PA I VA
COUCEIRO
DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
E ESCRITOS DISPERSOS
ORGANIZAÇÃO E
FILIPE RIBEIRO
MIGUEL
INTRODUÇÃO
DE
MENESES
PREFÁCIO
D E P A I VA C O U C E I RO
ÍNDICE
Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
CORRESPONDÊNCIA DE E PARA HENRIQUE DE PAIVA COUCEIRO:
LISTA DE DOCUMENTOS E FIGURAS PRINCIPAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
CAPÍTULO I: Nasce um político 1902-1903 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
CAPÍTULO II: A Galiza 1910-1912 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
CAPÍTULO III: Guerra Mundial, Sidonismo e Monarquia do Norte 1913-1926 . . . 223
CAPÍTULO IV: Política monárquica e nacionalista 1920-1926 . . . . . . . . . . . . . . . 397
CAPÍTULO V: Ditadura militar 1926-1932 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 613
CAPÍTULO VI: Estado Novo 1933-1943 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 703
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FILIPE RIBEIRO
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DE
MENESES
DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
E
ESCRITOS DISPERSOS
C O R R E S P O N D Ê N C I A D E E PA R A
H E N R I QU E D E PA I VA C O U C E I RO :
L I S TA D E D O C U M E N T O S
E F I G U R A S P R I N C I PA I S
Albuquerque, Fernando de Almeida Cardoso de (2.° conde de Mangualde). 1
Alcáçovas, Luís (Luís Henriques de Lancastre [visconde do Torrão]). 139, 142,
185, 199, 243, 314, 322.
Almeida, José Augusto Moreira de. 98.
[1869-1925: Jornalista ligado sobretudo ao diário monárquico O Dia; eleito
deputado em 1904, 1910, e 1918].
Amélia, Rainha D. 99, 313.
Amorim, Guilherme Guedes de. 43.
Andrade, Alfredo Augusto Freire de. 34, 55.
>2ÀFLDOGH(QJHQKDULDTXHWUDQVLWRXGRIUDQTXLVPRSDUDRUHpublicanismo após o 5 de outubro. Governador-geral de Moçambique em
1906, e ministro dos Negócios Estrangeiros em 1914. Mais tarde representaria Portugal na Conferência de Paz de 1919 e na Sociedade das Nações].
Anido, Severiano Martínez. 376-378, 380-381.
>2ÀFLDOGR([pUFLWRHVSDQKROJRYHUQDGRUPLOLWDUGH%DUFHORQD
onde exerceu uma feroz ação antianarquista. Ministro do Interior (Gobernación) ao serviço do ditador Miguel Primo de Rivera, partiu depois para o
exílio. Ministro da Ordem Pública em 1938].
Azevedo, António Carlos Sacramento Calaínho de. 235.
>2ÀFLDOGD$UPDGDJHQURHFRODERUDGRUGH+HQULTXHGH3DLYD
Couceiro].
Bacelar, José Guedes de. 48, 58.
Bacelar, Manuel Vaz de. 49, 64.
Bahamonde, Francisco Franco. 375, 379.
>2ÀFLDOGR([pUFLWRHVSDQKROYHWHUDQRGDVFDPSDQKDVGH0DUURcos. Assumiu, após alguns meses, a liderança do Exército «nacional» durante
a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), que venceu graças ao apoio alemão
e italiano. Chefe de Estado e ditador de 1936 a 1975].
Beirão, Caetano Abreu. 252-253, 325, 333.
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P A I VA C O U C E I R O
Borges, António França. 9, 24.
[1871-1915: Conhecido jornalista republicano, fundador de O Mundo (1900)
e aliado de Afonso Costa. Exilou-se em Espanha entre 1908 e 1910. Eleito
deputado em 1911].
Bourbon, Pedro Barbosa Falcão de Azevedo e (conde de Azevedo). 176, 196,
207, 219.
Braga, Luís de Almeida. 131-137, 140-141, 150, 153, 155-156, 159, 190.
[1886-1970: Advogado e jornalista monárquico, fundador da revista Alma
Portuguesa, onde cunhou a expressão «Integralismo Lusitano». Participou nas
incursões monárquicas e secretariou Henrique de Paiva Couceiro durante a
Monarquia do Norte. Membro da Junta Central do Integralismo Lusitano e
opositor de António de Oliveira Salazar].
Bragança, D. Filipa de. 384.
[1905-1990: Irmã de D. Duarte Nuno de Bragança. Manteve excelentes relações com António de Oliveira Salazar].
Bragança, D. Miguel de. 249.
[1853-1927: Filho de el-rei D. Miguel I, pai de D. Duarte Nuno de Bragança].
Caiola, Júlio. 348.
Camacho, Jorge. 39.
Câmara, Lopo da. 343.
Câmara, Rui da. 52.
Câmara, Salvador Correia de Sá Benevides Velasco da (9.° visconde de Asseca). 197, 216, 220
>2ÀFLDOjVRUGHQVGHHOUHL'0DQXHO,,DFRPSDQKRXRVREHrano durante a revolução republicana e seguiu-o para o exílio em Londres.
Desempenhou várias missões de cariz político, e foi nomeado, no testamento de D. Manuel, executor dos seus bens gerais existentes fora de Portugal].
Campos, Fernando. 323.
Campos, João Francisco Barbosa de Azevedo Sande Aires de (3.° conde do
Ameal). 324, 355.
[1902-1982: Opositor feroz do liberalismo e da República, que combateu na
imprensa, nos seus trabalhos de História, e na Assembleia Nacional, para a
qual foi eleito em 1942. Transitou do Integralismo Lusitano para o Nacional
Sindicalismo, passando depois a apoiar António de Oliveira Salazar].
Carmona, António Óscar de Fragoso. 330, 370.
>2ÀFLDOGH&DYDODULDHUHSXEOLFDQRFRQVHUYDGRUPLQLVWURGD*XHUra em 1923) que conquistou uma posição de destaque dentro da ditadura militar que se seguiu ao golpe de Estado de 28 de maio de 1926. Foi presidente
GD5HS~EOLFDGHQRYHPEURGHDWpjVXDPRUWHHPWHQGRVHUYLGR
de mediador entre António de Oliveira Salazar e o Exército].
Cameira. 44.
Castelo-Branco, João Franco Ferreira Pinto. 10, 26, 268.
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
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ESCRITOS DISPERSOS
[1855-1929: Figura de primeira grandeza na política monárquica tardia. Eleito deputado em 1884 por Guimarães, fez uma carreira fulgurante no seio do
Partido Regenerador. No entanto romperia com o seu líder, Hintze Ribeiro,
fundando o Partido Regenerador Liberal, a que Henrique de Paiva Couceiro viria a aderir. A sua carreira política terminaria com o Regicídio de 1908].
