UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA
INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOENGENHARIA
FRANCIELY ROSA DE CASTRO
SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE
EVENTOS ADVERSOS
São José dos Campos, SP
2014
Franciely Rosa de Castro
SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE
EVENTOS ADVERSOS
Dissertação de Mestrado apresentada ao programa de PósGraduação em Bioengenharia da Universidade do Vale do
Paraíba, como complementação dos créditos necessários
para a obtenção do título de mestre em Bioengenharia.
Orientador: Prof ª Drª Maria Belén Salazar Posso
Co-orientador: Prof ª Drª Fernanda Pupio Silva Lima
São José dos Campos, SP
2014
Ficha catalografica
FRANCIELY ROSA DE CASTRO
SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE
EVENTOS ADVERSOS
Dissertação de Mestrado aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em
Bioengenharia, do Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia, do Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, SP, pela
seguinte banca examinadora:
Profª Drª: Maria Belén Salazar Posso (UNIVAP)______________________________
Profª Drª: Fernanda Pupio Silva Lima (UNIVAP)______________________________
Profª Drª: Estela Regina Ferraz Bianchi (USP)_________________________________
Profº Drº Alderico Rodrigues de Paula Junior (UNIVAP)________________________
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, agradeço a Deus, o criador de todas as coisas, onipotente, justo, bom, pela
oportunidade da vida;
Ao Magnífico Reitor da Universidade do Vale do Paraíba profº Drº Jair Cândido de Melo pela
oportunidade;
À Diretora do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Profª Drª Sandra Maria Fonseca da
Costa, por sua direção competente;
À Coordenadora do Programa de Mestrado em Bioengenharia e minha co-orientadora Profª
Drª Fernanda Pupio Silva Lima;
Especialmente agradeço a minha orientadora Profª Drª Maria Belén Salazar Posso, que com
dedicação, paciência, com toda a sua sabedoria, me ajudou e transmitiu os seus
conhecimentos sem medir esforços. Muito obrigada profa querida;
Ao meu companheiro, Jonathas, obrigada pelo incentivo e pela confiança que teve em mim,
amo você;
Aos meus pais, Manoel e Lorena, obrigada por tudo, pelos ensinamentos, pelo amor, pela
companhia, amo muito vocês;
Aos meus queridos amigos, e colegas de turma sempre apoiando e incentivando, em especial
a Adeslaine Negrini Reche, Nínive Bastos Oliveira e a Greicy Raquel Fiorentin, minha
parceira, companhia de dois anos de viagem e estudo, obrigado por tudo Greicy querida.
Também ao Adriano e a Laline Broetto, obrigada amiga pelas conversas, troca de
conhecimento, companhia e ajuda principalmente na coleta de dados;
A Diretora de Enfermagem, Maria Aparecida Andriollo Richetti e ao Assessor de Recursos
Humanos, Ivã José de Pádua, do Hospital campo desta pesquisa, pelo incentivo para estudo;
A profª Kumiko Koibuchi Sakane e Patrícia Marcondes dos Santos, pela companhia das
quintas-feiras à tarde, sempre nos alegrando e incentivando;
A todos os professores e funcionários do IP&D, especialmente a Ivone, sempre tão prestativa,
que contribuíram para este trabalho.
CASTRO, F. R. Sala de emergência: riscos físicos e a potencialidade de eventos adversos.
São José dos Campos, 2014. 81p. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento, Universidade do Vale do Paraíba.
RESUMO
O ambiente de um Pronto Socorro, especificamente a Sala de Emergência, caracteriza-se por
ser um estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a doentes, com ou sem risco
de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato. O ambiente físico,
recursos humanos e materiais disponíveis na implantação e desenvolvimento de uma sala de
emergência são de fundamental importância para um bom atendimento ao paciente. Os
profissionais que ali desenvolvem suas atividades de trabalho necessitam de boas condições
para desempenhá-las, principalmente por se tratar muitas vezes de procedimentos complexos,
que podem ser pressuposto para melhora da saúde ou piora do estado grave do paciente. Os
profissionais que atuam neste cenário estão sujeitos à exposição a agentes físicos, que podem
ser responsáveis por acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. Os agentes físicos são:
calor, frio, umidade, pressões anormais, radiações ionizantes e não ionizantes, ruído,
vibrações, iluminação e a própria estrutura física. O objetivo desta pesquisa foi identificar na
Sala de Emergência de um Hospital Escola do Estado do Paraná, a presença de agentes físicos
e sua potencialidade de eventos adversos, a qual os profissionais estão expostos. Trata-se de
um estudo descritivo, exploratório, de campo, transversal e com abordagem quantitativa por
se prestar melhor à obtenção aos objetivos propostos e favorecer o aprofundamento dos
conhecimentos sobre a temática. A relevância deste estudo está em aprofundar os
conhecimentos a cerca deste risco ambiental, que ainda é pouco pesquisado. Os resultados
mostraram que os profissionais de saúde que desenvolvem suas atividades laborais na Sala de
Emergência estão expostos a uma série de agentes físicos que podem ser danosos para a
saúde, como: temperatura elevada (26,1ºC), falta de ventilação (ausência de janelas), piso
escorregadio, área insuficiente (46,24 m2), ruído acima de 66,4 dB, insuficiência de tomadas,
objetos salientes nas paredes e objetos pendurados no teto com menos de 220 cm, iluminação
inadequada variando de 75 a 226 LUX e presença de radiação ionizante sem proteção dos
usuários. A exposição a esses agentes, sem o uso de EPI adequados, na ausência de EPC, e
sem orientações, pode levar os trabalhadores a sofrer acidentes de trabalho, causando quedas,
contusões, acidentes pérfuro-cortantes, choques elétricos, risco de incêndio, estão sujeitos a
desenvolver doenças ocupacionais, como, perda auditiva induzida pelo ruído, doenças
oculares pela má iluminação e até câncer pela exposição à radiação ionizante. Considera-se
essencial a identificação dos riscos físicos presentes no ambiente de trabalho, e
principalmente os riscos passíveis de correção. Pois, medidas de prevenção e minimização
dos riscos, podem proteger os profissionais de saúde, que muitas vezes esquecem-se da sua
própria saúde, para zelar pela saúde dos pacientes.
Palavras chave: Risco físico. Riscos. Sala de Emergência. Riscos Ocupacionais. Saúde
Ocupacional.
CASTRO, F. R. Emergency room: physical hazards and potential adverse events. São
José dos Campos, 2014. 81p. Dissertation (Master) – Research and Development Institute,
University of Vale do Paraiba.
ABSTRACT
The emergency department environment, specifically the emergency room is characterized by
being a health institution destined to provide assistance to patients with or without lifethreatening which need immediate care. The physical environment as well as the human and
material resources available for the implementation and development of an emergency room
have great importance in order to provide a good patient care. The emergency room
professionals must have good working conditions to perform their duties. Especially because
in the emergency room is often to deal with complex procedures which may be a prerequisite
for the patient health improvement or worsening the critically ill patient. Professionals who
work in an emergency room are likely to be exposed to physical agents that may be
responsible for work accidents or occupational diseases. There are physical agents that are
part of the emergency room environment such as: heat, cold, humidity, abnormal pressures,
ionizing and non-ionizing radiation, noise, vibration, lighting and the own emergency room
physical structure. The purpose of this research was to identify the presence of physical agents
and their adverse events potential which employees are exposed to it in the emergency room
of a teaching hospital in the state of Paraná, Brazil. This is a descriptive and exploratory
paper. Based on a field research and in a cross-sectional study with quantitative approach due
to better picking up the proposed objectives and promote the subject knowledge development.
The relevance of this study is in going deeper on the knowledge about this environmental risk
which is still poorly researched. The results of this research showed that the health
professionals who develop their work activities in the emergency room are exposed to a
number of physical agents which can be harmful to their health such as heat (26,1ºC), lack of
ventilation (without windows), slippery floors, small work area (46,24 m2), noise above 66,4
dBA , insufficient switch plugs, protruding objects on the walls (> 220 cm) and objects
hanging from the ceiling, poor lighting and ionizing radiation protection. The emergency
room workers exposure to those physical agents without the use of appropriate PPE in the
absence of CPE without the necessary guidance may lead workers to work accidents, causing
falls, bruises, cutting injury, electric shock, fire hazard, are also likely to develop occupational
diseases such as noise-induced hearing loss, eye disease by poor lighting and even cancer by
exposure to ionizing radiation. It is essential to identify the physical hazards in the workplace.
Especially the risks that can be corrected and avoided. Prevention and risks minimization can
protect the health professionals who often forget their own health in order to ensure the health
of patients.
Key Words: Physical risk. Hazards. Emergency room. Occupational risk. Occupational
Health.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Sala de Emergência pesquisada. .............................................................................. 30
Figura 2: Bancada de diluição de medicamentos e pia da Sala de Emergência. ..................... 30
Figura 3: Decibelímetro modelo Instrutherm. ......................................................................... 31
Figura 4: Decibelímetro na mesa de Mayo, para as medições da pressão sonora................... 32
Figura 5: Luxímetro modelo Lux Meter. ................................................................................ 32
Figura 6: Metro utilizado para as medidas lineares................................................................. 33
Figura 7: Termo-higrômetro.................................................................................................... 33
Figura 8: Planta Baixa da Sala de Emergência. ...................................................................... 37
Figura 9: Dimensões de unidade de atendimento imediato de alta complexidade.................. 40
Figura 10: Parede não íntegra da Sala de Emergência. ........................................................... 42
Figura 11: Piso com desnível e presença de parte não íntegra. ............................................... 44
Figura 12: Porta corrediça de metal. ....................................................................................... 46
Figura 13: Porta corrediça branca de madeira. ........................................................................ 46
Figura 14: Negatoscópio saliente na parede............................................................................ 47
Figura 15: Fluxômetros salientes na parede. ........................................................................... 47
Figura 16: Suporte de soro suspenso do teto. .......................................................................... 48
Figura 17: Suporte de soro e bancada de monitores fixados na parede. ................................. 48
Figura 18: Carrinho de Emergência. ....................................................................................... 48
Figura 19: Suporte de soro com base instável. ........................................................................ 48
Figura 20: Lixeira e torpedos de oxigênio. ............................................................................. 50
Figura 21: Extensores de tomada utilizados para ligar aparelhos eletromédicos. ................... 56
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Valores das medições de temperatura na Sala de Emergência. Paraná - 2013. ..... 51
Quadro 2: Apresentação dos resultados de iluminância, avaliado com luxímetro, na Sala de
Emergência. Paraná - 2013. ...................................................................................................... 54
Quadro 3: Limites de Tolerância (LTs) para ruído contínuo ou intermitente......................... 58
Quadro 4: Níveis de ruído encontrados na Sala de Emergência. Paraná - 2013. .................... 59
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ATLS – Advanced Trauma Life Support
CC – Centro Cirúrgico
CFM – Conselho Federal de Medicina
CLT – Consolidação das Leis do Trabalho
CME – Centro de Material de Esterilização
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem
CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa
dB – Decibel
EAS – Estabelecimento de Assistência à Saúde
EPC – Equipamento de Proteção Coletiva
EPI – Equipamento de Proteção Individual
EUA – Estados Unidos da América
HBV – Hepatite B
HCV – Hepatite C
Hz – Hertz
LTs – Limites de Tolerância
LUX – Unidade de Iluminância
MS – Ministério da Saúde
mSv – Milisievert
MT – Ministério do Trabalho
NBR – Norma Brasileira
NR – Norma Regulamentadora
NPS – Nível de Pressão Sonora
OIT – Organização Internacional do Trabalho
OMS – Organização Mundial da Saúde
PA – Pronto Atendimento
PAIR – Perda Auditiva Induzida pelo Ruído
PCA – Programa de Conservação Auditiva
PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
PNAU – Política Nacional de Atenção as Urgências
PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
PR – Paraná
PS – Pronto Socorro
RDC – Resolução da Diretoria Colegiada
RMS – Root Mean Square
RX – Raio-X
SE – Sala de Emergência
SOBECC – Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico
SOBET – Sociedade Brasileira dos Enfermeiros do Trauma
SP – São Paulo
SS – Secretaria de Saúde
SUS – Sistema Único de Saúde
UBS – Unidade Básica de Saúde
UE – Unidades de Emergência
UTI – Unidade de Terapia Intensiva
UTI Neonatal – Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
UUE – Unidade de Urgência e Emergência
V – Volts
W – Watts
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12
2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 15
3 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 15
3.1 Considerações sobre a Emergência ................................................................................. 16
3.2 A Urgência e Emergência Hospitalar ............................................................................. 17
3.3 Riscos ................................................................................................................................. 20
3.3.1 Riscos Ambientais ........................................................................................................... 20
3.3.2 Riscos Físicos nas Unidades de Urgência e Emergência ................................................ 23
4 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 28
4.1. Tipo da Pesquisa .............................................................................................................. 29
4.2. Campo da Pesquisa.......................................................................................................... 29
4.3 Procedimento de Coleta de Dados................................................................................... 30
4.4 Aspectos Éticos e Legais da Pesquisa.............................................................................. 33
4.5 Análise dos Dados ............................................................................................................. 34
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 34
5.1 Identificação do EAS/Sala de Emergência ..................................................................... 36
5.2 Características Físicas da Sala de Emergência .............................................................. 39
5.3 Risco Elétrico .................................................................................................................... 55
5.4 Ruído .................................................................................................................................. 57
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 63
6.1 Perspectivas Futuras ........................................................................................................ 65
7 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 65
APÊNDICE A - INSTRUMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE
RISCO FÍSICO NA SALA DE EMERGÊNCIA ................................................................. 75
12
1 INTRODUÇÃO
Com o passar dos anos, a evolução do modelo organizacional trouxe para os
Estabelecimentos de Assistência à Saúde (EAS) mudanças bruscas no processo de trabalho,
este submisso aos avanços tecnológicos, cognitivos, do estabelecimento, de novas
competências nas atuações profissionais influenciaram a organização de trabalho no setor de
emergência e novas formas de ações surgiram.
Essas, identificadas como: ritmo de trabalho e carga horária intensos, gestão de
qualidade, competitividade, robotização de tarefas, ausência de assentos e setor de descanso,
auditorias, exigências das comissões de qualidade, chefias rigorosas, estresse laboral,
informações automatizadas desfavorecendo a execução de tarefas, frágeis relações de
trabalho, saúde mental insatisfatória e fadiga, entre outras (MAURO et al., 2004; BEZERRA,
2006).
Essas mudanças ocorridas no contexto organizacional têm manifestado reflexos sobre
os trabalhadores, que devem suportá-las como carga adicional aos seus problemas diários,
sem perder a qualidade no trabalho desempenhado, principalmente quando se trata de pessoas
cuidando da saúde de outras pessoas (BEZERRA, 2006). Ainda, este autor destaca que o
processo de trabalho resulta em várias consequências para a vida e saúde dos trabalhadores; a
forma como o trabalhador vivencia ou realiza o seu trabalho potencializa a saúde ou a doença.
O EAS, particularmente o Pronto Atendimento (PA), em decorrência de suas
características físico-funcionais podem gerar impactos e repercussões leves, moderadas ou
graves na saúde dos trabalhadores advindos da pluralidade de fontes geradoras de riscos de
diferente tipologia. Pela gravidade dos pacientes atendidos no PA, geralmente em estado
crítico urgente ou emergente, exige execução rápida e qualificada de procedimentos de alta
complexidade.
Então, o trabalho desempenhado nessa unidade envolve as assistências de: urgência
caracterizada pela “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de
vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata” e de emergência identificada
pela “constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente
de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato” (BRASIL,
2002a).
Desse ponto de vista, o ambiente do PA apresenta uma série de situações, atividades e
fatores potenciais de riscos físicos capazes de produzir alterações física, fisiológica e
13
psicológica, podendo levar a acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais nos indivíduos
expostos a eles que, segundo Nishide; Benatti e Alexandre, (2004) esse ambiente de trabalho
pode ser considerado insalubre.
Outro aspecto importante a ser considerado é o pouco cuidado dos profissionais com
sua saúde, ao contrário, são extremamente zelosos com a saúde das pessoas de qualquer faixa
etária e gênero, no entanto, esquecem-se muitas vezes de se preocupar, se prevenir contra
acidentes e doenças provenientes da natureza de sua profissão (OIT, 1989).
