1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS MARIANA ENCK DE SOUZA MULHERES NA ENGENHARIA: ESCOLHA, O CURSO E EXPECTATIVAS NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO JOINVILLE - SC 2011 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS MARIANA ENCK DE SOUZA MULHERES NA ENGENHARIA: ESCOLHA, O CURSO E EXPECTATIVAS NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO Trabalho de Graduação apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheira de Produção e Sistemas Orientador: Prof. Msc. Valdésio Benevenutti JOINVILLE - SC 2011 3 MARIANA ENCK DE SOUZA MULHERES NA ENGENHARIA: ESCOLHA, O CURSO E EXPECTATIVAS NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO Trabalho de Graduação aprovado como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheira do curso de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade do Estado de Santa Catarina. Banca Examinadora: Orientador: ________________________________ Prof. Msc. Valdésio Benevenutti Membro: ________________________________ Prof. Dr. Lírio Nesi Filho Membro: ________________________________ Prof. Dr. Evandro Bittencourt Joinville, 15 de junho de 2011 4 Dedico este trabalho aos meus pais Humberto e Itrauti, e meu irmão Junior, pela paciência, força e apoio que foram concedidos durante mais esta etapa da minha vida. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pois sem Ele, esse sonho não estaria se realizando. A minha família: meu pai Humberto Nelson de Souza, minha mãe Itrauti Enck de Souza e meu irmão Humberto Nelson de Souza Junior, pois sem eles me apoiando, com certeza eu não chegaria onde estou hoje. Ao meu orientador Profº Valdésio Benevenutti, pela dedicação e generosidade em compartilhar seus conhecimentos para que esse trabalho fosse desenvolvido. A todas as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa: a Rita de Cássia Duarte, coordenadora do Registro Acadêmico da Udesc, pela paciência e dedicação ao fornecer as informações utilizadas. As meninas de todas as Engenharias que tiveram paciência para responder aos questionários, as vezes até comprometendo seus horários de aula e intervalos. A minha prima Jani e minha tia Ula, pois sem a ajuda delas, com certeza não chegaria nem na metade do caminho. Aos professores do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas por todo conhecimento que me foi passado, conhecimento que levarei para sempre em minha vida profissional e também pessoal. A Udesc pela oportunidade de realizar esse sonho de cursar uma universidade gratuita e de qualidade. 6 “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” (Albert Einstein) 7 MARIANA ENCK DE SOUZA MULHERES NA ENGENHARIA: ESCOLHA, O CURSO E EXPECTATIVAS NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO RESUMO A cada ano cresce o interesse das mulheres em cursar Engenharia. O presente trabalho tem por objetivo geral caracterizar os motivos e expectativas das mulheres na escolha do curso em Engenharia. Para que esse trabalho fosse realizado, primeiramente foi feita uma pesquisa bibliográfica, logo após foi elaborado um questionário, que foi testado com 10% das mulheres que seriam pesquisadas, para depois aplicar o questionário definitivo com 190 estudantes obtido através do cálculo da amostra com margem de erro de 5%. Os resultados da pesquisa revelaram que no processo de decisão de escolha do curso, a Engenharia está presente em 72% como primeira opção. A escolha das jovens ocorre entre 15 e 18 anos com apoio familiar. A preferência por Engenharia continua durante a sua realização ainda que 57% o consideram muito difícil. A convivência com os demais alunos é boa na avaliação de 90% das estudantes pesquisadas. Quanto ao futuro há interesse em cursar pós graduação, trabalhar na área e prestar concurso público. A maioria das acadêmicas pesquisadas afirmam se sentirem a vontade mesmo diante do predomínio do público masculino no curso, e no futuro, no exercício da profissão de Engenharia desejam igualdade de salários tanto para homens quanto para mulheres, pois a maioria das organizações ainda preferem contratar homens, e quando contratam mulheres, as mesmas recebem salários inferiores. Conclui-se portanto, que ainda há necessidade do mercado superar as diferenças de tratamento que ainda estão presentes. PALAVRAS-CHAVE: Mulheres. Engenharia. Udesc. 8 LISTAS DE FIGURAS Figura 1 - Nascimento das especialidades da Engenharia (datas aproximadas) ...................... 17 Figura 2 - Curso: Quantidade de alunas/ total de alunas pesquisadas ...................................... 29 Figura 3 - Prioridade de escolha pelo curso ............................................................................. 29 Figura 4 - Idade que decidiu fazer Engenharia ........................................................................ 30 Figura 5 - A motivação pela escolha de um curso de Engenharia ........................................... 31 Figura 6 - O apoio familiar no momento da decisão pela Engenharia ..................................... 32 Figura 7 - Preferência atual do curso ....................................................................................... 32 Figura 8 - Dificuldades no curso .............................................................................................. 33 Figura 9 - O convívio das mulheres no curso com maioria masculina .................................... 34 Figura 10 - O tratamento entre professor – aluna..................................................................... 35 Figura 11 - O futuro, após se formar ........................................................................................ 36 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Número de alunos matriculados por curso e por quantidade de mulheres. ............. 26 9 LISTA DE ABREVIATURAS CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CCT Centro de Ciências Tecnológicas INEP Institutos Nacional de Estudos Pedagógicos IPA Instituto Paulista de Adolescência MEC Ministério da Educação e Cultura PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina USP Universidade de São Paulo 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 11 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................................. 13 2.1 PROCESSO DE DECISÃO – A ESCOLHA DA PROFISSÃO ................................................. 