Castro, Luís Filipe de (conde de Nova Goa), 225.
Chagas, Anselmo 37aa.
Costa, João Pereira da. 200, 204, 208, 210.
Costa, Mário Pessoa da. 341.
[1890-1973: Apesar de condenado a seis anos de prisão e 20 de degredo por ter
DEDQGRQDGRDVÀOHLUDVMXQWDQGRVHD+HQULTXHGH3DLYD&RXFHLURHP(VSDQKD
prosseguiu a carreira militar, integrando o Corpo Expedicionário Português
durante a Grande Guerra, participando no golpe de Estado de 28 de maio de
1926 e batendo-se contra as revoltas republicanas de 1927 e 1931. Foi ajudante-de-campo do subsecretário de Estado da Guerra, Fernando dos Santos Costa].
Couceiro, José Joaquim de Paiva Cabral. 29.
>2ÀFLDOGH(QJHQKDULDSDLGH+HQULTXHGH3DLYD&[email protected]
Couceiro, Júlia de Noronha de Paiva. 369.
[1873-1941: Condessa de Paraty. Esposa de Henrique de Paiva Couceiro].
Coutinho, João de Azevedo. 315, 326, 338, 356-357, 361, 383, 385-386.
>2ÀFLDOGD$UPDGDHSROtWLFR*RYHUQDGRUJHUDOGH0RoDPELTXH
(1904-1905) e ministro da Marinha (1909-1910), demitiu-se da Armada em
1911, partindo para o exílio. Combateu em Monsanto (1919), sendo preso e
mais tarde amnistiado. Eleito senador por Portalegre (1925-926). Lugar-tenente de el-rei D. Manuel II (1913-1916 e 1930-1932) e de Dom Duarte Nuno].
Cristo, Francisco Homem. 387.
[1860-1943: Militar e jornalista republicano, fundador do jornal O Povo de Aveiro
(mais tarde O de Aveiro). Incompatibilizou-se com Afonso Costa. Eleito deputado por Timor sem se ter candidatado. Professor da Universidade do Porto].
Cruz, Francisco Manso Preto. 301-302.
[Escritor e biógrafo de Henrique de Paiva Couceiro. Autor de obras como
Paiva Couceiro (1944), O exemplo político de Paiva Couceiro (1945), $ELRJUDÀDSRlítica e o in-memoriam de Henrique de Paiva Couceiro (1947) e Crónica do exílio: No
centenário do nascimento de Henrique de Paiva Couceiro (1961)].
Fazenda, Francisco António (Júnior). 17.
Figueira, Artur. 67-79.
Folque, José Pedro de Basto Feio (conde de Vale de Reis). 254, 271.
Gonçalves, Padre Joaquim Manuel. 38, 40.
Gorjão, Francisco. 25, 28.
Guimarães, Bernardino Luís Machado. 35.
[1851-1944: Figura política que transitou da Monarquia para a República. Várias vezes ministro (presidente do Conselho em 1914), duas vezes presidente
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da República – e duas vezes deposto por um golpe de Estado: primeiro em
dezembro de 1917 e depois em maio de 1926].
Guimarães, Sá. 124.
Hipólito, Abel. 23.
Lopes, José Moreira. 319.
Lorena, João José de Carvalho Daun e (Pombal). 336, 351.
Magalhães, Augusto de. 147.
Magalhães, Luís Cipriano Coelho. 37cc, 76-78, 80-81, 158, 176, 178, 180-182,
186, 196, 207, 209, 211, 219, 344-345.
[1859-1935: Escritor, poeta e político monárquico, eleito deputado pela primeira vez em 1897 por Vila do Conde. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros (1906-1907) durante o governo de João Franco. Foi-o igualmente durante
a Monarquia do Norte, sendo preso e mais tarde amnistiado].
Manuel II, El-Rei D.. 37ee, 165, 170, 175, 183, 188, 201, 203, 267.
Marques, Pedro Correia. 328.
Matos, José Braamcamp de. 19.
Méndez, José Canalejas y. 42.
[1854-1912: Político espanhol, pertencente ao Partido Liberal. Foi presidente
GR&RQVHOKRGHDWHQGRGLÀFXOWDGRDDomRGRVH[LODGRVPRQiUquicos portugueses. Foi assassinado por um anarquista em Madrid].
Menezes, Gonçalo Pereira da Silva de Sousa e (conde de Bertiandos). 2, 31, 218.
[1851-1929: Fundador, com Jacinto Cândido, do Partido Nacionalista
(1902)].
Menezes, João de. 11.
[1868-1918: Advogado, jornalista e escritor; republicano conservador, que
transitou do Partido Republicano Português para a União Republicana, de
Brito Camacho. Eleito deputado várias vezes a partir de 1906, foi ministro
da Marinha em 1911 e ainda senador por Timor].
Menezes, Vítor Alberto Ribeiro de. 41, 119.
>2ÀFLDOGH&DYDODULDSDUWLFLSRXQDVLQFXUV}HVPRQiUTXLFDVWHQdo sido ferido durante o combate de Chaves. Foi nomeado governador civil
de Coimbra durante a Monarquia do Norte].
Monsaraz, Alberto de (2.° conde de Monsaraz). 330, 342.
[1989-1959: Poeta, jornalista e político monárquico que participou nas incursões monárquicas e que foi ferido em Monsanto (1919). Integrou o núcleo
fundador do Integralismo Lusitano e dirigiu o jornal A Monarquia. Acompanhou Rolão Preto na fundação do Movimento Nacional-Sindicalista, do qual
foi secretário-geral. Foi preso e expulso do país em 1934].
Monteiro, Joaquim. 187.
Páris, João de Espregueira da Rocha. 105-106.
[1885-1947: Participou nas incursões monárquicas e na Monarquia do Norte,
tendo regressado a Portugal após o 28 de maio de 1926. Mais tarde ingressa-
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ria na União Nacional, sendo presidente da Câmara Municipal de Viana do
Castelo e deputado durante a década de 1940].
Pereira, Padre Domingos. 210.
Pessoa, Mário. 341, 355.
Pissarra, Arnaldo Ribeiro de Andrade. 171.
>2ÀFLDOGH&DYDODULDFRODERURXFRP+HQULTXHGH3DLYD&RXceiro durante a Monarquia do Norte, tendo sido nomeado governador civil
de Braga].
Pimenta, Alfredo Augusto Lopes. 255-256, 258-260, 262, 265-266.
[1882-1950: Figura de grande importância na política monárquica, embora
tenha sido republicano até 1915. Deputado por Guimarães em 1918, ajudou
a fundar a Ação Realista Portuguesa. Manteve uma correspondência intensa com António de Oliveira Salazar, tentando convencer o ditador a usar o
Estado Novo como uma fase de transição para a Monarquia. Foi diretor da
Torre do Tombo].
