Ministério da Educação - MEC
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
Eletricista Instalador Predial de Baixa Tensão
Eletricidade Básica
Jones Clécio Otaviano Dias Júnior
Curso FIC
Aluna: _______________________________________________________
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ........................................................................................
Introdução .....................................................................................................................
Princípios da Eletrostática ................................................................................................
Carga Elétrica ......................................................................................................................
Campo Elétrico ...................................................................................................................
Lei de Coulomb ...................................................................................................................
Princípios da Eletrodinâmica .............................................................................................
Corrente Elétrica .................................................................................................................
Tensão Elétrica ...................................................................................................................
Potência ..............................................................................................................................
Instrumentos de Medidas Elétricas ...................................................................................
Voltímetro ..........................................................................................................................
Amperímetro ......................................................................................................................
Multímetro .........................................................................................................................
Introdução a Noções de Análise de Circuitos ....................................................................
Conceitos de Resistência Elétrica .......................................................................................
Lei de Ohm ..........................................................................................................................
Noções de Análise de Circuitos ..........................................................................................
Elementos de um Circuito ..................................................................................................
Leis de Kirchhoff .................................................................................................................
Associação de Resistores ....................................................................................................
Configurações e Conversões Estrela - Triângulo e Triangulo - Estrela ................................
Capacitores e Conceitos de Capacitância ..........................................................................
Capacitor .............................................................................................................................
Capacitância ........................................................................................................................
Associação de Capacitores em Série e Paralelo ..................................................................
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................................
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APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Cara aluna, na disciplina ELETRICIDADE BÁSICA, com carga horária de 40 h/a, você
vai iniciar um estudo voltado à Eletricidade, que servirá como base para um melhor
entendimento das demais disciplinas durante seu curso.
O principal objetivo desse curso é a sua qualificação profissional como ELETRISISTA
INSTALADOR PREDIAL DE BAIXA TENSÃO. Para isso teremos outros objetivos a serem
conquistado para sua formação, tais como: apresentar os conhecimentos básicos de
eletricidade, evidenciando assim conceitos e definições de Eletrostática, Eletrodinâmica e
Noções de Análise de Circuito.
Dentre os conteúdos a serem estudados, estão: Princípios da Eletrostática: Carga
Elétrica, Campo Elétrico e Lei de Coulomb; Princípios da Eletrodinâmica: Corrente Elétrica,
Tensão Elétrica e Potência; Instrumentos de Medidas Elétricas: Voltímetro, Amperímetro e
Multímetro; Introdução a Noções de Análise de Circuitos: Conceitos de Resistência Elétrica,
Lei de Ohm; Noções de Análise de Circuitos: Elementos de um Circuito, Leis de Kirchhoff,
Associação de Resistores em circuitos em Série, Paralelo e Misto, Configurações e
Conversões Estrela-Triângulo e Triângulo-Estrela; Circuitos Capacitivos: Capacitor,
Capacitância - Circuitos Capacitivos em Série e Paralelo.
Estes conteúdos serão apresentados durante o decorrer do curso através de aulas
expositivas, explicativas e dialogadas, bem como aulas práticas de laboratório. Neste
material, além dos conteúdos já descritos, existem algumas páginas com espaço para
anotações extras durante as aulas. Todos os exercícios serão apresentados e trabalhados
no decorrer da disciplina.
Por fim, espero que você aproveite essa oportunidade para aprender mais e assim
se tornar uma boa profissional na área de Eletricidade.
Bons Estudos!
Prof. Esp. Jones Clécio Otaviano Dias Júnior.
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Introdução
Eletricidade é uma forma de energia associada aos fenômenos causados por cargas
elétricas em repouso (eletrostática) e em movimento (eletrodinâmica).
Alguns conceitos já foram apresentados na disciplina de Segurança do Trabalho em
Eletricidade. Aqui iremos entender como os circuitos elétricos se comportam,
compreendendo, portanto fundamentos teóricos acerca de componentes e grandezas
elétricas. Para isso, iremos proceder nossos estudos em diferentes sessões, ou capítulos,
evidenciando assim informações e conceitos básicos no estudo da eletricidade.
Princípios da Eletrostática
CARGA ELÉTRICA
A eletrostática estuda os fenômenos relacionados às cargas elétricas em repouso.
Os átomos presentes em qualquer material são formados por elétrons, que giram em
órbitas bem determinadas em torno do núcleo que, por sua vez, é constituído por prótons
e nêutrons. A diferença básica entre esses elementos que forma o átomo está na
característica de suas cargas elétricas.
