UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOENGENHARIA FRANCIELY ROSA DE CASTRO SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE EVENTOS ADVERSOS São José dos Campos, SP 2014 Franciely Rosa de Castro SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE EVENTOS ADVERSOS Dissertação de Mestrado apresentada ao programa de PósGraduação em Bioengenharia da Universidade do Vale do Paraíba, como complementação dos créditos necessários para a obtenção do título de mestre em Bioengenharia. Orientador: Prof ª Drª Maria Belén Salazar Posso Co-orientador: Prof ª Drª Fernanda Pupio Silva Lima São José dos Campos, SP 2014 Ficha catalografica FRANCIELY ROSA DE CASTRO SALA DE EMERGÊNCIA: RISCOS FÍSICOS E A POTENCIALIDADE DE EVENTOS ADVERSOS Dissertação de Mestrado aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Bioengenharia, do Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, SP, pela seguinte banca examinadora: Profª Drª: Maria Belén Salazar Posso (UNIVAP)______________________________ Profª Drª: Fernanda Pupio Silva Lima (UNIVAP)______________________________ Profª Drª: Estela Regina Ferraz Bianchi (USP)_________________________________ Profº Drº Alderico Rodrigues de Paula Junior (UNIVAP)________________________ AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, agradeço a Deus, o criador de todas as coisas, onipotente, justo, bom, pela oportunidade da vida; Ao Magnífico Reitor da Universidade do Vale do Paraíba profº Drº Jair Cândido de Melo pela oportunidade; À Diretora do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Profª Drª Sandra Maria Fonseca da Costa, por sua direção competente; À Coordenadora do Programa de Mestrado em Bioengenharia e minha co-orientadora Profª Drª Fernanda Pupio Silva Lima; Especialmente agradeço a minha orientadora Profª Drª Maria Belén Salazar Posso, que com dedicação, paciência, com toda a sua sabedoria, me ajudou e transmitiu os seus conhecimentos sem medir esforços. Muito obrigada profa querida; Ao meu companheiro, Jonathas, obrigada pelo incentivo e pela confiança que teve em mim, amo você; Aos meus pais, Manoel e Lorena, obrigada por tudo, pelos ensinamentos, pelo amor, pela companhia, amo muito vocês; Aos meus queridos amigos, e colegas de turma sempre apoiando e incentivando, em especial a Adeslaine Negrini Reche, Nínive Bastos Oliveira e a Greicy Raquel Fiorentin, minha parceira, companhia de dois anos de viagem e estudo, obrigado por tudo Greicy querida. Também ao Adriano e a Laline Broetto, obrigada amiga pelas conversas, troca de conhecimento, companhia e ajuda principalmente na coleta de dados; A Diretora de Enfermagem, Maria Aparecida Andriollo Richetti e ao Assessor de Recursos Humanos, Ivã José de Pádua, do Hospital campo desta pesquisa, pelo incentivo para estudo; A profª Kumiko Koibuchi Sakane e Patrícia Marcondes dos Santos, pela companhia das quintas-feiras à tarde, sempre nos alegrando e incentivando; A todos os professores e funcionários do IP&D, especialmente a Ivone, sempre tão prestativa, que contribuíram para este trabalho. CASTRO, F. R. Sala de emergência: riscos físicos e a potencialidade de eventos adversos. São José dos Campos, 2014. 81p. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, Universidade do Vale do Paraíba. RESUMO O ambiente de um Pronto Socorro, especificamente a Sala de Emergência, caracteriza-se por ser um estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato. O ambiente físico, recursos humanos e materiais disponíveis na implantação e desenvolvimento de uma sala de emergência são de fundamental importância para um bom atendimento ao paciente. Os profissionais que ali desenvolvem suas atividades de trabalho necessitam de boas condições para desempenhá-las, principalmente por se tratar muitas vezes de procedimentos complexos, que podem ser pressuposto para melhora da saúde ou piora do estado grave do paciente. Os profissionais que atuam neste cenário estão sujeitos à exposição a agentes físicos, que podem ser responsáveis por acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. Os agentes físicos são: calor, frio, umidade, pressões anormais, radiações ionizantes e não ionizantes, ruído, vibrações, iluminação e a própria estrutura física. O objetivo desta pesquisa foi identificar na Sala de Emergência de um Hospital Escola do Estado do Paraná, a presença de agentes físicos e sua potencialidade de eventos adversos, a qual os profissionais estão expostos. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, transversal e com abordagem quantitativa por se prestar melhor à obtenção aos objetivos propostos e favorecer o aprofundamento dos conhecimentos sobre a temática. A relevância deste estudo está em aprofundar os conhecimentos a cerca deste risco ambiental, que ainda é pouco pesquisado. Os resultados mostraram que os profissionais de saúde que desenvolvem suas atividades laborais na Sala de Emergência estão expostos a uma série de agentes físicos que podem ser danosos para a saúde, como: temperatura elevada (26,1ºC), falta de ventilação (ausência de janelas), piso escorregadio, área insuficiente (46,24 m2), ruído acima de 66,4 dB, insuficiência de tomadas, objetos salientes nas paredes e objetos pendurados no teto com menos de 220 cm, iluminação inadequada variando de 75 a 226 LUX e presença de radiação ionizante sem proteção dos usuários. A exposição a esses agentes, sem o uso de EPI adequados, na ausência de EPC, e sem orientações, pode levar os trabalhadores a sofrer acidentes de trabalho, causando quedas, contusões, acidentes pérfuro-cortantes, choques elétricos, risco de incêndio, estão sujeitos a desenvolver doenças ocupacionais, como, perda auditiva induzida pelo ruído, doenças oculares pela má iluminação e até câncer pela exposição à radiação ionizante. Considera-se essencial a identificação dos riscos físicos presentes no ambiente de trabalho, e principalmente os riscos passíveis de correção. Pois, medidas de prevenção e minimização dos riscos, podem proteger os profissionais de saúde, que muitas vezes esquecem-se da sua própria saúde, para zelar pela saúde dos pacientes. Palavras chave: Risco físico. Riscos. Sala de Emergência. Riscos Ocupacionais. Saúde Ocupacional. CASTRO, F. R. Emergency room: physical hazards and potential adverse events. São José dos Campos, 2014. 81p. Dissertation (Master) – Research and Development Institute, University of Vale do Paraiba. ABSTRACT The emergency department environment, specifically the emergency room is characterized by being a health institution destined to provide assistance to patients with or without lifethreatening which need immediate care. The physical environment as well as the human and material resources available for the implementation and development of an emergency room have great importance in order to provide a good patient care. The emergency room professionals must have good working conditions to perform their duties. Especially because in the emergency room is often to deal with complex procedures which may be a prerequisite for the patient health improvement or worsening the critically ill patient. Professionals who work in an emergency room are likely to be exposed to physical agents that may be responsible for work accidents or occupational diseases. There are physical agents that are part of the emergency room environment such as: heat, cold, humidity, abnormal pressures, ionizing and non-ionizing radiation, noise, vibration, lighting and the own emergency room physical structure. The purpose of this research was to identify the presence of physical agents and their adverse events potential which employees are exposed to it in the emergency room of a teaching hospital in the state of Paraná, Brazil. This is a descriptive and exploratory paper. Based on a field research and in a cross-sectional study with quantitative approach due to better picking up the proposed objectives and promote the subject knowledge development. The relevance of this study is in going deeper on the knowledge about this environmental risk which is still poorly researched. The results of this research showed that the health professionals who develop their work activities in the emergency room are exposed to a number of physical agents which can be harmful to their health such as heat (26,1ºC), lack of ventilation (without windows), slippery floors, small work area (46,24 m2), noise above 66,4 dBA , insufficient switch plugs, protruding objects on the walls (> 220 cm) and objects hanging from the ceiling, poor lighting and ionizing radiation protection. The emergency room workers exposure to those physical agents without the use of appropriate PPE in the absence of CPE without the necessary guidance may lead workers to work accidents, causing falls, bruises, cutting injury, electric shock, fire hazard, are also likely to develop occupational diseases such as noise-induced hearing loss, eye disease by poor lighting and even cancer by exposure to ionizing radiation. It is essential to identify the physical hazards in the workplace. Especially the risks that can be corrected and avoided. Prevention and risks minimization can protect the health professionals who often forget their own health in order to ensure the health of patients. Key Words: Physical risk. Hazards. Emergency room. Occupational risk. Occupational Health. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Sala de Emergência pesquisada. .............................................................................. 30 Figura 2: Bancada de diluição de medicamentos e pia da Sala de Emergência. ..................... 30 Figura 3: Decibelímetro modelo Instrutherm. ......................................................................... 31 Figura 4: Decibelímetro na mesa de Mayo, para as medições da pressão sonora................... 32 Figura 5: Luxímetro modelo Lux Meter. ................................................................................ 32 Figura 6: Metro utilizado para as medidas lineares................................................................. 33 Figura 7: Termo-higrômetro.................................................................................................... 33 Figura 8: Planta Baixa da Sala de Emergência. ...................................................................... 37 Figura 9: Dimensões de unidade de atendimento imediato de alta complexidade.................. 40 Figura 10: Parede não íntegra da Sala de Emergência. ........................................................... 42 Figura 11: Piso com desnível e presença de parte não íntegra. ............................................... 44 Figura 12: Porta corrediça de metal. ....................................................................................... 46 Figura 13: Porta corrediça branca de madeira. ........................................................................ 46 Figura 14: Negatoscópio saliente na parede............................................................................ 47 Figura 15: Fluxômetros salientes na parede. ........................................................................... 47 Figura 16: Suporte de soro suspenso do teto. .......................................................................... 48 Figura 17: Suporte de soro e bancada de monitores fixados na parede. ................................. 48 Figura 18: Carrinho de Emergência. ....................................................................................... 48 Figura 19: Suporte de soro com base instável. ........................................................................ 48 Figura 20: Lixeira e torpedos de oxigênio. ............................................................................. 50 Figura 21: Extensores de tomada utilizados para ligar aparelhos eletromédicos. ................... 56 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Valores das medições de temperatura na Sala de Emergência. Paraná - 2013. ..... 51 Quadro 2: Apresentação dos resultados de iluminância, avaliado com luxímetro, na Sala de Emergência. Paraná - 2013. ...................................................................................................... 54 Quadro 3: Limites de Tolerância (LTs) para ruído contínuo ou intermitente......................... 58 Quadro 4: Níveis de ruído encontrados na Sala de Emergência. Paraná - 2013. .................... 59 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária ATLS – Advanced Trauma Life Support CC – Centro Cirúrgico CFM – Conselho Federal de Medicina CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CME – Centro de Material de Esterilização COFEN – Conselho Federal de Enfermagem CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa dB – Decibel EAS – Estabelecimento de Assistência à Saúde EPC – Equipamento de Proteção Coletiva EPI – Equipamento de Proteção Individual EUA – Estados Unidos da América HBV – Hepatite B HCV – Hepatite C Hz – Hertz LTs – Limites de Tolerância LUX – Unidade de Iluminância MS – Ministério da Saúde mSv – Milisievert MT – Ministério do Trabalho NBR – Norma Brasileira NR – Norma Regulamentadora NPS – Nível de Pressão Sonora OIT – Organização Internacional do Trabalho OMS – Organização Mundial da Saúde PA – Pronto Atendimento PAIR – Perda Auditiva Induzida pelo Ruído PCA – Programa de Conservação Auditiva PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PNAU – Política Nacional de Atenção as Urgências PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PR – Paraná PS – Pronto Socorro RDC – Resolução da Diretoria Colegiada RMS – Root Mean Square RX – Raio-X SE – Sala de Emergência SOBECC – Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico SOBET – Sociedade Brasileira dos Enfermeiros do Trauma SP – São Paulo SS – Secretaria de Saúde SUS – Sistema Único de Saúde UBS – Unidade Básica de Saúde UE – Unidades de Emergência UTI – Unidade de Terapia Intensiva UTI Neonatal – Unidade de Terapia Intensiva Neonatal UUE – Unidade de Urgência e Emergência V – Volts W – Watts SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12 2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 15 3 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 15 3.1 Considerações sobre a Emergência ................................................................................. 16 3.2 A Urgência e Emergência Hospitalar ............................................................................. 17 3.3 Riscos ................................................................................................................................. 20 3.3.1 Riscos Ambientais ........................................................................................................... 20 3.3.2 Riscos Físicos nas Unidades de Urgência e Emergência ................................................ 23 4 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 28 4.1. Tipo da Pesquisa .............................................................................................................. 29 4.2. Campo da Pesquisa.......................................................................................................... 29 4.3 Procedimento de Coleta de Dados................................................................................... 30 4.4 Aspectos Éticos e Legais da Pesquisa.............................................................................. 33 4.5 Análise dos Dados ............................................................................................................. 34 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 34 5.1 Identificação do EAS/Sala de Emergência ..................................................................... 36 5.2 Características Físicas da Sala de Emergência .............................................................. 39 5.3 Risco Elétrico .................................................................................................................... 55 5.4 Ruído .................................................................................................................................. 57 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 63 6.1 Perspectivas Futuras ........................................................................................................ 65 7 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 65 APÊNDICE A - INSTRUMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE RISCO FÍSICO NA SALA DE EMERGÊNCIA ................................................................. 