Variedades de Cana-de-Açúcar Pragas e Doenças: Eng. Agr. Gustavo de Almeida Nogueira Canaoeste Sumário: • Novos Desafios do Setor; • Programas de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar; • Principais Características em uma variedade de cana-de-açúcar; • Variedades de Cana-de-açúcar; • Ferrugem Alaranjada. Novos desafios: Ferrugem alaranjada; Pragas; Plantio Mecanizado; Ambientes restritivos; Colheitas de março e dezembro; Plantio o ano todo. Principais doenças da cana-de-açúcar no mundo: Sadia Programas de melhoramento genético da cana-de-açúcar no Brasil Variedades RB RIDESA UFAL / UFRPE / UFSCar / UFV / UFRRJ / UFPR / UFG / UFS / UFPI / UFMT Variedades CTC Centro de Tecnologia Canavieira Variedades IAC Instituto Agronômico de Campinas Variedades CV CanaVialis – Monsanto RENDIMENTO DA CANA-DE-AÇÚCAR 98 t/ha em 2038 EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE BRASILEIRA DE AÇÚCAR NAS QUATRO 135 120 95 145 DIAS ATUAIS DÉCADA DE 70 ULTIMAS DÉCADAS EM Kg/ton Perfil agronômico de uma variedade A produtividade superior de energia (açúcar, etanol e fibra): a) b) c) caráter associado ao: acúmulo de biomassa teor de sacarose Teor de fibra Perfil agronômico de uma variedade Resistência ou tolerância às doenças e pragas; Acúmulo elevado de sacarose nos períodos de colheita de outono e/ou inverno e/ou primavera; Tolerância à seca: possibilita ganhos de biomassa no período inicial de déficit hídrico, manutenção de colmos vivos até a colheita, e capacidade de brotação prolongada da soqueira; Ausência de florescimento e isoporização dos colmos; Teor de fibra médio-alto: visando à maior produção de energia; Perfil agronômico de uma variedade • Capacidade de brotação sob palha (TCH/longevidade); • Uniformidade da altura e diâmetro de colmos: facilita o corte mecânico, reduz impurezas vegetais e melhora a qualidade na maturação; • Hábito ereto de crescimento: relacionado à redução de perdas, maior rendimento do corte mecânico ou manual e redução de impurezas minerais; • Velocidade de crescimento e capacidade de rápido sombreamento das entrelinhas: associado à redução de mato-competição; Cultivares de cana-de-açúcar lançados no período de 1995 a 2010, no Brasil. Ano IAC 1995 1996 1997 1998 RIDESA COPERSUCAR/CTC RB835019, RB855156, SP80-1520, SP80-1836, SP81-1763, RB855453, RB855563 SP81-3250 RB763710, RB813804 IAC82-2045, IAC82-3092, SP80-185, SP80-1816, SP80-3280, IAC86-2210, IAC87-3396 SP80-3480, SP83-5073 RB835054, RB845257, RB855035, RB855113, RB855536, RB855546, RB867515 1999 SP77-5181, SP83-2847, SP84-1201, RB758540 SP84-1431, SP84-2025, SP84-5560, SP85-3877, SP85-5077, SP86-155, SP87-344, SP87-365, SP87-396 2000 RB8495, RB842021, RB855511, RB855463 SP86-42 2001 2002 RB845197, RB845210, RB855036, RB865230 IAC86-2480 2003 2004 RB928064 RB858927, RB92579, RB93509, RB931530 SP89-1115, SP90-1638, SP90-3414, SP91-1049 IAC91-2195, IAC91-2218, IAC91-5155, IACSP93-6006 2005 IACSP93-3046, IACSP94-2094, CTC1, CTC2, CTC3, CTC4, CTC5 112 CULTIVARES IACSP94-2101, IACSP94-4004 2006 2007 RB925211, RB925268, RB925345, RB935744 IAC91-1099, IACSP93-2060, CTC6, CTC7, CTC8, CTC9 CTC10, CTC11, CTC12, CTC13, CTC14, CTC15 IACSP95-3028, IACSP95-5000 2008 CTC16, CTC17 2009 CTC18, CTC19, CTC20 2010 IACSP95-5094, RB931003, RB931011, RB951541, RB98710, IACSP96-2042, IACSP96-3060 