De acordo com Benedett (2008), a ação mais natural é a prevenção dos acidentes e
doenças provenientes do trabalho devendo o enfermeiro estar atento, pois a medida preventiva
mais importante para quem trabalha no PA é o conhecimento dos riscos ambientais a que
estão expostos. Segundo Cavalcante (2006), o conhecimento por parte dos profissionais de
saúde dos riscos físicos é importante para que possa prevenir-se da exposição a esses riscos
mantendo sua saúde ocupacional.
Corroboram com essas afirmações Costa e Felli (2005) que salientam a importância da
compreensão pela equipe multiprofissional que desempenha suas atividades no EAS do seu
cotidiano, exigindo o conhecimento para a identificação das fontes potenciais geradoras de
risco que podem dificultar a sua atuação.
Nesse sentido Miranda; Stancato (2008) sugerem o gerenciamento e a implantação de
estratégias preventivas para sua correção e minimização, pois, todas as profissões envolvem
riscos inerentes à sua natureza e ao ambiente físico-funcional onde o profissional atua,
podendo ser responsáveis por acidentes de trabalho ou doenças profissionais (LEITE, 2006).
Acidentes de Trabalho segundo a Lei n° 6.367/76 em seu art.2º e a Lei 8213/91 em seu
art.19, caracterizam “acidente de trabalho, aquele que pode ocorrer pelo exercício do
trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause morte, perda ou redução da capacidade de trabalho” (CAMPANHOLE;
CAMPANHOLE, 2004). Hoje, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), generaliza como
acidentes de trabalho os acidentes típicos, os de trajeto, as doenças profissionais e doenças do
trabalho (BRASIL, 2005a).
Com relação aos riscos ocupacionais, Nishide, Benatti e Alexandre, (2004) definem
como a possibilidade de um trabalhador sofrer dano advindo do “seu trabalho, em função de
sua natureza, concentração, intensidade ou tempo de exposição”.
Por esse prisma os profissionais que desempenham suas atividades laborais em
ambiente hospitalar estão, naturalmente, sujeitos a sofrer a ação de riscos físicos, químicos,
biológicos, psicológicos entre outros, capazes de resultar em acidentes de trabalho e até, se
14
contínuos, em doenças profissionais (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA, 2007;
BENEDETT, 2008; BAPTISTA; SILVA; BIANCHI, 2011).
Os riscos físicos de acordo com as Normas Regulamentadoras NR-09 e NR-15 são
aqueles em que os trabalhadores encontram-se expostos aos agentes físicos: ruídos, vibrações,
pressões anormais, calor, frio, iluminação, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes
(BRASIL, 1978).
Os riscos físicos podem advir ainda, da eletricidade, de quedas de objetos e do próprio
espaço físico, muitas vezes, restrito e inadequado, e causar problemas osteomusculares,
queimaduras por choques elétricos, traumas, aqueles relacionados à exposição a radiações,
entre outros, levando a danos à saúde física e mental. Estes riscos embora de gravidade
orgânica variável podem causar acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais, interferindo
no desempenho das atividades da equipe profissional (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA,
2007; BENEDETT, 2008).
Assim, tendo em vista que as questões de trabalho e saúde não são desvinculadas, e
ainda, que a temática de saúde do trabalhador e biossegurança têm ganhado grande destaque
na atualidade, e também, pela necessidade de melhoria na qualidade de vida no trabalho dos
profissionais da saúde de uma Sala de Emergência (SE) de um PA de um município do
interior do estado do Paraná.
Trabalhando nesse ambiente, muitas vezes, após 8 a 12 horas de trabalho, vivenciou-se
sintomas como cefaleia, irritação, náuseas, fadiga excessiva, além de presenciar queixas
relatadas por outros profissionais que ali desempenham suas atividades, resultando em
questionamentos e preocupações constantes com as agressões geradas por esse tipo de
contexto físico-funcional desse ambiente de trabalho. Como preservar a saúde do trabalhador
desse setor? Como minimizar essas agressões? A experiência de cinco anos de trabalho em
EAS evidenciou que a dinâmica de assistência torna difícil controlar a exposição às suas
fontes potenciais de agressão, especificamente, aos riscos físicos. Então, este estudo tratará
dos riscos físicos em SE, ainda pouco pesquisado, limitando-se à sua identificação que,
potencialmente, possam atingir a equipe profissional que ali exerce suas atividades e ao
mesmo tempo, verificar aqueles passíveis de correção para evitar os prováveis danos à saúde
da mesma.
Diante do exposto parece relevante e justificável conhecer as fontes potenciais de
riscos físicos da SE, do EAS campo de estudo porquanto, trata-se de um hospital universitário
em que um grande número de profissionais e estudantes da área da saúde exerce suas
atividades, estando sujeitos às ações potenciais de agentes físicos presentes nesse setor.
15
2 OBJETIVOS
Averiguar as dimensões físico-funcionais de uma Sala de Emergência do Pronto
Socorro de um Hospital Universitário de grande porte do interior do estado do Paraná,
considerando o disposto na RDC 50/ ANVISA/2002;
Identificar na Sala de Emergência do Pronto Socorro de um Hospital Universitário de
grande porte do interior do estado do Paraná, as possíveis fontes de riscos físicos com
potencialidade para causar acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais.
16
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Considerações Gerais sobre Serviço de Emergência
No Brasil, a iniciativa pela criação do Serviço Médico de Urgência ocorreu em
meados de 1890, por iniciativa dos poderes públicos e também por instituições privadas,
devido ao aumento de incidências com acidentes de trânsito ocorridos no Rio de Janeiro.
Contudo, apenas em 1904, iniciou-se a aprovação de leis que garantiam a disponibilização de
verbas para os postos de socorro e assistência médica. Portanto, os atendimentos de
emergência no Brasil, estão inseridos no contexto histórico da criação do Socorro Médico de
Urgência (LOPES, 2009).
Segundo Wehbe, (2001) e Lopes, (2009) três anos após a aprovação de verbas para
urgências e emergências, em 1907, foi instituído um posto médico localizado na Praça da
República no Rio de Janeiro, um prédio com três andares equipados com o que havia de mais
moderno naquela época, que se tornou padrão de excelência, sendo indicado na exposição
internacional de Higiene em 1909 e na Exposição Internacional de Higiene Social em Roma,
em 1912. As primeiras unidades de pronto socorro e assistência médica, neste país, foram
dirigidas por comissários e subcomissários de Higiene e Assistência Pública. (LOPES, 2009).
Nos Estados Unidos da América (EUA), as unidades de emergência existem há
aproximadamente cerca de quarenta anos. A partir da década de 70, as instituições sentiram
necessidade de desenvolver a qualidade do atendimento de emergência e começaram a
disponibilizar cursos preparatórios aos profissionais que atuavam neste setor, como médicos e
enfermeiros. O atendimento ao traumatizado era superficial, não havia um programa
padronizado para treinamento de pessoal. (WEHBE, 2001).
Nos EUA o aperfeiçoamento para os médicos que atendiam em emergências iniciou-se
com o curso do Advanced Trauma Life Support (ATLS) onde o principal objetivo era para
que o atendimento inicial fosse dado de forma adequada e no menor tempo possível, isso
poderia melhorar significativamente o resultado do atendimento ao traumatizado grave.
(AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS, 1993).
No Brasil, a partir da década de 80, foi dada maior ênfase no aperfeiçoamento dos
profissionais que atuam no atendimento de emergência. Foi criada em 1985 a Sociedade
17
Brasileira dos Enfermeiros do Trauma (SOBET) que consiste na primeira associação de
enfermagem especializada em trauma. (WEHBE, 2001).
Três etapas caracterizam o atendimento ao paciente de trauma: a primeira na cena do
acidente, a segunda no transporte do paciente e a terceira na unidade de atendimento à
urgência e emergência. (LOPES, 2009; WEHBE, 2001).
3.2 A Urgência e Emergência Hospitalar
O Ministério da Saúde (WEHBE, 2001) define o atendimento em urgência e
emergência a ser ministrado em diferentes unidades denominadas de pronto socorro, pronto
atendimento e emergência.
A portaria 312/2002 do Ministério da Saúde, em seu item 2.2.2 estabelece leito
hospitalar de observação “o leito destinado a paciente sob supervisão médica e/ou de
enfermagem para fins diagnósticos ou terapêuticos por período inferior a 24 horas”
(BRASIL, 2002d). Portanto, as Unidades de Emergência são projetadas para prestar o
atendimento imediato na urgência ou emergência e podem manter o paciente em observação
por até 24 horas, depois disso o paciente deve ser remanejado para outro setor, em casos de
falta de vaga no próprio hospital, deve-se transferir para outro estabelecimento de saúde ou
alta hospitalar, quando houver possibilidades.
O Ministério da Saúde, na Política Nacional de Atenção as Urgências, através da
portaria GM de 1.863 de 2003, descreve os princípios das unidades de Emergência: “garantir
a universalidade, eqüidade e integralidade no atendimento às urgências clínicas, cirúrgicas,
ginecoobstétricas, psiquiátricas, pediátricas e as relacionadas às causas externas,
traumatismos não-intencionais, violências e suicídios”.
De acordo com Brasil (2001a), as ações do Ministério da Saúde, com relação às
urgências e emergências buscam prevenir agravos e prevenir melhorias nas condições de
saúde da população. Os impactos esperados são a redução da morbimortalidade e promoção
de melhor qualidade de vida.
As SE são locais apropriados para o atendimento de pacientes com afecções agudas
específicas onde existe um trabalho de equipe especializado e podendo ser divididos em
pronto atendimento, pronto socorro e emergência (COREN, 2011).
18
As definições do Ministério da Saúde de pronto atendimento, pronto socorro e
emergência, estão descritas em Brasil, (1986):
Pronto atendimento é “unidade destinada a prestar, dentro do horário de
funcionamento do estabelecimento de saúde, assistência a doentes com ou sem risco de vida,
cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato”.
Pronto socorro é o “estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a
doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento
imediato. Funciona durante às 24 horas do dia e dispõe apenas de leitos de observação”.
Emergência é a “unidade destinada à assistência de doentes, com ou sem risco de
vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato”.
O campo deste estudo trata de uma Sala de Emergência, situada no Pronto Socorro de
um Hospital Escola de uma cidade do interior paranaense.
A assistência em situações de emergência e urgência define-se pela necessidade de um
paciente ser atendido em um curtíssimo espaço de tempo. A emergência é caracterizada com
sendo a situação onde não pode haver uma protelação no atendimento, o mesmo deve ser
imediato. Nas urgências o atendimento deve ser prestado em um período de tempo que, em
geral, é considerado como não superior a duas horas. As situações não urgentes podem ser
direcionadas para o pronto-atendimento ou para o atendimento ambulatorial convencional,
pois não tem a mesma urgência que as já descritas anteriormente. (LOPES, 2009).
Os estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS), em especial o Pronto Socorro,
normalmente respondem por situações que vão desde aquelas de sua estrita responsabilidade,
bem como um volume considerável de ocorrências não urgentes que poderiam ser atendidas
em estabelecimentos de menor complexidade.
Essas situações ocorrem na maioria das
unidades públicas de urgência do Brasil e têm interferido consideravelmente no processo de
trabalho e na qualidade do cuidado prestado à população. (GARLET, 2009b).
Garlet, (2009b) ressalva que a Unidade de Emergência deveria ser transitória, onde o
paciente permanece por um curto período de tempo, e não como uma unidade de internação.
Isso de certa forma descaracteriza a finalidade do trabalho na emergência e infere na
qualidade do atendimento impedindo muitas vezes que seja realizado com segurança e não
dispondo das condições necessárias para as práticas do cuidado.
Nos casos mais graves, poli traumatizados, muitas vezes os pacientes necessitam de
internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI); monitorização hemodinâmica, respirador
artificial e cuidados intensivos. No entanto, a deficiência de vagas de internação em UTI,
muitas vezes acaba acarretando uma superlotação na SE que, por sua vez, abriga
19
improvisadamente os pacientes que deveriam estar em uma UTI (CONSELHO FEDDERAL
DE MEDICINA, 1995). Essa superlotação causa consequentemente aos trabalhadores, que ali
desenvolvem suas atividades laborais, sobrecarga de trabalho, estresse, fadiga e até risco de
acidentes de trabalho, pelo espaço e condições físicas inadequadas.
De acordo com a Resolução 1451/1995 do Conselho Federal de Medicina (CFM), os
estabelecimentos de Pronto Socorro, privados e públicos, devem ser estruturados para prestar
atendimento nas situações de urgência ou emergência, devendo garantir todas as manobras
necessárias para a sustentação da vida e com possibilidade de dar assistência no local ou em
outro nível de assistência especializada (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 1995).
As SE e os serviços de pronto atendimento correspondem ao perfil de atendimento às
demandas de forma mais ágil e concentrada. Normalmente impessoais e atuando sobre a
queixa principal, esses locais reúnem um somatório de recursos como consultas, remédios,
procedimentos de enfermagem, exames laboratoriais, exames de imagem e internações que os
torna resolutivos, sob a visão do usuário (GARLET, 2009a). Por serem resolutivos,
naturalmente, acolhem uma demanda maior que a adequada, os profissionais ali lotados
convivem diariamente com superlotação, falta de materiais e estrutura inadequada.
O ambiente físico, recursos humanos e materiais disponíveis na implantação e
desenvolvimento de SE são de fundamental importância para um bom atendimento ao
paciente. Os profissionais que ali desenvolvem suas atividades de trabalho necessitam de boas
condições para desempenha-las, principalmente por se tratar muitas vezes de procedimentos
complexos, que podem ser pressuposto para melhora da saúde ou piora do estado grave do
paciente (SABA; CARDOSO; NAVARRO, 2012).
As principais características dos profissionais de urgência e emergência são ações
rápidas e precisas, isso exige do profissional um alto grau de domínio cognitivo, afetivo e
psico-motor nas atividades a serem desempenhadas (ZAPPAROLI; MARZIALE, 2006).
De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN/SP), no
seu Parecer nº 30/2011 (COREN/2011), os profissionais que atuam em unidades de
emergência devem ser capazes de distinguir as prioridades, avaliando o paciente como um ser
indivisível, integrado e inter-relacionado em todas as suas funções. Além de que, o pronto
socorro possui uma característica marcante que é a dinâmica intensa no atendimento, sendo
assim, a objetividade e a agilidade são requisitos indispensáveis para os profissionais aí
lotados, pois os pacientes em estado de saúde grave não suportam demora na tomada de
decisão ou imprecisão nos procedimentos realizados.
20
A demanda por atendimento em unidades de emergência, além de excessiva, não sessa
no que se considera uma necessidade de saúde. Muitas vezes os pacientes buscam no
atendimento de saúde a resolução para os mais diversos problemas sociais que enfrentam no
seu dia a dia.
Os profissionais que atuam em unidades de emergência enfrentam conflitos,
diariamente, por atuarem em ambiente superlotado, com recursos humanos,
tecnológicos e de estrutura física nem sempre adequados, não oferecendo
condições para acomodar os usuários com segurança e qualidade
(GARLET, 2009b).
Contudo, é essencial a implantação de rotinas de funcionamento e atendimento
descritas e atualizadas, as quais devem conter todos os processos envolvidos na assistência
que contemplem desde os aspectos organizacionais até os operacionais e técnicos. Portanto, a
estrutura física de uma sala de Emergência é de fundamental importância para a qualidade no
atendimento prestado aos pacientes, como também para a prevenção de doenças profissionais
e acidentes de trabalho, que a equipe de trabalho possa estar susceptível.
3.3 Riscos
3.3.1 Riscos Ambientais
O risco ambiental pode advir de agentes de risco de natureza física, química,
biológica, psicológica, ergonômica capaz de danificar o meio ambiente, assim como a saúde
do homem ou sua qualidade de trabalho executado no ambiente (FUNASA, 2007).
Reforça essa assertiva Benatti; Nishide (2004) ao definir riscos ambientais como
aqueles sobrevindos de agentes físicos, químicos e biológicos presentes no ambiente de
trabalho, que, dependendo da sua natureza, concentração e tempo de exposição, são passíveis
de causar danos à saúde dos trabalhadores e os riscos ocupacionais são quaisquer situações de
trabalho que podem romper o equilíbrio físico, psicológico e social das pessoas, e não apenas
as situações que originem acidentes e doenças. Ainda conforme Posso (1988), Costa (2000),
Posso; Sant’Anna (2007) e Benedett (2008), além desses podem ser acrescidos os riscos
psicológicos, sociais, legais e ergonômicos.