75 12 1 INTRODUÇÃO Com o passar dos anos, a evolução do modelo organizacional trouxe para os Estabelecimentos de Assistência à Saúde (EAS) mudanças bruscas no processo de trabalho, este submisso aos avanços tecnológicos, cognitivos, do estabelecimento, de novas competências nas atuações profissionais influenciaram a organização de trabalho no setor de emergência e novas formas de ações surgiram. Essas, identificadas como: ritmo de trabalho e carga horária intensos, gestão de qualidade, competitividade, robotização de tarefas, ausência de assentos e setor de descanso, auditorias, exigências das comissões de qualidade, chefias rigorosas, estresse laboral, informações automatizadas desfavorecendo a execução de tarefas, frágeis relações de trabalho, saúde mental insatisfatória e fadiga, entre outras (MAURO et al., 2004; BEZERRA, 2006). Essas mudanças ocorridas no contexto organizacional têm manifestado reflexos sobre os trabalhadores, que devem suportá-las como carga adicional aos seus problemas diários, sem perder a qualidade no trabalho desempenhado, principalmente quando se trata de pessoas cuidando da saúde de outras pessoas (BEZERRA, 2006). Ainda, este autor destaca que o processo de trabalho resulta em várias consequências para a vida e saúde dos trabalhadores; a forma como o trabalhador vivencia ou realiza o seu trabalho potencializa a saúde ou a doença. O EAS, particularmente o Pronto Atendimento (PA), em decorrência de suas características físico-funcionais podem gerar impactos e repercussões leves, moderadas ou graves na saúde dos trabalhadores advindos da pluralidade de fontes geradoras de riscos de diferente tipologia. Pela gravidade dos pacientes atendidos no PA, geralmente em estado crítico urgente ou emergente, exige execução rápida e qualificada de procedimentos de alta complexidade. Então, o trabalho desempenhado nessa unidade envolve as assistências de: urgência caracterizada pela “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata” e de emergência identificada pela “constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato” (BRASIL, 2002a). Desse ponto de vista, o ambiente do PA apresenta uma série de situações, atividades e fatores potenciais de riscos físicos capazes de produzir alterações física, fisiológica e 13 psicológica, podendo levar a acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais nos indivíduos expostos a eles que, segundo Nishide; Benatti e Alexandre, (2004) esse ambiente de trabalho pode ser considerado insalubre. Outro aspecto importante a ser considerado é o pouco cuidado dos profissionais com sua saúde, ao contrário, são extremamente zelosos com a saúde das pessoas de qualquer faixa etária e gênero, no entanto, esquecem-se muitas vezes de se preocupar, se prevenir contra acidentes e doenças provenientes da natureza de sua profissão (OIT, 1989). De acordo com Benedett (2008), a ação mais natural é a prevenção dos acidentes e doenças provenientes do trabalho devendo o enfermeiro estar atento, pois a medida preventiva mais importante para quem trabalha no PA é o conhecimento dos riscos ambientais a que estão expostos. Segundo Cavalcante (2006), o conhecimento por parte dos profissionais de saúde dos riscos físicos é importante para que possa prevenir-se da exposição a esses riscos mantendo sua saúde ocupacional. Corroboram com essas afirmações Costa e Felli (2005) que salientam a importância da compreensão pela equipe multiprofissional que desempenha suas atividades no EAS do seu cotidiano, exigindo o conhecimento para a identificação das fontes potenciais geradoras de risco que podem dificultar a sua atuação. Nesse sentido Miranda; Stancato (2008) sugerem o gerenciamento e a implantação de estratégias preventivas para sua correção e minimização, pois, todas as profissões envolvem riscos inerentes à sua natureza e ao ambiente físico-funcional onde o profissional atua, podendo ser responsáveis por acidentes de trabalho ou doenças profissionais (LEITE, 2006). Acidentes de Trabalho segundo a Lei n° 6.367/76 em seu art.2º e a Lei 8213/91 em seu art.19, caracterizam “acidente de trabalho, aquele que pode ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução da capacidade de trabalho” (CAMPANHOLE; CAMPANHOLE, 2004). Hoje, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), generaliza como acidentes de trabalho os acidentes típicos, os de trajeto, as doenças profissionais e doenças do trabalho (BRASIL, 2005a). Com relação aos riscos ocupacionais, Nishide, Benatti e Alexandre, (2004) definem como a possibilidade de um trabalhador sofrer dano advindo do “seu trabalho, em função de sua natureza, concentração, intensidade ou tempo de exposição”. Por esse prisma os profissionais que desempenham suas atividades laborais em ambiente hospitalar estão, naturalmente, sujeitos a sofrer a ação de riscos físicos, químicos, biológicos, psicológicos entre outros, capazes de resultar em acidentes de trabalho e até, se 14 contínuos, em doenças profissionais (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA, 2007; BENEDETT, 2008; BAPTISTA; SILVA; BIANCHI, 2011). Os riscos físicos de acordo com as Normas Regulamentadoras NR-09 e NR-15 são aqueles em que os trabalhadores encontram-se expostos aos agentes físicos: ruídos, vibrações, pressões anormais, calor, frio, iluminação, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes (BRASIL, 1978). Os riscos físicos podem advir ainda, da eletricidade, de quedas de objetos e do próprio espaço físico, muitas vezes, restrito e inadequado, e causar problemas osteomusculares, queimaduras por choques elétricos, traumas, aqueles relacionados à exposição a radiações, entre outros, levando a danos à saúde física e mental. Estes riscos embora de gravidade orgânica variável podem causar acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais, interferindo no desempenho das atividades da equipe profissional (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA, 2007; BENEDETT, 2008). Assim, tendo em vista que as questões de trabalho e saúde não são desvinculadas, e ainda, que a temática de saúde do trabalhador e biossegurança têm ganhado grande destaque na atualidade, e também, pela necessidade de melhoria na qualidade de vida no trabalho dos profissionais da saúde de uma Sala de Emergência (SE) de um PA de um município do interior do estado do Paraná. Trabalhando nesse ambiente, muitas vezes, após 8 a 12 horas de trabalho, vivenciou-se sintomas como cefaleia, irritação, náuseas, fadiga excessiva, além de presenciar queixas relatadas por outros profissionais que ali desempenham suas atividades, resultando em questionamentos e preocupações constantes com as agressões geradas por esse tipo de contexto físico-funcional desse ambiente de trabalho. Como preservar a saúde do trabalhador desse setor? Como minimizar essas agressões? A experiência de cinco anos de trabalho em EAS evidenciou que a dinâmica de assistência torna difícil controlar a exposição às suas fontes potenciais de agressão, especificamente, aos riscos físicos. Então, este estudo tratará dos riscos físicos em SE, ainda pouco pesquisado, limitando-se à sua identificação que, potencialmente, possam atingir a equipe profissional que ali exerce suas atividades e ao mesmo tempo, verificar aqueles passíveis de correção para evitar os prováveis danos à saúde da mesma. Diante do exposto parece relevante e justificável conhecer as fontes potenciais de riscos físicos da SE, do EAS campo de estudo porquanto, trata-se de um hospital universitário em que um grande número de profissionais e estudantes da área da saúde exerce suas atividades, estando sujeitos às ações potenciais de agentes físicos presentes nesse setor. 15 2 OBJETIVOS Averiguar as dimensões físico-funcionais de uma Sala de Emergência do Pronto Socorro de um Hospital Universitário de grande porte do interior do estado do Paraná, considerando o disposto na RDC 50/ ANVISA/2002; Identificar na Sala de Emergência do Pronto Socorro de um Hospital Universitário de grande porte do interior do estado do Paraná, as possíveis fontes de riscos físicos com potencialidade para causar acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais. 16 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Considerações Gerais sobre Serviço de Emergência No Brasil, a iniciativa pela criação do Serviço Médico de Urgência ocorreu em meados de 1890, por iniciativa dos poderes públicos e também por instituições privadas, devido ao aumento de incidências com acidentes de trânsito ocorridos no Rio de Janeiro. Contudo, apenas em 1904, iniciou-se a aprovação de leis que garantiam a disponibilização de verbas para os postos de socorro e assistência médica. Portanto, os atendimentos de emergência no Brasil, estão inseridos no contexto histórico da criação do Socorro Médico de Urgência (LOPES, 2009). Segundo Wehbe, (2001) e Lopes, (2009) três anos após a aprovação de verbas para urgências e emergências, em 1907, foi instituído um posto médico localizado na Praça da República no Rio de Janeiro, um prédio com três andares equipados com o que havia de mais moderno naquela época, que se tornou padrão de excelência, sendo indicado na exposição internacional de Higiene em 1909 e na Exposição Internacional de Higiene Social em Roma, em 1912. As primeiras unidades de pronto socorro e assistência médica, neste país, foram dirigidas por comissários e subcomissários de Higiene e Assistência Pública. (LOPES, 2009). Nos Estados Unidos da América (EUA), as unidades de emergência existem há aproximadamente cerca de quarenta anos. A partir da década de 70, as instituições sentiram necessidade de desenvolver a qualidade do atendimento de emergência e começaram a disponibilizar cursos preparatórios aos profissionais que atuavam neste setor, como médicos e enfermeiros. O atendimento ao traumatizado era superficial, não havia um programa padronizado para treinamento de pessoal. (WEHBE, 2001). Nos EUA o aperfeiçoamento para os médicos que atendiam em emergências iniciou-se com o curso do Advanced Trauma Life Support (ATLS) onde o principal objetivo era para que o atendimento inicial fosse dado de forma adequada e no menor tempo possível, isso poderia melhorar significativamente o resultado do atendimento ao traumatizado grave. (AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS, 1993). No Brasil, a partir da década de 80, foi dada maior ênfase no aperfeiçoamento dos profissionais que atuam no atendimento de emergência. Foi criada em 1985 a Sociedade 17 Brasileira dos Enfermeiros do Trauma (SOBET) que consiste na primeira associação de enfermagem especializada em trauma. (WEHBE, 2001). Três etapas caracterizam o atendimento ao paciente de trauma: a primeira na cena do acidente, a segunda no transporte do paciente e a terceira na unidade de atendimento à urgência e emergência. (LOPES, 2009; WEHBE, 2001). 3.2 A Urgência e Emergência Hospitalar O Ministério da Saúde (WEHBE, 2001) define o atendimento em urgência e emergência a ser ministrado em diferentes unidades denominadas de pronto socorro, pronto atendimento e emergência. A portaria 312/2002 do Ministério da Saúde, em seu item 2.2.2 estabelece leito hospitalar de observação “o leito destinado a paciente sob supervisão médica e/ou de enfermagem para fins diagnósticos ou terapêuticos por período inferior a 24 horas” (BRASIL, 2002d). Portanto, as Unidades de Emergência são projetadas para prestar o atendimento imediato na urgência ou emergência e podem manter o paciente em observação por até 24 horas, depois disso o paciente deve ser remanejado para outro setor, em casos de falta de vaga no próprio hospital, deve-se transferir para outro estabelecimento de saúde ou alta hospitalar, quando houver possibilidades. O Ministério da Saúde, na Política Nacional de Atenção as Urgências, através da portaria GM de 1.863 de 2003, descreve os princípios das unidades de Emergência: “garantir a universalidade, eqüidade e integralidade no atendimento às urgências clínicas, cirúrgicas, ginecoobstétricas, psiquiátricas, pediátricas e as relacionadas às causas externas, traumatismos não-intencionais, violências e suicídios”. De acordo com Brasil (2001a), as ações do Ministério da Saúde, com relação às urgências e emergências buscam prevenir agravos e prevenir melhorias nas condições de saúde da população. Os impactos esperados são a redução da morbimortalidade e promoção de melhor qualidade de vida. As SE são locais apropriados para o atendimento de pacientes com afecções agudas específicas onde existe um trabalho de equipe especializado e podendo ser divididos em pronto atendimento, pronto socorro e emergência (COREN, 2011). 18 As definições do Ministério da Saúde de pronto atendimento, pronto socorro e emergência, estão descritas em Brasil, (1986): Pronto atendimento é “unidade destinada a prestar, dentro do horário de funcionamento do estabelecimento de saúde, assistência a doentes com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato”. Pronto socorro é o “estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato. Funciona durante às 24 horas do dia e dispõe apenas de leitos de observação”. Emergência é a “unidade destinada à assistência de doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato”. O campo deste estudo trata de uma Sala de Emergência, situada no Pronto Socorro de um Hospital Escola de uma cidade do interior paranaense. A assistência em situações de emergência e urgência define-se pela necessidade de um paciente ser atendido em um curtíssimo espaço de tempo. A emergência é caracterizada com sendo a situação onde não pode haver uma protelação no atendimento, o mesmo deve ser imediato. Nas urgências o atendimento deve ser prestado em um período de tempo que, em geral, é considerado como não superior a duas horas. As situações não urgentes podem ser direcionadas para o pronto-atendimento ou para o atendimento ambulatorial convencional, pois não tem a mesma urgência que as já descritas anteriormente. (LOPES, 2009). Os estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS), em especial o Pronto Socorro, normalmente respondem por situações que vão desde aquelas de sua estrita responsabilidade, bem como um volume considerável de ocorrências não urgentes que poderiam ser atendidas em estabelecimentos de menor complexidade. Essas situações ocorrem na maioria das unidades públicas de urgência do Brasil e têm interferido consideravelmente no processo de trabalho e na qualidade do cuidado prestado à população. (GARLET, 2009b). Garlet, (2009b) ressalva que a Unidade de Emergência deveria ser transitória, onde o paciente permanece por um curto período de tempo, e não como uma unidade de internação. Isso de certa forma descaracteriza a finalidade do trabalho na emergência e infere na qualidade do atendimento impedindo muitas vezes que seja realizado com segurança e não dispondo das condições necessárias para as práticas do cuidado. Nos casos mais graves, poli traumatizados, muitas vezes os pacientes necessitam de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI); monitorização hemodinâmica, respirador artificial e cuidados intensivos. No entanto, a deficiência de vagas de internação em UTI, muitas vezes acaba acarretando uma superlotação na SE que, por sua vez, abriga 19 improvisadamente os pacientes que deveriam estar em uma UTI (CONSELHO FEDDERAL DE MEDICINA, 1995). Essa superlotação causa consequentemente aos trabalhadores, que ali desenvolvem suas atividades laborais, sobrecarga de trabalho, estresse, fadiga e até risco de acidentes de trabalho, pelo espaço e condições físicas inadequadas. De acordo com a Resolução 1451/1995 do Conselho Federal de Medicina (CFM), os estabelecimentos de Pronto Socorro, privados e públicos, devem ser estruturados para prestar atendimento nas situações de urgência ou emergência, devendo garantir todas as manobras necessárias para a sustentação da vida e com possibilidade de dar assistência no local ou em outro nível de assistência especializada (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 1995). As SE e os serviços de pronto atendimento correspondem ao perfil de atendimento às demandas de forma mais ágil e concentrada. Normalmente impessoais e atuando sobre a queixa principal, esses locais reúnem um somatório de recursos como consultas, remédios, procedimentos de enfermagem, exames laboratoriais, exames de imagem e internações que os torna resolutivos, sob a visão do usuário (GARLET, 2009a). Por serem resolutivos, naturalmente, acolhem uma demanda maior que a adequada, os profissionais ali lotados convivem diariamente com superlotação, falta de materiais e estrutura inadequada. O ambiente físico, recursos humanos e materiais disponíveis na implantação e desenvolvimento de SE são de fundamental importância para um bom atendimento ao paciente. Os profissionais que ali desenvolvem suas atividades de trabalho necessitam de boas condições para desempenha-las, principalmente por se tratar muitas vezes de procedimentos complexos, que podem ser pressuposto para melhora da saúde ou piora do estado grave do paciente (SABA; CARDOSO; NAVARRO, 2012). As principais características dos profissionais de urgência e emergência são ações rápidas e precisas, isso exige do profissional um alto grau de domínio cognitivo, afetivo e psico-motor nas atividades a serem desempenhadas (ZAPPAROLI; MARZIALE, 2006). De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN/SP), no seu Parecer nº 30/2011 (COREN/2011), os profissionais que atuam em unidades de emergência devem ser capazes de distinguir as prioridades, avaliando o paciente como um ser indivisível, integrado e inter-relacionado em todas as suas funções. Além de que, o pronto socorro possui uma característica marcante que é a dinâmica intensa no atendimento, sendo assim, a objetividade e a agilidade são requisitos indispensáveis para os profissionais aí lotados, pois os pacientes em estado de saúde grave não suportam demora na tomada de decisão ou imprecisão nos procedimentos realizados. 