ISSN 2176-6983 COMUNIDADE VILA DOS PESCADORES ARTESANAIS DO JARAGUÁ, MACEIÓ-AL: TERRITORIALIDADE E RESISTÊNCIA Ariane de Almeida Pontes Graduando Geografia Licenciatura, Universidade Federal de Alagoas, Pesquisadora do Laboratório de Estudos Agrários e Dinâmicas Territoriais (LEADT) [email protected] Ricardo Santos de Almeida Graduando Geografia Licenciatura, Universidade Federal de Alagoas, Pesquisador do Laboratório de Estudos Agrários e Dinâmicas Territoriais (LEADT) [email protected] Cirlene Jeane Santos e Santos Professora Doutora em Geografia, Universidade Federal de Alagoas, Coordenadora do Laboratório de Estudos Agrários e Dinâmicas Territoriais (LEADT) [email protected] Eixo Temátco 2: Atores, territórios e territorialidades da pesca no Brasil. Resumo Esta pesquisa faz parte do Projeto de Extensão Geo-ação: Leituras do Processo de Territorialização-Desterritorialização-Reterritorialização das Comunidades do Jaraguá e da Orla Lagunar de Maceió-AL, iniciada em junho de 2011, estando vinculada ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Pesquisa-Ação (PIBIP/AÇÃO). Tendo por principal procedimento metodológico a prática de campo, a partir de vivências e registro audiovisual, o trabalho apresenta como objetivo basilar à análise do processo de desterritorialização em curso na Comunidade Vila dos Pescadores de Jaraguá, localizada no bairro de Jaraguá em Maceió-AL. Este processo vem se dando a partir da articulação entre o estado alagoano e os agentes do capital ligados ao setor turístico, que almejam desterritorializar a Vila visando apropriar-se dessa fração do espaço para construir o “projeto dos sonhos da Prefeitura”, ou seja, uma luxuosa marina para atracação das embarcações turísticas que chegarem a Maceió. Todo esse processo desencadeou a divisão do território entre as famílias que aceitaram a remoção para outro lugar e o grupo de pescadores liderados pela Associação de Moradores e Amigos da Vila dos Pescadores do Jaraguá (AMAJAR), que resistem à ação do estado, tendo como principal argumento que se constituem como uma Comunidade Tradicional de Pescadores Artesanais, que possui laços de identidade com o lugar a partir da atividade econômica da pesca. O campo de força esta posto e o conflito estabelecido, contudo o futuro da Vila continua incerto. 1 ISSN 2176-6983 Palavras-chave: (Des)Territorialização; Resistência; Agentes Hegemônicos do Capital Introdução Na sociedade contemporânea é nítida a modificação do espaço atrelado ao uso das novas tecnologias que transformam, criam e recriam as paisagens em um ritmo acelerado, pois as mesmas estão sendo moldadas e modernizadas, visando uma “padronização”, as consequências desse processo são áreas urbanizadas e/ou valorizadas a partir da implantação de objetos cujo acesso e eles, apenas a parcela da população que tem maior poder aquisitivo pode fazer uso. Por outro lado, também é fato no atual contexto das transformações espaciais e fruto do movimento de expansão do capital através do uso e apropriação do território, que grande parte da população brasileira está condicionada a um processo de marginalização, formando assim verdadeiros amontoados humanos como afirma Haesbaert (2007), quando não, esses grupos sociais estão sujeitos a serem retirados dos seus locais e realocados em outros espaços determinados pelo poder público. Firmado nesses pressupostos e trazendo a baila a realidade alagoana, mais precisamente a Maceió, coloca-se em análise a Comunidade da Vila dos Pescadores de Jaraguá, localizada no bairro do Jaraguá. Esse bairro surgiu antes mesmo da povoação de Maceió, originada de um engenho de açúcar, o Jaraguá, ao contrário se desenvolveu devido ao estabelecimento do Porto. Assim, o bairro se tornou aos poucos um centro comercial de grande importância, sendo ocupado por belos sobrados, a partir da segunda metade do século passado, o que condicionou a formação de uma arquitetura peculiar encontrada na cidade de Maceió. Contudo a partir de meados da década de 