21
Esses riscos, por sua vez, são classificados de acordo com seu agente etiológicos em
três categorias, conforme descrição da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 1989),
Brasil (1994) e Posso; Sant’Anna (2007): risco primário: quando a própria fonte representa o
risco; risco secundário quando a fonte está associada a uma condição insegura e risco
terciário: quando a fonte além de estar atrelada uma condição insegura ainda está aliada a um
ato inseguro.
Portanto, considerando tal classificação, pode-se dizer que ato inseguro significa uma
ação consciente do usuário agindo contra as normas de segurança. E condição insegura, são as
inadequações no ambiente de trabalho, as quais são responsabilidades do empregador. Alguns
exemplos podem ser citados de atos inseguros, tais como: falta de sistema de aterramento,
dimensionamento de área física inadequada, não observar o uso de equipamentos de proteção
individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) quando exigidos; conectar
aparelhos à rede elétrica com as mãos molhadas, entre outros (POSSO; SANT’ANNA, 2007).
Todas as profissões envolvem riscos ambientais nos seus processos de trabalho,
inerentes a natureza de suas próprias características e ao ambiente onde o profissional atua,
esses riscos podem ser responsáveis por acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais
(POSSO, 1988).
Da mesma forma, o trabalho no ambiente hospitalar pode apresentar situações de risco
de gravidade variável à saúde dos usuários e profissionais que ali desempenham suas
atividades (ELIAS; NAVARRO, 2006). Ainda, tais autores (ELIAS; NAVARRO, 2006)
afirmam que o ambiente de trabalho hospitalar é palco de múltiplas atividades que podem
resultar em situações conflitantes, estressantes culminando alterações físicas, fisiológicas,
emocionais, imunológicas e até mesmo, psicossomáticas nos membros dessa equipe, por outro
lado, favorecendo a ocorrência de acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais.
Nesse sentido a Lei n° 6.367/76 de Acidentes de Trabalho em seu art.2º e a Lei
8213/91 em seu art.19 definem como “acidente de trabalho, aquele que pode ocorrer pelo
exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause morte, perda ou redução da capacidade de trabalho” (CAMPANHOLE;
CAMPANHOLE, 2004). No entanto, atualmente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
considera como “[...acidentes de trabalho, os acidentes típicos, acidentes de trajeto, doenças
profissionais e doenças do trabalho”...] (BRASIL, 2005a).
Vale destacar o que preconiza a CLT (BRASIL, 2005a) que "as doenças profissionais
são aquelas inerentes ou peculiares a determinado ramo de atividades constantes da relação
organizada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social" e "as doenças do trabalho
22
são aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições em que o trabalho é
realizado e com ele se relacione diretamente", portanto, não há como confundi-las, como
bem, argumenta Leite (2006) compreendendo a doença profissional como um processo
patológico advindo do exercício das atividades profissionais, ressaltando, ainda, que a doença
do trabalho está atrelada à multiplicidade de atividades ou situações diárias e contínuas nas
quais há potencialidade de riscos.
Brasil (2005b), Posso; Sant’Anna (2007), Castro (2008), Iwamoto (2008), Benedett
(2008), Marinelli (2013) afirmam que são considerados agentes físicos: os ruídos, as
vibrações, calor, frio, pressões anormais, radiações ionizantes, radiações não ionizantes,
iluminação, umidade e a própria estrutura física.
Com relação aos riscos químicos, são descritos como poeiras, fumos, névoas, neblinas,
gases, vapores e substâncias ou compostos químicos que se encontram em ambientes
hospitalares e se forem inalados, ingeridos ou entrem em contato com mucosas ou pele podem
desencadear danos para a saúde dos trabalhadores (POSSO, 1988; CASTRO, 2008;
IWAMOTO, 2008).
Os riscos biológicos, segundo Marzialle (2002) e Cavalcante (2006), são evidenciados
pelo contato do trabalhador com microorganismos que podem ser fungos, bactérias, parasitas,
bacilos, protozoários e vírus. Os riscos biológicos tem especial importância para os
trabalhadores de enfermagem em razão do contato com sangue e outros fluidos corporais
potencialmente infectantes que podem incorrer em doenças graves como a Hepatite B (HBV),
Hepatite C (HCV) e a Síndrome da Imunodeficiencia Adquirida (AIDS). De acordo com
Secco; Robazzi (2007), o risco de infecção pós-exposição ocupacional a material biológico,
para exposição percutânea, é de 0,3% para HIV, de 6 a 30% para HBV e de 1,8% para HCV.
Por tais motivos, é essencial que seja feito um controle dos riscos biológicos e
químicos nos ambientes hospitalares. Pois os profissionais da área da saúde estão diretamente
expostos a esse tipo de risco ambiental.
Atualmente pode-se encontrar na literatura vários estudos sobre risco biológico e risco
químico e poucos estudos sobre risco ocupacional físico. Igualmente observa-se que os riscos
físicos são agentes de tal importância quanto os biológicos e químicos, pois estão presentes
em todos os ambientes laborais e podem ocasionar inúmeros agravos a saúde do trabalhador.
Agravos esses que podem ser graves e até ocasionar morte ou perda de função.
23
3.3.2 Riscos Físicos nas Unidades de Urgência e Emergência
As Unidades de Urgência e Emergência (UUE), por receber todos os tipos de
pacientes e ser um setor fechado, cujo trabalho desgastante, ininterrupto e que qualquer erro
por parte dos trabalhadores pode por em risco a vida dos pacientes, apresentam todos os tipos
de riscos ambientais, químicos, físicos, biológicos, ergonômicos, psicológicos e sociais. Neste
estudo, é focalizado o risco físico presente na SE.
Na SE, são utilizados vários equipamentos eletromédicos, rotineiramente, como: Ar
condicionado, bomba infusora, respirador artificial, monitor cardíaco, oxímetro de pulso,
desfibrilador, serra elétrica, cauterizador, entre outros que durante, seu funcionamento,
emitem ruídos e vibrações cujo Nível de Pressão Sonora (NPS), se estiver acima do
recomendado, pode provocar alterações orgânicas no homem (POSSO, 1982; BRASIL,1987;
GARCIA, 2002; PEREIRA, et al., 2003; POSSO; SANT’ANNA, 2007). Alguns possuem
alarmes sonoros, que contribuem para a segurança do paciente, porém, por outro lado,
aumentam o NPS, cujos efeitos podem causar danos físicos, fisiológicos e psicológicos nos
pacientes e no pessoal que com eles trabalha (POSSO, 1982; BRASIL, 1987; GARCIA, 2002;
PEREIRA et al., 2003; POSSO; SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013).
O ruído é designado com uma sequência de sons desagradáveis que podem variar de
acordo com as vibrações acústicas do ambiente. Podendo até causar danos prejudiciais à
saúde das pessoas que estão expostas a ele (TORREIRA, 1997; GARCIA, 2002; SOUZA,
2012). Conceitua-se também como uma manifestação acústica advinda de movimentos de
vibração com diferentes frequências que não apresentam relações entre si, porém, suas
características podem interferir negativamente na fisiologia humana (GARCIA, 2002;
SOUZA, 2012).
A propagação das ondas sonoras ocorre devido a um movimento vibratório e
ondulatório de certa frequência que ocorre em um meio elástico, como o ar, de forma
sucessiva e uniforme de compressão e rarefação desse meio, atingindo a orelha, ocasionando a
sensação sonora (PEREIRA et al., 2003; GUYTON; HALL, 2011, MARINELLI, 2013).
A exposição ocupacional ao ruído está relacionada diretamente com manifestações
orgânicas, como, aumento na frequência cardíaca e respiratória, aumento do tônus muscular,
alteração gástrica intestinal, aumento de hormônios tireoidianos, estresse. Essa exposição
prolongada acarreta também em desmotivação e indisposição das pessoas. A irritação,
ansiedade, estresse, a diminuição da capacidade de concentração são implicações sobre a
24
saúde mental dos indivíduos. Além de todos esses malefícios, encontra-se a perda auditiva
induzida pelo ruído (PAIR), que ocorre devido à exposição a níveis acima dos tolerados pelo
ouvido humano (TAUBE, 2009).
Com relação à temperatura do ambiente de trabalho, sabe-se que, a mesma acrescida
do gasto energético para desenvolver determinadas atividades, é fator determinante de bem
estar ou mal estar nos indivíduos. Podendo em alguns casos desencadear doenças relacionadas
ao ambiente de trabalho, além de interferir consideravelmente no desempenho das atividades.
(MARINELLI, 2013).
Conforme Couto (1980), ACGIH (1999), Posso; Sant’Anna (2007) e Potter; Perry,
(2009), um ambiente quente poderá causar alterações fisiológicas em quem ali está
desenvolvendo suas atividades laborais, tais como: sudorese, mal estar geral, câimbras,
desidratação, fraqueza, sonolência, entre outros.
Da mesma maneira como um ambiente quente pode causar alterações fisiológicas, um
ambiente frio também provoca alterações, como estresse, inquietação, mal estar, espirros,
tosse, coriza, sintomas estes que podem prejudicar o desempenho das atividades e inclusive
propiciar acidentes de trabalho (POSSO, 1988; MARINELLI, 2013).
Sentir-se termicamente confortável pode ser definido como a condição da mente que
expressa satisfação com a temperatura do ambiente (ISO 7730, 1994; VERGARA, 2001) ou
quando o ser humano sente neutralidade térmica em determinado ambiente.
“Neutralidade térmica é a condição na qual uma pessoa não prefira nem mais calor
nem mais frio em relação ao ambiente térmico em que se encontra” (FANGER, 1970).
Considerando que os ambientes de trabalho devem proporcionar sensação de conforto
aos trabalhadores, a temperatura deve manter-se entre 19ºC e 24ºC, sem deslocamento de ar e
permanecendo estável (BRASIL, 1978; 2002b; 2005b; CAMPANHOLE; CAMPANHOLE,
2004; POSSO; SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013).
Além da temperatura, a umidade pode estar relacionada com as trocas térmicas entre o
organismo do homem e o meio ambiente, pelo mecanismo da evaporação (POSSO;
SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013). Portanto, um ambiente muito seco pode ocasionar
alterações fisiológicas decorrentes do ressecamento de mucosa, como: alterações respiratórias,
sangramento nasal, irritação dos olhos, eletricidade estática nas pessoas e nos equipamentos
eletrônicos. O ressecamento do ar pode aumentar também o risco de incêndios (COSTA,
2003; GIODA; AQUINO NETO, 2003; MARINELLI, 2013).
No que se refere à radiação ionizante, Okumo (1998) e Flor; Kirchhof (2005) definem
que a radiologia diagnóstica compreende a hemodinâmica, a tomografia computadorizada, o
25
setor de raios-X (RX) e a medicina nuclear. Nesses setores, os profissionais de saúde,
especialmente os profissionais de enfermagem, podem estar sujeitos à exposição de radiações
ionizantes no desenvolvimento das atividades de trabalho e assistência aos pacientes
submetidos a procedimentos envolvendo esse tipo de radiação.
Em EAS, alguns equipamentos são emissores de radiação ionizante, como os raios-X,
tomografia, hemodinâmica e arco em C. Na SE pesquisada utiliza-se o aparelho de raios-X,
diariamente, para fins diagnósticos.
De acordo com Nouailhetas (2006) as radiações ionizantes existem no planeta Terra
desde a sua origem, sendo, portanto um fenômeno natural. Antigamente, as taxas
de exposição a estas radiações eram certamente incompatíveis com a vida. Porém, com o
passar dos anos, os átomos radioativos, foram evoluindo para configurações cada vez mais
estáveis, através da liberação do excesso de energia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas
características esta energia é capaz de interagir com a matéria, arrancando elétrons de seus
átomos e modificando as moléculas (NOUAILHETAS, 2006).
As mutações no genoma de células são consideradas primordiais para a indução de um
câncer por ação das radiações. No entanto, exposição a radiações não evoluem
obrigatoriamente para a degeneração celular, como o câncer (NOUAILHETAS, 2006;
THULER, 2003). O que se pode observar é que a probabilidade de aparecimento de um
câncer a partir de células irradiadas é superior à probabilidade de ocorrência deste processo a
partir de células não irradiadas (NOUAILHETAS, 2006).
Thuler (2003), também relaciona o câncer de mama à exposição à radiação ionizante,
além de recomendar aos indivíduos a terem bons hábitos de vida como, não fumar, manter
alimentação equilibrada, ingerir bebidas alcoólicas com moderação, e principalmente
cuidados com a exposição a pesticidas e radiação ionizante.
Para evitar danos à saúde dos trabalhadores expostos às radiações ionizantes algumas
medidas devem ser tomadas, o uso de EPI e monitoramento da radiação mediante o uso do
dosímetro. As medidas individuais de proteção, como o uso dos EPI, mostra-se efetiva para a
proteção à radiação ionizante, no entanto, devido ao peso dos aventais de chumbo, outros
danos podem ocorrer, como algias torácicas e lombares e o biombo pode ser causa de
contusões e traumatismos nos funcionários (POSSO, 1988).
Conforme a Portaria 453/98 do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998), “todo indivíduo
que trabalha com raios X diagnósticos deve usar, durante sua jornada de trabalho e
enquanto permanecer em áreas controladas, dosímetro individual de leitura indireta, trocado
mensalmente”. A mesma portaria orienta o uso dos EPIs, como avental de chumbo e protetor
26
de tireóide de chumbo. Recomenda, ainda, que a dose efetiva média anual não deve exceder a
20 mSv (milisievert) em qualquer período de 5 anos consecutivos, não podendo exceder 50
mSv em nenhum ano (BRASIL,1998).
Com relação à iluminação, Martins (2004) ressalva que o Brasil, por ser um país
tropical, proporciona condições para um bom aproveitamento da luz natural no interior das
edificações. Além de que, segundo Corbella (2003), esta iluminação traz benefícios para a
saúde dos indivíduos, pois dá a sensação cronológica do tempo e clima, no qual se vive. No
entanto, a SE, por se tratar de um setor fechado no EAS, requer também iluminação artificial,
pois, a complexidade dos procedimentos ali realizados sugere uma iluminação apropriada.
A iluminação insuficiente ou inadequada em um ambiente de trabalho pode gerar
consequências no organismo humano, como: alteração na visão, cefaleia, estresse, dificuldade
de visualizar detalhes e aumento de probabilidade de erros no desempenho das atividades
(MARTINS, 2004; QUEIROZ, 2010; FIGUEIRO, 2010; MARINELLI, 2013). Ainda,
segundo Posso; Sant’anna (2007), a luminosidade tem um componente de radiações
ultravioleta em seu espectro, que dependendo do espectro eletro-magnético da radiação,
podem ocasionar no homem, efeitos na pele e fadiga ocular.
Devido à necessidade de intensidade luminosa suficiente para o desempenho das
atividades em EAS, a ABNT (1992a) pela NBR 5413/1992, estabelece os níveis de
iluminância necessários para tais estabelecimentos e no caso da SE devem apresentar níveis
mínimos de 300 LUX, médios de 500 LUX e máximos de 750 LUX.
Com relação aos equipamentos eletromédicos utilizados em SE, a manipulação dos
mesmos de forma inadequada, a má conservação, falta de manutenção preventiva e as
condições da instalação elétrica podem ser determinantes para a ocorrência de acidentes de
trabalho, como choque elétrico, queimaduras e até incêndios, cujas consequências podem ser
classificadas como leves, moderadas, graves, levando até à morte. (MARINELLI, 2013 e
ABNT, 1990).
O número de tomadas deve observar uma proporcionalidade ao número de
equipamentos eletromédicos a serem utilizados cotidianamente numa SE, pois, há uma grande
necessidade de utilização de vários equipamentos eletromédicos e a inadequação leva ao uso
de extensões, geralmente de material comburente e cabos sub-dimensionados para o número
de equipamentos a elas ligado, causando sobrecargas o que favorece a ocorrência de curtocircuito e até incêndios (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA, 2007).
As características da estrutura física da SE como a área e o volume, tipo de portas e
janelas, tipo de piso e paredes, são bem definidas pelas normas e padrões do ministério do
27
trabalho, podendo, se inadequadas, resultar em traumas advindos de choque com
equipamentos, de queda de materiais, devido à falta de espaço e dificuldade circulação no
momento das emergências (BRASIL, 2002a; BENEDETT; FERAZ; POSSO, 2009; POSSO,
1988; MARINELLI, 2013).