13 2.1.1 Indecisão............................................................................................................................... 13 2.1.2 Influências ............................................................................................................................ 13 2.1.3 Vocação ................................................................................................................................ 14 2.2 ÁREAS DO CONHECIMENTO ................................................................................................ 15 2.2.1 Engenharia ............................................................................................................................ 16 2.3 MULHERES x ENGENHARIA ................................................................................................. 16 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................................................. 20 3.1 MÉTODO DE PESQUISA ......................................................................................................... 20 3.2 PESQUISA DE CAMPO ............................................................................................................ 20 3.3 O QUESTIONÁRIO APLICADO A UMA PESQUISA ............................................................ 21 3.4 COLETA E PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DE DADOS ............................................. 21 3.4.1 Amostragem ......................................................................................................................... 22 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS ................................................................. 24 4.1 A UNIVERSIDADE ................................................................................................................... 24 4.1.1 Centro de Ciências Tecnológicas – CCT.............................................................................. 25 4.2 ELABORAÇÃO DA PESQUISA ............................................................................................... 25 4.3 QUESTIONÁRIO ....................................................................................................................... 27 4.4 ANÁLISE DAS RESPOSTAS .................................................................................................... 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................................. 38 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 40 ANEXO ................................................................................................................................................ 43 11 1. INTRODUÇÃO Nos dias atuais, os jovens têm que decidir cada vez mais cedo qual profissão seguir. Todos os dias surgem novas faculdades e novos cursos, que acabam deixando os jovens sempre com dúvidas se aquela carreira escolhida é a que mais combina com o seu perfil. Os cursos de Engenharia formam a cada ano 32 mil novos engenheiros, porém o mercado necessita de 60 mil engenheiros. Os números de engenheiros formandos é muito baixo se levar em consideração os outros países. A China por exemplo forma 400 mil engenheiros por ano, a Índia e a Rússia formam em média 250 mil e 100 mil respectivamente. (GUSMÃO, 2011) As mulheres vêm conquistando o seu lugar num espaço de predominância masculina. Engenharia já não é uma profissão apenas para homens, a cada dia cresce o número de mulheres matriculadas nesses cursos. Dentro desse contexto, no Brasil, existem poucos estudos que buscam saber quais as razões para o aumento do número de mulheres nesses cursos de engenharia. Este trabalho procura os motivos para o aumento do número de mulheres matriculadas nos cursos de engenharia da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. O objetivo geral deste trabalho é caracterizar os motivos e expectativas das mulheres na escolha do curso em Engenharia. Os objetivos específicos deste trabalho são: Identificar quais as expectativas das mulheres antes de entrar no curso de Engenharia; Descrever o que levou as mulheres a entrarem nessa área; Verificar qual sua opinião sobre o curso; Analisar quais suas expectativas para o futuro. Com base nessa pesquisa de campo, procura-se conhecer as características do público feminino que está matriculado em algum dos cursos de engenharia de Udesc, além de tentar encontrar as razões pelas quais as mulheres procuram esses cursos. Este trabalho de pesquisa tem o público feminino como público alvo, nos cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção e Sistemas do Centro de Ciências Tecnológicas – CCT da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, em Joinville, Santa Catarina. 12 O trabalho está estruturado em capítulos, sendo que o primeiro é a introdução, que aborda a caracterização do tema, definição do problema, o objetivo geral, objetivos específicos, justificativa, delimitação e estrutura do trabalho. No segundo capítulo é apresentada a fundamentação teórica que é base para a realização da pesquisa, e apresenta os assuntos necessários para o entendimento da pesquisa aplicada. O terceiro capítulo, trás os procedimentos metodológicos, bem como o cálculo do tamanho da amostra. No quarto capítulo é feita a apresentação e análise dos resultados que foram obtidos através da pesquisa aplicada. No final deste trabalho apresenta-se ainda as considerações finais, bem como as referências que foram utilizadas. 13 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A Fundamentação Teórica presente neste trabalho faz referência a toda teoria já publicada situando a evolução do assunto e dando sustentação ao tema que está sendo estudado. 2.1 PROCESSO DE DECISÃO – A ESCOLHA DA PROFISSÃO O processo de escolha do curso superior que os jovens irão cursar é uma tarefa difícil. Para explicar melhor as etapas que abordam esse tema, esse sub-capítulo está dividido em: Indecisão, Influências e Vocação, que estão apresentados nos itens 2.1.1, 2.1.2 e 2.1.3 sequencialmente. 