20 A demanda por atendimento em unidades de emergência, além de excessiva, não sessa no que se considera uma necessidade de saúde. Muitas vezes os pacientes buscam no atendimento de saúde a resolução para os mais diversos problemas sociais que enfrentam no seu dia a dia. Os profissionais que atuam em unidades de emergência enfrentam conflitos, diariamente, por atuarem em ambiente superlotado, com recursos humanos, tecnológicos e de estrutura física nem sempre adequados, não oferecendo condições para acomodar os usuários com segurança e qualidade (GARLET, 2009b). Contudo, é essencial a implantação de rotinas de funcionamento e atendimento descritas e atualizadas, as quais devem conter todos os processos envolvidos na assistência que contemplem desde os aspectos organizacionais até os operacionais e técnicos. Portanto, a estrutura física de uma sala de Emergência é de fundamental importância para a qualidade no atendimento prestado aos pacientes, como também para a prevenção de doenças profissionais e acidentes de trabalho, que a equipe de trabalho possa estar susceptível. 3.3 Riscos 3.3.1 Riscos Ambientais O risco ambiental pode advir de agentes de risco de natureza física, química, biológica, psicológica, ergonômica capaz de danificar o meio ambiente, assim como a saúde do homem ou sua qualidade de trabalho executado no ambiente (FUNASA, 2007). Reforça essa assertiva Benatti; Nishide (2004) ao definir riscos ambientais como aqueles sobrevindos de agentes físicos, químicos e biológicos presentes no ambiente de trabalho, que, dependendo da sua natureza, concentração e tempo de exposição, são passíveis de causar danos à saúde dos trabalhadores e os riscos ocupacionais são quaisquer situações de trabalho que podem romper o equilíbrio físico, psicológico e social das pessoas, e não apenas as situações que originem acidentes e doenças. Ainda conforme Posso (1988), Costa (2000), Posso; Sant’Anna (2007) e Benedett (2008), além desses podem ser acrescidos os riscos psicológicos, sociais, legais e ergonômicos. 21 Esses riscos, por sua vez, são classificados de acordo com seu agente etiológicos em três categorias, conforme descrição da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 1989), Brasil (1994) e Posso; Sant’Anna (2007): risco primário: quando a própria fonte representa o risco; risco secundário quando a fonte está associada a uma condição insegura e risco terciário: quando a fonte além de estar atrelada uma condição insegura ainda está aliada a um ato inseguro. Portanto, considerando tal classificação, pode-se dizer que ato inseguro significa uma ação consciente do usuário agindo contra as normas de segurança. E condição insegura, são as inadequações no ambiente de trabalho, as quais são responsabilidades do empregador. Alguns exemplos podem ser citados de atos inseguros, tais como: falta de sistema de aterramento, dimensionamento de área física inadequada, não observar o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) quando exigidos; conectar aparelhos à rede elétrica com as mãos molhadas, entre outros (POSSO; SANT’ANNA, 2007). Todas as profissões envolvem riscos ambientais nos seus processos de trabalho, inerentes a natureza de suas próprias características e ao ambiente onde o profissional atua, esses riscos podem ser responsáveis por acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais (POSSO, 1988). Da mesma forma, o trabalho no ambiente hospitalar pode apresentar situações de risco de gravidade variável à saúde dos usuários e profissionais que ali desempenham suas atividades (ELIAS; NAVARRO, 2006). Ainda, tais autores (ELIAS; NAVARRO, 2006) afirmam que o ambiente de trabalho hospitalar é palco de múltiplas atividades que podem resultar em situações conflitantes, estressantes culminando alterações físicas, fisiológicas, emocionais, imunológicas e até mesmo, psicossomáticas nos membros dessa equipe, por outro lado, favorecendo a ocorrência de acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais. Nesse sentido a Lei n° 6.367/76 de Acidentes de Trabalho em seu art.2º e a Lei 8213/91 em seu art.19 definem como “acidente de trabalho, aquele que pode ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução da capacidade de trabalho” (CAMPANHOLE; CAMPANHOLE, 2004). No entanto, atualmente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) considera como “[...acidentes de trabalho, os acidentes típicos, acidentes de trajeto, doenças profissionais e doenças do trabalho”...] (BRASIL, 2005a). Vale destacar o que preconiza a CLT (BRASIL, 2005a) que "as doenças profissionais são aquelas inerentes ou peculiares a determinado ramo de atividades constantes da relação organizada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social" e "as doenças do trabalho 22 são aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente", portanto, não há como confundi-las, como bem, argumenta Leite (2006) compreendendo a doença profissional como um processo patológico advindo do exercício das atividades profissionais, ressaltando, ainda, que a doença do trabalho está atrelada à multiplicidade de atividades ou situações diárias e contínuas nas quais há potencialidade de riscos. Brasil (2005b), Posso; Sant’Anna (2007), Castro (2008), Iwamoto (2008), Benedett (2008), Marinelli (2013) afirmam que são considerados agentes físicos: os ruídos, as vibrações, calor, frio, pressões anormais, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, iluminação, umidade e a própria estrutura física. Com relação aos riscos químicos, são descritos como poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores e substâncias ou compostos químicos que se encontram em ambientes hospitalares e se forem inalados, ingeridos ou entrem em contato com mucosas ou pele podem desencadear danos para a saúde dos trabalhadores (POSSO, 1988; CASTRO, 2008; IWAMOTO, 2008). Os riscos biológicos, segundo Marzialle (2002) e Cavalcante (2006), são evidenciados pelo contato do trabalhador com microorganismos que podem ser fungos, bactérias, parasitas, bacilos, protozoários e vírus. Os riscos biológicos tem especial importância para os trabalhadores de enfermagem em razão do contato com sangue e outros fluidos corporais potencialmente infectantes que podem incorrer em doenças graves como a Hepatite B (HBV), Hepatite C (HCV) e a Síndrome da Imunodeficiencia Adquirida (AIDS). De acordo com Secco; Robazzi (2007), o risco de infecção pós-exposição ocupacional a material biológico, para exposição percutânea, é de 0,3% para HIV, de 6 a 30% para HBV e de 1,8% para HCV. Por tais motivos, é essencial que seja feito um controle dos riscos biológicos e químicos nos ambientes hospitalares. Pois os profissionais da área da saúde estão diretamente expostos a esse tipo de risco ambiental. Atualmente pode-se encontrar na literatura vários estudos sobre risco biológico e risco químico e poucos estudos sobre risco ocupacional físico. Igualmente observa-se que os riscos físicos são agentes de tal importância quanto os biológicos e químicos, pois estão presentes em todos os ambientes laborais e podem ocasionar inúmeros agravos a saúde do trabalhador. Agravos esses que podem ser graves e até ocasionar morte ou perda de função. 23 3.3.2 Riscos Físicos nas Unidades de Urgência e Emergência As Unidades de Urgência e Emergência (UUE), por receber todos os tipos de pacientes e ser um setor fechado, cujo trabalho desgastante, ininterrupto e que qualquer erro por parte dos trabalhadores pode por em risco a vida dos pacientes, apresentam todos os tipos de riscos ambientais, químicos, físicos, biológicos, ergonômicos, psicológicos e sociais. Neste estudo, é focalizado o risco físico presente na SE. Na SE, são utilizados vários equipamentos eletromédicos, rotineiramente, como: Ar condicionado, bomba infusora, respirador artificial, monitor cardíaco, oxímetro de pulso, desfibrilador, serra elétrica, cauterizador, entre outros que durante, seu funcionamento, emitem ruídos e vibrações cujo Nível de Pressão Sonora (NPS), se estiver acima do recomendado, pode provocar alterações orgânicas no homem (POSSO, 1982; BRASIL,1987; GARCIA, 2002; PEREIRA, et al., 2003; POSSO; SANT’ANNA, 2007). Alguns possuem alarmes sonoros, que contribuem para a segurança do paciente, porém, por outro lado, aumentam o NPS, cujos efeitos podem causar danos físicos, fisiológicos e psicológicos nos pacientes e no pessoal que com eles trabalha (POSSO, 1982; BRASIL, 1987; GARCIA, 2002; PEREIRA et al., 2003; POSSO; SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013). O ruído é designado com uma sequência de sons desagradáveis que podem variar de acordo com as vibrações acústicas do ambiente. Podendo até causar danos prejudiciais à saúde das pessoas que estão expostas a ele (TORREIRA, 1997; GARCIA, 2002; SOUZA, 2012). Conceitua-se também como uma manifestação acústica advinda de movimentos de vibração com diferentes frequências que não apresentam relações entre si, porém, suas características podem interferir negativamente na fisiologia humana (GARCIA, 2002; SOUZA, 2012). A propagação das ondas sonoras ocorre devido a um movimento vibratório e ondulatório de certa frequência que ocorre em um meio elástico, como o ar, de forma sucessiva e uniforme de compressão e rarefação desse meio, atingindo a orelha, ocasionando a sensação sonora (PEREIRA et al., 2003; GUYTON; HALL, 2011, MARINELLI, 2013). A exposição ocupacional ao ruído está relacionada diretamente com manifestações orgânicas, como, aumento na frequência cardíaca e respiratória, aumento do tônus muscular, alteração gástrica intestinal, aumento de hormônios tireoidianos, estresse. Essa exposição prolongada acarreta também em desmotivação e indisposição das pessoas. A irritação, ansiedade, estresse, a diminuição da capacidade de concentração são implicações sobre a 24 saúde mental dos indivíduos. Além de todos esses malefícios, encontra-se a perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), que ocorre devido à exposição a níveis acima dos tolerados pelo ouvido humano (TAUBE, 2009). Com relação à temperatura do ambiente de trabalho, sabe-se que, a mesma acrescida do gasto energético para desenvolver determinadas atividades, é fator determinante de bem estar ou mal estar nos indivíduos. Podendo em alguns casos desencadear doenças relacionadas ao ambiente de trabalho, além de interferir consideravelmente no desempenho das atividades. (MARINELLI, 2013). Conforme Couto (1980), ACGIH (1999), Posso; Sant’Anna (2007) e Potter; Perry, (2009), um ambiente quente poderá causar alterações fisiológicas em quem ali está desenvolvendo suas atividades laborais, tais como: sudorese, mal estar geral, câimbras, desidratação, fraqueza, sonolência, entre outros. Da mesma maneira como um ambiente quente pode causar alterações fisiológicas, um ambiente frio também provoca alterações, como estresse, inquietação, mal estar, espirros, tosse, coriza, sintomas estes que podem prejudicar o desempenho das atividades e inclusive propiciar acidentes de trabalho (POSSO, 1988; MARINELLI, 2013). Sentir-se termicamente confortável pode ser definido como a condição da mente que expressa satisfação com a temperatura do ambiente (ISO 7730, 1994; VERGARA, 2001) ou quando o ser humano sente neutralidade térmica em determinado ambiente. “Neutralidade térmica é a condição na qual uma pessoa não prefira nem mais calor nem mais frio em relação ao ambiente térmico em que se encontra” (FANGER, 1970). Considerando que os ambientes de trabalho devem proporcionar sensação de conforto aos trabalhadores, a temperatura deve manter-se entre 19ºC e 24ºC, sem deslocamento de ar e permanecendo estável (BRASIL, 1978; 2002b; 2005b; CAMPANHOLE; CAMPANHOLE, 2004; POSSO; SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013). Além da temperatura, a umidade pode estar relacionada com as trocas térmicas entre o organismo do homem e o meio ambiente, pelo mecanismo da evaporação (POSSO; SANT’ANNA, 2007; MARINELLI, 2013). Portanto, um ambiente muito seco pode ocasionar alterações fisiológicas decorrentes do ressecamento de mucosa, como: alterações respiratórias, sangramento nasal, irritação dos olhos, eletricidade estática nas pessoas e nos equipamentos eletrônicos. O ressecamento do ar pode aumentar também o risco de incêndios (COSTA, 2003; GIODA; AQUINO NETO, 2003; MARINELLI, 2013). No que se refere à radiação ionizante, Okumo (1998) e Flor; Kirchhof (2005) definem que a radiologia diagnóstica compreende a hemodinâmica, a tomografia computadorizada, o 25 setor de raios-X (RX) e a medicina nuclear. Nesses setores, os profissionais de saúde, especialmente os profissionais de enfermagem, podem estar sujeitos à exposição de radiações ionizantes no desenvolvimento das atividades de trabalho e assistência aos pacientes submetidos a procedimentos envolvendo esse tipo de radiação. Em EAS, alguns equipamentos são emissores de radiação ionizante, como os raios-X, tomografia, hemodinâmica e arco em C. Na SE pesquisada utiliza-se o aparelho de raios-X, diariamente, para fins diagnósticos. De acordo com Nouailhetas (2006) as radiações ionizantes existem no planeta Terra desde a sua origem, sendo, portanto um fenômeno natural. Antigamente, as taxas de exposição a estas radiações eram certamente incompatíveis com a vida. Porém, com o passar dos anos, os átomos radioativos, foram evoluindo para configurações cada vez mais estáveis, através da liberação do excesso de energia armazenada nos seus núcleos. Pelas suas características esta energia é capaz de interagir com a matéria, arrancando elétrons de seus átomos e modificando as moléculas (NOUAILHETAS, 2006). As mutações no genoma de células são consideradas primordiais para a indução de um câncer por ação das radiações. No entanto, exposição a radiações não evoluem obrigatoriamente para a degeneração celular, como o câncer (NOUAILHETAS, 2006; THULER, 2003). O que se pode observar é que a probabilidade de aparecimento de um câncer a partir de células irradiadas é superior à probabilidade de ocorrência deste processo a partir de células não irradiadas (NOUAILHETAS, 2006). Thuler (2003), também relaciona o câncer de mama à exposição à radiação ionizante, além de recomendar aos indivíduos a terem bons hábitos de vida como, não fumar, manter alimentação equilibrada, ingerir bebidas alcoólicas com moderação, e principalmente cuidados com a exposição a pesticidas e radiação ionizante. Para evitar danos à saúde dos trabalhadores expostos às radiações ionizantes algumas medidas devem ser tomadas, o uso de EPI e monitoramento da radiação mediante o uso do dosímetro. As medidas individuais de proteção, como o uso dos EPI, mostra-se efetiva para a proteção à radiação ionizante, no entanto, devido ao peso dos aventais de chumbo, outros danos podem ocorrer, como algias torácicas e lombares e o biombo pode ser causa de contusões e traumatismos nos funcionários (POSSO, 1988). Conforme a Portaria 453/98 do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998), “todo indivíduo que trabalha com raios X diagnósticos deve usar, durante sua jornada de trabalho e enquanto permanecer em áreas controladas, dosímetro individual de leitura indireta, trocado mensalmente”. A mesma portaria orienta o uso dos EPIs, como avental de chumbo e protetor 26 de tireóide de chumbo. Recomenda, ainda, que a dose efetiva média anual não deve exceder a 20 mSv (milisievert) em qualquer período de 5 anos consecutivos, não podendo exceder 50 mSv em nenhum ano (BRASIL,1998). Com relação à iluminação, Martins (2004) ressalva que o Brasil, por ser um país tropical, proporciona condições para um bom aproveitamento da luz natural no interior das edificações. Além de que, segundo Corbella (2003), esta iluminação traz benefícios para a saúde dos indivíduos, pois dá a sensação cronológica do tempo e clima, no qual se vive. No entanto, a SE, por se tratar de um setor fechado no EAS, requer também iluminação artificial, pois, a complexidade dos procedimentos ali realizados sugere uma iluminação apropriada. A iluminação insuficiente ou inadequada em um ambiente de trabalho pode gerar consequências no organismo humano, como: alteração na visão, cefaleia, estresse, dificuldade de visualizar detalhes e aumento de probabilidade de erros no desempenho das atividades (MARTINS, 2004; QUEIROZ, 2010; FIGUEIRO, 2010; MARINELLI, 2013). Ainda, segundo Posso; Sant’anna (2007), a luminosidade tem um componente