O piso usado na SE segundo as normas do Ministério da Saúde (BRASIL, 2002a)
“devem ser perfeitamente lisos, sem frestas ou saliências que possam abrigar partículas de
sujeira”, tornando-se, portanto, escorregadios, como também é o caso do granilite; o que os
torna adaptados à limpeza, evitando a aderência de secreções, sangue e substâncias químicas
que podem acumular-se sobre os mesmos, porém, deixa os profissionais susceptíveis a
deslizamentos e quedas, fato preocupante, pois na sala de emergência os atendimentos
prestados são realizados sempre com muita agilidade, exigindo dos profissionais movimentos
rápidos e, muitas vezes, portando objetos cortantes e perfurantes aumentando o risco de
acidentes.
Igualmente as paredes devem ser lisas e de cor neutra, pois, são melhores refletoras
das ondas luminosas e torna o ambiente mais agradável, como tons claros de amarelo, verde
ou azul, que sugerem tranquilidade, serenidade, relaxamento, quietude, enquanto que a branca
alude paz, embora possa ser ofuscante (POSSO, 1988; GUIMARÃES, 2000; LACY, 2000;
BOCCANERA, 2007; MARINELLI, 2013).
Além da estrutura física, deve-se dispender uma atenção especial aos objetos
suspensos no teto à altura inferior a 220 cm e paredes, bem como objetos móveis presentes no
ambiente de trabalho, pois ambos podem representar risco de acidente de trabalho, por queda,
ocasionar traumas de crânio, tronco e membros (POSSO, 1988; BENEDETT, 2008;
BENEDETT; FERAZ; POSSO, 2009; MARINELLI, 2013).
O exercício laboral, se realizado em exposição a esses agentes físicos e de forma
inadequada, sem a utilização de EPI e EPC podem levar os trabalhadores a danos à saúde, de
ordem física, mental e até social. No entanto, os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais
envolvendo os riscos ambientais, podem ser evitados caso a empresa desenvolva um
programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA).
O PPRA, cuja obrigatoriedade foi estabelecida pela NR-9 da Portaria 3214/78
(BRASIL, 1978) apesar de seu caráter multidisciplinar, é considerado essencialmente um
programa de saúde ocupacional que deve ser implementado nas empresas de forma articulada
com um Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).
Todas as empresas, independente do número de empregados ou do grau de risco de
suas atividades, estão obrigadas a elaborar e implementar o PPRA, que tem como objetivo a
28
prevenção e o controle da exposição ocupacional aos riscos ambientais, isto é, a prevenção e o
controle dos riscos químicos, físicos e biológicos presentes nos locais de trabalho.
Para tanto, a NR-9 (BRASIL, 1978) detalha as etapas a serem cumpridas no
desenvolvimento do programa, os itens que compõem a etapa do reconhecimento dos riscos,
os limites de tolerância adotados na etapa de avaliação e os conceitos que envolvem as
medidas de controle. A norma estabelece, ainda, a obrigatoriedade da existência de um
cronograma que indique claramente os prazos para o desenvolvimento das diversas etapas e
para o cumprimento das metas estabelecidas.
Um aspecto importante deste programa é que ele pode ser elaborado dentro dos
conceitos mais modernos de gerenciamento e gestão, onde o empregador tem autonomia
suficiente para, com responsabilidade, adotar um conjunto de medidas e ações que considere
necessárias para garantir a saúde e a integridade física dos seus trabalhadores.
29
4 MATERIAL E MÉTODOS
4.1. Tipo da Pesquisa
Este estudo é do tipo descritivo, exploratório, de campo, transversal e com abordagem
quantitativa por prestar-se melhor à obtenção aos objetivos propostos e favorecer o
aprofundamento dos conhecimentos sobre a temática, além de contribuir para a identificação
de fatores determinantes dos fenômenos ou eventos, sua frequência e distribuição em um
período e local específicos (RUIZ, 2006). Nesta pesquisa houve observação, análise, registro,
classificação e interpretação de dados de fenômenos do campo físico (ANDRADE, 2010).
4.2. Campo da Pesquisa
Este estudo foi realizado na SE/PA de um EAS, de grande porte com 195 leitos, do
estado do Paraná, com objetivo consolidado pelo ensino, pesquisa e extensão de seus serviços
à comunidade, integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual são dispensados
cuidados de baixa, média e alta complexidade a todos os tipos de pacientes. A escolha deste
estabelecimento deveu-se ao fato ser considerada referência para a assistência emergencial
nesse Município e pela facilidade de acesso ao EAS local onde a autora desenvolve suas
atividades profissionais. A SE é a principal porta de entrada de pacientes do hospital, atende a
todos os tipos de urgência/emergência, inclusive poli traumatizados adultos ou crianças, do
próprio município e da região do Oeste do estado do Paraná. A infraestrutura aparentemente
inadequada e insuficiente foi o grande incentivo para a realização desta pesquisa.
30
Figura 1: Sala de Emergência – Campo da
pesquisa.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Figura
2: Bancada de diluição de
medicamentos e pia da Sala de Emergência.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
4.3 Procedimento de Coleta de Dados
Encaminhou-se solicitação de autorização para a coleta de dados e cópia do projeto da
pesquisa à direção pedagógica do EAS campo da pesquisa e após aprovação pelo responsável,
procedeu-se à aplicação do instrumento de estudo especificamente desenhado para tal fim,
fundamentado na literatura e tendo como referencial teórico Posso, (1988) e Benedett, (2008)
e em observações advindas da atividade profissional da pesquisadora favorecendo a coleta de
dados relevantes para este estudo.
A coleta de dados lineares foi realizada nos meses de outubro e novembro de 2012,
pela própria pesquisadora, no período vespertino, após o horário de visitas, conforme
determinado pela gerência do EAS para esse tipo de mensuração, as demais foram colhidas
nos três períodos (M, T, N). E ainda, considerando-se que nesse horário o movimento das
atividades costuma estar diminuído, de modo que a pesquisa não interferisse com o processo
de trabalho e a rotina da unidade lembrando, porém, que o atendimento em uma SE é
imprevisível, urgências e emergências podem ocorrer a qualquer instante e quando ocorridas
foram anotadas as intercorrências nos parâmetros que interferiam.
O estudo foi desenvolvido considerando em um primeiro momento, a observação da
dinâmica do local no horário estabelecido com a finalidade de identificar a presença de fontes
potenciais de riscos físicos a que está exposta a equipe de saúde da SE/PA do EAS e o
segundo momento o levantamento das características físico-estruturais da área em estudo
31
mediante utilização da planta física baixa e do instrumento de identificação de riscos físicos
(Apêndice A).
Para o processo de coleta de dados foram utilizados os seguintes materiais:
decibelímetro da marca Instrutherm, modelo digital (Figura 3), luxímetro marca Lux meter –
modelo digital MLM 1011 (Figura 5), para verificar a pressão sonora e iluminância do
ambiente, respectivamente; o metro (Figura 6) foi utilizado para fazer medidas lineares
necessárias tanto da planta baixa, como de mobiliários e equipamentos e as distâncias entre
eles; a câmera digital (Sony de 10.1 pixels) auxiliou para registrar iconograficamente as
informações da área física, disposição das macas (Figura 1), equipamentos, materiais e
mobiliários dispostos na sala de emergência; o termômetro/higrômetro digital marca Incoterm
(Figura 7) utilizado para avaliar a temperatura e umidade do ambiente e o próprio instrumento
de identificação dos riscos físicos (Apêndice A).
A mensuração do nível de pressão sonora foi realizada mediante o decibelímetro
(marca Instrutherm) padrão elétrico IEC 616772, tipo 2; ANSI S1.4 de duas escalas de
mensuração (A e B) com quatro faixas de 30-80 dB, 50-100 dB, 60-110 dB e 80-130dB, com
escala de frequência de 31,5 Hz a 8000 Hz, e o valor medido é em RMS (Root Mean Square),
isto é o valor médio quadrático com precisão de aproximadamente 1,5 dB. Equipamento de
manuseio simples possui um mostrador de seleção com modo de bateria teste e apresentação
fácil dos resultados. Possui bateria com duração de 8h, seu microfone é fixo e protegido por
cobertura de espuma (Figura 3).
Figura 3: Decibelímetro modelo Instrutherm.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
As medidas foram realizadas em um ponto central da SE e o decibelímetro colocado
sobre uma mesa de Mayo perpendicular aos equipamentos; local este onde os funcionários
permanecem durante o turno de trabalho, ausentando-se apenas em poucos momentos (Figura
32
4). Foram realizadas seis medidas de pressão sonora, em dias diferentes, duas avaliações por
turno de trabalho: manhã, tarde e noite.
Figura 4: Decibelímetro na mesa de Mayo, para
as medições da pressão sonora.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
A mensuração da iluminância foi realizada através de um luxímetro – Medidor de
Intensidade de Lux Digital: LUX METER – MLM 1011 (Figura 5). Este instrumento é um
luxímetro digital portátil, compacto, de 3 ½ dígitos, fácil de usar, de alta precisão e resposta
rápida. Proporciona medidas na unidade lux. O instrumento abrange a faixa de 1 lux a 100000
lux , além de possuir funções Data Hold e Zero Automático.
As medidas da iluminância foram realizadas em uma única etapa, em nove pontos
diferentes na SE, a uma distância de 0,75 m do piso (NBR 5.413/92).
Figura 5: Luxímetro modelo Lux
Meter.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
33
Figura 6: Metro utilizado para as medidas lineares.
Fonte: www.kalipedia.com, site de domínio público.
Paraná – 2013.
O termômetro-higrômetro (Figura 7) foi utilizado para avaliar a temperatura e
umidade do ambiente. O aparelho foi deixado em um balcão da SE, por 24 h para estabilizar a
temperatura, depois deste procedimento iniciou-se as aferições. Foram realizadas seis
medidas, duas em cada turno de trabalho, em dias alternados.
Figura 7: Termo-higrômetro.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
4.4 Aspectos Éticos e Legais da Pesquisa
Pelo fato da pesquisa não envolver seres humanos, não houve necessidade de
aprovação pelo Comitê de Ética, apenas aprovação pela direção pedagógica do EAS em
questão para utilização do espaço físico para a realização da pesquisa. O estudo considerou os
aspectos éticos e legais da resolução CONEP 466/2012 (BRASIL, 2012).
34
4.5 Análise dos Dados
Os dados coletados foram digitados, agrupados e armazenados em uma planilha
eletrônica, Microsoft Office Excel® (Windows Vista) para posterior descrição e tabulação dos
dados.
35
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com a revolução industrial no século XVIII, houve a necessidade do aperfeiçoamento
para desenvolver novos produtos e para produzi-los em grandes escalas. E essas mudanças e
avanços tecnológicos trouxeram como consequência benéfica para a indústria, a invenção de
novas máquinas, novos equipamentos. A partir de então, o homem começou a se deparar com
novos problemas de saúde ocupacional consequentes dos agentes de risco que começaram a
surgir (MEDEIROS, 1999).
Essa problemática foi motivo de preocupação na trajetória profissional desta autora,
como enfermeira assistencial, na área de urgência e emergência, em que não foram poucas as
situações vivenciadas de sinais e sintomas sentidos por ela e verbalizados pelos funcionários,
de cefaleia, dores lombares, estresse físico e mental, agravos osteomusculares, entre outros,
que dificultavam o desenvolvimento de suas atividades laborais.
Acrescente-se a isso o tipo de ambiente da SE, local onde é exigida extrema agilidade,
presteza, em estado de alerta constante para situações imprevistas, tornando muitas vezes, o
trabalho estressante, permeado de sentimentos de medo, frustração, ansiedade, perdas,
consternação, que pode levar ao desgaste físico e mental, tornando o trabalhador deste setor
mais predisposto a doenças (NISHIDE; BENATTI; ALEXANDRE, 2004).
Além disso, somam-se a todas essas circunstâncias, as particularidades da ambiência
física da SE que costuma apresentar uma grande quantidade e variedade de fontes potenciais
de riscos para os pacientes e equipe que ali desempenham seu trabalho profissional.
Dentre esses riscos, os ambientais elencados pelas normas regulamentadoras,
destacam-se os agentes físicos, que segundo Posso (1988), Mauro (2004), Cavalcante (2006),
Posso; Sant’Anna (2007), Benedett (2008), Marinelli (2013) são: ruído, iluminação, radiações
ionizantes, radiações não ionizantes, vibração, pressões anormais, a própria estrutura física,
temperatura e umidade.
Destes agentes físicos, as radiações não ionizantes, vibração e pressões anormais não
estão presentes na SE estudada. Todos os outros agentes foram considerados como fonte
potencial de risco físico, e são descritos obedecendo à sequência estabelecida no instrumento
utilizado para a coleta de dados (Apêndice A) e apresentados por quadros, ilustrações e fotos
para facilitar a compreensão dos leitores.
Pelo exposto, os resultados e discussão são apresentados e analisados a partir das
observações, mensurações e registros feitos pela autora, fundamentada na RDC ANVISA nº
36
50/2002 (BRASIL, 2002a) para a identificação dos espaços da SE, seus equipamentos e
mobiliários em condição de assistência e na relação entre o espaço físico e as atividades
laborais, além de ser subsidiada por fontes da literatura nacional e internacional no que se
refere aos riscos físicos.
5.1 Identificação do EAS/Sala de Emergência
O EAS caracteriza-se como um Hospital Público, de grande porte, pois possui mais de
150 leitos. O número de leitos na SE é quatro e quando necessário acrescentam-se mais dois
leitos de UTI. Sendo que aproximadamente três pacientes por turno são atendidos e
transferidos para as salas de observação.
Sendo um hospital de referência para várias especialidades, o mesmo presta
atendimento a todos os pacientes, que são encaminhados para o PS, mesmo não havendo
vagas para internação. Os pacientes são atendidos primeiramente na SE e em seguida
encaminhados para seu próximo destino. Quando há possibilidades de alta, são liberados para
casa. Em caso de internação, são encaminhados para o setor de internação condizente com a
idade do paciente e agravo acometido. Porém, quando não há vagas de internação, após o
primeiro atendimento na SE, o mesmo é transferido para as salas de observação do PS.
Nos casos mais graves, onde há necessidade de leito de UTI, quando não há vagas
disponíveis, os pacientes permanecem na SE. Local este, que não possui estrutura adequada
para atender pacientes permanentes de UTI. A SE foi projetada para realizar o primeiro
atendimento de urgência e/ou emergência e encaminhar os pacientes para os devidos
atendimentos secundários. Com isso, a permanência desses pacientes na SE, caracteriza uma
superlotação deste setor, sendo, então, mais uma fonte potencial de risco.
No projeto arquitetônico (planta baixa) da SE, fica evidente que foi projetada para
atender quatro pacientes simultaneamente, porém, isso ocorre eventualmente (Figura 8). A
maioria das vezes são atendidos seis ou mais pacientes nesse local, não há um número
preciso, pois todos os pacientes que são levados a essa SE, são atendidos, independentemente
da superlotação.
37
Figura 8: Planta Baixa da Sala de Emergência.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
A equipe que trabalha na SE é composta por um médico plantonista, um enfermeiro e
dois ou três técnicos de enfermagem em cada turno, que são divididos em matutino,
vespertino e noturno.
O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), pela Resolução 293/2004, determina o
dimensionamento do pessoal da Enfermagem para cada setor hospitalar, e determina que para
a UTI seja necessário um técnico de enfermagem para no máximo dois pacientes
(CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2004), considerando que nesta SE
normalmente abriga seis pacientes de UTI, portanto, há necessidade de três técnicos de
enfermagem para atender a esses seis pacientes, e mais dois técnicos para atenderem os
demais pacientes de urgência/emergência, sendo esse quantitativo de pessoal o mínimo a ser
considerado. Além desse dimensionamento também, pode o dimensionamento de pessoal de
enfermagem ser calculado em termos de horas de atendimento de enfermagem e grau de
38
dependência dos pacientes, para que se possa estimar o quantitativo de pessoal, de acordo
com cada realidade.
Fica claro que o número de técnicos de enfermagem é insuficiente, podendo isso
representar uma fonte potencial de risco. A sobrecarga de trabalho, somada a um ambiente
físico inadequado, provavelmente aumenta a possibilidade de acidentes de trabalho e doenças
decorrentes do mesmo.
A Resolução ANVISA n. 7/2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA, 2010), também corrobora essa afirmativa, em que para prestar atendimento de
enfermagem a pacientes em tratamento intensivo, há necessidade de no mínimo um técnico de
enfermagem para cada dois pacientes e mais um técnico de enfermagem por turno, para
realizar serviços de apoio assistencial.