2.1.1 Indecisão Algumas pessoas sabem desde cedo qual profissão seguir, porém essas pessoas fazem parte da minoria dos estudantes que estão em fase de vestibular, que é a hora de decidir qual rumo suas vidas irão tomar (MundoVestibular, 2011). Segundo Zavala (2011), existe um relatório do Instituto Paulista de Adolescência (IPA) que diz que 42% dos estudantes que vão prestar vestibular não se sentem seguros sobre sua escolha profissional. Essa mesma instituição diz que as taxas de evasão chegam a 40% em alguns cursos da Universidade de São Paulo (USP). Zavala (2011) explica que esse comportamento indeciso dos jovens é uma combinação de vários fatores, pois em muitos casos, a escola não dá base para as decisões dos alunos. Uma pesquisa aponta que somente 10% dos entrevistados conseguem informações nas escolas, enquanto 42,9% afirmam que a televisão tem influência nas suas escolhas profissionais. O diretor do IPA, Eugênio Chipkevitch, diz em entrevista que os jovens são bombardeados por informações como saturação de algumas áreas e mudanças em outras, o que leva esses estudantes a uma confusão mental. 2.1.2 Influências Para Lemos (2002), no passado a escolha profissional praticamente era feita pela família, tendo sempre relação com um contexto tradicionalista, porém mais tarde, jovens mais 14 contestadores escolheram profissões diferentes das de suas famílias, e muitos não atuaram em sua área de formação. Hoje, a preocupação está principalmente em escolher uma profissão que trará sucesso financeiro. De acordo com Lucchiari (2002) a maioria das famílias buscam uma ascensão social através dos filhos e da profissão escolhida pelos mesmos, e isso faz com que muitas vezes esses jovens entrem em conflito entre o que realmente eles gostam de fazer e a profissão escolhida por suas famílias, que normalmente são profissões melhores reconhecidas socialmente. Segundo Mendonça (2010), a influência familiar acontece também de acordo com a ordem de nascimento dos filhos. O mais velho, é o filho em que os pais depositam as maiores expectativas, o filho do meio parece ser mais livre de pressões paternas e em geral mostram mais coragem para assumir sua escolha ocupacional, e o caçula na maior parte das vezes se sente pressionado a realizar os desejos dos pais que não foram realizados pelos outros filhos, e isso pode influenciar em suas decisões quanto a escolha da carreira que irá seguir. A escolha por uma profissão também pode ser influenciada por algum trauma ou evento ocorrido na vida de um indivíduo, como exemplo a perda de um familiar que pode levar uma pessoa a seguir a carreira na área da saúde. Esses fatores podem levar pessoas a seguirem áreas que não sejam exatamente suas reais potencialidades (MENDONÇA, 2010). 2.1.3 Vocação A vocação é entendida como uma predisposição natural a realizar determinadas atividades. Essa predisposição natural não se dá de uma hora para a outra, ela se forma conforme um indivíduo se relaciona com o meio em que vive (MONOGRAFIA AC, 2011; VESTIBULAR1, 2011) Para se descobrir uma vocação não se deve levar em consideração apenas a disciplinas de um curso, mas a profissão que será exercida após o término desse curso (VESTIBULAR1, 2011). Psicólogos costumam oferecer orientações profissionais para pessoas que tem o interesse em descobrir sua verdadeira vocação. Crepaldi, Toldo e Teixeira (2005) afirmam que a Orientação Profissional aplicada a jovens tem como objetivo facilitar o processo de escolha profissional, esclarecendo o seu significado e verificando os motivos de dúvidas, fazendo assim com que esses jovens tenham 15 um autoconhecimento e compreendam o mercado de trabalho. Existem muitas teorias sobre orientação profissional que orientam jovens quanto as suas escolhas, porém a mais antiga delas, chamada tradicional avalia as aptidões, testa interesses e busca perfis, ou seja, entende que uma boa escolha resulta da harmonia entre um perfil profissional e o pessoal. 2.2 ÁREAS DO CONHECIMENTO Segundo a Capes (2011), a classificação das Áreas do Conhecimento tem finalidade prática, e objetiva proporcionar aos órgãos que atuam em ciência e tecnologia uma maneira ágil e funcional de agregar suas informações. Essa classificação permite sistematizar informações sobre o desenvolvimento científico e tecnológico. A classificação original das Áreas do Conhecimento apresenta uma hierarquização em quatro níveis, que vão do mais geral aos mais específicos, abrangendo 08 grandes áreas, são elas: Ciências Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias; Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Linguística, Letras e Artes. Em 2008, a Capes através da Portaria nº 9, e após a decisão do Conselho Superior em sua 44ª reunião, alterou a tabela original, criando uma nova grande área, denominada Multidisciplinar. (CAPES, 2011). De acordo com a Capes, essa decisão foi justificada para atender a necessidade de organização do processo de avaliação e fomento realizado pela Capes, uma vez que as Áreas de Avaliação são organizadas a partir da configuração da Tabela de Áreas de Conhecimento. 16 2.2.1 Engenharia De acordo com Lombardi (2004), o surgimento da engenharia moderna se dá a partir dos séculos XVII e XVIII como conseqüência da Revolução Industrial e do Iluminismo. Com o surgimento da máquina a vapor e de outras máquinas utilizadas nas indústrias nascentes, houve o desenvolvimento de tecnologias, a busca de soluções para os problemas de funcionamento e de produção, estimulando o estudo e a pesquisa das ciências físicas e matemáticas e sua aplicação na prática. De acordo com Holtzapple e Reece (2006), Engenheiros são indivíduos que combinam conhecimentos da ciência, da matemática e da economia para solucionar problemas técnicos com os quais a sociedade se depara. A história da Engenharia pode ser vista como a disputa “homem versus natureza”, pois a humanidade progrediu redirecionando rios, pavimentando solos, derrubando árvores e minerando a terra. A Engenharia se divide em diversas especialidades, a Figura 1 exemplifica quando as principais especialidades nasceram. Conforme a Tabela da Capes (2009), a Grande Área da Engenharia se divide em 13 áreas, que são conjuntos de conhecimentos inter-relacionados coletivamente construído, reunidos segundo a natureza do objeto de investigação, com finalidades de ensino, pesquisa e aplicações práticas. 2.3 MULHERES x ENGENHARIA Sabe-se que desde a criação dos cursos de engenharia, os mesmos são pouco freqüentados por pessoas do gênero feminino. Vieira (2010) menciona que esta área profissional foi construída com o intuito de atender exigências militares de guerra e defesa de territórios no período moderno, e que depois da industrialização além de atender as exigências do processo de urbanização, com o crescimento das cidades, passou também a atender as inovações tecnológicas. 