ANÁLISE DAS NECESSIDADES DOS PONTOS
CRÍTICOS DA AVENIDA MENINO MARCELO:
CONTRIBUIÇÃO DA DUPLICAÇÃO PARA A
REESTRUTURAÇÃO DA VIA
Arypuanã Capuxy Santiago Neto
Gregory Aguiar Caldas Barbosa
Maressa Cavalcanti Falcão
ANÁLISE DAS NECESSIDADES DOS PONTOS E TRECHOS CRÍTICOS DA
AVENIDA MENINO MARCELO: CONTRIBUIÇÃO DA DUPLICAÇÃO PARA A
REESTRUTURAÇÃO DA VIA
Arypuanã Capuxy Santiago Neto
Gregory Aguiar Caldas Barbosa
Maressa Cavalcanti Falcão
Centro Universitário Cesmac
RESUMO
Com a expectativa da diminuição dos congestionamentos e da melhoria da segurança no trânsito por meio das
obras de duplicação, o tema é um dos mais abordados no que se refere à melhoria da mobilidade nacional. A
segurança viária e a fluidez geram grandes preocupações ao setor de transportes. Com isso, este trabalho visa
apresentar propostas de diminuição dos impactos dos pontos ou trechos críticos da Avenida Menino Marcelo nos
quesitos de segurança e fluidez. Por meio da atualização dos dados estatísticos foi realizada a análise e sugeridas
as propostas a fim de melhorar a mobilidade e a segurança da via. Essas sugestões pretendem garantir aos
pedestres, aos ciclistas, aos motoristas de transportes individuais e ao transporte público espaços adequados e
democráticos. Para tal, foi constatada a necessidade da duplicação da avenida, especialmente para que a via
possua espaço suficiente para implantar as melhorias sugeridas.
1. INTRODUÇÃO
A falta de planejamento e de investimentos na infraestrutura viária da cidade de Maceió/AL,
junto ao incentivo a obtenção de carros particulares ocorrido em todo o país devido às
medidas do Governo Federal, estimularam o crescimento dos índices de congestionamentos e
o número de acidentes ocorridos nas vias da cidade. A construção de novas vias não
acompanhou o crescimento do número de veículos, sendo este exponencialmente maior. A via
em estudo representa um segmento da BR-316, chamada de Avenida Menino Marcelo vai do
km 273 ao km 286, é o segundo principal corredor viário da cidade e atravessa 5 bairros com
elevada densidade populacional. A Via Expressa, como era conhecida inicialmente, foi
concebida para absorver o tráfego, pesado ou leve, que se dirigia ao Porto de Maceió,
representando uma ponte entre a rede rodoviária e a rede portuária. A abertura para o tráfego
se deu em meados de 1982, ocorrendo ao longo dos anos à ocupação de toda a sua extensão,
em sua maioria de forma espontânea e desordenada, criando anomalias na ocupação do
espaço e não obedecendo à faixa de domínio. Após 32 anos, a via não sofreu nenhuma
intervenção impactante e recebeu pequenas mudanças, DNIT (2005). A Avenida Menino
Marcelo possui 4 faixas de rolamento, duas para cada sentido, com revestimento asfáltico,
interseções no mesmo nível, semáforos, ondulações transversais, iluminação pública, passeios
e ciclovia, sendo os dois últimos sem continuidade e manutenção. Não possui canteiro central
na sua extensão, possibilitando a realização de conversões à esquerda. A fim de vislumbrar a
melhora da mobilidade da cidade e da logística da produção agrícola do interior do Estado, os
governos possuem a pretensão de duplicar a Via Expressa, a qual foi municipalizada para
receber as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento que viabilizará as obras da
duplicação. Com a expectativa de que a duplicação da Menino Marcelo diminua os pontos de
congestionamentos e melhore a segurança no trânsito, o tema é um dos mais abordados no
que se refere a melhoria da mobilidade, porém, para que os objetivos possam ser atingidos é
fundamental analisar os pontos e trechos críticos da via. Assim, serão propostas sugestões de
melhorias para a fluidez e a segurança viária e espera-se que o estudo identifique a
necessidade ou não da duplicação da Avenida e dos elementos de infraestrutura, a fim de
proporcionar uma melhor qualidade de vida para a população e tornar a via um espaço público
democrático.