O número de enfermeiros e médicos foi considerado satisfatório na SE, pois há
necessidade de um enfermeiro para cada oito pacientes e um médico para cada dez pacientes
de UTI, considerando que a SE atende pacientes que deveriam estar nesse setor por falta de
vaga.
Posso (1988), ressalta a importância do profissional enfermeiro nos EAS, pois o
relaciona com uma incidência menor de fontes potenciais de riscos físicos, em geral, os
enfermeiros verificam o funcionamento dos equipamentos e solicitam os reparos quando
necessários, além de se atentarem para os prazos de calibração e manutenção de aparelhos
eletromédicos.
Evidencia-se então, que o número insuficiente de funcionários, acrescido da
superlotação dos setores de emergência, caracterizam uma fonte potencial de risco. Garlet
(2009a) destaca um estudo realizado no setor de emergência de adultos de um hospital de
Pernambuco, onde constatou que 74,5% dos atendimentos realizados eram por queixas típicas
da atenção básica, não se caracterizando, portanto, como urgência. Essa demanda prejudica a
assistência aos casos emergentes, pois acarreta acúmulo de tarefas e contribui para sobrecarga
dos profissionais da equipe de saúde.
Entre os fatores externos a SE que podem influir na incidência do potencial de risco
está o Serviço de Manutenção. É um dos setores de grande responsabilidade, devem funcionar
dia e noite, prevenindo e corrigindo problemas em equipamentos e instalações. A SE requer
manutenção preventiva, contínua e de qualidade, devido à presença de equipamentos cada vez
mais sofisticados e em número ascendente, o que segundo Posso (1988) pode acarretar em
sobre carga das instalações hidráulicas e elétricas.
39
O ideal seria que a manutenção dos equipamentos fosse preventiva, pois, um problema
surgido em qualquer equipamento durante uma emergência pode resultar em danos à saúde
dos pacientes, gerando improvisos da parte dos profissionais da equipe de saúde podendo
também representar um fator de risco para a mesma. A qualificação técnica do pessoal desse
serviço é fundamental para que a manutenção seja adequada. Corrobora essa assertiva
Marinelli (2013) ao asseverar que a manutenção preventiva deve ser executada em períodos
bem definidos para evitar problemas e prevenir acidentes.
O EAS pesquisado possui um setor de manutenção, porém, a manutenção realizada é
apenas corretiva. A manutenção preventiva dos equipamentos poderia evitar muitos acidentes
relacionados à estrutura, aos mobiliários e equipamentos eletromédicos. O responsável pela
manutenção possui qualificação técnica, graduação em engenharia mecatrônica, aspecto
importante para a qualidade da manutenção dos equipamentos.
A análise desses dados permite inferir que a ausência de manutenção preventiva
representa uma fonte de risco, que está presente na SE estudada, fato que pode revelar a
necessidade de maior atenção por parte do EAS, para com o perfeito funcionamento de
equipamentos e instalações.
5.2 Características Físicas da Sala de Emergência
Segundo o MS a Portaria número 400/12/1977, acrescidas da Portaria MS n.
1884/11/1994 e da Resolução Colegiada MS/ANVISA RDC 50/2002 (BRASIL, 2002ª), que
dispõem sobre “normas e padrões de instalação e construção em Serviços de Saúde, projetos
físicos de estabelecimentos assistenciais de Saúde e dispõe sobre o regulamento técnico para
planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos
assistenciais de saúde”, respectivamente. A área destinada para uma SE deve ter ao menos
“12 m2 por leito, 1 m de distância entre os leitos e paredes, exceto entre a cabeceira e pé do
leito 2,7 m de pé direito” (Figura 9).
40
Figura 9: Dimensões de unidade de atendimento imediato de alta complexidade.
Fonte: RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a).
O potencial de riscos dessas unidades, cujas medidas sendo inferiores a essas
dificultam o fluxo de circulação de pessoas e podem aumentar a possibilidade de choque com
outros objetos aí existentes, ou de queda dos mesmos devido à restrição do espaço de
circulação. Posso (1988), Benedett (2008) e Marinelli (2013) em suas pesquisas também
consideraram a inadequação do espaço físico como fonte potencial de risco.
A área total da SE estudada é de 46,24 m2. O espaço destinado a cada leito é de 7,70
m2 para uma sala com a média de seis pacientes atendidos na SE. O volume é de 134,096 m3,
pois o seu pé direito mede 2,90 m e a distância observada entre cada leito foi de 0,40 m,
portanto, mostra uma inadequação de espaço físico. Isso pode ter ocorrido devido à falta de
planejamento e/ou dimensionamento de espaço interno e desconsideração das normas técnicas
resultando num aumento de risco potencial à saúde dos trabalhadores que ali exercem suas
atividades laborais.
Por esses motivos, considerou-se possível fonte de risco a área da SE em questão,
cujas medidas são menores que as previstas pelas normas e padrões de construções do
Ministério da Saúde (BRASIL, 2002a).
O mesmo ocorre nas pesquisas de Almeida (2013), em UTI Neonatal, onde as salas de
cuidados e higienização aos recém-natos se encontram em desacordo com a RDC ANVISA nº
50/2002 (BRASIL, 2002a). Posso (1988) e Benedett (2008) em suas pesquisas em UTI
Neonatal e CC, corroboram a afirmativa de que área insuficiente representa risco de acidente
de trabalho, pois também obtiveram resultados abaixo dos elencados por tal resolução. Ainda,
Benedett (2008) destacou a insuficiência de espaço no que tange a distância entre as
incubadoras na UTI Neonatal, já Posso (1988) encontrou CC subdimensionados. Em
41
contrapartida, Marinelli (2013) na sua pesquisa em UBS constatou adequação da área física
da UBS, atendendo os padrões da ANVISA nº 50/2002 (BRASIL, 2002a) para esse setor.
A área insuficiente para o atendimento desses pacientes pode representar um sério
risco tanto para os pacientes, bem como para os trabalhadores que ali estão. Pois, pode haver
colisão, queda de objetos, traumas em objetos fixos e móveis, falta de local para as macas,
risco de contaminação e transmissão de doenças pela proximidade das macas e até choque
entre os trabalhadores no momento de atender as emergências (BENATTI; NISHIDE, 2004;
GARLET, 2009B; MARINELLI, 2013).
Pode-se perceber que os riscos por inadequação de área física a que estão expostos os
funcionários da SE, são semelhantes aos citados por Posso, (1988) ao estudar a área de salas
de operações, Alexandre et al. (1998) e Benatti; Nishide (2004), ao investigar aspectos
ergonômicos de ambientes de trabalho sugerindo que os trabalhadores de assistência à saúde
estão sujeitos a sofrer agravos à sua saúde ao desempenhar suas funções em ambientes
hospitalares inadequados.
Tais estudos encontram ressonância em Garlet (2009b) quando afirma que as
condições de infraestrutura para o trabalho com espaço físico inadequado, para a realização
das atividades de assistência aos pacientes e juntamente com o dimensionamento de pessoal
insuficiente, propiciam tensões, estresse e conflitos entre os profissionais de qualquer setor
laboral, particularmente na enfermagem em que desenvolve suas atividades diretamente com
os pacientes. Assim, a inadequação do dimensionamento da área física representa uma
ameaça à saúde dos trabalhadores que atuam em serviços de emergência.
Deve-se lembrar de que essas dificuldades ocorrem na maioria das unidades
hospitalares de urgência e emergência atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do país.
Elas são visivelmente caracterizadas pela falta de recursos materiais e humanos, pela estrutura
física inadequada, insuficiência de equipamentos e até capacitação insuficiente para o
trabalho. Isso tudo somado à baixa cobertura do atendimento pré-hospitalar e pronto
atendimentos.
O material de construção do teto e paredes é de alvenaria, de cor amarelo claro. As
paredes, devido à idade de construção e não realização de reformas apresentam partes com
rachaduras e remendos (Figura 10). O piso é composto de granilite de cor cinza, material este
que é indicado em ambientes hospitalares, porém é escorregadio, de acordo com Posso,
(1988), Benedett (2008), Araruna (2013) e Marinelli (2013) podem causar quedas, traumas e
contusões.
42
Figura 10: Parede não íntegra da Sala de
Emergência.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Para a construção do teto, piso e paredes, recomenda-se que não se usem materiais
isolantes de som, pois, estes dificultam a passagem das ondas sonoras através deles e por
serem maus absorventes acabam refletindo-as, como é o caso do concreto, azulejo, do
cimento, da massa fina, das pastilhas, do granilite e da massa corrida (POSSO, 1988;
SALIBA, 2001; ARQUITETURA, 2004; POSSO; SANT’ANNA, 2007; SOARES, 2009). As
estruturas isolantes de som funcionam como uma fonte secundária de ruído, devido ao efeito
das vibrações causadas pela fonte original, que serão tanto maiores, quanto maior for à
frequência das ondas sonoras, produzindo o fenômeno da reverberação (SALIBA, 2001;
TAUBE; BARJA, 2007).
Na sala de emergência estudada houve predomínio absoluto para o uso de materiais
isolantes de som no teto, paredes e no piso. A maior preocupação na construção da sala de
emergência foi propiciar facilidade para a limpeza, que segundo (POSSO, 1988; POSSO,
SANT’ANNA, 2007) é preferível utilizar materiais do tipo duro, principalmente no piso,
mesmo maus absorventes de som, por outro lado proporcionam segurança higiênica.
O piso usado em salas de emergência segundo as normas do Ministério da Saúde
(BRASIL, 2002a) “devem ser perfeitamente lisos, sem frestas ou saliências que possam
abrigar partículas de sujeira”, tornando-se, portanto escorregadios, como também é o caso do
granilite; o que os torna adaptados à limpeza, evitando a aderência de secreções, sangue e
substâncias químicas que podem se acumular sobre os mesmos, porém, deixa os profissionais
susceptíveis a deslizamentos e quedas, fato preocupante, pois nas salas de emergência os
atendimentos prestados são realizados sempre com muita agilidade, devendo os profissionais
se movimentar com rapidez e portando objetos cortantes e perfurantes.
43
O piso da SE, campo de estudo, foi considerado como fonte potencial de risco de
queda, pois o material utilizado é extremamente liso, portanto, com propensão ao
deslizamento. O mesmo ocorreu em 63,2% dos 44 centros cirúrgicos (CC) pesquisados por
Posso (1988), em 100,0% das UTI Neonatais (BENEDETT, 2008 e ALMEIDA, 2013),
Unidades Básicas de Saúde (MARINELLI, 2013), Centros de Material e Esterilização (CME)
(ARARUNA, 2013) onde os pisos lisos tornam-se propensos ao deslizamento.
Nesse sentido, Bozza (2003) assegura em seu estudo sobre riscos laborais em uma UTI
neonatal que os pisos escorregadiços são uns dos fatores de riscos mais comuns que provocam
a ocorrência dos acidentes no trabalho e Quintella (2006) demonstrou em sua pesquisa que as
quedas correspondem a 22%, dos agravos à saúde dos profissionais, corroborando os dados
deste estudo.
Secco, Robazzi (2007); Benedett, (2008) e Marinelli (2013) consideram que os
agravos musculoesqueléticos, muitas vezes, são decorrentes de acidentes de trabalho por
quedas, ao contrário dos acidentes com materiais pérfurocortantes. As dores sofridas com as
quedas, com movimentos bruscos e com os impactos sofridos, apresentam-se de maneira mais
intensa no corpo do trabalhador e, na maioria das vezes, o acidente causa a falta ao trabalho
pela impossibilidade de realizar suas atividades, aumentando a taxa de absenteísmo na
instituição (SECCO; ROBAZZI, 2007; BENEDETT, 2008).
Uma alternativa sugerida por Farias e Zeitoune (2005) seria a troca do tipo de piso por
outro antiderrapante mais indicado com o objetivo de evitar os riscos de queda e demais
fatores que propiciam acidentes do trabalho na equipe profissional.
Além disso, deve-se atentar para a cor do piso, sua integridade e sem desnível que no
caso deste estudo é de cor cinza (Figura 11) com pontos de remendos e reparos e presença de
umidade e rachaduras. Este dado encontra semelhança com os de Saraiva (2004) e Benedett
(2008), que encontraram pisos claros e antiderrapantes, porém, apresentando pontos com
desníveis, falta de continuidade, remendos e reparos material inadequado que podem levar às
quedas e danos musculoesqueléticos.
44
Figura 11: Piso com desnível e presença de parte não
íntegra.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
A utilização de cor adequada para cada ambiente hospitalar, por exemplo, nas paredes,
teto, piso, também no conjunto que o compõe, como seu mobiliário, vestimentas, acessórios
decorativos são estratégias que podem influenciar nos aspectos emocionais e psicológicos, de
forma consciente ou inconsciente nos pacientes, assim como nos profissionais
(BOCANNERA, 2007). Esta afirmação encontra respaldo em Marziale (1990) ao afiançar que
“A cor passa a constituir uma variável de grande importância dentro do ambiente hospitalar,
não só pela influência sobre os pacientes, mas também, sobre os profissionais que ali atuam”.
A utilização das cores adequadas nas paredes e teto frequentemente influencia na
quietude e tranquilidade dos pacientes e dos profissionais que ali estão como se observa na
afirmação de Posso (1988) que as cores escuras no teto, nas paredes e no piso causam
absorção de luz, torna o ambiente mais escuro e sombrio, produzindo também, impressão
coercitiva.
Já, as cores claras refletem melhor as ondas luminosas e tornam a SE mais clara e com
aspecto mais agradável, em especial, as azuis e as verdes que evocam a tranquilidade, a
quietude fisiológica, redução do estresse e tensão, equilíbrio e da harmonia sugerindo sua
utilização em hospitais e clínicas enquanto a branca representa a paz, pureza, asseio e
limpeza, embora seja ofuscante (LACY, 2000).
Ainda, Boccanera (2007) afirma que se o ambiente receber cores adequadas e
diversificadas haverá um bem-estar mental e que, profissionais que trabalham em ambientes
cromaticamente planejados e apropriados, podem render mais, ressaltando também, o
favorecimento na recuperação do paciente, pois uma combinação certa de cores têm efeitos
psíquicos e orgânicos.
45
Boccanera (2007) ressalta ainda que a cromoterapia é a ciência que utiliza as cores
para alterar ou manter as vibrações do corpo naquela frequência, que pode resultar em saúde,
bem-estar e harmonia.
Os conhecimentos multiprofissionais, no caso, de medicina, enfermagem, engenharia e
arquitetura, sugerem a adoção de ambientes agradáveis, arejados e de coloração variada, de
acordo com o tipo de assistência prestada predizendo que os pacientes podem tornar-se
inconscientemente inquietos na presença de cores mal combinadas (MARZIALE, 1990).
A cor amarela claro utilizada na Sala de Emergência foi considerada nesse estudo,
adequado, pois de acordo com Boccanera (2007) o amarelo deve ser utilizado quando se
procura vivacidade, desprendimento, leveza, alegria, relaxamento, flexibilidade, brilho e
alegria espiritual. Esta cor estabelece grau de equilíbrio entre o sistema nervoso simpático e o
sistema nervoso parassimpático, aumentando um pouco a pressão sanguínea e reduzindo a
produção de ácidos graxos (BOCCANERA, 2007).
Este dado vai de encontro ao observado por Benedett (2008), Almeida (2013) e
Araruna (2013) em UTI neonatal e CME, respectivamente, cujas paredes e teto eram de cor
branca que segundo Farina, (1990) e Boccanera; Boccanera; Barbosa, (2006) representa a
simplicidade, paz, harmonia e estabilidade (FARINA, 1990), sugerindo que nos serviços de
saúde a adequação das cores transmite a sensação de bem-estar e conforto para o paciente,
família e profissionais.
De acordo com Marinelli (2013) as cores devem ser ajustadas às dimensões dos
ambientes, para que se tenha conforto visual, e com isso a visão seja adequada às tarefas
realizadas em cada atividade; em seu estudo a autora destaca que em uma das UBS
pesquisadas a cor utilizada nas paredes foi laranja, que pode causar excesso de estímulo e até
certo desconforto para os funcionários, já na outra UBS, as paredes são brancas, que permitem
ao ambiente maior refletância, tornando-o mais agradável.
Os fatores, tamanho, forma e cor dos ambientes, estão diretamente relacionados com
equilíbrio e com harmonia visual, que, se estiverem desajustados, podem incorrer em alguns
sintomas, como calor, frio, agitação, estímulo ou inibição e ainda podem provocar atração ou
rejeição. Este autor ressalva também que as cores podem criar ilusões, efeitos no espaço em
que estão e até induzir ações, e com isso pode influenciar na concentração, na atenção e na
capacidade de percepção (CUNHA, 2004).