17 Figura 1 - Nascimento das especialidades da Engenharia (datas aproximadas) Fonte: Holtzapple e Reece, 2006 18 Pode-se perceber que as mulheres vêm ocupando cada vez mais espaço num mercado de trabalho que antes era ocupado principalmente pelos homens. Segundo o INEP/MEC (2011) o número de mulheres cursando engenharia cresceu de 25,5 mil (1991) para 42,8 mil (2002), ou seja, um aumento de 67,8%, enquanto o número de homens matriculados cresceu apenas 38,7%, assim pode-se observar que a representatividade feminina que era de 17,4% subiu para 20,3%. Segundo a PNAD de 2002, citada por Lombardi (2006) no Brasil havia 306.986 profissionais declarados como engenheiros, sendo que 273.037 eram do gênero masculino e apenas 33.949 do gênero feminino. Para Lombardi (2004) a oferta desses tipos de cursos também vem crescendo desde a década de 60, em 1963 existiam 98 cursos desse tipo no Brasil, em 1991 haviam 330 e em 2002 eram 837. De 1991 até 2002 teve um aumento de 152%. Sendo assim o número de concluintes também cresceu de 1857 em 1963, para 13026 em 1991, e em 2002 para 19886. Cascaes et al (2010) realizou entrevistas com engenheiros onde observou-se que independente do gênero a escolha pela engenharia foi influenciada principalmente pela aptidão na área de exatas, e mais especificamente pela matemática. Outra citação muito comum entre os entrevistados foi a influência de ascendentes que tinham a mesma profissão. O mesmo artigo cita que as mulheres vêm conquistando mais espaço na área tecnológica, porém sempre encontrando dificuldades, pois constatou-se na pesquisa que a maioria dos engenheiros pesquisados iniciaram a carreira através do estágio e na maior parte das vezes o conseguiram por indicação de algum professor, colega ou parente. Segundo Lombardi (2006) ser um homem engenheiro ou uma mulher engenheira não é a mesma coisa, por exemplo na engenharia civil, no segmento de obras a presença de engenheiras ainda causa certa estranheza tanto junto dos “peões” quanto aos colegas engenheiros. O depoimento de um engenheiro dado a Lombardi comprova que as mulheres não são tão bem vindas nessa área, ele cita que o canteiro de obras é: “ambiente abrutalhado, trabalho pesado e sujo e a falta de infra-estrutura de alojamentos e sanitários para recebê-las.” Quanto a remuneração Cascaes et al (2010) que aplicou sua pesquisa em 4 empresas da área de engenharia civil, citou que o salário de engenheiros e engenheiras chega muito próximo ao piso salarial da categoria, porém normalmente as engenheiras demoram um tempo maior para ultrapassar o piso. Pode-se observar que as engenheiras com mais de 10 anos de empresa conquistaram uma faixa salarial além do piso da categoria, atingindo até 15 salários mínimos, por outro lado uma engenheira de obra com 7 anos de experiência em uma grande 19 empresa da construção civil, recebe um salário que é inferior ao salário de um engenheiro com menos tempo de serviço, na mesma função na mesma empresa. 20 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Nesta etapa são apresentados os métodos que foram utilizados na realização da pesquisa, os procedimentos utilizados para coleta e análise de dados, bem como o cálculo de amostragem. 3.1 MÉTODO DE PESQUISA A pesquisa apresentada neste trabalho, tendo em vista seus objetivos, pode ser considerada uma pesquisa descritiva, onde o objetivo principal é a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos e uma de suas características é a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, como por exemplo questionários e observações sistemáticas (GIL, 2002). O questionário que foi aplicado foi elaborado de acordo com uma pesquisa bibliográfica feita anteriormente que procurou pesquisas semelhantes realizadas com o mesmo público alvo. As principais fontes para a pesquisa bibliográfica foram livros, sites, teses e artigos, os quais também foram base para a elaboração do questionário aplicado. 3.2 PESQUISA DE CAMPO Para Marconi e Lakatos (1982), pesquisa de campo é aquela que tem como objetivo conseguir informações ou conhecimentos a respeito de um problema, no qual procura-se uma resposta. Para realizar uma pesquisa de campo, não basta apenas coletar dados, precisa-se estudar esses dados para que possam chegar a uma conclusão do problema. Segundo Rodrigues (2007), a pesquisa de campo é a observação dos fatos da maneira como ocorrem, e ela não permite isolar e controlar as variáveis, mas estudar e perceber as relações estabelecidas. Fachin (2001) diz que existem três aspectos a serem observados antes de se iniciar a pesquisa propriamente dita, esses três aspectos seriam observar a sociedade ou o ser humano (a que, ou a quem), observar as particularidades (quando) e por último observar o hábitat social (onde). Esses três aspectos delimitam a área de estudo de campo. 21 3.3 O QUESTIONÁRIO APLICADO A UMA PESQUISA Segundo Marconi e Lakatos (1982) o questionário é um instrumento de coleta de dados que é constituído por uma série de perguntas. Para Vilela Junior (2011) o questionário é composto por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito pela pessoa informante, sendo que o mesmo deve ser objetivo, limitado em extensão e estar acompanhado de instruções. Essas instruções precisam esclarecer o motivo pela sua aplicação e ainda ressaltar a importância da colaboração do informante para a pesquisa. As perguntas do questionário podem ser abertas, fechadas ou ainda de múltipla escolha. De acordo com Marconi e Lakatos (1982) as perguntas abertas são livres e não limitadas, permitem ao informante responder usando sua própria linguagem, emitindo opiniões sem restrições, porém apresenta alguns inconvenientes como a dificuldade de resposta por parte do informante, o processo de tabulação, o tratamento estatístico e a interpretação, além da análise ser cansativa e demorada. Segundo Pinheiro et al (2006), as perguntas fechadas são as que as respostas são previsíveis, e as alternativas estão definidas. Apresentam respostas como: sim ou não, contra ou a favor. As questões de múltipla escolha são aquelas que aceitam mais de uma alternativa como resposta, e Marconi e Lakatos (1982) afirmam que essa maneira de questionário proporciona uma grande facilidade de tabulação além de oferecer uma exploração em profundidade quase tão boa quanto a de perguntas abertas. Dentre as vantagens da aplicação de um questionário, Fachin (2001) considera que seja um instrumento de coleta de informações relativamente acessível se comparado aos demais. Marconi e Lakatos (1982) dizem que no questionário há mais segurança, pelo fato de as respostas não serem identificadas, além de obter-se respostas que materialmente seriam inacessíveis. 