1960 esse bairro começou a entra em decadência, foi quando no final da década de 1990, através dos financiamentos patrocinado do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), por meio do Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur-NE), o Jaraguá foi revitalizado e refuncionalizado com o objetivo de torna-lo um dos pontos turísticos de Maceió. Para além do surgimento, crescimento e decadência do bairro do Jaraguá, a Vila dos Pescadores permanece no imaginário coletivo da cidade, não se sabe ao certo o 2 ISSN 2176-6983 marco do surgimento da mesma, as informações e relatos históricos são desencontrados, contudo existe a estimativa que a mesma foi estabelecida há aproximadamente 80 anos. Os primeiro moradores viviam exclusivamente da pesca, consta, contudo nos relatos que a Comunidade foi crescendo e se dinamizando a partir do deslocamento de pessoas oriundas de outros municípios do estado de Alagoas, que migraram para capital, hora fugindo da seca, hora se refugiando das mazelas das enchentes e ali permaneceram construindo raízes e novas identidades no espaço urbano sejam atreladas a atividade pesqueira ou não. Possuindo uma população formada por aproximadamente 500 famílias e sendo reconhecida pela União com uma Comunidade Tradicional de Pescadores Artesanais, estas famílias não vivem exclusivamente da pesca, ao contrário, utilizam-se, conjugadas a pesca ou não, de outras atividades comerciais urbanas para sobreviver. Portanto, temse que uma parcela da Comunidade vive da pesca do peixe e do camarão, seja diretamente no trabalho braçal ao mar ou indiretamente, como no beneficiamento do pescado, no fabrico de redes, barcos e/ou no trabalho associado e necessário ao funcionalmente da cadeia produtiva da pesca artesanal local. A outra parcela da Comunidade, por sua vez, sobrevive de maneira geral, trabalhando no setor informal, seja como vendedores ambulantes ou como catadores de materiais recicláveis, dentre outras atividades. A Vila dos Pescadores, durante a execução do projeto de revitalização do bairro do Jaraguá, passou a ser alvo das ações das autoridades e dos agentes hegemônicos locais, que pressionaram as famílias a deixarem suas residências e se submeterem a relocação proposta pela Prefeitura de Maceió. Os argumentos usados pelos interessados no processo foram muitos, a saber: que as famílias habitavam em território da União que deveriam ser preservados para o uso comum da sociedade; que a União, como se trata de uma ocupação em área de marinha, estava solicitando a área, fato já desmentido Ministério Público da União, pois embora a área pertença a União, a mesma não tem interesse e assim a Comunidade pode permanecer aonde esta; dentre outros argumentos de igual inconsistência. Dentre os vários ensaios de deslocamento da Vila, consta que no projeto de revitalização do bairro do Jaraguá estava prevista a urbanização da Vila dos Pescadores, 3 ISSN 2176-6983 fato que não ocorreu. Sabe-se ainda, que em 2001, devido à implantação de um oleoduto na Praia da Avenida, local próximo a Comunidade, 350 famílias foram relocadas para o Bairro do Benedito Bento, para ocuparem o Conjunto Residencial Carminha. As famílias para lá deslocadas, tiveram muita dificuldades em adapta-se a um espaço distante do mar – fonte de subsistência de uma parcela das famílias – e com nulas possibilidades de sobrevivência, dessa forma, a maioria delas abandonaram as casas e retornaram a residir na Vila. Pode-se concluir que o local que para a Prefeitura de Maceió e os agentes do capital vinculados ao turismo é um espaço privilegiado, uma área que pode ser mercantilizada; para a Comunidade da Vila dos Pescadores do Jaraguá é o seu território, lugar de reprodução do trabalho e da vida. Entretanto, se em todas as tentativas de relocação a Vila permaneceu unida, na iniciada em 2009 a Prefeitura conseguiu dividir a Comunidade entre os que desejam sair por, em geral, não ter suas atividades de trabalho vinculadas a pesca; e os que querem