Pinto, Júlio da Costa. 117, 161-162.
>2ÀFLDOGH,QIDQWDULDFRPSDVVDJHPSRUÉIULFDRQGHFRQKHFHX
Henrique de Paiva Couceiro. Figura incontornável das conspirações monárquicas após o 5 de outubro. Combateu em Monsanto, tendo sido preso. Mais
tarde seria secretário particular da rainha D. Amélia].
Pires, Eurico de Sampaio Satúrio. 59, 118, 238, 245.
>2ÀFLDOGH,QIDQWDULDFRPEDWHQWHQDVLQFXUV}HVPRQiUTXLFDVH
na Monarquia do Norte. Historiador militar e jornalista].
Pontes, Manuel de Morais. 65.
Portocarrero, Pedro Lopez-Guerrero. 373.
Queiroz, António de Eça de. 130.
[1891-1968: Filho de José Maria de Eça de Queiroz, participou nas incursões
monárquicas e na Monarquia do Norte. Mais tarde trabalharia com António
Ferro no Secretariado de Propaganda Nacional, sendo ainda presidente da
direção da Emissora Nacional].
Quintela, Francisco;DYLHUG·2UH\
-289, 292-300, 303-304, 306-308, 310-312.
[1890-1970: Soldado cadete aquando do 5 de outubro, juntou-se a HenriTXHGH3DLYD&RXFHLURSDUWLFLSDQGRQDVLQFXUV}HVPRQiUTXLFDV%HQHÀFLRX
GHXPDDPQLVWLDSDUDFRQFOXLURVVHXVHVWXGRVPLOLWDUHVWRUQDQGRVHRÀFLDO
de Cavalaria. Combateu em Monsanto, onde foi preso. Figura destacada da
Ação Realista Portuguesa e colaborador íntimo de Paiva Couceiro, de quem
herdaria a espada de Magul e Marracuene].
Raposo, José Hipólito Vaz. 363.
[1885-1953: Um dos principais ideólogos do Integralismo Lusitano, que ajudou a fundar. Jornalista, fundou a revista Nação Portuguesa e dirigiu A Monarquia. Preso em 1919 depois do combate de Monsanto, foi desterrado para
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Angola. Mais tarde recusou a integração na União Nacional, e a sua denúncia do Estado Novo levou a um novo desterro, desta vez para os Açores].
Rebelo, José Adriano Pequito. 154.
>2ÀFLDOGH$UWLOKDULDFRPEDWHXQR&RUSR([SHGLFLRQiULR3RUWXJXrVQD)ODQGUHV$MXGRXDIXQGDUR,QWHJUDOLVPR/XVLWDQRTXHÀQDQFLRX
Ferido em Monsanto. Ofereceu-se como voluntário durante a Guerra Civil
GH(VSDQKD0DQWHYHVHÀHODRVSULQFtSLRVGR,QWHJUDOLVPR/XVLWDQRDOLPHQtando a oposição monárquica ao Estado Novo].
Rego, Álvaro de Sousa. 87-89.
Sá, João Maria do Loreto de Almeida Correia de (Lavradio), 45.
>2ÀFLDOGR([pUFLWRDXVWURK~QJDUROXJDUWHQHQWHGH'0LJXHO
de Bragança no exílio. Participou nas incursões monárquicas].
Sá, José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de (6.° marquês do Lavradio), 37l, 37u, 37v, 37dd.
[1874-1945: Secretário particular de el-rei D. Manuel II].
Salazar, António de Oliveira. 367, 369, 374.
[1889-1970: Presidente do Conselho de Ministros e ditador de 1932 a 1968;
fundador do Estado Novo].
Sarmento, António. 20.
Sarmento, Júlio Girão Faria de Morais (3.° visconde do Banho). 163-164, 166,
172, 174, 176, 196, 207, 219.
[1857-1928: Figura importante da política monárquica, governador civil de
Coimbra e Viseu e ministro da Justiça. Eleito deputado em 1895 (Viseu) e
1900 (Moimenta da Beira); eleito senador em 1918 (Beira Alta). Participou
na Junta Governativa do Reino, durante a Monarquia do Norte, sobraçando as pastas dos Assuntos Eclesiásticos, da Justiça e da Instrução. Preso em
1919 e amnistiado em 1921].
Sarmento, Veríssimo de Gouveia. 33.
Serpa, Francisco de. 27.
Silva, Jacinto Cândido da. 21-22, 30.
[1857-1926: Figura de primeiro plano na política monárquica, eleito deputado regularmente pelo círculo de Angra do Heroísmo entre 1887 e 1895. Foi
ministro da Marinha e Ultramar (1895-1897) tendo mais tarde rompido com
o Partido Regenerador e fundado o Partido Nacionalista].
Soares, Aníbal. 53.
Sotomaior, António. 60.
Sousa, António Sérgio de. 347.
[1883-1969: Figura intelectual de relevo. Ministro da Instrução Pública durante dois meses, de 1923 a 1924. Fundou a revista Pela Grei e colaborou na
Seara Nova. Foi diretor da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Constante
na sua oposição a António de Oliveira Salazar, foi várias vezes preso].
Tavares, Carlos. 36.
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
E
ESCRITOS DISPERSOS
Taveira, Rogério. 212-213, 217, 223-224, 227, 231-232.
Teixeira, Luís de Assis. 37r, 37s.
Teles, Joaquim. 62.
Torres, Alberto Pinheiro. 37w.
[1874-1962: Político monárquico e católico. Eleito deputado em 1908 (Braga)
pelo Partido Nacionalista, emigrou após o 5 de outubro. Colaborou na revista
Alma Portuguesa; ajudou a fundar em 1917 o Centro Católico Português. Mais
[email protected]
Valente, Luís Rebelo. 149.
Vasconcelos, Aires de Ornelas e. 37x, 165, 167, 169, 184, 257, 261, 264.
>2ÀFLDOGH(VWDGR0DLRUDIULFDQLVWDDXWRUGHYiULRVHVWXGRVVREUH
questões coloniais e militares. Ministro da Marinha e Ultramar no governo de
João Franco, enviou Henrique de Paiva Couceiro para Angola como governador-geral interino. Desligou-se do Exército após o 5 de outubro, aceitando
depois ser lugar-tenente de el-rei D. Manuel II. Foi preso no seguimento da
«escalada» de Monsanto. Eleito deputado em 1918 e 1922].
Vasconcelos, Luís Cunha Teles de. 46.
Veloso. 120.
Vilas Boas, Joaquim Gonçalves Pais de. 205-206, 215, 229-230, 236-237, 305.