O próton tem carga elétrica positiva, o elétron tem carga elétrica negativa e o
nêutron não tem carga elétrica.
Os átomos são, em princípio, eletricamente neutros, pois o número de prótons é
igual ao número de elétrons, fazendo com que a carga total positiva anule a carga total
negativa. Na figura 1, ilustra abaixo, é apresentada a estrutura de um átomo.
Figura 1: Estrutura do Átomo.
O princípio fundamental da eletrostática é chamado de principio da atração e
repulso, cujo enunciado é: “Cargas elétricas de sinais contrários se atraem e as de
mesmos sinais se repelem”. A carga elétrica fundamental é simbolizada pela letra q e sua
unidade de medida é o Coulomb (C).
O módulo da carga elétrica de um próton e de um elétron vale:
q = 1,6 x 10-19C
Na figura 2 são ilustrados os comportamentos das cargas elétricas de sinais
contrários e de mesmos sinais quando aproximadas uma da outra.
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Figura 2: Comportamento das cargas elétricas. Princípio da atração e repulsão.
CAMPO ELÉTRICO
Uma carga cria ao seu redor um campo elétrico ⃗ que pode ser representado por
linhas de campo radiais orientadas, uma vez que é uma grandeza vetorial, sendo que a sua
unidade de medida é newton/coulomb (N/C).
Se a carga é positiva, o campo é divergente, isto é, as linhas de campo saem da
carga. Já se a carga é negativa, o campo é convergente, isso é, as linhas de campo chegam
à carga, conforme ilustrado na figura 3.
Para calcular a intensidade E do campo elétrico criado por uma carga Q deve ser
utilizada a seguinte equação:
Onde: K = 9 x 109 N.m2 / C2 (no vácuo e no ar);
Q = módulo da carga elétrica, em coulomb [C];
d = distância, em metros [m].
Consideremos uma região submetida a um campo elétrico ⃗ uniforme. Colocando
uma carga Q num ponto dessa região, essa carga ficará sujeito a uma força , cuja unidade
de medida é newton [N]. Isso pode ser ilustrado na figura 3. O módulo pode ser calculado
pela seguinte equação:
Onde: Q = módulo da carga elétrica, em coulomb [C];
E = módulo do campo elétrico, em newton/coulomb [N/C].
Figura 3: Campo elétrico com adição de cargas elétricas em sua região.
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Se a carga é positiva, a força age no mesmo sentido da linha de campo, e se a carga
é negativa, a fora age no sentido contrário ao da linha de campo.
LEI DE COULOMB
Como decorrência do estudo do campo elétrico gerado por uma carga e da força
que surge em outra carga colocada nesse campo, pode-se deduzir a expressão que nos dá
o módulo da força de atração ou de repulsão entre duas cargas elétricas, devido à
interação dos seus compôs elétricos.
Para determinarmos o valor da força, pela lei de Coulomb, temos a seguinte
equação:
Onde: K = 9 x 109 N.m2 / C2 (no vácuo e no ar);
e
= módulos da carga elétrica, em coulomb [C];
d = distância, em metros [m].
MINHAS ANOTAÇÕES:
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Princípios da Eletrodinâmica
CORRENTE ELÉTRICA
A corrente elétrica é o resultado do movimento de cargas elétricas. A unidade de
medida da corrente, de acordo com o Sistema Internacional de Unidades, é o Ampéres [A].
Se um fluxo constante de 1C de carga passa por um dado ponto em um condutor
durante 1s, a corrente resultante é 1A. Logo, para calcularmos o valor de corrente,
utilizamos a seguinte equação:
Onde: Q = módulo da carga elétrica, em Coulomb [C].
t = tempo, em segundos [s];
A direção da corrente elétrica é em direção ao movimento de cargas positivas e
oposta ao movimento de cargas negativas.
Como ilustrado ao lado, em um diagrama de circuito, cada
corrente I vem associada a uma seta para indicar a sua direção.
A corrente que flui em apenas uma direção por todo o tempo de uma corrente
constante (CC), enquanto que uma corrente que alterna a direção do fluxo é uma corrente
alternada (CA).
Uma fonte de corrente é um elemento de circuito que fornece uma dada corrente.
Ao lado é ilustrada a simbologia de uma fonte de corrente para
diagrama de circuitos elétrico, onde esta estar fornecendo ao
circuito uma corrente de 6A.