3.4 COLETA E PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DE DADOS Para coletar os dados que foram utilizados nesta pesquisa houve a aplicação de um questionário (Anexo 1), sendo o mesmo respondido por mulheres escolhidas de forma aleatória, sabendo que as pesquisadas devem ser restritamente da Udesc, e cursarem algum curso de engenharia. 22 Depois de aplicada a pesquisa os dados foram organizados em uma planilha de Excel para organizar e visualizar melhor através de gráficos. Os dados como a quantidade de alunos existentes em cada curso, bem como o número de mulheres foram fornecidos pelo Setor de Registros Acadêmicos da universidade pesquisada, sendo que o número total de mulheres que cursam as 4 (quatro) engenharias da Udesc (Civil, Elétrica, Mecânica e de Produção) é igual a 364 mulheres, o que corresponde a 22,68% dos alunos matriculados nas engenharias (a universidade tem um total de 1605 alunos matriculados nas engenharias). 3.4.1 Amostragem Fachin (2001) define amostragem como sendo um conjunto de técnicas estatísticas que possibilita, a partir do conhecimento de uma parte denominada amostra, obter informações sobre um todo. Para Marconi e Lakatos (1982), quando se deseja colher informações sobre um ou mais aspectos de um grupo grande de pessoas, torna-se praticamente impossível coletar dados de toda a população que se deseja pesquisar, sendo assim, sente-se uma necessidade de colher tais informações apenas de um grupo de pessoas. Porém é importante que essa parcela da população pesquisada represente a população como um todo. Para Barbetta, Reis e Bornia (2008) na amostragem aleatória simples a seleção da população pesquisada é feita aleatoriamente, sendo assim todos os elementos da população tem a mesma chance de serem pesquisados. Segundo Fachin (2001) o método de amostragem aleatória simples é o método mais utilizado e serve como base para praticamente todos os tipos de amostragem científica. Nesse tipo de amostragem cada elemento da população pesquisada deve ter a mesma chance de ser incluído na amostra, e ainda pode-se considerar duas formas diferentes: amostra aleatória com reposição ou amostra aleatória sem reposição. Amostra aleatória com reposição – se dá quando os elementos da população podem ser incluídos mais de uma vez na amostra; Amostra aleatória sem reposição – se dá quando cada elemento da população pode ser incluído uma única vez na amostra. Segundo Barbetta (2002) a fórmula de amostragem sistemática que calcula o tamanho da amostra da população que deve ser pesquisada é: 23 no = 1 / Eo² n = (N . no) / (N + no) Onde: N – tamanho (número de elementos) da população; n – tamanho (número de elementos) da amostra; no – uma primeira aproximação do tamanho da amostra; Eo² – erro amostral tolerável. Na pesquisa aplicada, será considerado um erro de 5% (Eo²=0,05), então: no=1/(0,05)² no=400 Os outros dados foram fornecidos pela instituição, ou seja, N=364 mulheres: n=(364 . 400)/(364+400) n=190 Ou seja, para que os resultados da pesquisa sejam validados, o questionário terá que ser respondido por 190 mulheres que cursam Engenharia. É necessário lembrar que antes de aplicado o questionário, foi feito um teste com aproximadamente 10% do tamanho da amostra, para tentar encontrar falhas no questionário e corrigi-las antes de aplicado em sua forma total. 24 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS Nesta etapa será apresentada a universidade em que foi feita a pesquisa, os dados fornecidos por ela, assim como os resultados obtidos através da pesquisa. 4.1 A UNIVERSIDADE A Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC foi criada pelo decreto 2.802, de 20 de maio de 1965. É uma instituição pública, que oferece ensino gratuito e tem a finalidade direcionada para acelerar o crescimento e desenvolvimento do Estado de Santa Catarina, pois está presente em diversos municípios catarinenses com a sua estrutura multicampi e a sua atuação vocacionada para o perfil sócio-econômico e cultural das regiões onde atua, atendendo principalmente as necessidades específicas de cada região (UDESC, 2011). Possui 11 (onze) centros no estado, que atuam nas áreas de saúde, tecnologia, educação, arte e socioeconômicas, são eles: CAV – Centro de Ciências Agroveterinárias CCT – Centro de Ciências Tecnológicas CEAD – Centro de Educação a Distância CEART – Centro de Artes CEAVI – Centro de Educação Superior do Alto Vale do Itajaí CEFID – Centro de Educação Física, Fisioterapia e Desportos CEO – Centro Educacional do Oeste CEPLAN – Centro de Ensino do Planalto Norte CERES – Centro de Educação Superior da Região Sul ESAG – Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas FAED – Centro de Ciências da Educação A Udesc é considerada uma das mais conceituadas e disputadas universidades em Santa Catarina e também no Brasil. A instituição é pioneira no país em áreas diversas e fundamentais, e contribui diretamente para que Santa Catarina tenha sempre um melhor desempenho ao do país em relação à educação superior. A busca por uma vaga nessa universidade não é relacionada apenas com a gratuidade do ensino, mas com a qualidade que a universidade oferece (UDESC, 2011). 