[1885-1961: Advogado e jornalista, participou nas incursões monárquicas e
na Monarquia do Norte].
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Neste capítulo assistimos à transformação de Henrique de Paiva Couceiro, herói de África
e Benemérito da Pátria, naquilo que dizia não querer ser: um político. Fê-lo enquanto cidadão independente, desligado de qualquer formação partidária, dirigindo-se ao Parlamento sobre
duas questões magnas do século XX português: as receitas do Estado e o desenvolvimento das
colónias. Para Paiva Couceiro, as primeiras tinham de ser aumentadas através do crescimento
económico, possível através de um melhor aproveitamento dos recursos nacionais. Era preciso
trabalhar mais e melhor para produzir mais riqueza; mas ao mesmo tempo o Estado devia
gastar melhor as receitas que arrecadava, não dispersando os seus fundos ao sabor de interesses particulares e combinações negociadas pelos representantes dos partidos do regime. As preocupações demonstradas na carta enviada às Cortes, reproduzida no Documento 14, seriam
repetidas por Paiva Couceiro ao longo das décadas seguintes, fazendo parte de um programa
nacionalista que abrangia muitos setores económicos e políticos e que se resumiam, no fundo, a
um pensamento central: que Portugal não estava condenado à pobreza. Ainda hoje se fazem
sentir. É de assinalar o impacto do gesto de Paiva Couceiro não só no Exército, como também
nos meios políticos desligados dos partidos Progressista e Regenerador (então no Poder, sob a
liderança de Hintze Ribeiro). Destacámos, neste sentido, e para vertebrar este capítulo, as carWDVHQYLDGDVSRUXPDGDVÀJXUDVSULQFLSDLVGRUHFpPFULDGR3DUWLGR1DFLRQDOLVWDQRUWHDGR
nas suas teses pelo pensamento político e social da Igreja Católica (conde de Bertiandos, um
SDUHQWHGH3DLYD&RXFHLURHGHÀJXUDVHLQVWLWXLo}HVOLJDGDVDR3DUWLGR5HSXEOLFDQR3RUWXJXrV
Escolhemos ainda incluir cartas recebidas de associações representativas das «forças vivas» da
nação, e de emigrantes portugueses no Brasil.
Quanto às colónias – e em especial Angola – julgava Paiva Couceiro que tinham de ser
transformadas e integradas na economia mundial através de um esforço exclusivamente nacioQDO4XDOTXHUFRQFHVVmRDLQWHUHVVHVHFRQyPLFRVHVWUDQJHLURVVHULDGDGDDIUDTXH]DÀQDQFHLUD
e militar do Estado, uma brecha irreparável na soberania portuguesa em Angola, cuja fragilidade Paiva Couceiro bem entendia. Este ponto de vista tornar-se-ia, com o passar do tempo,
axiomático, embora condenasse as colónias portuguesas a um subdesenvolvimento forçado até
aos anos 1960, dada a pobreza da própria metrópole. Durante o Estado Novo de Salazar
WRUQDUVHLDFODURFRPRHUDGLItFLOFRQFLOLDUWRGDVDVDVSLUDo}HVGHÀJXUDVFRPR3DLYD&RXFHL-
49
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URUHVWDXUDUDVÀQDQoDVHRERPQRPHGR(VWDGRHQWUHRVPHUFDGRVLQWHUQDFLRQDLVSURPRYHU
o fomento económico da metrópole e desenvolver as colónias. O «contrato Williams», contra o
qual Paiva Couceiro se insurgiu, contrariava a noção do exclusivismo económico português em
Angola, ao atribuir importantes concessões económicas a um súbdito britânico. Porém, o contrato estava já assinado e era impossível retroceder, apesar dos protestos ouvidos na altura – e
dele nasceria a Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, que ligaria, após muitos anos
de construção, o porto do Lobito à província do Catanga. Os documentos incluídos prendem-se
não com o protesto apresentado por Henrique de Paiva Couceiro, mas antes com a sua punição pelo governo de Hintze Ribeiro, o primeiro dos seus desterros (desta vez sob a aparência de
uma simples transferência entre unidades, sendo Paiva Couceiro enviado para Évora). Jacinto
Cândido, líder do já mencionado Partido Nacionalista, e antigo ministro da Marinha (tendo
por isso uma forte ligação à empresa ultramarina) aconselha calma a Paiva Couceiro, pedindo
que se não inutilize para a vida pública por uma questão irreversível; seu pai, convalescendo
em Berlim, menciona a tristeza de não poder ser recebido por Henrique quando chegar a Lisboa; e o conde de Bertiandos escreve à esposa de Paiva Couceiro, pedindo-lhe para ajudar a
conter o ânimo do marido.
Incluídas estão ainda duas mensagens de João Franco, chefe de outra formação política recém-formada, o Partido Regenerador Liberal. Foi Franco que conseguiu seduzir Paiva Couceiro para uma cooperação direta com uma formação partidária; foi aliás o Partido Regenerador
/LEHUDORTXHFRQVHJXLXDSURYHLWDURFDSLWDOKXPDQRHSROtWLFRTXHUHSUHVHQWDYDPRVRÀFLDLV
africanistas após a morte de Mouzinho de Albuquerque (ver, neste sentido, o Documento 34).
Durante muito tempo visto como um precursor das ditaduras do século XX (Sidónio Pais e, mais
tarde, Oliveira Salazar), a obra de Franco foi recentemente reavaliada por Rui Ramos.1Para
Ramos, o objetivo principal de João Franco era recompor a vida política da Monarquia constitucional, de forma a permitir uma alternância saudável no poder entre partidos estáveis. Mas
QmRIRLFRPHVWHÀPHPPHQWHTXH3DLYD&RXFHLURDGHULXDRSDUWLGRHUDVHXGHVHMRSURPRYHU
o desenvolvimento do país através de uma política nacional; mais tarde iria ver a passagem a
governo «em ditadura» – apoiado na vontade do Rei e não nas Cortes – como algo de desejável, por libertar o Poder Executivo do que ele via como a tirania parlamentar.
F.R. de M.
1
Rui Ramos, D. Carlos (Lisboa: Temas e Debates, 2008).
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
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ESCRITOS DISPERSOS
1902
DOCUMENTO 1
Car ta, Fernando de Albuquerque a Henrique de Paiva
Couceiro [HPC], 6 de abril de 1902 2
Meu caro Comandante, Pr. e Amigo.
Venho felicitá-lo cordialmente pela carta que li no Diário Ilustrado e que
representa uma iniciativa que muito admiro e que pode ser o primeiro passo
SDUDDUHJHQHUDomRGD3iWULDTXHWRGRVRVHVWUDQKRVjSROtWLFDMXOJRHXGHVHjam do coração.