TENSÃO ELÉTRICA
O conceito de tensão envolve trabalho, que por sua vez envolve fora e distância. A
unidade de medida do trabalho, de acordo com o Sistema Internacional de Unidades, é p
Joule [J]. A unidade da força e distância, como já mencionadas nos tópicos anteriores, é o
Newton [N] e Metros [m], respectivamente.
De forma genérica, o trabalho requerido, em Joules, é calculado pela seguinte
equação:
Onde: F = Força, em Newton [N];
S = distância, em metros [m].
Energia é a capacidade de realizar trabalho. Uma de suas formas é a energia
potencial, que é a energia que m corpo possui devido a sua posição.
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A diferença de potencial, como também chamada DDP, entre dois pontos é o
trabalho necessário em joules para mover 1C de carga de um poro a outro. A unidade de
medida da tensão é o Volt [V]. Logo para calcular o valor da tensão, considera-se a seguinte
equação:
Onde: W = trabalho, em joule [J];
Q = módulo da carga elétrica, em Coulomb [C].
Polarização das tensões
Por definição, se o deslocamento de uma carga positiva de um ponto “b” para um
ponto “a”, ou de uma carga negativa de “a” para “b”, necessita de trabalho, o ponto “a” é
positivo em relação ao ponto “b”.
O símbolo ao lado mostra uma elevação de tensão ou de
potencial de “b” para “a” ou queda de tensão ou de potencial de
“a” para “b”.
Uma tensão constante é chamada de tensão CC (Corrente Contínua), e uma tensão
que varia senoidal mente com o tempo é chamada de tensão CA (Corrente Alternada).
Uma fonte de tensão, como uma bateria ou um gerador, fornece uma tensão que,
para uma fonte ideal, não depende da corrente que circula através da fonte.
Simbologias para as fontes de tensão
As três simbologias ilustradas ao lago fornecem um
tensão de 12V ao circuito. No caso do símbolo (I) nem
sempre é necessário indicar os sinais (+) e (-), pois por
conversão, o traço maior representa o terminal negativo
e o traço menor, o terminal negativo. O símbolo I e II
trata-se de fonte de tensão CC, e o símbolo III tensão
CA.
POTÊNCIA
A razão na qual algum corpo absorve ou produz energia é a potência absorvida ou
produzida por esse corpo. A unidade no sistema internacional de unidade para a potência é
o Walt [W]. Calcula-se a potência pela seguinte equação:
Onde: W = trabalho, em joule [J];
t = tempo, em segundos [s].
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Em componentes elétricos, a potência é dada por:
Onde: V = tensão elétrica, em volts [V];
I = corrente elétrica, em ampères [A].
MINHAS ANOTAÇÕES:
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Instrumentos de Medidas Elétricas
Os instrumentos de medidas no geral servem para mensurar grandezas físicas. Os
valores podem ser obtidos de forma analógica ou digita, sendo esta última mais comum
hoje em dia. No instrumento analógico, o resultado é mostrado por meio de ponteiro que
defletem sobre uma escala graduada, sendo que a leitura feita por meio da analogia entre
o valor indicado e o valor de fundo de escala selecionado. No instrumento digital, o
resultado é mostrado diretamente num display, conforme o valor de fundo de escala
selecionado.
Aqui serão apresentados os principais instrumentos para medidas elétricas, tais
como: voltímetro, amperímetro e multímetro.
VOLTÍMETRO
Trata-se de um instrumento utilizado para medir a tensão elétrica (diferença de
potencial) entre dois pontos de um circuito elétrico.
Para medir uma tensão em certo circuito, é necessário que os terminais do
instrumento fiquem ligados aos dois pontos do circuito em que se deseja conhecer a
diferença de potencial, ou seja, é feita uma ligação em paralelo com o elemento, ou
elementos, que necessita medir o valor da tensão.
Figura 4: Medição de tensão sobre o resistor R com um Voltímetro.
AMPERÍMETRO
O amperímetro é o instrumento utilizado para medir a corrente elétrica que
atravessa um condutor ou um dispositivo.
Para medir uma corrente, o circuito deve ser aberto no ponto desejado, ligando o
amperímetro em série, para que a corrente passa por ele. A corrente que passa por um
dispositivo pode ser medida antes ou depois dele, já que a corrente que entra num bi polo
é a mesma que sai.
Se a corrente a ser medida for contínua (CC), o polo positivo do amperímetro deve
ser ligado ao ponto pelo qual a corrente convencional entra, e o polo negativo, ao ponto
pelo qual ela sai.
Figura 5: Medição de corrente sobre o resistor R com um Amperímetro.