de radiações ultravioleta em seu espectro, que dependendo do espectro eletro-magnético da radiação, podem ocasionar no homem, efeitos na pele e fadiga ocular. Devido à necessidade de intensidade luminosa suficiente para o desempenho das atividades em EAS, a ABNT (1992a) pela NBR 5413/1992, estabelece os níveis de iluminância necessários para tais estabelecimentos e no caso da SE devem apresentar níveis mínimos de 300 LUX, médios de 500 LUX e máximos de 750 LUX. Com relação aos equipamentos eletromédicos utilizados em SE, a manipulação dos mesmos de forma inadequada, a má conservação, falta de manutenção preventiva e as condições da instalação elétrica podem ser determinantes para a ocorrência de acidentes de trabalho, como choque elétrico, queimaduras e até incêndios, cujas consequências podem ser classificadas como leves, moderadas, graves, levando até à morte. (MARINELLI, 2013 e ABNT, 1990). O número de tomadas deve observar uma proporcionalidade ao número de equipamentos eletromédicos a serem utilizados cotidianamente numa SE, pois, há uma grande necessidade de utilização de vários equipamentos eletromédicos e a inadequação leva ao uso de extensões, geralmente de material comburente e cabos sub-dimensionados para o número de equipamentos a elas ligado, causando sobrecargas o que favorece a ocorrência de curtocircuito e até incêndios (POSSO, 1988; POSSO; SANT’ANNA, 2007). As características da estrutura física da SE como a área e o volume, tipo de portas e janelas, tipo de piso e paredes, são bem definidas pelas normas e padrões do ministério do 27 trabalho, podendo, se inadequadas, resultar em traumas advindos de choque com equipamentos, de queda de materiais, devido à falta de espaço e dificuldade circulação no momento das emergências (BRASIL, 2002a; BENEDETT; FERAZ; POSSO, 2009; POSSO, 1988; MARINELLI, 2013). O piso usado na SE segundo as normas do Ministério da Saúde (BRASIL, 2002a) “devem ser perfeitamente lisos, sem frestas ou saliências que possam abrigar partículas de sujeira”, tornando-se, portanto, escorregadios, como também é o caso do granilite; o que os torna adaptados à limpeza, evitando a aderência de secreções, sangue e substâncias químicas que podem acumular-se sobre os mesmos, porém, deixa os profissionais susceptíveis a deslizamentos e quedas, fato preocupante, pois na sala de emergência os atendimentos prestados são realizados sempre com muita agilidade, exigindo dos profissionais movimentos rápidos e, muitas vezes, portando objetos cortantes e perfurantes aumentando o risco de acidentes. Igualmente as paredes devem ser lisas e de cor neutra, pois, são melhores refletoras das ondas luminosas e torna o ambiente mais agradável, como tons claros de amarelo, verde ou azul, que sugerem tranquilidade, serenidade, relaxamento, quietude, enquanto que a branca alude paz, embora possa ser ofuscante (POSSO, 1988; GUIMARÃES, 2000; LACY, 2000; BOCCANERA, 2007; MARINELLI, 2013). Além da estrutura física, deve-se dispender uma atenção especial aos objetos suspensos no teto à altura inferior a 220 cm e paredes, bem como objetos móveis presentes no ambiente de trabalho, pois ambos podem representar risco de acidente de trabalho, por queda, ocasionar traumas de crânio, tronco e membros (POSSO, 1988; BENEDETT, 2008; BENEDETT; FERAZ; POSSO, 2009; MARINELLI, 2013). O exercício laboral, se realizado em exposição a esses agentes físicos e de forma inadequada, sem a utilização de EPI e EPC podem levar os trabalhadores a danos à saúde, de ordem física, mental e até social. No entanto, os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais envolvendo os riscos ambientais, podem ser evitados caso a empresa desenvolva um programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA). O PPRA, cuja obrigatoriedade foi estabelecida pela NR-9 da Portaria 3214/78 (BRASIL, 1978) apesar de seu caráter multidisciplinar, é considerado essencialmente um programa de saúde ocupacional que deve ser implementado nas empresas de forma articulada com um Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Todas as empresas, independente do número de empregados ou do grau de risco de suas atividades, estão obrigadas a elaborar e implementar o PPRA, que tem como objetivo a 28 prevenção e o controle da exposição ocupacional aos riscos ambientais, isto é, a prevenção e o controle dos riscos químicos, físicos e biológicos presentes nos locais de trabalho. Para tanto, a NR-9 (BRASIL, 1978) detalha as etapas a serem cumpridas no desenvolvimento do programa, os itens que compõem a etapa do reconhecimento dos riscos, os limites de tolerância adotados na etapa de avaliação e os conceitos que envolvem as medidas de controle. A norma estabelece, ainda, a obrigatoriedade da existência de um cronograma que indique claramente os prazos para o desenvolvimento das diversas etapas e para o cumprimento das metas estabelecidas. Um aspecto importante deste programa é que ele pode ser elaborado dentro dos conceitos mais modernos de gerenciamento e gestão, onde o empregador tem autonomia suficiente para, com responsabilidade, adotar um conjunto de medidas e ações que considere necessárias para garantir a saúde e a integridade física dos seus trabalhadores. 29 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1. Tipo da Pesquisa Este estudo é do tipo descritivo, exploratório, de campo, transversal e com abordagem quantitativa por prestar-se melhor à obtenção aos objetivos propostos e favorecer o aprofundamento dos conhecimentos sobre a temática, além de contribuir para a identificação de fatores determinantes dos fenômenos ou eventos, sua frequência e distribuição em um período e local específicos (RUIZ, 2006). Nesta pesquisa houve observação, análise, registro, classificação e interpretação de dados de fenômenos do campo físico (ANDRADE, 2010). 4.2. Campo da Pesquisa Este estudo foi realizado na SE/PA de um EAS, de grande porte com 195 leitos, do estado do Paraná, com objetivo consolidado pelo ensino, pesquisa e extensão de seus serviços à comunidade, integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual são dispensados cuidados de baixa, média e alta complexidade a todos os tipos de pacientes. A escolha deste estabelecimento deveu-se ao fato ser considerada referência para a assistência emergencial nesse Município e pela facilidade de acesso ao EAS local onde a autora desenvolve suas atividades profissionais. A SE é a principal porta de entrada de pacientes do hospital, atende a todos os tipos de urgência/emergência, inclusive poli traumatizados adultos ou crianças, do próprio município e da região do Oeste do estado do Paraná. A infraestrutura aparentemente inadequada e insuficiente foi o grande incentivo para a realização desta pesquisa. 30 Figura 1: Sala de Emergência – Campo da pesquisa. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 2: Bancada de diluição de medicamentos e pia da Sala de Emergência. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. 4.3 Procedimento de Coleta de Dados Encaminhou-se solicitação de autorização para a coleta de dados e cópia do projeto da pesquisa à direção pedagógica do EAS campo da pesquisa e após aprovação pelo responsável, procedeu-se à aplicação do instrumento de estudo especificamente desenhado para tal fim, fundamentado na literatura e tendo como referencial teórico Posso, (1988) e Benedett, (2008) e em observações advindas da atividade profissional da pesquisadora favorecendo a coleta de dados relevantes para este estudo. A coleta de dados lineares foi realizada nos meses de outubro e novembro de 2012, pela própria pesquisadora, no período vespertino, após o horário de visitas, conforme determinado pela gerência do EAS para esse tipo de mensuração, as demais foram colhidas nos três períodos (M, T, N). E ainda, considerando-se que nesse horário o movimento das atividades costuma estar diminuído, de modo que a pesquisa não interferisse com o processo de trabalho e a rotina da unidade lembrando, porém, que o atendimento em uma SE é imprevisível, urgências e emergências podem ocorrer a qualquer instante e quando ocorridas foram anotadas as intercorrências nos parâmetros que interferiam. O estudo foi desenvolvido considerando em um primeiro momento, a observação da dinâmica do local no horário estabelecido com a finalidade de identificar a presença de fontes potenciais de riscos físicos a que está exposta a equipe de saúde da SE/PA do EAS e o segundo momento o levantamento das características físico-estruturais da área em estudo 31 mediante utilização da planta física baixa e do instrumento de identificação de riscos físicos (Apêndice A). Para o processo de coleta de dados foram utilizados os seguintes materiais: decibelímetro da marca Instrutherm, modelo digital (Figura 3), luxímetro marca Lux meter – modelo digital MLM 1011 (Figura 5), para verificar a pressão sonora e iluminância do ambiente, respectivamente; o metro (Figura 6) foi utilizado para fazer medidas lineares necessárias tanto da planta baixa, como de mobiliários e equipamentos e as distâncias entre eles; a câmera digital (Sony de 10.1 pixels) auxiliou para registrar iconograficamente as informações da área física, disposição das macas (Figura 1), equipamentos, materiais e mobiliários dispostos na sala de emergência; o termômetro/higrômetro digital marca Incoterm (Figura 7) utilizado para avaliar a temperatura e umidade do ambiente e o próprio instrumento de identificação dos riscos físicos (Apêndice A). A mensuração do nível de pressão sonora foi realizada mediante o decibelímetro (marca Instrutherm) padrão elétrico IEC 616772, tipo 2; ANSI S1.4 de duas escalas de mensuração (A e B) com quatro faixas de 30-80 dB, 50-100 dB, 60-110 dB e 80-130dB, com escala de frequência de 31,5 Hz a 8000 Hz, e o valor medido é em RMS (Root Mean Square), isto é o valor médio quadrático com precisão de aproximadamente 1,5 dB. Equipamento de manuseio simples possui um mostrador de seleção com modo de bateria teste e apresentação fácil dos resultados. Possui bateria com duração de 8h, seu microfone é fixo e protegido por cobertura de espuma (Figura 3). Figura 3: Decibelímetro modelo Instrutherm. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. As medidas foram realizadas em um ponto central da SE e o decibelímetro colocado sobre uma mesa de Mayo perpendicular aos equipamentos; local este onde os funcionários permanecem durante o turno de trabalho, ausentando-se apenas em poucos momentos (Figura 32 4). Foram realizadas seis medidas de pressão sonora, em dias diferentes, duas avaliações por turno de trabalho: manhã, tarde e noite. Figura 4: Decibelímetro na mesa de Mayo, para as medições da pressão sonora. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. A mensuração da iluminância foi realizada através de um luxímetro – Medidor de Intensidade de Lux Digital: LUX METER – MLM 1011 (Figura 5). Este instrumento é um luxímetro digital portátil, compacto, de 3 ½ dígitos, fácil de usar, de alta precisão e resposta rápida. Proporciona medidas na unidade lux. O instrumento abrange a faixa de 1 lux a 100000 lux , além de possuir funções Data Hold e Zero Automático. As medidas da iluminância foram realizadas em uma única etapa, em nove pontos diferentes na SE, a uma distância de 0,75 m do piso (NBR 5.413/92). Figura 5: Luxímetro modelo Lux Meter. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. 33 Figura 6: Metro utilizado para as medidas lineares. Fonte: www.kalipedia.com, site de domínio público. Paraná – 2013. O termômetro-higrômetro (Figura 7) foi utilizado para avaliar a temperatura e umidade do ambiente. O aparelho foi deixado em um balcão da SE, por 24 h para estabilizar a temperatura, depois deste procedimento iniciou-se as aferições. Foram realizadas seis medidas, duas em cada turno de trabalho, em dias alternados. Figura 7: Termo-higrômetro. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. 4.4 Aspectos Éticos e Legais da Pesquisa Pelo fato da pesquisa não envolver seres humanos, não houve necessidade de aprovação pelo Comitê de Ética, apenas aprovação pela direção pedagógica do EAS em questão para utilização do espaço físico para a realização da pesquisa. O estudo considerou os aspectos éticos e legais da resolução CONEP 466/2012 (BRASIL, 2012). 34 4.5 Análise dos Dados Os dados coletados foram digitados, agrupados e armazenados em uma planilha eletrônica, Microsoft Office Excel® (Windows Vista) para posterior descrição e tabulação dos dados. 35 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Com a revolução industrial no século XVIII, houve a necessidade do aperfeiçoamento para desenvolver novos produtos e para produzi-los em grandes escalas. E essas mudanças e avanços tecnológicos trouxeram como consequência benéfica para a indústria, a invenção de novas máquinas, novos equipamentos. A partir de então, o homem começou a se deparar com novos problemas de saúde ocupacional consequentes dos agentes de risco que começaram a surgir (MEDEIROS, 1999). Essa problemática foi motivo de preocupação na trajetória profissional desta autora, como enfermeira assistencial, na área de urgência e emergência, em que não foram poucas as situações vivenciadas de sinais e sintomas sentidos por ela e verbalizados pelos funcionários, de cefaleia, dores lombares, estresse físico e mental, agravos osteomusculares, entre outros, que dificultavam o desenvolvimento de suas atividades laborais. Acrescente-se a isso o tipo de ambiente da SE, local onde é exigida extrema agilidade, presteza, em estado de alerta constante para situações imprevistas, tornando muitas vezes, o trabalho estressante, permeado de sentimentos de medo, frustração, ansiedade, perdas, consternação, que pode levar ao desgaste físico e mental, tornando o trabalhador deste setor mais predisposto a doenças (NISHIDE; BENATTI; ALEXANDRE, 2004). Além disso, somam-se a todas essas circunstâncias, as particularidades da ambiência física da SE que costuma apresentar uma grande quantidade e variedade de fontes potenciais de riscos para os pacientes e equipe que ali desempenham seu trabalho profissional. Dentre esses riscos, os ambientais elencados pelas normas regulamentadoras, destacam-se os agentes físicos, que segundo Posso (1988), Mauro (2004), Cavalcante (2006), Posso; Sant’Anna (2007), Benedett (2008), Marinelli (2013) são: ruído, iluminação, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, vibração, pressões anormais, a própria estrutura física, temperatura e umidade. Destes agentes físicos, as radiações não ionizantes, vibração e pressões anormais não estão presentes na SE estudada. Todos os outros agentes foram considerados como fonte potencial de risco físico, e são descritos obedecendo à sequência estabelecida no instrumento utilizado para a coleta de dados (Apêndice A) e apresentados por quadros, ilustrações e fotos para facilitar a compreensão dos leitores. Pelo exposto, os resultados e discussão são apresentados e analisados a partir das observações, mensurações e registros feitos pela autora, fundamentada na RDC ANVISA nº 36 50/2002 (BRASIL, 2002a) para a identificação dos espaços da SE, seus equipamentos e mobiliários em condição de assistência e na relação entre o espaço físico e as atividades laborais, além de ser subsidiada por fontes da literatura nacional e internacional no que se refere aos riscos físicos. 5.1 Identificação do EAS/Sala de Emergência O EAS caracteriza-se como um Hospital Público, de grande porte, pois possui mais de 150 leitos. O número de leitos na SE é quatro e quando necessário acrescentam-se mais dois leitos de UTI. Sendo que aproximadamente três pacientes por turno são atendidos e transferidos para as salas de observação. Sendo um hospital de referência para várias especialidades, o mesmo presta atendimento a todos os pacientes, que são encaminhados para o PS, mesmo não havendo vagas para internação. Os pacientes são atendidos primeiramente na SE e em seguida encaminhados para seu próximo destino. Quando há possibilidades de alta, são liberados para casa. Em caso de internação, são encaminhados para o setor de internação condizente com a idade do paciente e agravo acometido. Porém, quando não há vagas de internação, após o primeiro atendimento na SE, o mesmo é transferido para as salas de observação do PS. Nos casos mais graves, onde há necessidade de leito de UTI, quando não há vagas disponíveis, os pacientes permanecem na SE. Local este, que não possui estrutura adequada para atender pacientes permanentes de UTI. A SE foi projetada para realizar o primeiro atendimento de urgência e/ou emergência e encaminhar os pacientes para os devidos atendimentos secundários. Com isso, a permanência desses pacientes na SE, caracteriza uma superlotação deste setor, sendo, então, mais uma fonte potencial de risco. No projeto arquitetônico (planta baixa) da SE, fica evidente que foi projetada para atender quatro pacientes simultaneamente, porém, isso ocorre eventualmente (Figura 8). A maioria das vezes são atendidos seis ou mais pacientes nesse local, não há um número preciso, pois todos os pacientes que são levados a essa SE, são atendidos, independentemente da superlotação. 