7HQKRSDUDPLPTXHWRGRVRVTXHHVWmRQRPHXFDVRLVWRpHVWUDQKRVjSRlítica e desejando ardentemente o ressurgimento da Pátria, deviam esperar uma
iniciativa assim, partindo de um homem livre de qualquer suspeita de interesses
mesquinhos e que logo que ele aparecesse, deviam pôr-se ao seu lado, oferecendo-se como auxiliares, ainda que nada valessem, como é o meu caso, porque em
política muitos nadas sempre valem alguma coisa.
É isso o que eu faço. Ponho-me ao seu lado para qualquer ocasião em que
VXDSDWULyWLFDLGHLDSUHFLVHGHSDUWLGiULRVHRTXHPDLVGHVHMRpTXHQmRÀTXHVy
na iniciativa e continue a obra que tão gloriosamente empreendeu. É esta, certamente, a esperança da maioria dos portugueses, que a veem representada na
pessoa de um homem, que parece talhado para a representar pela sua coragem,
honestidade e inteligência.
Esperando ser-lhe prestável em ocasião oportuna, sou,
Seu Cam. Pr. e amigo,
Fernando de Albuquerque
Tenente de Artilharia
2
Anotação de Henrique Paiva Couceiro [HPC]: «Parabéns.»
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DOCUMENTO 2
Car ta, conde de Ber tiandos a HPC,
7 de abril de 1902
CÂMARA DOS PARES
Meu caro Couceiro
O Jacinto Cândido está incomodado com uma enxaqueca, por isso lhe não
escreve, pedindo-me que o faça, respondendo-lhe que a sua carta foi publicada
no Correio Nacional. Ambos lhe pedimos que nos avise logo que haja qualquer
procedimento superior que possa incomodá-lo. É de esperar que não haja, mas
é bom estarmos prevenidos.
Li com toda a atenção a carta. Está uma obra de mão-cheia e literariamente
escrita. Não posso avaliar por enquanto da impressão que terá feito, mas pelas
notícias que tenho parece-me que na maioria tem feito boa impressão.
2VPHXVFXPSULPHQWRVjSULPD
Creia-me sempre
Bertiandos
7 de abril 1902
DOCUMENTO 3
Car ta, Club Republicano José Falcão a HPC,
10 de abril de 1902 3
Ilustríssimo e Exmo. Sr.
A Direção do Club Republicano José Falcão, interpretando o sentir de todos os seus consócios, vem depor nas mãos de V. Exa. a prescrita mensagem
de felicitação pelo vibrante, arrojado e patriótico apelo que acabais de dirigir ao
parlamento relativamente a um convénio que há de fatalmente importar o esfacelamento do nosso domínio colonial e ferir impiedosamente a autonomia da
nossa nacionalidade.
+DELWXDGRVFRPRHVWDPRVDDVVLVWLUjSHUSHWUDomRGHWRGRVRVDWHQWDGRVDLQda os mais infames, sem que das massas populares surja o mais exíguo protesto,
dando as demais classes, com seu abominável silêncio, incitamento aos seus auWRUHVDÀJXUDDOWLYDEULRVDFDYDOKHLUHVFDGH9([DYHLRHQFKHUGHM~ELORDTXHles que ainda têm amor ao torrão onde nasceram e que com o coração a sangrar
DVVLVWHPjDEHUWXUDGRVHSXOFURRQGHVDFUtOHJRVFRYHLURVRSUHWHQGHPVRWHUUDU
O procedimento de V. Exa. aterrorizou os autores e os cúmplices dessa monstruosidade ignobilmente mendigada nas chancelarias estrangeiras.
3
Anotação de HPC: «1902. Representação a propósito do Convénio.»
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
E
ESCRITOS DISPERSOS
Contavam, Exmo. Senhor, com a proverbial e criminosa submissão de todas as classes que compõem a sociedade portuguesa e foi pavorosa a impressão
produzida pelo protesto de um genuíno português que cinge uma espada que
D3iWULDOKHFRQÀRXSDUDVXDGHIHVDGHXPKRPHPTXHHPWHUUDVDIULFDQDVOHvantou bem alto a gloriosa bandeira das quinas e que teve a inaudita coragem de
chicotear dois piratas (aliados) que insultaram o seu país.
Eles têm razão, Exmo. Senhor.
1XPDWHUUDGHVHUYRVKDELWXDGRVDGREUDUHPDFHUYL]jSDVVDJHPGHHPpULWRVWUDÀFDQWHVHGHUHIDOVDGRVLPEHFLVRQGHVHSUHVWDFXOWRjFUiSXODHVHHVpezinha a justiça, o nobilíssimo protesto de V. Exa. é realmente para alarmar.
Mas esse alarme, esse pavor, longe de deslustrar o nome de V. Exa, nobilita-o,
HQJUDQGHFHRWUDQVIRUPDRQXPDEULOKDQWHHJORULRVDOX]TXHD3iWULDÀWDFRPR
seu amortecido olhar, como uma das suas mais velhas e mais famosas esperanças.
Exmo. Senhor,
A Direção do Club Republicano José Falcão pondo momentaneamente de
parte a sua bandeira política para atender a esta solene questão que julga puraPHQWHQDFLRQDODÀUPDDRYDOHQWHHEULOKDQWHPLOLWDUTXHWHPSHODVXD3iWULDXPD
tão memorável dedicação, o incondicional e inalterável aplauso ao seu protesto fazendo votos para que se opere o milagre de serem atendidas tão vibrantes
quanto patrióticas palavras.
Lisboa e Gabinete da Direção do Club Republicano José Falcão, no Largo
de Santo André, 19 – 1.º – aos 10 dias do mês de abril de 1902.
DOCUMENTO 4
Notícia solta, Correio da Noite, 10 de abril de 1902
Lê-se no Jornal de hoje:
Consta nos círculos militares, com todos os visos de verdade, que muitos e
PXLWRVRÀFLDLVGR([pUFLWRSULQFLSDOPHQWHGDDUPDGH$UWLOKDULDWrPLGRGHLxar bilhetes de visita a casa do Sr. Henrique de Paiva Couceiro, felicitando-o pela
dignidade com que apelou para o Parlamento, pedindo-lhe que salve o país, cujos
interesses este indefeso defensor da Pátria reputa ameaçados, pelo convénio, que
em breve será sujeito a voto pelas câmaras. Escusamos de encarecer a importânFLDGHVWHIDFWRTXHWDQWRMXVWLÀFDDVDSUHHQV}HVGHTXHQRVWHPRVIHLWRHFRGH
que o Governo nos arrasta a todos para acontecimentos da mais alta gravidade.