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2. MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi realizado em três partes com o intuito de analisar as necessidades da via,
com enfoque nos 5 trechos críticos que já foram identificados e trabalhados em estudo
científico anterior por Véras e Albuquerque (2012), com o tema “Segurança Viária:
Identificação dos pontos críticos da Av. Menino Marcelo – Maceió, AL”. A primeira etapa
consistiu na revisão e pesquisa de uma bibliografia básica sobre o tema a partir de
dissertações, teses, artigos e livros publicados, onde se pôde ampliar o conhecimento e tomar
ciência sobre o que estava sendo relatado. Após a definição dos objetivos, houve a coleta e a
atualização dos dados estatísticos de tráfego necessários e da análise in loco nos principais
alvos críticos da via, que consistiu na segunda etapa do estudo. Na terceira etapa foram
propostas as possíveis soluções e seu confronto com a solução de duplicação da via. Após a
pesquisa e mapeamento da Avenida Menino Marcelo e também dos seus pontos críticos foram
selecionados e realizada a verificação dos locais indicados como graves. Em seguida, foi
desenvolvido um estudo in loco na via, nos trechos selecionados para identificação das
variáveis de tráfego relacionadas com o tema da pesquisa e posteriormente houve a
propositura de soluções com ênfase na mitigação dos problemas anteriormente identificados.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir dos dados estatísticos coletados de toda a via por meio da pesquisa exploratória e da
análise realizada por meio de visitas em campo da via estudada, pôde-se perceber que o
volume de tráfego e o número de acidentes são elevados, com alta concentração populacional
e de empreendimentos comerciais que são polos atrativos de viagens. A via não apresenta
estrutura correspondente ao tráfego, tanto de veículos quanto de pessoas, além do transporte
público urbano (TPU) que não possui um corredor adequado e ainda contribui para o mau
nível de serviço da via. Um dos principais problemas encontrados na Avenida Menino
Marcelo são os acidentes. De acordo com os números de acidentes ocorridos entre 2008 e
2013 fornecidos pela PRF, apresentados na Tabela 1, houve um crescimento de 68,14% em
relação ao número total de acidentes ocorridos. Destacam-se as colisões traseira, transversal e
lateral, sendo apresentadas 1.299 ocorrências, 666 e 510 respectivamente. Ainda contribui
para o número de colisões as conversões à esquerda realizadas em quase todo o perímetro da
via. A falta de passeios adequados e de continuidade das ciclovias contribuem para a
ocorrência de atropelamentos de pessoas e colisões com bicicletas, que representam
importância nos dados mostrados, apresentando respectivamente 86 e 75 ocorrências. Esses
dados estão apresentados na Tabela 1, em que se destacam também as colisões com objetos
fixos, que provavelmente ocorrem devido à má localização de postes, de abrigos de parada de
ônibus e/ou de placas de sinalização. Foi visto in loco a presença dos congestionamentos ao
longo de toda a via, que agravam os problemas, já que interfere na fluidez e reduz o nível de
serviço. Interferem também os acidentes ocorridos, que geram um efeito retardador do fluxo
de veículos. Pôde-se observar que os mesmos 5 trechos da via considerados críticos por Véras
e Albuquerque (2012) se mantiveram. Neste estudo foi considerado crítico aquele trecho que
apresentou mais de 300 ocorrências. O primeiro trecho é o do km 276, com 308 acidentes,
onde fica localizada a entrada e saída do Distrito Industrial de Maceió e um conjunto
residencial com 496 unidades habitacionais (UH), que geram um tráfego de veículos leves e
pesados. É um trecho sem passeios, com paradas de ônibus sem abrigo e uma delas sem