ficar por depender diretamente da pesca para sobreviver. As promessas da Prefeitura giram em torno da construção de 450 imóveis, distribuídos em prédios de 3 andares, em formato de um conjunto habitacional, localizado no bairro do Sobral, que fica a aproximadamente 3 km da Vila, o equivalente a mais ou menos 40 minutos de caminhada de um ponto a outro. O valor da obra esta orçado em 10 milhões, 1 milhão desembolsado pelo Prefeitura de Maceió e o restante pelo Ministério das Cidades com recursos oriundos do Projeto de Aceleração ao Crescimento 2 (PAC 2). Segundo as pesquisas, os apartamentos serão dotados de 2 quartos, sala, cozinha e banheiro – terão em média 45 m². Também foi averiguado que as famílias receberão esses imóveis sem ônus, ou seja, serão doados. Nesse conjunto que já esta em fase de finalização na presente data, as famílias terão acesso a saneamento básico, rede de agua potável, área de lazer, energia elétrica, e outros atrativos; e a avaliação inicial do imóvel está em torno de 40 mil reais. Diante desses atrativos a Comunidade dividiu-se e os ânimos exaltaram-se. Todavia o que a principio seria um processo simples de retirada dessas famílias de suas moradias mostrou-se um processo complexo e mais complicado do que uma comum realocação de seres humanos de um lugar para outro tão comumente realizado pela Prefeitura de Maceió, pois os resistem, embora minoritários, possuem clareza e 4 ISSN 2176-6983 memória cultural suficientes no território que habitam para resistirem à reconstrução de uma nova identidade em um novo lugar. Entretanto, como já explicitado, tal resistência não é comum a todos, a maioria cerca de 380 famílias, acredita que suas futuras habitações se comparadas às atuais, trará um maior conforto familiar e um melhor convívio social. Liderados pela AMAJAR, oitenta famílias se aglutinaram para resistir ao processo de desterritorialização, alegando que o poder público deveria urbanizar a Vila dos Pescadores, mantendo-os onde historicamente estão, dando-lhes melhores condições de vida além de melhorar a infraestrutura para e execução das atividades pesqueiras, com a construção de depósitos próprios para armazenamento e beneficiamento do pescado. Na Vila as habitações autoconstruídas possuem em síntese precariedade infraestrutural configurando um recorte espacial de periferia na orla marítima de Maceió (ver figuras 01 e 02). Sendo assim, a compreender a territorialidade sob o ponto de vista antropológico, por Little (2002) deve ser compreendida através das particularidades socioculturais coletivamente construídos e historicamente situados que um grupo social se utiliza para estabelecer e manter seu território. Logo, “os territórios dos povos tradicionais se fundamentam em décadas, em alguns casos, séculos de ocupação efetiva. A longa duração dessas ocupações fornece um peso histórico às suas reivindicações territoriais.” (LITTLE, 2002. p. 11). Nunes (2011) chama atenção ao repensarmos a prática da atividade pesqueira enquanto mediação da relação homem/natureza e como esta ocorre de modo processual e dialético, em especial, no modo nãoalienante/alienante e artesanal de trabalho inicialmente para o consumo próprio, e posteriormente para a venda. 5 ISSN 2176-6983 Figura 01. Autoconstrução. Fonte: LEADT-UFAL (2011). Figura 02. Ruelas da Vila dos Pescadores. Fonte: LEADT-UFAL (2011). Nesse contexto buscaram-se investigar em profundidade quais são as intencionalidades da retirada dessas famílias da já citada Comunidade? Por que não se efetiva a revitalização e urbanização da Vila, mantendo as famílias, pescadores ou não, onde estão? Quais as reais condições de saneamento, saúde e educação que serão oferecidas a essas pessoas após a realocação dos mesmos? Será que a realocação dessas pessoas irá de alguma forma melhorar a vida das mesmas? Procurando desvendar essas questões a pesquisa pautou-se inicialmente em levantamento bibliográfico e documental, seguido de um exaustivo trabalho de campo visando identificar