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MULTÍMETRO
São vários instrumentos utilizados em laboratórios e oficinas de eletrônica que
medem grandezas elétricas. Através de deste único instrumento de medidas elétricas, é
possível medir várias grandezas, tais como: tensão, corrente e resistência.
O multímetro, seja analógico ou digital, possui dois terminais nos quais são ligados
as pontas de prova ou pontas de teste. A ponta de prova vermelha deve ser ligada ao
terminado positivo do multímetro (vermelho ou marcado com sinal +) e a ponta de prova
preta deve ser ligada ao terminal negativo do multímetro (preto o marcado com sinal -).
Para medir as grandezas já descritas, como por exemplo, corrente e tensão, basta
efetuar as mesmas medidas utilizadas com os instrumentos próprios para cada uma delas.
A única diferença neste instrumento, é que existe a presença de alguns controles, sendo
que o principal é a chave rotativa ou conjunto de teclas para a seleção da grandeza a ser
medida. Na figura 6 é ilustrada a imagem de um multímetro digital.
Figura 6: Multímetro digital e suas pontas de prova.
MINHAS ANOTAÇÕES:
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Introdução a Noções de Análise de Circuitos
CONCEITOS DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA
A resistência é a característica elétrica dos materiais, que representa a oposição à
passagem da corrente elétrica.
A resistência elétrica é representada pela letra R e sua unidade de
medida é o ohm [Ω]. Ao lado estão ilustrados os símbolos mais
usuais para representar um resistor em um circuito elétrico.
Antes de iniciarmos os estudos voltados a circuitos elétricos, é importante que seja
apresentado alguns conceitos sobre circuito elétrico. Isso será feito a seguir.
Circuito elétrico nada mais é do que a interligação de dois ou mais elementos
bipolares, tais como: resistores e geradores ou baterias. Estes quando considerados
individualmente, são apenas elementos bipolares, ou elementos com dois terminais, e a
partir do momento que é feita a ligação entre eles, estamos montando um circuito elétrico.
Abaixo, na figura 7, é ilustrado um exemplo de circuito elétrico contendo sete elementos,
sendo duas fontes de corrente e cinco resistores.
Figura 7: Exemplo de um circuito elétrico com sete elementos bipolares.
Outro fator importante no estudo de eletricidade é são os dispostos da tabela 1
ilustrada a seguir, onde neste são apresentados os prefixos que muitas das vezes utilizamos
no nosso dia-a-dia, porém não sabemos a dimensão dos mesmos.
Muitos dos nossos afazeres diários nos trazem medidas como Quilograma, para
alimentos, Mega ou Giga Byte, para componentes de alta tecnologia, como por exemplo,
computadores, celulares e outros.
MÚLTIPLOS
1012
109
106
103
10-3
10-6
10-9
10-12
PREFIXOS
Tera
Giga
Mega
Quilo
Mili
Micro
Nano
Pico
SÍMBOLOS
T
G
M
K
M
µ
n
p
Tabela 1: Prefixos mais utilizados em eletricidade.
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LEI DE OHM
Esta lei estabelece que a tensão sobre um resistor é diretamente proporcional à
corrente que o atravessa. A lei de ohm é dada pela seguinte equação:
Onde: V = tensão elétrica, em volts [V];
R = resistência, em ohms [Ω];
I = corrente elétrica, em ampères [A].
Para determinar os valores de resistência e corrente a partir dessa equação, utilizase das seguintes equações:
Uma fórmula prática de chegar às três fórmulas da lei de Ohm seria utilizando o
triângulo ilustrado abaixo na figura 8.
Figura 8: Triângulo para determinar os valores a partir da Lei de Ohm.
Para determinarmos os valores das resistências, existe o multímetro e a tabela que
traz o Código de Cores para resistores (apresentada na figura 9).
Figura 9: Tabela do Código de Cores para leitura de resistores.
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A figura ao lado ilustra um resistor. Para saber o valor de sua
resistência, basta observar as cores nele disposta. Neste caso a
primeira cor representa o primeiro algarismo, a segunda o
sendo algarismo, a terceira o multiplicador e a quarta a
tolerância. O valor desse resistor é: 160KΩ ±5% de tolerância.
Circuito Durante as aulas serão trabalhados mais alguns exemplos para uma melhor
fixação deste conteúdo.
MINHAS ANOTAÇÕES:
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Noções de Análise de Circuitos
ELEMENTOS DE UM CIRCUITO
As Leis de Kirchhoff envolvem conceitos básicos para a resolução e análise de
circuitos elétricos, tanto em corrente contínua como em alternada.