37 Figura 8: Planta Baixa da Sala de Emergência. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. A equipe que trabalha na SE é composta por um médico plantonista, um enfermeiro e dois ou três técnicos de enfermagem em cada turno, que são divididos em matutino, vespertino e noturno. O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), pela Resolução 293/2004, determina o dimensionamento do pessoal da Enfermagem para cada setor hospitalar, e determina que para a UTI seja necessário um técnico de enfermagem para no máximo dois pacientes (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2004), considerando que nesta SE normalmente abriga seis pacientes de UTI, portanto, há necessidade de três técnicos de enfermagem para atender a esses seis pacientes, e mais dois técnicos para atenderem os demais pacientes de urgência/emergência, sendo esse quantitativo de pessoal o mínimo a ser considerado. Além desse dimensionamento também, pode o dimensionamento de pessoal de enfermagem ser calculado em termos de horas de atendimento de enfermagem e grau de 38 dependência dos pacientes, para que se possa estimar o quantitativo de pessoal, de acordo com cada realidade. Fica claro que o número de técnicos de enfermagem é insuficiente, podendo isso representar uma fonte potencial de risco. A sobrecarga de trabalho, somada a um ambiente físico inadequado, provavelmente aumenta a possibilidade de acidentes de trabalho e doenças decorrentes do mesmo. A Resolução ANVISA n. 7/2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2010), também corrobora essa afirmativa, em que para prestar atendimento de enfermagem a pacientes em tratamento intensivo, há necessidade de no mínimo um técnico de enfermagem para cada dois pacientes e mais um técnico de enfermagem por turno, para realizar serviços de apoio assistencial. O número de enfermeiros e médicos foi considerado satisfatório na SE, pois há necessidade de um enfermeiro para cada oito pacientes e um médico para cada dez pacientes de UTI, considerando que a SE atende pacientes que deveriam estar nesse setor por falta de vaga. Posso (1988), ressalta a importância do profissional enfermeiro nos EAS, pois o relaciona com uma incidência menor de fontes potenciais de riscos físicos, em geral, os enfermeiros verificam o funcionamento dos equipamentos e solicitam os reparos quando necessários, além de se atentarem para os prazos de calibração e manutenção de aparelhos eletromédicos. Evidencia-se então, que o número insuficiente de funcionários, acrescido da superlotação dos setores de emergência, caracterizam uma fonte potencial de risco. Garlet (2009a) destaca um estudo realizado no setor de emergência de adultos de um hospital de Pernambuco, onde constatou que 74,5% dos atendimentos realizados eram por queixas típicas da atenção básica, não se caracterizando, portanto, como urgência. Essa demanda prejudica a assistência aos casos emergentes, pois acarreta acúmulo de tarefas e contribui para sobrecarga dos profissionais da equipe de saúde. Entre os fatores externos a SE que podem influir na incidência do potencial de risco está o Serviço de Manutenção. É um dos setores de grande responsabilidade, devem funcionar dia e noite, prevenindo e corrigindo problemas em equipamentos e instalações. A SE requer manutenção preventiva, contínua e de qualidade, devido à presença de equipamentos cada vez mais sofisticados e em número ascendente, o que segundo Posso (1988) pode acarretar em sobre carga das instalações hidráulicas e elétricas. 39 O ideal seria que a manutenção dos equipamentos fosse preventiva, pois, um problema surgido em qualquer equipamento durante uma emergência pode resultar em danos à saúde dos pacientes, gerando improvisos da parte dos profissionais da equipe de saúde podendo também representar um fator de risco para a mesma. A qualificação técnica do pessoal desse serviço é fundamental para que a manutenção seja adequada. Corrobora essa assertiva Marinelli (2013) ao asseverar que a manutenção preventiva deve ser executada em períodos bem definidos para evitar problemas e prevenir acidentes. O EAS pesquisado possui um setor de manutenção, porém, a manutenção realizada é apenas corretiva. A manutenção preventiva dos equipamentos poderia evitar muitos acidentes relacionados à estrutura, aos mobiliários e equipamentos eletromédicos. O responsável pela manutenção possui qualificação técnica, graduação em engenharia mecatrônica, aspecto importante para a qualidade da manutenção dos equipamentos. A análise desses dados permite inferir que a ausência de manutenção preventiva representa uma fonte de risco, que está presente na SE estudada, fato que pode revelar a necessidade de maior atenção por parte do EAS, para com o perfeito funcionamento de equipamentos e instalações. 5.2 Características Físicas da Sala de Emergência Segundo o MS a Portaria número 400/12/1977, acrescidas da Portaria MS n. 1884/11/1994 e da Resolução Colegiada MS/ANVISA RDC 50/2002 (BRASIL, 2002ª), que dispõem sobre “normas e padrões de instalação e construção em Serviços de Saúde, projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de Saúde e dispõe sobre o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde”, respectivamente. A área destinada para uma SE deve ter ao menos “12 m2 por leito, 1 m de distância entre os leitos e paredes, exceto entre a cabeceira e pé do leito 2,7 m de pé direito” (Figura 9). 40 Figura 9: Dimensões de unidade de atendimento imediato de alta complexidade. Fonte: RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a). O potencial de riscos dessas unidades, cujas medidas sendo inferiores a essas dificultam o fluxo de circulação de pessoas e podem aumentar a possibilidade de choque com outros objetos aí existentes, ou de queda dos mesmos devido à restrição do espaço de circulação. Posso (1988), Benedett (2008) e Marinelli (2013) em suas pesquisas também consideraram a inadequação do espaço físico como fonte potencial de risco. A área total da SE estudada é de 46,24 m2. O espaço destinado a cada leito é de 7,70 m2 para uma sala com a média de seis pacientes atendidos na SE. O volume é de 134,096 m3, pois o seu pé direito mede 2,90 m e a distância observada entre cada leito foi de 0,40 m, portanto, mostra uma inadequação de espaço físico. Isso pode ter ocorrido devido à falta de planejamento e/ou dimensionamento de espaço interno e desconsideração das normas técnicas resultando num aumento de risco potencial à saúde dos trabalhadores que ali exercem suas atividades laborais. Por esses motivos, considerou-se possível fonte de risco a área da SE em questão, cujas medidas são menores que as previstas pelas normas e padrões de construções do Ministério da Saúde (BRASIL, 2002a). O mesmo ocorre nas pesquisas de Almeida (2013), em UTI Neonatal, onde as salas de cuidados e higienização aos recém-natos se encontram em desacordo com a RDC ANVISA nº 50/2002 (BRASIL, 2002a). Posso (1988) e Benedett (2008) em suas pesquisas em UTI Neonatal e CC, corroboram a afirmativa de que área insuficiente representa risco de acidente de trabalho, pois também obtiveram resultados abaixo dos elencados por tal resolução. Ainda, Benedett (2008) destacou a insuficiência de espaço no que tange a distância entre as incubadoras na UTI Neonatal, já Posso (1988) encontrou CC subdimensionados. Em 41 contrapartida, Marinelli (2013) na sua pesquisa em UBS constatou adequação da área física da UBS, atendendo os padrões da ANVISA nº 50/2002 (BRASIL, 2002a) para esse setor. A área insuficiente para o atendimento desses pacientes pode representar um sério risco tanto para os pacientes, bem como para os trabalhadores que ali estão. Pois, pode haver colisão, queda de objetos, traumas em objetos fixos e móveis, falta de local para as macas, risco de contaminação e transmissão de doenças pela proximidade das macas e até choque entre os trabalhadores no momento de atender as emergências (BENATTI; NISHIDE, 2004; GARLET, 2009B; MARINELLI, 2013). Pode-se perceber que os riscos por inadequação de área física a que estão expostos os funcionários da SE, são semelhantes aos citados por Posso, (1988) ao estudar a área de salas de operações, Alexandre et al. (1998) e Benatti; Nishide (2004), ao investigar aspectos ergonômicos de ambientes de trabalho sugerindo que os trabalhadores de assistência à saúde estão sujeitos a sofrer agravos à sua saúde ao desempenhar suas funções em ambientes hospitalares inadequados. Tais estudos encontram ressonância em Garlet (2009b) quando afirma que as condições de infraestrutura para o trabalho com espaço físico inadequado, para a realização das atividades de assistência aos pacientes e juntamente com o dimensionamento de pessoal insuficiente, propiciam tensões, estresse e conflitos entre os profissionais de qualquer setor laboral, particularmente na enfermagem em que desenvolve suas atividades diretamente com os pacientes. Assim, a inadequação do dimensionamento da área física representa uma ameaça à saúde dos trabalhadores que atuam em serviços de emergência. Deve-se lembrar de que essas dificuldades ocorrem na maioria das unidades hospitalares de urgência e emergência atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do país. Elas são visivelmente caracterizadas pela falta de recursos materiais e humanos, pela estrutura física inadequada, insuficiência de equipamentos e até capacitação insuficiente para o trabalho. Isso tudo somado à baixa cobertura do atendimento pré-hospitalar e pronto atendimentos. O material de construção do teto e paredes é de alvenaria, de cor amarelo claro. As paredes, devido à idade de construção e não realização de reformas apresentam partes com rachaduras e remendos (Figura 10). O piso é composto de granilite de cor cinza, material este que é indicado em ambientes hospitalares, porém é escorregadio, de acordo com Posso, (1988), Benedett (2008), Araruna (2013) e Marinelli (2013) podem causar quedas, traumas e contusões. 42 Figura 10: Parede não íntegra da Sala de Emergência. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Para a construção do teto, piso e paredes, recomenda-se que não se usem materiais isolantes de som, pois, estes dificultam a passagem das ondas sonoras através deles e por serem maus absorventes acabam refletindo-as, como é o caso do concreto, azulejo, do cimento, da massa fina, das pastilhas, do granilite e da massa corrida (POSSO, 1988; SALIBA, 2001; ARQUITETURA, 2004; POSSO; SANT’ANNA, 2007; SOARES, 2009). As estruturas isolantes de som funcionam como uma fonte secundária de ruído, devido ao efeito das vibrações causadas pela fonte original, que serão tanto maiores, quanto maior for à frequência das ondas sonoras, produzindo o fenômeno da reverberação (SALIBA, 2001; TAUBE; BARJA, 2007). Na sala de emergência estudada houve predomínio absoluto para o uso de materiais isolantes de som no teto, paredes e no piso. A maior preocupação na construção da sala de emergência foi propiciar facilidade para a limpeza, que segundo (POSSO, 1988; POSSO, SANT’ANNA, 2007) é preferível utilizar materiais do tipo duro, principalmente no piso, mesmo maus absorventes de som, por outro lado proporcionam segurança higiênica. O piso usado em salas de emergência segundo as normas do Ministério da Saúde (BRASIL, 2002a) “devem ser perfeitamente lisos, sem frestas ou saliências que possam abrigar partículas de sujeira”, tornando-se, portanto escorregadios, como também é o caso do granilite; o que os torna adaptados à limpeza, evitando a aderência de secreções, sangue e substâncias químicas que podem se acumular sobre os mesmos, porém, deixa os profissionais susceptíveis a deslizamentos e quedas, fato preocupante, pois nas salas de emergência os atendimentos prestados são realizados sempre com muita agilidade, devendo os profissionais se movimentar com rapidez e portando objetos cortantes e perfurantes. 43 O piso da SE, campo de estudo, foi considerado como fonte potencial de risco de queda, pois o material utilizado é extremamente liso, portanto, com propensão ao deslizamento. O mesmo ocorreu em 63,2% dos 44 centros cirúrgicos (CC) pesquisados por Posso (1988), em 100,0% das UTI Neonatais (BENEDETT, 2008 e ALMEIDA, 2013), Unidades Básicas de Saúde (MARINELLI, 2013), Centros de Material e Esterilização (CME) (ARARUNA, 2013) onde os pisos lisos tornam-se propensos ao deslizamento. Nesse sentido, Bozza (2003) assegura em seu estudo sobre riscos laborais em uma UTI neonatal que os pisos escorregadiços são uns dos fatores de riscos mais comuns que provocam a ocorrência dos acidentes no trabalho e Quintella (2006) demonstrou em sua pesquisa que as quedas correspondem a 22%, dos agravos à saúde dos profissionais, corroborando os dados deste estudo. Secco, Robazzi (2007); Benedett, (2008) e Marinelli (2013) consideram que os agravos musculoesqueléticos, muitas vezes, são decorrentes de acidentes de trabalho por quedas, ao contrário dos acidentes com materiais pérfurocortantes. As dores sofridas com as quedas, com movimentos bruscos e com os impactos sofridos, apresentam-se de maneira mais intensa no corpo do trabalhador e, na maioria das vezes, o acidente causa a falta ao trabalho pela impossibilidade de realizar suas atividades, aumentando a taxa de absenteísmo na instituição (SECCO; ROBAZZI, 2007; BENEDETT, 2008). Uma alternativa sugerida por Farias e Zeitoune (2005) seria a troca do tipo de piso por outro antiderrapante mais indicado com o objetivo de evitar os riscos de queda e demais fatores que propiciam acidentes do trabalho na equipe profissional. Além disso, deve-se atentar para a cor do piso, sua integridade e sem desnível que no caso deste estudo é de cor cinza (Figura 11) com pontos de remendos e reparos e presença de umidade e rachaduras. Este dado encontra semelhança com os de Saraiva (2004) e Benedett (2008), que encontraram pisos claros e antiderrapantes, porém, apresentando pontos com desníveis, falta de continuidade, remendos e reparos material inadequado que podem levar às quedas e danos musculoesqueléticos. 44 Figura 11: Piso com desnível e presença de parte não íntegra. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. A utilização de cor adequada para cada ambiente hospitalar, por exemplo, nas paredes, teto, piso, também no conjunto que o compõe, como seu mobiliário, vestimentas, acessórios decorativos são estratégias que podem influenciar nos aspectos emocionais e psicológicos, de forma consciente ou inconsciente nos pacientes, assim como nos profissionais (BOCANNERA, 2007). Esta afirmação encontra respaldo em Marziale (1990) ao afiançar que “A cor passa a constituir uma variável de grande importância dentro do ambiente hospitalar, não só pela influência sobre os pacientes, mas também, sobre os profissionais que ali atuam”. A utilização das cores adequadas nas paredes e teto frequentemente influencia na quietude e tranquilidade dos pacientes e dos profissionais que ali estão como se observa na afirmação de Posso (1988) que as cores escuras no teto, nas paredes e no piso causam absorção de luz, torna o ambiente mais escuro e sombrio, produzindo também, impressão coercitiva. Já, as cores claras refletem melhor as ondas luminosas e tornam a SE mais clara e com aspecto mais agradável, em especial, as azuis e as verdes que evocam a tranquilidade, a quietude fisiológica, redução do estresse e tensão, equilíbrio e da harmonia sugerindo sua utilização em hospitais e clínicas enquanto a branca representa a paz, pureza, asseio e limpeza, embora seja ofuscante (LACY, 2000). Ainda, Boccanera (2007) afirma que se o ambiente receber cores adequadas e diversificadas haverá um bem-estar mental e que, profissionais que trabalham em ambientes cromaticamente planejados e apropriados, podem render mais, ressaltando também, o favorecimento na recuperação do paciente, pois uma combinação certa de cores têm efeitos psíquicos e orgânicos. 