as estratégias de resistência e a ação dos agentes envolvidos no processo de intermediação e negociação para a permanência/retirada das famílias. As vivências na Comunidade dos Pescadores do Jaraguá foram fundamentais para observação do modo de vida das famílias, o que possibilitou a realização de entrevistas visando à reconstituição da historia social a partir da memória coletiva do grupo e o resgate da historicidade do mesmo, também foram realizados registros audiovisual do cotidiano das famílias da Vila1. O cotidiano da Comunidade frente ao território dividido 1 Participaram das primeiras discussões e levantamentos de campo visando o desenvolvimento da pesquisa, as alunas do Curso de Bacharelado em Geografia da Universidade Federal de Alagoas, Ingris Andrade da Silva e Mayara Dantas Moreira. 6 ISSN 2176-6983 O Estado deveria refrear as políticas que não são favoráveis à sociedade, mas de fato essa não é uma realidade que pode ser observada, pois o que existe é uma pressão por parte das firmas hegemônicas para que o Estado crie facilidades para a atuação das mesmas no território nacional mudando assim as funcionalidades dos espaços onde elas se instalam. Essas mudanças são, obviamente, sempre a favor do capital, distanciando cada vez mais os grupos sociais excluídos do acesso aos sistemas técnicos, evidenciando a segregação social que se instaura nos fragmentos do território, fragmentos esses que são resultado de uma globalização que “(...) é perversa, fundada na tirania da informação e do dinheiro, na competitividade, na confusão dos espíritos e na violência estrutural (...)” (SANTOS, 2008, p.15). Como se sabe o território não é uniforme, é desarticulado e o motor dessa desarticulação é o capital, pois o mesmo só é introduzido em lugares onde há intencionalidades de funcionalidades, funcionalidades essas que são sempre a favor das classes dominantes. O solo urbano é uma fonte de capital, onde as firmas hegemônicas através das mediações do Estado utilizam-se do mesmo para prover os interesses dos poderosos e de seus fins próprios, mesmo que para isso tenham que burlar leis para expandir seus empreendimentos. Os grupos sociais necessitam de um território, pois é nele que o mesmo mantém suas relações sociais, econômicas e culturais. Entretanto as mudanças que acontecem no mundo de hoje faz com que os grupos muitas vezes percam seu território e tenha que se adaptarem as novas realidades da organização territorial. Tal organização está intrinsecamente ligada ao poder das classes dominantes e ao poder político exercido pelo Estado. No processo em curso que caminha para a desterritorialização da Comunidade dos Pescadores do Jaraguá, há uma notória luta pelo território, que por sua vez gera um campo de força, de resistência e de conflito, diferenciando aqueles que querem permanecer na Vila, daqueles que querem (re)criar uma nova identidade em um novo lugar e principalmente dos governantes e agentes do capital que querem mudar a funcionalidade do espaço em questão. A resistência por parte dos que querem continuar no local existe porque eles já estabeleceram um vinculo com o território, já que a maioria das famílias reside na 7 ISSN 2176-6983 Comunidade há muitos anos e é nesse mesmo lugar que muitas famílias exercem seu labor. Há, portanto uma conveniência por parte das famílias, já que moram e trabalham no mesmo lugar, pois muitos pescadores saem de madrugada de suas residências para irem pescar, e ao mesmo tempo, enquanto estão em casa podem ficar vigiando seus barcos dos efeitos das marés e das ondas que pode danifica-los. Esses lutam pela construção de suas casas no mesmo local, pois querem moradia digna no lugar que lhes é conveniente, no lugar onde possuem vínculos territoriais – afetivos e identitários (ver figuras 03 e 04). Figura 03. Oficina de carpintaria naval. Fonte: LEADT-UFAL (2011). Figura 04. Pescador aposentado confeccionado rede para pesca de camarão. Fonte: LEADT-UFAL (2011). Entretanto, as autoridades envolvidas, buscam