As duas portas da SE são corrediças, uma de metal (Figura 12), de cor cinza, que é
utilizada para a entrada dos pacientes provenientes de fora do hospital e a outra de madeira
(Figura 13), de cor branca, com acesso ao corredor do PS, sendo esta utilizada para transporte
46
dos pacientes para exames tomográficos, radiológicos, centro cirúrgico, setores de internação,
para acesso ao expurgo, farmácia, copa, posto externo de enfermagem, sala de descanso dos
médicos, sala de equipamentos, depósito de material de limpeza.
Figura 12: Porta corrediça de metal.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Figura 13: Porta corrediça branca de madeira.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Considera-se adequado que as portas sejam corrediças, pois se evita traumas por sua
abertura. Em contrapartida, podem dificultar a abertura no momento do transporte de
pacientes que estão em estado grave, pois muitas vezes deve-se prescindir do uso das mãos, as
quais podem estar ocupadas com objetos ou aparelhos eletromédicos (POSSO, 1988).
Ambas as portas não possuem visor, como preconiza a RDC/ANVISA 50/2002
(BRASIL, 2002a). De acordo com Posso (1988) “a aplicação de visor em uma porta é tarefa
das mais fáceis e muito pouco dispendiosas, quando comparada com os benefícios que pode
proporcionar, pois a sua presença facilita a visualização do interior da sala”.
Por outro lado, a ausência de visor possibilita a privacidade dos pacientes ali
atendidos, pois nesse mesmo local são realizados os banhos no leito, troca de fraldas e roupas,
curativos, entre outros procedimentos, apesar do uso de biombos.
Os dados encontrados nesta pesquisa são corroborados por estudo realizado por
Guadagnin (2006) que detectou nos 23 CME de hospitais de portes variados da cidade de
Goiânia-GO que 16 (69,6%) possuíam portas de madeira, o mesmo ocorrendo nos estudos de
Araruna (2013) e Almeida (2013) em que todas elas eram de madeira pintadas de cor branca,
e ainda algumas em mau estado de conservação.
A SE estudada não possui nenhuma janela, portanto, a ventilação e a iluminação são
totalmente artificiais. Os aspectos ventilação, iluminação, temperatura, que também têm
relação com janelas, serão abordados posteriormente, em tópicos específicos, respeitando a
sequência do instrumento de coleta.
47
Os objetos salientes não devem existir em paredes de SE, porém, o negatoscópio
(Figura 14) foi instalado de forma saliente na parede, e vários outros objetos estão suspensos
do teto e paredes (Figura 16). As SE de construções mais modernas já têm os negatoscópios
embutidos em suas paredes, porém, com relação a essa problemática, ainda não se encontrou
solução para os fluxômetros salientes (Figura 15).
Figura 14: Negatoscópio saliente na parede.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Figura 15: Fluxômetros salientes na parede.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Deve-se atentar para os objetos suspensos no teto quando situados à altura inferior a
220 cm e outros salientes na parede, como armários, prateleiras, bem como o material dentro
deles armazenado que podem ser motivo de contusões de crânio, tronco e membros superiores
das pessoas que trabalham em unidades hospitalares (BRASIL, 2002a; BENEDETT;
FERRAZ; POSSO, 2009; MARINELLI, 2013).
Alguns objetos que podem representar risco de trauma foram evidenciados neste
campo de estudo. Dos objetos suspensos no teto encontram-se o suporte de soro retrátil
(Figura 16). Dos objetos fixados na parede, encontram-se suporte de soro, bancada e suporte
para monitores multiparamétricos, extensores de rede elétrica, esfigmomanômetros (Figura 15
e 16). Os objetos móveis presentes nesse ambiente são suporte de soro, aparelho de RX,
carrinho de emergência, mesa móvel de procedimentos, biombos, macas, cilindro de oxigênio,
lixeiras (Figuras 18 e 19).
48
Figura 16: Suporte de soro
suspenso do teto.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná –
2013.
Figura 18: Carrinho de Emergência.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Figura 17: Suporte de soro e bancada de
monitores fixados na parede.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Figura 19: Suporte de soro com
base instável.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná –
2013.
Outros equipamentos que podem causar contusões são os suportes de soro com altura
variável e base instável, que também podem ser visualizados na Figura 19. Dos suportes de
soro da SE, metade apresentavam a base sem rodízios obrigando maior espaço para sua
movimentação e todos com ganchos em forma de U que predispõe à queda dos objetos neles
apoiados, segundo Posso (1988) os ganchos helicoidais prendem melhor os frascos ou
equipamentos neles suspensos.
No estudo de Benedett (2008) em UBS também não foi encontrado suporte de soro
com ganchos helicoidais, os equipamentos nesta UTI Neonatal também oferecem risco de
traumatismos e contusões. No que se refere à base instável tanto Benedett (2008), Posso
49
(1988), Marinelli (2013) encontraram em suas pesquisas suportes de soro com base instável,
podendo isso representar um risco de acidentes.
Considerando que os objetos salientes situados à altura inferior a 220 cm podem ser
causa de contusões sobre o segmento cefálico e o dorso das pessoas que trabalham na SE; os
objetos salientes na parede, suspensos no teto e paredes, podem representar um importante
agravante para o absenteísmo no hospital, pois os traumas e contusões, que no ambiente de
trabalho também representam acidentes de trabalho, frequentemente são motivos de
afastamento.
Benedett (2008), Posso (1988) e Almeida (2013) reconhecem em suas pesquisas os
suportes de soro, negatoscópio, escada de dois degraus e quinas de balcões como fonte de
risco de contusões, principalmente se estiverem salientes na parede, ou com base instável,
essas contusões normalmente ocorrem no seguimento cefálico e tronco. Marinelli (2013)
destaca os armários, prateleiras e os materiais dentro deles armazenado como importante fonte
de risco de contusões.
Outros equipamentos que podem ser causa de traumatismos e contusões são as
prateleiras, armários e carrinhos de emergência (Figura 18) existentes na sala de emergência e
o material dentro deles armazenado. Todas as prateleiras da sala de emergência são salientes e
nelas são armazenados materiais contundentes. Neste sentido, a Vigilância Sanitária, através
da RDC ANVISA 56 (BRASIL, 2001c) corrobora a afirmativa de que os materiais e produtos
para a saúde devem ser fabricados de maneira que eliminem ou reduzam os riscos.
No entanto, essas evidências mostram que a preocupação dos EAS pesquisados parece
não estar voltada para a prevenção das contusões incidentes sobre as pessoas que trabalham
na emergência. O mesmo pode ser dito sobre os equipamentos, produzidos com material de
menor qualidade, o que põem em risco a segurança daqueles que com eles irão trabalhar.
Como é o caso das três prateleiras para guarda de materiais na SE, uma de madeira, uma de
metal e uma plástica; sendo as duas últimas frágeis e extremamente leves, podendo ser um
risco de virar e cair em cima dos funcionários e dos pacientes.
Ribeiro (2007) ressalva que a maior frequência de acidentes de trabalho em hospitais
ocorre na equipe de enfermagem e argumenta que os trabalhadores estão expostos a riscos
oriundos do desenvolvimento de atividades assistenciais diretas e indiretas, cuidados
prestados diretamente a pacientes e em organização, limpeza e desinfecção de materiais,
equipamentos e do ambiente.
Estudos de Posso; San’Anna (2007), Benedett; Ferraz; Posso (2009), Almeida (2013)
demonstram ainda serem significativas às consequências para o trabalhador e sua família. As
50
lesões e danos mais frequentes são problemas osteomusculares, acidentes pérfuro-cortantes,
lacerações, feridas, contusões, entre outros.
A instalação de gases medicinais deverá sempre, obedecer às Normas Brasileiras
referentes a sistemas centralizados de gases de uso medicinal da NBR 12188 da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2003). Os cilindros de alta pressão deverão estar
localizados em local distante da SE e o abastecimento deve ser feito por rede de distribuição.
Segundo Posso (1988) e Benedett (2008), a presença de cilindros de gases dentro das salas,
deve ser abolida, pois pode causar traumatismos e queimaduras de gravidade variável, até
mesmo fatal, consequente a quedas, a explosões e a incêndios.
Almeida (2013) na sua pesquisa em UTI Neonatal, também encontrou fluxômetros
salientes na parede e enfatiza a quantidade insuficiente dos mesmos, não atendendo a RDC
ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), além dos riscos de contusão. Outro estudo em UTI
Neonatal, Benedett (2008), destaca os agravos que provavelmente podem ocorrer, na presença
de disposição de rede de gases medicinais, que são contusões, distensão muscular e explosão.
Na SE estudada, encontraram-se vários cilindros de oxigênio, mesmo com a instalação
da rede de gazes medicinais (Figura 20), pois como são atendidos pacientes de emergência,
politraumatizados, muitas vezes, há necessidade de transportar os pacientes para exames, para
UTI ou para outros setores e no transporte de maca de pacientes fazendo uso de oxigênio,
havendo a necessidade de levar o cilindro. Fato este que representa um risco potencial de
traumatismos, queimaduras e explosões.
Figura 20: Lixeira e torpedos de oxigênio.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
A RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a) discorre também sobre a maneira como
os sistemas de gases medicinais devem estar protegidos de fonte de calor, de tal forma que
não haja possibilidade dos cilindros e demais equipamentos da central atingir uma
51
temperatura acima de 54ºC. Também devem ficar afastados de transformadores, chaves
elétricas e linhas abertas de condutores de energia elétrica, em local ventilado.
Em relação à ventilação ambiente, atualmente em EAS utiliza-se climatização
ambiental artificial dotada de filtros, mantendo-a em valores que variam de 19ºC a 24ºC
(POSSO, 1988; BRASIL, 2002b). A SE estudada também dispõe de condicionador de ar
ambiente, porém, somente é utilizado em dias de extremo calor, pois se trata de aparelho
antigo, sem manutenção preventiva e muito ruidoso.
Deve-se ressaltar que a climatização do ar é necessária (BRASIL, 2002a),
principalmente, em se tratando de ambiente hospitalar fechado e que recebe todos os tipos de
pacientes. No entanto, recomenda-se janelas amplas, altas, móveis para a limpeza e teladas no
caso da área hospitalar que não seja climatizada (SOBECC, 2013), para usufruir da
iluminação natural e economizarem energia elétrica contribuindo para uma ambiência
saudável (POSSO; SANT’ANNA, 2007).
Após o levantamento de dados da temperatura do local, foram feitas as comparações
utilizando RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), que trata das normas e padrões de
instalações em serviços de saúde, determina uma temperatura entre 19ºC e 24ºC como limite
de tolerância para exposição ao calor e a umidade do ar deverá ser mantida entre 40% a 60%
(BRASIL, 2002 b/2010). No Quadro 1, são descritos os valores obtidos pelas medições.
Quadro 1: Valores das medições de temperatura na Sala de Emergência. Paraná - 2013.
Data
04/10/2012
11/10/2012
19/11/2012
20/11/2012
28/11/2012
29/11/2012
Temperatura
mínima
22,8 ºC
21,5 ºC
21,2 ºC
22,0 ºC
18,2 ºC
20,4 ºC
Temperatura
máxima
26,6 ºC
27,0 ºC
27,2 ºC
27,6 ºC
24,6 ºC
23,7 ºC
Umidade
60%
40%
48%
40%
63%
52%
Hora da
medição
10:00 h
11:00 h
14:00 h
15:30 h
21:00 h
20:00 h
Limite Permitido
(RDC 50)
24 ºC
24 ºC
24 ºC
24 ºC
24 ºC
24 ºC
Neste sentido, pode-se aferir que as temperaturas mínimas e máximas excederam os
valores recomendados pela norma na maioria das coletas, e apenas em um dia esteve abaixo
de 19 ºC para a o limite de temperatura mínima e menos 24 ºC para a máxima (quadro 1),
podendo ser considerado como ambiente desconfortável, cansativo e até insalubre, ainda
saliente-se que o clima do período era primaveril e a SE localiza-se na região Sul brasileira
cujas temperaturas nesse período costumam ser mais amenas.
52
No entanto, recomenda-se um estudo mais detalhado nas diferentes épocas do ano,
focalizando o período do verão, cujas temperaturas alcançam patamares mais altos, tornando a
atividade laboral desconfortável, extenuante e de risco, prejudicando a saúde dos pacientes e
profissionais que ali estão. Mesmo utilizando o condicionador de ar na SE, as avaliações
foram consideradas acima dos valores recomendados pela RDC/ANVISA, 50/2002 (BRASIL,
2002a/2010).
Para que se possa considerar termicamente confortável, conforme recomendação da
RDC/ANVISA, 50/2002 (BRASIL, 2002a) temperaturas devem permanecer entre 19ºC e
24ºC, e como visto (Quadro 1), a maioria das avaliações estão acima do que é recomendado,
sendo que as temperaturas médias ficaram entre 21,0ºC e 26,1ºC e a umidade do ar entre 40%
e 63%. Fica evidente a falta de ventilação na SE com temperaturas acima do recomendado,
acrescido do número excessivo de pessoas num pequeno espaço físico.
No estudo de Benedett (2008) a temperatura ambiente também excedeu os valores
recomendados pela norma, em uma das UTIs estudadas, onde a ventilação é artificial com
condicionador de ar a temperatura média ficou entre 24 ºC e 27 ºC, já na UTI que a ventilação
ocorre através de janela e calefação, os valores chegaram até 31 ºC.
Segundo Arsego (2008), a temperatura dos ambientes merece o maior cuidado, ao
buscar condições ambientais de trabalho adequadas e confortáveis, pois temperaturas
extremas (frias ou quentes) são desagradáveis e até prejudiciais à saúde. Para Vergara (2001),
Bezerra (2006) e Arsego (2008), a temperatura e a umidade ambiental influem diretamente no
desempenho do trabalho humano, tanto sobre a produtividade quanto sobre os riscos de
acidentes.
De acordo com Vergara (2001) os trabalhadores devem sentir-se termicamente
confortáveis para que possam desenvolver suas atividades sem nenhum incômodo, pois a
neutralidade térmica, ou seja, quando todo o calor gerado pelo metabolismo orgânico é
trocado em igual proporção com o ambiente ao redor, esta é a condição na qual uma pessoa
está confortável não sentindo nem calor e nem frio no ambiente térmico em que se encontra.
Bezerra (2006) ressalta que a exposição a temperaturas extremas e mudanças de
temperatura podem ser propícias para o desenvolvimento de agravos à saúde, como por
exemplo, gripe, resfriado, otite, artrite, pneumonia e até sinusite. As mudanças de temperatura
ocorrem normalmente nas atividades relativas ao transporte dos pacientes para exames
radiológicos, pois os equipamentos radiológicos necessitam de temperaturas baixas para a sua
conservação, e por esse motivo naturalmente as salas de raios-X e tomografia são mantidas
em baixas temperaturas.
53
Além dos agravos à saúde já mencionados, Naked (2005) considera que outros
problemas podem ser acarretados pelos choques térmicos relacionados com ar condicionado,
como dores de cabeça, ansiedade, irritação nos olhos, garganta e nariz. Considera, ainda que o
emprego das legislações atuais que definem os quesitos e critérios para o uso de ar
condicionado, temperatura e umidade em ambiente de trabalho, devam contribuir para a
prevenção de doenças que podem decorrer desses fatores.
A realização das atividades laborais em ambientes quentes pode ocasionar sintomas
como cansaço, irritação, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento, artrite,
problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias, etc. Já a
exposição ao frio pode ocasionar fenômenos vasculares periféricos, doenças do aparelho
respiratório e até queimaduras pelo frio (VERGARA, 2001).
No que se refere à iluminação da SE, esta é exclusivamente artificial, com lâmpadas
fluorescentes que embora possam propiciar iluminação, têm um componente de radiações
ultravioleta em seu espectro luminoso (POSSO, 1988; ABNT, 1992a). Dependendo do
espectro eletromagnético da radiação ultravioleta seus efeitos no homem, podem ser
caracterizados por fadiga ocular e lesões de pele (POSSO; SANT’ANNA, 2007).
Esse tipo de iluminação é comum em hospitais, e em especial em SE onde os
profissionais da enfermagem fazem plantão de 6 horas, 12 horas e eventualmente até de 18
horas por dia, frequentemente sendo obrigados a jornadas extras para atender às demandas,
além do seu plantão habitual de trabalho.