Antes de iniciarmos os estudos dessas Leis, vamos iniciar os estudos entendendo o
que um Ramo, um Nó e uma Malha em circuitos elétricos.
Ramo trata-se de qualquer parte de um circuito elétrico composto por um ou mais
dispositivos ligados em série.
Nó trata-se de qualquer ponto de um circuito elétrico no qual há a conexão de três
ou mais ramos.
Malha trata-se de qualquer parte de um circuito elétrico cujos ramos formam um
caminho fechado para a corrente.
A seguir será apresentado e indicado cada um deles na figura 10 ilustrada abaixo.
Figura 10: Representação de nó, malha e ramo em um circuito elétrico com sete elementos bipolares.
LEIS DE KIRCHHOFF
As Leis de Kirchhoff são conhecidas como Lei de Kirchhoff das Correntes (LKC) e Lei
de Kirchhoff das Tensões (LKT). Estudaremos cada uma delas a seguir.
A LEI DE KIRCHHOFF DAS CORRENTES (LKC) diz que:
“A soma algébrica das correntes em um nó é igual à zero” ou
“A soma das correntes que entram em um nó é igual à soma das correntes que saem
deste nó”.
Isso significa dizer que independentemente do valor de corrente que entra em um
nó, esta sairá com o mesmo valor, mesmo que seja fracionada nos diversos ramos do
circuito.
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A figura ao lado ilustra parte de um circuito elétrico
composto por sete elementos. Neste caso existe a
presença de quatro correntes elétrica: i1, i2, i3 e i4. Pela
LKC, podemos dizer que:
I1 + i 2 - i 3 - i 4 = 0
ou
I1 + i 2 = i 3 + i 4
A LEI DE KIRCHHOFF DAS TENSÕES (LKT) diz que:
“A soma algébrica das tensões em uma malha é zero” ou
“A soma das tensões que elevam o potencial do circuito é igual à soma das tensões que
causam a queda de potencial”.
Isso significa dizer que, considerando as polaridades de cada componente em
relação à queda ou elevação de tensão (ou ddp), serão somadas as tensões de modo que o
resultado seja igual à zero.
A figura ao lado ilustra um circuito elétrico
composto por seis elementos. Neste caso existe a
presença de seis diferenças de potencial, ou seja,
cada uma para cada elemento do circuito.
Portanto, obedecendo a LKT, temos:
+V2 + V3 - VR3 - VR2 - V1 + VR1= 0
ou
+V2 + V3 + VR1= VR3 + VR2 + V1
MINHAS ANOTAÇÕES:
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ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES
Em um circuito elétrico os resistores podem estar ligados em série e/ou paralelo,
em função das características dos dispositivos envolvidos no circuito, de necessidade de
dividir uma tensão ou uma corrente, ou de obter uma resistência com valor diferente dos
valores encontrados comercialmente.
A seguir iremos estudar em entender as características de resistores associados em
série e em paralelo.
Associação em Série
Como já visto, os resistores são componentes que possuem dois terminais. Feita a
ligação, ou associação, destes em série irá existir uma ligação entre eles através de um
único terminal, sendo este o único ponto em comum com o outro componente. Observe a
ilustração abaixo, bem como a explicação.
Figura 11: Associação de resistores em série com a resistência equivalente.
Feita a associação dos resistores em série, a partir do circuito ilustrado na figura 11,
percebe algumas características deste circuito, sendo elas:
 A corrente i que sai do ponto “a” percorre todo o circuito, passando,
portanto, por todos os resistores, e indo até o ponto “b”. Isso significa que:
A corrente que circula em uma associação de resistores em série e a
mesma.
 A partir da passagem da corrente sobre os resistores, é provocada uma
queda de tensão ou de potencial sobre cada um dos resistores (ddp), sendo
esta calcula a partir da Lei de Ohm. Isso significa que: As tensões sobre cada
um dos resistores são diferentes, pois o cálculo é feito em função da
corrente e do resistor.
 Outra característica da associação de resistores é o cálculo da Resistência
Equivalente Req. Logo, para calcular o Req em uma associação de resistores
em série efetuamos a soma de todas as resistências no circuito. No caso do
exemplo apresentado na figura 11, a Req é: Req = R1 + R2 + R3 + ... + RN.
Associação em Paralelo
Feita a ligação, ou associação, de resistores em paralelo irá existir uma ligação entre
eles através dos seus dois terminais, portanto, os resistores apresentam dois pontos em
comum. Observe a ilustração abaixo, bem como a explicação.