RB99395, RB946903, RB95691, RB966928, CTC21, CTC22 RB962962, RB002504, RB965902, RB965917, RB937570 TOTAL 20 44 48 Variedades de cana-de-açúcar mais cultivados por fornecedores: Ano IAC 1995 RIDESA COPERSUCAR/CTC RB855156, RB855453 SP81-3250 1996 1997 IAC87-3396 SP80-1816, SP80-3280 RB835054, RB855536, RB867515 1998 SP83-2847 1999 2000 2001 2002 2003 RB92579 SP91-1049 RB935744 CTC2, CTC4 CTC7, CTC9 2004 2005 IACSP93-3046 2006 2007 IAC91-1099, IACSP90-5000 CTC15 CTC17 2008 2009 RB966928 2010 TOTAL 4 8 11 Variedades Total Geral Área (ha) % Posição RB867515 610.072 20,5 1 SP81-3250 373.536 12,6 2 RB855453 246.204 8,3 3 SP83-2847 185.288 6,2 4 RB72454 184.158 6,2 5 RB835486 127.737 4,3 6 RB855156 124.499 4,2 7 RB855536 110.072 3,7 8 SP80-3280 78.103 2,6 9 SP80-1842 72.671 2,4 10 RB835054 65.655 2,2 11 SP79-1011 64.512 2,2 12 SP80-1816 61.768 2,1 13 SP91-1049 56.952 1,9 14 SP89-1115 41.105 1,4 15 PO88-62 33.310 1,1 16 RB855035 32.237 1,1 17 RB935744 26.717 0,9 18 RB925345 25.808 0,9 19 SP84-2025 25.547 0,9 20 OUTRAS 428.609 14,4 TOTAL 2.974.561 100,0 Variedades RB867515 SP81-3250 RB855453 RB855156 RB935744 RB966928 RB835054 RB855536 SP80-1842 SP83-2847 RB92579 SP91-1049 RB835486 SP80-1816 RB72454 CTC2 SP80-3280 CTC9 SP89-1115 CTC15 OUTRAS Área (ha) 64.613 57.526 24.917 22.261 10.770 9.836 9.679 9.641 9.603 9.351 6.164 6.106 5.860 5.401 5.176 5.124 4.667 4.437 4.160 4.084 48.103 Total Plantio % 19,7 17,6 7,6 6,8 3,3 3,0 3,0 2,9 2,9 2,9 1,9 1,9 1,8 1,6 1,6 1,6 1,4 1,4 1,3 1,2 14,7 Posição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Manejo varietal Para que possamos ter sucesso no trabalho de manejo varietal, precisamos conhecer dois aspectos: a) o ambiente de produção: há necessidade de se determinar através de amostras do solo, o potencial químico e físico, bem como as condições climáticas prevalecentes na região em questão; b) o comportamento varietal em diferentes ambientes de produção. AMBIENTES DE PRODUÇÃO PLANTA SOLO Ambiente Potencial de de Produção Produção CLIMA TECNOLOGIA APLICADA SOLOS FAVORÁVEIS MÉDIOS DESFAVORÁV EIS SAFRA OUTONO SAFRA INVERNO SAFRA PRIMAVERA (01/ABR – 21/JUN) (22/JUN – 21/SET) (22/SET – 30/NOV) 1 3 6 2 4 7 5 8 9 DESLOCAR HORIZONTAL -ANTECIPAÇÃO SAFRA DESLOCAR VERTICAL -IRRIGAÇÃO -MAT.ORG. -ADUB.PARCELADA -FOSFATAGEM TCH - Média de 5 cortes de variedades padrões SOLOS FAVORÁVEIS MÉDIOS DESFAVORÁV EIS SAFRA OUTONO SAFRA INVERNO SAFRA PRIMAVERA (01/ABR – 21/JUN) (22/JUN – 21/SET) (22/SET – 30/NOV) 1 2 5 98,7 98,9 93,1 3 4 8 89,4 90,1 84,1 6 7 9 86,5 83,8 76,2 Variedade: RB867515 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Alta produtividade em cana planta e soca, Solos de intermediária e baixa fertilidade, Rápida velocidade de crescimento, Alto teor de sacarose, Alta densidade de colmos, Tolerância a seca, Eventual Florescimento, resistente as principais doenças. Primavera Out Nov Variedade: SP81-3250 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Alta produtividade, Solos de intermediária fertilidade, Teor máximo de Pol: alto, Maturação média, florescimento médio, Ótimo perfilhamento de brotação de soqueiras, Colheita Mecânica: boa, Problemas significativos no Plantio Mecânico. Primavera Out Nov Variedade: RB855453 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E Média PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Primavera