45 Boccanera (2007) ressalta ainda que a cromoterapia é a ciência que utiliza as cores para alterar ou manter as vibrações do corpo naquela frequência, que pode resultar em saúde, bem-estar e harmonia. Os conhecimentos multiprofissionais, no caso, de medicina, enfermagem, engenharia e arquitetura, sugerem a adoção de ambientes agradáveis, arejados e de coloração variada, de acordo com o tipo de assistência prestada predizendo que os pacientes podem tornar-se inconscientemente inquietos na presença de cores mal combinadas (MARZIALE, 1990). A cor amarela claro utilizada na Sala de Emergência foi considerada nesse estudo, adequado, pois de acordo com Boccanera (2007) o amarelo deve ser utilizado quando se procura vivacidade, desprendimento, leveza, alegria, relaxamento, flexibilidade, brilho e alegria espiritual. Esta cor estabelece grau de equilíbrio entre o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático, aumentando um pouco a pressão sanguínea e reduzindo a produção de ácidos graxos (BOCCANERA, 2007). Este dado vai de encontro ao observado por Benedett (2008), Almeida (2013) e Araruna (2013) em UTI neonatal e CME, respectivamente, cujas paredes e teto eram de cor branca que segundo Farina, (1990) e Boccanera; Boccanera; Barbosa, (2006) representa a simplicidade, paz, harmonia e estabilidade (FARINA, 1990), sugerindo que nos serviços de saúde a adequação das cores transmite a sensação de bem-estar e conforto para o paciente, família e profissionais. De acordo com Marinelli (2013) as cores devem ser ajustadas às dimensões dos ambientes, para que se tenha conforto visual, e com isso a visão seja adequada às tarefas realizadas em cada atividade; em seu estudo a autora destaca que em uma das UBS pesquisadas a cor utilizada nas paredes foi laranja, que pode causar excesso de estímulo e até certo desconforto para os funcionários, já na outra UBS, as paredes são brancas, que permitem ao ambiente maior refletância, tornando-o mais agradável. Os fatores, tamanho, forma e cor dos ambientes, estão diretamente relacionados com equilíbrio e com harmonia visual, que, se estiverem desajustados, podem incorrer em alguns sintomas, como calor, frio, agitação, estímulo ou inibição e ainda podem provocar atração ou rejeição. Este autor ressalva também que as cores podem criar ilusões, efeitos no espaço em que estão e até induzir ações, e com isso pode influenciar na concentração, na atenção e na capacidade de percepção (CUNHA, 2004). As duas portas da SE são corrediças, uma de metal (Figura 12), de cor cinza, que é utilizada para a entrada dos pacientes provenientes de fora do hospital e a outra de madeira (Figura 13), de cor branca, com acesso ao corredor do PS, sendo esta utilizada para transporte 46 dos pacientes para exames tomográficos, radiológicos, centro cirúrgico, setores de internação, para acesso ao expurgo, farmácia, copa, posto externo de enfermagem, sala de descanso dos médicos, sala de equipamentos, depósito de material de limpeza. Figura 12: Porta corrediça de metal. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 13: Porta corrediça branca de madeira. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Considera-se adequado que as portas sejam corrediças, pois se evita traumas por sua abertura. Em contrapartida, podem dificultar a abertura no momento do transporte de pacientes que estão em estado grave, pois muitas vezes deve-se prescindir do uso das mãos, as quais podem estar ocupadas com objetos ou aparelhos eletromédicos (POSSO, 1988). Ambas as portas não possuem visor, como preconiza a RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a). De acordo com Posso (1988) “a aplicação de visor em uma porta é tarefa das mais fáceis e muito pouco dispendiosas, quando comparada com os benefícios que pode proporcionar, pois a sua presença facilita a visualização do interior da sala”. Por outro lado, a ausência de visor possibilita a privacidade dos pacientes ali atendidos, pois nesse mesmo local são realizados os banhos no leito, troca de fraldas e roupas, curativos, entre outros procedimentos, apesar do uso de biombos. Os dados encontrados nesta pesquisa são corroborados por estudo realizado por Guadagnin (2006) que detectou nos 23 CME de hospitais de portes variados da cidade de Goiânia-GO que 16 (69,6%) possuíam portas de madeira, o mesmo ocorrendo nos estudos de Araruna (2013) e Almeida (2013) em que todas elas eram de madeira pintadas de cor branca, e ainda algumas em mau estado de conservação. A SE estudada não possui nenhuma janela, portanto, a ventilação e a iluminação são totalmente artificiais. Os aspectos ventilação, iluminação, temperatura, que também têm relação com janelas, serão abordados posteriormente, em tópicos específicos, respeitando a sequência do instrumento de coleta. 47 Os objetos salientes não devem existir em paredes de SE, porém, o negatoscópio (Figura 14) foi instalado de forma saliente na parede, e vários outros objetos estão suspensos do teto e paredes (Figura 16). As SE de construções mais modernas já têm os negatoscópios embutidos em suas paredes, porém, com relação a essa problemática, ainda não se encontrou solução para os fluxômetros salientes (Figura 15). Figura 14: Negatoscópio saliente na parede. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 15: Fluxômetros salientes na parede. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Deve-se atentar para os objetos suspensos no teto quando situados à altura inferior a 220 cm e outros salientes na parede, como armários, prateleiras, bem como o material dentro deles armazenado que podem ser motivo de contusões de crânio, tronco e membros superiores das pessoas que trabalham em unidades hospitalares (BRASIL, 2002a; BENEDETT; FERRAZ; POSSO, 2009; MARINELLI, 2013). Alguns objetos que podem representar risco de trauma foram evidenciados neste campo de estudo. Dos objetos suspensos no teto encontram-se o suporte de soro retrátil (Figura 16). Dos objetos fixados na parede, encontram-se suporte de soro, bancada e suporte para monitores multiparamétricos, extensores de rede elétrica, esfigmomanômetros (Figura 15 e 16). Os objetos móveis presentes nesse ambiente são suporte de soro, aparelho de RX, carrinho de emergência, mesa móvel de procedimentos, biombos, macas, cilindro de oxigênio, lixeiras (Figuras 18 e 19). 48 Figura 16: Suporte de soro suspenso do teto. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 18: Carrinho de Emergência. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 17: Suporte de soro e bancada de monitores fixados na parede. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Figura 19: Suporte de soro com base instável. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Outros equipamentos que podem causar contusões são os suportes de soro com altura variável e base instável, que também podem ser visualizados na Figura 19. Dos suportes de soro da SE, metade apresentavam a base sem rodízios obrigando maior espaço para sua movimentação e todos com ganchos em forma de U que predispõe à queda dos objetos neles apoiados, segundo Posso (1988) os ganchos helicoidais prendem melhor os frascos ou equipamentos neles suspensos. No estudo de Benedett (2008) em UBS também não foi encontrado suporte de soro com ganchos helicoidais, os equipamentos nesta UTI Neonatal também oferecem risco de traumatismos e contusões. No que se refere à base instável tanto Benedett (2008), Posso 49 (1988), Marinelli (2013) encontraram em suas pesquisas suportes de soro com base instável, podendo isso representar um risco de acidentes. Considerando que os objetos salientes situados à altura inferior a 220 cm podem ser causa de contusões sobre o segmento cefálico e o dorso das pessoas que trabalham na SE; os objetos salientes na parede, suspensos no teto e paredes, podem representar um importante agravante para o absenteísmo no hospital, pois os traumas e contusões, que no ambiente de trabalho também representam acidentes de trabalho, frequentemente são motivos de afastamento. Benedett (2008), Posso (1988) e Almeida (2013) reconhecem em suas pesquisas os suportes de soro, negatoscópio, escada de dois degraus e quinas de balcões como fonte de risco de contusões, principalmente se estiverem salientes na parede, ou com base instável, essas contusões normalmente ocorrem no seguimento cefálico e tronco. Marinelli (2013) destaca os armários, prateleiras e os materiais dentro deles armazenado como importante fonte de risco de contusões. Outros equipamentos que podem ser causa de traumatismos e contusões são as prateleiras, armários e carrinhos de emergência (Figura 18) existentes na sala de emergência e o material dentro deles armazenado. Todas as prateleiras da sala de emergência são salientes e nelas são armazenados materiais contundentes. Neste sentido, a Vigilância Sanitária, através da RDC ANVISA 56 (BRASIL, 2001c) corrobora a afirmativa de que os materiais e produtos para a saúde devem ser fabricados de maneira que eliminem ou reduzam os riscos. No entanto, essas evidências mostram que a preocupação dos EAS pesquisados parece não estar voltada para a prevenção das contusões incidentes sobre as pessoas que trabalham na emergência. O mesmo pode ser dito sobre os equipamentos, produzidos com material de menor qualidade, o que põem em risco a segurança daqueles que com eles irão trabalhar. Como é o caso das três prateleiras para guarda de materiais na SE, uma de madeira, uma de metal e uma plástica; sendo as duas últimas frágeis e extremamente leves, podendo ser um risco de virar e cair em cima dos funcionários e dos pacientes. Ribeiro (2007) ressalva que a maior frequência de acidentes de trabalho em hospitais ocorre na equipe de enfermagem e argumenta que os trabalhadores estão expostos a riscos oriundos do desenvolvimento de atividades assistenciais diretas e indiretas, cuidados prestados diretamente a pacientes e em organização, limpeza e desinfecção de materiais, equipamentos e do ambiente. Estudos de Posso; San’Anna (2007), Benedett; Ferraz; Posso (2009), Almeida (2013) demonstram ainda serem significativas às consequências para o trabalhador e sua família. As 50 lesões e danos mais frequentes são problemas osteomusculares, acidentes pérfuro-cortantes, lacerações, feridas, contusões, entre outros. A instalação de gases medicinais deverá sempre, obedecer às Normas Brasileiras referentes a sistemas centralizados de gases de uso medicinal da NBR 12188 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2003). Os cilindros de alta pressão deverão estar localizados em local distante da SE e o abastecimento deve ser feito por rede de distribuição. Segundo Posso (1988) e Benedett (2008), a presença de cilindros de gases dentro das salas, deve ser abolida, pois pode causar traumatismos e queimaduras de gravidade variável, até mesmo fatal, consequente a quedas, a explosões e a incêndios. Almeida (2013) na sua pesquisa em UTI Neonatal, também encontrou fluxômetros salientes na parede e enfatiza a quantidade insuficiente dos mesmos, não atendendo a RDC ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), além dos riscos de contusão. Outro estudo em UTI Neonatal, Benedett (2008), destaca os agravos que provavelmente podem ocorrer, na presença de disposição de rede de gases medicinais, que são contusões, distensão muscular e explosão. Na SE estudada, encontraram-se vários cilindros de oxigênio, mesmo com a instalação da rede de gazes medicinais (Figura 20), pois como são atendidos pacientes de emergência, politraumatizados, muitas vezes, há necessidade de transportar os pacientes para exames, para UTI ou para outros setores e no transporte de maca de pacientes fazendo uso de oxigênio, havendo a necessidade de levar o cilindro. Fato este que representa um risco potencial de traumatismos, queimaduras e explosões. Figura 20: Lixeira e torpedos de oxigênio. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. A RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a) discorre também sobre a maneira como os sistemas de gases medicinais devem estar protegidos de fonte de calor, de tal forma que não haja possibilidade dos cilindros e demais equipamentos da central atingir uma 51 temperatura acima de 54ºC. Também devem ficar afastados de transformadores, chaves elétricas e linhas abertas de condutores de energia elétrica, em local ventilado. Em relação à ventilação ambiente, atualmente em EAS utiliza-se climatização ambiental artificial dotada de filtros, mantendo-a em valores que variam de 19ºC a 24ºC (POSSO, 1988; BRASIL, 2002b). A SE estudada também dispõe de condicionador de ar ambiente, porém, somente é utilizado em dias de extremo calor, pois se trata de aparelho antigo, sem manutenção preventiva e muito ruidoso. Deve-se ressaltar que a climatização do ar é necessária (BRASIL, 2002a), principalmente, em se tratando de ambiente hospitalar fechado e que recebe todos os tipos de pacientes. No entanto, recomenda-se janelas amplas, altas, móveis para a limpeza e teladas no caso da área hospitalar que não seja climatizada (SOBECC, 2013), para usufruir da iluminação natural e economizarem energia elétrica contribuindo para uma ambiência saudável (POSSO; SANT’ANNA, 2007). Após o levantamento de dados da temperatura do local, foram feitas as comparações utilizando RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), que trata das normas e padrões de instalações em serviços de saúde, determina uma temperatura entre 19ºC e 24ºC como limite de tolerância para exposição ao calor e a umidade do ar deverá ser mantida entre 40% a 60% (BRASIL, 2002 b/2010). No Quadro 1, são descritos os valores obtidos pelas medições. Quadro 1: Valores das medições de temperatura na Sala de Emergência. Paraná - 2013. Data 04/10/2012 11/10/2012 19/11/2012 20/11/2012 28/11/2012 29/11/2012 Temperatura mínima 22,8 ºC 21,5 ºC 21,2 ºC 22,0 ºC 18,2 ºC 20,4 ºC Temperatura máxima 26,6 ºC 27,0 ºC 27,2 ºC 27,6 ºC 24,6 ºC 23,7 ºC Umidade 60% 40% 48% 40% 63% 52% Hora da medição 10:00 h 11:00 h 14:00 h 15:30 h 21:00 h 20:00 h Limite Permitido (RDC 50) 24 ºC 24 ºC 24 ºC 24 ºC 24 ºC 24 ºC Neste sentido, pode-se aferir que as temperaturas mínimas e máximas excederam os valores recomendados pela norma na maioria das coletas, e apenas em um dia esteve abaixo de 19 ºC para a o limite de temperatura mínima e menos 24 ºC para a máxima (quadro 1), podendo ser considerado como ambiente desconfortável, cansativo e até insalubre, ainda saliente-se que o clima do período era primaveril e a SE localiza-se na região Sul brasileira cujas temperaturas nesse período costumam ser mais amenas. 52 No entanto, recomenda-se um estudo mais detalhado nas diferentes épocas do ano, focalizando o período do verão, cujas temperaturas alcançam patamares mais altos, tornando a atividade laboral desconfortável, extenuante e de risco, prejudicando a saúde dos pacientes e profissionais que ali estão. Mesmo utilizando o condicionador de ar na SE, as avaliações foram consideradas acima dos valores recomendados pela RDC/ANVISA, 50/2002 (BRASIL, 2002a/2010). Para que se possa considerar termicamente confortável, conforme recomendação da RDC/ANVISA, 50/2002 (BRASIL, 2002a) temperaturas devem permanecer entre 19ºC e 24ºC, e como visto (Quadro 1), a maioria das avaliações estão acima do que é recomendado, sendo que as temperaturas médias ficaram entre 21,0ºC e 26,1ºC e a umidade do ar entre 40% e 63%. Fica evidente a falta de ventilação na SE com temperaturas acima do recomendado, acrescido do número excessivo de pessoas num pequeno espaço físico. No estudo de Benedett (2008) a temperatura ambiente também excedeu os valores recomendados pela norma, em uma das UTIs estudadas, onde a ventilação é artificial com condicionador de ar a temperatura média ficou entre 24 ºC e 27 ºC, já na UTI que a ventilação ocorre através de janela e calefação, os valores chegaram até 31 ºC. Segundo Arsego (2008), a temperatura dos ambientes merece o maior cuidado, ao buscar condições ambientais de trabalho adequadas e confortáveis, pois temperaturas extremas (frias ou quentes) são desagradáveis e até prejudiciais à saúde. Para Vergara (2001), Bezerra (2006) e Arsego (2008), a temperatura e a umidade ambiental influem diretamente no desempenho do trabalho humano, tanto sobre a produtividade quanto sobre os riscos de acidentes. De acordo com Vergara (2001) os trabalhadores devem sentir-se termicamente confortáveis para que possam desenvolver suas atividades sem nenhum incômodo, pois a neutralidade térmica, ou seja, quando todo o calor gerado pelo metabolismo orgânico é trocado em igual proporção com o ambiente ao redor, esta é a condição na qual uma pessoa está confortável não sentindo nem calor e nem frio no ambiente térmico em que se encontra. Bezerra (2006) ressalta que a exposição a temperaturas extremas e mudanças de temperatura podem ser propícias para o desenvolvimento de agravos à saúde, como por exemplo, gripe, resfriado, otite, artrite, pneumonia e até sinusite. As mudanças de temperatura ocorrem normalmente nas atividades relativas ao transporte dos pacientes para exames radiológicos, pois os equipamentos radiológicos necessitam de temperaturas baixas para a sua conservação, e por esse motivo naturalmente as salas de raios-X e tomografia são mantidas em baixas temperaturas. 