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Figura 12: Associação de resistores em paralelo com a resistência equivalente.
Feita a associação dos resistores em paralelo, a partir do circuito ilustrado na figura
12, percebe algumas características deste circuito, sendo elas:
 A tensão V que estar entre os pontos “a” e “b” é a mesma para todo o
circuito. Isso significa que: A tensão que passa em uma associação de
resistores em paralelo e a mesma para todos os componentes.
 Diferentemente da associação em série, as corrente que passam sobre cada
um dos reitores são diferentes, pois como há a existência da divisão das
correntes em virtude da presença de nós no circuito a corrente é dividida,
portanto, são diferentes.
 Para calcular o Req em uma associação de resistores em paralelo, é
necessário considerar pares de resistores e efetuarmos a operação de
multiplicação das resistências, tendo o resultado dividido pela soma
destas resistências. No caso do exemplo apresentado na figura 12, a Req é:

A observação é que, sempre devemos considerar pares de resistores.
Associação de resistores em circuito Misto
Uma vez entendida a associação de resistores em série e paralelo individualmente,
podemos nos deparar com circuitos que apresentam associação de resistores das duas
formas. São os chamados circuitos mistos. Quando isso ocorrer, basta aplicar os métodos já
apresentados nos tópicos anteriores para solucionar o circuito.
MINHAS ANOTAÇÕES:
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CONFIGURAÇÕES E CONVERSÕES ESTRELA - TRIÂNGULO E TRIANGULO - ESTRELA
Num circuito, é comum os resistores estarem ligados conforme as configurações
estrela triângulo apresentadas na figura 13 ilustrada abaixo.
Figura 13: Configurações Estrela e Triângulo da associação de resistores.
Estas configurações não se caracterizam nem como série, nem como paralelo,
dificultando o cálculo da resistência equivalente do circuito e, portanto, a sua análise.
Para resolver este problema, é possível converter uma configuração na outra,
fazendo com que os resistores mudem de posição sem, no entanto, mudarem as
características elétricas do circuito.
A seguir serão apresentadas estas conversões, bem como as equações necessárias
para determinarmos os valores para cada um dos resistores contidos nas duas
configurações.
Figura 14: Configurações Estrela - Triângulo e Triângulo - Estrela.
ESTRELA - TRIÂNGULO
TRIÂNGULO - ESTRELA
Tabela 2: Equações para cálculos das conversões Estrela - Triângulo e Triângulo - Estrela.
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MINHAS ANOTAÇÕES:
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Capacitores e Conceitos de Capacitância
CAPACITOR
Trata-se de um dispositivo elétrico formado por duas placas condutoras de metal
separas por um material isolante chamado dielétrico.
Capacitância


Capacidade de armazenamento de carga elétrica;
A capacitância é igual à quantidade de carga que pode ser armazenada num
capacitor dividido pela tensão a ela aplicada. Logo, calcula-se pela seguinte
equação:
Onde: C = capacitância em Farad [F];
= quantidade de carga, em Coulomb [C];
V = tensão aplicada, em Volts [V].


A unidade de medida da capacitância é o FARAD que é a capacitância que
armazena um Coulomb de carga no dielétrico quando a tensão aplicada nos
terminais for 1 volt;
Pode-se ainda calcular o valor da capacitância a partir da seguinte equação:
Onde: C = capacitância em Farad [F];
= constante dielétrica do material isolante;
A = área da placa, em metros quadrado [m2];
d = distância entre as placas, em metros [m].
Isso porque a capacitância depende da área das placas condutoras, da separação
entre as placas e da constante dielétrica do material isolante.
Associação de Capacitores em Série e Paralelo
Calcula-se a capacitância equivalente em um circuito capacitivo pelas seguintes
equações:
CAPACITORES EM SÉRIE
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CAPACITORES EM PARALELO
Quando os capacitores em série tiverem a mesma capacitância, o CR é igual ao valor
da capacitância dividido por dois.
MINHAS ANOTAÇÕES:
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MALLEY, J. O. Análise de Circuitos. Editora Pearson, 2ª Edição, 1994.
MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada: Teoria e
Exercícios. Editora Érica Ltda, 9ª Edição, 2004.
MENDONÇA, R. G. de & SILVA, R. V. R. da. Eletricidade Básica. Editora Livro Técnico, 1ª
Edição, 2012.
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Eletricidade Básica