Out Nov produtividade em cana planta e soca, Solos de alta fertilidade, Touceiras eretas de difícil tombamento, Alta precocidade e riqueza, Boa soqueira, Bom perfilhamento e fechamento de entrelinhas, Intermediária a ferrugem, Não plantar como cana de ano, alto florescimento. Variedade: RB85 5156 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Produtividade agrícola média, Ótima brotação de soqueiras, Alto teor de sacarose, Estabilidade na produtividade, Maturação precoce (hiper-precoce), Resistente as principais doenças, Florescimento, Brotação no plantio. Primavera Out Nov Variedade: RB935744 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Primavera Out Nov Muito produtiva Tardia Média exigência em ambientes Resistente às doenças Colheita setembro a novembro; não floresce RB935744 Variedade: RB966928 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Inverno Outono Abr Mai Jun Jul Ago Set Alta produtividade; Precoce; Média exigência em ambientes; Tolerante às principais doenças; Raramente floresce. Primavera Out Nov IACSP93-3046 FAVOR. AMBIENTE MÉDIO DESFAV. OUTONO ÉPOCA DE COLHEITA INVERNO PRIMAVERA IACSP93-3046 AMBIENTES OUTONO INVERNO PRIMAVERA 1 2 5 3 4 8 6 7 9 FAVORÁVEIS MÉDIOS DESFAVORÁVEIS FAVOR. AMBIENTE MÉDIO DESFAV. OUTONO ÉPOCA DE COLHEITA ************ INVERNO PRIMAVERA IAC91-1099 AMBIENTES OUTONO INVERNO PRIMAVERA 1 2 5 3 4 8 6 7 9 FAVORÁVEIS MÉDIOS DESFAVORÁVEIS Iac91-1099 Tch muda = 150T/HA EM 13 MESES FAVOR. AMBIENTE MÉDIO DESFAV. OUTONO ÉPOCA DE COLHEITA ************ INVERNO PRIMAVERA IACSP95-5000 AMBIENTES OUTONO INVERNO PRIMAVERA 1 2 5 3 4 8 6 7 9 FAVORÁVEIS MÉDIOS DESFAVORÁVEIS * * * * Tendências – Variedades CTC : CTC2 CTC14 CTC7 CTC4 CTC9 CTC19 CTC11 CTC17 CTC20 Tendências – Variedades CTC : CTC16 CTC15 CTC18 CTC6 Tendências – Variedades CTC: CTC1 CTC5 CTC12 CTC13 CTC8 CTC3 CTC10 Abril / Maio / Junho Início de safra CTC7 CTC9 CTC17 Variedade: CTC 7 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Alto teor de sacarose e precocidade, Indicada para melhores ambientes, Fibra média, Pouco florescimento e pouca isoporização, Resistente as principais doenças, Destaque no Plantio Mecânico, Rápida brotação de soqueiras, Alto tombamento. Primavera Out Nov Plantio Mecanizado Plantio Mecânico Variedade: CTC 9 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Alto teor de sacarose, Precocidade, colheita no início de Safra, Exigência em fertilidade de média a baixa, Florescimento esparso e pouca isoporização, Teor médio de pol: alto, Boa brotação de soqueiras, Produtividade média. Primavera Out Nov Ambiente Restritivo Ambiente Restritivo CTC17 Ponto forte: Rusticidade Indicada para ambientes mais restritivos; Resistente à ferrugem alaranjada CTC17 – Ambiente B Plantio Mecânico Meio de safra Julho / Agosto / Setembro CTC2 CTC4 CTC20 CTC2 Ótimo desempenho nos diversos ambientes; Colheita entre julho e setembro é o ideal; Primeira colocada em diversos ensaios de competição; Ótimo desempenho em plantio mecanizado; CTC2 Cana de Ano Variedade: CTC 4 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E PERÍODO DE SAFRA Outono Inverno Abr Mai Jun Jul Ago Set Alta produtividade em cana planta e soca, Exigência em fertilidade média a alta, Ótima brotação de soqueiras, Alto teor de sacarose, Perfilhamento