53 Além dos agravos à saúde já mencionados, Naked (2005) considera que outros problemas podem ser acarretados pelos choques térmicos relacionados com ar condicionado, como dores de cabeça, ansiedade, irritação nos olhos, garganta e nariz. Considera, ainda que o emprego das legislações atuais que definem os quesitos e critérios para o uso de ar condicionado, temperatura e umidade em ambiente de trabalho, devam contribuir para a prevenção de doenças que podem decorrer desses fatores. A realização das atividades laborais em ambientes quentes pode ocasionar sintomas como cansaço, irritação, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias, etc. Já a exposição ao frio pode ocasionar fenômenos vasculares periféricos, doenças do aparelho respiratório e até queimaduras pelo frio (VERGARA, 2001). No que se refere à iluminação da SE, esta é exclusivamente artificial, com lâmpadas fluorescentes que embora possam propiciar iluminação, têm um componente de radiações ultravioleta em seu espectro luminoso (POSSO, 1988; ABNT, 1992a). Dependendo do espectro eletromagnético da radiação ultravioleta seus efeitos no homem, podem ser caracterizados por fadiga ocular e lesões de pele (POSSO; SANT’ANNA, 2007). Esse tipo de iluminação é comum em hospitais, e em especial em SE onde os profissionais da enfermagem fazem plantão de 6 horas, 12 horas e eventualmente até de 18 horas por dia, frequentemente sendo obrigados a jornadas extras para atender às demandas, além do seu plantão habitual de trabalho. A iluminação artificial é indicada para Unidades de Emergência. A RDC/ANVISA, 50/2002, (BRASIL, 2002a) dispõe que todos os ambientes onde os pacientes são manipulados, em especial os consultórios, salas de exames e terapias, salas de comando dessas, salas de atendimento imediato, salas de cirurgias e de partos, quartos e enfermarias e salas de observação devem ser iluminados artificialmente para favorecer a privacidade dos pacientes ali submetidos a procedimentos. Na SE a iluminação do ambiente exibe quatro lâmpadas fluorescentes, que correspondem a 40 Watts (W) cada lâmpada, totalizando 160 W. Usando uma avaliação simples e rápida, considerando que o índice de iluminação é igual ao número de lâmpadas fluorescentes de 40W multiplicado por 40 e dividido pela área, obteve-se o resultado de 3,46, índice que segundo Posso (1988), é insuficiente, pois valores inferiores a 20 indicam insuficiência de iluminamento. A iluminação foi avaliada também com luxímetro, fundamentada na NBR 5.413/1992 (ABNT,1992a) adotando o critério de medições a 0,75m do piso, cujos resultados estão apresentados no Quadro 2 a seguir: 54 Quadro 2: Apresentação dos resultados de iluminância, avaliado com luxímetro, na Sala de Emergência. Paraná - 2013. Locais da coleta Mesa de computador 1 Mesa de computador 2 Bancada de formulários Bancada de diluição Leito 1 Leito 2 Leito 3 Leito 4 Carrinho de desfibrilador Intensidade em LUX 115 122 78 115 226 180 140 200 75 Embora em SE sejam executadas tarefas de extrema responsabilidade, onde retardos ou enganos podem ser fatais, a intensidade de iluminação geral foi considerada insuficiente, por apresentar pequena quantidade de lâmpadas e pelos valores obtidos através das medições com luxímetro terem sido abaixo dos valores recomendados. Em todos os pontos coletados foi considerada iluminação insuficiente. Segundo Posso (1988) a intensidade insuficiente de iluminação pode prejudicar os trabalhadores, ocasionando eventuais acidentes de trabalho e desperdício de materiais. O ambiente de trabalho torna-se desagradável e a fadiga visual em geral é mais precoce e acentuada, por esse motivo a ABNT, na NBR 5413/1992 (ABNT, 1992a), determina níveis de iluminação específicos para cada atividade profissional e local de trabalho, no caso do pronto socorro estabelece níveis mínimos de 300 LUX, médio de 500 LUX e máximo de 750 LUX. Conforme NBR 5413 (BRASIL, 1992a), O valor mais alto, das três iluminâncias, deve ser utilizado quando: “a tarefa se apresenta com refletâncias e contrastes bastante baixos, erros são de difícil correção, o trabalho visual é crítico, alta produtividade ou precisão são de grande importância ou quando a capacidade visual do observador está abaixo da média”. A NBR 5382/85 (ABNT, 1985) preconiza que a iluminância em qualquer ponto do campo de trabalho não seja inferior a 70% da iluminância média. No caso da sala de emergência não poderia ser inferior a 350 LUX. Considerando que os procedimentos realizados na sala de emergência são muito precisos e podem ser fatais, erros nessa atividade possivelmente seriam de difícil ou até impossível correção, recomenda-se a iluminação máxima. Benedett (2008) afirma que problemas ocorridos em qualquer equipamento e instalação devem ser rapidamente solucionados e sem improvisações, pois a manutenção dos 55 agentes físicos, como a iluminação, pode ser um ponto chave na prevenção de doenças e acidentes de trabalho. Embora, aparentemente, a iluminação seja adequada, constatou-se iluminação insuficiente em todos os pontos pesquisados. Em especial, a bancada de diluição de medicamentos com 115 LUX. O local de preparação das medicações a serem administradas nos pacientes é de extrema importância, devendo apresentar iluminação suficiente para que não haja erros de diluição ou troca de medicamentos, falhas essas que podem colocar em risco a vida dos pacientes. Pacientes em estado grave, com risco de morte, não podem ser submetidos a equívocos relacionados à administração ou troca de medicamentos. A presbiopia precoce condição em que a lente ocular apresenta dificuldade de focalizar nitidamente objetos a curta distância pode ser uma das consequências da iluminação inadequada. Os efeitos da presbiopia são intensificados pelo cansaço visual, com surgimento de cefaleia e às vezes, ardência e lacrimejamento durante a leitura (QUEIROZ et al., 2010). A iluminação adequada e utilização de óculos são condições indispensáveis para se garantir a qualidade de vida dos portadores da presbiopia. Tais medidas são também indispensáveis para se evitar o surgimento precoce de lesão ocular (QUEIROZ et al., 2010). A intensidade luminosa insuficiente gera um desconforto podendo ocasionar acidentes de trabalho por quedas, contusões, acidentes com materiais pérfurocortantes, além de prejudicar no exame físico dos pacientes atendidos na SE. Bem como, pode prejudicar a realização de procedimentos médicos e de enfermagem como implantação de cateteres, punções arteriais e venosas, aplicação de sondas uretrais, entre outros. 5.3 Risco Elétrico A instalação elétrica da SE foi feita há mais de 10 anos, sendo isso considerado por si só uma fonte potencial de risco. Considerando que todos os trabalhadores da SE, em especial os da enfermagem, manipulam equipamentos eletromédicos, ligam e desligam várias vezes durante o turno de trabalho, eles estão sujeitos a sofrerem choque elétrico, principalmente pelo número insuficiente de tomadas, fato que exige o uso de extensões elétricas. De acordo com Bezerra (2006) e Nieskier; Macyntire (2008), os choques elétricos podem provocar queimaduras e até morte, sendo assim considerado sempre um risco 56 iminente. A exposição a esse risco pode gerar estresse e nervosismo levando a sintomas de dores musculares e dores de cabeça. As tomadas existentes da SE totalizaram quinze, sendo destas nove com aterramento e seis sem aterramento, uma de 220v e 14 de 110v. No momento do procedimento de coleta de dados haviam 31 aparelhos eletromédicos ligados em rede elétrica. Como o número de tomadas é insuficiente foram utilizados 12 extensões, fixas na parede (Figura 21), além de mais de um aparelho ficar conectado em cada tomada, sendo isso um grave risco de incêndio e choque elétrico por sobrecarga elétrica. Figura 21: Extensores de tomada utilizados para ligar aparelhos eletromédicos. Fonte: Acervo Pessoal. Paraná – 2013. Sendo o número de tomadas muito abaixo do número de equipamentos utilizados nessa unidade, fica evidente também, o risco de incêndio que por sua vez pode ser fatal e ainda, considerando que os pacientes que ali se encontram não têm possibilidades de evadirem-se do local, não só por seu estado grave de saúde, mas, também por se encontrarem dependentes de auxílio para se locomoverem e mais, dependerem de respiração artificial e outros equipamentos. A Secretaria de Saúde de São Paulo (2012) elaborou um “Plano de Abandono de Hospitais” para acaso ocorra incêndio, o qual descreve que: O abandono do hospital, mesmo em situações de menor complexidade, pode colocar em risco a vida de pacientes, e causar a perda de algumas delas. Pacientes em estado crítico são aqueles com maior dificuldade e criticidade para o deslocamento, e maior possibilidade de morte. A permanência dentro da estrutura, também poderá determinar a morte (SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO SÃO PAULO, 2012). 57 Fica evidente que o número de tomadas insuficientes é uma séria fonte potencial de risco físico. As consequências de choque elétrico e incêndio podem realmente determinar consequências irreparáveis tanto para a equipe profissional quanto para os pacientes da SE. Da mesma maneira, Benedett (2008) na sua pesquisa em UTI Neonatais comprovou os riscos de choque elétrico e incêndio, devido à fiação elétrica mal conservada, fios descascados e remendados, interruptores e tomadas, mal conservados, insuficientes e quebrados. No estudo de Marinelli (2013) em UBS, esta igualmente incide nos mesmos riscos de incêndio, choques, explosões, a instalações elétricas inadequadas, como tomadas soltas, fios elétricos expostos e danificados. Posso (1988) também identificou má conservação das instalações elétricas, onde 31,82% dos CC estudados possuíam tomadas mal conservadas, 22,73% má conservação de interruptores e em 100,0% dos CC identificou-se o uso de extensões elétricas. 5.4 Ruído Conforme já foi mencionado, que o processo de revolução industrial trouxe ascendência nos agentes físicos presentes nos processos de trabalho, que podem expor a saúde dos trabalhadores, pode-se citar entre eles, o ruído, que segundo Medeiros (1999) está em terceiro lugar entre os agentes insalubres que mais afetam a saúde do trabalhador. A NBR 12179 (ABNT, 1992b) define ruído por uma mistura de sons cuja frequência não segue nenhuma lei precisa, e que diferem entre si por valores imperceptíveis ao ouvido humano. O ruído pode ser definido como uma sequência de sons desagradáveis que podem variar com as vibrações acústicas de cada ambiente hospitalar. Quando apresenta níveis superiores aos recomendados pelas normas técnicas, pode trazer malefícios para a saúde das pessoas que estão expostas a ele. Também pode ser definido como manifestação acústica proveniente de movimentos de vibração com diferentes frequências que não se relacionam entre si, cuja exposição pode afetar negativamente o bem estar psicológico e físico das pessoas (SOUZA, 2012). Taube; Barja (2007) e Taube (2009) recomendam ser salutar a necessidade da avaliação da exposição de trabalhadores ao ruído em locais de trabalho, sendo um fator importante para detectar possíveis riscos para a saúde. A Norma Regulamentadora n.º 15 58 (NR-15), da Portaria MT n.º 3.214/1978 do Ministério do Trabalho (BRASIL, 1978), estabelece os limites de exposição a ruído contínuo, conforme o Quadro 3, a seguir: Quadro 3: Limites de Tolerância (LTs) para ruído contínuo ou intermitente. Nível de ruído dB(A) 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 98 100 102 104 105 106 108 110 112 114 115 Máxima exposição diária permissível 8 horas 7 horas 6 horas 5 horas 4 horas e 30 minutos 4 horas 3 horas e 30 minutos 3 horas 2 horas e 30 minutos 2 horas 1 hora e 45 minutos 1 hora e 15 minutos 1 hora 45 minutos 35 minutos 30 minutos 25 minutos 20 minutos 15 minutos 10 minutos 8 minutos 7 minutos Fonte: Norma Regulamentadora 15 (BRASIL, 1978). Valores de níveis de pressão sonora (NPS) acima dos recomendados pela NR-15/78 (BRASIL, 1978) podem causar Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR), que é definida como a perda auditiva provocada pela exposição por tempo prolongado ao ruído. Configurase como uma perda auditiva do tipo neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e progressiva com o tempo de exposição ao ruído (TAUBE, 2009). O risco de Pair aumenta muito quando a média da exposição está acima de 85 dB(A) por oito horas diárias. As exposições contínuas são piores do que as intermitentes, porém, curtas exposições a ruído intenso também podem desencadear perdas auditivas. Quando o histórico identificar o uso de protetores auditivos, deve ser considerada a atenuação real do mesmo, assim como a variabilidade individual durante o seu uso (BRASIL, 2006b). 59 A NBR-ABNT 10152 (ABNT, 1987) recomenda que os níveis de pressão sonora para ambiente hospitalar seja de 35 a 45 dB, destaca que NPS acima desses valores são considerados desconfortáveis, sem necessariamente causar danos auditivos, porém podem causar alterações fisiológicas e psicológicas. Já para a Organização Mundial da Saúde (OMS), os NPS em hospitais não deve ultrapassar 35 dB (BERGLUND, 1999; OLIVEIRA; POSSO, 2006) Alguns equipamentos utilizados na SE são emissores de ruído, como respirador artificial, bomba infusora, monitor multiparamétrico, telefone e o ar condicionado, além das conversas de visitas e equipe. A avaliação dos NPS, assim como a data da medição, turno da coleta, tempo de exposição dos trabalhadores e os limites de tolerância para 6h na SE é demonstrada no Quadro 4, a seguir: Quadro 4: Níveis de ruído encontrados na Sala de Emergência. Paraná - 2013. Data da medição Turno da coleta NPS em dB Tempo de exposição dos trabalhadores 24/10/2012 25/10/2012 31/10/2012 03/11/2012 04/11/2012 28/11/2012 Manhã Manhã Tarde Tarde Noite Noite 72,4 74,5 60,9 78,4 60,2 52,2 6 horas 6 horas 6 horas 6 horas 6 horas 6 horas Limite de Tolerância em dB(A) para 6 horas de exposição 87 87 87 87 87 87 Neste estudo, os valores mensurados não ultrapassaram o limite de 87 dB conforme preconiza a NR 15/78 (BRASIL, 1978), os valores ficaram entre 52,2 dB e 78,4 dB, então, o risco de PAIR é menos passível de ocorrer. Porém, em todas as coletas, os valores encontrados são acima dos recomendados pela OMS e pela NBR 10152/87 (ABNT, 1987), estes limites máximos podem levar a situações de estresses, distúrbios do sono, irritabilidade, entre outros (POSSO, 1982; SALIBA, 2001). Algumas providências podem ser tomadas para amenizar essa exposição ao ruído, como alterações ergonômicas, mudanças estruturais, uso de protetores auriculares. Este último, não é possível na SE, pois inibiria a audição dos trabalhadores, enquanto estivessem usando o protetor auricular, e isso poderia trazer sérias consequências, considerando que neste ambiente a comunicação é essencial para o atendimento eficaz ao paciente. 60 Em um estudo realizado por Marinelli (2013) em Unidade Básica de Saúde (UBS), também foi constatado que os limites dos NPS não ultrapassaram os recomendados pela NR15/78 (BRASIL, 1978), porém da mesma maneira, apresentaram valores entre 58,6 a 84,9 dB, que igualmente podem incorrer em situações de estresse, distúrbios do sono, irritabilidade, como mencionam Posso; Sant’anna (2007). O mesmo fato acima mencionado, também ocorreu no estudo de Benedett (2008) em UTI Neonatal, os valores variaram entre 50 a 80 dB, e destaca que os sons do telefone e campainha são os principais emissores de ruído nesta UTI. Corrêa et al. (2004) e Tozo et al. (2012), afirmam que frequentemente as equipes de trabalho têm demonstrado pouco conhecimento sobre a importância do ruído no ambiente de trabalho e parecem desconhecer também seus mecanismos, agentes emissores e consequências. A SE é um setor com algumas particularidades, de trabalho intenso, cansativo, requer muita atenção, agilidade, e que muitos trabalhadores da saúde não têm afinidade com este ambiente, por essa razão, os trabalhadores de SE, em um hospital, muitas vezes, são escassos. Consequentemente as mesmas pessoas acabam fazendo plantões excessivos para suprir a demanda da instituição. Um trabalhador que deveria fazer 6 horas diárias acaba trabalhando 12 ou até 18 horas diárias. Isso incide numa exposição mais prolongada ao ruído. Bezerra (2006) e Arsego (2008) alertam que a exposição ocupacional ao ruído pode ocasionar surdez, surdez passageira, estresse, dores de cabeça e até desgaste mental. Assertiva corroborada por Souza (2012) ao afirmar que a exposição a níveis elevados de ruído por um longo período de tempo pode determinar comprometimentos físicos, mentais e sociais no indivíduo e no seu desempenho laboral. Entre estas consequências, a mais definida e quantificada, consiste em danos no sistema auditivo, como a PAIR (SOUZA, 2012). Uma pesquisa realizada por Souza (2012) em uma UTI no estado do Maranhão demonstrou que nos turnos de trabalho manhã e tarde, os valores dos NPS foram superiores aos valores do turno noturno, o autor atribui essa alteração às equipes da noite serem menores que as do turno diurno, havendo assim menos conversação. Neste estudo também fica evidente o risco de PAIR, pois em vários momentos, especialmente no turno da tarde, NPS estiveram acima de 85 dB. O Ministério do Trabalho, por sua Portaria MT n.19/98 (BRASIL, 1998) determina que as instituições que têm locais de trabalho, onde haja exposição a ruído com valores acima dos recomendados pelas normas regulamentadoras, devem realizar avaliação e 61 acompanhamento da audição em trabalhadores expostos, isso pode ser feito mediante um Programa de Conservação Auditiva (PCA). Conservação auditiva implica na prevenção da audição do indivíduo, sendo ele portador ou não da perda auditiva. Este programa tem como objetivo prevenir ou estabilizar as perdas auditivas ocupacionais em decorrência de um processo contínuo e dinâmico de implantação de rotina nas empresas. O PCA é um conjunto de medidas técnicas simplificadas ou administrativas, distribuídas e mantidas ao longo do tempo, que agindo de forma integrada e complementar entre si, pode servir de substituto temporário a modernização tecnológica e melhoria das condições de trabalho como um todo. A SE pesquisada ainda não dispõe de um PCA para prevenir a perda auditiva dos colaboradores. 