25 4.1.1 Centro de Ciências Tecnológicas – CCT Em Joinville, a instituição foi criada com a denominação de Faculdade de Engenharia de Joinville, em 09 de outubro de 1956, através da Lei nº 1520/56. Essa foi a primeira tentativa de interiorizar o ensino superior tradicionalmente restrito às capitais dos estados. Em seu primeiro vestibular, em julho de 1965, obteve apenas 09 (nove) candidatos, e em agosto do mesmo ano a instituição iniciou suas atividades no curso de Engenharia de Operação, com a modalidade de Mecânica de Máquinas e Motores (UDESC JOINVILLE, 2011). No início a universidade funcionava em sede própria, na rua Otto Boehm, 48, no centro da cidade de Joinville, local onde hoje funciona a rádio Udesc FM e a Fundação Softville. Hoje a universidade está situada no campus universitário Professor Avelino Marcante, que teve sua construção iniciada em 1977 e foi inaugurada em 08 de março de 1979, a partir desse momento, a então Faculdade de Engenharia de Joinville passou a ser chamada de Centro de Ciências Tecnológicas, contando com mais de 2.960 alunos distribuídos entre os 09 (nove) cursos de graduação: Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção e Sistemas, Ciências da Computação, Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Física e Licenciatura em Química. O centro oferece também 04 (quatro) cursos de mestrados gratuitos: Ciência e Engenharia de Materiais, Física, Engenharia Elétrica, na modalidade acadêmica e profissional, e ainda Engenharia Mecânica. Apresenta ainda o curso de doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais (UDESC JOINVILLE, 2011). Hoje a universidade não se restringe ao campus, pois a cada ano crescem as iniciativas, através de atividades de extensão que integram a comunidade de Joinville com a universidade. A Informática na Terceira Idade e Informática para Escolas Públicas, que oferecem aulas gratuitas de informática para idosos e alunos carentes da rede pública municipal e estadual de Joinville, são exemplos de projetos de extensão que a universidade oferece (UDESC JOINVILLE, 2011). 4.2 ELABORAÇÃO DA PESQUISA Para que a pesquisa pudesse ser realizada, foi necessário descobrir a quantidade de mulheres que estão matriculadas nos cursos de Engenharia da Udesc – Campus Joinville. Esse número foi fornecido pelo Setor de Registros Acadêmicos da universidade, e está descrito na Tabela 1. 26 Tabela 1 - Número de alunos matriculados por curso e por quantidade de mulheres. Cursos Total de alunos Mulheres % de mulheres % de mulheres no curso na Engenharia /total de mulheres Engenharia 438 180 41,10% 49,45% 369 31 8,40% 8,52% 364 41 11,26% 11,26% 434 112 25,81% 30,77% 1605 364 22,68% 100% Civil Engenharia Elétrica Engenharia Mecânica Engenharia de Produção Total Fonte: Setor de Registro Acadêmico – Udesc – 2011/01 De acordo com a Tabela 1, pode-se observar que o curso de Engenharia Civil apresenta o maior número de mulheres, sendo que as mesmas representam 41,10% dos alunos matriculados no curso e 49,45% das mulheres que cursam Engenharia. Da mesma forma, pode-se ver que na Engenharia Elétrica, Mecânica e de Produção o número de mulheres é representado respectivamente por 8,40%, 11,26% e 25,81% dos alunos matriculados, assim como as mulheres matriculadas nestes cursos representam 8,52%, 11,26% e 30,77% do total de mulheres matriculadas nas Engenharias. Através da Tabela 1, pode-se calcular a quantidade de mulheres de cada curso que terão que responder ao questionário. Para chegar ao valor exato de mulheres de cada curso pesquisadas, será calculada a % de mulheres no curso/total de mulheres vezes a quantidade de mulheres que devem responder ao questionário (n=190). Assim: Engenharia Civil: 0,4945 . 190 = 93,96 mulheres; Engenharia Elétrica: 0,0852 . 190 = 16,19 mulheres; Engenharia Mecânica: 0,1126 . 190 = 21,39 mulheres; 27 Engenharia de Produção: 0,3077 . 190 = 58,46 mulheres; Para que a pesquisa fosse realizada, foi feito um arredondamento, assim o questionário foi aplicado a 94 mulheres que cursam Engenharia Civil, 16 mulheres que cursam Engenharia Elétrica, 21 mulheres que cursam Engenharia Mecânica e 59 mulheres que cursam Engenharia de Produção. Um teste do questionário foi aplicado em aproximadamente 10% das mulheres que teriam que ser pesquisadas, respeitando as quantidades de mulheres de cada curso. Desta forma, o questionário pôde ser aplicado sem problemas, evitando dúvidas em alguma questão. 4.3 QUESTIONÁRIO No questionário aplicado, 90% das perguntas foram elaboradas de forma fechada e apesar dessa forma de questionário poder influenciar as respostas, é uma forma que facilita a aplicação e análise dos resultados. O questionário foi estruturado em três partes, primeiramente foram colocadas as perguntas que dizem respeito antes de entrar num curso de engenharia. As primeiras 4 perguntas tinham intenção de descobrir se Engenharia havia sido a primeira opção de curso das pesquisadas, se a escolha pelo curso vinha desde cedo, o que levou-as a cursar Engenharia e se a família havia influenciado e apoiado sua decisão. O segundo bloco de perguntas diziam respeito a fase que elas estão vivendo, ou seja, durante o curso. Nesta etapa foram feitas perguntas com relação a preferência atual do curso, onde a intenção era saber se a pesquisada mantinha o interesse pela área; as dificuldades encontradas durante o período de faculdade onde as alternativas propostas mencionavam a presença ou ausência de dificuldades, a predominância masculina do curso, e as oportunidades de estágio. Neste segundo bloco de perguntas também se procurava saber como era o convívio das mulheres em um curso onde a maioria dos alunos eram homens e também como é o relacionamento diário entre professor e aluna. O último bloco de questões tem a intenção de saber sobre o futuro da pesquisada em relação a área escolhida por ela. Houveram duas questões relacionadas a esse tema, a primeira delas era fechada, porém com possibilidade de assinalar até 3 alternativas. Nesta questão foi perguntado sobre as intenções das acadêmicas após a formatura em Engenharia. As 28 alternativas de respostas mencionavam a possibilidade de cursar outra faculdade, tanto na mesma área quanto em área diferente da faculdade cursada atualmente; a intenção de fazer um curso de pós graduação, mestrado ou doutorado para dar continuidade à área escolhida; trabalhar na área em empresa privada; e prestar concurso público. A alternativa “Outro” foi colocada para que deixasse em aberto a possibilidade de outra sugestão. A décima e última questão se apresentava de forma aberta, para que não houvesse influência nas respostas obtidas. Na questão número 10 foi perguntado sobre quais as expectativas da aluna com relação ao futuro, no exercício da profissão de Engenheira. Foram aplicados 190 questionários, de maneira aleatória, o questionário completo aplicado pode ser visualizado no Anexo 1. 