A iluminação artificial é indicada para Unidades de Emergência. A RDC/ANVISA,
50/2002, (BRASIL, 2002a) dispõe que todos os ambientes onde os pacientes são
manipulados, em especial os consultórios, salas de exames e terapias, salas de comando
dessas, salas de atendimento imediato, salas de cirurgias e de partos, quartos e enfermarias e
salas de observação devem ser iluminados artificialmente para favorecer a privacidade dos
pacientes ali submetidos a procedimentos.
Na SE a iluminação do ambiente exibe quatro lâmpadas fluorescentes, que
correspondem a 40 Watts (W) cada lâmpada, totalizando 160 W. Usando uma avaliação
simples e rápida, considerando que o índice de iluminação é igual ao número de lâmpadas
fluorescentes de 40W multiplicado por 40 e dividido pela área, obteve-se o resultado de 3,46,
índice que segundo Posso (1988), é insuficiente, pois valores inferiores a 20 indicam
insuficiência de iluminamento. A iluminação foi avaliada também com luxímetro,
fundamentada na NBR 5.413/1992 (ABNT,1992a) adotando o critério de medições a 0,75m
do piso, cujos resultados estão apresentados no Quadro 2 a seguir:
54
Quadro 2: Apresentação dos resultados de iluminância, avaliado com luxímetro, na Sala de
Emergência. Paraná - 2013.
Locais da coleta
Mesa de computador 1
Mesa de computador 2
Bancada de formulários
Bancada de diluição
Leito 1
Leito 2
Leito 3
Leito 4
Carrinho de desfibrilador
Intensidade em LUX
115
122
78
115
226
180
140
200
75
Embora em SE sejam executadas tarefas de extrema responsabilidade, onde retardos
ou enganos podem ser fatais, a intensidade de iluminação geral foi considerada insuficiente,
por apresentar pequena quantidade de lâmpadas e pelos valores obtidos através das medições
com luxímetro terem sido abaixo dos valores recomendados. Em todos os pontos coletados foi
considerada iluminação insuficiente.
Segundo Posso (1988) a intensidade insuficiente de iluminação pode prejudicar os
trabalhadores, ocasionando eventuais acidentes de trabalho e desperdício de materiais. O
ambiente de trabalho torna-se desagradável e a fadiga visual em geral é mais precoce e
acentuada, por esse motivo a ABNT, na NBR 5413/1992 (ABNT, 1992a), determina níveis de
iluminação específicos para cada atividade profissional e local de trabalho, no caso do pronto
socorro estabelece níveis mínimos de 300 LUX, médio de 500 LUX e máximo de 750 LUX.
Conforme NBR 5413 (BRASIL, 1992a), O valor mais alto, das três iluminâncias, deve
ser utilizado quando: “a tarefa se apresenta com refletâncias e contrastes bastante baixos,
erros são de difícil correção, o trabalho visual é crítico, alta produtividade ou precisão são
de grande importância ou quando a capacidade visual do observador está abaixo da média”.
A NBR 5382/85 (ABNT, 1985) preconiza que a iluminância em qualquer ponto do
campo de trabalho não seja inferior a 70% da iluminância média. No caso da sala de
emergência não poderia ser inferior a 350 LUX. Considerando que os procedimentos
realizados na sala de emergência são muito precisos e podem ser fatais, erros nessa atividade
possivelmente seriam de difícil ou até impossível correção, recomenda-se a iluminação
máxima.
Benedett (2008) afirma que problemas ocorridos em qualquer equipamento e
instalação devem ser rapidamente solucionados e sem improvisações, pois a manutenção dos
55
agentes físicos, como a iluminação, pode ser um ponto chave na prevenção de doenças e
acidentes de trabalho.
Embora, aparentemente, a iluminação seja adequada, constatou-se iluminação
insuficiente em todos os pontos pesquisados. Em especial, a bancada de diluição de
medicamentos com 115 LUX. O local de preparação das medicações a serem administradas
nos pacientes é de extrema importância, devendo apresentar iluminação suficiente para que
não haja erros de diluição ou troca de medicamentos, falhas essas que podem colocar em risco
a vida dos pacientes. Pacientes em estado grave, com risco de morte, não podem ser
submetidos a equívocos relacionados à administração ou troca de medicamentos.
A presbiopia precoce condição em que a lente ocular apresenta dificuldade de
focalizar nitidamente objetos a curta distância pode ser uma das consequências da iluminação
inadequada. Os efeitos da presbiopia são intensificados pelo cansaço visual, com surgimento
de cefaleia e às vezes, ardência e lacrimejamento durante a leitura (QUEIROZ et al., 2010).
A iluminação adequada e utilização de óculos são condições indispensáveis para se
garantir a qualidade de vida dos portadores da presbiopia. Tais medidas são também
indispensáveis para se evitar o surgimento precoce de lesão ocular (QUEIROZ et al., 2010). A
intensidade luminosa insuficiente gera um desconforto podendo ocasionar acidentes de
trabalho por quedas, contusões, acidentes com materiais pérfurocortantes, além de prejudicar
no exame físico dos pacientes atendidos na SE. Bem como, pode prejudicar a realização de
procedimentos médicos e de enfermagem como implantação de cateteres, punções arteriais e
venosas, aplicação de sondas uretrais, entre outros.
5.3 Risco Elétrico
A instalação elétrica da SE foi feita há mais de 10 anos, sendo isso considerado por si
só uma fonte potencial de risco. Considerando que todos os trabalhadores da SE, em especial
os da enfermagem, manipulam equipamentos eletromédicos, ligam e desligam várias vezes
durante o turno de trabalho, eles estão sujeitos a sofrerem choque elétrico, principalmente
pelo número insuficiente de tomadas, fato que exige o uso de extensões elétricas.
De acordo com Bezerra (2006) e Nieskier; Macyntire (2008), os choques elétricos
podem provocar queimaduras e até morte, sendo assim considerado sempre um risco
56
iminente. A exposição a esse risco pode gerar estresse e nervosismo levando a sintomas de
dores musculares e dores de cabeça.
As tomadas existentes da SE totalizaram quinze, sendo destas nove com aterramento e
seis sem aterramento, uma de 220v e 14 de 110v. No momento do procedimento de coleta de
dados haviam 31 aparelhos eletromédicos ligados em rede elétrica. Como o número de
tomadas é insuficiente foram utilizados 12 extensões, fixas na parede (Figura 21), além de
mais de um aparelho ficar conectado em cada tomada, sendo isso um grave risco de incêndio
e choque elétrico por sobrecarga elétrica.
Figura 21: Extensores de tomada utilizados
para ligar aparelhos eletromédicos.
Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013.
Sendo o número de tomadas muito abaixo do número de equipamentos utilizados
nessa unidade, fica evidente também, o risco de incêndio que por sua vez pode ser fatal e
ainda, considerando que os pacientes que ali se encontram não têm possibilidades de
evadirem-se do local, não só por seu estado grave de saúde, mas, também por se encontrarem
dependentes de auxílio para se locomoverem e mais, dependerem de respiração artificial e
outros equipamentos.
A Secretaria de Saúde de São Paulo (2012) elaborou um “Plano de Abandono de
Hospitais” para acaso ocorra incêndio, o qual descreve que:
O abandono do hospital, mesmo em situações de menor complexidade, pode
colocar em risco a vida de pacientes, e causar a perda de algumas delas.
Pacientes em estado crítico são aqueles com maior dificuldade e criticidade
para o deslocamento, e maior possibilidade de morte. A permanência dentro
da estrutura, também poderá determinar a morte (SECRETARIA DE
SAÚDE DO ESTADO SÃO PAULO, 2012).
57
Fica evidente que o número de tomadas insuficientes é uma séria fonte potencial de
risco físico. As consequências de choque elétrico e incêndio podem realmente determinar
consequências irreparáveis tanto para a equipe profissional quanto para os pacientes da SE.
Da mesma maneira, Benedett (2008) na sua pesquisa em UTI Neonatais comprovou os
riscos de choque elétrico e incêndio, devido à fiação elétrica mal conservada, fios descascados
e remendados, interruptores e tomadas, mal conservados, insuficientes e quebrados. No estudo
de Marinelli (2013) em UBS, esta igualmente incide nos mesmos riscos de incêndio, choques,
explosões, a instalações elétricas inadequadas, como tomadas soltas, fios elétricos expostos e
danificados.
Posso (1988) também identificou má conservação das instalações elétricas, onde
31,82% dos CC estudados possuíam tomadas mal conservadas, 22,73% má conservação de
interruptores e em 100,0% dos CC identificou-se o uso de extensões elétricas.
5.4 Ruído
Conforme já foi mencionado, que o processo de revolução industrial trouxe
ascendência nos agentes físicos presentes nos processos de trabalho, que podem expor a saúde
dos trabalhadores, pode-se citar entre eles, o ruído, que segundo Medeiros (1999) está em
terceiro lugar entre os agentes insalubres que mais afetam a saúde do trabalhador.
A NBR 12179 (ABNT, 1992b) define ruído por uma mistura de sons cuja frequência
não segue nenhuma lei precisa, e que diferem entre si por valores imperceptíveis ao ouvido
humano. O ruído pode ser definido como uma sequência de sons desagradáveis que podem
variar com as vibrações acústicas de cada ambiente hospitalar.
Quando apresenta níveis superiores aos recomendados pelas normas técnicas, pode
trazer malefícios para a saúde das pessoas que estão expostas a ele. Também pode ser
definido como manifestação acústica proveniente de movimentos de vibração com diferentes
frequências que não se relacionam entre si, cuja exposição pode afetar negativamente o bem
estar psicológico e físico das pessoas (SOUZA, 2012).
Taube; Barja (2007) e Taube (2009) recomendam ser salutar a necessidade da
avaliação da exposição de trabalhadores ao ruído em locais de trabalho, sendo um fator
importante para detectar possíveis riscos para a saúde. A Norma Regulamentadora n.º 15
58
(NR-15), da Portaria MT n.º 3.214/1978 do Ministério do Trabalho (BRASIL, 1978),
estabelece os limites de exposição a ruído contínuo, conforme o Quadro 3, a seguir:
Quadro 3: Limites de Tolerância (LTs) para ruído contínuo ou intermitente.
Nível de ruído
dB(A)
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
98
100
102
104
105
106
108
110
112
114
115
Máxima exposição diária
permissível
8 horas
7 horas
6 horas
5 horas
4 horas e 30 minutos
4 horas
3 horas e 30 minutos
3 horas
2 horas e 30 minutos
2 horas
1 hora e 45 minutos
1 hora e 15 minutos
1 hora
45 minutos
35 minutos
30 minutos
25 minutos
20 minutos
15 minutos
10 minutos
8 minutos
7 minutos
Fonte: Norma Regulamentadora 15 (BRASIL, 1978).
Valores de níveis de pressão sonora (NPS) acima dos recomendados pela NR-15/78
(BRASIL, 1978) podem causar Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR), que é definida
como a perda auditiva provocada pela exposição por tempo prolongado ao ruído. Configurase como uma perda auditiva do tipo neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e
progressiva com o tempo de exposição ao ruído (TAUBE, 2009).
O risco de Pair aumenta muito quando a média da exposição está acima de
85 dB(A) por oito horas diárias. As exposições contínuas são piores do que
as intermitentes, porém, curtas exposições a ruído intenso também podem
desencadear perdas auditivas. Quando o histórico identificar o uso de
protetores auditivos, deve ser considerada a atenuação real do mesmo, assim
como a variabilidade individual durante o seu uso (BRASIL, 2006b).
59
A NBR-ABNT 10152 (ABNT, 1987) recomenda que os níveis de pressão sonora para
ambiente hospitalar seja de 35 a 45 dB, destaca que NPS acima desses valores são
considerados desconfortáveis, sem necessariamente causar danos auditivos, porém podem
causar alterações fisiológicas e psicológicas. Já para a Organização Mundial da Saúde (OMS),
os NPS em hospitais não deve ultrapassar 35 dB (BERGLUND, 1999; OLIVEIRA; POSSO,
2006)
Alguns equipamentos utilizados na SE são emissores de ruído, como respirador
artificial, bomba infusora, monitor multiparamétrico, telefone e o ar condicionado, além das
conversas de visitas e equipe. A avaliação dos NPS, assim como a data da medição, turno da
coleta, tempo de exposição dos trabalhadores e os limites de tolerância para 6h na SE é
demonstrada no Quadro 4, a seguir:
Quadro 4: Níveis de ruído encontrados na Sala de Emergência. Paraná - 2013.
Data da
medição
Turno da
coleta
NPS em dB
Tempo de
exposição dos
trabalhadores
24/10/2012
25/10/2012
31/10/2012
03/11/2012
04/11/2012
28/11/2012
Manhã
Manhã
Tarde
Tarde
Noite
Noite
72,4
74,5
60,9
78,4
60,2
52,2
6 horas
6 horas
6 horas
6 horas
6 horas
6 horas
Limite de
Tolerância em
dB(A) para 6 horas
de exposição
87
87
87
87
87
87
Neste estudo, os valores mensurados não ultrapassaram o limite de 87 dB conforme
preconiza a NR 15/78 (BRASIL, 1978), os valores ficaram entre 52,2 dB e 78,4 dB, então, o
risco de PAIR é menos passível de ocorrer. Porém, em todas as coletas, os valores
encontrados são acima dos recomendados pela OMS e pela NBR 10152/87 (ABNT, 1987),
estes limites máximos podem levar a situações de estresses, distúrbios do sono, irritabilidade,
entre outros (POSSO, 1982; SALIBA, 2001).
Algumas providências podem ser tomadas para amenizar essa exposição ao ruído,
como alterações ergonômicas, mudanças estruturais, uso de protetores auriculares. Este
último, não é possível na SE, pois inibiria a audição dos trabalhadores, enquanto estivessem
usando o protetor auricular, e isso poderia trazer sérias consequências, considerando que neste
ambiente a comunicação é essencial para o atendimento eficaz ao paciente.
60
Em um estudo realizado por Marinelli (2013) em Unidade Básica de Saúde (UBS),
também foi constatado que os limites dos NPS não ultrapassaram os recomendados pela
NR15/78 (BRASIL, 1978), porém da mesma maneira, apresentaram valores entre 58,6 a 84,9
dB, que igualmente podem incorrer em situações de estresse, distúrbios do sono,
irritabilidade, como mencionam Posso; Sant’anna (2007).
O mesmo fato acima mencionado, também ocorreu no estudo de Benedett (2008) em
UTI Neonatal, os valores variaram entre 50 a 80 dB, e destaca que os sons do telefone e
campainha são os principais emissores de ruído nesta UTI.
Corrêa et al. (2004) e Tozo et al. (2012), afirmam que frequentemente as equipes de
trabalho têm demonstrado pouco conhecimento sobre a importância do ruído no ambiente de
trabalho e parecem desconhecer também seus mecanismos, agentes emissores e
consequências.
A SE é um setor com algumas particularidades, de trabalho intenso, cansativo, requer
muita atenção, agilidade, e que muitos trabalhadores da saúde não têm afinidade com este
ambiente, por essa razão, os trabalhadores de SE, em um hospital, muitas vezes, são escassos.
Consequentemente as mesmas pessoas acabam fazendo plantões excessivos para suprir a
demanda da instituição. Um trabalhador que deveria fazer 6 horas diárias acaba trabalhando
12 ou até 18 horas diárias. Isso incide numa exposição mais prolongada ao ruído.
Bezerra (2006) e Arsego (2008) alertam que a exposição ocupacional ao ruído pode
ocasionar surdez, surdez passageira, estresse, dores de cabeça e até desgaste mental. Assertiva
corroborada por Souza (2012) ao afirmar que a exposição a níveis elevados de ruído por um
longo período de tempo pode determinar comprometimentos físicos, mentais e sociais no
indivíduo e no seu desempenho laboral. Entre estas consequências, a mais definida e
quantificada, consiste em danos no sistema auditivo, como a PAIR (SOUZA, 2012).
Uma pesquisa realizada por Souza (2012) em uma UTI no estado do Maranhão
demonstrou que nos turnos de trabalho manhã e tarde, os valores dos NPS foram superiores
aos valores do turno noturno, o autor atribui essa alteração às equipes da noite serem menores
que as do turno diurno, havendo assim menos conversação. Neste estudo também fica
evidente o risco de PAIR, pois em vários momentos, especialmente no turno da tarde, NPS
estiveram acima de 85 dB.