alto, diâmetro de colmos fino, Colheita preferencial no meio da Safra, Médio florescimento, Destaque no Plantio Mecânico. Primavera Out Nov Longevidade de soqueira Brotação de soqueira CTC20 Dados de safra têm comprovado os resultados experimentais; Alocação em melhores ambientes; Plantio mecanizado com mudas novas; Ambiente C Fim de safra Outubro / Novembro CTC15 Variedade: CTC 15 AMBIENTE DE PRODUÇÃO A B C D E Outono Abr Mai PERÍODO DE SAFRA Inverno Jun Jul Ago Set Primavera Out Nov Altíssima Produtividade, Tolerância a seca, Excelente longevidade das soqueiras, Teor médio de sacarose, Colheita de agosto até o final da Safra, Exigência de fertilidade de média a baixa, Floresce medianamente nas condições do Centro-Sul. Ferrugem Alaranjada da Cana de Açúcar Sintomas e Identificação Sumário 1- Histórico da doença 2- Identificação da doença 3- Diferenças entre as doenças 4- Danos em produtividade 5- Variedades 6- Futuro Histórico da doença • Conhecida desde 1890, enquanto que a ferrugem marrom é conhecida desde 1949 • Considerada de maior importância a partir de 2000 (Austrália Q124) • Observada pela primeira vez no Ocidente na Flórida, EUA, em junho de 2007 • 2007/08: reportada em vários países da América Central: México, Costa Rica, Guatemala, Panamá, Cuba e Jamaica. • 07/12/2009: Brasil O problema na Austrália • Variedade Q124, de alto rendimento agroindustrial, chegou a ocupar 45% da área de cultivo de Queensland • Queda de produtividade da Q124 chegou a 22% após a incidência da doença • Quedas de 40% na produtividade observadas em ensaios com fungicidas *** Caso SP81-3250 e RB867515 fossem suscetíveis à doença teríamos um problema parecido no Brasil... Sintomas aparecem nas folhas. Inicialmente são pequenas manchas amareladas. Depois evoluem para machas denominadas pústulas Com o desenvolvimento da doença, aumentam de tamanho e rompem a cutícula expondo a massa de esporos Condições climáticas ideais • A doença necessita de temperaturas altas e alta umidade relativa do ar; • O período de outubro a março é o ideal para desenvolvimento da doença em nossa região; Condições climáticas ideais • Ferrugem Marrom: temperaturas amenas e alta umidade relativa • Ferrugem Alaranjada: temperaturas e umidade relativa elevadas • Ferrugem Marrom: ocorre mais em plantas com entre 3 e 8 meses de idade • Ferrugem Alaranjada: ocorre mesmo em plantas adultas Ferrugem Alaranjada Necrose Quem é quem? Ferrugem Marrom Quem é quem? Ferrugem Alaranjada Ferrugem Marrom Necessidade de testes moleculares p/ confirmação Aparecimento de pústulas agrupadas próximo à bainha das folhas DIAGNÓSTICO NO LABORATÓRIO Sintomas e sinais Ferrugem marrom Ferrugem alaranjada Mancha parda Folha +1 Folha +2 Folha +3 1º Dew lap visível 3º Dew lap visível 2º Dew lap visível Nota 3 Nota 8 Recomendações • Perdas sendo observadas entre 1% (Nota 2) e 55% (Nota 9); • Canaviais atacado mais tardiamente tem apresentado alto TCH e baixo ATR; • Não reformar os canaviais afetados de cortes novos; • A aplicação de fungicidas só é viável em condições específicas; • As variedades intermediárias poderão ser cultivadas em ambientes menos favoráveis à doença • As variedades suscetíveis terão que ser substituídas: RB72454, SP84-2025 e SP89-1115 *** Equilíbrio no censo varietal Gustavo Nogueira [email protected] [email protected]