DOCUMENTO 5
Ar tigo, «Correio da Noite», em Comércio do Por to,
10 de abril de 1902
No Diário Ilustrado, no Correio Nacional e no Mundo apareceu há dias, em forma
GHSHWLomRjV&RUWHVXPORQJRHEHPHVFULWRDUWLJRDVVLQDGRSHOR6U+HQULTXH
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P A I VA C O U C E I R O
GH3DLYD&RXFHLURPRVWUDQGRRVLQFRQYHQLHQWHVTXHSRGHPDGYLUj1DomRGR
projetado convénio com os credores externos e solicitando, por isso, dos deputados, que o não aprovem.
26U3DLYD&RXFHLURpFRPRQLQJXpPLJQRUDRYDOHQWHRÀFLDOGH$UWLOKDULD
TXHWmREULOKDQWHPHQWHVHKRXYHQDVFDPSDQKDVGHÉIULFDHTXHPDLVGHXPD
vez tem publicado trabalhos sobre a administração, denotando aturado estudo
e superiores faculdades de inteligência.
)DODVHPXLWRGRDOXGLGRDUWLJRSHWLomRLQVSLUDGRQDPDQHLUDGRGLVWLQWRRÀcial encarar o assunto e no seu muito e sincero patriotismo, não se presumindo,
pFODURTXHHOHLQÁXDQRkQLPRGRVUHSUHVHQWDQWHVGRSDtVDRSRQWRGHRVOHYDU
DQHJDUHPRYRWRjSURSRVWDGR*RYHUQRPDVFRQVLGHUDQGRRFRPRXPGRcumento importante que mais animará os adversários intransigentes do convénio, que não são poucos, a prosseguirem na guerra sem tréguas que de há muito
PRYHPjTXHODWUDQVDomR
Eu sou dos que estão persuadidos de que o projeto da conversão vai ser apreVHQWDGRSRUHVWHVGLDVjFkPDUDPDVWRUQDPDFRUUHUERDWRVGHTXHDVVLPQmR
VXFHGHUiHTXHR3DUODPHQWRYDLVHULQIDOLYHOPHQWHHQFHUUDGRQRÀPGRPrV
Os boatos estão sendo desmentidos, e quero crer que os desmente quem
afoitamente o pode fazer sem o mínimo receio de se enganar.
R.
DOCUMENTO 6
Notícia solta, Diário da Tarde,
10 de abril de 1902
O convénio – Movimento de protesto
Febre aftosa – Outras notícias.
Lisboa, 10
&RQWLQXDDVHUGLVFXWLGtVVLPDDUHSUHVHQWDomRTXHRGLVWLQWRRÀFLDOGR([pUFLWR6U3DLYD&RXFHLURHQYLRXj&kPDUDGRV3DUHVSURWHVWDQGRFRQWUDRFRQYpQLR&RQVWDTXHYiULRVRÀFLDLVGH$UWLOKDULDYmRGHL[DUELOKHWHVGHIHOLFLWDomR
a casa do Sr. Couceiro. Parece que o Governo está seriamente abalado. Mas há
PDLVDLQGD2SDUGR5HLQR6U$LUHVGH2UQHODVRÀFLDOGR(VWDGR0DLRUFRPEDWHUiRFRQYpQLRDÀUPDQGRTXHHOHVySDVVDUiTXDQGRQmRSXGHUOXWDUPDLV
O movimento de protesto acentua-se cada vez mais. Tanto o Sr. Aires de Ornelas como o Sr. Couceiro são respeitadíssimos no nosso Exército.
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
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ESCRITOS DISPERSOS
DOCUMENTO 7
Car ta, Centro Escolar Afonso Costa a HPC,
11 de abril de 1902
Ilustríssimo, Excelentíssimo, Senhor:
O Centro Escolar Dr. Afonso Costa, que no nome que lhe serve de égide
WHPDFHQWXDGRjHYLGrQFLDRFDUiFWHUDEHUWDPHQWHUHSXEOLFDQRTXHVHPSUHWHYH
e há-de ter, enrola por um momento a sua bandeira política para enviar a V. Exa.
DVVXDVPDLVFDORURVDVIHOLFLWDo}HVSRUWHUFRPDVXDUHSUHVHQWDomRjV&RUWHV
contra o ato em que um governo antipatriótico tenta alienar um favor de estrangeiros a autonomia da Pátria portuguesa.
V. Exa., que ao serviço da nossa Pátria tem posto a sua espada e exposto a
sua vida, acaba de pôr ao serviço dessa mesma pátria o seu valor intelectual e a
sua nobilíssima alma de verdadeiro português, de um modo digno de servir de
exemplo.
E oxalá que disso sirva, para honra, não só do nosso Exército, como de toda
a Nação portuguesa.
Digne-se V. Exa. aceitar, com as nossas sinceras felicitações, os protestos da
nossa mais alta consideração.
Lisboa, Gabinete da Direção do Centro Escolar Dr. Afonso Costa, aos 11
de abril de 1902.
A Direção
Presidente: L. S. Neves Coelho
Tesoureiro: Filipe José de Miranda
Secretário: Artur Ferreira
DOCUMENTO 8
Ar tigo, «Mal-estar», Diário Ilustrado,
11 de abril de 1902
9iULRVMRUQDLVÀ]HUDPVHRQWHPHFRGHUXPRUHVDTXHDWULEXHPWRGRVRVYLsos de verdade, e que andam realmente na boca de toda a gente.
O Jornal, entre outros, dizia:
«Consta nos círculos militares com todos os visos de verdade, que muitos e
PXLWRVRÀFLDLVGR([pUFLWRSULQFLSDOPHQWHGDDUPDGH$UWLOKDULDWrPLGRGHLxar bilhetes de visita a casa do Sr. Henrique de Paiva Couceiro, felicitando-o pela
dignidade com que apelou para o Parlamento, pedindo-lhe que salve o país, cujos
interesses este indefeso defensor da Pátria reputa ameaçados, pelo convénio, que
em breve será sujeito ao voto das câmaras.»
Ignoramos o que há de verdade nesse e noutros boatos que ultimamente têm
corrido. Certo e seguro é, em todo o caso, que há por todo o país um fermento
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LUUHSULPtYHOGHGHVFRQÀDQoDGHUHFHLRHGHSURIXQGtVVLPRGHVJRVWRSHODPDUcha lastimosa das coisas públicas.