4.4 ANÁLISE DAS RESPOSTAS Nesta etapa serão apresentadas as respostas obtidas através da aplicação dos questionários. Para uma melhor visualização, as perguntas fechadas terão suas respostas apresentadas na forma de gráficos com porcentagens. A questão número 10 que foi apresentada de forma aberta, terá algumas de suas respostas apresentadas. Nesta última questão, serão expostas as respostas que representem a opinião da maioria. Na Figura 2 pode-se observar que quase a metade das pesquisadas foram do curso de Engenharia Civil, esse número se deve ao fato das mulheres desse curso representarem quase a metade das mulheres que cursam Engenharia na Udesc. Quanto aos cursos pesquisados, obteve-se a quantidade mínima que mulheres que teriam que responder ao questionário. 29 100% 80% 60% % 94 40% 59 20% 21 16 0% Civil Elétrica Mecânica Produção Cursos (Engenharias) Figura 2 - Curso: Quantidade de alunas/ total de alunas pesquisadas Fonte: Própria, 2011 Na questão número 1 que diz respeito a prioridade de escolha pelo curso que a pesquisada está cursando, as respostas obtidas estão representadas na Figura 3: 100% 80% 137 % 60% 40% 4 2 Outra 20% Sua 3ª opção de curso 47 Sua 2ª opção de curso Sua 1ª opção de curso 0% Prioridade Figura 3 - Prioridade de escolha pelo curso Fonte: Própria, 2011 30 A Figura 3 mostra que aproximadamente 72% das pesquisadas teve sua preferência voltada para a área de Engenharia quando escolheu a faculdade que iria cursar. Na Figura 4 está representada a questão número 2, que pergunta com que idade a pesquisada decidiu que faria Engenharia. O intuito era de descobrir se a vontade de fazer esse curso era algo que vinha desde a infância, uma decisão que havia sido tomada na idade de prestar vestibular ou se era algo que vinha após os 18 anos, quando provavelmente já havia prestado outros vestibulares e não havia passado em outros cursos ou ainda desistido de outros cursos. 100% 144 80% % 60% 40% 37 20% 0 9 Após os 18 anos Entre 15 e 18 anos Entre 10 e 15 anos Antes dos 10 anos 0% Faixa Etária Figura 4 - Idade que decidiu fazer Engenharia Fonte: Própria, 2011 A questão 2, representada na Figura 4, comprovou que a maioria das pesquisadas decidiram fazer Engenharia quando estavam em idade entre 15 e 18 anos, que é a idade que normalmente estão cursando o ensino médio e decidem qual profissão irão seguir. A questão 3, na Figura 5 visava saber os motivos pela escolha de um curso de Engenharia: 31 100% 124 40% 20% 34 19 A família me incentivou 60% Tenho parentes próximos que são engenheiros % 80% 13 Outros. Sempre gostei da área de exatas 0% Motivos Figura 5 - A motivação pela escolha de um curso de Engenharia Fonte: Própria, 2011 Pode-se observar na Figura 5, que a maioria das pesquisadas informaram que optaram pelo curso por terem afinidades com a área de exatas. As pesquisadas que escolheram o curso por terem parentes na Engenharia, somam quase 18% do total, enquanto 10% ainda afirmam que escolheram o curso por influência da família. Dentre as respostas Outros, os motivos citados foram que a família possuía empresa na área, a pesquisada já trabalhava na área ou ainda a que havia levado em consideração a questão financeira. Percebe-se através da questão 4, representada na Figura 6, que nos dias atuais as famílias dão apoio às escolhas profissionais dos filhos, pois foram poucas mulheres que afirmaram que a família queria que seguissem outra carreira. 32 100% 175 80% % 60% 40% 20% 15 0 0% Sim, todos apoiaram minha decisão Não, eles queriam que eu seguisse outra carreira Outros Influência da Família Figura 6 - O apoio familiar no momento da decisão pela Engenharia Fonte: Própria, 2011 No que diz respeito a questão número 5, foi perguntado se o curso continuava sendo o curso de preferência das pesquisadas, assim poder-se-ia observar se ainda havia interesse no curso ou se já não era mais de seu interesse. As respostas obtidas estão representadas na Figura 7: 100% 181 90% 80% 70% % 60% 50% 40% 30% 20% 9 10% 0% Sim Não. Preferência Atual pelo Curso Figura 7 - Preferência atual do curso Fonte: Própria, 2011 33 Na questão 5, quando as pesquisadas responderam não, foi perguntado o motivo, sendo que o motivo mais citado foi de que Engenharia não era sua primeira opção de curso e elas ainda tinham preferência por outra área. Entre as maiores dificuldades encontradas no curso, questionado na questão 6, a maioria citou que o curso era apenas difícil, e não haviam outros obstáculos. A Figura 8 representa o gráfico gerado através das respostas obtidas. 100% 80% 109 % 60% 40% 49 20% 17 15 0 Outra. Não encontra dificuldades As oportunidades de estágio não contemplam as mulheres. O curso é predominantemente masculino, e não se sente a vontade. O curso é muito difícil 0% Dificuldades Figura 8 - Dificuldades no curso Fonte: Própria, 2011 Algumas mulheres citaram que as oportunidades de estágio não contemplam o gênero, 25% afirmam que não encontram dificuldades e ninguém respondeu a alternativa que mencionava que a presença masculina poderia ser uma dificuldade. Dentre as respostas “Outra”, as dificuldades citadas foram principalmente a falta de tempo para estudar, pois o curso exige dedicação quase que exclusiva. 34 Quando a questão é o convívio com alunos homens, a maioria demonstra ter boa convivência com os mesmos, poucas se dizem não a vontade e algumas não se sentem mal, porém se sentiriam melhores se houvessem mais mulheres. Observe na Figura 9: 100% 172 80% % 60% 40% 20% 13 3 02 Outro Se sentiria melhor se houvessem mais mulheres Não se sente a vontade Tem boa convivência com os demais alunos 0% Convívio Figura 9 - O convívio das mulheres no curso com maioria masculina Fonte: Própria, 2011 Na questão 8 foi perguntado se as pesquisadas acreditavam que havia diferença de tratamento na relação professor-aluno, e 67% mencionou que não havia diferença de tratamento enquanto o restante acreditava que as mulheres eram tratadas de maneira diferente. O gráfico representativo desta questão encontra-se abaixo, na Figura 10: 35 100% 80% 128 % 60% 40% 62 20% Não, eles tratam as mulheres da mesma maneira que os homens Sim, as mulheres são tratadas de maneira diferente. 0% Tratamento Figura 10 - O tratamento entre professor – aluna Fonte: Própria, 2011 A questão número 9 era a única que dava direito a responder mais de uma alternativa. As pesquisadas poderiam responder até 3 das alternativas propostas. Foi perguntado quando a pesquisada se formasse, qual seriam seus planos para o futuro. Foram obtidos os seguintes resultados demonstrados na Figura 11: 36 180 162 160 Quantidade 140 121 120 100 79 80 60 6 4 Outra faculdade, em área diferente. 