abrigo e sem identificação. Destacam-se as colisões traseira, lateral e transversal com 141, 53
e 45 ocorrências respectivamente, que acontecem devido à falta de obstáculos que permitem
aos condutores mudar de sentido ou cruzar a via em qualquer ponto. No km 277 ocorreram
350 acidentes, com destaque para as colisões traseira, frontal, lateral e transversal que
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totalizam 305 eventos. Esse trecho dá acesso a um populoso bairro e possui um condomínio
residencial com 495 UH, que geram movimentos pendulares. Há uma forte presença de
estabelecimentos comerciais e uma nítida invasão da faixa de domínio por eles. O trecho não
apresenta passeio, acostamento e nem ciclovia. Destacam-se as 15 colisões com bicicletas e
apenas 6 atropelamentos de pessoas, justificada pela percepção do pedestre. O trecho do km
279 é o trecho mais perigoso de toda a via, com 384 acidentes ocorridos, que se destacam as
colisões traseira, frontal, lateral e transversal, que totalizam 327 eventos. Além de promover o
acesso a três bairros populosos, este trecho possui diversos polos atrativos de viagem,
destacando-se o Shopping Pátio Maceió. Possui elevado congestionamento nos horário de
pico, 3 importantes cruzamentos com paradas de ônibus próxima a esses cruzamentos. O
quarto trecho crítico é o km 284, que além de dar acesso a um conjunto residencial, liga
importantes micro regiões da cidade. Em seu perímetro se destacam a grande quantidade de
comércios, muitos deles invadindo a faixa de domínio, e a Justiça Federal em Alagoas. O km
285 apresenta 334 eventos, com destaque para as colisões traseira, frontal, lateral e transversal
totalizando 289 ocorrências. Esse é o trecho final da Avenida, que apresenta uma grande
quantidade de estabelecimentos comerciais, entre eles supermercado, atacadista de alimentos,
restaurantes e uma faculdade. Parte da via nesse trecho é separada por prismas trapezoidal que
impedem as conversões proibidas e dificultam a travessia de pedestres fora da área
demarcada.
Tabela 1: Acidentes totais ocorridos de acordo com o tipo
Tipo de Acidente
2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total
Colisão traseira
163 181 230 235 260 230 1299
Colisão transversal
41
79
114 159 134 139 666
Colisão lateral
65
64
100
75
90
116 510
Colisão frontal
14
21
15
21
10
19
100
Colisão com objeto fixo
12
15
15
19
17
14
92
Atropelamento de pessoa
13
22
11
09
21
10
86
Colisão com bicicleta
18
13
14
06
11
13
75
Queda de motocicletas, bicicletas e veículos 08
05
05
11
09
16
54
Saída de pista
02
05
07
03
06
05
28
Colisão com objeto móvel
02
04
03
00
01
03
13
Capotamento/Tombamento
00
03
03
02
05
01
13
Atropelamento de animal
01
00
01
02
05
02
11
Incêndio/Derram. de Carga/Danos eventuais 00
01
01
00
00
02
04
339 413 519 541 569 570 2951
Total
Fonte: Polícia Rodoviária Federal
4. CONCLUSÕES
Com o processo de estudo em campo ficou evidente a necessidade de intervenções na
infraestrutura da Avenida, pois, além do aumento do número de veículos, houve também
crescimento populacional e habitacional. Algumas intervenções sugeridas no
desenvolvimento do trabalho a partir das análises dos pontos críticos e da via devem ser
aprofundadas para que estas sejam implantadas de modo eficaz. Os passeios se encontram
deteriorados, sem continuidade, fora de padrão e não atendem as normas de acessibilidade.
Para a sua adequação é necessário desenvolver um projeto arquitetônico para a construção de
novos passeios. Com a obtenção da qualidade, a população será incentivada a realizar
deslocamentos de curtas distâncias a pé. Nos locais que apresentam índices significativos de
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atropelamentos de pessoas ou polos atrativos de viagens, foi sugerida a inserção de passarelas.