Crises profundas e vastas, como a algodoeira e a metalúrgica, vieram juntar-se
jFULVHYLQtFRODDXPHQWDQGRFRQVLGHUDYHOPHQWHDLQVDWLVIDomRHRPDOHVWDUGHQXmerosas classes. A indústria e a agricultura, nos seus ramos principais, lutam com
GLÀFXOGDGHVHQRUPHVHGHVFUHHPFRPVREHMDUD]mRGRDX[tOLRRXUHPpGLRTXHSRVVDYLUOKHVGRSRGHUFHQWUDOTXHQXQFDFRPRKRMHLQVSLURXWmRSRXFDFRQÀDQoD
A política, esta malfadada política portuguesa, tão poucas vezes preparada e
disposta a desempenhar um papel elevado e profícuo nos destinos do país, desceu ultimamente a extremos ameaçadores de penúria moral. Têm-se visto e entrevisto coisas, de há meses a esta parte, em que os mais céticos observadores de
há vinte anos atrás não acreditariam, se cá voltassem. E, no entanto, dir-se-ia que
o rol das surpresas continua aberto, e não se sabe quando e como se fechará.
No Governo sentou-se o desatino, de braço dado com a absoluta falta de escrúpulos. O Parlamento, viciado como nunca na sua própria origem, não inspira
FRQÀDQoDQHPUHVSHLWRHSDVVRXDVHUXPDFRPpGLDLPRUDOTXHRVSUySULRVDWRres já se envergonham de representar. A antiga separação dos partidos acabou,
SHORVDFRUGRGRVFKHIHVDUUDVWDQGRFRQVLJRD~QLFDSRVVLELOLGDGHGHÀVFDOL]DomR
e correção das más tendências e dos detestáveis intuitos. E é este o fundo negro
do quadro sobre o qual se destaca, como uma ameaça tanto mais terrível, quanto é vaga, o ponto de interrogação do anunciado convénio.
Se o Governo tivesse uns restos de autoridade e de prestígio; se a seriedade não
andasse cada vez mais ausente da política, decerto a opinião esperaria com serenidade
DVROXomRGHXPSUREOHPDTXHDLPSUHVVLRQDVREUHWXGRSHODGHVFRQÀDQoDTXHOKH
inspiram os que se propuseram resolvê-lo. Mas o caso é, por desgraça, bem diverso,
e por isso o desassossego alastra e transpira, através desta cripta de inércia inveterada.
DOCUMENTO 9
Car ta, França Borges a HPC, 15 de abril de 1902
Ilmo. Exmo. Senhor:
Tendo sido assinada no jornal O Mundo, de que sou diretor, uma pequena
PHQVDJHPGHDSODXVRDRDWRGH9([DURJROKHDÀQH]DGHPHGL]HUVHDHQtrega não pode ser feita pessoalmente e como, a partir de 3.ª feira.
Pedindo licença para lhe testemunhar a muita admiração, sou com muita
consideração e simpatia,
De V. Exa.
Muito atenciosamente
França Borges
Redação do Mundo
R. dos Jovens, 91 – Lisboa,
15/04/1902
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
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ESCRITOS DISPERSOS
DOCUMENTO 10
Car ta, Associação Industrial do Por to a HPC,
26 de abril de 1902
N.º 942
Ilmo. Exmo. Snr.:
&DEHPHDHOHYDGDKRQUDGHFRQÀUPDURWHOHJUDPDTXHR([PR3UHVLGHQWH
da Assembleia Geral desta Associação, endereçou ontem a V. Exa., e que é concebido nos seguintes termos: A Associação Industrial Portuense traduzindo o
sentir dos seus associados reunidos em Assembleia Geral felicita calorosamente
V. Exa. pelo veemente protesto, patriótico, desassombrado e digno que V. Exa.
DSUHVHQWRXj&kPDUDGRV'LJQRV3DUHVFRQWUDRFRQYpQLRFRPRVFUHGRUHVHVtrangeiros. O Presidente da Assembleia Geral: Jacinto de Magalhães.
3HUPLWDPH9([DTXHDSURYHLWHRHQVHMRSDUDMXQWDUjVGD$VVHPEOHLDDV
minhas mais cordiais e sinceras felicitações, pela atitude verdadeiramente nobre
e patriótica como V. Exa. houve por bem apresentar o seu enérgico protesto
contra o projetado convénio com os nossos credores externos, que não pode
deixar de representar para todos os bons Portugueses, a completa ruína da nossa nacionalidade.
Permita-me portanto V. Exa. que lhe apresente o testemunho da minha elevada consideração.
Deus Guarde a V. Exa.
Porto e Associação Industrial Portuense, 26 de abril de 1902.
O Presidente
António Alves Calem Júnior
DOCUMENTO 11
Car ta, João de Menezes a HPC, abril de 1902
Exmo. Senhor,
Há dez anos, um grande português, José Falcão, torturado com as desgraças da Pátria, e prevendo a catástrofe, escrevia: «Se a monarquia pode salvar o
país que o salve!»
Há dez anos!
Republicano, hoje e sempre, eu não sei nem pretendo saber as opiniões políticas de V. Exa.
Basta-me ter a certeza de que V. Exa. é um patriota e um homem de bem.
Por isso lhe digo: Se o capitão Couceiro e os seus camaradas podem salvar o seu
país do domínio estrangeiro, que o salvem. Nós combateremos, por essa causa,
ao seu lado arrostando com todos os perigos.
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P A I VA C O U C E I R O
7HQKRXPÀOKRHTXHURTXHHOHVHMDSRUWXJXrVHKRPHPKRQUDGRHOLYUH
Deixará de o ser se os portugueses de hoje, além de se mostrarem maus cidadãos, se revelarem também péssimos pais, comprometendo ou deixando comprometer o futuro de inocentes que nada sabem nem compreendem da miséria
e da desonra que os esperam.
Muitos lhe terão escrito a felicitá-lo. Eu digo-lhe: Aqui tem um homem que,
sem abdicar um só momento dos seus princípios, jura pela sua honra estar decidido a morrer ao lado daqueles que queiram combater pela liberdade e pela
independência do seu país.
De V. Exa. [...]
João de Menezes
Advogado, Rua do Ouro
124 Dt.º , Lisboa
DOCUMENTO 12
Car ta, vários a HPC, 4 de maio de 1902
Exmo. Senhor Capitão de Artilharia do Exército Português
Henrique de Paiva Couceiro:
6mRSRUWXJXHVHVRVTXHDEDL[RÀUPDPHVWDPHQVDJHP1R%UDVLORQGHQRVsas energias se gastam em rudes labores, jamais olvidamos o respeito e amor
TXHVHGHYHPjPmHFRPXP(VHPSUHFRPHOHEHPSUHVHQWHHPQRVVRHVStULto, esperançados de um dia poder repousar em seu seio, bem desejamos que ela
singrasse num mar bonançoso, ao impulso de uma sábia e justa administração.