convencer a saída, os que querem ficar no lugar, afirmando que irão construir um depósito onde os pescadores e os trabalhadores da pesca possam armazenar o pescado e continuem trabalhando na área. As famílias por sua vez, estão incrédulos em relação a tais promessas, isso fica claro nas entrevistas realizadas com as famílias que serão diretamente afetados com a remoção da Comunidade. Uma moradora comenta: [...] ele tá dizendo [o prefeito], prometendo o fundo e o mundo, dizendo que vai fazer aqui o local de trabalho tudinho. Mas então quer dizer que a vida da gente vai ser aqui, ai vai passar o dia aqui (...) a casa lá fica fechada fica abandonada, quer dizer que aquela casa, aquele apartamento é só pra dormir então a gente não vai passar o dia lá e o dia da gente vai ser aqui? E porque não poderia ser aqui, uma moradia, o trabalho da gente tudo aqui? (Pesquisa de Campo, agosto de 2011). 8 ISSN 2176-6983 Das 380 famílias que pretendem sair da Vila, existem famílias que alegam não terem alternativa, por isso aceitaram serem realocados, mas estão inseguras quanto à nova moradia, pois afirmam que morar em outro local tornaria difícil para os que vivem da pesca, direta ou indiretamente, devido ao trajeto que terão que fazer de suas futuras residências à Comunidade, dizem também que os apartamentos são muito pequenos e mal caberão suas famílias que em sua maioria são formadas por vários integrantes, além do fato de estarem acostumados a criarem seus filhos a brincar nas ruas sem o perigo do trajeto de carros, já que as casas são próximas uma das outras não havendo ruas largas, mas sim becos e ruelas, e no local onde está localizado o conjunto habitacional, existe vias de tráfego de veículos com grande fluxo, tornando-se uma preocupação para as mães que no decorrer do dia estão muito atarefadas com atividades domésticas e/ou no trato e beneficiamento de peixes e/ou camarões. Considerações Finais A Vila dos Pescadores de Jaraguá é consequência e produção humana, pois se trata de um recorte territorial que compreende desde as relações de poder submissas à ações impositivas do capital, que conjuga no mesmo espaço relações capitalistas e nãocapitalistas de produção, especificamente voltadas à atividade da pesca artesanal. É sabido que a Comunidade do Jaraguá está passando por vários conflitos internos e externos, no que se refere as medidas que estão sendo tomadas pelo governo e que vão de encontro aos interesses das famílias de pescadores dessa localidade. Os conflitos internos são sentidos quando os interesses são observados. O que de fato acontece é uma forte articulação entre estado alagoano e os grupos financeiros do setor turístico engajados no objetivo de desterritorializar àquela Comunidade, alegando a ideia de melhorar a imagem do bairro de Jaraguá, ou seja, retirar os moradores é a melhor solução para a continuidade de revitalização do bairro, ao invés de urbanizar o local sem precisar realocar as famílias. Em suma, o processo provém dos interesses capitalistas que pretendem instalar neste território equipamentos que lhe darão uma nova funcionalidade, que neste caso seria uma marina para atracarem as embarcações que chegarem a Maceió. 9 ISSN 2176-6983 A situação da Comunidade Vila dos Pescadores do Jaraguá é de total fragilidade e descompasso entre os agentes envolvidos – Prefeitura e suas Secretarias, AMOJAR, ONG que atuam na Vila e as famílias que querem sair –, as pesquisas, lamentavelmente, indicam que as famílias, sejam elas vinculadas a pesca ou não, serão inevitavelmente em algum momento desterritorializadas e terão o modo de vida descaracterizado em definitivo, dada as novas condições não possibilitarem o movimento de reterritorialização do grupo envolvido. Embora seja vislumbrado esse indicativo, as pesquisas continuam visando acompanhar o desfecho do processo em curso. Referências CORREA, R. L. O espaço urbano. 4 ed. São Paulo: Ática, 2005. DIEGUES, A. C. 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