Para a contemplação destas, é indispensável realizar uma contagem volumétrica de pedestres,
que não foi possível realizar durante o período de pesquisa deste trabalho. Com isso, deve ser
analisada a necessidade de inserção das passarelas e definição de seu tipo. A ausência das
ciclovias contribui para o aumento do número de colisões com bicicletas, visto que as mesmas
dividem espaço com os outros veículos na pista. A presença de uma ciclovia em toda a
extensão da via garantirá aos ciclistas maior segurança e estimulará que os usuários de outros
modos optem por utilizarem veículos cicláveis. A falta de qualidade do TPU, que de acordo
com Silva e Santos (2011) estimula a população a utilizar veículo particular de uso individual,
que contribui para o congestionamento da via, uma vez que reduz o seu nível de serviço. A
baixa capacidade dos veículos do TPU e a falta de planejamento do atual sistema indicam a
necessidade de sua substituição. Não existem recuos apropriados para a parada dos veículos,
tendo estes que realizá-la em uma das faixas da via. Este cenário propicia a ocorrência de
acidentes, que acarreta em colisões e atropelamentos, e provoca lentidão. A alternativa citada
para minimizar os congestionamentos, a partir da melhoria da qualidade do TPU, é a
implantação de um sistema de BRT. Este sistema deverá estimular a população a realizar seus
deslocamentos por meio do transporte coletivo, uma vez que este terá um alto desempenho
operacional devido aos seus corredores exclusivos e um atendimento de grande demanda.
Com o pagamento eletrônico antecipado, transbordo nivelado e informações em tempo real, o
BRT será um meio confortável e mais rápido comparado aos veículos particulares de uso
individual. Com isso, pretende-se reduzir o número de veículos particulares com o uso dos
ônibus coletivos. Para decisão de implantação é necessário realizar uma pesquisa volumétrica
de passageiros e de origem-destino, além de outras pesquisas específicas. Como a Avenida
Menino Marcelo não apresenta estrutura suficiente para receber os corredores exclusivos que
o sistema necessita, deverá ser desenvolvido um projeto de reestruturação da via. Este projeto
deverá contemplar sua duplicação, que beneficiará os corredores exclusivos do BRT e as
sugestões anteriores, que em conjunto deverá melhorar a fluidez e a segurança viária. Para o
bom funcionamento das alternativas sugeridas é necessário à integração dos diversos modos
de transportes. Inicialmente a duplicação parecia ser a única solução necessária para a
mitigação dos problemas encontrados, porém, com o aprofundamento científico e o
desenvolvimento do estudo, a duplicação apresentou-se como meio necessário para estruturar
o transporte coletivo, melhorar os passeios, possibilitar aos ciclistas um tráfego seguro,
proporcionar maior fluidez aos veículos automotores, e assim, o deslocamento intermodal é
facilitado e harmonizado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Véras, R. C. e Albuquerque, V. A. A. (2012) Segurança Viária: Identificação dos pontos críticos da Av. Menino
Marcelo. Maceió: Centro Universitário Cesmac. 49p. Monografia.
SILVA, A. L. M. e SANTOS, A. T. L. (2011) A qualidade do serviço do transporte urbano de passageiros da
cidade de Maceió e sua influência no cotidiano de seus usuários: identificação dos fatores que interferem
na qualidade do serviço do transporte urbano de passageiros da cidade de Maceió. Maceió: Fapeal,
2011.
DNIT (2005) Projeto de duplicação da Via Expressa. Ministério dos Transportes, DNIT, Maceió, AL.
Arypuanã Capuxy Santiago Neto ([email protected])
Rua Dr. José Correia Filho, 282 – Maceió, AL, Brasil
Gregory Aguiar Caldas Barbosa ([email protected])
Rua Pref. Abdon Arroxelas, 667 – Maceió, AL, Brasil
Maressa Cavalcanti Falcão ([email protected])
Rua Bancário José F. de Almeida, 205 – Maceió, AL, Brasil
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