5.5 Radiação ionizante e radiação não ionizante Outra fonte potencial de risco físico é a radiação emitida pelos aparelhos de RX que produzem a ionização de átomos, por isso é chamada de radiação ionizante (POSSO, 1988; REZENDE, 2003). Segundo Nouailhetas (2006), radiação ionizante “é aquela cuja energia é superior à energia de ligação dos elétrons de um átomo com o seu núcleo; radiações cuja energia é suficiente para arrancar elétrons de seus orbitais”. O organismo humano não possui mecanismo sensorial para detectar as radiações emitidas pelos aparelhos, por isso é difícil evitá-las, a não ser através de EPC, EPIs e conscientização dos trabalhadores (POSSO, 1988; FLOR; KIRCHHOF, 2006). Segundo esses autores (FLOR; KIRCHHOF, 2006; NOUAILHETAS, 2006), os efeitos dessa exposição depende da dose de radiação recebida pelo organismo e tempo de exposição; deve-se lembrar, também que as radiações recebidas são cumulativas ao longo dos anos. Assim, algumas das complicações da exposição à radiação, como cefaleia, náuseas, vômitos, apatia, fadiga, diarreia, sangramentos, queda de cabelo, entre outras advém desse procedimento diagnóstico (POSSO, 1988; FLOR; KIRCHHOF, 2006; NOUAILHETAS, 2006; POSSO; SANT’ANNA, 2007). Pode, também, trazer danos mais graves, ao longo dos anos, como anemia, catarata, leucemia, câncer de pele, e outros tipos de câncer, devido a alterações e mutações genéticas 62 que podem ocorrer nas células humanas. Deve-se considerar que mesmo sendo uma exposição esporádica, qualquer dose de radiação pode ser potencialmente lesiva e a patologia desenvolvida em decorrência desta exposição no ambiente de trabalho é considerada uma doença ocupacional (FLOR; KIRCHHOF, 2006). Nesta pesquisa, a radiação ionizante foi considerada uma fonte potencial de risco, pois há permanência de um aparelho emissor de radiação ionizante na SE, aparelho de RX portátil e não há proteção de chumbo nas paredes e portas da sala, como também não há biombos de chumbo e há somente um avental de chumbo disponível, para utilização do técnico em radiologia. Assim, todos os outros profissionais encontram-se sujeitos à exposição da radiação, mesmo saindo momentaneamente da sala. As medidas de proteção coletiva que podem ser tomadas para proteger os trabalhadores da radiação são construção de paredes com revestimento plumbífero (chumbo), (POLETTO, 2007), nos locais onde se utiliza equipamentos emissores de radiação. Também se pode utilizar biombos de chumbo, no caso de o aparelho de RX serem levados para outros locais onde não há paredes de chumbo, como enfermarias, pronto socorro, UTI, UE (POSSO; SANT’ANNA, 2007). Flor; Kirchhof (2006) e Posso; Sant’anna (2007) destacam que os EPI (avental, protetor tireoidiano, protetor de gônadas de chumbo) devem ser utilizados pelos profissionais quando houver necessidade da permanência dentro das áreas controladas. A não utilização desses EPIs, como é o caso deste campo de estudo, pode trazer danos futuros aos trabalhadores que ali estão. Estudos mostram a relação da incidência de câncer de mama com exposição a radiações ionizantes, como na pesquisa de Thuler (2003). Outra pesquisa, realizada por Poletto (2007), realizado com técnicos em radiologia, em um Hospital Público Federal, demonstra a gravidade deste risco, quando destaca que em alguns locais de exposição à radiação, os trabalhadores não tem EPI disponíveis para o uso; e os setores que tem EPI, 10,0 % dos trabalhadores não o utilizam. Vale destacar que na SE estudada, a rotina de realização de raio-X é diária, de todos os pacientes em ventilação mecânica e acrescida dos demais pacientes quando necessário, ficando evidente a exposição dos trabalhadores à radiação ionizante. Portanto, foi considerada uma fonte potencial de risco físico; principalmente pelo fato de o EAS não dispor de EPI e EPC para o uso dos trabalhadores. Esse fato muito preocupa, pois as pessoas que ali estão são servidores públicos, e possivelmente trabalharão longos anos na mesma instituição e, possivelmente, no mesmo setor (SE), pela particularidade desta unidade, como já foi mencionado anteriormente. Todos 63 os autores que já pesquisaram sobre radiação ionizante, enfatizam que a exposição ao longo dos anos aumenta muito a probabilidade de alterações celulares, que podem levar ao câncer. Outro tipo de radiação, porém não ionizante, e não foi encontrada na SE estudada, é o laser. Radiação não ionizante, porém também pode acarretar em danos para a saúde dos trabalhadores, como afetar os olhos e a pele produzindo lesões graves e permanentes (POSSO; SANT’ANNA, 2007). Para evitar essas complicações, é possível preveni-las com o uso de protetores oculares de segurança específicos para esse agente. 64 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A SE do EAS pesquisado não dispõem de estrutura física, material e pessoal adequados, considerando as determinações da RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), embora seja um setor de um Hospital Escola, este teoricamente deveria dispor de condições adequadas de trabalho, para poder formar profissionais qualificados e ao mesmo tempo, prestar assistência de saúde de qualidade aos usuários de uma região. Fato este, que pode predispor os profissionais que ali desenvolvem suas atividades a riscos laborais. Nesta pesquisa foram encontrados agentes físicos que podem ser responsáveis por acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais, são eles: pressão sonora acima dos valores recomendados pela OMS e NBR-ABNT 10.152, iluminação insuficiente conforme NBRABNT 5413, radiação ionizante, calor excessivo, falta de ventilação e exaustão do ar ambiente, área da SE insuficiente, menor que a preconizada pela RDC/ANVISA 50/2002 (BRASIL, 2002a), mobiliários inadequados, tomadas insuficientes, grande número de extensores elétricos, que representa sério risco de incêndio; piso escorregadio, ausência de janelas, ausência de visor nas portas, diversos objetos salientes nas paredes e tetos, que podem causar contusões, dimensionamento de espaço e de pessoal, insuficientes. Estes resultados inferem a necessidade de melhor planejamento para construção de unidades de saúde que deve ser feito por uma equipe multiprofissional, composta por engenheiros, arquitetos, enfermeiros, médicos e de profissionais de todas as áreas que ali estejam envolvidos, pois a vivência do dia-dia contribui para a identificação dos riscos existentes no ambiente de trabalho. Outro componente que é essencial para o controle dos riscos ocupacionais é a implementação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), serviço que dispõem de profissionais qualificados da área de saúde e segurança do trabalho, que desenvolvem atividades referentes à prevenção de acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais, controle de riscos ambientais, treinamentos, orientações e fornecimento de EPI, medidas de higiene ocupacional, controle de imunizações e exames ocupacionais, entre outras atividades. Por todo o exposto faz-se necessário, além de uma reformulação física também a execução de ações planejadas que controlem ou diminuam os riscos não passíveis de correção e eliminem os demais segundo as normas vigentes da RDC/ANVISA nº 50/2002 (BRASIL, 2002a). 65 Conclui-se que a SE do EAS investigado não atende integralmente às normas estabelecidas, ocorrendo o descumprimento de requisitos que prejudicam a atividade e saúde dos profissionais que ali desenvolvem suas atividades laborais, afetando, também a qualidade da assistência. Também, evidenciou-se que os riscos físicos encontrados na SE em questão, podem gerar alterações físicas, fisiológicas e psicológicas capazes de causar agravos temporários ou permanentes à saúde dos trabalhadores. Ainda, pode-se concluir que a SE pesquisada, possui fontes potenciais de risco físico, no entanto, algumas das fontes potenciais podem ser preveníeis, e os riscos podem ser amenizados através de uma reforma na SE, disposição de EPI e EPC e realização de treinamentos com os funcionários, no intuito de apresentar os riscos aos quais os mesmos estão susceptíveis a fim de evitá-los. Dessa forma espera-se que este estudo subsidie o planejamento e as ações dos gestores da SE local no sentido de adequarem a estrutura física à legislação vigente oferecendo um ambiente de trabalho seguro aos seus trabalhadores e pacientes. 6.1 Perspectivas Futuras Pretende-se que este trabalho seja uma motivação para a realização de outros estudos na área e ainda, que possa ser uma base para a elaboração de mapas de riscos nesses ambientes laborais. 66 REFERÊNCIAS ALEXANDRE, N. M. C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e equipamentos hospitalares. 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Revista Latino Americana Enfermagem, v.9, n.2, p.86-90, 2001. ZAPPAROLI, A. D. S.; MARZIALE, M. H. P. Risco ocupacional em unidades de Suporte Básico e Avançado de Vida em Emergências. Revista Brasileira de Enfermagem, v.59, n.1, p.41-46, 2006. 75 APÊNDICE A INSTRUMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO POTENCIAL DE RISCO FÍSICO NA SALA DE EMERGÊNCIA data: / / 1-IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO/PRONTO SOCORRO/SALA DE EMERGÊNCIA 1.1 – Hospital ( )público ( ) privado 1.2-Porte do Hospital ( )pequeno ( )médio ( )grande ( )extra porte 1.3 – Número de leitos na Sala de Emergência:_____________ 1.4 – Média de pacientes por mês:____________ 1.5 – Equipe composta por: 1.5.1 – ( ) sim ( ) não – Enfermeiros por turno___________ 1.5.2 – ( ) sim ( ) não – Técnicos/Auxiliares de Enfermagem por turno___________ 1.5.3 – ( ) sim ( ) não – Médico por turno______________ Outros:___________________________________________________________ 1.6 – Responsável pela manutenção com qualificação técnica?( ) sim ( ) não 1.6.1– Grau de instrução ( ) primário ( ) técnico ( ) superior 1.7 – Manutenção dos equipamentos apenas corretiva? ( ) sim ( ) não 1.8– Manutenção dos equipamentos ( ) própria ( ) terceirizada ( ) mista 2 – CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA SALA DE EMERGÊNCIA Tamanho da sala de emergência 2.1 -_____________m X ______________m,área_______________m2 2.2 -_____________m, volume_____________3 2.3 – Área destinada para cada maca_____________m2 2.4 – Presença de posto de Enfermagem externo ( ) sim ( ) não 2.5 – Presença de área de expurgo ( ) sim ( ) não Outras anotaçãoes:________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 2.6 – Construção do teto: material ______________________ cor:_______________________ 2.7 –Parede: Material:___________________ Cor:____________________ Integridade:________________ 76 Material:___________________ Cor:____________________ Integridade:________________ Outros/observações:_________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 2.8 – Presença de colunas de sustentação (alvenaria) central: nº ________ 2.9 – Risco de colisão ( ) sim ( ) não 2.10 – Diminuição da visibilidade ( ) sim ( ) não Outros:______________________________________________________________________ 2.11 – Piso Local Sala emergência Cor Local do I Obervações Visor/abert. Obervações Material de E= Escorregadio D= Desnível I= Integridade 2.12 – Portas Número Cor Tipo Local Abertura (p dentro = PD), (para fora = PF) 2.13 – Janelas Número:_____________Local:_____________/__________________/________________ Tamanho: ____________X______________m ____________X______________m ____________X______________m ____________X______________m ____________X______________m Tipo: ( ) fixa ( ) corrediça ( ) vitraux ( ) com dobradiça Material da esquadria : ( ) madeira outros__________________________ Tela: ( ) sim ( ) não ( ) alumínio ( ) ferro ( ) 77 Abertura: ( ) para dentro ( ) para fora ( ) nenhuma Obervação:_________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 2.14 – Fluxômetro/régua Rede de oxigênio Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________ Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________ Observações (extensões/ conservação/ local) __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Rede de vácuo Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________ Tela: ( ) sim ( ) não Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________ Observações (extensões/ conservação/ local) __________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Rede de ar comprimido Número de saídas_______funcionantes________fixas_______vazamentos__________ Tela: ( ) sim ( ) não Altura____________m / ____________m/____________m/___________m/_____________ Observações (extensões/ conservação/ local) __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 2.15 – Negatoscópio ( ) embutido ( ) saliente Altura do solo: ____________m ______________m 2.16 – Ventilação ( ) natural ( ) artificial ( ) mista 2.17– Climatização 78 Tipo Potência Temp. max. Temp. mín. Local Tipo: Central = C ou Janela = J 2.18 – Iluminação Artificial ( ) Mista ( ) Natural ( ) Número de luminárias no teto: ( ) sem plafom_________ ( ) plafom-transp_________ ( ) opaco____________ Tipos de luminárias: ( ) fluorescente_________( ) incandescente____________ Intensidade de iluminação: nº lâmpadas peq.__________nº lâmpadas grande______ Índice de iluminação = luminosidade = nº de lâmpadas x 40 w= ?? área índice de iluminação menor que 20 = insuficiente Tomadas com ou sem aterramento 110 V e 220 V (sem aterramento) 110 V (com aterramento) ____________________ _________________ 220 V (com aterramento) _______________ NÚMERO DE TOMADAS INSUFICIENTES: Número de tomadas de: 110 V_____________ 220 V_____________ Número de aparelhos eletro-médicos_______________ 3 – RISCO DE TRAUMA 3.1 – Objetos suspensos no teto: Tipo___________________ número___________________ local_______alt_________m2 Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2 Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2 Tipo___________________ número___________________ local______ alt_________m2 3.2 – Objetos fixados na parede: Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2 79 Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2 Tipo___________________ número___________________ local________ alt_________m2 Tipo___________________ número___________________ local_______ alt_________m2 3.3 – Objetos móveis: Foco auxiliar: ( ) com base instável altura regulável ( ) com base instável altura fixa Observação:__________________________________________________________________ Suporte de soro: Material Nº Tipo Rodízio Altura (m) Tipo de Gancho Tipo = (I) inox(M) madeira (A) alumínio (O) outros Rodízio = (S) sim - com 3 rodízios ( ) com 4 rodízios ( ) (N) não Observação:__________________________________________________________________ Móvel de guarda de material Tipo Material Altura Largura Profundidade Material Armazenado Observação: se armário observar a abertura das portas. __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Presença de escada de dois de graus ( ) sim ( ) não Material____________________Integridade_____________________Nº__________________ Material pérfuro-cortante 80 Tipo de material Local do descarte Material do recipiente 4 – RISCO ELÉTRICO 4.1 – Idade da instalação elétrica___________________anos Tomada Tipo/tomadas Número Altura do Localização chão (m) Nº aparelhos Conservação ligados Obervação:_________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Interruptor Tipo/ Interruptor Número Altura do chão Localização (m) Conservação Obervação:_________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Extensões Tipo/ Extensão Número Altura do chão Localização (m) Conservação 81 Obervação:_________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 5 – RISCO DE RUÍDO Fonte emissora Localização da fonte Localização da medição Ruído (dB) Obervação:_________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 6 – RADIAÇÃO IONIZANTE E NÃO –IONIZANTE 6.1 – Aparelhos emissores de radiação ( ) sim ( ) não nº_______________ 6.2 – Rx portátil ( ) sim ( ) não 6.3 – Proteção de chumbo: Parede da sala ( ) sim ( ) não Portas da sala ( ) sim ( ) não Vidros da sala ( ) sim ( ) não Avental de chumbo ( ) sim ( ) não Biombo de chumbo ( ) sim ( ) não 7 – MOBILIÁRIOS/EQUIPAMENTOS Mobiliário/Equipamentos Riscos existentes *Queda de objetos, cantos, materiais soltos (pontiagudos), altura (colisão), local impróprio (fluxo/obstrução).