Infelizmente não é assim! Depois de um longo período de paz, no decurso do
qual o constitucionalismo deu de si as piores provas, já coartando as liberdades
conquistadas com tanto sacrifício por nossos maiores, já dissipando o património nacional, e ainda arrastando a honra e dignidade da Pátria, nas suas relações
com o estrangeiro, foi o Estado obrigado a declarar a sua própria falência!
São de ontem os sucessos que se desenrolaram depois do Ultimato – que
a Inglaterra nos cuspiu nas faces. Desde então, os bandos políticos que se têm
revezado no Poder, enquanto prometiam vida nova, quer dizer, processos novos de administração, iam exigindo – tudo – do contribuinte, não para honrar
os compromissos contraídos pela Nação, mas simplesmente para lançar na voUDJHPGDVGHVSHVDVVHPSUHFUHVFHQWHVHLQMXVWLÀFDGDV(FRPRDMXGLDULDÀQDQFHLUDKDYLDIHFKDGRGHÀQLWLYDPHQWHDSRUWDGRVHPSUpVWLPRVTXHRVJRYHUQRV
KDYLDPHOHYDGRjGLJQLGDGHGHLQVWLWXLomRQDFLRQDODÀPGHFREULUHPRVGpÀFHV
sempre sucessivos, inventa-se a necessidade do convénio, que é o último e quiçá
o maior crime político que jamais se tenha cometido em Portugal. E para que
se aliena a liberdade de um povo?
Simplesmente para obter mais dinheiro, com o qual os corruptos da governança possam, por mais algum tempo, tripudiar sobre o coração da Pátria – mo-
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DIÁRIOS, CORRESPONDÊNCIA
E
ESCRITOS DISPERSOS
ribunda! Depois... Contra o tal convénio protestou a Nação mas debalde. Não foi
ouvida porque as oligarquias que a dominam já a consideram como coisa morta.
Só o Exército, que é a guarda avançada da nossa independência e liberdade, podia ainda salvar-nos. Temos essa esperança.
Dele já partiu o grito de alarme, e cremos que foi ouvido. O ato nobilíssimo
que praticastes, entregando na Câmara dos Pares uma petição, para que esta alta
corporação legislativa não aprovasse o convénio, que o governo havia celebrado
com os credores externos, e no qual se acham exaradas cláusulas profundamente humilhantes para o nosso patriotismo, é de molde a despertar em nós uma
legítima e elevada admiração.
Não podia proceder de outra forma quem, como soldado valoroso e destemido, já mais de uma vez expôs a vida, para honrar a nossa gloriosa bandeira,
símbolo de um passado brilhante e de esperanças no futuro.
A vossa conduta, como cidadão, ao mesmo tempo que é nobilíssima, equivale
a um alto dever cumprido. Mas porque, nesta época de fundas descrenças políticas,
não deixa de ser uma virtude o cumprimento do dever, nós, que muito amamos
a Pátria e por ela tudo daríamos, admiramos, altamente, o vosso nobre exemplo
GHFLYLVPRTXHÀFDUiJUDYDGRQDKLVWyULDGRQRVVRSRYRSDUDTXHQRVVRVÀOKRV
saibam como o verdadeiro soldado defende a honrada sua terra, amesquinhada e
traída por governos tiranos e corruptos. O entusiasmo que sentimos pelo vosso
nobre procedimento, levou-nos a ver ante vós, a trazer-vos o nosso apoio incondicional, e ao mesmo tempo incitar-vos para que não abrandeis em vossos nobres
LQWXLWRVTXHVmRFRPRRVGHWRGRVRVERQVÀOKRVGHVWDDPDGDWHUUDSRUWXJXHVD
pugnar pela honra e bem-estar da entidade política, que no conceito dos povos,
tem um nome glorioso – Portugal. Aceitai, digno soldado, os altos protestos da
nossa mais elevada admiração, que bem desejamos ver traduzida em frases incisivas e empolgantes, mas incompatíveis com a pobreza da nossa intelectualidade.
São patriotas que falam a outro patriota, e isso nos basta para crer que fomos
compreendidos. Honra ao digno soldado, Henrique de Paiva Couceiro, glória do
Exército português!
Rio de Janeiro, capital da República dos Estados Unidos do Brasil, 4 de maio
de 1902.
José Joaquim Fonseca
Manuel Domingues da Costa
Nicolau Lopes da Costa e Silva
Francisco Ferreira da Cunha Lemos
João Batista Lucas Pais
José Maria de Freitas
Leonel Pereira Barbosa
António de Almeida
59
R. Hospício n.º 80
“
R. M. Floriano n.º 90
R. 1.º de Março 18
“
“
“
“
P A I VA C O U C E I R O
João Saldanha Claro
Eduardo Pereira Leite
M. Lopes Fortunato José
Joaquim Rezende do Vale
António Cintbailos
António C. C. Ramalho
Francisco Marques J. de Sá
Adriano Augusto Borges
Manoel Leite da Silva Garcia
T. Novais Martins
Francisco G. e Loureiro
António Manoel da Fonseca
Joaquim António da Costa Nanguaya
António de Sousa Soares
Xavier de Almeida Santos
Henrique Oliveira da Fonseca
Fortunato Viegas de Melo
Manuel Viegas de Carvalho
José Teixeira Ancêde
Francisco da Silva Ferrão
Luciano da Silva Ferrão
Herculano Osorio Alves Cabral
Alfredo C. Sequeira
Adelino C. Sequeira
Manuel Alves de Oliveira
Joaquim Coelho de Andrade Sequeira
R. 1.º de Março
18
“51
“ 63
“42
R. S. Pedro n.º 113-B
R. 1.º de Março
42
“
“
“
“
“
“ 100
“ 77
“ 79
Uruguaiana, 90 – A
R. 1.º de Março 42
R. Ouvidor 23
Carmo, 49
Ourives 32-D
Lacheria Durão, 9
“
R. Luísa n.º 51
“
“
R. do Carmo n.º 49
DOCUMENTO 13
Car ta, Associação Comercial de Lojistas de Lisboa,
6 de maio de 1902
Ilmo. Exmo. Senhor
Vibrou profundamente na alma de todos que amam deveras o torrão que
lhes foi berço, o protesto nobre e digno que V. Exa. teve a hombridade de dirigir, como cidadão português, ao seio da representação nacional, contra o convénio com os credores externos.
Tão estranho é o facto de se encontrar na atualidade quem se levante a protestar altivo e sereno, contra os erros da nossa administração pública, arrostando com as consequências da sua independência, que a Associação Comercial de
Lojistas de Lisboa, uma das mais diretas representantes das classes comerciais e
industriais do país, cheia de admiração e premente de entusiasmo, votou na sua
Assembleia Geral de 2 do corrente o seguinte:
60
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PAIVA COUCEIRO