20 Outra faculdade, na mesma área 40 9 Outro Prestar concurso público. Trabalhar na área em empresa privada. Curso de pós-graduação (mestrado, doutorado) 0 Intenção Figura 11 - O futuro, após se formar Fonte: Própria, 2011 As respostas obtidas na questão 9, mostram que a maioria das mulheres pretendem continuar na área, investindo em cursos de pós-graduação, bem como mestrados e doutorados. Elas também desejam trabalhar em empresas privadas, e uma parte delas desejam prestar concurso público. Poucas demonstraram interesse em cursar outra faculdade na mesma área ou em área diferente. A alternativa “Outro” foi mencionada por pouco mais que 2% das candidatas, onde a maioria mencionou que gostaria de abrir seu próprio negócio. A décima e última questão era a única que se apresentava de forma aberta. Foi perguntado sobre as expectativas da pesquisada a respeito do futuro no exercício da profissão de Engenharia. Nesta pergunta pôde-se observar que muitas pesquisadas informaram que queriam ser bem sucedidas profissionalmente, gostariam que não houvesse discriminação entre homens e mulheres no exercício da profissão, e que mulheres e homens recebessem o mesmo salário quando desempenhassem a mesma função. Algumas entrevistadas não escondem o descontentamento com a área, uma das pesquisadas mencionou: 37 Com o aumento de profissionais na área, a alta concorrência, talvez venha a fazer outra atividade fora da área. Os Engenheiros não têm sido tão bem remunerados ultimamente, pois estão tornando-se comuns no mercado. Em outra pesquisa respondida, foi mencionado o desgaste de uma faculdade de Engenharia: Acho que não me adaptaria muito bem a grandes empresas privadas, corporações. Ainda não tenho grandes ambições além do concurso público, tão almejado por todos. Já cogitei a idéia de dar continuidade aos estudos com um mestrado, mas a graduação na área de Engenharia já está sendo bem desgastante, por isso pretendo trabalhar e me dedicar a estudar para concursos Por outro lado, algumas mulheres citam que desejam trabalhar em algumas áreas que são de predominância masculina, pois o mercado está abrindo lentamente as portas para as mulheres, e que as mesmas estão se mostrando muito eficientes. Algumas citam que existem áreas da Engenharia que dão preferência a mulheres: Espero ter boas oportunidades e ser reconhecida pela minha capacidade e não julgada por ser mulher e desempenhar uma tarefa que rotineiramente seria feita por homens. Existem diversas áreas de atuação da engenharia em que há a preferência por mulheres. Acredito que independente de sexo haverá vagas no mercado de trabalho para todos. Outro caso em que as mulheres são bem aceitas é citado em uma das entrevistas: As expectativas são as melhores possíveis, já que o curso de engenharia civil possui uma grande área para atuação e as obras estão a mil. Aos poucos percebo que as mulheres estão se saindo bem na engenharia, onde eu trabalho somos a maioria mulheres, creio que somos mais organizadas, e os pedreiros e serventes nos respeitam na obra, o contrário do que muita gente pensa. Todas as respostas mencionadas acima foram fornecidas de forma escrita através dos questionários aplicados às mulheres que estão cursando Engenharia na Udesc. 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve como principal objetivo caracterizar os motivos e expectativas das mulheres na escolha do curso em Engenharia, identificar quais as suas expectativas antes de entrarem no curso, a sua opinião a respeito do mesmo, descrever o que as levou a optarem por essa área e analisar as suas perspectivas para o futuro. Como principais pontos que foram observados pelo estudo, pode-se destacar: O processo de escolha do curso superior que os jovens irão cursar é uma tarefa difícil, no entanto, para 72% das acadêmicas pesquisadas a engenharia foi a primeira opção e continua sendo o curso de preferência de 95%. Embora tenha aumentado o número de mulheres na Engenharia nos últimos anos, elas ainda formam um grupo menor, e ainda que existam mulheres que estejam descontentes com algum preconceito sofrido, estas fazem parte de uma minoria matriculada na instituição. A maioria das mulheres que está na área de Engenharia não se sente incomodada com o fato da presença masculina ser maior do que a presença feminina. Há uma predominância masculina nessa área, porém a mesma vem sendo ocupada também pelo público feminino em razão do aumento de interesse das mulheres pelos cursos de Engenharia. As mulheres optam por essa área entre 15 e 18 anos e têm encontrado o apoio familiar, 57% delas consideram que o curso é muito difícil, enquanto 25% afirmam não encontrarem dificuldades. Considerando o tratamento recebido por parte dos professores, para 32% das pesquisadas, as mulheres são tratadas de maneira diferente em relação aos homens. Através das respostas obtidas, pôde-se perceber que a maioria das pesquisadas tem interesse em prosseguir com a carreira na área de Engenharia, pois 85% delas mencionaram que gostariam de fazer uma pós graduação, mestrado ou doutorado, 63% querem trabalhar na área após se formar e ainda 41% demonstram interesse em prestar 39 concurso público. Embora algumas entrevistadas se mostram descontentes com a área, a maioria deseja igualdade de salários e tratamento igual entre homens e mulheres. Diante do exposto pode-se afirmar que as futuras Engenheiras terão que conviver com as diferenças nas organizações, pois terão ainda que quebrar algumas barreiras a fim de conquistar e ampliar seu espaço no mercado de trabalho. 40 REFERÊNCIAS BARBETTA, P. A. Estatísticas aplicadas às Ciências Sociais. 5 ed. Florianópolis: UFSC, 2002. BARBETTA, P. A.; REIS, M. M.; BORNIA, A. C. Estatística para Cursos de Engenharia e Informática. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2008. CAPES. Capes – Tabela de Áreas de Conhecimento. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/avaliacao/tabela-de-areas-de-conhecimento> Acesso em: 30 abr. 2011, 19:30. CASCAES. T. R. F. et al. A Invisibilidade das Mulheres em Carreiras Tecnológicas: Os Desafios da Engenharia Civil no Mundo do Trabalho. Curitiba, 2010. CREPALDI, C. F.; TOLDO, L. B.; TEIXEIRA, R.Orientação Profissional Para Jovens do Ensino Médio: Uma Experiência Prática. Criciúma, 2005. FACHIN, O. Fundamentos de Metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2001. GIL, A. C. 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