uma produção de 113 % da capacidade, para diferentes temperaturas de enfornamento. A seguir são apresentados os parâmetros utilizados: Ritmo de produção: 113 % da capacidade. Temperaturas internas do forno iniciais: o 1180 °C na zona de aquecimento, o 1220 °C na zona de encharque. Vazões dos combustíveis iniciais: o 15000 Nm³/h de GAF na zona de aquecimento, 56 o 9600 Nm³/h de GAF na zona de encharque, o 100 kg/h de óleo na zona de aquecimento, o 50 kg/h de óleo na zona de encharque. Temperatura de enfornamento: 50, 250 e 450 °C. No gráfico da Figura 5.12 são mostrados os resultados encontrados nas execuções. Valor Ótimo em Função da Temperatura de Enfornamento |Custo Ótimo|, R$/t 25000.0 20000.0 19793.02 15000.0 8635.18 10000.0 5000.0 12.28 0.0 50 250 450 Temperatura de enfornamento, °C Figura 5.12 - Gráfico do custo ótimo em função da temperatura de enfornamento para o cenário III. Por meio do gráfico da Figura 5.12 é possível observar que as soluções para as simulações com temperatura de enfornamento de 50 e 250 °C estão sendo penalizadas pelo não atendimento de uma restrição. No gráfico da Figura 5.13 são apresentados o melhor valor obtido e a temperatura de desenfornamento obtida a cada geração para uma simulação com temperatura de enfornamento de 50 °C. É possível observar que a temperatura de desenfornamento é significativamente inferior ao limite mínimo de 1100 °C. Por isso, as soluções estão sendo penalizadas, por não atenderem à restrição do processo. Os resultados apresentados na Figura 5.12 e Figura 5.13 são coerentes com a prática. Quando o ritmo de produção está acima da capacidade nominal, só é possível atender a restrição de temperatura de desenfornamento se houver enfornamento a quente. 57 4 Valor f(x,y) 2.15 Melhor Resposta por Geração x 10 2.1 2.05 2 1.95 0 10 0 10 20 30 40 50 Gerações Temperatura de desenfornamento por Geração 60 70 60 70 Temperatura, °C 770 760 750 740 730 20 30 40 Gerações 50 Figura 5.13 - Melhor resposta e temperatura de desenfornamento por geração, simulando temperatura de enfornamento de 50 °C no cenário III. O resultado encontrado com temperatura de enfornamento de 450 °C representa alto custo operacional. Isso ocorre porque, mesmo com enfornamento quente, é necessária a utilização da capacidade máxima dos combustíveis para atendimento da restrição de temperatura de desenfornamento, como é mostrado na Figura 5.14. 58 Vazão de GAF 4 Vazão de GAF, Nm³/h 2 x 10 1.5 1 0.5 0 0 20 40 60 80 100 120 Tempo, min 140 160 Zona de Aquecimento Zona de Homogenização Vazão de Óleo Vazão de Óleo, kg/h 500 400 300 200 100 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Tempo, min Figura 5.14 - Vazões de combustíveis para simulação com temperatura de enfornamento de 450 °C no cenário III. 5.5 Utilização do AG-2 na operação do forno de reaquecimento real O algoritmo AG-2 foi utilizado durante a operação do forno de reaquecimento com o objetivo de verificar sua eficácia e comparar com o modo padrão de operação. O gráfico da Figura 5.15 mostra as vazões determinadas pelo otimizador e as vazões padrão de operação. 59 Vazão de GAF 4 Vazão de GAF, Nm³/h 2 x 10 1.5 1 0.5 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 Tempo, min Z. Aquec.- Padrão 500 Z. Homo. - Padrão Z. Aquec.- Ótimo Vazão de Óleo Z. Homo. - Ótimo Vazão de Óleo, kg/h 600 500 400 300 200 100 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Tempo, min Figura 5.15 - Vazões dos combustíveis padrão e ótimas durante teste no forno de reaquecimento. Por meio do gráfico é possível observar que o otimizador encontrou uma solução com maior variação da vazão de combustíveis que a operação padrão. A Tabela XII mostra o custo normalizado, comparando as soluções. Tabela XII - Custo energético normalizado padrão e ótimo encontrados no teste no forno de reaquecimento. Operação Padrão Ótima |Custo|, R$/t 13.08 12.64 Por meio da Tabela XII é possível observar que o uso da solução proposta pelo otimizador na operação do forno resultou em uma redução de aproximadamente 3.36 % no custo energético, em comparação ao modo padrão de operação. O teste apresentou resultados satisfatórios, permitindo, além da redução do custo, operar de forma automática e obedecendo as restrições do processo. 60 6 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS 6.1 Conclusões Foram desenvolvidos modelos capazes de descrever o processo de reaquecimento de tarugos e métodos de otimização baseados em algoritmos genéticos capazes de encontrar soluções para o problema de minimização do custo energético. Os modelos foram desenvolvidos por meio das equações de transferência de calor no interior do forno e, durante a validação, apresentaram erro absoluto médio de aproximadamente 6.67 °C na previsão da temperatura de desenfornamento, na comparação com dados reais de um forno de reaquecimento. Foram utilizadas técnicas de identificação de sistemas dinâmicos que permitiram estimar os modelos de 1ª ordem que descrevem a relação entre as vazões de combustíveis e a temperatura interna do forno. Os erros encontrados na validação do modelo são apresentados na Tabela III. Foram desenvolvidos dois algoritmos genéticos para solução do problema de minimização do custo energético. Sendo o AG-2, o modelo construído utilizando conhecimentos operacionais do forno, o que apresentou melhor desempenho. Os resultados são mostrados na Tabela XI. Utilizando o método de otimização desenvolvido foi possível observar os efeitos dos diferentes ritmos de produção e temperaturas de enfornamento no custo energético ótimo. Foi observado que, quanto maior a temperatura de enfornamento, menor o custo ótimo. E, que quanto menor o ritmo de produção, maior o custo ótimo. A simulação mostrou que a produção acima da capacidade nominal só é possível com temperaturas de enfornamento acima de 450 °C. Por fim, foi apresentado um teste de utilização do otimizador no controle de um forno real. O teste mostrou que a solução ótima encontrada atendeu as restrições do processo e apresentou custo 3.36 % menor que o padrão. 61 6.2 Trabalhos Futuros São propostas de trabalhos futuros: Utilizar métodos de elementos finitos nos modelos de reaquecimento; Utilizar testes mais amplos na identificação dos sistemas dinâmicos; Utilizar outros métodos de otimização do problema, como por exemplo, métodos híbridos, associando computação evolucionária com métodos de busca local; Utilizar otimização multiobjetivo; Utilizar programação paralela para diminuir o tempo de execução do algoritmos. 62 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIRRE, Luis Antonio. Introdução à Identificação de Sistemas: Técnicas Lineares e NãoLineares Aplicadas a Sistemas Reais. 3ª Edição. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG, 2007. ALVES FILHO, Claudio Henrique Macedo. Análise da Influência da Taxa de Resfriamento no Gradiente Microestrutural de Barras Laminadas a Quente Tratadas Termicamente. Curitiba, PR: PUC, 2004. 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