O Ministério do Trabalho, por sua Portaria MT n.19/98 (BRASIL, 1998) determina
que as instituições que têm locais de trabalho, onde haja exposição a ruído com valores acima
dos
recomendados
pelas
normas
regulamentadoras,
devem
realizar
avaliação
e
61
acompanhamento da audição em trabalhadores expostos, isso pode ser feito mediante um
Programa de Conservação Auditiva (PCA).
Conservação auditiva implica na prevenção da audição do indivíduo, sendo ele
portador ou não da perda auditiva. Este programa tem como objetivo prevenir ou estabilizar as
perdas auditivas ocupacionais em decorrência de um processo contínuo e dinâmico de
implantação de rotina nas empresas.
O PCA é um conjunto de medidas técnicas simplificadas ou administrativas,
distribuídas e mantidas ao longo do tempo, que agindo de forma integrada e complementar
entre si, pode servir de substituto temporário a modernização tecnológica e melhoria das
condições de trabalho como um todo. A SE pesquisada ainda não dispõe de um PCA para
prevenir a perda auditiva dos colaboradores.
5.5 Radiação ionizante e radiação não ionizante
Outra fonte potencial de risco físico é a radiação emitida pelos aparelhos de RX que
produzem a ionização de átomos, por isso é chamada de radiação ionizante (POSSO, 1988;
REZENDE, 2003).
Segundo Nouailhetas (2006), radiação ionizante “é aquela cuja energia é superior à
energia de ligação dos elétrons de um átomo com o seu núcleo; radiações cuja energia é
suficiente para arrancar elétrons de seus orbitais”.
O organismo humano não possui mecanismo sensorial para detectar as radiações
emitidas pelos aparelhos, por isso é difícil evitá-las, a não ser através de EPC, EPIs e
conscientização dos trabalhadores (POSSO, 1988; FLOR; KIRCHHOF, 2006). Segundo esses
autores (FLOR; KIRCHHOF, 2006; NOUAILHETAS, 2006), os efeitos dessa exposição
depende da dose de radiação recebida pelo organismo e tempo de exposição; deve-se lembrar,
também que as radiações recebidas são cumulativas ao longo dos anos.
Assim, algumas das complicações da exposição à radiação, como cefaleia, náuseas,
vômitos, apatia, fadiga, diarreia, sangramentos, queda de cabelo, entre outras advém desse
procedimento diagnóstico (POSSO, 1988; FLOR; KIRCHHOF, 2006; NOUAILHETAS,
2006; POSSO; SANT’ANNA, 2007).
Pode, também, trazer danos mais graves, ao longo dos anos, como anemia, catarata,
leucemia, câncer de pele, e outros tipos de câncer, devido a alterações e mutações genéticas
62
que podem ocorrer nas células humanas. Deve-se considerar que mesmo sendo uma exposição
esporádica, qualquer dose de radiação pode ser potencialmente lesiva e a patologia
desenvolvida em decorrência desta exposição no ambiente de trabalho é considerada uma
doença ocupacional (FLOR; KIRCHHOF, 2006).
Nesta pesquisa, a radiação ionizante foi considerada uma fonte potencial de risco, pois
há permanência de um aparelho emissor de radiação ionizante na SE, aparelho de RX portátil
e não há proteção de chumbo nas paredes e portas da sala, como também não há biombos de
chumbo e há somente um avental de chumbo disponível, para utilização do técnico em
radiologia. Assim, todos os outros profissionais encontram-se sujeitos à exposição da
radiação, mesmo saindo momentaneamente da sala.
As medidas de proteção coletiva que podem ser tomadas para proteger os
trabalhadores da radiação são construção de paredes com revestimento plumbífero (chumbo),
(POLETTO, 2007), nos locais onde se utiliza equipamentos emissores de radiação. Também
se pode utilizar biombos de chumbo, no caso de o aparelho de RX serem levados para outros
locais onde não há paredes de chumbo, como enfermarias, pronto socorro, UTI, UE (POSSO;
SANT’ANNA, 2007).
Flor; Kirchhof (2006) e Posso; Sant’anna (2007) destacam que os EPI (avental,
protetor tireoidiano, protetor de gônadas de chumbo) devem ser utilizados pelos profissionais
quando houver necessidade da permanência dentro das áreas controladas. A não utilização
desses EPIs, como é o caso deste campo de estudo, pode trazer danos futuros aos
trabalhadores que ali estão. Estudos mostram a relação da incidência de câncer de mama com
exposição a radiações ionizantes, como na pesquisa de Thuler (2003).
Outra pesquisa, realizada por Poletto (2007), realizado com técnicos em radiologia, em
um Hospital Público Federal, demonstra a gravidade deste risco, quando destaca que em
alguns locais de exposição à radiação, os trabalhadores não tem EPI disponíveis para o uso; e
os setores que tem EPI, 10,0 % dos trabalhadores não o utilizam.
Vale destacar que na SE estudada, a rotina de realização de raio-X é diária, de todos os
pacientes em ventilação mecânica e acrescida dos demais pacientes quando necessário,
ficando evidente a exposição dos trabalhadores à radiação ionizante. Portanto, foi considerada
uma fonte potencial de risco físico; principalmente pelo fato de o EAS não dispor de EPI e
EPC para o uso dos trabalhadores.
Esse fato muito preocupa, pois as pessoas que ali estão são servidores públicos, e
possivelmente trabalharão longos anos na mesma instituição e, possivelmente, no mesmo
setor (SE), pela particularidade desta unidade, como já foi mencionado anteriormente. Todos
63
os autores que já pesquisaram sobre radiação ionizante, enfatizam que a exposição ao longo
dos anos aumenta muito a probabilidade de alterações celulares, que podem levar ao câncer.
Outro tipo de radiação, porém não ionizante, e não foi encontrada na SE estudada, é o
laser. Radiação não ionizante, porém também pode acarretar em danos para a saúde dos
trabalhadores, como afetar os olhos e a pele produzindo lesões graves e permanentes
(POSSO; SANT’ANNA, 2007). Para evitar essas complicações, é possível preveni-las com o
uso de protetores oculares de segurança específicos para esse agente.
64
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A SE do EAS pesquisado não dispõem de estrutura física, material e pessoal
adequados, considerando as determinações da RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a),
embora seja um setor de um Hospital Escola, este teoricamente deveria dispor de condições
adequadas de trabalho, para poder formar profissionais qualificados e ao mesmo tempo,
prestar assistência de saúde de qualidade aos usuários de uma região. Fato este, que pode
predispor os profissionais que ali desenvolvem suas atividades a riscos laborais.
Nesta pesquisa foram encontrados agentes físicos que podem ser responsáveis por
acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais, são eles: pressão sonora acima dos valores
recomendados pela OMS e NBR-ABNT 10.152, iluminação insuficiente conforme NBRABNT 5413, radiação ionizante, calor excessivo, falta de ventilação e exaustão do ar
ambiente, área da SE insuficiente, menor que a preconizada pela RDC/ANVISA 50/2002
(BRASIL, 2002a), mobiliários inadequados, tomadas insuficientes, grande número de
extensores elétricos, que representa sério risco de incêndio; piso escorregadio, ausência de
janelas, ausência de visor nas portas, diversos objetos salientes nas paredes e tetos, que podem
causar contusões, dimensionamento de espaço e de pessoal, insuficientes.
Estes resultados inferem a necessidade de melhor planejamento para construção de
unidades de saúde que deve ser feito por uma equipe multiprofissional, composta por
engenheiros, arquitetos, enfermeiros, médicos e de profissionais de todas as áreas que ali
estejam envolvidos, pois a vivência do dia-dia contribui para a identificação dos riscos
existentes no ambiente de trabalho.
Outro componente que é essencial para o controle dos riscos ocupacionais é a
implementação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do
Trabalho (SESMT), serviço que dispõem de profissionais qualificados da área de saúde e
segurança do trabalho, que desenvolvem atividades referentes à prevenção de acidentes de
trabalho e/ou doenças ocupacionais, controle de riscos ambientais, treinamentos, orientações e
fornecimento de EPI, medidas de higiene ocupacional, controle de imunizações e exames
ocupacionais, entre outras atividades.
Por todo o exposto faz-se necessário, além de uma reformulação física também a
execução de ações planejadas que controlem ou diminuam os riscos não passíveis de correção
e eliminem os demais segundo as normas vigentes da RDC/ANVISA nº 50/2002 (BRASIL,
2002a).
65
Conclui-se que a SE do EAS investigado não atende integralmente às normas
estabelecidas, ocorrendo o descumprimento de requisitos que prejudicam a atividade e saúde
dos profissionais que ali desenvolvem suas atividades laborais, afetando, também a qualidade
da assistência. Também, evidenciou-se que os riscos físicos encontrados na SE em questão,
podem gerar alterações físicas, fisiológicas e psicológicas capazes de causar agravos
temporários ou permanentes à saúde dos trabalhadores.
Ainda, pode-se concluir que a SE pesquisada, possui fontes potenciais de risco físico,
no entanto, algumas das fontes potenciais podem ser preveníeis, e os riscos podem ser
amenizados através de uma reforma na SE, disposição de EPI e EPC e realização de
treinamentos com os funcionários, no intuito de apresentar os riscos aos quais os mesmos
estão susceptíveis a fim de evitá-los.
Dessa forma espera-se que este estudo subsidie o planejamento e as ações dos gestores
da SE local no sentido de adequarem a estrutura física à legislação vigente oferecendo um
ambiente de trabalho seguro aos seus trabalhadores e pacientes.
6.1 Perspectivas Futuras
Pretende-se que este trabalho seja uma motivação para a realização de outros estudos
na área e ainda, que possa ser uma base para a elaboração de mapas de riscos nesses
ambientes laborais.
66
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75
APÊNDICE A
INSTRUMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE RISCO FÍSICO NA
SALA DE EMERGÊNCIA
data:
/
/
1-IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO/PRONTO SOCORRO/SALA DE EMERGÊNCIA
1.1 – Hospital ( )público
( ) privado
1.2-Porte do Hospital ( )pequeno
( )médio
( )grande ( )extra porte
1.3 – Número de leitos na Sala de Emergência:_____________
1.4 – Média de pacientes por mês:____________
1.5 – Equipe composta por:
1.5.1 – ( ) sim ( ) não – Enfermeiros por turno___________
1.5.2 – ( ) sim ( ) não – Técnicos/Auxiliares de Enfermagem por turno___________
1.5.3 – ( ) sim ( ) não – Médico por turno______________
Outros:___________________________________________________________
1.6 – Responsável pela manutenção com qualificação técnica?( ) sim ( ) não
1.6.1– Grau de instrução ( ) primário ( ) técnico ( ) superior
1.7 – Manutenção dos equipamentos apenas corretiva? ( ) sim ( ) não
1.8– Manutenção dos equipamentos ( ) própria ( ) terceirizada ( ) mista
2 – CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA SALA DE EMERGÊNCIA
Tamanho da sala de emergência
2.1 -_____________m X ______________m,área_______________m2
2.2 -_____________m, volume_____________3
2.3 – Área destinada para cada maca_____________m2
2.4 – Presença de posto de Enfermagem externo ( ) sim ( ) não
2.5 – Presença de área de expurgo ( ) sim ( ) não
Outras
anotaçãoes:________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2.6 – Construção do teto: material ______________________ cor:_______________________
2.7 –Parede:
Material:___________________ Cor:____________________ Integridade:________________
76
Material:___________________ Cor:____________________ Integridade:________________
Outros/observações:_________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2.8 – Presença de colunas de sustentação (alvenaria) central: nº ________
2.9 – Risco de colisão ( ) sim ( ) não
2.10 – Diminuição da visibilidade ( ) sim ( ) não
Outros:______________________________________________________________________
2.11 – Piso
Local
Sala
emergência
Cor
Local do I
Obervações
Visor/abert.
Obervações
Material
de
E= Escorregadio D= Desnível I= Integridade
2.12 – Portas
Número Cor
Tipo
Local
Abertura
(p dentro = PD), (para fora = PF)
2.13 – Janelas
Número:_____________Local:_____________/__________________/________________
Tamanho: ____________X______________m
____________X______________m
____________X______________m
____________X______________m
____________X______________m
Tipo: ( ) fixa ( ) corrediça ( ) vitraux ( ) com dobradiça
Material da esquadria : (
) madeira
outros__________________________
Tela: ( ) sim ( ) não
(
) alumínio
(
) ferro
(
)
77
Abertura: ( ) para dentro ( ) para fora ( ) nenhuma
Obervação:_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2.14 – Fluxômetro/régua
Rede de oxigênio
Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________
Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________
Observações (extensões/ conservação/ local)
__________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Rede de vácuo
Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________
Tela: ( ) sim ( ) não
Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________
Observações (extensões/ conservação/ local)
__________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________
Rede de ar comprimido
Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________
Tela: ( ) sim ( ) não
Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________
Observações (extensões/ conservação/ local)
__________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2.15 – Negatoscópio
( ) embutido ( ) saliente
Altura do solo: ____________m ______________m
2.16 – Ventilação
( ) natural ( ) artificial ( ) mista
2.17– Climatização
78
Tipo
Potência
Temp. max.
Temp. mín.
Local
Tipo: Central = C ou Janela = J
2.18 – Iluminação
Artificial ( ) Mista ( ) Natural ( )
Número de luminárias no teto:
( ) sem plafom_________ ( ) plafom-transp_________ ( ) opaco____________
Tipos de luminárias: ( ) fluorescente_________( ) incandescente____________
Intensidade de iluminação: nº lâmpadas peq.__________nº lâmpadas grande______
Índice de iluminação = luminosidade = nº de lâmpadas x 40 w= ??
área
índice de iluminação menor que 20 = insuficiente
Tomadas com ou sem aterramento
110 V e 220 V (sem aterramento)
110 V (com aterramento)
____________________
_________________
220 V (com aterramento)
_______________
NÚMERO DE TOMADAS INSUFICIENTES:
Número de tomadas de: 110 V_____________
220 V_____________
Número de aparelhos eletro-médicos_______________
3 – RISCO DE TRAUMA
3.1 – Objetos suspensos no teto:
Tipo___________________ número___________________ local_______alt_________m2
Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2
Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2
Tipo___________________ número___________________ local______ alt_________m2
3.2 – Objetos fixados na parede:
Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2
79
Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2
Tipo___________________ número___________________ local________ alt_________m2
Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2
3.3 – Objetos móveis:
Foco auxiliar: ( ) com base instável altura regulável
( ) com base instável altura fixa
Observação:__________________________________________________________________
Suporte de soro:
Material
Nº
Tipo
Rodízio
Altura (m)
Tipo de Gancho
Tipo = (I) inox(M) madeira (A) alumínio (O) outros
Rodízio = (S) sim - com 3 rodízios ( ) com 4 rodízios ( ) (N) não
Observação:__________________________________________________________________
Móvel de guarda de material
Tipo
Material
Altura
Largura
Profundidade Material
Armazenado
Observação: se armário observar a abertura das portas.
__________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Presença de escada de dois de graus ( ) sim ( ) não
Material____________________Integridade_____________________Nº__________________
Material pérfuro-cortante
80
Tipo de material
Local do descarte
Material do recipiente
4 – RISCO ELÉTRICO
4.1 – Idade da instalação elétrica___________________anos
Tomada
Tipo/tomadas Número
Altura
do Localização
chão (m)
Nº aparelhos Conservação
ligados
Obervação:_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Interruptor
Tipo/
Interruptor
Número
Altura do chão Localização
(m)
Conservação
Obervação:_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Extensões
Tipo/ Extensão
Número
Altura do chão Localização
(m)
Conservação
81
Obervação:_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
5 – RISCO DE RUÍDO
Fonte
emissora
Localização
da fonte
Localização
da medição
Ruído (dB)
Obervação:_________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
6 – RADIAÇÃO IONIZANTE E NÃO –IONIZANTE
6.1 – Aparelhos emissores de radiação ( ) sim ( ) não nº_______________
6.2 – Rx portátil ( ) sim ( ) não
6.3 – Proteção de chumbo:
Parede da sala
( ) sim ( ) não
Portas da sala
( ) sim ( ) não
Vidros da sala
( ) sim ( ) não
Avental de chumbo ( ) sim ( ) não
Biombo de chumbo ( ) sim ( ) não
7 – MOBILIÁRIOS/EQUIPAMENTOS
Mobiliário/Equipamentos
Riscos existentes
*Queda de objetos, cantos, materiais soltos (pontiagudos), altura (colisão), local impróprio
(fluxo/obstrução).
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